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Assessment of the potential of the grasshopper Cornops aquaticum (Orthoptera) as a biological control agent of Eichhornia crassipes (Pontederiaceae)/Avaliacao do potencial do gafanhoto Cornops aquaticum (Orthoptera) como agente de controle biologico de Eichhornia crassipes (Pontederiaceae)/Evaluacion del potencial del saltamontes Cornops aquaticum (Orthoptera) como control biologico de Eichhornia crassipes (Pontederiaceae).

Introducao

A macrofita aquatica sul-americana Eichhornia crassipes (Mart.) Solms ('mureru', 'murure' ou 'aguape') (Bortolotto e Neto, 2005) e considerada a mais seria planta daninha aquatica do Brasil, devido ao vigoroso aumento de sua biomassa que pode alcancar 480 ton/ha/ano de massa verde (Lorenzi, 2000). Um lago coberto por aguape perde de 2 a 8 vezes mais agua por evapotranspiracao do que com sua superficie livre. Essa planta aquatica foi introduzida em muitos paises de clima quente ou tropical no final do seculo XIX com fins ornamentais, tendo causado nessas regioes serios problemas ambientais (Bortolotto e Neto, 2005). Por essa razao, foi considerada como 'perigo publico' em muitos paises, onde causou o entupimento de cursos d'agua, impedindo a navegacao e promovendo a eutrofizacao de represas e lagos (Bortolotto e Neto, 2005; Fidelman, 2006).

Cornops aquaticum (Bruner, 1906) e um gafanhoto semi-aquatico neotropical que desenvolve seu ciclo de vida associado as populacoes de macrofitas aquaticas pertencentes a familia Pontederiaceae. Todavia, mostra grande especificidade alimentar e hospedeira, principalmente aos generos Eichhornia Kunth e Pontederia L. Estudos sobre a especificidade hospedeira desse gafanhoto quanto as Pontederiaceae sao bem conhecidos (Ferreira e Vasconcelos-Neto, 2001; Lhano et al., 2005). Sua especificidade e observada, principalmente, quanto ao habito alimentar e reprodutivo, onde as femeas ovipoem em peciolos foliares de suas plantas hospedeiras. Por essas razoes, e considerado um provavel agente de controle biologico dessas macrofitas aquaticas (SilveiraGuido e Perkins, 1975; Vieira e Santos, 2003).

Uma vantagem de se utilizar Cornops aquaticum como controlador biologico, refere-se ao fato do mesmo nao ser considerado como uma praga de plantas cultivadas, visto que, nao e enquadrado em nenhum dos niveis de dano economico, segundo a classificacao do Central for Overseas Pest Research (COPR, 1982).

O experimento realizado teve como finalidade avaliar a capacidade de controle que C. aquaticum pode exercer sobre E. crassipes, quando esta e submetida a acao de menor e maior densidade desse gafanhoto, em dois locais de ambientes distintos: um localizado no Lago Camaleao sobre influencia de rio de agua branca (varzea) e o outro no Lago Janauari, influenciado por agua mista (varzea-igapo).

Material e Metodos

Area de estudo

O estudo foi realizado nos lagos Camaleao e Janauari, que pertencem ao municipio de Iranduba, Estado do Amazonas, Brasil (Figura 1). O Lago Camaleao (03[degrees]17'05"S, 60[degrees]11'11"O), considerado um lago de varzea, esta localizado na Ilha de Marchantaria, no Rio Solimoes, distante cerca de 20km de Manaus (Waichman et al., 2002). O Lago Janauari (03[degrees]12'29"S, 60001'53"O), esta localizado em uma area sob influencia, tanto do Rio Negro, quanto do Rio Solimoes, por essa razao e considerado um lago de varzea-igapo ou de agua mista, distando ~10km de Manaus (Adis, 2002).

Metodologia

Este estudo foi realizado de abril a agosto de 2007, nos lagos Camaleao e Janauari. Para a realizacao do experimento, foram utilizadas 18 gaiolas (nove em cada lago). As gaiolas com dimensoes de 60x60x80cm (0,36[m.sup.2]), armacao de madeira, foram fechadas com tela de nylon (malha de 1,0mm) e providas de uma porta superior. Em cada gaiola foram fixados flutuadores, permitindo que as mesmas flutuassem durante o periodo do experimento. As gaiolas foram separadas em tres conjuntos e ligadas entre si por pequenas cordas. Em todas as gaiolas, seis individuos de E. crassipes foram introduzidos, previamente selecionados, apresentando o peciolo reto e contendo seis folhas inteiras.

As plantas, antes de serem introduzidas nas gaiolas, foram colocadas em uma superficie telada para escorrer o excesso de agua nelas retida, por cerca de 10min. Apos esse procedimento, as plantas foram pesadas em balanca analitica (0,1g) e suas folhas fotografadas por uma camera digital para a analise da area foliar. Todas as gaiolas foram identificadas, com numeracao distinta para cada lago, a fim de facilitar as anotacoes dos resultados obtidos durante o desenvolvimento do experimento.

No Lago Camaleao, as gaiolas do primeiro conjunto numeradas de 01 a 03 (tratamento I: menor densidade), foram introduzidos quatro casais de C. aquaticum (22,22 individuos/[m.sup.2]), juntamente com as plantas. No segundo conjunto de gaiolas, de numeros 04 a 06 (tratamento II: maior densidade), introduziu-se 16 casais (88,89 individuos/[m.sup.2]) e no ultimo conjunto de gaiolas, numeradas de 07 a 09 (tratamento III), nao foram introduzidos gafanhotos (grupo controle). O mesmo procedimento foi repetido para as gaiolas dos conjuntos do Lago Janauari.

Apos a instalacao do experimento, 40 exemplares adultos de C. aquaticum (20 machos e 20 femeas) foram coletados em campo, os especimes foram mortos em freezer no laboratorio. Os tamanhos corporais foram medidos (Carbonell, 2002) como o comprimento total (A), da cabeca ate a ponta da asa; e como o comprimento do corpo (B), da cabeca ate o fim do abdomen; foram pesados (peso fresco/g) e introduzidos em estufa a 60[degrees]C por 72h para a obtencao da biomassa (peso seco/g). Esses exemplares constituiram um grupo controle para a biomassa (peso fresco e seco/g) e para as medidas morfometricas de C. aquaticum e ficaram acondicionados a seco, em vidros de 5,0ml, devidamente identificados.

As observacoes foram realizadas a cada 15 dias, quando as plantas tiveram sua biomassa analisada e as folhas fotografadas, novamente, para a determinacao do consumo foliar. As fotografias foram analisadas em laboratorio atraves do programa SIARCS 3.0 (EMBRAPA). Nas gaiolas onde eclodiram ninfas, as mesmas fizeram parte do experimento.

O experimento total teve uma duracao de quatro meses (oito quinzenas) e ao termino do mesmo, todos os gafanhotos e as plantas remanescentes de cada gaiola foram transportados ao laboratorio. Os gafanhotos tiveram analisadas suas medidas morfometricas e biomassa (peso fresco e seco/g) e as plantas foram pesadas (peso fresco/g) e introduzidas em estufa a 80[degrees]C por cinco dias para a obtencao da biomassa (peso seco/g).

Analise dos Dados

As analises dos dados para o estudo foram realizadas atraves dos programas Microsoft Excel 2007, SIARCS 3.0, R 2.5.1 e SYSTAT 11. Para a analise estatistica dos resultados obtidos, utilizou-se ANOVA de 1 e 2 fatores, com intervalo de confianca de [alpha] = 0,05.

Resultados

Os resultados mostraram que os valores iniciais de biomassa e area foliar de E. crassipes, bem como de biomassa e medidas morfometricas de C. aquaticum nos experimentos instalados no Lago Camaleao se apresentaram em media, maiores do que os verificados para o Lago Janauari (Tabela I). No Lago Camaleao, os valores de biomassa fresca inicial de E. crassipes variaram entre 4,286 e 8,806 kg x [m.sup.-2] e biomassa final de 6,461 a 17,472kg x [m.sup.-2]. Em relacao a area foliar, os valores iniciais variaram de 0,196 a 0,396 [m.sup.2] e finais entre 0,169 e 0,725 [m.sup.2]. No Lago Janauari, os valores iniciais de biomassa fresca de E. crassipes variaram de 2,294 a 3,122 kg x [m.sup.-2] e de area foliar de 0,166 a 0,231 [m.sup.2]. Os maiores valores finais de biomassa estiveram entre 0,292 e 9,967 kg [m.sup.-2] e de area foliar entre 0,017 e 0. 647 [m.sup.2] (Tabela II).

Ao termino do experimento, todos os conjuntos dos tratamentos de menor densidade (22,22 individuos/[m.sup.2]) e de maior densidade (88,89 individuos/[m.sup.2]) do Lago Janauari, apresentaram-se sem nenhum individuo de C. aquaticum. Entretanto, no Lago Camaleao, os conjuntos de menor densidade, gaiolas 01, 02 e 03, terminaram com, respectivamente, 7, 8 e 3 exemplares e nos conjuntos de maior densidade, as gaiolas 05 e 06, encontraram-se com respectivamente, 6 e 9 exemplares (Tabela III). Os resultados mostram que a acao de impacto de C. aquaticum para controle de E. crassipes foi positiva, impedindo o desenvolvimento excessivo da biomassa e da area foliar dessa macrofita, quando submetida ao ataque de 22,22 individuos/[m.sup.2] (tratamento I) ou 88,89 individuos/[m.sup.2] (tratamento II), se comparados aos conjuntos com tratamento controle, onde houve crescimento excessivo de E. crassipes, ao ponto da planta ocupar todo o interior da gaiola (ANOVA de 1 fator; p<0,001). Em ambos os lagos estudados, o tratamento II foi mais eficiente no controle dessa macrofita, em relacao ao tratamento I (Figura 2).

Tambem foi constatada que a acao de impacto exercido por C. aquaticum sobre E. crassipes foi mais eficaz nos conjuntos instalados no Lago Janauari. Contudo, o desenvolvimento de E. crassipes no grupo controle foi mais expressivo no Lago Camaleao. Isso mostra que o ambiente no qual estavam instalados os conjuntos do experimento, tambem exerceu influencia nos resultados encontrados, tanto para area foliar quanto para biomassa (ANO VA de 2 fatores; p<0,001; Figura 3).

No Lago Camaleao, apos a implementacao do experimento, houve um decrescimo acentuado na area foliar ate a 3a quinzena, onde se registraram os valores medios de 0,133[m.sup.2] (39% restante da area inicial) e 0,077 (33% restante da area foliar inicial) para os tratamentos I e II, respectivamente (Figura 4a, b; Tabela IV). A partir da 3a quinzena, foi observado para o tratamento I, um aumento gradativo de area foliar ate a 6a quinzena e ao final do experimento constatou-se uma area foliar media, para este tratamento, equivalente a 61% da verificada inicialmente. No tratamento II, seguiu-se uma tendencia de elevacao gradativa da area foliar a partir da 3a quinzena e ao termino das observacoes, atingiu-se 0,258[m.sup.2] (111%; Figura 4a, b; Tabela IV).

Quanto a biomassa de E. crassipes, no tratamento II, foi observado um visivel decrescimo ate a 4a quinzena, atingindo o valor medio de 5,351 kg x [m.sup.-2] (86% da inicial) e ao final do experimento um leve acrescimo, com o indice de 7,538 kg x [m.sup.-2] (121% da biomassa inicial). Vale ressaltar, que ate a 6a quinzena, os valores medios de biomassa mantiveram-se abaixo do inicial (Figura 4a, b; Tabela IV).

No entanto, em relacao ao tratamento I, foi observado um aumento gradual ate a 5a quinzena, onde se constatou o indice de biomassa equivalente a 149% da inicial (8,964 kg x [m.sup.-2]), em seguida houve diminuicao ate a 7a quinzena, quando se verificou o valor de 8,293 kg x [m.sup.-2] (138% da biomassa inicial) e ao fim das observacoes chegou-se a marca de 145% (8,706 kg x [m.sup.-2]) (Figura 4a, b; Tabela IV). Contudo, pode-se constatar em ambos os casos, que nao houve desenvolvimento excessivo para a biomassa e para a area foliar de E. crassipes, devido a acao de C. aquaticum, ainda presente nas gaiolas.

No Lago Janauari, a acao de C. aquaticum sobre E. crassipes foi mais acentuada do que a observada para o Lago Camaleao, principalmente em relacao ao tratamento II, quando se registrou um declinio brusco de area foliar, ocasionado por uma queda de 0,189 para 0,014[m.sup.2] (7% do registrado inicialmente), nos primeiros 15 dias (Figura 4; Tabela IV). Nas duas quinzenas seguintes, houve uma pequena estabilizacao. A partir da 4a observacao, houve aumentos gradativos desses valores ate atingirem 0,199[m.sup.2], na ultima quinzena, ficando bem proximo do valor inicial. A biomassa, entretanto, decresceu ate a 4a quinzena, atingindo o valor de 1,083 kg x [m.sup.2] (40%) e a partir desse periodo, houve aumentos consecutivos ate a 8a quinzena, quando se registrou 3,263 kg x [m.sup.2] ou 120% da biomassa existente do inicio do experimento (Figura 4c, d; Tabela IV).

Por outro lado, no tratamento I, os valores medios da area foliar se mantiveram em decrescimo gradativo ate a 4a quinzena, com o registro de 0,082[m.sup.2] (45% da area foliar inicial). A partir desta, notou-se aumentos consideraveis ate a ultima quinzena, atingindo o valor medio de 0,310[m.sup.2] (170% da area foliar inicial) (Figura 4c, d; Tabela IV).

No entanto, para a biomassa, no tratamento I, houve aumento nas tres primeiras observacoes, seguido de declinio apenas na 4a quinzena (2,809 kg x [m.sup.2] equivalentes a 109%) e a partir da 5a quinzena, aumentos substanciais ate atingir 5,131 kg x [m.sup.2] (198%), registrado na ultima quinzena do experimento. Vale lembrar, que os valores de biomassa e area foliar apresentaram saltos expressivos ate o final do experimento, nos tratamentos I e II, instalados no Lago Janauari, em virtude de nao haver mais gafanhotos residindo em nenhuma das gaiolas desses tratamentos (Figura 4c, d; Tabela IV).

As observacoes para o grupo controle em ambos os lagos, mostraram valores elevados de biomassa e area foliar ate o termino do experimento, destacando-se o grande aumento na area foliar de E. crassipes no Lago Camelao, quando a mesma saltou de um valor medio de 0,275 para 0,683[m.sup.2], equivalente a 249% do valor observado inicialmente ou ainda um crescimento de duas vezes e meia em apenas 15 dias. A biomassa tambem cresceu, atingindo 18,649 kg x [m.sup.2] (235% da inicial) (Figura 4a, b; Tabela IV). No Lago Janauari, os valores de biomassa e area foliar chegaram aos valores maximos de 286% (8,544 kg x [m.sup.2]) e 275% (0,603[m.sup.2]), respectivamente, ou seja, houve aumento de quase tres vezes, em relacao aos valores medios iniciais (Figura 4c, d; Tabela IV).

A analise dos dados indicou haver diferencas significativas (p<0,001) no nivel de desenvolvimento de E. crassipes nos distintos tratamentos (I, II e III) e o local do experimento (lagos em estudo) em relacao ao periodo de observacoes (ANOVA de dois fatores), indicando que o ambiente (varzea e agua mista), onde se pretende aplicar essa tecnica, tambem exerceu influencia no controle da macrofita, ou seja, pode aumentar ou diminuir a eficiencia do metodo (Figura 4).

Discussao

Os gafanhotos (Cornops aquaticum) utilizados no experimento proporcionaram niveis diferenciados de controle, impedindo o crescimento excessivo de Eichhornia crassipes em ambos os lagos, respectivamente, sendo mais eficazes no tratamento II, devido ao grande numero de insetos existentes nessas gaiolas. Entretanto, esse controle pareceu bastante eficiente apenas nas primeiras quinzenas, quando se obtiveram os valores minimos de area foliar consumida por amostra em cada lago. Porem, apos a reducao do numero de gafanhotos, devido a mortalidade dos mesmos, ao longo do periodo de experimentacao, notou-se a recuperacao de E. crassipes. Contudo, nas gaiolas onde se mantiveram ninfas em desenvolvimento (algumas se tornaram adultas) durante todo o periodo do experimento, pode-se observar novamente que as macrofitas estavam sendo consumidas. O dano causado inicialmente na area foliar de E. crassipes foi tao expressivo, que em alguns casos, os gafanhotos chegaram ao extremo de consumir parte do peciolo foliar dessas plantas devido a falta de folhas para se alimentar.

A taxa de controle da area foliar de E. crassipes, observada no tratamento I, chegou aos valores minimos de 35,50; 36,06 e 45,96% por gaiola no Lago Camaleao e a 32,11; 44,85 e 43,15% do Lago Janauari, ou seja, em ambos os lagos, as reducoes chegaram a menos de 46% dos valores iniciais de area foliar. Ha de se considerar, porem, no tratamento II, os valores minimos de 28,35; 33,86 e 30,62% por gaiola no Lago Camaleao (reducao de menos de 40%) e 4,57; 7,30 e 5,15% no Lago Janauari (reducao de mais de 90%). Esses valores, em ambos os casos, podem ser considerados bem expressivos e positivos quanto ao controle de E. crassipes, por terem sido alcancados em um periodo curto de tempo, entre 15 a 45 dias. Outros estudos de consumo foliar de Solanum spp. (Solanaceae), planta originaria da America do Sul (Olckers et al., 2002), que se tornou praga nos EEUU e no Sul da Africa, indicaram que o besouro Gratiana boliviana (Chrysomelidae) foi um eficiente controlador dessa planta daninha, reduzindo a menos de 41% a area foliar num periodo de 28-31 dias (Medal et al., 2002). A 'traca do tomateiro' (Tuta absoluta: Lepidoptera) e considerada uma praga bastante destrutiva do tomateiro, reduzindo ~78,9% do seu tecido foliar durante a fase larval, que possui duracao media de 12,6 dias (Bogorni et al., 2003). Tais trabalhos servem para reforcar ainda mais, os resultados obtidos nesse estudo.

Contudo, a eficacia no controle de E. crassipes poderia ter sido prolongada, caso nao houvesse ocorrido a grande mortalidade dos gafanhotos durante as primeiras quinzenas do experimento. Essa mortalidade pode ter sido ocasionada, provavelmente, por dois fatores: 1) devido nao ser conhecida a idade dos gafanhotos utilizados no experimento, pois segundo Adis e Junk (2003) C. aquaticum possui longevidade media de 3,2 meses (machos) a 5,8 meses (femeas); ou, ainda, 2) pela falta de alimento ocasionado pelo consumo excessivo, observado principalmente nos conjuntos do tratamento II, forcando a competicao (intra-especifica) por esse recurso (Galo et al., 1988).

Quanto ao ataque de C. aquaticum se manifestar de certa forma mais impactante, ocasionando maiores danos nas plantas e controlando o desenvolvimento de E. crassipes no Lago Janauari em relacao ao Lago Camaleao, pode ter sido ocasionado por tais plantas estarem estabelecidas em dois locais de caracteristicas ambientais diferenciadas, visto que, um maior grau de desenvolvimento de E. crassipes (capacidade reprodutiva) acarretara em melhor reacao dessas plantas aos danos causados pelo consumo efetivado pelos gafanhotos.

Segundo Junk et al. (1989) a area de superficie e a profundidade dos lagos amazonicos estao submetidas a flutuacoes do nivel da agua, que influenciam sazonalmente as caracteristicas limnologicas, ecologicas e biologicas desses corpos d'agua. Sendo assim, as plantas aquaticas encontradas no Lago Janauari por estarem em local de agua mista, sao propensas a obter menores quantidades de nutrientes disponiveis, dissolvidos na agua, em comparacao as plantas dos lagos de varzea (agua branca) que sao ricos em nutrientes (Sioli, 1951). Dessa forma, as macrofitas aquaticas do Lago Janauari possuem tendencia a serem menos desenvolvidas (porte menor) em relacao as estabelecidas no Lago Camaleao, que e um lago de varzea, onde as especies se desenvolvem mais rapidamente e possuem porte mais avantajado (Junk, 1980).

Portanto, as macrofitas aquaticas reagem de forma diferenciada aos diferentes ambientes em que estao submetidas (Junk, 1997). Por essa razao, os valores iniciais de area foliar e de biomassa das macrofitas (E. crassipes) estabelecidas no experimento encontrado no Lago Janauari exibiram valores menores que os encontrados no Lago Camaleao.

Tais afirmacoes podem ser confirmadas, ao se observar o grau de desenvolvimento de E. crassipes no tratamento controle. Nas gaiolas sem gafanhotos, E. crassipes apresentou crescimento expressivo no Lago Camaleao, principalmente em relacao a area foliar, nos primeiros 15 dias (aumentos acima de 2,2 vezes) em comparacao a E. crassipes do Lago Janauari, no mesmo periodo. Alem do mais, verificou-se que a parte aerea (porcao acima da linha d'agua) das plantas no Lago Janauari teve os maiores valores de biomassa (peso fresco e seco) do que sua porcao submersa (parte abaixo da linha d'agua), enquanto no Lago Camaleao o resultado foi inverso. Essas diferencas observadas podem estar relacionadas ao grande desenvolvimento das raizes das plantas nas gaiolas do Lago Camaleao, pois consequentemente podem captar mais nutrientes da agua, mais rica em nutrientes em suspensao, em relacao ao observado no Lago Janauari.

Quanto a utilizacao da biomassa (peso fresco/g) de E. crassipes para a avaliacao do controle de C. aquaticum sobre essa macrofita, pode-se afirmar que apesar de ter apresentado resultados expressivos e significantes, o mesmo foi aparentemente menos danoso a planta, do que os resultados observados para o consumo da area foliar. Isso decorre, possivelmente, do consumo alimentar do gafanhoto, que atinge diretamente a porcao aerea das plantas (folhas e peciolos). Alem disso, a planta tende a emitir mais raizes, como forma compensatoria para aumentar a captacao de nutrientes da agua, em funcao dos danos causados a sua porcao aerea pelos gafanhotos (Lorenzi, 2000).

Em acoes de manejo para controle biologico, obtendo-se melhor eficiencia no controle de uma praga por um periodo prolongado e extremamente necessario o monitoramento permanente da area onde sera empregada a tecnica (Galo et al., 1988), atraves de observacoes continuas (visualizacao local por imagem fotografica ou de satelite). No caso de controle biologico de E. crassipes por C. aquaticum, o procedimento nao deve ser diferente, exigindo monitoramento constante e continuo, com o intuito de avaliar o desenvolvimento dessa planta, pois ao menor sinal de recuperacao, devido a sua ampla capacidade reprodutiva, pode dobrar sua biomassa em 15 dias (Lorenzi, 2000), necessitando repetir novamente o trata mento. Alem disso, seria de extrema importancia utilizar individuos adultos do gafanhoto C. aquaticum recem-emergidos, criados em grande escala para essa finalidade, excluindo a possibilidade de reducao no consumo de E. crassipes pelos gafanhotos, em decorrencia da morte por idade avancada dos mesmos.

Contudo, antes de se utilizar C. aquaticum para controlar E. crassipes, deve-se inicialmente avaliar todas as caracteristicas ambientais do local onde deve ser empregado o controle (Nunes et al., 2005), alem de um estudo especifico sobre o grau de desenvolvimento dessa macrofita para se estabelecer a proporcao mais adequada de gafanhotos a serem utilizados no controle, considerando ainda um monitoramento constante durante todo o periodo.

Conclusoes

O estudo mostrou que o gafanhoto C. aquaticum, possui potencial para ser considerado um eficiente agente biologico para o controle de E. crassipes, devido a voracidade com que consome sua planta hospedeira.

A plasticidade fenotipica e morfofisiologica do gafanhoto, bem como de E. crassipes, em relacao ao ambiente em que se encontrem, devem ser consideradas e avaliadas, ao pretender-se utilizar o metodo descrito nesse estudo, de C. aquaticum como agente controlador de sua macrofita hospedeira, em estudos futuros, para que se alcance os resultados esperados.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia, Brasil, e Max Planck Institute for Limnologie, Alemanha, pelo apoio financeiro e logistico, e em especial ao Joachim Adis (in memoriam) que muito contribuiu para a realizacao deste estudo.

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Carlos Elias de Souza Braga, Ana Lucia Nunes Gutjahr, Jose Wellington de Morais e Joachim Adis ([dagger])

Recebido: 10/05/2012. Modificado: 15/03/2013. Aceito: 28/08/2013.

Carlos Elias de Souza Braga. Biologo, Universidade Federal do Para (UFPA). Mestre e doutorando em Ciencias Biologicas, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia (INPA), Brasil. Professor, Universidade do Estado do Para (UEPA), Brasil. Endereco: Departamento de Ciencias Naturais, UEPA, Rua do Una, No. 156, 66.050-540, Para, Brasil. e-mail: bragaelias@ yahoo.com.br.

Ana Lucia Nunes Gutjahr. Biologa e Especialista em Sistematica Zoologica, UFPA, Brasil. Especialista em Administracao Escolar, Universidade Candido Mendes, Brasil. Mestra e Doutora em Ciencias Biologicas, INPA, Brasil. Professora, UEPA, Brasil. e-mail: melcam@uol.com.br.

Jose Wellington de Morais. Engenheiro Agronomo, Universidade Federal Rural do Semi-Arido (UFRSA), Brasil. Mestre em Ciencias Biologicas, INPA, Brasil. Doutor em Entomologia, Universidade de Sao Paulo, Brasil. Professor e Pesquisador, INPA, Brasil. e-mail: morais@inpa. gov.br.

Joachim Ulrich Adis (in memoriam ([dagger])). Biologo e Mestre em Biologia, Georg-August-Universitat Gottingen, Alemanha. Doutor em Ciencias Naturais, Universitat Ulm, Alemanha. Pesquisador, Max-Planck Institut Fur Limnologie, Alemanha.

TABELA I

VALORES MEDIOS INICIAIS DE BIOMASSA PESO
FRESCO E DE AREA FOLIAR DE Eichhornia
crassipes, E BIOMASSA E MEDIDAS MORFOMETRICAS
DE Cornops aquaticum UTILIZADOS NO EXPERIMENTO
DE CONSUMO NOS LAGOS CAMALEAO E JANAUARI

Eichhornia crassipes

Valores medios iniciais        Lago Camaleao

Biomassa peso fresco (g)     2420 [+ or -] 472
Biomassa peso fresco        6,721 [+ or -] 1,310
  Kg.[m.sup.-2]
Area Foliar ([m.sup.2])      0,28 [+ or -] 0,07

Cornops aquaticum

Valores medios iniciais        Lago Camaleao

Biomassa peso fresco (g)   0,2726 [+ or -] 0,1029
Biomassa peso seco (g)     0,0588 [+ or -] 0,0238
Medida A (mm)               28,85 [+ or -] 2,94
Medida B (mm)               22,41 [+ or -] 2,60

Eichhornia crassipes

Valores medios iniciais        Lago Janauari

Biomassa peso fresco (g)      997 [+ or -] 101
Biomassa peso fresco        2,769 [+ or -] 0,280
  Kg.[m.sup.-2]
Area Foliar ([m.sup.2])      0,20 [+ or -] 0,02

Cornops aquaticum

Valores medios iniciais        Lago Janauari

Biomassa peso fresco (g)   0,2690 [+ or -] 0,1103
Biomassa peso seco (g)     0,0514 [+ or -] 0,0245
Medida A (mm)               28,53 [+ or -] 2,41
Medida B (mm)               22,95 [+ or -] 2,32

A: comprimento total, da cabeca ate a ponta da asa;
B: comprimento do corpo, da cabeca ate o fim do abdomen.

TABELA II

VALORES INICIAIS E FINAIS DE BIOMASSA (PESO FRESCO
E SECO) E DE AREA FOLIAR DE Eichhornia crassipes
OBSERVADOS, POR GAIOLAS INSTALADAS, NOS LAGOS
CAMALEAO E JANAUARI

Gaiola    Peso fresco    Peso fresco    Peso seco
         inicial (kg x   final (kg x   final (kg x
          [m.sup.-2])    [m.sup.-2])   [m.sup.-2])

Lago Camaleao

1            5,761          8,217         0,717
2            6,264         10,967         0,972
3            5,969          6,933         0,644
4            7,000          6,461         0,492
5            7,425          9,083         0,733
6            4,286          7,069         0,575
7            7,453         15,108         1,100
8            7,525         16,547         1,236
9            8,806         17,472         1,258

Lago Janauari

1            2,853          4,275         0,286
2            2,294          6,506         0,431
3            2,619          4,611         0,311
4            2,494          4,228         0,250
5            3,022          5,269         0,300
6            2,661          0,292         0,020
7            2,769          9,967         0,544
8            3,081          7,714         0,472
9            3,122          7,953         0,478

Gaiola   Area foliar   Area foliar
           inicial        final
         ([m.sup.2])   ([m.sup.2])

Lago Camaleao

1           0,329         0,169
2           0,396         0,270
3           0,307         0,190
4           0,225         0,270
5           0,244         0,250
6           0,229         0,256
7           0,196         0,416
8           0,253         0,468
9           0,375         0,725

Lago Janauari

1           0,166         0,236
2           0,182         0,374
3           0,198         0,321
4           0,166         0,272
5           0,200         0,306
6           0,201         0,017
7           0,231         0,647
8           0,203         0,577
9           0,224         0,587

TABELA III

VALORES FINAIS DE BIOMASSA (PESO FRESCO E
SECO) E DE QUANTIDADE INDIVIDUOS (ADULTOS
E NINFAS) DE Cornops aquaticum, POR GAIOLAS,
NO LAGO CAMALEAO *

Gaiola   Peso fresco   Peso seco   Numero de
          final (g)    final (g)    adultos

1          0,9535       0,1382         1
2          15,444       0,2544         7
3          0,3208       0,0479         0
4          0,0000       0,0000         0
5          10,492       0,1789         0
6          16,166       0,2996         8

Gaiola   Numero de    Total de    Individuos/
          ninfas     individuos    [m.sup.2]

1            6           7           19,44
2            1           8           22,22
3            3           3           8,33
4            0           0           0,00
5            6           6           16,67
6            1           9           25,00

* Os valores finais de biomassa e individuos
nas gaiolas do Lago Janauari foram iguais a zero.

TABELA IV

VALORES MEDIOS E PERCENTUAIS DE BIOMASSA (PESO FRESCO; g x
[m.sup.-2]) E AREA FOLIAR ([m.sup.2]) DE Eichhornia crassipes
NOS DIFERENTES TRATAMENTOS UTILIZADOS NO EXPERIMENTO DE CONSUMO
FOLIAR NOS LAGOS CAMALEAO E JANAUARI EM RELACAO AS OITO QUINZENAS
DE OBSERVACOES

Quinzena                      Biomassa

           Tratamento I      Tratamento II     Tratamento III

           kg x [m.   (%)    kg x [m.   (%)    kg x [m.   (%)
           sup.-2]           sup.-2]           sup.-2]

Lago Camaleao
1a          5,998     -100    6,237     -100    7,928     -100
2a          7,356     -123    6,560     -105    10,343    -130
3a          7,594     -127    5,830     -93     11,951    -151
4a          8,374     -140    5,351     -86     14,676    -185
5a          8,964     -149    5,571     -89     17,211    -217
6a          8,612     -144    5,699     -91     18,649    -235
7a          8,293     -138    6,432     -103    18,036    -228
8a          8,706     -145    7,538     -121    16,376    -207

Lago Janauari
1a          2,589     -100    2,726     -100    2,991     -100
2a          3,207     -124    2,394     -88     2,976     -100
3a          3,276     -127    1,757     -64     3,395     -114
4a          2,809     -109    1,083     -40     3,978     -133
5a          3,145     -121    1,211     -44     5,793     -194
6a          3,552     -137    1,544     -57     6,896     -231
7a          4,614     -178    2,325     -85     8,248     -276
8a          5,131     -198    3,263     -120    8,544     -286

Quinzena                    Area foliar

           Tratamento I     Tratamento II    Tratamento III

             [m.     (%)      [m.     (%)      [m.     (%)
           sup.-2]          sup.-2]          sup.-2]

Lago Camaleao
1a          0,344    -100    0,233    -100    0,275    -100
2a          0,316    -92     0,126    -54     0,683    -249
3a          0,133    -39     0,077    -33     0,664    -242
4a          0,180    -52     0,126    -54     0,700    -255
5a          0,239    -70     0,150    -65     0,705    -257
6a          0,291    -85     0,178    -76     0,681    -248
7a          0,199    -58     0,229    -98     0,636    -232
8a          0,210    -61     0,258    -111    0,536    -195

Lago Janauari
1a          0,182    -100    0,189    -100    0,219    -100
2a          0,108    -59     0,014     -7     0,210    -96
3a          0,095    -52     0,018     -9     0,259    -118
4a          0,082    -45     0,019    -10     0,306    -139
5a          0,112    -61     0,051    -27     0,408    -186
6a          0,181    -100    0,079    -42     0,502    -229
7a          0,253    -139    0,122    -65     0,597    -272
8a          0,310    -170    0,199    -105    0,603    -275
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:de Souza Braga, Carlos Elias; Gutjahr, Ana Lucia Nunes; de Morais, Jose Wellington; Adis, Joachim
Publication:Interciencia
Date:Aug 1, 2013
Words:5458
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