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Brazilian pedology in Antarctica: the permafrost-affected soils research in the global warming scenario/Pedologia Brasileira na Antartica: a pesquisa de solos afetados por permafrost no cenario do aquecimento global.

1. INTRODUCAO

A Antartica representa um ambiente peculiar para formacao de solos e estudo de muitos de seus processos, alguns dos quais possuem caracteristicas atipicas (Campbell e Claridge, 1987). A formacao dos solos esta intimamente relacionada a historia glacial e evolucao de superficies, a geologia, e ao intemperismo, principalmente fisicos. Incluem tambem nos processos pedogeneticos a extensao e significancia de fatores biologicos, como a ornitogenese/fosfatizacao (Tatur e Myrcha, 1989; Tatur, 2002; Schaefer et al., 2004; Michel et al., 2006; Simas et al., 2007; Schaefer et al., 2008; Simas et al., 2008; Pereira et al., 2013), alem de caracteristicas como a solifluxao e crioturbacao, envolvendo congelamento e descongelamento do perfil. Black (1973) considerou que estas mudancas termais na Antartica sao mais frequentes do que em qualquer outra regiao do mundo.

Em razao de possuir os climas mais frios e secos do planeta, a Antartica apresenta pouca agua no solo, restrita a curtos periodos no verao. A agua e, portanto, pouco disponivel para a formacao do solo, sendo o clima, muito arido em algumas regioes, capaz de dificultar ou mesmo inibir a pedogenese, os processos geomorficos, e as reacoes quimicas (Campbell e Claridge, 1987).

A parte menos fria do continente e a Peninsula Antartica e ilhas adjacentes, onde se concentram os trabalhos de pesquisa do Nucleo Terrantar, vinculado ao Instituto Nacional de Ciencia e Tecnologia da Criosfera-INCT. Em comparacao ao arquipelago das Shetlands do Sul, Hope Bay, na Peninsula Antartica, apresenta medias de temperatura mais baixas ao longo do ano, alem de menor precipitacao, o que possivelmente limita a atividade pedogenetica e biologica em relacao as ilhas.

A ocorrencia de permafrost e continua em toda a area de Hope Bay, com setores isolados, no centro e margens da area, ricos em gelo (SCAR, 2002; Martin-Serrano et al., 2005). O desenvolvimento da camada ativa e processos de thermokarst nestas areas sao determinados pelas condicoes climaticas no verao e pelo gelo superficial interconectado com agua superficial e subsuperficial, sendo a evolucao do permafrost nestes setores um sensivel indicador de mudancas climaticas recentes e modificacoes do ambiente.

2. REFERENCIAL TEORICO

2.1. Nucleo Terrantar: estudos pedologicos

Estudos pedologicos na Antartica realizados por brasileiros iniciaram em 2002 com o entao Projeto Criossolos, atual Nucleo Terrantar, vinculado ao Instituto Nacional de Ciencia e Tecnologia da Criosfera INCT, sendo que todas as atividades cientificas no continente, numa esfera maior, compoem a Rede de Pequisa do PROANTAR (CNPq/MMA/Forcas Armadas do Brasil).

Os trabalhos do Terrantar se iniciaram na Baia do Almirantado-Ilha Rei George, onde esta localizada a Estacao Antartica Comandante Ferraz, que teve 70 % de suas construcoes consumidas por um incendio no ano de 2012.

Da Baia do Almirantado, as pesquisas de solos foram se expandindo ao longo das Ilhas Shetlands do Sul e Peninsula Antartica, sendo Hope Bay, no extremo norte da Peninsula, o primeiro trabalho efetivamente realizado no Continente Antartico pelo Nucleo (Figura 1).

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Mais recentemente foram realizados estudos de solos em Marambio (Ilha Seymour) e Montanhas Ellsworth, estas ultimas localizadas no extemo sul da Peninsula Antartica.

Diversos trabalhos foram produzidos envolvendo as caracteristicas morfologicas, fisicas, quimicas, mineralogicas e micromorfologicas dos solos, alem de mapeamentos, em trabalhos tipicos de pedologia e levantamentos de solos. Foram produzidos tambem estudos especificos sobre o processo de ornitogenese/fosfatizacao de solos, dinamica do carbono, indicadores bioquimicos de metais pesados e contaminantes antropicos, quimica das aguas de degelo, estudos de comunidades vegetais e ecologia microbiana, zonemanto ambiental, geomorfologia periglacial, e monitoramento do regime termico da camada ativa e permafrost, numa complexa rede de sensores e registradores automaticos instalados em todas as areas estudadas.

2.2. Solos afetados por permafrost

Solos afetados por permafrost sao encontrados nas regioes articas e subarticas, em altas montanhas e nas regioes livres de gelo da Antartica. Abrangem cerca de 13 % da cobertura terrestre (Bockheim et al., 1994), e passaram, nos ultimos tempos, a despertar grande interesse por serem fontes de gas, oleo e outros combustiveis fosseis (Bockheim e Tarnocai, 1998), alem de serem importantes estocadores de C e agua doce.

A definicao de permafrost inclui toda camada de solo, sedimento ou rocha que permanece [menor que o igual a] 0 [degrees]C por no minimo dois anos consecutivos (IUSS Working Group WRB, 2007), o que significa que a umidade para a formacao de agua ou gelo nao necessita estar presente.

De acordo com Tarnocai (2004), solos afetados por permafrost possuem condicoes unicas, com propriedades fisicas, quimicas e biologicas diferentes daquelas encontradas em outros solos, o que estimula a compreensao sobre os processos de formacao, classificacao, relacoes ecologicas, uso e manejo, alem da distribuicao.

Atualmente, e inegavel a influencia do permafrost sobre os recursos hidricos, propriedades do solo, e desenvolvimento da vegetacao em areas periglaciais (Guglielmin et al., 2008). Alem destes, uma serie de questoes estao relacionadas as mudancas no balanco de carbono, especialmente devido a liberacao de CH4 e CO2, em reflexo a degradacao do permafrost pelo aumento de temperatura (Osterkamp, 2003; Michel et al, 2006; Slaymaker e Kelly, 2007). Um modelo de estimativa climatica (Matear e Hirst, 1999) sugere um aumento equivalente a 4 % do total das emissoes de CO2 no seculo XXI em virtude do descongelamento do permafrost. No entanto, o aumento da rede de producao primaria pela maior exposicao do solo e temperatura pode, em um efeito reverso, estimular o sequestro de carbono e reduzir ou mesmo balancear o carbono que foi emitido. Sem contar na possibilidade de maior precipitacao dos carbonatos oceanicos, amplamente apontados nas discussoes sobre aquecimento global.

Pesquisas de solos afetados por permafrost comecaram na Russia, em 1906. No entanto, nas areas livres de gelo da Antartica, ainda sao incomuns os estudos e mapeamentos de solos (Goryachkin, 2004), a inferir-se pela distribuicao dos solos mundiais (World Soil Resources-FAO, 2003; Global Soil Regions NRCS, 2005), que nao contemplam o continente com nenhuma classe de solo atribuida as legendas. E dentre todas as regioes da Antartica, a Antartica Maritima ainda representa uma das areas menos conhecidas em termos de estudos de solos e permafrost (Tatur, 1989; Bockheim e Ugolini, 1990; Schaefer et al., 2004; Michel et al., 2006; Simas et al., 2008).

Na decada de 1980, a Associacao Internacional do Permafrost (IPA) e a Uniao Internacional de Ciencia do Solo formaram o Cryosol Working Group, que iniciou os esforcos para melhorar a classificacao dos solos com permafrost. Desses esforcos surgiram as classes dos Gelisols (Soil Survey Staff, 2010) e Cryosols (IUSS Working Group WRB, 2007).

Nos ambientes de permafrost, cada efeito (energia e equilibrio de massa) e manifestado ao longo da camada ativa, que e a camada de solo sobrejacente ao permafrost (Tarnocai, 2004). Para a Antartica Maritima, temperaturas nao tao baixas e maior disponibilidade de agua resultam em um aprofundamento desta camada, favorecendo a cobertura vegetal e o intemperismo mineral (Campbell e Claridge, 1987; Blume et al., 2004; Guglielmin et al., 2008), refletindo em solos com maiores teores de particulas finas (silte + argila), comparativamente aos solos dos desertos polares (Pereira et al., 2013).

Na camada ativa, ciclos continuos de congelamento e descongelamento favorecem a solifluxao e a formacao de feicoes tipicas, como solos com padroes (patterned grounds) (Bockheim e Tarnocai, 1998; Tarnocai et al., 2004). Alem destas, horizontes quebrados ou irregulares, orientacao vertical de rochas dentro do perfil, movimentacao e incorporacao de materiais organicos em subsuperficie, formacao de revestimentos silto-argilosos e expulsao de materiais mais finos para a superficie (frost heave) sao comumente observados (Pereira et al., 2013). Configuram-se desta forma os horizontes crioturbados, definidos como aqueles que sao irregulares ou quebrados, contendo materiais incorporados de outros horizontes, e mostrando ordenamentos verticais e horizontais (Acecss, 1987).

A crioturbacao, que e dominante em regioes de permafrost e se refere a todo movimento de solo causado por acao do congelamento/descongelamento (Bryan, 1946; Tarnocai e Zoltai, 1978; Washburn, 1980; French, 1996), inclui grandes modificacoes na morfologia e micromorfologia dos solos, tais como a formacao de estrutura granular ovoide dos Criossolos, atribuida ao congelamento/descongelamento diferencial e ultradissecacao de particulas finas de solo durante processos de congelamento (Schaefer et al., 2004; van Vliet-Lanoe et al., 2004).

De modo geral, a crioturbacao e favorecida, mas nao restrita, a condicoes de drenagem imperfeita, material parental siltoso, ciclos frequentes de congelamento-descongelamento, e permafrost dentro de 1 m da superficie (Washburn, 1980; Vandenbergue, 1988). Dois modelos tem sido empregados para explicar o processo de crioturbacao (Vandenbergue, 1988). O modelo "crioestatico" envolve duas frentes de congelamento movendo em direcoes opostas, para baixo da superficie e para cima do permafrost table, causando pressao nos materiais descongelados presentes entre as frentes de congelamento. No modelo de "equilibrio de celulas convectivas", um processo de ascensao-subsidencia no topo da camada ativa produz uma rede com movimentos de material para cima e para baixo. Este processo de ascensao-subsidencia se combina para produzir um tipo lento de celula de circulacao cuja tendencia e a ascensao (Mackay, 1980), sendo este processo um dos responsaveis pela configuracao dos solos com padroes (poligonos, circulos, estrias, etc).

A crioturbacao e usada em nivel categorico alto nos modernos sistemas taxonomicos para diferentes solos que contenham permafrost. Sendo assim, e essencial que taxonomistas de solos sejam capazes de identificar feicoes de crioturbacao para classificar solos afetados por permafrost (Bockheim e Tarnocai, 1998). De acordo com os autores, os processos criopedogenicos, incluindo a crioturbacao, representam processos tipicos e dominantes na formacao de solos afetados por permafrost.

2.3. Antartica no cenario do aquecimento global

As quatro maiores regioes da Criosfera no mundo sao: Antartica, Oceano Artico, as neves extrapolares e os ambientes montanhosos muito frios (Slaymaker e Kelly, 2007). Mudancas na Criosfera em resposta ao aquecimento global sao provaveis de serem observadas inicialmente em zonas de transicao, em torno das extremidades de geleiras e camadas de gelo, e em areas de permafrost, ambientes que em contrapartida, influenciam, mesmo que indiretamente, todas as superficies da Terra (Tedrow, 2004; Slaymaker e Kelly, 2007).

Na Antartica, o manto de gelo que a recobre, com cerca de 14 milhoes de [km.sup.2] e espessura que supera os 4000 m em alguns locais, correspondendo a um volume de aproximadamente 30 milhoes de [km.sup.3], notabiliza-se por conter aproximadamente 75 % da agua doce do mundo (Campbell e Claridge, 1987; Slaymaker e Kelly, 2007). De acordo com Rocha-Campos e Santos (2001), a expressividade do gelo na Antartica faz deste continente o maior "sorvedouro" de calor da Terra, influenciando profundamente as condicoes climaticas, a circulacao das aguas oceanicas e a atmosfera terrestre.

O debate sobre a possibilidade da ocorrencia de aumento da temperatura global causado pelos gases do efeito estufa despertou atencao de pesquisadores sobre o estado de equilibrio das grandes massas de gelo e permafrost presentes na Antartica.

Estimativas indicam que o derretimento do manto de gelo austral provocaria uma elevacao de ate 60 m no nivel do mar, com consequencias catastroficas sobre a vida das populacoes litoraneas (Rocha-Campos e Santos, 2001). A media global do nivel do mar subiu entre 0,1 e 0,25 m nos ultimos 100 anos (Houghton et al., 1996). Projecoes otimistas de mudancas futuras ate 2100 sao de acrescimo de 1 m no nivel dos oceanos (National Geographic, 2007).

No inverno antartico, a area de flutuacao de gelo ao redor do continente (17-20 milhoes de [km.sup.2]) e maior que o gelo do proprio continente. Neste caso, uma esperada reducao desta cobertura de mar congelado, em resposta ao aquecimento global, possivelmente provocara uma maior absorcao da radiacao solar (Setzer et al., 2004). Na Peninsula Antartica sao esperadas mudancas pela maior exposicao de rochas e solos, com alteracoes na ecologia, especialmente com a introducao de plantas exoticas e animais (Slaymaker e Kelly, 2007).

A neve, tambem responsavel pela regulacao da temperatura na Antartica, reflete aproximadamente 80 % da radiacao do sol. Em comparacao, solo exposto e vegetacao absorvem aproximadamente oito vezes mais radiacao do que uma cobertura de neve (Slaymaker e Kelly, 2007). Neste caso, quantidades de solo cobertos por neve sao criticamente importantes para o balanco de radiacao terrestre e tambem para os sistemas climaticos globais. Alem disso, neve e gelo tambem funcionam como isolantes, pela baixa condutividade termica, se comparada com superficies de solo.

Estudos em crioconitas, particulas escuras de poeira glacial inicialmente identificadas pelo explorador sueco A. E. Nordenskjold em 1870, foram apontados mais recentemente como de grande interesse para a comunidade cientifica, sobretudo relacionados com sua composicao e impactos nos glaciares e coberturas de neve (Schwartzman e Tedesco, 2011). Podem surgir in situ, a partir de quebras de rochas na superficie do gelo ou liberacao de detritos presos dentro de glaciares, a partir do derretimento, ou mesmo transportadas por sistemas de circulacao atmosferica global.

A crioconita se destaca em dois aspectos: primeiro por formar sistemas biologicos isolados, de grande interesse para estudos de desenvolvimento de ecossistemas; e segundo e mais importante para o presente trabalho, relacionado ao decrescimo no albedo, maior absorcao de energia e derretimento de gelo e neve. Assim, quando agregados de crioconita passam a formar buracos nos glaciares e coberturas de neve, pela reducao drastica do albedo, um efeito e o aumento na ablacao (Takeuchi, 2002). Fountain et al. (2004) apontam que buracos formados pela crioconita no Glaciar Canada (McMurdo Dry Valleys-Antartica) contribuiram com 13 % do total do runoff do glaciar, apesar de cobrir apenas 4,5 % deste.

Schwartzman e Tedesco (2011), em trabalho comparativo com particulas de crioconita coletadas na Antartica e Groenlandia, apontam para um maior tamanho e maior potencial deteriorativo das particulas na Antartica, que possuem baixa reflectancia influenciada principalmente pela constituicao mineralogica. Tal fato e compreensivel uma vez que na Antartica particulas menores tem forte ligacao com a litologia em virtude do forte efeito crioclastico na reducao de seus tamanhos.

2.4. Criossolos (Gelissolos) Ornitogenicos

A formacao e duracao de ecossistemas terrestres fortemente enriquecidos pelo aporte de dejetos animais tem sido relatada nos eventos geologicos. A disponibilidade restrita de areas costeiras livres de gelo e a queda na reproducao durante a ultima glaciacao reduziram o numero de vertebrados marinhos nos solos antarticos, sendo que alguns autores consideram menor a reducao das populacoes de pinguins, especialmente Pygoscelis adeliae e Pygoscelis papua, neste periodo devido a maior adaptacao fisiologica destas especies (Tatur e Myrcha, 1989; Tatur, 2002). O processo de deglaciacao, com mudanca na extensao dos bancos de gelo, seguida pela elevacao glacio-isostatica das terras durante o Holoceno, determinou o acesso dos vertebrados marinhos as terras durante os veroes (Baroni e Orombelli, 1994).

Nos curtos periodos de verao, ocorrem nos ambientes terrestres, interacoes que influenciam diretamente as relacoes troficas e rotas de transferencia de materia e energia entre o oceano e as areas costeiras na Antartica (Rakusa-Suszczewski, 1993). Nestes locais, existe grande aporte de materiais organicos (guano, urina, penas, casca de ovos, restos animais/vegetais e conchas) depositados por aves e mamiferos, com destaque para os pinguins, sendo a incorporacao destes materiais organicos a matriz mineral do solo a principal influencia na caracterizacao dos solos ornitogenicos (Tatur e Myrcha, 1989; Tatur e Myrcha, 1993), termo que tem sido amplamente utilizado na literatura (Tedrow e Ugolini, 1966; Allen e Heal, 1970; Ugolini, 1970; Ugolini, 1972; Tedrow, 1977; Campbell e Claridge, 1987; Bockheim e Ugolini, 1990; Blume et al. 1997; Schaefer et al., 2004; Pereira et al., 2013). De acordo com Rakusa-Suszczewiski (1980), cada populacao de pinguim na Antartica (entre 30.000 e 50.000 casais) deposita em torno de 6,35 t de excreta no solo diariamente (comparativamente, todos os passaros voadores depositam apenas 0,14 t), sendo que a intensidade de aporte nas pinguineiras chega a 10 kg m-2 de excreta durante uma estacao. Segundo Ugolini (1972), isto representa a mais abundante fonte de materia organica nos ecossistemas terrestres antarticos.

Considerando somente a populacao de pinguins da Antartica Maritima, o deposito anual atinge aproximadamente 1,11 t de excreta no solo (Myrcha e Tatur, 1991). Porem, ao contrario das areas secas do mundo, onde o guano depositado e acumulado, a maioria dos nutrientes carreados para as terras por pinguins rapidamente retornam ao mar como guano em suspensao parcialmente mineralizado. Desse montante, sob condicoes favoraveis, mais de 11 % do fosforo depositado pode permanecer no solo (Myrcha et al., 1991), indicando que nesta transferencia, a concentracao e aumento do turnover podem ser importantes para a produtividade, estrutura e distribuicao dos ecossistemas costeiros pobres em nutrientes.

Nas areas extremamente frias e aridas da Antartica, a deposicao do guano aparentemente tem pouca influencia na alteracao dos minerais (Ugolini, 1972). No entanto, sob as condicoes climaticas umidas da Antartica Maritima, a intensa crioturbacao e percolacao de agua incorporam detritos de aves em profundidade no perfil. Lixiviados ricos em P nestes sistemas reagem com o substrato mineral em um complexo processo de fosfatizacao do solo, primeiramente descrito por Tatur e Barczuk (1985) e recentemente estudado por Schaefer et al. (2004), Michel et al. (2006), Simas et al. (2006), Simas et al. (2007) e Pereira et al. (2013). Assim, o fosforo, neste processo, ocorre em zonas de rochas fosfatizadas como Ca-fosfato e Fe-Al-fosfato, formados pela acao de solucoes quimicamente reativas liberadas pelo intemperismo dos depositos fosfaticos (incluindo o guano) sobre a rocha. Estas feicoes sao muito observadas em superficies rochosas mais susceptiveis a alteracao, como basaltos e calcarios, em detrimento de granitos e quartzitos (Tatur, 2002).

Nestes solos e observada a ocorrencia de diversos minerais de argila fosfatados, incomuns em solos de outros ambientes naturais do planeta (Tatur e Myrcha, 1989; Tatur, 2002), apesar de terem sido encontrados tambem em ilhas oceanicas brasileiras a partir do aporte de materiais organicos depositados por aves (Oliveira et al., 2010).

Schaefer et al. (2008), por meio de microscopia eletronica de varredura (WDS), observou feicoes de iluviacao particulares do processo de fosfatizacao em ambiente criogenico, com intensa mobilidade de P e neoformacao de minerais secundarios fosfatados como taranakita, minyulita e leucofosfita. Uma estrutura granular, sub-arredondada composta por particulas de silte rodeadas por fosfato iluvial sao tipicas nos horizontes ornitogenicos (Simas et al., 2007). Em trabalho com extracoes sequenciais de P em solos da Baia do Almirantado, estes autores observaram que fases moderadamente labeis de Al-P e Fe-P sao as principais fracoes dos sitios estudados. Estes fatos corroboram com Simas et al. (2006) que mostraram que a maior parte da fracao argila em alguns solos ornitogenicos e composta por fosfatos de Fe e Al, com alta participacao de formas pouco cristalinas e organicas.

Simas et al. (2006) observaram que fosfatos cristalinos ocorrem somente em solos diretamente afetados por pinguins (pinguineira ativa e abandonada). A dissolucao incongruente de fosfatos cristalinos de Al-Fe com formacao de fases amorfas ricas em P e considerada a mais comum transformacao na medida em que aumenta a idade dos sitios abandonados (Tatur et al., 1997) e mantem elevados os niveis de formas de Plabil. Em contrapartida, nos sitios sob influencia indireta dos pinguins, a entrada de P e baixa e nenhum fosfato cristalino esta presente. Assim, as caracteristicas quimicas destes sitios sao controladas por P minerais altamente reativos e nao cristalinos.

Solos ornitogenicos distinguem-se claramente daqueles nao ornitogenicos por varias caracteristicas, como baixo pH (devido ao alto grau de nitrificacao) e saturacao por bases; teores muito elevados de P (Mehlich-1), Al trocavel, COT e N total. O conteudo de particulas finas (silte + argila) sao usualmente mais baixos, possivelmente devido a destruicao de aluminossilicatos por acidolise, que ocorre nestes solos pela decomposicao microbiana do guano fresco, gerando acido nitrico e sulfurico (Tatur et al., 1997). Apresentam clara diferenciacao entre horizontes, sendo o horizonte A relativamente profundo e rico em materia organica (formando um epipedon umbrico), e horizonte B fosfatico (discretamente acinzentado e amarelado) (Simas et al., 2007).

Em alguns destes solos, observa-se o desenvolvimento de oasis com extensa e continua cobertura vegetal, nos quais se verificam maior atividade microbiologica em termos de solos antarticos (Tatur et al., 1997; Michel et al., 2006).

Nas pinguineiras ativas, a continua deposicao do guano fresco e o pisoteio das aves inibe o estabelecimento da vegetacao (Tatur, 1989; Tatur et al., 1997). Nos solos localizados proximos a estas pinguineiras ativas, ou naquelas abandonadas, a influencia ornitogenica e o reflexo na cobertura vegetal sao bastante pronunciados, com possivel formacao de um horizonte superficial humificado, distinguido por uma coloracao escura e relacoes C/N e C/P mais altas do que em materiais ornitogenicos (Tatur et al., 1997). Nestas areas a colonizacao inicia-se com a formacao de uma cobertura de Prasiola crispa (algae). Normalmente em posicoes mais altas da paisagem, antigas pinguineiras sao hoje muito colonizadas por liquens, briofitas, e por duas especies superiores: Deschampsia antartica (gramineae) e Colobanthus quitensis (cariofilaceae).

Em funcao de sua distribuicao geografica limitada, sitios ornitogenicos sao extremamente importantes e constituem o mais importante locus de sequestro de C nos ecossistemas terrestres antarticos (Michel et al., 2006; Simas et al., 2007; Pereira et al., 2013), ja que embora a producao de biomassa pela vegetacao antartica seja relativamente baixa, ela frequentemente excede a capacidade de decomposicao da microbiota local (Ugolini, 1972).

Pouco sao os conhecimentos a respeito da dinamica do C nos solos antarticos e qual seu papel no ciclo global do C, comparativamente a solos de outros ecossistemas (Michel et al., 2006). Segundo os autores, um entendimento do ciclo do C nos solos ornitogenicos da Antartica e importante para a compreensao dos efeitos do aquecimento global nos ambientes costeiros deste continente. Acidos humicos extraidos de Criossolos Ornitogenicos da Antartica Maritima sao ricos em N e sao facilmente termo-degradados, sugerindo que estes solos sejam vulneraveis a perda de C para a atmosfera em resposta ao aquecimento global (Michel et al., 2006).

Alem dos pinguins, outras especies tambem contribuem para o processo de ornitogenese, no entanto de fraca intensidade, como as skuas, petreis e gaivotoes (Simas et al., 2007). Observa-se desenvolvimento de vegetacao em areas mais distantes da costa proximo a ninhais destas aves, indicando a importancia da fertilizacao dos solos por estes animais, e reflexo no estabelecimento de comunidades vegetais mais complexas e com maior capacidade de fixacao de C (Michel et al., 2006).

3. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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Title Annotation:texto en portugues
Author:Pereira, Thiago Torres Costa; Schaefer, Carlos Ernesto G.R.; Rodrigues, Rafael de Avila; Pinheiro, L
Publication:Revista Geografica Academica
Date:Jan 1, 2014
Words:5367
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