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Acre, jurua e purus: areas dialetais do atlas etnolinguistico do acre.

1. Introducao

O presente trabalho e uma contribuicao ao Atlas Etnolinguistico do Acre- ALAC. Com esse proposito, faz-se um levantamento da linguagem de homens e mulheres envolvidos no mundo da seringa, objetivando descrever a oralidade regional, com a feitura de cartas lexicas e foneticas, em fronteiras dialetais, identificando a unidade e a diversidade linguistica. Esta atividade ira assegurar, para a posteridade, dados riquissimos que podem vir a se perder no tempo, a medida que o homem muda de habitos e entra em contato com outras culturas. O estudo lexical foi realizado a partir dos inqueritos pertencentes a tres Areas de Pesquisa do Projeto ALAC: Vale do Acre, Vale do Jurua e Vale do Purus. Nestas areas, observou-se o comportamento dos falantes do sexo masculino e feminino, na faixa etaria C (36 a 80 anos), para demarcacao de fronteiras dialetais, representadas em mapas, graficos e tabelas, nas Zonas de Pesquisa: Rio Branco.

Rio Branco (RB), Placido de Castro (PC) e Xapuri (XA); Taraua ca (TA), Feijo (FE) e Cruzeiro do Sul (CS); Sena Madureira (SM), Manuel Urbano (MU) e Assis Brasil (AB). Trabalhou-se com dezoito inqueritos, observando o uso dos substantivos, verbos, adjetivos e adverbios terminados em -mente. Nestas classes de palavras, observou-se as conservacoes e as inovacoes linguisticas, que foram distribuidas em 17 campos semanticos, deles resultando a feitura do glossario ZONAS DIALETAIS NA AMAZONIA--CARTAS LEXICAS E FONETICAS. RESULTADOS E CONCLUSOES: Consta-se a forte presenca dos substan tivos e dos verbos. Aqueles, por nomearem as coisas do mundo e estes, por traduzirem as acoes do fazer humano no mundo. Os adjetivos e adverbios terminados em--mente foram pouco utilizados, o que denota a pouca atencao dessa comunidade em atribuir qualidade e em circunstanciar as acoes no tempo. E com relacao a unidade, diversidade, inovacao e conservacao, tem-se: nos verbos, a unidade e conservacao nas Zonas pesquisadas, pois os informantes, tanto os do sexo feminino quanto os do masculino, nao divergem no uso dessa classe de palavra. Com relacao aos substantivos, observa-se o maior numero da diversidade: o objeto escada apresenta variacao terminologica, ora e escada, ora muta ou trepessa, nas Zonas de CS e AB, com informantes do sexo feminino. Tem-se, entao, escada = muta = trepessa; buiao e bulhao, a primeira ocorrencia em CS e a segunda em PC; fornalha e fornaia, sendo a primeira em RB, MU, FE, TA e a segunda em SM, XA; cabrita e faca de seringa para o mesmo objeto) "os habitos da vida moderna tem uma acao niveladora", e, segundo Lessa (1998) "e urgente a recolha da linguagem regional, sob pena de se perderem muitas palavras com o desaparecimento dos objetos e das mudancas de habitos e costumes". Portanto, e importante que se faca um registro imediato de termos que poderao se perder atraves dos anos, em decorrencia das modificacoes por que passam a vida do homem acreano.

A linguagem sofre variacoes que traduzem a forma de vida do homem, assim diz Carlota e Ferreira (1994)

[...] que os falantes de uma mesma lingua, mas de regioes distintas, tem caracteristicas linguisticas diversificadas e se pertencem a uma mesma regiao tambem nao falam da mesma maneira, tendo em vista os diferentes estratos sociais e as circunstancias diversas da comunicacao. (CARLOTA; FERREIRA, 1994, p. 12)

E ainda, Nascentes (1957) "O Brasil e constituido por uma rede dialetal, onde ha unidade na diversidade e diversidade na unidade".

Entao, percebe-se, que e por meio da lingua que o homem mostra as suas concepcoes e as de sua comunidade. Em virtude disso expressa Hjelmslev (Apud LESSA, 2003)
 A linguagem e o instrumento gracas ao qual o homem modela o seu
 pensamento, seus sentimentos, suas emocoes, seus esforcos, sua
 vontade e seus atos, o instrumento gracas ao qual ele influencia e
 e influenciado, a base ultima e mais profunda da sociedade humana.


Enfim, percebe-se uma relacao muito estreita entre o homem seringueiro e as palavras, visto que a utilizacao dessa ou daquela palavra depende de sua necessidade, o falante faz uso do conhecido para deno minar o desconhecido. Assim sendo cada palavra tem sempre uma razao de ser, um motivo que justifique o seu emprego.

2. Objetivos

* Fornecer dados linguisticos para contribuir com um melhor conhecimento da linguagem acreana;

* Estudar o falar das comunidades no Vale do Acre, Jurua e Purus, observando os tracos de unidade e diversidade linguistica;

* Observar o carater variavel da lingua, que a lingua muda conforme a Zona de Pesquisa, faixa etaria e sexo do informante.

3. Materiais e metodos

Utilizam-se computacionais aplicados a Geografia linguistica e trabalharam-se quatorze inqueritos distribuidos entre os Vales do Acre, Jurua e Purus, em ambos os sexos, na faixa-etaria C (36 a 80 anos).

No Vale do Acre, trabalhou-se com quatro inqueritos, sendo dois informantes do sexo feminino e dois do sexo masculino em cada zona de pesquisa. No Jurua, investigaram-se cinco inqueritos, dois de Feijo, um do sexo masculino e outro do sexo feminino, em Tarauaca tambem dois informantes de ambos os sexos e em Cruzeiro do Sul um informante do sexo masculino. No Vale do Purus, a pesquisa concentrou-se em Manuel Urbano, com um informante do sexo feminino, em Assis Brasil tomaram-se dois informantes tambem de ambos os sexos e com Sena Madureira se procedeu da mesma forma que em Manuel Urbano.

Realizou-se, entao, o levantamento de itens lexicais dos inqueritos, cujos dados foram organizados nos seguintes campos semanticos:

1) Palavras relativas ao trabalho do seringueiro com a seringa;

2) Palavras relativas aos utensilios utilizados pelo seringueiro para o corte;

3) Palavras relativas a estrada de seringa;

4) Palavras relativas ao corte da seringa;

5) Palavras relativas a comercializacao da borracha;

6) Palavras relativas as pessoas envolvidas com o trabalho da seringa;

7) Palavras relativas aos meses, estacoes do ano e fases da lua propicia ou nao para extracao do latex.

4. Pressupostos teoricos

A presente pesquisa seguiu os caminhos trilhados pela dialetologia social, geografia linguistica, bem como os ensinamentos da lexicologia, lexicografia, semantica e da linguistica geral. Tambem partiu dos conceitos de alguns teoricos como Ferreira e Cardoso (1995, p. 11) [...] "Uma lingua e um conjunto de sinais acustico- orais, que funciona na intercomunicacao de uma coletividade. E resultado de um processo historico, evolutivo"; e por isso nao podemos estudar o homem sem estudar sua lingua, porque a lingua reflete cultura; e no dizer de Cunha (1988, p. 29) "A lingua tem que ser atual, porque e expressao de vida". "A estagnacao, ja o dissemos e a morte do idioma. A historia de uma lingua e justamente a historia de suas inovacoes". E por isso que se tem urgencia em coletar esses dados linguisticos e registra-los em documentos escritos para assegurar ao futuro a historia da vida atual.

Ja Cunha (1988, p. 79) [...] E em linguistica a unidade nao e incompativel com a variedade, antes a pressupoe. Nenhuma lingua permanece uniforme em todo o seu dominio, e ainda num so local apresenta um sem_ numero de diferenciacoes de maior ou menor amplitude". Observase isso, ao estudar a linguagem dos vales do Acre, Jurua e Purus que alem de existir unidade entre as Zonas, tambem e possivel verificar diversidade entre as Zonas, faixas-etarias e o sexo dos informantes. Portanto, e como diz Nascentes (1957) "O Brasil e constituido por uma rede dialetal, onde ha unidade na diversidade e diversidade na unidade ".

Diz Lessa (1997, p. 5) "A lingua de um povo, como se sabe, e a resultante do conjunto das variedades linguisticas existentes". Esta comprovado, cientificamente, o fato de que o maior numero possivel de informacoes sobre tais variedades linguisticas, quer regionais, quer sociais, contribuira para o melhor conhecimento da lingua e, consequentemente, do homem". Em virtude disso, e notorio a importancia desse estudo, pois podemos conhecer e analisar os habitos, costumes, lendas e crendices do homem acreano, ou seja o seu universo.

5. Resultados e discussoes

A pesquisa empreendida com quatorze informantes teve como intuito adentrar no universo de cada um deles, permitindo o desvendamento de suas vidas, da sua linguagem, costumes, crendices, religiao, trabalho e as experiencias de vida.

De acordo com a descricao e a analise do lexico utilizado nos tres Vales, Acre Jurua e Purus, constatou-se ser possivel descrever o ser humano por meio de suas palavras, pois nao se pode separar o seringueiro de seu mundo fisico-social. A linguagem traduz esse mundo e as palavras estao intimamente ligadas as necessidades presentes no cotidiano de suas vidas. Assim, o seringueiro esta sempre utilizando palavras conhecidas para denominar o desconhecido. Alem do mais, cada palavra tem sempre um motivo que justifica o seu emprego, que esta aliado aos fatores da vida, ocasionando, com isso, a variacao de uso de uma ou outra forma, de acordo com o lugar, a faixa etaria e o sexo do informante.

Para melhor compreensao da diversidade de usos da linguagem, faz-se uma analise comparativa diatopica, diafasica e diastratica, observando o comportamento linguistico dos falantes nas Zonas de Pesquisa de Rio Branco (RB), Placido de Castro (PC) e Xapuri (XA); Tarauaca (TA), Feijo (FE) e Cruzeiro do Sul (CS); Sena Madureira (SM), Manuel Urbano (MU) e Assis Brasil (AB), na faixa-etaria C.

Observou-se nos substantivos leite, balde, querosene, camin, diNero e comboero, como ja se esperava, unidade e conservacao nas Zonas de Tarauaca, Feijo, Rio Branco, Xapuri e Sena Madureira. Alem da unidade lexical, verificou-se uma diversidade de natureza fonetica. Ocorre que alguns informantes tanto do sexo feminino quanto do sexo masculino ora trocam fonemas, ora acrescentam ou suprimem vogais ou consoantes, tanto nas Zonas de Assis Brasil, como Manuel Urbano, Cruzeiro do Sul, Feijo, Rio Branco e Placido de Castro, conforme os exemplos: gente > ente > rente; leite > lete; meio > mei; cortando.

Ainda, com relacao a diversidade, observa-se que apenas os falantes do sexo masculino nas Zonas de Sena Madureira, Manuel Urbano e Feijo utilizaram as lexias jirau e pe de burro para denominar um estrado de varas que e utilizado pelo seringueiro para cortar a arvore na parte mais alta. Tem-se, aqui, dois significantes que nomeiam o mesmo objeto, uma especie de escada.

E em relacao ao substantivo escada, verifica-se diversidade quanto a denominacao, ora aparecendo muta ou trepessa nas Zonas de Cruzeiro do Sul e Assis Brasil, com informantes do sexo feminino. Tem-se, entao: escada = muta = trepessa.

Percebe-se a diversidade tambem entre as palavras bandera e pano, pois so dois informantes, um do sexo masculino de Assis Brasil e o outro do sexo feminino de Feijo utilizaram a lexia pano para denominar a parte da seringueira onde se faz o corte na madeira. Os demais informantes falam bandera. Entao, aqui, tem-se dois significantes para um mesmo significado.

Observa-se que tanto os informantes do sexo feminino quanto os do sexo masculino utilizaram as lexias rancho, comida e boia para denominar a alimentacao. Essas palavras estao presentes nas Zonas de Rio Branco, Placido de Castro, Sena Madureira, Manuel Urbano, Tarauaca e Cruzeiro do Sul, mas somente o informante do sexo masculino de Rio Branco falou boia.

Quanto a inovacao, verificou-se outro fator linguistico, que um informante do sexo feminino, Zona de Placido de Castro, utilizou os quatro substantivos: caba, cara, camarada e rapaiz como giria para denominar o seringueiro. E um informante do sexo masculino de Xapuri para dialogar com a documentadora utiliza a forma de tratamento madame. Temse, aqui, como formas de tratamento: rapaiz, caba, cara, camarada, madame. Sao palavras que utilizam ora como substantivos, ora como formas de tratamento.

Tem-se o seguinte quadro colhido nos sete campos semanticos estudados:

5.1. Palavras relativas ao trabalho com a seringa:

Borracha--Sf. Denominacao dada a substancia elastica feita do latex da seringueira. Apresenta-se em forma de uma bola, com furo ao centro, pesando entre 10 a 25 quilos. (...) nosso patrao aviava nois po ... po ... cada fim de meis

... todos os meis ia dexa aquela mercadoria ... se tiNaproduto isso bem ... se tiNa a ... borracha trazia ne ... se num tiNa ficava po proximo meis (...) AB138 CM:04

(...) tiNa o patrao.... ai o camboero viNa ... ela marcarra o dia de i pa mage ... ai la ela fazia ... la o camboero levarra aquela borracha todiNa (...) AB137 CF: 12.

(...) nao vendia so a borracha so mermo RB131CF:01

Borracha em bola--Sf. Denominacao dada ao formato da borracha defumada em oposicao a borracha de prancha.

... rachava o cavaco botarra dento tocava o fogo fazia fumaca e ... fazia borracha em bola ... PC184CF:06

Borracha em prancha--Sf. Denominacao dada a borracha coagulada

a borracha em pracha e o seguinte ... a gente coloca ne ... traiz o leite ... coloca elepra coalha ... TA087CM:09

Bulhao--Sm. Denominacao dada ao forno feito no chao onde se poe o carvao, o cavaco, ou coco, para o processo de defumacao da borracha. Variacao de fornalha ai ... tiNa aqueles tanque ne ... aqueles bulhao assim ... PC184 CF:06

Biliao--Sm. Denominacao dada ao forno feito no chao onde se poe o carvao, o cavaco, ou coco, para o processo de defumacao da borracha. Variacao de bulhao. cortava ... quando chegava fazia o fogo no biliao ai ia defuma CS102CF:52

Cavaco. sm. Pedaco de madeira usado para fazer fogo de fornalha. (...) quano chegarra em casa ai nois ia tira o cavaco (...). AB 137 CF: 05.

Cernambi--Sm. Especie de borracha confeccionada com as sobras do leite que coalha no processo da defumacao, no momento de banhar a borracha com o latex. Com cernambi ... ai a rente bota uns pau ... far o fogo ... e aquece o leite XA176 CF:06 ... ai quano a rente chegarra c 'um oto lete a rente cortarra esse cernambi assim todim ... AB137CF:28 Naquele tempo num vendia essa borracha () ... hoje a borracha e cernambi ne MU153CM:103

CTP--sm. Borracha que nao e defumada, e sim em formato de prancha.

# D

O que e CTP?

# L

e ... que a borracha num e defumada ... feita as pranchiNa MU151 CF:06

Defuma. v. Ato ou acao de colocar o latex sobre o principio sobre intensa fumaca. Nesse processo o leite transforma-se em borracha. so uNa ... so da de defuma uNa que e so uma fornaia ne AB137CF:28 ele ia defuma o lete ne ... MU151 CF:03 Cortava ... quando chegava o fogo nobuiao ai ia defuma CS102CF:52

Fornaia. sf. Denominacao dada ao forno feito no chao onde se poe o carvao, o cavaco, ou coco, para o processo de defumacao da borracha. Variacao de fornalha. (...) colocarra dentro d'um saco ... o leite(...) ai quando chegarra em casa eles botavo na bacia ai ia faze fogo na fornaia ... ai quano a fornaia tava quente que a fumaca tava quente ele ia defuma a borracha (...) SM118 CF:26 A fornaia ta ... o fogao ... o ... a fumaca ... ai a gente vai defumano num sabe ... XA176 CF:07

Fornalha--sf. Especie de forno usado no defumador para coagular o leite da seringa e transforma-lo em borracha. so o balde ... e ... e pra ... no tempo ... de primero ... tiNa o balde ... tiNa a bacia ... tiNa a fornalha NE RB068CM:13 (...) fazia assim uma fornalha no chao ne ... MU151 CF:06

Imprensar -V. Acao de apertar a borracha para que ela fique bem seca. (...) botapa qualha ... ai imprensa MU151CF: 06 a gente imprensa ... a maio parte e imprensada ne ... CS 081CM:06

Jirau. sm. Denominacao dada ao estrado de varas feito sobre forquilhas cravadas no chao utilizado pelo seringueiro no processo de confeccao da borracha de prancha. (...) fazia o jirau que toda cima do fogo do jirau ... SM117CM: 16 ... eles faz jirau ... de Madera ... faz aquele jirau de madera ... FE099 CM:18 (...) foi se atrepo num jirau (...). MU 153 CM: 24.

Leite. sm. Liquido branco e opaco retirado da seringueira. ... se a ente ... chega com leite ne ... ai tem a fornalha ... TA087CM:06 O leite ... onde poe? FE093CF:07

Lete. sm. .e Liquido branco e opaco retirado da seringueira. A tigela ... ai a tigela apara aquele lete ai quano e de tarde ... AB137CF:24 E otubo ... novembo ... dezembo ... e os meis bom de lete ... janero CS102CF:57

Prancha. sf. Borracha feita em prancha, sem defumar. ... ensinaro o pessoal faze prancha ... FE099 CM:08 hoje e prancha ... a gente faz ... RB068CM:14 ... agora como ... do ... po ... nei ..pofim nao tiNa borracha em bola ... era prancha ... PC184 CF:06

Pe de Burro. sm. Denominacao dada ao estrado de varas feito sobre forquilhas cravadas no chao utilizado pelo seringueiro no processo de confeccao da borracha de prancha. uns chama jirau ... otos chama pe de burro ... FE099CM:18

Prensa. sf. Recipiente onde a borracha e imprensada. (...) faiz aquela prensa e coloca a borracha dento ... MU151CF: 06

5.2. Palavras relativas aos utensilios utilizados pelo seringueiro no corte da seringa:

Bacia. sf. Recipiente usado para depositar o leite quando vai ser defumado. (...) arente traiz o leite ... despeja na bacia ... ai vai defuma borracha (...) SM118CF:03 ... ai chegava ia bota o leite na bacia ... AB138CM:03 (...) ai ia ... nois colocara o lete na bacia (...). AB 137 CF: 05.

Balde. sm. Utensilio usado na colheita do latex. # D Como era feita a colheita? # L c' um balde ... eles faiz aquele balde ... a rente chega la na seringuera ... pega a tigela e ... despeja dento do balde ... SM118CF:03 ... a rente ... vai cortano ai quano chega aqui na boca do oito ai dexa as cosa ... o saco ... o balde ... AB137CF:25 ai come aquele poco que a rente leva ... ai a rente ... ai sai com o balde pa colhe RB131CF:03

Baldo. sm. Utensilio usado na colheita do latex. ... tem que levanta cedo ... quato hora da madrugada pra faze o seu cafe ... arruma o seu equipamento de trabalho ... a faca ... o baldo ... o tecado de baiNa ... AB138CM:02

Cabrita. sf. Especie de faca usada no corte da seringa. (...) era cabrita pa corta ... SM118CF:26 era uma cabrita ... a lamina ... o balde ... e o saco ... SM117CM:03 ai ele pegava a cabrita que e de corta seringa PC183 CF:03

Cavado. sm. Instrumento de madeira usado no defumador para sustentar a borracha no bulinete. Variacao de cavado. A ente tira aquela borracha ..que defumo ... ai pega enrola num ... no pau ne que ai ente chama cavado TA087 CM:06 ... mais tem um pau que se chama cavado ... PC063 CM:22 ai ali uNa ponta do ... do ... do cavado que a rente enrolarra a borracha era aquele pau e o oto era nessa argora que eu to dizeno AB137CF:28

Escada. sf. Serie de degraus por onde se sobe ou se desce. Faiz a escada ... PC184 CF:05 uNa escada ... e uNa escada ... ai a rente corta la em cima AB137CF:26 pois bem ... eu tiNa ... eu carregava uNa escada ... escada ... essas escada que tem ... RB068CM:09

Espingarda. sf. Denominacao dada a arma de fogo, usada pelo seringueiro quando vai para o corte para matar animais que lhe servem de alimento. (...) botarra a boca da espingarda assim(...) SM118CF:13 Coloca nas costa e a espingarda den ... a tiracolo aqui AB137CF:26 A espingarda ... a faca ... FE099 CM:07

Faca de seringa. sf. Instrumento afiado e com ponta usado pelo seringueiro para extrair o leite da seringueira. # D o que mais ele levava? # L a faca de seringa ne ... MU151CF: 03 # D com a faca ... com a faca de seringa(...) AB138CM:10 #D quais os objetos que a senhora levava para cortar? #L a faca de seringa CS102CF:52

Lamparina.sf. Utensilio usado para iluminar a estrada durante o corte da seringa A luz e ... e a querosene ne ... lamparina mermo CS081CM:12 e uNa ... uNa lamparina ... feita de ... alumim ... FE099 CM:02 e uNa lamparina ... RB968CM:116

LamparinaziNa. sf. Dim. Utensilio usado para iluminar a estrada durante o corte da seringa. # D O seu pai saia no escuro? era ... ele levava uma poronga ... uma lamparinaziNa na cabeca ... MU151CF: 03

Poronga. sf. Especie de lamparina em formato de uma coroa que o seringueiro usa na cabeca para iluminar o caminho a noite. # D o seu pai saia no escuro? # L era ... ele levava uma poronga ... uma lamparinaziNa na cabeca ... MU151CF: 03 ... quem corta de noite leva a poronga ne ... que e o fogo FE099 CM:07 # D Como e que chama essa lamparina com espelho? # L poronga CS081CM:13 ah ... levava a faca ... o balde ... o saco ... e a poronga que saia treis hora da madrugada ... levava poronga() RB131CF:02

Querosene. sm. Tipo de combustivel que mantem a poronga acesa. A luz e ... e a querosene ne ... lamparina mermo CS081CM:12 (...) que num precisa faze a municao ... querosene ne ... MU151CF: 12

Saco. sm. Receptaculo de pano, couro ou material plastico aberto em cima e fechado no fundo e nos lados, utilizado para colocar o latex era uma cabrita ... a lamina ... o balde ... e o saco ... SM117CM:03 ah ... levava a faca ... o balde ... o saco ... e a porongaque saia treis hora da madrugada ... levava poronga() RB131CF:02

Tecado de baiNa.sm. Denominacao dada ao facao grande. ... tem que levanta cedo ... quato hora da madrugada pra faze o seu cafe ... arruma o seu equipamento de trabalho ... a faca ... o baldo ... o tecado de baiNa ... AB138CM:02

Tigela. sf. Vasilha que se poe abaixo do golpe dado na seringueira para colher o leite. e: levava a faca faze o corte assim ((gestos)) ... aquelabanderiNa faiz o corte() ... embote a tigela embaixo do corte RB131CF:02 ... no balde ... a gente tira das tigela ... das tigela e vo despejano no balde CS102CF:52

A tigela ... ai a tigela apara aquele lete ai quano e de tarde.. AB137CF:24

Trepessa. sf. Especie de escada rustica, feita em madeira, que o seringueiro usa para cortar a parte superior da seringueira. Trepessa e um pau que a seNora escora ... AB137CF:26

5.3. Palavras relativas as estradas de seringa: Boca da estrada. sf. Inicio da estrada de seringa. ... quano a rente chega no ... na boca da estrada ... AB137CF:26 pois bem ... a rente corta ... imbute ... ai a gente chega la na boca da estrada ... a gente fica ali um poco ne ... RB131CF:03 Ai a rente vai quano chega na boca da estrada XA176 CF:02

Camin. sm. Denominacao dada ao espaco percorrido ou por percorrer a pe, pelo seringueiro. Variacao de caminho Nao ... tendo camin ... comecava o camin da barraca ... abria aquele pique ... SM117 CM:05 pela merma ... pelo mermo camin da manga ... ai segue no espigao de novo ... AB137CF:25 ... comeca esse camin ... justamente ... quando e rente comeca do mei do arco () fecha aqui ... TA087 CM:03

Caminzin. sm. Denominacao dada ao espaco percorrido ou por percorrer a pe, pelo seringueiro. Variacao de caminho (...) aqui entra esse caminzin ... aqui tem uma madera ... SM118 CF:10

Espigao. sm. Caminho reto que vai da casa do seringueiro ate o inicio da estrada de seringa. chama os espigao da estrada e AB137CF:23 posso ... ((vozes)) tem esse espigao aqui no feche a gente vai ... quando chega aqui vem pra casa CS081 CM:02 espigao grande ne ... porque fechava com uma hora de viagem ... FE099 CM:03

Estrada. sf. Especie de caminho, no qual estao dispostas as seringueiras. (...) andarra nas estrada cortano seringa (...). MU 153 CM: 02. Nois chama estrada (...) AB138 CM:05 estrada ... ai a miNa estrada ... u'a e ... chama-se a boca-da-estrada ne ... RB068CM:118

Estrada de Centro. sf. Denominacao dada a estrada de seringa que fica distante da casa do seringueiro; fica no centro da mata. A estrada que fica longe e a estrada de centro AB137CF:23

Estrada de Porta. sf. Denominacao dada a estrada onde o fecho fica perto da casa do seringueiro. Essa que fechava em casa chamava estrada de porta SM117 CM:05 (...) e a.... estrada de Porta e essas que a rente vem almoca em casa (...). AB 137 CF: 04.

Feche. sm. E uma volta completa na estrada de seringa. Posso ... ((vozes)) tem esse espigao aqui no feche a gente vai ... quando chega aqui vem pra casa CS081 CM:02

Fecho. sm. E uma volta completa na estrada de seringa. O fecho e porque a estrada ... vai ... aqui FE099 CM:03 (...) e la o fecho da estrada (...) MU 153 CM: 03 Ai quano a rente ... ai a rente volta pro fecho de novo ne AB137CF:26 E o fecho que a rente chama ... fecho da estrada CS102CF:64

Ladera-sf. Denominacao dada a uma inclinacao de terreno. Variacao de ladeira. Bem ... tem as ladera ne ... AB138 CM:05 (...) porque ai a perna que a rente ve que tem maise ... maise ladera (...). AB 137 CF: 07.

Manga. sf. Pequeno desvio na estrada de seringa onde ha arvores fora do rodo da estrada e o seringueiro vai la, corta e volta pelo mesmo caminho. ... agora aqui que e a manga ... CS102CF:63 (...) ai quando chega naquela manga entra ne (...). AB 137 CF: 05. Nois chama manga (...) AB138CM:06

Oito. sm. Denominacao dada, pelo seringueiro, a um pequeno desvio na estrada de seringa onde ha arvores fora do rodo da estrada. O seringueiro realiza o corte entrando por um caminho e voltando por outro caminho que, junto com a estrada tem o formato de um oito. (...) tem o oito (...). AB 137 CF: 06. Ah e sim ... o oito vai la ... e volta aqui ... ai chega aqui e tira direto ... assim PC184 CF:04 (...) tem oito ... porque a rente vai assim ... ai quano chega aqui no ... no rodo ai entra pa perna do oito (...) SM118 CF:10 Ah ali e o oito que chama RB131CF:04

Perna da estrada. sf. Lugar referente ao lado direito ou lado esquerdo da estrada de seringa. Onde entra ... a ente chama a perna da estrada ... TA087CM:03

Perna direita. sf. O lado direito da estrada de seringa. Perna direita ne ... TA087 CM:03 (...) tem perna direita ne (...). AB 137 CF: 07.

Perna esquerda. sf. O lado esquerdo da estrada de seringa Que nois coNece ... ai ja essa que vempa fecha aqui com essa ((gestos)) ai a gente so ... chama perna ... a perna esquerda ... certo TA087 CM:04 (...) tem a perna esquerda (...). AB 137 CF: 07.

Rodo. sm. Percurso na estrada de seringa por onde o seringueiro passa primeiro cortando e depois colhendo o leite. Por exemple a estrada la e de frente comeca aqui e vai da aquele rodo ... TA087 CM:02 ... e vai assim ... assim ... da aquele rodo ... ai vem bate de novo RB131CF:04 E ... faiz a volta completa da ... do rodo ... AB137CF:25

Varado.sm. Atalho usado pelo seringueiro. (...) ai ficava aquele varado pra voce camiNa SM117 CM:02 ... ai noi ficamo no varado ... RB131CF:05

5.4. Palavras relativas ao corte da seringa:

Bandera. sf. Forma como o seringueiro risca a seringueira. Variacao de bandeira (...) faiz assim as bandera ai vai corta os risco ... SM118CF:30 Por pano o bandera(...) AB138CM:12 E riscano o par da madera (latex) ... nas bandera num sabe ... FE093 CF:04

Brocar. v. Acao de cortar o mato para plantar E broca ... ela fica limpa TA094 CF:05 Ah ... broca ... toca fogo ... quando num queima bem a gente faiz coivara ... toca fogo nas coivara XA176 CF:18 ... ai ele brocarra e derrubarra.. AB137CF:22

Capina. v. Limpar (as plantas, uma plantacao, um terreno) de capim ou de qualquer erva. Variacao de capinar. (...) chega la nois vamo capina um arroiz (...). MU 151 CF: 50. ... ai vai po rocado capina(...) XA176CF:193

Colher. v. Ato ou acao de retirar os frutos da planta. ai come aquele poco que a rente leva ... ai rente ai 'sai com o balde pa colhe RB131CF:03 ai ... eu comecava a colhe onze hora ne ... RB068CM:117 Colhe ... colhe ne ... junta o lete todim ... leva no balde ... bota num saco XA176 CF:04

Cortar. v. Fazer incisao em; dar um atalho em; abertura superficial feita na casca da seringueira para obtencao do leite. #L ajudava ele a corta seringa ... MU152 CF:02 Ah pa reente ... corta assim as madera tudim RB131CF:03 Ali era ... corta ... na ... no seringal do finado Mota CS102CF:54

Embutir. v. Ato ou acao de fincar a tigela na seringueira para aparar o leite. e: levava a faca faze o corte assim((gestos)) ... aquela banderiNa faiz o cotre() ... embote a tigela embaixo do corte RB131CF:02 (...) embotia a tigela na madera ... SM118 CF:26 (...) e as tigeliNapa emboti ne ... SM117:03 ... a gente vai riscando e embutindo as tigela ... FE099 CM:04

Limpar. v. Ato ou acao de limpar uma certa parte da estrada. E broca ... ela fica limpa TA094CF:05 Ai aqueles home vao tudo broca o rocado ... limpa ou apaNia arroize ou bate palha de arroize AB137CF:34 Tem que limpa e ... RB131CF:03

Madera. sf. Arvore grumifera, o mesmo que seringa ou seringueira, de onde e extraido o latex. Variacao de madeira. Ah pa rente ... corta as madera tudim RB132CF:03 cento e vinte madera ... FE099 CM:06 rapa a madera ne ... assim ((gestos)) ... AB137CF:24

Paxiuba. sf. Especie de madeira utilizada na construcao da casa do seringueiro. Era casa mermo ... coberta de ((tosse)) paia ... e ... e soalho de paxiuba ... paxiubao CS102CF:59 A miNa casa era de paxiuba ... coberta de palha ... PC184CF:11 A miNa casa era feita de paxiuba mermo ... de palha AB137CF36

Raspar. v. Ato ou acao de limpar a seringueira, tirar a casca grossa que existe sobre ela. Variacao de raspar. ... ai em marco a rente ra ta terminando de roca ai rapa ... ai abril ra pa comeca a corta AB137CF:43 Ai ... que depois de rapa e que vai corta CS102CF:57

Risco. sm. Traco que o seringueiro da na madeira para extrair o leite. e o risco mermo ... e o risco mermo (..) AB138 CM:11 e um pedaco de pau assim deste tamaNe com um ferro com lamina incima pa da o risco PC184 CF:03 ai a rente vai corta o primero ne ... ai vai cortano costadim do oto ... cortano ... cortano ... ate quano finda aquela ... aquela ... aquela bandera AB137CF:24

Rocar. v. Ato ou acao de fazer a estrada, limpando todo o excesso de mato. (...) eu so fazia colhe e rocava a estrada mar meu padrasto(...) SM118 CF:02 ai um ajudava o oto a roca ... SM117 CM:16 A gente comeca primeramente roca as estrada ... CS081CM:01 e ... agora o otro vai acula e rocando ... alimpando o camim ... supono meo assim ... como ... RB068CM:04

Seringa. sf. Denominacao dada a arvore da qual se extrai o latex; seringueira; madeira. Pa emboti na seringa pa apara o leite(...) AB138CM:10 ... ai ele pegava a cabrita que e de corta seringa PC184CF:03 e ... porque e longe e corta muita seringa ... e vaicolhe ... ai vai se espalhano ... TA087CM:02

Seringuera. sm. Arvore da familia das euforbiaceas, cujo leite dele se fabrica o latex para a fabricacao da borracha. (...) as veiz ate dzentos metro d'uma seringuerapra ota AB138CM:06 A seringuera ... rapa a seringuera AB137CF:24

5.5. Palavras relativas a comercializacao da borracha

Balanca. sf. Instrumento com que se determina ou a massa ou o peso dos corpos. (...) ai ia coloca em cima da balanca ... MU151CF:12

Comprar. v. Adquirir por dinheiro; ganhar, adquirir ou obter com sacrificio ou prejuizo material ou moral. Eu vendia la ... eu vendia ... vendia la po pessoal que comprava CS102CF:54 Eu comprava ... o meu patrao era o Abidaozin ... que eu comprava MU153CM:129 hoje em dia ... hoje em dia e ... compra tudo na cidade ne ... RB068CM:25

DiNero. sm. Mercadoria (geralmente representada por celulas e moedas), que tem curso oficial, e cujo valor e estabelecido como equivalente que permite a troca por outras mercadorias. ... cinco dia hoje to queimano no carvao porque num teNo diNero po gas ... PC184CF:29 Eu nunca consegui diNero nao MU153CM:114 e .... pois e ... hoje em dia a borracha ta dano diNeiro ... e no mes todo num da nada ne RB068CM:26

Mercadoria. sf. Generos de um modo geral que chegam nos seringais. Bom ... la num era muito bom nao ne ... porque ... falta assim das coisa ne ... mercadoria RB131CF:01 O seringueiro da floresta veve ... passando muita necessidade ... falta de mercadoria ... CS081CM:01 dava ... ai ele comprarra mercadoria ... XA176CF:14

Sindicato. sm. Associacao de operarios de uma classe para defesa de seus interesses profissionais. (...) ai depois que fundo o sindicato MU151CF:11

Vender. v. Trocar por dinheiro. Eu vendia la ... eu vendia ... vendia la po pessoal que comprava CS102CF:54 ... o meu irmao cortava ... ai levava pa marge ... pa vende a borracha XA176CF:14 Nao vendia so a borracha so mermo RB131CF:01 Eu vendia po meus patrao ... aqui no Purus MU153CM:113

5.6. Palavras relativas as pessoas envolvidas com o trabalho da seringa

Comboero. sm. Diz-se do homem que transporta mercadoria, inclusive a borracha. Variacao de comboieiro. La tem ... os patrao manda busca ne ... tem os camboiero ne ... que carrega ... vai dexa mercadoria FE099CM:11 (...) tiNa o patrao .... ai o camboero viNa ... ela marcarra o dia de i pa mage ... ai la ela fazia ... la o camboero levarra aquela borracha todiNa (...) AB 137 CF: 12. o ... o camboero viNa ... viNa faze a nossa ... leva por metade ... metade pa tanto ... metade pa ... mercadoria RB131CF:01

Marretero. sm. Comprador ilegal da borracha, comprador clandestino. Variacao de marreteiro. Marretero ... regatao ... chama regatao FE099CM:14 Marretero ... ai ve um marretero ai a rente vende XA176CF:07 Vende ... a gente vende pro marretero FE093CF:07

Matero. sm. Pessoa contratada pelo patrao para abrir caminho nas estradas para o corte da seringa. E o matero ... eles que faiz a estrada FE093CF:04 ... ai foi ... foi ... o patrao q 'eu trabalhava com ele saiu ... TA087CM:10 Matero ... sabe faze uma estrada tem que te um matero ... PC063CM:07 e o matero ... chama-se matero ... RB068CM:21

Patrao. sm. Chefe ou proprietario de estabelecimento em relacao aos empregados; empregador, dono do barracao. (...) eu vendia po meus patrao (...) MU 153 CM: 15. TiNa o patrao ... ai o camboero viNa ... AB137CF:29 ... ai foi ... foi ... o patrao q 'eu trabalhava com ele saiu ... TA087CM:10

Regatao.sm. Vendedor ou comprador que percorre os rios de barco parando de lugar em lugar. (...) tem esse negoco de regatao que vem pela bera do rie SM117CM:08 Marretero ... regatao ... chama regatao FE099CM:14 O regatao ... um que anda no rie vendeno FE093CF:08

Seringuero. sm. Individuo que se dedica a extracao do latex da seringueira e com ele prepara a borracha.Variacao de seringueiro. ... o seringuero sempre corta uma estrada grande e ota pequena MU153CM:104 O seringuero da floresta veve ... passando muita necessidade ... falta de mercadoria ... CS081CM:01

5.7. Palavras relativas aos locais onde se realizam as atividades do latex.

Barracao. sm. Casa de moradia do dono do seringal ou de seu administrador, e que e, ao mesmo tempo, habitacao, deposito de generos de primeira necessidade, da borracha colhida nos centros, e loja para a venda de generos, roupas, ferramentas e utensilios. (...) pode traze tudo po barracao MU151CF:17 (...) tiNa as sua casa ... seu barracao de ... da que eles trabalhavo (...) AB138CM:05 ... o ... la no barracao pa pode tira ele ... RB131CF:05

Colocacao. sf. Parte da divisao do seringal; area destinada ao seringueiro para seu trabalho na seringa. ... eu teNo nove colocacao que da o apelido ... quase um seringalzim e PC063CM:06 So ... depois que sai.. daquela colocacao ... TA087CM:04 Era ... as veiz tiNa causo ... colocacao que e raso ... tem colocacao que e fundo AB137CF:36 TiNa colocacao que pegava dois ... SM117CM:10

Seringal. sm. Area de terra onde tem uma determinada quantidade de colocacoes com estradas, seringueiros, patrao. ... mas o que acontece e que hoje o seringal tao tudo abandonado ... num tem mercadoria ... TA087CM:13 (...)num quero mais e po seringal nao(...) SM118CF:32 Eu morava la ... la no seringal MU153CM:113

6. Conclusao

Os dados apontam a presenca marcante dos substantivos e verbos, por serem denotadores da acao do homem em nomear e fazer. Enquanto a utilizacao dos adjetivos e adverbios terminados em--mente e pouca entre os informantes.

Observou-se nas Zonas de Pesquisa estudadas, alteracao fonetica nas lexias: buiao > bulha; fornaia > fornalha; feche > fecho; juNio > Juno; setembo > setembro; hepatite > hapatite; quebrante > quebranto; remede > remedio; viziNo > vizim; arroiz > arroize; milho > mio; plantar > prantar; veado > viado; difico > dificil, ocorrendo troca, acrescimo ou supressao de vogais ou consoantes.Com base nessas observacoes, e possivel concluir que essas informacoes proporcionaram um contato com a vida do seringueiro, conhecendo o seu universo, atraves da linguagem. Depois, os dados apontam a unidade, a diversidade, a variacao lexical e foneticas nas areas da Pesquisa, fornecendo dados que muito irao contribuir para o fechamento do Atlas Etnolinguistico do Acre--ALAC.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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BRANDAO, Silvia Figueiredo. A geografia linguistica no Brasil. Sao Paulo: Atica, 1991.

COSERIU, Eugenio. O homem e sua linguagem. Rio de Janeiro: Presenca, 1988.

CUNHA, Celso. Lingua portuguesa e realidade brasileira. 4. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1988.

FERREIRA, Calota; CARDOSO, Suzana. A dialectologia no Brasil. Colecao "Repensando a lingua portuguesa". Sao Paulo: Contexto, 1994.

LESSA, Luisa Galvao. Projeto Centro de Estudos Dialectologicos do Acre CEDAC. Comunicacao apresentada no IX Congresso Internacional de Filosofia e Linguistica da America Latina: ALFAL.

--. Projeto Atlas Etnolinguistico do Acre--ALAC. Comunicacao apresentada na V semana na UFMT. Cuiaba: 1992.

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--. A linguagem falada no Vale do Jurua--materiais para estudo. Centro de Estudos Dialectologicos do Acre--CEDAC, Rio de Janeiro, 2002.

--. A linguagem falada no vale do Purus--materiais para estudo. Centro de Estudos Dialectologicos do Acre--CEDAC, Rio de Janeiro, 2002.

Luisa Galvao Lessa (UFAC)

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Author:Lessa, Luisa Galvao
Publication:Soletras
Date:Jul 1, 2011
Words:6191
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