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CORRELACAO ENTRE AS MEDIDAS ANTROPOMETRICAS E APTIDAO CARDIORRESPIRATORIA EM MILITARES DO SEXO MASCULINO/Correlation between anthropometric measures and cardiorrespiratory fitness in military men's male.

INTRODUCAO

No militarismo o sucesso no combate, a atitude tomada diante dos imprevistos e a seguranca da propria vida dependem, muitas vezes, das qualidades fisicas e morais adquiridas atraves do treinamento fisico regular convenientemente orientado (Brasil, 2002).

Os individuos aptos fisicamente possuem um aumento significativo da prontidao para o combate, sao mais resistentes as doencas e se recuperam rapidamente de lesoes (Collins e Gibbs, 2003).

Sendo assim, os militares, entre outros fatores, devem estar aptos fisicamente para realizarem suas atividades de treinamento cotidianas, para que venham a minimizar o surgimento de diversas doencas, principalmente as relacionadas ao sedentarismo e a obesidade trazem consigo nos dias atuais e para estarem em condicoes de intervir em combate se necessario (Brasil, 2009).

Por outro lado, ha prevalencia da obesidade no mundo ocidental vem apresentando um grande aumento nos ultimos anos, consequencia dos habitos alimentares ricos em carboidratos e lipidios e maior sedentarismo (Damiani, 2000).

Este quadro e preocupante, pois esta situacao pode causar complicacoes em varios sistemas do organismo humano, contribuindo para a carga de doencas cronicas de forma consideravel (WHO, 2003).

Uma das formas de avaliacao do risco a saude e atraves de medidas antropometrica como o IMC, que e usado para avaliar a massa corporal em relacao a altura e e calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pela altura em metros quadrados.

O indice de massa corporal e um dos indicadores antropometricos mais utilizados na identificacao de individuos em risco. Isso ocorre em virtude da sua facilidade de aplicacao e baixo custo.

Para grande parte das pessoas um IMC acima de 25 Kg/[m.sup.2] indicam problemas de saude relacionados com a obesidade.

Devido ao erro-padrao relativamente grande da estimativa de avaliacao do risco a saude outros metodos de avaliacao da composicao corporal devem ser utilizados para avaliar com mais eficiencia o risco a saude dos individuos (ACSM, 2010; Hayashi e colaboradores, 2004).

Avaliando o risco a saude ha tambem o Risco Cintura, onde se avalia a medida do perimetro da cintura, com o objetivo de medir a gordura no tronco (gordura abdominal), devido a sua associacao positiva com o aumento na morbidade e mortalidade causada por complicacoes metabolicas da obesidade.

No entanto, a maioria dos estudos examina a relacao entre IMC, perimetro da cintura, risco de doencas e mortalidade sem controlar a atividade fisica ou aptidao fisica.

Esta e uma importante limitacao, uma vez que a aptidao cardiorrespiratoria esta associada a reducoes nas taxas de mortalidade por doencas cardiovasculares e por diversas outras causas independentemente do IMC (Allison e colaboradores, 2002; Ross, Katzmarzyk, 2003).

A relacao cintura-quadril, medidas que identificam a obesidade central, para determinar a distribuicao da gordura corporal, uma vez que o acumulo de gordura na regiao abdominal aumenta o risco de doencas cardiovasculares e diabetes (Cabrera e Jacob Filho, 2001).

A relacao cintura/quadril (RCQ) e um indice simples obtido pela divisao do perimetro da cintura pelo perimetro do quadril em centimetros, e os padroes de risco variam com a idade e o sexo.

A RCQ esta associada a gordura visceral e um indice da gordura abdominal que e utilizado para classificar os individuos em categorias de risco para a saude em funcao do excesso de gordura central (Amer, Sanches, Moraes, 2001).

De fato, individuos com sobrepeso ou obesidade moderada, mas com alta aptidao cardiorrespiratoria, tem menor risco de morrer por todas as causas do que aqueles com baixa aptidao (Stevens e colaboradores, 2002).

Existem evidencias de que o treinamento fisico esta associado a reducoes no perimetro da cintura (Ross e colaboradores, 2000).

Os principais beneficios a saude advinda da pratica de atividade cardiorrespiratoria referem-se aos aspectos antropometricos, neuromusculares, metabolicos e psicologicos, melhora da sensibilidade a insulina e diminuicao da frequencia cardiaca em repouso e no trabalho submaximo (Assumpcao, Marais e Fontoura, 2002).

O teste de Cooper foi utilizado pela caracteristica especifica de determinar a funcao cardiorrespiratoria e estimar o [VO.sub.2] maximo a partir de uma analise nao invasiva, onde se aplica uma formula para essa estimativa e com o resultado e a idade do individuo e possivel saber qual a classificacao do condicionamento cardiorrespiratorio de individuo (Cooper, 1982).

Estudos anteriores sobre esse mesmo tema ja foram abordados por outros autores, como com militares da ativa do Exercito Brasileiro em que seus dados foram coletados durante o Teste Fisico que os militares sempre estao propicios durante a sua carreira. Os resultados serviram para analisar a como os militares do Exercito estao com sua saude (Oliveira e Anjos, 2008).

Desta forma, diante da importancia destas variaveis como indicadores de aptidao fisica e saude, se fez oportuno investigar a possivel correlacao entre estas medidas e a aptidao cardiorrespiratoria de militares.

O objetivo do presente estudo foi verificar se existem correlacoes entre as medidas antropometricas e a aptidao cardiorrespiratoria em militares do sexo masculino.

MATERIAIS E METODOS

Amostra

A pesquisa foi realizada no Batalhao de Infantaria da Aeronautica Especial dos Afonsos (BINFAE AF) e na Comissao de Desportos da Aeronautica (CDA). A amostra estudada foi composta por 46 Sargentos da Forca Aerea Brasileira do BINFAE-AF, individuos com 32,22 [+ or -]7,36 anos de idade, todos do sexo masculino.

Os Sargentos se dividem em tres graduacoes (do mais moderno para o mais antigo: 3 Sargento, 2 Sargento e 1 Sargento).

Foram incluidos somente aqueles que contam com mais de 3 anos de servico militar e foram excluidos todos os Individuos com qualquer tipo de dispensa medica, lesao, dor ou desconforto que pudessem interferir na coleta dos dados.

Procedimentos

O presente estudo foi realizado como o determinado pelo Conselho nacional de Saude, Resolucao 466 de 2012 sobre pesquisa com seres humanos, quanto a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), sabendo que todos permaneceram em anonimato.

O presente estudo faz parte da linha de pesquisa de lombalgia, atividade fisica e saude do grupo de pesquisa BIODESA (Biodinamica do desempenho, exercicio e saude) submetida ao Comite de Etica em Pesquisa da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e aprovada com o parecer 724.611.

A coleta dos dados ocorreu da seguinte forma: A afericao das medidas antropometricas e o teste de Cooper foram realizados durante o TACF de 2017, que ocorre duas vezes ao ano com o objetivo de avaliar o militar.

Desta forma, o estudo nao apresentou riscos adicionais aos participantes ja faz parte da rotina dos mesmos (Brasil, 2003; Oliveira, 2005).

A massa corporal foi aferida em balanca digital (Welmy, capacidade maxima de 150 kg e divisao de 100 g), com o militar descalco no centro da balanca e utilizando o uniforme especifico para a pratica de Educacao Fisica.

A estatura foi aferida com fita metrica aderida a uma parede sem rodape, com extensao de 2,00 m, dividida em centimetro e subdividida em milimetros, com o individuo completamente ereto e com a cabeca em um plano horizontal paralelo ao solo (Pitanga, 2004; O'Brien e colaboradores, 2001).

O indice de massa corporal (IMC) foi calculado com as medidas da massa corporal e altura, de acordo com a seguinte formula IMC (kg/m 2) e igual a massa corporal (kg) dividido pela altura em metros ao quadrado (m).

Os pontos de corte de IMC adotados foram os preconizados pela Organizacao Mundial de Saude, ou seja, baixo peso (IMC < 18,5); eutrofia (IMC 18,5-24,99); sobrepeso (IMC 25-29,99) e obesidade (IMC [greater than or equal to] 30,00) (Diet, 2003).

Para a tomada das medidas de cintura e quadril, o individuo manteve-se de pe, em posicao ereta, com o minimo de roupa possivel. A medida da cintura ou circunferencia abdominal foi feita com o militar na posicao ereta e relaxado, a medida horizontal foi obtida ao nivel da maior extensao anterior do abdomen, anterior ao nivel da cicatriz umbilical, ao final do movimento expiratorio.

A circunferencia do quadril foi medida com o individuo na posicao ereta e os pes juntos, a medida ocorre ao nivel da maior circunferencia das nadegas. Em ambas as medidas, a fita foi posicionada em posicao horizontal, sem pressionar os tecidos moles (Guedes, Guedes, 2003).

As variaveis dependentes analisadas foram relacao cintura-quadril (RCQ) e circunferencia abdominal (CA) aumentadas. A RCQ foi calculada a partir da circunferencia abdominal dividida pela circunferencia do quadril (Neovius, Linne, Rossner, 2005; World Health Organization, 1997).

Foram considerados individuos com obesidade abdominal aqueles com RCQ [greater than or equal to] 1,0. Para a CA foi utilizado o ponto de corte de [greater than or equal to] 102 cm para homens (National Institutes of Health, 1998).

O teste de Cooper foi aplicado aproximadamente as nove horas da manha, nos dias previstos do periodo compreendido para o TACF, atraves de corrida continua, durante o periodo de 12 minutos, com auxilio do cronometro (Vollo Concept) e apito. No presente estudo foi utilizada a pista de atletismo de 400 metros da CDA, que fica na Universidade da Forca Aerea na Guarnicao dos Afonsos, com piso apropriado para a pratica de Atletismo, com demarcacao a cada 50 metros.

Os valores da distancia (em metros) percorrida foram utilizados para estimativa do [VO.sub.2] maximo pela formula: [VO.sub.2] maximo = (Distancia percorrida (metros) - 504.9) / 44.73 = [VO.sub.2] em ml.kg-1.min -1 (Silva, Anez, Arias, 2004).

Estatistica

Os resultados sao apresentados pela media e desvio padrao deles, tendo sido aplicado o teste de normalidade de Kolmogorov para determinar se os dados sao parametricos ou nao parametricos. Foi aplicado o teste de Correlacao de Pearson para p< 0,05.

RESULTADOS

As caracteristicas dos militares que participaram do estudo estao na tabela 4 e as variaveis investigadas na tabela 5.

Analisando as caracteristicas dos militares envolvidos no estudo, verifica-se uma media do IMC um pouco acima do normal, na classificacao do sobrepeso, a media da circunferencia da cintura e do risco cintura-quadril esta na classificacao normal, abaixo do limite que indicam riscos a saude. A media do teste de Cooper e do [VO.sub.2] indicam valor excelente para individuos com idade entre 40 e 49 anos.

Na bateria de medidas e teste poucos dos militares participantes apresentaram uma situacao preocupante em todos os aspectos do estudo, com IMC acima de 30 kg/[m.sup.2], medida da cintura igual ou acima de 102 centimetros, risco cintura-quadril igual ou acima de 1,0 e o Teste de Cooper empregado na formula do [VO.sub.2] considerado Fraco.

Alguns militares apresentaram um ou outro aspecto preocupante no estudo. Porem em grande parte das avaliacoes os militares apresentaram indices de regular para cima (Machado e colaboradores, 2012).

No estudo foi possivel observar na tabela 6, a alta correlacao positiva do Indice de Massa Corporal tanto com o Risco Cintura como com a Relacao Cintura-Quadril, tendo uma correlacao mais alta com o Risco Cintura. Ja o teste de Cooper e o calculo do [VO.sub.2] max tiveram uma alta correlacao negativa com o IMC, indicando geralmente uma forte tendencia de que individuos com obesidade e medidas antropometricas nao favoraveis possibilitando um grande risco a saude possuem o seu resultado do teste de Cooper e consequentemente do seu [VO.sub.2] max mais baixos que individuos na faixa normal nas medidas antropometricas.

Foi observado tambem que o Risco Cintura possui uma alta correlacao positiva com a relacao Cintura/Quadril, e uma correlacao negativa moderada tanto do Risco Cintura como do Risco Cintura-Quadril com o Teste de Cooper e [VO.sub.2] max dos participantes desse estudo (Perissinotto, 2002).

DISCUSSAO

Os resultados obtidos no estudo com 28.745 militares da FAB, com homens e mulheres com idade compreendida entre 20 a 52 anos, comparado com o presente estudo no que tange a similaridade da proporcao de militares da ativa com indice de massa corporal e suas classificacoes, utilizando tambem o TACF como parametro para seu estudo. No presente estudo 22 militares estao faixa normal de peso, 19 com sobrepeso e 5 com obesidade.

Sendo observado um pouco mais da metade (15.235 militares) com peso considerado normal no estudo com efetivo da FAB, com uma proporcao maior com individuos classificados com peso normal que o estudo com militares do BINFAE AF, com 2.587 militares com indice acima de 30 kg/[m.sup.2], que indica obesidade, sendo similar nessa proporcao em relacao ao presente estudo.

Porem somente ter o IMC por parametro nao e suficiente para tirar conclusoes, pois podem existir individuos com sobrepeso que possuem grandes niveis de massa magra e um excelente condicionamento cardiorrespiratorio, por isso e importante associar junto ao indice de massa corporal outros parametros para que chegar a uma analise mais fidedigna (Muniz, Bastos, 2010).

Em estudo com 33 Controladores de Trafego Aereo da Base Aeronaval de Sao Pedro da Aldeia, todos do sexo masculino com idade compreendida de 28 a 39 anos, apontam um indice maior de militares com sobrepeso e obesidade tendo por parametro o IMC se comparado ao presente estudo e ao estudo acima citado.

Nesse mesmo estudo na Base Aeronaval de Sao Pedro da Aldeia foi observado que mais da metade dos militares estao com valores elevados no quesito relacao cintura-quadril, ao contrario do presente estudo em que apenas 8 dos 46 militares estao com valores igual ou acima de 1,0, que e considerado um risco eminente para a saude desses individuos. Possivelmente as diferencas nas funcoes do cotidiano e na rotina dos militares de cada estudo apontaram essa discrepancia (Oliveira e colaboradores, 2009).

No estudo com Policiais Militares, a amostra foi composta por 25 militares do sexo masculino com media de idade de 36,28[+ or -]6,25 anos, do Batalhao de Choque do Ceara houve grande proximidade da media da circunferencia da cintura com o presente estudo, porem a media deles sendo um pouco mais baixa, tendo 91,64 dos Policiais do Ceara contra 93,30 dos militares do BINFAE AF, ambos com a media abaixo do limite que aponta riscos a saude que e igual ou acima de 102 centimetros. O risco cintura-quadril comparando os dois estudos nao teve diferenca significativa com 0,91 dos Policiais contra 0,90 dos militares da nossa amostra (Damasceno e colaboradores, 2016).

No teste de Cooper e calculo do [VO.sub.2] do presente estudo apenas 4 militares apresentaram niveis considerados fracos. Obtivemos 18 militares com 12 nivel superior e 11 com nivel excelente, indicando uma boa condicao cardiorrespiratoria da maioria dos participantes de nosso estudo. O resultado do presente estudo foi de encontro com um estudo com 40 militares do Corpo de Bombeiros, onde 22 individuos do sexo masculino, com faixa etaria de 33 a 42 anos, atingiram niveis de [VO.sub.2] de excelente para cima com media de 49,94 ml.kg-1.min -1, com a diferenca de que nenhum dos integrantes dos Bombeiros que contribuiram com o estudo citado atingiram resultado considerado fraco, todos foram no minimo regulares. A media do IMC no estudo dos Bombeiros foi muito proxima a do presente estudo, com 25,59 kg/m2 (Dalquano, Junior, Castilho, 2003).

A media da amostra do presente estudo na variavel do IMC foi 25,83 kg/[m.sup.2], indicando um leve sobrepeso dos militares do BINFAE AF. Uma vez que o sobrepeso possui a classificacao de 25 kg/[m.sup.2] a 30 kg/[m.sup.2]. Sendo 22 individuos na faixa normal de peso, 19 com sobrepeso e 5 com obesidade.

Com a media adquirida nesse estudo na classificacao de sobrepeso, cabe salientar a atencao em relacao aos individuos da amostra para que esse sobrepeso nao evolua para nenhuma morbidade, apesar de estar num nivel leve de sobrepeso, que pode ser uma indicacao de alta massa magra e outros fatores em alguns participantes. Porem o IMC precisa de outras variaveis para uma avaliacao melhor de cada pessoa da amostra (Peixoto e colaboradores, 2006).

Assim como em outros estudos, foi muito alta a correlacao da circunferencia da cintura tanto com o IMC como o RCQ, a media da CC do presente foi de 93,30, indicando uma faixa fora do risco a saude dos militares desse estudo. A classificacao de alto risco a saude se da quando os individuos possuem CC igual ou maior que 1 02 centimetros.

Esse estudo possui 11 de 46 militares na faixa de alto risco a saude, podendo acarretar

problemas como obesidade, hipertensao arterial, diabetes e outras complicacoes, sendo necessario o acompanhamento desses militares para que os mesmos possam se aproximar da media da amostra do estudo. A media da relacao cintura-quadril do presente estudo foi 0,90, indicando tambem uma classificacao fora dos riscos a saude dos individuos.

A classificacao de risco a saude no RCQ e quando o individuo possui um valor igual ou maior que 1,0 e apenas 8 militares do estudo estao com a RCQ na classificacao de risco a saude, sendo pertinente estrategias para que esse pequeno grupo saia dessa classificacao de fator de risco. Em ambos os estudos as variaveis indicam uma classificacao saudavel da media dos militares de nosso estudo (Sampaio e Figueiredo, 2005).

Tanto o Teste de Cooper como [VO.sub.2] tiveram uma alta correlacao negativa com o IMC e uma moderada correlacao negativa com o CC e o RCQ, indicando que quanto mais pesado e mais o obeso o individuo e, maior a sua tendencia de nao ter um condicionamento cardiorrespiratorio alto.

O Teste de Cooper e o [VO.sub.2] tiveram media de 2639,13 metros e 47,70 ml.kg-1.min -1, Tendo um valor bem expressivo com uma classificacao de excelente condicionamento cardiorrespiratorio (46.5-52.4) para individuos com faixa de idade entre 20 e 29 anos de idade. Nesse estudo 18 dos militares participantes tiveram um condicionamento classificado como Superior, 11 como Excelente, 9 como Bom, 4 como Regular e apenas 4 como Fraco. Os militares no condicionamento cardiorrespiratorio classificado como Fraco e necessario um meio para que eles se aproximem da media do estudo, e importante observar que os militares que obtiveram essa classificacao possuem todas as variaveis coletadas desfavoraveis, com isso correndo um grande de risco de saude (Pereira e colaboradores, 2008).

Sugere-se a continuidade do estudo com uma intervencao eficiente para que esses militares que estao com os indices antropometricos em grau de risco a saude e com o teste de [VO.sub.2] nao compativel com suas funcoes, possam ter uma evolucao em seu quadro, podendo assim evoluir e acompanhar o quadro dos militares da amostra. Propor uma difusao e uma discussao maior sobre esses riscos e que eles acarretam a saude, para que ocorra uma conscientizacao maior com a saude de modo geral, para que os militares nao fiquem no quadro da obesidade.

Um fator que foi bastante limitador foi a estimativa do [VO.sub.2] max atraves do teste de Cooper, seria interessante uma mascara de gases para que fosse obtido a real troca gasosa feita por cada militar, isso geraria um custo muito grande para a pesquisa em si. Desenvolver pesquisas adicionais, visando obter um diagnostico mais preciso da situacao da obesidade e seus indicadores nos militares das Forcas Armadas, e com isso, formular e implementar propostas de tratamento, prevencao e promocao da saude (Neves, 2015).

CONCLUSAO

De acordo com os resultados do presente estudo pode-se concluir que, o militar participante esta em boas condicoes fisicas e apresentam indices que nao indicam risco a saude, sendo muito importante devido as suas funcoes e seus afazeres do cotidiano, onde e exigido um grau minimo de condicionamento fisico, saude, emocional e entre outros para que seja feito com eficiencia suas missoes e suas tarefas.

Aos militares que nao contemplam o grupo que deve ser seguido de exemplo, e necessario todo um acompanhamento para que eles cheguem na media da amostra, possuindo bom condicionamento fisico e indices que nao indiquem risco a saude, para que exercam suas funcoes com o minimo de qualidade, pois pode ser que doencas como a obesidade, hipertensao arterial, diabetes e entre outras possam vir acometer esses militares.

O presente estudo tem o proposito de uma maior reflexao e conscientizacao dos integrantes das Forcas Armadas, pois possuem alguns militares que estao na zona que nao e ideal de condicionamento fisico e de saude, sendo necessario um meio eficiente para que eles possam adquirir uma qualidade de vida melhor.

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Conflito de interesses

Nao ha conflito de interesses.

Fontes de financiamento

Nao houve.

Recebido para publicacao 04/10/2018

Aceito em 16/04/2019

Fabricio Lima Costa da Silva (1), Paulo Cesar Monteiro (1) Moises Augusto de Oliveira Borges (2,3), Bruno Lucas Pinheiro Lima (4) Vicente Pinheiro Lima (3,4)

(1-) Universidade Castelo Branco (UCB), Rio de Janeiro-RJ, Brasil.

(2-) Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropedica-RJ, Brasil.

(3-) Grupo de Pesquisa em Biodinamica do Desempenho, Exercicio e Saude (BIODESA/UCB), Brasil.

(4-) Programa de pos-graduacao Stricto Sensu em Ciencias do Exercicio e do Esporte, RJ, Brasil.

E-mails dos autores:

f.costa13@hotmail.com

pcmonteiro011@gmail.com

m.oliveiraborges@hotmail.com

brunolucas008@gmail.com

professorvicentelima@gmail.com

Endereco para correspondencia:

Moises Augusto de Oliveira Borges.

Rua Virgolino Alves Cardia, lote 07, quadra 10.

Campo Grande-RJ, Brasil.
Tabela 1 - Classificacoes do IMC.

Classificacao   IMC (kg/[m.sup.2])
Abaixo do Peso      < 18,5
Peso Normal     18,5-24,99
Sobrepeso         25-29,99
Obesidade       [greater than or equal to] 30,00

Fonte: WHO (2000).

Tabela 2 - Classificacoes do [VO.sub.2] max

Idade  Muito Fraco  Fraco        Regular      Bom

20-29  -33,0        33,0 a 36,4  36,5 a 42,4  42,5 a 46,4
30-39  -31,5        31,5 a 35,4  35,5 a 40,9  41,0 a 44,9
40-49  -30,2        30,2 a 33,5  33,6 a 38,9  39,0 a 43,7
50-59  -26,1        26,1 a 30,9  31,0 a 35,7  35,8 a 40,9

Idade  Excelente    Superior

20-29  46,5 a 52,4  > 52,4
30-39  45,0 a 49,4  > 49,4
40-49  43,8 a 48,0  > 48,0
50-59  41,0 a 45,3  > 45,3

Fonte: Beck e Zagatto (2009).

Tabela 3 - Interpretacao das Correlacoes.

Correlacao                      Interpretacao

0,90 a 1,00 (-0,90 a -1,00)     Muito alta correlacao positiva
                                (negativa)
0,70 a 0,90 (-0,70 a - 0,90)    Alta correlacao positiva (negativa)
0,50 a 0,70 (-0,50 a -0,70)     Moderada correlacao positiva (negativa)
0,30 a 0,50 (-0,30 a -0,50)     Baixa correlacao positiva (negativa)
0,00 a 0,30 (0,00 a -0,30)      Correlacao insignificante

Fonte: Mukaka (2012).

Tabela 4 - Caracterizacao da amostra.

       Idade (anos)  Peso (Kg)   Est. (m)  Quad. (cm)

Media  32,22         81,00       1,77      103,13
Dp      7,36         11,09       0,07      5,04

Tabela 5 - Resultados da caraterizacao da amostra e das variaveis
investigadas.

       IMC (kg/[m.sup.2])  Cint. (cm)  RCQ   Cooper (m)

Media  25,83                93,3       0,90  2639,1
Dp      3,09               11,75       0,08  290,52

       [VO.sub.2] max

Media  47,7
Dp     6,50

Tabela 6 - Correlacoes entre as variaveis

                                 RCQ         Cooper

        Correlacao de Pearson                 0,81 (**)
IMC     Sig. (bilateral)        Cint.         0,00
        n                        0,87 (**)   46
        Correlacao de Pearson    0,00         0,94 (**)
Cint.   Sig. (bilateral)        46            0,00
        n                                    46
        Correlacao de Pearson
RCQ     Sig. (bilateral)
        n
        Correlacao de Pearson
Cooper  Sig. (bilateral)
        n

          VO2 max
IMC
           -0,70 (**)  -0,70 (**)
            0,00        0,00
Cint.      46          46
           -0,07 (**)  -0,70 (**)
            0,00        0,00
RCQ        46          46
           -0,70 (**)  -0,70 (**)
            0,00        0,00
Cooper     46          46
                        1,00 (**)
                        0,00
                       46

Legenda: (**). A correlacao e significativa no nivel 0,01 (bilateral).
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Author:da Silva, Fabricio Lima Costa; Monteiro, Paulo Cesar; de Oliveira Borges, Moises Augusto; Lima, Brun
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Date:May 1, 2019
Words:5713
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