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Cell phones and their religions: technology consumption as an expression of faith among pentecostals and umbandistas/A religiao dos celulares: consumo de tecnologia como expressao de fe entre evangelicos e umbandistas.

Consumo de tecnologia e objetificacao de valores religiosos

Quais sao as relacoes entre a tecnologia, (2) simbolo da modernidade fluida e acelerada da sociedade conectada, e a religiao, caracterizada por dogmas e rituais ancestrais? Para pensar essa relacao, e preciso perceber primeiro que, embora parecam imutaveis, as religioes se reinventam de tempos em tempos, adicionando novos elementos.

Os estudos sobre as religioes afro-brasileiras de Prandi (2005) e Silva (1995), assim como as analises do pentecostalismo realizadas por Mariz (1994) e Mariano (1999), mostram que as religioes estao em constante mudanca: transformam-se para se adaptar as novas demandas da sociedade, podendo, desta forma, competir de forma mais eficaz no crescente mercado religioso. Neste artigo, argumento que faz parte dessa dinamica de transformacoes a insercao da tecnologia na vivencia da religiosidade. Penso que uma boa chave explicativa para a compreensao do grande interesse de evangelicos e umbandistas por telefones celulares no morro S. Jorge, comunidade carente onde pesquisei, e fornecida por Mariz (1994): tal como a religiao, os telefones celulares aliviam, em certa medida, o sentimento de impotencia e abandono comum na experiencia da pobreza. (3)

Embora consideravel literatura sobre o uso de telefones celulares tenha florescido nos ultimos anos (MILLER; HORST, 2006), muito pouco foi escrito a respeito de sua insercao nas praticas e na vivencia da religiosidade. Nesse sentido, e pioneiro o trabalho de Campbell (2006). A autora argumenta que os telefones celulares empoderam os fieis na medida em que se tornam instrumentos que possibilitam a integracao das praticas religiosas ao estilo de vida frenetico da contemporaneidade. Entretanto, existem tensoes, controversias e continua negociacao nesse processo de construcao social da tecnologia, como Campbell ilustra por meio da analise do surgimento do celular "kosher" entre os judeus ultraortodoxos de Israel. O aparelho "kosher" (palavra que significa "aprovado pela lei religiosa") traz um selo especial da operadora de telefonia que atesta que foram desabilitadas funcionalidades consideradas ofensivas (4) a religiao, por possibilitarem acesso a conteudo profano: acesso a internet, correio de voz e envio de mensagens de texto e de video. Campbell utiliza o conceito de "tecnologias culturais" (cultured technologies), desenvolvido pelos cientistas politicos Barzilai-Nahon e Barzilai (2005), para entender o processo pelo qual uma comunidade ressignifica dada tecnologia, tornando-a parte de sua cultura. Entretanto, entendo que tal abordagem, embora possa ser frutifera, ignora todo um campo de estudos que, nas Ciencias Sociais, tem se preocupado com as relacoes entre comunicacao e cultura: a antropologia do consumo. Esta percebe que o consumo e uma pratica cultural que vai muito alem do momento da compra; portanto, trata-se de um processo dialetico no qual objetos e sujeitos, mercadorias e pessoas, constituem-se mutuamente (APPADURAI, 1986, 1998; MILLER, 1987).

E nesse sentido que Miller propoe o conceito de objetificacao como chave explicativa para o entendimento do consumo, em especial nas sociedades moderno-contemporaneas. Afirmar que o consumo e um processo de objetificacao significa dizer que os agentes sociais usam os bens e servicos de tal forma que o objeto ou atividade "torna-se simultaneamente uma pratica no mundo e uma forma na qual construimos nossos entendimentos acerca de nos mesmos no mundo" (MILLER, 1995, p. 30). Assim, a objetificacao e uma proposta de abordagem as sociedades modernas que, distanciando-se de Marx e do fetichismo da mercadoria, considera o consumo um processo com grande potencial desalienante. Nas palavras do autor, "como atividade, o consumo pode ser definido como aquela que transfere o objeto de uma condicao alienavel, ou seja, a de ser um simbolo de estranhamento e valor monetario, para a de ser um artefato investido de conotacoes particulares e inseparaveis" (1987, p. 190). A afirmacao do potencial desalienante do consumo e preciosa para o argumento que propusemos antes, qual seja, a de que o consumo de telefones celulares empodera os habitantes do morro S. Jorge em sua relacao com a religiosidade e, assim, alivia sua experiencia com a pobreza.

Para Miller (1987), que desenvolve seu conceito de objetificacao a partir de Hegel, um entendimento mais profundo do lugar das mercadorias na sociedade requer necessariamente uma perspectiva do relacionamento entre pessoas e coisas. O significado do objeto e importante, mas nao separado de sua dimensao material: esta deve ser levada em consideracao para o entendimento dos motivos que tornam os objetos significativos para as pessoas. Consumindo, os agentes sociais objetificam valores como modernidade e sucesso, por exemplo, ou valores culturais relativos a categorias como classe, etnia e genero (MILLER, 1987). O objetivo deste artigo e descrever os valores culturais relativos a religiao que sao objetificados atraves do consumo de telefones celulares entre os evangelicos e umbandistas do morro S. Jorge.

"Porque o Senhor sabe como trabalhar": os telefones celulares no cotidiano dos evangelicos

O morro S. Jorge, (5) onde foi feita a etnografia para minha tese de doutorado, e uma comunidade de baixa renda na cidade de Florianopolis, no Sul do Brasil, onde vivem em torno de tres mil pessoas, a maioria criancas e jovens. Em 2007, apos uma primeira fase do trabalho de campo, de carater exploratorio, escrevi um artigo no qual apresentava esses primeiros resultados, constatando que os telefones celulares representavam uma parte importante da ideia de "ser moderno": seu uso constituia uma forma de "estar no mundo" mediada pela tecnologia, que e caracteristica da cultura contemporanea (SILVA, 2008). Naquela altura, a questao da religiosidade e dos telefones celulares nao foi percebida por mim de forma explicita, embora estivesse presente no discurso de uma de minhas interlocutoras. (6)

Em julho de 2008, retornei ao campo de pesquisa com um olhar mais atento para essas questoes. Descobri que Vania, uma de minhas primeiras interlocutoras, comecara, dois meses antes de nossa primeira entrevista, em janeiro de 2007, a frequentar os cultos da Igreja Universal do Reino de Deus que aconteciam no Templo Maior, no centro da cidade. A medida que o trabalho de campo avancava, era cada vez mais evidente a importancia da religiao para as pessoas do morro S. Jorge. Sediadas na propria comunidade ha duas igrejas catolicas, tres templos da Assembleia de Deus e cerca de 10 terreiros de umbanda e candomble (destes ultimos tratarei mais adiante). Entre meus interlocutores, uma minoria era catolica praticante; a grande maioria era evangelica (da Assembleia de Deus) ou umbandista, sendo que varios se declararam "catolico-umbandistas (7)".

Fiz amizade por acaso com um casal da Assembleia de Deus que adorava telefones celulares: Saulo, vigilante, e Edineia, dona de casa, ambos na faixa dos 30 anos. Moram no alto do morro em uma casa de madeira em precarias condicoes, sem forro, cujo assoalho esta apodrecendo rapidamente. Tem um casal de filhos adolescentes e varios jovens que vivem agregados a familia, a quem chamam de "filhos na fe". Ao me conhecer e saber de minha pesquisa, Saulo se ofereceu para passar um "louvor" (musica gospel) para o meu celular pelo bluetooth. Quando Saulo se tornou pastor, comecei a frequentar os cultos como observadora--nao todas as segundas, quartas, sextas e sabados, como meus interlocutores, mas sempre que possivel. Embora expressasse meu respeito por sua crenca, eu reiterava que estava ali como pesquisadora e explicava meus interesses de pesquisa, que incluiam tanto as praticas dos evangelicos quanto as dos umbandistas. Porem, achei importante que meus interlocutores preferenciais, Saulo e Edineia, soubessem que eu tambem frequentava cultos afro-brasileiros em funcao da pesquisa, o que foi respeitado. Isso nao impediu que tentassem me fazer "aceitar Jesus" algumas vezes. Na congregacao, encontrei Magda, irma de Edineia, e seu esposo Josevaldo. Indo aos cultos, frequentando suas casas, convivendo com suas familias e varios de seus "irmaos da igreja", pude descobrir algumas das formas pelas quais os telefones celulares se integram a vivencia religiosa e ao discurso dos evangelicos.

Em primeiro lugar, ha uma crenca no poder absoluto de Deus, que age em beneficio dos fieis de varias maneiras. Esse ponto ja estava presente no discurso de Vania, que acredita que Deus agiu--porque "para Deus, nada e impossivel"--para que sua patroa lhe desse um celular de presente. Para os pentecostais, o poder de Cristo e panaceia para todos os males terrenos (MARIANO, 1999) e o telefone celular, presente na vida cotidiana de seus fieis, torna-se um de seus instrumentos. "O celular e uma invencao de Deus", garante Edineia. Ao final de um estudo biblico no templo, ouco dona Martinha, a lider do grupo, contar para suas irmas de igreja o seguinte episodio:
   Irmas, saibam que o Senhor, na Sua sabedoria, sempre encontra um
   jeito de chegar ate nos. Vejam o que aconteceu comigo. Voces sabem,
   quando eu estava doente eu nao podia vir aos cultos. Mas meu marido
   e meus filhos vinham sempre. E eu estava uma noite em casa, com meu
   joelho inchado, com muita dor, sozinha, e sem ter ninguem perto. Eu
   estava precisando muito de uma palavra e pedi ao Senhor para alguem
   orar por mim. Nisso o meu celular toca, eu atendo e ninguem fala! E
   eu sem entender nada, com aquela dor ... Mas ai eu presto atencao e
   escuto os louvores, e depois a voz do irmao Saulo pregando. Deus
   agiu atraves do celular para que eu estivesse no culto aqui com
   voces. Deus agiu fazendo o celular do meu marido ligar para mim, e
   ele sem saber de nada. Porque ele chegou em casa e eu perguntei,
   "Tu ligou para mim, sabia"? E ele disse que nao, o celular ficou o
   tempo todo no bolso. Mas eu disse para ele: "Deus agiu para aliviar
   a minha tribulacao". Ele fez o celular apertar o botao da discagem
   rapida, tem o meu numero armazenado. Isso e porque o Senhor sabe
   como trabalhar. So para voces verem o poder que Ele tem na nossa
   vida.


Se "o Senhor sabe como trabalhar" por intermedio do telefone celular, seus fieis certamente tambem encontram formas muito interessantes de incorporar os celulares a sua pratica religiosa. E o caso da corrente de oracao que Edineia realiza todos os dias com sua familia e agregados, de manha e a noite. Quando Saulo esta trabalhando, acompanha e participa pelo celular. E importante que isso aconteca porque, como chefe de familia, ele e o lider, explica-me Edineia: "A gente liga para o numero dele e deixa o celular no viva-voz, em cima da cama. Ele escuta a gente, e quando chega a vez dele, ele levanta a voz em oracao e ora pelo telefone". Alem disso, segundo Edineia, quando um "filho na fe" seu esta em Palhoca (cidade proxima na qual moram outros familiares), tambem participa da corrente de oracao usando o celular no viva-voz. Essas correntes de oracao duram, em media, meia hora, e Edineia aproveita o fato de os celulares da familia serem da mesma operadora para fazer ligacoes de graca, utilizando bonus promocionais: "Mes passado, comprei R$ 35,00 de creditos e ganhei mais de R$ 400,00 em bonus. E gastei tudo".

Os bonus promocionais sao importantes para aliviar a pressao economica advinda do fato de Edineia e Saulo terem de estar sempre disponiveis para ajudar espiritualmente os residentes do morro S. Jorge, sejam eles evangelicos ou nao. O aconselhamento espiritual por telefone faz parte da rotina do casal: "A gente ajuda as pessoas e ja mostra para quem e 'do mundo' o caminho da salvacao do Senhor", diz Saulo. A maior parte sao ligacoes recebidas, mas, dependendo da gravidade do caso, ambos fazem chamadas do celular: "Quando e de outra operadora, por amor a Deus a gente liga". Edineia esta sempre com dois celulares e duas baterias, pois nao pode ficar incomunicavel ("tinha tres celulares, um agora eu dei para minha filha"); o marido, tambem. Ambos recebem varias ligacoes por dia de pessoas pedindo oracoes e ajuda:
   O Saulo atende celular ate no banho, deixa no viva-voz e vai
   falando com a pessoa. Quando minha filha na fe estava ganhando meu
   neto, ate no hospital me ligavam. Eu atendo muitas pessoas no
   morro, muitas senhoras. Quase nunca paro em casa, por isso desisti
   de telefone fixo. Tem vez de ligarem meia-noite pedindo ajuda
   porque o esposo ta quebrando tudo em casa, porque ta na droga. E a
   gente, como servos de Deus, tem que atender.


Uma importante via de ligacao dos evangelicos com o sagrado esta na musica. Os cultos a que assisti eram, na maior parte, cantados, interrompidos apenas pelas pregacoes; e havia nas igrejas corais organizados. Na maior parte do tempo, Saulo usa seus celulares com fone de ouvido --escuta seus hinos e louvores sempre que pode; a musica nos fones e apenas interrompida quando ha chamadas. Celulares de evangelicos sao, na imensa maioria dos casos, espacos interditos para a chamada musica "do mundo": no caso da paisagem musical do morro S. Jorge, trata-se principalmente do rap e do funk. Como sao poucos os membros da Assembleia de Deus que tem acesso a internet na comunidade, a funcao bluetooth dos telefones celulares cumpre um importante papel na disseminacao do discurso religioso presente nos hinos e louvores--quem tem acesso, baixa hinos da internet e compartilha via telefone celular. E comum a pratica de trocar nao somente hinos, mas tambem imagens antes do inicio e no final dos cultos. Entretanto, nao se trata, aqui, de pensar em imagens que representem santos, o que, para os evangelicos, e considerado idolatria. As imagens nos celulares dos evangelicos exaltam a fe na figura de Jesus. Um exemplo esta no papel de parede do novo celular de Saulo, que antes pertenceu a uma amiga do casal; a imagem mostra um grande coracao vermelho no centro do qual esta a palavra "Jesus".

Ha outras maneiras, mais pragmaticas e menos simbolicas do que as imagens de louvor a Jesus e os hinos, pelas quais os celulares se integram as praticas religiosas atraves de suas funcionalidades. No caso de Saulo, seu outro celular, em cuja memoria ha mais de 20 louvores gravados, foi de muita valia quando o equipamento de sua igreja falhou, apenas uma semana apos sua posse como pastor. Saulo nao teve duvidas--adaptou um microfone a uma caixa de som e usou seu celular para oficiar o culto e auxiliar a performance do coral. E o celular ajudou a celebrar o culto por muitas semanas na pequena igreja de 30 [m.sup.2] ate que fosse recolhido entre os fieis dinheiro suficiente para consertar o equipamento de som.

Nesse ponto, vale a pena ressaltar que o espaco do templo, incluindo o momento do culto, nao e interdito aos telefones celulares. A partir do momento em que este se configura como um "celular evangelico", em oposicao a um "celular do mundo", por meio do controle de seus conteudos e de seu uso, nao e considerado profano e, portanto, improprio no espaco do sagrado. O mesmo acontece com as cameras digitais dos celulares. Ao contrario da Igreja catolica, por exemplo, onde tirar fotos durante uma missa nao e bem-visto, nao e raro ver fieis tirando fotos ou mesmo filmando durante as pregacoes--muitas vezes, varios ao mesmo tempo, durante o mesmo momento do culto.

Na tarefa de disciplinar o celular para que ele seja "evangelico", a palavra do pastor e fundamental. Alem do cuidado com os conteudos, nas ligacoes tambem e preciso usar o celular de acordo com os preceitos cristaos. "O celular pode ser uma arma do diabo na mao de uma pessoa", afirma Saulo. Edineia me revela que a tematica do uso do telefone celular ja se fez presente em mais de uma pregacao. Nesse sentido, ele e visto pelos evangelicos do S. Jorge como um mediador negativo, principalmente em questoes relacionadas ao endividamento, a fofoca e a maledicencia.
   Sim, toda sexta e dia de pregacao de disciplina. E o pastor deu uma
   nota, uma vez, assim, o celular tem que saber usar. Se faz uma
   conta, tem que ter a responsabilidade de pagar a conta. Nao usar o
   celular para ligar e falar coisas erradas, fazer fofoca, brigar,
   nao falar alto no telefone, usar o telefone para passar uma
   mensagem de fe, de amor, de esperanca, nao para coisas erradas.


A propria Edineia teve um problema recente em familia relacionado a essa questao. Comecou a receber ligacoes de algumas criancas e adolescentes que diziam que Saulo era seu pai e que as havia abandonado. Comecaram a desconfiar de um sobrinho de 15 anos que andava meio rebelde--ele teria dado o numero da tia por ter levado uma bronca. "Ai a gente passou um hino para o celular dele--aquele mesmo que a gente passou para ti, Sandra. Lembra? Nao deu outra. No dia seguinte ele foi ao culto, os olhinhos marejados, confessou e pediu desculpas."

Para passar "uma mensagem de fe", os evangelicos se apropriaram da funcao SMS do celular: mandam trechos da Biblia por mensagem de texto. "A mensagem e conforme o momento que a pessoa esta passando", afirma Magda, irma de Edineia. Embora nao seja gratis, como o bluetooth, envolve um custo relativamente baixo--em torno de R$ 0,35 o torpedo. Um dirigente da Assembleia de Deus, Josevaldo, concunhado de Saulo, revela-me enviar cerca de 10 mensagens por semana e receber outras tantas. Ele me explica que ja conseguiu pessoas "do mundo" para a igreja com os torpedos: "Quando a mensagem e para alguem da igreja, a gente passa so o capitulo e numero do versiculo. Quando e uma pessoa que nao conhece a Biblia, a gente digita o versiculo inteiro".

Assim, as variadas formas pelas quais os telefones celulares sao apropriados pelos evangelicos em sua vivencia da religiosidade expoem sua visao de mundo e reforcam a performance de identidade religiosa entre os membros do grupo. Igualmente, ao atuar como instancia de disseminacao do discurso religioso, o consumo de telefones celulares cumpre uma funcao politica--"politica", aqui, tomada no "sentido amplo de relacoes, assuncoes e competicao relacionadas ao poder" (APPADURAI, 1986, p. 57)--auxiliando na obtencao de novos adeptos para a Assembleia de Deus.

"Meu celular e de Sao Jorge": a proposito das religioes afro-brasileiras

Provinda de camadas medias, eu nunca havia tido qualquer tipo de contato mais proximo com religioes afro-brasileiras, embora, obviamente, soubesse de sua existencia. Assim, nao suspeitava que as praticas relacionadas a essa crenca religiosa pudessem ter ligacao relevante com o meu tema de pesquisa. Entretanto, ao visitar os moradores em suas casas, percebi um objeto onipresente: um quadro com a imagem de Sao Jorge, geralmente logo acima da porta. Tambem notei muitos altares caseiros com imagens diversas. Alem disso, logo descobri que a maior parte da familia de Vania, minha interlocutora evangelica, era umbandista: seus sete irmaos e suas irmas, sua mae e seus proprios filhos. Assim, percebendo o papel fundamental das religioes afro-brasileiras no morro S. Jorge, passei a me perguntar se, como no caso dos evangelicos, os celulares teriam um papel na vivencia religiosa de seus adeptos.

Foi no aniversario de dona Catarina, mae de Vania, que pude ter contato pela primeira vez com a umbanda. Como seu aniversario coincide com a data da festa de Cosme e Damiao, no final de setembro, dona Catarina promove, a tarde, em sua casa, uma festa com distribuicao de doces para as criancas no final. Nessa festa, os convidados, vestidos com roupas infantis, cantaram e dancaram ao som do tambor e "receberam" (entraram em transe e incorporaram) as "beijadas" (espiritos de criancas), que brincaram a tarde toda, tomando refrigerante em mamadeiras e se lambuzando com bolos confeitados. Durante o transe, notei um rapaz usando uma filmadora e algumas pessoas tirando fotos e filmando com seus celulares. A convite, comecei a frequentar alguns terreiros.

Tres semanas depois, fui entrevistar Nena, membro de outra familia com quem eu tinha contato. Nena e mae solteira de dois filhos, de 10 e 15 anos, e trabalha como auxiliar de limpeza. Tem varios namorados a quem constantemente pede presentes e se prostitui, as vezes, para conseguir uma renda extra. Na comunicacao com "namorados" e "clientes", o celular e fundamental. Com Nena descobri que os telefones celulares entraram no circuito de bens que fazem parte do esquema de reciprocidade existente entre fieis e suas "entidades" (espiritos, geralmente de escravos, que acompanham e sao incorporados pelos praticantes). Nena diz que sua entidade e "da parte da 'esquerda', ela e mais pro mal que pro bem. Depende do que tu pedir pra ele. Se tu pedir pra cortar o pescoco de alguem, ele corta; se tu pedir pra te curar, ele te cura; se tu pedir um emprego, ele te da". Nena queria um celular novo, mas teve de negocia-lo com sua entidade, que, em troca, quis um anel dourado:
   Ai eu pedi, eu quero um celular novo. Eu quero um celular "de
   flip". So que ela nao sabe o que e um celular, nem o que e flip,
   ne, ai eu mentalizo ela e vou falando, vou perto da roupa dela e
   peco. Ai eu explico para ela, digo, "eu quero um que abre e fecha,
   assim". Ai ... achei um, achei outro [...]. Na mesma semana ela
   botou cinco celulares na minha mao. Ai ate que eu achei um que era
   parecido, mas ele nao era de flip, era so a capinha dele. Ai eu
   disse nao e esse que eu quero ...! Isso foi acontecendo em uma
   semana, 15 dias. Ai eu dei um para o meu filho, outro eu "passei
   nos trocos". Tu vende, transforma tudo em comida para dentro de
   casa. Ate que ai apareceu um beeeem bonitinho, pequeninho ... Coisa
   mais fofinha ele era, desse tamanhinho assim, so que ele tinha
   antena. Mas achei. Ai fiquei contente.


Nena acredita que e preciso agradar as entidades constantemente, pois seu poder sobre a vida das pessoas e imenso--elas podem ate interferir no funcionamento dos celulares. Nena me conta o que sua entidade pode fazer quando enraivecida: "Ele ligou para mim (um dos namorados) e eu nao atendi. O telefone nao tocou. E realmente tinha essa ligacao. Mas porque 'ela' estava brava comigo, ela fez o telefone nao tocar". Outro namorado relutou em dar para Nena um celular mais moderno, com bluetooth: "Ai eu fui pro barracao e ela me disse que se eu desse uma coisa pra ela, ela fazia ele me dar o celular. E ele deu". A entidade tambem e capaz de fazer Nena economizar seus creditos: "Quando eu quero muito falar com uma pessoa, eu vou la nas coisas 'dela' e peco para ela. Mentalizo bem a pessoa que eu quero falar e a pessoa acaba me ligando".

O espaco do terreiro e geralmente interdito aos celulares, especialmente para quem esta "girando com o santo." E o que me asseveram um pai e uma mae de santo com quem conversei. Em alguns terreiros do S. Jorge, os celulares devem ser colocados pelos filhos de santo, desligados, ao lado do peji (altar); em alguns, devem ficar no quartinho onde se veste a roupa "de santo" e sao deixados os objetos pessoais; em outros, pode-se deixar o aparelho no silencioso. (8) Nas sessoes a que compareci, vi, algumas vezes, praticantes com o celular no bolso, que checavam o aparelho nos intervalos. Entretanto, esquecimentos ocorrem, principalmente na "assistencia" (plateia da sessao, que nao esta ali para "trabalhar com o santo"). Foi assim que descobri que os celulares podem incomodar ate seres sobrenaturais como orixas, pretos velhos e outras entidades. Os celulares sao denominados por esses seres espirituais de "grilos": "Geralmente, quando toca um celular, eles [as entidades] dizem 'o, tem um grilo berrando', e eles nao gostam", diz Nena. Marisa, outra iniciada na umbanda, explica: "E porque quebra a corrente de concentracao e o orixa nao vai vir". Marisa confirma que os celulares sao "grilos" para as entidades, mas revela que ha nomes alternativos: "O preto velho da minha mae, ele diz que e 'taca-taca'. Tambem ja ouvi chamarem de kare-karo, acho que e porque 'eles' ouvem o pessoal na assistencia dizer 'alo'".

Entretanto, os namorados de Nena costumam ficar muito chateados quando ela nao atende as ligacoes; querem sempre saber onde ela esta. Certa feita, Nena me conta, "ligaram pra mim, eu estava com a entidade 'virada' [incorporada]. Depois que eu voltei em si, ne, eu vi que tinha uma ligacao perdida e liguei, ai a pessoa estava braba porque eu nao atendi". Por isso, Nena tenta negociar as tensoes entre sua necessidade de estar disponivel para os namorados e a entrada do celular na sessao, justificando que e a sua entidade que manda atender a chamada:
   Porque as vezes ... Como eu falei, eu tenho varios namorados. E
   tocou, eu estava com "ela", ai ela sabia que ia tocar, e mandou eu
   atender. Ela sabe de tudo. Eles chamam a gente de burra. Quer
   dizer, nos estamos na Terra e eles sao um espirito, eles veem alem.
   Ai a minha irma foi e disse que eu tinha que falar com essa pessoa
   de qualquer jeito. Ai "ela" disse: 'pega o grilo que a coisa ta no
   grilo'. No caso, a coisa era o dinheiro, que tava no grilo. Ai o
   telefone tocou e a minha irma atendeu e pediu para ele ligar mais
   tarde, que bem naquela hora eu nao podia atender.


Outro ponto em que o celular e visto como mediador negativo e a captura de imagens. Sao muitos os adeptos que desejam ter uma imagem no celular que os mostre com a sua entidade incorporada, revela-me Natalia, uma mae de santo do candomble. Segundo ela, algumas entidades ate "gostam e fazem pose", mas outras, como os exus, "nao gostam de foto nem de serem filmados. A minha [entidade] e raro, porque ou sai vermelho no meio ou sai preto ... Eu fui ver agora na filmagem". Nao e incomum, no morro S. Jorge, que praticantes de distintas vertentes das religioes afro-brasileiras frequentem mais de um terreiro, como me explica Natalia: "Varias religioes, os rituais sao diferentes, candomble, umbanda, Almas e Angola, jeje, batuque, so que a gente visita todas". Para uma discussao mais aprofundada das similaridades e diferencas entre os rituais, assim como de suas dinamicas atuais na interacao com o ambiente urbano na contemporaneidade, vide, entre outros, Prandi (2005) e Silva (1995). Sebastiana, umbandista, diz que "alguns santos gostam de bater foto, principalmente quando e beijada, crianca gosta de deixar bater foto". A entidade de Nena, por exemplo, odeia ser fotografada: "Se ela te ver com uma camera na mao ela te vira as costas. Ela nao se mostra pra ti, de jeito nenhum". Certa feita, seu sobrinho de 13 anos tirou uma foto de Nena com sua entidade incorporada, "e ele foi la e mostrou para ela. E ela quase quebrou o celular, mandou apagar a foto, diz que ela fez o maior 'bafao' [escandalo]. Disse que so nao ia quebrar ele porque ele trabalha para ela. Se ele nao trabalhasse, ela quebrava ele todinho". Mas Nena acabou conseguindo a cobicada foto, presenteando sua entidade com um par de brincos: "Ela sabia que eu queria a foto dela. Foi ate nesse celular aqui, eu acho, mas eu acabei apagando sem querer".

Ter uma representacao visual da pratica religiosa e importante para os umbandistas e candomblecistas, principalmente pelo carater oral e visual dessas praticas religiosas. Os albuns de fotos impressas sao substituidos ou complementados com as fotos digitais, que sao armazenadas no computador (os que tem) e no celular (caso da maioria). Ter imagens de sessoes de umbanda no celular e tolerado pelas liderancas religiosas do S. Jorge devido ao carater individual e privado dessa tecnologia. Entretanto, ouvi criticas de Vasco, um oga, a publicacao de sessoes ou "giras" em geral em sites da internet como o YouTube: "E uma falta de respeito, qualquer um fica sabendo os segredos da nossa religiao, tu ve gente 'girando com o santo' e tudo. Isso nao acho certo, porque e importante o segredo na umbanda". Se nao for possivel ter sua foto "virado com o santo", expressa-se a identidade religiosa atraves do uso de outras imagens. Foi o que observei em muitos celulares de adeptos: fotos dos filhos vestidos com "roupas de santo"; festas de santo nos terreiros; imagens de Iemanja e de Cosme e Damiao e, especialmente, o caso do "celular de Sao Jorge" (Figura 5). Explico: trata-se da pratica de usar a imagem de Sao Jorge, ou Ogum, como papel de parede no celular. Como vimos, a imagem de Sao Jorge e extremamente popular na comunidade e esta presente nao apenas em quadros do santo nas casas, mas em camisetas, correntes usadas no pescoco e em tatuagens, como a que tem no braco um dos filhos de dona Catarina. "Meu celular e de Sao Jorge, de Ogum, porque ele e um protetor", assegura Sebastiana, que tem dois filhos iniciados que sao ogas--tocam atabaques e cantam nas sessoes. O celular de Sebastiana foi o primeiro "celular de Sao Jorge" que vi; pude, posteriormente, fotografar mais alguns e soube da existencia de varios outros. Foi Patricia, filha de Sebastiana, que fotografou um quadro com a imagem de Sao Jorge para usar como papel de parede; depois, transferiu a imagem para o celular da mae pelo bluetooth. "E enquanto esse celular tiver comigo, esse Sao Jorge fica aqui", garante ela, que tambem usa uma corrente do santo. Rael, um experiente oga de 30 anos de idade que e mentor de ogas mais jovens, explica que e possivel encontrar imagens de orixas na internet, mas e dificil porque "tem muito preconceito ainda em cima da umbanda". Esse fator, aliado ao baixo acesso a internet na comunidade, pode explicar o surgimento da pratica de captar imagens religiosas com celulares e distribui-las via bluetooth.

SMS e bluetooth sao duas funcionalidades importantes do celular na socializacao de informacoes entre os umbandistas e candomblecistas do S. Jorge, principalmente os mais jovens. Pelas mensagens de texto, avisa-se, por exemplo, onde e quando havera festas de santo ou quem tem uma foto boa de uma "gira" (sessao). O bluetooth, mais do que possibilitar uma renovada forma de expressao de identidade religiosa, como vimos, tambem desempenha um papel importante na obtencao e distribuicao dos "pontos"--a musica ritual da umbanda, dos quais ha inumeras variacoes. Segundo Natalia, "E bom [ter celular com bluetooth] porque tem pontos novos que o pessoal nao sabe, e ai passa um pro outro. Geralmente vem do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro". Seu amigo Rael--cujo toque de celular e um canto ritual em idioma ioruba--desde crianca usava gravadores para registrar pontos novos e e quem esta sempre atras de novidades, obtidas, por vezes, na internet ou nos varios terreiros que visita e nos quais toca tambor. Rael avisa Natalia por SMS quando ha novidades de rezas e pontos, como ela me conta: "Porque assim, o. Tem celular que da e o que nao da. Como o meu ja e pouco, o Rael grava e [...] manda a mensagem dizendo, olha, tem um ponto novo. Ai ele vem aqui em casa e a gente troca". Nesse caso, como o celular de Natalia nao tem cartao de memoria como o de Rael, ela passa os pontos para seu computador, que nao acessa a internet (quando ela precisa usar, visita o irmao).

Natalia ja havia confirmado minha hipotese sobre o papel do celular na disseminacao da musica ritual, mas foi Rael quem me esclareceu sobre a presenca do celular no treinamento dos ogas adolescentes, reiterando, assim, outra hipotese de pesquisa. Muito embora um oga se faca ritualmente, atraves do cumprimento de obrigacoes iniciaticas (PRANDI, 2005), o que observei no morro S. Jorge foi que o telefone celular auxilia informalmente no aumento do capital de conhecimento desses jovens filhos de santo. O oga e o responsavel por "segurar a gira"--sao eles que "puxam os pontos", e devem faze-lo com seguranca e entusiasmo, contagiando os demais participantes. As giras sao longas, podendo durar tres horas (ou mais), e o ritual e todo cantado; as invocacoes aos orixas e santos catolicos sao minimas. Saber a maior quantidade possivel de pontos confere prestigio e e um sinal de experiencia, diz, cheio de orgulho, Vasco, outro oga experimentado: "Eu sei mais de 300 pontos de cor. Posso virar a noite na gira sem repetir nenhum". Como ha cada vez mais pontos hoje em dia, afirma Rael, "os ogas ficam ouvindo os pontos no celular. Porque computador nem todos tem, e assim eles treinam em qualquer lugar. E eles vivem pegando pontos novos pelo bluetooth".

Ao longo deste artigo, descrevi como a vivencia da religiosidade afeta e e afetada pela insercao dos telefones celulares nas redes sociais da comunidade pesquisada. Argumentei que esses aparelhos sao apropriados por evangelicos e umbandistas do morro S. Jorge de forma culturalmente significativa, objetificando valores de suas respectivas crencas religiosas. Tanto os membros da Assembleia de Deus quanto os adeptos de religioes afro-brasileiras ressignificam os usos dos telefones celulares em seu discurso e em suas praticas cotidianas levando em conta os preceitos e as caracteristicas de suas crencas religiosas; desta forma, revestem o consumo de tecnologia de um sentido religioso.

Prandi (2005) afirma que, desde tempos remotos, as religioes se apresentam como eternas, mas, na verdade, estao sempre mudando para se adaptar aos novos constrangimentos sociais e culturais. Nesse sentido, espero que esta breve etnografia das praticas culturais, que explora as intersecoes entre religiosidade e consumo de tecnologia entre os habitantes do morro S. Jorge, possa contribuir para a discussao mais abrangente do lugar do sagrado na modernidade.

Referencias

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MARIZ, C. L. Coping with poverty: pentecostals and christian base communities in Brazil. Filadelfia: Temple University Press, 1994.

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PRANDI, R. Segredos guardados: orixas na alma brasileira. Sao Paulo: Companhia das Letras, 2005.

SILVA, V. G. Orixas da metropole. Petropolis, RJ: Vozes, 1995.

SILVA, S. R. Vivendo com celulares: identidade, corpo e sociabilidade nas culturas urbanas. In: BORELLI, S.; FREIRE FILHO, J. (orgs.). Culturas juvenis no seculo XXI. Sao Paulo: EDUC, 2008.

Data de submissao: 02/07/2015

Data de aceite: 22/10/2015

Sandra Rubia da Silva (1)

(1) Universidade Federal de Santa Maria--UFSM, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: sandraxrnbia@gmail.com

(2) O termo "tecnologia", embora obviamente recubra diversas possibilidades, sera, ao longo deste artigo, utilizado no sentido de "tecnologias de comunicacao e informacao".

(3) Nas palavras da autora: "Religion can be an important instrument in coping with poverty because it destroys poor people's experiences of being powerless. This sense of powerlessness is common among the very poor, and most religions strive to overcome it with the belief in spiritual power and the possibility of performing miracles" (MARIZ, 1994, p. 143).

(4) Em seu estudo etnografico sobre o uso de telefones celulares na Jamaica, Horst e Miller (2006) observaram uma pratica relacionada ao uso religioso do celular entre pentecostais: a interdicao dos ringtones seculares, considerados ofensivos, e sua substituicao por ringtones "cristaos".

(5) Optei por utilizar um nome ficticio para a localidade, e tambem meus interlocutores sao designados por pseudonimos. O material etnografico foi obtido por meio de observacao participante e entrevistas em profundidade. As imagens apresentadas neste artigo sao de minha autoria.

(6) Agradeco ao prof. Daniel Miller, do Departamento de Antropologia do University College London, a sugestao de explorar mais profundamente as relacoes entre consumo de telefones celulares e religiosidade.

(7) Mariz (1994) e Prandi (2005) lembram que esse comportamento pode ser explicado pelas condicoes de constituicao historica da umbanda no inicio do seculo XX--seu sincretismo com a religiao catolica, em uma epoca em que ser brasileiro passava obrigatoriamente por ser catolico. Alem disso, muitos umbandistas tambem frequentam a Igreja.

(8) Essas diferencas se explicam pelo fato de que cada terreiro tem autonomia administrativa e ritual (PRANDI, 2005).
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Author:da Silva, Sandra Rubia
Publication:Comunicacao, Midia E Consumo
Date:Sep 1, 2015
Words:6035
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