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Alterations of the physiological variable in the lapsing of exercises for training resisted with weights with objective of physical conditioning/Alteracoes das variaveis fisiologicas na prescricao de exercicios para treinamento resistido com pesos com objetivo de condicionamento fisico.

INTRODUCAO

A musculacao e uma atividade fisica amplamente praticada em todo o mundo, apresentando objetivos bem definidos como aumento da massa magra, otimizacao da forca muscular e melhora da qualidade de vida. Sustentada nos principios do treinamento de forca muscular, a musculacao ou treinamento com pesos e um dos mecanismos mais eficientes na inducao de respostas fisiologicas ao exercicio (Nieman 2003).

Assim, e relevante que metodos individualizados de avaliacao funcional em exercicios resistidos com pesos sejam investigados (Honkola e colaboradores, 1997; Nieman, 2003).

Treinamento Resistido com pesos

O treinamento de forca consiste em um metodo de treinamento que envolve a acao voluntaria do musculo esqueletico contra alguma forma externa de resistencia, que pode ser provida pelo corpo, pesos livres ou maquinas (Winett e Carpinelli, 2001). O treinamento de forca vem sendo bastante estudado por pesquisadores e apontado como um excelente treinamento no aprimoramento da qualidade de vida de seus praticantes, podendo contribuir em melhora nas mais diversas patologias ou simplesmente na melhora da qualidade de vida (Fleck e Kraemer, 2006; ACSM, 2002; Winett e Carppinelli, 2001).

Metodos de treinamento

O metodo de treinamento e uma categoria fundamental do processo de treinamento, pois e atraves dele que utilizaremos os exercicios especificos para obter resultados previamente planejados, ou seja, e a forma que se utiliza um determinado meio para atingir uma determinada direcao. Sendo que, a selecao do metodo esta ligada a direcao do efeito potencial conseguido e este devera estar de acordo com o efeito previamente planejado (Fleck e Kraemer, 2006).

Metodo das Multiplas Series

Segundo Fleck e Kraemer (2006), neste metodo utilizam-se mais de uma serie por grupo muscular, e esse numero depende do objetivo e do estado de treinamento do praticante. Nao ha regra exata sobre o numero de series, repeticoes ou exercicios. Essas variaveis serao ministradas conforme o tipo de treinamento, seja para aumento da massa muscular, resistencia muscular, potencia ou forca maxima.

Se o objetivo do treinamento for hipetrofia muscular, deve-se utilizar em media de 2 a 4 series de 8 a 12 repeticoes, com cargas proximas as repeticoes maximas (de 70 a 90%)--dependendo no nivel de adaptacao do aluno--e utilizar um intervalo entre as series de 40 segundos a 1 minuto e 30 (Fleck e Kraemer, 2006).

Metodo em Circuito

Para efetivar o programa de emagrecimento dentro do treinamento de forca, pode-se aplicar o metodo de treinamento em circuito, alterando o volume do treinamento, aumentando a duracao da sessao e ativando mais o sistema aerobio, acarretando em um maior gasto energetico durante o exercicio, porem ainda dentro das caracteristicas dos exercicios de forca (Fleck e Kraemer, 2006).

Este metodo de treinamento teve origem na Inglaterra em 1953 por Morgan, e Adamson adaptado do treinamento intervalado devido as dificuldades climaticas na Europa (Tubino e Moreira, 2003). Ele consiste em uma sequencia de exercicios (estacoes) executado um apos o outro, com um minimo de descanso entre eles, podendo ser realizado nos aparelhos de musculacao (Fleck e Kraemer, 2006). O circuito e um metodo de treinamento fisico que nao treina especificamente uma capacidade fisica em seu grau maximo e, sim, apresenta uma caracteristica generalizada, mostrando resultados tanto na preparacao cardiorespiratoria como a neuromuscular (Dantas, 2003; Tubino e Moreira, 2003). Por nao treinar as capacidades em seu grau maximo, os seus ganhos tambem nao serao maximos. No treino de forca este e o metodo que mais ativa o sistema aerobio (Fleck e Kraemer, 2006).

Variaveis Fisiologicas

Para avaliar metabolicamente um individuo sao necessarias amostras do comportamento quimico do organismo humano (Simoes, 1997). Neste estudo sao observadas as variaveis fisiologicas quanto ao lactato sanguineo e a resposta da glicemia em relacao ao exercicio. A glicemia tem sido utilizada para identificar parametros de aptidao aerobia, como o limiar de lactato (LL), o limiar anaerobio individual, o lactato minimo e a maxima fase estavel de lactato. Esses parametros podem ser utilizados como referencia para prescricao e controle de intensidades do treinamento fisico (Barros, 2004; Azevedo, 2005).

A resposta do lactato sanguineo no exercicio tem sido utilizada para identificar parametros de aptidao aerobia, como o limiar de lactato (LL), o limiar anaerobio individual, o lactato minimo e a maxima fase estavel de lactato. Esses parametros podem ser utilizados como referencia para prescricao e controle de intensidades do treinamento fisico. Contudo, alguns autores tem proposto a identificacao do limiar de lactato tambem durante realizacao de exercicios resistidos com pesos (Barros, 2004; Azevedo, 2005).

Lactato

O acido latico e um composto organico produzido naturalmente no corpo humano atraves do metabolismo da glicose, e e encontrado no sangue, musculos e outros orgaos e e utilizado como um importante marcador bioquimico de Overtraining e/ou Estresse Cronico (Riegel, 1999). Nos ultimos anos, o uso do lactato sanguineo, como indicador do estado de condicionamento fisico, ou da intensidade de treinamento, ganhou grande impulso. Isto se deve, principalmente, a facilidade na obtencao e analise de amostras atraves de instrumentos semi-automatizados (Ferreira, 2001).

Em particular, esta medicao tem sido amplamente utilizada em exercicios aerobios e anaerobios. A acidose induzida pelo lactato e um importante fator de fadiga, contudo, segundo Riegel (1999), apesar de ao longo de muitos anos o lactato ter sido visto como um produto inutil da glicolise, com utilizacao metabolica limitada, evidencias recentes indicam que ele pode ter um papel importante durante o exercicio, atuando como substrato para o figado sintetizar glicose quanto como fonte direta para o tecido muscular e o coracao, aonde o lactato removido do sangue pode ser novamente convertido em piruvato, o qual pode ser transformado em acetil CoA, que por sua vez, entra no Ciclo de Krebs e contribui para o metabolismo oxidativo.

Glicemia

A manutencao da glicemia e essencial para a manutencao da homeostase do nosso organismo, para que tenhamos energia disponivel, especialmente para o sistema nervoso central, pois o cerebro necessita continuamente de glicose para manter suas funcoes (Service, 1995). O exercicio fisico esta associado a um aumento da demanda energetica devido ao aumento da captacao de glicose pelo musculo (Field, 1989; Wasserman e Vranic, 1991), em individuos saudaveis, esse aumento e inicialmente suportado pelas reservas hepaticas de glicogenio que disponibilizam glicose atraves da glicogenolise e posteriormente pela gliconeogenese (Field, 1989), se a disponibilizacao de glicose hepatica for inadequada ocorrera uma hipoglicemia. Entretanto para que o quadro de hipoglicemia nao ocorra durante a realizacao de exercicios fisicos, ocorrem no organismo ajustes endocrinos atraves da diminuicao do hormonio hipoglicemiante (Field, 1989; Quezennec, 1995), insulina, e aumento dos hormonios hiperglicemiantes, glucagon (Field, 1989), catecolaminas (Field,1989; Felig, 1982; Quezennec, 1995), hormonio do crescimento e cortisol (Field, 1989), dessa forma mesmo apos um periodo de jejum a realizacao de exercicio fisico dificilmente ocasionara um quadro de hipoglicemia.

Portanto o objetivo deste estudo foi quantificar variaveis fisiologicas no treinamento de forca em dois metodos de treinamento distintos. O primeiro metodo de treinamento e o de series multiplas voltado para hipertrofia, e o segundo em circuito geralmente voltado para emagrecimento. Afim de identificar qual metodo causa maior sobrecarga metabolica no individuo e tambem identificar possiveis aplicacoes dos metodos e realizado neste experimento analises de variaveis fisiologicas como Lactacidemia, Indice Glicemico durante a atividade fisica:

MATERIAIS E METODOS

Amostra

Para a avaliacao do grupo escolhido foram convidados dois individuos do genero masculino e dois individuos do genero feminino com pelo menos um ano de treinamento, e todos assinaram termo de consentimento livre e esclarecido.

Procedimento

No primeiro momento foi realizado com cada individuo um teste de capacidade aerobica maxima (protocolo ACSM visto a seguir), juntamente com um teste de 1CVM (Contracao Voluntaria Maxima) para determinar o percentual de forca do individuo no exercicio (Kathleen, 2003).

A capacidade aerobia maxima foi determinada pelo protocolo proposto pela ACSM, edicao de 2000 do Guidelines for exercise testing and prescription, onde as equacoes para caminhada e corrida sao descritas como:

Caminhada:

V[O.sub.2] = (0, 1 x v m/min)+(1,8 x v m/min x % de inclinacao na forma decimal) + 3,5

Corrida:

V[O.sub.2] = (0,2 x v m/min)+(0,9 x v m/min x % de inclinacao na forma decimal) + 3,5

O teste e realizado ate o individuo alcancar o estado estavel, a carga da esteira e aumentada em 2 km/h a cada 3 minutos.

No segundo momento foram aplicados em dias distintos os protocolos de treinamento resistido com pesos em series multiplas e circuito intervalado. Os protocolos seguiram o seguinte formato:
Protocolos de Treinamento

Treino 1 Serie Multipla

--Coleta Glicemia de repouso

Supino

4 series de 10 repeticoes com 70% de 1 CVM /
intervalo de 40 segundos

--Coleta Glicemia

--Coleta Lactato

Leg Press

4 series de 10 repeticoes com 70% de 1 CVM /
intervalo de 40 segundos

--Coleta Glicemia

--Coleta Lactato

Pulley

4 series de 10 repeticoes com 70% de 1 CVM /
intervalo de 40 segundos

--Coleta Glicemia

--Coleta Lactato

Treino 2 circuito intervalado

--Coleta Glicemia de repouso

Supino

1 serie com 30 repeticoes com 40% de 1 CVM /
intervalo de 0 segundo

Esteira

1 minuto a 60 % do V[O.sub.2] Maximo
(Repete 3 vezes)

--Coleta Glicemia

--Coleta Lactato

Leg Press

1 serie com 30 repeticoes com 40% de 1CVM /
intervalo de 0 segundo

Esteira

1 minuto a 60 % do V[O.sub.2] Maximo
(Repete 3 vezes)

--Coleta Glicemia

--Coleta Lactato

Pulley

1 serie com 30 repeticoes com 40% de 1CVM /
intervalo de 0 segundo

Esteira

1 minuto a 60 % do V[O.sub.2] Maximo
(Repete 3 vezes)

--Coleta Glicemia

--Coleta Lactato


Puxada na Polia (Pulley)

Descricao e Tecnica do movimento

Sentado em um banco, com a parte anterior das coxas apoiadas na trave de joelho, barra empunhada com as maos na direcao dos cotovelos, realiza-se a inspiracao descendo a barra ate tocar (ou quase tocar) peito; retorne lentamente a posicao inicial, expirando.

Principais musculos ativos

Como agonistas, os grandes dorsais (notadamente suas fibras externas), o redondo maior e os infra-espinhais. Como auxiliares ou sinergistas: trapezio (fibras inferiores), deltoide posterior, romboides, biceps braquial e braquioradial.

Supino Horizontal

Descricao e Tecnica do movimento

Empunhadura com as maos na direcao dos cotovelos, cotovelos apontados para fora. Os pes precisam estar firmemente apoiados no solo, o gluteo apenas encostando no banco e a parte superior das costas bem apoiada. Inspira-se ao aproximar a barra do peito e expira-se a medida em que a barra e afastada do peito.

Principais musculos ativos

E utilizado como agonista o peitoral maior e sinergistas sendo serratil anterior, triceps e anconeo.

Pressao de Pernas Horizontal (Leg press)

Descricao e Tecnica do movimento

Execucao: Em um aparelho para pressao de pernas horizontal; pes firmemente colocados na plataforma do aparelho e empurrar ate a extensao completa. No movimento descendente, parte excentrica, parar quando o joelho estiver em um angulo de 90 graus.

Principais musculos ativos

Quadriceps, Biceps femoral (em menor grau), Gluteos e adutores do quadril (pectineo, gracil, adutor longo, adutor breve, adutor magno).

Coletas e analises sanguineas

As coletas sanguineas foram realizadas por puncao no lobo da orelha, apos assepsia com alcool e utilizando-se de lanceta e luvas de procedimentos descartaveis. Todas as amostras sanguineas foram coletadas durante respectivos estagios mostrados no Protocolo de Treinamento (mostrado anteriormente). As concentracoes de lactato e glicose sanguinea foram mensuradas por analisadores respectivos de lactato e glicose. Tal tecnica tem sido utilizada e recomendada na literatura corrente para estudos que se utilizam da resposta da glicemia na avaliacao diagnostica (Astles; Sedor e Tofaletti, 1999; Loke e colaboradores, 2002). Os valores da lactacidemia e glicemia foram expressos em mmol x [l.sup.-1] e mg x [dl.sup.-1], respectivamente.

Materiais

Foi utilizado na realizacao do estudo: Mesa de Supino Olimpico Horizontal--Cybex; Barra 10 kg e Anilhas; Pulley--Cybex; Leg Press--Cybex; Lactimetro--Accutrend, Roche; Fitas de lactato Accu-Chek, Roche; Medidor de Glicemia--Accu-Check, Roche; Fitas de glicemia Accu-Chek, Roche; Lancetador--Accu-Chek Softclix, Roche; Frequencimetro--Polar 610; Esteira--TRG P34; Cronometro Cassio; LapTop; Softwares Microsoft Office, Excell, Polar Precision Performance.

RESULTADOS

As respostas do lactato sanguineo e glicemia durante os protocolos em Serie Multiplas e Circuito sao mostradas a seguir, com cada individuo avaliado separadamente. Nota-se que Individuo A e D sao do genero masculino e individuos B e C sao do genero feminino. Todos os individuos se encontram na faixa etaria entre 35 a 40 anos. Nota-se que as avaliadas do genero feminino iniciaram os testes e respectivas execucoes de protocolos ao inicio do periodo pos-menstrual (uma semana apos o fim da menstruacao).

[GRAPHIC OMITTED]

DISCUSSAO

Durante o exercicio ocorre aumento da fosforilacao de proteinas relacionadas a captacao de glicose pelo musculo esqueletico, resultando em maior quantidade de GLUT4 translocados para a membrana celular, com consequente aumento na captacao de glicose pelo musculo ativo (Rose e Richter, 2005).

No presente estudo, essa sequencia de eventos tambem poderia explicar o comportamento descendente inicial da curva glicemica, ate determinadas intensidades a partir das quais a glicemia volta a aumentar. O aumento da glicemia em intensidades supralimiares (como visto na progressao do lactato do individuo A) pode ter ocorrido em funcao de maior atividade adrenergica induzindo glicogenolise hepatica, bem como por maior atividade gliconeogenica mediada pelo glucagon, uma vez que diversos autores (Exton, 1979; Simoes, 2000) tem sugerido que esses mecanismos de controle ocorram durante exercicios de alta intensidade, podendo explicar a resposta glicemica similar a resposta do lactato sanguineo em intensidades supralimiares no presente estudo. Dessa forma, podemos concluir que um quadro de hipoglicemia dificilmente ocorrera durante a realizacao de exercicios fisicos em individuos normais.

Segundo Rose e Richter (2005), durante o exercicio intenso ocorre inibicao da enzima hexoquinase, limitando o influxo e a fosforilacao da glicose no citosol do miocito. Ainda, segundo Shalin (2006), as enzimas glicogenio fosfatase e fosfofrutoquinase controlam a degradacao de glicogenio e glicose, e suas acoes sao inibidas devido a queda do pH intramuscular. Tais evidencias poderiam sugerir que, no presente estudo, tenha ocorrido menor utilizacao e captacao de glicose quando o exercicio atinge intensidades elevadas, contribuindo para elevacao da glicemia, podemos observar esse evento principalmente nas execucoes do Leg Press (Coleta 2) tanto no metodo em Circuito como Serie Multipla.

Outro possivel mecanismo que explicaria o aumento da glicemia durante o exercicio em intensidades elevadas e a atividade da interleucina-6 (IL-6), que tem importante papel no aumento da gliconeogenese hepatica (Pedersen e colaboradores, 2004; Febbraio e colaboradores, 2004).

A homeostasia da glicose e importante para funcao metabolica do sistema nervoso central (SnC) (Gleeson, 2000), pois tal falha leva ao quadro de fadiga, a qual e descrita como sendo a incapacidade de continuar no exercicio a uma determinada intensidade prescrita (Freeman e Colaboradores, 1995). Algumas teorias consideram que a fadiga desenvolve-se em consequencia de alteracoes bioquimicas especificas nos musculos ativados (Nybo e Colaboradores, 2002), no entanto, a importancia do comando neural central e tambem conhecida (Wagoner e Benveniste, 1999).

Neste sentido, a IL-6 pode contribuir para as sensacoes de fadiga durante o exercicio. Em resposta a infusao do recombinante de IL-6 humana (rhIL-6), individuos em condicoes basais registraram aumento nas sensacoes de fadiga, estado de humor deprimido e capacidade de concentracao reduzida (Schobitz e Colaboradores, 1993).

Os valores absolutos (kg) referentes as respostas de Lactato e o Indice Glicemico foram diferentes entre os exercicios Supino, Leg Press e Pulley. O fato de os valores de Lactato no Leg Press e Pulley terem sido maiores que o Supino ja era esperado devido a maior massa muscular envolvida no Leg Press e Pulley (excluindo individuo D, o qual possui uma maior ressintese de Lactato em membros inferiores por ser praticante de futebol de alto nivel). No geral a execucao do Pulley em intesidades acima de 70% 1CVM (Serie Multipla) tambem apresenta valores mais elevados de lactato, pois a musculatura posterior nao possui tanta resistencia a lactato quanto os membros inferiores, os quais sao naturalmente mais resistentes a fadiga (Hollmann e Hettinger, 1989; Weineck, 1999), alem do mais, e possivel que maior numero de unidades motoras recrutadas em intensidades acima de 70% de 1CVM resulte em maior efeito das contracoes aciclicas resistidas causando oclusao relativa, menor oferta de oxigenio e consequente acumulo de lactato sanguineo (Goncalves, 2000).

Segundo Schwartz e colaboradores (1987), exercicios realizados em intensidades abaixo de limiares de lactato (series em circuito) resultam em baixa atividade adrenergica. Esse tipo de resposta ocorre em exercicios resistidos com pesos, especialmente quando realizados em baixas intensidades e quando a massa muscular envolvida e menor, no caso, como nas execucoes do Supino.

Notamos no geral que o treinamento em series multiplas utilizando cargas mais elevadas causa um aumento na concentracao de lactato sanguineo, enquanto o treinamento em circuito utilizando intensidades abaixo do limiar de lactato nao gera tanto estresse metabolico no individuo. No entanto nota-se no grupo estudado que o circuito, para individuos com nivel de treinamento que nao esteja estabilizado em num nivel avancado pode gerar um estresse metabolico com valores bem proximos como protocolos de series multiplas.

Para individuos de nivel intermediario e possivelmente pouco treinados o treinamento em circuito pode ser gerar tanta sobrecarga metabolica quanto treino de series multiplas, e para que isto nao ocorra e provavel que a intensidade do circuito tenha de ser muito abaixo do limiar de lactato pois a falta de intervalos durante o treinamento nao permite o corpo processar o lactato de forma aceitavel (Riegel, 1999), dessa forma gerando acumulo do mesmo e consequentemente fadiga.

Para individuos treinados o treinamento em circuito e eficaz para ser utilizado com o objetivo de condicionamento fisico, pois nao gera acumulo elevado de concentracoes de lactato nao expondo individuo a fadiga. Notamos tambem que tanto para individuos com nivel de treinamento medio ou avancado ambos os protocolos, circuito e serie multipla contribuem para a diminuicao da glicemia. Cabe portanto aos profissionais da area de saude avaliar o aluno e prescrever corretamente o protocolo de treino de acordo com objetivos individuais de cada um, tendo em vista que qualquer um destes protocolos podera beneficiar condicionamento e qualidade de vida do individuo, mas diferencas significativas provenientes da escolha do metodo so serao observadas a partir da capacidade do aluno se encontrar em um nivel de treinamento avancado pois e onde o individuo e capaz de suportar maior carga em limiares altos de lactato (Weineck, 1999), antes disto o individuo nao suportando cargas chega a fadiga e a execucao do exercicio fica comprometida de forma a interromper a subida dos valores de lactacidemia (Schwartz e Colaboradores, 1987).

CONCLUSAO

Conclui-se que, com a realizacao do presente estudo que com um individuo de nivel intermediario o lactato alcanca valores elevados tanto no treino em circuito como em serie multipla, gerando tambem queda da glicemia.

Para individuos treinados a diferenca na execucao de ambos os protocolos existe mas nao e significativa no entanto o metodo em circuito permite manter valores abaixo do limiar de lactato, e apenas em um individuo altamente treinado e que o treino com series multiplas possui diferenca consideravel em relacao a lactacidemia do treino em circuito, isto devido a capacidade do individuo em suportar cargas mais elevadas de trabalho nas series intensas.

Portanto para o condicionamento fisico qualquer um dos protocolos pode ser escolhido para individuos de nivel intermediario pois a sobrecarga metabolica sera alta em ambos, apenas quando o individuo se encontra melhor condicionado o treinamento em circuito passa a nao gerar alta sobrecarga e entao seria o mais eficaz para ser usado de forma a nao estressar individuo fisicamente.

Recebido para publicacao em 13/07/2008

Aceito 30/08/2008

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Andre Puppi Rachinski [1]

Antonio Coppi Navarro [1]

[1-] Programa de Pos-Graduacao Lato-Sensu em Fisiologia do Exercicio: Prescricao do Exercicio da Universidade Gama Filho--UGF.

E-mail: sandaiphon@brturbo.com.br

Rua Barao do Rio Branco no. 1330.

Campo Largo--Centro--Parana.

83601-180.
Quadro 1 Resultados da medida da concentracao de lactato sanguineo
e glicemia capilar

Individuo--A

             Lactato / mmol.[l.sup.-1]      IG / mg.[dl.sup.-1]

               Serie                       Serie
             Multipla      Circuito      Multipla      Circuito

Repouso          *             *            97            100
Coleta 1        8,3           5,2           87            97
Coleta 2       10,5            7            70            75
Coleta 3        11           10,1           76            83

Individuo--B

             Lactato / mmol.[l.sup.-1]     IG / mg.[dl.sup.-1]

               Serie                       Serie
             Multipla      Circuito      Multipla      Circuito

Repouso          *             *            97            98
Coleta 1         4             4            91            98
Coleta 2        4,5           3,3           80            96
Coleta 3         6            3,9           83            93

Individuo--C

             Lactato / mmol.[l.sup.-1]     IG / mg.[dl.sup.-1]

               Serie                       Serie
             Multipla      Circuito      Multipla      Circuito

Repouso          *             *            89            102
Coleta 1        4,4           4,4           91            101
Coleta 2        4,3           4,7           93            92
Coleta 3        5,6           3,7           93            79

Individuo--D

             Lactato / mmol.[l.sup.-1]     IG / mg.[dl.sup.-1]

               Serie                       Serie
             Multipla      Circuito      Multipla      Circuito

Repouso          *             *            96            101
Coleta 1        7,4           3,6           84            98
Coleta 2        6,4           4,2           83            86
Coleta 3        8,8            5            89            87

Avaliado--A--Genero masculino, nivel de treinamento: intermediario.

Avaliado--B--Genero feminino, nivel de treinamento: alto.

Avaliado--C--Genero feminino, nivel de treinamento: alto.

Avaliado--D--Genero masculino, nivel de treinamento: profissional.
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Author:Rachinski, Andre Puppi; Navarro, Antonio Coppi
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Date:Jul 1, 2008
Words:4359
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