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Aptitude and agricultural use in the Ingariko area--Indian Land Raposa Serra do Sol--Roraima/ Aptidao e uso agricola na area Ingariko--Terra Indigena Raposa Serra do Sol--Roraima/ Aptitud y uso agricola en el area Ingariko--Tierra Indigena Raposa Serra do Sol--Roraima.

1 INTRODUCAO

O estado de Roraima apresenta algumas limitacoes em relacao a aptidao agricola, pois em geral os solos sao acidos e com alta limitacao de nutrientes. A porcao nordeste de Roraima, em especial a Terra Indigena Raposa Serra do Sol (TIRSS), na area denominada "etnorregiao Ingariko", localizada no municipio de Uiramuta, na regiao fronteirica entre Brasil, Republica Cooperativista da Guiana e Republica Bolivariana da Venezuela, possui serias limitacoes para o uso agricola. A escolha da area de estudo ocorreu devido ao isolamento geografico, pois o acesso a regiao ocorre apenas por via aerea, o que proporciona aos indigenas a busca pela sustentabilidade cultural e economica.

Dessa forma, a aptidao e o uso agricola da regiao possuem estreita relacao com os conhecimentos dos indigenas da etnia Ingariko sobre o ecossistema. No entanto, corroborando Melo e Schaefer (2009) e Salvador, Carvalho e Lucchesi (2011), a interferencia antropica sobre os ecossistemas produz mudancas significativas na dinAmica do solo, podendo causar mais perdas do que ganhos, com implicacoes em suas caracteristicas fisico-quimicas ao longo do tempo, que devem alterar os componentes orgAnicos tanto em qualidade quanto em quantidade.

A area de estudo e habitada pelos Ingariko, pertencentes do tronco linguistico kapon e, conforme Cruz (2008), o significado de Ingariko se da pela segmentacao de suas partes: inga-ri-komo > inga-ri-ko = serra, mata espessa, elemento de coesao coletivo (origem: "habitantes das serras"); outra possibilidade seria inga-ri-koto > inga-rikok > 'inga-ri-ko' = mata alta, elemento de coesao, grupo de pessoas, "povo da mata espessa, da montanha".

Os Ingariko usam a terra de forma tradicional, por meio das rocas, e em geral plantam banana e macaxeira, entre outros, alem de viverem da caca e da pesca. No caso da comunidade Serra do Sol, seus habitantes criam gado de corte; ja a comunidade Mapae vive essencialmente das rocas, caca e pesca.

Dessa maneira, este artigo tem como objetivo demonstrar a aptidao agricola da Terra TIRSS, na regiao da etnia Ingariko, em Roraima, e o quadro atual do uso da terra.

2 LOCALIZACAO E CARACTERIZACAO DO MEIO FISICO DA AREA DE ESTUDO

A area de estudo esta localizada no nordeste do estado de Roraima, no municipio do Uiramuta, na etnorregiao das serras, e constitui area de sobreposicao do Parque Nacional (Parna) do Monte Roraima com a TIRSS, regiao de dominio da etnia Ingariko, que envolve um total de 11 comunidades indigenas.

A pesquisa se realizou em duas comunidades Ingariko: Mapae e Serra do Sol, localizadas nas Folhas NB-20-Z-B e NB-20-Z-D, escala 1:250.000. A regiao de estudo envolve as coordenadas: N 04[degrees]56'605" / W 60[degrees]28'168"; N 05[degrees]07'151" / W 60[degrees]35'317"; N 05[degrees]05'127" / W 60[degrees]23'004" (Figura 1).

3 FISIOGRAFIA DA AREA

Conforme Falcao e Costa (2014), Roraima congrega tipologias climaticas diferenciadas devido a disposicao fisica do estado, ladeado ao sul e oeste pela Floresta Amazonica, a leste pelas savanas que se estendem pelos campos da Guiana, e ao norte pelo complexo montanhoso Roraima/Pacaraima, que condiciona tres aspectos climaticos diferenciados, conforme a classificacao de Koppen: Af, Aw e Am (1).

O clima da area estudada, segundo a classificacao de Koppen, caracteriza-se por ser do tipo Aw, com medias pluviometricas em torno de 1.750 mm anuais, com chuvas concentradas entre os meses de maio e agosto, e periodos de baixos indices entre os meses de setembro e abril; e Am (chuvas do tipo moncao), que se caracteriza por ser intermediario entre o Aw (verao umido e inverno seco) e Af (umido), estabelecido por um corredor florestal influenciado pela savana e pelo relevo (BARBOSA, 1997).

A vegetacao, conforme descrito por Schaefer et al. (2005) e Schaefer e Vale Junior (1997), configura-se pela presenca da floresta de montana aberta, sobreposta aos solos do tipo neossolos litolicos e cambissolos, na comunidade de Mapae (Figura 2), ja na comunidade Serra do Sol, predominam ainda os campos rupestres altimontanos sobrepostos aos neossolos e cambissolos distroficos (Figura 3), que se caracterizam pela presenca de um tapete graminoso ralo com o dominio de algumas especies como o Trachypogon sp (capim-ponta-de-lanca).

A geologia da area em estudo pertence ao dominio do "Supergrupo Roraima". Pinheiro, Reis e Costi (1990) e Costa e Fernandes (2012) em seus estudos relacionaram o desenvolvimento geologico dessa regiao a um evento distensional com direcao geral N-S, responsavel pelo desenvolvimento de falhas normais E-W e de transferencia.

A regiao caracteriza pela presenca de grandes mesas chamadas regionalmente pelos indigenas de tepuys com topos em geral aplainados que se destacam de forma isolada, a exemplo do Monte Roraima, que possui uma pequena area no territorio brasileiro (apenas 5%).

A geomorfologia e marcada pela presenca de escarpas erosivas, que em geral sao concavas e intensamente ravinadas, com formacao de deposito de talus, semelhante a estrutura geologica. Nota-se a presenca dos vales encaixados, os quais proporcionam o acomodamento da drenagem, a exemplo o rio Cotingo.

Destaca-se ainda a presenca de cristas assimetricas, denominadas de hogbacks. O relevo da regiao e propicio a intensa morfogenese (erosao e ravinamento). Na regiao, nota-se ainda a presenca de falhas transcorrentes. As falhas normais expressam no relevo mediante escarpas de falha e facetas trapezoidais que, por sua vez, controlam a orientacao geral das serras. Estas alcancam altitudes de mil metros no sistema Pacaraima.

4 MATERIAL E METODOS

4.1 Procedimentos e coleta de dados

A coleta de dados ocorreu mediante solicitacao de autorizacoes junto as comunidades envolvidas por meio do lider (tuxaua) de cada comunidade. Ele indicou os dez participantes, sendo seis agricultores da Serra do Sol e quatro agricultores de Mapae, que lidam diretamente com os locais a serem utilizados para as rocas.

Antes de cada entrevista, apresentou-se aos informantes um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e um termo de autorizacao para o uso de imagem para se manifestarem acerca de sua participacao da pesquisa, segundo as normas estabelecidas pela Resolucao n[degrees] 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saude, e aprovadas pelo Comite de Etica em Pesquisa da Universidade Federal de Roraima (n[degrees] 758.921), pelo Comite Nacional de Etica e Pesquisa (n[degrees] CAAE 19903813.1.0000.5302), pelo Instituto Nacional do Patrimonio Historico Cultural (n[degrees] 24/2014), pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade-ICMBio/SISBIO (n[degrees] 36346) e pela Fundacao Nacional do Indio Funai (n[degrees] 28/AAEP/PRES/2025), . As assinaturas dos termos foram obtidas individualmente, depois de serem explicados verbalmente os objetivos e a metodologia que seria utilizada na pesquisa.

Durante a pesquisa, foi realizado acompanhamento com informantes-chave no preparo das rocas, a fim de observar os locais de cultivo, formas de preparo e manejo do solo. Efetuou-se coleta de coordenadas geograficas, registros fotograficos e anotacoes em caderneta de anotacao. Com trado holandes, coletaram-se cerca de 1,5k de amostras de solo em cinco pontos estrategicos de cada comunidade (Mapae e Serra do Sol) para analise em laboratorio. As amostras foram reunidas em um balde plastico limpo, bem misturadas, formando uma materia composta. Depois da homogeneizacao, retiraram-se, aproximadamente, 500g de solo, que foram transferidos para saco plastico sem uso. As amostras foram identificadas pelo numero correspondente da area, especificando-se informacoes complementares, como as coordenadas da regiao.

O trabalho em laboratorio envolveu a preparacao das amostras para classificacao granulometrica: 100g de solo foram destorroados em gral de porcelana, acrescentados de 400 ml de [H.sub.2]O e levados para a lavadora ultrassonica Unique. O material diluido foi secado a temperatura ambiente e entao peneirado em malha de 2mm para obter a terra fina seca. Em seguida, foi realizada a separacao das fracoes de argila, silte e areia: mediante o peneiramento, obteve-se a fracao de argila e, por via umida, as fracoes de silte e argila (EMBRAPA, 2006). Posteriormente, os dados obtidos foram tratados no software SysGran na versao 3.0.

5 APTIDAO AGRICOLA DA REGIAO ESTUDADA

A regiao Ingariko esta inserida em uma area que se constitui de manchas de florestas de montanhas sobrepostas aos argissolos, diabasio--na qual existem possibilidades de cultivos de subsistencia e campos rupestres com potencialidade agricola ainda muito limitada. Logo, os solos da regiao se caracterizam pelo alto teor de acidez, com teor de argila acima de 30%. Esses solos estao posicionados em areas de relevo ondulado, dissecado e com erosao laminar, e, principalmente na comunidade Serra do Sol, com deficit hidrico prolongado (media de seis meses), presenca de matacoes rochosos e baixos teores de fosforo.

Conforme o Quadro 1, as propriedades quimicas dos solos das comunidades Mapae e Serra do Sol se configuram por terem alto teor de acidez (pH entre 3,9 e 4,9) e baixos teores de [Ca.sup.+], [Mg.sup.2+], [K.sup.+] e [Al.sup.3+].

Hernandez e Silveira (1998) verificaram baixos teores de magnesio no solo, resultando em diminuicao na producao das plantas. A relacao calcio e aluminio pode ser usada como indicador dos processos que contribuem para a acidificacao do solo.

Com base nas analises granulometricas, os solos da regiao estudada se caracterizaram por terem alto teor de areia e arenito, decorrentes do intemperismo das rochas sedimentares areniticas. Na comunidade Mapae, a fracao de areia variou entre 0,5 e 2,5, ou seja, areia fina; na Serra do Sol, entre 2,5 e 4,0, isto e, presenca de areia fina e silte (Figura 4).

Os dados corroboram Costa e Beserra Neta (2011), pois, em trabalhos realizados na Serra do Tepequem, os autores sugerem que o intemperismo de rochas sedimentares proporciona o transporte dos graos a curta distAncia, talvez por movimentos de massas, escorregamento ou fluidos de alta densidade. Na regiao da TIRSS, percebe-se a mesma situacao, no entanto, com a presenca de uma vegetacao mais rala (campos rupestres), o processo de dissecacao (trabalho erosivo) e mais evidente.

Conforme relatos dos Ingariko e os resultados das analises, os solos da regiao possuem serias limitacoes para o uso agricola. Alguns relataram que o processo de queima periodica, com o passar dos anos, proporciona a exaustao do solo.

Para Haverroth (2010), com a queima da floresta, a biomassa se transforma em cinza, que serve de "fertilizante" e neutraliza a acidez do solo. Porem, depois de alguns anos de cultivo, essa fertilidade diminui, levando ao abandono dessas areas e promovendo a abertura da floresta a outros plantios.

6 USO ATUAL DA TERRA PELOS INGARIKO

Com base nas pesquisas in loco e nas entrevistas com os Ingariko, o uso atual da terra na regiao esta relacionado ao plantio de rocas (ume) tradicionais, caca, criacao de gado e ovinos para subsistencia do povo.

Cardoso (2010) enfatiza a constituicao da roca como o espaco de excelencia na agricultura da regiao Amazonica. Trata-se de um espaco nascido de um "disturbio" mediante corte e queima da floresta, objetivando seguranca alimentar de uma familia, de uma comunidade local ou de uma regiao e, em muitos casos, servindo como complemento da renda familiar e troca com vizinhos e parentes.

Com relacao as rocas tradicionais, o processo de escolhas das novas rocas ocorre durante o periodo seco (toronkan) quando os Ingariko fazem a broca, derrubada e a queima, ja no periodo chuvoso (timon) ocorre o plantio, e os indigenas buscam alternativas tais como: a caca e a pesca, conforme o calendario agricola "celestial" dos Ingariko, que orienta a agricultura (Figura 5).

As rocas dos Ingariko se localizam, em geral, nas encostas do relevo. O uso da area, segundo os agricultores, dura em media um ano. Conforme informacoes obtidas, o periodo de pousio das rocas dura em media de tres a quatro anos. Diante dessa questao, atualmente, as rocas se localizam cada vez mais distantes--em media um dia de caminhada da comunidade.

No entanto, nota-se em alguns casos, como na Serra do Sol, que o tempo de plantio das rocas nao esta respeitando o periodo de pousio, proporcionando intensa erosao e ravinamento no solo. Clement et al. (2010) ressaltam que o periodo de pousio curto interfere no processo de sucessao secundaria, consequentemente, na manutencao da diversidade genetica e biologica em forma de banco de sementes.

Com relacao aos tipos de solos, os Ingariko associam as unidades geomorfologicas a sua utilizacao: nas serras em geral, sao encontrados os solos escuros (marrom e preto), propicios para o cultivo de maniva, banana e feijao. Ja os solos lavrados, em geral, sao de coloracao alaranjada e servem para o plantio de mandioca e abobora. Os solos escuros sao encontrados na area de vazante, devido a proximidade com a rede hidrica, e servem para o cultivo de mandioca e maniva (Quadro 2).

Os Ingariko diferenciam os solos como "bom" (ferteis), que possuem coloracao escura e, os "ruins" (nao ferteis), em geral solos claros e pedregosos. Segundo o Sr. Arlindo Luiz, um dos entrevistados, "A comunidade reconhece olhando, quando retira a planta, se a raiz for profunda, a terra e boa, se nao for, a terra e ruim" (comunicacao verbal).

O conhecimento sobre o solo torna-se de extrema importAncia para a plantacao das rocas (ume). Os indigenas ressaltaram ainda outros padroes de reconhecimento do solo tais como: cor, tipo de planta e cheiro. No que se refere ao significado de solo o Sr. Gelson Martins, um dos entrevistados, mencionou que o solo significa terra, que se configura como "o espaco onde se planta" (comunicacao verbal).

Dentre os principais cultivos nas rocas, principalmente nas comunidades Manalai e Mapae e na Serra do Sol, encontram-se em maior quantidade o plantio de mandioca braba, pimenta canaime (utilizada tambem no ritual de iniciacao do menino, no qual e inserido o sumo da pimenta nos olhos do jovem iniciante) e milho. Os principais produtos estao descritos no Quadro 3.

A base da alimentacao dos entrevistados e a mandioca braba, a partir desta se produz o beiju (serve como acompanhamento em todas as refeicoes), o caxiri e o pajuaru (bebidas tipicas a base de mandioca). A producao desses alimentos e realizada pelas mulheres. Elas vao ate a roca para coletar o produto, depois retiram a casca, lavam e ralam a mandioca. Para a producao do caxiri, a mandioca ralada e cozida por mais de duas horas, depois e acrescentada a batata roxa para dar a coloracao avermelhada; depois de esfriar, o produto pode ser consumido, para ficar alcoolico, e armazenado em baldes plasticos por varios dias.

O beiju e produzido a partir da prensa da massa no tipiti (instrumento indigena feito de palha de aruma, que remove todo liquido da massa da mandioca). Depois de todo o liquido ser retirado, a massa seca vai ao fogo em uma especie de forma, e assada e vai ao sol para ficar bem seca.

Ressalta-se que o ambiente natural da regiao Ingariko, em sua maioria, ocasiona limitacao a sobrevivencia da etnia, motivando diversas situacoes, como a presenca de uma forma bem evidente dos programas governamentais como: Vale Familia e Vale Solidario.

Outro fator importante e a uniao do povo Ingariko, o qual busca, por meio de projetos, o resgate das sementes tradicionais, bem como a implantacao de programas, dos quais, atualmente, vem se destacando a Unidade Demonstrativa (2) Nutrir.

O Nutrir surgiu da iniciativa dos Ingariko em parceria com a Fundacao Nacional do Indio, Instituto Federal de Educacao, Ciencia e Tecnologia de Roraima, Conselho do Povo Indigena Ingariko e o Instituto Socioambiental de Roraima. Entre os objetivos do projeto esta a pratica de atividades de agroecologia, com foco na producao animal e vegetal, visando a seguranca alimentar e a melhoria da qualidade de vida dos Ingariko.

7 CONSIDERACOES FINAIS

Os solos da regiao Ingariko se caracterizam por apresentar baixa fertilidade natural, logo esse e um dos fatores que induz a uma constante mudanca de area de plantio (roca), visto que o sistema de manejo das culturas ocorre por meio de queima. Esse processo proporciona o incremento temporario da fertilidade, em funcao das cinzas, no entanto, concentra-se nas camadas superficiais, o que permite a exploracao das areas por um periodo maximo de quatro anos.

Dessa forma, a problematica da restricao nos solos da regiao promove, atualmente, o cultivo cada vez mais distante das comunidades estudadas--em media um a dois dias de caminhada. As rocas proximas estao localizadas em area de vertente do relevo, portanto intensificando os processos erosivos, pois o tempo de pousio e curto e o solo de baixa fertilidade, consequentemente a exaustao desse solo vem se tornando frequente na regiao, principalmente, nas comunidades Serra do Sol e Manalai. Todavia, na comunidade Mapae, nota-se maior diversidade de cultivos, e o solo apresenta melhor fertilidade.

Assim, novos estudos agricolas, em especial pedologicos, podem contribuir para melhorar a produtividade, mediante implantacao de projetos--como o projeto Nutrir, hoje em andamento--e cursos de capacitacoes para agregar novos conhecimentos a cultura alimentar do povo, visto que atualmente a regiao e acometida por problemas nutricionais. Segundo os Ingariko, eles buscam conhecimentos do "nao indio" para que possam usar e manejar a terra de maneira correta, sendo, portanto, abertos a novos saberes e pesquisas em sua regiao.

http://dx.doi.org/10.21713/2358-2332.2016.v13.1038

Referencias

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Recebido em 01/05/2016

Aprovado em 03/10/2016

Marcia Teixeira Falcao, doutora em Biodiversidade e Conservacao pelo Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e professora da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Boa Vista, RR, Brasil. E-mail: marciafalcao.geog@uerr.edu.br.

Sandra Kariny Saldanha de Oliveira, doutora em Biodiversidade e Conservacao pelo Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e professora da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Boa Vista, RR, Brasil. E-mail: sandrakariny@oi.com.br.

Maria de Lourdes Pinheiro Ruivo, doutora em Agronomia pela Universidade Federal de Vicosa (UFV) e pesquisadora titular do Museu Paraense Emilio Goedi (MPEG), Belem, PA, Brasil. E-mail: ruivo@museu-goeldi.br.

Lucio Keury Almeida Galdino, doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Ceara (UFC) e professor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Boa Vista, RR, Brasil. E-mail: lkagaldino@yahoo.com.br.

(1) Classificacao climatica de Wilhelm Koppen, que considera a temperatura e a precipitacao, compreendendo um conjunto de letras maiusculas e minusculas para designar os grupos climaticos (MENDONCA; DANNI-OLIVEIRA, 2007).

(2) Termo utilizado pelos ingariko para se referir ao projeto NUTRIR

Caption: Figura 1--Localizacao da area de pesquisa

Caption: Figura 2--(a) Floresta de montana aberta, vista aerea do entorno da comunidade Manalai; (b) Perfil esquematico da floresta de montana, baseado em Veloso (1975)

Caption: Figura 3--(a) Campos rupestres, vista parcial da comunidade indigena Serra do Sol; (b) Perfil esquematico dos campos rupestres

Caption: Figura 4--(a) Distribuicao granulometrica da comunidade Mapae; (b) Distribuicao granulometrica da comunidade Serra do Sol

Caption: Figura 5--Calendario agricola Ingariko
Quadro 1--Caracteristicas quimicas dos solos da regiao Ingariko

Caracteristica quimica do solo    Comunidades Ingariko

                                  Mapae   Serra do Sol

pH                                 4,9        3,9
[Ca.sup.2+]                       0,33        0,11
[Mg.sup.2+]                       0,28        0,06
[K.sup.+]                         0,06        0,08
[Al.sup.3+]                       0,78        0,73

Fonte: Falcao(2016).

Quadro 2--Descricao do tipo de solo e uso da terra pelos Ingariko

Unidades
geomorfologicas    Tipo de solo            Uso

Serras             Marrom (tapinuknan) e   Roca: plantio de maniva,
                   Preto (Ikkirin)         banana, feijao.

Lavrado            Alaranjado              Roca: plantio de
                   (Karakuwapan)           mandioca e abobora.

Vazante            Preto (Ikkirin)         Roca: Plantio de
                                           mandioca e abobora.

Fonte: Falcao (2016).

Quadro 3--Principais produtos cultivados nas rocas Ingariko

Nome cientifico        Nome vulgar      Nome Ingariko

Solanum                  Batata              Sak
tuberosum

Dioscorea spp             Cara              Napii

Ananas comosus           Abacaxi          Kaiwarak
(L) Merril

Capsicum chinense    Pimenta Canaime        Pimii

Manihot esculenta       Mandioca             Nak

Zea mays                  Milho            Aknaik

Musa spp                 Banana           Pananayek

Saccharum            Cana-de-acucar        Siikaru
officinarum

Nome cientifico         Armazenagem

Solanum                    Nao e
tuberosum               armazenada

Dioscorea spp              Nao e
                        armazenada

Ananas comosus             Nao e
(L) Merril              armazenada

Capsicum chinense      Armazenam em
                      forma de molho,
                      ou em po seco a
                           fogo

Manihot esculenta          Nao e
                        armazenada

Zea mays                 Armazenam
                        os graos em
                      garrafas, sacos
                      ou penduram na
                     direcao da fumaca

Musa spp                   Nao e
                        armazenada

Saccharum                  Nao e
officinarum             armazenada

Fonte: Falcao (2016).
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Title Annotation:Estudo
Author:Falcao, Marcia Teixeira; de Oliveira, Sandra Kariny Saldanha; Ruivo, Maria de Lourdes Pinheiro; Gald
Publication:Revista Brasileira de Pos-Graduacao
Date:Sep 1, 2016
Words:3900
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