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Aesthetic, ethics and education in adornian perspective/Estetica, etica e formacao na perspectiva adorniana/Estetica, etica y formacion en la perspectiva adorniana.

Introducao

A Teoria Critica tem suas origens vinculadas a criacao do Institut fur Sozialforschung--Instituto de Pesquisa Social--em Frankfurt, em 1922. Suas discussoes abrangem, conforme o entendimento de Freitag (2004), os seguintes eixos tematicos: a dialetica da razao, a critica a ciencia, a dupla face da cultura e a questao do Estado. Theodor Adorno e Max Horkheimer integraram o referido Instituto de Pesquisa e escreveram a Dialetica do esclarecimento, que consiste em uma das obras mais emblematicas da critica a racionalidade burguesa. Na Dialetica do esclarecimento (1985), os autores criticam o aspecto instrumental assumido pela razao no processo de desenvolvimento capitalista, no qual ela se coloca a servico da dominacao e do poder economico. Nessas condicoes, a cultura se submete a logica do consumo, as finalidades exteriores e aos apelos adaptativos, o que a faz perder seu potencial formativo. Para tanto, a industria cultural organiza a cultura, de forma que ela se oriente por um unico principio: o principio da mercadoria. Dessa forma, a critica a racionalidade burguesa e corolaria da critica a industria cultural. Esse pressuposto constitui o ponto de partida da primeira secao, que discute um dos temas centrais da Teoria Critica: a dialetica da razao. Esse pressuposto constitui o ponto de partida da primeira secao, que discute um dos temas centrais da Teoria Critica: a dialetica da razao, fundamentando-se na obra Dialetica do esclarecimento (1985), de Adorno e Horkheimer, para quem a cultura possui duas dimensoes: a adaptativa e a emancipatoria.

O processo de desenvolvimento capitalista priorizou a adaptacao a realidade e a autopreservacao da vida, em detrimento de seu sentido emancipatorio, que se volta para a constituicao de individuos autonomos e aptos a autorreflexao critica. Dessa forma, a cultura esta a servico dos valores de troca, transforma-se em mercadoria e converte-se em semicultura. Sob essa constituicao, os bens culturais estao a servico da regressao. A conscientizacao, a emancipacao e a possibilidade de uma razao acolhedora e apta a alteridade representam a possibilidade de resistencia a regressao. Elas sao encontradas na experiencia estetica e na obra de arte.

Para explicar o vinculo entre esses termos, a segunda secao discute os conceitos de estetica, etica e formacao, fundamentando-se nas ideias de Adorno e de autores brasileiros que enfocam esses conceitos, dentre eles, Antonio Alvaro Zuin, Barbara Freitag, Jeanne Marie Gagnebin, Rodrigo Duarte e Renato Franco. A leitura desses autores contribui para a compreensao dos referidos conceitos e para o esclarecimento da relacao entre arte e formacao cultural.

A dialetica da razao

Na Dialetica do esclarecimento (1985), escrita por Adorno e Horkheimer, o processo de desenvolvimento da razao na sociedade burguesa primou pela autopreservacao da vida e pela conciliacao entre pensamento e realidade e pela identificacao entre o sujeito e o mundo. Dessa forma, a cultura reproduz a barbarie, ou seja, a adaptacao as forcas exteriores e a ausencia de autorreflexao critica e da tensao entre a ideia e a realidade, cuja existencia e fundamental para a constituicao de sujeitos e de uma sociedade emancipatoria. A cultura, sob essa configuracao, perde o seu aspecto formativo, sucumbe aos valores de troca, modela-se pela logica do consumo e se converte em semicultura. A expressao maxima desse fato se encontra na industria cultural.

A compreensao (do processo de desenvolvimento) da genese do processo de ascensao da racionalidade tecnica implica, necessariamente, em conhecer o modo pelo qual o saber converte-se em 'operacao'. Nesse sentido, o progresso do esclarecimento parte da razao mitica para a razao instrumental, evidenciando todo o processo de ascensao da racionalidade tipica da sociedade moderna, que representa o substrato da regressao das condicoes subjetivas necessarias a emancipacao humana.

Na busca por explicar a realidade, o homem e levado a atribuir suas necessidades racionais aos mitos. Desse modo, conforme Adorno e Horkheimer (1985, p. 22-23), o mito torna-se produto do esclarecimento, pois objetivava a explicacao do mundo com o intuito de domina-lo. O elemento basico do mito e o antropomorfismo, no qual o homem projeta sua subjetividade na natureza, reduzindo-a a um mesmo denominador: o sujeito. A expressao dessa ideia se encontra nas deidades olimpicas que passam a representar e significar os elementos da natureza. Nesses termos, o processo de abstracao e de separacao entre o pensamento e a realidade se intensifica, sendo que o primeiro tende a se autonomizar, na medida em que se constitui como doador de sentido para o segundo, na figura do sujeito e de sua razao.

O progresso do esclarecimento implica a negacao do mito, uma vez que para colocar o homem na posicao de dominio, fez-se necessario ir alem da racionalidade mitologica. Para tal, foi preciso identificar, no mito, o seu aspecto supersticioso e, desse modo, acabar com o animismo e desencantar a natureza. "O casamento feliz entre o entendimento humano e a natureza das coisas que ele tem em mente e patriarcal: o entendimento que vence a supersticao deve imperar sobre a natureza desencantada [...]" (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 20). O proposito do esclarecimento, voltado para livrar os homens do medo, demanda uma forma de conhecimento diferente, algo que se distancia da concepcao mitologica e aproxima-se de uma nova perspectiva de saber. Em relacao a essa nova forma de saber, que substituiria as concepcoes mitologicas, Zuin (1999, p. 8), expressa que "[...] nao seria qualquer tipo de saber, mas, sim, aquele que pudesse ser convertido em algo pratico. Portanto, seguindo essa linha de raciocinio, os criterios definidores da essencia do conhecimento seriam a utilidade e a calculabilidade".

Para Zuin, o novo protagonista do esclarecimento tornou-se o numero, ou seja, o calculavel. O substrato do saber que superou as explicacoes mitologicas e a operacao, que encontra na tecnica, a maneira pela qual se exerce o dominio sobre a natureza interna e externa. Segundo Adorno e Horkheimer (1985, p. 20), "[...] a tecnica e a essencia desse saber, que nao visa conceitos e imagens, nem o prazer do discernimento, mas o metodo, a utilizacao do trabalho de outros, o capital".

Na Dialetica do Esclarecimento (1985), os autores abordam alguns filosofos que propoem principios basicos da ciencia, dentre eles, Francis Bacon, para quem o saber se alicercaria no metodo empirico. Sobre isso, Zuin (1999, p. 8, grifo do autor) expressa que "Adorno e Horkheimer apontam o pensador ingles como um dos primeiros grandes entusiastas e defensores da construcao de um saber que se afastasse da 'esteril' filosofia aristotelica e se aproximasse de uma perspectiva de aplicacao empirica".

A busca do conhecimento, que outrora ocorria atraves das concepcoes engendradas em explicacoes do campo metafisico, passa a se orientar pelos pressupostos defendidos por Bacon. Para esse filosofo, a operacao, o calculo e o procedimento eficaz, "[...] forneceriam as condicoes para que tivessemos a certeza de que caminhamos em terras bem mais firmes que o 'pantanoso' terreno da metafisica" (Zuin, 1999, p. 9, grifo do autor). Dessa forma, o entendimento humano desvincula-se das explicacoes sobrenaturais para dar relevancia as compreensoes baseadas numa perspectiva logico-formal, na qual, segundo Zuin, o grande protagonista e o numero.

A transformacao da materia deveria ser efetuada por um calculo preciso e eficiente. Ficariam afastadas quaisquer justificativas sobrenaturais. Era chegado o tempo em que os deuses deveriam ser reconhecidos como embustes ou como projecoes dos desejos humanos de compreensao da relacao entre si mesmos e a natureza. Sonhava-se entao com um sistema dedutivo unico, de logico formal, capaz de solucionar todos os problemas oriundos das relacoes sociais (Zuin, 1999, p. 9).

Adorno e Horkheimer (1985) enfatizam que o progresso do esclarecimento se alicerca no calculo, prioriza a operacao e desmerece o saber em si mesmo, pois a sociedade tomada pelo utilitarismo e pela hiperatividade do sujeito e avessa aos momentos contemplativos e autorreflexivos.

A racionalidade tecnica encontra na razao matematica a sua expressao, pois ela e exata e adepta a distancia entre o sujeito e o objeto. A industria cultural adota esses parametros como forma de orientacao, uma vez que, segundo Adorno e Horkheimer (1985), imobiliza o diferente e confere a tudo um ar de semelhanca.

A diferenca entre o campo de forca geral e o particular constitui o substrato da cultura e sua reducao consiste no objetivo da industria cultural, que o atinge por meio da filtragem de conteudos e da classificacao da realidade. O uso da tecnologia permite duplicar os objetos empiricos e reproduzi-los na tela, de forma que o espectador nao diferencie o real do virtual. Assim, nao ha espaco para a fantasia e para a imaginacao, pois elas contrariam a logica adaptativa da industria cultural, que impossibilita o deslocamento do mundo fenomenico e incapacita o individuo de sair da imediaticidade e de transcender a realidade. O individuo, nessas condicoes, torna-se inapto a autodeterminacao, uma vez que, segundo Adorno (2010), ele sucumbe a forma dominante da consciencia atual, ou seja, a semicultura.

A semicultura consiste no sucedaneo da cultura, na sua falsificacao, que se efetiva por meio da submissao da cultura a logica economica. A forma mais evidente desse processo se apresenta na forma da industria cultural.

A industria cultural tambem age controlando, organizando e reprimindo os impulsos dos individuos. Ela, conforme Adorno (1993), atualiza e reforca a tendencia natural a identificacao, transferindo-a para seus modelos, idolos e herois. Nesse sentido, e possivel compreender a relacao que Adorno e Horkheimer (1985) estabelecem entre a industria cultural e o mito, pois, assim como este, a industria cultural pretende explicar e organizar o mundo, a fim de mante-lo sob seu controle.

Os processos irracionais encontram caminho aberto na industria cultural, o que permite associa-la a regressao, pois, ao desempenhar o papel do sujeito na organizacao e compreensao do mundo, a industria cultural nao promove o exercicio da consciencia. Esse efeito e potencializado a partir dos recursos tecnologicos, que permitem acelerar as imagens, altera-las e edita-las, conforme a conveniencia dos interesses capitalistas.

A industria cultural, de acordo com Duarte (2007), promove uma estetizacao da vida no mundo 'globalizado', pois o aspecto estetico da mercadoria contribui para a realizacao do valor de troca, na medida em que convence o possivel comprador de que o produto apresenta um valor de uso e, assim, constitui-se em algo necessario. Na verdade, o produto e um sucedaneo da necessidade. Esse aspecto justifica, segundo o autor, a existencia de todo um aparato sensorial, que objetiva seduzir as pessoas e incita-las ao consumo. Para Duarte, a 'dominacao pelo estetico' apresenta dois elementos fundamentais:

[...] 1. a existencia de meios tecnologicos que propiciem a ilusao de uma realidade 'construida', 2. a utilizacao, tanto desses meios quanto de conhecimentos psicanaliticos, no sentido de produzir a adesao 'aquilo que parece', o que esta muito proximo de obter uma aceitacao incondicional de existente, tal como ele se apresenta (Duarte, 2007, p. 35, grifo do autor).

Adorno e Horkheimer (1985) ressaltam que a industria cultural procura conciliar a arte a diversao, configurando-a como fuga da realidade ruim. Alem disso, ela amplia a logica da exploracao para o ambito da estetica e para o contexto do tempo livre, no qual o individuo consome os produtos culturais que foram planejados para ele.

Ao processo de trabalho na fabrica e no escritorio so se pode escapar adaptando-se a ele durante o ocio. Eis ai a doenca incuravel de toda a diversao. O prazer acaba por se congelar no aborrecimento, porquanto, para continuar a ser um prazer, nao deve mais exigir esforco e, por isso, tem de se mover rigorosamente nos trilhos das associacoes habituais. O espectador nao deve ter necessidade de nenhum pensamento proprio, o produto prescreve toda reacao [...] (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 128).

Para os autores (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 114), "[...] a racionalidade tecnica hoje e a racionalidade da propria dominacao". Nesse sentido, com progresso tecnico da sociedade e a instrumentalizacao do saber, os aspetos subjetivos tornam-se diminutos, ja que a propria neutralidade cientifica, que outrora aniquilou aspecto de dominacao presente na linguagem, destroi o substrato presente nas obras esteticas.

O cinema e o radio nao precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que nao passam de um negocio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem. Eles definem a si mesmo como industria, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda duvida quanto a necessidade social de seus produtos (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 144).

A industria cultural submete a cultura aos interesses mercadologicos, sendo assim, ela pressupoe que os efeitos de producao e os detalhes tecnicos se sobreponham a ideia inerente a obra, pois "A industria cultural desenvolveu-se com o predominio que o efeito, a 'performance' tangivel e o detalhe tecnico alcancaram sobre a obra, que era outrora o veiculo da Ideia e com essa foi liquidada" (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 118, grifo do autor).

Adorno (1993), no aforismo 22, "A crianca com a agua do banho", da Minima Moralia, opoe-se a identificacao da cultura unicamente com a mentira, pois essa e uma caracteristica da semicultura, que se orienta pelo valor de troca. Para Adorno, a cultura e tudo aquilo que recusa aceitar o valor de troca. Ao se fundamentar nesse principio, ela age em defesa da verdade.

A verdade da obra de arte provem de seu rigor, de sua fidelidade a ideia, que nao a deixa sucumbir as demandas exteriores, conforme a logica da sociedade capitalista, expressada pela industria cultural. Dessa forma, a resistencia aos fins mercadologicos e a preservacao da verdade pressupoem o fortalecimento dos aspectos esteticos, eticos e formativos.

Estetica, Etica e Formacao na perspectiva adorniana

A Arte, segundo Adorno e Horkheimer (1985), representa o veiculo da ideia; entretanto, a propria producao da cultura com finalidades mercadologicas, destroi o substrato presente na obra de arte. Desse modo, os autores afirmam que "[...] a arte da copiabilidade integral, porem, entregou-se ate mesmo em suas tecnicas a ciencia positivista. De fato, ela retorna mais uma vez ao mundo, na duplicacao ideologica, na reproducao docil" (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 31).

Em suma, no predominio da reproducao tecnica da obra de arte, a propria logica de producao segue os ditames objetivos sociais e nao mais os aspectos subjetivos do criador. Na sociedade regida pela industria cultural, a arte seria e a que nao se orienta pelos valores de consumo e pelas finalidades exteriores, mas conserva a tensao com a realidade, nao e adaptada para se tornar acessivel e proxima ao gosto familiar dos consumidores. Caso contrario, ela se transforma em arte leve, cuja producao subsiste a partir da formula. Nesse tipo de arte, as variacoes da obra, segundo Adorno e Horkheimer, sao de carater aparente e padronizado, uma vez que o todo se antepoe aos detalhes.

Em meio as condicoes sociais presentes, somente a obra de arte autentica--a obra de arte seria, nao vinculada a logica da industria cultural--consegue escapar dos ditames que a corrompem. Nesse sentido, Adorno e Horkheimer (1985, p. 31) afirmam que, "[...] com o progresso do esclarecimento, so as obras de arte autenticas conseguiram escapar a mera imitacao daquilo que, de um modo qualquer, ja e".

O pensamento sobre a estetica, em Adorno, tematiza todos os aspectos de sua criacao, de seu valor, sobretudo, da apreciacao de suas peculiaridades, as quais a tornam algo belo.

A estetica de Adorno e tanto estetica de producao, como estetica da obra, como estetica da recepcao; quer dizer, ela tematiza--embora nao sempre de forma explicita, nem sistematica--, todos os aspectos da criacao, do valor e das qualidades da arte, e da apreciacao e fruicao do belo da arte e da natureza (Duarte, 2007, p. 35).

Duarte (2007), ao buscar compreender a estetica em Adorno, destaca que a obra de arte por si mesma e autonoma, pois resiste aos apelos exteriores e traz consigo o aspecto enigmatico. Por isso, o autor afirma que a teoria estetica tem a obra de arte como seu objeto. Nas reflexoes de Adorno, a arte tem uma perspectiva primaz, expressa na relacao entre ser e consciencia. Nesses termos, a arte representa ser sem dominacao e consciencia sem conceito.

Ainda para Duarte (2007), Adorno se empenha em mostrar que a industria cultural e inimiga do que restou da arte tradicional, pois se atem a reproduzir a realidade, reconciliando-se com ela. Ao contrario da industria cultural, a obra de arte reelabora a realidade a partir de sua forma; por meio dela e possivel devolver a realidade mais do que lhe foi tirado. Essa questao e ilustrada na passagem em que Duarte (2007) se refere a Adorno e sua obra Filosofia da Nova Musica, na qual destaca a diferenca entre a musica seria e a musica de massa. Nesta ultima, nao e possivel identificar nenhuma inovacao, apesar de integrar os mais modernos metodos 'industriais'. Ela tambem se caracteriza pelo nivelamento 'por baixo', "[...] porque nela nada ha para ser 'apreciado'; a musica se consome a si mesma" (Duarte, 2007, p. 107, grifo do autor). Sua baixa qualidade se relaciona com uma estetica familiar que atende as necessidades do consumo.

No momento em que buscamos uma compreensao da relevancia estetica, vemos um modo de remar contra a degradacao social, que impoe um modo danificado de viver. Desse modo, se a vida se apresenta como degradada, so resta um refugio para preservar a beleza: a arte.

A estetica desse movimento esta, portanto, assentada em uma radical oposicao entre a arte e a vida: se esta e degradada, nao ha outra maneira de preservar a beleza senao buscando refugio em uma arte pura, que deve recusar qualquer relacao com a existencia ou com a linguagem dominante (Franco, 2007, p. 50).

Por meio da arte, surge a possibilidade de denunciar a sociedade danificada e de resistir as tendencias sociais regressivas, pois a autonomia que lhe e caracteristica nao vincula sua existencia e configuracao a necessidade social ou industrial. Assim, a obra de arte possui uma finalidade em si mesma, pois, e originaria da liberdade, aspecto este que lhe confere a possibilidade de nao compactuar com a realidade social degradada. A autonomia da arte representa um modo de livrar-se das amarras impostas pela tipica racionalidade dominante no mundo industrial, pois, segundo as consideracoes realizadas por Franco (2007, p. 63), "[...] a obra autonoma e um ataque a sociedade: autonomia e nao reconciliacao, oposicao radical, resistencia a truculencia do todo". A cegueira, consequente da vida danificada, so pode ser desconstruida a partir do choque, ou melhor, do estranhamento que somente a obra autonoma tem a possibilidade de suscitar no sujeito. E a partir desse choque radical que se permite refletir a respeito da regressao da subjetividade humana, cada vez mais evidente em meio ao caos cultural predominante que caminha no sentido oposto a formacao cultural.

O conceito de Educacao, conforme Zuin (1999), nao se restringe somente a esfera formal, mas, tambem, a todas as outras relacoes sociais que envolvam algum tipo de aprendizagem. Nesse sentido, pode-se perceber que o processo de formacao vai alem do ensino sistematizado pela educacao formal. Desse modo, em relacao as condicoes sociais que expressam um potencial de semiformacao exacerbado, a escola pode ser uma via para caminhar na contramao das determinacoes da sociedade. O autor explicita o conceito adorniano de formacao, cujo termo apresenta uma relacao intrinseca e equivalente a cultura (kultur). No entanto, enquanto essa ultima tende a se aproximar das realizacoes humanas objetivas, a formacao (bildung) vinculase as transformacoes que ocorrem no plano subjetivo, ela e, de acordo com Zuin, o correlato da propria cultura. Do confronto e da tensao

[...] entre a dimensao objetiva e subjetiva da cultura se origina o conceito de formacao, sendo que a subjetividade objetivada nos produtos humanos pela intervencao do agir formativo necessita tento de um momento de distanciamento quanto de aproximacao da realidade que transforma o subjetivo tanto quanto e transformada pelo exercicio da atividade racional (Zuin, 1999, p. 55).

No momento em que pensamos em formacao, de acordo com Zuin (1999), e necessario compreender que esta e consequencia da elaboracao da experiencia causada pela apropriacao da cultura no plano subjetivo. Ao enfatizar a necessidade de um momento de distanciamento em relacao as condicoes objetivas danificadas, posteriormente, ocorre novamente a aproximacao da realidade. Entretanto, essa nova aproximacao ocorre por meio de uma analise critica e racional e nao mais imerso na cegueira decorrente da apropriacao do caos cultural.

Em relacao a esse processo de distanciamento da realidade, Zuin (1999, p. 56) expressa que, "[...] o proprio Adorno identifica a veracidade do necessario afastamento das condicoes sociais, uma vez que fornece subsidios para a concepcao de novas realidades". Os termos utilizados por Zuin reportam a assertiva adorniana de que "A formacao cultural requeria protecao diante das atracoes do mundo exterior, certas ponderacoes com o sujeito singular, e ate lacunas de socializacao" (Adorno, 2010, p. 22).

Para Adorno (2010), a formacao distingue-se dos mecanismos do dominio social da natureza, pois ela exige autorreflexao critica e fortalecimento da consciencia, da autonomia e da liberdade. Adorno (1993) encontraria esses elementos na arte, mais especificamente na musica seria, na qual o sentido da totalidade da peca consistia sempre na relacao entre os detalhes.

Nesse contexto, alguns pensamentos de Adorno a respeito da obra do frances Paul Valery, no texto O artista como representante, expressam a grandiosidade da forca objetiva presente na producao desse artista, na empreitada que visa combater o potencial destrutivo inerente a industria cultural, na qual Adorno evidencia a antitese obtusa entre a arte engajada e a arte pura (Adorno, 2003). A arte pura representa a dissimilaridade em relacao a arte filtrada pelas formulas esquematicas do processo de producao cultural da sociedade administrada. "[...] Essa antitese e um sintoma da tragica tendencia ao estereotipo, ao pensamento enrijecido em formulas esquematicas, que a industria cultural produz por toda parte e que invadiu, ha muito tempo, o ambito da reflexao estetica [...]" (Adorno, 2003, p. 152).

Na obra de Valery, Adorno (2003) ressalta alguns pensamentos que transcendem o grande pintor impressionista que ele representa, mas, no tocante as suas ideias, que denotam a proximidade em relacao ao objeto artistico, algo que, para Adorno, so e capaz de ser alcancado por alguem que produz por si mesmo com extrema responsabilidade. Destarte, a experiencia da consciencia da arte requer algo alem de uma mera deducao conceitual, pois exige uma absoluta distancia em relacao ao objeto artistico. Nesse sentido, conforme Adorno (2003), o mediano e empatico 'entendido em arte', jamais pode alcancar a obra de arte, na medida em que a degrada em sua propria contingencia, por nao submeter a disciplina objetiva imanente a real experiencia artistica.

[...] De um modo geral, as grandes intuicoes sobre arte ocorrem ou em uma absoluta distancia, por uma deducao conceitual nao afetada pela chamada 'compreensao artistica' como em Kant ou Hegel, ou nessa absoluta proximidade, a atitude de quem nao se confunde com o publico, pois se encontra nos bastidores, acompanhando a realizacao da obra sob o aspecto da fatura, da tecnica (Adorno, 2003, p. 154, grifo do autor).

Adorno critica a arte engajada e a compreensao da arte atraves de conceitos tal como o fazem a percepcao artistica kantiana e a hegeliana. Ele expressa sua notoria admiracao pela arte de Valery.

[...] Valery representa o caso praticamente unico do segundo tipo, alguem que conhece a obra de arte pelo seu metier, entende a precisao do trabalho artistico, mas ao mesmo tempo alguem no qual este processo se reflete de modo tao feliz, que isso se reverte em intuicao teorica, naquela boa universalidade que nao abandona o particular, mas sim o preserva, levando-o a adquirir um carater obrigatorio, por forca de sua propria dinamica (Adorno, 2003, p. 155).

A obra de arte, por si mesma, e autonoma, nao se aplica a conceitos genericos; traz consigo o aspecto enigmatico, expressando sua autonomia frente as condicoes objetivas. Nesse sentido, Duarte (2007, p. 37) expressa que:
   A teoria estetica tem seu centro e sua base em seu objeto, a
   obra-de-arte. Esta ocupa na reflexao de Adorno, uma posicao chave
   bem particular, entre ser e consciencia: a obra representa, segundo
   sua intencao, ser sem dominacao e consciencia sem conceito.


A grande arte, segundo Adorno (2003), e aquela que exige, para sua compreensao, a utilizacao de todas as faculdades humanas. Nessa experiencia, e atingido o homem em sua completude. E justamente essa condicao que exige, do proprio artista, algo que Valery encontra em Leonardo da Vinci, quando exprime a completude da obra desse artista. "[...] De qualquer modo, ele se refere aqui ao homem nao dividido, aquele cujas reacoes e faculdades nao foram dissociadas umas das outras, alienadas entre si e coaguladas em funcoes utilizaveis, segundo o esquema da divisao social do trabalho" (Adorno, 2003, p. 156).

Percebe-se a obra do artista frances, cujo trabalho tem por finalidade utilizar todas as faculdades humanas, que se compraz em desenvolver o individuo em sua integridade: um homem completo. A reflexao da experiencia artistica--inerente ao processo de compreensao da grande da arte--remete a formacao integral do individuo.

Assim, esses elementos denotam a potencialidade da arte e a sua capacidade de fomentar o embate frente a regressao social, haja vista que conserva em sua essencia certos aspectos cruciais da natureza humana, algo que a realidade reprime constantemente. Isto e possivel, como afirma Franco (2007), pelo antagonismo radical que se encontra na relacao entre a arte pura e a existencia. "O esteticismo suscita uma alienacao calculada: essa alienacao e, no entanto, denuncia da propria sociedade enquanto vida prejudicada, uma forma desesperada de resistencia contra as tendencias sociais regressivas" (Franco, 2007, p. 50).

Nessa continuidade, a arte torna-se protagonista quando se considera uma maneira de denunciar e resistir a sociedade danificada. Franco (2007) explicita em seu trabalho que a autonomia da arte e fruto da sua independencia em relacao as demandas sociais e industriais, pois tem uma finalidade em si mesma, na medida em que e originaria da liberdade, cuja caracteristica lhe permite a possibilidade de nao se vincular a realidade social danificada. E essa peculiaridade da obra que possibilita--a partir do estranhamento refletir sobre a dominacao vigente na sociedade.

A obra autonoma e aquela que, embora participe do mundo e tambem seja uma mercadoria, nao resulta de nenhuma exigencia nao-estetica, seja ela originaria da pedagogia, da industria cultural ou da politica cultural de Estados ou partidos, quer democraticos ou nao democraticos. A obra autonoma e aquela cuja existencia resulta de trabalho especial nao-produtivo, nao-necessario, nao-exigido socialmente: de trabalho livre, de natureza anacronica, gratuito, condicao que confere a ela a possibilidade de nao compactuar com o mundo tal qual ele se apresenta, a nao se reconciliar com a sociedade hostil (Franco, 2007, p. 63).

E nesse sentido que a arte autonoma representa um modo de livrar-se das amarras impostas pela tipica racionalidade inerente ao mundo industrial, pois, como afirma Franco (2007, p. 63), "[...] a obra autonoma e um ataque a sociedade: autonomia e nao reconciliacao, oposicao radical, resistencia a truculencia do todo". Diante disso, a autonomia estetica fomenta a possibilidade de rompimento com a ideologia regressiva presente na cultura banalizada.

A autonomia permite a arte configurar aquilo que a ideologia recalca: ela provoca no fruidor uma especie de falta de ar, de perda momentanea de folego, de impossibilidade de continuar a se nutrir da materia que a atmosfera cultural oferece a ele (Franco, 2007, p. 64).

A arte representa a possibilidade para o sujeito pensar livremente, de maneira nao condicionada pelas determinacoes do mundo fenomenico; possibilita, tambem, ao contemplador, um momento de distanciamento em relacao a sociedade danificada. Esse aspecto e fundamental para a elaboracao de sua reflexao critica e para o desenvolvimento do pensamento autonomo.

Gagnebin (2001), ao discorrer sobre as relacoes entre etica e estetica em Adorno, identifica tres conceitos-chave do pensamento do autor nesses dois dominios: 'mimese', 'autonomia' e 'resistencia'. Na mimese, a autora aponta o risco da assimilacao mimetica, pois nela ha a possibilidade de o sujeito desaparecer e a possibilidade do gozo proporcionado pelo jubilo da uniao com o outro.

Segundo Gagnebin (2001), a estreita relacao entre as duas possibilidades, torna a experiencia mimetica tao perigosa e ameacadora, conforme alertam Adorno e Horkheimer. Na sociedade capitalista, o processo identificatorio e organizado em funcao do lucro e nao admite 'nenhuma vacilacao identificatoria'. Assim, o individuo precisa recalcar a mimese originaria, transformando-a na identificacao com os lideres, herois e idolos da sociedade. A autora destaca o antissemitismo como expressao desse processo, no qual a lembranca do prazer da mimese originaria remete ao sofrimento, a incapacidade de suportar o outro, porque ele evoca o jubilo dessa experiencia corporal de se unir ao outro.

Mimesis e passividade sao, assim, estritamente ligadas tanto no inicio quanto no fim de nossa vida organica, tanto nas expectativas de assimilacao desesperada ao meio ambiente quanto na fuga caotica para sobreviver. Contra essa indiferenciacao cega da tenacidade organica se constroi, alias, a duras penas, o sujeito determinado e consciente da Aufklarung (Gagnebin, 2001, p. 67, grifo do autor).

Na tentativa de se libertar do medo e do sofrimento, o individuo assume uma postura dominadora e onipotente sobre tudo que lhe e exterior. Ele se coloca como o grande idealizador dos sistemas perfeitos e tenta conciliar o pensamento com a realidade. Essa logica envolve toda a organizacao da sociedade, pois ela so e confrontada pela experiencia estetica da obra de arte, que conserva tracos de um conhecimento sem violencia e dominacao; que conserva a possibilidade de uma interacao entre o sujeito e o objeto, na qual o primeiro nao se sobrepoe ao segundo, mas se dispoe a acolhe-lo.

Gagnebin (2001) define a experiencia estetica como a

[...] experiencia da distancia do real em relacao a nos, a experiencia tambem da distancia do real em relacao a nos, a experiencia tambem da distancia entre o real tal como e e qual poderia ser, essa experiencia pode configurar um caminho privilegiado da aprendizagem etica por excelencia, que consiste em nao recalcar o estranho e o estrangeiro, mas sim em poder acolhe-lo em sua estranheza (Gagnebin, 2001, p. 72).

Adorno destaca, segundo a autora, duas virtudes aparentemente opostas ao pensar: a paciencia e a resistencia (Gagnebin, 2001). No primeiro caso, o pensamento espera sem se impor e, por isso, esta disposto a resistir a logica dominadora e identificatoria promovida pela sociedade administrada. Assim, a experiencia estetica e uma forma de conhecimento empatica, aberta a alteridade e a etica, na medida em que nao tenta enquadrar o outro em um modelo. Portanto, ela preserva o pensamento apto a angustia e ao estranhamento.

Consideracoes finais

A arte possui grande relevancia no processo de formacao do homem, pois ela conserva a possibilidade do fortalecimento da subjetividade dele, haja vista que o mundo fenomenico possui determinacoes que regridem as condicoes subjetivas factiveis da formacao cultural. Entretanto, a arte representa a viabilidade de distanciar-se da sociedade danificada e livrar-se das amarras que dificultam o processo de emancipacao humana. Os autores investigados, ao discorrerem sobre a estetica e a arte em Adorno, sao unanimes em apontar a autonomia e a formacao como principios caracteristicos de ambas. A autonomia so e possivel no individuo que nao sucumbe as determinacoes da realidade e que age consciente e racionalmente. No entanto, conforme adverte Adorno (1993), a realidade tende para um movimento contrario, dificultando o processo emancipatorio.

A emancipacao, entendida enquanto conscientizacao, segundo Adorno, e abstrata, mas precisa se inserir no pensamento e na pratica educacional, pois so assim ela pode se impor, fazendo frente a ideologia da industria cultural. Uma educacao emancipatoria busca fortalecer os principios formativos, que se distinguem do dominio social da natureza, mas buscam a tensao entre a realidade e o pensamento, num processo reflexivo em que o sujeito se deixa envolver completamente pelo objeto, da mesma forma como ocorre na experiencia com a obra de arte.

Adorno (2003) encontra no artista o exemplar do homem completo, cujas faculdades nao se dividem, pois congregam a razao e a sensibilidade, a capacidade de pensar, sentir e fazer. O artista nao intenciona a expressao imediata de suas ideias, mas persegue a rigorosidade, que se efetiva no criterio interno que orienta a construcao da obra de arte, cujo processo, de acordo com Adorno (2003), pretende a superacao da cegueira e do acanhamento da obra de arte.

Essas reflexoes nos incitam a estabelecer uma analogia entre a experiencia estetica, a experiencia artistica e a educacao. O oficio do professor, na sua analogia com o oficio do artista, pressupoe uma relacao com o objeto, ou seja, com a educacao; que nao se oriente pelo utilitarismo, mas pela acolhida. Nessas condicoes, o professor deve primar pela ideia da obra, ou seja, pela essencia da atividade educativa, que se constitui na busca pela emancipacao e pelo fortalecimento da autorreflexao critica. A fidelidade a essa logica interna do processo educativo deve orientar a consecucao da forma da obra, cuja realizacao se efetiva mediante a convergencia das acoes docentes em direcao a sua ideia constitutiva.

Referencias

Adorno, T. W. (1993). Minima moralia: reflexoes a partir da vida danificada. Sao Paulo, SP: Atica.

Adorno, T. W. (2003). O artista como representante. In T. W. Adorno. Notas de literatura I (p. 151-164). Sao Paulo, SP: Duas Cidades; Ed. 34.

Adorno, T. W. (2010). Teoria da semiformacao. In: B. Pucci, A. A. S. Zuin, & L. A. C. N. Lastoria Teoria critica e inconformismo: novas perspectivas de pesquisa (p. 7-40). Campinas, SP: Autores Associados.

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Duarte, R. (2007). Teoria Critica da industria cultural. Belo Horizonte, MG: UFMG.

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Zuin, A. A. S. (1999). Industria cultural e educacao: o novo canto da sereia. Campinas, SP: Autores Associados.

Leonidas Melo Santos: Graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTRO. Mestrando do Programa de Pos-Graduacao em Educacao da UNICENTRO.

ORCID: http://orcid.org/0000-0002-0532-4333

E-mail: leonidas17@live.com

Luciane Neuvald: Formada em Pedagogia e com Mestrado em Educacao Publica pela Universidade Federal do Mato Grosso--UFMT. Doutorado em Educacao Escolar pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" UNESP/Araraquara. Professora do Departamento de Pedagogia e do Programa de Pos-Graduacao em Educacao da Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTRO. Pesquisadora em Educacao na perspectiva da Teoria Critica Adorniana.

ORCID: http://orcid.org/0000-0002-1566-7030

E-mail: luneuvald@terra.com.br

NOTA:

Os autores foram responsaveis pela concepcao, delineamento, analise e interpretacao dos dados, redacao do manuscrito, revisao critica do conteudo e aprovacao da versao final a ser publicada.

Doi: 10.4025/actascieduc.v40i1.34728

Leonidas Melo Santos* e Luciane Neuvald

Universidade Estadual Centro Oeste, Rua Salvatore Renna, 875, 85015-430, Guarapuava, Parana, Brasil. *Autor para Correspondencia: leonidas17@live.com

Received on January 3, 2017.

Accepted on October 9, 2017.
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Title Annotation:texto en portugues; Theodor Adorno, filosofo
Author:Santos, Leonidas Melo; Neuvald, Luciane
Publication:Acta Scientiarum. Education (UEM)
Article Type:Ensayo
Date:Jan 1, 2019
Words:5781
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