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Analysis of operational risk disclosure level according to recommendations of Basel Committee: a study in Brazilian and foreign banks/Analise do nivel de divulgacao do risco operacional segundo recomendacoes do Comite da Basileia: estudo em bancos do pais e do exterior.

1 INTRODUCAO

Nos ultimos anos, os avancos tecnologicos, como as negociacoes bancarias via internet, a sofisticacao de produtos e servicos oferecidos pelos bancos, a ocorrencia de escandalos financeiros relacionados a fraudes, entre outros exemplos, contribuiram para que instituicoes financeiras e autoridades reguladoras passassem a dar mais atencao ao risco operacional como um tipo de risco merecedor de tratamento corporativo.

O risco operacional e objeto de interesse de bancos e de supervisores bancarios de varios paises. O Comite de Supervisao Bancaria da Basileia (1) e uma entidade com respaldo internacional que estimula o tratamento do risco operacional, inclusive a divulgacao (2) de informacoes relacionadas a esse tipo de risco.

A divulgacao de informacoes sobre gestao de riscos, inclusive a gestao do risco operacional, contribui para a transparencia dos atos de gestao de instituicoes financeiras perante investidores e para a disciplina do mercado. Duas recomendacoes elaboradas pelo Comite da Basileia podem ser associadas a divulgacao do risco operacional: o acordo "Basileia II", publicado em junho de 2004 e atualizado em novembro de 2005 (BASEL COMMITTEE ..., 2005), e o documento "Boas praticas para o gerenciamento e supervisao do risco operacional" (BASEL COMMITTEE ..., 2003b).

No Brasil, a divulgacao do risco operacional foi voluntaria no periodo a que se refere este estudo. No entanto, a nao-obrigatoriedade da divulgacao desse risco nao indica necessariamente que acionistas e stakeholders prescindam desse tipo de informacao. Ainda que as tecnicas de avaliacao de riscos operacionais nao estejam totalmente desenvolvidas, segundo o Basel Committee on Banking Supervision (BCBS) (2003b, p. 15),
   [...] um banco deve divulgar sua estrutura de gestao do risco
   operacional de tal maneira que permita que investidores e
   contrapartes possam determinar se um banco efetivamente identifica,
   avalia, monitora e controla/mitiga risco operacional.


Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi verificar os niveis de divulgacao do risco operacional de 24 bancos do pais e de 9 do exterior, segundo recomendacoes do Comite da Basileia, nas datas-base 31 de dezembro de 2003 e 31 de dezembro de 2004.

Para tal fim, realizaram-se revisao teorica e pesquisa documental, com analise de conteudo em relatorios anuais e outros instrumentos de divulgacao. A analise empregou nove categorias e 18 subcategorias, baseadas em recomendacoes do Comite, na revisao teorica e em pesquisa exploratoria na qual se coletou opiniao de profissionais a respeito das categorias e subcategorias. Foram aplicados testes nao parametricos para dar significancia estatistica as analises dos dados.

O interesse em analisar a divulgacao do risco operacional tambem reside no fato de que o tema deste artigo e atual e desperta atencao tanto do publico academico quanto dos profissionais ligados ao mercado financeiro, tendo em vista as exigencias para implantacao das diretrizes baseadas no "Basileia II", relativas ao risco operacional. No pais, tais diretrizes estao presentes nos Comunicados no 12.746 e 16.137, do Banco Central do Brasil, e na Resolucao no 3.380, do Conselho Monetario Nacional, a qual dispoe a respeito da implementacao da estrutura de gerenciamento do risco operacional em instituicoes financeiras.

Alem desta introducao, o estudo apresenta revisao teorica contemplando o risco operacional, recomendacoes do Comite da Basileia relacionadas a divulgacao desse risco e pesquisas anteriores a respeito da divulgacao do risco operacional em bancos. Em seguida, apresentam-se a metodologia empregada para atingir os objetivos do estudo, os resultados obtidos, a conclusao e finalmente as referencias bibliograficas.

2 REVISAO TEORICA

Esta revisao apresenta o risco operacional, as recomendacoes do Comite da Basileia relacionadas a divulgacao desse risco e as pesquisas empiricas a respeito da divulgacao do risco operacional que serviram de referencia para este trabalho.

2.1 RISCO OPERACIONAL

Risco operacional nao e um tema pacifico na literatura. Segundo Crouhy, Galai e Mark (2001, p. 475) "[...] e dificil fazer uma clara distincao entre risco operacional e as incertezas 'normais' enfrentadas pelas organizacoes em suas operacoes diarias". Apesar disso, autores e autoridades reguladoras buscaram conceituar esse risco.

De acordo com o Comite da Basileia (BCBS, 2005, p. 140),

risco operacional e definido como o risco de perdas resultantes de processos internos falhos ou inadequados, pessoas e sistemas, ou eventos externos. A definicao inclui risco legal, mas exclui risco estrategico e reputacional.

O referido Comite divulgou uma classificacao por sete tipos de evento para o risco operacional: fraudes internas; fraudes externas; praticas empregaticias e seguranca no ambiente de trabalho; clientes, produtos e praticas de negocios; danos a ativos fisicos; interrupcao dos negocios e falhas de sistemas; execucao, entrega e gestao de processos (BCBS, 2003b).

Segundo o BCBS (2003b, p. 2), a gestao do risco operacional pode ser entendida como "[...] identificacao, avaliacao, monitoramento e controle/mitigacao do risco". O tratamento do risco operacional pode ser compreendido em perspectiva qualitativa, quantitativa ou ambas.

Padroes qualitativos podem referir-se a diretrizes de controles internos, diretrizes de qualidade para processos e recursos, e diretrizes setoriais de boas praticas operacionais. A perspectiva quantitativa pode associar-se a utilizacao de modelos para mensuracao do risco operacional, com o uso de tecnicas como value at risk, por exemplo.

Por fim, o risco operacional possui regulamentacao no Brasil contemplada na Resolucao do Conselho Monetario Nacional no 3.380, de 29 de junho de 2006. Essa resolucao foi mencionada na introducao deste estudo e dispoe a respeito da implementacao da estrutura de gerenciamento do risco operacional aplicavel as instituicoes financeiras. Entre os aspectos nela inseridos, encontram-se a obrigatoriedade de uma estrutura minima para tratar o risco operacional da instituicao financeira, contendo a atribuicao de um diretor responsavel por tal estrutura, a segregacao entre as atividades de gestao de risco operacional e de auditoria interna, e a obrigatoriedade da evidenciacao de informacoes a respeito da estrutura de risco operacional em relatorio de acesso publico.

2.2 RECOMENDACOES DO COMITE DA BASILEIA RELATIVAS A DIVULGACAO DO RISCO OPERACIONAL

Abordam-se aqui duas recomendacoes do Comite da Basileia que podem ser associadas a divulgacao do risco operacional: "Basileia II" e "Boas praticas para o gerenciamento e supervisao do risco operacional".

O Comite da Basileia apresentou o acordo "Convergencia internacional de mensuracao e padroes de capital: uma estrutura revisada", conhecido por "Basileia II" (BCBS, 2005). Esse acordo inova, entre outros pontos, ao contemplar o risco operacional.

O "Basileia II" subdivide-se em tres pilares:

* Pilar 1: relaciona-se com requerimentos minimos de capital regulamentar para os riscos aos quais as instituicoes financeiras estao expostas (3).

* Pilar 2: relaciona-se com o processo de revisao da supervisao.

* Pilar 3: relaciona-se com a transparencia e disciplina do mercado (BCBS, 2005).

O pilar 3 contem requisitos de divulgacao de informacoes financeiras, os quais podem ajudar na verificacao do nivel de divulgacao de bancos. Neste trabalho, "nivel de divulgacao" "pressupoe um volume minimo de divulgacao compativel com o objetivo negativo de evitar que as demonstracoes sejam enganadoras" (HENDRIKSEN; BREDA, 1999, p. 515). Vale dizer que esse pilar contempla requisitos de divulgacao do risco operacional.

No Brasil, o Banco Central (2007a) manifestou-se quanto a implementacao das diretrizes do "Basileia II" no pais por meio do Comunicado no 12.746, de 9 de dezembro de 2004. O comunicado apresenta cronograma de implantacao que se estende ate 2011. Posteriormente, o Comunicado no 16.137, de 27 de setembro de 2007, estendeu a implantacao ate 2012 e salientou que permanecem validas as diretrizes para implementacao dispostas no Comunicado no 12.746, entre elas a previsao para requerer parcela de capital dos bancos para cobrir riscos operacionais e a aplicacao do pilar 3 a todas instituicoes do sistema financeiro nacional (SFN).

A divulgacao do risco operacional tambem e mencionada no documento recomendado pelo Comite da Basileia denominado "Boas praticas para o gerenciamento e supervisao do risco Operacional", tambem chamado neste estudo de "Boas praticas" (BCBS, 2003b).

O "Boas praticas" contem

[...] um conjunto de principios que fornecem uma estrutura para o efetivo gerenciamento e para a supervisao do risco operacional que poderao ser utilizados por bancos e autoridades supervisoras na avaliacao de politicas e praticas de gerenciamento de risco operacional (BCBS, 2003b, p. 1).

O Quadro 1 enumera as praticas e os principios recomendados pelo Comite da Basileia contidos no documento "Boas praticas".

De acordo com Eagovil (2003), os principios contidos no documento "Boas praticas" direcionado a bancos (de 1 a 7 e 10) guardam interseccao com praticas de governanca corporativa.

Um dos elementos destacado no documento "Boas praticas" refere-se as ferramentas para identificar e avaliar o risco operacional. Mesmo que nao sejam literalmente ferramentas, e relevante destacar os mecanismos de incentivo a coleta de perdas operacionais. Por exemplo, conforme lembra Ribeiro (2003), a adocao de programa de remuneracao variavel foi fator diferencial na implantacao de etapa do projeto de gestao do risco operacional em agencias de instituicao financeira de grande porte no pais.

Finalmente, deve-se destacar que o papel da divulgacao do risco operacional e enfatizado no principio 10, tal como mostra o Quadro 1. De acordo com o Comite da Basileia, os bancos devem promover a divulgacao de informacoes relacionadas ao risco operacional, ainda que as tecnicas de avaliacao dos riscos operacionais nao estejam totalmente desenvolvidas (BCBS, 2003b).

2.3 ESTUDOS EMPIRICOS RELACIONADOS A DIVULGACAO DO RISCO OPERACIONAL EM BANCOS

Neste topico, apresentam-se estudos empiricos relacionados a divulgacao do risco operacional em bancos. A divulgacao do risco foi abordada em Helbok e Wagner (2004) e Carvalho, Trapp e Chan (2004). Mesmo nao sendo o foco dos estudos, a divulgacao do risco operacional tambem foi contemplada nas pesquisas empiricas realizadas pelo Comite da Basileia em 1999 (BCBS, 2001), 2000 (BCBS, 2002) e 2001 (BCBS, 2003a), e em Xavier (2003). Finalmente, em Barroso, Lustosa e Moraes (2004) e Sundmacher (2006) sao apresentadas contribuicoes para a revisao teorica a respeito desse tema.

Helbok e Wagner (2004) apresentaram estudo internacional a respeito da divulgacao corporativa do risco operacional em bancos comerciais, com base nos anos de 1998 a 2001. No periodo do levantamento, a divulgacao desse risco foi voluntaria. Utilizou-se um indice para pesquisar o nivel de divulgacao em relatorios anuais de bancos. Esses autores concluiram que, de 1998 a 2001, houve um aumento substancial tanto na extensao quanto na qualidade da divulgacao financeira corporativa de bancos em risco operacional. Sugere-se que preocupacoes com lucratividade podem levar instituicoes financeiras a terem um nivel de divulgacao do risco operacional mais alto, com a finalidade de garantir ao mercado que riscos operacionais estao sendo bem administrados.

Em Carvalho, Trapp e Chan (2004), analisou-se o estagio da divulgacao do risco operacional das instituicoes financeiras que atuam no Brasil, comparando-as com as que atuam na Europa e nos Estados Unidos. Foram estudados os demonstrativos financeiros correspondentes a 2002 e mensurou-se o nivel de divulgacao do risco operacional com base em parametros basicos do pilar 3 do "Basileia II". Foi utilizado o teste nao parametrico qui-quadrado para testar a hipotese de igualdade de proporcoes entre as amostras de populacoes distintas. As amostras totalizaram 115 entidades que atuam no Brasil, 87 nos Estados Unidos e 65 na Europa. Com base no teste aplicado, nao se constataram evidencias que levassem a rejeicao da hipotese nula de igualdade de proporcoes. Alem disso, de acordo com Carvalho, Trapp e Chan (2004, p. 270)

verificou-se que no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, somente cerca de 7%, 17% e 7% das respectivas amostras apresentaram alguma iniciativa de evidenciacao sobre esse assunto nas demonstracoes contabeis.

As pesquisas empiricas realizadas pelo Comite da Basileia em 1999 (BCBS, 2001), 2000 (BCBS, 2002) e 2001 (BCBS, 2003a) versaram sobre a divulgacao feita por bancos. Apesar de o risco operacional nao ter recebido o mesmo tratamento dado ao risco de credito e de mercado em termos de quantidade de questoes nas pesquisas, de acordo com BCBS (2003a, p. 29),

[...] 91% dos bancos forneceram informacao sobre os principais tipos de risco operacional e identificaram e discutiram assuntos especificos considerados significantes nesse topico (63% em 1999). Oitenta e um por cento dos bancos tambem evidenciaram contingencias legais e discutiram possiveis obrigacoes (53% em 1999).

Um dos objetivos buscados em Xavier (2003, p. 5) foi comparar o grau de transparencia das demonstracoes contabeis publicadas pelos principais bancos brasileiros com os criterios de divulgacao que poderao ser estabelecidos pelo "Basileia II". Estudaram-se os relatorios anuais e demonstrativos financeiros dos dez principais conglomerados financeiros entre 2001 e 2002. As categorias analisadas foram: escopo de aplicacao, capital, exposicao a risco e adequacao de capital. Concluiu-se que a divulgacao foi incipiente no periodo. Segundo Xavier (2003, p. 77),

tal conclusao, entre todas as observacoes feitas, esta apoiada no fato de os bancos pesquisados pelo Comite terem divulgado 56%, 58% e 63% dos itens, nos anos de 1999, 2000 e 2001, respectivamente, enquanto que os bancos objeto desta pesquisa divulgaram 25% e 26%, nos anos de 2001 e 2002.

No que se refere ao risco operacional, nao incluindo o risco legal, nao foram encontrados indicios de divulgacao nas demonstracoes pesquisadas no periodo. Quanto as contingencias legais, a divulgacao foi encontrada em 50% dos bancos em 2001, e em 60% dos bancos em 2002.

O objetivo em Barroso, Lustosa e Moraes (2004) foi avaliar o nivel de evidenciacao do risco operacional dos cinco maiores bancos do Brasil a luz do pilar 3 do "Basileia II". Analisaram-se relatorios anuais de 2000 a 2003, e chegouse a conclusao de que, no periodo analisado, em media 25% das sugestoes do Comite foram divulgadas. Esse percentual praticamente se manteve constante ao longo dos anos do estudo. E mencionado no referido estudo que a divulgacao nao necessariamente reflete o estagio de evolucao da gestao do risco operacional de um banco.

Finalmente, o objetivo de Sundmacher (2006) foi examinar a natureza da divulgacao do risco operacional em bancos internacionais, a consistencia dessa divulgacao e sua utilidade. A analise baseou-se nos relatorios anuais de 2004 e de 2005 de 57 instituicoes financeiras internacionais e restringiu-se aos requerimentos presentes no pilar 3 relacionados ao risco operacional. Os resultados apontaram que a quantidade e a qualidade da divulgacao variaram entre as instituicoes analisadas, e as informacoes foram predominantemente descritivas.

3 METODOLOGIA

Este topico descreve a populacao e a amostra, a coleta e o tratamento dos dados, a elaboracao do quadro usado para analisar o nivel de divulgacao do risco operacional, e, por fim, apresenta os testes nao parametricos utilizados nas analises dos resultados.

3.1 POPULACAO E AMOSTRA DE BANCOS

A populacao de bancos do pais deste estudo e constituida pelas instituicoes financeiras pertencentes ao Consolidado Bancario I presentes no relatorio "50 maiores bancos e o consolidado do sistema financeiro nacional", data-base dezembro de 2004. Tais instituicoes sao ordenadas por volume de ativos totais, deduzido da intermediacao (titulos--posicao financiada).

A amostra e nao probabilistica por julgamento. Foram selecionadas as entidades em ordem decrescente de volume de ativos totais, ate que o acumulado ultrapassasse 95% do somatorio dos ativos dos cinquenta maiores bancos. Justificase o percentual por ser significativo para a populacao, em termos de ativos totais. Das 25 entidades encontradas, foi retirada uma entidade que estava sob intervencao em 2004, chegando-se as 24 instituicoes descritas no Quadro 2.

Quanto ao cenario financeiro que se apresentou para os bancos do Quadro 2 no periodo de 2003 a 2004, destacamos que os eventos ocorridos no transcurso de 2004 nao produziram efeitos capazes de impor profundas alteracoes na estrutura do sistema financeiro. Destaca-se no periodo a ampliacao das alternativas de concessao de credito no sistema financeiro em fins de 2003, quando foi regulamentado o credito consignado (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2007c).

Alem dos instrumentos divulgados pelos bancos do pais, analisaram-se tambem os relatorios anuais de 2003 e 2004 de nove conglomerados financeiros do exterior. O criterio para escolher tais conglomerados foi o fato de serem as matrizes, na data-base de dezembro de 2004, dos nove bancos do pais com controle estrangeiro que fazem parte da amostra de bancos nacionais deste estudo. A analise dos relatorios das matrizes de bancos com controle estrangeiro serviu como referencia adicional para a analise da divulgacao do risco operacional feita para bancos do pais.

O Quadro 3 apresenta a relacao das matrizes de bancos com controle estrangeiro. Com relacao a esse quadro, o Grupo Santander inclui o Banco Santander Central Hispano.

Os bancos do Quadro 3 sao sediados nos Estados Unidos e na Europa. Quanto ao cenario financeiro que se apresentou para esses bancos no periodo (2003 e 2004), destacamos que nos Estados Unidos o numero de instituicoes com problemas diminuiu em 2004 em relacao a 2003, e na Europa os bancos europeus, de forma geral, mantiveram niveis de solidez alcancados nos anos anteriores, logrando boa recuperacao desde 2003 (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2008a).

Para as analises que seguem, todos os 24 bancos do Quadro 2 serao considerados bancos do pais, e as matrizes de bancos com controle estrangeiro contidas na coluna a direita do Quadro 3 serao consideradas bancos do exterior (4).

Todos os bancos divulgaram informacoes tanto em 2003 quanto em 2004. A escolha dessas datas foi justificada, pois a versao do "Basileia II" e o Comunicado no 12.746 do Banco Central do Brasil foram publicados em 2004, ou seja, analisaram-se informacoes publicadas pelos bancos antes e depois de terem sido divulgadas tais diretrizes, o que motivou verificar se houve mudanca no nivel de divulgacao do risco operacional entre os dois periodos.

Para atingir os objetivos deste estudo, nao foi necessario indicar o nome dos bancos nas analises. Bastou apresentar a quantidade de subcategorias divulgadas, substituindo o nome de cada entidade por um codigo que sera uniforme no decorrer da narrativa e que nao corresponde ao posto do banco em termos de ativos totais. Bancos do exterior foram tratados de forma similar aos bancos do pais. Assim, a identidade dos bancos foi preservada.

3.2 COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS

A coleta das fontes usadas na pesquisa documental foi feita nos sitios eletronicos dos proprios bancos, da Comissao de Valores Mobiliarios (CVM) e da Bolsa de Valores de Sao Paulo (Bovespa). Para quatro bancos, os instrumentos de divulgacao foram coletados no sitio eletronico do Diario Oficial do Estado de Sao Paulo, e, para um banco, os instrumentos de divulgacao de 2003 foram coletados em jornal de grande circulacao, sendo solicitado ao setor de atendimento do referido jornal o envio do exemplar pelo correio. Para bancos do exterior, os relatorios foram coletados nos respectivos sitios eletronicos.

Utilizaram-se relatorios anuais e subsidiariamente outros instrumentos de divulgacao, como demonstracoes contabeis, notas explicativas, quadros suplementares as demonstracoes contabeis, relatorios de administracao, parecer dos auditores independentes e, para o periodo de 2004, os resumos do relatorio do comite de auditoria, quando disponiveis. Para bancos do exterior, foram usados exclusivamente relatorios anuais.

Para o tratamento dos dados, utilizou-se a analise de conteudo, conceituada por Bardin (1977, p. 42) como

um conjunto de tecnicas de analise das comunicacoes visando obter, por procedimentos sistematicos e objetivos de descricao do conteudo das mensagens, indicadores (quantitativos ou nao) que permitam a inferencia de conhecimentos relativos as condicoes de producao/recepcao (variaveis inferidas) destas mensagens.

A analise de conteudo adotada foi categorial tematica. De acordo com Bardin (1977, p. 153), "funciona por operacoes de desmembramento do texto em unidades, em categorias segundo reagrupamentos analogicos". Alem disso, a analise foi qualitativa, e a regra de enumeracao consistiu na presenca ou ausencia de termos.

A organizacao da analise apresentou tres etapas, conforme Bardin (1977): pre-analise, exploracao do material e tratamento dos dados, da inferencia e da interpretacao.

Na pre-analise, foram selecionados os documentos a serem examinados, e definiram-se as categorias e subcategorias utilizadas na analise de conteudo. Durante essa etapa, realizou-se pesquisa exploratoria, por meio de questionario, em que foi obtida a opiniao de dez profissionais a respeito das categorias e subcategorias de analise elaboradas previamente com base na revisao teorica. O criterio para escolha de tais profissionais foi terem publicado trabalhos a respeito do risco operacional ou atuarem na gestao de risco de bancos autorizados a funcionar no pais. A pesquisa sobre as categorias e subcategorias baseou-se em esforco similar ao descrito em Shigvi e Desai (1971), no qual se buscou a opiniao de profissionais durante a elaboracao de indicadores de analise utilizados em estudo de disclosure de informacoes financeiras. Essa pesquisa exploratoria subsidiou a operacionalizacao das categorias que foram usadas na analise de conteudo e que estao presentes no Quadro 4.

Na exploracao do material, para cada banco foram examinados os instrumentos de divulgacao e buscou-se verificar a presenca ou ausencia das 18 subcategorias distribuidas em nove categorias, como consta no Quadro 4.

No tratamento de resultados, inferencia e interpretacao, as analises foram registradas em tabela e apresentadas por subcategoria, como descrito no item 4.1, e apresentou-se o resultado para o grupo de bancos do pais e exterior, tal como mostra o item 4.2 deste estudo.

3.3 ELABORACAO DO QUADRO DE ANALISE

As categorias e subcategorias utilizadas na pesquisa estao descritas no Quadro 4, o qual apresenta 9 categorias e 18 subcategorias. As seis primeiras categorias associam-se a subcategorias predominantemente qualitativas, a setima e oitava categorias associam-se a subcategorias quantitativas, e a nona categoria e predominantemente qualitativa.

As categorias tem como base as recomendacoes do Comite da Basileia contidas no pilar III do "Basileia II" (BCBS, 2005) e no "Boas praticas" (BCBS, 2003b). Da revisao teorica, podem ser citadas as obras de Carvalho, Trapp e Chan (2004), Barroso, Lustosa e Moraes (2004) e Helbok e Wagner (2004). Quanto as subcategorias, a principal referencia foi o ja mencionado "Boas praticas" divulgado pelo Comite da Basileia (BCBS, 2003b), complementado pela revisao teorica ja descrita para as categorias.

O Quadro 4 apresenta cada categoria associada a uma ou mais subcategorias, e nao sao atribuidos pesos a elas. Essa nao-atribuicao baseou-se na obra de Helbok e Wagner (2004), na qual nao foram atribuidos pesos aos elementos de analise e em que foi possivel encontrar elementos agrupados em quantidades diferentes.

A quantidade de subcategorias associada a cada categoria levou em conta o resultado da analise dos dados da pesquisa exploratoria feita com profissionais, mencionada no item 3.1, em que foi constatada a aderencia de dezessete subcategorias as respectivas categorias, na opiniao dos respondentes. A decima oitava subcategoria, descrita no final do Quadro 4, associa-se a categoria 9, "Outras informacoes". No contexto de outras informacoes relativas ao risco operacional, consideraram-se neste estudo as informacoes sobre risco legal.

Vale dizer que o risco legal foi considerado na elaboracao do Quadro 4 porque esta incluso no conceito de risco operacional descrito no "Basileia II", conforme apresentado no item 2.1 deste trabalho. Pesquisas realizadas pelo Comite da Basileia (BCBS, 2001, 2002, 2003a) e o estudo de Xavier (2003), mencionados no item 2.3 deste trabalho, mostraram discussoes relativas a contingencias legais como passiveis de serem verificadas empiricamente na divulgacao de bancos.

3.4 TESTES NAO PARAMETRICOS

Para dar significancia estatistica aos resultados encontrados nas analises dos dados secundarios foram utilizados nesta pesquisa o teste U de Mann-Whitney e o teste de Wilcoxon, dois tipos de teste nao parametrico. O teste nao parametrico "nao especifica condicoes sobre os parametros da populacao da qual se extraiu a amostra" (SIEGEL, 1975). O Quadro 5 detalha os testes usados nas analises dos dados secundarios.

Finalmente, os resultados dos testes nao parametricos apresentados no item 4.3 deste estudo foram obtidos com o uso do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versao 12.0.

4 RESULTADOS

Neste topico, apresentam-se os resultados da divulgacao por subcategoria (resultantes da analise de conteudo), da divulgacao por bancos e da aplicacao dos testes nao parametricos.

4.1 RESULTADOS DA DIVULGACAO POR SUBCATEGORIA

De acordo com a Tabela 1, em cada ano a coluna "P" contem os totais de bancos que apresentaram as subcategorias presentes em seus instrumentos de divulgacao. Por exemplo, para 2003 a subcategoria "Mencao a integracao de riscos" esteve presente na divulgacao de tres bancos do pais, com percentual de divulgacao descrito na coluna "%P" de 12,50%. Para obter o referido percentual, foi dividida a quantidade total de bancos do pais que apresentaram a subcategoria presente em 2003 (tres) pela quantidade total de bancos do pais avaliados (vinte e quatro). Essa forma de calcular o percentual de divulgacao por subcategoria baseou-se em documentos do Comite da Basileia (BCBS, 2001, 2002, 2003a).

Na analise dos relatorios de bancos do pais, observou-se a predominancia da ausencia de termos, exceto para a subcategoria "Outras informacoes relacionadas ao risco operacional: risco legal". De acordo com a Tabela 1, a subcategoria com maior percentual, exceto "Outras informacoes ...", foi "Descricao dos objetivos relacionados a gestao de riscos", com 37,50% de itens presentes em 2003 (41,67% em 2004). Por sua vez, "Mecanismos de incentivo a coleta de perdas operacionais", "Mencao a instrumentos para transferencia do risco", "Exposicao ao risco operacional" e "Encargo de capital regulamentar de risco operacional" nao foram mencionadas por bancos do pais em 2003 e 2004.

Para os bancos do exterior, predominou a presenca de termos. Segundo a Tabela 1, oito subcategorias apresentaram percentuais de 100% tanto em 2003 quanto em 2004. Como excecao, cita-se a subcategoria "Encargo de capital regulamentar de risco operacional", a qual nao foi mencionada em 2003 e 2004.

De posse da quantidade de subcategorias presentes em cada ano, chegouse a Tabela 2 que apresenta o total de subcategorias divulgadas pelos bancos do pais, tanto em 2003 quanto em 2004, em valores absolutos.

Conforme a Tabela 2, para os bancos do pais, em 2003, verificou-se que as subcategorias relacionadas ao risco operacional estiveram presentes em instrumentos de divulgacao dos bancos em 74 casos de um total de 432 possiveis (432 = 18 subcategorias x 24 bancos), o que corresponde ao percentual medio de 17,13%. Por sua vez, a analise de 2004 indicou que as subcategorias estiveram presentes em instrumentos de divulgacao em 105 casos do mesmo total de 432 itens possiveis, o que corresponde ao percentual medio de 24,31%.

A Tabela 3 apresenta o total de subcategorias divulgadas pelos bancos do exterior, tanto em 2003 quanto em 2004, em valores absolutos.

Referente aos bancos do exterior, segundo a Tabela 3, em 2003 verificou-se que as subcategorias relacionadas ao risco operacional estiveram presentes em instrumentos de divulgacao dos bancos em 126 casos de um total de 162 possiveis (162 = 18 subcategorias x 9 bancos), o que corresponde ao percentual medio de 77,78%. Por sua vez, a analise de 2004 indicou que as subcategorias estiveram presentes em instrumentos de divulgacao em 132 casos do mesmo total de 162 possiveis, o que corresponde ao percentual medio de 81,48%.

Constatou-se que os bancos do exterior serviram neste estudo como uma referencia internacional que permitiu a verificacao de subcategorias em certos periodos que nao foram encontradas nas analises dos instrumentos divulgados por bancos do pais. Um exemplo foi a subcategoria "Mencao a abordagem para avaliacao de capital do risco para qual o banco pretende se qualificar", identificada em 2003 apenas para bancos do exterior.

4.2 RESULTADOS DA DIVULGACAO POR BANCOS

Apresentam-se neste item os resultados por bancos. Inicialmente, a Tabela 4 ilustra a distribuicao da quantidade de subcategorias divulgadas por bancos do pais em 2003 e 2004.

Segundo a Tabela 4, dos 24 bancos do pais (representados de P01 a P24), dois reduziram o nivel de divulgacao de um ano para outro, doze mantiveram o mesmo nivel, e dez divulgaram mais categorias em 2004 do que em 2003. Dentre os bancos que mantiveram a mesma quantidade de subcategorias divulgadas nos dois anos, onze divulgaram uma subcategoria apenas, a qual corresponde ao risco legal. Vale destacar que tres bancos divulgaram nove ou mais subcategories em 2003 (50% ou mais das subcategorias analisadas), e este numero aumentou para cinco bancos em 2004.

A analise exploratoria da quantidade de subcategorias divulgadas e apresentada na Tabela 5, que indica, para cada ano, a mediana, a moda, a quantidade minima e maxima de subcategorias divulgadas por bancos do pais. A coluna "Moda" indica que a quantidade de subcategorias mais frequente em 2003 e 2004 para os bancos foi 1.

A Tabela 6 ilustra a distribuicao da quantidade de subcategorias divulgadas em 2003 e 2004 por bancos do exterior (E01 a E09). Nenhum banco divulgou menos itens em 2004 do que em 2003, quatro bancos divulgaram a mesma quantidade de itens nos dois anos, e cinco aumentaram o nivel de divulgacao de um ano para outro. Dentre os bancos que mantiveram a mesma quantidade de subcategorias divulgadas nos dois anos, tres divulgaram 16 subcategorias, com o percentual de 88,89%. A menor quantidade de subcategorias encontrada foi onze em 2003 e doze em 2004, ambas atribuidas ao mesmo banco.

A analise exploratoria da quantidade de subcategorias divulgadas por bancos do exterior esta descrita na Tabela 7, a qual apresenta, para cada ano, a mediana, a moda, a quantidade minima e maxima de subcategorias divulgadas por bancos do exterior. A coluna "Moda" indica dois valores em cada ano: 13 e 16 em 2003, e 14 e 16 em 2004.

4.3 RESULTADOS DA APLICACAO DOS TESTES NAO PARAMETRICOS

Com base nas informacoes apresentadas nas tabelas 4 e 6, foi possivel aplicar os testes U de Mann-Whitney e de Wilcoxon para verificar a existencia ou nao de diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelos grupos de bancos.

Para verificar se houve diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelo grupo de bancos do pais e a quantidade divulgada pelo grupo de bancos do exterior em 2003, aplicou-se o teste U de Mann-Whitney, apropriado para duas amostras independentes. A hipotese nula indicou nao haver diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelos dois grupos de bancos, e a hipotese alternativa indicou haver tais diferencas. O Quadro 6 apresenta os resultados dos testes U de Mann-Whitney realizados com base em dados apresentados nas tabelas 4 e 6.

Conforme o Quadro 6, levando-se em conta os 24 bancos do pais e os 9 do exterior em 2003, os resultados obtidos (U = 1,500; p = 0,000) apontaram a rejeicao da hipotese nula no nivel 0,05, ou seja, a quantidade de subcategorias divulgadas pelos dois grupos de bancos em 2003 difere significativamente, no nivel 0,05. Os postos medios atribuidos a cada grupo resultantes do teste foram 12,56 para bancos do pais e 28,83 para os do exterior, indicando maior divulgacao para os bancos do exterior no ano.

Da mesma forma, buscou-se verificar se houve diferencas entre os niveis de divulgacao do grupo de bancos do pais e do grupo de bancos do exterior em 2004; nesse processo, utilizou-se novamente o teste U de Mann-Whitney. A hipotese nula indicou nao haver diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelos dois grupos de bancos, no entanto a hipotese alternativa apontou a existencia de diferencas.

Segundo o Quadro 6, o resultado do teste U de Mann-Whitney (U = 2,500; p = 0,000) tambem indicou diferencas significativas entre as quantidades de subcategorias divulgadas pelos dois grupos de bancos em 2004, no nivel 0,05. Os postos medios atribuidos a cada grupo resultantes do teste foram 12,60 para os bancos do pais e 28,72 para os do exterior, indicando maior divulgacao para os bancos do exterior no ano.

Para verificar se houve diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelo grupo de bancos do pais de 2003 para 2004, utilizou-se o teste de Wilcoxon, apropriado para duas amostras relacionadas. A hipotese nula indicou nao haver diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelo grupo de bancos do pais em 2003 e a quantidade de subcategorias divulgadas pelo mesmo grupo de bancos em 2004, no entanto a hipotese alternativa apontou a existencia de diferencas.

O Quadro 7 apresenta os resultados dos testes de Wilcoxon realizados com base em dados apresentados nas tabelas 4 e 6.

De acordo com o Quadro 7, para bancos do pais, o resultado do teste de Wilcoxon (Z = -2,485; p = 0,013) indicou rejeitar a hipotese nula no nivel 0,05, ou seja, foram verificadas diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas em 2003 e em 2004, no nivel 0,05. Como ja mencionado, dois bancos do pais reduziram o nivel de divulgacao, doze mantiveram o mesmo nivel, e dez divulgaram mais categorias em 2004 do que em 2003. Os postos medios negativos e positivos resultantes do teste foram, respectivamente, 3,75 e 7,05, indicando maior divulgacao em 2004.

Da mesma maneira, para verificar se houve diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelo grupo de bancos do exterior de 2003 para 2004, foi utilizado o teste de Wilcoxon. A hipotese nula indicou nao haver diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas pelo grupo de bancos do exterior em 2003 e a quantidade de subcategorias divulgadas pelo mesmo grupo de bancos em 2004, no entanto a hipotese alternativa apontou a existencia de diferencas.

Segundo o Quadro 7, para bancos do exterior, o resultado do teste de Wilcoxon (Z = -2,121; p = 0,034) indicou que foram verificadas diferencas significativas entre a quantidade de subcategorias divulgadas em 2003 e 2004, no nivel 0,05. Nenhum banco do exterior reduziu o nivel de divulgacao, quatro mantiveram o mesmo nivel, e cinco divulgaram mais subcategorias em 2004 do que em 2003. Os postos medios negativos e positivos foram, respectivamente, 0,00 e 3,00, indicando maior divulgacao em 2004.

Como citado no item "Metodologia", a versao do "Basileia II" e o Comunicado no 12.746 do Banco Central do Brasil foram publicados em 2004, e analisaramse informacoes publicadas pelos bancos antes e depois de terem sido divulgadas tais diretrizes, verificando-se nas analises a mudanca no nivel de divulgacao do risco operacional entre os dois anos.

Assim, as analises anteriores e os resultados dos testes indicaram que o grupo de bancos do exterior divulgou mais subcategorias do que o grupo de bancos do pais, tanto em 2003 quanto em 2004. Alem disso, houve aumento em 2004 na quantidade de subcategorias divulgadas pelo grupo de bancos do pais e do exterior.

Finalmente, um aspecto que pode ajudar a entender as diferencas entre a quantidade de subcategorias divulgadas por bancos do exterior e do pais e que foi constatado que os bancos do exterior possuiam sedes em paises membros do Comite da Basileia. Esse fato pode ter influenciado a busca por adequacao de bancos do exterior a diretrizes baseadas em recomendacoes do Comite, inclusive quanto a divulgacao do risco operacional.

5 CONCLUSAO

O objetivo deste trabalho foi verificar os niveis de divulgacao do risco operacional de 24 bancos do pais e de nove do exterior, segundo recomendacoes do Comite da Basileia, nas datas-base 31 de dezembro 2003 e 31 de dezembro 2004. No periodo a que se refere este estudo, a divulgacao desse risco foi voluntaria no pais.

Com base nas recomendacoes do Comite contidas no pilar 3 do "Basileia II", no "Boas praticas" e em outros estudos relacionados ao tema, abordados na revisao teorica, emergiram categorias e subcategorias de analise, as quais foram apreciadas por profissionais usuarios da informacao relativa ao risco operacional. As opinioes desses profissionais subsidiaram a elaboracao de quadro de analise empregado para avaliar o nivel de divulgacao do risco operacional.

Com base nesse quadro, composto por nove categorias e 18 subcategorias, analisou-se o conteudo de relatorios anuais e de outros instrumentos de divulgacao dos bancos do pais e do exterior, e foram realizados testes nao parametricos para dar significancia estatistica as analises dos dados secundarios.

Os resultados indicaram que os niveis de divulgacao do risco operacional de bancos do pais e do exterior em 2003 foram, respectivamente, 17,13% e 77,78%, e em 2004 os niveis foram, respectivamente, 24,31% e 81,48%. Os testes nao parametricos indicaram que o grupo de bancos do exterior divulgou mais subcategorias do que o grupo de bancos do pais nos dois anos e que a quantidade de subcategorias divulgadas pelos dois grupos aumentou em 2004.

Um aspecto que pode ajudar a entender as diferencas entre a quantidade de subcategorias divulgadas por bancos do exterior e do pais e que foi constatado que os bancos do exterior possuiam sedes em paises membros do Comite da Basileia. Esse fato pode ter influenciado a busca por adequacao de bancos do exterior a diretrizes baseadas em recomendacoes do Comite, inclusive quanto a divulgacao do risco operacional.

Quanto a divulgacao por subcategoria, destacou-se que "Outras informacoes relacionadas ao risco operacional: risco legal" esteve presente na divulgacao de todos os bancos, ao passo que a subcategoria "Encargo de capital regulamentar de risco operacional como porcentagem do capital regulamentar minimo total" nao foi mencionada.

Este estudo tambem buscou ampliar o conhecimento sobre a divulgacao do risco operacional, apresentando quadro de analise como contribuicao teorica e descrevendo o uso de testes nao parametricos na analise de dados qualitativos. Conforme citado na introducao deste trabalho, o interesse em analisar a divulgacao desse risco tambem reside na atualidade do tema, o qual desperta atencao do publico academico e dos profissionais ligados ao mercado financeiro, tendo em vista a existencia de diretrizes para implementacao do "Basileia II" no Brasil relacionadas ao risco operacional em instituicoes financeiras.

Como estudos futuros, algumas propostas de pesquisa podem ser sugeridas: verificar a influencia do tamanho dos bancos sobre o nivel de divulgacao do risco operacional e efetuar analise comparativa entre o nivel de divulgacao do risco operacional e o nivel de divulgacao de outros riscos financeiros, como o risco de credito e de mercado.

Finalmente, buscou-se colaborar para a aplicabilidade de recomendacoes do Comite da Basileia relativas a divulgacao do risco operacional no pais. Tal divulgacao pode contribuir para que participantes do mercado estejam mais informados a respeito dos progressos da gestao do risco operacional em bancos, alem de subsidiar as decisoes de investidores e demais partes interessadas na administracao de riscos de instituicoes financeiras.

Submissao: 22 jan. 2008. Aceitacao: 1 dez. 2008. Sistema de avaliacao: as cegas dupla (double blind review).

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(1) O Comite de Supervisao Bancaria da Basileia (tambem chamado "Comite da Basileia" ou simplesmente "Comite"), de acordo com BCBS (2005, p. 1), "e um comite de autoridades de supervisao bancaria que foi estabelecido pelos presidentes dos bancos centrais dos paises do Grupo dos Dez em 1975. E constituido por representantes de autoridades de supervisao bancaria e de bancos centrais dos seguintes paises: Belgica, Canada, Franca, Alemanha, Italia, Japao, Luxemburgo, Holanda, Espanha, Suecia, Suica, Reino Unido e Estados Unidos".

(2) Neste estudo, os termos divulgacao, evidenciacao e disclosure sao considerados sinonimos.

(3) Apesar de nao ser o objetivo deste estudo, deve-se mencionar que o pilar 1 contempla requerimentos de capital regulamentar para o risco operacional, destacando-se as seguintes abordagens para mensuracao, segundo a ordem de sofisticacao e sensibilidade ao risco: abordagem de indicador basico (basic indicator approach--BIA), abordagem padronizada (stantardized approach--SA), abordagem padronizada alternativa (alternative standardized approach--ASA) e abordagem de mensuracao avancada (advanced measurement approach--AMA). A AMA preconiza a utilizacao de modelos internos para mensurar o risco operacional, considerando uma base de dados de perdas operacionais (BCBS, 2005).

(4) Em essencia, o banco do pais com controle estrangeiro faz parte do patrimonio da matriz. No entanto, com base no Comunicado no 12.746 do Banco Central, os bancos autorizados a funcionar no pais nao serao diferenciados entre si quanto a origem do capital no que se refere ao tratamento que sera dado com base no "Basileia II". Portanto, para os efeitos deste estudo, o banco autorizado a funcionar no pais com controle estrangeiro pertence ao grupo de bancos do pais, e sua matriz, ao grupo de bancos do exterior. Tal separacao estende-se aos instrumentos de divulgacao veiculados pelos bancos do pais e do exterior.

CARLOS ANDRE DE MELO ALVES Mestre em Administracao pela Universidade Federal do Parana (UFPR). Doutorando em Administracao pela Faculdade de Economia, Administracao e Contabilidade da Universidade de Sao Paulo (USP). Avenida Professor Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitaria--Sao Paulo--SP--CEP 05508-010 E-mail: camelodfpr@yahoo.com.br

ANA PAULA MUSSI SZABO CHEROBIM Doutora em Administracao pela Universidade de Sao Paulo (USP). Professora adjunta III do Departamento de Administracao Geral e Aplicada da Universidade Federal do Parana (UFPR.) Rua Lothario Meissner, 632, 2[degrees] andar, Jardim Botanico--Curitiba--PR--CEP 80210-170 E-mail: anapaulamussi@ufpr.br
TABELA 1
RESULTADOS DA DIVULGACAO DO RISCO
OPERACIONAL POR SUBCATEGORIA

CATEGO-       SUBCATEGORIAS                2003
RIAS
                                           PAIS

                                        P       P%

Estrategias   Descricao dos             9       37,50%
e politicas   objetivos relacionados
              a gestao de riscos

              Mencao a integracao       3       12,50%
              de riscos

              Conceito de risco         5       20,83%
              operacional utilizado

Estrutura     Envolvimento da alta      6       25,00%
e organi-     administracao com
zacao da      risco operacional
funcao
              Estrutura                 3       12,50%
              organizacional
              responsavel pelo risco
              operacional

              Segregacao entre          2        8,33%
              gestao de riscos e area
              de negocios do banco

              Segregacao entre          2        8,33%
              auditoria interna e
              gestao de riscos

Sistema       Mencao ao reporte da      1        4,17%
de reporte    area de negocios para
interno       o gestor de risco

              Mencao ao reporte do      3       12,50%
              gestor de risco para
              alta administracao

Ferramen-     Mencao a ferramentas      6       25,00%
tas para      para identificar
identifi-     e avaliar o risco
cacao e       operacional
avaliacao
do risco      Mecanismos de             0        0,00%
              incentivo a coleta de
              perdas operacionais

Tecnicas      Mencao a                  0        0,00%
para dimi-    instrumentos para
nuicao do     transferencia do risco
risco
              Mencao a planos de        4       16,67%
              contingencia e/ou
              de continuidade de
              negocios

              Mencao a meios            6       25,00%
              para conscientizacao
              do corpo funcional
              quanto ao risco

Aborda-       Mencao a abordagem        0        0,00%
gem para      para avaliacao de
avaliacao     capital do risco para
de capital    qual o banco pretende
              se qualificar

Exposicao     Exposicao ao risco        0        0,00%
ao risco      operacional (valores
              totais ou por linhas de
              negocios)

Encargo       Encargo de capital        0        0,00%
de capital    regulamentar de risco
regula-       operacional como
mentar        porcentagem do
              capital regulamentar
              minimo total

Outras        Outras informacoes        24     100,00%
informa-      relacionadas ao risco
coes          operacional: risco legal

SUBCATEGORIAS                               2003

                                          EXTERIOR

                                        P       P%

Descricao dos                           9       100,00%
objetivos relacionados
a gestao de riscos

Mencao a integracao                     8        88,89%
de riscos

Conceito de risco                       9       100,00%
operacional utilizado

Envolvimento da alta                    9       100,00%
administracao com
risco operacional

Estrutura                               8        88,89%
organizacional
responsavel pelo risco
operacional

Segregacao entre                        8        88,89%
gestao de riscos e area
de negocios do banco

Segregacao entre                        9       100,00%
auditoria interna e
gestao de riscos

Mencao ao reporte da                    8        88,89%
area de negocios para
o gestor de risco

Mencao ao reporte do                    9       100,00%
gestor de risco para
alta administracao

Mencao a ferramentas                    9       100,00%
para identificar
e avaliar o risco
operacional

Mecanismos de                           1        11,11%
incentivo a coleta de
perdas operacionais

Mencao a                                5        55,56%
instrumentos para
transferencia do risco

Mencao a planos de                      7        77,78%
contingencia e/ou
de continuidade de
negocios

Mencao a meios                          9       100,00%
para conscientizacao
do corpo funcional
quanto ao risco

Mencao a abordagem                      5        55,56%
para avaliacao de
capital do risco para
qual o banco pretende
se qualificar

Exposicao ao risco                      4        44,44%
operacional (valores
totais ou por linhas de
negocios)

Encargo de capital                      0         0,00%
regulamentar de risco
operacional como
porcentagem do
capital regulamentar
minimo total

Outras informacoes                      9       100,00%
relacionadas ao risco
operacional: risco legal

SUBCATEGORIAS                                2004

                                  PAIS               EXTERIOR

                                  P       P%         P       P%

Descricao dos                     10      41,67%     9       100,00%
objetivos relacionados
a gestao de riscos

Mencao a integracao               5       20,83%     8       88,89%
de riscos

Conceito de risco                 7       29,17%     9       100,00%
operacional utilizado

Envolvimento da alta              9       37,50%     9       100,00%
administracao com
risco operacional

Estrutura                         7       29,17%     8       88,89%
organizacional
responsavel pelo risco
operacional

Segregacao entre                  6       25,00%     8       88,89%
gestao de riscos e area
de negocios do banco

Segregacao entre                  7       29,17%     9       100,00%
auditoria interna e
gestao de riscos

Mencao ao reporte da              2       8,33%      9       100,00%
area de negocios para
o gestor de risco

Mencao ao reporte do              2       8,33%      9       100,00%
gestor de risco para
alta administracao

Mencao a ferramentas              9       37,50%     9       100,00%
para identificar
e avaliar o risco
operacional

Mecanismos de                      0       0,00%      1      11,11%
incentivo a coleta de
perdas operacionais

Mencao a                           0       0,00%      6      66,67%
instrumentos para
transferencia do risco

Mencao a planos de                 5       20,83%     8      88,89%
contingencia e/ou
de continuidade de
negocios

Mencao a meios                     8       33,33%     9      100,00%
para conscientizacao
do corpo funcional
quanto ao risco

Mencao a abordagem                 4       16,67%     7      77,78%
para avaliacao de
capital do risco para
qual o banco pretende
se qualificar

Exposicao ao risco                 0       0,00%      5      55,56%
operacional (valores
totais ou por linhas de
negocios)

Encargo de capital                 0       0,00%      0      0,00%
regulamentar de risco
operacional como
porcentagem do
capital regulamentar
minimo total

Outras informacoes                 24      100,00%    9      100,00%
relacionadas ao risco
operacional: risco legal

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

P = presente; Pais = bancos do pais; Exterior = bancos do exterior.

TABELA 2
QUANTIDADE TOTAL DE SUBCATEGORIAS DIVULGADAS - BANCOS
DO PAIS

ANO        TOTAL DE         TOTAL DE
        SUBCATEGORIAS     SUBCATEGORIAS
          PRESENTES         AUSENTES       TOTAL ANALISADO

2003          74               358               432

2004         105               327               432

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

TABELA 3
QUANTIDADE TOTAL DE SUBCATEGORIAS DIVULGADAS - BANCOS
DO EXTERIOR

ANO           TOTAL DE         TOTAL DE
            SUBCATEGORIAS    SUBCATEGORIAS
              PRESENTES        AUSENTES       TOTAL ANALISADO

2003             126              36                162
2004             132              30                162

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

TABELA 4
QUANTIDADE DE SUBCATEGORIAS DIVULGADAS
POR BANCOS DO PAIS EM 2003 E 2004

 BANCO                   QUANTIDADE DE
DO PAIS            SUBCATEGORIAS DIVULGADAS

                  2003                2004

  P04              11                  13
  P12               4                  13
  P22               9                  12
  P05              12                  10
  P21               5                  10
  P13               3                   8
  P03               6                   6
  P10               2                   6
  P08               4                   5
  P01               2                   4
  P14               1                   3
  P09               3                   2

 BANCO            BANCO                  QUANTIDADE DE
DO PAIS          DO PAIS            SUBCATEGORIAS DIVULGADAS

                                      2003          2004

  P04              P15                  1           2
  P12              P24                  1           1
  P22              P23                  1           1
  P05              P20                  1           1
  P21              P19                  1           1
  P13              P18                  1           1
  P03              P17                  1           1
  P10              P16                  1           1
  P08              P11                  1           1
  P01              P07                  1           1
  P14              P06                  1           1
  P09              P02                  1           1

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

TABELA 5
ANALISE EXPLORATORIA -- QUANTIDADE DE
SUBCATEGORIAS DIVULGADAS POR BANCOS DO PAIS

ANO     MEDIANA     MODA     QUANTIDADE    QUANTIDADE
                               MINIMA        MAXIMA

2003       1         1           1             12
2004       2         1           1             13

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

TABELA 6
QUANTIDADE DE SUBCATEGORIAS DIVULGADAS
POR BANCOS DO EXTERIOR EM 2003 E 2004

BANCO DO    QUANTIDADE DE SUBCATEGORIAS DIVULGADAS
EXTERIOR

                 2003               2004

E02               16                 16
E03               16                 16
E06               16                 16
E07               14                 15
E09               13                 15
E01               14                 14
E04               13                 14
E05               13                 14
E08               11                 12

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

TABELA 7
ANALISE EXPLORATORIA -- QUANTIDADE DE SUBCATEGORIAS
DIVULGADAS POR BANCOS DO EXTERIOR

ANO      MEDIANA         MODA       QUANTIDADE    QUANTIDADE
                                      MINIMA        MAXIMA

2003        14         13 e 16          11            16
2004        15         14 e 16          12            16

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

QUADRO 1
PRATICAS E PRINCIPIOS RECOMENDADOS
PELO COMITE DA BASILEIA

PRATICAS                                     PRINCIPIOS

Desenvolvimento de um ambiente apropriado     De 1 a 3
ao gerenciamento de risco

Identificacao, avaliacao, monitoramento e     De 4 a 7
controle/mitigacao do risco

Papel dos supervisores                         8 e 9

Papel da divulgacao                              10

Fonte: BCBS (2003b).

QUADRO 2
AMOSTRA DE BANCOS DO PAIS
(DATA-BASE: DEZEMBRO DE 2004)

POSTO    INSTITUICOES

 1       BB
 2       CEF
 3       BRADESCO
 4       ITAU
 5       UNIBANCO
 6       SANTANDER BANESPA
 7       ABN AMRO
 8       SAFRA
 9       HSBC
10       NOSSA CAIXA
11       VOTORANTIM
12       CITIBANK
13       BANKBOSTON
14       BNB
15       BANRISUL
16       CREDIT SUISSE
17       ALFA
18       JP MORGAN CHASE
19       PACTUAL
20       BNP PARIBAS
21       BBM
22       RURAL
23       DEUTSCHE
24       BIC

Fonte: Elaborado pelos autores com base no Banco Central
do Brasil (2007c).

QUADRO 3
RELACAO DAS MATRIZES DE BANCOS DO PAIS COM
CONTROLE ESTRANGEIRO (DATA-BASE: DEZEMBRO DE 2004)

BANCO DO PAIS COM CONTROLE ESTRANGEIRO    MATRIZ (BANCO DO EXTERIOR)

SANTANDER BANESPA                         GRUPO SANTANDER
ABN AMRO                                  ABN AMRO HOLDING N.V.
HSBC                                      HSBC HOLDINGS PLC
CITIBANK                                  CITIGROUP
BANKBOSTON                                BANK OF AMERICA CORPORATION
CREDIT SUISSE                             CREDIT SUISSE GROUP
JP MORGAN CHASE                           JP MORGAN CHASE & CO.
BNP PARIBAS                               BNP PARIBAS
DEUTSCHE                                  DEUTSCHE BANK AG

Fonte: Elaborado pelos autores com base em dados secundarios
da pesquisa.

QUADRO 4
QUADRO DE ANALISE USADO NO ESTUDO DO NIVEL DE
DIVULGACAO DO RISCO OPERACIONAL

CATEGORIAS            SUBCATEGORIAS

1. Estrategias e      Descricao dos objetivos relacionados a gestao
politicas             de riscos

                      Mencao a integracao de riscos

                      Conceito de risco operacional utilizado

2. Estrutura e        Envolvimento da alta administracao com risco
organizacao da        operacional
funcao
                      Estrutura organizacional responsavel pelo
                      risco operacional

                      Segregacao entre gestao de riscos e area
                      de negocios do banco

                      Segregacao entre auditoria interna e gestao
                      de riscos

3. Sistemade          Mencao ao reporte da area de negocios para
reporte interno       o gestor de risco

                      Mencao ao reporte do gestor de risco para
                      alta administracao

4. Ferramentaspara    Mencao a ferramentas para identificar e avaliar
identificacao e       o risco operacional
avaliacao do risco
                      Mecanismos de incentivo a coleta de perdas
                      operacionais

5. Tecnicaspara       Mencao a instrumentos para transferencia
diminuicao do         do risco
risco
                      Mencao a planos de contingencia e/ou de
                      continuidade de negocios

                      Mencao a meios para conscientizacao do
                      corpo funcional quanto ao risco

6. Abordagem para     Mencao a abordagem para avaliacao de capital
avaliacao de          do risco para qual o banco pretende se
capital               qualificar

7. Exposicao ao       Exposicao ao risco operacional (valores
risco                 totais ou por linhas de negocios)

8. Encargo            Encargo de capital regulamentar de risco
de capital            operacional como porcentagem do capital
regulamentar          regulamentar minimo total

9. Outras             Outras informacoes relacionadas ao risco
informacoes           operacional: risco legal (discussoes a respeito
                      de contingencias legais, incluindo acoes legais
                      pendentes, e uma discussao e estimativa de
                      potenciais obrigacoes)

Fonte: Elaborado pelos autores com base nas recomendacoes do Comite
da Basileia sobre revisao teorica e de pesquisa exploratoria.

QUADRO 5
TESTES USADOS NA ANALISE DOS DADOS SECUNDARIOS

NOME DO TESTE    TIPO DE VARIAVEL      NUMERO DE
                 A QUE SE APLICA       AMOSTRAS

Teste U de       Ordinal, pelo         Duas amostras
Mann-Whitney     menos                 independentes

Teste de         Ordinal, pelo         Duas amostras
Wilcoxon         menos                 relacionadas

NOME DO TESTE    DESCRICAO

Teste U de       Comprovar se dois grupos
Mann-Whitney     independentes foram extraidos da
                 mesma populacao.

Teste de         Comprovar se duas amostras
Wilcoxon         provem de uma mesma populacao,
                 analisando-se o sentido e valor das
                 diferencas entre os pares.

Fonte: Adaptado de Siegel (1975).

QUADRO 6
RESULTADOS DOS TESTES U DE MANN-WHITNEY

GRUPOS DE   NUMERO    POSTO                           RESULTADO
 BANCOS       DE      MEDIO      TESTE         P       (SIG.
            BANCOS                                     0,05)

Pais 2003     24      12,56    U de Mann-    0,000      Com
                                Whitney               diferenca
Exterior                       (U = 1,500)             signi-
  2003        9       28,83                           ficativa

Pais 2004     24      12,60    U de Mann-               Com
                                Whitney               diferenca
Exterior                       (U = 2,500)   0,000    signifi-
  2004        9       28,72                            cativa

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.

QUADRO 7
RESULTADOS DOS TESTES DE WILCOXON

GRUPOS DE   POSTOS    NUMERO       TESTE         P      RESULTADO
 BANCOS     MEDIOS      DE                                (SIG.
                      BANCOS                              0,05)

Pais 2003    3,75       24       Wilcoxon      0,013       Com
                                (Z = -2,485)            diferenca
Pais 2004    7,05                                       signifi-
                                                         cativa

Exterior     0,00       09       Wilcoxon      0,034       Com
  2003                                                  diferenca
                                                        signifi-
Exterior     3,00               (Z = -2,121)             cativa
  2004

Fonte: Dados secundarios da pesquisa.
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Article Details
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Author:Alves, Carlos Andre de Melo; Cherobim, Ana Paula Mussi Szabo
Publication:Revista de Administracao Mackenzie
Article Type:Report
Date:Mar 1, 2009
Words:9136
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