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Chuvas e estiagens na ecorregiao de Sao Tome: o caso da Baixada dos Goytacazes.

Chuvas e estiagens na ecorregiao de Sao Tome: o caso da Baixada dos Goytacazes

Las lluvias y las sequias en la ecorregion de Santo Tome: el caso de la bajada de los Goytacazes

Rains and droughts in the ecoregion of Sao Tome: The descent of the Goytacazes Case

Les pluies et les secheresses dans l'ecoregion de Santo Tome: le cas de la pente des Goytacazes

A ECORREGIAO DE SAO TOME

Uma ecorregiao pode ser entendida como a reuniao organica de ecossistemas relativamente homogeneos no interior de um contexto distinto de outras ecorregioes. Pode-se concluir que, para os ecologos, a ecorregiao esta acima de um ecossistema e abaixo de um bioma. Ecossistema e um sistema auto-organizado e auto-organizavel constituido de elementos abioticos e bioticos interagentes em circuitos recursivos que lhes conferem unidade e identidade estruturais e, ao mesmo tempo, equilibrio dinamico em ritmos distintos, tais como homeostasia, sucessao lenta e mudancas bruscas. Assim, uma ecorregiao e formada por um mosaico de ecossistemas integrantes de um bioma (1).

Quem examina um mapa geologico do norte do Estado do Rio de Janeiro e do sul do Espirito Santo percebe, com facilidade, um corpo destoante: entre os Rios Itapemirim (ES) e Macae (RJ), a costa se afasta significativamente da zona serrana. Uma especie de grande aterro no mar feito pela natureza cria um vasto espaco entre o oceano e a zona cristalina. Este aterro e formado por tres terrenos com idades distintas. O primeiro tem cerca de 60 milhoes de anos e se distribui em tres partes. Trata-se do tabuleiro, nome popular do Grupo Barreiras. O segundo, que comecou a se formar a partir de 5.100 anos antes do presente, e a vasta planicie fluvial do Rio Paraiba do Sul. Existem outras planicies menores nos Rios Itapemirim, Itabapoana e Macae. Por fim, o quarto e representado pelas restingas de Maroba, Paraiba do Sul e Carapebus. A zona cristalina, o mais antigo dos terrenos, e autoctone, ou seja, formou-se onde esta ou ja existia quando Africa e America se separaram. O material para a formacao dos tabuleiros e das planicies aluviais veio dela. O das restingas provem do mar.

Se examinarmos este vasto aterro pelo angulo historico, concluiremos que os limites reais da Capitania de Sao Tome, doada a Pero de Gois no seculo XVI, correspondem, mais ou menos, aos limites naturais dela. O nome Ecorregiao de Sao Tome homenageia o cabo e a capitania do mesmo nome. Assim, diriamos que a ecorregiao, alem da zona costeira (quase toda ela) correspondente ao territorio da mesorregiao norte fluminense (na classificacao do IBGE), compreende tambem a mesorregiao do noroeste fluminense e a mesorregiao do sul capixaba, conforme mapa abaixo (2).

[FIGURA 1 OMITIR]

A Ecorregiao de Sao Tome nao apenas teve sua hidrofisionomia condicionada pela geologia como tambem a modelou. Quatro grandes bacias hidricas banham sua area: Rio Itapemirim, Rio Itabapoana, Rio Paraiba do Sul e Rio Macae. Entre a primeira e a segunda, formaram-se semilagoas em cursos de tabuleiro barrados natural ou antropicamente. Entre os Rios Itabapoana e Paraiba do Sul, alem de semilagoas de tabuleiro, o pequeno Rio Guaxindiba sulca as areas cristalina, de tabuleiro e de restinga.

Do Paraiba do Sul ao Macae, existem areas de tabuleiro, de planicie aluvial e de restinga, bifurcando-se a Bacia do Paraiba do Sul, a maior da ecorregiao, em dois grandes subsistemas: o curso final do rio propriamente dito e o da Lagoa Feia. E neste trecho que se encontra o maior numero de lagoas costeiras.

Ao examinar as formacoes vegetais nativas da Ecorregiao de Sao Tome, notamos que elas se interligam. Na zona cristalina, domina a Mata Atlantica nas suas variantes ombrofila densa e estacional semidecidual. Esta segunda estendia-se pelas tres unidades de tabuleiro da ecorregiao. Na Serra do Mar, porcao mais elevada da zona cristalina, os Picos do Desengano e do Frade, por sua constituicao geologica e por suas caracteristicas climaticas, abrigam campos de altitude ou refugios vegetacionais. Na planicie aluvial do Paraiba do Sul, as cheias frequentes do rio nao permitiram o desenvolvimento de florestas. Elas so cresceram nos pontos mais elevados. Na maior parte da planicie, formaram-se os campos herbaceos nativos. Nas restingas, medra a vegetacao denominada de formacao pioneira de influencia marinha. Registrem-se ainda os manguezais, ou formacoes pioneiras de influencia fluviomarinha, nos estuarios e em algumas lagoas junto a costa. (3)

No ambito da Ecorregiao de Sao Tome, a Bacia do Paraiba do Sul tem merecido incontaveis estudos nos dominios da Geologia, da Hidrologia, da Biologia e das Ciencias Sociais. Tambem as acoes para defender a economia e os nucleos urbanos das cheias tem sido frequentes. Por outro lado, nao se pode dizer o mesmo quanto as outras bacias que banham a ecorregiao. Em parte pelos conhecimentos existentes sobre a Bacia do Paraiba do Sul, em parte por motivos de espaco, o presente estudo restringe-se a este sistema hidrico.

AS BAIXADAS FLUMINENSES

Em 1933, o governo federal, tendo a frente Getulio Vargas, criou a Comissao de Saneamento da Baixada Fluminense. Depois de varias tentativas fracassadas de drenar aguas acumuladas nas partes baixas e planas por comissoes imperiais, federais, provinciais e estaduais, um governo com tendencias centralizadoras criou uma instituicao de carater permanente para atacar o problema das enchentes e do "saneamento". No ano seguinte, o engenheiro Hildebrando de Araujo Goes apresentava os primeiros resultados dos trabalhos da Comissao: um alentado e ilustrado relatorio que reunia informacoes dos orgaos anteriores. Em Saneamento da Baixada Fluminense, Goes identificou as quatro baixadas do Estado do Rio de Janeiro -Sepetiba, Guanabara, Araruama e Goytacazes- como as areas mais problematicas, pois as aguas das chuvas caidas na zona serrana corriam para elas em demanda ao mar. O problema se agravava com as chuvas que caiam tambem sobre as baixadas (4).

Quanto a Baixada de Sepetiba, tambem estudada por Goes em rico relatorio do mesmo nome, tem ela uma superficie de 1.500 [km.sup.2] e e formada e drenada por rios de pequeno porte (5). A distancia entre a zona serrana e o mar e consideravel para a ocorrencia de enxurradas ao longo da planicie. Nao assim com relacao a Baixada da Guanabara, erroneamente nomeada de Baixada Fluminense. Goes inclui nela a Baixada da Tijuca, que mereceu, recentemente, rico estudo (6). Com area estimada em 3.800 [km.sup.2], a distancia entre a Serra do Mar e a Baia de Guanabara nao permite a existencia de longos rios e de uma larga planicie. Assim, chuvas torrenciais causam enxurradas. As aguas alcancam logo o mar. No entanto, a urbanizacao rapida e desordenada vem retendo aguas pluviais no continente e causando grandes transtornos a regiao metropolitana e a populacao de baixa renda, pressionada a construir suas casas no rumo das torrentes. No que concerne a Baixada de Araruama, com cerca de 4.000 [km.sup.2], ha que se destacar a existencia de um grande cordao de lagoas paralelas a costa com saida para o mar, do qual se destaca a Lagoa de Araruama, entre a zona serrana e o oceano, que o transforma em principal receptaculo das chuvas abundantes. Mas, aqui tambem, a urbanizacao acelerada esta dificultando o processo de drenagem.

[FIGURA 2 OMITIR]

AS SINGULARIDADES DA BAIXADA DOS GOYTACAZES

A Baixada dos Goytacazes e singular em relacao as suas irmas. Primeiramente, ela foi construida pelo Rio Paraiba do Sul, o maior do Estado do Rio de Janeiro, e o mar. E de se esperar, portanto, que seja a mais extensa de todas. De fato, ela conta com uma area de 8.300 [km.sup.2]. A soma das superficies das outras tres baixadas supera a dos Goytacazes em apenas 1.000 [km.sup.2]. Formada a partir de 5.100 anos antes do presente, ela se compoem de uma grande area de origem aluvial e da maior restinga do Estado do Rio de Janeiro, senao de todo o Brasil. Associa-se a ela outra grande restinga, de origem mais antiga, aqui denominada de Restinga de Carapebus. Na retaguarda dessa planicie, a zona serrana se constitui da Serra do Mar, que se interrompe abruptamente na margem direita do Rio Paraiba do Sul, e de uma formacao cristalina antiga e baixa na sua margem esquerda (7).

A segunda caracteristica da Baixada dos Goytacazes e a distancia entre a zona serrana e o mar. Tomando-se o ponto em que o Paraiba do Sul deixa o cristalino, em Iterere, ate seu ponto mais meridional, na foz do Rio Macae, sua latitude se estende de 21[grados]40'35"S a 22[grados]22'7"S. Em termos de longitude, podemos tomar a extremidade setentrional da Restinga de Paraiba do Sul, a 41[grados]4'28"O, ate a foz do Rio Macae, a 41[grados]46'15"O. Assim, so podemos registrar enxurradas nas vertentes da Serra do Mar. A vertente interior e drenada pelos Rios Piabanha, Paquequer, Grande e do Colegio, principalmente, todos eles afluentes do Rio Paraiba do Sul. Pela vertente exterior, descem os Rios Macabu, Urubu, Imbe e Preto, confluindo todos eles, direta ou indiretamente para a Lagoa Feia, com excecao parcial para o Rio Preto. Da zona serrana baixa, a margem esquerda do Paraiba do Sul, provem os Rios Paraibuna, Pirapitinga, Pomba e Muriae, com nascentes na Zona da Mata Mineira. Em resumo, a Baixada dos Goytacazes e, das quatro, a que mais recebe aguas pluviais e a mais drenada. E, de todas, a mais extensa. A distancia entre a zona serrana e o mar e notavel.

Entra, entao, a terceira caracteristica dessa planicie: a declividade dela entre a margem direita do Paraiba do Sul e o mar e minima, o que dificulta o escoamento das aguas fluviais e pluviais. Transbordando em periodos de cheia pela margem direita, as aguas do Paraiba do Sul derivavam lentamente e, no seu percurso, iam se acumulando em depressoes e formando extensas e rasas lagoas, banhados e brejos. Essa baixada propiciava a constituicao de um verdadeiro pantanal. Foi na margem direita do Rio Paraiba do Sul, problematica em termos de drenagem, que se instalaram a cidade de Campos e a fatia mais significativa da agroindustria sucroalcooleira.

[FIGURA 3 OMITIR]

A quarta singularidade da Baixada dos Goytacazes e que, a rigor, so existiam tres defluentes originais e regulares das aguas acumuladas no continente para o mar: os Rios Paraiba do Sul, Iguacu e Guaxindiba, que enfrentavam e enfrentam permanentemente a grande energia oceanica, que tende a fechar qualquer desaguadouro. Enquanto os rios que drenam as Baixadas de Sepetiba e da Guanabara desembocam em baias protegidas e os que drenam a Baixada de Araruama sao capturados pela lagoa de mesmo nome e por outras, os da Baixada de Goytacazes lutam contra o mar aberto e violento. Nao sem razao, Alberto Ribeiro Lamego considerou o mar--nao o Paraiba do Sul e as lagoas--como o maior adversario da agropecuaria e da vida urbana. Entusiasta do Departamento Nacional de Obras e Saneamento, ele dizia nao ser dificil abrir canais com o fim de transportar agua do Rio Paraiba do Sul para uma lagoa e desta para outra e desta para outra mais. O problema era abrir canais que transportassem agua do continente para o mar, pois a virulencia deste certamente faria malograr a obra (8).

A Baixada dos Goytacazes apresenta ainda mais uma peculiaridade em relacao as outras. Para compreende-la, e preciso conhecer sua formacao geologica. Lamego supos que o Rio Paraiba do Sul construiu uma planicie fluviomarinha sobre o mar aberto, transportando sedimentos da Zona Serrana e da Formacao Barreiras. A primeira tem idade pre-cambriana, com mais de 600 milhoes anos. Ela ja existia no grande continente de Pangeia, embora tenha sofrido profundas mudancas ao longo do tempo. Por sua vez, a Formacao Barreiras, cujo nome popular e tabuleiro, trata-se de uma configuracao geologica aloctone constituida com material de origem continental e talvez marinho, com idade de 60 milhoes de anos (9).

Estudos modernos demonstram que grande parte dos terrenos correspondentes a atual Baixada dos Goytacazes eram ocupados pela Formacao Barreira, que se estendia entre a Zona Serrana, o Rio Itabapoana e o Rio Macae no inicio do Holoceno, ha dez mil anos. Sabe-se, com certeza, que, nesse tempo, a Lagoa de Cima ja existia e que o curso final do Rio Paraiba do Sul devia sulcar o tabuleiro ate alcancar o mar. Supoe-se que a Lagoa de Cima e o Rio Preto tivessem ligacao direta com o Paraiba do Sul. Ja o Rio Macabu ou tinha foz propria no mar ou confluia para o Rio Paraiba do Sul.

[FIGURA 4 OMITIR]

A partir do Holoceno antigo (entre 10 e 6 mil anos antes do presente), o nivel do mar comecou a subir e a transgredir (avancar) sobre os terrenos da Formacao Barreiras em sua parte mais baixa, separando-os em duas porcoes. Em 5.100 anos antes do presente, o mar alcancou seu maximo transgressivo, afogando a Lagoa de Cima. Assim, os Rios Imbe e Urubu, formadores dela, bem como o Rio Preto, passaram a desembocar diretamente no mar. Dai em diante, num lento vaivem, o mar comecou a regredir (recuar), enquanto o Rio Paraiba do Sul progradava (avancava) numa grande semilaguna formada sobre o tabuleiro erodido. O grande rio ramificou-se em quatro bracos, hoje conhecidos como Iterere, Cacumanga, Cula e o proprio Paraiba do Sul. Transportando sedimentos da Zona Serrana e do Grupo Barreiras, o rio foi formando a planicie aluvial sobre a grande semilaguna. Posteriormente, em associacao com os movimentos marinhos, constituiu-se uma grande restinga dentro do mar aberto. O principal braco do grande rio funcionou como espigao hidraulico, a reter areia em sua margem direita e a deposita-la em sua margem esquerda.

E entao que se percebe a quinta peculiaridade da Baixada dos Goytacazes. Os cursos d'agua que formam a planicie movimentam-se no espaco agora confinado pelas duas porcoes de tabuleiro nao derruidas pelo avanco do mar, que representam divisores de agua, sofrendo tanto a influencia do jato do Paraiba do Sul quanto a tendencia da corrente dominante do mar. Os cursos d'agua, dentro desse intervalo entre dois blocos de tabuleiro, revelam sentido norte-sul e oeste-leste. O braco principal do rio, que recebeu o nome de Paraiba do Sul, e empurrado para os limites da porcao central do tabuleiro, deixando espaco aberto para que os paleocanais de Iterere, de Cacumanga e sobretudo do Cula formem a planicie aluvial, salpicada de muitas grandes e pequenas lagoas originadas pelo processo de regressao-progradacao.

No meio desse terreno novo, sobressaem a grande Lagoa Feia e o Rio Ururai, que a liga a Lagoa de Cima. A foz do Rio Macabu foi capturada pela Lagoa Feia, um enorme corpo d'agua entao com mais de 400 [km.sup.2]. Assim, nao devemos e nao podemos considerar o baixo curso do Rio Paraiba do Sul e a Lagoa Feia como bacias hidricas independentes. Elas constituem duas sub-bacias integrantes de uma mesma bacia. A planicie que se forma entre a margem direita do Paraiba do Sul e a Lagoa Feia apresenta uma suave declividade. Varios autores chamaram a atencao sobre a comunicacao subterranea das duas sub-bacias, a partir do ponto em que o Rio Paraiba do Sul deixa a Zona Serrana, em Iterere (10). E indiscutivel a comunicacao superficial entre as duas sub-bacias. As aguas que transbordavam do Paraiba do Sul pela margem direita corriam por gravidade, embora muito 10 lentamente, para a sub-bacia da Lagoa Feia. Por sua vez, parte das aguas que transbordavam pela margem esquerda do rio voltavam parcialmente para seu leito com o fim da cheia. Outra parte ficava retida nas lagoas formadas no tabuleiro e nas lagoas da porcao de restinga a margem esquerda do Paraiba do Sul.

[FIGURA 5 OMITIR]

Na margem esquerda do Rio Paraiba do Sul e do Rio Muriae, seu ultimo afluente, e de se notar a existencia de extensas varzeas e de lagoas que absorviam aguas de cheia, reduzindo o impacto das inundacoes. As aguas que se depositavam nas varzeas voltavam totalmente aos rios. As que se acumulavam nas lagoas retornavam parcialmente a eles.

Assim, as singularidades da Baixada dos Goytacazes exigiram dos orgaos de "saneamento" um tratamento especial, mesmo numa epoca em que se pretendia moldar totalmente a natureza a tecnica. Os problemas que se impunham eram: 1- como impedir transbordamentos, sobretudo em epocas de grandes cheias; 2- como transportar agua excedente de um subsistema hidrico para outro; 3- como disponibilizar terras ferteis para a agropecuaria; 4- como proteger os nucleos urbanos, especialmente Campos, das enchentes; e 5- como escoar agua do continente para o mar.

As terras de ambas as margens dos Rios Paraiba do Sul, Muriae, Ururai e Macabu anualmente eram cobertas pelas aguas de transbordamento, com maior ou menor extensao, dependendo da intensidade e do volume das chuvas. Os produtores rurais habituaram-se a este constrangimento natural e ate o aceitavam serenamente, como os lavradores das margens do Nilo, quando de suas enchentes fertilizadoras do solo. Numa pagina da mais alta qualidade literaria, o memorialista campista Thiers Martins Moreira descreve esta passividade dos lavradores que frequentavam o Hotel Amazonas, pertencente a seu pai.

"Alguns estao em grupos. Trazem os sapatos cheios de poeira. As roupas sao grossas. Ha os que tem a camisa de riscado e chapeus de abas largas. A cara vem ressequida e, se velhos, cortada em pequenos sulcos que se alargam em volta da boca ou se irradiam dos cantos exteriores dos olhos. As tabuas do soalho superior do Palacete [Hotel Amazonas] parecem sentir o peso de seus corpos. Esses sao os homens da terra. Vem da roca, conhecedores do gado, das molestias da cana, a que chamariam de mosaico, habitantes das glebas em volta das lagoas, donos de fazendas que margeiam o Paraiba, o Ururai ou, mais no alto, o Itabapoana. Poucos sao os que vem das montanhas mais distantes, onde o cafe e a lavoura. Falam de moagem, das secas, das enchentes do Paraiba. A principio vinham a cavalo, e de trem os de mais longe. Suas atitudes para as coisas diarias variam de acordo com o preco da cana. Procuram mulheres. Mas nao sao intimos da cidade. Cansam-se dela. E bem diversa a paisagem a que seus olhos se habituaram. A cheia do rio os apavora. Os mais otimistas, no entanto, dizem: depois a terra fica mais rica. Permanecem somente dois ou tres dias no hotel. Quase sempre compram o seu chapeu novo, sapatos, camisas ou botas novas (...) Sao os homens do gado, das terras e das plantacoes. Rudes serao (...) As palavras da paisagem lhes pertencem: a lagoa, a curva da estrada ou do rio, a luz, as plantas, as arvores" (11).

Nao se tratava de conformismo apenas, mas da crenca de que os transbordamentos representavam uma fatalidade, um designio de Deus contra o qual nao se podia e nao se devia lutar. Jose Candido de Carvalho, outro renomado escritor campista, em seu mais famoso livro, simula o confronto entre a mentalidade tradicional de um fazendeiro e a mentalidade transformadora de um engenheiro no que concerne ao reinado das forcas da natureza.

"E sacou do bolso [fala o fazendeiro sobre o engenheiro] as invencoes todas dele para as tarefas de Mata-Cavalo [a fazenda do fazendeiro], uns rabiscos que nem o Diabo entendia. Seu dedinho embonecado apontou as melhorias que ia fazer e nao fazer na heranca de Simeao. Falou em represamento dos corgos, sangria de banhados, dois paiois e mais agua corrente dentro de casa. Levantava toda essa grandeza dentro da maior pechincha, num desembolso de pecunia que dava ate graca em dizer" (12).

Pouco a pouco, esta mentalidade foi mudando. Atualmente, os proprietarios exigem dos orgaos governamentais dominio absoluto sobre a natureza de modo que ela seja subordinada aos interesses da economia agro pecuaria. Num determinado momento, as falas se inverteram. Se, antes, o agropecuarista conformava-se aos limites impostos pela natureza, enquanto os engenheiros se empenhavam em convence-los de que a tecnica e a tecnologia seriam capazes de dominar totalmente as forcas naturais, o campista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, engenheiro sanitarista de renome internacional, advertia ja na decada de 1920:

"Na Holanda ocorreram recentemente novos desastres, e, como se sabe, nesse pais a velha experiencia na conquista das terras ao dominio das aguas constitui o classico exemplo do heroismo, da tenacidade e das licoes tecnicas para a construcao e a conservacao dessas obras e para o socorro pronto no caso de acidente [...] Em Paris--ainda desprotegida, apesar dos seus recursos em dinheiro e no saber tecnico--, repetiu-se em 1923 a calamidade que aflige esta cidade ha muitos seculos: um de seus eminentes engenheiros aconselha como remedio simples e unico eficaz: proibir a habitacao em lugares inundaveis [...] o homem quer lutar, quer ocupar, defender, valorizar a sua propriedade em lugar de mudar-se para as localidades nao sujeitas as calamidades, as quais ainda sobram no Planeta. Os campistas rir-se-ao do conselho de Dollfus, mas devem ficar avisados de que nao se lhes pode oferecer a seguranca absoluta, e sim relativa, nas obras que se fizerem, sujeitas que ficarao as ameacas das enchentes maiores. Sera preciso tambem nao esquecer que geralmente os leitos dos rios se vao aterrando e que o mesmo volume de agua atingira a nivel mais alto quando existam diques marginais impedindo a inundacao compensadora; se esta sobre-elevacao progressiva atingir o coroamento do dique e se nao acudir a tempo, dar-se-a o desastre (...) Nesses ultimos anos o mal das cheias nao respeitou os paises em que a luta contra ela tem sido mais persistente, os estudos tem sido mais completos e as obras mais valiosas. Na Holanda e na Italia rompem-se diques; nos Estados Unidos da America do Norte, as enchentes, abrem-se enormes brechas nos diques e a agua se derrama por vastissimas regioes habitadas e plantadas (uma delas de canaviais), causando colossais prejuizos. Parecia que la o homem se tornara senhor do Mississipi; o rio nos seus caprichos nao respeitou doutrinas, formulas, previsoes e obras de defesa. Vao recomecar, com maior resignacao e menor orgulho tecnico" (13).

Camilo de Menezes confirma a permanencia desta atitude ate inicio das obras de drenagem e contencao de enchentes pela Comissao de Saneamento da Baixada Fluminense, na decada de 1930. Em seu relatorio, ele diz que a construcao de diques gerou protestos de proprietarios marginais do Rio Paraiba do Sul, que viam as cheias nao como um maleficio e sim como um elemento fecundante de suas terras. A argumentacao convenceu o engenheiro em varios aspectos (14). Pode-se concluir que a intencao de empreender obras para beneficiar a economia agropecuaria e agroindustrial foi formulada por uma elite ilustrada, nao pelos proprietarios rurais, fossem eles grandes, medios ou pequenos.

Diques

A primeira medida para conter transbordamentos dos rios e lagoas e a construcao de paredes ao longo e ao redor de suas margens, ou seja, diques. Assim, o leito de cheia dos rios e lagoas e forcado a passar de horizontal para vertical. Com as margens desguarnecidas, os transbordamentos ocorrem progressivamente. Com diques, pode haver transbordamento na forma de enxurrada, caso o dique se rompa ou seu coroamento seja ultrapassado pelo nivel do rio e da lagoa.

No principio, um recurso comum para conter os transbordamentos era a formacao de barricadas com sacos de areia, pratica ainda usada em situacoes de emergencia. Quando as margens do Paraiba do Sul nao contavam com diques, as barricadas eram anualmente usadas, sem a eficiencia esperada.

Os primeiros diques foram construidos com pedras, na margem direita do Rio Paraiba do Sul, no seculo XIX. Examinando seus remanescentes, pode-se aquilatar a largura do rio em tempos de cheia. A terra foi outro material utilizado para a construcao de diques. Entre o bairro de Matadouro, em Campos dos Goytacazes, e o municipio de Sao Joao da Barra, foi erguido um longo e largo dique de terra sobre o qual foi construida uma ferrovia ligando os dois municipios.

[FIGURAS 6-7 OMITIR]

[FIGURA 8 OMITIR]

Cabe registrar tambem os diques de terra construidos ilegalmente por particulares em torno de lagoas, notadamente da Lagoa Feia, reduzindo drasticamente sua superficie de 370 [km.sup.2], em 1900, para 170 [km.sup.2], em 1970. Quatro desses diques foram detonados durante a cheia extraordinaria no subsistema da Lagoa Feia, em fins de 2008, por decisao judicial.

[FIGURAS 9-10 OMITIR]

Da mesma forma, na margem esquerda do Rio Paraiba do Sul, entre Campos dos Goytacazes e a localidade de Campo Novo, no municipio de Sao Francisco de Itabapoana, construiu-se um dique de terra sobre o qual corre um trecho da rodovia estadual RJ-194. O local de construcao desse dique gerou discussao entre os engenheiros Francisco Saturnino Rodrigues de Brito e Camilo de Menezes, quando o primeiro ja havia morrido. Menezes resume a discussao. Saturnino de Brito preconizava que o dique deveria incluir as lagoas da margem esquerda, proximas ao rio, no leito de cheia do grande curso d'agua. Ja Menezes entendia que ele deveria separar as lagoas do curso do rio, como explicita.

"Julgamos (...) que nao e conveniente "tracar o dique de defesa ficando entre este e a margem do rio as lagoas e terras que continuarao inundaveis", porque esta regiao e precisamente a mais fertil e que mais precisa de protecao, ao contrario da que lhe fica ao norte, toda de restingas. O dique, caso se venha a construi-lo, deve ser proximo ao rio. Alias ja ha um dique, de comportamento satisfatorio, que e a estrada marginal entre Campos e Barra Seca (a S. O. da Lagoa do Campelo), com "grade" propositadamente elevado para impedir transbordamentos do Paraiba. Pequenas correcoes torna-lo-ao perfeito" (15).

A passagem esclarece que o dique sobre o qual seria construida a RJ-194 ja existia na data em que o relatorio de Menezes foi redigido. Venceram, assim, interesses economicos imediatistas em detrimento da atividade pesqueira e da seguranca civil, pois que este dique apresenta grande vulnerabilidade. Erigido dentro do leito maior do Paraiba do Sul, por ocasiao das cheias, ou as aguas ultrapassam seu coroamento, alagando areas antes integrantes do rio, ou rompem a propria estrada, como aconteceu com as cheias de 2007, por exemplo.

Entre o dique de pedra erguido, na margem direita do Paraiba do Sul, que se estende de Iterere, ponto em que suas aguas deixam a Zona Serrana, as imediacoes da cidade de Campos, e o dique de terra, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento construiu um dique de alvenaria para conter as enchentes na zona urbana.

[FIGURA 11 OMITIR]

Tanto os diques de ambas as margens do Paraiba do Sul quanto os da margem esquerda do Rio Muriae mostram sinais de fadiga e carecem de reforma completa.

[FIGURA 12 OMITIR]

CANAIS

Outro instrumento utilizado para drenagem e contencao de enchentes e o canal. Entre as lagoas das duas margens do Paraiba do Sul, ainda existem linhas naturais de drenagem sinuosas pelas quais a agua escoava lentamente. O primeiro canal aberto por acao antropica foi a Vala do Furado, em 1688. O grande proprietario rural Capitao Jose Barcelos Machado, ao rasgar o canal, buscava encurtar a saida de agua doce do continente para o mar a fim de enxugar suas terras.

[FIGURA 13 OMITIR]

Os jesuitas nao apenas procuravam manter limpos os canais nativos, usando o trabalho dos seus escravos, como tambem devem ter aberto alguns pequenos canais, a exemplo do Rio Novo do Colegio, nome que alude a obra executada pelos donos do Convento e Colegio de Santo Inacio, da Companhia de Jesus.

Na primeira metade do seculo XIX, o crescimento da economia canavieira na Baixada dos Goytacazes e de outras economias nas zonas serrana e de tabuleiros levaram a abertura de quatro canais de navegacao. O Rio Paraiba do Sul entre o ultimo desnivel de seu leito, em Sao Fidelis, e sua foz apresentava boas condicoes de navegabilidade. Da mesma forma, era possivel navegar com pequenas embarcacoes a vapor do ultimo desnivel do Rio Muriae, em Cardoso Moreira, ate sua confluencia com o Paraiba do Sul e dai para a foz ou para Sao Fidelis.

Para escoar a producao do Sertao das Cacimbas, atual municipio de Sao Francisco de Itabapoana, foi aberto o Canal de Cacimbas, aproveitando o longo brejo do mesmo nome, que ligou a Lagoa de Macabu, antigo curso d'agua de tabuleiro barrado por restinga, ao Rio Paraiba do Sul. Os divisores de agua a serem superados foram minimos e insignificantes.

[FIGURA 14 OMITIR]

Mais trabalho requereu a abertura do Canal do Nogueira, que objetivava ligar o Rio Paraiba do Sul a Lagoa do Campelo. Varios foram os desniveis a se vencer, o que exigiu a construcao de eclusas. Partindo do grande rio, o canal aproveitou as Lagoas de Maria do Pilar, do Taquarucu, da Olaria, do Fogo e de Brejo Grande, parando nesta ultima por falta de recursos financeiros.

[FIGURA 15 OMITIR]

Aproveitando sistema ja existente, foi canalizado o Rio da Onca, a partir de sua confluencia no Rio Muriae, passando pela grande Lagoa da Onca e penetrando no curso superior do rio, com a finalidade de transportar madeiras nobres para uso domestico e para exportacao. Coroando a era dos canais de navegacao, foi aberto o longo Canal Campos-Macae, concebido pelo Bispo campista Jose Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho. Como no caso dos outros, ele aproveitou rios e lagoas para baratear o custo das obras. O canal foi pouco utilizado, pois, logo apos concluido, comecou a funcionar a ferrovia ligando Campos a Macae e a Niteroi (16).

Embora o objetivo principal dos quatro canais fosse a navegacao, a abertura deles drenou parcial ou totalmente inumeros brejos, banhados e lagoas.

A partir da substituicao progressiva dos antigos engenhos de acucar e alcool pelos grandes engenhos centrais e usinas, movimento correspondente a Segunda Revolucao Industrial, impos-se a conquista de terras para a ampliacao da area plantada com cana-de-acucar. As terras mais ferteis situavam-se na area aluvial da Baixada dos Goytacazes, em grande parte cobertas por agua ou sujeitas a longos periodos de alagamento (17).

[FIGURA 16 OMITIR]

Por mais divergentes que fossem as propostas apresentadas por engenheiros para drenar a baixada, preponderou a tese de que as aguas de cheia do Rio Paraiba do Sul deveriam ser em parte contidas por diques e em parte desviadas para o subsistema Lagoa Feia por meio de canais. O primeiro grande esforco neste sentido foi empreendido por Marcelino Ramos da Silva, que projetou e executou a abertura do Canal de Jagoroaba, em 1898. O tracado dele ligava o espaco mais curto entre a Lagoa Feia e o mar, num exercicio de pura geometria euclidiana. Acreditando que o caminho mais breve entre dois pontos e uma reta, o engenheiro nao considerou devidamente o terreno de restinga e a alta energia oceanica. Na epoca, seu colega Francisco Saturnino Rodrigues de Brito criticou a obra e defendeu a manutencao do intrincado sistema de defluencia da Lagoa Feia pelo Rio Iguacu e pela Vala do Furado, alem da Barra Velha (atual Lagoa do Lagamar).

Antes da criacao da Comissao de Saneamento da Baixada Fluminense, em 1933, foram formulados dois projetos abrangentes para atacar o problema do alagamento e das enchentes. O primeiro foi idealizado pelo engenheiro Candido Borges, quando a frente da Comissao do Canal de Macae a Campos, em 1920. Ele implicava na dragagem dos Rios Ururai e Macabu, prolongando seus leitos por meio de canais submersos na Lagoa Feia. O Rio Caxexa, um dos distributarios da Lagoa Feia, seria retilinizado, e a Barra do Furado seria revestida lateralmente, avancando 150 metros mar adentro por meio de dois molhes. Para evitar a entrada da lingua salina, prejudicial a agropecuaria, uma comporta seria instalada na Lagoa do Furado (18).

[FIGURA 17 OMITIR]

A segunda foi concebida pelo engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, na decada de 1920. Com muita experiencia em iniciativas de drenagem e controle de enchentes, ele partiu de dois principios: 1--distribuicao de aguas de cheia no continente em lagoas, banhados e varzeas bem como conservacao delas por florestas; 2--descarga das aguas de chuva para o mar por meio de varios defluentes. Sem prometer milagres, ele planejou proteger a cidade com diques, abrir um canal de cem metros dividido em dez canais de dez metros cada ligando a Lagoa Feia ao mar. Ainda mais, canais ligando o Rio Paraiba do Sul ao subsistema da Lagoa Feia, sendo que, de um deles, partiriam canais secundarios para o mar nas Lagoas de Grucai, Acu e Lagamar (19).

[FIGURA 18 OMITIR]

A Comissao de Saneamento da Baixada Fluminense optou pelo plano de Saturnino de Brito, mas o resultado final decorreu da hibridizacao dos planos de Candido Borges e de Saturnino de Brito. As margens do Rio Paraiba do Sul, a partir de sua saida da zona serrana, foram construidos diques de materiais diversos. O mesmo procedimento foi adotado para a margem direita do baixo curso do Rio Muriae. Os subsistemas Paraiba do Sul e Lagoa Feia foram ligado por oito canais primarios, dos quais partem canais secundarios e terciarios. A Lagoa Feia passou a defluir pelo grande Canal da Flecha, que, no inicio dos anos de 1980, foi prolongado mar adentro por dois espigoes de pedra. Os baixos cursos dos Rios Ururai e Macabu foram canalizados.

[FIGURA 19 OMITIR]

Na margem esquerda do Rio Paraiba do Sul, abriu-se o Canal do Vigario, que aproveitou parte do Canal do Nogueira. Ele liga o rio a Lagoa do Campelo. Desta, parte o Canal Engenheiro Antonio Resende, que atinge o mar usando a foz do Rio Guaxindiba. O antigo Canal de Cacimbas foi transformado em canal de drenagem, tendo sua extremidade setentrional desviada para o Canal Engenheiro Antonio Resende.

Em 2008, chuvas intensas e prolongadas produziram uma das maiores enchentes registradas na sub-bacia da Lagoa Feia. O desmatamento da Serra do Mar, a reducao das areas das lagoas e o assoreamento agravaram mais ainda o fenomeno climatico. Em carater emergencial, o Ministerio Publico Federal obteve liminar na Justica Federal para dinamitar cinco diques de invasao na Lagoa Feia (20). Com a detonacao de quatro, as aguas de enchente sofreram uma reducao significativa, embora um estudo conteste o resultado (21). A partir de entao, o Instituto Estadual do Ambiente assumiu o sistema de contencao de enchentes e de drenagem deixado pelo DNOS. A recuperacao da malha de canais, estimada em 1400 km, foi encomendada a Coppetec Fundacao, vinculada a Universidade Federal do Rio de Janeiro (22). Sem a grandeza dos estudos efetuados por Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, Hildebrando de Araujo Goes, Camilo de Menezes e Alberto Ribeiro Lamego, a Coppetec dividiu a rede de canais em tres sistemas: Sao Bento, Macae-Campos e Vigario. Os dois primeiros situam-se na margem direita do Rio Paraiba do Sul. O terceiro localiza-se na sua margem esquerda. O primeiro sistema ja foi executado com verbas do Programa de Aceleracao do Crescimento. Recursos no valor de R$ 180 milhoes foram investidos. Os resultados mostraram-se pifios, pois a eutrofizacao dos canais se manifestou pouco tempo depois, levando a proliferacao de plantas aquaticas, notadamente o aguape (Eichornia crassipes). Os dois outros sistemas consumirao R$ 370 milhoes. Tudo indica, porem, que, continuando o aporte de esgoto e de fertilizantes quimicos na rede de canais, rapidamente as obras de limpeza e redragagem serao inutilizadas pela eutrofizacao.

COMPORTAS

O instrumento da comporta e antigo, mas so foi empregado sistematicamente com o Departamento Nacional de Obras e Saneamento. O tipo de comporta mais comum e o de lamina fixa ou manobravel instalada no local em que se deseja barrar o fluxo hidrico. No caso da lamina fixa, a agua se acumula a montante e verte sobre ela quando seu nivel e atingido. Sendo manobravel, a agua ingressa no canal ou sai dele quando a lamina e suspensa. A lamina manejavel e o tipo mais encontradico.

[FIGURA 20 OMITIR]

Ha tambem a comporta automatica, que se movimenta pela energia da agua. Comportas deste tipo foram instaladas no Corrego da Cataia e no Canal de Cacimbas. Com a elevacao do nivel do Rio Paraiba do Sul, as comportas de ambos os cursos d'agua se fechavam automaticamente, impedindo que a agua de cheia alcancasse areas de procriacao de peixes. Ao baixar o nivel, as aguas retidas nos canais abre as comportas e fluem para um sistema maior.

Mais que os canais e diques, as comportas tem representado pontos de conflito entre interesses de ruralistas e pescadores. Por diversas vezes, pescadores da Lagoa do Campelo e dos Canais de Cacimbas, do Quitingute, do Vigario e do Jacare ou ergueram as comportas ou mesmo as arranca ram ou ainda abriram canais alternativos para que a agua entrasse no sistema em periodo favoravel a pesca, mas desfavoravel a agropecuaria.

Abandonadas desde a extincao do DNOS, pela Medida Provisoria no. 151, de 15 de marco de 1990, as comportas sofreram corrosao e emperramento por cerca de vinte anos. A impossibilidade de manobrar a grande maioria delas afetou nao apenas a economia pesqueira, mas tambem a propria agropecuaria. Atualmente, o Instituto Estadual do Ambiente, incumbido do gerenciamento da rede de canais construida pelo DNOS, pretende recuperar as comportas, inclusive informatizando o manejo de algumas. E preciso ir mais longe, retomando as comportas que ainda sao manobradas por particulares e transferindo ao Comite da Regiao Hidrografica IX as decisoes sobre o controle do sistema de modo a conciliar os interesses das economias pesqueira e agropecuaria.

Alem do mais, as comportas desempenham importante papel em eventos de cheia e de estiagem. Nos vinte anos em que estiveram abandonadas, as comportas nao puderam ser usadas adequadamente para a irrigacao. Neste intervalo, processou-se a urbanizacao desordenada das margens de canais adjacentes a areas urbanas, como e o caso dos Canais de Cacumanga, do Saco, Campos-Macae, Coqueiros, Cambaiba, do Jacare e do Vigario, para so mencionar os mais importantes. Atualmente, a abertura das comportas deve ser precedida de minucioso exame dos canais, de modo a levantar a ocupacao urbana de suas margens e os impactos das enchentes sobre os novos aglomerados. Tais impactos ja atingiram bairros novos com a abertura das comportas dos Canais do Vigario e de Cambaiba (23).

ESTIAGENS

Por mais que as enchentes possam assolar a Baixada dos Goytacazes, o regime que predomina nela e o da baixa precipitacao pluviometrica anual. No Norte-Noroeste Fluminense e na Regiao dos Lagos, o indice pluviometrico varia entre 750 mm e 1.250 mm anuais, com distribuicao irregular. O periodo mais chuvoso estende-se de novembro a janeiro. Compilando registros efetuados entre 1931 e 1975, Marques et al. concluem que,

"Em media, no inicio da estacao chuvosa, mes de outubro, a precipitacao e utilizada quase que totalmente para a reposicao hidrica. Com as necessidades de agua no solo sendo supridas gradualmente, observando-se nos meses subsequentes uma expansao da area com excesso hidrico e atingindo seu maximo em dezembro. Mas, mesmo neste periodo de reposicao hidrica, as regioes representadas pelas estacoes de Sao Fidelis, Campos e Sao Joao da Barra nao apresentam nenhum mes do ano com excesso hidrico. No periodo de janeiro a marco evidencia-se gradual reducao das areas de excedente hidrico no Estado, com lenta diminuicao de seus valores absolutos. Nesse periodo, os municipios de Sao Joao da Barra, Sao Fidelis e Campos ja estao com deficiencia hidrica. A reducao das areas de excedente hidrico e a expansao cada vez maior das areas de deficiencia hidrica se faz sentir mais acentuadamente no periodo abril-setembro, sendo a menor pluviosidade o fator responsavel por este comportamento. O mes de agosto apresenta os maiores valores de deficiencia hidrica na regiao" (24).

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro comecou a efetuar medicoes pluviometricas sistematicas a partir de 1975. Por elas, podemos agrupar as informacoes de modo a levantar, por decadas, os periodos mais umidos e mais secos (25).

O mapa abaixo mostra as superficies termicas e as areas de deficiencia hidrica. Nota-se que a Baixada dos Goytacazes apresenta a mais elevada superficie termica conjugada a uma deficiencia hidrica so superada num pequeno ponto da Regiao dos Lagos, em funcao do fenomeno da ressurgencia (26).

[FIGURA 22 OMITIR]

Depois de chuvas intensas nos anos de 2007, 2008 e 2009, os anos de 2010, 2011, 2012 e inicio de 2013 revelam deficiencia hidrica. Em 2012, as chuvas foram copiosas na Regiao Serrana do Rio de Janeiro e na Zona da Mata Mineira, chegando a Baixada dos Goytacazes pelos afluentes do Rio Paraiba do Sul, notadamente pelos Rios Pomba e Muriae. Neste ultimo, as cidades de Lajes o Muriae, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira e as localidades de Outeiro e Tres Vendas enfrentaram inundacoes. Na Bacia do Pomba, sofreram as cidades de Santo Antonio de Padua e Miracema. No entanto, o indice de precipitacao pluviometrica na Baixada dos Goytacazes foi muito baixo.

[FIGURA 23 OMITIR]

[FIGURA 24 OMITIR]

Assim, na Baixada dos Goytacazes, as mudancas climaticas globais podem estar criando uma epoca de fenomenos climaticos extremos, levando os estudiosos a lidar, possivelmente, com a imponderabilidade e com a imprevisibilidade. Se, de fato, a tendencia a falta de tendencia se confirmar, sera preciso lidar nao apenas com os problemas de drenagem, mas tambem com os problemas de irrigacao, nao somente com enchentes, mas tambem com secas.

ARTHUR SOFFIATI

Recibido: 25 de julio de 2014

Aprobado: 10 de septiembre de 2014

Modificado: 04 de octubre de 2014

Articulo de investigacion e innovacion

DOI: http://dx.doi.org/10.15648/hc.26.2015.6

ARTHUR SOFFIATI

Professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (Brasil). Correo electronico: as-netto@uol.com. br. El autor es Doutorado em Historia Social de la Universidade Federal do Rio de Jainero (Brasil) y Maestrado em Programa de Pos-Graduacao em historia de la Universidade Federal do Rio de Jainero (Brasil). Entre sus publicaciones recientes tenemos: "A Historia da Lagoa Feia atraves da cartografia" en Anais do IV Seminario Regional sobre Gestao de Recursos Hidricos (2014) y "A contribuicao da ecohistoria para a compreensao da crise ambiental da atualidade e para a formacao da ecocidadania" en Revista Vitas: visoes transdisciplinares sobre ambiente e sociedade, v 1 (2012). Entre sus temas de interes se encuentran los de Historia Ambiental y Regional.

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Para citar este articulo: Soffiati, Arthur. "Chuvas e estiagens na ecorregiao de Sao Tome: o caso da Baixada dos Goytacazes", Historia Caribe Vol. X No. 26 (Enero-Junio 2015): 135-173. DOI: http://dx.doi. org/10.15648/hc.26.2015.6

* Este articulo forma parte del proyecto "Chuvas e estiagens na ecorregiao de Sao Tome", con financiacion solidaria.

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(1) Com o avanco do processo de globalizacao, o interesse pelo conceito de regiao vem ganhando forca nos meios academicos. Em portugues, a discussao pode ser acompanhada em Manuel C. de Andrade, Territorialidades, desterritorialidades, novas territorialidades: os limites do poder nacional e do poder local. In: Territorio: globalizacao e fragmentacao. Milton Santos, et al. (Sao Paulo: Hucitec, 1994); Ciro F. Cardoso, Repensando a construcao do espaco. Revista de Historia Regional v. 3, n 01 (1998). Ponta Grossa; Ina Elias de Castro, Problemas e alternativas metodologicas para a regiao e para o lugar. In: Natureza e Sociedade de hoje: uma leitura geografica, Maria Adelia A. de Souza. 2a ed. (Sao Paulo: Hucitec, 1994); Roberto Lobato Correa, Regiao e organizacao espacial. 4a ed. (Sao Paulo: Atica, 1991); Luiz A. G. Cunha, Por um projeto socio-espacial de Desenvolvimento. Revista de Historia Regional v 3, no. 2 (1998). Ponta Grossa; Paulo C. da C. Gomes, O conceito de regiao e sua discussao. In: Geografia: conceitos e temas. Ina E.; Castro, Paulo C.; Gomes, Roberto L Correa (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995); Derek Gregory, Teoria social e geografia humana. In: Martin, R. Gregory D.; G. Smith, Geografia Humana: Sociedade, espaco e ciencia social (Rio de Janeiro: Zahar, 1996); Ester Limonad, O territorio em tempos de globalizacao. GEO UERJ no 5 (1999). Rio de Janeiro; Rogerio Haesbaert, Regiao, diversidade territorial e globalizacao (Niteroi: DEGEO/UFF, 1999); Sandra Lencioni, Regiao e geografia (Sao Paulo: EDUSP, 1999); Edward N Soja, Geografias pos-modernas: a reafirmacao do espaco na teoria social critica (Rio de Janeiro: Zahar, 1993). Ja a reflexao sobre o conceito de ecorregiao ainda e pobre no Brasil e divorciada das ciencias sociais. Ver, a proposito, Arimatea de Carvalho Ximenes, Silvana Amaral, Dalton Morrison Valeriano, O conceito de ecorregiao e os metodos utilizados para o seu mapeamento (INPE e Print: sid.inpe.br/ mtc-m19@80/2009).

(2) Concepcao do autor a partir de Projeto Radambrasil. Rio de Janeiro/Vitoria (Folhas SF.23/24). Levantamento de Recursos Naturais vol. 32 (1983)--Mapa Geomorfologico. Rio de Janeiro: Ministerio das Minas e Energia.

(3) Henrique Pimenta Veloso, Antonio Lourenco Rosa Rangel Filho, e Jorge Carlos Alves Lima. Classifi cacao da Vegetacao Brasileira, Adaptada a um Sistema Universal (Rio de Janeiro: Fundacao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica, 1991). Para uma visao geral das formacoes vegetais nativas da Ecorregiao de Sao Tome, ver Arthur Soffiati. Historia das acoes antropicas sobre os ecossistemas vegetais nativos das regioes norte e noroeste do Estado do Rio de Janeiro. Perspectivas v. 4, no. 7 (jan./ jun. de 2005). Campos dos Goytacazes: Institutos Superiores de Ensino do CENSA, e Protecao de Ecossistemas e da Biodiversidade Nativos na Ecorregiao de Sao Tome. IV Seminario de Pesquisa do ESR/UFF (Campos dos Goytacazes: sem editora, 2011); e Renata Ferreira, "Avaliacao Historica da Vegetacao Nativa da Porcao Inferior da Bacia do Rio Paraiba do Sul no Estado do Rio de Janeiro". Campos dos Goytacazes (monografia de graduacao): (Universidade Estadual do Norte Fluminense, 2004)

(4) Hildebrando de Araujo Goes, Saneamento da Baixada Fluminense (Rio de Janeiro: Ministerio da Viacao e Obras Publicas, 1934).

(5) Hildebrando de Araujo Goes, Baixada de Sepetiba (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1942).

(6) David Zee (org.), Barra da Tijuca: Natureza e Cidade (Rio de Janeiro: Andrea Jakobson Estudio, 2012).

(7) As duas grandes teorias sobre a formacao da planicie fluviomarinha do norte fluminense foram formuladas por Alberto Ribeiro Lamego. O Homem e o Brejo, 2 a edicao (Rio de Janeiro: Lidador, 1974); e Louis Martin et al., Geologia do Quaternario Costeiro do Litoral Norte do Rio de Janeiro e do Espirito Santo (Belo Horizonte: CPRM, 1997). Neste artigo, o autor acompanha a segunda.

(8) Alberto Ribeiro Lamego, Restingas na costa do Brasil. Boletim no. 96 (1940). Rio de Janeiro: Ministerio da Agricultura/Departamento Nacional da Producao Mineral/Divisao de Geologia e Mineralogia.

(9) Louis Martin et al., Geologia do Quaternario.

(10) Jose Carneiro da Silva, Memoria Topografica e Historica sobre os Campos dos Goytacazes com uma Noticia Breve de suas producoes e Comercio, 3 a ed. (Campos dos Goytacazes: Fundacao Cultural Jornalista Oswaldo Lima, 2010); Henrique Luiz de Niemeyer Bellegarde, Relatorio da 4a Secao de Obras Publicas da Provincia do Rio de Janeiro Apresentado a Respectiva Diretoria em Agosto de 1837 (Rio de Janeiro: Imprensa Americana de I. F. da Costa, 1837); Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, Defesa contra Inundacoes: Melhoramentos do Rio Paraiba e da Lagoa Feia (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1944); e Engenharia Gallioli Ltda., Baixada Campista: Saneamento das Varzeas nas Margens do Rio Paraiba do Sul a Jusante de Sao Fidelis (Rio de Janeiro: Departamento Nacional de Obras e Saneamento, 1969).

(11) Thiers Martins Moreira, Os Seres (Rio de Janeiro: Livraria Sao Jose, 1963).

(12) Jose Candido de Carvalho, O Coronel e o Lobisomem, 9a ed. (Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1972) (data de colofon).

(13) Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, Defesa contra Inundacoes: Melhoramentos do Rio Paraiba e da Lagoa Feia (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1944).

(14) Camilo Menezes, Descricao Hidrografica da Baixada dos Goitacases (Campos: Diretoria de Saneamento da Baixada Fluminense, 1940).

(15) Camilo de Menezes, Desericao Hidrografica.

(16) Sobre o tema, ver Arthur Soffiati, Os canais de navegacao do seculo XIX no norte fluminense. Boletim do Observatorio Ambiental Alberto Ribeiro Lamego no. 2 (jul/dez 2007) (Edicao Especial). Campos dos Goytacazes: CEFET Campos, Especificamente sobre o Canal Campos-Macae, consultar Karlheinz Weichert, O canal Campos-Macae: obra ciclopica esquecida da engenharia nacional. Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro, ano 166, no 428 jan/set de 2005. Rio de Janeiro: IHGB.

(17) Uma excelente e ainda atual analise da geografia historica das baixadas fluminense encontra-se em Renato da Silveira Mendes, Paisagens Culturais da Baixada Fluminense (Sao Paulo: Universidade de Sao Paulo, 1950).

(18) Hildebrando de Araujo Goes, Saneamento da Baixada Fluminense (Rio de Janeiro: Ministerio da Viacao e Obras Publicas, 1934).

(19) Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, Defesa contra Inundacoes (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1944).

(20) Para uma visao global acerca da cheia de 2008, ver Arthur Soffiati, Reducao do impacto das cheias pelo manejo das aguas na planicie fluviomarinha do norte fluminense. Agenda Social v 3, no. 2 (mai-ago de 2009). Campos dos Goytacazes: Universidade Estadual do Norte Fluminense, acerca dos efeitos da cheia sobre a Sub-bacia da Lagoa Feia, consultar Marco Antonio Sampaio Malagodi, e Antenora Maria da Mata Siqueira, Inundacoes e Acao social em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro, Brasil). Anais do VII Congresso Portugues de Sociologia (Porto: Universidade do Porto, 19 a 22 de junho de 2012); e A. M. M. Siqueira, Gestao das aguas no contexto de desenvolvimento do Norte-Fluminense/RJ. Anais do I Seminario Nacional de Gestao Sustentavel de Ecossistemas Aquaticos: Complexidade, Interatividade e Ecodesenvolvimento (Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ, 2012).

(21) Jose Carlos Mendonca et al., Avaliacao de eventos de inundacao na Regiao Norte Fluminense, Rio de Janeiro, utilizando imagens de sensores remotos. Revista Ambiente & Agua - An Interdisciplinary Journal of Applied Science v 7, no 1 (2012), Taubate.

(22) INEA. Projeto de recuperacao da infraestrutura hidrica da Baixada Campista (Rio de Janeiro: COPPETEC, 2011).

(23) Arthur Soffiati, O drama da Vila Menezes. Folha da Manha (Campos dos Goytacazes, 03 de fevereiro de 2013).

(24) Apud. Jose Carlos Mendonca e Elias Fernandes de Sousa, Balanco hidrico climatologico sequencial e da cultura da cana-de-acucar na regiao norte do Rio de Janeiro (periodo de janeiro/2010 a fevereiro/2013). Inedito.

(25) Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Precipitacao pluviometrica de 1975 a 2007 (Campos dos Goytacazes: Posto Campus Leonel Miranda, 2008).

(26) Apud. Jose Carlos Mendonca e Elias Fernandes de Sousa, Balanco hidric climatologico.

(27) Apud. Jose Carlos Mendonca e Elias Fernandes de Sousa, Balanco hidric climatologico.
Figura 21

Precipitacao pluviometrica entre 1975 e 2007

Decada                    Cheia                      Estiagem

1975 a 1980       4.202,2 mm - 4o lugar       1.413,1 mm - 1o lugar
               (considerar que os dados se
               referem a apenas um lustro)
1981 a 1990       6.852,2 mm - 1o lugar        1940,2 mm - 3o lugar
1991 a 2000       5.215,3 mm - 2o lugar       2.071,7 mm - 4o lugar
2001 a 2007       4.854,3 mm - 3o lugar       1.595,3 mm - 2o lugar

Fonte: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Soffiati, Arthur
Publication:Historia Caribe
Date:Jan 1, 2015
Words:10444
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