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Analysis of graphic representations of activity theory in international journals/Analise das representacoes graficas da teoria da atividade em periodicos internacionais.

1 Introducao

O presente trabalho busca contribuir com o campo de pesquisa da teoria da atividade, mais precisamente no tocante as representacoes graficas de seus modelos teoricos. Para Kaptelinin (2014), a teoria e um framework importante e cada vez mais utilizado na area do design de interacao, alem de outras areas como psicologia, educacao, estudos do trabalho e outros campos. Quanto ao uso de representacoes graficas de forma geral, nao so para a teoria da atividade, Frascara (2001) defende que a utilizacao de diagramas facilita o entendimento da ecologia das informacoes e assiste ao desenvolvimento da inteligencia.

Porem, como pode ser observado na figura 1, existe uma falta de consistencia nas representacoes graficas da teoria da atividade. Essa falta de uniformidade foi o ponto de partida para esta pesquisa, que teve como principal objetivo identificar, analisar e avaliar essas diferentes representacoes. De forma paralela, o trabalho tambem buscou analisar a presenca, frequencia e formas de uso dos modelos visuais em trabalhos da area, alem de apresentar ao final uma proposta de representacao que pretende ser mais adequada para a teoria.

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2 Representacoes graficas

2.1 A importancia do uso de representacoes graficas

Norman (1993) defende que o poder da cognicao humana sem o auxilio de artefatos externos e altamente superestimado, e que nesses casos a memoria e o raciocinio sofrem grandes limitacoes. Para o autor, nossa mente e altamente flexivel e adaptativa, e soberba em criar procedimentos e objetos que permitam superar suas proprias limitacoes. Esses artefatos, capazes de "deixar o ser humano mais esperto", sao denominados artefatos cognitivos.

Uma representacao grafica de uma teoria e, portanto, um artefato cognitivo relevante para a sua compreensao e aplicacao. Para Meirelles (2007), resultados de pesquisas empiricas demonstram que diagramas sao eficientes na facilitacao da resolucao de problemas, e isso ocorreria por eles representarem as informacoes de uma forma mais adequada para nossos mecanismos cognitivos.

Hansen (1999) complementa defendendo que a vantagem de se utilizar palavras em conjunto com outras representacoes graficas e permitir visualizar melhor suas relacoes e estruturas, que em situacoes onde se utiliza apenas texto podem estar obscurecidas. Para Albarn & Smith (1977) apud Hansen (1999), diagramas podem representar instantaneamente o que uma descricao verbal so consegue atraves de uma sequencia de afirmacoes, sendo, portanto, ideais para descrever as relacoes entre as coisas.

2.2 Componentes de uma representacao grafica

Engelhardt (2002) apresenta uma serie de definicoes relevantes para a construcao de um protocolo de analise de representacoes graficas. Para o autor, uma representacao grafica e composta basicamente por dois componentes essenciais: objetos graficos e espaco. A propria representacao como um todo pode ser considerada como um objeto grafico, composta internamente por subobjetos graficos e espaco, onde cada subobjeto pode ser novamente dividido e assim por diante.

Conforme a funcao exercida pelo objeto grafico em relacao ao espaco e demais objetos da representacao ele pode ser classificado conforme as categorias apresentadas no quadro 1.

Alguns exemplos desses elementos, e que serao utilizados ao longo deste trabalho, sao representados na figura 2.

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3 Teoria da atividade

3.1 Visao geral

Segundo Kaptelinin & Nardi (2006), os sujeitos (subjects) estao continuamente agindo sob a realidade (objects) na busca por satisfazer suas necessidades. Uma atividade seria, portanto, a interacao entre sujeito-objeto originada por um motivo, este ultimo vinculado a uma necessidade. As necessidades e os motivos podem ser tanto de ordem fisico-biologica (e.g. necessidade de se abrigar de intemperies) quanto psicologica (e.g. busca por status). A mesma logica se aplica aos objetos, que podem ser tanto de ordem fisica (e.g. um computador) quanto imaterial (e.g. um processo de aprendizagem).

Porem, como afirma Engestrom (2001) com base nos estudos do russo Lev Vygotsky, essa interacao nunca e direta e isolada, sempre ocorrendo atraves da mediacao de um artefato culturalmente e historicamente situado. Novamente, o artefato tambem pode ser tanto de ordem fisica (e.g. um martelo) quanto virtual (e.g. a linguagem oral). Essa relacao sujeito-objeto-artefato e tao intrinseca que constitui a unidade minima de analise, ou seja, o sujeito e suas acoes nao podem ser entendidos sem a relacao com os artefatos culturais que o cercam, assim como a sociedade como um todo tambem nao pode ser compreendida sem considerar os sujeitos que produzem e agem atraves de artefatos.

Apesar dessa aproximacao entre o sujeito e o contexto socio-cultural que o cerca, Engestrom (2001) afirma que em um primeiro momento a abordagem de Vygotsky para a teoria da atividade ainda se manteve limitada ao individuo. Essa abordagem, porem, foi sendo gradativamente ampliada por seus sucessores, de modo que o autor afirma ser possivel identificar tres geracoes distintas para a teoria, conforme apresentado no topico a seguir.

3.2 Tres geracoes de representacoes graficas para a teoria da atividade

Para Engestrom (2001), a unidade de analise formada por sujeito, objeto e artefato mediador pode ser representada visualmente conforme a figura 3B. Essa seria, segundo o autor, a reformulacao mais usual da ideia de mediacao proposta originalmente por Vygotsky (figura 3A), onde S seria um estimulo e R a resposta.

Como pode ser observado nessa representacao, questoes referentes ao contexto social que envolve a atividade nao estao explicitamente representadas no modelo. Para Engestrom, essa abordagem limitada ao individuo pode ser considerada como a 1 geracao da teoria da atividade.

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Essa limitacao seria superada com o advento da 2. geracao da teoria, centrada no trabalho de Leont'ev. Porem, apesar de expandir a unidade de analise do ponto de vista teorico, Leont'ev nunca teria feito o mesmo com a representacao grafica do modelo. Esta so seria proposta por Engestrom posteriormente, conforme apresentado na figura 4. Como pode ser observado, o proprio autor apresenta diferentes representacoes graficas para a 2 geracao do modelo extraidas de trabalhos diferentes publicados em 1987 e 2001.

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Em comparacao ao modelo de 1. geracao, percebe-se que o triangulo original formado pelo sujeito, objeto e artefato mediador foi mantido na parte superior, enquanto os aspectos sociais formam a base do triangulo maior. Segundo Engestrom (2001), isso representa a acao dos sujeitos como a "ponta do iceberg", sustentada por uma base formada de um sistema coletivo. E nesta base, nota-se a insercao de tres novos nodulos, que ajudam a descrever o contexto social da atividade: rules, community e division of labor. Tambem e possivel notar a insercao de uma saida do sistema, rotulada como outcome. A descricao do significado de cada um destes nodulos e apresentada no quadro 2.

Comparando os dois modelos de 2. geracao apresentados na figura 4, e possivel notar que a falta de consistencia que motivou esta pesquisa ja se encontra no proprio trabalho de Engestrom. As diferencas mais notaveis entre as duas sao:

* Uso de rotulos diferentes para o nodulo no topo da representacao: "instruments" em 1987 e "tools and signs" em 2001.

* Mudanca dos conectores de linhas simples para setas.

* Insercao de novo container ao redor do nodulo "object", e sua rotulacao como "mediating artifacts".

* Insercao de novos conectores entre os nodulos "subject-division of labor" e "object-rules"

* Insercao de um novo conector na forma de seta, rotulado como "sense, meaning" ligando ao novo nodulo rotulado de "outcome"

Por fim, a figura 5 apresenta o modelo de 3. geracao da teoria. Nele a unidade minima de analise nao e mais apenas uma atividade inserida no seu contexto social, mas sim uma rede de duas ou mais atividades interagindo entre si.

[FIGURE 5 OMITTED]

Neste topico foram apresentadas, sob a perspectiva de Engestrom (2001), quatro representacoes graficas para as tres geracoes da teoria da atividade, sendo que o proprio autor apresenta em momentos diferentes de seu trabalho duas possibilidades de representacao para a 2. geracao. Esses modelos serviram como base para a analise e comparacao das representacoes encontradas ao longo da pesquisa documental, e que serao apresentados a seguir.

4 Procedimentos para coleta e analise das representacoes

Para a coleta dos artigos, e suas respectivas representacoes graficas, foi realizada uma busca no Portal de Periodicos da CAPES utilizando a palavra-chave "activity theory". A pesquisa foi realizada no dia sete de abril de 2015 e retornou 1.562 resultados, ordenados pelo criterio de "Relevancia". Destes, foram coletados os cem primeiros.

Apos essa coleta, cada artigo foi analisado individualmente. O primeiro passo consistia em ler o titulo e resumo do trabalho, de forma a confirmar se ele realmente abordava a teoria da atividade.

Para os artigos que realmente tratavam do tema, foi aplicado o protocolo de analise apresentado no quadro 3, dividido em quatro grupos de informacoes a serem coletadas. O grupo A reune os dados que identificam o trabalho e a publicacao analisada; o grupo B e referente a presenca e frequencia de uso das representacoes; o grupo C trata de comparar as representacoes encontradas com as propostas por Engestrom (2001); enquanto o grupo D aborda questoes referentes a analise dos elementos graficos utilizados com base no trabalho de Engelhardt (2002).

5 Resultados e discussao das representacoes graficas coletadas

5.1 Presenca e uso das representacoes graficas

Dos noventa artigos analisados, oitenta e um (90%) apresentaram algum tipo de representacao grafica. Na figura 6, e possivel visualizar esses dados distribuidos ao longo de tres grupos. O primeiro, referente aos artigos que apresentaram uma ou mais representacoes da teoria da atividade, e formado por cinquenta e cinco trabalhos (61%). O segundo grupo, formado por dezenove trabalhos (21%), utilizou apenas quadros, tabelas ou graficos, sem apresentar representacoes graficas do modelo. Ja o terceiro grupo, formado por sete trabalhos (8%), apresentou representacoes de outros temas nao diretamente relacionados com a teoria da atividade. Apenas nove (10%) artigos nao apresentaram nenhuma representacao grafica.

Alem de estarem presentes na maior parte dos trabalhos, tambem foi possivel notar que as representacoes apresentaram um papel relevante no desenvolvimento e comunicacao dos resultados dos artigos analisados. Como pode ser visto na figura 7(A), 49% dos trabalhos com representacoes do modelo apresentaram algum tipo de adicao de elemento grafico nao previsto inicialmente por Engestrom. Esses elementos eram novos rotulos, conectores, setas, containers ou atem mesmo a criacao e ordenacao de uma ou mais copias do modelo para um criar um sistema maior de atividades. Os objetivos dessas adicoes eram comunicar questoes especificas das pesquisas em questao e que nao estavam previstas nos modelos originais.

Alguns exemplos dessa adicao de novos elementos sao apresentados na figura 8. No item A, Karanasios & Allen acrescentaram o rotulo motivation e mais um conector ao modelo, expandindo a representacao para tambem abordar a motivacao/ necessidade que leva a execucao da atividade, aspecto este previsto na teoria e que nao e contemplado nos modelos originais. Ja no item B, Lim & Hang (2003), acrescentam quatro containers ao redor do modelo original, buscando separar e explicar detalhadamente os diferentes niveis de contexto da atividade pesquisada, nesse caso partindo da sala de aula ate chegar ao Ministerio da Educacao.

[FIGURE 8 OMITTED]

Alem disso, como pode ser visto na figura 7(B), um total de quarenta trabalhos (73% dos que apresentaram representacoes) utilizaram o modelo para comunicar seus proprios dados, sendo que 35 (64%) inseriram dados em todos os nodulos e 5 (9%) apenas em alguns. Ou seja, alem de apresentarem o modelo para explicar a teoria da atividade, tambem o customizaram com dados da propria pesquisa, fazendo-o funcionar como uma ferramenta de comunicacao dos resultados do trabalho. Um exemplo e apresentado na figura 9.

[FIGURE 9 OMITTED]

Quanto a quantidade de representacoes da teoria da atividade encontradas em cada artigo, enquanto dezessete (31%) apresentaram apenas uma figura, os 38 restantes (69%) apresentaram entre duas e nove, conforme exibido na figura 10. Esses dados apontam como as representacoes eram usadas com frequencia ao longo dos artigos para explicar diferentes etapas e niveis de analise das atividades em questoes.

Concluindo a analise referente a presenca e uso das representacoes da teoria, o que se percebe e que elas sao utilizadas pela maioria das pesquisas na area (61%). Essa utilizacao ocorre com frequencia ao longo dos trabalhos, ja que a maior parte (69%) utiliza por duas ou mais vezes o modelo visual durante o artigo. Alem disso, essa utilizacao nao se limita a repetir os modelos originais, ja que 49% dos trabalhos inserem elementos graficos novos na representacao e 73% utilizam o modelo em conjunto com dados proprios da pesquisa em questao.

5.2 Classificacao das representacoes graficas

Na figura 11 (B), comparando as representacoes graficas coletadas com os modelos citados por Engestrom, e possivel notar que o modelo de 2. geracao e o mais recorrente, presente em quarente e sete (85,5%) dos artigos. Ele e seguido pelo modelo de 1., dez artigos (18%), e de 3. geracao, oito artigos (14,5%). Seis (11%) das representacoes nao se enquadraram em nenhum dos modelos de Engestrom, e foram classificadas como novos modelos. A soma desses numeros supera o total de cinquenta e cinco artigos analisados pelo fato de varios apresentarem mais de um modelo, a descricao exata de quais tipos estavam em cada trabalho e apresentada na figura 11 (A).

Essa predominancia do modelo de 2. geracao aponta para a importancia da presenca do contexto da atividade (regras, comunidade e divisao do trabalho) na analise desenvolvida pelos artigos levantados. Ja o modelo de 3. geracao, focado na relacao entre duas ou mais atividades relacionadas, nao e tao utilizado, sendo identificado em apenas oito artigos (14,5%).

5.3 Analise da nomenclatura utilizada nos rotulos

Para a analise da nomenclatura de cada rotulo dos modelos foi tomado como base os nomes originalmente propostos por Engestrom. E relevante lembrar que o proprio autor apresenta tres nomenclaturas diferentes para o rotulo do nodulo do topo do triangulo, que ja foi referido como medianting artefacts, tools and signs e instrument. Para o restante dos rotulos, os nomes sao mais consistentes ao longo de seus modelos: subject, object, outcome, rules, community e division of labor.

Na figura 12, sao apresentados todos os rotulos encontrados, acompanhados pela quantidade de artigos nos quais sao utilizados. No topo de cada tabela, estao o(s) rotulo(s) sugeridos por Engestrom. Como pode ser observado, o numero de variacoes e pequeno e com baixa ocorrencia nos seis rotulos definidos de forma consistente pelo autor. Porem, a sua inconsistencia na definicao do rotulo do topo do triangulo, tambem se reflete nos demais artigos analisados. Para este, foram encontradas dezessete variacoes, sendo que a mais utilizada, tools, nao chega a representar nem metade das ocorrencias, apenas vinte e duas entre cinquenta e tres no total.

Mesmo sendo o mais recorrente, o nome tools pode nao ser o mais adequado para representar esse nodulo, ja que na teoria da atividade esse elemento se caracteriza nao so por ferramentas fisicas ou digitais, mas tambem por elementos mais abstratos, como linguagens. Consultando as definicoes para o substantivo tools, percebe-se que o seu uso aparenta ser mais adequado para representar recursos mais concretos:

A device or implement, especially one held in the hand, used to carry out a particular function [...] A thing used in an occupation or pursuit. [...] A piece of software that carries out a particular function, typically creating or modifying another program. (OXFORD DICTIONARIES, 2015a)

Dito isso, o nome tools and signs, tambem proposto por Engestrom, e mais abrangente, apontado tanto para recursos mais concretos quanto simbolicos.

Outro rotulo que pode ser debatido e o referente as regras, que envolve tanto as definidas claramente na forma de leis, normas e regulamentos, quanto os habitos e costumes menos formalizados presentes na comunidade na qual a atividade ocorre. Porem, o termo rules, proposto por Engestrom, e presente em quase todas as representacoes coletadas, parece apontar mais para as regras explicitas definidas em leis e regulamentos, sem indicar tambem os costumes menos formalizados, como pode ser visto na definicao a seguir:

One of a set of explicit or understood regulations or principles governing conduct within a particular activity or sphere. [...] A principle that operates within a particular sphere of knowledge, describing or prescribing what is possible or allowable [...] A code of practice and discipline for a religious order or community. (OXFORD DICTIONARIES, 2015b)

Dentro as outras opcoes encontradas na analise, o nome rules and customs, utilizado apenas uma vez, parece suprir essa lacuna, apontando tanto para as regras explicitas quanto para os costumes menos formalizados de uma comunidade.

5.4 Analise dos elementos graficos

Uma questao central na teoria da atividade e o entendimento do todo da atividade, composta por seus diferentes elementos em cada geracao, como unidade minima de analise. Ou seja, nao e possivel, na primeira geracao do modelo, analisar o sujeito isoladamente, sem levar em conta tambem o objeto e os artefatos mediadores. O mesmo vale para a segunda geracao, onde a relacao sujeito-objeto-artefatos mediadores nao pode ser analisada em separado do contexto, e na terceira quando duas ou mais atividades nao podem ser analisadas separadamente. Nesse contexto, e relevante notar que o uso de diferentes elementos graficos pode facilitar ou dificultar a comunicacao desse conceito de unidade.

Na figura 13, e apresentada a analise da posicao do rotulo nas representacoes coletadas. Como pode ser observado, o posicionamento mais comum e o externo ao triangulo, encontrado em quarenta e seis dos artigos (83,5%). E comparado as demais posicoes sobrepostas ao nodulo--dentro ou nao de um container--esse posicionamento externo parece ser o mais adequado, ja que nao quebra a continuidade dos tracos e a unidade geral do modelo. Nas posicoes sobrepostas, os nodulos parecem mais virar partes independentes conectadas entre si do que elementos de um todo continuo.

Seguindo a mesma logica, os nodulos formados por vertices decorrentes do encontro de linhas uniformes seriam mais adequados que os formados pelo encontro de setas, por um container ou um bullet, ja que esses ultimos novamente podem quebrar a unidade e continuidade do modelo. Esses elementos e sua ocorrencia na amostra analisada estao representando na figura 14.

Quanto aos conectores utilizados nas representacoes, apresentados na figura 15, a linha uniforme, utilizada em vinte dos artigos (36%), aparenta ser a escolha mais adequada. Novamente, a justificativa reside na formacao de vertices que pouco quebram a unidade do modelo, o que nao ocorre com o conector na forma de seta, presente em dezenove (34,5%). Quanto ao uso de conectores variados (alternando entre linhas de diferentes espessuras ou tracejadas), eles nao parecem ser os mais adequados para a representacao geral da teoria, ja que os diferentes pesos podem priorizar algumas relacoes entre os elementos em detrimento de outras. Entretanto, para representar questoes pontuais especificas, como o destaque ou um problema na relacao de dois elementos, pode apresentar-se como uma boa estrategia.

A utilizacao de setas e outros elementos no lugar dos nodulos tambem gera um segundo problema, que e a dificuldade na utilizacao do modelo em tamanhos reduzidos, o que e necessario quando mais de uma atividade e analisada em conjunto. Nesses casos, os elementos em tamanho reduzido sao pouco distinguiveis, gerando ruido na comunicacao. Tres dos trabalhos analisados que usaram setas como conectores em representacoes isoladas do modelo, passaram a usar linhas simples quanto os utilizaram em maior quantidade e em tamanho reduzido.

Ainda referente aos elementos graficos utilizados nas representacoes, o numero de nodulos conectados entre si tambem e um dado relevante. Novamente, a inconsistencia entre os modelos de Engestrom, que em um momento apresenta todos os nodulos conectados, e em outros nao, se reflete na amostra analisada. Conforme exibido na figura 16, trinte e tres artigos (60%) apresentaram todos os nodulos conectados, enquanto vinte e dois (40%) nao. O exemplo apresentado na figura 16 com alguns nodulos nao conectados e apenas uma das possibilidades, existem outras variacoes de conexoes ausentes. O numero reduzido de conectores confere a representacao um aspecto mais simples, o que pode ser positivo, porem, pode dar tambem a entender que algumas relacoes entre os elementos nao existem ou sao menos importantes. Por esse motivo, parece mais adequada a utilizacao do modelo com todas as conexoes estabelecidas.

6 Proposta de representacao grafica para as tres geracoes da teoria

Com base na analise e avaliacao discutida previamente, a figura 17 pretende apresentar uma proposta que, conforme os argumentos debatidos no topico anterior, busca tornar mais adequada a representacao da teoria aos seus pressupostos.

[FIGURE 17 OMITTED]

Com pode ser observado, os rotulos utilizados sao: tools and signs, subject, object, outcomes, rules and customs, community e division of labor. Dos quais os nomes tools and signs e rules and customs diferem dos mais utilizados na amostra analisada. Porem, seus significados mais abrangentes aparentam ser mais adequados para transmitir o significado correto desses elementos da teoria.

Quanto aos elementos graficos utilizados, priorizou-se o uso de linhas uniformes para os conectores, nodulos formados apenas pelos vertices resultantes dos encontros dessas linhas e o posicionamento externo dos rotulos. Dessa forma, mantem-se a unidade e continuidade entre os elementos do modelo, reforcando o conceito de toda a atividade como unidade minima de analise. Alem disso, essa reducao no numero de detalhes busca facilitar a sua reducao para utilizacao em representacoes onde ha inumeras atividades sendo analisadas ao mesmo tempo.

Quanto a conexao entre os nodulos, optou-se pela sua totalidade, de modo a nao gerar nenhuma interpretacao equivocada de ausencia de relacao entre alguns elementos.

Um novo elemento foi adicionado aos modelos, que e o rotulo motivation, conectado ao nodulo subject atraves de uma seta. Essa alteracao foi baseada na representacao proposta por Karanasios & Allen (2013), ja apresentada anteriormente na figura 8A. Como ja debatido, Kaptelinin (2014) aponta que uma atividade e uma acao intencional guiada por um proposito, sendo, portanto, a sua motivacao um elemento importante para compreende-la em sua plenitude.

Por fim, e importante ressaltar que essa proposta e uma representacao base do modelo, e que e possivel e incentivado que cada pesquisa a customize de forma a melhor atender as especificidades da analise e dos resultados do trabalho.

7 Conclusoes

Com o termino desta pesquisa entende-se que os objetivos iniciais foram alcancados. A analise dos artigos coletados indicou que o uso de representacoes graficas e uma estrategia relevante no contexto da teoria da atividade, sendo, em maior ou menor grau, utilizada por 90% da amostra analisada. Destes, 61% apresentam representacoes especificas dos modelos da teoria.

Alem de presentes, as representacoes tambem tem papel relevante nos trabalhos analisados, ja que sao customizadas com a insercao de novos elementos e com dados especificos da pesquisa, alem de comumente serem utilizadas mais de uma vez. Dessa forma, nao servem apenas para explicar os aspectos gerais da teoria, funcionando tambem como ferramenta para a conducao e comunicacao da pesquisa.

Quanto a configuracao formal dessas representacoes, notou-se que nao existe uma uniformidade entre os artigos analisados. Essa inconsistencia esta presente na propria obra de Engestrom (1987, 2001), que apresenta representacoes graficas com diferentes elementos graficos e nomenclaturas para os rotulos.

Porem, apos a analise e avaliacao desses elementos e suas diferentes variacoes, foi possivel chegar a uma nova proposta para a representacao dos modelos que pretende ser mais adequada e condizente com os aspectos conceituais da teoria da atividade.

Deste ponto em diante, novas oportunidades de pesquisa apontam. Entre elas pode-se citar: a necessidade de validacao com usuarios da nova proposta de representacao aqui apresentada; a analise mais profunda dos seis modelos alternativos de representacao para a teoria encontrados e que nao tiveram espaco para discussao neste trabalho; e a identificacao e analise das representacoes graficas da teoria presente em artigos em lingua portuguesa, principalmente no tocante a busca pelos rotulos em portugues que melhor definam cada elemento.

Referencias

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Marco Mazzarotto (MSc)

<marcomazzarotto@gmail.com>

UFPR / Doutorando do PPGDesign UFPR

Vania Ribas Ulbricht (Dra)

<vrulbricht@gmail.com>

UFSC / PPGDesign UFPR e EGC UFSC

Carla Galvao Spinillo (PhD)

<cgspin@gmail.com>

University of Reading / PPGDesign UFPR

Artigo recebido em 07/02/2016

Artigo aceito em 10/05/2016
Quadro 1 Funcoes sintaticas dos objetos graficos (ENGELHARDT, 2002).

Componente             Descricao

Conector               Normalmente na forma de uma seta, linha ou
                       faixa ancorada a outros dois objetos graficos
                       com a funcao de conecta-los.

Rotulo                 Objeto grafico usualmente verbal (mas que
                       tambem pode ser pictorico) que e ancorado a
                       outro objeto grafico tendo a funcao de rotula-
                       lo.

Separador              E um objeto grafico ancorado entre dois ou mais
                       objetos graficos com a funcao de separa-los.

Container              E um objeto grafico que contem outro objeto
                       cercando-o visualmente.

Ponto localizador,     Sao objetos graficos ancorados dentro de um
Linha localizadora,    espaco significante e que assumem diferentes
Superficie             valores conforme a sua localizacao dentro deste
localizadora ou        espaco.
Volume localizador.

Nodulo                 Engelhardt define nodulo apenas como o objeto
                       grafico que nao se enquadra em nenhuma das
                       funcoes sintaticas descritas anteriormente.
                       Dentro do presente artigo, uma definicao mais
                       precisa pode ser a de um ponto da representacao
                       formado pelo encontro de conectores, rotulos e
                       outros objetos graficos que ganha valor e
                       significado justamente a partir da sua relacao
                       com esses demais elementos.

Quadro 2 Descricao dos componentes da atividade (WANGSA et al, 2001)

Componente        Descricao

Subject           Individuo ou grupo engajado na atividade.
Tools and signs   Artefatos utilizados no processo.
 ou instruments
Object            Elemento tangivel ou intangivel sob a qual o
                  sujeito age.

Outcome           O resultado que se espera alcancar com a
                  atividade.

Division of       Refere-se ao poder vertical do status e como as
 Labour           tarefas sao divididas horizontalmente entre os
Community         membros. E a negociacao e mediacao das regras e
                  costumes que descreve como a comunidade funciona.

Rules             Sao as normas, tradicoes e leis presentes na
                  comunidade.

Quadro 3 Itens do protocolo de analise.

A. Identificacao            B. Uso das representacoes graficas

Nome dos autores,           O artigo apresenta
titulo, ano e demais        representacoes graficas da
dados para referencia       teoria da atividade?
                            Qual a quantidade de
                            representacoes utilizadas?

C. Comparacao com os        D. Analise com base nos
  modelos de Engestrom      criterios de Engelhardt (2002)
  (2001)

O modelo se enquadra        Como e a representacao
em uma das tres             dos nodulos?
geracoes?                   Como e a representacao
Sao adicionados novos       dos conectores?
objetos graficos?           Todos os nodulos estao
Quais sao os rotulos        conectados entre si?
utilizados?                 Qual e a posicao
                            dos rotulos?

Figura 6 Presenca de representacoes graficas nos
artigos analisados

Repsentacao grafica da teoria da atividade      55 (61%)
Repsentacao do tipo quadro, tabela ou grafico   19 (21%)
Repsentacao grafica de outro tema                7 (8%)
Nenhuma representacao grafica                    9 (10%)

Note: Table made from bar graph.

Figura 7 Customizacao das representacoes graficas para atender
especificidades de cada trabalho

(A)
Nao adiciona novos elementos         27 (51%)
Adiciona novos elementos             26 (49%)

(B)
Insere dados proprios                35 (64%)
Nao insere dados proprios            15 (27%)
Insere parcialmente dados proprios    5 (9%)

Note: Table made from bar graph.

Figura 10 Quantidade de representacoes graficas da teoria
da atividade por artigo.

Uma              17 (31%)
Duas             17 (31%)
Tres              9 (16%)
Quatro a seis     6 (11%)
Seta a nove       6 (11%)

Note: Table made from bar graph.

Figura 11 Classificacao dos modelos encontrados nos
artigos analisados.

(A)
Apenas primeira geracao                 3 (5,5%)
Apenas segunda geracao                 32 (60%)
Apenas terceira geracao                 3 (3,5%)
Apenas novo modelo                      2 (11%)
Primeira e segunda geracaoes            6 (7,25%)
Segunda e terceira geracaoes            4 (7,25%)
Segunda geracaoes e novo modelo         4 (7,25%)
Primeira segunda e terceira geracaoes   1 (2%)

(B)
Primeira geracao   10 (18%)
Segunda geracao    47 (85,5%)
Terceira geracao    8 (14,5)
Novo modelo         6 (11%)

Note: Table made from bar graph.

Figura 12 Nomenclatura utilizada para os rotulos.

Subject

Subject                             48
S                                    1
Subject/agent                        1
Subjects                             1
S ou Subject (cada geracao           1
utilizou um rotulo diferente)

Object

Object                              47
O                                    2
Actions S Operations                 1
Common Object                        1
Object/Goal                          1

Outcome

Outcome                             42
Objective                            1
Out                                  1
Goal                                 1

Tools ou Mediating Artefacts
ou Instrument

Tools                               22
Mediating artefacts                  6
Mediating Tools                      4
Tool                                 3
Means                                3
Instruments                          2
Artefacts                            2
Mediating artefact                   1
Tools and signs                      1
Tools (Mediating artefacts)          1
Instruments/Tools                    1
Tools / Medium / Artefacts           1
Instruments / Mediating Resources    1
Hnviroment & Tools                   1
Tools and artefacts                  1
mediational means                    1
T                                    1

Rules

Rules                               48
Rules & Norms                        1
Rules & Customs                      1

Community

Community                           47
Community / Actors involved          2
Other actors                         1

Division of labour

Division of labour                  42
Management                           1

Figura 13 Posicao do rotulo nas representacoes graficas
de cada artigo analisado.

Externo                 46
Container sobreposto     8
Sobreposto               4

Note: Table made from bar graph.

Figura 14 Tipo de nodulo nas representacoes graficas
de cada artigo analisado

Vertice                         22 (36%)
Encontro das setas              18 (34,5%)
Vertice e Encontro setas         7 (12,5%)
(utilizadas alternadamente
Entre modelos do mesmo artigo)
Container                        7 (12,5%)
Bullet                           1 (12,5%)

Note: Table made from bar graph.

Figura 15 Tipo de conectores utilizados nas representacoes
graficas de cada artigo analisado.

Linha uniforme                  20 (36%)
Seta                            19 (34,5%)
Conectores variados              9 (16%)
Linha e Seta                     7 (12,5%)
(utilizadas alternadamente
Entre modelos do mesmo artigo)

Note: Table made from bar graph.

Figura 16 Quantidade de conectores utilizados nas representacoes
graficas de cada artigo analisado.

Todos conectados        33 (60%)
Alguns nao conectados   22 (40%)

Note: Table made from bar graph.
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Author:Mazzarotto, Marco; Ulbricht, Vania Ribas; Spinillo, Carla Galvao
Publication:Brazilian Journal of Information Design
Article Type:Ensayo
Date:Jan 1, 2016
Words:5210
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