Printer Friendly

Antimicrobial resistance and integrons in E. coli isolated from informally marketed bovine milk/Resistencia antimicrobiana e integrons em E. coli isoladas de leite bovino informalmente comercializado.

Introducao: O uso indiscriminado de antimicrobianos em medicina veterinaria tem sido implicado no surgimento de Escherichia coli resistentes aos a estes farmacos. Estas bacterias, habitantes do trato gastrointestinal de animais, podem ser transmitidas ao homem pelo contato direto ou indireto, principalmente por produtos de origem animal. Estima-se que ao redor de 30% da producao nacional de leite seja informal, uma vez que, mais de nove bilhoes de litros sao comercializados sem qualquer fiscalizacao ou acompanhamento. Neste contexto, o monitoramento de bacterias multirresistentes, incluindo as patogenicas, zoonoticas e comensais, de maneira continuada, se faz necessario. A vigilancia da resistencia em bacterias comensais e considerada como uma das principais prioridades da Organizacao Mundial de Saude e e tambem a melhor maneira de controlar sua propagacao pelos produtos de origem animal. O surgimento de bacterias albergando varios genes de resistencia a antimicrobianos tornou-se uma grande preocupacao nos ultimos anos. Bacterias resistentes a multiplas drogas (MDR) adquirem e transmitem genes de resistencia por plasmidios, transposons e/ou elementos geneticos moveis denominados integrons. Estudos recentes tem alertado para a ampla presenga de beta-lactamases de espectro estendido (ESBL) e integrons em bacterias isoladas de leite bovino, no entanto, no Brasil a ocorrencia de ESBLs e/ou integrons em E. coli comensais isoladas de leite bovino informal e desconhecida. Neste estudo, analisamos a diversidade de ESBLs e integrons em E. coli isoladas de leite bovino comercializado informalmente no interior do estado de Sao Paulo.

Material e metodos: Foram colhidas 124 amostras de leite informal de garrafas pet e outros recipientes. Estas foram semeadas em agar MacConkey, incubadas em aerobiose, a 37[degrees]C, por ate 48 horas. A caracterizacao fenotipica das E. coli isoladas foi realizada com base nas propriedades morfo-tintoriais, bioquimicas e de cultivo. O perfil de resistencia dos isolados e a pesquisa fenotipica de ESBL foram realizados, respectivamente, mediante as tecnicas de difusao e de aproximacao com discos. As bacterias que apresentaram perfil intermediario foram classificadas como resistentes. As linhagens que apresentaram resistencia aos antimicrobianos P-lactamicos foram utilizadas para a deteccao, por PCR, dos genes que codificam ESBL (TEM e ampC) e integrases de classes 1 e 2 utilizando iniciadores especificos (Tabela 1).

Resultados e Discussao: O maior percentual de resistencia foi observado para amoxicilina, com 70% (7/10) das amostras resistentes, seguido de ampicilina 50% (5/10), cefalexina e cloranfenicol com 40% (4/10). 30% (3/10) das linhagens estudadas tambem apresentaram resistencia frente a tetraciclina, 20% (2/10) ao ceftiofur (20%) e 10% (1/10) para cloranfenicol, fluorquinolonas e sulfametoxazole associado ao trimetoprim. Das bacterias estudadas, somente 10% (1/10) apresentaram resistencia para ceftriaxona, uma cefalosporina de terceira geracao, pouco menos utilizada na rotina veterinaria. No entanto, 30% (3/10) das linhagens apresentaram resistencia para o antimicrobiano associado ao inibidor de betalactamase (amoxicilina + acido clavulanico). A multirresistencia para duas ou mais classes de antimicrobianos pode ser verificada em 60% (6/10) de E. coli isoladas, reforjando o risco de transmissao de MDRs para os consumidores do leite informal. O fenotipo ESBL nao foi observado. Na analise genotipica realizada pela PCR, observamos os genes blaTEM e ampC em 50% (5/10) e 100% (10/10), respectivamente, das bacterias isoladas. A enzima TEM e a betalactamase mais comumente caracterizada em enterobacterias. O gene da integrase de classe 2 foi detectado em 80% (8/10) das linhagens. Nenhuma linhagem apresentou intl. 100% (10/10) das bacterias com integron apresentaram resistencia para beta-lactamicos, 20% (2/10) para cloranfenicol e 10% (1/10) para tetraciclina, apontando para a possivel contribuicao dos integrons na resistencia a drogas, principalmente aos beta-lactamicos. Diante do encontrado e de fundamental importancia a conscientizacao de clinicos veterinarios e fazendeiros do uso consciente de antimicrobianos, bem como de consumidores quanto ao risco do consumo de leite informal.

Conclusoes: Os altos indices de resistencia aos beta-lactamicos associados com a presenga de integrons, revela a potencial capacidade de transmissao genica entre bacterias presentes nos alimentos de origem animal com aquelas da comunidade.

Domingos da Silva Leite (2)

Mirtis Maria Giaciani Ferraz (3)

Marcio Garcia Ribeiro (4)

Marilia Masello Junqueira Franco (5)

Rodrigo Garcia Motta (6)

Gustavo Henrique Batista Lara (7)

Amanda Keller Siqueira (8)

(1) Bolsa de Pos-doutorado FAPESP (2011/17957-0); auxilio pesquisa FAPESP (2012/03128-5)

(2) Professor Associado. Departamento de Genetica, Evolucao e Bioagentes, UNICAMP--Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil. CP 6109, CEP 13083-862. Tel (+55) 19-35216272. E-mail: domingos@unicamp.br (Enderego para correspondencia).

(3) Biologa Responsavel. Laboratorio de Antigenos Bacterianos. Departamento de Genetica, Evolucao e Bioagentes, UNICAMP--Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil. E-mail: miferraz@unicamp.br.

(4) Professor Adjunto. Disciplina de Enfermidades Infecciosas dos Animais--Departamento de Higiene Veterinaria e Saude Publica (DHVSP)--Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia (FMVZ)--UNESP/Botucatu, SP.E-mail: mgribeiro@fmvz.unesp.br.

(5) Doutoranda em Medicina Veterinaria, Area de Saude Animal, Saude Publica Veterinaria e Seguranga Alimentar--FMVZ UNESP/Botucatu, SP. E-mail: marilia_gu@uol.com.br.

(6) Doutorando em Medicina Veterinaria, Area de Saude Animal, Saude Publica Veterinaria e Seguranga Alimentar--FMVZ UNESP/Botucatu, SP. E-mail: farturavetufpr@hotmail.com.

(7) Doutorando em Medicina Veterinaria, Area de Saude Animal, Saude Publica Veterinaria e Seguranga Alimentar--FMVZ UNESP/Botucatu, SP. Email: gunnys7@gmail.com

(8) Pesquisadora. Departamento de Genetica, Evolucao e Bioagentes, UNICAMP--Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil. E-mail: kellersiqueira@hotmail.com.
Tabela 1. Iniciadores utilizados na Reagao em Cadeia pela
Polimerase.

Gene                  Sequencias (5'-3')         T[degrees]C/
                                                 Produto (pb)

[bla.sub.TEM]        TCG GGG AAA TGT CGC G          60/972
                  TGC TTA ATC AGT GAG GCA CC

ampC              CCC CGC TTA TAG AGC AAC AA        60/634
                  TCA ATG GTC GAC TTC ACA CC

intl             GGG TAC AAG GAT CTG GAT TTC G      62/483
                  ACA TGG GTG TAA ATC ATC GTC

int2             CAC GGA TAT GCG ACA AAA AGG T      62/788
                CGT AGC AAA CGA GTG ACG AAA TG
COPYRIGHT 2013 Universidade Estadual Paulista. Facultade de Medicina Veterinaria e Zootecnia
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2013 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Leite, Domingos da Silva; Ferraz, Mirtis Maria Giaciani; Ribeiro, Marcio Garcia; Franco, Marilia Mas
Publication:Veterinaria e Zootecnia
Date:Jun 1, 2013
Words:961
Previous Article:Milk yield and composition of mammary quarters with subclinical mastitis caused by coagulase-negative Staphylococci/Producao e composicao do leite de...
Next Article:The monitoring of key points of incorporation of micro-organisms in reception, processing and bottling of milk/Monitoramento dos principais pontos de...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters