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Cattle manure and potassium in the mineral composition of noni plants/Esterco bovino e potassio na composicao mineral de plantas de noni.

INTRODUCAO

O noni (Morinda citrifolia L.) pertence a familia Rubiaceae, cresce extensivamente entre as ilhas do Pacifico e e uma das mais significantes fontes da medicina tradicional dessas comunidades. Os povos polinesios ja a usavam como planta medicinal ha mais de 2000 anos e ainda hoje e utilizada na medicina tradicional para diversas enfermidades tais como: alergia, artrite, asma, cancer, depressao, diabetes, ma-digestao, hipertensao, insonia, aumento da capacidade fisica (BASAR et al., 2010).

A planta apresenta-se como rustica, cresce nos mais diversos tipos de solos e sobrevive em habitats adversos, como em terrenos rochosos, arenosos, costeiros e vulcanicos. Ha tambem afirmacoes na literatura que e tolerante a salinidade, sobrevive as inundacoes periodicas das areas pelos oceanos e ate se beneficia da absorcao dos minerais contidos na agua do mar. Associado a essas vantagens, o noni se desenvolve e produz em areas com precipitacao media anual variando entre 250 e 4000 mm situadas em altitude de ate 800 m (NELSON, 2005).

O Brasil, apesar de nao ter tradicao no cultivo do noni, possui potencial edafoclimatico para o estabelecimento dessa cultura. No estado do Maranhao, Brasil, a especie Morinda citrifolia foi introduzida e tem se desenvolvido e produzido adequadamente. Nesse sentido, Mendes et al. (2011) apresentam dados da avaliacao da fertilidade do solo, da composicao foliar em macro, micronutrientes e sodio do terco superior, medio e do terco final das plantas e dos frutos recem-formados, frutos pequenos, medios, proximos a maturacao e frutos maduros, de um pomar com dois anos de idade, no municipio de Sao Luis.

Apesar da adaptacao da cultura as condicoes edafoclimaticas do Nordeste brasileiro, assim como para qualquer outra cultura, o noni cultivado com vistas a exploracao comercial deve apresentar comportamento positivo em solos equilibrados em nutrientes e materia organica. No entanto, informacoes sobre as exigencias do noni em adubacao sao limitadas, principalmente no Brasil. Nesse contexto, considerando a importancia economica do noni e que a cultura esta em expansao, estudos sobre adubacao e estrategias para aprimorar as tecnicas de rendimento e reduzir os custos de producao devem ser adotados.

Devido a carencia de informacoes sobre o manejo dessa cultura no Brasil, os dados preliminares a respeito de fertilidade do solo e adequacao nutricional consideram as informacoes disponiveis para o cafe (Cofea arabica) que e uma planta da mesma familia e apresenta porte e habito de crescimento semelhante. No entanto, o noni apresenta particularidades em relacao a cultura do cafe, como por exemplo, o formato do fruto, a floracao e frutificacao, o que, possivelmente, se reflete em exigencia e composicao nutricional diferenciada em relacao ao cafeeiro. Isso indica que estudos especificos devem ser realizados visando a disponibilizacao de informacoes para potencializar o rendimento produtivo e a qualidade dos frutos.

O trabalho teve por objetivo avaliar a composicao em macro e micronutrientes na materia seca foliar de plantas de noni em solo fertilizado com esterco bovino e adubacao mineral com potassio.

MATERIAL E METODO

O trabalho foi desenvolvido no periodo compreendido entre 22 de julho de 2009 a 30 de julho de 2010, na Chacara Pau-Brasil, situada ao Sul de Sao Luis, Maranhao, Brasil. O local do experimento e demarcado pelas coordenadas geograficas 2[degrees]30'S, 44[degrees]18'W e a uma altitude de 48 m. O clima da regiao, segundo Koppen, e do tipo Aw', equatorial quente e umido, com duas estacoes definidas: uma estacao chuvosa, que se estende de janeiro a junho, e uma estacao de estiagem, com deficit hidrico de julho a dezembro.

Nas precipitacoes pluviais da regiao ocorrem variacoes de 1700 a 2300 mm anuais. A temperatura media local situa-se em torno de 26[degrees]C, as maximas variam de 28 a 37[degrees]C e as minimas entre 20 e 23[degrees]C (NUGEO, 2002). O solo do local do experimento foi classificado como Argissolo Vermelho Amarelo distrofico latossolico, de textura franco-arenosa. Antes do inicio do experimento, amostras de solo foram coletadas na profundidade de 0-20 cm, para caracterizacao fisica e quimica (Tabela 1) de acordo com a metodologia descrita por Embrapa (1997).

O delineamento experimental foi em blocos casualizados com tres repeticoes e duas plantas por parcela. Os tratamentos foram distribuidos em arranjo fatorial 2 x 4, referente a ausencia e presenca de adubacao potassica (130 kg [ha.sup.-1] de K2O) no solo com quatro doses de esterco bovino (0, 1,7, 6,6 e 11,6 kg [planta.sup.-1]) de modo a elevar o teor de materia organica do solo (0,985%) para 1,5; 3,0 e 4,5%, respectivamente. O esterco foi obtido de curral de gado leiteiro em regime semiconfinado, em que os animais permaneciam no campo durante toda a manha e o restante do tempo no estabulo, alimentados com capim verde passado em maquina trituradora.

Por ser fermentado e armazenado a sombra, no momento da aplicacao, o insumo organico estava com umidade de 6%. Esse valor de agua foi adicionado a cada respectiva dose calculada com base na massa de solo da camada de 20 cm com densidade de 1,36 g [cm.sup.-3] (Tabela 1), na faixa compreendida de 40 a 100 cm do caule, correspondente a uma circunferencia com raio de 60 cm. Ao considerar a distribuicao superficial das raizes de noni, a aplicacao do esterco foi realizada na superficie do solo referente a uma faixa circunferencial referente ao raio de 60 cm na qual foram feitos os calculos. Para o calculo da quantidade de esterco a ser fornecida por planta referente a cada dose para elevar os teores do solo as percentagens supracitadas utilizou-se a expressao:

[D.sub.E] = [([Q.sub.MOA] - [Q.sub.MOE]) x Ms x U]/1.000

Em que: [D.sub.E] = dose de esterco a ser aplicada por planta (kg [planta.sup.-1]); [Q.sub.MOA] = Dosagem de materia organica a ser alcancada no solo (g [kg.sup.-1]); [Q.sub.MOE] = Dosagem de materia organica existente no solo (g [kg.sup.-1]); Ms = Massa da camada de solo (kg).

Umidade (U) = 1,06

A massa de solo foi quantificada pela equacao:

Ms = [pi][R.sup.2] x Z x ds

Em que: R = 0,6 m; Z = profundidade do solo (m); ds = densidade do solo (kg [m.sup.-3]).

Uma amostra composta oriunda de cinco amostras simples do esterco bovino utilizado foi coletada para caracterizacao quanto aos teores de macronutrientes, micronutrientes, aluminio e [H.sup.+] + [Al.sup.3+], pela metodologia sugerida por Embrapa (2011), cujos resultados estao na Tabela 2. O esterco foi fornecido as plantas no inicio do periodo da estiagem, em agosto de 2009 e no inicio do periodo das chuvas em janeiro de 2010.

As plantas, no inicio do experimento, estavam com dois anos de idade, altura media de 1,6 m e implantadas no espacamento de 4 m x 4 m (625 plantas [ha.sup.-1]), de acordo com recomendacao de Macpherson et al. (2007). Antes da instalacao do experimento, foi realizada uma poda de limpeza e arejamento com a retirada de parte dos ramos velhos e malformados.

As adubacoes fosfatadas e nitrogenadas foram comuns a todas as plantas, esta situacao nao constitui fonte de variacao. A adubacao fosfatada constou de 37,5 kg [ha.sup.-1] de [P.sub.2][O.sub.5] oriundo do superfosfato simples (18% de [P.sub.2][O.sub.5]), em duas aplicacoes, metade no inicio de agosto de 2009 e a outra metade no inicio de janeiro de 2010.

As adubacoes nitrogenada com 75 kg [ha.sup.-1][ano.sup.-1] de N, na forma de ureia (44% de N), e potassica com 130 kg [ha.sup.-1][ano.sup.-1] de [K.sub.2]O, via cloreto de potassio (57% de [K.sub.2]O), foram feitas simultaneamente em tres aplicacoes iguais de 25 kg [ha.sup.-1] de N e 43,33 kg [ha.sup.-1] [K.sub.2]O nos tratamentos com potassio da seguinte forma: a primeira aplicacao foi fornecida juntamente com a primeira adubacao fosfatada, em agosto de 2009, e as duas outras a cada 120 dias apos a primeira.

A irrigacao durante a estiagem foi realizada pelo metodo de microaspersao, usando um microaspersor por planta com raio de alcance de 2,8 m, trabalhando na pressao de servico de 2,2 MPa, vazao de 72 L [h.sup.-1] e turno de rega a cada 48 horas. A lamina de agua aplicada foi calculada com base na evaporacao media semanal de tanque classe "A", obtida pela evaporacao de referencia--E[T.sub.0], multiplicando-se a leitura do tanque pelo fator 0,75 (BERNARDO et al., 2006).

O controle das plantas espontaneas foi realizado manualmente na area de projecao da copa das plantas e entre as linhas de plantio com rocadeira rotativa. Apesar de ter havido ocorrencia de doencas bacterianas em alguns frutos na estacao seca, nao foi feito nenhum controle fitossanitario por ter sido de baixa incidencia. No inicio da estacao chuvosa, o problema fitopatogenico desapareceu.

Em abril de 2010, quando as plantas estavam com 33 meses, foram obtidas amostras compostas do terceiro e quarto pares de folhas do terco mediano das plantas, contados a partir do apice de cada ramo selecionado, conforme metodologia utilizada para a coleta de amostras de folhas de cafe recomendada por Malavolta et al. (1997), num total de 16 folhas por planta. Por nao existir informacoes a respeito da folha-diagnostico do noni foi utilizada a metodologia adotada para o cafe que e uma Rubiaceae e, portanto, da mesma familia.

Apos o material ser seco em estufa, com circulacao de ar, a 60[degrees]C durante 72 horas, e triturado em moinho tipo Willye TE--650, foram determinados, na materia seca das folhas, os teores de macro e micronutrientes, empregando os procedimentos metodologicos recomendados por Embrapa (1997).

Os dados obtidos foram submetidos a analise de variancia. As medias referentes a adubacao potassica foram avaliadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade e as referentes ao esterco por regressao polinomial, usando o programa estatistico SAS (SAS, 2010).

RESULTADOS E DISCUSSAO

O fornecimento isolado de esterco bovino influenciou os teores foliares de todos os nutrientes avaliados, exceto Ca e Mg, enquanto o fornecimento isolado de potassio influenciou apenas o teor de manganes. Ainda, quando aplicada em conjunto com esterco, a fonte de potassio foi prejudicial a absorcao dos macronutrientes pelas plantas de noni, exceto para potassio (Tabela 3).

O incremento nas doses de esterco bovino promoveu aumento linear dos teores foliares de N nas plantas de noni, ao nivel de 0,36 g [kg.sup.-1] de N para cada aumento unitario do esterco de bovino fornecido (Figura 1). No tratamento com 11,6 kg [planta.sup.-1] de esterco bovino as plantas estavam com 35 g [kg.sup.-1], o que corresponde a um incremento de 14% nos teores de N em relacao as plantas da testemunha, que continham 30,7 g [kg.sup.-1] de N. Esse incremento linear evidencia que as plantas responderam positivamente a aplicacao de maiores doses de esterco bovino. Esta resposta e resultante do aumento da disponibilidade de nitrogenio no solo com o incremento das quantidades de esterco aplicadas, possibilitando maior suprimento desse nutriente as plantas. Um dos principais nutrientes disponibilizados no solo pelo esterco bovino e o nitrogenio e o esterco utilizado apresentava baixa relacao C/N (Tabela 2), indicando que o material seria mais facilmente decomposto e, consequentemente, incrementando o teor de nitrogenio no solo. Tendencia semelhante foi apresentada por Araujo et al. (2007) em plantas de cafe em solo tratado com composto organico e biofertilizante bovino, ao registrarem incremento linear nos teores de nitrogenio na materia seca foliar das plantas.

Os teores de N acumulados nas plantas de noni estao na faixa admitida como adequada para a cultura do cafe, que se situa entre 29 e 32 g [kg.sup.-1] (MALAVOLTA et al., 1997). Essa situacao indica que a fertilizacao do noni com 90 g de ureia e esterco bovino a cada 120 dias foi suficiente para suprir a exigencia da cultura em nitrogenio. Comparativamente, os resultados superam a amplitude de 19,24 a 23,16 g [kg.sup.-1] estabelecida como suficiente para a cultura do cafe por Clemente et al. (2008).

Assim como para o nitrogenio, os teores foliares de P das plantas de noni aumentaram linearmente com o incremento nas doses esterco, independentemente da adicao de potassio (Figura 2). Verifica-se ainda que a cada aumento unitario na quantidade de esterco bovino fornecido ao solo as plantas apresentaram um incremento de 0,05 g [kg.sup.-1] de P na materia seca foliar; observa-se tambem que, para o valor maximo de esterco fornecido (11,6 kg), as plantas apresentaram 2,76 g [kg.sup.-1] de P. Pelos dados, o incremento de esterco bovino contribuiu com um maior aporte de P ao solo se refletindo no incremento do nutriente na materia seca foliar. Os resultados estao em conflito com os apresentados por Araujo et al. (2007) ao constatarem decrescimos lineares nos teores foliares de P em plantas de cafeeiro tratadas com doses de composto organico (110, 330, 550, 770 e 990 g/vaso a 7 [dm.sup.3] de solo), aos 204 dias apos plantio.

Comparativamente, os valores estao acima da faixa 1,6-1,9 g [kg.sup.-1] admitida como adequada para a cultura do cafe (MALAVOLTA et al., 1997). Isso indica que a materia organica pode ter aumentado os teores de P disponivel do solo e a adubacao fosfatada (75 kg [ha.sup.1] ano), possivelmente, supriu a necessidade da cultura, tendo em vista que as plantas nao emitiram sintomas visuais tipicos de deficiencia do respectivo nutriente.

A aplicacao de esterco bovino e potassio ao solo elevou os teores foliares de K nas plantas de noni (Figura 3). No solo sem adicao de [K.sub.2]O, os teores do nutriente aumentaram ate 13,6 g [kg.sup.-1] referente a dose maxima estimada de 7,0 kg [planta.sup.-1] de esterco de bovino. Nos tratamentos com aplicacao de [K.sub.2]O, os teores de potassio aumentaram linearmente ao nivel de 0,49 g para cada aumento unitario de esterco bovino aplicado ao solo atingindo o maior valor de 14,6 g [kg.sup.-1] de K.

Apesar dos valores de 13,6 e 14,6 g [kg.sup.-1] serem superiores aos 12 g [kg.sup.-1] de K determinados por Singh e Rai (2007) na materia seca foliar de plantas de noni nativas da India, comparativamente, os resultados estao abaixo da faixa de 22 a 25 g [kg.sup.-1] expressa como recomendada para o cafeeiro (MALAVOLTA et al., 1997). Entretanto, essa situacao pode ser resposta de uma menor exigencia do Morinda citrifolia em potassio, em relacao ao cafe. Outro aspecto, e que a fertilizacao a cada 120 dias, apos iniciado o experimento, com 210 g [planta.sup.-1] de KCl, simultaneamente com os niveis de esterco bovino, supriu adequadamente as plantas, uma vez que as plantas nao mostraram sintomas visuais caracteristicos da deficiencia desse macronutriente.

A acumulacao foliar de calcio e magnesio nao foi significativamente influenciada pela interacao esterco bovino x potassio e pelos efeitos isolados de nenhuma das fontes de variacao (Tabela 4). Os teores foliares de calcio variaram de 7,3 a 8,0 g [kg.sup.-1] nas plantas cultivadas em solo sem e com adicao de K. Os teores de magnesio variaram de 2,3 a 3,0 g [kg.sup.-1] nas plantas cultivadas em solo sem fornecimento de K e de 2,0 a 3,0 nas cultivadas em solo com K. Os teores medios foram de 7,62 e 2,54 g [kg.sup.-1] para calcio e magnesio, respectivamente (Tabela 4). Comparando com o cafeeiro, as plantas de noni nao estavam adequadamente supridas nos respectivos macronutriente s, pois, de acordo com Malavolta et al. (1997), teores adequados de calcio para essa cultura devem estar entre 13 e 15 g [kg.sup.-1] e de magnesio entre 4,0 e 4,5 g [kg.sup.-1].

Quanto ao enxofre, apesar dos teores foliares terem sido influenciados significativamente pelas doses de esterco bovino, nao se ajustaram a nenhum modelo de regressao, por isso, foram representados pelo valor medio 8,9 g kg-1 de enxofre (Figura 4). Esse valor e considerado excessivamente alto para culturas da familia do noni, como o cafeeiro, e para a grande maioria das plantas exploradas comercialmente no Brasil. Considerando que mesmo nos tratamentos onde nao foi fornecido esterco bovino as plantas apresentaram teores de enxofre elevados e que nao apresentaram sintomas de toxicidade pelo nutriente, infere-se que a cultura evidencia ser exigente em enxofre. Araujo et al. (2007) verificaram decrescimo nos teores de enxofre da materia seca foliar de plantas de noni submetidas a doses crescentes de composto organico, aos 204 dias apos plantio. Ao considerar que o solo antes do experimento (Tabela 1) apresentava baixos teores de materia organica, as plantas absorveram o enxofre oriundo do esterco de bovino e do superfosfato simples aplicado ao solo.

Exceto no tratamento com potassio, no solo com maior nivel de esterco bovino, os teores de boro acumulados nas folhas de noni foram inibidos com o aumento dos niveis de esterco bovino fornecido, independentemente da adicao de potassio ou nao ao solo (Figura 5). O declinio de boro na materia seca foliar das plantas, em funcao do aumento de esterco bovino no solo, segundo Goldberg (1997) e Novais et al. (2007), e mais frequentemente registrado em algumas das situacoes: a) a materia organica do solo adsorve mais fortemente o boro do que os constituintes minerais resultando tambem na diminuicao da sua disponibilidade as plantas; b) a competicao entre boro e nitrogenio pode limitar a disponibilidade de boro no solo e comprometer o suprimento adequado as plantas (MARSCHNER, 2005).

Por outro lado, nos tratamentos com [K.sub.2]O, principalmente para as maiores doses de esterco, os teores de boro foram superiores. De acordo com Davis et al. (2003), o potassio exerce relacao sinergica com o boro, ou seja, a maior disponibilidade de potassio no solo em funcao da aplicacao de KCl eleva a disponibilidade no solo da acumulacao foliar do micronutriente as plantas. Os menores valores de 36,6 e 59,3 mg [kg.sup.-1] de boro nas folhas de noni, foram obtidos nas doses minimas estimadas de 6,9 e 5,0 kg de esterco bovino no solo sem e com potassio, respectivamente. Esses dados estao proximos ou superam os 37,53 e 48,93 mg [kg.sup.-1] em mudas de cafeeiros obtidos por Goncalves (2005) e estao na faixa de 40 e 100 mg [kg.sup.-1] estabelecida como adequada por Malavolta et al. (1997) para cafe.

Os teores foliares de ferro responderam significativamente aos efeitos da interacao esterco bovino x potassio no solo. Nos tratamentos com potassio os valores aumentaram linearmente, ao nivel de 19,8 mg [kg.sup.-1] por incremento unitario do esterco bovino fornecido, atingindo o valor maximo de 488,8 mg [kg.sup.-1] no tratamento com a maior dose do insumo organico (11,6 kg [planta.sup.-1]). Nas plantas desenvolvidas no solo sem potassio os teores de ferro nao se ajustaram a nenhum tipo de regressao, sendo representados pela media de 351,6 mg [kg.sup.-1] (Figura 6). Verifica-se, assim como para o boro, que os teores de ferro foram superiores nas plantas dos tratamentos com potassio, principalmente nas maiores doses de esterco bovino. A adicao de potassio ao solo resultou em maior acumulo de biomassa foliar contribuindo para o aumento da absorcao e acumulacao do micronutriente pelas plantas.

Os teores de ferro de 351,6 e 488,8 mg [kg.sup.-1] nas plantas cultivadas no solo sem e com potassio, respectivamente, sao superiores a amplitude de 94,12 a 115,33 mg [kg.sup.-1] adotada como suficiente as plantas do cafeeiro (GONCALVES, 2005). Ao se considerar que as exigencias do noni por ferro sejam semelhantes aos do cafeeiro, a variacao 351,6 e 488,8 mg [kg.sup.-1] foi superior a adotada como adequada para a cultura que varia de 100 a 130 mg [kg.sup.-1] (MALAVOLTA et al., 1997), e expressa que as plantas na epoca da amostragem estavam suficientemente supridas em ferro. Os elevados valores de ferro na materia seca foliar das plantas sao respostas dos elevados teores de ferro no solo com 38,14 mg [kg.sup.-1] (Tabela 1) e no esterco de bovino aplicado com 30,39 mg [kg.sup.-1] do micronutriente (Tabela 2).

Os teores de manganes, assim como os de ferro, tambem foram influenciados pela interacao esterco bovino x potassio (Figura 7). Nas plantas dos tratamentos sem potassio, os teores de manganes nao se adequaram a nenhum modelo matematico, sendo a variacao representada pela media de 1576 mg [kg.sup.-1]. Na materia seca das plantas dos tratamentos com potassio, a acumulacao foi estimulada com o aumento do fornecimento de esterco bovino, atingindo o maior valor maximo de 2328,6 mg [kg.sup.-1], no nivel maximo da materia organica aplicada, II, 6 kg [planta.sup.-1]. Esses valores sao expressivamente superiores a variacao de 225,14 a 253,60 mg [kg.sup.-1] de Mn apresentada por Goncalves (2005) em mudas de cafeeiro e a amplitude de 80-100 mg [kg.sup.-1] admitida como suficiente ao cafeeiro por Malavolta et al. (1997).

Nas plantas dos tratamentos sem potassio, os teores foliares de zinco aumentaram linearmente, ao nivel de 0,49 mg [kg.sup.-1] por aumento unitario das doses de esterco bovino, atingindo o maior valor de 111,7 mg [kg.sup.-1] referente a dose 11,6 kg [planta.sup.-1] de esterco bovino (Figura 8). Nas plantas dos tratamentos com potassio, a acumulacao foliar de Zn inicialmente diminuiu com o aumento da aplicacao de esterco bovino ate o menor valor de 99 mg [kg.sup.-1] de Zn no nivel minimo estimado de 5,21 kg [planta.sup.-1] de esterco bovino. Ao contrario do registrado para B, Fe e Mn, os teores de Zn foram predominantemente superiores nas plantas do solo sem potassio. Esse comportamento, conforme Dechen e Natchtigall, (2006), e resposta da acao antagonica do potassio com o zinco, visto que os teores de Fe e Mn foram superiores nos tratamentos com potassio.

Os resultados sao expressivamente superiores a faixa de 12,08 a 15,54 mg [kg.sup.-1] obtida por Goncalves (2005) em plantas de cafeeiro e a faixa admitida como adequada ao cafeeiro de 15 a 20 mg [kg.sup.-1] por Malavolta et al. (1997). No entanto, as plantas nao apresentaram sintomas de toxidez e evidenciando que, alem do Mn, o noni tambem absorve quantidades elevadas de Zn em comparacao ao cafe.

CONCLUSOES

A cultura de noni (Morinda citrifolia L.) respondeu significativamente a aplicacao de esterco bovino e potassio, o que ficou evidenciado pelos maiores teores foliares para quase todos os nutrientes, exceto Ca e Mg.

A acumulacao foliar de ferro, manganes e zinco pelo noni e superior ao cafeeiro.

Os aumentos lineares nas concentracoes foliares da maioria dos nutrientes indicam a conveniencia de novos estudos com maiores doses de aplicacao de esterco bovino, potassio e outros nutrientes, objetivando conhecer as maximas doses de aplicacao que podem resultar em incremento de teores foliares.

O estabelecimento de faixas de interpretacao de teores de nutrientes adequados para noni faz-se necessario para auxiliar as discussoes de futuros estudos de adubacao e nutricao da cultura.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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Recebido para publicacao em 22/05/2012 e aceito em 23/05/2013

Joao Jose Mendes Silva (1) Lourival Ferreira Cavalcante (2) Jose Adeilson Medeiros Nascimento (3) Belisia Lucia Moreira Toscano Diniz (4) Antonio Gustavo Luna Souto (5)

(1) Engenheiro Agronomo, Dr., Professor da Unidade de Estudos de Agronomia, Universidade Estadual do Maranhao, Cidade Universitaria Paulo VI, Bairro Sao Cristovao, Caixa-postal 09, CEP 65000- 000, Sao Luis (MA), Brasil. jjj_mendes@hotmail.com

(2) Engenheiro Agronomo, Dr., Professor do Programade Pos-Graduacao em Agronomia, Centro de Ciencias Agrarias, Univiersidade Federal da Paraiba, Campus II, Cidade Univiersitaria, Rodovia BR 079, Km 12, CEP 58397-000, Areia (PB), Brasil. lofeca@cca.ufpb.br

(3) Engenheiro Agronomo, Professor do Instituto Federal de Educacao, Ciencia e Tecnologia do Ceara, Campus Tiangua, Rodovia CE 187, CEP 62320-000, Tiangua (CE), Brasil. adeilson.nascimento@ifce.edu.br

(4) Engenheira Agronoma, Dra., Professora do Centro de Ciencias Humanas Sociais e Agrarias, Universidade Federal da Paraiba, Campus III, Cidade universitaria, CEP 58220-000, Bananeiras (PB), Brasil. belisia.diniz@gmail.com

(5) Engenheiro Agronomo, Doutorando do Programa de Pos-Graduacao em Fitotecnia, Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Vicosa, Cidade Universitaria, CEP 36570-000, Vicosa (MG), Brasil. gusluso@hotmail.com

TABLE 1: Chemical and physical soil (0-20 cm) characterization.

TABELA 1: Caracterizacao quimica e fisica do solo a
profundidade de 0-20 cm.

Atributos quimicos               Atributos fisicos

pH [H.sub.2]O         5,87        Areia grossa (g           400
  (1:2,5)                           [kg.sup.-1])
P (mg [dm.sup.-3])   34,79         Areia fina (g            428
                                    [kg.sup.-1])
[K.sup.+] (mg        34,97     Silte (g [kg.sup.-1])         89
  [dm.sup.-3])
[Na.sup.+]            0,08     Argila (g [kg.sup.-1])        83
  ([cmol.sub.c]
  [dm.sup.-3])
[H.sup.+] +           4,23        Argila dispersa            21
  [Al.sup.3+]                     (g [kg.sup.-1])
  ([cmol.sub.c]
  [dm.sup.-3])
[Al.sup.3+]           0,00     Grau de floculacao (%)       75,1
  ([cmol.sub.c]
  [dm.sup.-3])
[Ca.sup.2+]           1,70      indice de dispersao         24,9
  ([cmol.sub.c]                         (%)
  [dm.sup.-3])
[Mg.sup.2+]           0,33       Densidade aparente         1,36
  ([cmol.sub.c]                   (g [cm.sup.-3])
  [dm.sup.-3])
SB ([cmol.sub.c]      2,20       Densidade real (g          2,66
  [dm.sup.-3])                      [cm.sup.-3])
CTC ([cmol.sub.c]     6,43        Porosidade total          0,48
  [dm.sup.-3])                 ([m.sup.3] [m.sup.-3])
V (%)                34,21    Umidade a--0,033MPa (%)       9,12
MO (g [kg.sup.-1])    9,85    Umidade a--1,500 MPa (%)      4,56
Boro (mg             Tracos       Agua disponivel           4,56
  [dm.sup.-3])                     (g [g.sup.-1])
Ferro (mg            38,03    Classificacao textural:    F.-arenosa
  [dm.sup.-3])                                            Arenoso
Manganes (mg          6,14
  [dm.sup.-3])
Zinco (mg             2,85
  [dm.sup.-3])

Em que: SB = soma de bases ([Na.sup.+] + [K.sup.+] + [Ca.sup.2+]
+ [Mg.sup.2+]); CTC = Capacidade de troca cationica = SB +
([H.sup.+] + [Al.sup.3+]); V = Valor de saturacao por bases (100
x SB/CTC); MO = materia organica.

TABLE 2: Chemical characterization of the cattle manure used for
fertilization.

TABELA 2: Caracterizacao quimica do esterco bovino utilizado para
a adubacao.

Fertilidade

pH      P     [K.sup.+]   [Na.sup.+]

       mg [dm.sup.-3]

6,1    526       351         0,21

Fertilidade

pH     [Ca.sup.2+]   [Mg.sup.2+]   [Al.sup.3+]

       [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]

6,1       14,41         1,75          0,31

Fertilidade

pH     [H.sup.+] +     MO     C/N
       [Al.sup.3+]

       g [kg.sup.-1]

6,1       6,43       555,11   19/1

              Micronutrientes

B       Fe     Cu      Mn     Zn

              mg [dm.sup.-3]

1,57   1,02   30,39   6,93   9,77

TABLE 3: Summary of the analyzes of variance, through the mean
square, referring to nitrogen (N), phosphorus (P), potassium (K),
calcium (Ca), magnesium (Mg), sulfur (S), boron (B) iron (Fe),
manganese (Mn) and zinc (Zn) content in noni plants treated with
cattle manure and potassium.

TABELA 3: Resumo das analises de variancia, atraves do quadrado
medio, referentes aos teores de nitrogenio (N), fosforo (P),
potassio (K), calcio (Ca), magnesio (Mg), enxofre (S), boro (B),
ferro (Fe), manganes (Mn) e zinco (Zn) em plantas de noni
tratadas com esterco bovino (E) e potassio (K).

Fonte de   GL   Quadrado Medio (QM)
variacao

                   N          P         K         Ca        Mg

Bloco      2    1,79 ns    0,37 ns   0,04 ns    0,50 ns   0,04 ns
K          1    3,37 ns    0,04 ns   2,04 ns    0,04 ns   0,37 ns
E          3    64,12 *    0,81 *    33,81 **   0,48 ns   0,59 ns
K x E      3    14,79 ns   0,59 ns   4,48 **    0,26 ns   0,15 ns
R          14    63,08      0,18       0,56       0,3      0,23

cv (%)            6,49      16,36      6,81      7,62      18,96

Fonte de                      Quadrado Medio (QM)
variacao

              S          B           Fe           Mn           Zn

Bloco      0,16 ns   34,04 ns    2725,0 ns     50490,1 *    30,5 ns
K          0,66 ns   48,16 ns     198,3 ns    278857,0 **   5,04 ns
E          2,83 **   2783,4 **   23027,9 **   307385,5 **   477,3 **
K x E      0,22 ns   1124,9 **   13501,4 **   148185,2 **   354,0 **
R            0,4       52,13       742,6        11498,5       54,3

cv (%)      7,14       9,65         7,69         6,37         6,63

Em que: ns = nao significativo; * e ** respectivamente
significativos para p [less than or equal to] 0,05 e p [less than
or equal to] 0,01. GL = grau de liberdade; E = esterco bovino; R
= residuo.

TABLE 4: Calcium and magnesium contents in leaves of
noni plants under fertilization with cattle
manure in soil without and with potassium.

TABELA 4: Teores de calcio e magnesio em folhas de noni
sob adubacao com de esterco bovino em solo
sem e com potassio.

Esterco                Calcio (g [kg.sup.Magnesio (g [kg.sup.-1])
(kg [planta.sup.-1])

                       Sem K    Com K    Sem K    Com K

0,0                    8,0 Aa   8,0 Aa   3,0 Aa   3,0 Aa
1,7                    7,3 Aa   7,3 Aa   2,7 Aa   2,0 Aa
6,6                    8,0 Aa   7,3 Aa   2,3 Aa   2,3 Aa
11,6                   7,3 Aa   7,7 Aa   2,7 Aa   2,3 Aa
dms Linha                   0,97              0,84
dms Coluna                  1,32              1,14
Media geral                 7,62              2,54
CV (%)                      7,30             18,96

Medias seguidas pela mesma letra minuscula nas colunas e maiuscula
na linha nao diferem estatisticamente entre si pelo teste Tukey a
5% de probabilidade
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Silva, Joao Jose Mendes; Cavalcante, Lourival Ferreira; Nascimento, Jose Adeilson Medeiros; Diniz, B
Publication:Ciencia Florestal
Date:Oct 1, 2014
Words:5429
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