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Clinical evaluation of the relationship of posture, breathing and swallowing in chronic-state post-stroke patients: case report/Avaliacao clinica da relacao entre postura, respiracao e degluticao em paciente pos-acidente vascular cerebral na fase cronica: relato de caso.

* INTRODUCAO

Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a doenca vascular encefalica mais frequente, sendo o tipo isquemico o mais comumente encontrado [1]. As mudancas do sistema circulatorio tem uma grande importancia nos dados de morbi-mortalidade do pais, sendo as doencas cerebro-vasculares de maior destaque. Esta em particular, representa a terceira causa de morte em paises industrializados e a primeira causa de incapacidade entre adultos [2], sendo a primeira causa de morte em adultos no Brasil. E considerada como a doenca mais incapacitante fisicamente [1,3] e de grande impacto, gerando maiores recursos em diagnostico, tratamento e reabilitacao [4].

Os deficits motores apresentados nesta doenca decorrem de lesoes nos neuronios motores superiores que controlam os musculos e que, juntamente com os musculos da respiracao, auxiliam nos movimentos do tronco [5,6].

Sendo assim, os disturbios respiratorios podem promover alteracoes sensoriais, posturais, motores e ocupacionais. O encurtamento dos musculos inspiratorios reduz a elasticidade e a expansibilidade da caixa toracica. Embora eles tenham que contrair, apresentam fragilidade nas atividades motoras. Varios fatores podem alterar este padrao, como a quantidade de secrecao, a presenca de broncoespasmo, os aspectos emocionais e comportamentais, a reducao de peso e as posturas viciosas [7], tendo como exemplo, a escoliose. De tal modo, podem interferir tanto na postura, quanto na respiracao.

A disfagia neurogenica compreende as alteracoes da degluticao, resultantes de uma doenca neurologica, com os sintomas e complicacoes decorrentes do comprometimento sensorio-motor dos musculos envolvidos no processo da degluticao. Dentre as desordens neurologicas, o AVC parece ser a causa mais comum de disfagia [8].

A avaliacao da disfagia orofaringea e a realizacao de medidas profilaticas e terapeuticas entre os pacientes parecem ser capazes de reduzir as taxas de complicacoes clinicas relacionadas as alteracoes [9]. A avaliacao pode ser realizada por diferentes metodos. Nao ha concordancia quanto ao padrao ideal de investigacao clinica nao invasiva, mas este deve incluir alto indice de sensibilidade na identificacao de aspiracao e seguranca para o paciente durante sua aplicacao [10].

A respiracao e a degluticao sao processos fortemente coordenados que utilizam as mesmas estruturas fisiologicas. As mudancas nos dois processos sao registradas apos o AVC sendo de grande relevancia o aumento do risco de aspiracao durante alimentacao [11]. Quanto a postura, sabe-se que grande parte dos problemas encontrados nas funcoes orais ocorre devido a postura corporal inapropriada [12].

Sao de suma importancia as avaliacoes integradas da fisioterapia e da fonoaudiologia, por permitirem uma investigacao mais detalhada da postura, respiracao e degluticao, o que permite um diagnostico mais completo e integrado, para uma intervencao terapeutica interdisciplinar.

O objetivo do presente estudo foi realizar uma avaliacao clinica integrada para analisar a relacao entres estas disfuncoes.

* METODO

Foi realizado um estudo de caso com uma paciente, regularmente matriculada no Setor de Doencas Neurovasculares da Universidade Federal de Sao Paulo, onde faz acompanhamento neurologico periodico.

Os procedimentos fisioterapicos envolveram a avaliacao da frequencia cardiaca, da frequencia respiratoria e da pressao arterial, alem da avaliacao da mobilidade toracica, realizada por meio da palpacao e medicao dos perimetros toracicos (axilar e do processo xifoide).

Para a avaliacao postural quantitativa, utilizou-se protocolo SAPO [13], que e um Software de Avaliacao Postural, e sua propria marcacao de pontos. Para tanto, fez-se necessario um computador pessoal com software windows XP e uma camera digital da marca Mitsuca DS 507IBR 5.0 megapixels, modelo DSCS85. A camera foi posicionada sobre um tripe nivelado a uma altura de 0,75 cm, de maneira paralela ao chao, a uma distancia de 2,35 metros da paciente. Utilizou-se uma folha de cartolina preta para demarcar o posicionamento dos pes com uma caneta prateada, para permanecer na mesma base de sustentacao em todas as fotos. Para a primeira foto, o fio de prumo estava com referencias de 1 m e 0,40 cm para calibracao das imagens e os marcadores corporais de 25 mm. Assim, solicitou-se ao paciente que andasse no lugar e parasse da forma mais confortavel. As fotografias foram realizadas com o individuo nas vistas anterior, lateral direita, lateral esquerda e posterior e analisadas posteriormente pelo sistema.

A avaliacao respiratoria foi composta pela mensuracao da Pressao Inspiratoria Maxima (PiMax) [14] e Pressao Expiratoria Maxima (PeMax) [14], com a utilizacao de um manovacuometro Imebras 150, alem da medida de Capacidade Vital (C.V.) [15], para a qual foi utilizado o ventilometro Ferraris Wright MK8 e a medida do Pico de Fluxo Tosse (P.F.T.) [15], para o qual foi utilizado o Peak Flow Harlow Airmed CM 20 2 TT.

Para analisar alteracao de equilibrio foi utilizado a escala de BERG [12] e para a avaliacao cognitiva, o mini exame do estado mental (MEEM) [16] e o teste do relogio [17].

Os procedimentos fonoaudiologicos foram realizados por meio do Protocolo de Investigacao Fonoaudiologica do Setor de Investigacao em Doencas Neuromusculares da UNIFESP [18], envolvendo anamnese fonoaudiologica, avaliacao clinica da musculatura do sistema estomatognatico, das funcoes de voz, da fala, da mastigacao e da degluticao.

A avaliacao da alimentacao envolveu quatro etapas: a avaliacao da degluticao de saliva, de liquido ralo, de pastoso e de solido. O liquido ralo (agua) e o pastoso (iogurte) foram administrados nas medidas de 1, 3, 5 e 10 ml e oferecidos em uma seringa descartavel; e o solido foi avaliado pela oferta de um pao frances amanhecido, conforme o Protocolo de Investigacao Fonoaudiologica do Setor de Investigacao em Doencas Neuromusculares da UNIFESP [18].

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comite de Etica em Pesquisa da Universidade Federal de Sao Paulo/Hospital Sao Paulo sob protocolo 1831/09. Foram apresentados os propositos da pesquisa a paciente e a cuidadora, por meio da leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o qual foi assinado, apos a paciente aceitar participar do presente estudo.

Ao final das coletas mencionadas, foi realizada analise descritiva dos dados e discussao.

* APRESENTACAO DO CASO

A paciente, L.S.L, 37 anos, sexo feminino, do lar, ensino fundamental incompleto com diagnostico medico de Acidente Vascular Cerebral Isquemico em hemisferio esquerdo e diagnostico fisioterapeutico hemiparesia elastica completa a direita desproporcional de predominio crural, apos dois eventos isquemicos, de origem cardioembolica. O primeiro foi em 2001 apresentando uma hemiparesia espastica incompleta a direita desproporcional de predominio crural e o segundo evento em 2002, apresentando o acometimento da hemiface direita.

Na anamnese fisioterapeutica e fonoaudiologica, a paciente relatou sintomas referentes a dispneia, dores na coluna lombar, presenca de tosse e engasgos a alimentacao, dificuldade em articular sons da fala e um excesso salivar, principalmente durante a fala, de antecedentes relatou ter hipertensao arterial sistemica (H.A.S.). Negou vertigens, tabagismo, etilismo e outros vicios.

Na avaliacao inicial apresentou quadro de escoliose, hipercifose toracica e fraqueza dos musculos abdominais, marcha ceifante, sem dispositivo auxiliar de marcha e incapacidade de realizar a triplice flexao (flexao de quadril, joelho e dorsiflexao), assimetria facial com maior flacidez na hemiface direita, ausencias dentarias em ambas as arcadas, presenca de saburra na superficie de lingua e sinais de atrofia em sua lateral direita, qualidade vocal soprosa e articulacao imprecisa de sons da fala.

* RESULTADOS

Perante a investigacao clinica fisioterapica, detectou-se: hipertonia elastica, fraqueza dos musculos abdominais e globalmente no lado hemiparetico e marcha presente sem dispositivo auxiliar de marcha.

O teste de equilibrio pela escala de BERG revelou-se satisfatoria, sendo que de um escore maximo de 56 pontos, foram obtidos 55 pontos. Houve apenas dificuldade no quesito "alcancar a frente com os bracos estendidos", na qual necessitava do deslocamento do centro de gravidade.

A avaliacao cognitiva realizada pelo teste do MEEM e do teste do relogio demonstrou um deficit importante na cognicao, o que pode ter atrapalhado no entendimento de alguns testes, porem, ela apresenta boa memoria recente e para nomeacao de objetos. Nas avaliacoes do MEEM para orientacao, a paciente obteve 2 pontos de 10, para atencao e calculo, obteve 0 pontos de 5, na avaliacao de linguagem, 6 pontos de 9 e na avaliacao do relogio obteve um ponto, pois conseguiu apenas desenhar o circulo do relogio.

O SAPO fornece os resultados apos analisar as imagens inseridas no sistema das quatro vistas, conforme Figuras 1,2,3 e 4. Foi possivel observar que a paciente apresenta anteriorizacao de cabeca, elevacao do ombro esquerdo, flexao do tronco, espinha iliaca antero-superior direita mais elevada, antepulsao, anteversao pelvica e escoliose com convexidade a esquerda. O relatorio gerado oferece tambem informacoes da projecao do centro de gravidade (C.G.), no qual se observou um grande deslocamento do C.G. a frente e a descarga de peso levemente inclinada para o hemicorpo esquerdo (Figuras 1 a 4).

[FIGURE 1 OMITTED]

[FIGURE 2 OMITTED]

[FIGURE 3 OMITTED]

[FIGURE 4 OMITTED]

Durante a avaliacao respiratoria nao apresentou nenhum desconforto que pudesse atrapalhar o andamento do estudo. A avaliacao respiratoria evidenciou uma boa forca da musculatura inspiratoria, com a obtencao de um valor de PiMax -80 Cm[H.sub.2]O, sendo o limite inferior de -77,94 Cm[H.sub.2]O, ja a forca expiratoria esta abaixo do limite inferior de 75,02 Cm[H.sub.2]O, com um resultado de PeMax de 70 Cm[H.sub.2]O. O P.F.T. esta abaixo do esperado, conseguindo apenas um valor de 200, demonstrando nao possuir forca para tossir. Na C.V. a mesma conseguiu um valor de 1.5 L, utilizando apenas 47% da capacidade prevista.

A investigacao fonoaudiologica evidenciou as seguintes alteracoes referentes ao quadro de disfagia: tempo aumentado para se alimentar, necessidade de ingerir liquidos para ajudar na degluticao de solidos secos e duros, eventuais escapes anteriores de alimento, necessidade de degluticoes multiplas devido a sensacao de estase em cavidade laringo-faringea e diminuicao do paladar, bem como saliva grossa e viscosa.

A avaliacao do sistema estomatognatico evidenciou assimetria facial no repouso e no movimento, caracterizado por maior flacidez na hemiface direita. Em relacao a oclusao: ausencia de elementos dentarios em arcada inferior (1 molar esquerdo, canino direito, 1 e 3 molares direito) e em arcada superior (pre e 1 molar esquerdo, pre, 1 e 2 molar direito).

O labio apresentou-se mais horizontalizado na hemiface direita em situacao de sorriso e com mais forca na hemiface esquerda em bico, sendo a forca muscular grau 1 (leve). A lingua apresenta saburra em superficie, em quantidade moderada, desvio de ponta para a esquerda, fadiga durante a realizacao de movimentos isotonicos e sinais de atrofia na lateral direita, sendo a forca muscular grau 1 (leve). Os bucinadores apresentaram forca muscular grau 1 (leve) do lado esquerdo e grau 2 (moderado) do lado direito.

Analisando a mastigacao da paciente ela mostrou um padrao deficiente, sendo a mastigacao unilateral a direita (embora seja o lado com menor forca), amplitude reduzida, movimento rotatorio incompleto e lentificado, com corte do alimento normal e sem alteracao da coordenacao mastigacao-degluticao.

A degluticao foi classificada como normal para saliva e liquido ralo, na quantidade de 1, 3 e 5 ml. A oferta de 10ml de liquido, apresentou voz molhada leve, sem episodios de tosse ou engasgo. Com alimento pastoso (iogurte) foram observados residuos com 5 e 10 ml, em palato duro, palato mole, vestibulo e dorso de lingua, que nao foram removidos da cavidade ate a 3a degluticao. Na ingestao de solido (pao frances amanhecido) houve presenca de grande quantidade de residuo, mesmo apos quatro degluticoes. A coordenacao mastigacao-degluticao foi normal.

Foi evidenciado uma qualidade vocal soprosa (grau 2) e tremula (grau 1), tempos maximos reduzidos para idade e sexo (/a/ = 9 segundos (media); /i/ = 4 segundos e /u/ = 5 segundos), sendo que durante sua emissao, apresentou instabilidade (grau leve a moderado), astenia leve, quebra de sonoridade, decrescimo de altura e intensidade (grau moderado) e leve uso de ar de reserva. O pitch foi normal, a loudness reduzida e a ressonancia com uso excessivo de laringe. Em prova de resistencia vocal, nao mantem qualidade vocal, dinamica respiratoria, intensidade, tendo parado antes do fim da prova.

Ela apresentou-se com a fala em velocidade reduzida, prosodia alterada, com uso de frases curtas e reducao de enfase, articulacao fortemente travada, gerando uma distorcao evidenciada dos fonemas, pelo tipo articulatorio. A fala disartrica apresenta alteracao de padrao, articulacao e prosodia. Nao apresentou sinais referentes a dispraxia oral ou verbal.

* DISCUSSAO

No presente estudo observou-se um bom equilibrio corporal da paciente. O alinhamento corporal e as alteracoes posturais afetam no posicionamento do centro de gravidade [19], como demonstrado neste caso, onde a paciente nao descarrega o peso para o lado comprometido.

Foi utilizado para avaliacao postural a fotogrametria digital, que e uma alternativa para avaliacao quantitativa das assimetrias posturais [19] onde um estudo com quatro pacientes hemipareticos [20], demonstrou-se eficaz nas avaliacoes do mesmo.

A assimetria dos ombros apresentado neste estudo foi causada pela diminuicao do movimento que gerou fraqueza muscular de romboides, trapezio, escalenos e, consequentemente, o encurtamento de cadeia anterior com perda do controle de tronco, principalmente nos musculos responsaveis pela flexao, rotacao e flexao lateral [21].

Deste modo, a capacidade respiratoria ideal depende de uma postura e equilibrio muscular bom. Um desequilibrio pode ser resultante de uma fraqueza ou paralisia, podendo afetar os volumes e as pressoes que podem ser obtidas e mantidas. Os musculos abdominais muito fracos e em protrusao nao sao capazes de gerar pressoes expiratorias maximas. A fraqueza dos eretores da espinha e do trapezio medio e inferior interfere na habilidade de retificar a coluna superior, interferindo assim na habilidade de levantar e expandir o torax e maximizar a capacidade pulmonar [22].

Segundo pesquisa sobre postura [23], nao ha relacao entre o controle postural e o alinhamento postural em adultos jovens e saudaveis. Porem, tais adequacoes interferem na respiracao tanto no modo quanto no ritmo, desfavorecendo na coordenacao com as demais funcoes do sistema estomatognatico [24]. Ha uma relacao entre o controle postural global e as estruturas orais, portanto, havendo uma influencia reciproca da postura corporal nas estruturas orais e vice-versa [25].

Em relacao a alimentacao, a paciente apresenta queixa de engasgos e estase de alimento em regiao faringo-laringea, o que e comum nestes sujeitos [26], assim como a descricao do uso de varias manobras para alimentar-se, como deglutir varias vezes a saliva ou liquidos ou ate mudancas na posicao da cabeca e do corpo [27]. Porem, nem sempre o local de desconforto indicado pelo sujeito tem relacao direta com o segmento anatomico responsavel pela dificuldade na degluticao [28], principalmente quando a paciente apresenta um deficit cognitivo, evidenciado pelos testes de rastreio aplicados. O AVC pode vir a comprometer as funcoes cognitivas, que envolvem processos relacionados a conhecimentos, entendimento, aprendizado, pensamento, linguagem, incluindo a percepcao e o juizo [29].

A participante deste estudo apresentou ausencias dentarias em ambas as arcadas dentarias o que pode provocar dificuldades de mastigacao e degluticao. Em pesquisa realizada em 2004 [30], verificou-se que os sujeitos com perda dentaria eram 2,7 vezes mais tendentes a relatar principio de dificuldade de mastigacao que os sujeitos sem perda de dente. Tal dificuldade mastigatoria pode interferir na selecao dos alimentos em funcao de sua consistencia. Assim, verifica-se uma associacao entre a selecao de alimentos e a capacidade mastigatoria [31].

Tais mudancas na degluticao podem ser advindas de uma ineficiencia na mastigacao, uma vez que ao deglutir fragmentos grandes e pouco umedecidos, o sujeito necessita realizar maior esforco, e pode modificar a postura de cabeca e a atuacao da musculatura envolvida [32].

Observou-se ainda a presenca de saburra lingual, placa bacteriana originada quando ha a diminuicao da producao de saliva ou uma descamacao epitelial da mucosa bucal acima dos limites normais (ou fisiologicos) ou ainda, em ambas as situacoes. A reducao salivar e compativel com a queixa de saliva grossa e viscosa apresentada pela paciente [33].

Durante a avaliacao estrutural e funcional detectou-se reducao da forca muscular oral, principalmente a direita, e acumulo de alimento em cavidade oral mesmo apos quatro degluticoes. A presenca destes sinais clinicos corrobora com pesquisas, que afirmam que a presenca de lesoes corticais, subcorticais e/ou no tronco cerebral ocasionam fraqueza na musculatura orofaringea causando a incoordenacao motora e a falha na sensibilidade das regioes oral e faringea durante a ingestao de alimentos e liquidos [34,35].

Outras caracteristicas clinicas como a presenca de "voz umida" e alteracao da qualidade vocal sao descritas na literatura em sujeitos com alteracoes na degluticao [36,37]. O sinal vocal revela-se como um importante indicativo de penetracao e ou aspiracao, que podem ter relacao com alteracao do fluxo respiratorio, a postura e sua coordenacao com a degluticao, estabelecendo assim a importancia da abordagem integrada dos mecanismos de respiracao, postura, degluticao e fonacao.

A paciente avaliada apresentou sinais clinicos de voz compativeis com os comumente citados na literatura em pacientes disfagicos. Ha presenca de qualidade vocal soprosa (grau 2), astenia leve e loudness reduzida que podem estar relacionadas a um incompleto fechamento das pregas vocais [38] ou ainda a entrada do alimento nas vias aereas [39].

Tambem ha presenca de Dvoz umidaD apos degluticao de liquido, que indica presenca de secrecao no vestibulo laringeo ou recessos piriformes e mudanca no sinal sonoro durante prova de emissao [37].

Assim, as avaliacoes fisioterapicas e fonoaudiologicas demonstram que existem alteracoes de postura, respiracao e degluticao em um sujeito com diagnostico de A.V.C. na fase cronica e que essas alteracoes estao correlacionadas devido ao fato desses sistemas funcionarem, utilizando quase que totalmente as mesmas estruturas.

No entanto, nao ha evidencias na literatura da realizacao dessas avaliacoes integradas para delinear um processo de reabilitacao mais completo e, portanto, mais adequado ao paciente acometido, necessitando assim de mais estudos.

* CONCLUSAO

Neste caso foi possivel observar, utilizando-se das avaliacoes fisioterapicas e fonoaudiologica, que existe relacao entre respiracao, postura e degluticao em um sujeito com A.V.C. isquemico na fase cronica. Observou-se tambem que a relacao estabelecida permite delinear o processo de reabilitacao que, sendo multiprofissional, propicia melhores resultados.

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Recebido em: 14/12/2011

Aceito em: 03/07/2012

Endereco para correspondencia: Sinaira Santos Seixas Simao Vivian Urbanejo Romero Rua Botucatu, 591--Conjunto 53 Vila Clementino--Sao Paulo--SP CEP: 04023-062

E-mail: ft.nara@yahoo.com.br

Sinaira Santos Seixas Simao (1), Vivian Urbanejo Romero (2), Karen BaraldiI (3), Adriana Leico Oda (4), Celiana Figueiredo Viana (5), Ana Lucia de Magalhaes Leal Chiappetta (6), Alexandre Pieri (7)

(1) Fisioterapeuta; Especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratoria pela Universidade Nove de Julho--UNINOVE, Sao Paulo, SP; Especialista em Reabilitacao Neurologica pela Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo SP, Brasil.

(2) Fonoaudiologa; Mestranda em Ciencias da Reabilitacao pela Universidade de Sao Paulo--USP, Especialista em Reabilitacao Neurologica pela Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo SP, Brasil; Especializacao em Linguagem pela Universidade de Sao Paulo--USP, Sao Paulo, SP, Brasil.

(3) Fisioterapeuta; Docente do Centro Universitario Sao Camilo e da Universidade Nove de Julho; Mestre em Neurociencias pela Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo SP, Brasil.

(4) Fonoaudiologa; Doutora em Neurociencias pela Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo, SP, Brasil.

(5) Fisioterapeuta Respiratoria do Ambulatorio do Setor de Investigacao de Doencas Neuromusculares da Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo, SP, Brasil.

(6) Fonoaudiologa; Doutora em Ciencias da Saude pela Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo, SP, Brasil.

(7) Medico Neurologista; Doutorando em Neurologia pela Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo, SP, Brasil; Mestre em Neurologia Vascular pela Universidade Federal de Sao Paulo--Unifesp, Sao Paulo, SP, Brasil.

Conflito de interesses: inexistente
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Author:Simao, Sinaira Santos Seixas; Romero, Vivian Urbanejo; Baraldii, Karen; Oda, Adriana Leico; Viana, C
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Date:Sep 1, 2013
Words:4276
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