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Aspectos da qualidade da informacao contabil no contexto internacional.

I Introducao

A "qualidade dos lucros" ou, de modo mais geral, a qualidade dos relato\rios financeiros nao tem uma definicao precisa. A qualidade dos relato\rios financeiros pode ser definida como a medida na qual os ganhos reportados representam fielmente a situacao economica subjacente e o grau em que os resultados apresentados refletem os conceitos basicos de contabilidade (Chen, Tang, Jiang & Lin, 2010; Yoon, 2007).

Os Principios Contabeis Geralmente Aceitos foram submetidos constantemente a critica, sendo considerados como um fator de contribuicao das falhas contabeis e dos nego\cios. Os criticos argumentam que os padroes contabeis sao complexos e de dificil aplicacao, resultando em um numero crescente de republicacoes nos ultimos anos. Outros afirmam que os principios contabeis sao excessivamente baseados em regras, contribuindo para a estruturacao de transacoes que conduzem aos resultados desejados pelos preparadores das demonstracoes contabeis (Kohlbeck & Warfield, 2010).

A qualidade da informacao contabil e influenciada por diversos fatores regulato\rios, como os padroes de contabilidade de elevada qualidade, com destaque para a adocao das IFRS (Barth, Landsman & Lang, 2008; Houqe, Van Zijl, Dunstan & Karim, 2012; Iatridis, 2010), a origem do sistema legal do pais (La Porta, LopezDe-Silanes & Shleifer, 2008; La Porta, LopezDe-Silanes, Shleifer & Vishny, 1998; Soderstrom & Sun, 2007), a existencia de leis para protecao do mercado de valores mobiliarios e sua efetiva aplicacao (Houqe et al., 2012), a protecao legal dos interesses de acionistas minoritarios (Houqe et al., 2012; La Porta et al., 1998), aplicacao efetiva das normas de contabilidade e auditoria (Houqe et al., 2012), eficiencia e integridade do ambiente legal sobre os nego\cios (La Porta et al.; 1998; Houqe et al., 2012), a influencia do sistema tributario na intensidade do alinhamento entre o lucro contabil e o lucro tributavel (Houqe et al., 2012; Soderstrom & Sun, 2007).

Embora evidencias empiricas demostrem que padroes de alta qualidade (por exemplo, IFRS) geralmente melhoram a qualidade contabil (Barth et al., 2008; Daske, Hail, Leuz & Verdi, 2008), outras evidencias sugerem que as normas tem um papel limitado para determinar a qualidade dos relato\rios contabeis (Burgstahler, Hail & Leuz, 2006).

As normas de contabilidade geralmente concedem substancial flexibilidade para as empresas. As mensuracoes sao muitas vezes baseadas em informacoes privadas e a aplicacao das normas envolve julgamento. Gestores corporativos podem usar o poder discricionario nos relato\rios para transmitir informacoes sobre o desempenho economico da empresa, mas tambem podem fazer uso indevido dos criterios quando e de seu interesse. Por essa razao, os incentivos empresariais sao suscetiveis de desempenhar um papel fundamental na determinacao da informatividade dos numeros contabeis reportados (Burgstahler et al., 2006).

As empresas sao motivadas por determinados incentivos na divulgacao dos numeros contabeis que exercem influencia sobre a qualidade dos relato\rios, a exemplo da concentracao de propriedade (Barth et al., 2008; Chen et al.; 2010; Gaio, 2010; Isidro & Raonic, 2012), da alavancagem financeira (Barth et al., 2008; Kohlbeck & Warfield, 2010), da presenca em listagem estrangeira (Barth et al., 2008; Isidro & Raonic, 2012), de seu desempenho economico (Burgstahler et al., 2006; Iatridis, 2010), do nivel de desenvolvimento economico do pais (Burgstahler et al., 2006; Gaio, 2010; Isidro & Raonic, 2012), do nivel de desenvolvimento financeiro do pais (Gaio, 2010; Isidro & Raonic, 2012) e do nivel de combate a corrupcao (La Porta et al., 1998), dentre outros incentivos influenciadores.

As empresas que tem operacoes diversificadas no exterior possuem maiores incentivos para fornecer informacao financeira abrangente para seus clientes estrangeiros, fornecedores e potenciais investidores (Isidro & Raonic, 2012). Alem disso, a concorrencia internacional para o capital criou incentivos para melhorar a qualidade e a comparabilidade da contabilidade (Land & Lang, 2002) e os investidores institucionais e estrangeiros preferem as demonstracoes financeiras de alta qualidade ao fazer investimentos internacionais (Bradshaw, Bushee & Miller, 2004).

A partir desse contexto, a investigacao pretende responder ao seguinte problema de pesquisa: de que forma as caracteristicas do ambiente de nego\cios provocam diferencas na qualidade das informacoes contabeis no contexto internacional? O objetivo do estudo e analisar como as caracteristicas do ambiente de nego\cios provocam diferencas na qualidade das informacoes contabeis no contexto internacional.

A justificativa do estudo esta atrelada a contribuicao pratica dos resultados, que sao do interesse de profissionais como contadores, consultores, analistas de mercado, auditores, responsaveis pela elaboracao de normas contabeis e pesquisadores. Para as empresas, os resultados sao importantes pela possibilidade de avaliar como a interacao com mercados externos influencia nas escolhas das politicas contabeis, reforcando a premissa de que a informacao contabil de elevada qualidade pode mitigar os problemas de agencia decorrentes da assimetria de informacao entre as empresas e os investidores (Ball, Kothari & Robin, 2000).

O estudo apresenta evidencias empiricas de que caracteristicas ambientais de paises distintos, relacionadas com a transparencia, natureza economica, ambiente legal e tributario, conduzem a niveis diferenciados na qualidade da informacao contabil reportada pelas empresas.

2 Revisao da literatura

A qualidade da informacao contabil e dificil de ser observada e, como consequencia, e dificil de ser mensurada (Isidro & Raonic, 2012). Nao ha uma concordancia ou abordagem predominante, geralmente aceita para medir a qualidade dos resultados contabeis, em decorrencia de que os atributos podem ser mutuamente incompativeis ou sobrepostos, podem ser interligados e nao podem ser considerados separadamente (Yoon, 2007).

Embora nao exista acordo sobre a definicao de qualidade da informacao contabil, as diferentes dimensoes que formam seu constructo foram operacionalizadas em pesquisas anteriores. Os estudos geralmente desenvolvem medidas de qualidade pelo uso dos lucros divulgados e de componentes dos lucros, definindo o constructo como "qualidade dos lucros" ou "qualidade dos accruals' (Hribar, Kravet & Wilson, 2014).

As definicoes da qualidade dos lucros incluem a elevada persistencia dos lucros em uma serie temporal; lucros que representam com precisao as implicacoes economicas das operacoes subjacentes; a proporcao de lucros em relacao aos fluxos de caixa operacionais; accruals de capital de giro mapeados nos fluxos de caixa do passado, presente e futuro (McNichols, 2002).

Nesse sentido, esta investigacao considera a qualidade da informacao contabil a partir do ranking individual por empresa, composto por quatro atributos dos lucros baseados na contabilidade: qualidade dos accruals, persistencia, previsibilidade e suavizacao dos lucros.

2.1 Qualidade dos accruals

Os accruals, ou as acumulacoes contabeis por regime de competencia, podem ser entendidos como a diferenca entre o lucro liquido e o fluxo de caixa operacional liquido, ou seja, sao constituidos pelos valores integrantes das contas de resultado que entraram no co\mputo do lucro, mas que nao implicam necessaria movimentacao de recursos financeiros (Martinez, 2008).

Os accruals refletem as escolhas para fins de reporte, ao passo que os fluxos de caixa refletem de modo mais fundamental perdas e ganhos financeiros. Os accruals e a qualidade dos lucros estao relacionados e as mudancas transito\rias no fluxo de caixa operacional ocorrem pela manipulacao gerencial provocada na variacao dos itens de capital de giro ao longo do tempo, conduzindo para ganhos de menor qualidade (Ball & Shivakumar, 2005).

Embora uma correlacao negativa com o fluxo de caixa seja um resultado "natural" dos accruals contabeis (Dechow, 1994), maiores magnitudes dessa correlacao podem indicar uma suavizacao dos lucros reportados que nao refletem o desempenho economico das empresas (Myers, Myers & Skinner, 2006).

A existencia de acumulacoes contabeis (accruals) extremas se configura como de baixa qualidade, pois representa um componente menos persistente dos resultados (Dechow, Ge & Schrand, 2010). Os accruals estao relacionados as receitas e as despesas que sao reconhecidas com base no regime de competencia, e nao em decorrencia do efetivo recebimento da receita em caixa ou do efetivo pagamento da despesa (Goulart, 2007).

Considerando sua natureza, os accruals sao classificados em accruals nao discricionarios e discricionarios (Martinez, 2001). As acumulacoes nao discricionarias derivam da realidade do nego\cio, ao passo que as acumulacoes discricionarias seriam artificiais, com o unico propo\sito de "gerenciar" o resultado contabil (Martinez, 2001).

A flexibilidade da regulamentacao e dos padroes contabeis permite que os gestores exercam a discricionariedade na escolha dos criterios e procedimentos contabeis que serao adotados (Goulart, 2007). A partir da possibilidade de escolhas contabeis, existem diversas tentativas de separar os accruals discricionarios dos accruals nao discricionarios.

Os modelos variam desde os mais simples, nos quais as acumulacoes totais sao utilizadas como uma medida das acumulacoes discricionarias, ate aqueles relativamente sofisticados, que decompoem os acrescimos em componentes discricionarios e nao discricionarios com uso de regressao.

Na abordagem de Dechow e Dichev (2002), apresentado na Figura 1 e utilizado neste estudo, os accruals sao modelados como uma funcao dos fluxos de caixa do passado, do presente e do futuro, dado seu propo\sito de alterar o tempo de reconhecimento do fluxo de caixa nos lucros.

A medida de qualidade dos accruals e igual ao desvio padrao dos residuos da equacao apresentada na Figura 1, sendo que maiores valores indicam accruals de menor qualidade e, dessa forma, lucros de menor qualidade (Francis, Lafond, Olsson & Schipper, 2004; Gaio, 2010). Os accruals desempenham papel fundamental na investigacao sobre a qualidade da informacao contabil. A qualidade dos accruals esta relacionada com lucros mais persistentes e com a melhoria na capacidade dos lucros em avaliar o desempenho da empresa.

2.2 Persistencia dos lucros

Na avaliacao de Dechow et al. (2010), uma das grandes correntes da pesquisa sobre a persistencia dos lucros e aquela motivada por uma suposicao de que os lucros mais persistentes produzem melhores inputs para os modelos de avaliacao de capital e, portanto, ganhos mais persistentes sao de qualidade superior aos ganhos menos persistentes.

Os lucros correntes devem ser um bom indicador dos lucros futuros. Sua qualidade pode ser entendida como a probabilidade de que uma empresa possa ter os lucros correntes persistentes no futuro (Penman & Zhang, 2002). Empresas com lucros mais persistentes tem um fluxo mais sustentavel de lucros em relacao aos fluxos de caixa, que ira torna-lo um fator mais util para a avaliacao do capital baseada em fluxos de caixa descontado (Dechow et al., 2010).

Para Kohlbeck e Warfield (2010), a persistencia dos lucros captura a permanencia dos lucros de um periodo para o seguinte e e estimada pela regressao dos lucros do periodo corrente sobre rendimentos do periodo anterior. A Figura 2 apresenta o modelo para a mensuracao da persistencia dos lucros utilizado no estudo.

O modelo de Francis et al. (2004) e utilizado tambem por Yoon (2007) e Gaio (2010), apresentado na Figura 2, gera estimativas especificas de ano e de empresas ([[phi].sub.1,i]) que capturam a persistencia dos ganhos. Os valores de pro\ximos de 1, implicam ganhos altamente persistentes, ao passo que os valores de i perto de [[phi].sub.1,i] implicam ganhos altamente transito\rios (Dichev & Tang, 2008). A maior persistencia dos ganhos e considerada uma caracteristica de qualidade superior de contabilidade (Kohlbeck & Warfield, 2010).

A persistencia dos lucros e vista como uma medida de sustentabilidade dos lucros, em que lucros persistentes sao vistos como desejaveis porque sao recorrentes, tornando-os mais previsiveis, reforcando seu papel na avaliacao de capital e ajudando os analistas financeiros a prestar um servico valioso para os investidores (Penman & Zhang, 2002).

A persistencia tambem possui uma ligacao direta com o risco da informacao, porque maior persistencia esta associada a um fluxo de ganhos mais sustentavel. Como consequencia, se os ganhos sao persistentes, os investidores demonstram menores preocupacoes sobre a extensao em que as alteracoes nos ganhos dos periodos futuros poderao ocorrer, e isso reduz incertezas (Francis et al., 2004).

A lo\gica decorrente da persistencia dos lucros como uma metrica de qualidade e a seguinte: se a empresa A tem um fluxo de lucros mais persistente do que a empresa B, na perpetuidade, entao: (i) na empresa A, o lucro corrente e uma medida resumida mais util do desempenho futuro; e (ii) lucros correntes anualizados na empresa A vao gerar erros de avaliacao menores do que lucros correntes anualizados na empresa B. Assim, a maior persistencia de lucros e de qualidade superior quando os lucros tambem sao relevantes (Dechow et al., 2010).

2.3 Previsibilidade dos lucros

A previsibilidade dos lucros e definida como a habilidade de prever lucros futuros com base em seus valores do passado (Francis et al., 2004; Yoon, 2007). A previsibilidade dos resultados e uma preocupacao abrangente entre os executivos financeiros, cuja crenca e de que os lucros menos previsiveis (como aqueles refletidos em metas de lucros nao alcancadas ou lucros volateis) comandam o premio de risco no mercado (Graham, Harvey & Rajgopal, 2005).

A literatura previa utiliza a persistencia para descrever a capacidade de uma determinada variavel em predizer outra, em um periodo futuro. Assim, uma elevada previsibilidade de lucros estara associada a uma maior persistencia de lucros (Wakil, 2011). A previsibilidade dos lucros e uma funcao da magnitude absoluta media dos choques (surpresas) dos lucros anuais, ao passo que a persistencia de series temporais de lucros reflete a autocorrelacao nos lucros. Assim, a persistencia descreve a relacao da serie temporal entre o choque (surpresa) dos lucros do periodo corrente e os lucros futuros, e a previsibilidade reflete a variacao nos choques (surpresas) dos lucros (Lipe, 1990).

Os lucros volateis ou menores daqueles realizados por empresas de referencia sao avaliados como imprevisiveis e a imprevisibilidade conduz aos baixos retornos. A previsibilidade dos resultados torna mais facil para os investidores ter uma nocao de que parte dos lucros sera distribuida (paga em dividendos), em contrapartida aos valores reinvestidos (Graham et al., 2005).

A Figura 3 apresenta o modelo para a mensuracao da previsibilidade dos lucros utilizado no estudo.

A medida da previsibilidade dos lucros de Francis et al. (2004), e utilizada tambem por Yoon (2007) e Gaio (2010), considera o desvio padrao dos residuos ([[epsilon].sub.i,t]) .Valores menores de residuos ([[epsilon].sub.i,t]) implicam lucros de qualidade mais elevada e mais previsiveis. Valores maiores implicam resultados menos previsiveis.

A previsibilidade dos lucros e uma medida importante, uma vez que lida com o quao bem os lucros passados podem explicar os lucros correntes. Assim, a medida utiliza uma perspectiva puramente contabil, tornando-se um complemento ideal da relevancia. Se os lucros do passado sao boas estimativas dos lucros correntes, entao a previsibilidade e tida para ser elevada. Essa caracteristica esta baseada na contabilidade, ou seja, considera as relacoes entre os numeros contabeis (lucros passados para lucros correntes), embora ignore as informacoes que estao fora do regime contabil, a exemplo da percepcao do mercado sobre os lucros divulgados (Schiemann & Guenther, 2013).

A previsibilidade de lucros e a relevancia estao teoricamente ligadas (Nichols & Wahlen, 2004). Uma estimativa mais precisa dos resultados futuros conduz a uma previsao mais precisa de dividendos futuros, ocasionando um aumento na precisao das estimativas do preco das acoes, como uma representacao do valor presente dos dividendos futuros esperados.

Empiricamente, Francis et al. (2004) encontraram uma correlacao pequena, mas significativa e positiva, entre as duas medidas. Bricker, Previts, Robinson e Young (1995) mostram que os analistas associam a elevada qualidade dos lucros com sua previsibilidade de curto prazo. A previsibilidade e definida, em um sentido economico, em termos de um nivel baixo de volatilidade dos lucros, e, no sentido contabilistico, em termos da discricionariedade da gestao sobre a elaboracao e ajustamento de determinadas reservas conservadoras, subsidios e ativos fora do balanco.

Os analistas financeiros visualizam os lucros como tendo alta qualidade quando se pode esperar uma repeticao de forma consistente e com um alto grau de previsibilidade. Os lucros volateis possuem a tendencia de ser ganhos extremos e estes tendem a reverter para a media mais rapidamente (Freeman, Ohlson & Penman, 1982), o que constituiu uma explicacao alternativa para que ganhos volateis sejam menos persistentes. A volatilidade dos lucros e mais provavel de incluir itens transito\rios e, a partir da premissa de que itens transito\rios sao menos persistentes, a relacao documentada entre a volatilidade e previsibilidade dos lucros pode ser um artefato dos efeitos de itens transito\rios.

2.4 Suavizacao dos lucros

Para garantir que os usuarios nao sejam enganados por demonstracoes financeiras de ma qualidade, as organizacoes sao obrigadas a elabora-las com base em principios contabeis geralmente aceitos. No entanto, os principios nao podem ser excessivamente restritivos e precisam permitir relato\rios flexiveis, para que os gestores possam transmitir as informacoes relevantes sobre o ambiente operacional de seus nego\cios (Habib, Hossain & Jiang, 2011).

Muitos dispositivos potenciais para o alisamento dos resultados tem sido discutidos na literatura. Alguns envolvem o uso de decisoes reais, como o nivel de producao e dos investimentos, ao passo que outros focam na escolha estrategica de tecnicas contabeis. A gestao de topo pode ter a capacidade de suavizar os resultados usando tanto decisoes reais quanto tecnicas contabeis (Lambert, 1984).

O alisamento dos lucros e um caso especial de gerenciamento de resultados em que os gerentes suavizam a volatilidade intertemporal nos lucros divulgados para entregar um fluxo mais estavel de resultados (Biedleman, 1973). O gerenciamento de resultados se caracteriza por alteracoes intencionais dentro dos limites estabelecidos pelo sistema normativo contabil (Martinez, 2001).

Francis et al. (2004), entretanto, observam que a suavizacao dos resultados e derivada da visao de que os gerentes usam as informacoes privadas sobre resultados futuros para suavizar as flutuacoes transito\rias e assim alcancar maior representatividade--portanto, maior utilidade dos numeros contabeis reportados. Castro e Martinez (2009) indicam que a pratica de suavizacao de lucros impacta no custo de capital de terceiros e na estrutura de capital das empresas. Os resultados de Martinez e Castro (2011a) indicam que a suavizacao de lucros tem efeito positivo sobre o risco sistematico, reduzindo-o, favorecendo a concretizacao de retornos anormais positivos. Adicionalmente, Martinez e Castro (2011b) apontam que a suavizacao dos resultados impacta positivamente no rating das empresas.

A suavizacao e tipicamente vista como um atributo desejavel dos lucros, pois os analistas financeiros e investidores observam a volatilidade dos lucros como indesejavel e indicativo de baixa qualidade dos lucros (Gaio, 2010). O modelo proposto por Leuz, Nanda e Wysocki (2003), apresentado na Figura 4 e utilizado neste estudo, visa capturar o grau em que os executivos exercem a suavizacao dos lucros, identificando como reduzem a variabilidade do lucro, evidenciada pela alteracao dos componentes contabeis do lucro em decorrencia de ajustes pelo regime de competencia. Leuz et al. (2003) e Francis et al. (2004) consideraram o coeficiente de suavizacao como a proporcao entre o desvio padrao do lucro liquido antes dos itens extraordinarios dividido pelos ativos totais no inicio do periodo, com o desvio padrao do fluxo de caixa operacional dividido pelos ativos totais iniciais.

A variavel de lucro operacional e escalonada pelo fluxo de caixa operacional, o que permite controlar genericamente as diferencas de variabilidade do desempenho economico. Baixos valores desta medida indicam que, ceteris paribus, os executivos exercem discricionariedade contabil para suavizar lucros divulgados (Leuz et al., 2003). Para os propo\sitos deste estudo, e assumido que a suavizacao e um atributo desejado dos lucros e, assim, menor suavizacao dos lucros implica menor qualidade dos lucros (Gaio, 2010).

3 Trajeto\ria metodolo\gica

O delineamento relaciona-se ao modo pelo qual o problema de pesquisa e concebido e a estrutura utilizada para a experimentacao, a coleta e analise dos dados (Kerlinger, 1980). Considerando as caracteristicas desta investigacao, pode-se delinear a pesquisa como descritiva, com coleta de dados documental e de abordagem quantitativa.

Uma caracteristica principal deste estudo que possibilita conceitua-lo como descritivo trata-se do uso de tecnicas padronizadas na coleta e analise dos dados, que permitem estabelecer relacoes entre as variaveis explicativas e a variavel dependente (Gil, 2006).

A coleta do tipo documental (Martins & Theo\philo, 2009) ocorreu a partir de dados contabeis, financeiros, tributarios e de mercado divulgados pelas empresas investigadas e aqueles produzidos por organismos internacionais, para o periodo de 2005 a 2012.

A composicao da populacao de pesquisa foi definida considerando-se as empresas de capital aberto localizadas nos vinte paises com maior Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, conforme o World Development Indicators (The World Bank, 2014). A partir das informacoes recuperadas na base de dados Thomson Datastream Index Service (TDIS) (Thomson One Banker, 2014), optou-se em considerar apenas os paises que possuiam mais de 10 empresas com as variaveis necessarias para operacionalizar os modelos teo\ricos indicados na revisao de literatura (Figuras 1, 2 e 3), resultando em uma amostra final composta por 1.406 empresas de 12 paises. Os paises da Arabia Saudita, Coreia do Sul, Espanha, Franca, Italia, Mexico, Turquia e Russia nao ficaram representados na amostra final.

A distribuicao de empresas por pais esta demonstrada na Tabela 1.

O emprego da quantificacao (Richardson, 1999), utilizou inicialmente a regressao linear multipla, com analise individual por empresa, para construir cada um dos atributos dos lucros. Em seguida, por meio da analise multicriterio Technique for Order Preference by Smilarity to Ideal Solution (Topsis) (Bulgurcu, 2012), com uso da entropia (Zeleny, 1982) para definicao do peso de cada vetor, construiu-se um ranking agregado da qualidade da informacao contabil, com escores individuais entre 0 e 1.

Como caracteristicas do ambiente de nego\cios consideraram-se aspectos economicos, legais, tributarios e de transparencia. A carga tributaria dos paises considerou uma escala de 0 (alta) a 10 (baixa), para a taxa de imposto marginal, divulgada pelo Economic Freedom of the World (EFW) (Gwartney, Lawson & Hall, 2013). O indice de percepcao da corrupcao e uma escala de 0 (paises altamente corruptos) a 10 (paises altamente transparentes), divulgado pela organizacao Transparency International (TI) (2012).

Para o nivel de desenvolvimento economico foi utilizado o logaritmo natural do produto interno bruto per capita, ao passo que para o nivel de desenvolvimento financeiro utilizou-se a capitalizacao no mercado de acoes dividido pelo Produto Interno Bruto, ambos divulgados pelo The World Bank (WB) (2014). A variavel de ambiente legal considerou uma escala variando de 1 (fraco) a 7 (robusto), construida a partir da media linear dos indicadores de aplicacao das leis para valores mobiliarios, protecao dos interesses de acionistas minoritarios, aplicacao das normas de contabilidade e auditoria, independencia judicial, publicados pelo World Economic Forum (WEF) (2013).

O grau de internacionalizacao corresponde ao ranking da proporcao de vendas e ativos no exterior em relacao as vendas totais e aos ativos totais das empresas, adaptado do modelo United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) (1995). Apo\s a elaboracao do ranking da qualidade da informacao contabil das empresas e da construcao das variaveis explicativas, procedeuse a elaboracao da estatistica descritiva, correlacao de Pearson, testes t de medias e teste Anova.

4 Apresentacao e analise dos resultados

Esta secao tem como principal finalidade atender ao objetivo especifico do estudo, de analisar como as caracteristicas do ambiente de nego\cios provocam diferencas na qualidade das informacoes contabeis no contexto internacional.

4.1 Estatistica descritiva dos atributos dos lucros

A Tabela 2 apresenta a estatistica descritiva das quatro variaveis individuais da qualidade dos lucros, mensuradas conforme modelos apresentados nas Figuras 1, 2 e 3.

Pode-se observar na Tabela 2 que a qualidade dos accruals (QA) apresenta media (mediana) igual a 0,020 (0,015). Francis et al. (2004) encontraram resultados semelhantes em sua amostra de empresas dos Estados Unidos: media de 0,026 e mediana de 0,019. Gaio (2010), ao investigar uma amostra de 38 paises, tambem reportou resultados semelhantes, com media igual a 0,027 e a mediana de 0,017.

A distribuicao da persistencia (PERS) mostrou valores medios (mediana) iguais a -0,321 (-0,291), ao passo que a previsibilidade (PREV) indicou media (mediana) de 1,108 (0,381). Francis et al. (2004) encontraram valores medios maiores de -0,482 (-0,520) para persistencia e media menor para previsibilidade (0,876), porem a mediana de 0,636 ficou mais pro\xima da media. De outro modo, a investigacao de Gaio (2010) encontrou valores menores, tendo a persistencia apresentado media (mediana) de -0,227 (-0,151) e a previsibilidade com valores de 0,228 (0,075), respectivamente. Em relacao a quarta variavel de base contabil, a suavizacao (SUAV) indicou media (mediana) igual a 0,733 (0,743), respectivamente. De forma comparativa, Francis et al. (2004) encontraram 0,640 (0,578) e o estudo de Gaio (2010) indicou media (mediana) de 0,765 (0,680).

4.2 Correlacao de Pearson entre os atributos dos lucros

Na Tabela 3 sao apresentadas as correlacoes de Pearson entre as quatro variaveis de qualidade dos lucros consideradas nesta investigacao.

O maior valor de correlacao esta entre QA e SUAV (0,401), seguido pela correlacao entre QA e PERS (0,187), SUAV e PERS (0,144), SUAV e PREV (0,136), QA e PREV (0,100) e SUAV e PERS (0,073). Todas as correlacoes sao significativas ao nivel de 1%. Os resultados das correlacoes de Pearson sao consistentes com o estudo de Francis et al. (2004), que tambem encontraram relacoes significativas entre todas as variaveis de base contabil, ao nivel de 1%.

4.3 Correlacao de Pearson entre as variaveis explicativas

A Tabela 4 apresenta a correlacao de Pearson entre as variaveis explicativas quantitativas, indicando que todas as correlacoes apresentaram significancia ao nivel de 1%. Constatou-se um valor de 0,790 entre a variavel IPC e NDE, indicando forte correlacao. Os demais valores variam entre 0,082 e 0,430, apontando para correlacoes muito baixas, baixas e moderadas (Dancey & Reidy, 2006).

4.4 Medida agregada de qualidade da informacao contabil

A partir das correlacoes de Pearson encontradas entre as variaveis dos atributos de qualidade dos lucros (Tabela 3), pode-se avaliar que, embora existam relacoes significativas entre as medidas de qualidade baseadas em contabilidade, elas sao de nivel fraco e moderado (Dancey & Reidy, 2006), indicando capturar diferentes aspectos da qualidade dos lucros.

Nesse sentido, foi elaborado um ranking da qualidade dos lucros por empresa, a partir dos valores de cada uma das quatro variaveis individuais baseadas nos atributos de contabilidade. Com o uso da metodologia Topsis, os vetores (pesos) obtidos por meio da tecnica da entropia sao aqueles apresentados na Tabela 5.

O ranking por pais foi elaborado a partir do total de empresas sediadas em cada um dos paises que hospedam as empresas da amostra investigada, conforme a Tabela 6.

Com o procedimento utilizado, cada empresa recebeu um escore que varia entre 0 (zero) e 1 (um) no ranking da qualidade da informacao contabil (QIC), elaborado com atributos de base contabil. Um valor mais pro\ximo de 1 no ranking implica um nivel mais elevado da qualidade dos lucros, e valores mais pro\ximos de 0 indicam lucros de menor qualidade. Os resultados apresentados na Tabela 6 indicam que as medias estao pro\ximas das medianas, o que sugere nao haver problemas com outliers. A maior variacao e verificada nas empresas do Brasil (12,6%) e Indonesia (8,6%), sendo que os demais paises apresentaram variacao menor que 4%. Observase, ainda, que as empresas do Canada e China apresentaram valores iguais para media e mediana.

A empresa com menor pontuacao esta localizada no Japao (0,233) e a pontuacao mais elevada foi verificada nos Estados Unidos (0,735). A menor media foi encontrada entre as empresas brasileiras, ao passo que a maior media foi verificada entre empresas da Australia e da Holanda, com 0,479. A menor mediana foi visualizada nas empresas da India e a maior mediana, entre as empresas australianas.

4.5 Teste de medias

A Tabela 7 apresenta o calculo do Teste t de student a partir de amostras independentes, para verificar se ha diferencas nas medias do ranking da qualidade da informacao contabil entre os grupos.

Nos paineis A, B, C, D, E e G foi utilizada como criterio para a divisao dos grupos de empresas a mediana de cada variavel, em que o grupo 1 contem as empresas com escores abaixo da mediana e o grupo 2, as empresas com escore igual ou superior a mediana. No painel F, no grupo 1 estao as empresas localizadas em paises de origem common law e no grupo 2, as empresas localizadas em paises code law.

Os resultados da Tabela 7 indicam que as empresas localizadas em paises com carga tributaria menor, ambiente legal mais forte, maior indice de desenvolvimento economico, maior indice de desenvolvimento financeiro, de origem legal common law e com maior grau de internacionalizacao apresentaram medias mais elevadas no ranking agregado da QIC, conforme o esperado. Por outro lado, ao contrario do esperado, empresas localizadas em paises com menor indice de transparencia--portanto, com maior percepcao da existencia de corrupcao apresentaram melhores rankings de QIC.

A Tabela 8 apresenta o teste de Levene para verificar a igualdade de variancias populacionais entre dois grupos e o teste t para igualdade de medias. Quando o teste de Levene se mostrar significativo (<0,05), e aceito que as variancias sao estatisticamente diferentes, utilizando-se os dados das variancias iguais nao assumidas. Se o teste de Levene, porem, nao se mostrar significativo (>0,05), deve-se aceitar que as variancias sao homogeneas, utilizando-se os dados das variancias iguais assumidas (Favero, Belfiore, Silva & Chan, 2009).

Os resultados da Tabela 8 indicam que o teste de Levene apresentou significancia superior a 0,05 em todos os grupos de testes, permitindo concluir que as variancias sao homogeneas (variancias iguais assumidas). Os resultados do teste t de igualdade de medias apontaram que o p-value e igual 0,000 em todas as amostras, indicando que as medias populacionais sao diferentes (Favero et al., 2009).

Pelos resultados obtidos nas Tabelas 7 e 8 e possivel verificar que as caracteristicas dos paises hospedeiros, a exemplo da carga tributaria, do ambiente legal, do nivel de desenvolvimento economico e financeiro, da origem legal, e do nivel de transparencia conduzem a diferencas significativas entre as empresas no ranking da qualidade da informacao contabil reportada. Alem disso, observa-se que o maior grau de internacionalizacao das empresas tambem se constitui em determinante significativa a ser considerada para explicar o posicionamento no ranking da QIC.

4.6 Teste Anova

Em relacao aos padroes contabeis, as empresas foram separadas em quatro grupos: (1) uso de IFRS em todo o periodo; (2) uso de US GAAP em todo o periodo; (3) uso parcial de IFRS ao longo do periodo investigado; (4) uso somente de padroes contabeis nacionais. Para testar a existencia de diferencas na media da QIC entre as empresas dos respectivos grupos, utilizou-se o teste Analysis of Variance ou Analise de Variancia (Anova). O grupo 1 e composto por 222 empresas da Australia, Alemanha, Reino Unido e Holanda. No grupo 2 estao as 560 empresas localizadas nos Estados Unidos. No grupo 3 tem-se a presenca de 514 empresas sediadas no Brasil, Canada, China e Japao. Finalmente, o grupo 4 contem 110 empresas localizadas na Suica, Indonesia e India.

A Tabela 9 apresenta inicialmente o teste para a homogeneidade das variancias.

Considerando-se que o valor da significancia e >0,05, e aceita a igualdade de variancias entre os quatro grupos (Favero et al., 2009). A Tabela 10 apresenta o teste Anova para verificar a existencia de diferencas na QIC entre os diferentes padroes contabeis utilizados.

No teste Anova, valores de significancia baixos indicam diferencas entre as medias dos grupos. Como a significancia foi 0,000 (valor de p<0,05), indica que ha, pelo menos, uma diferenca entre os grupos analisados (Favero et al., 2009). Assim, rejeita-se a hipo\tese nula (a variabilidade ENTRE os grupos foi suficientemente grande face a variabilidade DENTRO dos grupos). Portanto, pode-se afirmar que as medias da QIC nao sao iguais entre os quatro grupos de padroes contabeis utilizados na amostra e periodos investigados.

Para identificar em quais grupos estao as diferencas, realizou-se uma comparacao entre os pares, comparando cada grupo com cada um dos outros. Para tanto, utilizaram-se os testes de comparacoes multiplas de medias (Post Hoc), que comparam todos os grupos dois a dois, por meio do Teste de Tukey. O teste post hoc (nao evidenciado) indicou que existem diferencas significativas na QIC entre: (a) o grupo 1 (IFRS) e o grupo 3 (IFRS parcial); (b) o grupo (2) US GAAP e os grupos 3 (IFRS parcial) e 4 (outros padroes nacionais); (c) o grupo 3 (IFRS parcial) e o grupos 1 (IFRS) e 2 (IFRS parcial); (d) o grupo 4 (outros padroes nacionais) e o grupo 2 (US GAAP).

A Tabela 11 apresenta o Teste de Tukey HSD para verificar a existencia de diferenca significativa (honestly significant difference, HSD), entre os subconjuntos homogeneos.

Os resultados da Tabela 11 indicam que os grupos 3 e 4 formam um subconjunto homogeneo, ao passo que os grupos 1 e 2 formam outro conjunto homogeneo. Assim, empresas que adotaram o padrao contabil IFRS de forma parcial e aquelas que utilizaram somente padroes nacionais apresentaram niveis de QIC semelhantes. De outro modo, empresas que adotaram US GAAP e IFRS em todo o periodo pesquisado apresentaram desempenho semelhante entre si e superior em relacao aos demais grupos de empresas. Nos dois subconjuntos, as diferencas entre si nao sao significativas.

4.7 Resultados principais

Os resultados corroboram os pressupostos teo\ricos de que o padrao IFRS e orientado para a melhoria da qualidade da informacao contabil, a exemplo dos achados de Barth et al. (2008) e Naranjo, Saavedra e Verdi (2013). Adicionalmente, confirmam a relevancia do padrao US GAAP para a producao de informacoes contabeis de elevada qualidade, a exemplo dos resultados de Leuz (2003) e Barth, Landsman, Lang e Williams (2012).

A partir dos achados, confirma-se a relevancia do desenvolvimento economico dos paises em explicar os numeros contabeis reportados (Isidro & Raonic, 2012). A forca economica do pais possibilita a existencia e a manutencao de Cortes Judiciais mais independentes e mais atuantes na defesa dos direitos dos acionistas minoritarios e dos credores.

O resultado para o nivel de desenvolvimento do mercado financeiro dos paises confirmou que ambientes com mercados de capitais mais atuantes exigem maior demanda de informacoes pelas fontes de financiamento e ocorrencia de menor envolvimento em gerenciamento de resultados, alinhando-se aos achados de Leuz et al. (2003) e de Burgstahler et al. (2006).

Os resultados para o ambiente legal confirmam o pressuposto de que paises cujos ambientes regulato\rios possuem instituicoes mais fortes proporcionam maiores niveis de qualidade dos relato\rios (Bushman & Piotroski, 2006). Em relacao a carga tributaria, confirmou o indicativo de Ball et al. (2000) de que a carga tributaria pode gerar maior conservadorismo nos relato\rios financeiros, com numeros contabeis de maior qualidade, dado que o conservadorismo e um atributo desejavel.

Nos paises de origem common law, as empresas sao financiadas mais fortemente pelos investidores e apresentam estruturas mais adequadas de governanca corporativa (Ball et al., 2000). Esse cenario favorece a demanda para informacoes contabeis de maior qualidade, dada a elevada demanda dos investidores para o monitoramento do desempenho organizacional e o retorno de seus investimentos, justificando o resultado encontrado (Mazzioni, 2015).

A expansao internacional dos nego\cios aumenta a complexidade do processamento de informacoes para analistas, investidores e auditores. A diversificacao internacional gera maior necessidade informacional e cria maiores incentivos para as empresas fornecerem informacoes de elevada qualidade (Rusanescu, 2013).

Os resultados reforcam a multidimensionalidade de fatores que interferem na qualidade das informacoes contabeis reportadas no contexto internacional, em que as diversas caracteristicas do ambiente atuam como determinantes dos numeros contabeis evidenciados (Mazzioni, 2015).

5 Conclusoes e recomendacoes

O estudo analisou como as caracteristicas do ambiente de nego\cios provocam diferencas na qualidade das informacoes contabeis no contexto internacional, a partir de um ranking agregado da qualidade da informacao contabil, constituido por quatro atributos dos lucros de base contabil. Inicialmente, a correlacao de Pearson indicou que os quatro atributos da qualidade dos lucros utilizados no estudo apresentaram correlacoes significativas ao nivel de 1%, consistentes com o estudo de Francis et al. (2004). A partir de cada atributo individual das empresas investigadas, constituiu-se um ranking agregado da qualidade da informacao contabil, utilizando o metodo de analise multicriterio Topsis e a tecnica da entropia.

Constatou-se que as empresas brasileiras foram as que apresentaram, em media, os menores escores no ranking da qualidade contabil. Por outro lado, as empresas australianas e holandesas configuraram-se como aquelas de maior qualidade contabil, em media. As empresas suicas apresentaram maior discrepancia individual em relacao a media do conjunto de empresas daquele pais. Ja as empresas brasileiras indicaram maior homogeneidade individual em relacao ao conjunto do pais.

Os testes de medias realizados, considerando a separacao em grupos a partir da mediana de cada variavel, indicaram que as empresas localizadas em paises com carga tributaria menor, ambiente legal mais forte, maior indice de desenvolvimento economico, maior indice de desenvolvimento financeiro, de origem legal common law e mais internacionalizadas apresentaram medias mais elevadas no ranking agregado da QIC.

Quanto aos padroes de contabilidade utilizados pela amostra, observou-se um subconjunto homogeneo entre as IFRS e US GAAP e um subconjunto homogeneo entre o uso parcial das IFRS e o uso de padroes nacionais. O primeiro subconjunto apresentou resultados superiores no ranking agregado da qualidade da informacao contabil, reforcando o entendimento de que bons padroes de contabilidade produzem numeros contabeis de maior qualidade (Houqe et al., 2012; Iatridis, 2010; Soderstrom & Sun, 2007).

Os resultados confirmaram que a qualidade da informacao contabil reportada e resultado de fatores institucionais do ambiente de operacao e das caracteristicas empresariais, a exemplo da intensidade da internacionalizacao (Isidro & Raonic, 2012).

O estudo permite concluir que o grau de internacionalizacao se constitui em uma determinante explicativa relevante da qualidade da informacao contabil, pois tais atividades submetem as empresas para enfrentar forcas de mercado que demandam niveis de informacao mais elevados em relacao ao ambiente domestico. O grau de internacionalizacao das empresas, em conjunto com as caracteristicas do ambiente (economicas, legais, tributarias), influencia positivamente a qualidade das informacoes contabeis.

Para estudos futuros, recomenda-se ampliar o numero de paises para diversificar as caracteristicas institucionais do ambiente de nego\cios e considerar incentivos empresariais que influenciam os numeros contabeis reportados. Outra abordagem e a de considerar a analise dos atributos dos lucros baseados no mercado, a exemplo da relevancia, tempestividade e conservadorismo, pois esses atributos podem estar relacionados com incentivos diversos daqueles de base contabil considerados neste estudo.

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Notas

(1) Uma versao preliminar deste artigo "Aspectos da qualidade da informacao contabil no contexto internacional" no 9 Congreso Iberoamericano de Contabilidad de Gestio\n, realizado de 30/09/2015 a 02/10/2015 na Universidade Federal de Santa Catarina.

(2) Artigo derivado da tese de doutorado: "Influencia do grau de internacionalizacao das empresas na relacao entre as normas reguladoras e os incentivos empresariais com a qualidade das informacoes contabeis", defendida por Sady Mazzioni em 2015, Programa de Po\s-Graduacao em Ciencias Contabeis da Universidade Regional de Blumenau, Blumenau.

Sobre os autores:

1. Sady Mazzioni, Doutor em Ciencias Contabeis e Administracao, Universidade Regional de Blumenau (FURB), Brazil. E-mail: sady@unochapeco.edu.br

ORCID

* 0000-0002-8976-6699

2. Roberto Carlos Klann, Doutor em Ciencias Contabeis e Administracao, Universidade Regional de Blumenau (FURB), Brazil. E-mail: rklann@furb.br

ORCID

* 0000-0002-3498-0938
Contribuicao dos autores:

Contribuicao                             Sady Mazzioni      Roberto
                                                         Carlos Klann

1. Definicao do problema de pesquisa        [check]         [check]
2. Desenvolvimento das hipo\teses ou          --              --
   questoes de pesquisa (trabalhos
   empiricos)
3. Desenvolvimento das proposicoes            --              --
   teo\ricas (ensaios teo\ricos)
4. Fundamentacao teo\rica/Revisao de        [check]         [check]
   Literatura
5. Definicao dos procedimentos              [check]         [check]
   metodolo\gicos
6. Coleta de Dados                          [check]
7. Analise Estatistica                      [check]
8. Analise e interpretacao dos dados        [check]         [check]
9. Revisao critica do manuscrito            [check]         [check]
10. Redacao do manuscrito                   [check]         [check]


Sady Mazzioni

Universidade Comunitaria da Regiao de Chapeco\, Programa de

Po\s-Graduacao em Ciencias Contabeis e Administracao, Chapeco\, Brasil

Roberto Carlos Klann

Universidade Regional de Blumenau, Programa de P

o\s-Graduacao em Ciencias Contabeis, Blumenau, Brasil

Recebimento:

28/08/2016

Aprovacao:

13/08/2017

Editor responsavel:

Prof. Dr. Ivam Ricardo Peleias

Avaliado pelo sistema:

Double Blind Review

Revista Brasileira de Gestao e Nego\cios

DOI: 10.7819/rbgn.v20i1.2630

Leyenda: Figura 1. Modelo para mensuracao dos accruals correntes

Leyenda: Figura 2. Modelo para mensuracao da persistencia dos lucros

Leyenda: Figura 3. Modelo para mensuracao da previsibilidade dos lucros

Leyenda: Figura 4. Modelo para suavizacao dos lucros
Tabela 1
Distribuicao de empresas por pais

Pais              Emoresas       %

Alemanha             35        2,49
Australia            47        3,34
Brasil               18         us
Canada               79        5,62
China                19        1,35
Estados Unidos       560       39,83

Pais              Emoresas       %

Holanda              16        1,14
India                72        5,12
Indonesia            11        0,78
Japao                398       28,31
Reino Unido          124       8,82
Suica                27        1,92

Nota: Adaptado de Screening & Targeting, de Thomson One Banker, 2014.

Tabela 2
Estatistica descritiva

         Minimo     Maximo     Media      Mediana    Desvio Padrao

QA       0,000      0,163      0,020      0,015          0,018
PERS     -1,859     0,929      -0,321     -0,291         0,442
PREV     0,000      56,861     1,108      0,381          3,424
SUAV     0,036      1,836      0,733      0,743          0,336

         10%       25%       75%       90%

QA       0,005     0,009     0,026     0,04
PERS     -0,904    -0,607    -0,003    0,23
PREV     0,067     0,163     0,922     1,90
SUAV     0,297     0,475     0,963     U5

Tabela 3
Correlacao de Pearson

           OA         PERS        PREV      SUAV

QA          1
PERS    0,187 **        1
PREV    0,100 **    0,073 **        1
SUAV    0,401 **    0,144 **    0,136 **      1

Nota. ** correlacao significativa ao nivel de 1%

Tabela 4
Correlacao de Pearson das variaveis explicativas quantitativas

              CTRIB       AMBIENTE       IPC

CTRIB           1
AMBIENTE    -0,176 **        1
IPC         -0,340 **     0,305 **        1
NDE         -0,082 **     0,256 **     0,790 **
NDF          0,391 **     0,365 **     0,335 **
G_INTER     -0.137s *     0,374 **     0,284 **

               NDE          NDF        G INTER

CTRIB
AMBIENTE
IPC
NDE             1
NDF          0,430 **        1
G_INTER      0,208 **     0,236 **        1

Nota. CTRIB = carga tributaria do pais (EFW); Ambiente = ambiente
legal do pais (WEF); IPC = indice de percepcao da corrupcao do pais
(TI); NDE = nivel de desenvolvimento economico do pais (WB); NDF =
nivel de desenvolvimento do mercado financeiro do pais (WB); G_INTER =
grau de internacionalizacao das empresas (TDIS).

** A correlacao e significativa no nivel 0,01 (2 extremidades).

Tabela 5
Vetores para os atributos da qualidade dos lucros baseados em
contabilidade

Variavel       Peso

QA            0,0480
PERS          0,3183
PREV          0,0212
SUAV          0,6125

Tabela 6
Estatistica descritiva do ranking dos atributos baseados em
contabilidade

Pais               Minimo      Maximo       Meda

Alemanha            0,262       0,607       0,432
Australia           0,295       0,675       0,479
Brasil              0,289       0,493       0,402
Canada              0,262       0,621       0,447
China               0,276       0,520       0,406
Estados Unidos      0,237       0,735       0,466
Holanda             0,372       0,646       0,479
India               0,289       0,731       0,416
Indonesia           0,275       0,675       0,442
Japao               0,233       0,731       0,417
Reino Unido         0,247       0,696       0,453
Suica               0,298       0,667       0,463

Total
Media               0,278       0,650       0,442

Pais               Mediana     Desvio Padrao    Empresas

Alemanha            0,428          0,090           35
Australia           0,487          0,087           47
Brasil              0,460          0,055           18
Canada              0,447          0,082           79
China               0,406          0,068           19
Estados Unidos      0,468          0,094           560
Holanda             0,472          0,077           16
India               0,400          0,083           72
Indonesia           0,407          0,119           11
Japao               0,409          0,093           398
Reino Unido         0,443          0,095           124
Suica               0,447          0,107           27

Total                                             1,406
Media               0,439          0,088

Tabela 7
Teste t de medias

Painel A     GRUPO      N      Media
CTRIB          1       699     0.433
               2       707     0.457

Painel B                N      Media
AMBIENTE       1       446     0.417
               2       960     0.459

Painel C                N      Media
JPC            1       661     0.45S
               2       745     0.433

Painel D                N      Media
NDE            1       677     0:424
               2       729     0.465

Painel E     GRUPO      N      Media
NDF            1       616     0.424
               2       790     0.462

Painel F       N               Media
ORIGEM         1       S82     0.459
               2       524     0.422

Paiuel G       N               Media
G_INTER        1       703     0.423
               2       703     0.468

Tabela 8
Teste de amostras independentes

                                             Teste de Lev ene para
Variareis                                   igualdade de variancias

                                              F     Significancia

Painel A--   Variancias iguais assumidas    0,106       0,744
CTRIB        Variancias iguais nao
             assumidas

Painel B--   Variancias iguais assumidas    0,786       0,375
AMBIENTE     Variancias iguais nao
             assumidas

Painel C--   Variancias iguais assumidas    0,053       0,818
IPC          Variancias iguais nao
             assumidas

Painel D--   Variancias iguais assumidas    0,137       0,711
NDE          Variancias iguais nao
             assumidas

Painel E--   Variancias iguais assumidas    0,600       0,439
XDF          Variancias iguais nao
             assumidas

Painel F--   Variancias iguais assumidas    0,169       0,681
ORIGEM       Variancias iguais nao
             assumidas

Painel G--   Variancias iguais assumidas    0,395       0,530
G_INTER      Variancias iguais nao
             assumidas

                                            Teste tpara. igual dade de
Variareis                                            medias

                                               T       GL      Sis.*

Painel A--   Variancias iguais assumidas     4,848    1401     0,000
CTRIB        Variancias iguais nao           4,849    1401     0,000
             assumidas

Painel B--   Variancias iguais assumidas    -7,927    1401     0,000
AMBIENTE     Variancias iguais nao          -7,980     882     0,000
             assumidas

Painel C--   Variancias iguais assumidas     5,009    1401     0,000
IPC          Variancias iguais nao           5,007    1382     0,000
             assumidas

Painel D--   Variancias iguais assumidas    -8,373    1401     0,000
NDE          Variancias iguais nao          -8,374    1397     0,000
             assumidas

Painel E--   Variancias iguais assumidas    -7,708    1401     0,000
XDF          Variancias iguais nao          -7,729    1335     0,000
             assumidas

Painel F--   Variancias iguais assumidas    -7,276    1401     0,000
ORIGEM       Variancias iguais nao          -7,280    1100     0,000
             assumidas

Painel G--   Variancias iguais assumidas    -9,271    1401     0,000
G_INTER      Variancias iguais nao          -9,271    1403     0,000
             assumidas

Nota. *2 extremidades

Tabela 9
Teste de homogeneidade das variancias

Estatistica          Graus de          Graus de        Significancia
Levene              Liberdade 1       liberdade 2

0,438                    3               1402              0,726

Tabela 10
Teste Anova

                 Soma dos       Graus de       Quadrado
                Quadrados      liberdade        Medio

Entre Grupos      0,607            3            0,202
Nos grupos        11,912          1402          0,008
Total             12,519          1405

                  F      Significancia

Entre Grupos   23,827        0,000
Nos grupos
Total

Tabela 11
Tukey HSD

Padrao contabil--PC     N       Subconjunto para
                                  alfa = 0,05

                                 1          2

3--EFRS parcial        514     0,421
4--Padrao nacional     110     0,430
1--IFRS                222                0,457
2--USGAAP              560                0,466

Significancia                  0,695      0,6S7
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Copyright 2018 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

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Author:Mazzioni, Sady; Klann, Roberto Carlos
Publication:Revista Brasileira de Gestao de Negocios (Brazilian Journal of Business Management)
Date:Jan 1, 2018
Words:9247
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