Printer Friendly

Analysis of the distinctive features and of the phonetic and phonological systems in different severities of phonological disorder/Analise dos tracos distintivos e dos sistemas fonetico e fonologico nas diferentes gravidades do desvio fonologico.

* INTRODUCAO

Nos primeiros anos de vida, os fonemas sao adquiridos de acordo com uma cronologia que e considerada semelhante na maioria das criancas. Para o Portugues Brasileiro (PB) observou-se a seguinte ordem de aquisicao dos fonemas: plosivas e nasais> fricativas> liquidas [1].

A dificuldade apresentada por algumas criancas em organizar mentalmente os sons que compoem a sua lingua, bem como o input que lhe e recebido, denomina-se desvio fonologico [2]. Nestes casos, e possivel observar a permanencia de estrategias de reparo apos os 4:0 (considerada a idade limite para a aquisicao dos contrastes fonemicos da lingua portuguesa) [3] demonstrando desta forma, que os sons da lingua sao usados de maneira inadequada considerando-se o padrao adulto de sua comunidade linguistica [4].

Essas criancas realizam muitas estrategias de reparo, a fim de obterem um sistema fonologico mais proximo do adulto, o que tambem ocorre no processo de aquisicao fonologica tipica, porem, nos desvios fonologicos, essas estrategias perduram por mais tempo [5]. Durante a aquisicao fonologica atipica, dentre as estrategias de reparo mais utilizadas no nivel segmental estao a dessonorizacao de obstruintes (ex.: zebra a ['sepa]) e a anteriorizacao das fricativas (ex.: acho a [a'su]). Ja no nivel silabico, ocorre frequentemente reducao de encontro consonantal (ex.: prato a ['patu]) e nao realizacao da coda (portaa ['pota] [1]).

Procedimentos que quantifiquem a gravidade dos desvios fonologicos e o seu impacto na comunicacao sao muito importantes para a realizacao de um planejamento terapeutico mais especifico, bem como para o estabelecimento do prognostico nesses casos [6].

Nesse sentido, alguns estudos foram realizados com o intuito de quantificar e classificar os desvios fonologicos conforme a sua gravidade. Dentre essas classificacoes, o PCC (Percentual de Consoantes Corretas) [6] e o mais utilizado na clinica fonoaudiologica. De acordo com o PCC, os desvios fonologicos podem ser classificados em leve (PCC acima de 86%); levemente-moderado (PCC 85% a 66%); moderado-grave (PCC entre 65% a 51%) e grave (PCC menor que 50%). Alguns estudos mostraram que a utilizacao desse metodo de classificacao da gravidade do desvio fonologico e importante para o diagnostico e tratamento nesses casos [4,5,7].

Ao analisar a gravidade do desvio fonologico, considerando o julgamento perceptivo por parte dos avaliadores, foi observado que ha dificuldade em classifica-la quando os graus sao muito proximos, como os graus moderado-grave e levemente-moderado [7]. Apesar desta dificuldade, observou-se que mesmo por meio de julgamento perceptivo, a caracteristica do desvio esta intimamente relacionada com a gravidade do mesmo e, consequentemente, com o numero de estrategias de reparo utilizadas pela crianca, fones e fonemas ausentes [8].

A partir dos pressupostos citados anteriormente, entende-se que conhecer as caracteristicas foneticas e fonologicas de cada um dos graus de desvio fonologico, tendo como base o PCC, pode trazer contribuicoes importantes para o tratamento fonoaudiologico nesses casos. De posse dessas informacoes, acredita-se que o fonoaudiologo clinico podera desenvolver um planejamento terapeutico, bem como estrategias terapeuticas para os desvios fonologicos, ainda mais eficaz.

Neste sentido, analisaram-se, no presente estudo, os inventarios foneticos e fonologicos de criancas com desvio fonologico, tendo como hipotese que alteracoes desta ordem seriam condizentes a gravidade do desvio, classificado por meio do PCC.

Assim, esta pesquisa teve como objetivo caracterizar e analisar o sistema fonetico, o sistema fonologico e os tracos distintivos alterados em diferentes gravidades do desvio fonologico.

* METODOS

Esta pesquisa foi do tipo exploratoria, de corte transversal, realizada a partir de um levantamento em um banco de dados do Centro de Estudos da Linguagem e da Fala de uma Instituicao de Ensino Superior (IES), cujo projeto foi aprovado no Comite de Etica em Pesquisa, sob no. 0103.0.243.000-07 dessa mesma IES. Para que os dados de fala dos sujeitos compusessem o banco de dados, foi condicao a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido por seus pais ou responsaveis.

Atualmente, esse banco de dados esta constituido de 212 sujeitos, com diagnostico de desvio fonologico. Para que fosse estabelecido este diagnostico, os sujeitos foram submetidos a uma triagem fonoaudiologica e a exames complementares, otorrinolaringologico, auditivo e neurologico. A triagem fonoaudiologica constou de: anamnese, avaliacao da linguagem compreensiva e expressiva oral, avaliacao do sistema estomatognatico, exame articulatorio, avaliacao da discriminacao auditiva, avaliacao da consciencia fonologica, avaliacao do processamento auditivo simplificado, avaliacao do vocabulario e avaliacao fonologica.

As quatro primeiras avaliacoes foram realizadas com protocolos especificos, utilizados no Servico de Atendimento Fonoaudiologico da IES onde o banco de dados foi constituido. A anamnese foi realizada com os pais ou responsaveis pelas criancas para obtencao de informacoes como, por exemplo, desenvolvimento da linguagem e antecedentes fisiopatologicos. A avaliacao da linguagem foi realizada por meio da observacao da fala espontanea da crianca durante as avaliacoes. Em relacao ao sistema estomatognatico, foram analisados aspectos intra e extra-orais das estruturas moles (lingua, labios e bochechas) e das estruturas duras (dentes e estruturas osseas), alem das funcoes de respiracao, mastigacao e degluticao. Para o exame articulatorio, utilizou-se uma lista de palavras balanceada, com tres palavras para cada fone do PB, em cada posicao da silaba e da palavra que podem ocorrer. Neste exame a crianca deveria repetir as palavras faladas pela examinadora, sem pista visual.

A discriminacao auditiva, a consciencia fonologica, o processamento auditivo e o vocabulario foram avaliados com base em trabalhos publicados na literatura nacional. O protocolo utilizado para a avaliacao do sistema fonologico sera descrito a seguir.

Todos os sujeitos que compuseram o banco de dados apresentaram resultados nos exames complementares dentro dos padroes de normalidade.

Para a realizacao deste estudo, os criterios de inclusao foram: ter idade entre quatro anos e oito anos e onze meses, bem como possuir os protocolos de avaliacao devidamente preenchidos. Aqueles sujeitos que apresentavam protocolos incompletos e idade superior a nove anos, quando a alteracao de fala ja e considerada como erro residual de fala [9], foram excluidos deste estudo. Com isso, a amostra ficou composta por 145 criancas, 91 meninos e 54 meninas, com idades entre 4:0 e 8:11.

Investigou-se o inventario fonetico, o sistema fonologico e os tracos distintivos dessas criancas. Depois disso, elas foram agrupadas conforme o grau do desvio fonologico.

Para isso, foi examinado a AFC (Avaliacao Fonologica da Crianca), devidamente preenchido por outro avaliador, ao compor o banco de dados. Essa avaliacao consiste em nomeacao espontanea de figuras por meio da visualizacao de cinco desenhos tematicos (banheiro, cozinha, sala, veiculos e zoologico), que contem todos os fonemas do portugues em todas as posicoes que podem ocorrer na silaba e na palavra. Depois da coleta dos dados, os mesmos foram transcritos foneticamente e analisados por meio da descricao fonetica, para estabelecimento do inventario fonetico da crianca; analise contrastiva, para a comparacao do inventario fonetico e do sistema fonologico com o sistema alvo adulto; e analise dos tracos distintivos, para a identificacao dos tracos distintivos alterados em sua fala [10].

Em relacao ao primeiro aspecto, o inventario fonetico, foram identificados os fones ausentes, quanto ao modo articulatorio--plosivas, fricativas, nasais, africadas, liquidas laterais e vibrantes. Consideraram-se presentes os fones que foram produzidos, pelo menos, duas vezes pelo sujeito.

Quanto ao sistema fonologico foram investigadas a(s) classe(s) de sons contrastivos e o(s) traco(s) distintivo(s) alterado(s). As classes investigadas foram plosivas, fricativas, nasais e liquidas. Alem disso, analisaram-se as estruturas silabicas coda (/N/, /L/, /R/, /S/) e onset complexo (/r/ e /l/). Os tracos distintivos analisados foram: [soante], [aproximante], [vocoide], [voz], [continuo], [labial], [coronal] e [dorsal].

Os dados coletados por meio da AFC foram transcritos e revisados por pelo menos dois julgadores, com experiencia em transcricao fonetica. Para as palavras serem incluidas neste estudo e analisadas, a analise dos julgadores deveria sempre concordar, do contrario a palavra era excluida. Apos, para a descricao do sistema fonologico das criancas que compuseram a amostra deste estudo, considerou-se um fonema adquirido quando este ocorreu de 80% a 100% das vezes, parcialmente adquirido de 40% a 79% das possibilidades e nao adquirido, quando ocorreu de 0% a 39% [11]. No que se refere aos tracos distintivos, sua analise foi realizada a partir das substituicoes identificadas na analise contrastiva. Com isso, um traco distintivo foi considerado alterado toda a vez que as substituicoes ocorreram em um percentual acima de 10% das possibilidades [12].

A gravidade do desvio fonologico foi analisada por meio do PCC-R [13] em que sao considerados como "erros" as substituicoes e omissoes. Utilizou-se, ainda, para o calculo e classificacao do desvio fonologico o PCC [6] que e obtido por meio da divisao do numero de consoantes corretas pelo numero total de consoantes (corretas e incorretas), multiplicado por 100. A partir do percentual obtido, chega-se a seguinte classificacao: desvio grave, com percentual de consoantes corretas menores do que 50%; desvio moderado-grave, com percentuais de consoantes corretas entre 51% e 65%; desvio levemente-moderado, com percentuais de consoantes corretas entre 66% e 85%; e desvio leve, com percentuais de consoantes corretas maiores que 86%.

A partir dessa classificacao, o grupo de criancas com desvio grave ficou formado por 10 sujeitos; o grupo com desvio moderado-grave foi formado por 32 sujeitos; com desvio levemente-moderado, por 58 sujeitos; e o grupo com desvio leve, ficou com 45 sujeitos.

Depois de agrupadas de acordo com o grau do desvio fonologico, os dados analisados--inventario fonetico, inventario fonologico e tracos distintivos -foram confrontados entre os grupos de distintas gravidades de desvio, utilizando o teste KruskalWallis, com nivel de significancia de 5%. Para isso, utilizou-se o Programa Computacional SAS (Statistical Analysis System), versao 9.2.

* RESULTADOS

Na Tabela 1 foram apresentadas as caracteristicas de todos os graus de desvio fonologico no que se refere a caracterizacao do sistema fonetico. Pode-se observar que a media de fones ausentes no sistema fonetico das criancas foi diferente em cada um dos graus de desvio fonologico, sendo estatisticamente significante para todas as classes analisadas (Tabela 1).

Notou-se que a media de fones ausentes foi maior no desvio grave, sendo que as fricativas, plosivas e laterais foram as classes mais ausentes neste grau. De forma geral, na medida em que a gravidade do desvio fonologico diminuiu, a quantidade de fones ausentes tambem diminuiu. Os fones nasais estao presentes em todos os graus, exceto no desvio grave, ja a classe das fricativas encontrou-se em maior ausencia, independente do grau de desvio fonologico.

Quanto ao sistema fonologico, os resultados tambem mostraram que o desvio grave esteve mais prejudicado, apresentando uma media maior de alteracao para a maioria das classes de fonemas analisados em todas as posicoes que podem ocorrer na silaba. Destaca-se que para os fonemas e posicoes: OC com /r/, coda com /R/ e coda com /N/, as medias de alteracao obtidas para o desvio grave foi a mesma para o desvio moderado-grave. Alem disso, a media de alteracoes para coda com /L/ foi a mesma para o desvio grave e levemente moderado. Exceto para coda com /R/ e com /L/, as diferencas entre as medias de alteracao das classes de fonemas analisados foram estatisticamente significante para os diferentes graus de desvio fonologico. Assim como no sistema fonetico, de forma geral, quanto menor o grau do desvio, menos fonemas estiveram alterados (Tabela 2).

No que se refere aos tracos distintivos alterados, os resultados mostraram diferenca estatisticamente significante entre os diferentes graus de desvio fonologico, com p<0.001 (Figura 1).

Com os resultados obtidos na analise dos tracos distintivos, observou-se que a gravidade do desvio fonologico pode ter relacao com a alteracao nos tracos distintivos de maneira positiva. A medida que ha maior media de tracos distintivos alterados, ha um maior o grau do desvio.

[FIGURE 1 OMITTED]

Ressalta-se, contudo, que os desvios fonologicos de graus moderado-grave e grave foram os que obtiveram maior variacao nos resultados, como pode ser observado Figura 1.Para os desvios de grau leves e levemente-moderados, as variacoes quanto ao numero minimo e maximo de alteracao dos tracos foi muito pequena.

* DISCUSSAO

Os resultados obtidos neste estudo revelaram que quanto maior a gravidade do desvio fonologico mais comprometido estara o inventario fonetico e o sistema fonologico, assim como os tracos distintivos estarao mais alterados. Esses dados vao ao encontro de diversas pesquisas que se propuseram a investigar o uso de estrategias de reparo em diferentes gravidades do desvio fonologico [5,12,14-18].

Estrategias de reparo sao recursos utilizados durante a aquisicao fonologica, seja ela tipica ou atipica, a fim de adequar o sistema fonologico em construcao, ao sistema fonologico alvo. Esses recursos sao utilizados pelas criancas no lugar de segmentos e/ou estruturas silabicas que elas desconhecem ou cuja producao ainda nao dominem [1].

Essas estrategias revelam caracteristicas tanto do inventario fonetico quanto do sistema fonologico (fonemas ou tracos distintivos alterados). O primeiro esta relacionado a forma como os sons da fala sao produzidos, considerando suas caracteristicas articulatorias, acusticas e auditivas. O sistema fonologico, por sua vez, diz respeito a veiculacao de significado conferida pela menor unidade distintiva da lingua, ou seja, sao sons da lingua que podem distinguir palavras (ex.: faca x vaca). Esses sons sao formados por unidades minimas denominadas tracos distintivos, que os caracterizam ressaltando os seus aspectos acusticos ou articulatorios [1].

Ao analisar o uso de estrategias de reparo em diferentes gravidades do desvio fonologico, foi constatado que ha diferencas entre eles, sendo que no desvio grave houve um uso maior de estrategias de reparo [5,14]. Os resultados obtidos no presente estudo reforcaram tal constatacao uma vez que o desvio grave apresentou maiores medias de fones ausentes para todas as classes analisadas e maior alteracao no numero de fonemas que compoem o sistema fonologico, de forma significante.

Nos estudos referidos anteriormente, as autoras observaram que no desvio grave houve uma maior porcentagem de omissao de segmentos e estruturas silabicas, comparado as outras gravidades do desvio fonologico [5,14]. Esse aspecto foi confirmado nos resultados obtidos para o inventario fonetico no presente estudo, uma vez que o desvio grave apresentou medias de ausencia de fones maiores para todas as classes em relacao as outras gravidades.

Esses achados corroboram o que consta na literatura sobre os desvios graves, caracterizados por apresentarem inventario fonetico e fonologico restritos, ausencia ou alteracoes de diversos sons envolvendo, sobretudo, as plosivas (velares), fricativas (coronais) e liquidas [12,14].

As fricativas apresentaram-se mais comprometidas em todas as gravidades, com maiores medias de ausencia de fones e de alteracao de fonemas em onset simples, nos sistemas fonetico e fonologico, respectivamente. Essa classe de sons e adquirida logo depois das nasais e das plosivas na ordem de aquisicao fonologica, sendo os fonemas /f/ e /v/ de aquisicao inicial, enquanto /s/, /z/, /f/, /3/ de aquisicao tardia [19-21].

Ao investigar as estrategias de reparo empregadas na producao dos fonemas fricativos em dados atipicos de fala, alguns estudos apontaram que no desvio grave houve maior emprego de estrategias de reparo como omissao e plosivizacao. No caso da omissao, evidencia-se um menor conhecimento fonologico por parte dessas criancas [16,17], isto e, uma ausencia de aproximacao da producao da crianca em relacao ao alvo adulto. Esse fato tambem foi reforcado pelos achados do presente estudo, ja que o desvio grave apresentou maior media de fricativas ausente e alterada, no inventario fonetico e no sistema fonologico, respectivamente.

As nasais por outro lado, apresentaram-se totalmente presentes no inventario fonetico em quase todos os graus analisados, exceto no desvio grave. No que se refere ao sistema fonologico, essa classe tambem foi a menos alterada, independente da posicao ocupada na estrutura silabica.

Em relacao a esse dado, verifica-se que as nasais sao os primeiros segmentos a serem adquiridos no desenvolvimento fonologico tipico, junto com as plosivas [14,19,20-24]. Normalmente, esses fonemas nao mostram dificuldades em sua aquisicao, estando estabilizados nos sistemas fonologicos de criancas com desvios fonologicos, portanto, presentes em seus inventarios foneticos [25,26].

No que se refere as plosivas, os resultados obtidos neste estudo mostraram que essa classe esteve comprometida, principalmente, nos desvios graves, tanto no inventario fonetico como no sistema fonologico. Esse achado confirma o que foi observado em um estudo sobre a ocorrencia de estrategias de reparo em fonemas plosivos, nos diferentes graus de desvio fonologico [18]. As autoras observaram que quanto mais complexo em termos de aquisicao e producao sao os fonemas plosivos, mais estrategias de reparo sao empregadas. Alem disso, nos desvios moderado-grave e grave houve o uso de uma ou mais estrategias em plosivas de aquisicao precoce na fala das criancas, como o /b/18.

As africadas sao alofones no PB, sem valor distintivo. Esses sons resultam da regra de palatalizacao caracterizada pela producao das plosivas /t/ e /d/ como [tf] e [d3], quando diante da vogal [i] [1,27]. Esses sons sao adquiridos entre os tres anos e seis meses e quatro anos e seis meses [20], por meio de um processo nao linear [28].

Nos dados obtidos neste estudo, as africadas nao se apresentaram tao prejudicadas ao observar o inventario fonetico, ainda que claramente tenham sofrido influencia da gravidade do desvio fonologico. As africadas nao costumam ser estudadas isoladamente nas pesquisas, sendo incorporadas na classe das plosivas.

Um estudo sobre terapia fonologica para o desvio fonologico revela nos dados dos sujeitos tratados que as africadas estao adquiridas [29] o que leva a crer que esses alofones raramente estao prejudicados nesses casos, nao sendo comum a analise da sua aquisicao.

Quanto a classe das liquidas, apenas para o grau de desvio fonologico leve, as vibrantes estiveram mais ausentes do que as laterais no inventario fonetico. Ja para o sistema fonologico, as liquidas nao laterais em onset simples apresentaram-se mais alteradas do que as laterais para os graus leve, levemente-moderado e moderado-grave.

Esse achado esta em consonancia a maior parte do que se ve na literatura, em que a classe das liquidas, devido as suas caracteristicas acusticas e articulatorias, apresenta aquisicao tardia [19,21,22,29,30], estando comumente prejudicada no desenvolvimento fonologico atipico [25,26,29,31]. Em dados tipicos de fala, verificou-se que as liquidas laterais surgem primeiro, seguidas das nao laterais. Verifica-se, entao, a seguinte ordem: /l/, /A/, /R/ e /r/ [19,21].

Em um estudo sobre as estrategias de reparo aplicadas nas classes das liquidas, foi constatado que ha influencia da gravidade do desvio fonologico nesse aspecto, porem variavel conforme o segmento alvo [15]. Semelhante ao que foi observado neste estudo, houve um predominio de nao ocorrencia de estrategias de reparo para os fonemas /l/, /A/ e /R/ para os desvios leves. Para os desvios graves houve predominio do emprego de estrategias de reparo, podendo ocorrer mais de uma estrategia para um mesmo fonema, como em /l/ e /R/ [15].

Em relacao a aquisicao silabica, verifica-se que alguns estudos sobre o PB mostraram que ha uma ordem de dominio, iniciando por estruturas menos complexas em direcao as mais complexas [19, 32,33]. Com isso, tem-se para as estruturas silabicas a seguinte ordem de aquisicao: V e CV >> CVC >> CCV. A coda e o onset complexo sao as ultimas sequencias a serem adquiridas tanto em dados tipicos quanto atipicos, justamente por serem mais complexas [19,22, 31-35].

Ao analisar as estruturas silabicas coda e onset complexo, os dados revelaram diferencas significantes entre os graus de desvio, exceto para a coda com /R/ e coda com /L/. Para cada um dos graus de desvio fonologico, fica clara a dificuldade maior na producao do onset complexo com /l/ e /r/, alem das codas com /R/ e /S/.

Diversos trabalhos sobre a aquisicao fonologica mostraram que o onset complexo e a ultima estrutura silabica a ser adquirida e esta sujeita a sofrer estrategias de reparo devido a sua complexidade [23,33,36]. A simplificacao do onset complexo e a estrategia mais comumente empregada nos dados de fala, tipicos ou atipicos [21,23,32,36-38]. Neste estudo, notou-se que para os graus leve e levemente-moderado essa estrutura silabica esteve mais alterada quando formada por /l/. Ja para os graus moderado-grave e grave, o onset complexo com /r/ esteve mais alterado.

Em um estudo sobre a aquisicao das liquidas /l/ e /r/ nos desvios fonologicos, os dados mostraram que em onset complexo estes fonemas nao estavam adquiridos, independente da gravidade do desvio [33]. Segundo essa autora, a gravidade do desvio fonologico, a partir do PCC, nao se mostra um bom indicador para analise do que esta adquirido ou nao com relacao as liquidas /l/ e /r/.

No que se refere a coda, alguns trabalhos que investigaram a sua aquisicao mostraram que essa estrutura silabica quando formada pelos arquifonemas /R/ e /S/ demonstra aquisicao mais tardia quando comparada a /L/ e /N/ [34,39]. Em um dos estudos ja citados neste trabalho constatou-se que quanto mais grave o desvio fonologico, mais acentuado foi o emprego da estrategia de omissao de /R/ em coda [15].

Os tracos distintivos, tambem analisados neste estudo, mostraram-se mais ou menos alterados conforme o grau do desvio fonologico, de maneira significante. Fica claro na figura 1 apresentada, que quanto maior o grau do desvio, mais tracos distintivos estiveram alterados.

Esse achado corrobora os dados obtidos em um recente estudo [40], que teve como objetivo classificar os desvios fonologicos considerando os tracos distintivos. As autoras propuseram quatro categorias para classificar o desvio fonologico considerando a presenca e a coocorrenciade tracos distintivos nos sistemas consonantais de sujeitos com essa patologia.

Nessa classificacao ha um crescente em relacao ao nivel de contrastes nos sistemas consonantais, partindo de um nivel minimo de contrastes, passando pelos niveis medio e medio-alto, ate o nivel alto de contrastes, correspondentes as categorias 1, 2, 3 e 4, respectivamente. Ao ser comparado com o PCC, avaliacao quantitativa, foi observada uma relacao positiva entre a gravidade do desvio e as categorias propostas pelas autoras. Portanto, quanto maior a gravidade do desvio mais tracos distintivos estiveram alterados, sendo o contrario tambem confirmado, isto e, quanto menor a gravidade do desvio menos tracos estiveram alterados [40].

Os achados do presente estudo sobre os tracos distintivos tambem reforcam de certa forma o que foi observado em outra pesquisa, em que foi investigado o tratamento para os desvios a partir de uma abordagem terapeutica baseada nessas unidades minimas contrastivas--os tracos [26]. Nessa pesquisa, sete criancas com diagnostico de desvio fonologico foram tratadas a partir do "reforco" ou do "contraste" dos tracos distintivos alterados em seus sistemas fonologicos, sendo evidente que quanto maior a gravidade do desvio, mais tracos distintivos estavam alterados. As autoras constataram que houve mudancas nos sistemas fonologicos de todos os sujeitos por meio de generalizacoes e aumento do PCC, independente do grau do desvio fonologico [26].

Conhecer as caracteristicas das diferentes gravidades do desvio fonologico pode ser de grande valia, sobretudo para a pratica terapeutica. Essas informacoes podem contribuir para uma avaliacao mais detalhada desses casos, estimar o prognostico de cada caso, bem como para a escolha do modelo fonologico mais apropriado, conforme o grau do desvio.

* CONCLUSAO

A ausencia de fones no inventario fonetico, bem como a alteracao dos fonemas e tracos distintivos no sistema fonologico, mostrou-se diferente para cada uma das gravidades do desvio fonologico. Mais uma vez, essas diferencas foram confirmadas, de forma significante na sua maioria, indicando que quanto mais graves forem os desvios de fala, mais alteracoes e ausencia de sons serao percebidas.

Para o grau leve, os fones no inventario fonetico apresentaram a seguinte ordem, decrescente, de ausencia: fricativas > plosivas > africadas e vibrantes > laterais > nasais. Ja os fonemas alterados no sistema fonologico foram: fricativas > liquidas nao laterais > liquidas laterais > plosivas > nasais (onset simples); coda com /R/ > coda com /S/ > coda com /L/ > coda com /N/ (coda silabica); onset complexo com /l/ > onset complexo /r/ (onset complexo).

O grau levemente-moderado apresentou no inventario fonetico os seguintes fones ausentes, em ordem decrescente: fricativas >laterais>vibrantes > plosivas > africadas> nasais. Os fonemas alterados no sistema fonologico para este grau apresentaram-se da seguinte forma: fricativas > plosivas > liquidas nao laterais > liquidas laterais > nasais (onset simples); coda com /R/ > coda com /S/ > coda com /L/ > coda com /N/ (coda silabica); onset complexo com /l/ > onset complexo com /r/ (onset complexo).

Para o grau moderado-grave, o fones ausentes no inventario fonetico, apresentaram a seguinte ordem, decrescente, de ausencia: fricativas >laterais>vibrantes>plosivas> africadas > nasais. Os fonemas alterados no sistema fonologico foram: fricativas > plosivas > liquidas nao laterais > liquidas laterais > nasais (onset simples); coda com /R/ > coda com /S/ > coda com /L/ e coda com /N/ (coda silabica); onset complexo com /r/ > onset complexo /l/ (onset complexo).

Para o grau grave, a ordem decrescente de fones ausentes no inventario

fonetico foi; fricativas > plosivas > laterais> africadas> vibrantes > nasais. Para o sistema fonologico, os fonemas alterados apresentaram-se na seguinte ordem:fricativas > plosivas > liquidas laterais > liquidas nao laterais > nasais (onset simples); coda com /R/ e coda com /S/ > coda com /N/ > coda com /L/ (coda silabica); onset complexo com /l/ e com /r/ (onset complexo).

Em relacao os tracos distintivos, a diferenca entre os graus foi significante, sendo que o grau leve apresentou menos tracos alterados, comparado ao desvio levemente-moderado, seguido do desvio moderado-grave, seguido do grau grave, com maior numero de tracos alterados.

Alem de quantificar os dados obtidos em uma analise de fala atipica, os resultados obtidos neste estudo reforcaram a importancia de se conhecer as caracteristicas qualitativas de cada um dos graus de desvio fonologico.

* REFERENCIAS

[1.] Lamprecht RR. Aquisicao fonologica do portugues: perfil de desenvolvimento e subsidios para terapia. 1 ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. P. 193-212.

[2.] Vieira MG, Mota HB, Keske-soares M. Relacao entre idade, grau de severidade do desvio fonologico e consciencia fonologica. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2004; 9(3):144-50.

[3.] Grunwell P. The Mature of phonological disability in children. Academy Press, 1981.

[4.] Ceron MI, Keske-soares M. Terapia Fonoaudiologica: a generalizacao a itens nao utilizados no tratamento (outras palavras). Rev CEFAC. 2007; 9(4):453-60.

[5.] Ghisleni MRL, Keske-Soares M, Mezzomo CL. O uso das estrategias de reparo, considerando a gravidade do desvio fonologico evolutivo. Rev CEFAC. 2010; 12(5):766-71.

[6.] Shriberg LD, Kwiatkowsky J. Phonological Disorders I: a diagnostic classification system. J Speech Hear Disorders. 1982; 47:226-41.

[7.] Wertzner HF, Amaro L, Teramoto SS. Gravidade do disturbio fonologico: julgamento e porcentagem de consoantes corretas. Pro-Fono R Atual. Cient. 2005; 17(2):185-94.

[8.] Donicht G. A inteligibilidade e gravidade do desvio fonologico julgadas por tres grupos de julgadores. [tese]. Santa Maria (RS): Universidade Federal de Santa Maria; 2007.

[9.] Preston JL, Edwards ML. Phonological Processing Skills of Adolescents With Residual Speech Sound Errors. Lang Speech Hear Serv Sch. 2007; 38:297-308.

[10.] Yavas M, Hernandorena CLM, Lamprecht RR. Avaliacao fonologica da crianca: reeducacao e terapia. Porto Alegre: Artes Medicas, 2001.

[11.] Bernhardt B. Devlopmental implications of nonlinear phonological theory. Clin Linguist Phon. 1992; 6(4):259-81.

[12.] Keske-Soares M. Terapia fonoaudiologica fundamentada na hierarquia implicacional dos tracos distintivos aplicada em criancas com desvios fonologicos. [tese]. Porto Alegre (RS): Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul; 2001.

[13.] Shriberg LD, Austin D, Lewis BA, Mcsweeny JL, Wilson DL. The percentage of consonants correct (PCC) metric: extensions and reliability data. J Speech Lang Hear Res. 1997; 40(4):708-22.

[14.] Keske-Soares M, Blanco APF, Mota HB. O desvio fonologico caracterizado por indices de substituicao e omissao. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2004; 9:10-8.

[15.] Wiethan FM, Melo RM, Mota HB. Consoantes liquidas: ocorrencia de estrategias de reparo em diferentes faixas etarias e gravidades do desvio fonologico. Rev CEFAC. 2011; 13(4):607-16.

[16.] Wiethan FM, Mota HB.Emprego de estrategias de reparo para os fonemas fricativos no desvio fonologico.Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012; 17(1):28-33.

[17.] Costa VP, Backes FT, Pegoraro SP, Wiethan FM, Melo RM, Mota HB. Emprego da estrategia de reparo de plosivizacao: relacao com a gravidade do desvio fonologico e fonemas acometidos. J Soc Bras Fonoaudiol. 2012; 24(1):76-9.

[18.] Berticelli A, Mota HB. Ocorrencia das estrategias de reparo para os fonemas plosivos, considerando o grau do desvio fonologico. CEFAC. 2012. (ahead of print).

[19.] Lamprecht RR. A aquisicao da fonologia do Portugues na faixa etaria dos 2:9-5:5. Letras de Hoje. 1993; 28(2):107-17.

[20.] Blanco-Dutra AP. A aquisicao das fricativas /f/, /v/, /S/ e /Z/ por criancas com desvio fonologico [tese]. Porto Alegre: Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul, Faculdade de Letras; 2009.

[21.] Indrusiak CS, Rockenbach SP. Prevalencia de desvio fonologico em criancas de 4 a 6 anos de escolas municipais de educacao infantil de canoas RS. Rev CEFAC. 2011. (ahead of print).

[22.] Ferrante C, Borsel JV, Pereira MMB. Aquisicao fonologica de criancas de classe socio economica alta. Rev CEFAC. 2008; 10(4):452-60.

[23.] McIntosh B, Dodd BJ. Two-year-olds' phonological acquisition: normative data. Int J Speech Lang Pathol. 2008; 10(6):460-9.

[24.] Toreti G, Ribas LP. Aquisicao fonologica: descricao longitudinal dos dados de fala de uma crianca com desenvolvimento tipico. Letronica. 2010; 3(1)42-61.

[25.] Ceron MI, Keske-Soares M, Goncalves GF. Escolha dos sons-alvo para terapia: analise com enfoque em tracos distintivos. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010; 15(2):270-6.

[26.] Bagetti T, Ceron MI, Mota, HB e Keske-Soares M. Mudancas Fonologicas apos a aplicacao da abordagem terapeutica baseada em tracos distintivos no tratamento do desvio fonologico. Rev Soc Bras Fonoadiol. 2012; 24 (3):282-7.

[27.] Neto ACFS. Realizacoes palatalizadas de /t/ e de /d/: Segmentos de contorno ou segmentos Complexos? O caso se Sergipe. Interdisciplinas. 2010; (10):141-9.

[28.] Guimaraes DMLO. Aquisicao segmental do portugues: uma abordagem Dinamica. Forum Linguistico. 2008; 5(1):29-46.

[29.] Keske-Soares M, Mota HB, Pagliarin KC, Ceron MI. Estudo sobre os ambientes favoraveis a producao da liquida nao-lateral /r/ no tratamento do desvio fonologico. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2007; 12(1):48-54.

[30.] Braganca LLC, Lemos SMA, Alves CRL. Caracterizacao da fala de criancas de 4 a 6 anos de creches publicas. Rev CEFAC. 2011; 13(6):986-92.

[31.] Pagliarin KC, Keske-Soares M. Terapia fonologica em sujeitos com diferentes gravidades do desvio fonologico. Rev CEFAC. 2010; 12(6):1084-8.

[32.] Ribas LP. Onset complexo: caracteristicas da aquisicao. Letras de Hoje. 2003; 38(2):23-31.

[33.] Ribas LP. Aquisicao das liquidas por criancas com desvio fonologico: Aquisicao silabica ou segmental? Letras (UFSM). 2008; 36:129-49.

[34.] Mezzomo CL. Aquisicao dos fonemas na posicao de coda medial do portugues brasileiro, em criancas com desenvolvimento fonologico normal. Letras de Hoje. 2001; 36(125):707-14.

[35.] Barlow JA. Phonological change and the representation of consonant clusters in Spanish: A case study. Clin Ling Phonetics. 2005; 19(8): 659-79.

[36.] Vitor RM, Cardoso-Martins C. Desenvolvimento fonologico de criancas pre-escolares da Regiao Noroeste de Belo Horizonte. Psicol Rev. 2007; 13(2):383-98.

[37.] Patah LK, Takiuchi N. Prevalencia das alteracoes fonologicas e uso dos processos fonologicos em escolares aos 7 anos. Rev CEFAC. 2008; 10(2):158-67.

[38.] Nunes DA, Payao LMC, Costa RCC. Desvios fonologicos na educacao infantil. Rev CEFAC. 2010; 12(2):331-6.

[39.] Mezzomo CL, Quintas VG, Savoldi A, Bruno LB. Aquisicao da coda: um estudo comparativo entre dados transversais e longitudinais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010; 15(3):401-7.

[40.] Lazzarotto-Volcao C, Matzenauer CLB. A severidade do desvio fonologico com base em tracos. Letras de Hoje. 2008; 43(3):47-53.

http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620149413

Recebido em: 01/06/2013

Aceito em: 20/02/2014

Endereco para correspondencia:

Gabriela Bayer Schneider

Avenida Roraima, 1000--Cidade Universitaria-Bairro Camobi

Santa Maria--RS--Brasil

CEP: 97105-900

E-mail: gabi.schneider@live.com.pt

Gabriela Bayer Schneider (1), Roberta Freitas Dias (1), Carolina Lisboa Mezzomo (1)

(1) Universidade Federal de Santa Maria--UFSM, Santa Maria, RS, Brasil.

Conflito de interesses: inexistente
Tabela 1--Comparacao do sistema fonetico, no que se refere a ausencia
de fones, entre as diferentes gravidades do desvio fonologico **

Grau do desvio        LEVE            LEVEMENTE MODERADO

Variavel         N    Media    DP    N    Media    DP

Plosivas         45   0.07    0.33   58   0.16    0.45
Fricativas       45   0.16    0.56   58   0.74    1.04
Nasais           45   0.00    0.00   58   0.00    0.00
Africadas        45   0.04    0.30   58   0.07    0.26
Laterais         45   0.02    0.15   58   0.33    0.60
Vibrantes        45   0.04    0.21   58   0.17    0.38

Grau do desvio     MODERADO GRAVE         GRAVE          Valor de p

Variavel         N    Media    DP    N    Media    DP

Plosivas         32   0.34    0.60   10   1.10    0.57    0.001 *
Fricativas       32   2.22    1.43   10   2.80    1.55    0.001 *
Nasais           32   0.00    0.00   10   0.10    0.32    0.004 *
Africadas        32   0.16    0.51   10   0.90    0.57    0.001 *
Laterais         32   0.69    0.69   10   1.00    0.94    0.001 *
Vibrantes        32   0.44    0.56   10   0.80    0.42    0.001 *

Legenda: N--numero de sujeitos, DP--desvio padrao.

* Valor de p<0,05

** Kruskal-Wallis

Tabela 2--Comparacao do sistema fonologico, no que se refere a
alteracao de fonemas, entre as diferentes gravidades do desvio
fonologico **

Grau do desvio         LEVE           LEVEMENTE MODERADO

Variavel          N    Media    DP    N    Media    DP

OS Plosivas       45   0.20    0.55   58   1.33    1.26
OS Fricativas     45   0.96    1.17   58   2.34    1.47
OS Nasais         45   0.02    0.15   58   0.05    0.22
OS Liquidas       45   0.33    0.52   58   0.79    0.83
  laterais
OS Liquidas nao   45   0.58    0.58   58   1.24    1.25
  laterais
OC com /l/        45   0.80    0.40   58   0.97    1.18
OC com /r/        45   0.78    0.42   58   0.95    0.22
Coda com /R/      45   0.82    0.39   58   0.79    0.41
Coda com /L/      45   0.07    0.25   58   0.10    0.31
Coda com /N/      45   0.00    0.00   58   0.05    0.22
Coda com /S/      45   0.29    0.46   58   0.48    0.50

Grau do desvio       MODERADO GRAVE        GRAVE          Valor de p

Variavel          N    Media    DP    N    Media    DP

OS Plosivas       32   2.38    1.45   10   3.90    1.29    0.001 *
OS Fricativas     32   3.84    1.46   10   4.80    1.03    0.001 *
OS Nasais         32   0.13    0.42   10   1.10    1.20    0.001 *
OS Liquidas       32   1.34    0.79   10   1.80    0.63    0.001 *
  laterais
OS Liquidas nao   32   1.50    0.62   10   1.70    0.48    0.001 *
  laterais
OC com /l/        32   0.97    0.18   10   1.00    0.00    0.008 *
OC com /r/        32   1.00    0.00   10   1.00    0.00    0.002 *
Coda com /R/      32   1.00    0.00   10   1.00    0.00      0.23
Coda com /L/      32   0.03    0.18   10   0.10    0.32      0.65
Coda com /N/      32   0.03    0.18   10   0.30    0.48    0.001 *
Coda com /S/      32   0.75    0.44   10   1.00    0.00    0.001 *

Legenda: N--numero de sujeitos, DP--desvio padrao, OS--Onset Simples,
OC--Onset Complexo.

* Valor de p<0,05

** Kruskal-Wallis
COPYRIGHT 2014 CEFAC - Associacao Institucional em Saude e Educacao
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2014 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Schneider, Gabriela Bayer; Dias, Roberta Freitas; Mezzomo, Carolina Lisboa
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Date:Nov 1, 2014
Words:5778
Previous Article:Structural generalization by children with speech-sound disorders under different therapeutic approaches/Generalizacao estrutural obtida por criancas...
Next Article:Relevant findings from the clinical history of clutterers/Achados relevantes da historia clinica de taquifemicos.

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters