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Clodoaldo Beckmann (1927-2007): O medico cirurgiao e documentalista dedicado a Biblioteconomia.

[Clodoaldo Beckmann (1927-2007): The surgeon and documentalist dedicated to Librarianship]

1. Introducao

Ao completar 52 anos da Biblioteconomia na cidade de Belem, estado do Para, Brasil, exatamente no dia 28 de janeiro de 2015, o presente trabalho procura fazer uma homenagem a memoria daquele que foi o responsavel pela criacao desse curso de bacharelado na Universidade Federal do Para (UFPA): o medico cirurgiao e documentalista Clodoaldo Fernando Ribeiro Beckmann (1927-2007). Nessa direcao, temse como objetivo recuperar a dimensao profissional da pessoa que colocou seu conhecimento a servico tanto da Medicina quanto da Biblioteconomia, areas distintas do saber das quais ele jamais se afastou em vida. Tal como pode ser constado neste estudo, Clodoaldo Beckmann deixou contribuicoes importantes nessas duas areas do conhecimento que, em abstracao, podem ser unidas sob a perspectiva da informacao que da sustentacao as suas praticas academicas e profissionais.

Procurando conhecer quem foi e os fatos que marcaram a vida de Clodoaldo Beckmann, desenhou-se um estudo seguindo uma estrategia de investigacao qualitativa. Desse modo, foram combinadas orientacoes metodologicas da pesquisa bibliografica, da pesquisa documental e da historia de vida, esta ultima produzida a partir do metodo biografico que, alias, ainda tem sido pouco explorado na Biblioteconomia e na Ciencia da Informacao (1). As evidencias que permitiram conhecer Clodoaldo Beckmann, bem como os feitos marcantes ligados a vida dele foram obtidos com a realizacao de entrevistas abertas e conversas informais com familiares, amigos, colegas de trabalho e ex-alunos. Alem disso, o acesso a documentos de carater profissional e pessoal, principalmente fotografias, mostrou-se essencial para a realizacao deste exercicio biografico.

Nesse contexto, apos esta introducao o trabalho segue desenvolvido em mais tres partes. A parte segunda traz o detalhamento metodologico deste estudo. Na parte terceira tem-se os elementos biograficos de Clodoaldo Beckmann propriamente ditos, tais como sua origem, formacao academica e trajetoria profissional, sobretudo na UFPA, local em que trabalhou dedicadamente ao longo de toda a vida. Aqui, aspectos de sua personalidade tambem sao tracados, seja como um homem de brincadeiras reservadas as pessoas mais proximas, um apaixonado pela esposa, pai disciplinador, carinhoso e poeta de grande sensibilidade, seja como chefe e professor exigente com os colaboradores de trabalho e com os alunos dos cursos de Medicina e de Biblioteconomia. Ainda na parte terceira, a dimensao profissional recuperada sobre Clodoaldo Beckmann destaca a atuacao dele nao somente na Biblioteconomia como tambem na Medicina, sendo esta a area em que se diplomou para so depois encantar-se com os conceitos e com as praticas relacionadas ao tratamento documental/informacional. O estudo procurou arrolar ainda o trabalho de Clodoaldo Beckmann no campo da cultura e nas associacoes de classe ligadas a Medicina, nas quais ocupou funcoes ora como membro ora como presidente. Em seguida, tratado do ultimo desejo do medico cirurgiao e documentalista, o trabalho se ocupa das palavras finais sobre o homem que definitivamente deixou suas marcas na historia da Medicina e da Biblioteconomia no Para.

2. Sobre a metodologia

O estudo agora socializado e fruto de uma abordagem qualitativa. Conforme Chizzotti (2010), essa modalidade de pesquisa envolve diversas areas do conhecimento nas Ciencias Sociais e Humanas. Precisamente, a palavra qualitativa e usada para se referir aos estudos "[...] com pessoas, fatos e locais que constituem objeto de pesquisa, para extrair desse convivio os significados visiveis e latentes que somente sao perceptiveis a uma atencao sensivel [...]" (Chizzotti, 2010: 28). Entre as varias estrategias de pesquisa possiveis enquadradas nessa abordagem, o estudo sobre Clodoaldo Beckmann foi conduzido pela historia de vida, ou seja, aquela que consiste no estudo "retrospectivo" sobre a vida de alguem, podendo ser obtida de forma oral ou escrita, procurando destacar os fatos significativos da pessoa biografada (Chizzotti, 2010: 101). Com efeito, o metodo biografico e apenas uma dentre as muitas maneiras de se trabalhar a historia de vida, ajustando-se perfeitamente ao proposito deste estudo.

Segundo o Dicionario Aulete ([200-]), a biografia pode ser definida como: "Historia escrita sobre a vida de uma pessoa, livro, filme, peca de teatro etc. que apresenta uma biografia (1), liter. Genero literario em que e narrada a historia de uma pessoa". Chizzotti (2010: 102), por sua vez, de forma complementar e mais especifica, a define como "[...] a narrativa de vida de uma pessoa, feita por outrem, que, com base em documentos, hipoteses e orientacoes teoricas, constroi a vida do biografado" no sentido da biografia classica. O autor ainda ensina que a biografia teve origem na Antiguidade, quando Platao biografou a vida de Socrates, sendo posteriormente aperfeicoada como metodo no seculo XX na Escola de Chicago, precisamente por Thomas e Znanicki, difundindo-se tao amplamente ao ponto de ser considerada um genero literario. Alberti (2000), sobre esse aspecto, observa que a historia oral ganha forca pela crescente valorizacao da subjetividade e da experiencia individual em direcao ao conhecimento do passado, o que tem induzido o boom de publicacoes biograficas no Brasil e no exterior. Todavia, na pesquisa cientifica ela ganha forca com a ajuda da pesquisa documental e com o uso de entrevistas, procurando tratar a vida do biografado sem sensacionalismo e dentro de limites eticos, uma orientacao importante, sobretudo, quando se ocupa de alguem que ja nao se encontra fisicamente entre os vivos para defender sua honra dos exageros e dos desvios as vezes cometidos pelos biografos.

Precipuamente, ao utilizar o metodo biografico pode-se, de um modo geral, compreender a historia de vida de uma pessoa, a fim de que nao se deixe desaparecer a importancia e a memoria dela na sociedade em que viveu. Por isso, de acordo com Moraes (2009), em suas formas variantes de pesquisa, a biografia desvela a vida de sujeitos que, de algum modo, encontram-se ocultos em varios periodos historicos, o que torna o acesso a documentos e a realizacao de entrevistas estrategias fundamentais em direcao a construcao de narrativas sobre pessoas reais, estejam estas vivas ou nao. E conforme orienta Vasconcelos (2007: 210, 215), no estudo sobre pessoas o pesquisador deve se utilizar de arquivos pessoais (fotografias, diarios, cartas e outros) e fontes relativas a vida cotidiana, no que se inclui, quando necessario, o uso de e-mail "para a troca de informacoes escritas ou em voz [...]". Diga-se de passagem, esse ultimo recurso foi importante, por exemplo, no contato com Lucia Beckmann, quem forneceu gentilmente, via correio eletronico, o material fotografico e as informacoes profissionais e pessoais sobre o pai.

Documentos de Clodoaldo Beckmann tambem foram obtidos em diferentes orgaos, tanto publicos quanto privados. Entre esses orgaos tem-se a UFPA, o Conselho Estadual de Cultura do Estado do Para, o Colegio Brasileiro de Cirurgioes, o Conselho Regional de Medicina e o Colegio Nazare. Ja os dados de natureza primaria foram coletados por meio de entrevistas abertas e por conversas informais junto a amigos, colegas de trabalho na area da Biblioteconomia e da Medicina e, principalmente, junto aos familiares do biografado, o que se fez conforme a disponibilidade de tempo e as condicoes emocionais dos colaboradores que se dispuseram a remexer suas memorias para delas respirar alegrias, tristezas e saudades (Vasconcelos, 2007). Duas colaboradoras preferiam fazer registros escritos por meio do computador e fornece-los aos autores por e-mail, ou por pen-drive. Outros dois informantes se dispuseram a ceder entrevistas, todas elas gravadas com o auxilio de telefone celular. De maneira complementar, algumas memorias e depoimentos foram manifestados informalmente, sendo por isto registrados como notas, em caderneta de campo.

Alem da pesquisa documental tambem se fez uma pesquisa bibliografica. Tal como ensina Eco (1996), a pesquisa bibliografica e uma etapa fundamental em qualquer empreendimento academico, consistindo basicamente na identificacao e na selecao de fontes que possam dar sustentacao teorica aos estudos. Nesse sentido, livros, capitulos de livros, trabalhos publicados em anais de ventos e artigos de periodicos sobre biografia, Biblioteconomia, a historia da UFPA e sobre os acontecimentos ligados ao periodo em que Clodoaldo Beckmann viveu, entre outros assuntos, foram essenciais para contextualizar este trabalho que, dentro de certos limites metodologicos aceitaveis, resulta tambem das escolhas e das omissoes dos autores em relacao aos longos anos de vida do biografado. Assim, embora o que se segue esteja longe de esgotar quem foi e o que fez Clodoaldo Beckmann, tem-se ao menos um conhecimento capaz de fornecer aos familiares, amigos, docentes, discentes e aos bibliotecarios um esboco biografico daquele que foi o responsavel pela criacao do curso de Biblioteconomia na UFPA, construindo os alicerces para que muitos homens e mulheres continuem a trilhar por esta profissao no estado do Para e nao somente nele, posto que muitos e muitas migram para trabalhar em outros estados da federacao.

3. Vida e obra de um medico cirurgiao e documentalista paraense

Clodoaldo Fernando Ribeiro Beckmann (Figura 1) nasceu na capital do estado do Para, Belem, precisamente no dia 6 de marco de 1927. Era filho de Jose da Fonseca Beckmann, tecnico em contabilidade, e de Anna Ribeiro Beckmann, dona de casa. Teve como irmaos Carmen, Claudio e Clea, todos filhos do primeiro casamento do pai que, viuvo, veio a casar-se outra vez, constituindo nova familia, em que foram gerados os irmaos Carlos, Cassio, Celio, Clovis e Crisolete. Depois de alguns anos, Jose Beckmann separou-se da segunda esposa e casou-se com a terceira mulher, vivendo uma relacao que gerou mais nove filhos, a saber: Arthemio, Dayse, Maria da Graca, Joao Antonio, Paulo, Cristina, Sandra, Socorro, Jose Manuel. Sendo assim, Clodoaldo Beckmann teve, ao todo, dezessete irmaos (2).

Ao perder a mae aos 12 de idade, Clodoaldo Beckmann e o irmao Claudio foram criados pelas tias maternas. Entrando na adolescencia sem a presenca materna e paterna, e em meio as dificuldades financeiras pelas quais passava, essa experiencia nao o afetou no desempenho escolar, tal como consta registrado em seus boletins com aprovacoes e com excelentes notas que permitem descreve-lo como uma crianca dedicada aos estudos, atitude esta que manteve ao longo de toda a vida academica, refletindo-se tambem na vida profissional. Ao considerar as muitas experiencias pelas quais Clodoaldo Beckmann passou, parte da biografia que se conseguiu produzir sobre ele segue enfocando os aspectos academico, familiar e profissional.

Em seu processo de educacao formal, Clodoaldo Beckmann passou por duas grandes escolas da capital paraense. No Instituto Nossa Senhora de Nazareth ele fez o ensino primario e secundario (1937-1942), e no Colegio Estadual Paes de Carvalho (CEPC)--um dos mais tradicionais da rede publica, em Belem--ele fez o curso cientifico (1943-1945), atual ensino medio. Ja o ensino superior foi realizado na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Para, entre os anos de 1945 e 1950.

Aos 10 anos de idade, Clodoaldo Beckmann fez um teste para entrar no Instituto Nossa Senhora de Nazareth, obtendo excelentes notas. Nesse mesmo colegio ele permaneceu durante parte do ensino secundario. No ano de 1943, Clodoaldo Beckmann foi transferido para o CEPC, concluindo o ginasio em 1945 para depois prestar vestibular para a Faculdade de Medicina e Cirurgia do Para, no mesmo ano em que findava a II Guerra Mundial. O concurso de habilitacao para Medicina ocorreu (3) na manha do dia 5 de fevereiro de 1945. Conforme ele mesmo relata, naquele dia chovia muito na capital paraense e, as vesperas, Clodoaldo Beckmann tivera uma noite mal dormida devido a revisao intensiva dos temas da prova. Dos 27 candidatos inscritos, a maioria vinha do CEPC, e dos alunos inscritos a habilitacao, apenas 21 foram aprovados. Bem colocado na selecao, na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Para Clodoaldo Beckmann teve destaque em sua turma, conquistando o premio "Raul Leite", concedido ao concluinte que conquistasse excelentes notas durante os seis anos de graduacao.

Alem do curso de Medicina, Clodoaldo Beckmann fez outros cursos na area da saude para complementar a formacao. Participou, nessa direcao, do curso em Traumatologia, Anatomia do Sistema Nervoso Central, Clinica Ginecologica, Ciencias Naturais, Cirurgia do Aparelho Digestivo e outros. Foi tambem academico interno da Clinica Cirurgica da Santa Casa de Misericordia. Em seu conjunto, esses elementos sao indicadores do compromisso que o jovem medico cirurgiao assumiu com uma profissao que lida com a vida humana, exigindo habilidade, responsabilidade, competencia e conhecimento tecnico-cientifico consolidado.

Dos 22 medicos que se formaram com Clodoaldo Beckmann, alguns seguiram para o exercicio imediato da Medicina; outros buscaram a residencia medica e a especializacao. Clodoaldo Beckmann estava no grupo dos que foram logo clinicar. Quando no momento da especializacao ele realizou estagios na area cirurgica, na qual encontraria um futuro promissor. Conforme registra Bordalo (2008), em artigo especial publicado na "Revista Paraense de Medicina", Clodoaldo Beckmann era eximio na realizacao de gastrectomias, tanto na tecnica Billroth I quanto na tecnica Billroth II. Em monografia defendida em 1954, intitulada "Estudo Propedeutico das complicacoes Abdominais Pos-operatorias", o jovem medico cirurgiao obteve media final igual a 9,8, o que ja era esperado pela aplicacao e pelo desempenho ao longo do curso (4).

Em uma vida academica e profissional exitosa, Clodoaldo Beckmann sempre reconheceu o papel da familia, em especial de sua musa e esposa, dona Ceres Brasao Silva Beckmann, a quem conheceu por intermedio do cunhado. Como ela propria relata: "Ele era amigo do meu irmao. Em uma das visitas a minha casa para visitar meu irmao fomos apresentados, e, depois de algum tempo [nao muito] comecamos a namorar (5)". Transcorrido o tempo de namoro o casal selou a uniao no dia 14 de junho de 1952 (Figura 2), em cerimonia religiosa e civil realizada na casa dos sogros. De uma longa uniao amorosa, que durou 55 anos, eles constituiram uma familia que continua a crescer pelas maos da geracao de netos. Clodoaldo Beckmann e dona Ceres tiveram um casal de filhos, Lucia Beckmann de Castro Menezes e Fernando Silva Beckmann. Esses, por sua vez, deram a eles quatro netos: Andre Beckmann de Castro Menezes; Aline Beckmann de Castro Menezes; Meg Acatauassu Beckmann e Fernanda Acatauassu Beckmann. Na linha de descendencia do casal Beckmann, tem-se ainda dois bisnetos, Arthur Moreira Beckmann Menezes e Bruno Moreira Beckmann Menezes, os quais infelizmente nao conheceram o bisavo em vida.

Clodoaldo Beckmann sempre foi dedicado a familia. A face do chefe de familia foi conhecida pelo contato que um dos autores deste estudo teve com dona Ceres, com a filha Lucia Beckmann, e com o neto, Andre Beckmann. Lucia, por exemplo, fala das memorias sobre a relacao entre opai ea mae, bem como do carater paterno de Clodoaldo Beckmann. Segundo ela:

"Era maravilhoso. Ele a amava profundamente. Cuidava dela, a protegia, a mimava, gostava de ve-la sempre arrumada e bonita. E claro que eles brigavam, afinal, meu papai tinha um genio danado [...]. Exigente, rigoroso, exemplo, conselheiro, piadista, implicante, justo [...]. Com os filhos ele era exigente em tudo. Comportamento, modos, linguagem, musica, leitura, etc., ou seja, sempre se preocupou com a nossa educacao formal e com a educacao no sentido mais amplo (6)".

Paradoxalmente a imagem evocada por amigos e familiares, que o revelam como um homem rigido e exigente, por outro lado tem-se um ser humano sensivel que se revelava, entre outras coisas, no gosto pela poesia, fosse como leitor ou como o poeta que era. E assim que os entrevistados falam de um Clodoaldo Beckmann poetico, que sempre fazia versos e os presenteava as pessoas de seu convivio. Esses "presentes" poderiam resultar de um chiste, ou ainda dos sentimentos por dona Ceres, neste caso, sempre carregados de amor e de romantismo, como em "A valsa", oferecidos a companheira de toda uma vida, em que relembra o inicio do namoro em uma festa no clube social de Belem conhecido como Assembleia Paraense (AP).

4. O docente

No campo profissional, Clodoaldo Beckmann foi professor dos niveis de ensino secundario e superior, neste ultimo atuando na Medicina e na Biblioteconomia. Foi tambem medico cirurgiao, Pro-reitor de Planejamento, primeiro diretor da Biblioteca Central e do Curso de Biblioteconomia, conselheiro e presidente do Concelho Estadual de Cultura do Estado do Para, assim como do Colegio Brasileiro de Cirurgioes. Entre os anos de 1948-1964 ele trabalhou como professor no ensino medio, lecionando em colegios tradicionais de Belem, tais como o Nazare, o Santo Antonio e o Nossa Senhora do Carmo, nos quais ministrava disciplinas ligadas as ciencias, a saber, Ciencias fisicas e Naturais, Quimica, Historia Natural, Anatomia e Fisiologia Humanas. Apos a formatura, Clodoaldo Beckmann deu inicio a carreira de professor universitario em 1952. No curso de Medicina lecionou Anatomia do Aparelho Digestivo e Bases da Tecnica Cirurgica ate 1985. No curso de Biblioteconomia ele esteve a frente das disciplinas Classificacao (1963), Bibliografia e Referencia (1963-1967), e Evolucao do Pensamento Filosofico e Cientifico (Beckmann, 2007). Apos a aposentadoria, o medico cirurgiao retornou ao curso de Biblioteconomia nos anos de 1990 como professor visitante, dedicando-se exclusivamente a disciplina Historia do Livro e das Bibliotecas (7).

No retorno ao curso de Biblioteconomia da UFPA como professor visitante, Clodoaldo Beckmann desempenhou papel importante na criacao do Mestrado Interinstitucional em Ciencia da Informacao (8). Mantido em convenio com o Instituto Brasileiro de Informacao em Ciencia e Tecnologia (IBICT) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esse curso resultou dos esforcos dele na elaboracao do projeto que contou com as contribuicoes da professora Maurila Bentes (FABIB/ICSA/UFPA). Nesse empreendimento foi fundamental a articulacao de Clodoaldo Beckmann com a professora doutora Lena Vania Ribeiro, pesquisadora do IBICT, ex-aluna do curso de Biblioteconomia da UFPA e amiga, sem a qual possivelmente o curso nao teria se tornado realidade. Logo, ha que se reconhecer a atuacao dele para a qualificacao do corpo docente (9) do curso que criara em 1963.

5. O criador do curso de Biblioteconomia no Para

A criacao do curso de Biblioteconomia no dia 28 de janeiro de 1963 e, sem duvida, um dos legados mais importantes de Clodoaldo Beckmann para a UFPA. Um feito que merece ser bem contextualizado quanto aos antecedentes historicos de sua institucionalizacao. Nessa perspectiva, ao se pensar o papel das bibliotecas no acesso a informacao, no plano politico, o Brasil dos anos de 1960 foi marcado pelo regime autoritario de um Estado que se definia como "modernizador". Durante a presidencia de Joao Goulart (1961-1964), segundo Souza (2009, p. 74), o pais experimentou um processo de "repressao politica e cassacao de liberdades individuais" que se acentuou com Castelo Branco (1964-1964), precipuamente ao assinar o Ato Institucional no 3, em fevereiro de 1966. Citado por Souza (2009) em meio a esse cenario de repressao, Galeano rememora de uma epoca em que livros de autores como Dostoievski, Tolstoi e Gorki eram lancados na Baia da Guanabara. Pessoas opositoras ao regime ditatorial, por sua vez, eram exiladas, presas ou mortas diante do medo da disseminacao de ideias comunistas no pais.

No estado do Para, como em todo o Brasil, o Ato Institucional no 3 tornou possivel o voto indireto, de forma que governadores e prefeitos passaram a ser nomeados pelo presidente da Republica (Souza, 2009). Foi exatamente por forca desse instrumento que Alacid Nunes tornou-se prefeito de Belem em 1964 e, posteriormente, governador entre 1966 e 1971. Esse mesmo periodo foi tocado pelos estudos das bibliotecarias Ruthe Chelala, Alda Cunha e Clara Galvao (1975) (10) sobre a realidade bibliotecaria no Para, apresentando dados oficiais sobre a educacao e, por outro lado, quantificando e descrevendo o estado das poucas bibliotecas entao existentes. Em uma perspectiva historica, as autoras dividem o periodo de emergencia da Biblioteconomia no cenario paraense em tres fases: o de iniciacao (1957-1962); o de formacao (1963-1965); e o profissional, ou de profissionalizacao (a partir de 1966).

Por seu valor historico, as evidencias e as analises de Chelala, Cunha e Galvao (1975) sao elementares para o livro escrito por Clodoaldo Beckmann, intitulado "Para a historia da UFPA...", publicado em 2007, no qual se dedica, entre outras coisas, a documentar o processo de criacao do curso de Biblioteconomia na UFPA. Desse modo, no periodo 1957-1962 tem-se o despertar dos orgaos publicos locais para a necessidade do profissional bibliotecario, o que resultou nos esforcos de treinar pessoal para atuar nas bibliotecas da capital. No periodo 1963-1965 e possivel situar o envolvimento de profissionais de instituicoes no Para em cursos superiores para a formacao de docentes para o curso de Biblioteconomia da UFPA. E, por fim, no periodo de profissionalizacao, a partir de 1966, tem-se a atuacao dos primeiros bibliotecarios egressos desse curso universitario, bem como a criacao dos orgaos de classe, a saber, o Conselho Regional de Biblioteconomia da 2a Regiao (Crb-2) e a Associacao Paraense de Bibliotecarios (ASPAB).

Na capital paraense a falta de bibliotecarios era notoria na primeira metade do seculo XX. Como relatam Chelala, Cunha e Galvao (1975), para trabalhar na organizacao da biblioteca do Instituto Agronomico do Norte (atual Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuaria--EMBRAPA), em 1940 foi contratado o bibliotecario americano Francis Thorne. O Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), por sua vez, so contou com bibliotecario em seu quadro profissional nos anos de 1950, com a vinda de Clara Maria Galvao, que trabalhava no Museu Nacional, na cidade do Rio de Janeiro. Nesse periodo, o MPEG promoveu um curso de iniciacao a Biblioteconomia com o objetivo de capacitar pessoal para o trabalho nas bibliotecas locais, contando com a colaboracao de Plinio Abreu e de Consuelo Brigido Alves, ambos do quadro de bibliotecarios do Instituto Agronomico do Norte. Dentre os 21 candidatos selecionados para esse curso, Chelala, Cunha e Galvao (1975) informam que apenas cinco buscaram a formacao superior na UFPA, alguns dos quais vieram a atuar posteriormente como professores do curso de Biblioteconomia dessa universidade.

Nos anos de 1960 a iniciativa de promover cursos breves com conteudos baseados em nocoes gerais e tecnicas de Biblioteconomia prosseguiu no Para, sendo um deles orientado por Ruthe Conduru no Centro Propagador de Ciencias (Chelala; Cunha e Galvao, 1975). Todavia, com a regulamentacao do exercicio da profissao de bibliotecario pela Lei no 4.084, de 30 de junho de 1962 (Brasil, 1962), Beckmann (2007) analisa que essa estrategia se mostraria inviavel nos anos seguintes. E nessa direcao que Chelala, Cunha e Galvao (1975) falam da instalacao da Biblioteca Central da UFPA, motivando o convite do entao Reitor Jose da Silveira Netto para que Clodoaldo Beckmann viesse a geri-la, culminando tempo depois na criacao de um novo curso de Biblioteconomia no Brasil (11).

Durante a administracao de Silveira Netto, o segundo Reitor da UFPA, toda a prioridade foi dada a criacao do campus, em Belem. Conforme narra Silva (2003: 91), "ao final de 1968, tinham terminadas as obras de infraestrutura do setor basico e construidos os primeiros pavilhoes de aulas e as Secretarias Gerais dos Cursos". Assim, o novo campus da UFPA foi inaugurado em 13 de agosto de 1968, ocasiao que contou com a presenca do Presidente Costa e Silva. Como registra Fontes (2007), nesse ato, o engenheiro Alcyr Meira fez uma exposicao sobre o conjunto universitario, inaugurado quatro anos apos o inicio do projeto.

Com o convite do Reitor Silveira Netto, Clodoaldo Beckmann deslocou-se para a cidade do Rio de Janeiro no ano de 1961, a fim de participar do curso de especializacao em Documentacao Cientifica, no Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentacao (IBBD). Ao conclui-lo, o medico cirurgiao deveria assumir o desafio de organizar e dirigir a Biblioteca Central da UFPA (Beckmann, 2007). Como o proprio Clodoaldo Beckmann relata, ele ficou surpreso ao receber o convite do Reitor, que decididamente ja havia se encarregado de todos os preparativos:

"Preciso de ti para organizar a Biblioteca Central da Universidade. Vais estudar um ano no IBBD sob orientacao de Lydia de Queiroz Sambaqui. Ja tenho tudo preparado. Tua licenca do cargo de medico do IAPB sera concedida e a bolsa de estudos da CAPES ja esta aprovada" (Beckmann, 2007: 28).

Para Clodoaldo Beckmann, um apaixonado pela Medicina, ficar afastado por um ano das atividades para as quais havia se preparado como medico e cirurgiao era algo desafiador. Ao chegar ao Rio de Janeiro, mesmo tendo que dedicar cinco horas do dia ao curso no IBBD, Clodoaldo Beckmann ainda encontrava tempo para praticar a Medicina. Dessa experiencia ele relata que:

"Apos as manhas cirurgicas no Hospital Andarai, onde eu continuava minha pratica profissional, vieram, no ano letivo, as cincos horas diarias de aula no IBBD, entao dirigido pela extraordinaria figura de Lydia de Queiroz Sambaqui. Encontrei nas aulas de Filosofia e Historia da ciencia, Metodologia da pesquisa e de Procedimentos tecnicos de bibliotecas um mundo novo que me abriu os olhos para aspectos da cultura aos quais eu estava alheio ate entao" (Beckmann, 1988: 5).

Ao termino do curso, com duracao de um ano, Clodoaldo Beckmann regressou a Belem como documentalista para colocar em pratica o que havia aprendido no IBBD, sendo entao nomeado por Silveira Netto para dirigir a Biblioteca Central. Apos todo o trabalho de processamento tecnico e de organizacao do acervo, a biblioteca foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 1962. Nela, Clodoaldo Beckmann trabalhou como diretor entre 1962 a 1966, e, em uma homenagem recebia em vida, desde 2005 a biblioteca foi rebatizada com o nome dele.

Com a criacao da Biblioteca Central, em 1962, e com a expansao da universidade, havia tambem que se contratar pessoal para trabalhar nos servicos tecnicos e administrativos que se faziam necessarios a um funcionamento regular. Nessa direcao, a solucao pensada por Clodoaldo Beckmann foi enviar pessoal para o IBBD, o que se fez com a historiadora Maria de Nazare Moreira e com a odontologa Maria Ilka da Silva Monteiro. Todavia, nao haveria tempo suficiente para enviar todo o pessoal necessario e, alem de disso, a medida representava um alto custo para a UFPA. Ademais, com a Lei n. 4.084, de 30/06/1962, tornou-se impossivel a contratacao de pessoal para o exercicio da profissao de bibliotecario que nao tivesse formacao em cursos universitarios de Biblioteconomia (Beckmann, 2007).

Foi em meio ao cenario de carencia de bibliotecarios no Para que Clodoaldo Beckmann levou a Reitoria a proposta de criacao do curso de Biblioteconomia. Como o Conselho Universitario nao acreditou na necessidade nem na possibilidade de continuidade de um curso de bacharelado desse tipo, por um estratagema do proprio Reitor Silveira Netto, em 28 de janeiro de 1963, atraves da Resolucao no 1-A, criou-se o curso de Biblioteconomia da UFPA (Figura 3) (Beckmann, 2007). Nesse mesmo ano o curso funcionou no predio entao ocupado pela Biblioteca Central, na Avenida Governador Jose Malcher.

Com duracao de tres anos, o corpo docente do curso de Biblioteconomia da UFPA foi inicialmente composto por 10 professores, cujos nomes merecem ser registrados: Apio Paes Campos; Benedito Nunes; Celia Ribeiro Zaher; Clodoaldo Beckmann; Francisco Paulo Mendes; Maria de Nazare Calvis Moreira; Maria Ilka Monteiro; Nizeth Cohen; Tais Fialho; e, Vicente Eloi. Desses, apenas tres tinham especializacao pelo IBBD (Russo, 1966). A grade curricular, por sua vez, era composta pelas disciplinas: Bibliografia e Referencia; Catalogacao; Classificacao; Documentacao; Evolucao do Pensamento Filosofico e Cientifico; Historia da Arte; Historia da Literatura; Historia do Livro e das Bibliotecas; Introducao aos Estudos Historicos e Sociais; Organizacao e Administracao de Bibliotecas; e, Paleografia (Beckmann, 2007). Assim, a iniciativa que se mostrava insustentavel aos olhos do Conselho Universitario da UFPA nos anos de 1960 (12), consolidada, entra para o seculo XXI formando novos quadros de bachareis e de bacharelas em Biblioteconomia para trabalharem nao somente nos 144 municipios do estado do Para, mas tambem em outras unidades da federacao.

6. A atuacao na cultura

Uma vez tratada a atuacao de Clodoaldo Beckmann junto a UFPA, faz-se necessario registrar a presenca dele em outras instancias. No Conselho Estadual de Cultura do Estado do Para (CEC) ele trabalhou por quase 20 anos, inicialmente como conselheiro, depois como vice-presidente, e, por fim, como presidente.

Clodoaldo Beckmann foi nomeado conselheiro dia 29 de novembro de 1988 pelo entao governador do Para, Helio da Mota Gueiros. Com o fim do mandato, em novembro de 1990, ele foi reconduzido ao posto por mais seis anos. Na eleicao de 30 de dezembro de 1996, Clodoaldo Beckmann candidatou-se como vice-presidente e, eleito, exerceu o mandato por dois anos. Ao final desse periodo ele retornou como conselheiro, o que se repetiu em 2002. Em junho de 1998, com o falecimento do presidente do CEC, Jose Silveira Netto, Clodoaldo Beckmann passou a substitui-lo. O mandato de Silveira Netto duraria ate dezembro de 1998, porem, por meio de eleicao, Clodoaldo Beckmann permaneceu no cargo ate 30 de dezembro de 2000. Em novembro de 2005 ele foi indicado como presidente do CEC por Almir Gabriel, entao governador do Para, mas, em razao do falecimento, nao chegou ao final de suas funcoes.

Como leitor e divulgador da cultura, ao chegar ao CEC Clodoaldo Beckmann tomou conhecimento da "Revista de Cultura do Para", cuja circulacao estava interrompida por falta de recursos financeiros. Decidido a reativa-la, criou um Conselho Editorial composto por ele proprio e por grandes nomes da cena academica e cultural paraense, providenciou o registro do International Standard Serial Number (ISSN) e buscou parcerias para obter os recursos para a impressao dos novos fasciculos. Junto a Grafica da UFPA, Clodoaldo Beckmann conseguiu a producao de material grafico e servicos de impressao. O periodico--que em sua versao original continha apenas textos de carater administrativo e artigos internos--ganhou nova estrutura, incorporando artigos cientificos, resenhas, ensaios e poesias, passando a ser distribuido nacionalmente. Em Belem, a Biblioteca Publica Arthur Vianna e a Biblioteca Central da UFPA possuem alguns numeros da "Revista de Cultura do Para". Infelizmente, em 2007, com o falecimento de Clodoaldo Beckmann, o periodico teve novamente a publicacao interrompida. Apos essa perda, um unico volume em homenagem postuma foi editado em julho de 2008, contendo os artigos "A morte reveladora de Clodoaldo Beckmann" e "Clodoaldo Beckmann", da autoria Joao Carlos Pereira e de Jorge Alberto Langbeck Ohana, respectivamente (13).

7. A atuacao na Medicina

Inscrito no Conselho Regional de Medicina do Para sob o no 33, Clodoaldo Beckmann trabalhou no Hospital da Santa Casa de Misericordia (1951-1981), no Hospital D. Luiz I--atual Beneficente Portuguesa (1952-1958)--, no Hospital Adventista de Belem (19551961) e na Casa de Saude Santa Clara (1966-1984). Tambem exerceu a Medicina no Instituto Nacional de Assistencia Medica e Previdencia Social (INAMPS) (1982), depois denominado Instituto Nacional de Previdencia Social (INPS), e, atualmente, Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Atuou nas Clinicas Cirurgicas dos Homens (1951) e na Clinica Cirurgica Infantil (1964) (Beckmann, 1991). No Rio de Janeiro, Clodoaldo Beckmann trabalhou como medico no Hospital Andarai (1962) (Beckmann, 1988). Nao e para menos que, sobre a atuacao na Medicina, Bordalo (2008: 83) informa que "Clodoaldo Beckmann,--o medico--deixou sua marca indelevel", sobretudo pelo que fez no estado do Para.

Para alem do trabalho em hospitais, Clodoaldo Beckmann associou-se a Sociedade Medico Cirurgica (1951- 1981), ocupando cargos de orador oficial (1959-1961) e de secretario-geral (1967-1969). Pela contribuicao a essa Sociedade recebeu o premio "Camilo Salgado", em 1973. Junto ao Colegio Brasileiro de Cirurgioes (CBC) desempenhou papel importante na historia da Medicina no Para. Entre 1954 e 1967 so existiam dois paraenses como membros Titulares (TCBC) e um como membro Associado (ACBC). Em 1971, Clodoaldo Beckmann tornava-se o mais novo filiado. Mesmo recebendo novos integrantes oriundos de diferentes estados do Brasil, o CBC nao tinha um Capitulo no Para, o que motivou Clodoaldo Beckmann a trabalhar pela criacao de um.

No retorno a Belem, o medico cirurgiao empenhou-se por arregimentar colegas para enviar novas propostas de TCBC e de ACBC ao Diretorio do CBC. Do esforco de Clodoaldo Beckmann, no dia 9 de agosto de 1972, em uma solenidade no auditorio do Centro Biomedico da UFPA era inaugurado O Capitulo do Para, com a posse de 20 membros na modalidade ACBC e de 123 membros na modalidade TCBC (Pacheco Filho, 1983). Para alem da filiacao ao CBC, o curriculo de Clodoaldo Beckmann registra tambem a participacao dele na Associacao Medica Brasileira, na Sociedade Paraense de Gastroenterologia, na Federacao Brasileira de Gastroenterologia, no American College of Surgeons, no Collegium Internationale Chirurgiae Digestivae e na Sociedade Brasileira de Medicina Legal (Beckmann,1991). Diante de uma tal atuacao muitas sao as homenagens e as premiacoes acumuladas na Medicina, a exemplo de um diploma de honra e de uma medalha, ambos concedidos em 1980 pelo Colegio Internacional de Cirurgioes. Gestos simbolicos que reconheceram a contribuicao de Clodoaldo Beckmann ao ensino e ao desenvolvimento da cirurgia no Brasil.

8. A UFPA: uma "segunda casa" para Clodoaldo Beckmann

Na esfera da vida profissional, talvez nenhum outro lugar tenha sentido mais especial para Clodoaldo Beckmann do que aquele que foi sua "segunda casa": a UFPA. Etimologicamente, a palavra casa vem do latim casa, com o sentido "morada, vivenda, habitacao" (Cunha, 2012: 133). Seja no campo juridico ou no pensamento coletivo, a ideia de casa remete sempre a um espaco privado, local de protecao no qual se desenrolam as relacoes familiares e sao estabelecidos os afetos entre aqueles que o habitam, e que nele interagem por um tempo mais ou menos prolongado (Brasil, 1988; Bachelard, 2000). Como no ambiente domestico, o local de trabalho e aquele em que os individuos passam boa parte do tempo de suas vidas, se relacionando com outras pessoas no exercicio de suas funcoes. Nesse convivio podem ser observadas relacoes sociais dinamicas tais como as que ocorrem na casa, a exemplo da cooperacao e do conflito entre os individuos, bem como a expressao de sentimentos de amor, raiva, felicidade, admiracao, tristeza e outros possiveis. Quando se tem uma identificacao profunda com o local de trabalho, e, mais que isto, com as pessoas que nele convivem, esse local passa a ter importante papel na vida dos sujeitos, de maneira que eles se dedicam a cuidar tanto do local de trabalho quanto do local de moradia. Desse modo, e possivel afirmar que na biografia de Clodoaldo Beckmann essa identificacao com o local de trabalho se mostra muito presente e sentida.

Clodoaldo Beckmann trabalhou na UFPA entre os anos de 1950 e 1990. Como relata Andre Beckmann (Monteiro, 2009):

"Nao ha duvidas de seu amor pela UFPA. Esta Universidade da qual foi aluno, ajudou a criar e que teve a honradez de homenagea-lo em vida, dando o seu nome a Biblioteca Central. Alias, apesar de medico, criou vinculo indissociavel com a Biblioteca e com o curso de Biblioteconomia, dos quais foi o responsavel direto pela criacao. Desta forma, que nos seus ultimos dias, manteve presente em seus pensamentos esta 'segunda casa', quando decidiu simbolizar uma uniao eterna com a entrega de suas cinzas ao 'campus'".

As memorias do neto sobre o avo sao relevadoras da relacao intensa que Clodoaldo Beckmann manteve com essa instituicao dedicada ao ensino, a pesquisa e a extensao. Uma relacao entendida nao apenas como profissional, mas tambem marcada pelo afeto, o que se refletiu especialmente no desejo manifesto de ter as cinzas depositadas no solo da universidade a qual se doou em vida.

Nos anos em que trabalhou na UFPA, Clodoaldo Beckmann teve outras experiencias profissionais alem do espaco da Biblioteca Central e da docencia nos cursos de Medicina e de Biblioteconomia. Assim, dia 3 de julho de 1981 foi nomeado Pro-reitor de Planejamento e Desenvolvimento, funcao que exerceu ate 1985. Ao nomea-lo, o entao Reitor Daniel Coelho de Souza depositou toda a confianca no medico cirurgiao e documentalista para o exercicio de uma funcao estrategica em direcao ao cumprimento da missao triplice da universidade. Decerto, um novo desafio no qual Clodoaldo Beckmann investiu competencia, dedicacao e seriedade.

A relacao visceral e afetiva que Clodoaldo Beckmann manteve com a UFPA e tambem reconhecida por colegas do curso de Biblioteconomia, que revelam nao apenas a nuanca do profissional, mas, a pessoa que tinha no trabalho bem realizado um principio de vida a ser seguido. Entre os do seu convivio no espaco laboral, importa citar a professora Maurila Bentes de Mello e Silva (FABIB/ICSA/UFPA) (14), que conviveu profissionalmente com Clodoaldo Beckmann quando ele retornou a UFPA na condicao de professor visitante nos anos de 1990. Colaboradora de trabalhos, Maurila Bentes o assistiu na producao do livro "Para a historia da UFPA...". Como observa a docente, Clodoaldo Beckmann pode ser definido como um profissional "apaixonadissimo pelo Curso de Biblioteconomia", o que era evidenciado pela presenca assidua nas reunioes do Conselho desse curso.

Entre pessoas do convivio de Clodoaldo Beckmann no ambiente de trabalho, a imagem de um homem que gostava do que fazia e associada a de profissional exigente. E nesse sentido que ele aparece descrito como alguem de personalidade forte, muito respeitado pelos colegas de profissao e pelos alunos. O medico Jorge Ohana (2008) lembra-se do mestre, como o chamava respeitosamente, como uma pessoa marcante, algumas vezes rispido nas palavras, mas tudo em aparencia, pois, como rememora, Clodoaldo Beckmann era homem justo e fiel aos seus principios, razao pela qual os defendia veementemente. Outro ex-aluno de Medicina, Claudio Acatauassu, declara que Clodoaldo Beckmann:

"[...] era um pouco contestado por ser um irreverente muitas vezes [...] e voce vai escutar isto de alguns porque ele, nessa retidao dele, ele nao aceitava muito a impontualidade. Ele nao aceitava atitudes que demonstrassem algum tipo de preguica ou algum tipo de falta de vontade de fazer um trabalho. Ou seja, ele era muito perfeccionista no que fazia" (15).

No curso de Biblioteconomia em que esteve a frente, Clodoaldo Beckmann e lembrado tambem como chefe competente e de muitos rigores. Como observa Maurila Bentes:

"Beckmann era uma pessoa muito estudiosa, culta, emotiva e perfeccionista [...]. Como chefe era muito rigoroso e queria que suas ordens fossem respeitadas para que tudo saisse com perfeicao. Ele passava a imagem de 'durao', mas era para que tudo fosse cumprido com perfeicao, principalmente quando relacionado as pesquisas dele" (16).

O zelo de Clodoaldo Beckmann por esse curso de graduacao pode ser entendido como uma forma manifesta de afeto, de cuidado com aquilo com que se importava. Das pessoas entrevistadas e ouvidas emergem varios relatos do esmero que ele exigia de docentes e discentes de Biblioteconomia, inclusive nos cuidados com a imagem pessoal e com os modos de ser e de se comportar. A professora especialista Katia Luciene Martins (17), por exemplo, lembra os conselhos de Clodoaldo Beckmann sobre a maneira como as bibliotecarias deveriam se apresentar no dia a dia para o trabalho, com trajes sempre discretos, elegantes e cabelos muito bem arrumados.

Ao que tudo indica, perfeicao e uma palavra que encontra sentido no perfil de Clodoaldo Beckmann, talvez como uma virtude a ser buscada por ele, exigida inclusive dos que estavam em volta desse medico e documentalista, fosse na sala de aula ou nos espacos de atividades administrativas. O rigor no trabalho como gestor e como professor operava como um mecanismo importante nessa busca pela perfeicao em tudo o que fazia e no que faziam para ele, razao pela qual executava as tarefas que precisavam ser realizadas sempre de modo metodico (18). Todavia, na intimidade e nos momentos livres das responsabilidades do trabalho, Clodoaldo Beckmann e lembrado por amigos e por familiares como um homem espirituoso, de muitas brincadeiras, que provocava o riso facil nas pessoas de seu convivio.

Secretaria da Faculdade de Biblioteconomia da UFPA, Liana Magda Couceiro (19) recorda de um professor exigente com o modo de vestir dos alunos. Do tempo de convivio com o biografado, ela lembra o quanto o incomodava a presenca de alunos trajando bermuda nas instalacoes do curso. Aqueles que se vestiam desse modo sequer eram admitidos nas aulas ministradas por Clodoaldo Beckmann, assim como nao eram tolerados os alunos do curso de Medicina que compareciam a universidade sem o jaleco (20). Embora essas exigencias soem rigidas e atualmente ate parecam desnecessarias as novas geracoes de estudantes universitarios, sobretudo nestes tempos de liberdades desmedidas, elas sao elementos que indicam um homem preocupado com a futura imagem profissional de seus alunos de Medicina e de Biblioteconomia, razao pela qual Clodoaldo Beckmann reivindicava todo esse investimento no cuidado pessoal daqueles que conviviam com ele dentro e fora da UFPA.

Ao julgar pelas evidencias colhidas sobre Clodoaldo Beckmann, tal postura pode ser interpretada como uma estrategia de autoprotecao e de sobrevivencia, desenvolvida a partir das experiencias de uma infancia marcada, entre outras coisas, pela perda dos pais e pela criacao em condicoes materiais bastante frugais (21). Nao se quer falar aqui em trauma, mas, em superacao, em impulso disciplinado para a mudanca e para a transformacao de sua condicao social e cultural, o que so foi possivel pelo caminho do estudo e do trabalho. Possivelmente uma vivencia de restricoes economicas motivou Clodoaldo Beckmann a se tornar a pessoa que foi, isto e, comprometida, responsavel, culta. O homem que se orgulhava da biblioteca que possuia, em especial porque tinha o prazer de ler todos os livros que colecionava (22). Esse e, alias, um aspecto importante da personalidade dele a ser considerado diante da qualidade textual e da fluencia verbal dos discursos que pronunciou em ocasioes solenes. Enfim, uma pessoa que buscou na competencia a chave para deixar a marca singular de seu trabalho como medico cirurgiao, documentalista, gestor e professor.

9. Palavras finais

A vida produtiva de Clodoaldo Beckmann no campo da Medicina e da Biblioteconomia so foi interrompida pelo carcinoma hepato regular contra o qual lutou ate 7 de agosto de 2007, data de seu falecimento. A noticia foi comunicada as 21h01min no Portal da UFPA, sob o titulo "Para perde Clodoaldo Beckmann" (UFPA, 2007). Em 30 de junho de 2009, realizando o desejo manifesto por ele em vida, o entao Reitor Alex Fiuza de Mello, amigos e familiares reuniram-se em frente a Biblioteca Central e a Faculdade de Biblioteconomia para que as cinzas de Clodoaldo Beckmann pudessem descansar junto a uma muda de ipe (Tabebuia impetiginosa) (Monteiro, 2009). No mesmo local tambem foi assentado um banco de concreto com uma placa em que consta a celebre frase do medico/documentalista "... os que vierem depois de mim farao melhor do que eu". O homem que foi aluno, docente e pro-reitor da UFPA escolheu exatamente o solo de sua "segunda casa" para ser o local de seu descanso eterno. Segundo pronunciamento de Andre Beckmann (2009), no dia da cerimonia, "[...] esta homenagem e uma celebracao a vida, do que representou Clodoaldo. Estamos aqui assistindo a um desejo tornar-se realidade. Nao e um funeral. Muito menos um adeus. Nunca e um "adeus" a Clodoaldo", talvez porque para os que conhecem a historia da Medicina e da Biblioteconomia no Para, a passagem pelo monumento postumo a caminho da Biblioteca Central e do Curso de Biblioteconomia represente sempre um (re)encontro com Clodoaldo Beckmann, sobretudo pelas memorias que afloram sobre a pessoa de origem humilde que estudou, formou-se, constitui familia, venceu na vida e deixou seu legado para a sociedade. Certamente uma passagem que nao foi em vao.

E para finalizar, ha que se dizer que este exercicio biografico esta longe de dar conta da totalidade da pessoa que foi e dos feitos de Clodoaldo Beckmann, seja no campo da Medicina, da Biblioteconomia ou da cultura, se e que e possivel uma biografia narrar a contagem infinitesimal da vida de uma pessoa. E nessa direcao que o metodo encontra seus limites, pois o que se pode reunir pela documentacao, pelas conversas e pelas entrevistas com familiares, amigos e ex-alunos, o metodo permanece muito aquem do que possa ser traduzido em um artigo, relatorio cientifico ou livro. O que dizer quando o sujeito da biografia ja nao se encontra em vida, impedido de falar de si mesmo e sobre o que considera significativo em suas experiencias? E por essa razao que as biografias sempre apresentarao lacunas. Que elas estarao sempre incompletas uma vez que lidam com as forcas incontrolaveis do silencio e do esquecimento.

De todo modo, em que pesem as omissoes, as supressoes e/ou as lacunas empiricas, por mais modestas que sejam, as pesquisas biograficas sempre registram e revelam fragmentos sobre a vida do sujeito biografado que merecem ser (re)conhecidos ou (re)lembrados por alguma razao, algo que no caso de Clodoaldo Beckmann se justifica pelas contribuicoes dele para a Medicina e para a Biblioteconomia. Assim, nessa ultima area em particular, espera-se que este estudo possa contribuir para o conhecimento de docentes, discentes e bibliotecarios sobre quem foi e o que fez esse medico cirurgiao e documentalista paraense. Que este estudo possa servir como mais um documento contra o esquecimento e como mais uma voz contra o silencio sobre a vida e a obra de Clodoaldo Fernando Ribeiro Beckmann.

Recibido: 12 de diciembre de 2014; aceptado: 25 de septiembre de 2015; publicado: 21 de octubre de 2015.

10. Notas

(1) No Brasil, salvas algumas omissoes, sao conhecidos os seguintes trabalhos de valor biografico: o trabalho de Boyd Rayward (1975), sobre Paul Otlet; a interessantissima tese de doutorado de Nanci Oddone (2004) sobre a destacada paraense Lygia de Queiroz Sambaquy; o livro de Suelena Pinto Bandeira (2007), sobre Rubens Borba de Moraes; o trabalho biografico produzido por Ana Santos e Valdenira Moreira (2011) sobre a vida da bibliotecaria paraense Ruthe Chelala Conduru; e, o artigo de Murilo Bastos Cunha (2014) sobre Abner Vicentini. Como se ve, ha muito por ser feito quanto ao resgate da memoria daqueles que contribuiram e/ou que seguem contribuindo para a historia da Biblioteconomia em terras brasileiras.

(2) Informacoes fornecidas gentilmente pela filha de Clodoaldo Beckmann, Lucia Beckmann, enviadas via e-mail, em 24 de janeiro de 2013.

(3) Segundo palavras do proprio Clodoaldo Beckmann (2000), a habilitacao e o nome correto para o que hoje e denominado vestibular. Ver: Beckmann, Clodoaldo Fernando. 2000. Medicina e vida: lembrancas de meio seculo. Belem. Disquete. Nao publicado.

(4) Beckmann, Clodoaldo F. R. 1991. Curriculum vitae.Belem.

(5) Relato feito por dona Ceres Beckmann, em 2011. Na ocasiao foi possivel perceber a saudade que Clodoaldo Beckmann deixou na vida da esposa que prefere nao entrar na biblioteca do marido para evitar certas emocoes.

(6) Informacoes fornecidas via e-mail por Lucia Beckmann, em 24 de Janeiro de 2013.

(7) Entrevista concedida em 24 de janeiro de 2013 pela professora do curso de Biblioteconomia, Maria Izabel Moreira Arruda, ex-aluna de Clodoaldo Beckmann.

(8) De acordo com o acesso ao conteudo do Processo n. 31.252/94 (Arquivo PROGEP), sobre a revalidacao do contrato do professor visitante Clodoaldo Beckmann para, entre outras coisas, trabalhar na organizacao do Mestrado em Ciencia da Informacao. No mesmo documento consta a denominacao "Mestrado em Biblioteconomia" (sic). Alias, informacoes sobre esse curso stricto sensu sao corroboradas pelo professor doutor Hamilton Vieira de Oliveira (FABIB/ICSA/UFPA), segundo o qual sem o trabalho de Clodoaldo Beckmann o mestrado interinstitucional em Ciencia da Informacao nao teria se realizado. O docente lembra, ainda, que a professora Maurila Bentes fez viagens ao Rio de Janeiro para trabalhar na elaboracao do projeto juntamente com a professora Lena Vania. Foi assim que o Mestrado Interinstitucional em Ciencia da Informacao iniciou suas atividades em 1998 e as encerrou em 2000, com a defesa das dissertacoes. Esse mesmo curso teve como coordenadora operacional a professora doutora Maria Odaisa Espinheiro de Oliveira (FABIB/ICSA/UFPA). E muito embora Clodoaldo Beckmann tenha tido participacao importante para a criacao desse curso de pos-graduacao, na passagem dele pelo curso de Biblioteconomia da UFPA importa registrar que o medico e documentalista organizou as duas primeiras versoes do curso de especializacao em Administracao de Bibliotecas.

(9) Sao eles(as): Jane Veiga Cezar da Cruz, Luiz Otavio Maciel da Silva, Maria Izabel Moreira Arruda, Maurila Bentes de Mello e Silva, Maria Raimunda de Sousa Sampaio e Telma Socorro Silva Sobrinho.

(10) Chelala, Ruthe Conduru; Cunha, Alda das Merces Moreira da e Galvao, Clara Maria. 1975. A Biblioteconomia no Para. Belem: UFPA. Mimeo.

(11) Chelala, Cunha e Galvao (1975) dizem que o curso de Biblioteconomia da UFPA foi o 12[grados] criado no Brasil. Contudo, a partir da cronologia elaborada por Castro (2000) e possivel identificar esse curso como sendo o 14o criado no pais.

(12) A primeira turma de Biblioteconomia da UFPA teve como concluintes: Alda das Merces Moreira da Cunha; Daise Maria de Oliveira Nascimento; Heliana Maues Furtado; Ivany Sarmento Franco; Julieta Maria de Miranda Cunha; Lea Maria Monteiro Diniz; Leonor Maria Sampaio Facanha; Margarida Martins Velloso; Maria Celina de Aquino Maciel; Maria da Graca Lima Freitas; Maria Lucia Pacheco de Almeida; Maria Tereza Alves da Silva; Oneide Ventura da Silva; Regina Ruth Pinto Mota; Ruthe Pinheiro Conduru; Saphyra Farias Leitao e Tereza de Jesus de Castro Lobato (Chelala; Cunha e Galvao, 1975).

(13) Informacoes fornecidas por Edison Pereira, Secretario Geral do CEC, em 30 de novembro de 2011, com base nas atas institucionais.

(14) Conversa informal realizada dia 19 de dezembro de 2011.

(15) Entrevista concedida dia 10 de janeiro de 2013 pelo Dr. Claudio Acatauassu, ex-aluno de Medicina de Clodoaldo Beckmann na disciplina de Tecnica cirurgicas.

(16) Entrevista realizada dia 8 de janeiro de 2013.

(17) Conversa informal realizada dia 21 de janeiro de 2013.

(18) Clodoaldo Beckmann gostava de escrever, o que fazia bem feito, tal como testemunha sua producao intelectual na Medicina e na Biblioteconomia. Na residencia dele estavam sempre dispostos a mao lapis devidamente apontado, borracha e os cadernos que utilizava para fazer anotacoes, minutas e registrar insights. Nos cadernos ele trabalhava da seguinte maneira: no lado esquerdo fazia um esboco do texto, e, no lado direito, produzia o texto propriamente dito Informacao obtida de conversa informal com Maurila Bentes de Mello e Silva e com Liana Magda Couceiro, em 22 de janeiro de 2013.

(19) Conversa informal realizada dia 22 de janeiro de 2013.

(20) Conversa informal realizada dia 30 de novembro de 2011.

(21) As informacoes sobre o falecimento da mae e a infancia humilde foram fornecidas por Lucia Beckmann, via e-mail.

(22) Em entrevista realizada dia 10 de janeiro de 2013, o Dr. Claudio Acatauassu, em seu consultorio no Hospital Bettina Ferro de Souza, falou da visita que fez quando selecionado entre os cinco melhores alunos de Medicina para um jantar na casa de Clodoaldo Beckmann. Na ocasiao ele foi apresentado a biblioteca do mestre, que declarava: "Muita gente tem livros em casa apenas para enfeitar estantes. Eu ja li todos os que estao nesta biblioteca".

11. Agradecimentos

Obrigado as pessoas e as instituicoes que colaboraram para a realizacao deste estudo, especialmente a familia Beckmann.

12. Referencias bibliograficas

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Orinete Costa Souza * & Rubens da Silva Ferreira **

* Universidade Federal de Rondonia (UniR), Brasil ** Faculdade de Biblioteconomia da Universidade Federal do Para (FABIB/ICSA/UFPA), Brasil. E-mail: orinetesouza@hotmail.com; rubenspa@yahoo.com

Leyenda: Figura 1. Clodoaldo Fernando Ribeiro Beckmann (1927-2007) Fonte: Arquivo da familia Beckmann.

Leyenda: Figura 2. Cerimonia de casamento de Clodoaldo e Ceres Beckmann, em junho de 1952. Fonte: Arquivo da familia Beckmann.

Leyenda: Figura 3. Primeira turma de Biblioteconomia formada pela UFPA, tendo Clodoaldo Beckmann como paraninfo. Fonte: Arquivo da familia Beckmann.
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Author:Costa Souza, Orinete; da Silva Ferreira, Rubens
Publication:Palabra clave
Article Type:Report
Date:Oct 1, 2015
Words:10118
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