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Against the Grammarians by Sextus Empiricus: annotated translation, part three (M 1. 169-247)/Contra os Gramaticos de Sexto Empirico: traducao anotada, terceira parte (M 1. 169247).

Contra os Gramaticos e um texto escrito pelo filosofo cetico pirronico, e tambem medico, Sexto Empirico, por volta do seculo II d.C. (1) Esta integrado a uma obra maior, Contra os Professores, dedicada ao ataque de seis disciplinas centrais na vida intelectual dos gregos antigos: gramatica, retorica, geometria, aritmetica, astronomia e musica. Alem de expressao do posicionamento filosofico sextiano, em sentido amplo, esses tratados sao importante fonte de informacao historica sobre tais areas do conhecimento.

O ataque empreendido por Sexto nos seis livros do Contra os Professores insere-se no contexto amplo de sua oposicao as filosofias dogmaticas atraves da critica aos conhecimentos teoricos construidos com base em raciocinios especulativos. A critica sextiana envolve a identificacao das disciplinas do ciclo (enkuklia mathemata) com artes (tekhnai) racionais ou teoricas, nos moldes em que seus 'praticantes' costumavam enaltece-las. Seu proposito seria nao a transmissao e aquisicao de habilidades com fins puramente praticos, mas a construcao de teorias acerca da natureza das coisas. Sexto ataca, em vista disso, o estudo racional com pretensoes teoricas, a incoerencia interna e as consequencias aporeticas do metodo racional, alem de sua inutilidade para a vida.

O ataque a uma tradicao e visivel no Contra os Gramaticos. Sexto prove, nesse livro, um panorama da constituicao dos saberes nessa area. Que ele mimetiza, nao sem ironia, supomos, a disposicao de um tratado gramatical do periodo e algo que se pode notar desde o inicio da obra. Ai alude as introducoes laudatorias da gramatica, logo a seguir, expoe e critica suas definicoes e, entao, passa ao ataque das partes da gramatica: tecnica (que se ocupa de letras, silabas, nomes, partes da sentenca, ortografia, correcao, etimologia); 'historica' (que trata dos personagens, lugares, etc.); e especifica (o exame das obras literarias, propriamente ditas, em verso ou prosa). Neste artigo, apresentamos a traducao da secao do tratado que da continuidade ao ataque contra a parte tecnica da gramatica, abordando ortografia, correcao e etimologia. (2)

E razoavel supor, tendo em vista a autoridade de que a filosofia estoica desfrutou no periodo helenistico, e a inter-relacao entre o desenvolvimento desta e da disciplina gramatical, que Sexto nutrisse interesse especial pela area, alem de, possivelmente, ter tido a sua disposicao bastante material referente a ela. O espaco que ele destina, na passagem aqui traduzida, a argumentos que, muito provavelmente, sao de origem epicurista, e nao cetica, e consideravel. Isso poderia sugerir que sua fonte principal fosse nao um tratado gramatical, mas uma obra de ataque a doutrina gramatical, nos moldes daquelas ligadas a tradicao epicurista de polemica contra disciplinas que teriam a pretensao de se antepor a filosofia. (3)

O texto grego de base para a traducao a seguir e o de J. Mau e H. Mutschmann, Sexti Empirici opera, vol. 3, 2a edicao, Leipzig: Teubner, 1961, presente no corpus online Thesaurus Linguae Graecae. A mesma edicao serviu de base para a traducao de Blank (1998). Bury (1949), para as edicoes Loeb, segue a edicao de I. Bekker (1842). Quando seguimos uma insercao sugerida por Blank, informamos em nota de rodape e usamos o sinal <...>. No caso de uma supressao, a nota de rodape traz o texto grego suprimido usando os simbolos: {...}, bem como a traducao da passagem.

Contra os Gramaticos (M 1. 169-247) Sobre ortografia

[169] Pois bem, dizem que a ortografia (4) assenta-se sobre tres fatores: quantidade, qualidade e divisao de silabas. Sobre a quantidade, quando queremos saber se aos dativos se deve adicionar um [iota] (iota), ou se palavras como eukhalinos ('com arreios bem postos') e euodin ('frutifero') (5) devem ser escritas apenas com [iota] (iota) ou com [phrase omitted] (epsilon e iota). (6) Sobre a qualidade, quando consideramos se smilion ('faca') e Smyrna ('Esmirna') devem ser escritas com [zeta] (zeta) ou com [sigma] (sigma). (7) Sobre a divisao, quando estamos em duvida se na palavra obrimos ('robusto'), o [beta] (beta) e comeco da segunda silaba ou fim da anterior, ou, em relacao ao nome Aristion, onde devemos colocar o [sigma] (sigma).

[170] Mais uma vez essa exposicao tecnica (8) revela-se inutil - sem levantarmos nenhuma das aporias mais serias--primeiro, por causa do desacordo (diaphonia) e, em seguida, por causa de seus resultados mesmo. (9) Naquele caso, porque os entendidos (tekhnikoi) no assunto estao em conflito entre si e vao estar para sempre em disputa uns com os outros, defendendo, para a mesma palavra, uns que deve ser escrita de uma forma, outros de outra. [171] Por isso e que devem ser confrontados com o seguinte questionamento: se uma exposicao tecnica sobre ortografia e necessaria para a vida, nos, e todos os gramaticos que discordam sobre ela (e o desacordo permanece insoluvel), estarfamos necessariamente paralisados diante do que se deve escrever. [172] Mas nao paralisamos, nenhum de nos e nenhum deles. Ao contrario, todos alcancamos nosso proposito sem desacordos, precisamente porque de fato nao e a ortografia que conta, mas uma pratica (tribe) mais geral e unanime, segundo a qual, todos, gramaticos e nao gramaticos, usam as letras que necessariamente devem ser usadas para informar (menusis) a palavra, e somos indiferentes as que nao sao necessarias. Conclui-se, portanto, nao ser necessaria a orientacao ortografica dos gramaticos.

[173] Essa refutacao teve por base a questao do desacordo. Ja a que se configura com base nos resultados e bastante obvia. Pois nao nos causa qualquer prejuizo escrevermos o caso dativo com i (iota) ou sem [iota] (iota), ou grafar smilion ('faca') e Smyrna ('Esmirna') com [zeta] (zeta) ou com a (sigma), e, com relacao ao nome Aristion, se o a (sigma) pertence a sflaba anterior, ou se o colocamos com a seguinte.

[174] Contudo, se smilion ('faca'), por ser escrito com [zeta] (zeta) e nao com a (sigma), deixa de ser o que e e se torna drepanon ('foice'); se o nome Aristion ('aquele que desjejua'), por ser separado de uma forma e nao de outra, se tornasse, como diria algum engracadinho, Deipnion ('aquele que janta'), se fosse esse o caso, conviria nao sermos indiferentes. Porem, se, independente da grafia, smilion ('faca') e smilion ('faca'), com [zeta] (zeta) ou com [sigma] (sigma), e Aristion sempre Aristion, colocando-se o [sigma] (sigma) com a sflaba anterior ou com a seguinte, que utilidade tem a interminavel lenga-lenga va dos gramaticos sobre essas coisas?

[175] Sobre ortografia, foram abordados os pontos principais. Para completar o ataque a parte tecnica, veremos se possuem, ou nao, um metodo consistente para a correcao.

Se existe uma arte da correcao (hellenismos)

[176] (10) Que e preciso, com alguma parcimonia, cuidar da pureza do idioma que se fala (11) e, de imediato, obvio, pois aquele que comete a todo momento barbarismos ou solecismos e menosprezado como ignorante. Por outro lado, quem fala grego corretamente e capaz de expressar com clareza e precisao o que pensa sobre as coisas. No entanto, ha dois tipos de correcao: um esta desligado de nosso uso comum e parece proceder da analogia gramatical; o outro se adequa ao uso dos gregos, tendo origem na imitacao (paraplasmos) e observacao da fala cotidiana. (12)

[177] Assim, quem, a partir do nominativo Zeus ('Zeus'), forma os casos oblfquos como: Zeos, Zei, Zea, se adequou ao primeiro tipo de correcao. Ja o que diz simplesmente: Zenos, Zeni e Zena, esta usando a lingua de acordo com o segundo tipo, com o qual estamos mais acostumados. Ou seja, ha dois tipos de correcao e consideramos que o segundo tipo seja util, pelas razoes antes mencionadas, mas o primeiro, ao contrario, e inutil, pelas razoes que serao apresentadas a seguir.

[178] De fato, quando se utiliza uma moeda local em uma determinada cidade, de acordo com o costume, aquele que segue esse uso esta apto a fazer seus negocios nesse local sem empecilhos. No entanto, aquele que nao admite isso e, cunhando para si mesmo uma moeda nova diferente, pretende utiliza-la, sera apontado como louco. O mesmo acontece com aquele que nao deseja seguir na vida a maneira de falar que e comumente admitida, como uma moeda estabelecida, mas pretende talhar uma lingua particular para si mesmo: esta perto da loucura.

[179] Por isso, se os gramaticos tomam para si o encargo de transmitir uma certa arte a que chamam analogia, pela qual estariamos obrigados a falar de acordo com aquele tipo de correcao, devemos entao demonstrar que tal arte e inconsistente, e os que desejam expressar-se de maneira correta devem dedicar-se a observacao simples e nao tecnica da lingua viva (ho bios) e do uso comum de muitos.

[180] Assim, se existe uma arte da correcao, ou ela tem principios sobre os quais se fundamenta, ou nao os tem. Os gramaticos nao diriam que nao os tem, pois toda arte deve estar fundamentada sobre algum principio. Entao, se os tem, sao principios tecnicos ou nao tecnicos. Se sao tecnicos, fundamentam-se, sempre, ou em si mesmos, ou em outra arte, que, por sua vez, fundamenta-se numa terceira, esta terceira numa quarta, e assim por diante ad infinitum, de forma que, se nao ha principio para a arte da correcao, tampouco ela existe como arte. [181] Se se considera que os principios sao nao tecnicos, nenhum outro sera encontrado a nao ser o uso. Logo, o uso e o criterio para o que e correto e o que e incorreto em grego (anelleniston), e nao uma outra arte da correcao.

[182] Alem disso, dentre as artes, algumas sao realmente artes, como a escultura e pintura, e outras apenas se proclamam como tais, mas nao sao artes totalmente e de verdade, como a astrologia caldeia, e a profecia sacrifical. Para verificarmos de qual tipo e a chamada arte da correcao, se promessa apenas ou uma capacidade de fato, terfamos que ter um criterio para a avaliacao. [183] E assim, de novo, esse criterio ou seria tecnico (e relativo a correcao do grego, ja que teria sido estabelecido para avaliar se esta arte, que julga a correcao do grego, julga apropriadamente), ou seria nao tecnico. Mas nao poderia haver um criterio tecnico relativo a correcao, por causa do que foi dito antes sobre o regresso ao infinito. E se esse criterio for dito nao tecnico, nao se encontrara nenhum outro senao o uso. Logo, o uso julgara tambem a propria arte da correcao, e nao havera necessidade de uma arte.

[184] Assim, se de fato nao ha outro modo de falar grego corretamente a nao ser aprendermos o grego correto junto a gramatica, entao, ou isso e algo evidente, que se ve por si mesmo, ou e nao-evidente (adeloteron). Mas nao e evidente, ou haveria acordo unanime, como ha acerca de todas as outras coisas evidentes. [185] Alem disso, nenhuma arte e necessaria para a apreensao do que e evidente, tal como nao e necessaria para ver o branco, provar um gosto doce, ou sentir calor. E, segundo os gramaticos, para falar grego corretamente, metodo e arte sao necessarios. Logo, falar grego corretamente nao e algo evidente.

[186] E se for uma coisa nao-evidente, e o nao-evidente se conhece a partir de alguma outra coisa, seria preciso seguir algum criterio natural, com o qual se distingue o que e correto e o que e incorreto. E empregar ou o uso de uma unica pessoa que fale o grego de forma sumamente correta, para apreende-lo, ou o uso de todos.

[187] Mas nao temos um criterio natural com o qual podemos distinguir o que e correto em grego e o que nao e: porque para os atenienses dizer to tarikhos ('carne seca'), no neutro, esta correto, e os peloponesios tem certeza que o correto e ho tarikhos, no masculino; e um diz he stamnos ('jarro'), no feminino, o outro ho stamnos, no masculino. De forma que o gramatico nao tem nenhum criterio por si mesmo confiavel para o que deve ser dito de uma forma e nao de outra--a nao ser o uso de cada um, o que nao e tecnico nem natural. (13)

[188] E, se disserem que se deve seguir o uso de uma Unica pessoa, ou isso e uma mera assercao, ou precisam apresentar provas metodicas. Mas, se dizem ser uma assercao, contrapomos a assercao de que se deve seguir de preferencia o uso de muitos a um so. Se apresentarem metodicamente as provas de que tal sujeito fala grego corretamente, serao obrigados a chamar de criterio para a correcao nao o sujeito, mas o metodo pelo qual demonstraram que ele fala grego corretamente. [189] Faltou entao considerar o uso de todos. Se for isso, nao e a analogia que e necessaria, mas a observacao de como muitos falam, do que admitem como grego correto ou evitam como incorreto.

A correcao do grego se da por natureza ou por convencao. Mas nao e por natureza, porque se fosse, jamais aconteceria de uma mesma coisa parecer correta para alguns e incorreta para outros. [190] E se fosse por convencao e lei dos homens, aquele que tem mais pratica e esta mais habituado ao uso e que fala corretamente, e nao o que domina a analogia.

Alem disso, podemos demonstrar tambem de outra forma que nos nao precisamos da gramatica para falar grego corretamente. [191] Pois, nas conversas cotidianas, ou muitos irao se opor a nos no uso de algumas expressoes (lekseis), ou nao havera oposicao. E, se se opoem, irao, ao mesmo tempo, nos corrigir. De forma que, falar grego corretamente depende do que se aponta a partir da lingua viva e nao da gramatica.

[192] E se os outros nao se incomodam, mas se mostram familiarizados com o que estamos dizendo, como estando claro e correto, tambem nos iremos perseverar neste uso. E, ou todos (pantes) falam de acordo com a analogia, ou a maior parte (pleistoi), ou muitos (polloi): mas nem todos, nem a maior parte, nem muitos--porque dificilmente se encontram duas ou tres pessoas que o facam, e a maior parte sequer conhece a analogia.

[193] Pois bem, ja que e o uso de muitos, e nao de duas pessoas, que e necessario seguir, deve ser dito que a observacao do uso comum e necessaria para falar grego corretamente, mas nao a analogia. E, como em praticamente tudo na vida que e util, e criterio (metron) suficiente nao se complicar para alcancar as coisas necessarias.

[194] Assim, se a correcao foi aceita principalmente por causa de duas premissas: clareza e conformidade (proseneia) das expressoes (ja que falar (phrazein) metaforicamente, enfaticamente, ou de acordo com outras figuras (tropoi), foi algo agregado de fora e acessoriamente), (14) vamos investigar atraves de qual das correcoes mais provavelmente se alcancam essas qualidades: a que segue o uso comum ou a analogia, e iremos entao tomar seu partido.

[195] Percebe-se, contudo, que de fato mais vale o uso comum que a analogia. Logo, deve-se usar aquele, mas nao esta. Pois, do nominativo Zeus ('Zeus'), formar os casos obKquos Zenos, Zeni, e Zena; e, de kuon ('cao'), formar kunos, kuni e kuna, parece nao somente claro, mas tambem sem objecoes para muitos, e e proprio do uso comum. Mas, de Zeus dizer Zeos, Zei e Zea; e, de kuon, dizer kuonos, kuoni, kuona; ou, a partir do genitivo kunos, considerar que o nominativo e kus; ou nas formas verbais dizer phereso e blepeso, (15) por analogia a kueso ('engravidar') e theleso ('querer'), nao somente nao e claro, como tambem parece ser motivo de riso e mesmo de ofensa. E isso resulta da analogia. [196] Portanto, como disse, nao e esta que se deve usar, mas o uso comum.

E pode ser que acabem mesmo por refutarem-se a si mesmos, pois, querendo ou nao, e obrigatorio seguir o uso e deixar de lado a analogia. Vamos, entao, examinar o que eles dizem a partir disto, ou seja, a partir da consequencia para eles proprios.

[197] Pois, perguntados se se deve dizer khrestai ou khrasthai ('servir-se de'), dirao que e khrasthai; e, quando se pede uma prova disso, dizem que khresis ('uso') e ktesis ('aquisicao') sao analogos. Portanto, ja que se diz ktasthai ('adquirir'), mas nao ktesthai, assim tambem deveremos dizer khrasthai, e, de forma alguma, khresthai. [198] Mas se continuamos a investigar e perguntamos: 'como sabemos que a forma ktasthai, a partir da qual indicamos krasthai, esta correta?'--respondem que e porque e de uso comum. E, ao dizer isso, confirmam que e preciso se ater ao uso como criterio, e nao a analogia. [199] Pois, se se deve dizer khrasthai porque no uso comum se diz ktasthai, entao, vamos ter que deixar de lado a arte da analogia e retomar o uso comum, do qual tambem ela depende. De fato, a analogia e a comparacao de muitas palavras (onomata) similares, e tais palavras sao tiradas do uso. Portanto, tambem a consistencia da analogia procede do uso.

[200] Pois bem, ja que essas coisas sao dessa forma, devemos confronta-los com o seguinte: ou voces aceitam o uso como confiavel para distinguir o grego correto, ou o rejeitam. Se o admitem, a presente questao resolve-se por si mesma e nao ha necessidade da analogia. Se o rejeitam, visto que a analogia baseia-se propriamente nele, rejeitam tambem a analogia. E e absurdo aceitar uma mesma coisa como confiavel e rechaca-la como nao confiavel. [201] Porem os gramaticos, por quererem rejeitar o uso como nao confiavel, e, ainda assim, admitir esse mesmo uso como confiavel, acabam por fazer com que uma mesma coisa seja confiavel e nao-confiavel ao mesmo tempo. O fato e que introduzem a analogia para mostrar que nao se deve falar segundo o uso, mas a analogia nao tem validade se nao tiver a confirmacao do uso comum. [202] Logo, ao rejeitarem o uso atraves do uso, acabam por fazer com que seja confiavel e nao-confiavel ao mesmo tempo.

A menos que digam isso nao para rejeitar o uso comum ao mesmo tempo que o admitem, mas porque rejeitam um tipo e admitem outro. Isso e o que dizem os discipulos de Pindario. "Todos concordam"--dizem eles--"que a analogia provem do uso, pois e uma teoria acerca do que e similar e do que e diferente, [203] e similar e diferente sao ambos tomados do uso consagrado: e o que e consagrado, e tambem o mais antigo, e a poesia homerica. Nenhum poema mais antigo que a poesia de Homero chegou ate nos"- vamos entao conversar seguindo o uso de Homero! (16)

[204] Mas o fato e que, primeiro, nem todos estao de acordo sobre Homero ser o poeta mais antigo: alguns dizem que Hesiodo e anterior, tambem Lino e Orfeu, e muitissimos outros. Na verdade, e sim plausivel que houvesse poetas antes dele, ou contemporaneos, ja que ele mesmo diz, em algum lugar: 'pois entre o povo recebem mais altos louvores os cantos/que para o ouvinte mais novos Ihe soam'. [Odisseia I. 351-2 Trad. Carlos Alberto Nunes] Mas o brilho de Homero deixou esses poetas na obscuridade. [205] E, mesmo que se concorde ser Homero o mais antigo, ainda assim, nada razoavel foi dito por Pindario. Pois, assim como estavamos em duvida antes sobre (17) ser preciso seguir o uso ou a analogia, agora tambem iremos questionar se e o uso ou a analogia e, se for o uso, se e conforme Homero ou conforme o resto das pessoas--sobre isso, Pindario nada disse.

[206] E, em segundo lugar, e preciso, sobretudo, seguir o uso que nao nos torne motivo de risada. Mas, se fossemos seguir o uso homerico, estariamos usando um tal grego que cairiam na risada quando nos safssemos com coisas como marturoi ('testemunhas') e sparta leluntai ('as cordas estao soltas'), ou outras ainda mais estranhas. Logo, tampouco esse argumento e apropriado, alem de que confirma a proposicao que estavamos tentando estabelecer, ou seja, de que nao ha por que servir-se da analogia. [207] Pois qual a diferenca entre seguir o uso da maioria e o uso de Homero? Para seguir o uso da maioria e necessario observacao, e nao analogia tecnica, e e a mesma coisa quando se trata do uso de Homero. Pois irfamos moldar nossa fala a partir da observacao de seu modo usual de se expressar.

[208] Em suma, assim como o proprio Homero nao utiliza analogia, mas segue o uso comum das pessoas de seu tempo, tambem nos nao iremos prestar atencao a analogia, nunca, embora tenha (18) Homero como suporte, mas nos moldaremos (paraplasso) ao uso dos homens de nosso tempo.

[209] Assim, acabamos de concluir, a partir das consequencias de seus argumentos, que, para falar grego corretamente, a analogia e dispensavel, e a observacao do uso comum e que e bastante util. Provavelmente isso tambem ficara evidente (19) a partir do que afirmam.

[210] Pois, quando definem barbarismo e solecismo, afirmam que: 'barbarismo e o desvio (paraptosis) do uso comum em uma palavra apenas'; e 'solecismo e o desvio do uso, e da coerencia, em toda a construcao (suntaksis).' [211] Contra isso, podemos logo dizer: mas se o barbarismo ocorre em uma palavra apenas e o solecismo na combinacao (suntaksis) das palavras, e, como ficou demonstrado acima, nao existe nem palavra sozinha, tampouco a combinacao delas, barbarismo e solecismo nao sao nada.

[212] Ainda, se se concebe o barbarismo em uma unica palavra, e o solecismo na combinacao das palavras, mas nao em relacao as coisas subjacentes (ta hupokeimena pragmata), entao, que erro haveria em dizer 'ele' indicando uma mulher; ou 'ela', quando indico um jovem? Pois nao cometi solecismo, ja que nao foi pronunciada uma combinacao incoerente de muitas palavras, mas tao somente a palavra 'ele', ou 'ela'.

[213] E tampouco cometi um barbarismo, pois a palavra 'ele' nao desvia do uso, como ocorre com as formas eleluthan (*'foram') e apeleluthan (*'afastaram-se'), (20) que sao usadas pelos alexandrinos.

Seria possfvel apontar contra os gramaticos ainda muitos outros argumentos como esses. [214] No entanto, para nao parecer que somos em tudo aporeticos, voltaremos a proposta do principio e diremos que: se o barbarismo e um desvio do uso comum, observavel em uma so palavra, bem como solecismo e o que se diz subsistir em muitas palavras; e e barbarismo dizer *trapeza, (21) porque nao se usa esse verbo (rema), e e solecismo o polla peripatesas kopiai mou ta skele ('tendo andado muito minhas pernas doem'), (22) porque nao se diz no uso comum; entao consente-se que 'arte da analogia' e um nome vazio, e que para nao cometermos barbarismos ou solecismos e preciso observar, e adequar-se no falar, ao uso comum.

[215] Se mudassem de estrategia, e dissessem que o barbarismo e simplesmente 'o desvio em uma palavra apenas', sem acrescentar que e 'contra o uso comum"; e solecismo 'o desvio da coerencia em toda a construcao', mas sem mencionar que e um 'desvio do uso', estariam numa posicao ainda pior. Pois as seguintes frases contem desvios em sua construcao: 'Atenas [pl.] e uma cidade bonita [sg.]', 'Orestes [masc.] e uma bela tragedia [fem.]', 'Os 600 [masc. pl.] e a assembleia [fem. sg.] da cidade'; e sera preciso afirmar que sao solecismos, quando na verdade nao sao, porque sao usuais. [216] Portanto, nao se julga o solecismo apenas pela coerencia, mas pelo uso.

Depois da objecao com base nas consequencias de seus argumentos contra si mesmos e em suas proprias afirmacoes, seria interessante tambem constrange-los usando o argumento da transicao por similaridade (kata to homoion metabasis).

[217] Porque, se de fato eles se posicionaram como teoricos da analogia, dar um chute na canela (antiknemios) e analogo a dar um chute no nariz (rina) ou no estomago (gaster), e como o primeiro e dito antiknemiazein (*canelar), por analogia seriam: gastrizein (*barrigar) e mukterizein (*narigar). O mesmo dase com hippazesthai ('cavalgar') e katakremnizesthai ('atirar-se de um precipfcio') e heliazesthai ('aquecer-se ao sol'). Mas nao falamos desse jeito porque seria contra o uso comum. Da mesma forma, nem lueso, (23) nem fereso, (24) e todas as outras que se adequam a analogia nao sao ditas devidamente, porque nao sao ditas de acordo com o uso comum.

[218] Na verdade, se afirmamos que fala tracio muito bem aquele que fala conforme e usual entre os tracios; e que fala o mais belo latim, quem se expressa como e habitual entre os romanos; consequentemente, fala grego com propriedade aquele que fala como e usual entre os gregos: seguindo o uso, portanto, e nao a regra. Assim sendo, por seguirmos o uso, e nao a analogia, e que falamos grego corretamente.

[219] E, em geral, a analogia ou concorda com o uso, ou discorda dele. E, se concorda, em primeiro lugar, visto que o uso nao e algo tecnico, tampouco a analogia viria a ser uma arte, pois o que concorda com o nao tecnico, sera ele mesmo, sempre, nao tecnico. E, em segundo lugar, se o que e grego correto conforme o uso comum e correto conforme a analogia, ja que ela concorda com o uso, entao, o que esta de acordo com o uso sera correto. [220] E, ja que as coisas sao assim, nao havera necessidade de recorrer a analogia para avaliar a correcao: temos para isso o uso. E se a analogia discorda do uso, introduzindo um uso totalmente diferente--como um barbarismo, por assim dizer--caira em descredito, e, geradora de obstaculos, torna-se completamente inutil.

[221] Devemos argumentar tambem com base na consistencia de sua arte. Pois, tendo reunido alguns teoremas universais, pretendem usa-los para julgar se cada palavra em particular esta correta ou nao. E nao podem fazer isso porque sua regra universal nao foi aceita como tal, e tampouco preservaria uma natureza universal se aplicada diferentemente.

[222] Tomemos, com relacao a isso, alguns exemplos dos proprios gramaticos. Supondo que ha uma questao acerca de uma palavra em particular, por exemplo, sobre se eumenes ('favoravel') pronuncia-se, no caso oblfquo, sem o -c (sigma): eumenou, ou com o -c (sigma): eumenous: os gramaticos aparecem proclamando uma regra universal com a qual pretendem dar por encerrada a questao. Afirmam eles que: "todo nome nao (25) -simples, que termina em -nc (eta sigma) e e oxftono, sera necessariamente pronunciado no genitivo com -c (sigma), por exemplo, euphues ('gracioso'): euphuous, eusebes ('pio'): eusebous, euklees ('famoso'): eukleous. Por isso, ja que tambem eumenes e acentuado na ultima silaba como os outros, a exemplo destes devera ser pronunciado com o -c (sigma): eumenous."

[223] Contudo, nao perceberam, esses homens admiraveis, que, em primeiro lugar, a pessoa que julga adequado dizer eumenou nao concede universalidade a sua regra: eumenes, dira, mesmo sendo um nome nao (26) -simples e oxftono, nao se pronuncia com o -c (sigma). Todavia, os gramaticos se apressam em dar por resolvido o que se esta questionando.

[224] E, em segundo lugar, se a regra e universal, tera sido proposta apos percorrerem todas as palavras em particular e perceberem a analogia entre todas elas, ou entao foi proposta sem que tenham percorrido todas as palavras. Porem, nao haveriam de ter percorrido todas as palavras, pois sao infinitas, e nao ha conhecimento do infinito. E, se percorreram somente algumas delas, como poderiam saber que todo nome e do modo como dizem? Pois nao e verdade que o atributo de alguns nomes seja atributo de todos.

[225] Mas ha os que se opoem a isso de maneira ridfcula, argumentando que uma regra universal e estabelecida a partir da maioria dos casos. Nao teriam enxergado, que, em primeiro lugar, uma coisa e o universal, e outra completamente diferente a 'grande parte' dos casos: o universal jamais se revela falso, mas, o que vale (27) para a 'grande parte', eventualmente sim.

[226] E, em segundo lugar, mesmo que o universal proceda de muitos casos, aquilo que e atributo de muitas palavras, nao e sempre e necessariamente tambem atributo de todas as outras do mesmo tipo. Mas, exatamente como em muitos outros dominios, a natureza as vezes dispoe tipos unicos--como a vibora cornuda, entre infinitas especies de serpentes; e o elefante com sua tromba, entre os quadrupedes; ou, entre os peixes, o tubarao, que e viviparo; e, entre as pedras, o ima, que atrai o ferro--assim, e razoavel existir, dentre muitas palavras que se declinam da mesma forma, uma que nao se declina como muitas. [227] Por isso, deixemos de lado a questao sobre a palavra ser ou nao analoga a muitas outras, e examinemos como o uso se serve dela, se de forma analoga as outras ou como um tipo particular, e, tal como for utilizada, assim nos iremos pronuncia-la.

[228] Cercados por todos os lados, os gramaticos desejam inverter a aporia em seu favor. Assim, dizem que os usos sao muitos: um proprio dos atenienses, outro dos lacedemonios; e, entre os atenienses, novamente, o uso antigo difere do atual, que sofreu mudancas; tambem nao e o mesmo o uso daqueles que vivem no campo e o dos que residem na cidade, o que teria motivado a frase de Aristofanes, o comediografo:

Falando a lingua normal da cidade, sem efeminacoes cosmopolitas, ou grosserias provincianas. (28)

[229] Havendo muitos usos, eles se perguntam: "qual devemos seguir? Porque nao parece ser possivel nos adequarmos a todos, ja que, frequentemente, sao conflitantes; nem parece possivel seguir a um deles, a menos que tenha sido escolhido por meio da arte." Mas, primeiro, diriamos nos, perguntar qual uso se deve seguir e o mesmo que admitir que nao existe a arte da correcao. Porque esta, e me refiro a analogia, e a teoria acerca do similar e do diferente: voce toma o que e similar e o que e diferente do uso e, se for uma forma de uso corrente, voce a utiliza, se nao for, nao a utiliza. [230] Portanto, tambem nos queremos saber: de qual uso voce toma o similar e o diferente? Pois sao muitos os usos, alem de conflitantes com frequencia. E seja qual for a resposta que der a isso, tambem sera essa a resposta que ouvira de nos.

[231] E, assim, sempre que voce disser que barbarismo e "o desvio do uso comum em uma so palavra", iremos nos intrometer perguntando a qual dos muitos usos que existem voce se refere e, seja qual for sua resposta, diremos tambem nos que o seguimos.

[232] De forma que compartilhamos a aporia, mas soluciona-la, para nos, nao e aporetico. Pois existem entre os usos uns que sao proprios dos saberes, e outros da vida cotidiana. Por exemplo, alguns termos sao aceitos na filosofia e tambem na medicina de modo particular, e ainda na musica e na geometria; porem existe um uso simples, proprio da vida cotidiana das pessoas comuns (idiotai), que difere entre cidades e povos.

[233] Consequentemente, na filosofia, nos alinharemos ao uso dos filosofos, na medicina, nos adequamos ao jargao medico, e na lingua viva (ho bios), ao que seja mais usual, menos extravagante, e proprio do local onde estamos.

[234] Por isso, quando ha duas formas de dizer alguma coisa, tentaremos nos adaptar as pessoas presentes e dizer aquilo que nao provoque o riso, independente do que possa vir a ser a coisa por natureza. (29) Por exemplo, um mesmo objeto e chamado tanto artophorion ('porta-paes') como panarion ('cesta'); um outro, tanto skaphion ('penico') como hamis ('urinol'), e assim tambem igdis ('almofariz') e thuia ('pilao'). Nos, no entanto, nos alinharemos ao uso claro e adequado que nao seja motivo de riso para nossos empregados, nem para as pessoas comuns, e diremos panarion ('cesta'), ao inves de artophorion ('portapaes'), mesmo sendo barbarismo; e skaphion ('penico'), nao hamis ('urinol'); e diremos thuia ('pilao') de preferencia a igdis ('almofariz'). (30)

[235] Em um debate, novamente consideraremos os presentes e evitaremos palavras vulgares, seguindo um uso menos coloquial e mais culto. Pois, da mesma forma que o uso culto e motivo de risada entre as pessoas comuns, assim tambem a linguagem popular junto aos cultos. Portanto, se habilmente enderecarmos a cada ambiente a expressao apropriada (prepon), nosso grego soara correto e irrepreensivel.

[236] Alem disso, ja que reprovam o uso comum como anomalo e diverso, tambem nos iremos reprova-los com base no mesmo argumento. Pois, se a analogia e a comparacao do similar, e o similar provem do uso comum, e o uso comum e anomalo e instavel, necessariamente a analogia tambem nao tera regras fixas.

[237] E isso se verifica em nomes, verbos, particfpios e, de maneira geral, em todos os outros. Por exemplo, alguns nomes, mesmo sendo similares e analogos no caso nominativo, sao diferentes nos casos oblfquos e nao se declinam de forma analoga. Assim: Ares Khares [nom.]: Areos Kharetos [gen.]; Memnon Theon: Memnonos Theonos; Skopas Abas: Skopa Abantos. (31)

[238] No caso dos verbos, muitos tem a forma similar no presente e nao se conjugam de maneira analoga nos outros tempos. Por exemplo: heuriskei (descobrir) areskei (agradar): heureken arereken; enquanto a conjugacao de alguns e defectiva, e ha ektone (matar) mas nao *ektanke, e diz-se aleliptai (untar), e jamais *eleiptai. No caso dos particfpios, temos: boon (gritando) saron (limpando) noon: boontos sarountos noountos; e entre os nomes genericos: anaks (senhor) abaks (tabua): anaktos abakos; graus (velha) naus (barco): graos neos.

[239] E se passa exatamente assim em muitos outros casos parecidos: arkhon utiliza-se como nome de pessoa e tambem para designar 'o que governa' [partiripio substantivado], e no primeiro caso o genitivo e Arkhonos, mas o genitivo do participio e arkhontos. E, de modo similar: menon, theon, neon, que podem ser partiripios ['o que espera'; 'o que corre'; 'o que nada'] ou nomes proprios, possuindo diferentes declinacoes, pois o nome proprio tem genitivo em Menonos, enquanto o participio em menontos, e Theonos e o genitivo do nome proprio, mas theontos do participio. [240] Em todo caso, fica claro, a partir desses exemplos, que o uso e cheio de anomalias e por isso as regras da analogia nao podem ser fixas, pelo contrario, e necessario abandonar essas regras e ater-se as formas que aparecem no uso, sem se preocupar com o que e analogo.

Sobre etimologia

[241] Os mesmos argumentos devem ser contrapostos aos gramaticos quando querem decidir a correcao baseando-se na etimologia. (32) Pois, uma vez mais, ou a etimologia concorda com o uso, ou discorda dele. E, se concorda, e dispensavel; mas se discorda, nao deve ser utilizada, pois causa mais obstaculos que os proprios barbarismos ou solecismos.

De modo geral, cabem aqui as mesmas objecoes (antirreseis) anteriormente expostas. [242] E convem ainda apontar uma mais especifica: o nome (onoma) que for julgado correto por meio da etimologia, precisa em todos os casos ter palavras precedentes que sejam etimos, ou cessar em palavras que foram vocalizadas naturalmente. Mas, se procede em todos os casos de etimos, em um regresso ao infinito, a etimologia nao tera comeco, e nao saberemos se a palavra em questao e correta, porque desconhecemos qual e a situacao daquela primeira de que descende. [243] Para exemplificar: se lukhnos ('lampada') vem de luein to nukhos ('dissolver a escuridao'), teriamos que verificar se nukhos se diz a partir de uma expressao correta, e se esta ultima, de novo, de outra. Deste modo, a sequencia estendese ao infinito, e torna-se impossivel descobrir a palavra que foi pronunciada primeiro, assim e inapreensivel se lukhnos esta dito corretamente.

[244] E, se a etimologia da palavra cessar em palavras que nao sao etimos, do mesmo modo que essas sao admitidas nao porque se descobriu a etimologia, mas porque aparecem constantemente no uso, assim tambem acabaremos por admitir a palavra cuja correcao se quer julgar com a etimologia: sera admitida nao por causa da etimologia, mas por causa do uso. Por exemplo: proskephalaion ('travesseiro') vem de tei kephaleiprostithesthai ('colocar na cabeca'), mas tanto kephale ('cabeca'), quanto pros ('em'), que e uma preposicao, (33) diz-se nao serem etimos. (34) [245] Assim, visto que se aceitam tais palavras sem etimologia por causa de seu uso corrente, assim tambem proskephalaion sera aceita, independente de sua etimologia.

Alem disso, as vezes uma mesma coisa tem dois nomes, um deles suscetivel de etimologia o outro nao, mas isso nao faz com que o etimo seja grego correto e o outro seja barbaro, mas um e outro estao igualmente corretos. [246] Por exemplo, o que nos chamamos hupopodion ('banquinho para pes') os atenienses e habitantes de Cos chamam de khelonis ('tartaruga'): hupopodion [lit. 'embaixo dos pes'] existe como um etimo (35), mas nao khelonis; e nao e por isso que se diria dos atenienses que nao sabem falar grego, e que nos falamos o grego correto: pois todos falamos grego corretamente.

[247] Portanto, tal como se diz que falam corretamente nao por causa da etimologia, mas pelo uso mesmo, tambem nos usaremos o grego corretamente nao por nos fiarmos na credibilidade da etimologia, mas por utilizarmos palavras correntes no uso comum.

Com o que foi dito fica suficientemente comprovado que a parte tecnica da gramatica e insubsistente. (36) A seguir, passamos a parte 'historica'.

[Please note: Some non-Latin characters were omitted from this article.]

https://doi.org/ 10.14195/1984-249X_25_9

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Submetido em 08/08/2017 e aprovado para publicacao em 22/11/2017

Joseane Mara Prezotto (i)

http://orcid.org/0000-0001-7833-2425

joseane.prezotto@gmail.com

(i) Universidade Federal do Ceara--Fortaleza--CE--Brasil

(1) Sobre a vida de Sexto Empirico nao sabemos praticamente nada. Teria vivido em um periodo entre o fim do seculo I d.C. e inlcio do III d.C.

(2) Este artigo deriva de tese de doutorado financiada com recursos CAPES/REUNI e CAPES/PDSE (0862-12-6). O leitor podera encontrar a traducao anotada das demais passagens em outras publicacoes de nossa autoria (ex.: Prezotto, 2017 e Prezotto, 2018). Encontra-se disponlvel tambem a traducao integral comentada (a partir de edicao diferente da que utilizamos) de Brito & Huguenin (2015a) e, dos mesmos autores, uma traducao parcial (Brito & Huguenin, 2015b) que compreende trecho semelhante ao apresentado aqui.

(3) A oposicao as tekhnai mais celebre na antiguidade teria sido a dos epicuristas. Segundo Blank (1998, p. xxx), esta atestada a existencia de vinte e dois tratados epicuristas contra as disciplinas. Destes, possuimos grande quantidade de fragmentos provenientes de tres tratados de Filodemo: Sobre a Retorica, Sobre a Musica e Sobre Poemas. E comum aos tres uma discussao sobre esses estudos serem ou nao tekhnai, ou seja, sobre possuirem ou nao um corpo de regras gerais, aplicaveis de modo fixo a casos particulares. A conclusao, no entanto, e a de que uma disciplina somente e util para a sabedoria ou 'felicidade' se for conduzida e utilizada pela filosofia. A filosofia (ou phusiologia) e o unico estudo, para os epicuristas, capaz de promover a tranquilidade da alma, ja o estudo de pormenores 'tecnicos' resulta apenas em trabalho, preocupacao e perturbacao. A partir das proprias indicacoes de Sexto, neste tratado e em M 6. 4-5, uma polemica epicurista (dogmatica) e a que visa demonstrar que uma arte ou estudo nao e util, mas prejudicial; enquanto a refutacao cetica e aporetica pretende destruir a disciplina pelo ataque a sua estrutura racional. De forma que os argumentos de vies epicurista seriam aqueles que comecam com declaracoes ou apologias feitas em nome da suposta arte e/ou aqueles que concluem que ela e inutil ou nao e, de fato, uma tekhne. Os argumentos ceticos, por sua vez, ocupar-se-iam de definicoes, teoremas e hipoteses, demonstrando que sao incoerentes ou insubsistentes.

(4) A nocao de 'utilidade', ausente desde o [section] 56, aparece onze vezes nesta secao sobre ortografia e helenismo.

(5) Blank, 1998, ad loc.: "possivelmente devessemos ler xaAivouc ('freios', 'redeas': Iliada 19. 393) e [phrase omitted] ('dores do parto': Iliada 11. 271)."

(6) Nao se pronunciava mais o iota subscrito desde ao menos a segunda metade do sec. II a.C. A grafia do /i/ longo como ei difundiu-se a partir do seculo I a.C. Em geral, os tratados ortograficos versavam sobre distincoes que ja haviam se perdido na lingua falada.

(7) Assim como a quantidade discute 'quantas letras', qualidade versa sobre 'quais letras'.

(8) Mantemos as ocorrencias em italico na traducao, como um artificio para lembrarmo-nos de que o termo esta relacionado a tekhne. A parte tecnica da gramatica tratou de elementos que, em algum momento da tradicao, passam a ser os elementos centrais, senao unicos, dos tratados gramaticais: letras, partes da sentenca, ortografia, helenismo. A traducao 'exposicao tecnica' verte o termo tekhnologia indicando a habilidade pratica envolvida na disposicao desses conteudos, que se aproxima da confeccao de manuais tecnicos. Sexto, no entanto, reiteradamente afirma que o estudo tecnico estava necessariamente integrado a gramatica completa: "[94] ... a parte tecnica, a 'historica' e a que trata de poetas e escritores, isto e, as partes da gramatica, sao muito conectadas e entrelacadas umas as outras. [95] Pois a analise dos poetas nao acontece sem as partes tecnica e 'historica'; e cada uma delas foi constituida em conexao com as outras." Por outro lado, costuma-se localizar por volta do seculo I a.C. o inlcio do processo de restricao do conceito de gramatica ao tratamento tecnico da lingua. Processo que culminara, seculos mais tarde, com o surgimento da gramatica como disciplina independente, ou seja, a area que conhecemos por 'gramatica tradicional'.

(9) Esta organizacao lembra o De Lingua Latina de Varrao: primeiro, os argumentos a favor e contra a 'disciplina' em questao, depois a analise de seus resultados.

(10) Optamos por traduzir hellenismos ('helenismo') no titulo por 'correcao', que assume os diferentes vieses que o termo grego teria, menos referir-se especificamente a(s) lingua(s) grega(s). Junto com a ortografia, a correcao foi a parte da gramatica antiga mais afim ao carater normativo ou prescritivo. Dos relatos antigos podem ser apontadas, em geral, duas tarefas principais da correcao: correspondencia entre a forma da palavra e o que ela nomeia no mundo e restauracao da forma 'original' das palavras. Para guiar essas tarefas, alguns criterios sao constantes: comparacao com outras palavras (analogia), etimologia e adequacao ao uso comum ou 'exemplar' (tradicao literaria: a partir da autoridade dos grandes escritores). A producao de tratados nessa area provavelmente foi consideravel, contudo, restam-nos apenas fragmentos. Acerca do helenismo, as unicas contribuicoes que possuimos completas sao passagens em obras com assuntos mais gerais: esta passagem de Sexto, Quintiliano I. 6, e uma passagem do Sch. DThr. (446.6-447.28)--em que sao tratadas, em relacao a forma da palavra, questoes de ortografia, prosodia (quantidade, aspiracao e acentos), fonetica, flexao, distribuicao dialetal e derivacao; e, sobre o significado, mudancas no tempo e parassinonimos. Em sua Retorica (1407a19-20), Aristoteles diz que o helenismo e o prinripio da 'expressao' (leksis) e aponta sua virtude (1404b1-2): clareza. Seu pupilo Teofrasto teria distinguido o helenismo como uma das quatro virtudes: helenismo, clareza, propriedade e ornamento. A mais antiga definicao de 'helenismo' e a do estoico Diogenes da Babilonia, que lista as cinco 'virtudes do discurso' como: 'helenismo', clareza, concisao, propriedade e ornamento; definindo 'helenismo' como: 'fraseado sem erro de acordo com [um uso] tecnico e nao algum uso aleatorio'. Tal 'uso tecnico', que nao esta definido em parte alguma do sistema estoico, provavelmente referir-se-ia a criterios tais como os que apontamos e talvez marque a posicao estoica em defesa da necessidade da 'correcao' tecnica; ver Frede, 1987, p. 310ss. Por outro lado, parece que os estoicos atribuiram grande importancia ao uso comum na determinacao da correcao; ver Pagani, 2014, p. 360.

(11) A expressao de Sexto e tas dialektous que, a par de significar os 'dialetos' do grego, tambem pode significar 'lmguas', em geral (cf. Arist. Rh. 3.2 1404b24).

(12) Sexto da imunidade a correcao com base na observacao nao-tecnica do uso comum, ou seja, o criterio pratico. E descreve como seu oposto, como procedimentos tecnicos, os criterios da analogia, da etimologia e da autoridade. Em Quintiliano (I. 6. 1), os criterios sao: razao, antiquidade, autoridade e uso--ao ultimo, Quintiliano denomina 'um mestre confiavel'.

(13) Cf. discussao sobre feminino, masculino e neutro por natureza em [section] 143-154.

(14) Provavelmente esses elementos dizem respeito ao que era do domlnio da retorica. Phrazein aparece somente aqui.

(15) Os futuros irregulares correspondentes deveriam ser: fero.oiso ('trazer'); blepo.blepsomai ('ver').

(16) Tal como apontou Dalimier (2002, ad loc.), esta frase e provavelmente uma conclusao ironica de Sexto, ou de sua fonte, e nao parte da citacao de Pindario, ja que Sexto afirma em [section] 206 que Pindario nao disse nada sobre qual uso deveriamos seguir. Alem disso, como afirmou Blank (1998, p. 228), Pindario parece ter proposto a poesia homerica como corpus de referenda para o trabalho do gramatico, o que faz muito mais sentido (mesmo para um gramatico) que a proposta de 'reviver' o grego homerico como lingua falada.

(17) Blank, 1998, ad loc. [phrase omitted].

(18) Blank, 1998, ad loc.: com Blomqvist, 1968, p. 79ss. [phrase omitted].

(19) Blank, 1998, ad loc.: com Bekker, <[phrase omitted]>.

(20) No atico, as terminacoes seriam em -thasi.

(21) Os editores costumam corrigir o [phrase omitted] ('trapeza') dos MSS por ipaneaa ('trapesa'), pois aquela nao e uma forma verbal. Contudo, tampouco essa sugestao parece resolver a questao, pois, alem de nao estar atestada, e bastante improvavel que fosse uma variante ou erro de qualquer forma de aoristo do verbo ipenM, cf. Blank, 1998, p. 238. A tradutora francesa sugere a possibilidade de ser um desvio relacionado ao verbo *trapezao, derivado do nome trapeza ('mesa'). O verbo trapezoo ('por sobre a mesa', 'fazer uma oferenda') esta atestado, cf. Dalimier, 2002, ad loc.

(22) O participio esta mal empregado na frase grega: concorda com o sujeito logico ('eu'), e nao com o sujeito gramatical ou com o genitivo possessivo. Casos semelhantes a estes e aos da secao seguinte sao tratados como peculiaridades sintaticas sob o nome de idiomata ou skhemata (lit. 'poses'), ou seja, figuras, divididas em gramaticais e retoricas, na tradicao retorica, por exemplo, por Quintiliano, Inst. 9.1.14, cf. Lausberg, 1998, p. 233 ss.

(23) [phrase omitted] (kueso) seria uma forma correta, usada mesmo como paradigma no [section] 195.

(24) Formas de futuro inexistentes, ver acima [section] 195.

(25) <[phrase omitted]> Blank, 1998, ad loc.

(26) <[phrase omitted]> Blank, 1998, ad loc.

(27) Blank, 1998, ad loc.: com Blomqvist, 1968, p. 80, nao insercao de <em>.

(28) Frag. 685 Kock = 706 Kassel-Austin.

(29) Ver [section] 49 e 55 (cf. Prezotto, 2018), a gramatica completa investiga a natureza de seus objetos.

(30) Blank, 1998, ad loc.: modificacoes--[phrase omitted].

(31) Blank, 1998, p. 236-40: [phrase omitted].

(32) Etimologia nao deve, convem enfatizar, ser tomada em seu sentido moderno. A etimologia grega foi descrita no Sch. DThr. (ver GG I III p. 14-15, 20-29, 169) como uma 'abertura' (anaptuksis) da palavra que desvenda o 'verdadeiro'. Os exemplos em [section] 243 e 244 deixam entrever o abismo. A etimologia, tal como Sexto a apresenta aqui, teria sido considerada um dos modos de autenticar vocabulos como legitimas expressoes do grego correto, atraves da prova de sua ligacao 'verdadeira' com a coisa nomeada. A autenticidade do vocabulo e explicitada frequentemente na descoberta de um sintagma que, contendo elementos sonoros ou graficos semelhantes, expressa, no entanto, o conteudo conceitual relacionado a palavra, portanto, tal sintagma 'explicaria', 'desvendaria' a palavra. Tal explicacao contem, frequentemente, um verbo que desenvolve a relacao. Ver a diferenca com a 'palavra pronunciada espontaneamente', i.e., sem ligacao 'atestada' com a coisa que nomeia. A etimologia parece ter sido usada nao so como um argumento de autoridade, vinculado a erudicao, mas tambem como um processo de aquisicao e memorizacao de vocabulario e, assim, de conhecimento. Por seu papel na aquisicao de conhecimento e que foi topico de discussoes filosoficas. Por outro lado, e preciso ter em mente que conferir um determinado conteudo para os nomes envolve necessariamente uma interpretacao de sua relacao com o que ele nomeia e revela, portanto, uma visao de mundo. Assim, entao, a etimologia parece conter o pressuposto de uma ligacao nao-aleatoria entre nome e coisa, alias, uma ligacao em que o nome e como um pressagio da verdadeira natureza da coisa, um pressagio ligado a sabedoria dos primeiros homens e a natureza do real, demandando interpretacao e provendo revelacao. Contudo, o criterio de admissao das modificacoes e associacoes possiveis, para alem de ser aparentemente obrigatorio guardar alguma semelhanca fonetica, parece ser apenas a relacao entre a criatividade do interprete e o gosto de seu publico. Ver a discussao da origem da linguagem no Cratilo de Platao em que os exemplos de etimologia antiga abundam e sao alvos da ironia socratica. Os estoicos, no entanto, parecem ter compreendido que Platao defendia a etimologia. A etimologia parece ter sido vista como uma importante ferramenta da investigacao filosofica pelos estoicos e foi mesmo considerada caracteristica desta escola (cf. Cicero ND III 62ss, De off. I 23). Crisipo (SVF ii.896), por exemplo, teria derivado kardia ('coracao') de kratesis ('poder') e kuria ('autoridade'), assim, o 'coracao', compreendido como 'sede da parte dominante da alma', teria sido nomeado a partir daquelas duas palavras. De modo que a etimologia teria revelado um 'fato' a partir da 'reversao' do processo de formacao (corrupcao) da linguagem. Havia mesmo uma tentativa de colocar em paralelo processos de formacao de conceitos e formacao de palavras como analogos. Ver Tieleman, 1996, p. 196 ss. Na argumentacao de Sexto, percebe-se uma tensao entre as palavras cuja etimologia se descobre e as que foram naturalmente (phusikos) pronunciadas: para os estoicos, as primeiras palavras estariam todas naturalmente adequadas ao que nomeiam, elas seriam assim 'corretas por natureza'--lembrando que existe, nesse estagio primordial, aquele que sabiamente nomeia as coisas conforme a sua natureza. Mas, para os estoicos, a 'correcao' esta relacionada a, digamos, harmonia do mundo, e nao confinada ao padrao do helenismo. A funcao da etimologia no estoicismo, portanto, nao e a de 'autenticar' que um vocabulo e grego. Para os gramaticos, no entanto, para carimbar uma expressao como grego correto, nao deveria poder bastar, como parece ser o argumento de Sexto, que se apontasse apenas a correcao da expressao analisada, mas seria necessario tambem que o fizessem com todas aquelas que compoem a explicacao desta, pois todas deveriam ser julgadas pelo criterio do grego correto: o etimologico. Nao pode haver o a priori estoico de que sao 'corretas' por natureza. Assim, ou ha o regresso ao infinito, ou o processo aponta algumas palavras naturalmente pronunciadas e as aceita, sem fazer sua etimologia: mas, entao, teriam admitido a correcao pelo criterio do uso, e nao da etimologia, provando sua inutilidade.

(33) Prothesis e usado para referir-se a 'prefixacao' somente por Apolonio Discolo (Pron. 58. 16; Synt. 311.1), enquanto em Dionisio Tracio (DThr. 18) e Dionisio de Halicarnasso significa 'preposicao'. Conforme Janko, 1995, p. 226.

(34) Este exemplo e interessante: a origem da palavra composta de pros e kephale e um sintagma que explica o que e o objeto nomeado--no desdobramento, o verbo e o elemento agregador principal. Contudo, Sexto afirma que nao se 'descobriu' nem a etimologia de pros nem de kephale.

(35) Semelhante a proskephalaio: provavelmente seria algo como tou podiou hupotithesthai ('por embaixo do pe').

(36) E digno de nota que uma proposicao positiva tenha acompanhado reiteradamente a argumentacao desta secao do texto: a de que, na linguagem, basta seguir o uso comum. E esta nao e uma proposta, aparentemente, feita para o homem ordinario seguir seu caminho, mas para convencer o filosofo a voltar sua atencao e pratica a observacao da vida comum.
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Title Annotation:ORIGINAL ARTICLE/ARTIGO ORIGINAL
Author:Prezotto, Joseane Mara
Publication:Revista Archai: Revista de Estudos Sobre as Origens do Pensamento Ocidental
Date:Jan 1, 2019
Words:8748
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