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COMPETITIVENESS FACTORS OF TOURIST TRAIN OPERATOR IN BRAZIL/FATORES DE COMPETITIVIDADE DAS OPERADORAS DE TRENS TURISTICOS NO BRASIL/FACTORES DE COMPETITIVIDAD DE LAS OPERADORAS DE TRENES TURISTICOS EN BRASIL.

1. INTRODUCAO

O segmento de turismo ferroviario no Brasil reveste-se de importancia, especialmente em se tratando dos trens historicos, que aproveitam o patrimonio das antigas ferrovias tornando-se um atrativo. Tal fato deve-se a escolha feita, no passado, quanto ao modal de transporte que recaiu em favor do rodoviario em detrimento do ferroviario, hoje restrito em grande parte ao transporte de cargas e a algumas regioes do pais. Diante disso, segundo Mamede, Vieira e Santos (2008), Castro e Monastirski (2013), Nering (2014), alem de preservar e divulgar o patrimonio historico, o turismo ferroviario permite resgatar a memoria das pessoas que se utilizaram deste meio de transporte para se deslocar pelo pais em tempos passados.

No Brasil existem atualmente em atividade cerca de uma dezena de operadoras de trens turisticos, sendo que destas, a Associacao Brasileira de Preservacao Ferroviaria--ABPF, organizacao sem fins lucrativos, se apresenta como a maior em quantidade de trens em operacao. O restante das operadoras esta sob o controle de empreendedores independentes ou de prefeituras municipais conforme dados apresentados pelo Ministerio de Turismo--MTUR (2014). Diante do crescimento da oferta de produtos, Dwyer e Kim (2003), Domareski-Ruiz, Akel e Gandara (2015) e Gandara, Miki, Domareski-Ruiz e Biz (2013) asseveram que se torna relevante a capacidade que os gestores possuem de gerar atividades economicas de maneira organizada e superior aos concorrentes a fim de atender as necessidades dos turistas, em outros termos, que tenham competitividade.

Roman, Piana, Lozano, Mello e Erdmann (2012) propoem que dentro da abordagem da competitividade, emergem alguns aspectos que tornam as organizacoes mais ou menos competitivas em relacao as demais, os quais sao denominados fatores de competitividade. Eles determinam o quao a organizacao se destaca perante as demais concorrentes de um determinado mercado.

Nesse sentido, justifica-se a realizacao da presente investigacao, visto nao ter sido encontrados estudos que abordam o turismo ferroviario sob o prisma da competitividade no Brasil. Quando buscados os termos "turismo ferroviario" e "competitividade" no Portal Periodicos da Capes, nenhum resultado conclusivo e apresentado. No caso do transporte e turismo verifica-se dois artigos, um tratando do transporte no contexto da regionalizacao sob a perspectiva da geografia de autoria de Lopes Junior (2012) e outro correlacionando o transporte e desenvolvimento economico, relacionando-o ao turismo escrito por Perim; Caetano; Costa; Pimenta e Almeida (2017). Ao se realizar a busca com os mesmos termos em ingles, rail-way tourism e competitiveness novamente a busca nao apresenta resultados diretos. Destacam-se artigos que se dedicam a demonstrar de que maneira o turismo ferroviario esta impactando o turismo na Ucrania, como os estudos de Martseniuk (2016), Martseniuk e Proskurnia (2015) e Kuznetsov, Pshinko, Klimenko, Gumenyuk e Zahorulko (2015). Ressalta-se que nenhum dos referidos artigos discute o assunto sob a perspectiva da competitividade.

Destaca-se que o escopo do artigo nao abarca o transporte regular de passageiros. Considera-se que os tipos de trens objetos desta pesquisa estao inseridos no contexto do turismo ferroviario, porque de acordo com Brambatti e Allis (2010), consiste naquela forma de turismo, em cujo cerne da realizacao da viagem, esta a utilizacao de um trem, nao somente como meio de transporte, mas tambem, como atrativo turistico principal.

Como orientacao para esta investigacao, coloca-se a questao: quais sao os fatores competitivos das operadoras de trens turisticos no Brasil? Para solucionar esse questionamento, coloca-se como objetivo geral da pesquisa compreender os fatores competitivos das operadoras de trens turisticos no Brasil tomandose como parametro os pressupostos teoricos indicados por Zook e Allen (2001), Machado--daSilva e Barbosa (2002), Fernandes (2014).

A fim de atender os interesses da pesquisa, o presente texto encontra-se dividido em cinco secoes, sendo a primeira, esta introducao, na qual se trataram dos objetivos do estudo. A segunda, reserva-se para a discussao do marco teorico que fundamenta a analise. Na terceira, consta os procedimentos metodologicos utilizados para a realizacao do estudo, seguida de uma quarta secao na qual esta a apresentacao, a analise e discussao dos dados coletados. Finalmente, na quinta, constam as consideracoes finais e sugestoes para novas incursoes no tema.

2. COMPETITIVIDADE E TURISMO FERROVIARIO

Esta secao esta reservada para a discussao dos fundamentos teoricos que subsidiam a investigacao. Inicia-se por uma discussao sobre competitividade, desdobrando-se em seguida os fatores de competitividade, finalizando com o debate sobre turismo e turismo ferroviario.

Para Domareski-Ruiz et al (2015) e Ritchie e Crouch (2003) a competitividade pode ser descrita como a capacidade de gerar atividades economicas lucrativas, de maneira organizada e superior aos concorrentes, levando em conta os aspectos de gestao e planejamento. Desta forma, sob o vies dos destinos turisticos, a competitividade leva em conta diversos aspectos, principalmente a integracao entre os atores locais do turismo.

Levando esses conceitos em conta, Gandara et al (2013) afirma que os referidos atores devem se relacionar por meio de estrategias integrativas, para que apresentem produtos mais robustos e que atinjam de maneira mais eficiente seus publicos. A competitividade ainda pode ser entendida, segundo Dwyer e Kim (2003), como um esforco dos atores dos destinos para prover seus consumidores dos melhores produtos e servicos turisticos. Assim, o que realmente torna um destino turistico competitivo e a capacidade dos gestores e atores de aumentar o gasto medio dos seus consumidores, atraindo para si mais turistas que seus destinos concorrentes. Nesse sentido, a competicao, segundo Porter (1999), pode exercer influencia sobre a qualidade dos servicos exigidos pelos clientes e sobre os precos praticados pelos fornecedores. Como corolario desse debate, Tsai, Song e Wong (2009) colocam que se o destino possuir capacidades de atrair e satisfazer as necessidades dos turistas ele e um destino competitivo. O Sebrae (2014), organizacao voltada para auxiliar os empreendedores do Brasil, adota o mesmo argumento ja discutido por Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1997), ao mencionar dois tipos de abordagens quando se trata do estudo de competitividade: uma com foco no desempenho, mais voltado ao vies economico, utilizando dados de como o mercado se comporta, indicadores economicos, numeros de turistas entre outros itens.

A segunda abordagem e focada na eficiencia, onde se leva em conta aspectos mais estruturais de um pais, destino ou empresa turistica. Essas duas visoes, apesar de bastante adotadas, no entendimento de Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1997) sao limitadas porque consideram aspectos estaticos das organizacoes. Para eles a competitividade e dinamica e se caracteriza como a capacidade dos gestores formularem e implementarem estrategias concorrenciais que lhes permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posicao da organizacao no mercado. Crouch e Richie (1999) compactuam da ideia de que a competitividade e dinamica, alegando que por isso os destinos sao pressionados a constantemente se atualizarem para continuarem competitivos. Nesse sentido, Compans (1999) assevera que o estimulo a competitividade pode promover o desenvolvimento economico local, visto que atrai um maior numero de atores ao destino.

Mediante o que foi preteritamente descrito, depreende-se que e a estrategia adotada pela empresa, ao escolher dentre varias alternativas possiveis, aquela que vai orientar a sua atuacao, e que determina a utilidade dos seus recursos acumulados, bem como a sua aplicacao, para obter resultados que a destaquem no mercado (Feger, 2008). E importante considerar tambem que para se tornarem competitivas, as organizacoes necessitam se adequar as caracteristicas do publico desejado, como ensina Scott (1995), permitindo assim maior acesso ao bens materiais e recursos economicos necessarios aos seu desenvolvimento.

Examinando sob a conjectura da iniciativa privada, Ferraz et al (1997) afirmam que a competitividade tem relacao com a capacidade das empresas adotarem estrategias que as mantenham no topo pelo maior tempo possivel. Na mesma esteira de pensamento, numa perspectiva mais mercadologica sobre competividade, Porter (1986) menciona que a estrategia competitiva busca posicionar a empresa de maneira forte e lucrativa contra seus concorrentes dentro do mercado. Desta forma, Porter (1986) sustenta que existe um grupo de cinco forcas competitivas: ameaca de novos entrantes, poder de negociacao com os fornecedores, poder de negociacao com os compradores, produto substitutos e concorrentes existentes.

Para Mintzberg e Quinn (1998), todas estas forcas mencionadas estao relacionadas a competividade de empresas, incluindo neste grupo, as empresas turisticas. Levando em conta estas forcas, e necessario que as empresas adotem algum tipo de estrategia para ter forca dentro do mercado no qual esta inserido. Estrategia pode ser assumida como a coleta de informacoes sobre tecnologias, atividades e tendencias do mercado, que posteriormente sao tratadas e analisadas para definir um rumo para a tomada de decisao da organizacao. Varios autores discorrem sobre diferentes tipos de estrategias competitivas que as empresas podem levar em conta na hora de definir seu planejamento. Segundo Miki, Gandara e Munoz (2012), a maior parte das estrategias competitivas adotadas leva em conta o aspecto da produtividade e da eficacia em seu cerne.

2.1 Fatores de Competitividade

Os fatores de competitividade, mediante o que se pode depreender dos escritos de Zook e Allen (2001) e Roman et al (2012), consistem nos aspectos que tem relevancia para a gestao de uma organizacao, ou seja, se constituem nos elementos que influenciam a sua sobrevivencia. Dessa forma, leva em conta aspectos que beneficiam e podem aumentar a produtividade da organizacao. Assim, Roman et al (2012) aludem que os fatores de competitividade sao as caracteristicas que a organizacao necessita para apresentar seus resultados e fazer-se figura de destaque em relacao aos seus concorrentes.

Zook e Aleen (2001) menciona que alguns fatores competitivos se sobressaem dos demais, influenciando de maneira explicita o cerne do negocio. Esses fatores sao baseados nos clientes, no canal de distribuicao, no produto ou no capital. Para o referido autor os fatores baseados nos clientes levam em conta a fidelidade dos compradores, as informacoes que a empresa tem acerca da sua clientela e o modelo de negocio estruturado ao redor da area de dominio mercadologico na qual a empresa se concentra. O autor pondera ainda, que nos fatores baseados no canal de distribuicao, o que torna a empresa competitiva, e a mesma estar presente no canal mais adequado ao seu publico alvo, ter parcerias com os principais membros desse canal e ser o ponto de controle da rede que envolve esse canal de distribuicao.

Levando em conta os fatores baseados nos produtos, Zook (2001), afirma que os fatores competitivos estao relacionados ao baixo custo de producao (aspecto que somente o produto da organizacao apresenta), tornando-o singular. De outra parte estao relacionados com produtos ineditos no mercado (quando a empresa tem sob sua tutela patente dos produtos), e por fim, ter alta participacao nas compras dos seus clientes. Ainda existem aqueles fatores que sao baseados no capital, os quais dizem respeito ao alto valor de mercado da organizacao e sua maior capacidade de investimento com relacao aos seus concorrentes. Estes argumentos encontram respaldo nas proposicoes de Porter (1986) ao tratar das cinco forcas competitivas ja mencionadas no presente texto.

Slack, Chambers e Harland (1997) argumenta que sao cinco os fatores competitivos que se destacam dos demais: confiabilidade, custo, flexibilidade, qualidade e velocidade. Davis (2001) complementa, inserindo como fatores importantes o servico e a entrega. Estes dois autores, em parte, inclinam-se em direcao ao que foi sugerido por Zook e Allen (2001). Isso posto, chegam-se a alguns fatores em comum: custo e qualidade.

Fernandes (2014) menciona que os fatores competitivos podem ser divididos em grupos: mercadologicos, relacionados aos clientes, relacionados a gestao de recursos e ainda relacionados as estrategias de relacionamento. O primeiro grupo, de fatores mercadologicos mencionados, trata dos seguintes aspectos: preco baixo do produto, flexibilidade em sua arquitetura, logistica de distribuicao estrategica, participacao no mercado internacional, estrategia comercial em escala global, empreendedorismo dentre outras. O segundo grupo, dos fatores relacionados aos clientes, e composto por: conhecimento e satisfacao dos desejos dos clientes, fidelizacao, valorizacao do relacionamento com os clientes. O terceiro grupo, diz respeito a gestao de recursos, leva em conta: agilidade, inovacao, sistema de informacao de qualidade, metas financeiras estabelecidas, investimento em pesquisa, baixos custos dentre outros. O ultimo grupo, dos fatores relacionados as estrategias de relacionamento, propoe como fatores competitivos o relacionamento saudavel com a concorrencia, a valorizacao dos fornecedores e a valorizacao da imagem institucional da empresa.

Machado da Silva e Barbosa (2002) citam que os fatores competitivos podem ser subdivididos em quatro categorias: Mercadologicos, Clientela, Gestao de Recursos e estrategias de relacionamento. Na primeira categoria estao inseridos os aspectos relacionados ao mercado na qual o produto ou organizacao estao inseridos. Dentre os fatores estao preco baixo, logistica, participacao no mercado internacional, empreendedorismo, planejamento estrategico, visao baseada no mercado.

A segunda categoria e composta pelos fatores que estao relacionados ao cliente, principalmente aqueles que buscam satisfazer as suas necessidades e valorizar o relacionamento com eles. Segundo Machado da Silva e Barbosa (2002), a terceira categoria tem relacao com a gestao dos recursos. Desta forma, os fatores que estao atrelados a este grupo sao: agilidade, inovacao,

metas financeiras, informatizacao de processos, qualidade, gestao do conhecimento, desenvolvimento e valorizacao das pessoas envolvidas e adequacao a certificacoes internacionais.

A quarta e ultima categoria tem relacao com as estrategias de relacionamento das organizacoes. Dentre os fatores mencionados pelos autores estao a relacao com os concorrentes, a valorizacao da imagem no interior da propria organizacao, o relacionamento com o empresariado local e com os seus fornecedores.

Tomando por referencia os fatores competitivos acima mencionados, indicados principalmente por Zook e Allen (2001), Machado-da-Silva e Barbosa (2002) e Fernandes (2014), foi organizado uma sintese dos fatores competitivos para cada um dos tres grupos propostos no Quadro 1, os quais servirao de base para a coleta de dados com o representante das empresas de turismo ferroviario. Assim, aglutinando os pressupostos teoricos destes autores se delineou um modelo para analise dos fatores competitivos dos trens turisticos.

O conteudo do Quadro 1 se mostra interessante como uma abordagem inicial para compreender o cenario em que atuam os trens turisticos, uma vez que nao se encontram estudos especificos sobre competitividade relacionado ao turismo ferroviario. Parte desse fato, pode ser atribuido ao modal de transporte brasileiro, seja de cargas ou passageiros, que privilegia o rodoviario em detrimento ao ferroviario. Pode-se comprovar isso com os dados apresentados pelo IBGE (2017), onde demonstra que a matriz de transporte brasileira e muito desequilibrada para o lado dos transportes rodoviarios, destacando que esse modal rodoviario representa mais de 60% do total do volume transportado no pais.

2.2. Turismo Ferroviario

O turismo e um fenomeno multifacetado, nao havendo um consenso quanto a um conceito unico, variando de acordo com a disciplina que se utiliza para o seu estudo (Acerenza, 2002). Entre muitas definicoes De La Torre (1997) o retrata como um fenomeno social constituido pelo deslocamento voluntario e temporario de pessoas com uma motivacao que nao seja lucrativa ou remunerada, gerando multiplas relacoes sociais, economicas e culturais. Beni (2002) o entende como um elaborado e complexo processo de decisao sobre o que visitar, onde, como e a que preco, interligando fatores de motivacao, estrutura e servicos para sua realizacao.

Nesse sentido, pode-se depreender que o turismo e a atividade na qual o sujeito se desloca do seu entorno habitual para realizar atividades de lazer. Necessita obrigatoriamente do deslocamento do seu entorno habitual para que ocorra, e envolve varios elementos, dentre eles transporte, alojamento e alimentacao, nao necessariamente todos ao mesmo tempo (Cooper, 2001; Barreto, 2003). Para Irving & Fragelli (2012), dadas as suas caracteristicas, o turismo e seus segmentos podem ser elementos de estimulo a economia local como tambem pode estimular potenciais destinos a buscarem o turismo como alternativa. Concordando com esse pensamento, a partir da visao economica Acerenza, (2002) e Urry (2001), argumentam que por intermedio da troca entre esse conjunto de atividades sociais de que trata o fenomeno turistico, o torna um aspecto que e economicamente muito importante.

Para se deslocar a um determinado destino, os turistas necessitam de atracoes que os motivem a escolher tal local. Os atrativos turisticos podem ser considerados os elementos motivacionais do turismo. Eles e suas especificidades atraem os visitantes para determinados locais. Estes atrativos dizem respeito aos elementos naturais ou culturais que sao formatados de maneira a recepcionar os visitantes. Quando os atrativos se apresentam como os meios de transporte, o proprio modo de transporte utilizado se torna o ponto focal da viagem, motivando os turistas a ir a um destino somente pela experiencia no modal (Braga, 2007; Ignarra, 2003; Page, 2008; Palhares, 2002; Boullon, 2002; Lage & Milone, 2001; Valls, 2006).

Estes atrativos, juntamente com elementos de prestacao de servicos, como equipamentos de hospedagem, transporte e facilidades, os quais quando compostos de forma organizada, sao adquiridos pelos turistas, constituindo-se no produto turistico local (Organizacao Mundial do Turismo, 2001; Rushmann, 2000). Sendo assim, Nakatani, Gomes e Nunes (2016) acrescentam que tais produtos sao influenciados pela demanda e reunem o que os destinos oferecem, podendo ser atrativos ou bens de consumo locais.

O turismo, dada as suas caracteristicas, apresenta uma grande segmentacao de mercado (Ansarah, 2005). O turismo ferroviario se apresenta como um dos diversos segmentos que existem dentro da atividade turistica. Brambatti e Allis (2010) afirmam que diferente de alguns outros segmentos que tem seu atrativo em paisagens, monumentos ou atividades, o turismo ferroviario tem por principal atrativo o andar de trem. Neste segmento, o andar com o trem transcende a atividade, sobrepujando os demais atrativos, que se tornam componentes secundarios do destino. Dickinson e Lumsdon (2010) mencionam que, os principais fatores que motivam o sujeito a selecionar um destino ou produto de turismo ferroviario estao ligados a maior diversao proporcionada por esse meio de transporte, e, alem disso, as paisagens mostradas atraves das janelas dos carros de Passageiros sao outra fonte de motivacao.

Page (2001) menciona que o meio de transporte pode ser o ponto focal do turismo, sendo que exatamente nesse aspecto e que se encontram as ferrovias turisticas. Palhares (2002) afirma que o patrimonio envolvido, juntamente com as caracteristicas presentes durante o trajeto, e em alguns casos, a animacao turistica envolvida no passeio, tem a capacidade de transformar a acao de andar de trem na principal motivacao da viagem, sendo o trem o principal atrativo, transcendendo sua funcao primaria de meio de transporte.

Alem de ser o ponto focal do turismo, o transporte ferroviario regular tem a capacidade de funcionar como indutor do turismo. Gracas ao avanco tecnologico, os trens de alta velocidade vem contribuindo de maneira direta no aumento do numero de turistas em determinados destinos pelo mundo. Wang, Huang, Zou e Yan (2012) apresentam o caso do trem de alta velocidade entre Guangzhou a Wuhan. O trem funcionou como instrumento de distribuicao de turistas, possibilitando que novos consumidores atingissem os destinos em menos tempo, contribuindo assim para o aumento da quantidade de turistas nos destinos pelos quais a ferrovia passa. Masson e Petiot (2009) ainda usam o exemplo do Train a Grand Vitessse (TGV) na Franca. Ano apos ano, o numero de turistas utilizando o trem aumenta, principalmente aqueles voltados ao turismo de negocios. Isso demonstra que, alem de poder ser o ponto focal do turismo, mesmo quando se apresenta somente como meio de transporte, o trem e um instrumento importante para o turismo.

Mamede, Vieira e Santos (2008), Castro e Monastirsky (2013) e Nering (2014) tratam o patrimonio como destaque no turismo ferroviario, principalmente nos casos de trens historicos. O patrimonio deixado pelas antigas ferrovias se torna parte do atrativo, e, alem disso, faz parte da memoria daqueles que utilizaram originalmente os trens.

O patrimonio faz o individuo relembrar a acao humana em determinado periodo historico. No caso dos trens, o patrimonio envolvido cria um sentimento de pertencimento no sujeito, principalmente naqueles que tiveram uma relacao direta com as ferrovias, seja na sua utilizacao, ou por terem exercido alguma funcao dentro da estrutura ferroviaria. Allis (2002), Finger (2012) e Freire, Cavalcanti, Bessoni e Freitas (n.d.) afirmam que no caso brasileiro de turismo ferroviario, dado o modelo implantado, o patrimonio ferroviario tem forte apelo, uma vez que existem diversas operacoes de locomotivas a vapor do inicio do seculo XX que operam como trens turisticos atualmente. Existem ainda vilas inteiras, como Paranapiacaba (SP), que preservam ate hoje as caracteristicas das vilas ferroviarias.

Para Nering (2014) no Brasil o turismo ferroviario ainda se mostra como um segmento com grande potencial, todavia, ainda pouco utilizado. Existe um interesse grande por parte do poder publico acerca do segmento, principalmente sobre novas operacoes de trens turisticos por parte das prefeituras. Porem, grande parte dos novos projetos esbarra no parecer tecnico sobre a viabilidade da nova operacao, ou ainda, na dificuldade em obter permissao das concessionarias para viabilizar a operacao.

Atualmente, o turismo ferroviario no Brasil e representado por pouco mais de 25 operacoes de trens turisticos com certa regularidade, e alem desses, mais alguns trens tematicos que operam sazonalmente e sem uma periodicidade clara. Destes trens, se destacam as operacoes da ABPF, pela sua caracteristica de preservacao, e a Serra Verde Express, pela sua preocupacao direta com o mercado.

A Associacao Brasileira de Preservacao Ferroviaria--ABPF e atualmente a operadora de trens turisticos com maior numero de trens em funcionamento, contando com diversas filiais pelo Brasil. Segundo seu portal oficial na internet (www.abpf.org.br) a associacao se apresenta como organizacao sem fins lucrativos, criada com o intuito de preservar a memoria e o patrimonio ferroviario. Seus trens tem como principal caracteristica o conteudo historico-patrimonial, sendo destaque as locomotivas a vapor utilizadas, as popularmente denominadas "Marias Fumacas". No Quadro 02 sao apresentadas as operacoes da ABPF.

Quanto a outra empresa que se destaca na operacao de trens turisticos pelo Brasil e a Serra Verde Express. A Serra Verde Express (2017) e uma empresa paranaense, sediada em Curitiba. A Serra Verde Express e hoje a operadora de trens turisticos com maior numero de turistas transportados por ano no Brasil. Atualmente opera diferentes formatos de trens turisticos, sendo uma das unicas consideradas como meio de transporte regular, apesar de seu apelo turistico sobrepor essa caracteristica.

Em sua composicao completa, o trem chega a mais de 20 carros de passageiros, transportando mais de 1000 pessoas por passeio. A Serra Verde Express atualmente tem sob seus cuidados os seguintes trens:

Apesar de ambas as operadoras, tanto a ABPF quanto a Serra Verde Express, terem por caracteristicas a operacao de trens turisticos, elas apresentam caracteristicas que as diferenciam. A primeira, a ABPF, se apresenta como uma organizacao responsavel por promover e realizar a conservacao e preservacao do patrimonio ferroviario brasileiro. Seu enfoque principal nao sao os passeios ferroviarios, e sim o aspecto patrimonial envolvido na atividade. Os passeios de trem sao utilizados principalmente para difundir esses ideais de preservacao. A associacao, por nao apresentar fins lucrativos, nao tem como um dos objetivos a arrecadacao de altas quantias. Seu olhar, de certa forma, se volta para os aspectos sociais da ferrovia.

Em contraposicao, a Serra Verde Express, por se apresentar como uma empresa com fins lucrativos de carater privado tem seus objetivos voltados principalmente a obtencao de lucros com os passeios de trem. Assim, apesar de apresentar uma preocupacao com o estado do patrimonio ferroviario envolvido, seu principal horizonte esta no aspecto mercadologico do passeio, visando sempre atrair o maior numero de turistas.

3. METODOLOGIA

O presente artigo se apresenta como um ensaio teorico/empirico com enfoque exploratorio/qualitativo. Quanto a amplitude de aproximacao ao problema se caracteriza como pesquisa exploratoria pois visa inteirar o investigador sobre os meandros do tema discutido. A pesquisa exploratoria, segundo Gil (2010) tem como objetivo principal familiarizar o pesquisador com o tema de sua discussao. Ela e importante tambem para capturar as mais variadas informacoes sobre determinado assunto pesquisado.

No tocante a abordagem a pesquisa se classifica como qualitativa. Malhotra (2006) afirma que esse processo investigativo nao-estruturado, baseia-se em pequenas amostras, visando a exploracao de um tema de forma a proporcionar ao pesquisador percepcao e compreensao do contexto do problema, no caso desta pesquisa, os fatores de competitividades das empresas que atuam no turismo ferroviario brasileiro.

A fim de alcancar o objetivo da pesquisa, foram adotados dois caminhos para a coleta de dados. Num primeiro momento, foi feito um levantamento de dados bibliograficos e documentais acerca dos fatores competitivos e sobre os trens turisticos em livros e documentos disponibilizados pela ABPF, MTUR e Empresa Serra Verde Express na internet, o que determina que a pesquisa seja documental conforme explica Mattar (2008).

Em um segundo momento, foi realizada uma entrevista em profundidade com o presidente da Associacao Brasileira de Operadoras de Trens Turisticos e Culturais--ABOTTC, entidade que congrega 17 operacoes de trens turisticos e suas respectivas operadoras. Essa organizacao tem como objetivo promover o crescimento e desenvolvimento do setor do turismo ferroviario, buscando incrementar o turismo no Brasil atraves do estimulo a utilizacao dos trens em operacao. Levando em conta o levantamento do Ministerio do Turismo (2014), e ainda ponderando que algumas operacoes nao estao mais em funcionamento, a ABOTTC congrega mais da metade de todas as operacoes de trens turisticos do Brasil. A ABOTTC (2017) se apresenta em seu site como a entidade reconhecida por reunir e representar as operadoras de trens turisticos e culturais em ambito nacional e internacional.

A selecao do entrevistado levou em conta que a organizacao que o mesmo representa congrega em torno de 70% das operadoras em atividade no Brasil. Nesse sentido, justifica-se a eleicao de um unico respondente devido a sua reputacao. Segundo o entendimento de Knoke e Kuklinski (1991) apud Scott et al (2008), quando um individuo possui o poder real ou potencial de mover ou agitar um determinado sistema possui reputacao para responder por ele. No caso, como presidente da instituicao, os pesquisadores entenderam que o mesmo possui a reputacao necessaria para responder os questionamentos relacionados ao tema desta pesquisa. Adicionalmente, por ser de cunho qualitativo e se pretender compreender a existencia do fenomeno, no caso os fatores de competitividade e nao a sua frequencia, tal decisao, quanto a amostra, se deve ao que e preconizado para a pesquisa qualitativa em que, nao e o numero de respondentes e sim a representatividade e a capacidade de responder as questoes de pesquisa que torna a amostra valida, conforme explicam Godoy (1995) Minayo (2004) Gerhardt e Silveira (2009) e Mattar (2008). No caso, como presidente da referida associacao, por ter contato direto com todos os associados, entende-se que seu presidente detem uma boa nocao do que ocorre no setor, de forma que possui condicoes de aportar um conhecimento inicial a respeito do tema aqui estudado. Alem disso, o entrevistado tambem e diretor da Serra Verde Express, operadora referencia no segmento dos trens turisticos no Parana. Esses aspectos credenciam o entrevistado como representativo da populacao, de forma que atende os preceitos da pesquisa qualitativa em relacao a amostragem.

Como instrumento para coleta de dados em campo, a entrevista foi selecionada pois, segundo Ribeiro (2008), proporciona aos entrevistadores obterem informacoes acerca do tema, permitindo conhecer atitudes, sentimento e valores do entrevistado, podendo com isso ir alem das acoes do mesmo, incorporando todos esses elementos para a interpretacao dos dados coletados. Gil (2010) menciona que uma das tecnicas possiveis de serem utilizadas para a pesquisa e a pesquisa focalizada, onde nao e elaborado um roteiro estruturado de perguntas justamente para que a entrevista possibilite um leque maior de possibilidades de resposta, sendo bastante utilizada para compreender mais sobre a experiencia do entrevistado. Para a recolha dos dados, o Quadro 1, ja citado anteriormente, foi apresentado ao entrevistado, de forma que ele, com sua experiencia e conhecimento sobre o setor dos trens turisticos e culturais, comentasse e apontasse quais fatores de competitividade estao mais presentes nos trens turisticos no Brasil. Tais ponderacoes foram anotadas e depois sintetizadas de maneira a tracar evidencias de quais sao os fatores que tem maior relevancia para os trens turisticos brasileiros. Nesse caso a entrevista nao foi gravada, as respostas foram sendo sintetizadas pelo proprio pesquisador a fim de contemplar os argumentos do entrevistado.

A apresentacao dos dados e sinteses efetuadas sao apresentadas na secao seguinte, retratando os fatores de competitividade mais salientes observados nesta pesquisa.

4. FATORES DE COMPETIVIDADE E TURISMO FERROVIARIO

Com base nos dados recolhidos conforme o que foi explicado na secao anterior, em seguida sao apresentados e analisados os dados colhidos em campo.

4.1 Fatores Baseados nos Clientes

Quando observados os fatores baseados nos clientes, os trens turisticos apresentam algumas variacoes. Segundo o entrevistado, aqueles com enfoque privado, principalmente a Serra Verde Express e a Giordani Turismo, apresentam uma preocupacao maior com a fidelizacao do cliente. Comprovacao disso e a preocupacao da Giordani Turismo com a avaliacao do seu servico e passeio, preocupacao essa que se mostra na forma de uma pesquisa de satisfacao disponivel em seu site oficial (https: //www .giordaniturismo.com .br/mariafumaca/). Porem, esse aspecto no interior do cenario dos trens turisticos ainda nao e muito marcante, dadas as caracteristicas das organizacoes, especialmente as que tem maior preocupacao com a preservacao e manutencao do patrimonio ferroviario.

Quanto a satisfacao da necessidade dos clientes, os trens estao evoluindo nesse fator de competitividade. Segundo o entrevistado, os trens estao se modernizando, e gracas aos projetos e programas que estao participando, estao buscando novas propostas para atender melhor seus clientes, e assim aumentar o grau de satisfacao. Porem, ainda nao existe um estudo claro nesse aspecto de satisfacao do cliente. Um dos exemplos se da no Trem da Serra do Mar (SC) que implementou acoes para aumentar a experiencia dentro do trem, com o chefe do trem simulando acoes que recordam os anos dourados das ferrovias.

Os demais aspectos, como grande conhecimento sobre os clientes, valorizacao do relacionamento com o mesmo e prestar servicos com qualidade superior sao caracteristicas presentes nas operacoes ferroviarias turisticas, porem tem maior presenca naquelas de cunho privado. O entrevistado destacou novamente a Serra Verde Express e a Giordani Turismo como referencias na busca por conhecer melhor seus clientes. Como exemplo pode-se mencionar a preocupacao da Serra Verde Express em acompanhar e responder todos os comentarios recebidos na rede social Tripadvisor, rede de avaliacao de empreendimentos, destinos e atrativos turisticos. Moretti, Zucco e Stropoli (2011) afirmam que a internet dentro do contexto do turismo e uma das principais fontes de informacao, possibilitando o contato direto com os clientes reais e potenciais.

4.2 Fatores Baseados no Mercado e Produto

Quanto aos fatores ligados ao mercado e produto, as operacoes de trens turisticos se destacam em alguns deles. O aspecto do "preco baixo" e o que destoa dos demais fatores. Para Aaker (1998) o preco mais elevado pode ser considerado um aspecto positivo, quando levamos em conta que o maior valor tende a proporcionar uma maior qualidade percebida pelo cliente. O valor agregado nos passeios de trens turisticos nao depende somente da vontade dos operadores, recaindo sobre as operacoes varios tributos e taxas. Alem disso, dada a pequena quantidade e exclusividade nos passeios de trem, os valores cobrados nao sao os aspectos principais no processo de realizacao do passeio.

Segundo o entrevistado, o fator competitivo da logistica e distribuicao estrategica esta evoluindo, principalmente com a captacao de clientes nacionais e internacionais, atraves da participacao da ABOTTC em feiras, tanto no Brasil, quanto no exterior. Ainda nao ha um canal de distribuicao muito claro de todos os trens turisticos. Cada um utiliza os meios que julga mais eficazes. Com excecao da Serra Verde Express que atua em diversas frentes de comunicacao e distribuicao, os demais ainda se limitam aos canais tradicionais, focando principalmente na venda direta ao publico dos seus bilhetes, sem qualquer forma de intermediacao.

Os demais elementos, aspectos singulares do produto, produtos ineditos, empreendedorismo e relacionamento com os concorrentes sao fatores de destaque. Os trens turisticos como um todo apresentam principalmente aspectos singulares em seus produtos. Brambatti & Allis (2010) colocam que a simples experiencia de andar de trem ja e um aspecto singular percebido nos trens. O entrevistado mencionou que todos os trens turisticos apresentam caracteristicas singulares entre si e perante os demais produtos turisticos do mercado local. Esse elemento pode ate ser considerado o principal fator competitivo, dada a significancia da singularidade para os trens. Essas caracteristicas sao reforcadas pela exclusividade que os trens turisticos apresentam em relacao a outros atrativos turisticos.

Os trens apresentam como caracteristica muito presente a questao de buscar singularidades que os distingam dos demais, seja no entretenimento a bordo, como temos no caso do Trem do Vinho (RS), seja no oferecimento de varios produtos diferentes para um mesmo trem, caso do Trem da Serra do Mar Paranaense e as diversas possibilidades de ir e voltar, incluindo ou nao refeicao, produtos esses oferecidos no site oficial da operadora (www.serraverdeexpress.com.br), ou ainda, a possibilidade de visualizar a oficina onde sao restauradas as locomotivas, caso do Trem da Serra do Mar (SC).

Quanto aos produtos ineditos, o entrevistado destacou esse fator competitivo, mencionando exemplos como o Beer Train, trem que une o passeio a degustacao e harmonizacao de cervejas artesanais. Em Sao Paulo ocorre o trem da cerveja, e em Pernambuco, o Trem do Forro mostrando que os trens procuram se diferenciar atraves de produtos singulares, inovadores e ineditos. Esse foi um dos fatores de destaque mencionados pelo entrevistado. Os trens vem buscando produtos ineditos para se posicionar dentro do mercado. O relacionamento entre os operadores de trens turisticos e outro elemento enfatizado pelo entrevistado. Ele menciona que os operadores de trens estao constantemente em contato para adquirir conhecimentos sobre as boas praticas para suas organizacoes.

4.3 Fatores Baseados na Organizacao

Observando os fatores baseados na organizacao, o entrevistado mencionou que somente alguns fatores podem ser aplicados aos trens turisticos. Deste grupo de fatores competitivos, se destaca somente a inovacao na criacao dos produtos turisticos. A insercao de atividades inovadoras durante o passeio e destaque dentro do turismo ferroviario, como ja mencionado anteriormente pelo inquirido nos itens de aspectos singulares e produtos ineditos, como apresentado acima.

A criacao de produtos ferroviarios em um pais onde o modal de transporte ferroviario de passageiros e utilizado em pequenissima escala ja torna a atividade inovadora. Isso e perceptivel quando se constata que atualmente existem somente duas operacoes regulares de trens de passageiros no pais sem conotacao turistica-cultural. Segundo a Agencia Nacional de Transportes Terrestres--ANTT (2017), somente os trens Paraupebas (PA) a Sao Luis (MA), na Estrada de Ferro Carajas--EFC e Vitoria (ES) a Belo Horizonte (MG), na Estrada de Ferro Vitoria a Minas--EFVM se apresentam como trens regulares de passageiros. Inserir experiencias dentro de um trem, como o Beer Train (Trem da Serra do Mar Paranaense em parceria com a Cervejaria Bodebrown) torna o segmento inovador perante os demais. Para Pezzi & Vianna (2015) a ideia central da experiencia no turismo e que o sujeito quer ser o protagonista da sua viagem, vivenciando cada momento. A insercao de experiencias diferenciadas que compensem a viagem torna-os produtos inovadores para os clientes.

Os demais itens destoam das caracteristicas dos trens. Segundo o entrevistado, nenhuma das operadoras tem um alto poder de investimento, seja ele em qualquer departamento, com excecao do Trem do Corcovado, que tem respaldo de investidores com maior capacidade de investimento no produto. Nenhuma das outras operacoes trabalha com esse fator competitivo. Consequentemente, os demais itens que estao atrelados a necessidade de realizar investimento tambem nao se apresentam como fatores competitivos relevantes. Eles se apresentam como lacunas que necessitam ser preenchidas para vislumbrar um desenvolvimento maior do segmento. Alem disso, segundo o entrevistado, alguns aspectos como a agilidade e custo baixo, nao dependem somente da organizacao em si, uma vez que para um trem operar sao necessarios varios intermediarios que cobram suas taxas, o que encarece a operacao. Caso nao incidissem esses gastos, os custos das organizacoes sao relativamente baixos. Quanto a gestao do conhecimento, as operadoras investem principalmente em sistemas para gerir e armazenar as informacoes relativas a manutencao das locomotivas e carros de passageiros. Inclusive, criando um sistema de gestao de manutencao.

Observando as caracteristicas das operacoes de trens turisticos, podem ser apontados alguns fatores competitivos mais claros. Algumas categorias de sobressaem das demais e sao sintetizadas no Quadro 4.

O entrevistado destacou principalmente os fatores de mercado e produto como fatores de competitividade. Em geral, os trens apresentam aspectos singulares, produtos ineditos, empreendedorismo e relacionamento com os concorrentes como fatores competitivos. Isso demonstra que os pontos fortes dos trens estao nos produtos oferecidos por eles, e que assim, conseguem atrair seu publico para consumi-los. O proprio produto "trem turistico" se apresenta como principal fator de competitividade, em detrimentos dos fatores baseados na organizacao ou clientes. Esses fatores se destacam principalmente pela exclusividade apresentada pelos trens turisticos no Brasil, e pelo diminuto numero de operacoes turisticas com alguma regularidade.

Os demais grupos de fatores nao se apresentaram como determinantes para o sucesso das operacoes de turismo ferroviario, segundo o entrevistado. Somente alguns fatores pontuais dos outros dois grupos foram selecionados pelo presidente da ABOTTC. No quesito clientes, o unico que pode ser mencionado de uma maneira geral e a busca por entender e suprir as necessidades dos clientes, com a insercao de novos servicos e facilidades para eles. Observando a organizacao, somente o aspecto da inovacao, que tem relacao com o mercado, foi selecionado pelo entrevistado.

5. CONSIDERACOES FINAIS

A partir do presente estudo, e possivel compreender quao grande e o universo relacionado a competitividade, mais especificamente quando se trata dos fatores de competitividade. Varios sao os autores que se aventuram nessa seara e apresentam diversos fatores de competitividade para produtos e organizacoes. A competitividade pode ser vista sob diversos olhares, tanto sob a perspectiva da iniciativa publica quanto privada. Pesquisas como a deste trabalho sao importantes para que se compreendam quais os aspectos que destacam determinadas organizacoes perante as demais dentro do mercado. Roman et al (2012) afirmam que em um mercado tao competitivo como atual, identificar o que coloca algum produto a frente dos demais pode ser de grande importancia. No horizonte dos trens turisticos, observou-se que o ponto de destaque e o proprio produto "trem turistico", visto que se mostram como produtos unicos e inovadores, esses foram os fatores competitivos de destaque.

Desta forma, quando observados diferentes grupos de fatores de competitividade, e perceptivel que existe uma deficiencia quando se trata de entendimento sobre o cliente. Com algumas excecoes, principalmente de empresas privadas, os gestores de trens turisticos ainda nao tem o entendimento sobre a importancia de conhecer qual seu cliente e como ele se comporta. Somente as empresas privadas que operam trens tem essa preocupacao, para atender melhor e buscar seu cliente nos mercados estrategicos. Observando as organizacoes, existe uma deficiencia organizacional, porem, em grande parte em virtude das dificuldades de relacionamento com as concessionarias da via. As caracteristicas das organizacoes sem fins lucrativos, com um olhar mais discreto perante mercado, podem ser um dos fatores que justificam a pouca preocupacao com o cliente. A propria ABPF apresenta em seus objetivos que o intuito principal e a preservacao do patrimonio ferroviario, e nao necessariamente o turismo ferroviario, utilizado como um canal de obtencao de recursos para o cumprimento dos objetivos.

O presente trabalho objetivou analisar quais os fatores competitivos de destaque nos trens turisticos do Brasil. Desta forma, como apresentado no Quadro 4, apos a pesquisa exploratoria e a entrevista com o presidente da ABOTTC chegou-se aos fatores competitivos que se destacam no cenario dos trens turisticos. Mapear esses fatores e importante para que as organizacoes saibam onde seus produtos de destacam perante os demais produtos turisticos. Neste caso, investir em novos produtos envolvendo os trens, acrescentando experiencias ineditas e memoraveis pode ser um dos caminhos a serem seguidos pelas operadoras dos trens turisticos. Levando em conta os fatores que nao se destacaram, buscar a compreensao de como o cliente se comporta pode facilitar o relacionamento com o mesmo, possibilitando que se crie uma fidelizacao do individuo, e consequentemente, mais procura pelos trens.

Tais resultados demonstram que as organizacoes voltadas aos trens turisticos tem uma preocupacao grande com a experiencia proporcionada pelos seus produtos, e ainda buscam cooperar para serem mais competitivas com os demais produtos locais. Buscar tecnologias para aprimorar seu controle de vendas e lugares, e ate mesmo, novos locais para comercializacao dos produtos pode ser um fator que aumente a competitividade dos trens turisticos. Suprir o gargalo do relacionamento com o cliente e adotar tecnicas de aproximacao deste pode ser outro elemento de diferenciacao no mercado turistico atual.

Alem disso, reunir fatores competitivos e aplica-los a um segmento do turismo com tantas especificidades como o turismo ferroviario e um importante passo para que esses temas sejam ainda mais explorados futuramente. Para pesquisas futuras, sera interessante tomando-se por hipotese o que foi levantado nesta pesquisa, de que o proprio produto e o principal fator de competitividade no caso dos trens turisticos, aprofundar a discussao por meio de instrumentos quantitativos, a fim de permitir a generalizacao dos dados. Alem disso, novos fatores podem ser incorporados a pesquisa, para contemplar de maneira mais ampla o tema, e dessa forma, possibilitando que sejam identificados novos pontos fortes das ferrovias turisticas. Alem disso, seria interessante analisar e comparar quais os fatores de competitividade mais marcantes nas organizacoes operadoras de trens com e sem fins lucrativos, tracando um comparativo entres esses fatores para compreender quais as diferencas entre os tipos de organizacoes.

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e-ISSN: 2316-932X

DOI: 10.5585/podium.v8i1.295

Data de recebimento: 24/04/2018

Data de Aceite: 18/11/2018

Organizacao: Comite Cientifico Interinstitucional

Editor Cientifico: Julio Araujo Carneiro da Cunha

Avaliacao: Double Blind Review pelo SEER/OJS

Revisao: Gramatical, normativa e de formatacao

Nicolas Nering (1)

Jose Elmar Feger (2)

Como referenciar em APA:

Nering, N., & Feger, J. (2019). Fatores de Competitividade das Operadoras de Trens Turisticos no Brasil. PODIUM Sport, Leisure And Tourism Review, #(1), 81-97.https://doi.org/10.5585/podium.v8i1.295

(1) Mestrando em Turismo pela Universidade Federal do Parana--UFPR, Parana, (Brasil). E-mail: nicolas.nering@hotmail.com Orcid id: https://orcid.org/0000-0002-4347-6995

(2) Doutor em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul--UNISC, Rio Grande do Sul, (Brasil). E-mail: elmar.josefeger@gmail.com Orcid id: https://orcid.org/0000-0002-1982-4179
Quadro 1--Fatores de competitividade

Dimensoes             Fatores de competitividade

Fatores baseados      Fidelizacao dos clientes
nos clientes          Satisfazer as necessidades dos clientes
                      Grande conhecimento sobre os clientes
                      Valorizar o relacionamento com o cliente
                      Prestar servicos com qualidade superior

Fatores de mercado    Preco baixo
e produto             Logistica de distribuicao estrategica
                      Aspectos singulares do produto
                      Produtos ineditos
                      Empreendedorismo
                      Relacionamento com os concorrentes

Fatores baseados      Alto poder de investimento
na organizacao        Investimento em pesquisa
                      Agilidade
                      Inovacao
                      Criacao e gestao do conhecimento
                      Custo Baixo

Fonte: elaborado pelos autores com base em Zook (2001);
Machado-da-Silva & Barbosa (2002); Fernandes (2014);

Quadro 2--Trens Turisticos Da Abpf do Brasil

UF    TRECHO                                         EXT/ KM

SP    Viacao Ferrea Campinas--Jaguariuna               25
SP    Trem do Imigrante (entre Bras e Mooca)            3
M     Trem das Aguas                                    9
G     (entre Sao Lourenco e Soledadede Minas)

M     Trem da Serra da Mantiqueira                     10
G     (entre Passa Quatro e Coronel Fulgencio)
SC    Trem da Serra do Mar                             42
      (entre Rio Negrinho e Rio Natal)
SC/   Trem das Termas                                  25
RS    (entre Piratuba, SC e Marcelino Ramos)
SP    Trem dos Ingleses (Paranapiacaba)               0,608
SC    Estrada de Ferro Santa Catarina                  2,5
      (em Apiuna, SC) inaugurado em 11/08/2013
SP    Trem de Guararema                                6,5
      (Guararema a Luis Carlos)

Fonte: Adaptado de ABPF, 2013 citado por MTUR, 2014.

Quadro 3--Trens Turisticos Operados pela Serra Verde Express

UF   TRECHO                                             EXT/ KM

PR   Trem da Serra do Mar Paranaense                      73
PR   Litorina de Luxo (Copacabana, Curitiba               73
     e Rio de Janeiro)
PR   Litorina Noturna                                     73
ES   Trem das Montanhas Capixabas (Fora de operacao       --
     temporariamente)
Fonte: Adaptado de ABPF, 2013 citado por MTUR, 2014.

Quadro 4--Fatores Competitivos Dos Trens Turisticos Do Brasil

Dimensoes            Fator de competitividade

Fatores baseados     Satisfazer as necessidades dos clientes
nos clientes

Fatores de mercado   Logistica de distribuicao estrategica
e produto            Aspectos singulares do produto
                     Produtos ineditos
                     Empreendedorismo
                     Relacionamento com os concorrentes
Fatores baseados     Inovacao
na organizacao

Fonte: Elaboracao do autor (2016)
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Author:Nering, Nicolas; Feger, Jose Elmar
Publication:Podium: Sport, Leisure and Tourism Review
Date:Jan 1, 2019
Words:8858
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