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CONHECIMENTO E INOVACAO ORGANIZACIONAL EM UNIDADES DE PRODUCAO DE ALIMENTOS DA AGRICULTURA ORGANICA.

1. INTRODUCAO

Uma populacao mundial crescente e com maior poder aquisitivo tem gerado aumento na demanda por alimentos. Por outro lado, ha uma crescente consciencia de que a rapida degradacao do meio ambiente e a escassez dos recursos naturais precisam ser controladas (Decker, 2012). Este paradoxo tem provocado discussoes e gerado desafios e oportunidades de negocios no ambiente global do seculo XXI. Nos sistemas de producao de alimentos, os produtos alimenticios com denominacao de organicos tem crescido nas ultimas decadas, tanto em termos de importancia quanto de influencia em varias partes do mundo, com vendas globais de alimentos e bebidas movimentando $ 81,6 bilhoes em todo o mundo em 2015 (Willer & Lernoud, 2017).

Este sistema de producao tem desenvolvido um padrao produtivo bastante distinto a agricultura convencional 'moderna', estando relacionada com o desenvolvimento rural sustentavel, e que exclui o uso de produtos quimicos agressivos e sintetizados em seus produtos. Tambem chamada de agricultura biologica ou ecologica, a agricultura organica combina metodos da agricultura tradicional com tecnologias modernas (Reganold & Wachter, 2016) e valores, tais como: saude; respeito ao meio ambiente; protecao da biodiversidade; bem estar animal; dentre outros aspectos considerados saudaveis (Colom-Gorgues, 2009).

A valorizacao de produtos destes sistemas de producao com atributos distintos de qualidade, criam, segundo Maluf (2004), novas oportunidades de mercado, explorados em grande parte, por pequenos e medios empreendimentos agroalimentares. No sul do Brasil, a producao de alimentos organicos tem aumentando, principalmente vinculada as pequenas unidades de producao (Camargo Filho, Camargo, Camargo & Alves, 2004; IBGE, 2006) com destaque para o estado do Rio Grande do Sul com 1.868 produtores cadastrados, em abril de 2017, no Ministerio da Agricultura, Pecuaria e Abastecimento (MAPA, 2017).

Se por um lado o mercado evidencia o crescimento dos agronegocios organicos, por outro apresenta desafios para as unidades de producao. Beddington (2010) e Godfray et al. (2010), citam que as organizacoes devem substituir praticas agricolas causadoras de impactos socioambientais negativos por novas formas de produzir, armazenar e processar os alimentos. Para isso, as unidades de producao devem superar algumas barreiras comuns a estes empreendimentos, tais como: limitados recursos (financeiros, humanos, tecnologicos); baixo capital de investimento; baixa capacidade de producao e absorcao de novas tecnologias (Galjart, 1979; Alencar, 1997).

Soma-se a esses desafios, a necessidade das organizacoes de possuirem conhecimento adequado sobre os recursos naturais; manejo e formas adequadas de se gerirem os recursos naturais; producao ambientalmente mais adequada; introducao de praticas de cooperacao, pluriatividade e multifuncionalidade; dentre outros (Kageyama, 2008; Ploeg et al, 2008). Nesse contexto, produzir alimentos organicos com criterios de sustentabilidade envolve maior dedicacao e responsabilidade por parte das unidades de producao.

Os produtos organicos devem estar livres do uso de organismos geneticamente modificados e radiacoes ionizantes, em qualquer fase do processo de producao, processamento, armazenamento, distribuicao e comercializacao. Devem ser oriundos de tecnicas especificas, mediante a otimizacao do uso dos recursos naturais e socioeconomicos disponiveis e o respeito a integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade economica e ecologica, a maximizacao dos beneficios sociais, a minimizacao da dependencia de energia naorenovavel, empregando, sempre que possivel, metodos culturais, biologicos e mecanicos, em contraposicao ao uso de materiais sinteticos (Brasil, 23 de dezembro de 2003).

Considerando o potencial de expansao do mercado de alimentos organicos, e tendo as unidades de producao papel essencial na ampliacao desses mercados, o recurso conhecimento ganha destaque devido ao seu papel na adocao de praticas compativeis com o ambiente em que essas organizacoes atuam (Gafsi, 2006). O recurso conhecimento no processo de inovacao e essencial, pois pode possibilitar a oferta de alimentos cujos processos de producao e processamento seja balizado por premissas de sustentabilidade (Bloch, 2008). Permite, tambem, a empresa renovar a forma como seus produtos e servicos sao produzidos e oferecidos, levando em conta o que se tem (conhecimento disponivel) e os sinais que a mesma recebe do ambiente (informacoes) (Tidd, Bessant & Pavitt, 2008).

Compreendendo a inovacao como uma expressao do conhecimento, torna-se necessario investigar o conhecimento e as inovacoes produzidas e praticadas nesses sistemas de producao distinta a agricultura convencional 'moderna'. Assim, este artigo busca analisar de forma exploratoria e qualitativa, por meio da realizacao de pesquisa de campo, como ocorre a construcao do conhecimento e geracao de inovacoes organizacionais em unidades familiares de producao de alimentos organicos. Denominam-se unidades de producao porque engloba em seu escopo desde produtores rurais a pequenas agroindustrias que realizam beneficiamento da producao, localizadas tanto na parte urbana como rural da cidade de Porto alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

O estudo justifica-se pela necessidade de compreender como estes sistemas de producao percebem e incorporam novos conhecimentos a sua base de conhecimento existente, em um processo que tende a gerar inovacoes organizacionais. E, tambem, porque historicamente, a pesquisa sobre inovacao tem seguido um foco tecnico (Damanpour & Aravind, 2012), sendo que as inovacoes nao tecnicas, abordada neste estudo como inovacoes organizacionais, representa uma tematica emergente (OECD, 2005).

O trabalho primeiramente apresenta o que se entende por conhecimento e inovacao organizacional. Apresenta, entao, o metodo de pesquisa e os resultados encontrados e, por fim, faz as consideracoes finais.

2. REFERENCIAL TEORICO

Esta secao apresenta as teorias que sustentam o arcabouco teorico deste artigo. Inicialmente, discorre-se sobre conhecimento organizacional e suas principais definicoes e classificacoes. Em seguida e apresentado discussao sobre inovacoes organizacionais.

2.1. CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL

O conhecimento organizacional pode ser compreendido como o processo de tornar disponivel e ampliado o conhecimento criado pelos individuos, bem como sua cristalizacao ao sistema de conhecimento da organizacao (Nonaka & Krogh, 2009). Mas, o que e conhecimento? Responder a esta questao nao e tarefa facil, Grant (1996, p. 110) comenta que essa <<questao tem intrigado alguns dos maiorespensadores do mundo, de Platao a Popper, sem o surgimento de um consenso claro>>.

Na literatura especializada existem muitas taxonomias que especificam varios tipos de conhecimento (King, 2009), o qual e alvo de abordagem de estudos em diferentes campos de pesquisa (Jamil, 2006). Na area de estrategia, pesquisadores tradicionalmente tem usado uma conceituacao de conhecimento fundamentada na epistemologia ocidental (Eisenhardt & Santos, 2002), o compreendendo como 'crenca verdadeira justificada' (Nonaka, Krogh & Voelpel, 2006; Nonaka & Takeuchi, 2008; Nonaka & Krogh, 2009). Esta orientacao deu origem a teorias que em suas abordagens desconsideram as habilidades fisicas, experiencias e percepcoes (Nonaka et al, 2006) aludindo o funcionamento das organizacoes a uma maquina (Eisenhardt & Santos, 2002).

Em contraste com essa orientacao, outra visao do conhecimento surgiu tendo como base a distincao entre conhecimento tacito e explicito. A teoria do conhecimento de Michael Polanyi e frequentemente referenciada na literatura por meio de suas duas obras <<Personal knowledge: Towards a post-critical philosophy>> e <<The tacit dimension>>. Polanyi (1966) expoe a epistemologia do conhecimento tacito, reconhecendo que esse e sempre pessoal, nunca pode ser reduzido as representacoes, mesmo codificadas em livros ou organizadas em teorias. Cada um de nos, sobre qualquer tema, sempre sabe muito mais do que consegue codificar ou explicitar em palavras. Partindo dessa concepcao, Nonaka (1994) estabelece um dialogo entre conhecimento tacito e explicito (ou articulado, ja que pode ser comunicado aos outros). Esses dois tipos de conhecimento representam a dimensao epistemologica para a criacao do conhecimento organizacional (Nonaka, 1994) e tornou-se uma das classificacoes mais difundidas (Nakano & Fleury, 2005).

Para Nonaka (1994) o conhecimento envolve tanto elementos cognitivos--modelos mentais, crencas e perspectivas que ajudam os individuos a perceber e definir o seu mundo--e tecnicos quanto know how e habilidades que se aplicam a contextos especificos. Ele esta enraizado na acao, procedimentos, rotinas, compromisso, ideais, valores e emocoes (Nonaka, Umemoto & Senoo, 1996). Ja o conhecimento explicito e aquele que pode ser formalizado em palavras, numeros e sons, passivel de codificacao, e pode ser transmitido aos individuos, formal ou sistematicamente (Nonaka & Takeuchi, 2008).

Conhecimentos tacito e explicito nao devem ser vistos separadamente, mas sim como elementos complementares entre si e com base no mesmo continuum (Nonaka & Krogh, 2009). Para alguns autores, tais como Kogut & Zander (1992), o conhecimento explicito e mais facil de transferir porque ele pode ser codificado, ao contrario do tacito que nao pode ser codificado por apresentar incertezas e custos.

Spender (1998) cita que o conhecimento tacito nao significa que este nao possa ser codificado, mas sim que ainda nao foi explicado. Para Spender o conhecimento tacito no local de trabalho e composto por tres elementos: consciente, automatico e coletivo. No componente consciente o individuo consegue entender e explicar o que esta fazendo, sendo, portanto, mais facil de ser codificavel. Ja no componente automatico o individuo atua de forma nao consciente do conhecimento que esta sendo aplicado. O componente coletivo refere-se ao conhecimento desenvolvido pelo individuo e compartilhado com os outros, decorrente de formacao aprendida em contexto social especifico.

Grant (1996) foi outro autor que discutiu a distincao entre conhecimento tacito e explicito e os denominou como 'knowing how' e 'knowing about'. O autor identifica 'knowing how' como conhecimento tacito e 'knowing about sofre fatos e teorias como conhecimento explicito. A distincao entre os dois esta na possibilidade e mecanismos de transferencia entre os individuos, atraves do espaco e ao longo do tempo.

A interacao entre conhecimento tacito e explicito foi denominado por Nonaka (1994) e Nonaka & Takeuchi (2008) como 'conversao do conhecimento'. Para estes autores, o processo de criacao do conhecimento e composto de quatro estagios (SECI): i) socializacao, que busca compartilhar conhecimento tacito entre os individuos; ii) externalizacao, que articular o conhecimento tacito em conceitos explicitos; iii) combinacao, que objetiva combinar diferentes elementos do conhecimento explicito; e, iv) internalizacao, que busca incorporar o conhecimento explicito em conhecimento tacito.

Especificamente no campo de pesquisa em agronegocios, o conhecimento e estudado sob diversas oticas e abordagens. Wanderley (1996) denomina de 'saber tradicional', o conhecimento que o agricultor campones busca, recorrendo ao passado, e que o possibilita construir saber tradicional, transmissivel aos filhos e, tambem, para justificar decisoes relacionadas a alocacao de recursos. Altieri (1998), por sua vez, chama de 'conhecimento tradicional' o conhecimento popular rural baseado em observacoes precisas e experimental, que os capacitam a reconhecer e utilizar os recursos locais disponiveis.

'Conhecimento local' e o termo utilizado por Doula (2001) para representar o acervo cognitivo e as praticas de seres sociais situados dentro de determinadas configuracoes geograficas e historicas, o que o torna particularizado. Woortman (2009) explora a relacao entre o homem e a natureza para expressar o 'saber campones' relativo as suas praticas agricolas. Inserindo a realidade socioambiental na producao de conhecimento, Leff (2001) chama a atencao para a necessidade de internalizar o que ele conceitua como 'saber ambiental'. O saber ambiental emerge no contexto da crise do meio ambiente no qual a producao de conhecimentos considera uma apropriacao subjetiva do saber para ser utilizado em diversas praticas e estrategias sociais.

Stuiver, Leeuwis & Ploeg (2004) utilizam o termo 'conhecimento dos agricultores'. Este tipo de conhecimento representa um contexto local especifico e abrange um amplo conjunto de fatores de crescimento sociotecnicos dentro de redes e localidades especificas ate saidas desejadas. Explorando mais a questao da interacao e aprendizagem, Eshuis & Stuiver (2005) usam o termo 'conhecimento contextual' para definir o resultado de um processo de aprendizagem em que os agricultores e demais atores participantes de reunioes, encontros e/ ou grupos, contam suas experiencias e desenvolvem conhecimento contextual.

Pensando em processos de construcao do conhecimento, cabe salientar que a ciencia moderna adotou uma forma cartesiana de pensar, adotando uma logica de descontextualizar, de simplificar e de estreitar o conhecimento, resultando em principios universais, bem como a intransigencia para com a diversidade e a complexidade (Caporal, 2013). Para o autor, na agricultura, o ensino, a pesquisa e a extensao foram enquadradas nessa logica, gerando processos de construcao do conhecimento para e nao com o outro. Este modelo se traduz na difusao e transferencia de conhecimentos e tecnologias supostamente neutros para aqueles que, nao detinham os conhecimentos necessarios (Caporal, 2013). Dessa forma, no mundo rural, o conhecimento de quem produz e quase sempre considerado insuficiente, incapaz de suprir toda a escala de saberes necessaria para uma producao eficaz (Galizoni et al,, 2013).

Contrapondo essa visao, Santos (2007) cita a existencia de uma pluralidade de formas de conhecimento alem do conhecimento cientifico. Na agricultura, Garcia Lobo, Anido & Lopes Perez (2014) chamam de 'conhecimento popular agricola>> um sistema de conhecimento nao certificado (nao institucionalizado) ou nao encapsulado, tradicional, autoctone e territorializado, integrado pelo conjunto de conhecimentos, inovacoes e praticas milenares. Neste artigo, a analise do conhecimento utilizada foi compreender o processo de construcao do conhecimento decorrente da integracao e valorizacao dos conhecimentos e experiencias das populacoes agricolas e do conhecimento tecnico/cientifico (Souza, 2015), que contribui ao responder as demandas das populacoes agricolas com alternativas agricolas e economicas.

Esta construcao do conhecimento e investigada por meio de uma perspectiva organizacional, uma vez que as unidades de analises sao organizacoes agroalimentares (unidades de producao de alimentos). Nessas, o conhecimento esta associado nao so nos documentos ou arquivos, mas tambem nas rotinas, processos, praticas, saberes, observacoes e normas organizacionais resultantes do 'conhecimento agricola popular' (Garcia Lobo et al, 2014) e do conhecimento tecnico/ cientifico (Souza, 2015). Essa construcao inclui uma serie de praticas para a geracao, acumulacao e transmissao de conhecimentos.

O recurso conhecimento e importante, pois possibilita as organizacoes incorpora-lo a producao, servico e sistemas que atendam as demandas dos consumidores e da sociedade, e e de vital importancia para o desempenho organizacional (Nonaka, Toyama & Konno, 2000; Angeloni, 2002). A inovacao pode ser compreendida como uma resposta da organizacao ao seu ambiente, favorecendo mudancas na estrutura e nos processos organizacionais (Damanpour & Evan, 1984). Na secao seguinte e apresentado as principais caracteristicas da inovacao.

2.2. INOVACAO ORGANIZACIONAL

Os beneficios da inovacao para o crescimento industrial e progresso economico foram identificados desde ou seculo XVIII por economistas e pensadores, tais como Adam Smith, Karl Marx, Stuart Mill, Alexis de Tocqueville dentre outros, mas foi Joseph Schumpeter que contribuiu para o desenvolvimento da inovacao enquanto conceito (4) (Figueiredo, 2009). Associando criacao de valor a invencao tecnologica, Schumpeter (1982) sinaliza que a dinamica do sistema capitalista e decorrente da introducao de inovacoes tais como novos bens de consumo (produtos); novos metodos de producao e transporte; novos mercados; novas formas de organizacao industrial (5).

A partir de Schumpeter (1982), diversos autores (6) contribuiram para a construcao de modelos teoricos para analisar a inovacao. No entanto, a maioria dos modelos e teorias seguiu um foco de inovacoes tecnologicas no setor manufatureiro (Damanpour & Aravind, 2012) dando um carater a inovacao normalmente restrito a tecnologia ou dominio tecnico (Fontant, Klein & Tremblay, 2004). Inovacoes nao tecnicas, que inclui a inovacao organizacional e de marketing, e uma abordagem emergente (Camison & Villar-Lopez, 2011), tanto que so foi reconhecida na terceira edicao do Manual de Oslo (7), que adota a seguinte definicao:

Uma inovacao e a implementacao de um produto (bem ou servico) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo metodo de marketing, ou um novo metodo organizacional nas praticas de negocios, na organizacao do local de trabalho ou nas relacoes externas. (OECD, 2005, p. 55)

Desta conceituacao do Manual de Oslo deriva uma classificacao da inovacao em quatro tipos principais: produto, processo, marketing, e organizacionais. A inovacao de produtos e processos esta relacionada ao conceito de desenvolvimento tecnologico, e geralmente na literatura e referenciado como inovacoes tecnologicas. Enquanto que inovacoes organizacionais e de marketing sao consideradas inovacoes nao tecnicas (Damanpour, Szabat & Evan, 1989; Camison & Villar-Lopez, 2011). Neste artigo sao consideradas apenas as inovacoes organizacionais, centrando-se em elementos que estao dentro do controle da empresa.

Na literatura, encontram-se diversas denominacoes para as inovacoes nao tecnicas. Podemse encontrar nomenclaturas tais como inovacoes administrativas (Damanpour, 1987), em gestao (Hamel, 2007), nao tecnologica (Schmidt & Rammer, 2007), dentre outras. Apesar da diversidade de definicoes, ha consenso na literatura quanto a composicao e diferenciacao entre inovacoes tecnicas (produtos, processos e tecnologias utilizadas para produzir produtos ou prestar servicos) e nao tecnicas (relacionadas a atividade de trabalho basico e mais diretamente relacionadas aos seus aspectos gerenciais tais como a estrutura organizacional, os processos administrativos e recursos humanos).

Para a OECD (2005, p. 61), responsavel pelo Manual de Oslo, a inovacao organizacional pode ser considerada como <<a implementacao de um novo metodo organizacional nas praticas de negocios da empresa, na organizacao do seu local de trabalho ou em suas relacoes externas>>.

Armbruster, Bikfalvi, Kinkel & Lay (2008) citam que a falta de medidas de execucao e indicadores dificultam estudos na area. Para estes autores, a inovacao organizacional pode ser classificada em estrutural e processual. Sendo que, a estrutural envolve mudancas e melhorias nas responsabilidades da equipe, linhas e fluxos de informacao, estrutura de funcoes, dentre outros. Ja a processual, influencia as rotinas, processos e operacoes de uma empresa.

Ja a OECD (2005) considera tres tipos de inovacoes organizacionais: i) as praticas de negocio; ii) a organizacao do ambiente de trabalho; e, iii) as relacoes externas da organizacao. Inovacao nas praticas de negocios esta relacionada a novos metodos para a organizacao de rotinas e procedimentos para a conducao do trabalho, que possibilitam compartilhamento do aprendizado e do conhecimento no interior da empresa. As inovacoes na organizacao do local de trabalho compreendem novos metodos para distribuir responsabilidades e poder de decisao entre os empregados na divisao de trabalho existente no interior das atividades da empresa. Por fim, tem-se que inovacoes nas relacoes externas da organizacao, permitem novos meios para organizar as relacoes da organizacao com outras empresas e instituicoes publicas (OECD, 2005).

O suporte teorico, conhecimento organizacional e inovacoes organizacionais, discutidos nesta revisao de literatura buscou englobar em seus elementos de analise proposicao teorica capaz de explicar as particularidades do objeto de pesquisa, as unidades de producao de alimentos. O recurso conhecimento e compreendido sob a otica de um processo em que ele e 'construido' nas unidades de producao. Denomina-se 'construcao' do conhecimento porque se refere a processos de elaboracao de novos saberes que sao resultantes dos conhecimentos tradicionais e da sua interacao com o saber tecnico-cientifico (Santos, 2008). Neste estudo, estes novos saberes estao relacionados a agricultura organica. Na proposicao teorica as etapas do modelo SECI de Nonaka (1994) esta implicito. Optou-se por explicitar a maneira como as unidades de producao de alimentos da agricultura organica adquirem, geram e combinam o recurso conhecimento sob a otica da 'construcao do conhecimento'. Dessa forma, dependendo da forma como este recurso e construido explora-se como ele esta relacionado ao desenvolvimento das inovacoes organizacionais.

3. PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

Buscando compreender e explicar a construcao do conhecimento e inovacoes organizacionais por parte dos atores pesquisados, foi adotado o enfoque de natureza qualitativa. A abordagem qualitativa tem como vantagens a de possibilitar ao pesquisador compreender a natureza do fenomeno estudado de forma flexivel e interativa (Richardson, 1999).

A pesquisa delineia-se por meio da pesquisa de campo com base em um roteiro de entrevista semiestruturada e observacao in loco. A populacaoalvo do estudo foram 9 unidades de producao de alimentos organicos, envolvendo desde produtores de origem vegetal, produtores processadores de alimentos de origem vegetal e processadores de alimentos de origem vegetal (Quadro N2 1), classificados como familiarares e localizados tanto na parte urbana como rural da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil e que fazem parte do projeto 'Caminhos Rurais (8)'. Optou por denominar as propriedades pesquisadas em unidades familiares de producao de alimentos organicos por fazer parte da pesquisa propriedades com distintos escopos.

A escolha dos entrevistados se deu por meio de amostragem nao-probabilistica intencional <<bola de neve>> (snowball), em que foi entrevistado um primeiro produtor, solicitando-se que indicasse outro para responder as mesmas perguntas, ate que se esgotassem as possibilidades. Foram entrevistados nove (09) produtores no periodo de novembro a dezembro de 2015. O numero de entrevistados seguiu o criterio de saturacao (GLASER; STRAUSS, 1967). Cada entrevista foi gravada e durou em media 34 minutos.

Os dados coletados foram analisados por meio da tecnica analise de conteudo, com base nas categorias de analise previamente definidas. Bardin (2011) cita que a analise de conteudo e um conjunto de tecnicas que permite a manipulacao de mensagens (conteudo e expressao desse conteudo), que permitam inferir sobre outra realidade que nao a da mensagem. Para auxiliar a organizacao e operacionalizacao das categorias de analise foi utilizado o software de analise qualitativa dos dados chamado MAXQda.

A operacionalizacao dessa tecnica ocorreu em tres fases fundamentais: 1) pre-analise; 2) exploracao do material; e, 3) tratamento dos resultados e das interpretacoes. Assim, a analise compreendeu:

1. Pre-analise do material coletado: nessa fase, o texto das entrevistas (transcritas na integralidade) e de todo o material (observacao, anotacoes, fotografias) coletado foi recortado em unidades de registro. Os paragrafos de cada entrevista, assim como as anotacoes de diarios de campo foram tomados como unidades de registro;

2. Exploracao do material: foram escolhidas as unidades de codificacao. O optou-se pela analise tematica (analise de temas chave e confronto com a literatura) a partir dos dados da observacao e respostas dos entrevistados. Para auxiliar a organizacao e operacionalizacao das categorias de analise foi utilizado o software de analise qualitativa dos dados chamado MAXQda (software profissional para analise de dados qualitativos e metodos mistos de investigacao); e,

3. Categorigacao: adotou-se a analise categorial por se tratar da mais antiga tecnica e que funciona atraves do reagrupamento do texto a partir da codificacao de tematicas. A categorizacao inicial baseou-se nas falas dos respondentes e posteriormente foi feito um esforco de sintese e reagrupamento. As categorias finais analisadas foram: aquisicao de conhecimento; geracao de conhecimento; combinacao de conhecimento; inovacao organizacional.

A secao seguinte apresenta os resultados do estudo.

4. RESULTADOS E DISCUSSOES

As unidades de producao pesquisadas apresentam a caracteristica de serem familiares, e seus proprietarios mostraram-se receptivos e dispostos a contribuir com a pesquisa. Por meio da analise das entrevistas e da observacao in loco, pode-se compreender que para a grande maioria dos entrevistados, seus conhecimentos sao decorrentes das diversas trocas de informacoes com outros produtores e atores sociais de seu ambiente e, tambem, por meio da experiencia, licoes, cursos de capacitacoes e treinamentos. <<A minha heranca sao minhas ideias, do pai, do avo [...] saber o tempo de plantar, o tempo de colher, estar atento, ter observacao, saber aquela coisa assim [...]>> (unidade de producao D).

Olha, a gente vem baseado la do meu pai, sempre uma producao sadia, sem veneno, sem nada. Isso ja vem passando de pai para filho o conhecimento da agricultura. Basicamente e cercado nisso, ai depois vem o conhecimento e aprendizado, que cada vez voce vai aprendendo mais. A plantacao, o conhecimento e do dia a dia. Pode ser 90 anos produzindo que tu ta aprendendo. (Unidade de producao E)

O conhecimento de alguns dos entrevistados se deu, tambem, a partir de suas praticas, por meio de processos de experimentacao.

Eu me adapto, entao, eu agora foi provocada la inicio do ano por um vizinho que esta produzindo cogumelos. E ele disse assim, eu preciso de alguem que faca o processamento [...] Eu disse, eu nao sei, olha precisamos pesquisar mais procura uma nutricionista, porque eu nao estou a fim de fazer mais um produto. Ai na outra semana ele veio e me trouxe um saco de cogumelos [...] Mas iniciei o processo pelo menos para ele ver se gostava, nao e da minha cultura comer cogumelo, dai eu fiz e nao fermentou. Na outra semana eu levei para ele e disse olha, para o meu gosto ficou perfeito, so precisa de um pouquinho de pimenta a mais. Dai ele disse nao gosto de pimenta e eu botei a pimenta normal. (Unidade de producao B)

No relato do entrevistado acima se pode visualizar que ele realizou o processo de experimentacao de algo novo. Neste processo, conforme os resultados, ele ajustou o que considerou necessario, reaplicou e verificou se o ajuste foi adequado. Para Hamer, Binotto & Nakayama (2003), a experimentacao advem da aplicacao pratica do novo, buscando validar o conhecimento. Atualmente, o gestor desta unidade de producao comercializa os produtos resultantes desta experimentacao: cogumelos ao molho em conserva.

Alguns gestores podem manter o conhecimento somente para si, as vezes pela falta de consciencia do conhecimento que detem, outros fazem a questao de divulgar. Para Nonaka (1991) o compartilhamento acontece a partir do momento em que a pessoa se da conta de que possui o conhecimento, como notado na fala de alguns dos pesquisados:

<<[...] ela nao sabia nada de producao e aos pouquinhos, fomos passando>> (unidade de producao A).

<<[...] eu ensinei, como e que ele e a esposa deveriamfazer [...] ela aprendeuporque eu ensinei>> (unidade de producao B).

<<[...] meu socio que transmite os conhecimentos e eu sigo as orientacoes ne>> (unidade de producao F).

O conhecimento pratico, ou tacito, dos gestores e importante e serve de base para a construcao de novos conhecimentos. Woortman (2009, p. 126) cita que <<alem de reterem o saber tradicional, camponeses tambem incorporam novos procedimentos>>.

O conhecimento pratico de alguns gestores pode ser utilizado para criar um tipo particular de inovacao. Na unidade de producao D, por exemplo, seu gestor utilizou-se de seus conhecimentos para desenvolver um equipamento que ele utiliza diretamente na semeadura do plantio de sua horta. Este caso exemplifica um tipo de invencao e readequacao de utensilio resultante das praticas criativas dos produtores. Para Altieri (1998) e a natureza experimental do conhecimento tradicional, nao apenas baseado em observacoes precisas, que possibilita esta abordagem experimental dos agricultores.

Nao so o conhecimento pratico dos gestores, mas processos de interacao social permitem, tambem, a geracao de inovacoes. No caso, esta interacao possibilitou a criacao de um livro com receitas ineditas a partir de alimentos in natura de uma propriedade.

Foi um trabalho que comecou com um aluno de doutorado da UFRGS. Ele e botanico e a ideia do doutorado dele era fazer o resgate e levantamento de plantas alimenticias nao convencionais da regiao metropolitana. E ai a gente se conheceu nesse meio de caminho e ele fez o trabalho de campo dele, ele fez agronomia, entao ele tinha que fazer uma coisa mais agronomica e nao so um levantamento simplesmente, entao ele teve que desenvolver tecnologias para algumas producoes e ele estabeleceu o protocolo de algumas culturas e tal. E hoje ele ate tem um livro que e muito legal e tem plantas que foram feitas, ele comecou a trabalhar em 2004 e foi lancado ano passado (2014) (...) no livro tem 371 plantas que podem utilizar e sao 3 receitas em cada planta e sao 5 ou 6 fotos de cada. (Unidade de producao A)

A construcao do conhecimento dos gestores e parte decorrente, tambem, da combinacao de elementos que desempenharam papel fundamental no inicio da atividade organica na regiao (9). No final da decada de 1990 e no inicio dos anos 2000, o Centro Ecologico de Ipe e a Emater/RS atraves da promocao de reunioes, oficinas de capacitacao e acompanhamento estimulou e favoreceu o inicio da atividade organica em Porto Alegre. Segundo os entrevistados:

<<[...] eupeguei todo o inicio eu consegui participar desse movimento e com isso eu consegui aprender muitas coisas>> (unidade de producao A).

<<[...] eu tive uma parceria muito legal com a Emater e comecou a agradar>> (unidade de producao B).

<<[...] eles deram cursos, acompanhamento. Um convenio que fizeram com a prefeitura de Porto Alegre e dai eles vieram aqui, fizemos alguns cursos, com pratica>> (unidade de producao C).

<<[...] teve acompanhamento, nos tivemos curso, tivemos palestra>> (unidade de producao D).

O ambiente institucional que envolve os mercados cumpre importante papel na construcao do conhecimento dos produtores. As instituicoes (10) viabilizam ou dificultam o funcionamento de um mercado. No caso da producao organica, as regras formais sao oriundas das leis e normativas criadas para regulamentar esta atividade e tambem pelas normas instituidas internacionalmente por organizacoes do movimento organico, como, por exemplo, pela IFOAM (11). A certificacao de produtos organicos institui uma serie de procedimentos acordados entre agricultores, compradores de produtos agropecuarios, comerciantes e consumidores que garantem que eles foram produzidos de forma organica. No Brasil, o processo de normalizacao da certificacao e regulamentado pelo Ministerio da Agricultura e do Abastecimento do Brasil, MAPA.

Para comercializarem seus produtos como 'organicos', os produtores devem obter certificacao (12) por um Organismo da Avaliacao da Conformidade Organica (OAC) ou organizaremse em grupo e cadastrar-se junto ao MAPA para realizar a venda direta sem certificacao. Quando o produtor se cadastrou apenas para venda direta sem certificacao, nao pode vender para terceiros, so na feira (ou direto ao consumidor) e para as compras institucionais (merenda e CONAB). Quando o produto e certificado, eles podem ser comercializados em feiras, e, tambem, para supermercados, lojas, restaurantes, hoteis, industrias, internet etc.

As unidades de producao visitadas fazem parte de uma organizacao social: Associacao dos Produtores da Rede Agroecologica Metropolitana --RAMA. Ela foi criada com o objetivo de realizarem, eles proprios, a certificacao organica.

<<[...] entao nos teremos uma certificacao e agora nos poderemos vender produtos certificados, nao so como SPG que e a venda direta ne, mas para feiras e restaurante, da para vender para revender>> (unidade de producao A).

Os gestores entrevistados relataram que tem promovido reunioes e encontros de natureza participativa em que, conjuntamente com outros atores, construiram regras, trocaram informacoes e compartilharam praticas atraves de troca de saberes. Por meio da interacao ativa uns com os outros, os gestores se envolveram no que Eshuis e Stuiver (2005) citam de processo de aprendizagem, em que os atores desenvolvem conhecimento relevante e contextual para a situacao especifica.

Esse processo de adaptacao a legislacao organica atraves da busca da certificacao via RAMA representa a constituicao de espaco participativo de troca de saberes, que possibilitou a criacao de diversos documentos essenciais para que os produtores possam adequar seus estabelecimentos as exigencias das normas do mercado. Dentre estes, cabe breve comentario sobre o plano de manejo. E o documento que deve constar as tecnicas utilizadas numa unidade de producao organica, e a constatacao de que todas elas estao condizentes com a regulacao organica, especificamente a Instrucao Normativa 64 (13). Este plano deve ser condizente e atualizado com as atividades realizadas diariamente na unidade de producao organica.

O pesquisador, utilizando a tecnica de observacao nao participante, participou da reuniao da RAMA realizada em dezembro de 2015, e entre os itens da pauta estava a apresentacao do primeiro plano de manejo por parte de alguns dos associados. Notou-se que eles, de forma participativa, estao buscando construir um modelo de plano para que possa ser utilizado pelos demais membros da organizacao social RAMA. Segundo Eshuis e Stuiver (2005), estas reunioes permitem que os presentes contem suas experiencias sobre o tema em questao, explicando, assim, o seu conhecimento sobre o assunto. E, caso eles nao consigam provar seus argumentos, os demais vao tentar demonstrar outros argumentos.

Neste contexto, a inovacao como uma expressao de conhecimento ganha intensidade e em muitos casos, envolve a introducao de novidades que modificam os processos administrativos e elementos relacionados a gestao da organizacao, criacao de uma nova organizacao do trabalho, ou nova gestao pratica (OCDE, 2005). A criacao da organizacao social RAMA constitui-se uma inovacao organizacional coletiva desenvolvida e resultante dos conhecimentos praticos dos agricultores e, tambem, dos processos de interacao social com outros atores e instituicoes. Para atender as exigencias da certificacao organica, as unidades de producao de alimentos organicos estao incorporando diversas capacidades gerenciais, tais como planejamento, organizacao da producao, qualidade do produto, dentre outros.

Novas rotinas e novos procedimentos de trabalho foram relatados por alguns produtores, principalmente aqueles que fazem processamento de produtos de origem vegetal, que devem se enquadrar as normativas do Servico de Inspecao Municipal--SIM da cidade de Porto Alegre (14). Por meio da certificacao organica, SIM, cursos de Boas Praticas de Fabricacao, dentre outros mecanismos, os produtores garantem a adequacao as exigencias de padroes de qualidade de seus produtos exigida pelos sistemas de certificacao e de fiscalizacao.

A tomada de decisao e suportada pelos conhecimentos que o decisor detem a respeito das atividades e do cenario em que atua. Para os entrevistados, a administracao da propriedade, ocorre de forma mais centralizada, com excecao na unidade de producao A, o que pode dificultar o compartilhamento de informacoes entre os membros da familia. <<[...] na realidade nos temos uma forma bem participativa de fazer as coisas ... entao e compartilhado a questao do gerenciamento. As decisoes sao tomadas em grupos [..]>>.

Na unidade de producao A todos da familia se envolvem na producao dos alimentos, enquanto que nas unidades B, C e D o gestor e responsavel pela producao primaria vegetal e as decisoes pertinentes a este tipo de producao enquanto que suas respectivas esposas gerenciam a parte de processamento de produtos de origem vegetal. A conversao do conhecimento (Nonaka, 1994; Nonaka e Takeuchi, 1998) pratico dos produtores pode nao ocorrer com predominio da centralizacao da tomada de decisao. Neste caso, ganha importancia a interacao que os produtores podem desenvolver com outros atores sociais e instituicoes que pode potencializar seus conhecimentos por meio de recontextualizacoes exogenas as suas atividades produtivas e assim desenvolverem inovacoes.

A interacao com instituicoes foi bem avaliada pelo gestor da unidade A. Programas de qualificacao oferecidos por instituicoes visam, em sua grande maioria, melhorar o gerenciamento das propriedades. Entre estes programas, os entrevistados citaram o projeto 'Juntos para Competir' capitaneado pelo Sebrae em conjunto com outras entidades, em que eles promovem a capacitacao de produtores relativas a tecnologia de producao e industrializacao, ao acesso a mercados e a gestao.

Eles nos ajudam na gestao, porque quem produz nao controla o dinheiro, eles tem consultores para visitar e fazerem acompanhamento e temos que anotar isso, dai depois discute isso aqui esta melhor e isso nao (unidade de producao A).

Esse projeto possibilita, tambem, ao gestor ou outro colaborador da unidade de producao, que geralmente e da sua mesma familia (filho ou parente proximo que atue na atividade) a participacao em cursos, palestras ou dias de campo.

Nos fomos duas vezes na Hortitec (15), em que voce nao precisa pagar nada, so gasta com alimentacao, voce ganha hospedagem e ate a passagem aerea, tudo por conta do projeto (unidade de producao A).

As maiorias dos entrevistados disseram que fazem parte, tambem, de grupos de trabalho interfuncional da organizacao social por eles criada, a RAMA. A participacao em grupos de trabalho, feiras, dias de campo, palestras, dentre outros, representa um espaco em que os produtores se deparam com novidades e inovacoes e onde podem, com base nos seus conhecimentos tacitos e contextuais, interagir e ter acesso a outros conhecimentos (agronomico, da extensao rural, cursos, educacao formal, de outros agricultores, nas instituicoes, dentre outros).

Em sintese, o suporte teorico proposto permitiu compreender com as unidades de producao que atuam na agricultura organica constroem conhecimento. O saber tradicional (conhecimento tacito) herdado pelos gestores e/ou proprietarios das unidades de producao e/ou transmitido por outros atores por meio da pratica diaria nas suas propriedades possibilitam a estas formarem estoque de conhecimento. Este estoque de conhecimento influencia na capacidade de aquisicao e criacao de conhecimento (Zheng et al., 2011). A interacao entre eles (via RAMA) tem permitido o compartilhamento de praticas, experiencias, e posteriormente processos de experimentacao, e que tem possibilitado, a geracao e combinacao de conhecimento para uma situacao especifica. A pesquisa demonstrou, tambem, que a construcao do conhecimento influencia nas inovacoes organizacionais, principalmente em praticas de negocios.

5 CONSIDERACOES FINAIS

O estudo realizado buscou demonstrar como ocorre o processo de construcao de conhecimento e inovacoes organizacionais em unidades de producao de alimentos organicos. Os resultados indicam que o conhecimento nas unidades familiares de producao de alimentos organicos pesquisadas tem como base fontes tacitas e contextuais. Muitos herdam da propria familia conhecimentos historicos relacionados a atividade produtiva e, por meio de praticas produtivas tacitas, moldadas por processos de aprendizagem, interacao e troca de saberes, permitem que o conhecimento se traduza em uma determinada mudanca ou tecnica que possibilite superar algum tipo de obstaculo e/ou garanta o funcionamento da atividade produtiva. Em outras palavras, criam as condicoes adequadas para a geracao de inovacoes.

Os conhecimentos tacitos dos produtores influenciam na forma como eles percebem os problemas e as oportunidades de seu ambiente de atuacao e determinam, tambem, processos de socializacao do conhecimento. O conhecimento tacito habilita os gestores no <<como fazer>> as atividades da sua unidade de producao. Porem nem todos sabem a razao pelo qual executam algumas atividades de uma determinada maneira. A resposta para esta questao pode ser encontrada nos processos de construcao de saberes a partir de interacoes, compartilhamentos e evolucao de experiencias que possibilitam a estes gestores combinar o conhecimento que possuem com os saberes tecnico-cientifico exogenos.

Um aspecto que cabe destacar e o papel do ambiente institucional que tem atuado como mecanismo de qualificacao e de estimulo a geracao de novos conhecimentos e inovacao. Qualifica atraves da institucionalizacao da certificacao como meio para atuar no mercado de organicos. Essa exigencia de certificacao, por sua vez, estimula a construcao de novos conhecimentos. Os resultados mostram que os novos conhecimentos, em sua grande maioria, foram favorecidos por meio da criacao de uma nova organizacao, a RAMA, que e a principal inovacao organizacional encontrada neste estudo.

Por meio desta organizacao eles criaram um espaco que tem favorecido e estimulado a troca de saberes. Por meio de processos de interacao social eles tem adquirido novos conhecimentos. No entanto, estes novos conhecimentos nao estao sendo utilizados na sua forma pura, mas combinados, ou recontextualizados, as suas praticas produtivas, gerando nova gestao pratica por meio de novas rotinas e processos administrativos, principalmente destinados a adequacao de suas unidades de producao as exigencias de certificacao e fiscalizacao.

Devido a natureza da pesquisa do estudo de casos, aponta-se como limitacao a impossibilidade de generalizacoes. Por isso, a necessidade de pesquisas semelhantes em outras regioes e paises para que se possa avancar nesta area de investigacao e, tambem, estudos que explorem com mais detalhes a influencia do ambiente institucional no processo de construcao e geracao de inovacoes na agricultura organica.

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Bernardes-de-Souza, Dercio (1)

Menezes, Daniela Callegaro (2)

Revillion, Jean Philippe Palma (3)

Recibido: 19-10-2017 Revisado: 13-03-2018 Aceptado: 08-08-2018

(1) Bacharel em Administracao (Universidade Estadual de Maringa-UEM, Brasil); Mestre em Administracao (Universidade Federal de Rondonia-UNIR, Brasil); Doutor em Agronegocios (Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS, Brasil). Professor do Departamento Academico de Administracao na Universidade Federal de Rondonia. Endereco: BR 364, Km 9,5 sentido Acre. CEP 76801-059. Porto Velho, RO, Brasil. Telefone: +55 69 2182 2106; e-mail: dercio@unir.br

(2) Bacharel em Administracao (Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS, Brasil); Mestre em Administracao (UFRGS, Brasil); Doutora em Agronegocios (UFRGS, Brasil). Professora e pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegocios CEPAN, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Endereco: Avenida Bento Goncalves, 7712--CEP 91540-000. Porto Alegre, RS, Brasil. Telefone: +55 51 3308 6586; e-mail: daniela.callegaro@ufrgs.br

(3) Agronomo (Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS, Brasil); Mestre em Agronegocios (UFRGS, Brasil); Doutor em Agronegocios (UFRGS, Brasil). Professor e pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegocios CEPAN, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Endereco: Avenida Bento Goncalves, 7712 CEP 91540-000. Porto Alegre, RS, Brasil. Telefone: +55 51 3308 6586; e-mail: jeanppr@gmail.com

(4) Apesar do termo nao ter sido criado por Schumpeter, foi ele, no entanto, quem estabeleceu, por intermedio da inovacao, a ligacao entre conhecimento, mudanc a e desenvolvimento economico. Dito de outra forma foi ele que deu uma razao economica a novidade tecnica (Trott, 2012).

(5) As contribuicoes de Schumpeter nortearam iversos desenvolvimentos subsequentes nesse campo de pesquisa (Pavitt, 2006), e influenciaram por decadas as teorias economicas.

(6) Entre esses autores, cabe destacar Nelson & Winter (1982), Bell & Pavitt (1993) e Freeman & Soete (1997).

(7) Documento publicado pela OCDE (Organizacao para a Cooperacao e Desenvolvimento Economico), tem por objetivo orientar e padronizar conceitos, metodologias e a construcao de estatisticas e indicadores de pesquisa de inovacao (OECD, 2005). No Brasil e utilizado como referencia pelo IBGE para a elaboracao da Pesquisa Industrial de Inovacao Tecnologica-Pintec.

(8) O Projeto 'Caminhos Rurais', foi uma parceria do escritorio municipal de turismo da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, EMATER--Empresa de Assistencia Tecnica e Extensao Rural do Rio Grande do Sul, Sindicato Rural e SENAR (Servico Nacional de Aprendizagem Rural). Este projeto visa estimular a geracao de empregos e renda na zona rural, alem de fixar o homem no campo (Prefeitura de Porto Alegre, 2016).

(9) Em 1997 a prefeitura de Porto Alegre e EMATER-RS associadas com o Centro Ecologico da cidade de Ipe (uma ONG que atua estimulando a producao e consumo de produtos ecologicos desde 1985), fomentaram a producao agroecologica no municipio de Porto alegre (Relato de Silvana / Sitio Capororoca, 2016).

(10) Instituicoes podem ser interpretadas como sendo as regras de um certo jogo, que determinam o que os jogadores podem e nao podem fazer (NORTH, 1990).

(11) International Federation of Organic Agriculture Movement (IFOAM) (https://www.ifoam.bio/).

(12) A certificacao pode ser obtida pela contracao de uma Certificadora por Auditoria ou se ligando a um Sistema Participativo de Garantia--SPG, que devera estar sob certificacao de um Organismo Participativo de Avaliacao da Qualidade Organica--OPAC (MAPA, 2016).

(13) Instrucao normativa do Ministerio da Agricultura, Pecuaria e Abastecimento do Governo Federal do Brasil que regulamenta os Sistemas Organicos de Producao Animal e Vegetal. No entanto, varias outras Instruco es Normativas recentes tem orientado este tipo de producao.

(14) Em Porto Alegre--RS o SIM--Servico de Inspecao Municipal foi criado pela Lei Municipal 8448 de dezembro de 1999 e regulamentado pelo Decreto 13252 de 06 de junho de 2001. Recuperado em 20 maio, 2016, http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smic/default.php?p_secao=261

(15) Hortitec--Exposicao Tecnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas (http://hortitec.com.br/site/).
Quadro 1. Caracteristicas das unidades familiares pesquisadas, ano
2015

Identificacao da   Tempo que trabalha
Propriedade        com a producao de
                   alimentos organicos
                        (em anos)

A                          15

B                          16

C                          19

D                          13

E                          13

F                           2

G                          18

H                           6

I                          18

Identificacao da              Tipo de Producao
Propriedade

A                  Producao primaria vegetal;
                   producao de produtos de origem vegetal

B                  Producao primaria vegetal;
                   producao de produtos de origem vegetal

C                  Producao primaria vegetal;
                   producao de produtos de origem vegetal

D                  Producao primaria vegetal;
                   producao de produtos de origem vegetal

E                  Producao primaria vegetal

F                  Producao primaria vegetal

G                  Processamento de produtos de origem
                   vegetal

H                  Producao primaria vegetal

I                  Processamento de produtos de origem
                   vegetal

Fonte: pesquisa de campo (2015)
COPYRIGHT 2018 Universidad de Los Andes, Centro de Investigacion Agroalimentaria
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Author:Bernardes-de-Souza, Dercio; Menezes, Daniela Callegaro; Revillion, Jean Philippe Palma
Publication:Revista Agroalimentaria
Date:Jan 1, 2018
Words:8521
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