Printer Friendly

CYBERLEARNING IN BASIC EDUCATION: POSSIBLE REALITY?/ CIBERLEITURA NA EDUCACAO BASICA: REALIDADE POSSIVEL?/ CIBERLECTURA EN LA EDUCACION BASICA: ?REALIDAD POSIBLE?

LEITURA NA CIBERCULTURA: DEMANDAS DO DIGITAL EM REDE

O processo de aquisicao da leitura e da escrita foi e ainda e um grande dilema da educacao basica e de professores que atuam no inicio da escolarizacao com o processo de alfabetizacao. Alfabetizar, letrar, alfabetizar letrando sao alguns conceitos carregados de sentidos politicos e pedagogicos presentes nas politicas de alfabetizacao, nos livros didaticos e nas praticas cotidianas dos professores na sala de aula.

Com as mudancas culturais, sociais e tecnologicas os dilemas da docencia tambem mudam, diante de uma cenario plural de informacoes e letramentos que se fazem cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, as praticas de leitura ganham outras demandas, mas alguns dilemas permanecem como uma especie de Deja vu, como e o caso da ausencia de interesse das criancas pelas praticas de leitura disponibilizadas na escola, como consequencia, poucas desenvolvem habilidades de escrita e compreensao textual.

Essa realidade e reflexo de uma sociedade com poucos habitos de leitura, como mostra o resultado da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que revela que 44% da populacao brasileira nao le e 30% nunca comprou um livro. O brasileiro le apenas 4,96 livros por ano, desses, 0,94% sao indicados pela escola e 2,88% lidos por vontade propria. Para a pesquisa, e leitor quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos ultimos 3 meses. Dados esses que nos fazem refletir sobre a importancia da leitura na formacao dos sujeitos.

A leitura e para nos inspiracao de pesquisa e estudo em tempo de cibercultura. As tecnologias digitais nos colocam diante da era da comunicacao multimodal, na qual o leitor utiliza uma diversidade de linguagens para muito alem das letras. A competencia linguistica da codificacao e decodificacao, interpretacao e compreensao da escrita, importante recurso semiotico, e apenas uma das habilidades necessarias para a complexa comunicacao no mundo digital. Nesse sentido, este trabalho traz como problematizacoes principal e secundarias, respectivamente: como pensarfazer (3) praticas de leitura que potencializem a interacao e o gosto pela leitura na cibercultura? No contexto da cultura digital em rede como as criancas lidam com a leitura? Quais praticas de leitura sao desenvolvidas e estimuladas na escola? Como mobilizar dispositivos de leitura podem potencializar os multiletramentos dos alunos?

A leitura enquanto capacidade humana de decodificar a escrita, de compreende-la e de ressignifica-la, vem mudando com o decorrer da historia. Com a emergencia da cibercultura, envoltos por novas praticas, tecnicas, linguagens e letramentos, a leitura se expande e se reconfigura em novos formatos. Ao se descolar das paginas dos livros impressos para as telas eletronicas, propoe uma nova demanda para a leitura na sociedade, que se inicia com a emergencia do videotexto (4), que marca a passagem da escrita do papel para a tela eletronica (SANTAELLA, 2013).

Esse novo contexto da leitura inquieta a sociedade e revoluciona a forma tecnica de producao dos textos, o suporte do escrito e as praticas de leitura (CHARTIER, 2002). Diante da era da mobilidade ubiqua (5), circulamos com a pluralidade de linguagens e midias nos espacos urbanos e nas infovias das redes, em um tempo em que o acesso a informacao esta a distancia de um clique, em formatos de textos que adquirem uma nova dinamica interativa adequados a praticidade e mobilidade da internet. Nesse cenario, as criancas da chamada geracao Z (6), apresentam uma enorme facilidade de interacao com as interfaces digitais, bastam apenas ter acesso aos recursos sociotecnicos.

As novas formas de comunicacao e interacao com a informacao e com o entretenimento e perceptivel nas atividades cotidianas das criancas, que mesmo nao tendo o dominio dos codigos linguisticos alfabeticos, lancam mao de habilidades de oralidade para o envio de mensagens e producao de videos via seus dispositivos moveis ou de seus pais ou responsaveis, e ainda, dominam os games com muita desenvoltura. Assim, e possivel encontrar criancas no 5 ano do Ensino Fundamental, como e o caso de alguns alunos da escola locus da pesquisa em discussao, que nao mobilizam conhecimentos para a escrita de um texto no papel, mas que passam longas mensagens em audio e produzem videos com conteudo diversos do seu interesse. Na figura 1, uma expressao dessa habilidade:

Essa realidade reflete um cenario multimodal, em que as criancas navegam pelos espacos nao lineares da internet e produzem novas formas de comunicacao e interacao, desenvolvem novas habilidades de leitura que transcende as paginas dos livros. As multiplas linguagens se entrelacam, criando novas formas de letramentos que ampliam e diversificam as possibilidades formativas. Essa realidade demanda habilidades outras dos sujeitos para significar o uso cotidiano das redes digitais, desenvolver habilidades de producao de conhecimento plural dentro e fora do ciberespaco (7), e um olhar critico e reflexivo sob os letramentos disponiveis nas redes digitais sao fundamentais para a formacao cidada.

Essas premissas e afirmacoes apresentadas nos levam a pensarmos sobre o papel da escola na formacao do leitor no contexto da cibercultura. A formacao inicial e continuada ou em servico precisa considerar a importancia de ampliar, para alem dos usos cotidianos que os professores fazem das tecnologias digitais, outras formas de letramento digital, para que possam inserir em seus planejamentos e em suas praticas recursos multimodais, aplicativos que instiguem a criatividade e motivem os alunos no desenvolvimento de habilidades textuais. Essa necessidade e sentida pelos professores da educacao basica, como podemos perceber em suas narrativas

Agora assim, eu nao trabalho aqui diretamente com os alunos, eu sou temporaria, mas o assunto abordado ele e muito bom, porque nos temos essa dificuldade, por exemplo: eu trabalho em duas escolas, e as vezes eu preciso de uma musica, ai eu pesquiso a musica na minha casa, ligo para minha colega, e peco para ela baixar a musica para mim, porque eu ainda nao sei fazer, entao quando voces comecaram a falar, realmente e uma realidade, que eu acho que em todas as escolas deveria dar o primeiro passo. Por que e necessario para que um dia os nossos alunos nao estejam assim: "ah to precisando de algo, vou ligar para fulano e fulano vai fazer isso para mim, porque eu nao sei fazer", quer dizer nos somos bastante analfabetos nessa area. Eu sou da fase pre-silabica, entao assim e realidade hoje, e quem nao acompanha fica para tras. (PROFESSORA 2, 2017)

Desse modo, os professores sentem as demandas que surgem diante desse cenario e compreendem que em uma sociedade mediada pelas informacoes, em que os sujeitos vivem a era da cibercultura e dos multiletramentos, nao ha como a escola, enquanto espaco de producao de conhecimento e interacao social, ficar alheia ao que se passa nesse cenario. Portanto, diante das demandas sentidas/vividas/percebidas com a emergencia da cibercultura, pretendemos ir ao encontro dos sujeitos praticantes dessa cultura, que dialogam e vivem essas mudancas, e estao como desejantespraticantes de saberesfazeres que potencializem suas aprendizagens situadas em uma formacao para/na vida.

Professores e alunos desejantespraticantes de saberesfazeres na cibercultura

Apresentamos nessa tessitura uma pesquisa com uma proposta outra de fazer ciencia, pautada no proprio estudo critico do conhecimento cientifico que se baseia em uma forma de fazer ciencia com um "rigor outro" (MACEDO; GALEFFI; PIMENTEL, 2009). Um rigor que se afasta da verdade-mundo ja consolidada e definitiva, do "rigor" que se faz no distanciamento entre sujeito e "objeto" de pesquisa e de uma concepcao de ciencia que e colocada como inflexivel negando as particularidades do sujeito e os considerando como imutaveis e previsiveis. Nesse sentido, a pesquisa com um rigor outro desengessa o pesquisador de uma possivel linearidade e o conduz a caminhos outros de producao de conhecimento, que se fazem junto com os sujeitos na relacao cotidiana.

O rigor proposto nessa tessitura textual e de pesquisa nao se define em uma unica forma de fazer ciencia e nem pretende definir os caminhos para o encontro com a verdade, pelo contrario, propoe que criemos caminhos diferentes de produzir conhecimentos, na relacao mutua de aprendizagem entre os sujeitos da pesquisa. Dessa forma, os percursos metodologicos aqui apresentados nao foram definidos a priori, como uma receita a ser seguida, mas se produz em ato, no contexto da pesquisa, com direito a mudanca de itinerario, pois e fazendosentindo a pesquisa que se produz sentido. Diante dessa perspectiva, apresentamos na figura 2 o infografico com a metodologia tecida no dentro/fora da escola, junto com os sujeitos "praticantes culturais" (CERTEAU, 2011).

O Infografico da Figura 2 nos situa na metodologia da pesquisa-formacao multirreferencial na cibercultura (SANTOS, 2014), em que pesquisador e sujeitos de pesquisa estao imbricados no processo de construcao de conhecimentos. As nocoes de que o pesquisador e o produtor do conhecimento cientifico e o sujeito apenas o fornecedor de dados para a realizacao da pesquisa vem sendo desconstruida dentro dessa perspectiva cientifica.

Nesse estudo a producao do conhecimento se faz no proprio fazer reflexivo, por isso nos colocamos como sujeitos da pesquisa, implicados com a formacao, na qual propomos lancar mao de dispositivos (Blog, quadrinhos, disparadores de conversa (8)) que possibilitem a formacao do outro, sujeito da pesquisa, ao mesmo tempo em que nos percebemos em formacao. Nesse cenario encontramo-nos no papel de formador e de formando, simultaneamente todos sao sujeito-atoresautores (9).

Esse processo de formacao e sentido na relacao tecida junto a Escola Estadual Antonio Gomes (10), escolhida como campo de estudo pelos relatos e anseios que a escola demostra em querer entrelacar saberes com a universidade em uma relacao mutua de conhecimentos que potencializem a formacao. Demandas esses que se confirmam e se fortalecem nas narrativas construidas em nossos encontros com a escola e nos questionarios online respondidos pelos professores, como destacamos nas falas das professoras 1 e 2.

Creio que o elemento que potencializa a docencia, indubitavelmente, e a formacao continua via Universidade. Sabemos que internet e um veiculo de extrema relevancia para o atual contexto escolar/social, portanto, temos que agregar os fatores positivos que essa ferramenta oferece ao universo escolar, uma vez que ela possui um poder de atratividade e envolvimento impactantes, qualificando cada vez mais o fazer pedagogico. (PROFESSORA 1, 2017)

Considerando a importancia da formacao continuada, acredito que se houver um olhar "amoroso" em relacao ao espaco escolar no sentido de qualificar a pratica pedagogica por meio da formacao continuada, a escola e a sociedade ganharao muito com isso, entretanto, teremos que construir uma ponte entre a escola publica e a Universidade no intuito consolidar a formacao continuada como sendo o elemento facilitador/qualificador da pratica pedagogica. (PROFESSORA 2, 2017)

As narrativas nos mostram que a escola, como principal instituicao responsavel pelo letramento formal, esta ciente das mudancas que a cibercultura vem provocando em seu cotidiano. A multiplicidade de redes, aplicativos, softwares disponiveis em textos multimodais demandam novas formas de ensinaraprender, e a escola necessita aliar novas estrategias que atendam as necessidades formativas de uma sociedade mediada pelas tecnologias digitais. Desse modo, a escola nos da espaco para abrir reflexoes sobre esse cenario, em um dialogo com as professoras sobre as demandas que surgem nesse contexto e na mobilizacao de dispositivos com os alunos buscando perceber como podem potencializar os multiletramentos.

Para isso, nos colocamos dentro da escola, propondo um mergulho com todos os sentidos, como sugere Alves (2001), para que, com autonomia de quem conhece a realidade, possamos criar conhecimento junto com os sujeitos-atores-autores da pesquisa. Desse modo, iniciando esse processo de interacao e envolvimento com a escola realizamos uma apresentacao da nossa proposta de pesquisa. Essa apresentacao se deu em parceria com a pesquisa do PIBIC e a pesquisa para Trabalho de Conclusao de Curso (TCC) (11), que compartilhavam do interesse de estar na escola produzindo saberes na relacao escola-universidade, mediados pelo cenario da cibercultura. Nesse processo intencionamos ouvir os sujeitos e suas percepcoes em relacao as pesquisas. Na figura 3 apresentamos os temas das pesquisas apresentados a escola.

Buscamos ampliar nossas redes de conhecimento no dialogo com as professoras e equipe pedagogica da escola, em um momento de formacao, compartilhando inquietacoes, dilemas e experiencias da docencia no contexto da cibercultura. Para isso, realizamos um questionario online em um formato que permitisse aos professores a narrativa de suas subjetiv'dades diante as demandas da docencia no contexto da cibercultura, no qual poderiam ampliar as ideias e concepcoes discutidas/narradas no encontro presencial.

O questionario envolveu desde questoes mais amplas sobre os usos cotidianos que faziam das tecnologias digitais, as praticas e necessidades da docencia na cibercultura e o cenario da leitura que perpassa a Escola Estadual Antonio Gomes. Na Figura 4, a demonstracao das secoes que o questionario foi organizado.

As narrativas produzidas junto com os professores ampliaram nossas percepcoes sobre as demandas escolares no contexto da cibercultura e nos conduziram a possibilidades e estrategias de producao de conhecimento junto com os alunos. Nesse processo, dialogamos sobre as escolhas das turmas e nosso projeto foi direcionado a turma do 5 ano, por serem alunos que deveriam ter uma imersao maior nas praticas de leitura e uma possivel interacao com as tecnologias digitais.

No entanto, para saber como os alunos lidam com a leitura nesse cenario cibercultural, realizamos um momento de interacao para conhece-los e perceber as relacoes cotidianas que fazem das leituras e quais redes digitais estao presentes na vida desses sujeitos. Para isso usamos videos como disparadores de conversa, em que os alunos assistiam e em seguida iamos mobilizando perguntas que os instigassem a falar sobre as suas percepcoes, sentidos e atividades cotidianas relacionadas aos aspectos apresentados no video. Na figura 5, apresentamos esse momento.

Apresentamos dois videos, um intitulado "a menina que odiava livros (12)", o qual usamos para dialogar sobre as praticas de leitura no cotidiano dos alunos, e outro intitulado "a evolucao da tecnologia (13)", que usamos como disparador de dialogo sobre as tecnologias digitais e seus usos cotidianos na vida desses sujeitos. Os alunos tiveram uma boa participacao nesse momento, interagiram e contribuiram com as reflexoes, relataram sobre suas relacoes com as leituras e as redes digitais que interagem cotidianamente. Ainda em uma perspectiva diagnostica interativaformativa, criamos um questionario online para que os alunos especificassem alguns aspectos que consideramos fundamentais para o prosseguimento da pesquisa, como o acesso a internet, as redes sociais que estao inseridos, as leituras que mais gostam de fazer, os tipos de livros que leem etc. O questionario foi criado no site survio.com, que permite que os participantes interajam e respondam as questoes sem a obrigacao de um cadastro no site. Na figura 6 mostramos a pagina inicial do questionario.

Por meio desses momentos de interacao com os alunos foi perceptivel que a maior parte deles estao conectados aos ciberespacos. De 22 alunos apenas 4 dizem nao ter internet em casa, mas relatam que acessam a internet em lanhouses e/ou locadoras. Os alunos apresentam nas respostas que estao conectados as redes digitais, eles navegam nas redes sociais, jogos online e videos no youtube, sendo as redes mais citados no dialogo e respostas no questionario. Como apresentamos na figura 7.

Mediante as respostas sentimos que os alunos que estao nas escolas hoje vivem a cultura do digital em rede, conectados aos ciberespacos interagem pelo universo plural de informacoes construindo saberes que se diferem das geracoes que os antecederam. Quando perguntamos se eles gostam de acessar internet a resposta e imediata "claro! Quem nao gosta ne?". Para eles estar nas redes e como se fosse uma condicao de vida, "como seria possivel alguem viver sem internet?". Estamos lidando com uma geracao outra, que manipula varias informacoes ao mesmo tempo, que nao interagem, vivem e percebem o mundo da mesma forma que seus antepassados.

Para Serres (2013) essa e a geracao Polegarzinha, que apenas com o uso dos polegares navega pelos espacos nao lineares da internet, habitam o virtual. Nao tem mais as mesmas expectativas de vida, leem e escrevem de outras formas, em outras redes que despertam outras habilidades e outras maneiras de viver. Esses sujeitos veem na internet possibilidades de interacao, producao de conhecimento e expectativas de empregos, como podemos ver no relato do aluno 1, "meu sonho e ser youtuber como Whindersson Nunes e Felipe Neto (14), ficar rico fazendo video, trabalhando em casa, e bom demais". Para esses sujeitos a internet e espacotempo de vida.

Precisamos refletir sobre essas demandas e a maneira com a qual lidamos com esse cenario, tecendo um posicionamento critico sobre como a tecnologia reflete em nossas vidas e como nos, enquanto praticantes culturais, lidamos com ela. Trata-se de uma realidade de multiculturas, multilinguagens, multiletramentos que se entrelacam e necessitam ser discutidos.

Nesse sentido, temos que pensar sobre as potencias dessa cultura para a aprendizagem entre os jovens, pois, nao podemos ignorar a grafia das palavras redigidas pelos alunos no questionario apresentado na Figura 7. Como melhorar a competencia linguistica dos alunos? Na linguagem cibercultural nao devemos priorizar a norma culta na elaboracao textual? Como usar esse universo motivador das tecnologias digitais em prol de competencias de leitura e escrita?

Nesse veio, nos colocamos dentro no campo de producao de conhecimento, junto aos sujeitos-atores-autores da pesquisa, em relacoes tecidas com professores e alunos desejantespraticantes da/na cibercultura, em uma perspectiva diagnostica para que pensassemos em como a pesquisa seria desenvolvida, pois inspiradas na concepcao da bricolagem em Kincheloe e Berry (2007), adotamos uma postura ativa, que rejeita os roteiros prontos e preestabelecidos, e criamos os nossos proprios processos de investigacao de acordo com as demandas e realidades vividas.

1. Dispositivo de leitura: o aplicativo pixton

A aprendizagem, enquanto devir, se da por meio dos sentidos que atribuimos aos saberesfazeres, sempre referenciados nas nossas praticas e vivencias cotidianas (MACEDO, 2010). Nos colocando como negociadores metodologicos que respeitam as demandas a serem cumpridas e a realidade dos sujeitos e do espaco de pesquisa (KINCHELOE, 2007). Dessa forma, apresentamos um projeto com atividades didaticas a serem realizadas na escola, com o objetivo de mobilizar dispositivos de leitura que potencializassem os multiletramentos dos alunos, envolvendo a cultura dos sujeitos, as redes que estao inseridos, trazendo as demandas sentidaspercebidas no dialogo com a escola e com os alunos.

Nesse projeto, trazemos o blog como interface de producao de conhecimento em rede, espacotempo de leitura e escrita nas telas eletronicas, ampliando a interacao dos sujeitos sob os multiplos letramentos disponiveis no ciberespaco. Atraves desse dispositivo pudemos ampliar o envolvimento e o desejo atribuido ao que estavamos vivendo. Ao propormos que os alunos construissem o blog em parceira conosco, possibilitamos que eles se percebessem implicados na propria pesquisa. Para isso, realizamos um momento de interacao para que todos conhecessem a estrutura e a criacao de um blog para que assim pudessemos vivenciar essa experiencia. Na figura 8 apresentamos o blog criado junto com os alunos.

Os alunos se mostravam atentos e envolvidos nesse momento, no qual apresentamos as sugestoes de titulos e imagens, criadas previamente junto a professora da sala campo de pesquisa, para que, posteriormente, eles escolhessem quais seriam utilizados como nome e imagem de capa do blog. Em seguida fomos criando junto com eles o blog, projetamos o site e fomos construindo e preenchendo os dados necessarios para a criacao da interface, cada aluno ia colaborando com uma parte ate que concluissemos a criacao.

Buscamos envolver os alunos nesse processo pois compreendemos que quando nos sentimos como parte do processo de formacao, nos vendo como co-produtores de sentidos, nos encontramos com a autorizacao (ARDOINO 1998), um processo de nos tornarmos ator-autores de nos mesmos, sujeitos pensantes e produtores de conhecimento. A aprendizagem enquanto processo relacional do sujeito com o mundo, com o outro e consigo mesmo, e estimulada pelo desejo e envolvimento de quem aprende com o meio que esta inserido, portanto, a autorizacao se firma nessa rede como acao de um sujeito transformando-se ao transformar o mundo (ARDOINO, 1998).

Em um cenario multimodal os alunos precisam desenvolver capacidades de se tornarem seus proprios co-autores, se vendo de dentro do processo de formacao. Por isso, na mobilizacao dos dispositivos, buscamos envolver as redes que os alunos estao inseridos e os dispositivos que fazem parte de seu cotidiano. Assim, trazemos os contos e quadrinhos como generos textuais centrais a serem trabalhados nesse processo, visto que estao entre os mais citados na lista de leituras dos alunos. Para organizacao dos dispositivos mobilizados apresentamos uma sequencia didatica a ser realizada com os alunos do 5 ano na escola, como apresentamos no quadro 1.
Quadro 1 Sequencia didatica

Tema: "Quem reconta um conto aumenta um ponto"

Objetivos:

* Aperfeicoar as praticas de leitura

* Recriar conto a partir da contacao de historia

* Conhecer aplicativos de criacao de quadrinhos online

* Criar quadrinhos a partir de reconto

* Compartilhar no blog as producoes

* Interagir com multiletramentos

Momento 1--Hora da historia

Na sala de aula realizamos um momento de contacao de historia para
os alunos por meio da leitura do livro "Brinca, menino" da autora
Leticia Wierzchowsk.

Roda de conversa sobre as compreensoes e reflexoes sobre o conto e
suas relacoes com cotidiano.

Momento 2: Recontando o canto

Se voce fosse o autor desse texto, o que mudaria? Reescreva o conto
contanto como seria sua versao da historia.

Momento 3--Transformando o reconto em quadrinhos

* Apresentacao de powerpoint com introducao do que e quadrinhos.
Dialogando com os alunos sobre a atividade a ser realizada, na qual
eles irao pegar o reconto que criaram e o transformarao em
quadrinhos, no computador, por meio do aplicativo pixton.

* Apresentacao do aplicativo de criacao de quadrinhos online
(PIXTON). Com um passo a passo de como acessar o site, se conectar
a ele e criar os quadrinhos.

Momento 4--Entrando em acao

Tendo conhecido o aplicativo e suas funcoes basicas, os alunos
criarao seus quadrinhos, usando sua imaginacao criarao os
personagens, o cenario e o enredo da historia.

Momento 5--Compartilhando saberes

Os alunos compartilharao as suas producoes no blog.

Fonte: Produzida pelas autoras


Na realizacao dessas atividades buscamos perceber como os alunos lidam com a leitura em seu cotidiano, seja ela nos livros e/ou nas telas eletronicas, por meio do uso de dispositivos que envolvam e potencializem os multiletramentos. Ressaltamos que trabalhar com os multiletramentos nao necessariamente vai envolver as tecnologias digitais, como coloca Rojo (2012), mas nesse caso envolvera, visto que propomos uma metodologia que se tece a partir das redes que os sujeitos estao imersos e eles vivem a cibercultura, um cenario plural de letramentos e informacoes. Por isso mobilizamos dispositivos que envolvam os multiletramentos desses alunos, por meio da leitura e escrita de textos no papel e nas telas eletronicas.

Realizamos uma contacao de historia por meio da leitura do livro "Brinca, menino" de Leticia Wierzchowsk, acreditando que a leitura enquanto pratica fundamental na formacao do sujeito, precisa ser estimulada, e a escola enquanto espaco formativo tem essa responsabilidade. A leitura realizada foi ao encontro da realidade dos sujeitos, para que estabelecessem sentido e relacoes com suas vivencias cotidianas. Desse modo, nessa atividade, buscamos um texto que nos possibilitasse refletir sobre o cenario da cibercultura e aspectos cotidianos vividos/percebidos pelos alunos. Na figura 9 nosso momento de contacao de historia.

Em uma roda de conversa sobre as percepcoes acerca da leitura, refletimos sobre as inquietacoes levantadas e propomos que os alunos recontassem o conto modificando o que eles, caso fossem os autores do texto, contariam diferente. Nesse momento, pudemos interagir mais com os alunos, observando as formas de escrita de cada um, as dificuldades e facilidades com o reconto.

Nessa producao observamos que estamos lidando com um publico com diferentes habilidades em relacoes a leitura e escrita. No processo de alfabetizacao, no sentido de decodificacao alfabetica e habilidades de compreensao e interpretacao textual, ha maior dificuldade. Observamos a dificuldade de organizacao das ideias, da escrita das palavras e da producao textual. Ja outros alunos tinham facilidade e coerencia na escrita do texto, vemos isso na figura 10, nas producoes de dois alunos.

Ver essas producoes nos faz refletir sobre como a leitura e sentida/vivida/praticada por esses alunos? Como os alunos, mesmo com dificuldades de leitura, conseguem navegar e interagir no/com os ciberespacos? Esses sao dilemas que vao nos inquietando e nos envolvendo com a pesquisa. Em busca de perceber como se da a relacao desses sujeitos com as tecnologias digitais, propomos que eles transformassem esses recontos em historias em quadrinhos atraves do site pixton.com. Em meio a essa producao buscamos refletir acerca desses dilemas que nos inquietam.

A producao dos quadrinhos, no site pixton, realizada na sala de informatica, foi um momento fundamental para aprofundarmos as reflexoes sobre essas questoes, pois transitamos entre a producao escrita do papel para a tela do computador, em realidades completamente distintas, em que os alunos lidavam com dispositivos diferentes nas producoes textuais. Nessa atividade pudemos perceber como os alunos interagem com os computadores, se a escrita muda, quais estrategias os que tem dificuldade na leitura e escrita usam para estar nesses espacos. Na figura 11, apresentamos a pagina inicial do site Pixton.

Como esse site nao era conhecido pelos alunos, demos inicio a atividade com sua apresentacao, mostrando como acessar, criar e compartilhar os quadrinhos. Criamos um passo-a-passo que simultaneamente iamos mostrando como produzir e os alunos iam realizando no site. Apos conhecerem o Pixton e algumas de suas funcoes, dividimos os alunos em duplas e pedimos que escolhessem um dos recontos para criarem os quadrinhos. Os alunos interagiram bem com esse espaco. O fato de poderem criar o seu personagem, escolher suas caracteristicas, o cenario que se passava a historia os envolveu e motivou na producao. Nas figuras 12 e 13 trazemos algumas das producoes dos alunos no aplicativo Pixton.

O processo de producao textual requer mobilizar varias competencias linguisticas, uma vez que, alem da grafia das palavras, a coesao, a coerencia, a sequencia logica do texto em relacao as imagens selecionadas e a forma de sistematizacao de um genero literario especifico, o quadrinho precisa estar em harmonia. Alem dessas mobilizacoes, a atividade sugeria um reconto com o texto anteriormente produzido.

Observando as atividades dos alunos percebemos que eles conseguiram produzir seus quadrinhos, criaram seus personagens e uma historia. No entanto, algumas das historias nao se aproximaram do reconto que produziram. A impressao que tivemos e que ao disporem de outras possibilidades graficas, ou seja, outras narrativas em imagens, os alunos se autorizaram a criar outras ideias cheia de sentidos para eles, como e o caso da Figura 13 em que a crianca lanca mao de uma realidade bem presente em nosso cotidiano, os pais implorando para que o filho "brinque", entendendo como brincadeira o estar com o outro, o correr livremente, o interagir com a natureza.

Percebemos que a dificuldade de escrita dos textos permanecia, mas no aplicativo os alunos iam observando que as palavras escritas erradas eram sublinhadas de vermelho e iam tentando concerta-las. O que diminuiu os erros e facilitou a leitura e compreensao da historia. Os dispositivos disponibilizados na internet facilitam a vida dos sujeitos que nao sabem ler, as buscas por comando de voz, a comunicacao por chamadas de audio e video, o uso de imagens e emojis nas mensagens vao dando possibilidades outras de leitura e escrita.

Outro aspecto que consideramos relevante na atividade realizada e a interacao com aplicativos que potencializam a aprendizagem de competencias linguisticas por meio da mediacao e da intencionalidade formativa. Em Ribeiro (2015), percebemos a contribuicao em criarmos curriculos que favoreca o letramento digital docente e discente em uma perspectiva em devir da formacao do autor cidadao na cibercultura, ou seja, para a autora a formacao do ciberautorcidadao "nos remete a cidadania que se constroi na relacao cidadeciberespaco, em espacotempos de aprendizagens plurais nos quais nos autorizamos como autores que pensam e fazem curriculos em seus cotidianos, enredados pelos/nos conteudos formais de ensino, relacoes sociais, manifestacoes culturais" [...] (p.152).

Destacamos na nocao do ciberautorcidadao, a importancia da escola e do professor na mediacao as escolhas, na busca pela formacao autoral situada na cultura cotidiana dos alunos e na criacao de dispositivos que ampliem os multiletramentos. Nesse cenario, a escola e locus privilegiado de inclusao social e de producao de uma sala de aula inforrica (15) (SILVA, 2003).

A producao textual por meio do aplicativo impulsionou os alunos a interacao com os multiletramentos, ampliando suas redes de informacao e conhecimento cotidianos e escolares. Em meio a esse processo e perceptivel que quando deixamos os alunos mais livres nos computadores para produzirem suas historias eles se entregaram mais, se envolveram mais, o que nos leva a inferirmos que eles estao se sentindo mais autores de seus trabalhos, produzindo-os e compartilhando nas redes.

Estamos falando de um novo tipo de leitor, o ciberleitor que ler nas telas e transcende a nocao de leitor de textos escritos para o leitor/produtor da imagem, audios, hipertexto, videos, memes e tantas outras praticas de multiletramentos das quais participa como praticante dessa cultura. Um leitor que amplia sua visoes nas telas para um universo mais amplo de textos, com outros letramentos, que cria videos, que navega pelos espacos nao lineares do ciberespacos e criam estrategias de interacao e comunicacao, em uma leitura que nao se fecha na decodificacao pura da palavra, mas que se estende a leitura e compreensao do mundo (FREIRE, 1989).

Desse modo, por entre essas vivencias chegamos ao entendimento de que a ciberleitura na educacao basica e uma realidade possivel, em que professores e alunos podem criar possibilidades formativas no dentro e fora das redes digitais, com rigor e implicacao aos objetivos que pretendem alcancar. O que cabe a nos compreender e que precisamos de novas propostas curriculares que envolvam essas demandas e que, desde a formacao inicial do professor, sejam discutidos e praticados curriculos em que as tecnologias digitais estejam presentes.

CONCLUINDO O TEXTO

Iniciamos nossa tessitura textual afirmando que e necessario compreender que para realizar uma pesquisa-formacao na cibercultura e preciso estarmos implicados, interagir com os sujeitos, nos envolvermos com/em suas redes de conhecimento produzidas na relacao cidadeciberespacos, criarmos estrategias de aproximacao para conhecermos e estarmos juntos aos sujeitos nesse processo de formacao. Com essa inspiracao epistemologica e metodologica caminhamos no estudo com o proposito de percebermos as possibilidades da formacao do ciberleitor na educacao basica. Como resultados, mesmo que provisorio, temos que:

Os professores que protagonizam o ensino na escola publica campo de pesquisa sao sujeitosdesejantes de saberesfazeres na cibercultura e consideram a formacao inicial e continuada como locus de uma formacao que possibilite a construcao de competencias para a criacao de dispositivos digitais que potencializem as aprendizagens na educacao basica;

Os alunos do 5 ano do ensino fundamental apresentam uma infinidade de competencias e habilidades de um mundo digital que se confronta com as competencias solicitadas pela/na escola, distanciando a formacao escolar da formacao na vida;

As atividades com uso das tecnologias digitais nao sao uma solucao linear para os problemas de aprendizagens de leitura e escrita na escola, mas quando mediadas e intencionais possibilitam uma motivacao e uma melhora gradativa das praticas de comunicacao e producao de textual pelos alunos da educacao basica.

Por fim, o estudo mostrou a importancia da pesquisa-formacao para o pensarfazer a pratica docente na educacao basica, uma vez que contribui com os multiletramentos das pesquisadoras, dos alunos e da professora da sala, campo de atuacao da pesquisa, envolvendo-os em outras possibilidades de atuacao didaticopedagogica nas praticas de leitura e escrita no contexto da cibercultura. Como todo estudo, muitos dilemas emergiram no processo mostrando a necessidade de aprofundamento do tema e da criacao de outros dispositivos que possibilitem outras e novas interpretacoes sobre a ciberleitura na educacao basica. Como nos diz Santaella (2013) se ha um espaco que nao pode ficar de fora desse novo cenario, esse espaco e a educacao, cabe a nos a tessitura desse caminho.

REFERENCIAS

ALVES, Nilda. Decifrando o pergaminho--o cotidiano das escolas nas logicas das redes cotidianas. In: OLIVEIRA, Ines Barbosa de; ALVES, Nilda. (Org.). Pesquisa no/do cotidiano das escolas: sobre redes de saberes. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

ARDOINO, Jacques. Abordagem multirreferencial (plural) das situacoes educativas e formativas. In: BARBOSA, J. (Org.). Multirreferencialidade nas ciencias e na educacao. Sao Carlos: EdUFSCar, 1998. p. 24-41.

CERTEAU, M. de. A invencao do cotidiano: artes de fazer. Petropolis: Editora Vozes, 2011.

CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita. Sao Paulo: Unesp, 2002. Traducao Fulvia M. L. Morreto.

FREIRE, Paulo. A importancia do ato de ler: em tres artigos que se completam. 23. ed. Sao Paulo: Cortez, 1989.

KINCHELOE, Joe L.; BERRY, Kathleen S. Pesquisa em educacao: conceituando a bricolagem. Porto Alegre: Artmed, 2007. Traducao Roberto Gataldo Costa.

MACEDO, Roberto Sidnei; GALEFFI, Dante; PIMENTEL, Alamo. Um rigor outro sobre a questao da qualidade na pesquisa qualitativa educacao e ciencias antropossociais: educacao e ciencias antropossociais. Salvador: UFBA., 2009. Disponivel em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ufba/206/1/Um%20rigor%20outro.pdf>. Acesso em: 30 jul. 2018.

MACEDO, Roberto Sidnei. Compreender/mediar a formacao: o fundamento da educacao. Brasilia: Liber Livro, 2010.

ROJO, Roxane Helena Multiletramentos na escola. Roxane Rojo, Eduardo Moura [orgs.]. Sao Paulo: Parabola editorial, 2012.

RIBEIRO, Mayra Rodrigues Fernandes. A sala de aula no contexto da cibercultura: formacao docente e discente em atos de curriculo. 2015. 207 f. Tese (Doutorado)--Faculdade de Educacao, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2015. Disponivel em: <http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=9882>. Acesso em: 8 fev. 2018.

SANTAELLA, Lucia. O que e semiotica? Sao Paulo: Brasiliense, 2005. 131 p.

--, Lucia. Comunicacao ubiqua: repercussoes na cultura e na educacao. Sao Paulo: Paulus, 2013. Colecao comunicacao.

SANTOS, Edmea. Pesquisa-Formacao na Cibercultura. Santo Tirso. Printhaus, 2014.

SERRES, Michel. Polegarzinha: Uma nova forma de viver em harmonia, de pensar as instituicoes, de ser e de saber. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

SILVA, Marco. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2003.

SOARES, Magda. Novas praticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. Educ. Soc. [online]. 2002, vol.23, n.81, p.143-160. Disponivel em: < http://www.scielo.br/pdf/es/v23n81/13935.pdf> Acesso em:29 de agosto 2018.

DOI: 10.12957/periferia.2019.39384

Bruna Rafaela Evangelista de Oliveira (1)

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte--UERN

Mayra Rodrigues Fernandes Ribeiro (2)

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

(1) Aluna regular e Bolsista de Demanda Social CAPES do Mestrado em Educacao do Programa de Posgraduacao em Educacao--POSEDUC, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte--UERN. Mossoro, Rio Grande do Norte/Brasil. brunaevangelista03@gmail.com

(2) Doutora em Educacao pela Universidade do Rio de Janeiro. Professora da Faculdade de Educacao FE, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mossoro, Rio Grande do Norte/Brasil. mayra.rfr@gmail.com

(3) A juncao da palavra ganha inspiracao nos estudos de Alves (2003) que considera importante para marcar os sentidos que buscam superar a dicotomizacao herdada na racionalidade da ciencia moderna. Esse e outros neologismos apresentados no texto expressam a busca pela ruptura com os principios de uma dicotomia "naturalizada" nas formas de ver e expressar o conhecimento e marcam a forca politica das palavras quando engendradas de sentidos.

(4) O videotexto e um sistema de distribuicao bidirecional de informacao para um mercado de massa, dentro do qual usuarios podem solicitar informacao a uma tela de televisao de um banco de dados dos em computador atraves de um teclado. E uma das primeiras redes que permite que as pessoas recebam e interajam com a informacao, disponibilizada na tela de TV (PLAZA, 1986). (Disponivel em: <http://www.mac.usp.br/mac/expos/2013/julio_plaza/pdfs/descricao_do_videotexto.pdf>. Acesso em: 22 ago. 2018.)

(5) Estamos na era da conexao, da mobilidade ubiqua, a comunicacao em deslocamento, que se caracteriza pela conexao constante em toda a parte na relacao cidade-ciberespaco (SANTOS, 2014)

(6) Geracao que nasceu na era das tecnologias digitais, muito familiarizadas com a internet.

(7) O que caracterizam os ciberespacos sao espacos mediados pelas tecnologias digitais, que abrangem o que na interconexao mundial de computadores representa as inumeras informacoes disponiveis nas redes (LEVY, 1999).

(8) O uso do termo disparador de conversa e inspirado em Certeau (2012). Usamos disparadores de conversa na intencao de produzir narrativas entre nos e os alunos do 5 ano, possibilitando encontrar pistas dos praticantes na relacao cotidiana com as tecnologias digitais.

(9) Inspirados na abordagem multirreferencial (ARDOINO, 1998), usamos a nocao de agente-ator-autor. O agente e o que executa as tarefas, o ator, reconhecido como co-produtor de sentidos executa, ao mesmo tempo em que acrescenta suas subjetividades e o autor e aquele que ressignifica, cria, funda e e genitor dos sentidos. Diante dessas nocoes chegamos a nocao de sujeito-ator-autor, sujeito praticante cultural envolvido na pesquisa, atores como co-produtores de sentidos e autor na ideia de que os sujeitos sao produtores de conhecimento, por/entre as suas redes de saberes.

(10) A Escola Estadual Antonio Gomes Localizada no Municipio de Mossoro, a instituicao comporta alunos do 1 ao 5 ano do ensino fundamental das series iniciais, Educacao de jovens e adultos e vagas para Educacao Especial, atendendo em media 212 alunos.

(11) A pesquisa PIBIC tinha como tema "Multiletramentos na educacao basica: diagnostico e perspectivas", apresentando como objetivo "perceber a relacao de atribuicao de sentidos por alunos aos novos espacos de aprendizagem". O TCC trazia como tema "As praticas docentes e o uso das midias no contexto da cultura digital", apresentando como objetivo "Identificar as praticas de interacao com o meio digital dos professores e perceber as demandas formativas sentidas pelos docentes no desenvolvimento de suas praticas pedagogicas, no contexto da cultura digital".

(12) https: //www.youtube.com/watch?v=geQl2cZxR7Q

(13) https: //www.youtube.com/watch?v=tcLLTsP3wlo

(14) Estao entre os youtubers mais famosos do Brasil, os seus perfis tem entre 13 a 20 milhoes de inscritos. Sao conhecidos por seus canais de comedias que atraem e envolvem o publico, os deixando no ranking dos maiores youtubers do brasil.

(15) Referimo-nos a ideia de uma sala de aula que o professor aproveita ao maximo o potencial das tecnologias digitais em funcao de aprendizagens plurais, em especial, no caso da pesquisa em discussao, das praticas de interacao com a leitura e a escrita em textos multimoldais.

Caption: Figura 1 canal no youtuber de aluno da escola Fonte: https://www.youtube.com/channel/UCc8H404_xzf-YB12YCB6MCw

Caption: Figura 2 Infografico metodologia Fonte: Criado pelas autoras

Caption: Figura 3 Temas de projetos de pesquisa a serem realizados na Escola Fonte: Power point produzido pelas autoras

Caption: Figura 4 Questionario online no Google Does Fonte: Formulario Online (Google Docs)

Caption: Figure 5--Interacao com alunos do 5 ano: dialogo por meio de disparadores de conversa Fonte: arquivo autoras

Caption: Figura 6 Questionario online com os alunos Fonte: https://www.survio.com/survey/d/A9Y7A2P1T2Q5S2H5Q

Caption: Figura 7 Respostas dos alunos questionario online Fonte: https://my.survio.com/C2Q101J8X5S1G2E9B4l5/data/index

Caption: Figura 8 Blog viajando pelo mundo da leitura Fonte: https://viajandoonomundodaleitura.wordpress.com/ Produzido com os alunos.

Caption: Figura 9 Momento de contacao de historia com os alunos Fonte: Arquivo autoras

Caption: Figura 10 Producao textual feita pelos alunos do 5 ano do Ensino Fundamental Fonte: arquivo autoras

Caption: Figura 11 Pagina inicial do site Pixton Fonte: https://www.pixton.com/br/

Caption: Figura 12 Quadrinhos produzidos por alunos no PIXTON Fonte: https://Pixton.com/hq:hvvm9uwo

Caption: Figura 13 Quadrinhos produzidos por alunos no PIXTON Fonte: https://www.pixton.com/br/comic/qrueivqi
COPYRIGHT 2019 Universidade do Estado do Rio de Janeiro- Uerj
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:de Oliveira, Bruna Rafaela Evangelista; Ribeiro, Mayra Rodrigues Fernandes
Publication:Periferia
Article Type:Report
Date:May 1, 2019
Words:6513
Previous Article:MEME E EDUCACAO: ENTREVISTA COM ADRIANA ROCHA BRUNO.
Next Article:A BRIEF DESCRIPTION ON THE CYBERCULTURE OF HUE BR/UMA BREVE DESCRICAO SOBRE A CIBERCULTURA DOS HUE BR/UNA BREVE DESCRIPCION SOBRE LA CIBERCULTURA DE...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters