Printer Friendly

Analysis of waste measurement: case study at a hospital in the city of Cascavel--PR/Analise da mensuracao de desperdicios: estudo de caso em um hospital na cidade de Cascavel-PR.

INTRODUCAO

A atividade hospitalar no Brasil possui uma crescente demanda, por se tratar de uma necessidade basica da populacao. Assim como outras empresas no mercado, a busca pela lucratividade nessas instituicoes deve passar pela reducao de custos, correta gestao e diminuicao de desperdicios, tudo isso aliado a atender as demandas dos consumidores com o menor prazo e maior qualidade possivel. Segundo Bonacim e Araujo (2010), a economia em saude vem ganhando espaco extremamente importante no mundo, porem, os recursos utilizados na assistencia medica apresentam crescimento na demanda por conta da tecnologia, que vem sendo aprimorada. Tambem e importante salientar a necessidade de adesao a conceitos com vistas a se tornarem o foco principal do processo no cliente, mas sem esquecer-se da produtividade. Isso posto, e necessario que os hospitais possuam sistemas de custos eficientes para se manterem sustentaveis no mercado. Segundo Dall'Asta e Barbosa (2014), a atividade da assistencia medico-hospitalar demanda altos investimentos tecnologicos e no pessoal, porem possui tres fontes altamente reguladas de receitas: o Sistema Unico de Saude (SUS), as empresas administradoras de planos de saude e o autofinanciamento dos proprios pacientes.

Segundo estudos na area, dois dos tres segmentos de demanda de servicos estabelecem seus precos com base em tabelas com valores totalmente diferentes daqueles baseados nos custos dos hospitais privados. Com isso, e importante uma reestruturacao no que tange a mensuracao de custos para eliminar aqueles desnecessarios, sem interferir nos atributos dos servicos prestados (Dall'Asta & Barbosa, 2014). Diante do crescimento do setor economico da saude, da necessidade de constantes aprimoramentos na area tecnologica e no capital humano, a presente pesquisa justifica-se pela vantagem que pode ser adquirida pelos hospitais privados que adotem um modelo de gestao de custos adequado, principalmente com vistas a reduzir ou eliminar o desperdicio, podendo gerar maior lucratividade, sem diminuir a qualidade dos servicos prestados.

Nesse sentido, o modelo conceitual de mensuracao de desperdicios e ociosidade em hospitais proposto e uma aplicacao do trabalho desenvolvido por Dall'Asta e Barbosa (2014). Este foi aplicado em um hospital privado da cidade de Cascavel, Parana. A mensuracao de desperdicios detalhada no modelo conceitual proposto e fundamentada no custeio por absorcao ideal, que se torna uma ferramenta indispensavel para racionalizacao dos recursos e, consequentemente, aumento de lucratividade. Esse modelo possui como vantagem o fato de nao buscar alterar o metodo de custeio utilizado pelo hospital, mas, sim, gerar informacoes uteis para a eliminacao de desperdicios e aumento da rentabilidade do hospital a ser aplicado. Assim, o modelo consiste na estruturacao do sistema de custos para identificar e mensurar desperdicios e propor relatorios que apresentem a ociosidade em areas do hospital. Com isso, os gestores podem avaliar no ambito financeiro os contratos fechados com administradoras de planos de saude e, principalmente, poderao verificar se a ociosidade acusada pelos relatorios pode ser substituida por contratos com o SUS, fonte de receita que menos paga, ou seja, mesmo que nao sejam financeiramente vantajosos, podem substituir perdas por ganhos.

Como forma de aplicacao do modelo em um hospital privado, o presente trabalho possui como problema a seguinte questao: "Qual e o aumento efetivo, no que tange a rentabilidade, com a utilizacao do metodo conceitual de mensuracao de desperdicios desenvolvido por Dall'Asta e Barbosa (2014)?".

O presente trabalho objetiva analisar os beneficios da aplicacao do metodo conceitual de mensuracao de desperdicios e ociosidade em hospitais desenvolvido por Dall'Asta e Barbosa (2014), fundamentado no metodo de custeio por absorcao ideal, para o hospital estudado, principalmente no que tange a rentabilidade obtida. Para auxiliar no alcance desse objetivo, foram propostos os seguintes objetivos especificos:

a) levantar fundamentacao de sistemas de custos utilizados em hospitais;

b) identificar o metodo de custeio atualmente utilizado pelo hospital estudado;

c) adequar o metodo utilizado, seguindo as etapas descritas, ao metodo conceitual proposto, por meio da estruturacao do sistema de custos para identificacao e mensuracao dos desperdicios.

A presente pesquisa foi realizada no hospital X, com sede na cidade de Cascavel, Parana. A aplicacao do modelo conceitual desenvolvido por Dall'Asta e Barbosa (2014) foi feita entre os meses de janeiro e novembro de 2015, por meio de observacao de demonstracoes contabeis e relatorios gerenciais do ano de 2014, dos meses de janeiro a dezembro.

REFERENCIAL TEORICO

A atividade hospitalar no Brasil passou por evolucoes e mudancas conforme o passar dos anos. Segundo Bittencourt (1999), o ambiente hospitalar esta se tornando competitivo pelas modificacoes no ambiente empresarial em nivel mundial, exigindo uma nova organizacao, com a adesao a conceitos que tornem o processo produtivo mais voltado ao cliente e possibilitem atingir melhores niveis de produtividade. Ha muitos anos a qualidade dos servicos hospitalares e questionada no Brasil, somado ao fato de que recursos para investimentos em novas tecnologias nao acompanham a evolucao do que e oferecido pelos fornecedores. Dessa forma, novos conhecimentos de gestao devem ser buscados a fim de que possam melhorar sua forma de atender as pessoas dentro da grande complexidade que esse segmento tem seguido (Souza et al., 2013).

Contabilidade e Sistemas de Custo

A Contabilidade, apesar de ter um enfoque em numeros e contas, e uma importante ciencia da area social. Tem como objetivo registrar e analisar as variacoes do patrimonio das empresas e, atualmente, serve como instrumento de controle e planejamento, alem de subsidiar a tomada de decisoes por parte dos administradores e gestores (Martins, 2009).

Dentro da Contabilidade existem varias divisoes. De acordo com Martins (2009), entre elas, destaca-se a Contabilidade de Custos, que esta inserida na Contabilidade Gerencial e teve sua origem apos a Revolucao Industrial, no seculo XIX. Ate entao, as empresas apenas compravam e vendiam mercadorias, e apuravam o resultado de suas operacoes com a formula do CMV (custo das mercadorias vendidas):

CMV = Estoque Inicial + Compras Liquidas - Estoque Final.

Apos o surgimento de maquinas industriais, a producao de bens passou a ser em larga escala, aumentando a complexidade da mensuracao contabil. Ou seja, apenas a formula de custo das mercadorias vendidas nao conseguia mensurar o real custo de cada item produzido. Com isso, segundo Crepaldi (2004), surgiu, advinda da contabilidade geral, a contabilidade de custos, justamente pela necessidade de se ter um controle maior sobre os valores a serem atribuidos aos estoques de produtos na industria, alem da necessidade de se tomar decisoes quanto ao que, como e quando produzir.

Qualquer empresa ou atividade que manipule valores necessita de controle de custo, nao importa seu tamanho. E mais, nao basta controle sem analise, por isso, a Contabilidade de Custos nao serve apenas como um instrumento de mensuracao monetaria de estoques e resultado, mas tambem possui grande potencial no campo gerencial, no auxilio do Controle e como ajuda para tomada de decisoes, por consistir na alimentacao de informacoes sobre valores que dizem respeito a consequencias de curto e longo prazo nas empresas sobre os produtos fabricados e/ou comercializados por elas. A Contabilidade de Custos e essencial para empresas e industrias, bem como hospitais, e sua correta utilizacao garante a correta mensuracao de estoque, a alocacao certa dos recursos necessarios para fabricacao e comercializacao de produtos e/ou servicos, e tambem a correta formacao de precos com o objetivo de maximizar o lucro. Os hospitais, assim como sao considerados organizacoes complexas em suas atividades, ao mesmo tempo sao sistemas frouxamente articulados, por apresentarem uma diversidade muito grande de operacionalidade em seu interior. Por conta da diversidade, cria-se a emergencia nos gestores a buscarem ferramentas que os auxiliem no escalonamento dos custos (Silva, 2013).

Ademais, obras sobre sistema de custeio e controle gerencial na area da saude tem propiciado amadurecimento no setor. Empresas de tecnologia de informacao estao desenvolvendo programas com informacoes detalhadas sobre custos ao Mercado de Saude. Percebe-se que as tecnicas estao cada vez mais aperfeicoadas, gerando qualidade na prestacao dos servicos, permitindo que os desperdicios possam ser amenizados (Capponi, 2015). Porem, antes de adentrarmos nos sistemas de custeio, e importante destacar as principais nomenclaturas utilizadas na Contabilidade de Custos.

Sistemas de Custeio

Entende-se como sistema de custeio a forma de organizar os valores ocorridos em relacao a elaboracao de produtos, servicos ou procedimentos nas organizacoes, tendo que ocorrer de maneira sistematica e organizada para efetivar seu real valor (Ching, 1997). Ainda de acordo com o autor, nenhum sistema sera suficiente por si so, este deve ser estruturado e alimentado de maneira cotidiana, a fim de que a ferramenta utilizada possa se tornar util para a empresa. De acordo com Dall'Asta e Barbosa (2014), atualmente, para que os hospitais se mantenham no mercado, e fundamental a utilizacao de um sistema de custos que possa gerar informacoes nao so dos custos do atendimento a saude, mas tambem dos recursos desperdicados com a ociosidade e ineficiencia em seu complexo e caro sistema de prestacao de servicos.

Segundo Abbas (2001), diante das caracteristicas hospitalares, percebe-se que os sistemas de custo nessas empresas devem objetivar nao somente a determinacao de precos dos servicos, mas tambem uma analise interna que permita um melhor conhecimento dos resultados da gestao e uma melhoria no funcionamento da organizacao. De acordo com Bornia (2010), existe certa dificuldade de esclarecimento quanto principio e metodo de custeio. Segundo esse autor, e no metodo de custeio que ocorre a alocacao dos custos aos produtos; porem antes de ocorrer a alocacao deve-se analisar qual e a parcela de custo que deve ser analisada e para essa situacao e atribuido o principio de custeio.

Como principio se tem: custeio por absorcao ou custeio por absorcao ideal e custeio variavel ou direto; como metodos existem o reichskuratorium fur wirtschaftlichkeit (RKW) e o custeio baseado em atividades (ABC). Esses principios e metodos sao discutidos a seguir.

De acordo com Santos (2011), a contabilidade de custos, quando procura custear o produto atribuindolhe tambem parte do custo fixo, e conhecida pelo metodo de custeamento por absorcao (full cost). Esse metodo consiste na apropriacao de todos os custos de producao aos produtos elaborados de forma direta e indireta (rateios). Entretanto, esse sistema apresenta falhas em muitas circunstancias, como instrumento gerencial de tomada de decisao, pois tem como premissa basica os "rateios" dos chamados custos fixos, que, apesar de aparentarem logicos, poderao levar a alocacoes arbitrarias e ate enganosas (Santos, 2011).

O custeio por absorcao ideal se apresenta como instrumento no processo de melhoria continua da empresa, pois alem de computar todos os custos, fixos e variaveis, como custos dos produtos, estabelece a separacao dos custos utilizados pela empresa e a capacidade da empresa nao utilizada (ociosidade). Nesse caso, estabelece a diferenciacao entre custos e desperdicios, sendo fundamental para o custeamento de perdas no processo produtivo (Dall'Asta & Barbosa, 2014). Outro principio de custeio, o custeio variavel, so aloca aos produtos os custos variaveis, com os custos fixos sendo considerados despesas do periodo. Segundo Bittencourt apud Vasconcelos (1999), esse custeio atribui os custos de acordo com cada unidade, de modo que o volume de producao altera a dimensao dos custos.

O metodo de custeio ABC, de acordo com Capponi (2015), possui sua parcela de contribuicao aquilo que a empresa necessita, mas torna-se limitado aos parametros estabelecidos por suas normativas. Empresas com produtos competitivos tem que conhecer as atividades e os custos inerentes a execucao dos produtos ou servicos. De acordo com Santos (2011), o metodo ABC acaba fornecendo uma nova ferramenta de gestao, pois permite detectar desperdicios em uma empresa. Isso acaba acontecendo atraves da analise de tais atividades, ou seja, as que geram valor e as que nao geram valor, mesmo porque a contabilidade de custos tem sido usada atualmente como importante "banco de dados" para a tomada de decisoes.

Ja o custeio RKW e uma tecnica que consiste no rateio nao so dos custos de producao como tambem de todas as despesas da empresa, inclusive financeiras, a todos os produtos. Mostra-se claro que as tecnicas desse rateio sao baseadas na alocacao dos custos e despesas aos diversos departamentos da empresa para depois irse procedendo as varias series de rateio de forma que, ao final, todos os custos e despesas estejam recaindo exclusivamente sobre os produtos (Martins, 2008).

A alocacao de custos indiretos pode seguir o criterio de centros de custos. Para Martins (2009), estes sao as unidades minimas de acumulacao de custos indiretos. Ja segundo Abbas (2001), os centros de custos podem ser definidos como unidades que se caracterizam por realizar atividades homogeneas (com a mesma finalidade) dentro do processo produtivo da organizacao. Ainda de acordo com a Abbas (2001) citando Rochi (1982), a definicao dos centros de custo varia de acordo com o processo de trabalho de cada organizacao e, dessa maneira, agrupa os centros de custo em tres categorias: Centros Auxiliares e de Apoio (CAA), Centros Gerenciadores de Receita (CGR), Centros Administrativos (CA).

Caracterizacao do Modelo Proposto

Dall'Asta e Barbosa (2014) desenvolveram como proposta um metodo conceitual de mensuracao dos desperdicios de ociosidade em hospitais, fundamentado no metodo de custeio por absorcao ideal. Esse modelo consiste na estruturacao do sistema de custos para identificar e mensurar desperdicios e propor relatorios que mensurem desperdicios com ociosidade, por meio de etapas, detalhadas a seguir, no Quadro 1.

Estudos sobre sistemas de custeio em hospitais

Por meio do criterio de relevancia e contribuicoes com o tema estudado no presente trabalho, neste topico sao abordados trabalhos cientificos que possuem contribuicoes a implantacao, identificacao e sistematizacao de custos nos hospitais. Recentemente, a pesquisadora Capponi (2015) publicou uma dissertacao em que realizou o mapeamento dos sistemas de custeio atualmente utilizados em Cascavel, Parana. Objetivou-se verificar os hospitais que ja haviam implantado o sistema de custos,

A pesquisa de Capponi (2015) foi respaldada no universo dos hospitais situado no Portal do Municipio de Cascavel-PR em 2014, em que a composicao se faz em dez organizacoes. O levantamento da autora revelou que, das nove organizacoes, quatro possuem um sistema de custeio implantado, atraves de um Programa Integrado de Gestao Hospitalar, mas que atende a sua necessidade das informacoes nos mais variados contextos. Tres delas ainda nao possuem, em duas estao iniciando a implantacao da plataforma de Gestao Hospitalar.

Outro estudo relevante na area de sistemas de custeio em hospitais foi realizado por Silva, Scarpin, Barp e Dias (2013), em que os pesquisadores investigaram a percepcao dos gestores operacionais que atuavam em um hospital da regiao do Vale do Itajai, em Santa Catarina. Este estudo concluiu que existe uma efetiva contribuicao do sistema de custeio do hospital para o apoio ao processo de decisao, bem como o fato de os hospitais brasileiros carecerem de adequados Sistemas de Informacoes Gerenciais (SIGs), principalmente aqueles destinados a prover informacoes relacionadas a custos. Alem disso, observou-se que no hospital estudado fatores tecnologicos, poder de fornecedores e agentes reguladores atuam como fatores impactantes para o gerenciamento do hospital; que a elevada autonomia de equipes operacionais pode prejudicar as decisoes administrativas; e o fato de os envolvidos no processo decisorio em nivel operacional serem treinados para alimentar o sistema de custeio, assim como compreendem e se utilizam das informacoes de custos para a gestao, sao fatores importantissimos na implantacao de um sistema de custeio que reflita as informacoes da organizacao hospitalar.

Procedimentos metodologicos

Esta pesquisa tem como tipologia, quanto aos objetivos, a caracteristica de um estudo descritivo, pois descreveu as caracteristicas de determinada populacao, por meio da identificacao das relacoes entre variaveis e caracteristicas mais importantes. No que se refere aos procedimentos, este estudo caracteriza-se como estudo de caso, pois abordou um hospital do municipio de Cascavel-PR; assim, foi possivel uma analise em profundidade da realidade estudada. Ja quanto a abordagem do problema, tendo em vista se tratar de estudo de campo e pela forma como foram apresentados os resultados, classificou-se como um estudo qualitativo.

Para que a pesquisa siga com sucesso em sua elaboracao, e importante que o pesquisador elabore uma proposicao para responder ao problema, de modo que norteie os objetivos do estudo. De acordo com Porton e Beuren (2010), a hipotese e uma solucao provisoria para o problema, aliada ao fato de ter uma consistencia logica para que possa ser verificada. Isso posto, a presente pesquisa possui como proposicao, baseada em estudos anteriores: "A aplicacao do modelo conceituai desenvolvido por Dall'Asta e Barbosa (2014) para verificacao do que e custo e o que e desperdicio gera resultados positivos, pois reduz desperdicios e a ociosidade na empresa. Consequentemente, tornar-se-a possivel obter uma rentabilidade superior a atual caso o metodo conceitual seja adotado". Os instrumentos de pesquisa utilizados na presente pesquisa sao a observacao, entrevista e analise documental.

A observacao consiste em usar os sentidos para a obtencao de determinados aspectos da realidade. Desempenha papel essencial no contexto da descoberta e obriga o pesquisador a ter um grande contato com o objeto de estudo (Colauto & Beuren, 2010). No trabalho em teste foi utilizada a observacao simples, pois o pesquisador nao possui interacao com o hospital em questao. Ademais, a entrevista e uma comunicacao verbal entre duas ou mais pessoas, com grau de estruturacao previamente definido. Pode ter como objetivo averiguar fatos ou fenomenos; sua eficacia passa pela competencia e preparo do entrevistador (Silva, 2008). No presente trabalho foi utilizada a entrevista semiestruturada, como forma de complementacao e triangulacao com os dados adquiridos no sistema e em documentos.

Por fim, a pesquisa documental, segundo Colauto e Beuren (2010), possui valiosa fonte de coleta de dados nas pesquisas em ciencias sociais. Documentos auxiliam no processo investigatorio, alem de serem irrefutaveis em determinadas pesquisas. Neste caso, serao utilizados documentos de "primeira mao", pois ainda nao foram tratados e transformados em informacoes relevantes para a pesquisa. Os documentos a serem analisados serao, principalmente, relatorios gerados pelo sistema atualmente utilizado pelo hospital estudado, bem como notas fiscais, caso sejam relevantes para o estudo. Os tres instrumentos, ao serem utilizados com um mesmo proposito, foram uma importante maneira de triangulacao no estudo em questao, para provar a veracidade das informacoes geradas.

Utilizou-se como procedimento da coleta de dados fontes documentais cedidas pelo hospital, entrevistas semiestruturadas com funcionarios responsaveis pelos setores de Contabilidade e financeiro, bem como a observacao. Os dados coletados foram posteriormente analisados, comparados com a revisao bibliografica e entao foi realizada a aplicacao do modelo conceitual. Assim, foi possivel mensurar se existe a viabilidade da aplicacao desse modelo no hospital, e se este traria beneficios.

A entrevista semiestruturada foi replicada do questionario para entrevista com hospitais da regiao de Cascavel elaborada por Capponi (2015), em que a autora, como ja mencionado anteriormente, faz um diagnostico dos sistemas de custeio utilizados nos hospitais da regiao. Ainda, foram adicionadas algumas questoes complementares com base nas proposicoes trabalhadas por Silva, Scarpin, Barp e Dias (2013) em um hospital do Vale do Itajai, SC. Ademais, para auxiliar na coleta dos dados, foi desenvolvido um constructo, detalhado no Quadro 2, que possui base naquele elaborado em tese de Silva (2010), em que a autora o organiza de acordo com os objetivos especificos estudados. Assim, torna-se mais compreensivel o trajeto da coleta de dados e quais norteadores os instrumentos de pesquisa seguiram.

De acordo com a fundamentacao teorica (autores apontados na coluna "fontes", no Quadro 2), os objetivos propostos delineados (identificacao do Sistema de Custeio, estrutura fisica do hospital estudado, tamanho e tecnologia) foram classificados em dimensoes (estrutural, funcional, fisica e caracteristicas) e categorias (Sistemas de Custos e sua operacionalizacao, organogramas, setores e departamentos, numero de leitos, e tecnologia da informacao aplicada aos custos), para entao serem pormenorizados os instrumentos especificos de coleta para cada topico.

Para analise dos dados, foi considerada a pesquisa teorica realizada no assunto, bem como os dados coletados na observacao, entrevista e documentacao. Apos esse procedimento, foram confrontados todos os dados gerados pelo sistema com aqueles ja citados anteriormente como forma de triangulacao, para verificar a veracidade destes. Ademais, foi utilizado como maneira de auxiliar na analise o sistema NVivo[R], software de analise qualitativa de dados, para gerar informacoes ao leitor de maneira organizada e relevante com os principais pontos encontrados nas entrevistas. Posteriormente foi realizada a aplicacao do modelo conceitual nos dados ja triangulados. Com isso, foi possivel a elaboracao de relatorios que mensurem corretamente desperdicios e ociosidade, e, assim, foi comprovado se existe aumento nos resultados com a implantacao desse modelo no hospital estudado.

Este estudo possui como limitacao o fato de seus resultados nao poderem ser aplicados a outras empresas. Isso nao impede que, em estudos futuros, o modelo conceitual possa ser aplicado em um hospital diferente, ate mesmo um hospital publico, que possui estrutura organizacional e financeira diferente da de um hospital privado. Outras limitacoes a serem consideradas sao relacionadas as fontes documentais (de segunda mao), bem como aquelas referentes as dificuldades das entrevistas semiestruturadas realizadas.

Analise dos resultados

Nesta secao sao apresentados os resultados das entrevistas e demais coletas de dados utilizadas e analisadas.

Apresentacao do hospital

O Hospital estudado se apresenta como um hospital cirurgico, com 130 (cento e trinta) leitos, contando com oito salas cirurgicas, pronto atendimento com plantonista 24 horas, alem de especialistas a distancia, hemodinamica, raio X proprio, litotripsia, UTI Geral, UTI Coronariana e UTI Neonatal com plantonista 24 horas (Martins, 2012). Ainda, a equipe de administracao e composta por Diretor Executivo com a formacao e especializacao em administracao hospitalar, Diretor Administrativo socio-cotista medico, Diretor Clinico socio-cotista medico, Conselho Diretor, Conselho Fiscal e possui contabilidade propria como estrategia e visao futurista e gerentes de areas. Atende pacientes de todas as idades, vinculados ou nao aos planos de saude conveniados com a instituicao, ou seja, particularmente e por meio de convenios.

Caracterizacao do sistema de custos utilizado pelo hospital

O sistema de custos utilizado pelo hospital estudado denomina-se TAZY. E um sistema integrado que aborda varios setores do hospital, exceto a folha de pagamento. Funciona on-line (informacoes em tempo real) e e distribuido nos modulos de acordo com a funcao de cada setor, como, por exemplo, centro de tratamentos, controle de medicamentos no centro cirurgico e farmacia, estoques no almoxarifado, prescricao medica nas alas, controle de alimentacao e nutricao. O sistema de custos utilizado no hospital e um modelo chamado "custos". Ao longo dos dez anos de implantacao, ainda existem algumas situacoes em que existe a alimentacao manual, como na lavanderia. Porem o peso de roupas lavadas ja pode ser calculado, pois as maquinas de lavar roupas ja possuem sistema que marca quantos quilogramas (kg) foram e podem ser lavados naquela maquina. Entretanto, os colaboradores que trabalham no hospital, ao fazerem uso do sistema, mesmo sem saber, ja o estao alimentando. Informacoes como a internacao do paciente sao acompanhadas em tempo real devido ao processo de cadastro no sistema. Ademais, o TAZY interage com os colaboradores conforme e buscada a informacao. E possivel saber a qualquer momento as informacoes de todos os pacientes internados, quais medicamentos foram prescritos, qual dieta deve ser seguida, entre outras.

Analise dos dados

Nesta secao encontra-se a analise dos dados coletados por meio das entrevistas e documentos. Infere-se que o diretor executivo, em entrevista concedida de maneira semiestruturada, utiliza com maior frequencia as palavras "hospital", "sistema", "gente", "paciente" e "custo". Ja na entrevista concedida pela contadora do hospital, as maiores frequencias de palavras citadas sao as seguintes: custo (75 vezes), custos (38 vezes), hospital (32 vezes), bem como paciente (30 vezes).

Assim, conclui-se que as falas do diretor e da contadora estao em sincronia, bem como corroboram a fase 1 de implantacao do modelo conceitual elaborado por Dall'Asta e Barbosa (2014), referente a conscientizacao dos gestores e responsaveis acerca da importancia da mensuracao de desperdicios com ociosidade. Dessa maneira, o topico a seguir discute as fases de implantacao do modelo conceitual na organizacao hospitalar estudada.

Neste topico busca-se discutir as fases 2, 3, 4, 5 e 6 do modelo conceitual elaborado, visto que a fase 1 foi a conscientizacao dos gestores e responsaveis pelo sistema de custos sobre a importancia da separacao de desperdicios, ja abordada no item anterior. Posteriormente, no proximo topico sera discutida a analise do sistema de custos do hospital, ja abordado na coleta de dados. E importante ressaltar que as tabelas foram preenchidas com valores ficticios, de maneira a proteger o sigilo das informacoes da organizacao estudada.

Fase 2--analise do sistema de custos do hospital

Na presente fase, buscou-se determinar a capacidade de producao de acordo com a distribuicao de custos em cada centro de custos, conforme a realidade do sistema de custos da organizacao hospitalar estudada, para que posteriormente o sistema possa informar a ociosidade em cada centro de custos. No caso da aplicacao na organizacao hospitalar estudada, tem-se a definicao da capacidade dos centros de custos de Administracao, Contabilidade, Faturamento, Informatica, Sede Social, Construcao e Edificacao, Financeiro, CCIH, Recursos Humanos, Tesouraria, Lactario, Lavanderia, Servico de Nutricao e Dietetica (SND), Central de Materiais Esterilizados (CME), Limpeza, Manutencao, Suprimento, Telefonia, Centro de Alocacao de RH/Beneficios, Internamento, SAME, Centro de Alocacao das Despesas com Medicos, Energia Eletrica, Central de Ar Condicionado, Gas Medicinal, Sistema de agua e esgoto/Lixo Hospitalar, Seguranca no trabalho, Centro de alocacao de gas GLP, depreciacao e Agencia transfusional. Destaca-se novamente neste ponto que o sistema de custos utilizado pelo hospital estudado e o custeio por absorcao, explicitado no mesmo quadro, valores a servirem de exemplo para a demonstracao do modelo proposto. Nesse sentido, os custos sao rateados por setores, que no caso do hospital estudado sao: alas 01 a 09, pronto atendimento, ecodiagnose, hospital dia, litotripsia, raio X, UTI geral e UTI Neonatal. O Quadro 5 traz as informacoes advindas da receita com convenios e particulares, bem como os custos fixos totais, custo de materiais e medicamentos (no caso do hospital, sao alocados em uma mesma conta). Foram selecionados os centros de apoio em que e mais evidente a mensuracao entre custos e desperdicios lavanderia, servico de nutricao e dietetica (SND) e internamentos, pois tambem possuem criterio de rateio de facil entendimento. Tambem e evidenciado o custe administrativo por setor, bem como a final margem liquida com base no custeio por absorcao.

Fase 3--definicao da capacidade de cada recurso de producao

Como ja mencionado no referencial teorico essa etapa consiste em determinar a capacidade de producao de acordo com a forma de distribuicao de custos em cada centro de custos, dando a condicao para que se possa informar a ociosidade em cada centro de custos. Primeiramente e necessario definir a capacidade dos centros de custos, no caso da organizacao estudada custos de servicos de nutricao e dietetica, lavanderia e internamento. Assim, e determinada a capacidade maxima de producao nos setores de apoio SND lavanderia e internamentos, bem como a capacidade maxima de producao por setor, para posterior producao realizada no periodo e evidenciacao da ociosidade.

Nesse sentido, o Quadro 3 apresenta a terceira fase da implantacao do modelo conceitual na organizacao hospitalar estudada.

Nesse sentido, a unidade de medida a ser distribuida na nutricao e dietetica e por unidades de refeicoes servidas; na lavanderia, por quilogramas de roupas lavadas; e, no internamento, por numero de atendimentos. Nota-se que sao divididas as quantidades maximas de acordo com cada setor, sendo que existem alas (como o hospital geral, por exemplo) em que determinados servicos (como o servico de nutricao) nao sao demandados.

Fase 4--estruturar as rotinas de apontamentos do sistema de custos

Conforme sistematizacao de acordo com os topicos anteriores, o sistema estara preparado para apresentar a quantidade produzida por periodo em cada centro de custos. Assim, com base na capacidade de producao, definira a quantidade e o valor da ociosidade em cada centro de custos, possibilitando a aplicacao do custeio integral ideal no sistema de custos, conforme descrito no Quadro 4. Verifica-se que a ociosidade e apontada por centros de apoio (SND, lavanderia e internamento), bem como segregada por setores. Aqui, demonstra-se a capacidade de producao e ociosidade em cada setor de acordo com os criterios adotados de rateio. Observa-se no exemplo que as alas 01 a 09 e a UTI neonatal apresentam uma ociosidade de 200 leitos. Ja com relacao a nutricao e dietetica, os setores que apresentam maior ociosidade sao novamente as alas 01 a 09 e a UTI geral. Com relacao a lavanderia, novamente as alas 01 a 09 apresentam maior ociosidade, com um total de 25.000 kg de roupas.

Fase 5--utilizacao do custeio por absorcao ideal nos centros de custos

Apos mapeamento completo dos centros de custos do hospital, bem como a capacidade de producao nos centros de custos, segue-se para a aplicacao do principio de custeio por absorcao ideal. Nesse ponto, mensuracao entre custos e desperdicios e essencial para o controle produtivo, para serem verificadas formas de alteracoes no processo que reduzam ou ate eliminem fatores ou gargalos que possam existir na cadeia de prestacao do servico. Conforme Dall'Asta e Barbosa (2014), com a capacidade dos centros de custos auxiliares distribuidas para os centros produtivos, separando os custos dos desperdicios de ociosidade. Os autores propoem a mensuracao de desperdicios nesse ponto no centro de custos referente a farmacia.

Entretanto, utiliza-se o centro de custo internacoes devido aquela nao ser classificada como centro de custos na organizacao hospitalar estudada, mas como centro gerador de receitas, pois parte dos rendimentos do hospital advem da comercializacao de medicamentos.

Observa-se que foi levantado o custo fixo no setor de Servicos de Nutricao e Dietetica no valor de R$ 47.222,33. Com a capacidade produtiva de 155.120 refeicoes, o custo unitario ideal por refeicao e de R$ 0,30. Com os apontamentos feitos por meio da distribuicao dos custos fixos entre as refeicoes feitas e as que deixaram de ser, verifica-se um montante de ociosidade dos setores de R$ 15.877,56. No tocante aos custos fixos do centro de custos referente a internamentos, somando o montante de R$ 37.090,00, em que o custo ideal unitario por internamento e de R$ 25,40, resulta-se em um somatorio de ociosidade no valor de R$ 14.377,90. Quanto aos valores referentes ao centro de custos da lavanderia, a partir do valor apurado do custo fixo do centro dividido pela capacidade, apura-se um custo unitario ideal de R$ 0,40 com o apontamento das requisicoes emitidas em cada centro de custos produtivos e feita a distribuicao, de acordo com a capacidade de cada centro de custo. Dessa maneira e verificado o valor de R$ 30.429,09 referentes a ociosidade.

Posteriormente, efetuou-se a partir do levantamento dos custos fixos dos setores em que o hospital e dividido a apuracao dos custos fixos, bem como mensurada a capacidade total, produzida e a ociosidade. Levantou-se um montante de custos no valor de R$ 4.092.257,00, assim como se verifica que a soma da ociosidade dos setores atinge R$ 1.523.959,05. Nesse caso seria ideal rever os processos que sistematizam a formacao do preco de servico, bem como o desperdicio causado pela nao utilizacao dos recursos disponiveis na organizacao hospitalar. E importante salientar que a intencao da proposicao desse modelo conceitual nao e alterar o atual sistema de custos utilizado pelo hospital, porem de acordo com a literatura estudada existem maneiras mais efetivas de se apurarem os custos em organizacoes, que podem ajudar na revisao dos processos, reducao dos desperdicios e ociosidade e consequente aumento da rentabilidade.

Em suma, uma sintese da apuracao do custo unitario ideal dos setores mostra os seguintes valores: R$ 25,40 para o internamento, R$ 0,40 no setor lavanderia e R$ 0,30 no servico de nutricao e dietetica. Dessa maneira tambem sao apurados na presente tabela o custo unitario ideal a ser cobrado por paciente nos setores descriminados.

Fase 6--calculo da margem liquida ideal e desperdicio de ociosidade

O calculo da margem liquida ideal procede a distribuicao dos custos fixos, ja delimitados nos topicos anteriores da aplicacao. Assim, o sistema de custos ja esta apto a apresentar a separacao entre os custos e os desperdicios com ociosidade, possibilitando a apuracao da margem liquida ideal e do montante de recursos despendidos com a ociosidade. O Quadro 5 apresenta o resultado do periodo, bem como apura a margem liquida ideal e a margem liquida final, relatando o valor referente a desperdicios com ociosidade.

CONCLUSOES

O presente trabalho buscou, atraves de um estudo de caso, analisar a aplicabilidade do modelo conceituai de mensuracao de desperdicios e ociosidade elaborado por Dall'Asta e Barbosa (2014), em um hospital privado com sede na cidade de Cascavel. Dessa maneira, primeiramente buscou-se atingir os objetivos especificos. O primeiro foi a revisao da literatura e a fundamentacao teorica acerca dos sistemas de custos utilizados nos hospitais, bem como ambientar o leitor sobre a atual situacao dos hospitais brasileiros com relacao aos sistemas de custos. Para isso, por criterio de relevancia, foram citadas duas pesquisas na area, das autoras Capponi (2015) e de Silva, Scarpin, Barp e Dias (2013), que ajudam a enriquecer a demonstracao do atual cenario da sistematizacao de custos nos hospitais brasileiros.

O segundo objetivo especifico foi identificar o metodo de custeio atualmente utilizado pelo hospital. Nesse sentido, atende-se a segunda fase da aplicacao do modelo conceitual (presente no terceiro objetivo especifico), em que foi necessario identificar o atual sistema de custos utilizado no hospital. A primeira fase consistiu na conscientizacao de gestores sobre a importancia da mensuracao dos desperdicios na formacao dos custos, porem foi constatado em entrevistas que eles ja possuem essa preocupacao.

A terceira fase foi composta da definicao da capacidade de cada recurso de producao, no caso, determinar a capacidade de producao de acordo com cada centro de custos alocado pelos setores do hospital. Com isso, a proxima fase (4) foi apontar as rotinas de apontamentos e mensurar o valor dos desperdicios de acordo com a capacidade estabelecida na fase 3. Assim, a fase 05 compreendeu a utilizacao do custeio por absorcao ideal, em que ocorre a separacao de capacidade dos centros de custos auxiliares, como farmacia, nutricao, entre outros, para os centros de custo produtivos, como alas, pediatria, centro cirurgico. Com isso, o sistema de custos teria a sua disposicao o custo unitario de cada procedimento nos centros produtivos do hospital. A fase 6 tratou da apresentacao da separacao entre os custos e os desperdicios com ociosidade, possibilitando a apuracao da margem liquida ideal e do montante de recursos despendidos com ociosidade. Nesse sentido, o valor apontado pelo modelo como ociosidade pode ser redirecionado, bem como processos podem ser revistos, com objetivo de transformar esse valor em entrada de caixa. Assim, apos aplicacao do modelo e verificacao de que os valores apontados como ociosidade podem gerar futuras entradas de caixa, se revistos os processos, foi aplicado um questionario com escala Likert para verificar as percepcoes da contabilista do hospital sobre uma futura implantacao, proposicao validada por esta, que ainda confirmou que pode gerar beneficios.

Com relacao ao problema, buscou-se responder se existia aumento efetivo, no que tange a rentabilidade, com a utilizacao do metodo conceitual de mensuracao de desperdicios desenvolvido por Dall'Asta e Barbosa (2014). Teoricamente comprova-se que os desperdicios com ociosidade, por mais que demonstrados com valores ficticios, podem servir como subsidio para decisoes na alteracao de processos, ou como maneira de analise com relacao a abertura de leitos para o SUS, decisao que pode transformar um recurso ocioso em uma futura entrada de caixa. Assim, a hipotese sugerida no inicio da pesquisa--"A aplicacao do modelo conceitual desenvolvido por Dall'Asta e Barbosa (2014) para verificacao do que e custo e o que e desperdicio gera resultados positivos, pois reduz desperdicios e a ociosidade na empresa. Consequentemente, tornar-se-a possivel obter uma rentabilidade superior a atual caso o metodo conceitual seja adotado"--foi validada apos aplicacao do modelo conceitual e da coleta de percepcoes da contadora.

Conclui-se, portanto, que os sistemas de custo em hospitais sao atualmente indispensaveis para a formacao de precos e revisao dos processos, de maneira que a aplicacao do modelo conceitual para a demonstracao do que e desperdicio e ociosidade so vem agregar valor a sistematizacao dos custos nas organizacoes hospitalares. Sugere-se para trabalhos futuros uma possivel implantacao efetiva do modelo no hospital estudado, para analisar de maneira real os desperdicios e ociosidade, de maneira a auxiliar os gestores no processo decisorio e verificar os desperdicios efetivos do hospital estudado.

E-ISSN: 2316-3712

DOI: 10.5585/rgss.v6i1.305

Data de recebimento: 14/06/2016

Data de Aceite: 03/10/2016

Organizacao: Comite Cientifico Interinstitucional

Editora Cientifica: Marcia Cristina Zago Novaretti

Editora Adjunta: Lara Jansiski Motta

Avaliacao: Double Blind Review pelo SEER/OJS

Revisao: Gramatical, normativa e de formatacao

REFERENCIAS

Abbas, K. (2001). Gestao de custos em organizacoes hospitalares. Dissertacao de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianopolis, SC, Brasil.

Bittencourt, O. N. da S. (1999). O emprego do metodo de custeio baseado em atividades--activity-based costing (ABC)--como instrumento de apoio a decisao na area hospitalar. Dissertacao de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.

Bonacim, C. A. G., & Araujo, A. M. P. de (2010). Gestao de custos aplicada a hospitais universitarios publicos: a experiencia do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirao Preto da USP. Revista de Administracao Publica, 44(4), 903-931.

Bornia, A. C. (2010). Analise Gerencial de Custos: Aplicacao em Empresas Modernas (3a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Capponi, N. F. (2015). Sistemas de Custos em Organizacoes Hospitalares: Estudo de Casos no Municipio de Cascavel/PR. Dissertacao de mestrado, Pontificia Universidade Catolica do Parana, Cascavel, PR, Brasil.

Ching, H. Y. (1997). Gestao baseada em custeio por atividades--ABM--Activity Based Management (2a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Colauto, R. D., & Beuren, I. (2010). Metodologia. In: Beuren, I. M. (Org.) (2010). Como elaborar trabalhos monograficos em Contabilidade: teoria e pratica (3a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Crepaldi, S. A. (2004). Curso basico de contabilidade de custos (3a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Dall'Asta, D., & Barbosa, A. P. (2014). Modelo conceitual de mensuracao de desperdicios em hospitais privados. Revista de Gestao em Sistemas de Saude, 5(1), 40-56.

Martins, E. (2008). Contabilidade de custos (9a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Porton, R. A. B., Beuren, I. M. (2008). Formulacao de hipoteses e caracterizacao de variaveis em pesquisa contabil. In: Beuren, I. M. (Org.). Como elaborar trabalhos monograficos em contabilidade (3a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Santos, J. J. (2011). Contabilidade e Analise de Custos: modelo contabil, metodos de depreciacao, ABC--custeio baseado em atividades, analise atualizada de encargos sociais sobre salarios (6a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Silva, A. C. R. (2008). Metodologia da pesquisa aplicada a contabilidade: orientacoes de estudos, projetos, artigos, relatorios, monografias, dissertacoes, teses (2a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Silva, M. Z. (2013). Gerenciamento de riscos corporativos sob o enfoque da teoria contingencial: estudo de caso em uma organizacao hospitalar. Tese de doutorado, Universidade Regional de Blumenau FURB, Blumenau, SC, Brasil.

Silva, M. Z., Scarpin, J. E., Barp, A. D., & Dias, D. R. (2013). Determinantes contingenciais que contribuem para a efetividade do sistema de custeio em hospitais: um estudo de caso em um hospital do Vale do Itajai, SC. Revista de Gestao em Sistemas de Saude, 2(1), 67-90.

Souza, A. A., Xavier, A. G., Lima, L. C de M., & Guerra, M. (2013). Analise de custos em hospitais; comparacao entre os custos de procedimentos de urologia e os valores repassados pelo Sistema Unico de Saude. ABCustos Associacao Brasileira de Custos, 8(1), 53-67.

Nicole Regina Souza Rovaris (1)

Denis Dall'Asta (2)

Ivan Rafael Defaveri (3)

Juliano Francisco Baldissera (4)

(1) Mestranda em Contabilidade pela Universidade Estadual do Oeste do Parana--UNIOESTE, Parana (Brasil). E-mail: nirovaris@gmail.com

(2) Doutor em Engenharia de Producao pela Universidade Federal de Santa Catarina--UFSC, Santa Catarina (Brasil). Coordenador do Curso de Ciencias Contabeis pela Universidade Estadual do Oeste do Parana--UNIOESTE, Parana (Brasil). E-mail: denis.asta@unioeste.br

(3) Mestrando em Contabilidade pela Universidade Estadual do Oeste do Parana--UNIOESTE, Parana (Brasil). E-mail: ivandefaveri@hotmail.com

(4) Mestrando em Contabilidade pela Universidade Estadual do Oeste do Parana--UNIOESTE, Parana (Brasil). E-mail: iuliano.baldissera@hotmail.com
Quadro 1--Fases do modelo conceituai elaborado por Dall'Asta e
Barbosa (2014)

Conscientizacao              Nessa fase, ocorre a discussao com
  para a importancia           gestores acerca do sistema de
  da separacao de              custos e sobre a importancia da
  desperdicios                 identificacao e mensuracao dos
                               desperdicios com ociosidade,
                               etapa fundamental no processo
                               de eliminacao dos desperdicios
                               e aumento de rentabilidade
                               do hospital.
Analise do sistema de        Adquirir conhecimento acerca do
  custos do hospital           metodo e principio de custeio
                               aplicado ao hospital estudado.
                               Segundo Dall'Asta e Barbosa
                               (2014), a maioria dos hospitais
                               utiliza o metodo do centro de
                               custos, por isso, o metodo
                               abordara esse sistema de custeio.
                               Normalmente, de acordo com os
                               autores, esse sistema de apuracao
                               assume o custeio por absorcao
                               integral como abordagem tecnica.
Definicao da capacidade de   Essa etapa consiste em determinar
  cada recurso de producao     a capacidade de producao de acordo
                               com a forma de distribuicao de
                               custos em cada centro de custos,
                               dando a condicao para que o
                               sistema de custos possa informar
                               a ociosidade em cada dentro de
                               custos (Dall'Asta & Barbosa, 2014).
Estruturar as rotinas de     Apos a fase de definicao da capacidade
  apontamentos do sistema      de producao de cada centro de custos,
  de custos                    o sistema estara preparado para
                               apresentar a quantidade produzida
                               por periodo em cada centro de custos
                               e, com base na capacidade de producao,
                               definira a quantidade e valor da
                               ociosidade em cada centro de custos,
                               possibilitando a aplicacao do
                               custeio integral ideal no sistema
                               de custos (Dall'Asta & Barbosa, 2014).
Utilizacao do custeio por    Esse metodo necessita do mapeamento
  absorcao ideal nos           completo dos centros de custos do
  centros de custos            hospital, bem como a capacidade de
                               producao nos centros de custos para
                               a aplicacao do principio de custeio
                               por absorcao ideal. Nessa fase,
                               segundo Dall'Asta e Barbosa (2014),
                               a aplicacao do metodo
                               consiste em fazer a
                               separacao da capacidade dos
                               centros de custos auxiliares
                               como nutricao, farmacia e
                               lavanderia para os centros de
                               custos produtivos: centro
                               cirurgico, pediatria, internamento
                               geral e maternidade. Com a
                               capacidade dos centros de custos
                               auxiliares distribuida para os
                               centros produtivos e com o
                               apontamento da producao efetiva
                               dos centros de custos auxiliares,
                               o sistema efetua a distribuicao
                               dos custos fixos para os centros
                               produtivos separando os custos
                               dos desperdicios de ociosidade.
Calculo da margem liquida    Com a distribuicao dos custos fixos
  ideal e da ociosidade        dos centros de custos auxiliares
                               e produtivos o sistema de custos
                               apresenta a separacao entre custos
                               e os desperdicios com ociosidade,
                               possibilitando a apuracao da margem
                               liquida ideal e do montante de
                               recursos despendidos com a ociosidade.
                               Assim, o conhecimento dos desperdicios
                               de ociosidade para gestao bem como da
                               capacidade ociosa que pode ser
                               utilizada e fundamental no caso de
                               uma decisao sobre a assinatura de um
                               novo contrato de prestacao de servicos
                               ou, ate mesmo, o convenio com o SUS,
                               que aparentemente nao seria tao
                               vantajoso, mas com a possibilidade
                               da eliminacao de desperdicios ele
                               pode transformar perdas em entrada
                               efetiva de caixa (Dall'Asta
                               & Barbosa, 2014).

Fonte: dados da pesquisa (2015).

Quadro 2--Constructo da pesquisa

OBJETIVO                  DIMENSOES             CATEGORIAS

Estrutura fisica do       Funcional        Organograma, setores
  hospital estudado                           e departamentos;
                                               centralizacao e
                                             descentralizacao da
                                               administracao;
                                            autonomia dos setores
Tamanho                    Fisica         Numero de funcionarios,
                                           leitos, bem como volume
                                            de servicos prestados
Tecnologia             Caracteristicas   Tecnologia da Informacao
                                            em Sistemas de Custo
Identificacao do          Estrutura         Sistemas de Custos
  sistema de custeio                          Operacionalizacao

OBJETIVO                  INSTRUMENTO DE COLETA

Estrutura fisica do            Observacao,
  hospital estudado            entrevista e
                               questionario
Tamanho                        Observacao,
                               entrevista e
                               questionario
Tecnologia                 Analise documental,
                         entrevista e questionario
Identificacao do           Entrevista, analise
  sistema de custeio      documental e observacao

OBJETIVO                              FONTES

Estrutura fisica do        Capponi (2015); Abbas (2001);
  hospital estudado      Silva, Scarpin, Barp e Dias (2013)
Tamanho                    Capponi (2015); Abbas (2001);
                         Silva, Scarpin, Barp e Dias (2013)
Tecnologia                 Martins (2008), Santos (2011)
Identificacao do           Martins (2008), Abbas (2001),
  sistema de custeio         Santos (2011), Bittencourt
                               (1999), Capponi (2015)

Fonte: os autores, adaptado de Silva (2013).

Quadro 3--Capacidade de producao nos centros de custos--fase 3

                     Servico de Nutricao e   Lavanderia--capacidade
                     dietetica--capacidade

BASE DISTRIBUICAO           Unidade                Kg--roupa
ALAS 01 A 09                100.000                  70.000
PRONTO ATENDIMENTO            10                      100
ECODIAGNOSE                    0                       0
HOSPITAL DIA                   0                       0
LITOTRIPSIA                   10                       10
RAIO X                         0                       15
UTI GERAL                   50.000                   20.000
UTI NEONATAL                 5.000                   25.000
CENTRO CIRURGICO              100                    50.000

                     Internamento--capacidade

BASE DISTRIBUICAO          Atendimento
ALAS 01 A 09                   500
PRONTO ATENDIMENTO             100
ECODIAGNOSE                     0
HOSPITAL DIA                    0
LITOTRIPSIA                     10
RAIO X                          0
UTI GERAL                      400
UTI NEONATAL                   400
CENTRO CIRURGICO                50

Fonte: dados da pesquisa, adaptado de Dall'Asta e Barbosa (2014).

Quadro 4--Apontamentos de capacidade e producao--centros de
custos--fase 4

                               BASE       ALAS 01 A 09      PRONTO
                           DISTRIBUICAO                   ATENDIMENTO

Capacidade                     PCTE           500            100
Producao                       PCTE           300             60
Ociosidade                     PCTE           200             40
Servico de Nutricao e          REF.         100.000           10
  dietetica--capacidade
Servico de Nutricao e          REF.          70.000           4
  dietetica--producao
Servico de Nutricao e          REF.          30.000           6
  dietetica--ociosidade
Lavanderia--capacidade          KG           70.000          100
Lavanderia--producao            KG           45.000           60
Lavanderia--ociosidade          KG           25.000           40
Internamento--capacidade      ATEND.          500            100
Internamento--producao        ATEND.          300             60
Internamento--ociosidade      ATEND.          200             40

                           ECODIAGNOSE     HOSPITAL     LITOTRIPSIA
                                             DIA

Capacidade                     50            200            10
Producao                       30            150             4
Ociosidade                     20             --             6
Servico de Nutricao e          --             --            10
  dietetica--capacidade
Servico de Nutricao e          --             --             4
  dietetica--producao
Servico de Nutricao e          --             --             6
  dietetica--ociosidade
Lavanderia--capacidade         --             --            10
Lavanderia--producao           --             --             2
Lavanderia--ociosidade         --             --             8
Internamento--capacidade       --             --            10
Internamento--producao         --             --             4
Internamento--ociosidade       --             --             6

                           RAIO X    UTI       UTI       CENTRO
                                    GERAL    NEONATAL   CIRURGICO

Capacidade                  200      400       400         50
Producao                    160      300       200         30
Ociosidade                   40      100       200         20
Servico de Nutricao e        --     50.000    5.000        100
  dietetica--capacidade
Servico de Nutricao e        --     30.000    2.500        20
  dietetica--producao
Servico de Nutricao e        --     20.000    2.500        80
  dietetica--ociosidade
Lavanderia--capacidade       15     20.000    25.000     50.000
Lavanderia--producao         5      6.000     7.500      30.000
Lavanderia--ociosidade       10     14.000    17.500     20.000
Internamento--capacidade     --      400       400         50
Internamento--producao       --      300       200         30
Internamento--ociosidade     --      100       200         20

Fonte: dados da pesquisa, adaptado de Dall'Asta e Barbosa (2014).

Quadro 5--Demonstrativo de margem liquida ideal e desperdicio de
ociosidade--fase 6

                           ALAS 01 A 09   PRONTO ATEND.   ECODIA
                                                          G-NOSE

RECEITA CONVENIOS           5.029.694        113.852      36.544
RECEITA PARTICULAR          1.059.462        807.429
CUSTOS FIXOS                1.506.319        431.328       605
Custo fixo                    21.000            1
  ideal--NUTRICAO
Custo fixo                    7.620           1.524
  ideal--INTERNAMENTO
CUSTO DIRETO--MATERIAIS      816.802         82.613         21
  E MEDICAMENTOS
Custo total ideal           2.351.741        515.466       626
Margem liquida ideal        3.737.415        405.815      35.918
Ociosidade                   602.528         172.531       242
Ociosidade--nutricao          9.000             2
Ociosidade--internamento      5.080           1.016
Ociosidade--lavanderia        10.000           16
Total ociosidade             626.608         173.565       242
Margem liquida final        3.110.807        232.250      35.676

                           HOSP. DIA   LITRO- PSIA   RAIO X

RECEITA CONVENIOS                         8.480      215.997
RECEITA PARTICULAR                                   63.565
CUSTOS FIXOS                              1.856      32.166
Custo fixo                                 120
  ideal--NUTRICAO
Custo fixo                                 102
  ideal--INTERNAMENTO
CUSTO DIRETO--MATERIAIS       27          2.389      14.341
  E MEDICAMENTOS
Custo total ideal             27          4.467      46.507
Margem liquida ideal          -27         4.013      233.055
Ociosidade                                1.114       6.433
Ociosidade--nutricao                        2
Ociosidade--internamento                   152
Ociosidade--lavanderia                      3
Total ociosidade                          1.271       6.433
Margem liquida final          -27         2.742      226.622

                           UTI GERAL   UTI NEONATAL   CENTRO CIRUR.

RECEITA CONVENIOS          4.944.655    1.123.963       4.832.780
RECEITA PARTICULAR          382.895       21.705         778.674
CUSTOS FIXOS               1.022.839     465.441         631.703
Custo fixo                   9.000         750             600
  ideal--NUTRICAO
Custo fixo                   7.620        5.080            762
  ideal--INTERNAMENTO
CUSTO DIRETO--MATERIAIS     708.893      140.574        1.036.940
  E MEDICAMENTOS
Custo total ideal          1.748.352     611.845        1.670.005
Margem liquida ideal       3.579.198     533.823        3.941.449
Ociosidade                  255.710      232.721         252.681
Ociosidade--nutricao         6.088         761             24
Ociosidade--internamento     2.540        5.081            508
Ociosidade--lavanderia       5.548        6.935           7.926
Total ociosidade            269.887      245.498         261.140
Margem liquida final       3.309.311     288.325        3.680.309

Fonte: dados da pesquisa, adaptado de Dall'Asta e Barbosa (2014).
COPYRIGHT 2017 Universidade Nove de Julho
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2017 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Souza Rovaris, Nicole Regina; Dall'Asta, Denis; Defaveri, Ivan Rafael; Baldissera, Juliano Francisco
Publication:Revista de Gestao em Sistemas de Saude
Article Type:Ensayo
Date:Jan 1, 2017
Words:7884
Previous Article:Health services performance evaluation: analysis of users of a primarycare unit based on the Kano model/Avaliacao do desempenho dos servicos de...
Next Article:Hospital efficiency of the Brazilian regions: a study using the data envelopment analysis (DEA)/Eficiencia hospitalar das regioes Brasileiras: um...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters