Printer Friendly

CHANGE PROCESS FOR A SUSTAINABLE ORIENTATION: ANALYSIS OF THE ADAPTIVE CAPACITY OF THREE SANTA MARIA (RS) BUILDING COMPANIES/PROCESSO DE MUDANCA PARA UMA ORIENTACAO SUSTENTAVEL: ANALISE DAS CAPACIDADES ADAPTATIVAS DE TRES EMPRESAS CONSTRUTORAS DE SANTA MARIA-RS/CAMBIO DE ORIENTACION DE PROCESO SOSTENIBLE: ANALISIS DE LA CAPACIDAD DE ADAPTACION DE TRES EMPRESAS DE CONSTRUCCION DE SANTA MARIA-RS.

INTRODUCAO

Nas ultimas decadas tem-se percebido maior conscientizacao da populacao com relacao a conservacao ambiental devido ao aumento de fenomenos ambientais extremos que desencadeiam a ideia de que os limites da natureza estao sendo extrapolados pelo homem. Coerente com isso, Veiga (2010) analisa que, durante muito tempo, assumiu-se desenvolvimento como sinonimo de crescimento economico. Porem, essa nocao tem sido transformada para integrar o crescimento social, cultural, politico e ambiental.

O desenvolvimento sustentavel envolve redirecionamento na racionalidade que permeia a gestao organizacional, para alem da logica de maximizacao de valor em curto prazo para o acionista e de uma logica pautada puramente no calculo utilitario. O processo de mudanca mostra-se iminente, principalmente para alguns setores da economia, porem, romper a inercia frequentemente nao se tem apresentado facil. Esse e o caso do setor de construcao civil, que, apesar dos seus beneficios para a sociedade, tem sido alvo de muitas criticas com relacao as praticas adotadas que se opoem aos principios da sustentabilidade. Alem da utilizacao de materiais oriundos da mineracao como a extracao de areia e brita, tambem causa efeitos diretos na ambiencia das cidades, promove a alocacao de construcoes em areas muitas vezes inadequadas, gera grande quantidade de descarte de residuos, cria problemas de saude e seguranca tanto direta quanto indiretamente relacionados com as pessoas envolvidas com a industria da construcao, entre outros problemas.

De acordo com o Ministerio do Meio Ambiente (MMA, 2014), as atividades de construcao sao consideradas como um dos principais contribuintes para a poluicao ambiental. O Conselho Internacional da Construcao (CIB & UNEP, 2002) aponta a industria da construcao como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gerando consideraveis impactos ambientais. Iniciativas estao surgindo para amenizar esses problemas e mudar a imagem negativa que o setor possui. No exterior, principalmente nos paises desenvolvidos, varias inovacoes estao sendo adotadas nesse sentido; no Brasil esse processo ainda e incipiente. Entre as barreiras que tornam ainda mais desafiadora a adocao de praticas de construcao sustentaveis em paises em desenvolvimento estao: a carencia de recursos humanos, tanto em numero quanto no nivel das competencias desses recursos humanos; o ambiente economico incerto, que gera impedimentos no acesso ao investimento de capital e a baixa taxa de investimento urbano contra uma alta taxa de crescimento demografico (CIB & UNEP, 2002).

Diante desse cenario e levando em consideracao as pressoes por mudancas que, bem conduzidas, podem representar vantagem competitiva para as empresas de construcao civil, o objetivo deste estudo e investigar o processo de mudanca em empresas do setor de construcao para uma orientacao sustentavel. O foco da analise e a capacidade adaptativa, tendo como base o modelo de Zollo, Cennamo e Neumann (2013).

A inovacao e defendida por Hogan e Coote (2014) como a chave para a sobrevivencia organizacional e, na atual conjuntura, deve ser vista como essencial para que as condicoes de vida e bemestar se prolonguem na Terra. Portanto, o estudo dos processos que apoiam a inovacao e/ou mudanca deve ser do interesse de pesquisadores e praticantes.

O artigo esta dividido em cinco secoes. Apos esta introducao, sao apresentados os elementos teoricos. Em seguida, sao expostos os procedimentos metodologicos da pesquisa e, na quarta secao, analisam-se os dados e discutem-se os resultados. A titulo de conclusao, sao apresentados os principais achados da pesquisa e discutem-se suas implicacoes praticas e, por fim, sao apresentadas as limitacoes da pesquisa e as recomendacoes para pesquisas futuras.

REFERENCIAL TEORICO

Relacionamento das organizacoes com os recursos naturais e com a sociedade

A sociedade moderna e industrializada e uma sociedade de organizacoes, das quais o homem depende para nascer, viver e morrer. Elas sao fundamentais no apoio ao atingimento dos interesses coletivos. Por outro lado, as corporacoes de negocio e outras grandes organizacoes possuem estreita relacao com uma serie de problemas sociais e com a crise ambiental.

Conforme aponta Serva (1997), e elevada e inegavel a parcela de responsabilidade que as organizacoes produtivas tem no aprofundamento da crise em que se encontram--em suas dimensoes social, etica e economica. Nesse sentido, o autor questiona:

Ora, numa sociedade de organizacoes, onde os interesses das grandes corporacoes sao legitimados como preponderantes, onde a sobrevivencia dessas organizacoes e prioritaria em relacao a propria sobrevivencia dos individuos [sic], nao caberia a elas uma substancial parcela de responsabilidade pelos descaminhos do sistema? (Serva, 1997, p. 109).

Por isso, sao atores centrais no processo de desenvolvimento sustentavel. As organizacoes podem impulsionar a mudanca, tornando-se mais responsaveis pelo meio ambiente promovendo a inovacao tecnologica e a influencia politica sobre sociedade civil e governo. Coerente com isso, Elkington (2012) menciona que a transicao da sustentabilidade devera envolver mudanca nos modelos mentais e transformacao da cultura corporativa. Os sinais de que tais transicoes estariam ocorrendo tem se revelado aos poucos.

Conforme avanca a conscientizacao relacionada a preservacao ambiental e as geracoes futuras, novos questionamentos sobre a tematica emergem e a discussao em torno de uma consideracao mais ampla dos stakeholders das organizacoes se eleva (Barbieri & Cajazeira, 2009, Freeman & Mcvea, 2001, Horish; Freeman & Schaltegger, 2014). Sob a perspectiva da sustentabilidade, os stakeholders ou as partes interessadas somos todos nos que habitamos o planeta, pois as acoes possuem reflexos em longo prazo a todos. Essa nocao fez com que as empresas se adequassem de forma a atender demandas por estrategias de negocios que contemplassem as preocupacoes dos diferentes stakeholders com vistas ao exito empresarial (Freeman, 2010, Freeman & Mcvea, 2001).

Conforme Horish et al. (2014), sob a perspectiva da teoria dos stakeholders, a unidade de analise deixa de ser a empresa e a gestao eficiente do relacionamento das empresas com os stakeholders passa a assumir grande relevancia no contexto da gestao sustentavel. Tal gestao estende a visao para alem da maximizacao de valor em curto prazo para o acionista e implica outra racionalidade para aplicar os recursos na atividade produtiva; uma logica que nao seja pautada puramente no calculo utilitario.

Dessa discussao, surge a necessidade de se diferenciar os recursos naturais entre renovaveis e nao renovaveis. Blackburn (2012) descreve os recursos renovaveis como aqueles que podem se regenerar atraves de processos naturais a uma taxa equivalente ou maior que o consumo humano (exemplos: agua, solo, ar) e os recursos nao renovaveis como recursos que nao se renovam, ou demoram muito tempo para se formar (exemplos: petroleo e minerios em geral). Nas organizacoes, as pessoas lidando com planejamento estrategico e tatico devem entender as tendencias e os respectivos riscos e oportunidades que elas representam para suas organizacoes. Com relacao aos recursos naturais, Blackburn (2012) destaca algumas questoes a serem analisadas pelas organizacoes nesse sentido:

(i) A contaminacao da agua. Enquanto politicas governamentais apropriadas nao sao criadas, nao ocorre mudanca cultural e tecnologias de baixo custo nao chegam, as empresas podem ajudar com suas proprias solucoes.

(ii) A ameaca a biodiversidade. Possui implicacoes para as empresas da industria farmaceutica, que dependem da diversidade de plantas e animais como fonte para medicamentos. Atentando-se para esse problema, acordos tem sido feitos entre empresas (por exemplo, empresas de papel) visando a preservacao das especies.

(iii) O desmatamento. Na medida em que as emissoes de carbono nao sao absorvidas, contribuem para mudancas climaticas que, por sua vez, podem ser determinantes para a mudanca na demanda de produtos e servicos.

(iv) O esgotamento dos combustiveis fosseis que suprem 80% da demanda energetica do mundo, a consequente alta nos precos desse tipo de energia e o aumento da preocupacao ambiental fazem com que cresca o foco na eficiencia energetica. Logo, sao demandadas pelas empresas novas abordagens para gerar e usar energia.

(v) A poluicao do ar e o declinio da qualidade do solo produzem reducao significativa da producao agricola, problemas de saude e um alto custo para a sociedade.

Alem desses topicos, o autor ressalta outros aspectos importantes a serem reportados pelas organizacoes: a crescente concentracao economica, crescimento da populacao e das taxas de mortalidade, aumento da imigracao e menor fertilidade da populacao em nacoes mais industrializadas, urbanizacao, necessidades educacionais para melhor qualificar a forca de trabalho. Dependendo de como a empesa encara essas tendencias e do quao cedo se reporta a elas, essas mudancas podem representar riscos legais, financeiros, reputacionais, competitivos e operacionais e/ou oportunidades em inovacao, vendas, reputacao, reducao de riscos, licencas para operar, entre outras.

Sustentabilidade tridimensional: um desafio para as organizacoes

Sustentabilidade e mais comumente definida como "o principio que assegura que nossas acoes de hoje nao limitarao a gama de opcoes economicas, sociais e ambientais disponiveis para as futuras geracoes" (Elkington, 2012, p. 52). Apesar de a utilizacao desse termo ser muito frequente nos estudos academicos e nos discursos de profissionais, e na pratica que se evidencia o desafio do triple bottom line. Tida inicialmente como uma tentativa de harmonizar o pilar financeiro com o pensamento do pilar ambiental, a agenda do desenvolvimento sustentavel tem se mostrado mais complicada do que os executivos nas organizacoes haviam imaginado. O pilar social, ambiental ou economico deve estar relacionado aos demais pilares de forma equitativa, o que traz desafios as organizacoes. Assim, Hart e Dowell (2011) lembram que, na medida em que a atividade economica em paises desenvolvidos esta intimamente conectada com questoes de pobreza e degradacao em paises menos desenvolvidos, uma estrategia que considera o desenvolvimento sustentavel deve reconhecer essa ligacao e agir para reduzir o fardo ambiental e aumentar os beneficios para mercados menos desenvolvidos afetados pelas acoes da firma.

Segundo Bacha e Schaun (2010), a literatura mostra que existem varios enfoques para as dimensoes da sustentabilidade, como, por exemplo, para Sachs (1994), a sustentabilidade possui as dimensoes social, ambiental, economica, geografica e cultural; para Carvalho (1999), fatores economicos, sociais, ambientais, politicos, culturais e institucionais, e para Carmano e Muller (1993 apud Bacha & Schaun, 2010), as dimensoes sao: justica social, viabilidade economica, sustentabilidade ambiental, democracia, solidariedade e etica.

Quando se diz que a sustentabilidade e fenomeno multidimensional, significa que as suas diferentes facetas devem ser consideradas de forma integrada, o que pressupoe suporte nas mais diversas areas do conhecimento. Nesse sentido, Sachs (2004) comenta que a sustentabilidade ambiental compele a se trabalhar com escalas multiplas espacotemporais, o que demanda instrumentos alem daqueles disponibilizados pela caixa de ferramentas do economista convencional. Algumas estrategias de curto prazo podem ser socialmente beneficas, mas engendrar crescimento ambientalmente destrutivo. Outras podem gerar beneficios em termos de crescimento ambiental, mas demonstrarem-se socialmente destrutivas. Conforme Veiga (2010) deve-se pensar em solucoes triplamente vencedoras, eliminando o crescimento selvagem obtido ao custo de elevadas externalidades negativas, tanto sociais quanto ambientais. Nesse ponto, torna-se oportuno discorrer brevemente sobre os elementos do tripe da sustentabilidade, ou seja, as tres dimensoes as quais a sustentabilidade se reporta.

A dimensao economica apresenta-se como elemento indispensavel para a iniciativa sustentavel de uma empresa, sem a qual nao pode contribuir para o bem-estar da sua comunidade ou dos seus funcionarios. Por essa razao, Blackburn (2012) argumenta pela substituicao de termos como Responsabilidade corporativa, Cidadania corporativa e/ou Responsabilidade social para Sustentabilidade ou Desenvolvimento sustentavel. Conforme o autor, as primeiras denominacoes nao atribuem a devida importancia e, frequentemente, excluiam de suas concepcoes a viabilidade financeira, isto e, a necessidade das organizacoes de prosperarem economicamente como empresas.

No que se refere a dimensao social da sustentabilidade em organizacoes, segundo Donaire (2011), estas devem reconhecer sua responsabilidade para com a sociedade em geral, implicando compromissos que incluem filantropia, equidade de oportunidades, servicos e beneficios sociais que contemplem o interesse publico da coletividade. Essa responsabilidade social e fundamentalmente um conceito etico que envolve mudancas nas condicoes de bem-estar e qualidade de vida da sociedade (Donaire, 2011). Enfatiza-se que os valores de comprometimento social tem de estar arraigados na cultura organizacional e ser praxis cotidiana da organizacao. Blackburn (2012), por sua vez, destaca 5 itens que contemplam o respeito pelas pessoas: respeito pelos empregados; diversidade, isto e, praticas justas de contratacao; governanca responsavel; respeito pelos stakeholders; e o tratamento honesto com os consumidores.

A dimensao ambiental, por sua vez, esta relacionada com o respeito a vida e o gerenciamento e uso sensato dos recursos naturais. Blackburn (2012, p. 25) cita como topicos que ilustram as acoes associadas a essa dimensao: a conservacao dos recursos naturais; gestao e prevencao de residuos; restauracao e controle de riscos ambientais; reducao dos impactos da cadeia de suprimentos; e colaboracao com as comunidades para proteger o ambiente.

Argumenta-se, assim, a relevancia de um tratamento de cunho cientifico para a sustentabilidade, que, apesar de ser questao complexa, se tornou uma palavra corriqueira, empregada sem fundamento. Frequentemente, as organizacoes que buscam conformar suas operacoes a logica de sustentabilidade adotam apenas cerimonialmente os procedimentos, visando uma base legitima para suas atividades. Porem, e preciso romper, pelo menos em parte, com os padroes vigentes que norteiam os processos e produtos organizacionais. Isso exige mudanca tanto individual quanto coletiva dos antecedentes comportamentais, as crencas e valores--a cultura organizacional. Zollo et al. (2013) ressaltam essa parte como a mais complexa a se considerar no processo de mudanca para uma orientacao sustentavel.

Inovacao e mudanca empresarial para uma orientacao sustentavel

Uma questao que motivou o estudo de Zollo et al. (2013) e: por que, quando submetidas pelas mesmas pressoes para inovar e mudar, algumas empresas apresentam iniciativas de qualidade "maior" ou "mais engajada" do que outras? Ha muitos elementos complicadores em se tratando da inovacao. Pode-se citar, por exemplo, a dificuldade de romper com os mecanismos os quais, para Farjoun (2010), tendem a promover estabilidade organizacional: rotinas, formalizacao, controles, especializacao, comprometimentos e aversao ao risco.

Relacionado a esse assunto, Fontan, Klein e Tremblay (2005) realizaram uma pesquisa e apontaram os tres principais tipos de resistencia a inovacao: (i) o contexto de incerteza quanto ao sucesso do projeto; (ii) dificuldade de substituir aquilo que e usual e ja provado pela inovacao; e (iii) reacao social a inovacao ou a qualquer pessoa que queira inovar. Com uma pesquisa conduzida no Brasil, Souza e Bruno-Faria (2013) identificaram como fatores dificultadores o envolvimento de pessoas da organizacao com diferentes funcoes e conhecimentos. Essa questao e referida como sendo a dificuldade de integracao interfuncional. Ademais, o receio das consequencias da inovacao, dificuldades decorrentes da carencia de pessoas, bem como de carencia em termos de conhecimentos, habilidades e atitudes de colaboradores envolvidos no processo, assim como a resistencia a inovacao por senso de acomodacao representam desafios que as organizacoes devem enfrentar para manterem-se competitivas.

Dessa forma, Zollo et al. (2013) apresentam alguns aspectos a se considerar na mudanca para uma orientacao sustentavel. A parte mais complexa da adaptacao, conforme os autores, referem-se a capacidade de influenciar a evolucao de antecedentes comportamentais tanto individual quanto coletiva. O desafio constitui nao apenas transformar crencas, valores e tracos afetivos individuais, mas possibilitar que a cultura organizacional seja a manifestacao dessas crencas e valores. O modelo dos autores, representado na Figura 1, foca em questoes processuais de mudanca e aprendizagem conectados com os esforcos que algumas firmas estao desempenhando na tentativa de evoluir para modelos de empreendimento sustentavel. Os objetos-chave desses processos de aprendizagem e mudanca, nesse modelo, sao elementos internos a firma ao inves de elementos conectados aos stakeholders externos da firma.

O elemento central no modelo representado pela Figura 1 e a Capacidade Adaptativa Organizacional, que se estabelece com a interacao dinamica entre as iniciativas de mudanca e os quatro atributos organizacionais: Processo estrategico e organizacional, as capacidades dinamicas e a qualidade relacional da firma. Uma iniciativa de mudanca, de acordo com Bansal (2003, p. 511), e "um projeto ou conjunto de acoes tomadas para enderecar e superar uma questao sustentavel, um evento ou tendencia que possui ou e percebido como tendo um impacto na organizacao".

O processo estrategico refere-se a alocacao de recursos para crescer, as praticas competitivas ou cooperativas visando os objetivos estrategicos para o sucesso de longo prazo da empresa. Adotando uma perspectiva processual com o termo strategizing tem-se que a Estrategia e, antes de tudo, algo que as pessoas fazem no dia a dia. Sao as atividades que trazem alguma forma de beneficio para a sobrevivencia e vantagem competitiva da firma, mesmo quando esta nao faz parte de uma estrategia planejada e formalmente articulada. O processo organizacional (organizing) envolve a construcao da identidade, a cultura e os interesses da organizacao por meio de estruturas e sistemas de governanca, coordenacao, controle. As capacidades sao relacionadas com o gerenciamento e adaptabilidade das atividades operacionais. E, por ultimo, trata-se da Qualidade da firma de se relacionar com atores externos e membros internos. Sobre este ultimo aspecto, Zollo et al. (2013) afirmam que uma empresa e mais ou menos sustentavel dependendo de sua capacidade para entender e envolver seus stakeholders mais importantes no processo decisorio.

Sobre a capacidade de aprendizagem, Zollo et al. (2013) afirmam que, a nao ser que as empresas aprendam a evoluir em direcao aos modelos de empreendimento sustentavel, sera improvavel que elas sejam capazes de contribuir para solucionar tensoes sociais e ambientais. No maximo, aproximam-se dos casos em que as iniciativas se baseiam em objetivos reputacionais, divorciados de desejos genuinos de assumir processos de mudanca. A transicao para um modelo de empreendimento sustentavel envolve mudancas em diferentes niveis da organizacao. Fatores tais como os sistemas de valores, crencas, motivacoes e disposicoes psicologicas e emocionais--que se reportam ao nivel individual--sao reconhecidos como as fundacoes da capacidade organizacional de aprendizagem e mudanca. O modelo proposto por Hogan e Coote (2014), baseado no estudo de Schein (1992) sobre camadas de cultura organizacional aplicado a inovacao, e coerente com esse argumento. Os gerentes podem iniciar a formacao de uma cultura organizacional ao enfatizarem certos valores e construirem normas que resultem nos comportamentos correspondentes.

Mas ainda ha que se considerar os processos e sistemas especificos da funcao que se reportam ao nivel funcional, e os atributos amplos da firma, isto e, o proposito e estrutura da firma, valores e crencas compartilhados (Zollo et al., 2013).

Portanto, entre os aspectos propostos para a analise da mudanca para uma orientacao sustentavel, os autores elencam:

a) Nivel de profundidade. O grau em que os esforcos da empresa objetivam atingir os elementos mais sutis, tacitos e fundamentais. Esforcos nao devem se limitar aos elementos mais superficiais: arranjo estrutural (exemplo: criacao de um Departamento de sustentabilidade) ou confeccao de relatorios de sustentabilidade.

b) Grau de intencionalidade e formalidade. Pode influenciar tanto positiva quanto negativamente o processo de projecao e implantacao das mudancas. A alta formalidade pode atrair a atencao dos membros responsaveis pela implantacao das mudancas, mas criar resistencia daqueles que irao "recebe-las", pois podem senti-las como impositivas.

c) Grau de envolvimento dos stakeholders durante as fases do processo de decisao. Contribui para melhor acesso a recursos, estabelece redes mais fortes que podem ajudar a empresa a desenvolver bens intangiveis, aumenta a legitimidade e melhora a reputacao da firma.

Sustentabilidade na construcao civil

A importancia da industria de construcao civil se demonstra pelo fato de ela estar na base do desenvolvimento e aprimoramento da infraestrutura dos paises e pela extensao da sua cadeia produtiva. A cadeia da construcao envolve as empresas de extracao, tanto de madeira como de minerais; a industria de materiais de construcao, desde serrarias, empresas quimicas e petroquimicas e de ceramica, alem das siderurgicas de aco; o comercio atacadista de materiais de construcao e os servicos de arquitetura, engenharia, projetos, administracao, servicos bancarios e de mao de obra e, na etapa de construcao, as construtoras e imobiliarias. Sendo fundamental para o estabelecimento do padrao de vida moderno das pessoas, torna-se critico contornar os problemas relacionados as questoes ambientais, decorrentes das ocupacoes de areas, da geracao de residuos, da extracao de recursos naturais e/ou da fabricacao dos insumos utilizados (CNI & CBIC, 2012).

As atividades de construcao em todo o mundo, sozinhas, consomem tres bilhoes de toneladas de materias-primas a cada ano, o que representa cerca de 40% do uso total global (CIOB, 2010). A exploracao desses recursos naturais para a producao de materiais de construcao pode afetar seriamente o meio ambiente, com impactos diretos na reducao da agua e de minerais naturais. Da mesma forma, significativa poluicao global e causada por essas atividades e, ademais, o setor de construcao contribui com ate 30% das emissoes de gases estufa globais anuais (UNEP, 2007). Portanto, e essencial que praticas de construcao se tornem mais sustentaveis.

De acordo com Vazquez et al. (2013), ainda ha muito a ser adotado e aprendido pela industria de construcao a respeito de sustentabilidade, mas resultados positivos na reducao da degradacao ambiental e geracao de economia no consumo de recursos estao a conduzir essas mudancas. Novas tecnologias podem ser cada vez mais encontradas no mercado para ajudar nessas questoes, e com um menor grau de diferenciacao de precos. Dessa forma, barreiras a construcao sustentavel podem comecar a ser amenizadas.

A construcao sustentavel e descrita na Agenda 21 para a construcao sustentavel de paises em desenvolvimento como um processo holistico com o objetivo de restaurar e manter a harmonia entre os ambientes naturais e construidos, ao criar edificacoes que afirmam a dignidade humana e promovem a equidade economica. O termo construcao sustentavel implica a aplicacao de principios de desenvolvimento sustentavel ao ciclo de construcao abrangente, desde a extracao e beneficiamento de materias-primas, o planejamento, a concepcao e construcao de edificios e infraestrutura, ate a sua desconstrucao/demolicao final e gestao dos residuos resultantes (CIB & UNEP, 2002).

Com relacao as barreiras a construcao sustentavel em paises em desenvolvimento, na Agenda 21 sao citadas: a falta de capacidade do setor de construcao, o ambiente economico incerto, pobreza e baixo investimento urbano, falta de dados precisos, falta de interesse na questao da sustentabilidade, inercia tecnologica e a falta de pesquisa integrada, conforme o Quadro 1. Essas barreiras sao responsaveis pela imagem negativa que o setor possui no tocante aos impactos de ordem ambiental, social e de saude humana e tornam ainda mais complexa a incorporacao de principios de desenvolvimento sustentavel na construcao civil. A transposicao dessas barreiras estaria relacionada com a correcao de falhas do setor de construcao para mudar atitudes, processos, tecnologias e culturas.

Apesar da existencia dessas barreiras, como foi mencionado anteriormente, novas tecnologias estao surgindo. A exemplo disso, Koebel et al. (2015) versam sobre a difusao de produtos de eficiencia energetica, mais especificamente sobre o uso de janelas com eficiencia termica por construtoras nos Estados Unidos. Sieffert, Huygen e Daudon (2014) discorrem a respeito da reutilizacao de materiais de construcao em predios na Franca e Raut, Ralegaonkar e Mandavgane (2011) apresentam diversas alternativas de residuo solido que podem ser utilizadas na producao de tijolos. No Brasil, contudo, tais praticas de construcao sao ainda bastante incomuns. Alguns estudos indicam resistencia por parte dos brasileiros com a reutilizacao de residuos para a fabricacao de materiais de construcao (e. g. Alves & Trevisan, 2014). Outros estudos tem destacado a necessidade de melhorias na formacao de engenheiros e no treinamento de tecnicos com a inclusao de disciplinas nas instituicoes de ensino que abordam o assunto (Le et al., 2012). Vazquez et al. (2013) reforcam essa posicao em seu argumento em prol de melhorias na adocao dos conceitos de sustentabilidade no setor da construcao civil.

Estudos sobre a incorporacao da sustentabilidade na construcao civil no Brasil ainda sao escassos. Portanto, a presente pesquisa traz avancos ao conhecimento da area na medida em que aplica um modelo teorico em um contexto empirico nacional. Dessa forma, possibilita-se ampliar a compreensao da questao da mudanca para uma orientacao sustentavel nesse setor.

PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

Com o objetivo de analisar como empresas construtoras estao promovendo a mudanca para uma orientacao sustentavel, realizou-se uma pesquisa descritiva de natureza qualitativa. De acordo com Joia (2006), tal classificacao se daria pelo intuito de descrever uma situacao com profundidade, buscando ilustra-la e dar-lhe realismo por meio de dados e informacoes coletadas. A natureza qualitativa e indicada por Creswell (2007) para estudos que implicam maior flexibilidade no decorrer da investigacao e participacao mais intensa do pesquisador no contexto investigado.

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os diretores de tres empresas de construcao civil da cidade de Santa Maria/RS, codificadas como X, Y e Z, conforme o Quadro 2. Conforme Richardson (1999), esse instrumento de coleta de dados se caracteriza pela liberdade dada aos respondentes para se reportarem as questoes, sendo eventualmente interpelados pelo pesquisador guiado por um roteiro.

As entrevistas foram todas presenciais, realizadas na propria empresa. Em todos os casos houve autorizacao para gravar os relatos dos participantes, que tiveram duracao media de aproximadamente 50 minutos.

As empresas foram selecionadas para participar da pesquisa com base em sua representatividade (estao entre as cinco maiores empresas construtoras da cidade) e, em segundo lugar, considerando a possibilidade de acesso. Os entrevistados foram indicados no momento em que houve o primeiro contato dos pesquisadores com algum representante da empresa. Nessa ocasiao foi apresentado o objetivo da pesquisa e indagado se haveria possibilidade de realizar entrevistas com pessoas da organizacao que tivessem conhecimento das praticas sustentaveis adotadas pelas empresas e/ou dos requerimentos exigidos as empresas em termos da sua adequacao a proposta de desenvolvimento sustentavel.

O Quadro 3 relaciona as categorias presentes no roteiro usado como ponto de partida para a realizacao das entrevistas.

A analise dos dados recorreu a tecnica de analise de conteudo descrita em Bauer e Gaskell (2010), de modo a ressaltar as particularidades das iniciativas sustentaveis praticadas nas empresas com relacao as categorias resumidas no Quadro 3 e as tres esferas, ambiental, social e economica, destacadas por Elkington (2012).

APRESENTACAO E ANALISE DOS RESULTADOS

De acordo com o objetivo do estudo, de se analisar o processo de mudanca em empresas de construcao civil para uma orientacao sustentavel, considera-se necessario apresentar dados sobre a situacao atual na qual a empresa se encontra. Quando o objetivo do estudo foi apresentado aos entrevistados, estes, em seguida, foram indagados sobre a sua percepcao do envolvimento do setor com a proposta sustentavel. Nesse momento pode-se obter uma primeira impressao do assunto. Na percepcao da diretora da empresa Z, o envolvimento do setor ainda e incipiente: "Ainda e um tema bem novo. Apesar de ser um assunto que vem ha tempos, mas eu acho que na construcao civil e, principalmente, em Santa Maria e algo bem novo". A sua opiniao condiz com a pratica da empresa, a qual tem tido dificuldade para implementar mudancas:

Nem sempre a gente consegue aplicar o conceito de sustentabilidade. Iniciando pelo mais tradicional que e o reaproveitamento da agua de chuva, que e o mais... Seria o mais simples teoricamente para fazer. Entao, ainda a gente nao conseguiu implementar, mas e um assunto que eu percebo como uma constante e crescente, ne, dentro da construcao civil [Empresa Z].

O comentario acima faz referencia a barreira inercia tecnologica do Quadro 1 em que poucas novas tecnologias sao introduzidas pelas empresas. Na empresa X o entrevistado menciona a barreira de falta de interesse na questao da sustentabilidade quando comenta sobre sua percepcao com relacao as dificuldades no setor para realizar mudancas. Ele se refere especificamente as empresas maiores e mais estabelecidas na regiao.

O meu concorrente maior e caro, o construtor que ja esta construindo ha tempo talvez, e ele nao vai mudar. A questao da mudanca ela e muito complicada. A gente mudar depois uma coisa que a gente esta fazendo, e tipo assim: "Que?! Sustentabilidade para mim? O que eu quero com isso?", ne? Eles podem estar pensando assim: "Por que eu quero economizar agua, luz, para a pessoa depois de pronto? Eu vou perder um espaco la na minha obra que eu poderia botar mais garagem ou alguma outra coisa nesse sentido". E de cada um, ne, e de cada um, e de cada concorrente, nao adianta [Empresa X].

O representante da empresa X menciona um aspecto relevante para a analise. Empresas mais antigas e com bom posicionamento de mercado possuem muitos mecanismos que promovem a estabilidade. Com base em Farjoun (2010), nota-se que elas possuem mais dificuldade para mudar devido a rotinas, controles, comprometimentos e aversao ao risco. Porem, a empresa Y, apesar de ser a mais antiga e estar bem estabelecida na cidade, esta engajada com a questao da sustentabilidade. Essa tematica, mesmo que tivesse outra denominacao, sempre esteve atrelada a missao da empresa. O que levanta a questao da dificuldade de mudar, quando nao se tem o comprometimento com praticas sustentaveis desde o inicio das atividades da empresa.

Sempre tivemos muito a questao de consciencia ecologica e social, vamos dizer assim. Sempre foi muito forte, tanto que ganhamos premio por conta disso, ne, mas principalmente o social. O ecologico, coisas mais simples, coisas mais pontuais assim do tipo, de nao usar pe-direito de madeira, escoria aquelas de laje ne ... a gente usa de metal faz muito tempo. Algumas coisas tambem, aproveitamento de agua dentro da obra, algumas coisas assim a gente faz tempo que faz, muito antes de se comecar a falar sobre isso inclusive, por causa da consciencia. Mas tem muita coisa que a gente quer ainda e nao consegue [Empresa Y].

Fazendo o contraste com a situacao pregressa das empresas, os esforcos realizados por elas no sentido de se adequarem podem ser mais bem compreendidos. Como retratado anteriormente no relato do diretor da empresa Y, a preocupacao com a dimensao social da sustentabilidade sempre foi um dos eixos orientadores da empresa e continua sendo exercida de forma constante, mesmo que nao seja realizada de forma sistematica e ainda esteja encontrando barreiras para avancar. Esse relato demonstra uma atitude proativa por parte da empresa, que se iniciou em praticas sustentaveis muito antes de a questao tornar-se uma pressao. Ademais, com relacao ao eixo ambiental, percebe-se na fala do entrevistado a preocupacao sustentavel na fase de projeto com a substituicao dos materiais de construcao e na fase de construcao com o aproveitamento de agua.

O diretor da empresa X se expressa de forma semelhante, porem, ha que se levar em consideracao a data de fundacao mais recente de sua empresa, quando a sustentabilidade ja estava um tanto difundida. O entrevistado reforca que esse sempre foi o proposito da empresa quando foi questionado sobre como a empresa comecou a se envolver com questoes de sustentabilidade.

Desde o principio, desde o inicio, ne. Isso eu posso dizer que com certeza foi desde o inicio, desde o primeiro predio, ne, quando colocamos bico arejador, em vez da valvula ja ter colocado com caixa acoplada. Ali ja comecou a despertar a vontade de fazer alguma coisa diferente. Dai a agua da chuva foi consequencia. Ela nasceu com a questao sustentavel. [*Nome da empresa] e o simbolo do elemento Agua inclusive (a agua e o recurso natural com o qual a construtora mais se preocupa). [...] Entao, a gente, desde a concepcao do nome, ja buscou alguma coisa para ... Nao e uma coisa que advem do fato de hoje todo mundo estar falando que tem que ter sustentabilidade. Naquela epoca a gente ja vinha buscando isso [Empresa X].

Nesse trecho percebe-se a iniciativa de buscar adotar novas tecnologias nas edificacoes, apesar das barreiras enfatizadas na Agenda 21. O entrevistado da empresa X reporta que a Sustentabilidade esta no nome fantasia da empresa e e elemento integrado a sua missao e estrategia. A motivacao de estar coerente com a proposta de desenvolvimento sustentavel encontra-se presente desde a fundacao da empresa. Nota-se, com base nesse aspecto, que o nivel da profundidade em que a sustentabilidade e praticada na empresa X e Y e alto. Em conformidade com o modelo de Zollo et al. (2013), elementos tais como os sistemas de valores, crencas, motivacoes e disposicoes psicologicas e emocionais--que se reportam ao nivel individual--sao reconhecidos como as fundacoes da capacidade organizacional de aprendizagem e mudanca em direcao a modelos de empreendimento sustentavel.

No trecho que se segue, demonstra-se a forma em que a empresa Z tem assumido a sustentabilidade nas suas atividades. Percebe-se que a insercao dessa questao tem se limitado a tentativa de mudar o arranjo estrutural dos predios, comecando pelos projetos de construcao.

Esta sendo incorporado ja na concepcao dos projetos essa parte. "Ah, vamos ver se da para fazer, se tem espaco, se e viavel ou nao." Acho que isso antes a gente nem pensava. Acho que isso ja esta se incorporando nos projetos, porque e na hora do projeto que a gente tem que pensar. Depois que esta pronto, como eu tenho essas tres situacoes (situacoes em que a legislacao estabelece limites a construcao civil), as vezes a gente nao consegue fazer, ne. Entao, eu acho que uma mudanca positiva e isso: nos projetos a gente ja esta comecando a pensar [Empresa Z].

Apesar de se perceber claramente que a adocao de orientacao sustentavel ainda e incipiente e as pretensoes sao meramente formais, o relato demonstra que existe o interesse em mudar. Nesse caso, levando-se em conta os esforcos da empresa para aparentemente adequar seu comportamento, pode-se analisar a profundidade das mudancas como superficial. Em outro momento da entrevista, a diretora da empresa Z e interpelada sobre o que falta a empresa para que ela se torne mais sustentavel. Nesse momento e possivel apreender a enfase na dimensao economica.

Interesse ha. Talvez, assim, buscar numeros nas oportunidades que a gente tiver e implementar ... se os resultados concretos nos mostrarem que realmente e viavel o retorno, sabe? Ter um retorno, um retorno maior, nao so financeiro para a empresa. Acho que o que deve ativar o desejo maior e o retorno do investimento que a gente vai fazer. Se este investimento que a gente vai fazer realmente esta retornando. Porque e um investimento. A empresa, hoje, nao tem recursos de ninguem, a empresa e que vai definir e implementar com os recursos dela. So que, geralmente, os beneficios de economia de condominio e de luz, nao vai ser a empresa que vai receber diretamente [Empresa Z].

Com relacao ao objeto da mudanca, verifica-se que este nao esta atrelado a uma intencao de se reportar ao problema ambiental e/ou social. Visa-se o retorno financeiro e a imagem da empresa. As iniciativas baseiamse em objetivos financeiros reputacionais. Esse ponto fica mais claro quando a diretora menciona que se objetiva nao so retorno financeiro, mas retornos em termos de imagem. [...] Mas, talvez, receba uma imagem melhor de outras formas. Pode ser que esses numeros ... concretizando essa reacao em numeros, acho que pode ser, assim, um impulso maior para fortalecer e a gente fazer mais, ne. Eu nao queria dizer so em recursos, porque acho que nao e so isso as vezes. Nao e so recurso financeiro, retorno de recurso financeiro. Acho que, tambem, o retorno de imagem e importante. Assim, ter um conceito de que e uma empresa preocupada, uma empresa responsavel, ne, na parte social, ambiental, tudo. Entao acho que, no momento em que a gente comecar a implementar, eu acho que a gente vai ter esse retorno [Empresa Z].

Nesse caso, apoiando-se no modelo de Zollo et al. (2013), argumenta-se que o nivel de profundidade da mudanca na empresa Z e o mais baixo entre as empresas analisadas. Dito de outra forma, o grau em que os esforcos da empresa objetivam atingir os elementos mais sutis, tacitos e fundamentais esta baixo. A mudanca esta no nivel mais superficial, tendo em vista a sua baixa capacidade de aprendizagem.

O relato da diretora demonstra um engajamento superficial e ainda em potencial. Esse posicionamento pode ser atribuido nao so as dificuldades para inovar ou mudar, mas a formacao incipiente de valores e crencas condizentes com uma postura sustentavel. A seguir, esse ponto e mencionado quando a diretora da empresa alega nao ter tido um contato anterior com o tema e que falta mais conhecimento das opcoes de praticas sustentaveis.

Entao, dentro do que e possivel fazer e, tambem, dentro do percentual, tambem atendendo os indices do plano diretor, a gente faz um projeto. Entao, nem sempre ha uma area para fazer alguma coisa de sustentabilidade, no caso do reaproveitamento da agua, ne. E eu ate solicitei uma ... Porque, assim, ne, e um assunto que a gente nao teve ha ... formacao academica. Entao, pelo menos na minha epoca, eu nao tive. Talvez agora ate tenha um pouco mais. Entao ... ha ... [pausa] ... pode ser que falte tambem um pouco de conhecimento de outras opcoes de repente [Empresa Z].

Alem da barreira a construcao sustentavel de falta de dados sobre a construcao sustentavel, pode-se identificar em sua fala mencao aos fatores dificultadores a inovacao apontados por Souza e Bruno-Faria (2013). Entre eles, o receio das consequencias da inovacao, dificuldades decorrentes da carencia em termos de conhecimentos e habilidades, assim como a resistencia a inovacao por senso de acomodacao sao evidenciados. Nos relatos dos representantes das empresas X e Y, a seguir, e possivel compreender que os esforcos para atingir elementos mais sutis e tacitos decorrem de experiencias anteriores.

O curso de arquitetura hoje, assim, para min, eu percebo que ele introduziu em mim isso, essa questao da sustentabilidade, de eu fazer alguma coisa, que nos podemos fazer depois que a gente sai da universidade, e eu percebi que la dentro eu aprendi isso. La dentro da Universidade Federal. [...] Como eu te disse, eu sai da Federal, ali do curso de arquitetura, e se falava muito em sustentabilidade la. Eu, quando tive a oportunidade, ha, de colocar na empresa ... porque eu era estudante e tinha a empresa, entao eu trabalhava e era estudante. E dai eu comecei a botar praticas da sustentabilidade [Empresa X].

Nesse extrato da entrevista observa-se a importancia que o diretor atribui a formacao universitaria para o desenvolvimento de valores coerentes com a sustentabilidade. Esse posicionamento estaria condizente com a recomendacao em Le at al. (2012) e Vazquez et al. (2013) de inclusao de disciplinas que abordam a construcao sustentavel para haver melhoria na formacao de profissionais. Nesse sentido, Hogan e Coote (2014), que aplicaram o modelo de Schein (1992) de cultura organizacional a inovacao, propoem que valores sao criticos para o desenvolvimento de comportamentos desejaveis e a formacao da cultura organizacional. Se a alta administracao consegue comunicar os valores e construir normas correspondentes, eles estarao auxiliando no processo de mudanca ao iniciar a formacao de uma cultura organizacional que tera uma forte influencia no comportamento do funcionario.

O representante da empresa Y tambem relata oportunidades previas de formacao de valores de sustentabilidade, nesse caso atreladas ao pilar social; contudo, ele associa esse apreco na empresa pela responsabilidade social a religiosidade, mais especificamente aos valores concebidos pela Igreja crista. O relato a seguir demonstra o mencionado.

Nao existe um projeto assim, tipo assim, tem que ser ... esse e esse, nao. A gente vai fazendo acoes que a gente programa durante o ano. Foi ... Normalmente com entidades, mas tem muita coisa interna tambem com os proprios funcionarios. Funcionarios e familia deles, ne. Entao, e uma coisa que, para nos e: "Po! A gente tem que fazer alguma coisa". A gente tem que ... ate pela formacao crista que a gente tem, assim, e a preocupacao em querer transformar, ne, em trabalhar muito mais do que da. Ah, a gente ajuda algumas entidades doando alimento, que tambem precisa comer, nao adianta. Mas dai a gente procura trabalhar a questao do fazer, do mexer, transformando assim [Empresa Y].

Os valores da Igreja crista tambem se refletem na decisao desse diretor em nao formalizar e divulgar as praticas voltadas para a sustentabilidade. Em outros trechos o entrevistado demonstra a ausencia de formalidade no que tange as praticas sustentaveis e reforca a crenca que possui de que as acoes surtem resultado positivo na sociedade.

Uma vez eu fui falar na TV ali, e fui eu e o [nome de um concorrente]. E o [nome do diretor da empresa concorrente]: "Ah, mas tanto por cento ...". E eu fui falar do que a gente fazia assim, entao me senti meio, sabe, pouco academico nesse sentido. Nao e nada muito formalizado: "Ah, eu sei quantas pessoas foram atendidas nessa situacao". Nao. A gente faz muito mais de coracao e sabe que da um efeito legal, ne. Mas, mais do que isso, na verdade, assim, existe uma preocupacao e pensando o porque da acao, ne. Nao fazer por fazer, mas fazer porque isso realmente vai dar diferenca [Empresa Y].

O grau de intencionalidade e formalidade esta elencado entre os aspectos propostos no modelo de Zollo et al. (2013) para a analise da mudanca para uma orientacao sustentavel. Os autores comentam que esse item pode influenciar tanto positiva quanto negativamente o processo de projecao e implementacao das mudancas. A alta formalidade pode atrair a atencao dos membros responsaveis pela adocao das mudancas, mas criar resistencia por parte de alguns membros da empresa, que podem senti-las como impositivas. Recomenda-se bom senso nessa questao, de modo que a formalidade nao desmotive as iniciativas genuinas de comportamento sustentavel. Alem do mais, mesmo que esse nao seja o intuito principal, ha que se considerar a possibilidade de ganhos advindos da reputacao por meio da divulgacao das atividades sustentaveis. Nesse sentido, o registro das acoes e a avaliacao do desempenho destas podem ser vistos como um estimulo para que se amplie a pratica de gestao sustentavel na organizacao e no setor.

Confirmando esse argumento, Blackburn (2008) relata os resultados de algumas pesquisas visando identificar se existe relacao entre os esforcos em prol da sustentabilidade nas empresas e a geracao valor de mercado. Em uma survey realizada em 2004 com 1000 americanos, 85% deles relataram que sao propensos a trocar para outra marca com qualidade e preco semelhante, se esta fosse associada com uma causa social. Alem disso, constatou-se que 36% dos consumidores de contascorrentes da Cooperativa de Servicos Financeiros do Reino Unido consideram as politicas eticas e de sustentabilidade do banco como a principal razao pela qual eles abriram e mantiveram uma conta com a empresa (Blackburn, 2008). Acrescentam-se a esses resultados os apresentados no relatorio da SIF (Forum de investimentos Sustentaveis e Responsaveis cuj a percentagem de ativos representa 11,3% do total de ativos gerenciados) de 2012. Nesse relatorio expoe-se que, desde 1995--quando foi medido pela primeira vez o tamanho do mercado americano de investimentos dessa natureza--ate 2012, houve aumento desse universo de Investimentos de 486% (US SIF, 2012) enquanto o universo mais amplo de ativos sob gestao profissional dos Estados Unidos cresceu 376%.

Assim, o diretor da empresa X, a seguir, destaca que considera importante ter formalizada a preocupacao com a sustentabilidade.

Sim, a questao do meio ambiente ja esta na politica de qualidade, ja. Tem que andar junto. Tem que andar. Senao tu nao tens ela completa, ne? Eu nao vejo assim: "ter ela dentro da politica para tu pegar e nao botar ela em pratica", mas tem que estar na politica para botar em pratica [Empresa X].

Nesse caso, nota-se que a iniciativa de mudanca focada na dimensao ambiental articula-se com os atributos amplos da firma, na tentativa de construcao da identidade por meio de estruturas e sistemas de coordenacao e controle, ou seja, engatilha o processo de organizing.

Com relacao ao grau de envolvimento dos stakeholders, terceiro e ultimo item de analise, percebeuse este como sendo o que menos se considera nas empresas. De acordo com Zollo et al. (2013), esse ponto pode contribuir para melhor acesso a recursos, estabelecer redes mais fortes que podem ajudar a empresa a desenvolver bens intangiveis, aumentar a legitimidade e melhorar a reputacao da firma. Verificou-se que, de modo geral, quem pratica a sustentabilidade nas empresas, no maximo, sao os diretores, projetistas e arquitetos. O relato abaixo demonstra um pouco a visao que se tem.

Pois e, isso ate la no Ecoinovar [evento que ocorre na cidade sobre a tematica de inovacao e sustentabilidade no qual o entrevistado participou] me perguntaram e essa questao, ela e muito complicada. La, pra um funcionario meu hoje, porque ele e um funcionario com pouca instrucao e pouca escolaridade, entao eles nao percebem isso, eles nao percebem esse ganho, nao tem. Entao, o funcionario, na verdade, essa questao da ... sustentabilidade, sao acoes que a gente coloca para o consumidor final, ne, pra quem vai morar no predio, que o proprio pedreiro vai estar fazendo sem perceber o que esta fazendo talvez. Entendeu? [Empresa X].

Palestras, a gente seguido faz palestras. Tem um programa chamado "De sua Opiniao", que a gente lanca de tanto em tanto tempo, da um tema e eles opinam, e a melhor opiniao segundo os criterios e premiada. Os funcionarios, todos. Com os funcionarios ja fizemos de ambiental. Ja fizemos ... ha ... uma atividade perguntando: se tu fosses o dono da empresa, o que farias? [...] Entao tudo a gente faz pra puxar a opiniao deles, nem que seja pagando, dando premios [Empresa Y].

A empresa X destaca que o publico que mais considera com relacao as pressoes para se tornar sustentavel e o externo. Na empresa Y relatou-se a tentativa de envolver seus funcionarios, o publico interno, com os destinos da empresa. Pode-se reconhecer, mesmo que de forma incipiente, certa capacidade para entender e envolver seus stakeholders internos, o que eleva ainda mais a percepcao de que nessa empresa o foco maior reside na dimensao social da sustentabilidade.

A seguir, no trecho da entrevista da empresa X, e possivel apreender mais o envolvimento da empresa com os stakeholders externos.

A captacao do oleo de cozinha nos predios e o aquecimento solar ... hoje a gente tem uma empresa aqui em Santa Maria que faz, entao ja ficou mais facil de fazer. Antes era de fora da cidade. Ai tu queres ter uma assistencia, tem que vir de fora, e muito mais complicado. Mas, agora, e uma empresa daqui que esta fazendo, ja. Entao, por isso que a gente optou por botar nesse predio, porque a empresa e daqui. Tem uma parceria. Ela vai fazer um preco diferenciado para nos, para poder divulgar isso para o mercado [Empresa X].

As capacidades destacadas no modelo expresso na figura 1 sao relacionadas nao so com o gerenciamento e a adaptabilidade das atividades operacionais. Trata-se, tambem, da Qualidade da firma de se relacionar com atores externos e membros internos. Sobre esse aspecto, Zollo et al. (2013) afirmam que uma empresa e mais ou menos sustentavel dependendo de sua capacidade para entender e envolver seus stakeholders mais importantes no processo decisorio. Nos relatos do diretor da empresa X percebe-se uma deficiencia grande com relacao a qualidade de relacionamento com os atores internos, mas, por outro lado, potencialidade de integracao com atores externos de modo a viabilizar acoes sustentaveis. Esse item foi destacado pela empresa Y como um grande empecilho quando se questionou o diretor sobre o que acredita que mais inviabiliza a atuacao sustentavel de empresas do setor de construcao civil. Ele relatou a necessidade de fornecedores mais proximos a empresa.

Eu comentei rapidamente assim, mas, em primeiro lugar, a questao dos fornecimentos. Do fornecedor perto, que viabilize. Porque, daqui a pouco, tu vais trazer de muito longe e nao te fornece assistencia depois. Entao, nao so custo, nao so custo, mas a viabilidade. E a questao de custos, tambem, ainda esta meio caro, sabe. Aquela questao: "Bah, eu vou botar", mas o cara (consumidor) deixa de me comprar. [...] Entao, existe uma consciencia dos outros que tem que ser formada [Empresa Y].

A empresa X, com relacao a mesma questao, ressalta a necessidade de se formar uma consciencia na populacao.

O que mais inviabiliza e a questao cultural mesmo. Que as pessoas nao tem mesmo consciencia, ne, porque sao pessoas de mais idade, nao pegaram esse, essa questao da sustentabilidade desde o inicio. E sempre foram abundantes as coisas, ne, no Brasil, a agua, ne, sempre foi. E a questao financeira tambem. O pessoal nao poe para nao gerar mais custo. Porque o beneficio nao e para ele, ne. O beneficio e para o cliente dele [Empresa X].

A empresa Z, por sua vez, apresenta como maior empecilho a aproximacao com a proposta sustentavel a dificuldade de se adequar as normas impostas pelo poder publico.

Acho que o que mais inviabiliza, no meu caso, foi o poder publico. Eu nao consegui fazer porque dentro do meu projeto eu nao consegui viabilizar em funcao de que tinha que ocupar uma area ... ne. Porque eu ate estava disposta [Empresa Z].

Nesse ponto do relato, percebe-se o que Allen, Marshall e Easterby-Smith (2015) denominaram como sendo os processos narrativos pelos quais os gerentes se distanciam das questoes de sustentabilidade e as desviam para longe da empresa, em direcao a outros. Dessa forma os autores argumentam que se torna possivel viver com as contradicoes.

Em outro momento da entrevista, comenta-se sobre a falta de incentivos. Na opiniao da diretora da empresa Z, a sustentabilidade ainda nao estaria proporcionando rendimentos satisfatorios, e aqueles que estao buscando adotar praticas com orientacao sustentavel o estariam fazendo apenas por questoes ideologicas.

Quem faz e com recursos proprios e isso e, assim, de analisar se vale a pena ou nao, ne? Uns ate, mesmo nao valendo, fazem por ideologia, por querer ou alguma coisa assim. Ou nao esperando retorno. E outros fazem uma analise mais critica, mas incentivo a gente nao tem nada. Esse vai da propria empresa mesmo [Empresa Z].

A posicao da diretora relatada anteriormente ilustra a barreira "falta de interesse pelo tema da sustentabilidade no setor de construcao civil e pelos os seus stakeholders", conforme apresentado na Agenda 21 (CIB & UNEP, 2002).

CONCLUSOES

Os dados coletados demonstraram que, em relacao a empresa Z, as empresas construtoras X e Y possuem mais arraigados valores e crencas condizentes com a proposta de desenvolvimento sustentavel. Elas possuem como enfase no direcionamento da empresa, juntamente com a dimensao economica, a dimensao ambiental e social, respectivamente.

Contudo, percebeu-se nas entrevistas que os elementos mais sutis e tacitos sao decorrentes do contexto particular de vida de cada um dos participantes da pesquisa e que pouco e feito para influenciar a evolucao de antecedentes comportamentais de ordem coletiva. No caso da empresa X, esses valores sao expressos e formalizados na politica da empresa, o que demonstra a tentativa de se construir uma identidade na organizacao; porem, quando se pensa em quem efetivamente implementa a proposta de sustentabilidade nas atividades cotidianas da organizacao, percebe-se que os funcionarios nao sao incluidos nos planos para implementar iniciativas de mudanca sustentavel.

Ja na empresa Y, os funcionarios sao incluidos nos projetos da iniciativa sustentavel, porem, falta integrar as atividades com os atributos amplos da firma, de forma que se possa construir uma acao mais coordenada na empresa.

Por conseguinte, pode-se aferir por meio da analise nas empresas, utilizando o modelo de Zollo et al. (2013), que, mesmo demonstrando comprometimento com a agenda de sustentabilidade, as empresas X e Y ainda o estao fazendo de forma incipiente ou superficial. A iniciativa de mudanca nesses dois casos nao perpassa todos os niveis da empresa e nao interage com os quatro atributos organizacionais. Esses aspectos que foram apontados indicam que, mesmo que existam esforcos genuinos para assumir processos de mudanca sustentavel, as capacidades adaptativas das empresas X e Y sao insuficientemente desenvolvidas e, portanto, a probabilidade de elas contribuirem para produzir impactos na solucao de tensoes sociais e ambientais ainda e reduzida.

Deve-se ter em conta, porem, que a solucao para o desafio da sustentabilidade em organizacoes esta longe de ser trivial e que as iniciativas dos lideres retratadas neste estudo poderiam ter maior repercussao se fossem acompanhadas de incentivos por parte do governo e trabalho de conscientizacao da populacao, especialmente do segmento mais jovem, que se encontra em processo de formacao. A necessidade de se trabalhar com os segmentos mais jovens da populacao, por meio das instituicoes de ensino, visando formular uma cultura de sustentabilidade, e apoiada.

Como limitacao da pesquisa, o estudo faz parte de um projeto maior o qual esta sendo desenvolvido. Assim, o tipo de enquete adotado--de corte seccional (transversal) --inviabilizou uma analise com mais propriedade da mudanca. A investigacao da mudanca, para ser mais efetiva, requer delineamentos com perspectiva longitudinal. Como sugestao para pesquisas futuras, recomenda-se estudar mais a fundo os processos de mudanca e inovacao em empreendimentos sustentaveis por meio de estudos que envolvem mais de um momento de coleta de dados. Da mesma forma, pesquisas mais abrangentes, envolvendo outras experiencias de empresas e pesquisas com maior amplitude de analise, que pudessem averiguar diferentes perspectivas dentro das empresas com relacao a sua aderencia com a sustentabilidade, poderiam ser mais informativas.

DOI: 10.5585/geas.v5i1.223

Recebido: 18/12/2015

Aprovado: 25/03/2016

REFERENCIAS

Allen, S., Marshall, J., & Easterby-Smith, M. (2015). Living With Contradictions: The Dynamics of Senior Managers' Identity Tensions in Relation to Sustainability. Organization & Environment, 1-21. DOI: 10.1177/1086026615575048.

Alves, A. P. F., & Trevisan, M. (2014). Ecologia Industrial na Pratica: oportunidades e limitacoes para a instalacao de uma industria de brita ecologica em Rio Grande/RS. Revista Eletronica em Gestao, Educacao e Tecnologia Ambiental--REGET, 18(1), 144-157.

Bacha, M. L., & Schaun, A. (2010). Consideracoes Teoricas sobre o Conceito de Sustentabilidade: uma reflexao sobre elementos conceituais e revisao da literatura. In A. Schaun, & F. Utsunomiya (Org.). Comunicacao e Sustentabilidade, Conceitos, Contextos e Experiencias (pp. 13-35). 1ed. Rio de Janeiro: e-papers, v. 1.

Bansal, P. (2003). From issues to actions: The importance of individual concerns and organizational values in responding to natural environmental issues. Organization Science, 14(5), 510-527.

Barbieri, J. C., & Cajazeira, J. E. R. (2009). Responsabilidade social empresarial e empresa sustentavel: da teoria a pratica. Sao Paulo: Saraiva.

Bauer, M., & Gaskell, G. (2010). Pesquisa Qualitativa com texto, imagem e som: um manual pratico. Petropolis, RJ: Vozes.

Blackburn, W. R. (2012). The Sustainability Handbook: The Complete Management Guide to Achieving Social, Economic, and Environmental Responsibility. The Environmental Law Institute, Washington, D.C.

Carvalho, I. C. M. (1999). La cuestion ambiental y el surgimiento de un campo educativo y politico de accion social. Topicos en Educacion Ambiental, 1(1).

Charted Institute of Buiding. (2010). Corporate Social Responsability and construction, CIOB Information and Guidance Series. Online. Disponivel em: <http://support.freecpd.net/support_data/1/Reports/csr.pdf>. Acesso em jun. de 2010.

CIB--International Council for Research and Innovation in Building and Construction and UNEP--United Nations Environment Programme (2002). Agenda 21 for Sustainable Construction in Developing Countries: A discussion document. Boutek Report No Bou/E0204, Pretoria. Recuperado em 03 de fev., 2014 de: <http://www.unep.or.jp/ietc/Focus/Agenda%2021%20 BOOK.pdf>.

CNI--Confederacao Nacional da Industria & CAMARA BRASILEIRA DA INDUSTRIA DA CONSTRUCAO CBIC. (2012). Construcao Verde: Desenvolvimento com Sustentabilidade. Encontro da Industria para a Sustentabilidade. Disponivel em: <http://arquivos.portaldaindustria.com.br/app/co nteudo_18/2013/09/23/4970/201310021758502 95139e.pdf>. Acesso em out. de 2015.

Creswell, J. W. (2007). Qualitative inquiry and research design: choosing among five approaches. Thousand Oaks: Sage.

Donaire, D. (2011). Gestao ambiental na empresa. 2. ed. Sao Paulo. Ed. Atlas. 169 p.

Elkington, J. (2012). Canibais com garfo e faca: edicao historica de 12 anos. Sao Paulo: M. Books.

Farjoun, M. (2010). Beyond Dualism: Stability and Change as a Duality. Academy of Management Review, 35(2), 202225.

Fontan, J. M., Klein, J.-L, & Tremblay, D.G. (2005). Innovation socioterritoriale et reconversion economique: le cas de Montreal. Paris: L'Harmattan.

Freeman, R. E. (2010). Strategic management: a stakeholder approach. New York: Cambridge University Press.

Freeman, R. E., & Mcvea, J. A. (2001). Stakeholder approach to strategic management. In M. HITT, R. FREEMAN & J. HARRISON (Eds.). The Blackwell Handbook of Strategic Management (pp. 189-207.). Oxford: Blackwell Business.

Hart, S., & Dowell, G. (2011). A natural-resource-based view of the firm: Fifteen years after. Journal of Management, 37, 1464-1479.

Hogan, S. J., & Coote, L. V. (2014). Organizational culture, innovation, and performance: A test of Schein's model. Journal of Business Research, 67, 1609-1621.

Horish, J.; Freeman, R. E., & Schaltegger, S. (2014). Applying Stakeholder Theory in Sustainability Management: Links, Similarities, Dissimilarities, and a Conceptual Framework. Organization & Environment, 27(4), 328346.

Joia, L. A. (2006). Geracao de modelos teoricos a partir de estudos de casos multiplos: da teoria a pratica. In: M. M. F. VIEIRA & D. M. ZOUAIN (Orgs.). Pesquisa Qualitativa em Administracao (pp. 123-150). 2. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV.

Koebel, C. T., McCoyb, A. P., Sanderfordc, A. R., Franckd, C. T., & Keefe, M. J. (2015). Diffusion of green building technologies in new housing construction. Energy and Buildings, 97, 175-185.

Le, T. T., Goodier, C. I., Pham, H. H., Soutsos, M. N., & Tong, K. T. (2012). Sustainable Construction--An International Comparison of Civil Engineering Students. Journal of Civil Engineering and Architecture, 6 (12), 1648-1653.

Ministerio do Meio Ambiente--MMA (2014). Construcao Sustentavel. Recuperado em 03 de fev., 2014 de: <http://www.mma.gov.br/cidadessustentaveis/urbanismo sustentavel/constru%C3 %A7%C 3 %A3osustent%C3 %A 1 vel>.

Raut, S. P., Ralegaonkar, R. V., & Mandavgane, S. A. (2011). Development of sustainable construction material using industrial and agricultural solid waste: A review of wastecreate bricks. Construction and Building Materials, 25, 4037-4042.

Richardson, R. J. (1999). Pesquisa Social: Metodos e tecnicas. 3. ed. Sao Paulo: Atlas.

Roodman, D. M., & Lenssen, N. (1995). A Building Revolution: How Ecology and Health Concerns are Transforming Construction, Worldwatch Paper 124, Worldwatch Institute, Washington, D.C.

Sachs, I. (1994). Population, developpement et emploi. Revue Internationale des Sciences Sociales, 141, 409-426, Toulouse: UNESCO/Eres.

Sachs, I. (2004). Desenvolvimento: includente, sustentavel, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond.

Schein, E. H. (1992). Organizational culture and leadership. San Francisco: Jossey-Bass Inc.

Serva, M. (1997). Abordagem substantiva e acao comunicativa: uma complementaridade proveitosa para a teoria das organizacoes. Revista de Administracao Publica (RAP), 31(2), 108-134.

Sieffert, Y., Huygen, J. M., & Daudon, D. (2014). Sustainable construction with repurposed materials in the context of a civil engineering-architecture collaboration. Journal of Cleaner Production, 67, 125-138.

Souza, J. C., & Bruno-Faria, M. F. (2013). Processo de inovacao no contexto organizacional: uma analise de facilitadores e dificultadores. BBR-Brazilian Business Review, 10(3), 113-136.

United Nations Environment Programme--UNEP (2007). Buildings and Climate Change Status, Challenges and Opportunities. Recuperado em 10 de nov., 2015 de: <http://www.unep.org/sbci/pdfs/BuildingsandClimateCh ange.pdf>.

US SIF Foundation: The Forum for Sustainable and Responsible Investment. (2012). [Report on Sustainable and Responsible Investing Trends in the United States]. Recuperado em 10 de nov., 2013 de: <http://www.ussif.org/files/Publications/12_Trends_Exe c_Summary. pdf>.

Vazquez, E., Rola, S., Martins, D., Alves, L., Freitas, M., & Pinguelli Rosa, L. (2013). Sustainability in Civil Construction: application of an environmental certification Process (Leed) during the construction phase of a hospital enterprise--Rio de Janeiro/Brazil. Interantional Journal of Sustainable Development Planning, 8(1), 1-19.

Veiga, J. E. (2010). Desenvolvimento sustentavel: o desafio do seculo XXI. Rio de Janeiro: Garamond.

Zollo, M., Cennamo, C., & Neumann, K. (2013). Beyond What and Why: Understanding Organizational Evolution Towards Sustainable Enterprise Models. Organization & Environment, 26(3), 241-259.

(1) Maisa Gomide Teixeira

(2) Joao Fernando Zamberlam

(3) Marindia Brachak dos Santos

(4) Clandia Maffini Gomes

(1) Doutora em Administracao pela Universidade Federal do Parana--UFPR, Brasil Professora visitante pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul--UFMS, Brasil E-mail: 85maisatx@gmail.com

(2) Doutor em Engenharia Agricola pela Universidade Federal de Santa Maria, Brasil Professor Adjunto I da Universidade de Cruz Alta--UNICRUZ, Brasil E-mail: ifzamberlan@gmail.com

(3) Mestre em Administracao pela Universidade Federal de Santa Maria--UFSM, Brasil Doutoranda pela Universidade Federal de Santa Maria--UFSM, Brasil E-mail: marindiabrachak@gmail.com

(4) Doutora em Administracao pela Universidade de Sao Paulo--FEA/USP com Estagio Doutoral na Bocconi University em Milao. Professora Adjunta do Departamento de Ciencias Administrativas da UFSM, Brasil E-mail: clandiamg@gmail.com

Caption: Figura 1--Modelo geral de inovacao em empreendimento sustentavel.
Quadro 1--Barreiras/problemas enfrentados pela construcao sustentavel
em paises em desenvolvimento

BARREIRAS                            DESCRICAO

Falta de capacidade    Ha carencia tanto em termos do numero de
do setor de            recursos humanos quanto do nivel das
construcao             competencias desses recursos humanos. A
                       terceirizacao tem afetado severamente as
                       habilidades de treinamento e a retencao de
                       conhecimentos no setor a medida que os
                       trabalhadores da construcao civil se tornam
                       altamente moveis.

Ambiente economico     Nos paises em desenvolvimento a industria
incerto                formal de construcao baseia-se excessivamente
                       nas encomendas do governo. No entanto, essas
                       encomendas flutuam principalmente em funcao de
                       assistencia financeira multilateral e
                       unilateral. A medida que flutuacoes na
                       atividade de construcao desencorajam o
                       planejamento estrategico de longo prazo,
                       contribui-se para perpetuar uma abordagem
                       informal nas atividades de construcao, o que,
                       por sua vez, dificulta o acesso ao capital de
                       investimento. E um circulo vicioso no qual
                       incertezas impedem o acesso ao investimento de
                       capital, o que dificulta, por sua vez, manter e
                       adquirir plantas e equipamentos e formar
                       pessoal para lidar com novas exigencias, como a
                       sustentabilidade.

Pobreza e baixo        As cidades dos paises em desenvolvimento
investimento urbano    mostram uma baixa taxa de investimento urbano
                       contra uma alta taxa de crescimento
                       demografico. Em meio a essa escassez
                       generalizada de recursos, alternativas de
                       construcao com tecnologias sustentaveis lutam
                       para encontrar o espaco necessario para
                       tornarem-se tecnologias mainstream. Qualquer
                       solucao tecnica que aumente o custo de
                       habitacao ou infraestrutura provavelmente
                       enfrentara oposicao, especialmente se for
                       destinada a habitacao de baixo custo.

Falta de dados         A falta de dados torna as decisoes sobre as
precisos               intervencoes dificeis. Sao necessarias
                       informacoes sobre os materiais de construcao
                       "verdes" atuais que estao disponiveis,
                       incluindo os tipos de materiais, como sao
                       utilizados e os recursos consumidos ao longo do
                       seu ciclo de vida. Ademais, a informacao
                       estatistica do setor da construcao e
                       frequentemente indisponivel ou nao confiavel.
                       Dados sobre o risco das atividades de
                       construcao insustentaveis e seus efeitos na
                       saude tambem nao sao muito confiaveis e muitas
                       vezes insuficientes.

Falta de interesse     As empresas seguem os padroes de consumo dos
na questao da          clientes, que normalmente aderem ao modelo de
sustentabilidade       desenvolvimento dos paises desenvolvidos com os
                       seus vicios e problemas. Alem disso, o setor da
                       construcao e dominado por empresas que nao
                       estao interessadas em mudancas tecnologicas que
                       envolvem riscos e custos extras. A falta de
                       interesse por parte do setor privado para
                       desenvolver produtos sustentaveis que sao
                       acessiveis aos varios grupos de renda da
                       populacao decorre, muitas vezes, da falta de
                       mecanismos financeiros e de microcredito
                       alternativos para incentivar mudancas nas
                       praticas atuais.

Inercia tecnologica    A aplicacao incondicional de codigos e
                       conceitos de planejamento de construcao dos
                       paises ocidentais introduzidos durante o
                       periodo colonial constitui-se na barreira de
                       inercia tecnologica em que poucas novas
                       tecnologias sao introduzidas e adotadas. A
                       falta de politicas tecnologicas nacionais
                       favorece a reproducao dos modelos tecnologicos
                       adotados nos paises desenvolvidos, modelos que
                       nem sempre sao adequados para a realidade dos
                       paises em desenvolvimento.

Carencia de            O trabalho de coordenacao intersetorial entre
pesquisas integradas   as agencias envolvidas com tecnologias de
                       construcao e carente e, portanto, as atividades
                       de desenvolvimento relacionadas com a concepcao
                       e gestao das edificacoes humanas nao ocorrem de
                       uma forma holistica. Enquanto existe um
                       consenso no discurso, este se desfaz nas
                       propostas para lidar com o problema. Essa falta
                       de planejamento integrado de investigacao e
                       divulgacao entre as esferas teoricas e praticas
                       e mais um obstaculo para a construcao
                       sustentavel.

Fonte: Elaborado pelos autores baseado em CIB e UNEP (2002).

Quadro 2--Participantes da pesquisa

Empresa    Tempo de         Cargo ocupado            Tempo de
           funcionamento                             direcao da
           da empresa                                empresa
                                                     pelo
                                                     entrevistado

X          13 anos          Diretor proprietario     13 anos
Y          39 anos          Diretor proprietario     07 anos
Z          23 anos          Diretora de projetos     21 anos

Empresa    Graduacao do
           entrevistado

X          Arquitetura
Y          Administracao
Z          Engenharia

Fonte: Dados da pesquisa.

Quadro 3--Especificacao das categorias

CATEGORIA         NOME

1            Fonte de mudanca (interna)
2            Fonte de mudanca (externa)

3            Motores de mudanca

4            Motores da mudanca
5            Motores da mudanca

6            Motores da mudanca
7            Motores da mudanca
8            Objetos de mudanca--O que faz?
9            Objetos de mudanca
10           Objetos de mudanca

CATEGORIA                DESCRICAO

1            Motivacoes/aspiracoes
2            Stakeholders--publico que a empresa mais considera com
                relacao as pressoes para se tornar sustentavel
3            Quais aspectos da empresa estao relacionados com a
                proposta de desenvolvimento sustentavel?
4            Quem pratica a sustentabilidade na empresa?
5            Elementos da organizacao envolvidos com a mudanca
                (nivel da mudanca)
6            O processo para implementar uma mudanca
7            Grau de envolvimento dos stakeholders
8            Como a empresa se reporta a questoes de sustentabilidade
9            Tracos de conduta da firma
10           Atividades funcionais

Fonte: Baseado em Zollo et al. (2013), Elkington (2012) e Blackburn
(2012).
COPYRIGHT 2016 Universidade Nove de Julho
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2016 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Teixeira, Maisa Gomide; Zamberlam, Joao Fernando; dos Santos, Marindia Brachak; Gomes, Clandia Maffi
Publication:Revista de Gestao Ambiental e da Sustentabilidade
Date:Jan 1, 2016
Words:10614
Previous Article:SOCIOECONOMIC PROFILE OF CONSUMERS OF RESTAURANTS AS REGARDS ORGANIC PRODUCTS: A COMPARATIVE ANALYSIS/PERFIL SOCIOECONOMICO DOS CONSUMIDORES DE...
Next Article:REVERSE LOGISTICS OF CLASS-D WASTE IN A HOSPITAL ENVIRONMENT: MONITORING AND EVALUATION OF RECYCLING IN THE CANDIDO FONTOURA CHILDREN'S...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2021 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |