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Chemical characterization and action of essential oils in the management of anthracnose on passion fruits/Acao e caracterizacao quimica de oleos essenciais no manejo da antracnose do maracuja.

INTRODUCAO

Entre as doencas que afetam o maracuja-amarelo na pos-colheita, a antracnose, causada pelo Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) e a mais importante, por causar lesoes na casca que comprometem a aparencia (FISCHER et al., 2007), alem de afetar a polpa, acarretando grandes prejuizos na comercializacao, pois a aparencia dos frutos e um dos parametros de avaliacao qualitativa mais utilizados pelos consumidores (ABREU et al., 2009). As doencas de pos-colheita de frutos tropicais no Brasil sao responsaveis por grandes perdas, antes de chegar a mesa do consumidor.

Os fungos sao os microrganismos mais comuns causadores de deterioracao em frutas, sendo responsaveis por 70% dos danos (CHITARRA; CHITARRA, 2005). No Brasil, nao ha fungicidas registrados para o uso em pos-colheita do maracuja. Desse modo, surge a necessidade de desenvolvimento de metodos alternativos, como a exploracao de metabolitos secundarios dos oleos essenciais de plantas, como uma forma potencial no controle de patogenos pos-colheita (AMORIM et al., 2011). Alguns trabalhos realizados com outras frutiferas no controle de doencas de pos-colheita apresentam resultados promissores com o uso de oleos essenciais,como os realizados com banana (BASTOS; ALBUQUERQUE, 2004), manga (REGNIER et al., 2008), goiaba (ROZWALKA et al., 2008), mamao (CARNELOSSI et al., 2009) e abacate (REGNIER et al., 2010); entretanto, nao existem, ainda, pesquisas relacionadas ao uso de oleos essenciais no controle pos-colheita da antracnose em maracuja.

Na literatura, sao escassas as informacoes sobre a patogenicidade de diferentes isolados de C. gloeosporioides, nas distintas regioes, em frutos de maracuja-amarelo. Os trabalhos de Peres et al. (2002) e Silva et al. (2006) avaliaram a patogenicidade cruzada desse patogeno em diferentes especies frutiferas, incluindo o maracujazeiro, porem os isolados foram obtidos apenas de uma regiao.

Para o estudo de controle de C. gloeosporioides em pos-colheita, torna-se necessario desenvolver metodologia de inoculacao, com vista a dar condicoes otimas para o patogeno. E oportuno ressaltar que, embora existam metodologias de inoculacao para esse fungo em frutos de maracujazeiro-amarelo, nao ha investigacao relacionada com o estadio de maturacao do maracuja mais adequado para proporcionar condicoes de desenvolvimento ao fungo.

Diante do exposto, objetivou-se avaliar dois metodos de inoculacao; testar a patogenicidade de diferentes isolados; avaliar o efeito fungitoxico e a composicao dos oleos essenciais de alecrim-pimenta (Lippia sidoides Cham.), de capim-santo [Cymbopogon citratus (DC) Stapf.] e de alfavaca-cravo (Ocimum gratissimum L.), no manejo da antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), em frutos de maracujazeiro-amarelo.

MATERIAL E METODOS

O trabalho foi conduzido no Laboratorio de Fitopatologia do Instituto de Ciencias Agrarias (ICA/UFMG), em Montes Claros, e as analises cromatograficas dos oleos essenciais foram realizadas no Laboratorio de Analise e Sintese de Agroquimicos da Universidade Federal de Vicosa-MG.

A extracao dos oleos essenciais das especies medicinais: alecrim-pimenta (Lippia sidoides Cham.), capim-santo (Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf.) e alfavaca-cravo (Ocimum gratissimum L.), foi realizada atraves do arraste de vapor d'agua, utilizando-se do destilador- piloto (Linax[R], modelo D20), em amostra de 5 kg de folhas por especie colhidas pela manha, as 07h30min, em seguida foram transportadas para o Laboratorio e acondicionadas no destilador para a extracao do oleo essencial, no periodo de 3 horas. Apos a extracao, o oleo foi separado do hidrolato por particao liquido-liquido, seguido do armazenamento em frasco ambar e mantido sob refrigeracao a 5[degrees]C.

Para o estudo do Colletotrichum gloeosporioides, os isolados foram obtidos de lesoes de frutos de maracujazeiro-amarelo, provenientes de pomares de diferentes localidades, conforme metodologia preconizada por Alfenas e Mafia (2007). Os isolados Iso 1, Iso 2 e Iso 3 foram obtidos de folhas, de frutos e de hastes, respectivamente, no pomar experimental da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropedica-RJ. Enquanto o Iso 4 foi obtido de lesoes de frutos no pomar experimental do ICA/UFMG- MG. Ja os isolados Iso 5 e Iso 6 foram obtidos de folhas e hastes, respectivamente, coletados na Comunidade de Aboboras, zona rural de Montes Claros.

A cultura pura dos isolados foi cultivada em meio BDA, durante oito dias, seguido da coleta de frutos sadios no pomar do ICA, lavados com detergente e agua e imersos em solucao de hipoclorito de sodio a 2% (v/v), por um minuto, lavados por tres vezes em agua destilada esteril e, posteriormente, dispostos na camara de fluxo laminar para secagem.

Apos a secagem, realizaram-se cinco orificios de aproximadamente 2 mm de profundidade na parte mediana dos frutos, com auxilio de pinca metalica flambada, seguido da inoculacao nos orificios dos frutos de 50 [micro]L de suspensao de conidios, ajustada para a concentracao de 2 x [10.sup.5] conidios [mL.sup.-1]. Posteriormente, os frutos foram acondicionados em caixas plasticas de 30 x 15 x 6 cm, e mantidos em camara umida por 72 horas, cobrindo-as com filme plastico e mantendo-as com algodao umedecido com agua destilada esteril. As caixas foram acondicionadas em camara de crescimento (BOD) com temperatura de 25[degrees]C e 12 horas de fotoperiodo. Apos esse periodo, os frutos permaneceram incubados na BOD sem camara umida ate o decimo dia, com vista a reproducao dos sintomas, sendo utilizado o delineamento inteiramente casualizado, com seis isolados: Iso 1; Iso 2; Iso 3; Iso 4; Iso 5 e Iso 6 de C. gloeosporioides, com seis repeticoes, utilizando-se de um fruto por repeticao.

Realizou-se a medicao do diametro das lesoes dos frutos em dois sentidos (longitudinal e transversal), com auxilio de um paquimetro digital. Apos o reisolamento do fungo em estudo, comparou-se a colonia obtida com a utilizada como inoculo, podendo-se confirmar a presenca do C. gloeosporioides em frutos de maracujazeiro-amarelo.

Os dados das variaveis foram submetidos a analise de variancia, e as medias, agrupadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,01), utilizando-se do Sistema para Analises Estatisticas e Geneticas--SAEG 9.1.

Apos a finalizacao do experimento da selecao do isolado, conduziu-se o segundo experimento, utilizando-se apenas do isolado pre-selecionado como o mais agressivo no ensaio de patogenicidade, em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 x 2, com dois metodos de inoculacao (suspensao de conidios e disco de micelio) e dois estadios de maturacao dos frutos (verdes e maduros), com seis repeticoes. As testemunhas constituiram-se de frutos inoculados com apenas agua destilada esteril e frutos inoculados apenas com um disco de BDA. Considerou-se como fruto verde aquele completamente formado com casca verde, e fruto maduro aquele com casca totalmente amarela, com 0% de perda de massa. O local de coleta, a desinfestacao dos frutos, o periodo e as condicoes de incubacao, bem como as avaliacoes foram realizados como descrito no experimento de metodos de inoculacao. Os dados das variaveis foram submetidos a analise de variancia, e as medias, comparadas pelo teste de Tukey (p<0,01), utilizando-se do Sistema para Analises Estatisticas e Geneticas--SAEG 9.1.

Para o estudo das diferentes concentracoes dos oleos essenciais das especies no desenvolvimento de lesoes de antracnose, em frutos de maracujazeiro-amarelo, o experimento foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 5x3+1, utilizando cinco concentracoes (0; 2; 4; 6 e 8 [micro]L [mL.sup.-1]) de oleos essenciais das plantas medicinais alecrim-pimenta, capim-santo e alfavaca-cravo, alem do tratamento com fungicida, produto comercial Tebuconazol[R], na dose (100 mL para 100 [L.sup.-1]) de agua, com cinco repeticoes. A testemunha constituiu-se da imersao dos frutos em agua destilada esteril. Para a obtencao das concentracoes de oleo essencial, preparou-se solucao-estoque de surfactante nao ionico, do produto comercial Tween 80[R] a 1% (v/v), com funcao dispersante para misturar agua e solubilizar o oleo. No preparo da concentracao de 2 [micro]L [mL.sup.-1], utilizaram-se 20 [micro]L do oleo essencial, em 10 mL da solucao-estoque. As demais concentracoes foram obtidas, proporcionalmente, para 4; 6 e 8 [micro]L [mL.sup.-1].

Os frutos sadios foram colhidos antes da abscisao com casca totalmente amarela, sem perda de massa; em seguida, foram imersos em solucao de hipoclorito de sodio a 2% (v/v), por um minuto, e lavados por tres vezes em agua destilada esteril. Efetuaram-se cinco orificios de aproximadamente 2 mm de profundidade na parte mediana dos frutos, com auxilio de uma pinca metalica flambada;em seguida, depositaram-se, sobre os orificios, 50 [micro]L da suspensao de conidios ajustada para concentracao de 2 x [10.sup.5] conidios [mL.sup.-1]. Apos a inoculacao, os frutos foram acondicionados em caixas plasticas de 30 x 15 x 6 cm e camara umida por 24 horas, seguido da incubacao em camara de crescimento (BOD), com 25[degrees]C, e 12 horas de fotoperiodo.

Apos essa etapa, procedeu-se a aplicacao dos tratamentos com imersao total dos frutos, por dois minutos, nas respectivas concentracoes testadas, nos diferentes tratamentos. Apos a aplicacao dos tratamentos, os frutos permaneceram em camara umida por 48 horas (25[degrees]C e 12 horas de fotoperiodo); em seguida, ficaram incubados por seis dias para posterior avaliacao. As avaliacoes foram realizadas dez dias apos a inoculacao do fungo, sendo determinado o diametro das lesoes nos dois sentidos (longitudinal e transversal), com auxilio de paquimetro digital. Calculou-se ainda a media do desenvolvimento da lesao por fruto.

Os dados das variaveis foram submetidos a analise de variancia e, quando qualitativo, as medias foram comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05) e, quando quantitativos, por regressao polinomial (p<0,01), utilizando-se do Sistema para Analises Estatisticas e Geneticas-SAEG 9.1.

A analise cromatografica dos oleos essenciais das tres especies em estudo consistiu na identificacao e quantificacao dos componentes presentes nos mesmos, obtidas atraves da cromatografia gasosa acoplada com espectrometria de massas (CG-EM), conforme Adams (1995), sendo as amostras (2,0 mg) dos oleos das especies pesadas em um vial, para derivatizacao, e dissolvidas em 60[micro]L de piridina e 100[micro]L de BSTFA [N,O-bis(trimetilsilil)-trifluoroacetamida] contendo 44,1% de clorotrimetilsilano. A mistura reacional foi aquecida a 70[degrees]C por 30min, em banho-maria. Da solucao obtida, apenas 1 [micro]L foi injetado no CG-EM, sendo realizado em triplicata.

As analises foram realizadas no aparelho CG-EM PQ5050A, marca Shimadzu, utilizando coluna capilar de silica fundida DB-5 (5% de difenil e 95% dimetilsiloxano), com 30 m de comprimento, 0,25 mm de diametro interno, filme de 0,25 [micro]m e utilizando o helio como o gas de arraste. As condicoes cromatograficas foram: temperatura do injetor de 290[degrees]C, com temperatura inicial de 80[degrees]C, por 5 minutos, com aumento de 80[degrees]C para 290[degrees]C, na razao de 4[degrees]C/min. A temperatura do detector e da interface do sistema CG-EM foi de 290[degrees]C, por 40 minutos. O detector de massas operou com ionizacao por impacto de eletrons de 70 e V, e varredura de massas de 30 a 600 m/z (SILVERIO et al., 2008).

A identificacao dos componentes dos oleos foi realizada por comparacao dos espectros de massas, obtidos do banco de dados do aparelho (Wiley 330.000), dados de literatura, e por meio de injecao de amostras de substancias-padrao. Utilizou-se, ainda, o indice de Kovats, para a confirmacao da identificacao dos compostos. Ja a quantificacao dos componentes do oleo essencial foi obtida em cromatografo a gas com detector, por ionizacao em chamas (CG-FID).

RESULTADOS E DISCUSSAO

Os isolados estudados em frutos de maracujazeiro foram patogenicos, provocando lesoes nos mesmos, independentemente da localidade de cultivo (Tabela 1). O isolado Iso1 foi o mais agressivo, com maior diametro medio das lesoes nos frutos, seguido pelos isolados Iso 2 e Iso 3,enquanto os demais isolados (4; 5 e 6) nao diferiram entre si para essa variavel (Tabela 1).

Andrade et al. (2007), caracterizando 33 isolados de C. gloeosporioides, em mamao, encontraram resultados similares ao do presente trabalho, com sintomas de antracnose, nove dias apos a inoculacao do fungo. Verificou-se, ainda, variacao no diametro e intensidade das lesoes formadas, indicando niveis diferentes de agressividade entre os isolados.

Pereira et al. (2006) reportam que diferencas de agressividade observadas entre os isolados podem ser devido a diferencas edafoclimaticas das regioes de onde procederam os isolados. Para Al meida e Coelho (2007), a existencia de isolados de Colletotrichum spp. com maior agressividade constitui informacao importante em futuros programas de selecao de materiais no melhoramento genetico, visando a resistencia a antracnose, principalmente para o maracujazeiro-amarelo.

Houve efeito significativo da interacao estadio de maturacao dos frutos e metodos de inoculacao. Os frutos maduros apresentaram maior diametro de lesoes quando inoculados com suspensao de conidios, diferindo-se dos frutos verdes (Tabela 2). Entretanto, quando se utilizou o disco de micelio, nao se observou diferenca no diametro das lesoes, tanto nos frutos maduros como nos verdes (Tabela 2).

Observou-se ainda que a doenca progrediu rapidamente nos frutos maduros, quando inoculados com suspensao de conidios; entretanto, nos frutos inoculados com disco de micelio, nao ocorreu o mesmo comportamento. Tal comportamento foi observado por Pessoa et al. (2007), com bananas, verificando-se alta suscetibilidade a infeccao por Colletotrichum musae em estadio de maturacao mais elevado da fruta, enquanto os frutos verdes apresentaram maior resistencia a infeccao. Segundo reportado por Gomes (2008), o risco de podridao e maior em frutos maduros que nos verdes, devido aos frutos maduros apresentarem maiores teores de acucares, disponiveis para o patogeno, permitindo, assim, o seu desenvolvimento. Ja quando ainda imaturo, o fungo penetra, no entanto nao se desenvolve devido a presenca de taninos e outras substancias toxicas (BRUTON, 1994) e a presenca de fitoalexinas (CHITARRA; CHITARRA, 2005). Alem disso, os requerimentos nutricionais do patogeno sao comprometidos pela composicao dos frutos nesse estagio, quando o requerimento de energia para o fungo e disponibilizado apos o amadurecimento. Outro fator e o potencial enzimatico do fungo ser insuficiente para invadir o fruto ainda imaturo (BRUTON, 1994).

Os resultados de trabalhos sao ainda controversos quanto ao melhor metodo de inoculacao de C. gloeosporioides em frutos, uma vez que Gomes (2008) encontrou maior diametro das lesoes desse fungo em frutos com 25 e 50% da casca amarela, feridos e inoculados com suspensao de conidios, semelhante ao encontrado no presente trabalho. Entretanto, Silva et al. (2006) encontraram maiores diametros das lesoes, com inoculacao com disco de micelio de C. gloeosporioides, em manga, mamao, maracuja e goiaba maduros. Verificou-se ainda que a inoculacao por suspensao de conidios apresenta vantagem de padronizar a quantidade de inoculo depositada sobre o hospedeiro.

Com relacao ao tratamento dos frutos com os oleos essenciais, houve efeito significativo da interacao da concentracao e especie, podendo-se verificar que as concentracoes influenciaram no desenvolvimento da antracnose nos frutos, ajustando-se equacao linear. Observa-se um decrescimo no diametro das lesoes a medida que aumenta a concentracao do oleo (Figura 1). Observou-se que o oleo essencial de C. citratus proporcionou menor diametro das lesoes ate a concentracao de 6 [micro]L [mL.sup.-1], diferindo dos demais oleos das outras especies em estudo. Ja os oleos de L. sidoides e O. gratissimum nao diferiam significativamente entre si em relacao as concentracoes testadas. Porem, na concentracao de 8 [micro]L [mL.sup.-1], todos os oleos, independentemente da especie, inibiram completamente o desenvolvimento do fungo e, consequentemente, o surgimento das lesoes. Nos frutos tratados com o fungicida Tebuconazol[R], nao houve aparecimento dos sintomas da doenca.

Anaruma et al. (2010), testando oleos essenciais de 28 plantas no controle do C. gloeosporioides, em maracuja, concluiram que o oleo de C. citratus foi tao eficiente quanto o fungicida imidazole[R], em baixas concentracoes (0,12 e 0,25 mg [L.sup.-1]), sem causar disturbios fisiologicos, observados tambem no presente trabalho. Canelossi et al. (2009), avaliando oleos essenciais no controle pos-colheita de C. gloeosporioides em mamao, observaram menor area com lesao abaixo da curva de progresso da doenca (AACPD) e menor severidade para os frutos tratados com oleo de C. citratus, quando inoculados apos as 24 h. Os resultados encontrados na literatura demonstram o potencial de C. citratus no controle de fungos fitopatogenicos em pos-colheita, aliado ao fato de a planta medicinal apresentar bom rendimento de oleo essencial, favorecendo assim sua utilizacao comercial.

As pesquisas com uso de L. sidoides e O. gratissimum em tratamentos pos-colheita de frutas sao escassas. Gadelha et al. (2003) apresentam melhores resultados em pedunculo de melao, com uso de solucao composta de oleos essenciais das especies de L. sidoides e O. gratissimum, verificando que, a medida que a concentracao dos oleos foi maior, ocorreu reducao na proliferacao do fungo no pedunculo.

O efeito dos oleos no controle de patogenos em frutos esta relacionado a composicao quimica dos mesmos nas diferentes especies. Svircev et al. (2007), testando o componente timol, no tratamento pos-colheita de ameixas, visando ao controle de Monilinia fructicola, conseguiram reducao de 50% na viabilidade dos esporos inoculados em frutos. Resultados semelhantes foram obtidos por Valero et al. (2006) com reducao de 50% da podridao em uva causada por mesofilos aerobios, bolores e leveduras, com o mesmo componente timol. Ja Klieber et al. (2002), pesquisando o citral no controle de Penicillium digitatum, Penicillium italicum e Geotrichum candidum, observaram inibicao desses patogenos em frutos citricos. Ja, Amiri et al. (2008) conseguiram reducao de 90% na incidencia de quatro patogenos pos-colheita (Phlyctema vagabunda, Penicillium expansum, Botrytis cinerea e Monilinia fructigena) em duas cultivares de macas tratadas com doses de eugenol.

No presente estudo, verificou-se, no oleo essencial de L. sidoides, 24 compostos, sendo as substancias encontradas em maior percentual: o Timol (30,24%), o Benzeno (14,49%), o transbetacariofileno (11,82%), o Borneol (11,38%) e o metiltimil eter (8,32%). Os principais constituintes do oleo de C. citratus foram os isomeros E-citral (43,69%) e Z-citral (34,05%), betamirceno (15,11%), transbetacariofileno (4,19%), entre outros. No oleo de O. gratissimum, o Eugenol foi o constituinte com maior percentual (92,89%), seguido do betabisaboleno (5,92%), conforme apresentado na Tabela 3.

Craveiro et al. (1981) tambem relatam o timol como principal constituinte do oleo de L. sidoides, com percentual de 60%, percentual superior ao reportado neste trabalho, indicando que ha quimiotipos nas especies. Ja o composto 7ransbetacariofileno (10%), o valor foi proximo ao observado neste trabalho. Pereira et al. (2008) tambem observaram alto teor de citral (72%) e mirceno (19,7%) em oleo de C. citratus. Franco et al. (2007) descrevem para o oleo de O. gratissimum predominio do composto Eugenol; contudo, com percentual bastante inferior (57,82%) ao observado no presente trabalho. Variacoes observadas nos diversos resultados de trabalhos podem ser em funcao da epoca de plantio, tipo de solo, clima, aspectos geneticos da planta, alem do metodo de extracao do oleo.

[FIGURE 1 OMITTED]

CONCLUSOES

1-O isolado 1 de Colletotrichum gloeosporioides, proveniente de Seropedica-RJ, e o mais agressivo dentre os isolados testados.

2-O desenvolvimento do fungo foi mais rapido em frutos maduros inoculados com suspensao de conidios em relacao aos frutos verdes.

3-Os oleos das especies medicinais capim-santo (Cymbopogon Citratus (D.C.) Stapf.), na concentracao de 6 [micro]L [mL.sup.-1], alecrim-pimenta (Lippia sidoides Cham.) e alfavaca-cravo (Ocimum gratissimum L.), na concentracao 8 [micro]L [mL.sup.-1], sao eficientes no controle do patogeno Colletotrichum gloeosporioides em frutos.

4-Os componentes principais encontrados nos oleos das especies alecrim-pimenta, capim-santo e alfavaca-cravo foram o timol, o citral e o eugenol, respectivamente.

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CESAR FERNANDES AQUINO (2), NILZA DE LIMA PEREIRA SALES (3), ERIKSEN PATRIC SILVA SOARES (4), ERNANE RONIE MARTINS (3)

(1) (Trabalho 100-12). Recebido em: 07-02-2012. Aceito para publicacao em: 1610- 2012.

(2) Doutorando em Fitotecnia/Fruticultura--UFV, Vicosa-MG. Email: cesarfernandesaquino@yahoo.com.br

(3) Prof.(a) D.Sc, Instituto de Ciencias Agrarias--UFMG, Montes Claros-MG. Emails: nsales_ufmg@hotmail.com, ernane.ufmg@gmail.com

(4) Mestrando em Producao Vegetal - UNIMONTES, Janauba-MG. Email: eriksenpatric@yahoo.com.br.
TABELA 1--Medias de diametros de lesoes de antracnose em
maracuja-amarelo maduro, com diferentes
isolados de Colletotrichum gloeosporioides.

ISOLADOS   DIAMETRO DAS
           LESOES

Iso 1       4,08 A
Iso 2       2,46 B
Iso 3       2,08 B
Iso 4       1,86 C
Iso 5       1,75 C
Iso 6       1,25 C
CV %       18,3

Medias seguidas pelas mesmas letras nao diferem entre si,
pelo teste de Scott-Knott, a 1% de probabilidade.

TABELA 2--Diametros das lesoes de antracnose com inoculacao de
Colletotrichum gloeosporioides em maracuja verde e maduro,
com inoculacao em suspensao de conidios e em disco de micelio.

FRUTOS       METODOS DE INOCULACAO

             Suspensao     Disco
             de conidios   de micelio

Maduros      4,17 Aa       2,08 Ab
Verdes       2,08 Ba       1,58 Aa
Testemunha   0,00 Ca       0,00 Ba
CV %         24,5

Medias seguidas pelas mesmas letras maiusculas na coluna e minuscula
na linha nao diferem entre si, pelo teste de Tukey, a 1% de
probabilidade.

TABELA 3--Quantificacao e identificacao de componentes quimicos em
oleos essenciais das especies medicinais alecrim-pimenta, capim
santo e alfavaca cravo.

TR *    Componente quimico     alecrim-pimenta (%)   capim-santo (%)

 9,35   Felandreno              0,07                  -9,48
 Alfapineno              1,92                  -10,08
Canfeno                 3,76                  -12,50
Betamirceno             0,94                 15,11
13,46   Alfaterpineno           1,16                  -13,83
Benzeno                14,49                  -15,56
Gamaterpineno           8,05                  -20,93
Borneol                11,38                  0,42
24,33   Metiltimil eter         8,32                  -24,93
Z-citral                --                   34,05
26,43   I?-citral               --                   43,69
26,75   Acetato de bornila      1,14                  -27,95
Timol                  30,24                  -30,47
Eugenol                 --                    -30,56
Alfacubebeno            0,29                  -31,37
Betaelemeno             0,16                  -32,46
7ransCariofileno        --                    -32,50
7ransbetacariofileno   11,82                  4,19
33,25   Alfabergamoteno         0,23                  0,17
34,00   Alfahumuleno            1,03                  0,33
35.05   Alfaamorfeno            0,14                  -35,25
Germacreno-D            --                    -35,28
Germacreno              --                    -D/alfagurjuneno
          1,45                  0,65
35,49   Betasselineno           0,22                  -35,76
Valenceno               0,18                  -35,88
Germacreno B            0,83                  -36,60
BetaBisaboleno          --                    -36,82
Alfapanasiseno          0,68                  -37,11
Deltacadineno           0,51                  -39,64
oxido de cariofileno    0,99                  -
TR *    Componente quimico     alfavaca-cravo (%)

 9,35   Felandreno             -9,48
 Alfapineno             -10,08
Canfeno                -12,50
Betamirceno            -13,46
Alfaterpineno          -13,83
Benzeno                -15,56
Gamaterpineno          -20,93
Borneol                -24,33
Metiltimil eter        -24,93
Z-citral               -26,43
I?-citral              -26,75
Acetato de bornila     -27,95
Timol                  -30,47
Eugenol                92,89
30,56   Alfacubebeno           -31,37
Betaelemeno            -32,46
7ransCariofileno       0,81
32,50   7ransbetacariofileno   -33,25
Alfabergamoteno        -34,00
Alfahumuleno           -35.05
Alfaamorfeno           -35,25
Germacreno-D            0,38
35,28   Germacreno             -D/alfagurjuneno
          -35,49
Betasselineno          -35,76
Valenceno              -35,88
Germacreno B           -36,60
BetaBisaboleno          5,92
36,82   Alfapanasiseno         -37,11
Deltacadineno          -39,64
oxido de cariofileno   -
* Tempo de Retencao.
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Author:Aquino, Cesar Fernandes; Sales, Nilza De Lima Pereira; Soares, Eriksen Patric Silva; Martins, Ernane
Publication:Revista Brasileira de Fruticultura
Date:Dec 1, 2012
Words:4801
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