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Agronomic performance of the Geneva[R] serie apple rootstocks in the southern of Brazil/Desempenho agronomico de porta-enxertos de macieira da serie Americana 'Geneva[R]' no sul do Brasil.

INTRODUCAO

No Sul do Brasil, o inicio da producao comercial de macas na decada de 1960 foi estabelecido sobre o porta-enxerto semiananizante MM.106, tido na epoca como um dos mais importantes em escala mundial, embora muito suscetivel a podridaodo-colo (Phythophtora cactorum) (BONETI e KATSURAYAMA, 1999). Com o agravamento da incidencia desta doenca nos pomares desta regiao, foi necessario buscar outra opcao de porta-enxerto. A alternativa foi o 'M.7', tambem semiananizante que, embora de vigor semelhante ao 'MM.106' e mais resistente a podridao-do-colo, e muito suscetivel ao pulgao-lanigero (Eriosoma lanigerum). Esta praga limitou a producao comercial de macas no Hemisferio Sul (WEBSTER et al., 2000). A suscetibilidade ao pulgao-lanigero, aliada a alta propensao do 'M.7' em rebrotar no colo das plantas, onde esta praga se estabelece (DENARDI, 2002), demandou a busca de novas opcoes. A alternativa encontrada foi a combinacao do porta-enxerto Maruba (Marubakaido) com interenxerto ('filtro') do ananizante 'M.9', permitindo conciliar a resistencia do 'Maruba' ao pulgao-lanigero e a podridao-do-colo, com a alta capacidade do 'M-9' em controlar o vigor, induzir melhor precocidade de frutificacao e, ainda, induzir alto potencial produtivo e alta qualidade de frutos a copa. Assim, a producao atual de macas no Brasil esta alicercada na combinacao dos porta-enxertos M.9/ Maruba e Maruba nas regioes de maior altitude, onde os solos sao rasos. Porem, o 'Maruba' e vigoroso e, por isto, quando enxertado com copas de vigor menor que este, tende a emitir rebrotes em profusao no colo da planta, agravando-se quando se utiliza o 'filtro' de 'M.9'. O rebrotamento intenso requer consideravel mao de obra para o desbrotamento, o que resulta em relutancia dos fruticultores em usar porta-enxertos com esta caracteristica (CUMMINS; ALDWINCKLE, 1983).

Por outro lado, o porta-enxerto semivigoroso MM.111 nao tem os inconvenientes do 'M.7', nao rebrotando tao intensamente quanto o 'Maruba'; porem nao inicia a producao tao precocemente, alem de induzir vigor excessivo a copa, para os padroes atuais de sistemas de plantios de alta densidade de pomares de macieira no Brasil.

Dentre os porta-enxertos ultimamente desenvolvidos no mundo, os da serie americana Geneva[R] sao os mais completos em termos de caracteristicas agronomicas requeridas para uso no Brasil. Dentre estas caracteristicas, destacamse a eficiencia no controle do vigor, inducao de alta precocidade de frutificacao, altas e constantes producoes de frutos de boa qualidade, resistencia as principais doencas e pragas de solo, facilidade de propagacao pelos metodos convencionais, ausencia de rebrotes e 'burrknots' (nodulos radiculares no caule), boa compatibilidade de enxertia com a copa e boa capacidade de sustentacao da copa (CUMMINS; ALDWINCKLE, 1983). Alguns porta-enxertos da serie Geneva[R] possuem tambem boa tolerancia a Doenca de Replantio da Macieira (TUSTIN et al., 2003), capacidade de induzir melhor brotacao a copa (DENARDI et al., 2012) e capacidade de induzir melhor angulacao de insercao dos ramos ao caule (FAZIO; ROBINSON, 2008).

O objetivo deste estudo foi avaliar a adaptacao de porta-enxertos de macieira da serie americana Geneva[R] para a 'Fuji' e a 'Gala', nas condicoes edafolclimaticas do meio-oeste catarinense, com intuito de identificar novas opcoes, alem dos tradicionais 'M.9' (ananizante) e 'MM.111' (semivigoroso), utilizados na epoca.

MATERIAL E METODOS

O experimento foi instalado em 1997, no municipio de Fraiburgo, meio-oeste de Santa Catarina, um dos principais polos produtores de macas do Brasil. A altitude onde estava o pomar deste experimento e de 1.050 m, com media anual de frio hibernal de 650 horas [less than or equal to] 7,2[degrees]C. O solo apresentou pH de 5,8 em agua e 14,2 [cmol.sub.c].[dm.sup.-3] de calcio, valores considerados adequados para cultivo de macieira.O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repeticoes de tres plantas por parcela, em esquema fatorial. Os tratamentos constituiram-se dos porta-enxertos CG.22, G.30, G.202, G.210, G.213, M.9 e MM.111, combinados com as cultivares copa Gala e Fuji, sendo que o 'M.9' e o 'MM.111' foram utilizados como testemunhas.

O espacamento de cultivo foi de 4,0 m entre filas por 2,0 m entre plantas e em filas alternadas com as cultivares Gala e Fuji, objetivando assegurar a polinizacao cruzada. O raleio do excesso de frutos foi feito inicialmente com os raleantes quimicos Acido Naftaleno Acetico (ANA) a 7,5 mg [L.sup.-1], aplicado aos 5 dias apos a plena floracao--DAPF--em mistura de tanque com Sevin[R] (Carbaryl) 850 PM a 1500 mg.[L.sup.-1], aplicado aos 15 DAPF; aos 35 DAPF foi feito o raleio manual de repasse, mantendo-se ate 2,0 frutos/inflorescencia em gemas apicais e apenas um fruto/inflorescencia em gemas laterais, espacados pelo menos 10 cm entre cachos florais.

As avaliacoes foram realizadas por cinco ciclos produtivos para a 'Fuji' e seis ciclos produtivos para a 'Gala', visto que esta ultima tem maior precocidade para iniciar a producao. As variaveis avaliadas foram: area da secao transversal do caule (ASTC), calculada pela equacao ASTC = [pi][d.sup.2]/4, expressa em centimetros quadrados, sendo que d e o diametro do caule das plantas medido a 5,0 cm acima do ponto de enxertia, no ultimo ano de avaliacao (safra de 2003/2004); producao acumulada, medida pela soma das producoes anuais e expressa em quilogramas por planta; producao anual de frutos, medida pelas producoes anuais e expressa em quilogramas por planta; massa fresca media dos frutos, estimada pela razao entre producao e numero de frutos, expresso em gramas; eficiencia produtiva acumulada, estimada pela razao entre a producao acumulada e a area da secao transversal do caule (ASTC), expressa em kg de frutos por centimetro quadrado de ASTC. A eficiencia produtiva expressa o potencial de producao de uma planta em relacao a sua ASTC, sendo muito utilizada em estudos de competicao de porta-enxertos de macieira (WEBSTER, 1995; ROBINSTON et al., 2002; ROBINSON et al., 2006; ROBINSON; FAZIO, 2011), e facilita a interpretacao dos resultados na confrontacao de porta-enxertos de vigor diferente cultivados em espacamento unico.

Os dados de ASTC, producao acumulada e eficiencia produtiva acumulada foram analisados em esquema fatorial simples 7 x 2, considerando os fatores porta-enxerto e cv. copa, respectivamente. Para as caracteristicas producao anual e massa fresca media de frutos, os dados foram analisados em esquema fatorial triplo 7 x 2 x 6, considerando os fatores porta-enxerto, cv. copa e ano, respectivamente.

Os dados foram submetidos a analise de variancia conjunta, para verificar a significancia das interacoes e dos efeitos medios de porta-enxertos e de cultivares-copa. As comparacoes entre medias foram realizadas por meio do teste de Scott-Knott (P [less than or equal to] 0,05). Todas as analises foram realizadas no programa estatistico SISVAR (FERREIRA, 2011).

RESULTADOS E DISCUSSAO

A analise de variancia conjunta dos dados evidenciou efeito significativo da interacao entre porta-enxerto e cultivar-copa (PE x C) para as variaveis producao acumulada de frutos e eficiencia produtiva acumulada, enquanto para a area da seccao transversal do caule (ASTC) os fatores foram analisados em seu efeito medio, dada a ausencia de significancia da interacao (Tabela 1).

Quanto a producao anual de frutos e a massa fresca media de frutos, verificou-se efeito significativo da interacao tripla apenas para os dados de producao anual. Assim, o efeito de porta-enxertos e de cv. copa foram analisados apenas em seu efeito medio para os dados de massa fresca media de frutos.

Quanto ao vigor das plantas, diretamente correlacionado com a ASTC da cv. copa a 5 cm acima do ponto de enxertia (CZYNCZYK; BIELICKI, 2012), observa-se que a 'Fuji' confirma seu padrao de vigor mais elevado que o da 'Gala' (Tabela 1). No que se refere a capacidade do porta-enxerto em controlar o vigor da copa, comparativamente ao M.9 (porta-enxerto classico, ananizante) e ao MM.111 (porta-enxerto semivigoroso) e com intuito de facilitar a discussao dos resultados, sugere-se uma ordenacao dos porta-enxertos da serie Geneva[R] em duas categorias: a) ananizantes (ou anoes): CG.22, G.202 e G.213; b) semiananizantes (ou semianoes): G.30 e G.210.

No que se refere a producao anual de frutos da cv. Gala, pode-se observar na Tabela 2 que, dentre os ananizantes, todos os porta-enxertos da serie Geneva[R] foram ao menos equivalentes ao M.9. O G.213 destacou-se, mostrando ser superior a todos os porta-enxertos ananizantes avaliados neste estudo, quase na totalidade dos anos. Este apresentou maior regularidade de producao ao longo dos anos, caracteristica muito importante em portaenxertos. O CG.22 tambem se destacou dentre os porta-enxertos mais ananizantes, tendo apresentado medias elevadas de producao e com boa regularidade, embora inferior ao G.213. O 'G.202' foi o ananizante com menos regularidade de altas producoes. Com relacao aos porta-enxertos semiananizantes, com menor capacidade de controlar o vigor da copa de 'Gala', verificou-se que tanto o G.30 quanto o G.210 apresentaram desempenho semelhante ao MM.111, ao menos ate o quarto ano de avaliacao. A partir do quinto ano, estes produziram menos que o 'MM.111'. Isto se deveu, provavelmente, ao maior volume de copa induzido a 'Gala' pelo 'MM-111', por este ser mais vigoroso. O maior volume de copa da 'Gala', consequentemente, induziu maior numero de frutos por planta que, por sua vez, propiciou maior producao. No entanto, e importante ressaltar que sobre este tipo de porta-enxerto, as plantas sao cultivadas sob espacamentos mais elevados, resultando em menos plantas por unidade de area e, consequentemente, menor produtividade. Tambem demandam mais mao de obra na conducao do pomar, resultando em maior dificuldade logistica e maior custo de producao. Alem disso, ha forte tendencia global de os pomicultores adotarem porta-enxertos mais ananizantes, em espacamento de cultivo mais adensado.

Para a cv. Fuji, de forma geral, todos os porta enxertos avaliados superaram significativamente, tanto o 'M.9' quanto o 'MM.111' (Tabela 2). Dentre os porta-enxertos mais ananizantes, o que mais se destacou foi o G.213, o qual induziu a copa as maiores producoes e com maior regularidade ao longo dos anos. O 'CG.22', embora ainda melhor que o 'M.9', foi o que apresentou as menores producoes dentre os ananizantes da serie Geneva[R]. Dentre os porta-enxertos semiananizantes, o G.210 foi o que mais se destacou para a 'Fuji', tendo induzido a copa as maiores producoes e com a melhor regularidade ao longo dos anos de avaliacao.

No desdobramento do efeito de cultivarcopa dentro de porta-enxerto sobre a caracteristica producao acumulada (Tabela 1), observou-se que, para os porta-enxertos ananizantes, com excecao do G.202, nao houve diferenca significativa entre as cultivares Gala e Fuji. Da mesma forma, para os semiananizantes 'G.210' e 'G.30', a 'Fuji' apresentou producao acumulada maior que a 'Gala', mesmo tendo iniciado a producao um ano apos. Sobre o 'MM.111', porta-enxerto mais vigoroso dentre os tratamentos avaliados no estudo, a 'Gala' proporcionou maior producao acumulada que a 'Fuji'.

O desdobramento do efeito dos portaenxertos dentro de cultivar-copa evidenciou que que o 'MM.111' induziu maior producao acumulada a 'Gala', seguido do 'G.210' e do 'G.213' (Tabela 1). Para a 'Fuji', os porta-enxertos que induziram maior producao acumulada foram o G.210 e G.30, seguidos do G.213, sendo que o MM.111 apresentou desempenho intermediario, diferentemente do que foi observado para a 'Gala'. O M.9 foi o porta-enxerto que induziu a menor producao acumulada para ambas as cultivares.

Na variacao de comportamento do MM.111 enxertado com 'Gala' e 'Fuji', ressalta-se que este e o mais vigoroso dos porta-enxertos avaliados, o qual induz a copa maior volume e, portanto, com tendencia a produzir mais frutos. Porem, mesmo sendo mais vigorosa que a 'Gala', a producao acumulada da 'Fuji' foi menor, em virtude de a mesma iniciar a producao mais tardiamente. Assim, a producao acumulada nao deve ser tomada isoladamente para a definicao do melhor portaenxerto. Deve-se associar a uma analise cuidadosa dos dados de eficiencia produtiva.

Neste contexto, a 'Gala' sobre os portaenxertos ananizantes, com excecao do G.202, mostrou maior eficiencia produtiva que a 'Fuji'. Para os demais porta-enxertos, nao foi verificada diferenca significativa entre as duas cultivares-copa (Tabela 1). Desdobrando-se o efeito de porta-enxertos para a 'Gala', observou-se que as medias mais altas de eficiencia produtiva foram sobre o CG.22 e o G.213. Dentre os porta-enxertos de menor controle do vigor da copa, o G.30 e o G.210 foram equivalentes ao MM.111, pois mesmo tendo apresentado producoes anuais (Tabela 2) e producao acumulada (Tabela 1) inferiores ao MM.111, ainda assim suas medias de eficiencia produtiva foram significativamente mais elevadas que o MM.111. Para a 'Fuji', os melhores porta-enxertos foram o G.213 e o G.202 dentre os ananizantes, e o G.30 e o G.210 dentre os semiananizantes. O MM.111 foi o porta-enxerto que induziu a menor eficiencia produtiva acumulada, tanto para a 'Gala' quanto para a 'Fuji'.

Embora existam indicios de relacao entre o efeito ananizante do porta-enxerto e sua eficiencia produtiva (ROBINSON et al., 2006), segundo Webster (1995), nao e correto afirmar que estas duas caracteristicas sejam dependentes entre si. Exemplo disso foi o comportamento dos porta-enxertos semiananizantes G.30 e G.210, os quais, mesmo sendo mais vigorosos que o M.9, induziram eficiencia produtiva melhor que este na 'Fuji' e equivalente na 'Gala'. Embora isso confirme os resultados obtidos nos EUA (ROBINSON et al., 2002), estudos recentes mostraram que muitos porta-enxertos da serie Geneva[R], incluindo os dois mencionados, induzem a copa melhor brotacao que o porta-enxerto ananizante M.9, o que culmina na formacao de plantas com maior numero de ramos (FAZIO; ROBINSON, 2008; DENARDI et al., 2012; DENARDI et al., 2013). Isto pode ter relacao com as condicoes climaticas locais (WEBSTER, 1995). Ao norte dos EUA, onde os invernos sao mais rigorosos e melhor satisfazem o requerimento em frio para a adequada superacao da endodormencia das macieiras, o ananizante M.9 tem induzido a copa de outras cultivares muito boa eficiencia produtiva (ROBINSTON et al., 2002; ROBINSON et al., 2006; ROBINSON; FAZIO, 2011). Robinson et al. (2006) reportam que o 'M.9', clone T337 (mutacao do M-9), induziu a copa da cv. McIntosh a eficiencia produtiva acumulada em sete anos, 50% superior a do 'G.30' e do 'G.210'.

Para a massa fresca de frutos, os valores medios, considerando todos os porta-enxertos deste estudo, foram maiores na cv. Fuji nos primeiros tres anos; porem, no ultimo ano, a massa fresca media dos frutos da 'Gala' foi maior (Tabela 3). Isto pode ter sido causado por estiagem prolongada ocorrida durante o verao/outono do ciclo 2003/2004. Considerando os porta-enxertos por categoria de vigor, dentre os ananizantes, a 'Gala' sobre o 'M.9' produziu frutos de maior massa fresca media no primeiro ano; no segundo ano, os anoes foram mais eficientes que os mais vigorosos, a excecao do 'G.202', que se equivaleu a estes. Nas safras subsequentes, nao se observaram diferencas significativas na massa fresca media dos frutos das duas cultivares enxertadas sobre os porta-enxertos avaliados, muito embora existam relatos reportando que os porta-enxertos ananizantes induzem a producao de frutos de maior calibre a copa (DENARDI, 2002; WEBSTER; WERTHEIM, 2003).

Considerando todas as variaveis avaliadas, observou-se que, dentre os porta-enxertos ananizantes, o G.213 destacou-se, tanto para a 'Gala' quanto para a 'Fuji', induzindo a copa a maiores medias de eficiencia produtiva e a altos niveis de producao anual e acumulada de frutos. Este desempenho provavelmente se deve tambem a maior capacidade do 'G.213' em induzir melhor ramificacao da copa, quando comparado ao 'M.9'. Esta caracteristica foi verificada no 'G.213' e em outros porta-enxertos da serie Geneva[R], em estudos conduzidos no meio-oeste catarinense sob diferentes cultivares-copa (DENARDI et al., 2012; DENARDI et al., 2013). Robinson e Fazio (2008) tambem observaram este efeito em diversos porta-enxertos da serie Geneva[R] nos EUA. No presente estudo, foi constatado tambem que os porta-enxertos desta serie americana induziram as copas de 'Gala' e de 'Fuji' melhor floracao em ramos de ano, com destaque para o G.213 (VEZARO et al., 2013). Adicionalmente, em outros estudos, foram verificadas tambem outras caracteristicas de importancia agronomica nestes porta-enxertos, dentre as quais menor rebrotamento no colo das plantas em relacao ao 'M.7' e menos formacao de 'burrknots' no caule, em comparacao ao 'M.7' e 'M.9' (KVITSCHAL et al., 2013). Observouse tambem maior eficiencia da serie Geneva[R] na absorcao e translocacao de calcio para a copa das cultivares Gala e Fuji em relacao ao 'MM.111' (MANENTI et al., 2013). O 'G.213', comparado ao 'M.9', tambem induziu formacao de frutos de melhor calibre para a 'Gala', e equivalente a este para a 'Fuji' (Tabela 3).

Dentre os porta-enxertos semiananizantes, tanto o G.30 quanto o G.210 mostraram melhor desempenho que o semivigoroso MM.111 para ambas as cultivares-copa. Com maior destaque para o 'G.210', o qual, comparado ao 'MM.111', induziu maior eficiencia produtiva para ambas as cultivares, maior producao acumulada para a 'Fuji' (Tabela 1) e massa fresca media de frutos igual ou maior (Tabela 3). Tustin et al. (2003) reportam ainda que o 'G.210' tem muito bom desempenho em condicoes de replantio, o que confere uma vantagem adaptativa em relacao aos tradicionais 'MM.111' e 'M.9/Maruba'. No entanto, pelo presente estudo nao ter sido instalado em areas de solo de replantio, essa caracteristica especifica do 'G.210' teria de ser investigada pormenorizadamente em estudos subsequentes, visto que a grande maioria dos pomares brasileiros atuais sao instalados em areas de replantio. O 'G.30', embora tenha evidenciado bom desempenho agronomico neste estudo, e suscetivel ao pulgao-lanigero. Considerando a forte interacao cv. copa x porta-enxerto, e interessante explorar as interacoes especificas, ou seja, enxertar cultivarescopa especificas para cada tipo de porta-enxerto, buscando respostas de desempenho agronomico mais satisfatorias.

Assim, considerando as variaveis avaliadas no presente estudo, sugerem-se os porta-enxertos G.213 e G.202 como opcoes em potencial na formacao de novos pomares com 'Fuji', principalmente em areas com boa fertilidade do solo, onde se almeja maior capacidade ananizante do porta-enxerto. Para a 'Gala', o 'G.213' foi o que mostrou melhor desempenho nas condicoes edafoclimaticas deste estudo. Para solos mais pobres, onde geralmente sao utilizados porta-enxertos com menor capacidade de controle do vigor, o semiananizante 'G.210' e uma opcao promissora, tanto para a 'Gala' quanto para a 'Fuji'. E importante ressaltar que, durante as avaliacoes, nao foi observado mortalidade de plantas por incidencia de doencas de solo nem a presenca de pulgao-lanigero nos portas-enxerto da serie Geneva[R], a excecao do G.30.

CONCLUSOES

Existe forte interacao entre porta-enxerto e cv. copa para as variaveis producao, producao acumulada e eficiencia produtiva, sugerindo a necessidade de estudos para identificacao de combinacoes especificas copa/porta-enxerto.

Para a 'Gala', o porta-enxerto ananizante G.213 e uma opcao muito promissora.

Para a 'Fuji', os portas-enxertos ananizantes G.213 e G.202 sao opcoes muito promissoras.

Dentre os porta-enxertos semiananizantes, o G.210 e mais indicado que o MM.111 para ambas as cultivares-copa avaliadas.

http://dx.doi.org/10.1590/0100-2945-438/14

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a empresa Agricola Fraiburgo e ABPM (Associacao Brasileira de Produtores de Maca), pelo apoio logistico, e a FAPESC (Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Santa Catarina), pelo apoio financeiro, essenciais a execucao deste estudo.

REFERENCIAS

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FREDERICO DENARDI (2), MARCUS VINICIUS KVITSCHAL (3), CLORI BASSO (4), JOSE ITAMAR DA SILVA BONETI (5), YOSHINORI KATSURAYAMA (6)

(1) (Trabalho 438-13). Recebido em: 27-11-2013. Aceito para publicacao em: 12-06-2014.

(2) Eng. Agr. M.Sc.--Pesquisador Epagri--Estacao Experimental de Cacador-SC--E-mail: denardi@epagri.sc.gov.br

(3) Eng. Agr. D.Sc.--Pesquisador Epagri--Estacao Experimental de Cacador-SC--E-mail: marcusvinicius@epagri.sc.gov.br

(4) Eng. Agr. Ph.D.--Professor--Universidade Alto Vale do Rio do Peixe--UNIARP, Cacador-SC--E-mail: clori@brturbo.com.br

(5) Eng. Agr. M.Sc.--Pesquisador Epagri--Estacao Experimental de Sao Joaquim-SC--E-mail: boneti@epagri.sc.gov.br

(6) Eng. Agr. M.Sc.--Pesquisador Epagri--Estacao Experimental de Sao Joaquim-SC--E-mail: katsurayama@epagri.sc.gov.br
TABELA 1--Desdobramento do efeito de porta-enxertos e de cv. copa
sobre a area da seccao transversal do caule (ASTC), producao
acumulada, eficiencia produtiva acumulada em macieiras 'Gala' e
'Fuji'. Fraiburgo-SC, 2003/04.

                      ASTC (1)/([cm.sup.2])

PE\Copa            'Gala'    'Fuji'     Media
Ananizantes
M.9                 16,54     26,44    21,49 d
CG.22               19,32     33,71    26,51 c
G.213               23,71     36,98    30,34 c
G.202               25,79     36,14    30,96 c

Semiananizantes
G.30                30,33     41,63    35,98 b
G.210               36,17     44,02    40,09 b
Semivigoroso
MM.111              57,82     57,63    57,73 a
Media              29,95 B   39,51 A    34,73

                     Producao acumulada
                    (kg.[planta.sup.-1])

PE\Copa            'Gala' 2/   'Fuji' (3)/
Ananizantes
M.9                50,67 Ae     54,52 Ae
CG.22              80,81 Ad     77,68 Ad
G.213              104,29 Ab    104,39 Ab
G.202              76,47 Bd     97,19 Ac

Semiananizantes
G.30               92,16 Bc     113,52 Aa
G.210              100,34 Bb    117,92 Aa
Semivigoroso
MM.111             116,54 Aa    92,39 Bc
Media                88,75        93,94

                     Eficiencia produtiva
                   (kg[cm.sup.-2] de ASTC)

PE\Copa            'Gala' (2)/   'Fuji' (3)/
Ananizantes
M.9                  3,07 Ab       2,12 Bb
CG.22                4,24 Aa       2,32 Bb
G.213                4,43 Aa       2,84 Ba
G.202                3,26 Ab       2,74 Aa

Semiananizantes
G.30                 3,05 Ab       2,76 Aa
G.210                2,79 Ab       2,70 Aa
Semivigoroso
MM.111               2,03 Ac       1,63 Ab
Media                 3,27          2,44

Medias seguidas de mesma letra maiuscula, na linha, nao diferem
significativamente (P > 0,05) entre si, pelo teste de Scott-Knott;
Medias seguidas de mesma letra minuscula, na coluna, nao diferem
significativamente (P > 0,05) entre si, pelo teste de Scott-Knott;
(2)/Dados obtidos entre as safras de 1998/1999 e 2003/2004;
(3)/ Dados obtidos entre as safras de 1999/2000 e 2003/2004.

TABELA 2-Desdobramento do efeito de porta-enxertos e de cv. copa sobre
a producao de frutos (kg.[planta.sup.-1]), em macieiras Gala e Fuji.
Fraiburgo-SC, 1998/1999 a 2003/2004.

                                  Porta-enxerto

Ano        Cv. copa     M.9       CG.22      G.213      G.202

1998/99      Gala      4,40 B     7,57 B    10,43 A     6,91 B
             Fuji        -          -          -          -
1999/00      Gala     5,24 Cb    12,24 Aa   13,57 Ab   8,22 Ba
             Fuji     8,90 Ca    13,90 Ba   21,20 Aa   9,30 Ca
2000/01      Gala     6,03 Ba    9,20 Aa    10,61 Aa   7,36 Bb
             Fuji     3,21 Cb    10,86 Aa   8,13 Aa    10,86 Aa
2001/02      Gala     12,67 Ca   16,34 Ba   24,08 Aa   14,73 Ca
             Fuji     12,19 Ca   14,34 Ca   20,88 Ab   16,31 Ba
2002/03      Gala     7,88 Ca    13,02 Ba   18,76 Aa   9,02 Cb
             Fuji     7,99 Fa    11,21 Ea   21,00 Ca   18,67 Da
2003/04      Gala     14,45 Fb   22,45 Eb   26,84 Db   30,24 Cb
             Fuji     22,24 Ea   27,38 Da   33,18 Ca   42,07 Ba

                             Porta-enxerto

Ano        Cv. copa     G.30      G.210      MM.111

1998/99      Gala      8,30 A     6,22 B    10,00 A
             Fuji        -          -          -
1999/00      Gala     11,34 Aa   14,06 Aa   8,92 Ba
             Fuji     13,40 Ba   11,00 Cb   3,30 Db
2000/01      Gala     9,99 Aa    9.10 Aa    11,50 Aa
             Fuji     10,96 Aa   10.85 Aa   6,48 Bb
2001/02      Gala     17,40 Ba   16.93 Ba   15,52 Ba
             Fuji     18,61 Aa   18.13 Aa   16,29 Ba
2002/03      Gala     13,29 Bb   11.13 Bb   20,32 Ab
             Fuji     22,44 Ca   28.60 Aa   24,41 Ba
2003/04      Gala     31,84 Cb   42.90 Bb   50,29 Aa
             Fuji     48,11 Aa   49.34 Aa   41,91 Bb

Medias seguidas da mesma letra minuscula na coluna, em cada ano, nao
diferem entre si (P > 0,05), pelo teste de Scott-Knott; medias
seguidas da mesma letra maiuscula na linha nao diferem entre si
(P > 0,05), pelo teste de Scott-Knott.

TABELA 3--Desdobramento do efeito de porta-enxertos e de cv.
copa sobre a massa fresca media de frutos (g), em macieiras
'Gala' e 'Fuji', ao longo das safras de 1998/1999 a
2003/2004. Fraiburgo/SC.

                                Porta-enxerto

Ano        Cv. copa     M.9      CG.22     G.213     G.202

             Gala      152,0     132,3     134,4     135,6
1998/99      Fuji        -         -         -         -
            Media     151,9 A   132,3 B   134,4 B   135,6 B
             Gala      143,3     141,3     146,0     127,8
1999/00      Fuji      152,9     158,9     152,7     138,7
            Media     148,1 A   150,1 A   149,3 A   133,2 B
             Gala      151,9     132,3     134,4     135,6
2000/01      Fuji      157,5     171,4     161,9     171,4
            Media     154,7 A   151,8 A   148,2 A   153,5 A
             Gala      120,0     113,4     108,4     122,2
2001/02      Fuji      142,1     141,5     130,6     144,3
            Media     131,1 A   127,4 A   119,5 A   133,2 A
             Gala      107,2     110,0     98,2      105,7
2002/03      Fuji      111,0     106,8     112,3     106,0
            Media     109,1 A   108,4 A   105,3 A   105,9 A
             Gala      111,9     116,4     112,7     100,9
2003/04      Fuji      99,7      94,3      90,8      96,8
            Media     105,8 A   105,4 A   101,7 A   98,9 A

                                  Porta-enxerto

Ano        Cv. copa    G.30      G.210    MM.111     Media

             Gala      138,0     138,2     123,5     136,27
1998/99      Fuji        -         -         -         -
            Media      138 B    138,2 B   123,5 B
             Gala      136,9     142,5     128,7    138,06 b
1999/00      Fuji      137,0     155,5     141,9    148,21 a
            Media     136,9 B   149,0 A   135,3 B
             Gala      138,0     138,1     123,5    136,25 b
2000/01      Fuji      157,7     155,5     164,6    162,85 a
            Media     147,9 A   146,8 A   144,0 A
             Gala      115,7     123,6     122,9    118,02 b
2001/02      Fuji      133,9     130,5     125,1    135,42 a
            Media     124,8 A   127,0 A   124,0 A
             Gala      105,5     111,3     109,0    106,70 a
2002/03      Fuji      105,8     104,8     109,0    107,96 a
            Media     105,7 A   108,1 A   109,0 A
             Gala      117,8     120,9     108,6    112,74a
2003/04      Fuji      103,0     105,3     109,5    99,90 b
            Media     110,4 A   113,1 A   109,1 A

Medias seguidas da mesma letra minuscula na coluna, em cada
ano, nao diferem entre si (P > 0,05), pelo teste de Scott-Knott;
medias seguidas da mesma letra maiuscula na linha nao diferem entre
si (P > 0,05), pelo teste de Scott-Knott.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Denardi, Frederico; Kvitschal, Marcus Vinicius; Basso, Clori; Boneti, Jose Itamar Da Silva; Katsuray
Publication:Revista Brasileira de Fruticultura
Date:Mar 1, 2015
Words:5074
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