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Analysis of aerodynamic measures in Brazilian Portuguese through Multiparameter Assessment Method Vocal Objective Assist (EVA)/ Analise das medidas aerodinamicas no portugues brasileiro por meio do metodo multiparametrico de avaliacao vocal objetiva assistida (EVA).

INTRODUCAO

A analise acustica e uma forma de avaliacao da voz que vem contribuindo para a determinacao de parametros de normalidade, por ser uma avaliacao objetiva e nao invasiva, que possibilita o armazenamento de dados para posteriores analises e comparacoes. O desenvolvimento de programas especificos possibilitou o aumento da precisao do diagnostico e a identificacao dos resultados do tratamento a curto e longo prazo [1]. Apesar do inquestionavel avanco que a analise acustica trouxe ao diagnostico e tratamento dos problemas de voz, e importante ressaltar que medidas acusticas sao complementares e nao substitutas das avaliacoes clinicas subjetivas [2].

Entre os parametros avaliados na analise acustica estao as medidas de aerodinamica da fala, como a pressao subglotica e o fluxo oral, que sao valiosas medidas utilizadas na investigacao e avaliacao clinica da funcao laringea [2]. Os pulmoes servem como uma fonte de pressao constante durante a fonacao, e essa pressao pode ser utilizada para determinar a eficiencia com que a laringe converte a energia aerodinamica para energia acustica [3,4]. A medida que a laringe funciona como um transdutor de aerodinamica, a eficiencia vocal, definido como potencia sonora (dB), dividido pela energia aerodinamica (fluxo de oral), indica as condicoes da saude vocal [4].

A avaliacao exata dos parametros aerodinamicos, facilmente utilizados na pratica clinica, pode permitir de forma nao invasiva a deteccao da patologia do trato vocal e fornecer "feedback" sobre a eficacia do tratamento apos diagnostico [5]. Medicoes de resistencia glotica ou resistencia laringea podem fornecer informacoes sobre as caracteristicas fisicas das vias aereas, bem como as propriedades mecanicas dos tecidos da laringe [6]. A resistencia e dependente do tamanho da via aerea, e, varios outros fatores contribuem para resistencia glotica, incluindo o grau de aducao das pregas vocais e a velocidade das particulas de ar atraves da glote [6].

Pelo fato de os processos aerodinamicos serem responsaveis por parte dos mecanismos de producao da fala, tal metodo constitui uma importante ferramenta no diagnostico e acompanhamento do tratamento cirurgico de pacientes com insuficiencia velofaringea. No que se refere ao mecanismo velofaringeo, a tecnica permite inferir o potencial anatomico da velofaringe durante a fala [7].

O Laboratoire Parole et Langage da Universidade de Aix-en-Provence--Franca--desenvolveu o Metodo Multiparametrico de Avaliacao Vocal Objetiva Assistida (EVA), o qual utiliza o processador de dados SESANE, destinado a analisar a fala normal e/ou com alteracao. O sistema de avaliacao vocal assistida EVA foi projetado para o estudo da maioria dos parametros de producao da fala, como som, intensidade da voz, pressoes aerodinamicas e por meio de sensores para medir esses parametros, o diagnostico do paciente se torna mais refinado, a fim de realizar um melhor acompanhamento cirurgico, tratamento medicamentoso ou terapia de voz. A avaliacao aerodinamica e feita por meio da analise das medidas de pressao subglotica, pressao intraoral, fluxo oral, eficiencia glotica, eficiencia laringea e resistencia laringea [8].

Os programas computadorizados para analise acustica de fala e voz se diferem em relacao a maneira de calcular os parametros acusticos, por isso alguns estudos tem como objetivo padronizar os dados para seus equipamentos [9]. Alem disso, esses valores tambem variam conforme os instrumentos de gravacao, ruido ambiental, genero e idade do falante, o que mostra que a qualidade do equipamento utilizado no registro das vozes, o tipo de programa e as caracteristicas anatomofuncionais da laringe podem influenciar nos resultados destas medidas em curto prazo [10].

O objetivo do presente estudo e definir medidas aerodinamicas em falantes do portugues brasileiro, sem queixas vocais, obtidas pelo programa EVA.

METODO

Para realizacao da pesquisa foram selecionados 40 individuos falantes nativos do portugues brasileiro, sendo 20 do sexo masculino e 20 do sexo feminino. A faixa etaria do grupo de estudo foi delimitada entre 18 e 45 anos para eliminar possiveis alteracoes de voz decorrente do periodo da muda vocal e da presbifonia. A media de idade dos participantes do sexo feminino foi de 28,65 anos e do sexo masculino 30,25 anos.

Alem disso, como criterio de inclusao, os participantes foram submetidos a analise perceptivo-auditiva realizada por dois fonoaudiologos, a fim de certificar que nao possuiam alteracao na qualidade vocal ou qualquer outro disturbio da comunicacao que impedisse a realizacao das tarefas propostas.

Todos os participantes foram informados sobre objetivo, procedimentos e divulgacao dos resultados do estudo e apos a concordancia, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Para a coleta e analise do material, foi utilizado o programa de analise acustica EVA, As gravacoes foram realizadas no Laboratorio de Fonetica da UFMG (LABFON) utilizando o computador Dell Vostro 200. Todos os individuos tiveram suas vozes gravadas por meio de sinais acusticos e aerodinamicos, a fim de obter valores de referencia para pressao subglotica e fluxo oral. A gravacao simultanea de voz e de fluxo aereo foi possivel devido a um equipamento acoplado ao EVA, que consiste em um suporte mecanico do microfone, sensores de fluxo e uma mascara de silicone flexivel, o que permite uma vedacao necessaria para coleta das medidas do fluxo oral. (Figura 1)

Para obtencao da medida da pressao subglotica o individuo foi orientado a emitir a frase "Papai papa o papa de Paulo", duas vezes consecutivas. Para analise dos dados considerou-se a emissao da silaba tonica /pa/ na palavra /papa/, pois o verbo tende a se sobressair prosodicamente em relacao ao complemento e, alem disso, foi considerado o segundo enunciado, devido a maior estabilidade acustica.

O material de fala utilizado para o estudo foram emissoes de palavras e frases que continham caracteristicas necessarias a analise, a fim de obter as medidas analisadas. O fonema /p/ apresenta caracteristicas favoraveis a medicao da pressao subglotica. Na producao desse fonema os labios encontram-se fechados e a glote aberta. Ha um equilibrio de pressao estabelecido no trato vocal. A pressao subglotica pode ser estimada pela medicao da pressao intra-oral. Durante a producao do fonema /a/, os labios estao abertos, fator que permite a medida da pressao subglotica. No entanto, o registro da intensidade acustica e o fluxo aereo oral permitem a obtencao de uma combinacao de valores que produzem uma nocao da eficiencia glotica [11]. (Figura 2)

Para medida do fluxo oral o informante foi instruido a emitir as palavras "patada, pacata, papada, babada, badala e bagaca, apresentadas em uma folha de papel e lidas pelos informantes. As palavras utilizadas para analise foram a segunda e a terceira, devido a maior estabilidade de emissao.

A medida simultanea do fluxo aereo oral e da pressao oral determinam a resistencia laringea (R). O fluxo oral e medido por meio de uma mascara facial de silicone colocada sobre a boca do paciente. A mascara e acoplada a um dispositivo que, por sua vez, e conectado a um transdutor de pressao. A pressao intra-oral e medida por meio de um cateter de polietileno de pequeno diametro inserido na mascara atraves de um orificio lateral e posicionado na cavidade oral do paciente. A outra extremidade do cateter e conectada a um transdutor de pressao. A intensidade vocal e captada por meio de um microfone. Os sinais dos transdutores sao enviados a um sistema computadorizado. Com base nos dados de pressao oral (pressao subglotica) e do fluxo oral o programa calcula a resistencia laringea, dividindo o valor medio da pressao pelo valor medio do fluxo [11]. (Figura 3)

No material coletado foram analisados os seguintes valores das medidas aerodinamicas (pressao subglotica e fluxo oral): pressao, media da intensidade, media do fluxo oral, eficiencia glotica, eficiencia laringea, resistencia laringea, media da frequencia fundamental e fluxo oral do pico de pressao. Foram considerados os valores de cada um destes parametros em funcao do sexo, para obtencao do padrao de normalidade dos falantes nativos do portugues brasileiro. De acordo com o manual de instrucao do programa:

* A Pressao subglotica pode fornecer indicacoes sobre o esforco necessario para um paciente para iniciar a fonacao. A unidade de medida e hPa.

* A intensidade e o resultado da amplitude da onda glotica relacionada a frequencia de vibracao das pregas vocais. Para a sua realizacao, tres fatores sao importantes: pressao de ar subglotica, quantidade de fluxo aereo e resistencia glotica. A unidade de medida e dB.

* O fluxo de ar e frequentemente descrito usando a taxa media de fluxo (MFR), que fornece uma estimativa da impedancia da glote e integridade. A unidade de medida e [dm.sup.3]/s.

* Eficiencia glotica e definida pela razao entre intensidade e pressao atraves da glote. A unidade de medida e dB/ hPa.

* Eficiencia laringea e determinada pela intensidade, dividido pela pressao atraves da glote e fluxo do ar. A unidade de medida e dB/ (hPa. [dm.sup.3]/s).

* Resistencia laringea e um parametro semelhante definido como pressao subglotica dividido pelo fluxo de ar translaringeo. A unidade de medida e hPa/([dm.sup.3]/s).

A media da frequencia fundamental fornece uma medida geral do numero de ciclos no intervalo de tempo de um segundo. A unidade de medida e Hertz (Hz) [6].

Este trabalho foi aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas Gerais com o numero ETIC 0488.0.203.000-10.

A analise estatistica dos dados foi realizada por meio do programa estatistico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versao 17.0. Primeiramente foi realizada uma analise descritiva dos dados com medidas de tendencia central e dispercao. Posteriormante, para analise estatistica dos valores entre os generos foi utilizado o teste nao parametrico para amostras independentes, Mann Whitney. Foi considerado o nivel de confianca de 95%.

RESULTADOS

As tabelas abaixo mostram os valores minimo, maximo, media, desvio padrao e nivel de significancia das medidas aerodinamicas.

A tabela 1 apresenta os valores da pressao subglotica encontrados nos individuos do sexo feminino e masculino e nota-se diferenca estatisticamente significante referente ao genero para as medidas de media de intensidade, eficiencia laringea, resistencia laringea e media da frequencia fundamental.

A tabela 2 apresenta os valores de fluxo oral dos individuos do sexo feminino e masculino. Nota-se diferenca estatisticamente significante referente ao genero apenas para a medida da frequencia fundamental, o que ja era esperado, visto que se trata de generos distintos.

DISCUSSAO

A producao da voz esta diretamente relacionada com a vibracao das pregas vocais, que e gerada pela interacao entre o fluxo glotal e o tecido das pregas vocais. Um dos mecanismos importantes na producao vocal e a aerodinamica, que consiste no estudo do movimento do ar e, de acordo com a mecanica dos fluidos, o ar e constituido de um elevado numero de particulas que podem se deslocar livremente umas em relacao as outras [12]. Alem disso, os fluidos podem se deformar sob a acao de forcas arbitrariamente pequenas e quanto menor a forca aplicada no fluido, mais lentas serao as deformacoes [13].

Existem propriedades do ar que sao importantes no estudo da aerodinamica, sendo elas: volume, pressao, fluxo, viscosidade e massa especifica [14].

O volume e definido como o espaco tridimensional ocupado por uma substancia ou corpo [13]. O volume do trato vocal consiste no espaco disponivel para o ar, entre o fechamento da glote e a cavidade oral (em consoantes oclusivas), sendo este volume de aproximadamente 3000 [cm.sup.3] (3 litros) [14]. O trato vocal e comparado a um tubo que se modifica com a movimentacao dos articuladores, em especial, com a movimentacao da lingua. Estas modificacoes do trato determinam as regioes de ressonancia, ou formantes, correlatos acusticos dos diferentes gestos articulatorios dos sons vocalicos. A mudanca do volume esta relacionada com a pressao e fluxo de ar no trato vocal [15].

A pressao, outra propriedade do ar, relevante para o estudo de seu comportamento aerodinamico, pode ser definida como a forca exercida por unidade de area. A pressao intra-oral e medida em relacao a pressao atmosferica. Para que haja producao sonora nas pregas vocais e necessario que exista uma diferenca minima de 2 cm [H.sub.2][O.sup.3] entre as pressoes sub e supraglotica [15].

A lei de Boyle correlaciona pressao e volume, ou seja, de acordo com essa lei, "a pressao de uma dada quantidade de gas cuja temperatura e constante varia inversamente com o volume". O movimento do ar entre duas regioes--por exemplo, a atmosfera e os pulmoes--e condicionado pela diferenca de pressao entre os dois [16]. Especificamente, o ar fluira de uma regiao de pressao alta para uma pressao baixa. Existe uma relacao inversamente proporcional entre pressao e volume, ao dobrar a pressao, o volume e reduzido 2 vezes; ao quadruplicar a pressao, o volume e reduzido 4 vezes. Conclui-se que sob temperatura constante, o produto da pressao e do volume de uma massa gasosa e constante [13,16].

A velocidade e definida como a taxa de variacao da distancia percorrida por uma particula no tempo e, a vazao volumetrica e definida como a quantidade (volume) que passa por uma determinada area, em um determinado instante de tempo [13]. Em sons em que o trato vocal encontra-se desobstruido a velocidade do volume de fluxo de ar sera menor em relacao ao trato obstruido [17].

De acordo com o Principio de Bernoulli, a velocidade do fluxo e alta em uma regiao de estreitamento, ou seja, quando as pregas vocais encontram-se aduzidas, criando queda de pressao dessa regiao que "aspira" as pregas vocais. Quando o ar e expelido para fora da glote, naquela regiao se desenvolve uma pressao negativa que aspira as pregas vocais. O quanto isso contribui para o fechamento da glote depende da mobilidade da mucosa da prega vocal. Portanto o aumento da velocidade de escoamento acarreta em queda de pressao [18].

Com o escape de ar pela glote, a pressao subglotica diminui, diminuindo tambem a forca que mantem as pregas vocais separadas. Com o fechamento da glote, a pressao subglotica volta a aumentar, reiniciando todo o processo. Este ciclo e chamado de ciclo glotico. Ocorre em media 110 vezes por segundo no homem e 200 vezes por segundo na mulher [19].

Catford, 1977, afirma que existem dois tipos de fluxo: laminar e turbulento. No escoamento laminar as particulas nao apresentam mudancas bruscas de direcao ou velocidade, e suas linhas de fluxo sao paralelas, sem misturas ou flutuacoes subitas de velocidade. Ja o escoamento turbulento faz com que o fluxo nao siga um caminho determinado pelo canal. As camadas de fluido se misturam e ha constantes mudancas de direcao na velocidade. Nao existe um padrao de direcao quanto as linhas do fluxo [20]. Os fluxos de ar em altas velocidades, especialmente atraves de um conduto de paredes irregulares, sao geralmente desorganizados, ate mesmo caoticos, e tendem a formar vortices e turbilhoes que interagem uns aos outros de forma imprevisivel. Isto e chamado de fluxo turbulento [20]. Os sons fricativos sao produzidos sob um regime de fluxo turbulento, a fricativa ocorre no trato vocal quando um jato veloz de ar atinge um obstaculo. O ar que sai da constricao ou passa o obstaculo se expande e forma um jato turbulento, produzindo ruido. Quando a velocidade do fluxo de ar aumenta 0 nivel de ruido resultante da turbulencia tambem aumenta [17].

No presente estudo foi encontrado maior valor de resistencia glotica para os individuos do sexo feminino quando comparados ao sexo masculino. Esse resultado vai ao encontro com achados em estudo realizado anteriormente. O autor acredita que, como a resistencia e dependente do tamanho da via aerea, o maior valor encontrado para os individuos do sexo feminino pode ser atribuido ao fato desses individuos apresentarem menor tamanho da laringe quando comparado ao sexo masculino [21].

Estudos aerodinamicos realizados com individuos normais, ou seja, sem quaisquer alteracoes funcionais ou anatomicas no trato vocal, obtiveram valores medios de pressao subglotica, fluxo oral e resistencia laringea de 6,8 [+ or -] 1,3cmH2O, 145 [+ or -] 44ml/s e 49 [+ or -] 14cmH2O/l/s, respectivamente [22]. Tais resultados corroboram com o presente estudo (Tabela 1), nos valores medios dos parametros de pressao subglotica e resistencia laringea. O fluxo oral apresentou maiores valores quando comparado ao estudo citado.

Um estudo com individuos que apresentavam fechamento velofaringeo marginal obteve como resultado valores medios de resistencia laringea e pressao intra-oral de 39,2 [+ or -] 13,4 cmH2O/L/seg e 4,8 [+ or -] 0,8 cmH2O, respectivamente [23]. Esses dados corroboram com os resultados encontrados no presente estudo (Tabela 1). E importante salientar que os resultados do presente estudo foram expressos em unidade de medida de pressao em hPa, que 1 hPa equivale a aproximadamente 1 cmH2O/L/seg.

Pesquisas realizadas com falantes franceses apresentou valores medios de pressao subglotica de 6,7 hPa para individuos sem alteracoes vocais, de ambos os sexos. Os resultados apresentados foram proximos em relacao ao presente estudo (Tabela 1), mas este obteve medias de pressao subglotica menores em individuos do sexo feminino quando comparado ao sexo masculino. Ja o fluxo oral foi de 153 [cm.sup.3]/s para individuos do sexo masculino e 136 [cm.sup.3] para individuos do sexo feminino (Tabela 2). Estes resultados nao corroboram com o presente estudo que obteve medias de fluxo oral menor em relacao ao estudo referido [24]. Tal fato pode ser justificado considerando que variacoes linguisticas decorrentes de padroes culturais da lingua tambem afetam os padroes de fala e voz e provocam diferencas significantes de dados acusticos aerodinamicos [9].

Estudo aerodinamicos realizados com falantes franceses, parkinsonianos, todos do sexo masculino apresentou para o grupo controle valores medios de pressao subglotica equivalente a 7,6 hPa, medida no segundo fonema /p/ da frase utilizada para coleta dos dados [25]. Esse valor aproxima-se ao apresentado no presente estudo (tabela 1), que obteve media de pressao subglotica equivalente a 6,7 hPa para individuos do sexo masculino, obtido no terceiro fonema /p/ da frase utilizada para obtencao dos dados.

Em relacao aos valores que se referem a pressao subglotica, houve diferenca estatisticamente significante em relacao ao genero para as medidas de media de intensidade, eficiencia laringea, resistencia laringea e media da frequencia fundamental (Tabela 1).

Quanto as medidas de fluxo oral, houve diferenca estatisticamente significante em relacao ao genero apenas para a medida da frequencia fundamental (Tabela 2).

Nao foram encontrados estudos relacionados as medidas aerodinamicas de eficiencia laringea, eficiencia glotica, media da intensidade e da frequencia fundamental correlacionando ao genero. Portanto, nao foi possivel fazer a comparacao dos valores encontrados no presente estudo com achados da literatura.

As diferencas nos programas relacionados a analise acustica fazem com que cada um destes seja unico e desta forma impedem a normatizacao singular. E de grande importancia a validacao de dados acusticos e padronizacao de analise, a fim de modificar a subjetividade que tem sido considerada inerente a avaliacao da voz humana.

CONCLUSAO

Os valores medios referentes a normalidade das medidas aerodinamicas da pressao subglotica, em falantes do portugues brasileiro, sem queixas vocais, encontrados no presente estudo para vozes femininas foram: Pressao subglotica= 5,84 hPa, media da intensidade= 79,21 dB, media do fluxo oral= 0,09 [dm.sup.3]/s, eficiencia glotica= 13,87 dB/hPa, eficiencia laringea= 188,08 dB/(hPa. [dm.sup.3]/s), resistencia laringea= 96,26 hPa/([dm.sup.3]/s), media da frequencia fundamental= 208,28 Hz e pico da pressao do fluxo oral= 0,093. Os valores encontrados para o sexo masculino foram: Pressao subglotica= 6,7 hPa, media da intensidade= 81,7 dB, media do fluxo oral= 0,16 [dm.sup.3]/s, eficiencia glotica= 12,78 dB/hPa, eficiencia laringea= 97,11 dB/(hPa.[dm.sup.3]/s), resistencia laringea= 52,64 hPa/([dm.sup.3]/s), media da frequencia fundamental= 136,56 Hz e pico da pressao do fluxo oral= 0,098.

Os valores medios referentes a normalidade das medidas aerodinamicas do fluxo oral encontrados no presente estudo, para vozes femininas foram: Pressao subglotica= 6,05 hPa, media da intensidade= 65,50 dB, media do fluxo oral= 0,10 [dm.sup.3]/s, eficiencia glotica= 11,12 dB/hPa, eficiencia laringea= 144,83 dB/(hPa.[dm.sup.3]/s), resistencia laringea= 78,98 hPa/([dm.sup.3]/s), media da frequencia fundamental= 222,52 Hz e pico da pressao do fluxo oral= 0,047. Os valores encontrados para o sexo masculino foram: Pressao subglotica= 6,6 hPa, media da intensidade= 66,3 dB, media do fluxo oral= 0,13 [dm.sup.3]/s, eficiencia glotica= 11,77 dB/ hPa, eficiencia laringea= 97,89 dB/(hPa.[dm.sup.3]/s), resistencia laringea= 61,81 hPa/([dm.sup.3]/s), media da frequencia fundamental= 139,20 Hz e pico da pressao do fluxo oral= 0,053.

Em relacao aos valores que se referem a pressao subglotica, houve diferenca estatisticamente significante em relacao ao genero para as medidas de media de intensidade, eficiencia laringea, resistencia laringea e media da frequencia fundamental. Aos valores que se referem ao fluxo oral, houve diferenca estatisticamente significante em relacao ao genero apenas para a medida da frequencia fundamental.

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Karina Vitor de Oliveira (1), Barbara Silveira de Faria (2), Juliana Preisser Godoy e Silva (3), Cesar Reis (4), Alain Ghio (5), Ana Cristina Cortes de Gama (6)

(1) Academica de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais--UFMG--Belo Horizonte (MG), Brasil.

(2) Academica de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais--UFMG--Belo Horizonte (MG), Brasil.

(3) Fonoaudiologa; Mestre em Linguistica pela Universidade Federal de Minas Gerais--UFMG.

(4) Linguista; Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais--UFMG--Belo Horizonte, MG, Brasil.

(5) Engenheiro; Pesquisador do Laboratorio de Fala e Linguagem da Universidade Aix-Marseille, Aix-en-Provence, Franca.

(6) Fonoaudiologa; Professora Associada do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Conflito de interesses: inexistente

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462012005000053

RECEBIDO EM: 29/09/2011

ACEITO EM: 24/11/2011

Endereco para correspondencia:

Karina Vitor de Oliveira

Av. Prof. Alfredo Balena, 190

Belo Horizonte--MG--Brasil

CEP: 30130-100

E-mail: karinavitor19@gmail.com.br

Tabela 1--Valores das medidas aerodinamicas de pressao subglotica em
individuos do sexo feminino e masculino

                  Genero     Minimo    Maximo      DP

PRESSAO          Feminino     4,00      8,20      1,09
SUBGLOTICA       Masculino    4,60      10,90     1,62

MEDIA DA         Feminino     59,40     90,80     8,77
INTENSIDADE      Masculino    70,40     90,10     5,34

MEDIA DO FLUXO   Feminino     0,03      0,19      0,04
ORAL             Masculino    0,07      0,57      0,11

EFICIENCIA       Feminino     10,12     16,18     1,86
GLOTICA          Masculino    8,27      18,96     3,16

EFICIENCIA       Feminino     68,69    420,50     91,79
LARINGEA         Masculino    26,61    164,29     40,73

RESISTENCIA      Feminino     36,61    330,02     71,42
LARINGEA         Masculino    10,20    132,34     27,10

MEDIA DA         Feminino    178,90    257,00     20,74
FREQUENCIA       Masculino   102,00    279,80     38,13
FUNDAMENTAL

PICO DA          Feminino     0,007     1,058     0,229
PRESSAO DO       Masculino    0,005     0,467     0,098
FLUXO ORAL

                  Genero      Media       P

PRESSAO          Feminino     5,84      0,088
SUBGLOTICA       Masculino    6,70

MEDIA DA         Feminino     79,21     0,001
INTENSIDADE      Masculino    81,70

MEDIA DO FLUXO   Feminino     0,09      0,499
ORAL             Masculino    0,16

EFICIENCIA       Feminino     13,87     0,152
GLOTICA          Masculino    12,78

EFICIENCIA       Feminino    188,02     0,000
LARINGEA         Masculino    97,11

RESISTENCIA      Feminino     96,26     0,005
LARINGEA         Masculino    54,64

MEDIA DA         Feminino    208,28     0,000
FREQUENCIA       Masculino   136,56
FUNDAMENTAL

PICO DA          Feminino     0,093
PRESSAO DO       Masculino    0,065     0,741
FLUXO ORAL

P-valor <0,05. Teste Estatistico: Teste de Mann-Whitney

Legenda:

DP: desvio padrao

P: nivel de significancia

Tabela 2--Valores das medidas aerodinamicas do fluxo oral em
individuos do sexo feminino e masculino

                Genero     Minimo    Maximo     DP      Media      P

PRESSAO        Feminino     3,60      8,00     1,09     6,05     0,675
SUBGLOTICA    Masculino     1,90      10,30    2,07     6,60

MEDIA DA       Feminino     56,40     72,60    4,75     65,50    0,715
INTENSIDADE   Masculino     57,10     76,60    5,62     66,30

MEDIA DO       Feminino     0,03      0,19     0,05     0,10     0,106
FLUXO ORAL    Masculino     0,06      0,26     0,05     0,13

EFICIENCIA     Feminino     9,12      16,56    1,78     11,12    0,330
GLOTICA       Masculino     5,85      37,77    6,76     11,77

EFICIENCIA     Feminino     57,59    308,84    78,29   144,83    0,160
LARINGEA      Masculino     31,96    217,14    37,89    97,89

RESISTENCIA    Feminino     33,72    166,31    41,13    78,98    0,168
LARINGEA      Masculino     7,23     125,81    31,37    61,81

MEDIA DA       Feminino    119,30    375,70    46,63   222,52    0,000
FREQUENCIA    Masculino    108,20    216,40    25,48   139,20
FUNDAMENTAL

PICO DA        Feminino     0,000     0,140    0,030    0,050    0,722
PRESSAO DO    Masculino     0,003     0,204    0,053    0,058
FLUXO ORAL

P-valor <0,05. Teste Estatistico: Teste de Mann-Whitney

Legenda:

DP: desvio padrao

P: nivel de significancia
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:de Oliveira, Karina Vitor; de Faria, Barbara Silveira; Godoy, Juliana Preisser Silva; Reis, Cesar; G
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Date:Jan 1, 2013
Words:4719
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