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As percepcoes dos farmaceuticos sobre seu trabalho nas farmacias comunitarias em uma regiao do estado do Rio de Janeiro.

The pharmacist's perceptions about their job at communitarian pharmacies of the state of Rio de Janeiro

Introducao

A farmacia tem fundamental importancia como porta de acesso da populacao em relacao ao consumo de medicamentos e devia ser entendida como um posto avancado de atencao primaria de saude. Segundo dados do Ministerio da Fazenda (1), as farmacias e drogarias seriam responsaveis por 76% do fornecimento direto de medicamentos a populacao.

Farmacias comunitarias referem-se aos estabelecimentos do comercio varejista privado tendo o farmaceutico como responsavel tecnico, atendendo as exigencias da Lei no 5.991/73 do Ministerio da Saude (2). E necessario destacar que, neste trabalho, o termo farmacia comunitaria exclui as farmacias de manipulacao e as farmacias publicas, referindo-se tao somente as farmacias ditas comerciais e drogarias. Nestas, o atendimento ao paciente acontece no nivel de atencao primaria a saude, com a responsabilidade tecnica, legal e privativa de farmaceutico.

Sendo assim, a farmacia comunitaria ocupa um importante espaco no cenario da saude publica brasileira, como local de dispensacao de medicamentos e de continua promocao do consumo de medicamentos para a populacao. Nelas, o usuario busca, atraves do consumo de produtos, prescritos ou nao, o restabelecimento da sua saude.

Entretanto, ainda que o medicamento seja de fundamental importancia para o paciente, tornando-se um componente estrategico na terapeutica e na manutencao de melhores condicoes de vida do individuo, e fundamental que nao nos esquecamos da necessidade de fornecer a sociedade informacoes seguras que minimizem o risco a saude, que pode ser causado se o medicamento nao for utilizado de modo adequado, efetivo e seguro. E a farmacia comunitaria, pelo espaco que ocupa no processo de aquisicao e dispensacao desses produtos, pode ser um locus importante para a realizacao de praticas que fomentem seu uso mais seguro e racional. A presenca e a acao do farmaceutico nesses estabelecimentos se fundamentam no fato de que o uso racional do medicamento requer a aplicacao de um conhecimento tecnico-cientifico aprofundado sobre as suas caracteristicas intrinsecas, pelas reacoes e interacoes adversas que podem desencadear, e sobre as doencas para as quais sao uteis.

Os modelos tradicionais de pratica farmaceutica tem sua preocupacao principal voltada para os cuidados com o medicamento. Nesse sentido, o foco de trabalho do farmaceutico se direciona para planejamento, sintese, producao, abastecimento, distribuicao e controle de qualidade dos medicamentos. Em decorrencia desse foco, sua pratica mostra-se pouco efetiva sobre a morbimortalidade relacionada a medicamentos (3), o que tem levado ao surgimento de algumas novas propostas de pratica profissional na profissao farmaceutica. Dentre esses novos caminhos, ha a Atencao Farmaceutica, que se apresenta como uma alternativa -- implementada ou em implementacao em diversos paises (4) -- que visa redirecionar o objetivo do trabalho do farmaceutico para o individuo que necessita e usa os medicamentos, no sentido de melhorar a qualidade do processo de utilizacao de medicamentos pela populacao. Na Atencao Farmaceutica, a perspectiva profissional do farmaceutico seria a de assumir a responsabilidade de identificar e resolver as necessidades do paciente em relacao aos medicamentos, e responder por esse compromisso (5). Conforme alerta Cipolle (6), essa reorientacao da atencao profissional parte do conceito de que nao sao os farmacos que tem doses, mas sao as pessoas que recebem as doses, e que essas doses de medicamentos (e esses medicamentos) devem ser adequadas as suas necessidades individuais.

Acompanhando os avancos na discussao da promocao do uso racional de medicamentos, foi elaborada no pais, em 2002, uma proposta de Consenso Nacional de Atencao Farmaceutica (7), que define essa Atencao como parte integrante da Assistencia Farmaceutica, na perspectiva da integralidade das acoes de saude. A concepcao subjacente seria de que a Atencao Farmaceutica se referiria as acoes de cuidado do farmaceutico com o individuo no sentido de promover o uso racional dos medicamentos e a melhoria da qualidade de vida. Ja a Assistencia Farmaceutica seria um conjunto mais amplo de atividades relacionadas com o medicamento, envolvendo o farmaceutico e outros profissionais de saude, destinadas a apoiar as acoes de saude relacionadas com o medicamento, definidas pela Politica Nacional de Medicamentos (8).

Esse modelo de atencao tambem indica o caminho que o farmaceutico deve trilhar no sentido de recuperar o compromisso na prevencao de doencas, promocao e recuperacao da saude, de forma integrada a equipe de saude. Esse novo modo de exercer a pratica profissional muda o objeto central da atuacao do profissional farmaceutico, que deixa de ser o medicamento, em si mesmo, voltando a ser o usuario e a comunidade como um todo.

A despeito desses movimentos, observa-se na literatura uma escassez de trabalhos referentes a percepcao do farmaceutico quanto a sua pratica profissional, seja em farmacias publicas (9), seja em farmacias comunitarias privadas. Estefan (10) ja ressaltava a necessidade urgente de se compreender e assimilar a essencia da identidade da profissao farmaceutica, bem como do contexto em que ela se insere, como mecanismo que propicie conhecer a realidade e planejar o futuro da profissao.

Desse modo, compreender as percepcoes que esses profissionais tem de sua praxis e dos processos de trabalho presentes nas farmacias comunitarias pode ajudar a identificar o modus operandi dessa pratica e onde ha estrangulamento de interesses que desfocam o objetivo das farmacias como estabelecimentos produtores de saude para estabelecimentos estritamente comerciais. Essa identificacao, portanto, pode ser de auxilio na elaboracao de caminhos e estrategias que avancem na efetiva implementacao da Atencao Farmaceutica e de outras praticas assistenciais em nosso meio, melhorando a seguranca, a eficacia e o uso racional dos medicamentos.

Este artigo e um recorte da dissertacao de mestrado de uma das autoras (11) e teve como objetivo identificar a concepcao que os farmaceuticos responsaveis tecnicos, atuantes em farmacias comunitarias do estado do Rio de Janeiro, tem sobre a sua pratica profissional e como essa visao pode estar relacionada a/e facilitar a implementacao de praticas focadas no paciente, tais como a Atencao Farmaceutica.

Metodologia

Trata-se de um estudo qualitativo, de estrategia metodologica descritiva e analitica. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com farmaceuticos responsaveis tecnicos de farmacias do estado do Rio de Janeiro que atuavam em tres tipos de farmacias comunitarias, de modo a contemplar farmacias de rede estadual, farmacias de rede local e farmacias familiares.

O criterio de selecao dos entrevistados foi o de escolha dos farmaceuticos responsaveis tecnicos entre os que trabalhassem em um desses tres tipos de farmacias comunitarias por no minimo vinte horas semanais.

A abordagem utilizada nas entrevistas fez com que os entrevistados rememorassem suas trajetorias profissionais desde o primeiro emprego como farmaceutico, bem como descrevessem suas atividades em um dia tipico na farmacia comunitaria e enumerassem aquelas atividades consideradas como mais importantes e/ou mais dificeis de serem realizadas. Foram ainda exploradas suas vivencias no balcao da farmacia, as descricoes das tarefas de dispensacao de medicamen tos e seus desdobramentos, com enfase na questao do medicamento generico e nas dificuldades da populacao no uso de medicamentos.

Na selecao dos informantes para as entrevistas, houve a preocupacao e o cuidado em evitar a possibilidade de introducao de vieses decorrentes do fato de a pesquisadora que conduziu as entrevistas ser farmaceutica fiscal do Conselho Regional de Farmacia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ). Logo, as entrevistas foram realizadas apenas em farmacias de areas cuja fiscalizacao nao fosse ou ja tivesse sido de sua responsabilidade. Buscou-se com isso que a adesao ao estudo e as respostas tivessem motivacao espontanea dos farmaceuticos e nao decorressem da identificacao do pesquisador com a figura de um agente que estaria ali para fiscalizar seus atos.

Os farmaceuticos responsaveis tecnicos selecionados trabalhavam em estabelecimentos dos municipios de Sao Goncalo, Tangua, Rio Bonito e Itaborai. Sao Goncalo esta inserido na chamada Regiao Metropolitana do Rio de Janeiro e e o segundo municipio em densidade demografica do estado do Rio, tendo passado por um processo de desindustrializacao nas ultimas decadas. Os demais municipios fazem parte do eixo do Leste Fluminense, com economia predominantemente rural e estao, em media, cinquenta quilometros distantes da capital.

O trabalho de campo se desenvolveu em 2006, ao longo de um mes, iniciando-se pelas farmacias da periferia do municipio de Sao Goncalo. Todos foram individualmente esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa e se posicionaram sobre sua participacao atraves de um termo de consentimento livre e esclarecido, obedecendo as normas estabelecidas pela Comissao Nacional de Etica em Pesquisa (Conep) (12).

Na etapa de coleta de dados, a definicao de fechamento amostral aconteceu a medida que, na avaliacao da pesquisadora, as informacoes fornecidas pelos novos participantes da pesquisa pouco acrescentavam ao material ja obtido, nao mais contribuindo de modo significativo para o desenvolvimento da reflexao teorica das percepcoes sobre as praticas profissionais realizadas no universo estudado na pesquisa, como ressaltado por Fontanella et al. (13).

A analise dos dados privilegiou a compreensao e a interpretacao das percepcoes a partir dos discursos dos entrevistados. O exame do material obtido nas entrevistas seguiu a analise de conteudo proposta por Bardin (14), segundo a qual os dados das entrevistas foram codificados segundo as seguintes categorias analiticas: (1) pratica profissional; (2) dificuldades da populacao no uso de medicamentos; (3) satisfacao dos farmaceuticos na farmacia; e (4) significados atribuidos ao termo Atencao Farmaceutica. Alem disso, procedeu-se ao desenho de um breve perfil dos entrevistados, buscando poder contextualizar e explorar eventuais percepcoes e sentidos que pudessem estar relacionados ao local de atuacao profissional, tempo de formado e de atuacao na profissao e em farmacias comunitarias, tempo de exercicio naquele estabelecimento em questao e habilitacoes adicionais.

A identificacao das concepcoes buscou compreender o significado desse trabalho para os profissionais e o modo como ele era efetivamente executado no dia a dia. Entendemos que a forma como se organiza o trabalho cotidiano guarda, em ultima instancia, uma profunda relacao com as concepcoes acerca da pratica, conduzindo ao modelo concretamente operado de pratica profissional farmaceutica vigente.

Resultados e discussao

Perfil dos entrevistados

Foram realizadas 15 entrevistas, com distribuicao equanime do numero de entrevistados pelos tres tipos de estabelecimentos examinados: farmacias familiares, farmacias de redes locais e de redes estaduais.

Sete dos entrevistados eram homens. Nas farmacias familiares, todos os entrevistados eram do sexo masculino, situacao inversa da observada naquelas de rede local. Apesar de a idade variar entre 22 e 76 anos, e o tempo de formado variar entre 2 e 56 anos, a maioria era jovem e tinha pouco tempo de formado. Em decorrencia, a experiencia profissional da maioria deles era bem recente, com tres anos ou menos de atuacao como farmaceuticos. Todos os entrevistados atuavam profissionalmente como farmaceuticos desde a saida da faculdade, nao se observando qualquer padrao especifico segundo o tipo de estabelecimento.

O grau de qualificacao encontrado em todas as tipologias de estabelecimento estudadas indicou a presenca do empenho pessoal e intelectual dos farmaceuticos em obter conhecimentos tecnicos que proporcionassem condicoes de estarem inseridos com diferencial no mercado de trabalho. Contudo, o maior percentual de farmaceuticos com habilitacoes (principalmente em bioquimica), especializacoes e pos-graduacao estava presente nos segmentos de farmacias de rede local e estadual, talvez como uma exigencia de mercado. Sobre suas atividades pregressas, que podia lhes conferir um grau de experiencia profissional acumulada que facilitasse suas atividades cotidianas, observou-se que 80% dos entrevistados trabalharam em outros locais, como farmaceuticos, antes de estarem no exercicio da responsabilidade tecnica atual. Do total de entrevistados, a maioria relatou nao trabalhar, no momento da entrevista, em outro local, sendo uma constante a observacao de dedicacao exclusiva no grupo de farmaceuticos proprietarios, independentemente da tipologia de farmacias.

A pratica profissional

nas farmacias comunitarias

Naves et al. (15) assinalam que, no Brasil, ha uma serie de peculiaridades em relacao ao comercio varejista de medicamentos. Uma delas refere-se ao fato de a maior parte deste segmento ser composta de proprietarios leigos, nao havendo mecanismos para impedir a abertura de novas farmacias por eles. Nesse contexto, basta que a farmacia atenda as exigencias sanitarias locais e federais, quanto a estrutura fisica e aos requisitos legais, e que contrate um farmaceutico responsavel tecnico, para poder abrir e funcionar. Os demais funcionarios desses estabelecimentos tem, via de regra, baixa escolaridade (16), nao havendo, na maioria dos casos, exigencias de qualificacao previa para fazer parte do quadro de funcionarios de uma farmacia. Como decorrencia, nao e incomum que profissionais leigos sem qualquer formacao ou qualificacao especifica na area da saude estejam, nesses estabelecimentos, em contato direto com o publico e com o processo de atendimento de suas necessidades, em termos de aquisicao e orientacao no consumo e uso dos medicamentos.

Tivemos o momento de pegarem o seguranca e colocarem no balcao, sem nocao de nada, para atender os clientes. Nao e facil. Por enquanto, acontece uma coisa peculiar: o nosso gerente e o gerente dos laticinios ... O chefe dos laticinios e o chefe da drogaria. Ele nao entende nada da drogaria, tanto que ele nem vem aqui (farmaceutico de farmacia de rede estadual).

Outro elemento destacado pelos entrevistados dizia respeito ao contexto de incremento de vendas pela industria farmaceutica, que chega a atingir os medicamentos genericos, expressando tambem uma mudanca nas estrategias de competicao do segmento industrial a partir do final dos anos 90, quando e regulamentada a Lei dos Genericos (17). As empresas produtoras -- nao apenas de similares, mas tambem de medicamentos genericos e de referencia -- concorrem entre si, fornecendo bonus, comissoes e outras vantagens comerciais sobre venda de determinados medicamentos, e fazendo da propaganda, nos meios de comunicacao, um instrumento de seducao ao uso de medicamentos por conta propria.

Todas as industrias, atualmente, dao comissao para as farmacias, mas depende muito do laboratorio. Generico e "eticos" estao dando comissao tambem. Dependendo do produto, chega ate a 40%, 45% e, tambem, dependendo da quantidade. Mesmo assim, quando voce compra, eles dao no maximo 35%, mas se for comprar para tres ou quatro lojas, tipo essas redes que existem, o desconto e maior. [Laboratorio de] referencia da bonificacao. Antes do generico, nao dava, mas hoje da (farmaceutico de farmacia familiar).

Arguidos sobre as atividades que consideravam mais importantes no seu dia a dia nas farmacias, as opinioes dos farmaceuticos muitas vezes migraram para o trabalho de cuidado ao paciente, sendo demonstrada sua preocupacao quanto ao uso adequado de medicamentos, as interacoes medicamentosas potenciais e a dificuldade de entendimento do que estava prescrito no receituario por parte do usuario. Alem disso, sobre a pratica profissional dos entrevistados nas tres tipologias analisadas, observou-se uma prioridade de acoes no sentido do controle efetivo dos medicamentos vendidos com retencao de receita, conforme a Portaria no 344/98 SVS/MS (18).

A cultura do controle de medicamentos especificos, como e o caso dos entorpecentes e psicotropicos, ainda marca a praxis desses farmaceuticos. Isso contribui para a existencia de tensoes no ambiente de trabalho nas farmacias comunitarias, principalmente no que se refere a praticas relacionadas com a Atencao Farmaceutica. Como exemplo, relata-se desde a pouca autonomia para atuarem no cuidado direto ao paciente, como a imposicao de muitas farmacias para que o farmaceutico se desloque para atividades administrativas, como o lancamento de notas fiscais de todos os medicamentos comercializados e a atividade de gerencia. Ficou patente tambem, em alguns discursos, a resistencia dos balconistas a acatarem orientacoes dos farmaceuticos, ficando claras as limitacoes existentes para o melhor desempenho profissional, em especial no que se refere as atividades de dispensacao e orientacao aos pacientes. Essas atividades, muitas vezes, sao realizadas por profissionais de venda, com formacao inadequada a essas acoes e, em alguns casos, com motivacoes para ganhos adicionais vinculados as estrategias de competicao das firmas produtoras dos medicamentos.

A dispensacao de medicamentos e com os balconistas, os [medicamentos] controlados, sou eu. E assim: chega a receita, tem o generico e o similar que e mais barato. Geralmente, o cliente leva o mais barato. Eles entregam o medicamento. Na maioria das vezes, eu faco servico burocratico, lancando nota fiscal. E raro eu participar da dispensacao. So quando e controlado mesmo. Antigamente, era a subgerente que lancava as notas fiscais da loja; depois que ela saiu, eu fiquei lancando. Se eu nao tiro duvidas, o balconista tira. No inicio, quando eu via erros (dos balconistas), eu falava muito, depois eu fui parando. Eu estou em farmacia so ha dois anos, ja os balconistas tem mais tempo (farmaceutico de farmacia de rede local).

Eu assumi a farmacia. Deixei de ser farmaceutica e me tornei administradora (farmaceutica de farmacia de rede local).

Zubioli (19) ja apresentava o panorama de ambiguidade e conflito com que o farmaceutico viria a conviver na farmacia comunitaria, devido ao aspecto comercial nesse ambiente, e o contraponto das atividades realizadas pelo farmaceutico em prol da saude dos consumidores. Esse panorama complexo fica tambem bastante evidente quando os farmaceuticos entrevistados elencam o conjunto amplo de atividades executadas como parte de seu exercicio profissional nas farmacias comunitarias: dispensacao de medicamentos aos usuarios; intercambialidade de medicamentos prevista pela legislacao, confirmacao junto ao prescritor de duvidas no receituario; uso de bibliografia farmaceutica para consulta; controle da validade do estoque de medicamentos; controle de estoque dos medicamentos constantes na Portaria no 344/98 SVS/MS; manutencao da documentacao do estabelecimento devidamente organizada bem como dos padroes de higiene, de acordo com as normas sanitarias; treinamento de funcionarios; e gerenciamento da farmacia. A despeito desse espectro amplo de atribuicoes e atividades, o dialogo estabelecido com os profissionais indicou, em recorrentes falas, seu interesse e a preocupacao com a fragilidade dos pacientes no seu contato com o medicamento. Tambem de forma unissona, ecoou nos discursos dos farmaceuticos a demonstracao de solidariedade para com eles, ainda que esta nem sempre se expresse em uma atitude concreta no cotidiano do trabalho.

Foram citadas, tambem, as dificuldades com a legibilidade das prescricoes, oriundas em particular da letra do profissional medico, como um fator limitante para a efetiva e segura dispensacao de medicamentos; e a legislacao que, segundo os farmaceuticos, se modifica rapida e constantemente. Entender as normas sobre a dispensacao de medicamentos controlados tambem foi mencionado como um fator de dificuldade, percebido principalmente no inicio da carreira farmaceutica.

Quando perguntados sobre que atividade consideravam como sendo de mais facil execucao no dia a dia profissional, grande parcela dos farmaceuticos -- das tres tipologias de farmacia apontou o lancamento de medicamentos controlados no livro de registro aberto especificamente para esse fim. Na verdade, esse monitoramento se resume, via de regra, em uma operacao aritmetica basica de controle de estoque de medicamentos, em que sao indicadas a entrada e a saida dos medicamentos em um livro especifico, atraves dos seus respectivos documentos (nota fiscal de compra do medicamento e registro da receita, conforme preconiza a legislacao). Embora nao encerre em si grandes dificuldades, essa atividade consome significativo tempo de execucao, cuja ordem de grandeza e diretamente proporcional ao volume de vendas desse tipo de medicamentos pelo estabelecimento, e e objeto de fiscalizacao rigorosa e sistematica pelos diversos orgaos responsaveis, tais como a Vigilancia Sanitaria Municipal, o Conselho Regional de Farmacia e a Delegacia de Crimes contra a Saude Publica. Esse atendimento as exigencias legais contribui para/e termina por afastar o profissional do atendimento e cuidado direto aos usuarios, dificultando as acoes mais voltadas para a Atencao Farmaceutica.

Dificuldades da populacao no uso dos medicamentos

O paciente deve ser visto nao apenas como um corpo, com seu funcionamento biologico, mediado por uma gama de processos fisicos e quimicos, mas tambem como a amalgama de processos sociais, politicos e culturais historicamente construidos que incidem sobre ele ao longo de sua vida (20). O conjunto de costumes, valores, crencas, saberes e experiencias que ele possui sobre o medicamento e o resultado que dele se quer obter e somado as incertezas e aos medos vivenciados por cada individuo, na busca do restabelecimento do seu equilibrio organico. Ve-se, entao, que as formas de pensar e agir ante o uso de medicamentos se constroi individualmente, sendo seu uso modulado, tambem, pela forte midia da industria farmaceutica e pela facilidade com que, de modo geral, se podem adquirir quaisquer tipo de medicamentos nas farmacias comunitarias. Esse somatorio tende a organizar o comportamento que a maioria das pessoas tem ante o uso de medicamentos, levando-se em conta ainda que a populacao tem ao seu dispor, alem dos medicamentos como fonte de terapia medica cientifica, a terapia popular, pelo uso recorrente de chas e emplastos; a terapia natural, pelo consumo de plantas e fitoterapicos, sem prescricao medica; e a terapia religiosa, como as rezas e benzeduras, fruto da compreensao de que o processo de cura envolve, alem do corpo, o espirito (21).

Para a maioria dos informantes, as dificuldades da populacao quanto ao uso dos medicamentos podem ser sumarizadas em um tripe: a ilegibilidade da letra do prescritor, a nao compreensao sobre o uso dos medicamentos por parte dos consumidores e o custo dos medicamentos.

Este ultimo elemento e de grande relevancia para o consumidor no momento da compra do medicamento. Segundo Luiza e Bermudez (22), a questao do poder de compra do usuario e um dos fatores decisivos para o acesso aos medicamentos, devendo existir a compatibilidade entre o preco do medicamento e a capacidade aquisitiva dos usuarios para que se realize esse acesso.

No decorrer das entrevistas, varios farmaceuticos relataram que o cliente quer entender/conhecer, no corpo da receita, qual produto e o "mais importante" para sua recuperacao, para poder eleger a compra deste, desprezando a aquisicao dos demais medicamentos prescritos, em face da falta de condicoes economicas para compra-los.

Eles questionam muito a medicacao prescrita. Muitos deles cortam pela metade a receita, inclusive perguntam: "Qual que e para dor? Me ve o da dor. Esse medico esta achando o que? Que eu sou milionario?" (farmaceutico de farmacia de rede estadual).

Satisfacao dos farmaceuticos com o trabalho na farmacia

No tocante a satisfacao dos farmaceuticos no ambiente da farmacia, foram feitos quatro blocos de perguntas: sobre a satisfacao intrinseca ao trabalho, em relacao as condicoes de trabalho, a sua organizacao e sobre os vinculos sociais do trabalho.

Os farmaceuticos deram depoimentos contraditorios quanto a satisfacao de estar trabalhando na farmacia comunitaria. Uma gama de pressoes e sentida pelos farmaceuticos; entre as mais citadas, estao a questao da desvalorizacao salarial; o nao reconhecimento pela equipe, e pela populacao em geral, do papel do farmaceutico; a sensacao de abandono pelos orgaos profissionais, sindicatos e governo; a impossibilidade de continuar os estudos, que lhe garantiria maior qualidade do trabalho realizado; o numero insuficiente de funcionarios na farmacia; e o conflito entre as autoridades administrativa e profissional.

Em oposicao a esse contexto, foram tambem fornecidos depoimentos em que aparecem, de forma significativa, a percepcao de vitoria, de conquista, de sensacao de dever cumprido, espelhadas principalmente pelos farmaceuticos mais experientes de rede estadual e farmaceuticos de farmacias familiares, de modo geral.

Destaca-se que a autonomia para a construcao do seu dia a dia e percebida, com mais frequencia, nesses dois ultimos grupos de farmaceuticos citados. Em contrapartida, os mais jovens e com menor bagagem profissional trazem uma carga de sofrimento com o desenrolar de seu cotidiano, com sentimentos de desvalorizacao e desesperanca ante as expectativas profissionais.

Eboli (23) lembra que, para que a satisfacao profissional seja completa, ela deve ser dialetica; nesse sentido, ressalta a importancia da satisfacao do farmaceutico no seu trabalho diario como fundamental para o bom desenvolvimento tecnico e profissional.

Vale pontuar que os depoimentos indicaram o inconformismo ante a ausencia de espacos minimos para o desenvolvimento das suas atividades e quanto a organizacao do estabelecimento direcionado unicamente para o foco comercial e administrativo e nao tecnico e de cuidado. Como exemplo, houve relatos de ausencia ate de mobiliario -- cadeira e mesa -- que permitisse ao farmaceutico poder se sentar no decorrer do seu expediente, inclusive no momento de escriturar as receitas de medicamentos ditos controlados. Muitos reclamaram de nao possuirem um microcomputador, de modo a operacionalizarem os lancamentos dos dados dos medicamentos controlados, pelo menos na elaboracao dos balancos trimestrais e anuais exigidos pela Portaria no 344/98, alem de consultaram material especifico que ajudasse a dirimir duvidas proprias e dos pacientes. As condicoes de trabalho sao citadas como particularmente insatisfatorias, nao apenas dificultando acoes mais orientadas para a Atencao Farmaceutica, mas, sobretudo, permitindo ver que esta ainda esta longe de ser considerada como uma atividade importante ou prioritaria pelos donos dos estabelecimentos comerciais.

Eu acho que tinha que ter um espaco para o farmaceutico, para poder estar chamando e atendendo o paciente. Mas um espaco mesmo, que ninguem pudesse te interromper e o paciente pudesse contar realmente o que esta se passando. Porque, num cantinho do balcao que a gente possa usar para falar com o cliente, as vezes ele se sente envergonhado de contar, as vezes e um homem querendo falar de um problema de disfuncao eretil ou alguma coisa parecida. Mesmo aqui dentro ... E a mi nha sala com o armario de controlados, nao posso trazer para ca. As redes, a meu ver, teriam que investir mais no farmaceutico, nas suas condicoes de trabalho. Tinha que ter um sistema de computador para agilizar a confeccao do balanco trimestral. Ia ser rapidinho, ao inves de ficar escrevendo (farmaceutico de farmacia de rede estadual).

Quanto a organizacao do trabalho, percebemos que, na maioria dos casos, os farmaceuticos concordavam com o modo como a farmacia se organizava estruturalmente. Muitos se sentiam identificados com a existencia de regras, condutas e procedimentos internos, creditando a esses elementos uma certa seguranca no trabalho ali desenvolvido, apesar de muitas das vezes nao concordarem com as regras ora impostas.

Quando indagados sobre a relacao com os outros profissionais, surge como pano de fundo a disputa pelo espaco de poder e autonomia dentro da farmacia. Viu-se que os gerentes, e mesmo alguns balconistas, se opoem as orientacoes e determinacoes dadas pelos entrevistados. Suas falas mostram angustia e inconformidade com a estrutura hierarquica sentida dentro desses estabelecimentos, que muitas vezes nao considera os campos de atuacao e os conhecimentos especificos de cada um dos grupos profissionais envolvidos no processo de atendimento e cuidado ao usuario.

Os farmaceuticos das redes, em particular, apontaram o estabelecimento das relacoes sociais no interior das farmacias como uma das maiores dificuldades na sua atuacao. Essas relacoes sociais assumem diversas interfaces, entre quais foram destacadas: o trabalho de convencer a equipe de balconistas e gerentes a colaborar, de modo a haver uma pratica mais etica e menos comercial na farmacia; a resistencia de alguns balconistas no sentido de implementar procedimentos orientados pelo farmaceutico; o fato de os clientes das farmacias confundirem sistematicamente o farmaceutico com o balconista; e o proprio exercicio de estar em contato com o publico, no esclarecimento de duvidas, visto a falta ou precariedade de treinamento especifico nas faculdades de farmacia, bem como a ausencia, em boa parte dos estabelecimentos, de condicoes de infraestrutura minimas para que tal se realize com a privacidade, o sigilo e a etica necessarios.

Ja o desapontamento com a profissao foi constatado predominantemente no grupo de farmaceuticos mais jovens, independentemente da tipologia de farmacias em que trabalham, pois eles se viam inseridos em atividades que consideram marginais a sua profissao no seu cotidiano, tais como o trabalho administrativo e a gerencia das farmacias, em que nao sao considerados importantes os seus conhecimentos cognitivos referentes ao medicamento. Em contrapartida, a medida que o farmaceutico tinha experiencia com a atencao ao paciente e atuava orientando-o sobre os cuidados com o uso dos medicamentos, era percebido um sentimento de satisfacao com a profissao, ainda que os locais de trabalho fossem considerados inadequados.

Significado atribuido ao termo Atencao Farmaceutica

O objetivo em arguir sobre esse ponto derivava do interesse em saber em que proporcoes havia dominio sobre esse tema e como essa apreensao de conceitos poderia se refletir na construcao, na pratica diaria dos profissionais, de um trabalho com foco no paciente.

Via de regra, os entrevistados demonstraram ter pouca compreensao do significado do termo Atencao Farmaceutica, retratando seu pouco contato com essa terminologia. A expressao Atencao Farmaceutica foi confundida com a Assistencia Farmaceutica, ou era interpretada como mera atencao, na acepcao de ser agradavel e dar ouvidos ao que o paciente fala e nao ao proposito de fornecer informacoes que minimizem o risco de problemas relacionados com os medicamentos.

Atencao Farmaceutica e o farmaceutico estar na drogaria dando atencao ao cliente (farmaceutico de farmacia de rede local).

Entretanto, mesmo sem dominio sobre o termo, mesmo sem estabelecer com precisao as relacoes das atividades de Atencao com o trabalho clinico, observou-se que certa transicao ja se processa na pratica profissional relatada pelos entrevistados, na medida em que se referem ao paciente como eixo principal do seu trabalho, quando defendem um envolvimento mais especifico do profissional com a farmacoterapia e quando reclamam e reiteram a importancia da existencia de condicoes concretas para a realizacao de atividades tecnicas nas farmacias deslocadas para o beneficio dos pacientes no uso de seus medicamentos.

Para mim, Atencao Farmaceutica e como eu ajo. E transformar todo o aprendizado que eu tive na faculdade em relacao a farmacologia em algo que possa favorecer a populacao em geral, que possa transforma-la com o meu conhecimento, que possa trazer conhecimento para as pessoas. E agir em prol da qualidade de vida das pessoas (farmaceutico de farmacia de rede estadual).

Significa estar interagindo com o paciente, ouvindo, entendendo o que ele quer dizer. E eu, da forma mais didatica, vou orienta-lo para que ele possa realmente aderir ao tratamento e, assim, o medicamento possa realmente fazer efeito. Porque, as vezes, o paciente nao sabe ler, e o medico nem sabe que ele e analfabeto. Entao, chega no balcao da farmacia e a gente ve que o paciente e humilde e ate pergunta de uma forma ou de outra. A gente desenha, faz o desenho de como ele tem que tomar, explica os efeitos. Isso sim, para mim, traduz Atencao Farmaceutica (farmaceutico de farmacia de rede estadual).

O trabalho de campo permitiu verificar ainda que ja sao realizadas, pelos farmaceuticos, varias atividades com pontos de convergencia com a pratica da Atencao Farmaceutica, tais como a orientacao farmaceutica e um esboco da dispensacao. Elas, entretanto, ainda parecem ser secundarias, executadas muito mais por disponibilidade e interesse intrinsecos de alguns profissionais do que resultando de um processo interiorizado e ampliado de compreensao e valorizacao por parte da categoria profissional como um todo, de seus orgaos formadores e fiscalizadores e dos estabelecimentos comerciais.

Consideracoes finais

Captar as percepcoes e os relatos dos farmaceuticos sobre a dinamica da sua pratica profissional mostrou-se um caminho adequado para identificar alguns dos fatores que podem estar impedindo o exercicio pleno do farmaceutico como legitimo profissional de saude nas farmacias comunitarias.

Uma possivel limitacao do estudo pode ser em razao do perfil da regiao alvo da pesquisa. Contudo, os achados se alinham com a realidade observada pela pesquisadora no cotidiano das fiscalizacoes nas farmacias comunitarias do estado do Rio de Janeiro, indicando que as diversidades entre as regioes desse estado, no que tange aos aspectos abordados, podem ser pequenas.

Neste trabalho, a partir das falas sobre as trajetorias profissionais e os processos de trabalho dos farmaceuticos atuantes em tres tipos de farmacias comunitarias -- familiares, de rede local e de rede estadual --, foi possivel identificar pontos considerados criticos no seu cotidiano, bem como a presenca de elementos relacionados com o estimulo ou, contrariamente, a obstaculizacao dos processos relacionados a implantacao de praticas de Atencao Farmaceutica nas farmacias e drogarias. Nota-se, ainda, que o itinerario trilhado na pratica profissional fica a cargo de cada um, solitariamente, sendo o esforco para prover mudancas no presente paradigma da pratica farmaceutica e os meritos desse empenho considerados iso lados, com os caminhos para se chegar ao objetivo desejado se mostrando sinuosos e acidentados.

Os encontros com os entrevistados e a oportunidade de faze-los refletir ao responder sobre questoes vivenciadas da pratica profissional indicou, muitas vezes, situacoes de desanimo presentes nos grupos de farmaceuticos jovens e de rede local e estadual, que se sentem inibidos profissionalmente pela pressao exercida pela organizacao das farmacias comunitarias, quanto a realizacao de acoes de orientacao e apoio quanto ao uso de medicamentos a populacao. Muitos desses farmaceuticos, aos poucos, tendem a assumir as posicoes desejadas pelos seus empregadores de somente se ater ao controle e dispensacao de medicamentos da Portaria no 344/98 SVS/ MS, reduzindo o espectro das atividades com foco no paciente e seu processo de cuidado.

Ja alguns dos farmaceuticos mais experientes transmitem uma mensagem e uma visao mais otimistas, de que a superacao do modelo da atual pratica profissional nas farmacias comunitarias e possivel e se realiza na medida em que a populacao os procura e os reconhece como os profissionais do medicamento. Nesses encontros, independentemente da tipologia da farmacia, eles disseram se sentir realizados profissionalmente, quando podiam oferecer aos seus pacientes um cuidado que se expressava em uma efetiva contribuicao para a compreensao de seu adoecimento, do processo de cuidado e da melhor forma de utilizacao dos medicamentos.

Quando a pratica farmaceutica estava associada com o estabelecimento de vinculos, fornecimento de orientacoes sobre o uso de medicamentos e atitudes de corresponsabilidades no cuidado com o paciente, uma carga maior de satisfacao era sentida pelos profissionais na realizacao de suas atividades nas farmacias.

Temos entao a implantacao de praticas focadas no paciente, tais como a Atencao Farmaceutica como um dinamo para a mudanca do padrao de atitudes e comportamentos encontrados no cotidiano dos farmaceuticos. Apesar de nao serem conhecedores do conceito teorico da Atencao Farmaceutica, eles expressam conhecer o valor dessa pratica e a concepcao de que e necessario haver uma atitude pro-ativa, compromisso com o paciente e uma mudanca de comportamento, itens embutidos no conceito brasileiro de Atencao Farmaceutica.

A Atencao Farmaceutica nao e uma realidade nas farmacias comunitarias estudadas, e existe um caminho se percorrer ate que possa ser. Ter o farmaceutico presente nas farmacias, com certeza, e uma grande conquista, mas ter a clareza dos seus limites e das dificuldades que sao enfrentadas no exercicio da sua pratica e um dos imperativos desse momento de revitalizacao da profissao farmaceutica.

Schostack (24) ressalta que o ato profissional farmaceutico esta fundamentado em tres principios: o conhecimento efetivo do medicamento, o relacionamento com o usuario de medicamento e com o prescritor do medicamento. O que seria esperado da pratica farmaceutica ou atencao a saude nas farmacias seria a integracao dessas tres matrizes proporcionando novas possibilidades para a profissao, resultando em acoes que garantissem que o uso do medicamento viesse a ocorrer com eficacia e seguranca, visando atingir resultados terapeuticos definidos na saude e na qualidade de vida do paciente, atendendo assim a proposta inicial de Atencao Farmaceutica de Hepler e Strand (25).

As questoes apontadas neste artigo suscitam a reconducao do debate acerca dos elementos necessarios para o melhor desempenho da pratica farmaceutica nas farmacias comunitarias, direcionada a maximizar a contribuicao de sua atuacao profissional para as necessidades relacionadas ao uso de medicamentos pela sociedade. Nessa perspectiva, e preciso salientar que a mudanca do paradigma ainda e um projeto, um percurso. E uma trajetoria a ser buscada. Podemos sugerir um caminho: onde o interesse maior para esse projeto profissional esteja voltado para o seu trajeto, isto e, para o processo de implementacao dessa pratica.

Colaboradores

CRG Bastos trabalhou na organizacao e execucao da pesquisa e na concepcao teorica, elaboracao e redacao do texto; R Caetano participou como orientadora durante todas as etapas da elaboracao do artigo, colaborando na analise critica do texto, redacao e revisao final.

Agradecimentos

Ao Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro pela iniciativa em oferecer aos alunos dos cursos de mestrado e doutorado do Departamento de Planejamento e Administracao em Saude a Oficina de Artigos Cientificos, desejando que essa iniciativa se torne uma constante na instituicao. Em especial, aos professores Kenneth Rochel de Camargo Jr., Roseni Pinheiro e Ruben Araujo de Mattos, pelas discussoes e contribuicoes ao longo do processo de elaboracao do artigo.

Artigo apresentado em 30/11/2007

Aprovado em 25/03/2008

Versao final apresentada em 25/04/2008

Referencias

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(25.) Hepler CD, Strand LM. Opportunities and responsabilities in pharmaceutical care. Am J Hosp Pharm 1990; 47:533-543.

Claudia Regina Garcia Bastos [1]

Rosangela Caetano [2]

[1] Conselho Regional de Farmacia do Estado do Rio de Janeiro. Rua Afonso Pena 115, Tijuca. 20270- 971 Rio de Janeiro RJ. crgbastos@uol.com.br

[2] Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
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Title Annotation:TEMAS LIVRES; Texto en Portuguese
Author:Garcia Bastos, Claudia Regina; Caetano, Rosangela
Publication:Ciencia & Saude Coletiva
Date:Nov 1, 2010
Words:7666
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