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Blandiri officium meretricium est: prostitutes' seduction strategies in Plautine comedy/Blandiri officium meretricium est: estrategias de persuasao das meretrizes na comedia plautina.

Introducao

O pejo da nudez--momento inaugural da autoconsciencia do sexo e por conseguinte do proprio erotismo, cosa mentale por excelencia--levou a ocultacao, pela vestimenta, das partes genitais, assim introduzindo no dominio da sexualidade a dUplice nocao de misterio (curiosidade pelo que se oculta) e de obscenidade (escandalo pela repentina revelacao do ocultado) (Paes, 2006, p. 17).

Neste artigo abordaremos aspectos relacionados a atuacao de um dos tipos de personagem presente na obra de Tito Macio Plauto (III--II a.C.), autor de comedia palliata, genero dramatico de reconhecido sucesso no periodo da Republica da Roma antiga. Trata-se do tipo da meretriz (meretrix), personagem que recebe espaco de destaque no repertorio de nosso comediografo. Aqui nos concentraremos na famosa estrategia de seducao das meretrizes. Para isso, observaremos passagens que exemplificam o discurso das cortesas--ou a opiniao de outros personagens sobre elas--nas pecas Casina e Menecmos, mas principalmente na peca Baquides, comedia em que, a nosso ver, enfatizam-se a relevancia de tal tipo e sua retorica de seducao.

Nesse mesmo sentido, ressaltaremos dois aspectos presentes tanto no discurso sobre as meretrizes quanto no discurso enunciado por esses personagens. Tais aspectos, em nossa opiniao, tem efeito tambem sobre a construcao desses tipos na comedia palliata. O primeiro deles e a 'animalizacao' da meretriz, i. e., o uso de imagens de animais para qualificar seja a propria cortesa, seja seu discurso. O segundo aspecto e certo ocultamento, um jogo entre ocultar e revelar, que, a nosso ver, e associado ao discurso da meretriz e ao ambiente que a rodeia. Nossa hipotese e de que na comedia palliata esses recursos influem na representacao da capacidade que esse tipo de personagem feminino tem de persuadir e, ate mesmo, de inverter posicoes, num jogo que envolve os papeis tipicos desse genero dramatico.

Blanditi officium meretricium est

A eloquencia dos tipos femininos e apontada mesmo por testemunhos de autores antigos, que ja percebiam nos textos da fabula palliata uma linguagem nuancada quanto ao genero (feminino e masculino) e influenciaram muitas abordagens modernas sobre esse aspecto (1). Exemplo desses testemunhos sao os textos do filologo Aulo Gelio (123--c. 165 d.C.) (especialmente GEL. 11.6) e, mais diretamente, os comentarios do gramatico Elio Donato (fl. 353 d.C.) as pecas de Terencio (II a.C.). Tanto Gelio quanto Donato produziram suas obras alguns seculos apos o periodo de escrita e encenacao das pecas dos comediografos romanos (2), mas ainda sao considerados um importante parametro para se refletir sobre a caracterizacao da fala dos personagens da comedia palliata.

Em seus comentarios, Donato menciona ao menos tres atributos comuns ao comportamento das mulheres na comedia: aliis blandiri ('dirigir-se aos outros de maneira persuasiva' (3)), se commiserari ('apiedar-se de si mesma' (4)) e tardiloquium ('prolixidade'). Mas o proprio comentador antigo aponta que, ainda que tipicas da fala feminina, essas caracteristicas nao se restringiam a tal genero--a prolixidade, por exemplo, seria compartilhada tambem com os senes: "[...] a prolixidade senil e feminina" (Dutsch, 2008, p. 6, traducao nossa) (5). Alem disso, o falar de modo brando, doce (blande), com intuito persuasivo--geralmente associado ao uso de expressoes, como amabo ('por favor'), e do possessivo mi/mea ('meu', 'minha') em vocativos, por exemplo--, tambem e por vezes registrado na fala de personagens masculinos da comedia, sobretudo dos velhos (senes).

No entanto, um olhar mais atento as comedias em si mostra que essa blanditia (literalmente, 'fala doce') e atribuida mais propriamente a certos personagens femininos. Nao raro nos deparamos com passagens do texto plautino em que se alega que esse discurso ardiloso e caracteristico das meretrices. Na peca Casina, por exemplo, tal afirmacao e expressa por uma matrona. A certa altura do enredo, Cleostrata, ao ouvir o proprio marido, o velho Lisidamo, reclamar de que ela nao o tratava com a docura ou amabilidade necessaria (6), protesta imediatamente: "CLE.: Maridinho, 'cobrir de conversas doces' os maridos alheios nao e tarefa de matrona, mas sim de meretriz [...]" (Plauto, Casina, v. 585-586, traducao e grifo nosso) (7)

Nessa passagem, e tambem em outras que veremos adiante, a fala da meretriz e qualificada como blanda (adjetivo presente na raiz do verbo subblandior)--suave (8), mas cheia de labia, persuasiva, habilidosa (9). E curioso notar ainda o modo como a delimitacao de um discurso feminino tambem e dado por uma especie de negacao: segundo alega Cleostrata, a essa altura do enredo de Casina esse discurso persuasivo, que convem a uma meretriz, nao e adequado a uma matrona (10). Aqui nao distinguimos exatamente a mulher, por sua fala, do homem, mas essa passagem de Casina parece reforcar nossa suposicao de que nas pecas plautinas o discurso feminino, alem de se diferenciar do masculino, e ainda nuancado e construido em seu proprio interior.

Considerando aspectos mais linguisticos, podemos pensar ainda em indicios de que (tal como aponta Donato quanto a fala feminina de modo geral em Terencio) pode haver um campo lexical em comum na comedia palliata que o publico associaria ao discurso que caracteriza, nesse caso, a eloquencia das meretrizes. Como ja apontamos, na fala de Cleostrata a referencia a blanditia desse tipo se da por meio de um verbo derivado de blandiri.

De fato, e possivel encontrar mencao a capacidade persuasiva das prostitutas por meio desse termo ou de derivados seus tambem em outras passagens plautinas. Em Menecmos, por exemplo, o parasita Escovinha (Peniculus) nao perde a oportunidade de expor o que pensa acerca da meretriz Erocia (Erotium). Um dos gemeos Menecmos, patrono de Escovinha, elogiava incessantemente a moca, com quem mantinha uma relacao extraconjugal. Interrompendo o jovem, o parasita deixa clara sua opiniao: "'ESCOVINHA: A meretriz 'fala com docura' por tanto tempo quanto estiver vendo aquilo o que pode arrebatar: pois se fosse amor, com certeza logo arrancaria o nariz dele com uma mordida'" (Plauto, Menecmos, v. 193-195, grifo nosso) (11).

Novamente, como ja apontou Dutsch (2008), a sugestao de que ha uma fala sedutora esta presente na propria raiz do verbo blandior--o adjetivo blandus (12). Podemos depreender a relacao entre esse aspecto e os possiveis significados desse adjetivo, por exemplo, na definicao apresentada para o termo blandus no Oxford Latin Dictionary [OLD] (Glare, 1968) (13). A primeira acepcao do verbete e: "[...] o que influencia outros por meio de coacao, lisonja, etc. fascinante, agradavel, atrativo, sedutor" (Glare, 1968, sentido 1) (14). Na segunda acepcao, relacionada mais propriamente a linguagem, temos: [...] (quanto a palavras, pedidos, etc.) atraente, agradavel, persuasivo (Glare, 1968, sentido 2, traducao nossa) (15).

Como nos lembra Dutsch (2008), uma das funcoes dessa fala atraente, agradavel e persuasiva e a capacidade de acentuar a afinidade e o relacionamento com os interlocutores das meretrizes. A estudiosa aponta ainda para o carater mais intimo de um discurso 'brando', bem como para a origem onomatopaica do termo, atestada por Ernout e Meillet (1951) em seu dicionario etimologico do latim. Tudo isso sugere que o uso de tais recursos, apontados por Donato como caracteristicos da fala feminina (como, por exemplo, o acima referido uso de possessivo mi/mea em vocativos), denota uma aproximacao com os limites de uma nao linguagem, uma fala nao civilizada. Essa aproximacao, com vies de persuasao, pode ser percebida ainda no que entendemos como uma 'animalizacao' da meretriz. Vejamos alguns exemplos desse recurso presente nas pecas de nosso autor.

Meretrizes e animais

Como vimos no excerto de Menecmos, ao tratar da labia de Erocia, Escovinha nao so qualifica o discurso da cortesa como evoca ainda outra caracteristica apresentada como tipica de um dos grupos de meretrizes representado no palco plautino: a voracidade em relacao aos bens de seus amantes (v. 193). Essa voracidade e uma das caracteristicas do tipo das meretrices representadas como independentes (ou seja, que administram seu oficio) na palliata, frequentemente caracterizadas como mulheres confiantes, avidas por dinheiro e dominadoras (cf. Duckworth, 1952; Hunter, 1989; Plautus, 1991). A avidez de Erocia, na opiniao do parasita, poderia ser tamanha que chegaria a agressao fisica: se ela de fato amasse o jovem Menecmo, ja teria arrancado o nariz do rapaz com os dentes (iam oportebat nasum abreptum mordicus; Plauto, Menecmos, v. 195).

A referencia a mordida aqui pode receber interpretacoes diferentes. Se concordarmos com a afirmacao de Gratwick (Plautus, 1993) em sua edicao da peca, podemos entender que Erocia estaria sendo comparada a um passaro domado e Menecmo, por sua vez, a uma isca--associacao essa que nao e incomum em Plauto, como veremos mais adiante em outros exemplos desse fenomeno. Ja Dutsch (2008) prefere entender a mordida como algo mais literal. Ou seja, a mordida pode ser lida nao apenas como uma ameaca simbolica--ao patrimonio do jovem--, mas como uma ameaca fisica, real. O risco que Menecmo corre e ainda maior se aceitarmos a hipotese de que o nariz e uma metafora para o orgao sexual masculino...16 Concordamos com a afirmacao de Dutsch (2008) de que, independentemente da confirmacao de tal hipotese, a presenca de lexico que faz referencia as acoes de morder (mordicus abripere, v. 195) e arrancar (rapere, v. 193) mantem, de toda maneira, a imagem da meretriz como um animal que, nesse caso, estaria pronto para o ataque.

Temos outro exemplo desse tipo de comparacao envolvendo uma meretriz na peca Baquides. Dessa vez nao ha duvida: o alvo da equiparacao e nomeadamente um passaro, o rouxinol (em latim, lusciniola). As duas irmas meretrizes que dao nome a peca conversam entre si para preparar a proxima 'cena', em que ludibriarao o jovem Pistoclero. Antes da chegada do jovem, uma das Baquides revela seu temor de nao conseguir executar seu engenho adequadamente:

BA.: Que tal se voce ficasse quieta e eu falasse?

IRMA: Otimo, fechado!

BA.: Quando me falhar a memoria, ai voce vai me socorrer, o irma.

IRMA: Por Polux, tenho mais medo de que, na hora de lhe aconselhar, me falte a fala.

BA.: Por Polux, eu [tambem] tenho medo de que ao 'rouxinolzinho' falte o canto (Plauto, Baquides, 35-38, traducao e grifo nosso) (17).

Nessa comparacao entre mulheres e um animal, a escolha pelo 'rouxinolzinho' (lusciniolae, v. 38) parece nao ser irrelevante na caracterizacao do discurso (oratio, v. 37) das meretrices. Para Svendsen (1971), a mencao ao rouxinol na peca plautina alude possivelmente a longa extensao do canto de tal passaro (extensao comentada, seculos depois da epoca em que Plauto compos, por Plinio, o Velho (c. 23-70 d.C.) em sua Historia Natural, 10. 43; 81). Segundo o estudioso, esse recurso caracterizaria a irma da Baquide, bem como o constante aconselhamento oferecido mutuamente pelas irmas e sua loquacidade.

Mesmo que sirva aqui, no inicio do enredo, primeiramente como resposta a aflicao da irma e adicione certa nuanca ao personagem da meretriz, a mencao de um animal na passagem tratada antecipa a presenca de outras imagens do mesmo campo semantico que estao por vir em Baquides (cf. Plautus, 1991). De fato, diferentemente do sugerido em Menecmos, essa imagem da meretriz/lusciniola, que caracteriza o discurso das mulheres com tal oficio como proporcional aos poderes do canto de tal passaro, parece reforcar os aspectos de uma fala definida, nas outras passagens que apresentamos acima, como blanda--suave, mas tambem marcada pela labia e persuasao.

Escuridao e discurso: o lugar da seducao

FEDROMO: Ferrolhos, o ferrolhos, vos saudo com prazer, vos amo, vos desejo, vos solicito e suplico. Abri caminho para um amante como eu, o agradabilissimos. Tornai-vos, por minha causa, dancarinos barbaros. Saltai, suplico, e deixai sair essa que sugou, de mim, miseravel amante, o sangue. Olha so: como dormem os pessimos ferrolhos, e nem se movem mais depressa a meu favor! Nao vos vejo fazer nada a meu favor (Plauto, Gorgulho, v. 147-155, traducao de Cardoso & Rocha, 2008, p. 379-385).

O trecho da peca Gorgulho que escolhemos como epigrafe para esta secao e uma referencia singular, aqui em chave jocosa, a um topos literario, presente em outros generos da poesia antiga: trata-se do paraclausithyron (literalmente: "[...] diante da porta fechada" ou "[...] lamentos, diante de uma porta fechada" (19).

Tal como costumamos ler nas elegias, um jovem apaixonado, embriagado, vai a casa da amada. La, diante da porta da casa, implora a porta para ser recebido. Essa passagem nos ajuda a perceber o quanto aspectos atribuidos a determinado personagem sao estendidos ao ambiente que o rodeia: a porta e uma especie de metonimia para a mulher amada.

Mas, antes de atentar a esse recurso, vejamos como as recorrentes imagens de animais em Baquides envolvem tambem outros aspectos, alem da persuasao, relacionados a eloquencia das meretrizes. Na passagem seguinte, e o jovem Pistoclero quem sera comparado a um passarinho. Logo na primeira cena transmitida de Baquides (20), as duas irmas meretrizes que dao nome a peca conversam sobre o plano que pretendem colocar em acao mais tarde para enganar o jovem apaixonado: alegadamente, elas querem convence-lo a se passar por 'namorado' da Baquide para que ela consiga se ver livre do soldado que a reivindica para si. E sob esse pretexto que, ao chegar a cena e perguntar por onde anda tal homem, Pistoclero e convidado pela meretriz a entrar em sua casa:

PISTOCLERO: Onde esta esse homem agora?

BAQUIDE: Acredito que ele ja deva estar vindo para ca. Mas voce podera tratar disso mais adequadamente aqui em nossa casa. E enquanto ele vem, voce espera sentado ali. Voce bebe e, eu, ao mesmo tempo em que voce bebe, lhe dou beijos.

PIS: A 'fala doce' de voces e puro 'visco'.

BA: O que?

PIS: Pois agora entendo o motivo: voces duas procuram um passarinho so. Estou perdido! A armadilha toca nas minhas asas. Eu nao acredito que esse feito seja adequado para mim, querida (Plauto, Baquides, v. 47-51, traducao e grifos nossos) (21).

O convite para ajuda-las configura-se como uma tentativa de seducao e convencimento por parte das meretrizes, com o fim de levar o jovem para dentro de sua afamada residencia. Notemos como o conteudo da solicitacao da Baquide envolve a sugestao de que o interior da casa e um ambiente mais propicio e agradavel, onde o jovem pode, ao mesmo tempo, beber e receber beijos. Na resposta de Pistoclero, o que vemos, no entanto, e a enfase nao no perigo relacionado a casa das cortesas, mas no perigo que seu discurso representa: "[...] a fala doce (blanditia) de voces e puro visco" (v. 50; traducao nossa). Por meio dessa imagem da caca, o jovem compara a retorica das meretrizes a uma armadilha (22).

Como aponta Dutsch (2008), a denominada vox blanda da mulher--aqui, conforme apontamos, descrita como viscus--e frequentemente associada a ambientes de extrema privacidade e, consequentemente, remete a contextos eroticos (por exemplo, Horacio, Carmina, IV. 1. 8; Petronio, Satiricon, 113, Ovidio, Amores, III .1. 46, 3. 7. 58; Arte de amar, I. 455, 468). No exemplo de Baquides que mencionamos anteriormente, e a mencao a casa das meretrizes que parece colocar em destaque nao so o carater privado da cena, mas tambem a relacao entre a persuasao (derivada do discurso do personagem feminino) e a seducao que se mostra caracteristica desse tipo comico.

Vejamos isso mais detidamente na passagem a seguir. Ao ser questionado pela Baquide sobre seu temor, o reticente jovem responde:

BA: Diga-me por que?

PI: Porque tenho medo do seu bacanal e das Bacantes, Baquide.

BA: Como assim? Do que voce tem medo? De que minha cama la em casa o convenca de alguma malicia?

PI: Eu tenho mais medo do seu charme que da sua cama. Voce e uma besta ma! Pois um 'lugar obscuro' nao e adequado para a minha idade, mulher (Plauto, Baquides, v. 53-56, traducao e grifo nosso) (23).

Vemos que nesse dialogo entre a meretriz e o jovem continuam a ser enfatizados, por meio de jogos de palavras e mais metaforas, tanto os riscos que o ambiente da casa das meretrizes representa quanto o perigo da retorica delas. Esse jogo de palavras de dificil reproducao em portugues, com semelhanca sonora mas sentidos diferentes, envolve os termos illectus (literalmente '[...] o ato de atrair, seducao'; no verso 55 no caso acusativo illectum) e lectus, 'cama' (no mesmo verso tambem no acusativo, lectum) (Cf. Plautus, 1991, p. 101).

Embasada pela paronomasia, na logica de Pistoclero e como se illectus ('seducao') fosse mesmo a negacao de lectus ('cama'). Portanto, nessa fala do jovem, tal brincadeira marca o limiar hesitante em relacao a fonte dos perigos que circundam as Baquides. Vimos que, primeiro, o jovem afirma ter mais medo do 'charme' (illectum, v. 55) do que da 'cama' (lectum, v. 55) da meretriz. Logo em seguida, ele retoma novamente um elemento do ambiente privado--ainda que apenas de maneira alusiva--, descrito como misterioso, obscuro.

Notamos que uma das metaforas usadas pelo proprio jovem colabora para enfatizar que nem ele mesmo pode ver esse ambiente com clareza: nas palavras de Pistoclero, a morada das Baquides e um latebrosus locus (v. 56). Parece contribuir para a importancia desse aspecto do ocultamento na peca Baquides ainda o fato de que o adjetivo latebrosus, derivado de latebra (cujo sentido inicial e 'esconderijo'), ocorre ainda uma segunda vez em Baquides.

Trata-se da cena em que o 'pedagogo' Lido reprova a atitude dos jovens que desperdicam sua vida com as meretrizes, contrapondo a morada desse tipo de moca e a casa de exercicios (palaestram, v. 24), frequentada pelos jovens, dizendo: [... ] ali passavam toda a vida e nao em um lugar obscuro (24).

Alguns versos depois, Pistoclero menciona a possibilidade de participar de uma refeicao na residencia das irmas. A cena envolve mais uma vez o jogo de seducao, comumente praticado pelas meretrizes. A Baquide expoe detalhes do seu plano para enganar o soldado que envolve a principio uma simulacao por parte de Pistoclero:

BA: Voce vai fingir que esta me amando.

PIS: Faco de brincadeira ou levo a serio?

BA: Anda, e melhor levar a serio. Quando o soldado chegar aqui, quero que voce me abrace.

PI: Qual e o motivo de eu fazer isso?

BA: Para que ele o veja. Eu quero. Sei o que estou fazendo.

PI: E eu, por Polux, sei do que tenho medo. Mas fale...

BA: Qual e o problema?

PI: E se, de repente, na sua casa acontecer um almoco ou um coquetel ou, talvez, um jantar, como costuma ocorrer nessa praca publica que e a casa de voces, onde eu me sentaria?

BA: Comigo, meu amor, assim como um homem gracioso se senta com uma mulher graciosa. Sempre havera um lugar livre para voce na nossa casa, por mais que voce venha de repente. Quando voce quiser que eu seja charmosa com voce, me diga: 'minha rosa, me de o que houver de bom' e eu vou lhe dar um lugar charmoso onde haja algo de bom (Plauto, Baquides, v. 75-84, grifo nosso) (25).

A reticencia do jovem em relacao ao jogo de simulacao da meretriz e expressa de forma clara. Ao ouvir a Baquide afirmar que sabe o que esta fazendo, o jovem rebate: 'e eu, por Polux, sei do que tenho medo' (v. 78) (26). Ainda assim, Pistoclero parece ceder pouco a pouco ao charme da cortesa quando comeca a fantasiar sobre a possibilidade de participar de uma refeicao na casa dela.

Os exemplos acima nos deixam perceber que a associacao entre a casa das meretrizes (ambiente invisivel a plateia e apresentado como obscuro) e o poder de seducao de tais mulheres e recorrente nessa mesma cena de Baquides. Por meio da blanditia, o erotismo e representado pela mencao de um ambiente oculto, caracterizado pejorativamente (istis conciliabulis, v. 80). Notemos ainda que, na descricao da casa das meretrizes, o carater secreto e associado, inclusive, a uma situacao de perigo, enfatizada tambem pelas ameacas que o jovem a ser seduzido infere da linguagem empregada pelas cortesas.

A retorica das meretrizes e enfatizada ainda por aspectos formais dessa passagem, em que, como aponta Barsby (Plautus, 1991), ocorre o climax dos jogos de persuasao por parte da Baquide. Entre eles, caracterizando o discurso entre sedutoras e seduzido, estao a repeticao do termo lepidus (duas vezes no verso 81, uma no 83 e uma no 84) e o acumulo de coloquialismos ('meu amor', v. 81 (27); 'minha rosa', v. 83 (28); 'o que houver de bom', v. 84, traducao nossa (29)). Nas palavras de Barsby, o termo lepidus, que se repete ainda outras vezes nessa primeira cena de Baquides (nos versos 35, 62, 68 e 93), seria 'quase uma palavra-chave dessa cena'30 e para o tom de seducao das pecas plautinas em geral, sendo tipico das cenas de seducao (31).

Um ultimo exemplo nos ajudara a perceber o quanto, tal como vimos no discurso da matrona callida de Casina, a caracterizacao da meretriz plautina tambem se vale de recursos associaveis a outros tipos de personagens. No passo abaixo, ainda que aparentemente convencido, Pistoclero continua a expressar seu medo em relacao ao comportamento e ao discurso da meretriz:

PI: Este e um rio caudaloso. Nao se pode atravessalo sem cuidado.

BA: Mas, por Castor, voce tem que perder algo nesse rio. De-me a mao e me siga.

PI: Ah, sem chance!

BA: Por que nao?

PI: Porque nada pode ser mais sedutor a um jovem rapazinho do que isto: noite, mulher, vinho (Plauto, Baquides, v. 85-88) (32).

Como vemos, o jovem volta a dar destaque para os perigos do discurso obscuro da Baquide, aqui comparado a um rio caudaloso (rapidus fluuius, v. 85) (33). E interessante observar ainda o que, segundo o jovem, o leva a negar o pedido da meretriz: "[... ] nada pode ser mais sedutor a um jovem rapazinho do que isto: noite, mulher, vinho" (Plauto, Baquides, v. 88).

Curioso e que responsabilizar o vinho pelo descontrole dos jovens em relacao as mulheres e um topos da comedia plautina (Rosivach, 1998). Por exemplo, em Aulularia, ao tentar explicar a Eucliao os motivos que o levaram a violar Fedra, o jovem Liconides afirma: "[...] fiz isso por causa do vicio, no amor e no vinho" (34) (Plauto, Aulularia, v. 745; traducao nossa). Mas, na cena de Baquides, a mencao a tais elementos invertera a situacao, de modo a colocar personagens femininos como agentes e o jovem como uma vitima.

Consideracoes finais

Embora autores antigos e modernos reconhecam, como mencionamos, a blanditia da meretriz da comedia paliata, ainda nao ha um estudo sistematico sobre o modo como se constroi tal recurso, sobre as formas de tal seducao. A breve amostra, acima analisada, indica-nos a variedade nas estrategias empregadas por Plauto para sua caracterizacao e nos deixa com a impressao de que a fala das prostitutas da palliata e sobre elas tem textura propria. Observar a caracterizacao do discurso das meretrizes e sobre as meretrizes pode, portanto, colaborar para compreendermos a construcao desse tipo de personagem, mas tambem para uma imagem mais geral do feminino e do erotismo na comedia paliata.

Nas passagens que analisamos neste artigo, mostraram-se um diferencial do tipo da meretriz as diversas referencias a obscuridade e aos perigos do discurso (bem como de sua morada). Com isso, parece-nos que a encenacao do erotismo nesse genero poetico, apesar de as vezes envolver apenas conteudo sexual mais explicito, tende a ser caracterizada mais pela sugestao do que pela exposicao. Temos, portanto, um jogo de ocultar e revelar--como aquele a que se refere Jose Paulo Paes na epigrafe que abre este artigo--que, a nosso ver, merece ser analisado com mais profundidade na comedia romana.

Doi: 10.4025/actascilangcult.v39i3.32471

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Virgilio. (2014). Eneida (C. A. Nunes, trad.). Sao Paulo, SP: Editora 34.

Received on June 30, 2016.

Accepted on November 3, 2016.

Carol Martins da Rocha [1,2]

[1] Universidade de Sao Paulo, Rua do Lago, 717, 05508-080, Sao Paulo, Sao Paulo, Brazil. [2] Universidade Federal de Juiz de Fora, Rua Jose Lourenco Kelmer, s/n., 36036-900, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil. E-mail: carolmartinsdarocha@gmail.com

(1) Para um exemplo de um estudo inaugural desse aspecto, veja-se o artigo de Adams (1984) sobre a linguagem feminina na comedia romana. Para uma discussao sobre a fala de personagens femininos na comedia plautina, levandose em consideracao nocoes modernas de discurso e genero (gender), bem como diferentes teorias que as embasam, cf. Rocha (2015).

(2) Como Dutsch (2008) indica em nota, a obra de Donato certamente foi influenciada por outros escoliastas anteriores (e, portanto, mais proximos da epoca das primeiras performances das pecas de Terencio), cuja obra nao nos chegou.

(3) Sobre a associacao do discurso feminino a bianditia nos comentarios de Donato as obras de Terencio, cf. Dutsch (2008, p. 49-91).

(4) Como aponta Dutsch (2008, p. 6), segundo Donato, as duas primeiras caracteristicas, ou seja, a labia e a autopiedade, poderiam ser combinadas: '[...] e proprio das mulheres, ao falar, ou se dirigirem aos outros de maneira persuasive ... ou se apiedarem-se de si mesmas' (Proprium est mulierum, cum loquuntur, aut aliis blandiri ... aut se commiserari [...]).

(5) Senile et femineum tardiloquium [...].

(6) A fala de Lisidamo e a seguinte: 'Voce tem um defeito muito grave: e pouco amavel' (Vitium tibi istuc maxumum est: blanda es parum [...]; Plauto, Casina, v. 584). Como vemos, o termo latino usado pelo velho e blanda. Mac Cary e Willcock (Plautus, 1976, p. 163-164) afirmam que blanda e o epiteto de meretriz (os editores indicam a passagem de Ovidio, Amores, 1.15.18) precisamente pelo fato de que tal profissao exigiria um comportamento sempre 'doce' com os clientes, a fim de se obter presentes e meios de sustento.

(7) Salvo outra indicacao, o texto latino das comedias de Plauto que apresentamos e o de Ernout (Plaute, 1933, 1936). As traducoes sao nossas. CLE. Non matronarum officiumst, sed meretricium,/ Viris alienis, mi uir, subblandirier [...].

(8) Cf. sentido 6 do verbete blandus no Oxford Latin Dictionary (OLD) (Glare; 1968).

(9) Cf. sentido 1, 2 e 3 do verbete blandus no OLD (Glare; 1968). Em comentario a Baquides vai no mesmo sentido Barsby (Plautus, 1991), quando enumera algumas das caracteristicas como proprias do discurso das meretrizes: persuasao, baseada na seducao (Plauto, Baquides, 47-49; 73 e ss. 81-84), falsa restauracao da confianca (Plauto, Baquides, 57); completa falta de ingenuidade (Plauto, Baquides, 89-99).

(10) Para uma discussao sobre o modo como os personagens femininos assumem discursos dos diferentes tipos da comedia palliata em Casina, cf. Plauto (2013).

(11) "PE. Meretrix tantisper 'blanditur', dum illud quod rapiat uidet;/ Nam si amabas, iam oportebat nasum abreptum mordicus.

(12) Cf. o verbete blandior no OLD (Glare, 1968).

(13) Nesse sentido, e curioso notar como a semantica variada do adjetivo blandus tera ampla fortuna na literatura latina. Por exemplo, ela se da na caracterizacao de Dido no canto I da Eneida (I, v. 670-671) de Virgilio: Hunc Phoenissa tenet Dido blandisque moratur/ uocibus. Ali, as opcoes de alguns dos tradutores, embora diferentes, ressaltam o carater sedutor da rainha dos cartaginenses. Barreto Feio prefere destacar o carater agradavel ao traduzir a expressao blandis uocibus: "[...] Agora o tem consigo a Tiria Dido/ e com meigas palavras o demora" (Virgilio, 2004, p. 33). Carlos Alberto Nunes (Virgilio, 2014, p. 125), por sua vez, parece valorizar mais a ideia de que a fala de Dido se prolonga demasiadamente com o objetivo de deter Eneias: "[...] Ora ele se acha com Dido Fenicia, que o prende em coloquios/interminaveis". Ja Odorico Mendes prefere omitir a referencia ao discurso, atribuindo a blanditia de Dido a aspectos mais fisicos: "[...] Com mil caricias/ Tem-no a Sidonia Dido" (Virgilio, 2008, p. 46).

(14) 'Influencing others by coaxing, flattery, etc., charming, ingratiating, attractive, seductive'.

(15) '(of words, prayers, etc.) winning, ingratiating, persuasive'.

(16) Nesse sentido, Adams (1982) indica as similaridades anatomicas entre o nariz e o penis, observadas, por exemplo, em Marcial (6. 36. 1) e Fedro (1. 29. 7 e ss.), mas o estudioso afirma que nao ha ocorrencias de nasus como metafora para o orgao sexual masculino.

(17) BA. Quid si hoc potis est, ut tu taceas, ego loquar?/ SO. Lepide; licet./ BA. Vbi me fugiet memoria, ibi tu facito ut subuenias, soror./ SO. Pol magis metuo, mihi in monendo ne defuerit ([dagger]) oratio./BA. Pol ego [quoque] metuo 'lusciniolae' ne defuerit cantio.

(18) PH. Pessuli, heus pessuli, uos saluto lubens, Vos amo, uos uolo, uos peto atque obsecro. Gerite amanti mihi morem, amoenissumi; Fite causa mea ludii barbari, Sussilite, obsecro, et mittite istanc foras, Quae mihi misero amanti ebibit sanguinem. Hoc uide ut dormiunt pessuli pessumi, Nec mea gratia commouent se ocius! fRespicio nihili meam uos gratiam facere.

(19) Essa passagem e os versos 960-977 de Assembleia de mulheres (Ecclesiazusae) de Aristofanes (sec. V--IV a.C.) sao os unicos registros desse topos na comedia antiga. Cf. Canter (1920, p. 358) e Cairns (2007).

(20) Isso porque os cerca de 34 versos de abertura da comedia nos foram legados em fragmentos. Portanto, pode ser que no texto integral houvesse mais falas das meretrizes. Sobre a transmissao do texto de Bacchides, cf. Plautus (1975, p. 13-16; 1991, p. 17).

(21) PI. Vbi nunc is homost?/ BA. Iam hic, credo, aderit. Sed hoc idem apud nos rectius/ Poteris agere; atque is dum ueniat, sedens ibi opperibere./ Eadem biberis, eadem dedero tibi, ubi biberis, sauium./ PI. 'Viscus' merus uostrast 'blanditia'./ BA. Quid iam?/ PI. Quia enim intellego,/ Duae unum expetitis palumbem. Perii! harundo alas uerberat.

(22) Sobre a metafora da caca em Baquides, bem como outras metaforas envolvendo a comparacao entre animais e mulheres, cf. Rocha (2015, p. 143-208).

(23) BA: Qui, amabo?/ PI. Quia, Bacchis, Bacchas metuo et Bacchanal tuum./ BA. Quid est? quid metuis? ne tibi lectus malitiam apud me suadeat?/ PI. Magis illectum tuum quam lectum metuo; mala tu es bestia./ Nam huic aetati non conducit, mulier, latebrosus locus.

(24) Ibi suam aetatem extendebant, non in latebrosis locis; Bac, 430. Em comentario ad loc., Ernout (1935, p. 15) afirma que a obscuridade do quarto de uma meretriz e proverbial. N'O jovem cartagines, os escravos Sincerasto e Milfiao conversam sobre a casa do proxeneta, dono do primeiro escravo: "[...] por isso, ha sombras e obscuridade por toda a casa; ali se bebe e se come como se fosse um boteco, exatamente assim" (Itaque in totis aedibus/ Tenebrae, latebrae; bibitur, estur quasi in popina, hau secus; Plauto, O jovem cartagines, v. 834-835).

(25) BA. Simulato me amare./ PI. Vtrum ego istuc iocon adsimulem an serio?/ BA. Heia, hoc agere meliust. Miles quom huc adueniat, te uolo/ Me amplexari./ PI. Quid eo mihi opust?/BA. Vt ille te uideat, uolo;/ Scio quid ago./PI. Et pol ego scio quid metuo. Sed quid ais?/ BA. Quid est?/ PI. Quid si apud te eueniat desubito prandium aut potatio/ Forte aut cena, ut solet in istis fieri conciliabulis,/ Vbi ego tum accumbam?/ BA. Apud me, mi anime, ut lepidus cum lepida accubet./ Locus hic apud nos, quamuis subito uenias, semper liber est/ Vbi tu lepide uoles esse tibi, mea rosa, mihi dicito/ 'Dato qui bene sit'; ego ubi bene sit tibi locum lepidum dabo.

(26) Et pol ego scio quid metuo.

(27) Mi anime.

(28) Mea rosa.

(29) Bene sit.

(30) "Almost a keyword of this scene" (Plautus, 1991, p. 99; traducao nossa).

(31) Chiarini, em sua edicao da peca Casina (Plauto, 1998, p. 132), chama atencao ainda para a relacao entre lepidus e o vocabulario tipico das cenas de engano em Plauto. O estudioso define tal lexico (frequente nas falas de seruus callidus) como a "[...] quintessencia do linguajar de astucia". Nesse sentido, conferir tambem o estudo de Petrone (1983).

(32) PI. Rapidus fluuius est hic; non hac temere transiri potest./ Atque ecastor apud hunc fluuium aliquid perdundumst tibi./ Manum da et sequere./ PI. Aha, minime!/ BA. Quid ita?/ PI. Quia istoc inlecebrosius/ Fieri nihil potest: nox, mulier, uinum, homini adulescentulo.

(33) Ainda apreciaremos aqui possiveis efeitos de referencia epica (i.e. ao discurso de Ulisses como um rio caudaloso), a nos sugerida recentemente pelo Prof. Dr. Alexandre Pinheiro Hasegawa (DLCV/USP). Sobre a epica em Baquides, cf. Costa (2014), com indicacao de bibliografia complementar.

(34) Quia uini uitio atque amoris feci.
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Title Annotation:texto en portugues; Tito Macio Plauto, comediografo latino.
Author:da Rocha, Carol Martins
Publication:Acta Scientiarum. Language and Culture (UEM)
Article Type:Ensayo
Date:Jul 1, 2017
Words:5705
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