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Agrupamento em amostras de sementes de especies florestais nativas do Estado do Rio Grande do Sul--Brasil.

Cluster in seeds samples of native forest species from the State of Rio Grande do Sul--Brazil

INTRODUCAO

A producao de sementes de alta qualidade requer conhecimento e tecnologia (DELOUCHE, 2002). A qualidade fisiologica de sementes e normalmente obtida pela percentagem de plantas normais em testes de germinacao, representando o maximo que a amostra pode oferecer (MACHADO, 2002), uma vez que os testes sao conduzidos em condicoes otimas, artificiais e padronizadas para cada especie analisada.

De acordo com as Regras para Analise de Sementes--RAS (BRASIL, 1992), os resultados dos testes de germinacao sao classificados em: 1) plantulas normais, apresentando-se intactas, com pequenos defeitos e infeccao secundaria, ainda sao consideradas com potencial para continuar seu desenvolvimento e dar origem a plantas normais; 2) plantulas anormais sao aquelas que nao mostram potencial para continuar seu desenvolvimento e dar origem a plantas normais, por estarem danificadas, deformadas e ou deterioradas; 3) sementes firmes ou duras sao as que permanecem sem absorver agua por um periodo mais longo que o normal e se apresentam, portanto, no final do teste com aspecto de sementes recem-colocadas no substrato e 4) sementes mortas sao as que no final do teste nao germinaram, nao estao duras, nem dormentes, e geralmente apresentam-se amolecidas e atacadas por microorganismos. Embora existam outras categorias de sementes nao germinadas, na pratica, elas sao separadas em normal, anormal, firmes e mortas.

Outros quesitos da qualidade de sementes, como a percentagem de pureza, peso de mil sementes e a percentagem de umidade, sao avaliados em analise de sementes de especies florestais e possuem grande variabilidade nas respostas obtidas quando se avaliam diferentes especies e, dentro de uma mesma especie, se avaliam a procedencia das sementes, o seu lote e o tempo de armazenamento em camaras frias. Assim, e necessario conhecimento sobre a interferencia dessas variaveis na qualidade das sementes armazenadas e o seu potencial de producao de mudas vigorosas.

A estatistica experimental e considerada como a principal ferramenta para analise de dados e tem por principio a consolidacao de tecnicas adequadas aos diferentes tipos de experimentos. No entatnto nao se podem obter boas decisoes estatisticas sem boas informacoes experimentais. Para tanto, os dados precisam ser coletados e interpretados corretamente, pois, segundo GUEDES (2002), o controle estatistico do processo e um metodo preventivo de se comparar, continuamente, os resultados de um processo sendo o objetivo principal reduzir cada vez mais a variabilidade existente no conjunto de observacoes.

Entre os metodos fundamentados em modelos biometricos que se destinam a avaliacao da diversidade dos progenitores, CRUZ & REGAZZI (1997) citam varios metodos multivariados que podem ser aplicados, como a analise de componentes principais por variaveis e os metodos aglomerativos. A tecnica classificatoria multivariada da analise de agrupamento pode ser utilizada quando se deseja explorar as similaridades entre individuos ou entre variaveis (LANDIM, 2003). Assim, a analise de agrupamento e o nome dado para as tecnicas multivariadas que tem por objetivo fazer grupos baseados em caracteristicas de similaridade ou dissimilaridade entre observacoes (CRUZ & REGAZZI, 1997; JOHNSON & WICHERNS, 1998; HAIR et al.,1998). A finalidade desta tecnica de analise de dados e reunir, por algum criterio de classificacao, qualquer tipo de unidade amostral em varios grupos, de tal forma que exista homogeneidade dentro do grupo e heterogeneidade entre grupos.

Na analise de componentes principais, embora p componentes sejam necessarios para reproduzir a variabilidade total existente, JOHNSON & WICHERNS (1998) mostram que algumas vezes explicase a variacao com um numero reduzido de k componentes principais. Isso acontece quando sao eliminadas as variaveis que pouco contribuem na variacao, ficando somente as que realmente contribuem para a variacao total, a fim de reduzir a dimensionalidade dos dados, obter combinacoes interpretaveis das variaveis e descrever e entender sobre a estrutura de correlacao das variaveis (BARROSO & ARTES, 2003).

Assim, o objetivo deste trabalho consiste em agrupar, por especie, as matrizes de porta-sementes mais similares, utilizando as variaveis observadas em analises de amostras de sementes de especies florestais nativas do Estado do Rio Grande do Sul, com a reducao de variaveis na aplicacao dos componentes principais, identificando as variaveis que representam a maior parte da variabilidade existente.

MATERIAL E METODOS

Foi utilizado o banco de dados de sementes florestais nativas analisadas a partir de 1997 ate marco de 2001, no Centro de Pesquisas Florestais e Conservacao do Solo da Fundacao Estadual de Pesquisas Agropecuaria, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Os fatores e as variaveis coletadas no banco de dados foram: especie, procedencia, codigo de identificacao do lote coletado, data da coleta do lote, data da analise da amostra de sementes, analise de pureza (%), peso de mil sementes (PMS) em gramas, umidade (%), germinacao (%) de plantulas normais (PN), germinacao (%) de plantulas anormais (PA), percentagem de sementes firmes (SF) e percentagem de sementes mortas (SM).

Foram descartadas as especies que apresentaram um numero de analises de sementes iguais ou inferiores a tres por lote coletado, para maior precisao estatistica nos resultados. Primeiramente foi realizada uma analise de componentes principais, sendo aplicado o criterio de escolher os componentes que explicavam aproximadamente 80% das variacoes existentes e, apos este passo, eliminar as variaveis que apresentavam menor contribuicao nos primeiros componentes e maior nos ultimos.

Com as variaveis selecionadas, realizou-se a analise de agrupamento pelo Metodo Hierarquico Aglomerativo para cada especie, no qual, num primeiro passo, a matriz de parecenca foi utilizada para identificar o par de objetos que mais se parecem. Depois disso, esse par foi agrupado e considerado como sendo um unico objeto, redefinindo-se nova matriz de parecenca e, em seguida, identificando-se o par mais semelhante, que formara um novo grupo, e assim, sucessivamente, ate que todos os objetos estivessem reunidos num mesmo grupo. Pelo metodo do vizinho mais distante (ligacao completa), definiu-se a distancia como sendo a maior entre um elemento de d1 e um elemento de d2 por meio da distancia Euclidiana. A escolha desse metodo foi devido ao fato deste fornecer grupos mais homogeneos, favorecendo a discussao e a interpretacao dos resultados obtidos. Para contornar o problema de escalas e medidas das variaveis, foram utilizados dados padronizados e, para contornar a influencia do numero de variaveis, utilizou-se a distancia Euclidiana media, descrita por CRUZ & REGAZZI (1994). Para cada especie, dentro dos grupos foi calculada a media aritmetica, para caracterizacao dos grupos.

Foi utilizado o software estatistico SAEG, versao 9.0, aplicando o teste t a 5% probabilidade de erro, para comparacao de medias entre grupos, quando este possuia mais de uma amostra.

RESULTADOS E DISCUSSOES

Apos a analise de componentes principais, observou-se que as variaveis percentagem de plantulas normais (PN) e percentagem de sementes mortas (SM) estiveram presentes em todas as especies, sendo que na Lafoensia pacari a PN chegou a contribuir com 64,0%, enquanto que na especie Apuleia leiocarpa a SM contribuiu com 41,2%. A variavel que menos se fez presente foi a percentagem de plantulas anormais (PA), contribuindo com 11,8% somente na Peltophorum dubium. A umidade esteve presente em tres especies, a pureza em quatro e o peso de mil sementes (PMS) e a percentagem de sementes firmes (SF) em cinco (Tabela 1).

Na figura 1A, para o genero Schinus sp., verifica-se que, apos o agrupamento, foram selecionados tres grupos, sendo que o primeiro, com tres analises, destacou-se pela formacao mais homogenea, perto dos 40%. Ja o segundo foi composto por apenas uma analise, que uniu-se ao grupo I somente perto dos 85%, por isso ficou isolado.Por fim o terceiro, composto por 12 analises, nas quais perto dos 70% agruparam-se para a formacao do grupo. Na analise de componentes principais, a contribuicao das SM foi de 21,7%, assim como a PN, ja a umidade foi a variavel com maior contribuicao (29,2%) e a de menor amplitude entre valores, mostrando que nesse genero a variacao nao esta diretamente relacionada as contribuicoes, porem nao se deve desconsiderar que os resultados encontrados para o genero Schinus sp. levam provavelmente a variacoes pertinentes de especies diferentes. As diferencas entre as medias do grupo I e III das variaveis pureza e umidade mostraram-se nao significativas (Tabela 2).

[FIGURA 1 OMITIR]

Ja o PMS mostrou diferenca significativa, sendo que o grupo III (19,94g), que corresponde a metade do I, com 42,41g, e o grupo II, com 43,05g, mostraram que os grupos I e II sao proximos quanto ao PMS. As PN nas quais o grupo I teve 73,7% e os grupos II e III tiveram 16% e 41,8%, respectivamente, mostraram diferenca significativa, assim como as SM pelo teste t entre os grupos I e III. No grupo I, e notada a superioridade quanto a PN. Tal caracteristica e devida a um dos lotes, de Veranopolis, que ficou armazenado por tres anos e meio sem perder o vigor, embora na primeira analise desta a percentagem de germinacao tenha sido baixa, devido provavelmente a umidade mais alta. O grupo II, em decorrencia do tempo de armazenamento, perdeu o poder germinativo, sendo que apenas 16% foram normais e 71,5% firmes, mostrando que este perdeu o vigor. Observa-se que neste grupo II nao se fez comparacao de media porque havia somente uma analise de sementes de um unico lote neste grupo. O genero Schinus sp. sofreu interferencia da localidade de coleta, visto que as sementes provenientes da cidade de Veranopolis sao superiores as demais.

Houve formacao de tres grupos para Cassia leptophylla Vog. (Figura 1B), sendo que o primeiro agrupou-se perto dos 35%, com tres analises, o segundo grupo com seis analises uniu-se nos 50% e o terceiro proximo aos 69%, com cinco analises. O metodo dos componentes principais mostrou-se eficiente, sendo que, no terceiro agrupamento, representa 80,6% da variacao total da especie e nos grupos I, II e III, contribuiram principalmente com as variaveis PN e SM. A media da germinacao normal do grupo I: 73,8% e do grupo II: 66,3% nao foram significativas, porem, estas foram superiores ao grupo III e ambas foram significavas quando comparadas com este grupo, que apresentou 41,5% de germinacao normal (Tabela 2). As SM do grupo I (26,2%) e menor que as do grupo II (32,6%), porem, nao significativo. Ja o terceiro grupo, que apresentou um valor bem mais alto, 57,9% de SM, foi significativo com mesmo erro, mostrando que os grupos I e II sao melhores quanto a estas variaveis. Dois lotes (47/01 e 53/00), de Restinga Seca (pertencentes ao grupo III), poderiam ser excluidos do estoque de sementes por estarem abaixo dos 50% de germinacao normal na primeira avaliacao. Um lote (26/99), de Santa Maria, pertencente ao primeiro grupo, em um ano e meio comecou a perder o vigor e sua percentagem de germinacao foi para 60% na terceira avaliacao. Este ultimo e marcado pela irregularidade, pois, na segunda analise, o mesmo teve pouca germinacao normal e alta mortalidade, agrupando-se no segundo grupo. Lotes de General Camara e Santa Maria tiveram apenas uma analise pertencente ao primeiro grupo.

Na especie Peltophorum dubium (Spreng.) Taub, foram encontrados dois grupos (Figura 1C), sendo que o primeiro e composto por cinco analises e o segundo de 12. Destaca-se que o primeiro uniu-se proximo aos 45% e o segundo aos 64%, para agrupar todas as analises. Quanto as contribuicoes (Tabela 1), a PN teve 46,3% e as SM 31,6%, explicando aproximadamente 77% do agrupamento e revelando sua importancia para a formacao dos grupos. Ja as SF e a PA, com 10,3 e 11,8%, respectivamente, tambem contribuiram, porem, com menor percentagem. Na terceira formacao dos componentes principais, 79% da variacao existente das sementes de Peltophorum dubium estavam sendo explicadas na formacao dos grupos. O primeiro grupo, formado por canafistula (Tabela 2), teve, em media, 73,2% de germinacao normal e 26,8% de mortas, ja o grupo II apresentou 88,7% e 10,6%, respectivamente, indicando uma superioridade desse grupo em relacao ao primeiro e apresentando em ambas as variaveis diferencas significativas. O lote 21/ 99, de Santa Maria, na primeira analise, revelou uma baixa PN, na faixa dos 70%, embora em outras analises tenha apresentado uma boa germinacao, proxima aos 90%. O lote 30/98, da estacao experimental de Santa Maria, e melhor que o primeiro, com uma germinacao que atinge os 90% apos um ano e meio de armazenamento e que diminuiu somente com dois anos e meio, o que demonstra uma alta resistencia poscolheita no armazenamento desta especie.

Para a Cedrela fissilis Vell., formou-se o primeiro grupo proximo aos 52%, com 11 analises, sendo este o maior e mais homogeneo dos grupos encontrados. Ja o segundo foi composto por duas analises, formando perto dos 5%, e o terceiro uniu-se nos 53%, com sete analises de sementes. Nas contribuicoes, a variavel que mais influenciou foi a PN, a qual explicou 42,6%, seguida da pureza com 21,6%, das sementes mortas com 22,6% e do PMS com 13,1% (Tabela 1). A contribuicao da germinacao normal expressa quase a metade das explicacoes dos grupos, demonstrando sua importancia para a formacao dos mesmos.

A analise de componentes principais mostrou-se eficiente, explicando, ate o terceiro componente, 77% da variacao existente nas sementes de Cedrela fissilis. Na analise de agrupamento, fez-se a separacao em tres grupos. O primeiro grupo com a pureza em 89,0%, mostrou-se melhor que o grupo III, o qual ficou com 76,2%, mas o grupo que mais se destacou foi o II, que obteve 92,2% de pureza (Tabela 2), porem, este nao mostrando diferenca significativa em relacao ao primeiro. Ja o grupo III mostrou-se significativamente diferente em relacao ao primeiro e ao segundo grupo. O PMS do grupo III e 28,94g, valor menor que o grupo I, de 32,34g, e ambos maiores que o grupo II (21,13g), sendo todos significativamente diferentes. As PN apresentaram 90,9% no grupo I, 93,0% no II, e 76,7% no III, indicando que o primeiro e o segundo sao melhores e tem diferencas significativas quando comparadas com o grupo III. Ja os grupos I e II nao apresentaram estas diferencas. As SM do primeiro grupo ficaram com 8,4%, e as do segundo com 5,2%, mostrando-se bastante inferiores as do terceiro grupo, com 23,1%, indicando que os lotes do primeiro e do segundo grupos sao melhores e apresentaram diferencas significativas quando comparados com o terceiro grupo, ja os grupos I e II nao apresentaram diferencas significativas. O lote 93/99, de Independencia, e de qualidade inferior quando comparado com os demais lotes, pois este somente na primeira analise esteve acima da media geral quanto a PN, assim como o lote 60/98, da mesma localidade, o qual em seis meses comecou a cair seu poder germinativo. Pertencentes ao segundo grupo, o lote 43/97, de Sobradinho, ficou dois anos guardados e teve quatro analises nesse espaco de tempo sem diminuir sua PN. Ja os lotes 70/00, de Livramento, e 35/99, de Santana do Livramento, ficaram guardados aproximadamente um ano e germinaram 90%, mostrando que devem ser mantidas as analises desses lotes para se saber o tempo maximo de armazenamento dos mesmos.

Foram selecionados quatro grupos para a especie Allophylus edulis (A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk. (Figura 1E) sendo que o primeiro com oito analises, destaca-se pela formacao mais homogenea e pelo maior numero de analises, no qual perto dos 58% houve o agrupamento. Quanto aos demais, sao pertencentes todos ao mesmo lote, mudando somente o tempo de armazenamento, sendo que o segundo e o terceiro sao compostos somente por uma analise, agrupando-se nos 95% e nos 70% respectivamente, e o terceiro e composto por duas analises, ocorrendo a ligacao proxima aos 32% para a formacao do grupo. A analise de componentes principais mostrou-se eficiente, explicando na terceira formacao 86% da variacao existente nas sementes de chal-chal, sendo a pureza (24,2%) e a PN (39,4%) as variaveis que mais contribuiram.

O grupo I foi o que demonstrou os melhores resultados, com uma PN de 51,5%, sendo que os grupos II e III zeraram esta variavel e o IV teve 4% de PN. Para o chal-chal (Tabela 2), o grupo II diferencia-se do I pelo fato de ter 0% de germinacao normal e 96,7% de firmes, maior valor encontrado entre as especies das SF. O grupo III diferencia-se do I por ter 0% de PN e do II por ter 97% das anormais, sendo este o valor maximo da PA entre as especies. Neste grupo, aqueles que nao eram anormais estavam mortos. O grupo IV, com duas analises, distinguiu-se dos outros pela germinacao das mortas, que chegou a 96%, sendo que apenas 4% das sementes conseguiram germinar. Este grupo apresentou diferenca significativa, quando comparada com o grupo I. Pelo dendrograma da figura 1E, constatou-se que os grupos III e IV unem-se nos 70%. De acordo com a metodologia aplicada, ate essa percentagem estaria em um mesmo grupo, porem, como nesta especie a diferenca entre estes grupos era muito grande (Tabela 2), optou-se por sua separacao. O lote 94/96, de Veranopolis, e o formador dos grupos II, III e IV, estando ha aproximadamente sete anos armazenado e isso deve ser a causa de seu mau desempenho quanto a PN e das altas taxas de anormais, firmes e mortas. Os lotes pertencentes ao grupo I (99/97 e 111/98), de Sao Jose e da estacao experimental de Santa Maria, respectivamente, em menos de um ano, comecaram a perder o potencial de germinacao e ficaram na faixa dos 50%, sendo que a partir deste tempo, esta especie tem uma pequena vida util na camara fria.

Para a Lafoensia pacari A. St.-Hil. (Figura 1F), houve a formacao de dois grupos, sendo o primeiro formado por 16 analises, encontrando-se proximas dos 63% pela ligacao completa da distancia media euclidiana padronizada. O grupo II foi formado apenas pela matriz 16 e liga-se com o grupo I somente nos 100%, de acordo com o dendrograma. Na media dentro dos grupos (Tabela 2), a pureza no grupo I, com 91,4%, foi menor que no grupo II, no qual esta variavel com 97,2% obteve melhor desempenho quanto a pureza encontrada, porem, esta variavel e alta em ambos os grupos. Quanto as sementes mortas no primeiro grupo, a media foi de 21,0%, enquanto que no segundo foi de 91,0%, sendo este valor o maximo da SM encontrada entre as especies, evidenciando-se a perda do vigor do grupo II. A analise de componentes principais foi eficiente, uma vez que diminuiu de sete para tres variaveis, explicando, na terceira formacao, 71% da variacao existente nas sementes de dedaleiro. Todas as analises do dedaleiro sao da estacao experimental de Santa Maria e o lote 22/98, a que pertence o grupo II, so perdeu o poder germinativo depois de um ano e meio, na sexta analise. Nas analises anteriores, o lote teve um bom desempenho, inclusive acima da media do grupo. Os lotes 38/97 e 60/00 tambem tiveram um bom desempenho dentro de um ano de analise, sendo que apos este periodo comecaram a ter o potencial germinativo reduzido.

A formacao dos grupos de Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong. (Figura 1G) deu-se em dois grupos, em que o primeiro e composto por 19 analises unindo-se nos 70% e o segundo e composto por uma analise, que se agrupou nos 100%, conforme o dendrograma. A analise dos componentes principais foi eficiente, com uma reducao no numero de variaveis de sete para quatro, explicando, na terceira formacao, 73% da variacao. Dos grupos em destaque (Tabela 2), o primeiro com 19 analises e o segundo com apenas uma, mostrando que, em alguma analise, o poder germinativo do lote diminui, ficando somente esta analise. Contudo ficou constatado que, na primeira analise do lote 41/98, quanto a SM, este teve um valor alto com 17,0%, quando comparado ao primeiro grupo, 5,4%. Com isso, observase que esta analise isolou-se das demais pelo numero de mortas. Entretanto, a germinacao normal do grupo II, com 82,5%, nao pode ser considerada baixa, porem, e menor que a do primeiro grupo, que teve 94,4% quanto a percentagem de plantulas germinadas. O lote 41/99, de Santa Maria, esta na sexta analise e, em tres anos armazenados, ainda nao perdeu o vigor de suas sementes, assim como o lote 83/97, de Formigueiro, que esta na quinta analise e ha quase tres anos armazenado e ainda esta germinando na faixa dos 90% normal. Os lotes 81/00, de Sao Borja, e 64/00, de Santa Maria, estao ha mais de um ano e ainda tem um otimo poder germinativo. Os resultados mostram que a vida util apos o armazenamento das sementes de E. contortisiliquum e de aproximadamente tres anos, com 90% de germinacao normal, e que tanto as procedentes de Santa Maria como as de Formigueiro sao parecidas.

Foi verificada a formacao de dois grupos para a Apuleia leiocarpa (Vog.) J. F. Macbr., sendo que o primeiro agrupou-se perto dos 72%, com tres analises, e o segundo, maior e mais homogeneo, agrupou-se nos 55%, com 14 analises (Figura 1H). As variaveis que mais contribuiram para a formacao dos daqueles foram as SM com 41,2%, seguidas pela PN, com 33,8%, o PMS com 16,2% e, por ultimo, o SF com 8,8% (Tabela 1). A analise de componentes principais mostrou-se eficiente, explicando-se na segunda formacao 88% da variacao existente. O grupo I e inferior e mostrou-se significativamente diferente nas variaveis PMS (80,31g), PN (22,8%), SF (0,7%) e SM (76,5%), quando comparado com o grupo II, bem superior, com PMS (96,5g) e PN (80,4%), sendo este valor aproximadamente tres vezes maior que do primeiro grupo e 19,6% de SM valor bem menor que o primeiro grupo, mostrando a superioridade do segundo grupo sobre o primeiro. O lote 10/92, de Porto Alves, enquadrou-se no grupo I, quando realizadas as primeiras analises, e estava ha aproximadamente cinco anos em armazenamento, por isso seu numero de sementes mortas e elevado e deve ser excluido armazenamento. Os lotes 05/00, de Restinga Seca, e 04/ 98, de Valfeltrina, estavam ha um ano armazenados quando foram realizadas cinco e quatro analises, respectivamente, e ainda nao haviam perdido o vigor. O lote 03/98, de Porto Alves, ficou o mesmo periodo de um ano em armazenamento e teve o seu potencial germinativo reduzido, indicando que ha influencia da procedencia na qualidade da semente.

CONCLUSOES

Apos a formacao dos componentes principais, a umidade das amostras de sementes e a percentagem de germinacao de plantulas anormais (PA) foram as variaveis eliminadas cinco e sete vezes, respectivamente, de oito especies estudadas. Ja a percentagem de germinacao de plantulas normais (PN) e a percentagem de sementes mortas (SM) estiveram presentes em todos os grupos, sendo as mais representativas da variabilidade existente nos dados de analises de sementes de especies florestais nativas.

A tecnica de agrupamento mostrou-se eficiente na formacao de grupos com as variaveis coletadas nas analises de amostras de sementes, sendo que a procedencia pouco influenciou no agrupamento das especies. Normalmente houve formacao de dois e tres grupos, na maioria das especies estudadas, sendo que muitas matrizes tiveram somente uma analise e esta foi diferente dos demais pela percentagem de sementes mortas.

AGRADECIMENTOS

A Fundacao Estadual de Pesquisas Agropecuaria/ RS, pelo fornecimento dos dados. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq) e a Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES), pelo auxilio financeiro e bolsas de iniciacao cientifica e produtividade em pesquisa.

REFERENCIAS

BARROSO, L.P.; ARTES, R. Analise multivariada: minicurso do 10 Simposio de Estatistica Aplicada a Experimentacao Agronomica -- RBRAS e 48a Reuniao Anual da Regiao Brasileira da Sociedade Internacional de Biometria -- SEAGRO -- Lavras-MG: UFLA, 2003. 156p.

BRASIL. Ministerio da Agricultura e Reforma Agraria. Secretaria Nacional de Defesa Agropecuaria. Departamento Nacional de Defesa Vegetal. Regras para analise de sementes. Brasilia, 1992. 365p.

CRUZ C.D.; REGAZZI A.J. Modelos biometricos aplicados ao melhoramento genetico. Vicosa: UFV/IU, 1997. 390p.

DELOUCHE, J.C. Germinacao, deterioracao e vigor da semente. Seednews, Pelotas, v.6, n.6, p.24-31, 2002.

GUEDES, T.A. Introducao ao controle da qualidade. Melhoria continua da qualidade. Maringa: UEM/DES, 2002. 84p.

HAIR J.F. Jr. et al. Multivariate data analysis. 5.ed. New Jersey: Prentice-Hall, 1998. 569p.

JOHNSON, R.A.; WICHERNS, D.W. Applied multivariate statistical analysis. 3.ed. New Jersey: Upper Saddle River, 1998. 642p.

LANDIM, P.M.B. Analise estatistica de dados geologicos. 2.ed. Sao Paulo: Fundacao Editora da UNESP/FEU, 2003. 253p.

MACHADO, C.F. Metodologia para a conducao do teste de germinacao e utilizacao de raios-X para a avaliacao da qualidade de sementes de aroeira-branca (Lithraea molleoides (Vell.) Engl.), 2002. 83p. Dissertacao (Mestrado em Agronomia) -- Universidade de Sao Paulo/Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros. Piracicaba. 2002.

Fabiano de Oliveira Fortes (I) Alessandro Dal'Col Lucio (II) * Sidinei Jose Lopes (II) Ricardo Howes Carpes (III) Bruna Denardim da Silveira (I)

(I) Programa de Pos-graduacao em Engenharia Florestal, Centro de Ciencias Rurais (CCR), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

(II) Departamento de Fitotecnia, CCR, UFSM, 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: adlucio@smail.ufsmail.ufsm.br * Autor para correspondencia.

(III) Programa de Pos-graduacao em Agronomia, CCR, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil.

Recebido para publicacao 09.07.07 Aprovado em 13.02.08
Tabela 1--Percentagem de contribuicoes das variaveis: pureza (%),
peso de mil sementes (PMS), umidade (%), percentagem de germinacao
de plantulas normais (PN), percentagem de germinacao de plantulas
anormais (PA), percentagem de sementes firmes (SF), percentagem de
sementes mortas (SM) pela analise de componentes principais, para
sementes de diferentes especies florestais nativas do Estado do
Rio Grande do Sul. Santa Maria, RS--2007.

                            Cassia        Peltophorum       Cedrela
Variaveis   Schinus sp.   leptophylla        dubium        fissilis

  Pureza       9,2           --              --              21,6
  PMS          15,8          17,6            --              13,1
  Umidade      29,2          24,5            --              --
  PN           21,6          28,6            46,3            42,6
  SF           2,5           --              10,3            --
  PA           --            --              11,8            --
  SM           21,6          26,4            31,6            22,6
TOTAL          100,0         100,0           100,0           100,0

            Allophylus     Lafoensi       Enterolobium      Apuleia
Variaveis     edulis        pacari      contortisiliquum   leiocarpa

  Pureza       24,2          14,7            --              --
  PMS          10,6          --              --              16,2
  Umidade      --            --              25,8            --
  PN           39,4          63,97           32,6            33,8
  SF           15,1          --              11,0            8,8
  PA           --            --              --              --
  SM           10,6          21,32           30,5            41,2
TOTAL          100,0         100,0           100,0           100,0

Tabela 2--Valores medios e numero de observacoes (N), procedencia,
pureza (%), peso de mil sementes (PMS) em gramas, umidade (%),
percentagem de germinacao de plantulas normais (PN), percentagem
de germinacao de plantulas anormais (PA), percentagem de sementes
firmes (SF), percentagem de sementes mortas (SM), apos a realizacao
da analise de componentes principais, das variaveis observadas em
analises de sementes de especies nativas. Santa Maria--RS, 2007.

Grupos   N     Procedencia         Pureza     PMS     Umidade     PN

Schinus sp. (aroeira)

I         3    Veranopolis          98,9     42,4       9,9      73,7

II        1    Veranopolis          98,9     43,0      11,0      16,0
               Veranopolis

III      12    Santa Maria          97,3     19,9      11,4      41,8
               Sobradinho

Cassia leptophylla Vogel (falso-barbatimao)

I         3    General Camara        --      135,0     13,5      73,8
               Santa Maria

II        6    Restinga Seca         --      141,8     10,8      66,3
               Santa Maria

III       5    Santa Maria           --      135,1     11,6      41,5
               Restinga Seca

Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. (canafistula)

I         5    E.E.S.                --       --        --       73,2
               Santa Maria

II       12    E.E.S.                --       --        --       88,7
               Santa Maria

Cedrela fissilis Vell. (cedro)

I        11    Independencia        89,0     32,1       --       90,9
               S. do Livramento

II        2    Passo Fundo          92,2     21,1       --       93,0

III       7    Sobradinho           76,2     28,9       --       76,7
               S. do Livramento

Allophylus (A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk. (chal-chal)

I         8    Sao Jose             98,8     32,1       --       51,5
               E.E.S.

II        1    Veranopolis          97,1     43,3       --       0,0

III       1    Veranopolis          96,7     45,6       --       0,0

IV        2    Veranopolis          97,2     46,0       --       0,0

Lafoensia pacari A. St.-Hil. (dedaleiro)

I        16    E.E.S.               91,4      --        --       75,5

II        1    E.E.S.               97,2      --        --       9,0

Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong. (timbauva)

I        19    General Camara        --       --        9,2      94,4
               Santa Maria

II        1    Sao Borja             --       --        7,6      82,5
               Formigueiro

Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F. Macbr. (grapia)

I         3    Porto Alves           --      80,3       --       22,8
               Restinga Seca

II       14    Porto Alves           --      96,5       --       80,4
               Valfeltrina

Grupos   N     Procedencia           SF       PA        SM

Schinus sp. (aroeira)

I         3    Veranopolis          6,3       --       19,9

II        1    Veranopolis          71,5      --       12,5
               Veranopolis

III      12    Santa Maria          0,2       --       58,0
               Sobradinho

Cassia leptophylla Vogel (falso-barbatimao)

I         3    General Camara        --       --       26,2
               Santa Maria

II        6    Restinga Seca         --       --       32,6
               Santa Maria

III       5    Santa Maria           --       --       57,9
               Restinga Seca

Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. (canafistula)

I         5    E.E.S.               0,0       0,0      26,8
               Santa Maria

II       12    E.E.S.               0,3       0,4      10,6
               Santa Maria

Cedrela fissilis Vell. (cedro)

I        11    Independencia         --       --        8,4
               S. do Livramento

II        2    Passo Fundo           --       --        5,2

III       7    Sobradinho            --       --       23,1
               S. do Livramento

Allophylus (A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk. (chal-chal)

I         8    Sao Jose             3,0       0,0      45,5
               E.E.S.

II        1    Veranopolis          96,7      0,0       3,2

III       1    Veranopolis          0,0      97,0       3,0

IV        2    Veranopolis          0,0       0,0      96,0

Lafoensia pacari A. St.-Hil. (dedaleiro)

I        16    E.E.S.                --       --       21,0

II        1    E.E.S.                --       --       91,0

Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong. (timbauva)

I        19    General Camara       0,0       --        5,4
               Santa Maria

II        1    Sao Borja            0,5       --       17,0
               Formigueiro

Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F. Macbr. (grapia)

I         3    Porto Alves          0,7       --       76,5
               Restinga Seca

II       14    Porto Alves          0,0       --       19,6
               Valfeltrina

E.E.S. Estacao Experimental Santa Maria.
COPYRIGHT 2008 Universidade Federal de Santa Maria
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Title Annotation:texto en portugues
Author:de Oliveira Fortes, Fabiano; Dal'Col Lucio, Alessandro; Lopes, Sidinei Jose; Howes Carpes, Ricardo;
Publication:Ciencia Rural
Date:Sep 1, 2008
Words:5490
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