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Between evidence and negligence: coverage and invisibility of health topics in the Portuguese printed media/Entre evidencias e negligencias: cobertura e invisibilidade de temas de saude na midia impressa portuguesa.

Introducao

Enquanto campo social--microcosmo dotado de leis proprias (1)--, a midia e uma instituicao delimitada pela sua propria esfera de legitimidade na definicao, na imposicao e na defesa de uma determinada hierarquia de valores (2). Porem, detem uma legitimidade singular: ao contrario de outros campos que possuem sistemas morais e fisicos de sancoes aos transgressores de suas ordens e regras, a midia pode limitar (ou ate mesmo privar) a publicidade e visibilidade publica dos que nao se sujeitam aos seus valores e normas, de forma a originar uma semi-inexistencia social (2) que preserva e perpetua iniquidades e vitimiza os segmentos mais vulneraveis no contexto de uma sociedade mediatizada.

Assim sendo, entende-se que uma veiculacao critica dos assuntos de saude promove sua visibilidade publica, que se faz determinante na construcao e manutencao do lugar de fala dos individuos no espaco publico e no mercado simbolico das praticas e politicas de saude (3,4), bem como na capacidade de pautar os assuntos evidenciados pela midia no dia a dia da populacao, incitando a discussao politica sobre estes.

Em Portugal, o campo da comunicacao da saude e ocupado por especialistas e/ou profissionais da Saude Publica e da Promocao da Saude. As instituicoes associadas a investigacao e as politicas publicas nestas areas tem sido incentivadas a promover a sua producao e a contribuir para a melhoria da literacia da saude da populacao portuguesa atraves da criacao de gabinetes de comunicacao que divulgam informacoes sobre saude, realizacao de atividades ludico-educativas, entre outras (5). Paralelamente, a cobertura midiatica dos temas de saude tem se ampliado, indo ao encontro das expectativas das sociedades portuguesa e brasileira, ambas altamente medicalizadas (6). O jornalismo de saude tem lutado para conquistar um lugar nos orgaos de comunicacao social e tambem nas instituicoes ligadas a saude, ainda que haja desafios associados a cobertura de noticias deste tema, tais como a definicao das agendas dos orgaos de comunicacao social e a formacao especifica dos jornalistas para cobrir noticias desta pauta (5).

Nesse contexto, questoes relacionadas a saude sao pautas frequentes e sumamente valorizadas nos jornais diarios. Contudo, os espacos ocupados pela tematica em destaque sao orientados por uma agenda (seja jornalistica ou dos comunicadores institucionais) cujos atributos valorativos, cogita-se, nao contemplam os interesses e as necessidades sociais da questao. Pelo contrario, a agenda da comunicacao midiatica da saude parece definir-se, principalmente, a partir da divulgacao do desenvolvimento da investigacao biomedica e farmaceutica e aspectos ligados a governacao da saude ao nivel nacional.

Decerto, tais interesses sao, muitas vezes, legitimados pela saude publica e atores circundantes, uma vez que o Sistema Nacional de Saude portugues (SNS) tem estado tencionado, desde o seu surgimento, em 1979, por interesses contraditorios e instaveis, entre um polo mercantilista --no qual a saude e entendida como mercadoria e sujeita as regras de mercado- e outro centrado no bem comum, no interesse publico e que considera as doencas como questoes socialmente determinadas (7).

Nesse sentido, as Doencas Midiaticamente Negligenciadas (8) se definiriam como sentidos e tematicas de subexposicao, apesar de sua potencial relevancia nos rumos de uma sociedade que carece de informacoes para as decisoes politicas mais substantivas.

Essa discussao, no contexto brasileiro e dos demais paises que sofrem com doencas endemicas, tem como base o entendimento de "negligencia" inspirado pelo conceito de "Doencas Negligenciadas" (DN). Proposto pela Organizacao Mundial de Saude (OMS)/ Medicos Sem Fronteiras (MSF) (9), as DN colocam em pauta a questao da negligencia publica (politica, economica e social) ligada a tais mazelas, tradicionalmente associadas a situacao de pobreza, as iniquidades em saude e aos "paises em vias de desenvolvimento". Entende-se, assim, que a condicao de visibilidade publica dessas doencas, bem como de outros problemas de saude relacionados as iniquidades sociais, poderia proporcionar a inclusao dessas questoes no debate de prioridades politicas e em pesquisas, norteando as agendas governamentais (3,8).

No cenario lusitano, esta pesquisa foi discutida inicialmente no seio de projetos de investigacao coordenados pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), que se dedicavam as relacoes entre a Ciencia e a Sociedade (10). Procurou-se analisar a pertinencia e o enquadramento desta categoria no contexto da comunicacao e saude em Portugal, sabendo antecipadamente que se centra em uma cobertura mais conjuntural das politicas publicas de saude (11,12) e nao priorizando a divulgacao midiatica de doencas. O sentido de negligencia aplica-se, neste contexto, ao descuro de temas de saude importantes, nao restrito ao escopo das doencas, embora centrais a determinados publicos e a Saude Coletiva.

Desta maneira, este estudo objetiva realizar uma analise sobre a divulgacao midiatica da saude em Portugal, a fim de problematizar as questoes da cobertura e invisibilidade dos temas de saude, de maneira a apontar os Temas Midiaticamente Negligenciados.

Metodologia

O presente estudo de caso analisou a cobertura de saude do Jornal Publico, no periodo de 01 de maio de 2013 a 31 de julho de 2013, relacionando-a ao contexto epidemiologico de saude em Portugal--identificado a partir de documentos oficiais--e a compreensao de atores-chave a respeito da divulgacao midiatica da saude no pais. O periodo de estudo e a amostra foram selecionados pelos pesquisadores a partir do inicio da parceria interinstitucional (estagio doutoral de uma das pesquisadoras) e do acesso ao acervo do periodico selecionado, respeitando os criterios de representatividade e repeticao tematica. Alem disso, foi considerado o periodo de lancamento e abrangencia dos documentos selecionados para analise (13,14), bem como a identificacao de sujeitos que tiveram relevancia na divulgacao midiatica de temas de saude no periodo.

Segundo Tobar e Yalour (15), o estudo de caso representa um tipo de pesquisa circunscrito a poucas unidades de analise, cuja riqueza nao se encontra em sua extensao, mas no aprofundamento analitico e nas inferencias derivadas de suas questoes. Face ao exposto, a proposta metodologica assume a relevancia de se considerar diferentes perspectivas das prioridades de saude da populacao (epidemiologicas e percepcoes dos sujeitos), valendo-se dessa multiplicidade de aportes empiricos e interpretativos que se tornam complementares e enriquecedores no contexto do estudo.

Dessa maneira, lancamos mao da triangulacao de metodos para analise do objeto, uma vez que pesquisas em areas de interface suscitam abordagens que permitem o dialogo entre areas distintas e interdisciplinares, alem de estrategias de investigacao que combinem metodos e tecnicas, ao analisar a realidade por diversos angulos (16). O uso da triangulacao promoveu a combinacao de multiplas estrategias metodologicas, capazes de apreender as dimensoes qualitativas--inspiradas na tradicao interpretativa das ciencias sociais, com o objetivo de compreender o problema de pesquisa a partir dos pontos de vista dos participantes --e quantitativas do objeto, no que diz respeito as analises do contexto de saude via indicadores epidemiologicos e das frequencias das tematicas dos jornais.

Analise Midiatica

O jornal Publico foi fundado em 1990 e representa um dos cinco jornais portugueses mais importantes, sendo uma midia de referencia no campo da imprensa escrita, com uma tiragem de 45.041 exemplares no terceiro bimestre de 2013 (17).

Procedimentos: Entre maio e julho de 2013, foram compiladas todas as materias referentes as questoes de saude, quando pauta principal ou derivada. Nao foram incluidas as materias sobre doencas e agravos em contexto considerado irrelevante para este estudo (propagandas, promocao de eventos privados, palavras sinonimas, referencias a concursos, etc.). O material foi coletado em formato impresso e digital (PDFs acessados no site do jornal) e as noticias impressas foram catalogadas em um banco de dados. Os arquivos em PDF foram organizados no software MAXQDA (versao 11.0.8), para facilitar a conexao dos textos e demais informacoes relevantes a pesquisa (notas, transcricoes, referencias bibliograficas, diario de campo), como uma "base de dados interna" (18). Todo o material foi classificado segundo seus temas e periodo de publicacao. Para calcular frequencias absolutas e relativas das tematicas, foi usado o pacote estatistico SPSS 16.0. Os temas foram hierarquizados em ordem decrescente, de acordo com a frequencia de veiculacao no jornal, no periodo de estudo.

Analise do contexto epidemiologico das prioridades em saude

Para caracterizar o contexto epidemiologico do pais no periodo, foram considerados os dados oficiais divulgados no "Plano Nacional de Saude (PNS) 2012-2016" (13) e no "Relatorio de Primavera 2013" (14), organizado pelo Observatorio Portugues dos Sistemas de Saude. O PNS propoe caracterizar o estado de saude da populacao, contribuindo para a identificacao de avancos potenciais nesse campo (13).

Ja o Relatorio de Primavera apresenta uma analise, de forma independente e frequentemente critica, da evolucao do sistema de saude portugues e os fatores que a determinam. Para tanto, utiliza como base nao somente os indicadores usuais, mas tambem estudos internacionais, trabalhos de investigacao e resultados de inqueritos da Escola Nacional de Saude Publica, compondo, assim, uma leitura critica da situacao de saude do pais (14).

Procedimentos: Os documentos foram analisados na integra pelos pesquisadores e foram extraidas as principais informacoes concernentes ao contexto epidemiologico de Portugal no periodo de estudo, tais como: principais causas de mortalidade e morbidade, acesso aos servicos de saude, cobertura de vacinacao, bem como caracteristicas do contexto de crise economica e suas influencias na saude.

Entrevistas com atores-chave: perspectivas da divulgacao midiatica da saude

Foram conduzidas entrevistas em profundidade com tres sujeitos relacionados a divulgacao midiatica da saude em Portugal em diferentes perspectivas, consideradas representativas e complementares no que diz respeito aos interesses da saude: um representante da Associacao Portuguesa de Hemocromatose (Associacao de pacientes), um profissional do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) (Comunicacao e Saude) e um jornalista que cobre a pauta de saude em um importante jornal portugues (Midia). Dessa maneira, os principais temas de saude veiculados foram identificados, bem como as tematicas descontempladas sob a perspectiva desses atores.

Procedimentos: As entrevistas semiestruturadas foram orientadas por um roteiro com seis perguntas relacionadas a divulgacao midiatica e sua relacao com o contexto luso de saude. As entrevistas foram transcritas com uso do Software F4 e analisadas atraves do MAXQDA (versao 11.0.8). Foi empregada a Analise Tematica de Conteudo, tecnica que visa identificar os nucleos de sentido que compoem a comunicacao e cuja presenca e frequencia podem sugerir alguma relevancia transcendente para o objeto analitico em questao (19), neste caso, no que diz respeito as evidencias e negligencias midiaticas.

A pesquisa foi aprovada no Comite de Etica e Pesquisa da Escola Nacional de Saude Publica Sergio Arouca e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados e discussao

Atraves da analise comparativa do material empirico (materias de jornais, dados epidemiologicos e entrevistas), foram identificados os temas de saude mais recorrentes, bem como os que, apesar de sua alta relevancia, apresentaram baixa cobertura--os Temas Midiaticamente Negligenciados no contexto de saude portugues.

Relativamente ao ponto um, foram identificadas 154 materias relacionadas a saude no jornal Publico, no periodo de estudo. Apenas 21,2% das materias apresentaram destaque na primeira pagina. Porem, a maioria destas apresentava-se em paginas inteiras (36,5%), o que parece denotar abordagens relevantes e aprofundadas. As tematicas de saude mais frequentes nos meses de estudo sao representadas na Tabela 1.

Contexto epidemiologico das prioridades em saude--PNS e Relatorio de Primavera

A analise desses documentos permitiu conhecer melhor os contextos de saude e socioeconomico de Portugal, muito importantes no entendimento das necessidades sociais, as quais conformam o "interesse publico" de uma maneira geral e que deveriam ser levadas em consideracao nos criterios de noticiabilidade midiaticos, alem dos tradicionais "valores-noticia" (20).

Atualmente, segundo o PNS, a populacao continental de Portugal e de 10.047.083 habitantes, contudo, verifica-se um decrescimo do indice sintetico de fecundidade, o que nao permite a renovacao de geracoes (13), com consequencias diretas nas demandas dos servicos de saude. O documento assinala o aumento da mortalidade prematura por doencas atribuiveis ao alcool e por suicidio, que podem estar relacionadas ao contexto perverso de crise economica no pais. Sobre o acesso a servicos de saude, cita dados do Censo de 2006 que afirma que 81,1% da populacao utilizava o Sistema Nacional de Saude. Apenas 10,5% da populacao continental declarou possuir Seguro de Saude. Ja o Programa Nacional de Vacinacao, de carater universal e gratuito, ultrapassa a cobertura de 95% da populacao, sendo o programa governamental com melhor custo-efetividade do pais.

A mortalidade e morbidade por doencas infecciosas tem tido um decrescimo significativo, a partir da implementacao do Programa Nacional de Vacinacao. Porem, a incidencia de Tuberculose (23,4 por 100 000 habitantes) e infeccao por HIV (9/100 000 habitantes) em Portugal e ainda muito elevada se comparada com a media dos cinco paises da Uniao Europeia com melhores desempenhos nesse campo. Destaca como principais causas de mortalidade, para ambos os sexos: doencas circulatorias (32%); tumores malignos (23%) e doencas respiratorias (11,1%). Entre os homens, destacam-se os acidentes, envenenamentos e violencia; e, entre as mulheres, diabetes mellitus. Outro dado relevante informado e que os problemas de saude mental representam doencas com mortalidade baixa e taxas de incidencia elevadas, o que suscita atencao na definicao politica de areas prioritarias.

A sintese apresentada pelo Relatorio de Primavera 2013 alinha-se a tais resultados, reiterando que, para analisar a saude em Portugal, devese, necessariamente, considerar o contexto de crise economica em que o pais e a Europa encontram-se mergulhados. Por um lado, percebem-se indicadores que demonstram resiliencia de alguns setores, como, por exemplo, as demonstracoes de criatividade e solidariedade para alem da acao do Estado e, por outro, varios outros setores apresentam sinais de exaustao, resignacao e desmotivacao, com claras repercussoes na disponibilidade de cuidados (14).

Tal documento apresenta algumas caracteristicas deste contexto de crise no pais: taxa de desemprego maior entre os mais jovens (16,9%); recessao de 3,2% do PIB; familias que nao conseguem pagar o emprestimo da casa, devolvem-na ao banco e regressam a casa dos pais; aumento do numero de criancas com carencia alimentar. Denuncia, ainda, que foram feitos mais cortes que o previsto no repasse para o financiamento do Sistema Nacional de Saude (SNS). O OPSS questiona, portanto, as razoes dos cortes, que ultrapassam os valores negociados para o resgate financeiro do pais com a entidade conhecida como Troika--Banco Central Europeu, Fundo Monetario Internacional e Uniao Europeia -, neste setor que funciona como uma especie de estabilizador social automatico.

Entrevistas com informantes-chave

Apos a pre-analise e leitura flutuante de todo o material empirico, foram realizadas a codificacao e categorizacao das entrevistas, dando origem a cinco categorias analiticas, representadas abaixo (Quadro 1).

Temas recorrentes, invisibilidade das doencas, necessidade x recorrencia

Em relacao as doencas mais recorrentes na midia, foram destacadas pelos entrevistados as de alta prevalencia, alta morbidade e mortalidade na populacao portuguesa, as quais contam com associacoes de doentes ativas, como a diabetes, hipertensao arterial, cancer e doencas cardiacas. A Aids ainda possui alguma relevancia midiatica e as infeccoes respiratorias comecam a aparecer.

Ao fazer uma triangulacao dos resultados do estudo, percebe-se que as principais tematicas abordadas na midia lusa--analisadas tanto pelo levantamento documental quanto a partir da percepcao dos sujeitos entrevistados--coincidiram consideravelmente com as principais causas de mortalidade prematura (AVPP) (Quadro 2).

Pode-se, assim, observar que, quanto maior a patologizacao da doenca, maior a midiatizacao da mesma. Entretanto, sabe-se que a relevancia epidemiologica nem sempre e determinante nesse processo, uma vez que a midiatizacao tambem e altamente influenciada pelo grau de politizacao e institucionalizacao da questao de saude e pelos atores porta-vozes da questao. Tais "lancadores de alerta" (21) ou "News promoters" tornam-se nucleares nesse processo, por representarem fontes ativas ou grupos de interesses mobilizados para influenciar a pauta jornalistica, os quais fazem surgir no espaco publico determinados assuntos, por exemplo, no caso o protagonismo de associacoes de pacientes, celebridades ou autoridades, ou lancamento de politicas publicas.

Porem, de acordo com a percepcao da jornalista entrevistada, os temas de saude mais recorrentes na midia portuguesa nao dizem respeito as doencas propriamente ditas, mas, sim, as politicas de saude, a economia da saude e as politicas de medicamentos. Inclusive, questiona se seria funcao de um jornal diario falar sobre doencas, como se percebe no trecho abaixo:

X: Por que ... pra ja somos pouco s ... a fazer saude e ... eu acho que e [...] absolutamente impossivel cobrir toda a gama de doencas ... quer dizer, escolher uma em detrimento de outra ... nos somos inundados com e-mails de agencias que propoem extratos de uma doenca. Se calhar, eu acho que nao cabe muito a um jornal diario estar a fazer um trabalho de falar de doencas so por falar, a nao ser que a doenca seja noticia, por alguma circunstancia especifica.

A informacao prestada pela jornalista confirma-se na prevalencia desses temas na analise midiatica (Tabela 1). Sendo assim, observa-se, em Portugal, a priorizacao de coberturas conjunturais e de politicas publicas do pais em contraposicao a divulgacao e discussao das doencas (12,22). Quando abordadas, as doencas mais mediatizadas nos anos de 2010 a 2013, segundo Lopes et al. (11), foram os tumores, doencas mentais, transplantes, AIDS e gripe.

No pais, de acordo com os entrevistados, as doencas infecciosas, as doencas raras ou as doencas negligenciadas (DN) so aparecem quando agregam elementos de noticiabilidade usuais a Industria Jornalistica, como quando surgem surtos, epidemias, alguma inovacao da industria farmaceutica ou adoecimento de celebridades. Percebe-se que a gripe A (H1N1) obteve uma hipermediatizacao devido a pandemia do ano de 200911, enquanto a dengue recebeu uma cobertura noticiosa com conotacao alarmante em 2012, em razao dos casos notificados da doenca no territorio portugues da Ilha da Madeira (23).

O profissional do IHMT reafirma essa observacao, ao comparar o atual papel que desempenha na divulgacao das DNs com a funcao que exercia no Ministerio da Saude, junto a equipe de elaboracao do Plano Nacional de Saude:

Y: [...] No MS eu estava no Alto Comissariado da Saude, que era o organismo responsavel pelo PNS, e esse plano privilegiava determinadas doencas que eram consideradas prioritarias [...] como o cancro, as Doencas Cardiovasculares, SIDA e a Patologia na area da saude mental [...] Entao e o oposto do que estamos a falar aqui ... sao as doencas que tem mais visibilidade midiatica, sao as doencas mais faceis de comunicar, sao aquelas que basicamente eu nao precisava ter sequer uma atitude muito pro-ativa com os jornalistas, por que os jornalistas telefonavam para perguntar qual era o panorama nacional dessas doencas.

Dessa maneira, percebe-se que a divulgacao de doencas pela midia portuguesa tangencia o entendimento de necessidades de saude da populacao = patologias de alta prevalencia = recorrencia na midia, teoricamente, o que seria de interesse publico.

Em linhas gerais, de acordo com Silva (12), privilegiam-se os mesmos "valores-noticia" referentes aos outros temas da agenda noticiosa, a saber: a negatividade, a controversia, o conflito, a proximidade, a novidade e a dramatizacao, a par da relevancia atribuida especificamente a alguns atores com significativa capacidade de agendamento pelo estatuto social e politico que os detem.

Porem, o "interesse publico" pode ser visto como uma categoria socialmente determinada ou prescrita? No caso do "problema publico", no sentido de interesse geral, considera-se o que se avalia essencial para uma sociedade (21). Essa avaliacao, no entanto, e feita a partir de determinado prisma, um lugar de interlocucao no Mercado Simbolico (4,24) da comunicacao, que nao necessariamente corresponde a realidade da sociedade como um todo. Considerar o contexto em que os sujeitos estao inseridos para se caracterizar os sentidos de necessidades faz-se essencial na determinacao do "interesse publico", no que diz respeito a Comunicacao e Saude.

A realidade que nao cabe no jornal

Contudo, existe uma "realidade que nao cabe no jornal", conforme defende Guimaraes (25). Ha, segundo a autora, uma "verdadeira arquitetura de valores e hierarquias que sao ideologicamente naturalizados e travestidos de interesse publico", e, nesse sentido, a midia e muito bem-sucedida em turvar o que seria de interesse publico, de acordo com o que supoe (ou prescreve?) como interesse de alguns publicos.

Entende-se a producao noticiosa atraves do prisma da teoria do Newsmaking, que articula o entendimento da cultura profissional dos jornalistas e da organizacao do trabalho e dos processos produtivos (20). Porem, nao se pode descurar de que ha uma serie de interesses politicos, economicos e sociais que, balizados pelo conjunto de criterios de noticiabilidade, acatam a logica jornalistica implicada no Mercado da Atencao, frequentemente desarticulada das necessidades de saude das populacoes mais vulneraveis (8).

Entao, faz-se extremamente importante questionar: ha problemas invisiveis? Ha temas relevantes, porem midiaticamente negligenciados?

De acordo com as entrevistas, doencas transmissiveis sao exemplos de temas negligenciados pela midia. A Saude Mental tambem foi qualificada como "esquecida", apesar de representar expressiva morbidade. Registra-se, nesse campo, mortalidade baixa, embora seja alta a prevalencia dessas condicoes (13) e o suicidio tenha sido percebido como condicao subnoticiada. No caso da Tuberculose, ressalta-se o aumento da incidencia devido a coinfeccao com o HIV, mas nao se observa visibilidade midiatica a altura do problema, por conta da insuficiente priorizacao politica e de grandes inovacoes da industria farmaceutica, que despertem interesse na sua divulgacao, o que tambem ja foi suficientemente descrito por outros autores (26,27).

Alem disso, o estigma associado a tais doencas inibem o protagonismo de alguns sujeitos em prol de suas causas, evitando a exposicao nos meios de comunicacao, como se ve a seguir:

Z: Eu penso que deveria ser dado muito maior enfase as doencas transmissiveis, por exemplo, o problema da hepatite B, do HIV, da Tuberculose, que acaba por se instalar com mais facilidade agora, em virtude dessas doencas, mas acabam por ser estigmatizantes e que nao se fala muito e, portanto, nao ha muita gente que assuma as bandeiras dessas doencas para tratar delas.

Acredita-se, entao, que, assim como a visibilidade pode colaborar para o reconhecimento de necessidades de saude, a invisibilidade pode levar a negligencia (3). Para alem da tradicional--e talvez hipervalorizada--funcao de disseminacao de informacoes relevantes em saude, a comunicacao tambem e reconhecida como uma estrategiachave para manter questoes relevantes de saude na agenda publica (28).

Nesse sentido, acredita-se haver uma relacao ciclica entre a cobertura e o enquadramento dos assuntos de saude na midia e a proeminencia ou obscurantismo desses assuntos no cenario mundial: o ativismo e "advocacy" injetados em diferentes niveis deste ciclo podem influenciar tanto o investimento em novas iniciativas quanto a cobertura midiatica a respeito dessas questoes de saude (29).

Porem, cabe tambem observar que os temas considerados negligenciados nem sempre coincidem com indicadores de prevalencia, mortalidade ou prioridades politicas em saude, justamente por nao afetar grandes quantitativos da populacao local. As DNs, por exemplo, sao prevalentes em condicoes de pobreza, afetam individuos de paises em desenvolvimento, tropicais, ou ate mesmo os imigrantes em Portugal (30), mas nao provocam interesse midiatico por nao ter perfil de "preocupacao nacional". Sendo assim, a divulgacao das DNs tambem representa um desafio para os comunicadores no pais, como se ve a seguir:

Y: Entao e um trabalho muito mais dificil, muito mais ingrato ... que e tentar que os jornalistas se interessem por um conjunto de doencas que, a partida, eles nao tem muita razao para se interessar, por que eles escrevem coisas que afetam diretamente a populacao portuguesa.

As doencas raras, de maneira semelhante, nao despertam grandes interesses midiaticos, mas para as associacoes de pacientes e para os individuos acometidos, a visibilizacao de suas pautas torna-se essencial para maior conhecimento e interesse da sociedade e por parte do Governo. A Hemocromatose e uma doenca rara (5 a 10 por cada mil pessoas podem ser portadoras do gene da doenca (31)) provocada por disturbios do metabolismo do ferro, que se acumula principalmente no figado, coracao, pancreas, pele e articulacoes, podendo ocasionar insuficiencia funcional (32). Tal patologia agrega nao so a negligencia midiatica, como tambem outros espectros de negligencia politica, economica e ate mesmo medica, que, ao ignorar seu diagnostico diferencial, a torna uma enfermidade subdiagnosticada, subtratada na sociedade.

Entretanto, o protagonismo de um ex-atleta olimpico portador da doenca foi extremamente relevante para a divulgacao da doenca nos media, conforme observa o entrevistado:

Z: E completamente negligenciada, nos temos exemplos e somos vitimas dessa negligenciacao porque temos muita dificuldade nos acessos aos programas, por exemplo aqueles que sao ouvidos e vistos por muita gente [...] O Antonio Leitao era nossa bandeira em termos de divulgacao [...] Depois dele ... ele morreu ha dois anos e, portanto, nao e facil ter essa bandeira outra vez.

Reitera-se, assim, o poder simbolico da midia de "fazer crer e fazer ver" (24,33), o qual possibilitaria protagonismos e visibilizacao de pautas de saude nao hegemonicas, porem essenciais para determinadas populacoes. Os "lancadores de alerta" exercem tal protagonismo, como por exemplo, o programa Telethon, na Franca, que uma vez por ano gera visibilidade para doencas raras e, a partir do ativismo voltado para os pacientes portadores e suas dificuldades diarias, poe em evidencia as vozes dos doentes e pauta seus problemas no debate publico (34).

Outra questao relevante sao as enfermidades e consequencias sociais provocadas pelo empobrecimento e precarizacoes de vinculos sociais e de trabalho advindos da crise economica que afeta o pais. Tal discussao, muitas vezes, e apagada das pautas de governo e da midia, representando claramente uma questao midiaticamente negligenciada.

Segundo OPSS (14), tal contexto de crise gera uma diminuicao no acesso aos cuidados e de gastos com medicamentos, devido ao empobrecimento dos portugueses, ao aumento das taxas moderadoras, as dificuldades com transportes e a evolucao dos tempos de espera. Tais questoes nao deveriam ser descuradas pela midia na discussao publica da saude, pois, assim como a visibilidade exalta problemas de saude, a invisibilidade pode levar a negligencia dos mesmos, ao enfraquecer o apelo politico e os protagonismos que ela conduz (3).

Certas caracteristicas do campo jornalistico fomentam esse descuro, como sua tendencia a privilegiar o aspecto mais visivel do mundo social em detrimento das estruturas e dos mecanismos invisiveis que orientam suas acoes e pensamentos. As expectativas do publico, a obsessao pelo furo jornalistico e a tendencia a privilegiar sem discussao a informacao mais recente e de acesso mais facil sao invocadas para justificar essa politica de simplificacao demagogica, frequentemente a mais cinica (1).

Nesse contexto, a ausencia de interesses pelas mudancas sociais mais complexas redobra os efeitos da amnesia estrutural favorecida pela logica do pensamento do dia a dia, que produz uma representacao instanteista e descontinuista do mundo. Desarticulada do sistema de relacoes em que esta inserida, a representacao (ou sua ausencia) midiatica de temas relevantes--como a saude--torna-se des-historicizada e des-historicizante, produzindo uma representacao fatalista e favoravel a manutencao da ordem estabelecida (1).

Temas midiaticamente evidenciados

Contudo, e importante considerar que, da mesma maneira que existem temas relevantes invisibilizados midiaticamente, ha questoes de saude com extrema veiculacao sem correspondente relevancia social--temas midiaticamente evidenciados. Questoes muitas vezes banais, porem, infladas pelos media em razao de suas caracteristicas excentricas, ineditas ou com destaque no mundo artistico, por exemplo. Outras vezes ate sao patologias graves, que so recebem atencao gracas ao acesso dos personagens a midia. Dessa maneira, expressa-se, assim como defende Turcke (35), a inversao da logica que baliza a noticiabilidade--de "ser comunicado, porque importante"--para "Importante, porque comunicado".

Tal perversao da logica da noticia vigora no contexto da sociedade excitada (35), na qual tudo o que nao esta em condicoes de causar uma sensacao tende a submergir sob um fluxo caudaloso de informacoes. Nao se deve esquecer, porem, que nenhum sistema de noticias moderno existiria sem tal "perversao" (35), uma vez que rotular como importante aquilo que divulga compoe a logica do Mercado da Atencao. Entretanto, acreditamos que a hipervalorizacao da divulgacao de tematicas irrelevantes (ou ate mesmo futeis) em saude acentua, em sentido contrario, o silenciamento midiatico acerca de preocupacoes relevantes (mesmo que desinteressantes aos media). Tais tematicas alimentam a procrastinacao dos problemas, o enfraquecimento das pautas dos movimentos sociais, bem como a alienacao dos cidadaos sobre seus direitos constitucionalmente garantidos. Assim, a inquietude em relacao a tal negligenciamento relaciona-se, sobretudo, na iniquidade de nao tornar visivel, quando trata-se de uma funcao acessivel e relevante (8).

E interessante notar que a imprensa considerada de referencia em Portugal nao vincula com frequencia materias sobre beleza e estetica as materias sobre saude, conforme observado no levantamento das noticias e tambem ressaltado pelos entrevistados ("Apenas na imprensa cor-de -rosa", adverte uma entrevistada). Na contramao dessa tendencia, a exacerbada valorizacao estetica, que captura frequente evidencia midiatica nos mais diversos veiculos, parece uma peculiar valorizacao simbolica no Brasil talvez apensa a questoes de mercado (36-39).

Vale ressaltar que um dos papeis da midiatizacao e despertar a atencao dos poderes publicos. Quando as pautas sao colocadas nos espacos publicos e atingem certo nivel de cobertura midiatica, elas comecam a atrair a atencao. A judicializacao e o trabalho das associacoes de pacientes podem representar alavancas importantes nesse processo, bem como os "lancadores de alertas" (40).

Consideracoes finais

A partir dos resultados apresentados e possivel afirmar que os temas ligados a saude mais recorrentes na midia impressa portuguesa nao se referem as doencas propriamente ditas, mas as politicas e a economia da saude e medicamentos. Ao contrario do que e usual no Brasil, os produtores de material noticioso questionam a implicacao do ethos jornalistico na divulgacao de doencas. O campo jornalistico impresso portugues se define melhor na cobertura conjuntural de politicas publicas ligadas a discussao das condicoes economico-politicas de resolutividade das doencas. No caso das Doencas Negligenciadas (DN), o tema apenas se revela ao agregar tipicos elementos de noticiabilidade da Industria Jornalistica (surtos, epidemias, alguma inovacao da Industria farmaceutica ou adoecimento de celebridades), enquanto patologias transmissiveis, como as hepatites e a tuberculose, ou ate mesmo a saude mental e suicidio nao possuem expressao midiatica e protagonismo social, contando com raros "lancadores de alertas", por serem estigmatizantes e, cogita-se, politica e midiaticamente "desinteressantes" quando nao alinhados a interesses mercadologicos.

E importante perceber, sobretudo ao se tracar um paralelo com a conjuntura nacional, que a divulgacao de saude/doencas se relaciona com a percepcao de necessidades de saude da populacao. No entanto, sabe-se da "realidade que nao cabe no jornal", ligada a arquitetura de valores e hierarquias ideologicamente naturalizadas e travestidas de interesse publico. Dessa maneira, revelaram-se como Temas Midiaticamente Negligenciados no contexto lusitano as doencas transmissiveis, como as hepatites e a tuberculose, questoes relacionadas a saude mental e ao suicidio, as enfermidades e consequencias sociais da crise economica que assola o pais e, a partir da percepcao dos comunicadores entrevistados, as Doencas Negligenciadas, a hemocromatose e demais doencas raras.

Em Portugal, a veiculacao midiatica dos temas da saude e da doenca torna-se cada vez mais inextricaveis do engajamento com a biomedicina, as suas formas de conhecimentos hegemonicos, praticas, instituicoes e profissionais. Paralelo a isso, o estudo destaca como Temas Midiaticamente Evidenciados as mazelas relacionadas as celebridades, exaustiva e desnecessariamente exploradas pelos veiculos de comunicacao. Ja as questoes esteticas, ao contrario do Brasil, nao recebem muita atencao dos periodicos lusos.

E certo que a escolha metodologica configura uma dentre diversas outras possibilidades de se analisar a negligencia midiatica. Pequenas mudancas de foco exporiam diversas outras demandas que "entrariam em cena". Como possibilidade de futuros desdobramentos da pesquisa, almeja-se uma compreensao mais ampliada do processo de invisibilizacao e producao das ausencias na cobertura midiatica da saude.

DOI: 10.1590/1413-812320152011.18342014

Colaboradores

AG Cavaca trabalhou em todas as etapas da pesquisa e redacao do artigo; PR Vasconcellos-Silva trabalhou na redacao e revisao critica do artigo; P Ferreira e JA Nunes trabalharam na revisao critica do artigo e aprovacao da versao a ser publicada.

Agradecimentos

A Capes, pela concessao de bolsa de estudos, no ambito do Programa Institucional de Bolsas de Doutorado Sanduiche no Exterior--PDSE e ao Programa de Apoio a Pos-graduacao--PROAP, do Programa de Pos Graduacao em Saude Publica da ENSP-Fiocruz.

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Artigo apresentado em 01/07/2014

Aprovado em 28/01/2015

Versao final apresentada em 30/01/2015

Aline Guio Cavaca [1]

Paulo Roberto Vasconcellos-Silva [1]

Patricia Ferreira [2]

Joao Arriscado Nunes [2]

[1] Escola Nacional de Saude Publica, Fiocruz. R. Leopoldo Bulhoes 1480, Manguinhos. 21041-210 Rio de Janeiro RJ Brasil. alineguica@hotmail.com

[2] Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra.
Tabela 1. Tematicas de saude veiculadas no Jornal
Publico no periodo de 01 de maio de 2013 a 31 de
julho de 2013.

                                         N      (%)

Tematicas especificas
  Medicamentos e Industria              18    11,7%
  Farmaceutica
  Administracao do Sistema Nacional     15     9,7%
  de Saude
  Questoes trabalhistas dos             13     8,4%
  profissionais de saude
  Cancer (Cancro)                       12     7,8%
  Denuncias em saude                     8     5,2%
  Biologia, Biotecnologia e              8     5,2%
  Neurociencias
  Alimentacao                            7     4,5%
  HIV/Aids                               7     4,5%
  Consumo/dependencia de tabaco,         6     3,9%
  jogos, alcool e outras drogas
  Saude materno-infantil                 6     3,9%
  Mercado/economia da saude              5     3,2%
  Saude Mental                           5     3,2%
Outras Tematicas                        44    28,6%
Total                                  154

Quadro 1. Categorias analiticas baseadas na Analise de
Conteudo das entrevistas, Portugal--2013.

Temas recorrentes
Invisibilidade das doencas
Necessidade X Recorrencia
Negligencia Midiatica: temas relevantes invisiveis
Temas Midiaticamente Evidenciados

Quadro 2. Triangulacao dos resultados: temas recorrentes
de saude no Publico em comparacao com as dez principais causas
de Mortalidade Prematura e as percepcoes dos atores-chave sobre
temas recorrentes na midia **.

Temas mais recorrentes     Principais causas     Temas mais recorrentes
(Jornal Publico)            de mortalidade           (atores-chave)
                            prematura: AVPP

Medicamentos e           Tumores malignos        Politicas
Industria Farmaceutica                           de medicamentos

Administracao do         Causas externas         Politicas de Saude
Sistema Nacional de      Causas indeterminadas
Saude

Questoes trabalhistas    Doencas do aparelho     Economia da Saude
dos profissionais        circulatorio
de saude

Cancer                   Tumores malignos do     Cancer
                         aparelho digestivo e    Doencas
                         peritonio               cardiovasculares

Denuncias em saude       Tumores malignos        Doencas respiratorias
Biologia,                do aparelho             Diabetes
Biotecnologia e          respiratorio
Neurociencias            e dos orgaos
                         intratoracicos
Alimentacao                                      HIV/Aids

HIV/Aids                 Doencas atribuiveis     Hipertensao arterial
                         ao alcool

Consumo/dependencia      Doencas do aparelho
de tabaco, jogos,        digestivo
alcool e outras          Algumas doencas
drogas                   infecciosas e
                         parasitarias

Saude materno-infantil   Acidentes
                         de transportes

* AVPP: O indicador Anos de Vida Potenciais Perdidos quantifica
o numero de anos de vida nao vividos quando a morte ocorre em
determinada idade abaixo da qual se considera a morte prematura.
** Temas recorrentes de saude veiculados no jornal Publico
em comparacao com as dez principais causas de Mortalidade
Prematura: medidas pelos Anos de Vida Potenciais Perdidos
(AVPP/100000 habitantes) em Portugal Continental, 2010 e os
temas de saude recorrentes na midia de acordo com a percepcao
dos atores-chave entrevistados.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Cavaca, Aline Guio; Vasconcellos-Silva, Paulo Roberto; Ferreira, Patricia; Nunes, Joao Arriscado
Publication:Ciencia & Saude Coletiva
Date:Nov 1, 2015
Words:6572
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