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Chemical, physical and physical-chemical characterization of physalis cultivated in greenhouse/Caracterizacao fisica, quimica e fisico-quimica de physalis cultivada em casa de vegetacao.

NOTA

A physalis (Physalis peruviana L.) e uma frutifera, pertencente a familia Solanaceae, muito difundida no mercado internacional, principalmente por seu sabor e suas caracteristicas medicinais, tornando-a atrativa para o mercado e comercializacao. O seu consumo ainda e restrito, devido ao alto valor agregado, em decorrencia da producao limitada, do manejo da colheita, da exigencia em mao de obra, dos cuidados no transporte e do armazenamento. Os frutos apresentam sabor acucarado, bons conteudos de vitamina A e C, ferro e fosforo, flavonoides, alcaloides e fitoesteroides (TOMASSINI et al., 2000), e as caracteristicas fisico-4uimicas relacionadas ao sabor, odor, textura e valor nutritivo constituem atributos de 4ualidade a comercializacao e utilizacao da polpa na elaboracao de produtos industrializados.

A physalis trata-se de uma excelente alternativa de renda para o pequeno e medio produtor rural brasileiro, sendo atualmente cultivada em solo. Porem, IANCKIEVICZ et al. (2013) relatam que o cultivo sucessivo em solo provoca a ocorrencia de problemas fitossanitarios, ambientais e nutricionais, inviabilizando a cultura em algumas regioes. Em contrapartida, RODRIGUES et al. (2013) afirmam que e possivel produzir physalis em vaso, em condicao de casa de vegetacao.

Sendo assim, objetivou-se com este trabalho determinar e correlacionar as caracteristicas biometricas de frutos e sementes e avaliar fisica, fisico-quimica e quimicamente os frutos de physalis (P peruviana L.) cultivados em casa de vegetacao, em Lavras-MG.

Foram conduzidos dois experimentos: o primeiro no Laboratorio de Cultura de Tecidos Vegetais, do Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA), e o segundo no Laboratorio de Pos-colheita de Frutas e Hortalicas, do Departamento de Ciencia dos Alimentos (DCA) da UFLA, Lavras-MG.

A semeadura da physalis foi realizada em janeiro de 2011 em bandejas contendo substrato comercial Tropstrato[R]. Apos 30 dias, quando as plantas apresentavam 15cm de comprimento, procedeu-se ao transplantio para vasos de plastico preto com capacidade para 4L, contendo o mesmo substrato utilizado na fase de germinacao. Adotou-se o sistema de conducao do tipo espaldeira com tres fios de arame galvanizado, sendo o primeiro fio situado a 0,5m do solo, o segundo a 1,0m e o terceiro a 1,5m. O espacamento foi de 1,5m entre plantas e 1,5m na linha. A colheita dos frutos iniciou-se 100 dias apos o transplantio das mudas da bandeja para os vasos. A irrigacao foi feita diariamente e nao foi realizada adubacao.

Dois lotes de frutos de physalis foram colhidos no mes de julho de 2011, em plantas com cinco meses de idade, apresentando calice no estadio amarelo. O primeiro lote foi levado ao Laboratorio de Cultura de Tecidos Vegetais, onde se avaliaram diametro transversal e longitudinal do fruto (mm) com auxilio de paquimetro digital e massa do fruto, massa do fruto com calice, massa de sementes por fruto, massa de 100 sementes (g) secas a sombra por 24 horas, por meio de balanca analitica de precisao, e numero de sementes por fruto.

Utilizou-se delineamento experimental inteiramente casualizado. Para analise de diametro longitudinal do fruto, diametro transversal do fruto, massa do fruto e massa do fruto com calice, utilizaramse oito repeticoes contendo 10 frutos. Para numero de sementes por fruto, utilizaram-se cinco repeticoes de 10 frutos e, para afericao da massa de sementes, coletaram-se aleatoriamente 100 sementes, sendo os dados obtidos por meio de balanca analitica de precisao. Os dados foram avaliados estatisticamente atraves do teste t de Student e de coeficientes de correlacao de Pearson (5% de probabilidade).

O outro lote de frutos foi utilizado para o segundo experimento apos selecao. Os frutos foram separados em oito repeticoes de cinco frutos cada e, em seguida, avaliaram-se: Firmeza, determinada individualmente no fruto inteiro na regiao equatorial, com auxilio de um penetrometro Magness--Taylor com sonda de 5/6 polegadas de diametro. A velocidade da carga celular foi de 20cm [min.sup.-1], sendo os resultados expressos em Newton (N); Coloracao, medida na casca do fruto com auxilio de um colorimetro Minolta CR 400, no modo CIE L*a*b, em que se calculou o angulo Hue (h[degrees]); Solidos soluveis (SS), determinados por refratometria, utilizando-se o refratometro digital e os resultados expressos em [degrees]Brix; Acidez titulavel (AT), expressa em porcentagem de acido citrico; Ratio, relacao entre SS e AT e pH, avaliado por potenciometria.

Alem das caracteristicas citadas acima, tambem se analisaram: acucares soluveis totais (AST), segundo metodologia proposta por DISCHE (1962) e resultados expressos em g de glicose por 100g de tecido, e pectina total (PT) e soluvel (PS), determinadas por espectrofotometro, a 520nm, segundo BLUMENKRANTZ & ASBOE-HANSEN (1973), sendo os resultados expressos em mg de acido galacturonico por 100g de polpa.

Os frutos de physalis apresentaram diametros medios transversal e longitudinal de 16,89mm e 18,17mm, respectivamente. Quanto a massa do fruto, foi encontrado em media 2,843g por fruto, massa do fruto com calice em media de 3,050g, massa de sementes por fruto igual a 0,124g. Ja em relacao a massa de sementes, foram calculados a media de 100 sementes e numero medio de sementes por fruto, verificando-se, respectivamente, 0,095g e 135 sementes.

Na tabela 1, sao descritos os coeficientes de correlacao entre as diferentes caracteristicas estudadas. Observa-se correlacao altamente positiva entre as variaveis massa de fruto e massa do fruto com calice (0,962), ou seja, quanto maior massa do fruto com o calice, maior sera a massa do fruto.

Correlacionando-se os diametros longitudinal e transversal com a massa do fruto, foram observadas correlacoes significativas e positivas de 0,915 e 0,896, respectivamente, ou seja, os diametros longitudinal e transversal variaram de forma direta em relacao a massa do fruto. Ja as variaveis massa de sementes e numero de sementes apresentam correlacoes negativas com as variaveis diametro transversal, diametro longitudinal, massa do fruto e massa do fruto com calice, o que e particularmente interessante ao consumidor final, uma vez que, quanto

Caracterizacao fisica, quimica e fisico-quimica de physalis cultivada em casa de vegetacao. maior o fruto, em termos de tamanho e massa, menor sera o numero de sementes (Tabela 1).

Ainda na tabela 1, verifica-se que as maiores correlacoes encontradas (0,962 e 0,972) foram entre a massa do fruto e massa do fruto com calice e massa de sementes e numero de sementes. A massa correlacionase bem com o tamanho do fruto e constitui uma caracteristica da variedade. Ha correlacao significativa (0,972) entre massa de sementes e numero de sementes.

Dessa forma, pode-se inferir que, quanto maior a massa de sementes por fruto, maior sera o numero de sementes por fruto. Ja massa do fruto e numero de sementes apresentam correlacoes significativas e negativas, ou seja, essas variaveis se comportaram de forma inversa.

Quanto maior o numero de sementes, menor sera a massa do fruto, ou seja, maior quantidade de sementes por fruto resulta em uma menor quantidade de polpa no fruto, o que se torna indesejavel.

Com relacao a coloracao dos frutos, analisou-se o angulo Hue (h[degrees]), que expressa a localizacao da cor em um diagrama, em que o angulo 0[degrees] representa vermelho puro, 90[degrees] representa o amarelo puro, 180[degrees] o verde puro e 270[degrees] o azul. No presente estudo, verificou-se que os frutos apresentaram media de Hue de 77,86[+ or -]0,34, o que corresponde a faixa do amarelo. Segundo o ICONTEC (1999), para que frutos de physalis sejam comercializados, a sua coloracao deve variar do alaranjado ao laranja intenso.

Ja nas analises quimicas de pH, acidez titulavel (AT) e solidos soluveis (SS), foram encontrados, respectivamente, 3,46[+ or -]0,14, 1,57[+ or -]0,03% e 13,81[+ or -]0,05[degrees]Brix. Estes parametros sao comumente utilizados como indicativo da qualidade do fruto, refletindo no estadio de maturacao dele, sendo a sua concentracao e composicao componentes indispensaveis ao sabor do fruto (ARAUJO et al., 2009). Segundo as normas da ICONTEC (1999), para a comercializacao da physalis, a relacao SS/AT (ratio) deve ser >6,0, correspondendo ao indice de maturacao minimo permitido para comercializacao. No entanto, esta variavel deve estar associada a outras caracteristicas de qualidade, como o conteudo de solidos soluveis, em que o valor minimo deve ser de 14Brix (LIMA et al., 2009).

No presente trabalho, o ratio foi de 8,80[+ or -]0,02, ou seja, os frutos estao no ponto ideal para comercializacao. Alem disso, este parametro fornece uma indicacao da qualidade/maturacao do fruto. Desse modo, quando se obtem uma razao muito baixa, ha indicacao de que se trata de um fruto mais acido do que desejavel. Quando se observa um valor elevado, e um indicativo de que o fruto esta em estado de maturacao mais avancado. Tais condicoes influenciam diretamente o sabor dos frutos das solanaceas (LIMA et al., 2009).

Os frutos de physalis cultivados em casa de vegetacao apresentaram 20,25[+ or -]0,21N para a variavel firmeza. A firmeza esta diretamente associada nao so com a composicao e estrutura das paredes celulares, como tambem com a manutencao de sua integridade. Segundo VELASQUEZ et al. (2007), a firmeza e o melhor indicador pratico da maturacao de uma fruta, como o caso da physalis, pois esta avaliacao determina os niveis otimos para consumo, transporte e manejo do produto.

Com relacao as variaveis pectina total, pectina soluvel e acucares soluveis totais foram encontrados no presente estudo, respectivamente, 279,119[+ or -]0,137mg de acido galacturonico 100[g.sup.-1], 124,835[+ or -]0,092mg de acido galacturonico 100[g.sup.-1] e 12,107[+ or -]0,241g de glicose 100 [g.sup.-1]. Maiores indices de pectina total sao importantes para a conservacao da fruta em pos-colheita, visto que as pectinas influenciam na textura do fruto e tambem no custo de processamento industrial, devido a menor necessidade de adicao de pectina comercial e reducao do tempo de fabricacao do doce em massa, a exemplo de geleia (CHITARRA & CHITARRA, 2005).

O cultivo de physalis (P peruviana L.) em casa de vegetacao pode ser recomendado, pois essa condicao possibilita a obtencao de frutos com caracteristicas adequadas as normas de comercializacao, tais como, conteudo de solidos soluveis de, no minimo, 14[degrees]Brix e ratio >6,0.

http://dx.doi.org/10.1590/0103-8478cr20130743

REFERENCIAS

ARAUJO, E.R. et al. Caracterizacao fisico-quimica de frutos de biri-biri (Averrhoa bilimbi L.). Biotemas, v.22, n.4, p.225230, 2009.Disponivel em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/ biotemas/article/view/2175-7925.2009v22n4p225>. Acesso em: 03 dez. 2013. doi:10.5007/2175-7925.2009v22n4p225.

BLUMENKRANTZ, N.; ASBOE-HANSEN, G.New method for quantitative determination of uronic acids. Analytical Biochemistry, v.54, n.2, p.484-489, 1973. Disponivel em: <http:// www.sciencedirect.com/science/article/pii/0003269773903771>. Acesso em: 04 dez. 2013. doi: 10.1016/0003-2697(73)90377-1.

CHITARRA, M.I.F.; CHITARRA, A.B. Pos-colheita de frutos e hortalicas: fisiologia e manuseio. 2.ed. Lavras: UFLA, 2005. 785p.

DISCHE, Z. General color reactions. In: WHISTLER, R.L.; WOLFRAM, M.L. Carbohydrate chemistry. New York: Academic, 1962. p.477-512.

IANCKIEVICZ, A.et al. Producao e desenvolvimento da cultura de Physalis peruviana L. submetida a diferentes niveis de condutividade eletrica da solucao nutritiva. Ciencia Rural, v.43, n.3, p. 438-444, 2013.Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1590/ S0103-84782013000300010>. Acesso em: 04 dez. 2013. doi: 10.1590/S0103-84782013000300010.

ICONTEC--INSTITUTO COLOMBIANO DE NORMAS TECNICAS. NTC 4580: frutas frescas, uchuva, especificaciones. Bogota, 1999. 15p.

LIMA, C.S.M. et al. Caracteristicas fisico-quimicas de Physalis em diferentes coloracoes do calice e sistemas de conducao. Revista Brasileira de Fruticultura, v.31, n.4, p.1060-1068, 2009.Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452009000400020>. Acesso em: 19 mar. 2012. doi: 10.1590/S0100-29452009000400020.

RODRIGUES, F. A. et al. Caracterizacao fenologica e produtividade de Physalis peruviana cultivada em casa de vegetacao. Bioscience Journal, v.29, n.6, p.1771-1777, 2013. Disponivel em:<http://www.seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/ view/21859/13414>. Acesso em: 04 dez. 2013.

TOMASSINI, T.C.B. et al. Genero Physalis: uma revisao sobre vitaesteroides. Quimica Nova, v.23, n.1, p.47-57, 2000. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422000000100011>. Acesso em: 19 mar. 2012. doi: 10.1590/S0100-40422000000100011.

VELASQUEZ, H.J.C. et al. Estudio preliminar de la resistencia mecanica a la fractura y fuerza de firmeza para fruta de uchuva (Physalis peruviana L.). Revista Facultad Nacional de Agronomia, v.60, n.1, p.3785-3796, 2007.Disponivel em: <http:// www.scielo.org.co/pdf/rfnam/v60n1/a11v60n1.pdf>. Acesso em: 03 dez. 2013.

Filipe Almendagna Rodrigues (I) * Edwaldo dos Santos Penoni (I) Joyce Doria Rodrigues Soares (I) Renata Alves Lara Silva (I) Moacir Pasqual (I)

(I) departamento de Agricultura, Universidade Federal de Lavras (UFLA), 37200-000, Lavras, MG, Brasil. E-mail: filipealmendagna@yahoo.com.br * Autor para correspondencia.

Recebido 27.05.13 Aprovado 17.02.14 Devolvido pelo autor 04.06.14 CR-2013-0743.R2
Tabela 1--Estimativas dos coeficientes de correlacao de
Pearson entre as diferentes caracteristicas (diametro transversal;
Diametro longitudinal; massa do fruto; massa do fruto com calice;
massa de sementes e numero de sementes) avaliadas em frutos de physalis.

                              Diametro       Diametro       Massa do
Variavel                    transversal    longitudinal    fruto (g)
                                (mm)           (mm)

Diametro transversal           1,000         0,837 *        0,915 *
Diametro longitudinal                         1,000         0,896 *
Massa do fruto                                               1,000
Massa do fruto com calice
Massa de sementes
Numero de sementes

                            Massa do fruto      Massa de
Variavel                    com calice (g)    sementes (g)

Diametro transversal            0,939 *        -0,096 (ns)
Diametro longitudinal           0,892 *        -0,197 (ns)
Massa do fruto                  0,962 *        -0,280 (ns)
Massa do fruto com calice        1,000         -0,120 (ns)
Massa de sementes                               1,000
Numero de sementes

                              Numero de
Variavel                        semente

Diametro transversal          -0,193 (ns)
Diametro longitudinal         -0,208 (ns)
Massa do fruto                -0,310 *
Massa do fruto com calice     -0,220 (ns)
Massa de sementes              0,972 *
Numero de sementes             1,000

(ns) nao significativo; * significativo a 5%, pelo teste t de Student.
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Author:Rodrigues, Filipe Almendagna; Penoni, Edwaldo dos Santos; Soares, Joyce Doria Rodrigues; Silva, Rena
Publication:Ciencia Rural
Article Type:Report
Date:Aug 1, 2014
Words:2298
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