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Cattley guava genotypes resistance to Meloidogyne enterolobii/Resistencia de genotipos de aracazeiros a Meloidogyne enterolobii.

A goiabeira e afetada por uma doenca complexa que envolve dois agentes, o fitonematoide Meloidogyne enterolobii e o fungo Fusarium solani (Mart.) Sacc. Ambos, associados, causam o declinio da goiabeira, levando a expressao de sintomas como apodrecimento progressivo do sistema radicular, queima dos bordos e bronzeamento das folhas, amarelecimento, queda das folhas e morte da planta (GOMESet al., 2011).

Em areas contaminadas, torna-se imprescindivel o uso de genotipos resistentes a M. enterolobii, pois o nematoide e o agente predisponente a doenca. No Brasil, ainda nao foi constatada resistencia a M. enterolobii em cultivar em comerciais de P guajava. A resistencia a M. enterolobii foi encontrada em aracazeiros da especie Psidium cattleyanum (Sabine) por CARNEIRO et al. (2007), ALMEIDA et al. (2009) e MIRANDA et al. (2012). Entretanto, em P. cattleyanum tanto a resistencia quanto a susceptibilidade foram igualmente encontradas, dependendo do acesso avaliado (MIRANDA et al. 2012). Este trabalho teve por objetivo avaliar a resistencia de genotipos de P. cattleyanum a M. enterolobii.

Os aracazeiros utilizados foram provenientes de propagacao seminifera de dois acessos de P. cattleyanum (115 e 117), cujos meio irmaos foram considerados resistentes a M. enterolobii por MIRANDA et al. (2012). O acesso 115 foi proveniente de arborizacao publica em Campos dos Goytacazes-RJ e o acesso 117 proveniente da restinga de Sao Joao da Barra-RJ. Mudas obtidas por propagacao seminifera desses acessos foram transplantadas e cultivadas em sistemas de minitouceiras, em vasos plasticos de 5 litros, preenchidos com substrato comercial composto por casca de Pinus. As miniestacas foram produzidas e cada genotipo foi clonado de acordo com metodologia descrita por ALTOE et al. (2011). Apos enraizamento das miniestacas e aclimatizacao dos clones, estes foram transplantados para vasos plasticos de 5L, preenchidos por uma mistura de areia de rio lavada, terra e esterco (2:1:1). Na avaliacao da resistencia, foram utilizadas mudas em estadio variando de 8 a 12 pares de folhas desenvolvidas.

O experimento foi conduzido em DIC, com seis tratamentos, constituidos pelos cinco genotipos de P. catleyanum, pela goiabeira 'Paluma' (testemunha) e oito repeticoes constituidas por clones desses genotipos.

Como fonte de inoculo, utilizou-se um isolado puro de M. enterolobii, identificado pela tecnica eletroforese de isoenzimas, com revelacao do fenotipo M2 para a isoenzima esterase, com duas bandas principais (RM:0,70 e 0,90) e duas bandas menos intensas (Rm: 0,75, 0,95). Esse fenotipo foi caracterizado anteriormente por CARNEIRO et al. (2000; 2001) como tipico de M. enterolobii.

Esse isolado, mantido em tomateiros em casa de vegetacao, foi obtido em um plantio comercial em Sao Joao da Barra (RJ) (lat. 21[degrees]41'22"S; long. 41[degrees]3'20"W). Para o preparo do inoculo, empregou-se metodologia proposta por COTTER et al.(2003). Cada muda recebeu 10mL de suspensao aquosa com 1000 ovos + [J.sub.2], distribuidos em quatro furos em torno do colo. Aos 135 dias apos a inoculacao, quantificou-se o numero de ovos e juvenis de segundo estadio ([J.sub.2]), de acordo com metodologia proposta por BURLA et al. (2010). A suspensao de ovos e [J.sub.2] obtida de cada planta foi homogeneizada e tres aliquotas de 1mL foram utilizadas para contagem em laminas de Peters. Avaliou-se tambem a massa fresca da parte aerea, a massa fresca do sistema radicular e o volume das raizes, determinado pelo deslocamento de agua em uma proveta graduada, apos imersao do sistema radicular.

Os dados foram submetidos a analises de variancias e as medias dos tratamentos foram comparadas pelo teste Duncan a 5% de probabilidade. A classificacao final dos genotipos quanto a resistencia ao nematoide baseou-se no fator de reproducao (FR= Pf/1000) sensu OOSTENBRINK (1966): FR<1= resistente e FR>1 = susceptivel.

Os genotipos de P. cattleyanum avaliados neste trabalho foram considerados resistentes a M. enterolobii, com FR inferior a 1 (Tabela 1). MIRANDA et al. (2012), ao avaliarem plantas de origem seminifera dos acessos 115 e 117, encontraram FR variando de 0,1 a 0,9 e 0 a 1,8, respectivamente. A susceptibilidade da goiabeira a M. enterolobii atestou a viabilidade da inoculacao. A goiabeira avaliada foi obtida, tambem, por origem clonal, demonstrando variabilidade entre clones superior a 50% do valor medio.

A maior massa da parte aerea, massa e volume do sistema radicular foram verificados na goiabeira 'Paluma' (Tabela 2). Entre os aracazeiros, os genotipos U14 e C117 foram inferiores na producao de massa e volume do sistema radicular. Da mesma forma, a massa da parte aerea da goiabeira tambem foi superior aquelas observadas nos clones de P. cattleyanum, confirmando o maior vigor da goiabeira. CARNEIRO et al. (2007), ao avaliarem a resistencia de diferentes acessos a M. enterolobii, observaram maior massa de raizes em mudas seminiferas da goiabeira 'Paluma', em relacao aos aracazeiros (P friedrichsthalianium e P. cattleyanum). No trabalho citado, foram avaliadas mudas entre 15 a 20 cm de altura, que foram inoculadas e avaliadas apos oito meses. Os autores verificaram massa do sistema radicular da goiabeira com cerca de 27g e dos acessos de P. cattleyanum 'Red Araca', 'Leodor' e 'Yacy' com 15, 7 e 7,1g, respectivamente.

Os genotipos de P. cattleyanum avaliados tiveram fatores de reproducao iguais ou inferiores a 0,2 e foram considerados resistentes a M. enterolobii.

http://dx.doi.org/10.1590/0103-8478cr20140488

REFERENCIAS

ALMEIDA, E.J. de et al. Resistencia de goiabeiras e aracazeiros a Meloidogyne mayaguensis. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, v.44, p.421-423, 2009. Disponivel em: <http://www.scielo.br/pdf/ pab/v44n4/a14v44n4.pdf>. Acesso em: 18 set. 2013. doi: 10.1590/ S0100-204X2009000400014.

ALTOE, J.A. et al. Propagacao de aracazeiro e goiabeira via miniestaquia de material juvenil. Bragantia, v.70, p.312318, 2011. Disponivel em: <http://www.scielo.br/pdf/brag/ v70n2/09.pdf>. Acesso em: 19 set. 2013. doi: 10.1590/S00068-7052011000200009.

BURLA, R.S. et al. Comparacao entre niveis de inoculo, epocas de avaliacao e variaveis para selecao de Psidium spp. visando a resistencia a Meloidogyne enterolobii. Nematologia Brasileira, v.34, p.82-90, 2010. Disponivel em: <http:// docentes.esalq.usp.br/sbn/nbonline/ol%20342/82-90%20co. pdf>. Acesso em: 19 set. 2013.

CARNEIRO, R.M.D.G. et al. Resistance to Meloidogyne mayaguensis in Psidium spp. Accessions and their grafting compatibility with P. guajava cv. 'Paluma'. Fitopatologia

Brasileira, v.32, p.281-284, 2007. Disponivel em: <http://www. scielo.br/pdf/fb/v32n4/01.pdf>. Acesso em: 19 set. 2013. doi: 10.1590/S0100-41582007000400001.

CARNEIRO, R.M.D.G. et al. Enzyme phenotype of Meloidogyne spp. populations. Nematology, v.2, n.6, p:645-654, 2000. Disponivel em: <http://booksandjournals.brillonline.com/content/ journals/10.1163/156854100509510>. Acesso em: 07 jul. 2015.

CARNEIRO, R.M.D.G.; ALMEIDA M.R. A. Tecnica de eletroforese usada no estudo de enzimas dos nematoides de galhas para identificacao de especies. Nematologia Brasileira, v.25, n.1, p.35-44, 2001. Disponivel em: <http:// docentes.esalq.usp.br/sbn/nbonline/ol%20251/35-44%20gr. pdf>. Acesso em: 07 jul. 2015.

COTTER, H.V.T. et al. Multiple egg harvests from Meloidogyneinfested tomato root systems. Journal of Nematology, v.35, p.331, 2003. Disponivel em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000051&pid=S00068705201200010000900005&lng=en>. Acesso em: 19 set. 2013.

GOMES, V.M. et al. Guava decline: a complex disease involving Meloidogyne mayaguensis and Fusarium solani. Journal of Phytopathology, v.158, p.45-50, 2011. Disponivel em: <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/ j.1439-0434.2010.01711.x/pdf>. Acesso em: 19 set. 2013. doi: 10.1111/j.1439-0434.2010.01711.

MIRANDA, G.B. et al. Avaliacao de acessos de Psidium spp. quanto a resistencia a Meloidogyne enterolobii. Bragantia, v.71, p.52-58, 2012. Disponivel em: <http://www.scielo.br/pdf/brag/ v71n1/aop1126.pdf>. Acesso em: 19 set. 2013. doi: 10.1590/ S0006-87052012005000001.

OOSTENBRINK, M. Major characteristics of the relation between nematodes and plants. MededelingenVan De Landbouwhogeschool, v. 66, p.1-46, 1966. Disponivel em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0006870520120001000090014&lng=em>. Acesso em: 19 set. 2013.

Marlon Altoe Biazatti (I) Ricardo Moreira de Souza (I) Claudia Sales Marinho (I) * Denilson de Oliveira Guilherme (I) Graziella Siqueira Campos (I) Vicente Martins Gomes (I) Cintia Aparecida Bremenkamp (I)

(I) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Av. Alberto Lamego, 2000, Horto, 28013-602, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil. E-mail: marinho@uenf.br. * Autor para correspondencia.

Recebido 01.04.14 Aprovado 05.08.15 Devolvido pelo autor 30.09.15 CR-2014-0488.R2
Tabela 1--Populacao final (Pf), fator de reproducao (FR) e
classificacao de acessos do genero Psidium quanto a
resistencia a M. enterolobii, sendo as plantas avaliadas
clones dos acessos 115 (U2 a U11) e 117 (C117),
respectivamente.

Genotipos             Pf (1)     FR      Classificacao (2)

U2                    95,83      0,10            R
U11                   70,83      0,07            R
U12                   79,16      0,08            R
U14                   79,15      0,08            R
C117                  58,33      0,06            R
Goiabeira 'Paluma'    31075,00   31,08           S

(1) Valores sao medias de oito repeticoes, cada repeticao
avaliada por tres contagens realizadas em tres aliquotas de
1ml, por clone de cada genotipo.

(2) Classificacao das plantas quanto a resistencia a M.
enterolobii de acordo com OOSTENBRINK (1966): R= resistente;
S= susceptivel.

Tabela 2--Massa da parte aerea, do sistema radicular e
volume radicular de genotipos de P. cattleyanum e da
goiabeira 'Paluma', inoculados com M. enterolobii.

                        Parte        Sistema      Volume radicular
Genotipos             aerea (g)   radicular (g)     ([cm.sup.3])

U2                    130,10 b       36,46 b          42,00 b
U11                   134,82 b       35,21 b          42,00 b
U12                   126,25 b       39,62 b          45,12 b
U14                   117,92 b       25,12 c          32,87 c
C117                  139,97 b       26,44 c          29,75 c
Goiabeira 'Paluma'    222,15 a       54,62 a          64,25 a
CV (%)                13,8           16,2             13,5

Medias seguidas pelas mesmas letras na vertical constituem
grupo estatisticamente homogeneo pelo teste de Duncan a 5%
de probabilidade.
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Title Annotation:fitotecnia; texto en portugues
Author:Biazatti, Marlon Altoe; de Souza, Ricardo Moreira; Marinho, Claudia Sales; de Oliveira Guilherme, De
Publication:Ciencia Rural
Date:Mar 1, 2016
Words:1646
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