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Banking competition: comparison of public and private bank behavior/Competicao bancaria: comparacao dos comportamentos de bancos publicos e privados.

Introducao

A importancia dos bancos publicos pode ser caracterizada tanto pela sua representatividade quanto por sua influencia no mercado bancario. Mesmo com a onda mundial de privatizacoes nos anos 90, os bancos publicos representavam aproximadamente 40% do total de ativos do setor bancario mundial em 1995 (La Porta, Lopez-de-Silanes, & Shleifer, 2002). Esta parcela e destacada em paises em desenvolvimento, inclusive nos industrializados, com valores superiores a 45% e 20%, respectivamente (Levy-Yeyati, Micco, & Panizza, 2004).

Quanto a influencia no mercado bancario, os bancos publicos apresentam comportamentos potencialmente diferenciados dos demais devido as suas caracteristicas distintas. Esses bancos tem, em geral, objetivos que nao estao ligados somente a maximizacao de lucro (Levy-Yeyati et al., 2004; Musacchio & Lazzarini, 2014). Diversos autores ressaltam que os emprestimos dos bancos publicos sao sensiveis a ciclos politicos, isto e, tais bancos parecem estar sujeitos a influencia do governo em exercicio (Dinc, 2005; Sapienza, 2002). Ainda, bancos publicos tambem podem atuar em mercados distintos ou de pouco interesse por bancos privados (por exemplo, credito agricola ou de muito longo prazo).

Nesse artigo, sera discutida uma motivacao adicional para a existencia de bancos publicos: atuar como instrumento de controle da competicao por parte dos governos. Atuando como participante do mercado com uma funcao objetivo diferente da maximizacao de lucros, esses bancos podem causar reacoes competitivas que garantam menores precos, visando a atender objetivos sociais do governo (Banco Interamericano de Desenvolvimento, 2005) ou simplesmente aumentar sua popularidade junto aos eleitores. Por exemplo, no Brasil, apos a crise financeira mundial de 2008, o governo federal adotou a acao de publicamente influenciar os bancos publicos para concessao de credito e reducao de taxa de juros, enquanto todo o mercado caminhava na direcao contraria (ver, por exemplo, Faria, 2009; Sciarretta, 2008).

Contudo, contrariamente a essa visao dos bancos publicos como influenciadores da competicao, diversos estudos empiricos encontraram que eles nao parecem afetar de forma intensa o grau de competicao setorial (Bichsel, 2006; Coelho, Mello, & Resende, 2013; La Porta et al., 2002; Sapienza, 2002). Assim, e de grande interesse a realizacao de novas analises que possam contribuir para o entendimento da dinamica competitiva dos bancos publicos e privados. E esperado que tais analises contribuam na pratica da gestao estrategica dessas instituicoes, dos orgaos reguladores e dos governos controladores dos bancos publicos.

Este trabalho, em particular, busca trazer novas evidencias empiricas para contribuir no entendimento do comportamento competitivo de bancos publicos e privados, com base em dados do contexto brasileiro. Mais especificamente, o objetivo desta pesquisa e analisar a diferenca no comportamento competitivo destes bancos por um periodo extenso de tempo, e verificar como esse comportamento muda apos um evento de crise--no caso, a crise financeira de 2008, que causou uma forte reducao na oferta de credito (Freitas, 2009) e levou a uma acao governamental para influenciar os bancos publicos, visando atenuar esse cenario de credito mais escasso. Para tanto, este trabalho analisa o mercado bancario brasileiro de 2000 ate 2011, beneficiando-se desse evento como uma forma de avaliar a resposta dos bancos publicos e privados.

Por meio de metodologia quantitativa proposta por Bresnahan (1982) e utilizada nos trabalhos de Angelini e Cetorelli (2003), Uchida e Tsutsui (2005) e Kubo (2006), buscou-se analisar diferencas de atuacao competitiva de bancos publicos e privados a partir de estimativas da sua margem de lucro segundo o indice de Lerner. Quanto menor o indice, mais proximo da competicao perfeita atua a empresa. Dessa forma, e possivel estimar nao somente a intensidade de competicao das empresas, como tambem se ela variou ao longo do tempo.

Revisao de Literatura e Hipoteses

Motivacoes para a existencia dos bancos publicos

Ha grande controversia se as intervencoes do Estado no mercado financeiro realmente contribuem para o bem estar social. Neste trabalho, e analisada especificamente a forma de atuacao do governo por meio dos bancos publicos. O objetivo e verificar se a existencia e a forma de atuacao dos bancos publicos podem afetar padroes de competicao no setor bancario.

De uma forma geral, a atuacao do Estado na economia e justificada em varias frentes. Defensores de politica industrial argumentam que bancos publicos podem reduzir problemas de escassez de credito e ajudar no financiamento de projetos complexos de longo prazo (Amsden, 2001; Gerschenkron, 1962). Esse e o caso dos chamados bancos de desenvolvimento, financiados e controlados pelo governo (Musacchio & Lazzarini, 2014). Porem, o foco desse estudo sao bancos comerciais que afetam linhas de credito de uma forma mais ampla. Nesse sentido, proponentes da chamada visao social de empresas estatais colocam que essas empresas buscam objetivos alem de puro lucro (Ahroni, 1986; Shapiro & Willig, 1990). Por exemplo, governos podem criar bancos publicos para atender areas mais remotas ou segmentos de consumidores mais arriscados (Matthey, 2010; Vasconcelos, Fucidji, Scorzafave, & Assis, 2004). Ha tambem o argumento--enfatizado no presente estudo--de que bancos publicos podem aumentar a competicao setorial (Pinheiro, 2007 como citado em Pinheiro & Oliveira, 2007). Alem de influenciarem o comportamento das instituicoes privadas, os bancos estatais poderiam, segundo o argumento, entrar em areas ou segmentos de menor interesse pelo setor privado. Ha, entretanto, correntes na literatura enfatizando que empresas estatais tendem a ser menos eficientes que as privadas (para uma revisao, ver Megginson, 2005). A menor eficiencia da gestao publica nao e exclusividade de bancos, pois a administracao publica em geral e bastante criticada por problemas de incentivos. Bartel e Harrison (2005), por exemplo, deixam claro que a menor eficiencia de empresas publicas pode ocorrer por dois motivos: (a) problemas de agencia, relacionados ao baixo nivel de monitoramento associado ao controle do governo; e (b) ambiente a que essas empresas estao expostas, geralmente com monopolio estatal e orcamentos menos rigidos dada a possibilidade de serem salvas caso se encontrem em insolvencia.

E importante citar, ainda, o problema de influencia politica nessas empresas. Sapienza (2002), analisando dados microeconomicos do mercado de credito na Italia, observou que a visao predominante na atuacao dos bancos publicos nao era objetivando a maximizacao do bem estar social nem era explicada pela visao de agencia, mas sim pela atuacao politica: os bancos publicos eram utilizados como ferramenta politica para distribuicao de favores. Isso pode ser ilustrado pela descoberta de esquemas de corrupcao e fraude envolvendo partidos politicos e bancos estatais italianos em 1993. Na mesma linha, Dinc (2005) encontra que, em anos de eleicao em mercados emergentes, a atividade de emprestimo de bancos estatais e maior que a de bancos privados.

O uso politico dos bancos publicos tambem foi identificado por La Porta, Lopez-de-Silanes e Shleifer (2002). Esses autores trazem resultados mostrando que o controle do governo politiza o processo de alocacao de recursos e reduz a eficiencia dos bancos publicos. Foram analisados diretamente os impactos de bancos publicos no desenvolvimento dos paises, e concluiu-se que estes nao contribuem para o desenvolvimento do sistema financeiro, pois grande parte dos bancos publicos esta em paises pobres, com baixo desenvolvimento financeiro e institucional.

Em seu estudo empirico, Levy-Yeyati, Micco e Panizza (2004), por um lado encontram evidencias que apoiam a visao de que os bancos publicos nao alocam o credito de forma otima e acabam inibindo o desenvolvimento financeiro; por outro, nenhuma evidencia e encontrada para apoiar a ideia de que os bancos publicos podem acelerar o crescimento ou reduzir a volatilidade economica do pais.

Bancos publicos incentivam a competicao?

Apesar das criticas relativas a existencia e a necessidade de bancos publicos, existem evidencias de que tais bancos podem exercer funcao anticiclica em momentos de contracao economica (Micco & Panizza, 2006). Essa atuacao e oposta ao comportamento dos bancos privados, que e predominantemente pro-ciclico: em momentos de crescimento economico, expandem a oferta de credito, e a reduzem em periodos recessivos; dessa forma, potencializam tanto os periodos de crescimento quanto eventuais crises (Oliveira, 2006).

Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (2005), os bancos publicos podem, de fato, contribuir para a competicao no mercado financeiro, especialmente quando as agencias de defesa e os reguladores do sistema financeiro forem fracos. Apesar disso, ainda nao foram encontrados estudos academicos comprovando que estes bancos aumentaram a competicao bancaria.

O comportamento mais competitivo dos bancos publicos nao pode ser atribuido simplesmente por precos mais baixos, pois devem se considerar outros efeitos na composicao do poder de mercado. Apesar dos bancos publicos tenderem a possuir menor eficiencia operacional, eles estao expostos a oportunidades de captacao mais baratas que os bancos privados (Matthey, 2010). Assim, deve ser analisado o comportamento competitivo, considerando os custos individuais de cada instituicao.

Existem poucos estudos empiricos analisando se os bancos publicos conseguem cumprir esse papel de incentivo a competicao, e suas conclusoes sao negativas. Bichsel (2006) observa que os bancos cantonais suicos, apesar de bastante representativos nos mercados de credito imobiliario locais, nao sao os responsaveis pela ausencia de condutas nao competitivas observadas neste pais com setor bancario altamente concentrado. Vale destacar que o incentivo a competicao tambem foi o principal argumento para a criacao desses bancos na Suica (Novaes, 2007 como citado em Pinheiro & Oliveira, 2007), e que acaba sendo descartado para a manutencao de sua existencia.

No mercado brasileiro, tambem existem evidencias de que os bancos publicos nao tem contribuido para o aumento da competicao neste espaco. Coelho, Mello e Resende (2013) utilizaram uma abordagem bastante distinta do artigo de Bichsel (2006). Os autores seguiram metodologia similar a utilizada por Bresnahan e Reiss (1991), estudando como a entrada de um banco publico em um mercado local afeta a competicao, em comparacao com a entrada de um banco privado. Como mercados locais foram considerados cidades menores, que nao fazem parte de regioes metropolitanas, resultando em uma base de quase cinco mil cidades e com uma populacao adulta de aproximadamente 60 milhoes. Nessa amostra, foi observado que a entrada de um banco privado contribuiu mais para a competicao que a entrada de um banco publico, o que esta de acordo com resultados anteriores. Contudo, ainda nao se tem uma resposta de por que bancos privados seriam mais pro-competitivos. Os achados deste estudo indicam que a menor eficiencia operacional dos bancos publicos pode acabar mitigando o seu possivel objetivo de aumento de competicao.

Contexto do setor bancario brasileiro

O setor bancario brasileiro sofreu forte reestruturacao nos anos 90, a partir de diversas mudancas macroeconomicas incluindo restricoes a operacoes de curto prazo no governo Collor e a subsequente implantacao do Plano Real, que obteve sucesso ao reduzir as taxas de inflacao em curto espaco de tempo, mas, concomitantemente, alterou a forma de geracao de receitas dos bancos (Arienti, 2008; Paula & Marques, 2004). Ate entao, as altas taxas de inflacao garantiam aos bancos receitas de intermediacao financeira que surgiam devido aos depositos a vista e as aplicacoes de curto prazo (overnight) nao sofrerem correcao monetaria integral (Vasconcelos et al. , 2004). No novo cenario, os bancos viram-se obrigados a buscar fontes alternativas de receitas. A partir disto, iniciou-se expansao na oferta de credito, que teve crescimento de 80,9% no credito bancario entre junho de 1994 e marco de 1995 (Kretzer, 1996). Contudo, sistemas para mensuracao e administracao de riscos de creditos ainda nao haviam sido criados, e os modelos operacionais dos bancos ainda nao haviam sido ajustados, o que resultou em forte elevacao dos indices de inadimplencia a partir de 1995, e no surgimento de problemas financeiros em grandes instituicoes bancarias. Para controle dessa situacao, foi necessaria a intervencao do Banco Central (Braga, 1998) e, dentre as medidas adotadas, uma das mais debatidas foi o Programa de Estimulo a Reestruturacao e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro (PROER), lancado em novembro de 1995 (Barbosa, 2008).

O final da decada de 90 foi caracterizado por uma serie de fusoes, aquisicoes e, principalmente, pela entrada de algumas instituicoes estrangeiras (Braga, 1998). A internacionalizacao do sistema bancario foi estimulada por parte do governo, segundo o discurso de que tornaria o pais menos vulneravel as crises internacionais (Moura, 1998). Adiciona-se a isso a necessidade dos bancos de se adequarem aos padroes do acordo de Basileia iniciando com a primeira regulamentacao do Banco Central do Brasil (BACEN) em 1988, seguida por nova revisao em 2004 (Paula & Marques, 2006).

Nos periodos posteriores, a relacao credito/PIB apresentou queda expressiva e, somente a partir de 2003, houve retomada no credito, que vem se mostrando consistente ao longo dos ultimos anos (Oliveira, 2006). No periodo final dos anos 2000, alem da retomada no crescimento do credito, tambem pode ser observada melhora na qualidade das carteiras, manutencao da inadimplencia de novas concessoes, reducao das taxas de juros e de spreads, ampliacao dos prazos de amortizacao e segmentacao no atendimento aos clientes (Camargo, 2009).

Apesar dos indicadores positivos, o cenario do credito foi revertido no segundo semestre de 2008, em funcao da crise financeira mundial originada no mercado de credito imobiliario norte-americano. Os bancos brasileiros, prevendo aumento na inadimplencia e tendo liquidez comprometida pelos cortes mundiais de credito, reduziram a oferta para concessao de novos contratos em busca de protecao contra possiveis perdas futuras (Freitas, 2009). Para evitar que a escassez de credito causasse reducao na atividade economica, que ja estava ameacada pela crise mundial, o governo utilizou os bancos publicos como instrumento de atuacao (Araujo & Gentil, 2011). A proposta era que fosse aplicada estrategia anticiclica de ampliacao da oferta de credito, ao contrario do que vinha sendo feito pelo mercado em geral (Lula pede, mas bancos, 2008). O Governo Federal, desde a eleicao do presidente Luiz Inacio Lula da Silva, em 2003, procurou fortalecer os bancos publicos, que se tornaram agentes importantes na execucao da politica de governo deste presidente.

A influencia do governo nos bancos publicos para conter o spread bancario e a reducao de oferta de credito era bastante divulgada publicamente, tanto pela midia (Faria, 2009; Sciarretta, 2008) quanto pelos discursos do presidente Lula (Secretaria de Imprensa, 2009, 2010).

Como consequencia, os bancos publicos apresentaram, nesse periodo, forte crescimento na carteira de credito, tomando espaco dos bancos privados (Cruz, 2008; Cucolo, 2009a). Em paralelo, outras medidas foram adotadas pelo Banco Central para incentivar uma politica anticiclica, como liberacao de depositos compulsorios e intervencoes no mercado de cambio (Cucolo, 2008). Ja nos primeiros meses de 2009 o mercado reagiu, e as concessoes de credito e taxas de juros voltaram aos mesmos patamares do periodo pre-crise (Cucolo, 2009b, 2009c). No entanto, diversos pontos negativos sao levantados contra a existencia dos bancos publicos. Conforme observado por Silva e Jorge (2002), os bancos publicos brasileiros apresentam menor eficiencia, pois tem altos custos administrativos. Isto e uma decorrencia de grande numero de funcionarios e agencias, sendo que a remuneracao de pessoal acaba tendo um peso excessivo e unidades deficitarias sao mantidas por motivos politicos ou para atender populacoes mais afastadas dos centros urbanos. Assim, conforme discussao, embora seja possivel que a menor eficiencia dos bancos publicos reduza o seu efeito pro-competitivo, trata-se, em ultima instancia, de uma questao empirica a ser examinada a luz da experiencia brasileira recente. Nesse sentido, a seguir sao apresentadas hipoteses sobre padroes de competicao de bancos publicos e privados, a serem testadas com dados no contexto brasileiro.

Hipoteses

Enquanto os resultados academicos apontam em direcoes opostas, governos continuam defendendo a existencia dos bancos publicos, sendo o incentivo a competicao um dos principais argumentos. Diversas criticas sao geradas por isso, e analises indicam outros interesses, como o uso com finalidades politica e/ou de favorecimentos (Sapienza, 2002).

Para identificar se bancos publicos incentivam a competicao bancaria, e necessario primeiramente confirmar se estes possuem comportamento mais competitivo que os bancos privados. A logica e que, como discutido anteriormente, os bancos publicos possuam objetivo alem de lucro. Assim, em tese, aceitariam atuar em mercados ou realizar estrategias de precos gerando menores margens. Ou seja:

H1: Os bancos publicos apresentam comportamento mais proximo a competicao perfeita que os bancos privados.

E esperado, tambem, que os bancos publicos sejam mais sujeitos a intervencoes do governo para reduzir juros, conforme ilustrado pelo proprio caso brasileiro descrito na secao anterior. Com isso, espera-se que, alem de apresentar comportamento mais competitivo, os bancos publicos possam servir de ferramenta do governo para intervencao no mercado financeiro, respondendo prontamente as acoes desejadas. Esse tipo de intervencao deve aumentar em momentos de crise economica, quando os bancos publicos podem ser usados para executar politicas anticiclicas. Em outras palavras:

H2: Os bancos publicos apresentam comportamento mais proximo a competicao perfeita apos periodos de crise quando comparados aos seus comportamentos anteriores.

Por fim, pode-se esperar que uma mudanca no comportamento dos bancos publicos seja acompanhada por mudancas de comportamento dos bancos privados. Caso essas mudancas ocorressem, poderiam ser motivadas tanto pela pressao direta do governo, quanto por uma reacao dos bancos privados a mudanca de comportamento de seus concorrentes publicos. Independentemente da origem dessa motivacao, esse seria o desejo principal dos governantes: serem capazes de influenciar todo o mercado bancario, incluindo o comportamento de bancos publicos e privados, mesmo que, nos bancos privados, essa influencia nao seja tao direta. Assim, e levantada uma terceira hipotese, relativa a resposta dos bancos privados nesse periodo de crise, com pressoes politicas do governo como tentativa de interferencia no sistema financeiro:

H3: Os bancos privados apresentam comportamento mais proximo a competicao perfeita apos periodos de crise quando comparados ao seu comportamento em periodos anteriores.

A seguir, descreve-se a metodologia para testar essas hipoteses.

Metodologia

Indice de Lerner

Para a analise da competicao bancaria no Brasil ao longo dos ultimos anos, sera adotada a metodologia desenvolvida por Bresnahan (1982), seguindo aplicacao realizada originalmente por Angelini e Cetorelli (2003), em trabalho que utilizou dados em painel para medir o nivel de competicao bancaria no mercado italiano. O mesmo modelo tambem foi aplicado com pequenas alteracoes por Uchida e Tsutsui (2005) no mercado japones e por Kubo (2006) no mercado bancario tailandes.

Nesse modelo, assume-se que os bancos definem seus precos e quantidades de forma a maximizar seus lucros. Assim, considerando que a industria produz uma quantidade Q em um preco p, e que cada firma da industria produz uma quantidade [q.sub.j] e tem uma funcao de custo [C.sub.j] = C([q.sub.j], [w.sub.j]), em que [w.sub.j] e o vetor de precos dos insumos da firma j, os bancos maximizam a seguinte equacao, em que z representa o vetor de variaveis exogenas que afeta a demanda:

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Dessa forma, para maximizar (1), e necessario derivar em relacao a qj e igualar a zero, obtendose a equacao que determina os precos e, como no caso de competicao perfeita, o preco se iguala ao custo marginal (C). O segundo termo dessa equacao pode ser interpretado como a diferenca entre o preco praticado e o preco que seria praticado se o mercado estivesse em competicao perfeita.

[p.sub.j] = C'([q.sub.j], [w.sub.j])- [[THETA].sub.j]/[??]- (2)

Analisando os termos [[THETA].sub.j] e [??] como fatores de elasticidade, podemos interpreta-los como a elasticidade da producao total da industria pela producao da empresa j, e a semielasticidade da demanda do mercado pelo preco. Ou seja, [[THETA].sub.j] indica o volume de aumento da producao total da industria para cada unidade a mais produzida por uma determinada empresa, e [??] indica a variacao percentual na demanda do mercado para cada unidade acrescida no preco.

Para identificar separadamente os valores de [[THETA].sub.j] e [??], seria necessaria a estimacao simultanea da equacao de oferta e demanda. Contudo, como o objetivo desta analise e de avaliar o poder de mercado exercido de forma geral por bancos publicos e privados, torna-se suficiente estimar a relacao [lambda] [equivalent to]-[[THETA].sub.j] / [??]. Isso ocorre porque o poder de mercado nada mais e do que a capacidade de uma empresa para precificar seus produtos e servicos acima de seu custo marginal. Dessa forma, nao e necessario realizar a estimativa das equacoes de oferta e demanda, pois se pode estimar a equacao de oferta em (2) conjuntamente com a equacao de custos. Para aplicacao dessa metodologia, a equacao de oferta toma a seguinte forma:

[p.sub.j] = C'([q.sub.j], [w.sub.j])+[lambda] (3)

Uma visao alternativa dessa medida de nivel de competicao pode ser obtida dividindo [lambda] pelo preco; esse valor e conhecido como indice de Lerner, e deve estar limitado entre zero e um. Trata-se de uma medicao muito utilizada em estudos de organizacao industrial e representa uma estimativa relativamente simples sobre a intensidade de competicao adotada pelas firmas.

O indice de Lerner e de facil interpretacao, pois, ao assumir o valor zero, indica que ha competicao perfeita, e, ao assumir o valor um, indica preco de mercado de monopolio, e valores intermediarios apontam em qual dos dois extremos o mercado se aproxima mais (Feinberg, 1980). Uma observacao importante e que a estimativa do indice de Lerner, por meio de [lambda], e uma manipulacao simples da formula mais conhecida do indice:

L = p - C'/p = [lambda]/p (4)

A confirmacao das hipoteses levantadas e as conclusoes deste trabalho serao baseadas na interpretacao do indice de Lerner. Cabe ressaltar que, embora os bancos publicos possam nao trabalhar com a funcao objetivo de maximizacao de lucro, tambem nao e esperado que trabalhem em niveis com retorno negativo (preco menor que custo marginal) (Seabra, Giglio, Fernandes, & Meurer, 2009), assim teriam indice de Lerner menor que os bancos privados, mas nao devem apresentar valores negativos.

Desta forma, para estimar adequadamente o indice de Lerner ao longo do tempo, e necessario estimar as curvas para a receita e o custo marginais dos bancos publicos e privados ao longo do tempo. A primeira etapa para a realizacao da analise consiste em definir as variaveis que afetam a receita e o custo dos bancos, e a segunda etapa consiste na escolha de uma metodologia econometrica adequada para a estimacao simultanea dessas curvas.

Modelo econometrico

Seguindo modelo similar ao aplicado por Angelini e Cetorelli (2003), a funcao para os custos sera especificada como segue a equacao (5), em que w1j representa as despesas de captacao, [w.sub.2j] representa as despesas de pessoal, [w.sub.3j] representa as despesas de administracao e outras operacoes de cada firma j, e a variavel NPL controlara o risco de inadimplencia incorrido por cada banco. Os demais coeficientes sao os parametros da equacao que serao estimados via minimos quadrados em tres estagios.

ln([C.sub.j]) = [C.sub.0] + [S.sub.0] ln [q.sub.j] + [s.sub.1]/2 [(ln [q.sub.j]).sup.2] + [[SIGMA].sup.3.sub.i=1] [c.sub.i] ln [w.sub.ij] + ln [q.sub.j] [[SIGMA].sup.3.sub.i=1] [s.sub.i+1] ln [w.sub.ij] + [rho] ln(NP[L.sub.j]), (5)

A especificacao da equacao de custos em (5) possibilita a estimativa de uma curva de custo medio em forma de U, que e sensivel aos fatores que podem gerar economias de escala e caracteristicas distintas apresentadas pelas varias firmas incluidas no modelo (Benston, Hanweck, & Humphrey, 1982).

Para a equacao de receitas, utilizou-se a seguinte especificacao, tambem de acordo com Angelini e Cetorelli (2003), em que anog representa cada uma das g variaveis dummies indicadoras dos anos avaliados, e pub e uma variavel dummy indicadora de banco publico. Os demais coeficientes sao os parametros da equacao que serao estimados via minimos quadrados em tres estagios. Ainda, foram impostas as mesmas restricoes entre as equacoes com o objetivo de aumentar a precisao das estimativas, propostas por Angelini e Cetorelli (2003).

[R.sub.j] = [C.sub.j] ([s.sub.0] + [s.sub.1] ln [q.sub.j] + [[SIGMA].sup.3.sub.i=1] [s.sub.i+1] ln [w.sub.ij]) + [[SIGMA].sub.g] [[lambda].sub.g] x [ano.sub.g] x [q.sub.j] + [[SIGMA].sub.g] [[lambda].sub.g] x [ano.sub.g] x [q.sub.j], (6)

As estimativas dessas equacoes precisam ser realizadas simultaneamente para estimacao consistente dos valores de [lambda], que serao base para calculo do indice de Lerner. Mediante essa estimacao simultanea, sera controlado o efeito de bancos com custos maiores apresentarem precos mais altos, o que poderia enviesar a analise dado que serao consideradas instituicoes com estruturas de custos muito distintas, a comecar pela propria separacao entre bancos publicos e privados (Bartel & Harrison, 2005).

No modelo, foram usadas como variaveis de controle dummies para cada ano de periodo analisado e uma dummy indicadora de banco publico. Os bancos ja estao classificados como publicos ou privados na base de dados do Banco Central. Vale notar que as variaveis dummies de ano ja controlam por efeitos temporais, como, por exemplo, mudancas economicas no pais que afetaram os bancos no periodo, incluindo alteracoes na taxa basica de juros (SELIC), alem de efeitos de inadimplencia sistemica variando ao longo do tempo. Ainda consideramos que essas mudancas podem ter impacto diferenciado nas instituicoes privadas e publicas e, dessa forma, incluimos interacoes das dummies de anos com a variavel dummy indicadora de banco publico.

Diferentemente do realizado por Angelini e Cetorelli (2003), as regressoes nao serao realizadas separadamente para os diversos instantes de tempo; sera, alternativamente, realizada uma regressao unica, utilizando metodologia de dados em painel. Essa metodologia foi aplicada por Kubo (2006), e permite avaliar a evolucao no comportamento competitivo ao longo do tempo sem novas regressoes da equacao de custo a cada periodo de tempo. Dessa maneira, sera estimado um coeficiente para cada ano analisado (por meio das variaveis dummies de ano), e um coeficiente que mede a diferenca entre o valor para bancos publicos e privados (interacoes entre as variaveis dummies de ano e a variavel dummy indicadora de banco publico).

A metodologia de regressao por minimos quadrados em tres estagios (3SLS), por sua vez, foi adotada para estimacao do modelo devido a endogeneidade existente entre as variaveis de custo e de quantidade ([C.sub.j] e [q.sub.j]), sendo necessaria a utilizacao de variaveis instrumentais. Da mesma maneira que nos trabalhos de Angelini e Cetorelli (2003), Uchida e Tsutsui (2005) e Kubo (2006), foram utilizados como instrumentos variaveis defasadas. Por causa deste, o coeficiente referente ao primeiro periodo de dados coletados (primeiro trimestre de 2000) nao sera estimado nas regressoes. Apesar da perda desse periodo, isso nao deve prejudicar as conclusoes pelo longo historico de dados coletados.

A metodologia 3SLS, desenvolvida por Zellner e Theil (1962), representa uma evolucao da metodologia de regressao em dois estagios (2SLS), pois considera a correlacao dos disturbios entre as equacoes. Ela pode ser interpretada como uma combinacao de regressao multivariada (SUR ou seemingly unrelated regression) e regressao usando minimos quadrados em dois estagios. Basicamente, alem de utilizar o primeiro estagio para estimar a matriz de momentos dos erros e o segundo estagio para estimar os coeficientes, como no procedimento 2SLS, 3SLS permite que as equacoes do sistema sejam estimadas de forma conjunta, levando em conta as covariancias dos erros entre as equacoes dos 2 estagios.

Dados e selecao das variaveis

Os dados utilizados na analise foram coletados diretamente do site do Banco Central do Brasil (n.d.), no relatorio Informacoes contabeis--50 maiores bancos, que fornece informacoes do sistema Sisbacen e que possui informacoes trimestrais de balanco de todos os bancos com atuacao no Brasil no periodo. Foram separadas as componentes que geram o resultado operacional, com excecao do resultado de coligadas, sendo que as componentes positivas foram consideradas como receitas e as negativas, como custos. O historico da analise abrangera do primeiro trimestre de 2000 ao segundo trimestre de 2011, totalizando 46 observacoes no tempo. Ao longo deste periodo, possui o numero maximo de 184 instituicoes, e finaliza o ultimo periodo com 139. Deste total, 24 bancos sao publicos, sendo 5 estatais federais e 19 estatais estaduais. A listagem de todos os bancos utilizados esta nas Tabelas do Anexo (A1 e A2). Considerando a totalidade das observacoes no tempo e das instituicoes, sao 6.602 registros na base de dados.

A selecao das variaveis para estimacao das curvas de custo e receita foi baseada em Angelini e Cetorelli (2003), Uchida e Tsutsui (2005) e Kubo (2006), e sua breve descricao esta na Tabela 1. Vale destaque para a variavel NPL, adicionada originalmente no trabalho de Kubo (2006), que controla o crescimento abrupto da inadimplencia, dado que o periodo selecionado para analise inclui evento de crise do mercado de credito. O controle de inadimplencia e importante, pois pode variar entre as firmas, embora possam existir fatores sistemicos afetando todas as firmas no mesmo ano.

Existe controversia na literatura sobre a industria bancaria, se depositos deveriam ser tratados como insumo ou como produto final. Esta sendo aplicada a interpretacao dos depositos como insumo, e o produto final sao as operacoes de credito, conforme definicao utilizada na maioria dos estudos empiricos sobre o mercado bancario (Kubo, 2006).

Resultados

No periodo analisado, houve grande aumento no volume de ativos nos bancos brasileiros (433%), sendo que esse aumento foi maior nos bancos privados que nos bancos publicos (485% contra 375%). Contudo, de junho de 2008 a junho de 2011, o crescimento de ativos dos bancos privados e quase a metade do crescimento dos publicos (52% contra 96%), e isso ocorre devido ao periodo de setembro de 2008 a dezembro de 2009, quando os bancos privados praticamente nao apresentaram crescimento de ativos (somente 3% contra 38% dos publicos). Tal observacao e coerente ao desejo do governo de incentivar o crescimento dos bancos publicos em um periodo em que os privados reduziam suas ofertas de credito.

Observa-se tambem que os bancos publicos tem consistentemente precos inferiores aos bancos privados, o que poderia indicar que tais bancos tenham comportamento mais competitivo. Contudo, tais precos poderiam ser totalmente explicados por custos menores, o que nao caracterizaria um comportamento mais competitivo. Para esclarecer essa questao, e necessaria a analise do modelo econometrico.

A estimacao do modelo utilizando minimos quadrados em tres estagios (3SLS) foi realizada com o uso do software SAS, e os resultados obtidos para as equacoes de receitas e de custos estao na Tabela 2. Devido a altissima correlacao (99,9%) entre as variaveis de custo e da interacao entre custo e logaritmo neperiano dos ativos totais (C e C.lnq), o modelo apresenta forte de multicolinearidade e sera estimado utilizando o custo (modelo 1 na Tabela 2) ou utilizando a interacao entre custo e ln dos ativos totais (modelo 2), separadamente. E importante salientar que os resultados desses modelos foram bastante similares, indicando robustez da regressao.

As conclusoes sobre o nivel de competicao ao longo do tempo sao baseadas na equacao de receitas, que apresentou coeficientes com significancia estatistica e sinais conforme o esperado: positivos para os bancos privados e negativos para bancos publicos, indicando que a receita e significativamente inferior para os bancos publicos, comparada a dos bancos privados, vide Tabela 2.

O indice de Lerner, ao longo do tempo, contido nas Figuras 1 e 2, representa graficamente os resultados da Tabela 2. Usando os resultados das regressoes da Tabela 2, os indices foram calculados separadamente para bancos publicos e privados ano a ano, dividindo-se os coeficientes de bancos privados e publicos pelo preco medio de cada grupo de bancos em cada ano. Pelas Figuras 1 e 2, podese observar que os bancos publicos apresentaram indice de Lerner inferior aos bancos privados (exceto na crise de 2008), indicando comportamento mais proximo a competicao perfeita e confirmando a hipotese 1.

[FIGURA 1 OMITIR]

[FIGURA 2 OMITIR]

Como os coeficientes das interacoes entre ano e banco publico, apresentados na Tabela 2, sao negativos e com significancia estatistica para todos os anos, exceto 2008, a hipotese 1 e estatisticamente comprovada.

Ja a ausencia de relevancia estatistica para o coeficiente de 2008 no modelo 1 indica que os bancos publicos e privados apresentaram indice de Lerner estatisticamente semelhante, nao diferindo em termos do grau de competicao neste ano. No modelo 2, esse coeficiente de 2008 foi positivo e estatisticamente relevante, indicando que, em 2008, os bancos privados apresentaram um comportamento mais proximo a competicao perfeita que os bancos publicos.

Esse comportamento pode ser explicado pelo custo bastante acima do esperado nos bancos privados. Ao separar os trimestres de 2008, confirma-se que os custos responsaveis pela queda do indice de Lerner estao concentrados no ultimo trimestre, periodo de agravamento da crise. Tal aumento de custo tambem ocorreu para os bancos publicos, mas em grau bem menor que nos bancos privados. Neste periodo, houve forte crescimento tanto nos custos como nas receitas dos bancos. Porem, enquanto os bancos publicos tiveram aumento de 34% em seus custos/ativos em relacao ao mesmo periodo do ano anterior, suas receitas/ativos cresceram 40%. Ja os bancos privados tiveram aumento de 82% em custos/ativos e somente 25% em receitas/ativos. Este crescimento nos custos dos bancos privados devese majoritariamente a aumentos nos custos de captacao, emprestimos e outras operacoes. Os custos de provisao para creditos em liquidacao tambem estao ligados a inadimplencia, porem seu impacto e diluido pelos periodos seguintes.

Pelas Figuras 1 e 2, observa-se crescimento do indice entre 2000 e 2005 tanto para bancos publicos como para bancos privados, justamente no periodo mais intenso de consolidacao bancaria. Nesse periodo, os bancos conseguiram melhorar seus indices de eficiencia a partir da reducao de custos (Camargo, 2009), apesar da notavel instabilidade dos valores no periodo. Tal instabilidade e coerente nos dois modelos testados, mostrando que sua origem e resultado dos dados observados.

A partir de 2005, momento que o credito/PIB comeca a avancar de maneira mais consistente, pode-se notar queda nos indices de Lerner, ou seja, o aumento no volume de credito veio acompanhado de melhora do nivel de competicao. Essa observacao de aumento na competicao tambem e coerente com as observacoes de Camargo (2009), que identificou consideravel queda no spread bancario de pessoas fisicas neste periodo. A queda de spread para pessoas fisicas pode ser observada desde o ano de 2003 ate os meses disponiveis o terceiro trimestre de 2011, com excecao ao periodo de alta entre maio e dezembro de 2008, mas ja havia sido totalmente revertida em julho de 2009 (BACEN, 2011).

Uma parcela desse comportamento de queda de spread e do aumento na competicao pode ser explicada pelo grande crescimento das carteiras de credito consignado para pessoas fisicas. Contudo, isso nao explica totalmente a reducao de precos para pessoas fisicas, ja que o crescimento de outras carteiras de credito no periodo tambem e grande, e estas tambem apresentaram reducoes em suas taxas de juros.

A partir das regressoes, tambem pode ser observado interessante resultado que, apesar dos bancos publicos apresentarem comportamento mais proximo da competicao perfeita, eles ainda exercem algum poder de mercado, pois tem indice de Lerner maior que zero. Se os bancos publicos tivessem como objetivo somente a melhoria de bem estar social via maior competicao, estariam aceitando lucro economico zero (preco igual a custo marginal), e assim teriam o resultado do indice tambem igual a zero. Como tem valores maiores que zero, nota-se realmente que eles convivem com objetivos mistos de rentabilidade e bem-estar social.

Apesar das eventuais ineficiencias operacionais dos bancos publicos, eles conseguem manter seus precos mais baixos e ainda assim exercer algum poder de mercado. Esta observacao indica que, se alcancadas melhorias nos niveis de eficiencia ou se o objetivo de maior competicao tivesse maior peso nos interesses dos bancos publicos, suas taxas poderiam ser ainda menores sem ter lucro economico negativo.

Para verificacao das hipoteses 2 e 3, utilizou-se um teste estatistico comparando os indices de Lerner no periodo anterior e no posterior a crise. Considerou-se a crise de 2008 como um evento demarcando uma mudanca relevante no mercado. Assim, foi considerado como periodo anterior a crise os anos de 2003 a 2007, e como periodo posterior a crise os anos de 2009 a 2011.

A Tabela 3 apresenta a analise descritiva para os dois periodos analisados, bem como o nivel descritivo do teste estatistico de Wilcoxon para comparacao dos dados antes e apos o ano de 2008 usando os modelos 1 e 2 da Tabela 2. Adianta-se que uma das limitacoes do teste e o curto periodo analisado, especialmente no que diz respeito aos tres anos apos a crise. Desta maneira, utilizou-se um teste estatistico nao parametrico (Wilcoxon), que e adequado para pequenas amostras e que nao possui suposicao acerca da distribuicao dos dados, como normalidade, por exemplo. Com base na Tabela 3, percebe-se que o indice de Lerner medio e inferior apos 2008 tanto para bancos privados como para bancos publicos e para os dois modelos utilizados, indicando que, no periodo posterior a crise, os bancos aproximaram-se mais da competicao perfeita. O teste estatistico confirma as hipoteses 2 e 3 com 95% de confianca. Ressaltamos que o teste esta sendo utilizado apenas como indicador dos resultados, uma vez que, apesar de ser adequado para pequenas amostras, o teste nao parametrico trabalha com a ordenacao dos dados (ranks) ao inves de utilizar as medias, e, por esse mesmo motivo, os valores-p foram todos identicos, indicando que os valores do indice de Lerner foram sempre inferiores no periodo posterior a crise (2009 a 2011), se comparados ao periodo anterior a crise (2003 a 2007).

O indice de Lerner medio teve uma queda de aproximadamente 6 pontos percentuais apos 2008 para os bancos privados e publicos (com base no modelo 1).

Foram realizadas analises complementares para confirmar os resultados obtidos: (a) selecionando somente bancos com receitas de credito relevantes para seus resultados; e (b) incluindo uma variavel dummy indicando bancos com estrategias focadas no segmento de baixa renda.

Apesar das receitas de credito representarem mais da metade das receitas dos bancos brasileiros nos ultimos anos, isso nao e verdade para todos os bancos. Existem bancos especializados em outros tipos de operacoes financeiras, cuja receita de credito apresenta uma parcela muito pequena de suas receitas totais.

Para identificacao dos bancos em que o credito e mais relevante, seguiu-se o trabalho de Gonzalez, Savoia e Gouvea (2008), e foram selecionados bancos classificados como bancos de varejo, bancos de credito e bancos de transicao e repasses. O credito e tratado com menor relevancia para os bancos de tesouraria e de intermediacao bancaria. As regressoes foram refeitas mantendo-se somente os bancos de credito, de transicao e repasses e de varejo, e os resultados permaneceram praticamente inalterados, validando as conclusoes obtidas.

A analise que inclui variavel dummy indicando estrategia ligada a baixa renda foi realizada para confirmar se os bancos publicos apresentam comportamento mais competitivo exclusivamente pela estrategia adotada. Ao gerar novo modelo com inclusao dessa variavel, ela se mostra significante e positiva na equacao de receitas, ou seja, indica que bancos voltados para a baixa renda geram mais receita para um mesmo risco incorrido. Contudo nao sao observadas diferencas nas conclusoes em relacao ao nivel de competicao. Assim, pode-se afirmar que os bancos privados possuem comportamento menos competitivo que os publicos, independentemente desses bancos terem adotado estrategias focadas para baixa renda.

Conclusoes

Pela analise dos resultados obtidos, conclui-se que, no Brasil, os bancos publicos realmente apresentaram comportamento mais proximo a competicao perfeita do que os bancos privados. Apesar disto, os bancos publicos tambem exercem poder de mercado, mesmo que menor que seus concorrentes privados.

Pode-se observar que a crise e a influencia do Estado interferiram de maneira significante no comportamento competitivo dos bancos. Tanto os bancos publicos como os bancos privados apresentaram mudanca de comportamento em termos de competicao apos as declaracoes de incentivo a concessao de credito e a reducao de taxas por parte do governo federal brasileiro durante a crise de 2008. Desta forma, os bancos publicos podem ser vistos como instrumento direto de influencia do governo no mercado bancario.

Vale notar que, posteriormente ao recorte temporal desse estudo, no primeiro semestre de 2012, o governo induziu os bancos publicos a cortes mais agressivos nos juros. Essa acao pode ter afetado acentuadamente a lucratividade desses bancos, levando-os provavelmente ainda mais na direcao de maior competicao. Assim, ha a oportunidade de novos estudos englobando eventos mais recentes no setor bancario brasileiro.

Salientamos que estudos adicionais sao necessarios para identificar e quantificar a influencia do comportamento dos bancos publicos no nivel de competicao dos bancos privados. Posteriores desenvolvimentos devem considerar tambem a causalidade dos efeitos de alteracoes de comportamento dos bancos; por exemplo, se bancos privados geram respostas competitivas dos bancos publicos ou viceversa. Alem disso, o presente estudo faz uma distincao dicotomica entre bancos publicos e privados. Pesquisas futuras poderiam analisar diferentes tipos de bancos publicos e privados, atendendo a segmentos de mercado diversos e com estrategias de credito heterogeneas.

Alem disto, uma observacao interessante e que tanto os bancos publicos como os bancos privados passaram por um periodo de piora no nivel de competicao ate 2005, que foi gerado por aumento de sua eficiencia de custos, para, nos anos seguintes, reduzirem o nivel de competicao pelo lado da mudanca de preco. Dessa forma, ao analisar o bem-estar social, e fundamental o acompanhamento conjunto do nivel de competicao e do preco cobrado, ja que as empresas podem acabar passando por um periodo inicial de reducao de custos para posteriormente conseguirem competir em precos. Nesse caso, em se analisado somente indicadores de competicao, seria observada uma piora do nivel de competicao seguida posteriormente por um retorno ao patamar anterior, mas o resultado deste comportamento e benefico para a populacao, pois a reducao de competicao nao foi consequencia de um aumento de precos.

Por fim, a pesquisa contribui para a literatura pela aplicacao no mercado brasileiro de uma tecnica de estimacao da competicao bancaria utilizando regressoes em tres estagios. As observacoes permaneceram coerentes com estudos anteriores (Angelini & Cetorelli, 2003; Kubo, 2006; Uchida & Tsutsui, 2005), reforcando e contribuindo no desenvolvimento dessa metodologia ainda pouco explorada no Brasil. O uso de ampla base de dados, longo periodo historico e diferentes criterios de estimacao garante maior robustez do metodo e maior confiabilidade dos resultados.
ANEXOS

Tabela A1

Listagem e Classificacao dos Bancos Utilizados

Instituicoes         Banco de          Estrategia   Banco
Financeiras          Credito,          voltada      Publico
                     Varejo ou         para baixa
                     Transicao         renda
                     e Repasses

ABC-BRASIL           X
ABN AMRO             X
AGF
AGF BRASEG
ALFA                 X
AMEX                 X
ARAUCARIA            X
ARBI
AZTECA               X                 X
BANCAP               X
BANCNACION           X
BANCO ABB
BANCO AXIAL
BANCO GMAC           X
BANCO RANDON S.A.    X
BANCO TOPAZIO
BANCOCIDADE          X
BANCOOB
BANDEIRANTES         X
BANDES               X                              X
BANESE               X                              X
BANESPA              X                 X            X
BANESTADO            X                 X            X
BANESTES             X                              X
BANIF                X
BANK OF AMERICA
BANKBOSTON           X
BANPARA              X                              X
BANRISUL             X                              X
BANSICREDI
BARCLAYS
BARCLAYS GALICIA     X
BASA                 X                              X
BASEMSA              X
BB                   X                 X            X
BBA-CREDITANSTALT    X
BBM
BBVA BR
BCGB
BCO CIT BRASIL       X
BCO JOHN DEERE       X
BCOMURUGUAI          X
BDMG                 X                              X
BEA                  X                              X
BEC                                                 X
BEG                  X                 X            X
BEM                  X                 X            X
BEPI                 X                 X            X
BES
BESC                                                X
BGN                  X
BIC                  X
BILBAO VIZCAYA       X
BM&F
BMC                  X
BMG                  X                 X
BNB                  X                              X
BNDES                X                              X
BNL                  X
BNP
BNP PARIBAS
BOAVISTA             X
BOC
BONSUCESSO           X
BOREAL
BOSTON N.A.
BPN BRASIL           X
BRACCE
BRADESCO             X                 X
BRASCAN
BRB                  X                 X            X
BRDE                 X
BRJ                  X
BTG PACTUAL
BTMUB
BVA                  X
BYM                  X
CACIQUE              X                 X
CARGILL
CARREFOUR            X                 X
CCF BRASIL
CEDULA               X
CEF                  X                              X
CHASE
CITIBANK             X
CLASSICO
CNH CAPITAL          X
CONCORDIA
CONFIDENCE
CR2                  X
CREDIBEL
CREDIT AGRICOLE
CREDIT LYONNAIS      X
CREDIT SUISSE
CRUZEIRO DO SUL
CSF
CSFB GARANTIA
DAIMLERCHRYSLER      X                 X
DAYCOVAL
DBB BM
DESENBANCO           X                 X            X
DEUTSCHE
DIDIER LEVY
DRESDNER
EMBLEMA
EQUITY
EUROINVEST           X
EUROPEU
FATOR
FIAT                 X
FIBRA
FICRISA AXELRUD      X
FICSA                X
FIDIS                X
FINANCIAL
FINANSINOS           X
FININVEST            X
FONTE CINDAM
FORD                 X
FRANCES INTER
GE CAPITAL           X
GENERAL MOTORS       X

Nota. Fonte: elaborado pelos autores a parti de Gonzalez, R. B.,
Savoia, J. R. F., & Gouvea, M. A. (2008). Grupos estrategicos
bancarios: uma abordagem transversal multivariada para o
problema da segmentacao dos bancos no Brasil. Revista de
Administracao Mackenzie, 9(7), 11-40. doi:
10.1590/S1678-69712008000700002

Tabela A2

Listagem e Classificacao dos Bancos Utilizados

Instituicoes Financeiras   Banco de     Estrategia   Banco
                           Credito,     voltada      Publico
                           Varejo ou    para baixa
                           Transicao    renda
                           e Repasses

GERACAO FUTURO
GERADOR                    X
GERDAU                     X
GM                         X
GOLDMAN SACHS
GRAPHUS
GUANABARA                  X
HEXABANCO
HONDA                      X
HSBC                       X
IBIBANK                    X            X
IBM                        X
ICATU
INDUSCRED
INDUSTRIAL DO BRASIL       X
INDUSVAL                   X
ING
INTER AMEX                 X
INTERCAP                   X
INTERIOR                   X
INTERMEDIUM                X
INTERPART                  X
INVESTCRED                 X
INVESTOR
ITAU                       X
J. MALUCELLI               X            X
JBS BANCO
JOHN DEERE                 X
JP MORGAN
JP MORGAN CHASE
KDB BRASIL
KEB
LA PROVINCIA
LA REPUBLICA
LAGE LANDEN                X
LEMON
LEMON BANK
LIBERAL
LLOYDS
LUSO BRASILEIRO            X
MALCON                     X
MARKA
MATONE                     X
MATRIX                     X
MAXIMA
MAXINVEST                  X
MERCANTIL DO BRASIL        X
MERCANTIL FINASA           X
MERCANTIL SP               X
MERCEDES-BENZ              X
MERIDIONAL                 X
MERRILL LYNCH
MINAS                      X
MISASI
MODAL                      X
MONEO                      X
MORADA                     X
MORGAN STANLEY
MULTI
NACOES                     X
NATIXIS
NOSSA CAIXA                X            X            X
OK                         X
OPPORTUNITY
OURINVEST                  X
PACTUAL
PANAMERICANO               X            X
PARAIBAN                                             X
PARANA                     X
PATAGON
PEBB
PECUNIA                    X
PERFORMANCE
PETRA
PINE                       X
PORTO REAL                 X
PORTO SEGURO
POTTENCIAL                 X
PRIME
PRIMUS                     X
PROSPER
PSA FINANCE                X
RABOBANK
REDE
RENDIMENTO                 X
RENNER                     X
RIBEIRAO PRETO             X
RODOBENS                   X
ROYAL INVEST               X
RURAL                      X
SAFRA                      X
SANTANDER                  X
SANTANDER BANESPA          X
SANTANDER BRASIL           X
SANTOS                     X
SANTOS NEVES               X
SCANIA BANCO S.A.          X
SCHAHIN                    X
SMBC
SOCIETE GENERALE
SOCOPA                     X
SOFISA                     X
SS                         X
STANDARD BI
STANDARD CHASTERED
STERLING                   X
STOCK
SUDAMERIS                  X
SUL AMERICA
SUMITBANK
TENDENCIA
THECA
TOKYOMITSUBISHI
TOYOTA                     X
TRIANGULO                  X
TRICURY                    X
UBS PACTUAL
UBS WARBURG
UNIBANCO                   X
UNION
UNO-E
VOLKSWAGEN                 X
VOLVO                      X
VOTORANTIM
VR                         X
WACHOVIA
WESTLB
ZOGBI                      X            X

Nota. Fonte: elaborado pelos autores a parti de Gonzalez, R. B.,
Savoia, J. R. F., & Gouvea, M. A. (2008). Grupos estrategicos
bancarios: uma abordagem transversal multivariada para o problema
da segmentacao dos bancos no Brasil. Revista de Administracao
Mackenzie, 9(7), 11-40. doi: 10.1590/S1678-69712008000700002


http://dx.doi.org/ 10.1590/1982-7849rac20141876

Artigo recebido em 10.03.2014. Ultima versao recebida em 11.08.2014. Aprovado em 21.08.2014.

Referencias

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Tiago Sammarco Martins

E-mail: tiagosammarcomartins@gmail.com

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa; Banco Votorantim--BV Financeira

Rua Quata 300, 04546-042, Sao Paulo, SP, Brasil.

Adriana Bruscato Bortoluzzo

E-mail: adrianab@insper.edu.br

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Sergio Giovanetti Lazzarini

E-mail: sergiogl1@insper.edu.br

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

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Tabela 1
Descricao das Variaveis Utilizadas

Codigo             Variavel                Descricao detalhada

R                  Receitas totais         Receitas de credito,
                                           compulsorio, titulos
                                           mobiliarios, derivativos,
                                           cambio, servicos e
                                           outras operacoes

C                  Custos totais           Despesas de emprestimos,
                                           arrendamento mercantil,
                                           captacao, provisao para
                                           credito em liquidacao,
                                           cambio, pessoal,
                                           administrativas,
                                           tributarias, outras
                                           operacoes

[[omega].sub.1]    Taxa de captacao        Despesa de captacao/
                                           Depositos totais

[[omega].sub.2]    Custo por funcionario   Despesas de pessoal/
                                           Numero de funcionarios

[[omega].sub.3]    Outras despesas         Despesas administrativas
                     operacionais          e de outras operacoes/
                                           Ativos totais

NPL                Nonperforming loan      Despesas de provisao para
                                           credito em liquidacao/
                                           Ativos totais

q                  Ativos totais

Tabela 2
Resultados do Modelo de Regressao estimado por Minimos Quadrados
em Tres Estagios

                         Variavel            Modelo 1

Equacao de              Constante            7,7320 ***
Custos                     ln_q              0,1886 ***
                    ln_[[omega].sub.1]       0,3436 ***
                    ln_[[omega].sub.2]       - 0,1427 ***
                    ln_[[omega].sub.3]        1,3531 ***
                          ln_npl              0,0664 ***
                     ln_[q.sup.2] / 2         0,0112 ***
                        ln_q . ln_           - 0,0435 ***
                     [[omega].sub.1]
                        ln_q . ln_            0,0179 ***
                     [[omega].sub.2]
                        ln_q . ln_           - 0,0963 ***
                     [[omega].sub.3]
                       ln_[[omega]            - 0,0005
                      .sub.1.sup.2]
                       ln_[[omega]             0,0015
                      .sub.2.sup.2]
                       ln_[[omega]             0,0014
                      .sub.3.sup.2]
                  ln_[[omega].sub.1] .       - 0,0018 ***
                    ln_[[omega].sub.2]
                  ln_[[omega].sub.1] .       - 0,0730 ***
                    ln_[[omega].sub.3]
                  ln_[[omega].sub.2] .        0,0306 ***
                    ln_[[omega].sub.3]

Equacao de                  c                 0,1886 ***
Receitas                 c . ln_q
                  c . ln_[[omega].sub.1]     - 0,0435 ***
                  c . ln_[[omega].sub.2]      0,0179 ***
                  c . ln_[[omega].sub.3]     - 0,0963 ***
                        q . d2000             0,0147 ***
                        q . d2001             0,0169 ***
                        q . d2002             0,0185 ***
                        q . d2003             0,0180 ***
                        q . d2004             0,0169 ***
                        q . d2005             0,0198 ***
                        q . d2006             0,0168 ***
                        q . d2007             0,0141 ***
                        q . d2008             0,0083 ***
                        q . d2009             0,0121 ***
                        q . d2010             0,0110 ***
                        q . d2011             0,0113 ***
                     q . pub . d2000         - 0,0099 ***
                     q . pub . d2001         - 0,0122 ***
                     q . pub . d2002         - 0,0092 ***
                     q . pub . d2003         - 0,0039 ***
                     q . pub . d2004         - 0,0073 ***
                     q . pub . d2005         - 0,0078 ***
                     q . pub . d2006         - 0,0064 ***
                     q . pub . d2007         - 0,0057 ***
                     q . pub . d2008           0,0000
                     q . pub . d2009         - 0,0064 ***
                     q . pub . d2010         - 0,0055 ***
                     q . pub . d2011         - 0,0055 ***

[R.sup.2]                                       98,3%
ponderado do                                    9.494
sistema Graus
de liberdade

                Modelo 1            Modelo 2

Equacao de      (0,1760)    5,5659 ***    (0,1838)
Custos          (0,0088)    0,3766 ***    (0,0073)
                (0,0389)     0,0472      (0,0405)
                (0,0452)    0,2739 ***    (0,0470)
                (0,0477)    1,4641 ***    (0,0472)
                (0,0040)    0,0689 ***    (0,0039)
                (0,0006)    0,0186 ***    (0,0006)
                (0,0022)   - 0,0081 ***   (0,0026)

                (0,0023)   - 0,0236 ***   (0,0026)

                (0,0022)   - 0,0850 ***   (0,0022)

                (0,0013)   - 0,0030 **    (0,0014)

                (0,0013)    - 0,0006     (0,0013)

                (0,0038)    0,0097 **     (0,0038)

                (0,0061)   - 0,0161 ***   (0,0061)

                (0,0052)   - 0,0453 ***   (0,0053)

                (0,0064)    - 0,0040     (0,0064)

Equacao de      (0,0088)
Receitas                   - 0,0453 ***   (0,0053)
                (0,0022)   - 0,0040 ***   (0,0064)
                (0,0023)   - 0,0453 ***   (0,0053)
                (0,0022)   - 0,0040 ***   (0,0064)
                (0,0018)    0,0207 ***    (0,0017)
                (0,0011)    0,0228 ***    (0,0010)
                (0,0010)    0,0243 ***    (0,0008)
                (0,0008)    0,0234 ***    (0,0007)
                (0,0008)    0,0226 ***    (0,0007)
                (0,0007)    0,0254 ***    (0,0006)
                (0,0006)    0,0225 ***    (0,0005)
                (0,0005)    0,0192 ***    (0,0004)
                (0,0005)    0,0110 ***    (0,0004)
                (0,0005)    0,0177 ***    (0,0003)
                (0,0004)    0,0154 ***    (0,0003)
                (0,0004)    0,0149 ***    (0,0003)
                (0,0020)   - 0,0101 ***   (0,0019)
                (0,0012)   - 0,0115 ***   (0,0011)
                (0,0010)   - 0,0092 ***   (0,001)
                (0,0009)   - 0,0040 ***   (0,0008)
                (0,0008)   - 0,0075 ***   (0,0007)
                (0,0007)   - 0,0083 ***   (0,0007)
                (0,0006)   - 0,0069 ***   (0,0006)
                (0,0004)   - 0,0056 ***   (0,0004)
                (0,0003)    0,0024 ***    (0,0003)
                (0,0003)   - 0,0067 ***   (0,0002)
                (0,0002)   - 0,0053 ***   (0,0002)
                (0,0003)   - 0,0048 ***   (0,0002)

[R.sup.2]                     98,4%
ponderado do                  9.494
sistema Graus
de liberdade

Nota. * p<0,10; ** p<0,05; *** p<0,01. Erros padroes robustos a
heterocedasticidade reportados entre parenteses.

Tabela 3

Analise Descritiva e Teste EstatIstico para Comparacao do Valor
Medio do Indice de Lerner nos PerIodos Anterior (2003 a 2007)
e Posterior (2009 a 2011) a Crise

                Modelo 1 - Bancos privados

Periodo         Media    Desvio padrao   valor-p

Antes de 2008   0,3156   0,0191          0,036 **
Apos 2008       0,2575   0,0118

                Modelo 2 - Bancos privados

Periodo         Media    Desvio padrao   p-valor

Antes de 2008   0,4171   0,0195          0,036 **
Apos 2008       0,3591   0,0018

                Modelo 1 - Bancos publicos

Periodo         Media    Desvio padrao   valor-p

Antes de 2008   0,2469   0,0232          0,036 **
Apos 2008       0,1821   0,0076

                Modelo 2 - Bancos publicos

Periodo         Media    Desvio padrao   p-valor

Antes de 2008   0,3672   0,0177          0,036 **
Apos 2008       0,3337   0,0036

Nota. * p<0,10; ** p<0,05; *** p<0,01.
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Martins, Tiago Sammarco; Bortoluzzo, Adriana Bruscato; Lazzarini, Sergio Giovanetti
Publication:RAC - Revista de Administracao Contemporanea
Article Type:Ensayo
Date:Dec 1, 2014
Words:9818
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