Printer Friendly

Academic performance in the freshman year of undergraduate studies: The case of the Universidade Federal de Goias Statistics course/Desempenho academico no primeiro ano da graduacao: o caso do curso de Estatistica da Universidade Federal de Goias.

Introducao

Este estudo tem como objetivo conhecer o desempenho academico dos alunos ingressantes no curso de Estatistica da Universidade Federal de Goias (UFG) em 2017, ao longo do primeiro ano da graduacao. A escolha do publico-alvo deu-se porque pesquisa de Rosa e Santos (2018) sobre a retencao nos cursos de graduacao do Instituto de Matematica e Estatistica (IME) da UFG revelou que, da primeira turma do curso de Estatistica, em 2009, apenas tres se formaram, e nenhum deles no prazo regular.

Ja a opcao por estudar o desempenho no primeiro ano do curso decorre do fato de que pesquisa realizada por Rosa e Ribeiro (2018), ao analisar a fase academica em que se deu a saida dos excluidos da UFG, mostrou que tal percentual e bastante expressivo entre os ingressantes e tem sido frequente, sobretudo a partir de 2011--23,3% (2011), 38,7% (2012), 36,5% (2013), 47,2% (2014) e 36,6% (2015).

A evasao e, pois, um quadro preocupante, principalmente por se considerar que, de 2006 a 2016, na UFG, houve um aumento importante do numero de excluidos, que passou de 1.045 para 1.884, o que representa um crescimento de 80,3%, com percentual de evasao que varia de 27,7% a 39,5% (Rosa; Ribeiro, 2018). Portanto, trata-se de um problema que e institucional, mas que tambem se faz presente em todo o cenario brasileiro (Gilioli, 2016), e por isso merece ser estudado.

O autor chama a atencao para o fato de que:

Para alem das diversas modalidades de evasao (evasao do curso ou microevasao, evasao da instituicao ou mesoevasao e evasao da educacao superior ou macroevasao) e diferentes formas pela qual ela se manifesta (ingressantes que nao se matriculam, desistencia, abandono, jubilamento), ha diversidade no comportamento da evasao por area de conhecimento, por curso, opcao (bacharelado ou licenciatura) e de acordo com o perfil do aluno (renda, atividade laboral em paralelo, cuidado com filhos, genero, idade). A incidencia de evadidos tambem varia conforme a etapa do curso, sendo mais comum no primeiro ano, mas tambem com relativa intensidade no segundo ano (Gilioli, 2016, p.49).

Alem disso, Fagundes, Luce e Espinar (2014, p.656) afirmam que: "Apos o primeiro ano de estudos, e possivel medir o exito da transicao [do Ensino Medio a Educacao Superior], ou seja, a partir dessa fase podemos concluir tanto sobre a permanencia dos alunos na universidade como o desempenho academico dos mesmos'. No mesmo sentido, Silva, N.H.G. (2015, p.14) salienta que: "Como a Educacao trata-se de um sistema continuo e interligado, este tipo de estudo [sobre desempenho academico] tambem pode basear medidas de politicas educacionais enquanto sistema, uma vez que todo o contexto do aluno pode envolver-se nos desempenhos subsequentes".

Procedimentos Metodologicos

Neste estudo, optou-se por analisar particularmente o desempenho academico de todos os ingressantes no curso de Estatistica em 2017, considerando seus historicos academicos. As variaveis selecionadas para apreciacao foram: mecanismo de ingresso--Sistema de Selecao Unificada (Sisu) ou processo seletivo para vagas remanescentes; desistencia do curso; e analise do desempenho academico dos alunos que permaneceram no curso e cursaram os dois semestres regularmente, considerando os seguintes aspectos: numero de disciplinas cursadas; percentual de aprovacao, reprovacao por media e reprovacao por falta e media; desempenho nas disciplinas do nucleo comum do curso; e media dos alunos que cursaram os dois primeiros semestres letivos.

Considerando essas variaveis, o presente estudo contempla os alunos que abandonaram o curso de graduacao em 2017, mas foca, especificamente, na investigacao do desempenho dos que cursaram os dois semestres letivos com regularidade, sem abandonarem ou trancarem o curso. Essa escolha foi feita para que se pudesse comparar o desempenho academico no primeiro e segundo semestres.

Os dados dos historicos foram analisados por meio de estatistica descritiva para calcular medidas de posicao e dispersao. Ainda foram aplicados os testes de Shapiro-Wilk, para detectar normalidade das populacoes, e de Wilcoxon, para avaliar a igualdade entre as medias, bem como entre as medianas, sempre no primeiro e segundo semestres. Alem disso, um modelo de regressao linear simples permitiu fazer previsoes da media para o semestre seguinte.

Resultados e Discussao

No primeiro semestre de 2017, ingressaram 63 alunos no curso de Estatistica da UFG. Desses, 48 ingressaram pelo Sisu e 15 por processo seletivo para preenchimento de vagas remanescentes, destinadas a portadores de diploma de curso superior, ex-alunos da UFG que buscam o reingresso, estudantes de outras Instituicoes de Ensino Superior (IES) que ingressam por transferencia facultativa, e estudantes da UFG que desejam realizar mudanca de curso.

Ainda no primeiro ano, 27 alunos foram excluidos (42,8%), sendo 18 ingressantes pelo Sisu (66,7%) e nove (33,3%) pelo edital de preenchimento de vagas remanescentes. Diante desse fato, e importante problematizar por que esse grupo de estudantes parece tao propenso a evasao.

No caso do ingresso pelo Sisu,

[...] o individuo ja tem uma nota e se candidata a dois cursos (primeira e segunda opcao) em relacao aos quais ele ja sabe com muito mais seguranca do que no vestibular, dadas as simulacoes feitas na etapa inicial do Sisu, suas possibilidades reais de ser aprovado. Essa diminuicao do nivel de incerteza tende, logicamente, a estimular uma escolha estrategica pelo curso possivel. [...]. O candidato nao precisa, assim, sair do processo com o peso de ter sido simultaneamente reprovado. Ao contrario, o sistema indiretamente o estimula, por meio das simulacoes iniciais, a ajustar suas preferencias originais ao que e objetivamente possivel de modo a ser aprovado, mesmo que nao no curso ou instituicao mais desejados (Nogueira et al., 2017, p.7).

Logo, e necessario empreender estudos especificos sobre a permanencia e desempenho dos alunos ingressantes pelo Sisu, de modo a verificar se esse mecanismo esta, de fato, promovendo a democratizacao do acesso a Educacao Superior, ou a evasao dos cursos e a consequente ociosidade de vagas, tanto no curso objeto deste estudo--a Estatistica na UFG--, como em outros cursos e Instituicoes de Educacao Superior.

Tambem vale destacar que, dos 27 alunos excluidos no primeiro ano do curso, 20 o foram por reprovacao por falta e/ou media e falta em todas das disciplinas no semestre de ingresso (74,1%), tres por desistencia do curso (11,1%), tres por desistencia da vaga (11,1%) e um por nao renovar vinculo com a UFG (3,7%). Os desistentes de vaga ou curso sequer foram inscritos em disciplinas. Os demais foram inscritos, mas ou desistiram de frequenta-las ou foram reprovados, de acordo com o art. 105 da Resolucao CEPEC no 1.122 de 2012 da UFG, que determina: "Sera excluido do quadro discente da UFG o estudante que: I--for reprovado por falta em todas as disciplinas ou eixos tematicos/modulos cursadas no semestre de ingresso na UFG".

E preciso esclarecer que, apesar de o sistema considerar que houve alunos excluidos no segundo semestre, em todos os casos deste estudo, o vinculo com a universidade foi rompido efetivamente no primeiro semestre, ja que eles pararam de frequentar as aulas e, por isso, foram excluidos, conforme o artigo 105 da Resolucao Cepec no 1.122 de 2012. Prova disso e que, do total de alunos que desistiram do curso no primeiro ano, nenhum cursou disciplina no segundo semestre letivo. Tambem e importante registrar que, dos 16 alunos que desistiram do curso no segundo semestre, todos haviam cursado apenas uma disciplina no primeiro semestre.

Tendo em vista que a maior parte dos alunos foram excluidos do curso de Estatistica da UFG em 2017 por reprovacao por falta e/ou media e falta em todas as disciplinas no semestre de ingresso, e preciso problematizar que, "Embora nao se possa definir se isso [o desempenho academico] e causa ou efeito do processo de evasao, e possivel observar que em geral a desistencia esta relacionada com uma dificuldade que decorre do curso ou nele se reflete" (Violin, 2012, p.85).

No mais, um percentual de abandono de 42,8% no primeiro ano do curso e um dado muito expressivo. Mas essa nao e uma situacao isolada do curso de Estatistica da UFG, tampouco da UFG como um todo, como mostraram Rosa e Ribeiro (2018). Segundo dados do Censo da Educacao Superior de 2015, 49,0% dos alunos de graduacao presencial no Brasil abandonaram os cursos nos quais ingressaram. Tendo isso em vista, Silva Filho et al. (2007) defendem que e preciso compreender que a evasao e um problema institucional, pois culmina em desperdicios de ordem social, academica e economica. Portanto,

O abandono no ensino superior e um fenomeno multidimensional e, por isso nao tem apenas um impacto na vida do estudante. A universidade, enquanto instituicao que 'produz saber' tem um interesse prioritario no acolhimento dos estudantes que, para alem de representarem uma fonte de vencimento sao tambem passiveis de proporcionar prestigio e visibilidade a instituicao atraves das suas investigacoes academicas (Silva, H.G., 2015, p.3).

Estudo conduzido por Rissi e Marcondes (2011) na Universidade Estadual de Londrina (UEL) revelou que os estudantes possuem uma grande expectativa em relacao ao curso em que ingressam e tambem ao ambiente universitario. Mas, em razao das dificuldades de adaptacao e falta de informacao sobre o curso, nao conseguem se identificar, o que, somado as reprovacoes em algumas disciplinas, acaba por faze-los se evadir da graduacao.

No curso de Estatistica da UFG, alem das exclusoes, foram realizados 11 trancamentos no segundo semestre de 2017. Vale lembrar que, de acordo com o Regulamento Geral dos Cursos de Graduacao (RGCG) vigente a epoca na UFG e aprovado pela Resolucao no 1.122/2012 do Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensao e Cultura (CEPEC), nao era permitido o trancamento no primeiro semestre do curso, exceto nos seguintes casos:

I--doenca do interessado ou de pessoa de seu nucleo familiar que exija envolvimento direto do interessado, devidamente comprovado por relatorio medico original, ouvido orgao competente da UFG, se necessario;

II--mudanca de horario ou de municipio em funcao do emprego/cargo, ocorrido apos a realizacao do processo seletivo e/ou ingresso do estudante na UFG, devidamente comprovado;

III--cumprimento de servico militar obrigatorio (Universidade Federal de Goias, 2012, online, Art. 73).

Os 36 alunos que permaneceram no curso, por sua vez, compuseram um total de 137 matriculas em disciplinas no primeiro semestre letivo, com 76 reprovacoes por media (55,5%) e 15 reprovacoes por falta e media (10,9%). No segundo semestre letivo, havia apenas 25 alunos ativos e matriculados, enquanto os demais 11 trancaram a matricula. Foram computadas 85 matriculas em disciplinas, 28 reprovacoes por media (32,9%) e 25 (29,4%) reprovacoes por falta e media. Nesse aspecto, vale observar que o percentual de reprovacao por falta e media nao pode ser desconsiderado, visto que representa os estudantes que desistem de frequentar as aulas, seja quando percebem que nao tem chances de aprovacao em razao das dificuldades inerentes a disciplina, seja por nao conseguirem se identificar com o curso, seja ainda por problemas de ordem pessoal, entre outros motivos.

No computo geral, foram aprovados 46 alunos (33,6%) no primeiro semestre e 32 (37,7%) no segundo, o que indica uma reprovacao expressiva, que, segundo Maria (2018), pode estar associada a fatores individuais e institucionais. Os primeiros se referem a caracteristicas proprias dos estudantes, como desnutricao, coeficiente intelectual, escolha equivocada da profissao, motivacao, condicao socioeconomica, idade, sexo, antecedentes familiares, entre outros. Ja os segundos abrangem metodos de ensino, curriculo, sistemas de avaliacao, estrutura organizacional, gestao escolar e outros (Maria, 2018). Portanto, a reprovacao e um fenomeno multivariado, cuja interpretacao e compreensao demandam investigacoes sistematicas, abrangendo distintos aspectos.

Considerando o aspecto institucional, verifica-se que a proposta do fluxo curricular contida no Projeto Pedagogico do Curso (PPC) de Estatistica e que os alunos cursem, no primeiro semestre, Calculo I, Estatistica I, Geometria Analitica e Introducao a Computacao, e, no segundo semestre, Algebra Linear I, Calculo II, Estatistica II e Probabilidade I. O desempenho dos alunos nessas disciplinas pode ser observado na Tabela 1.

Vale esclarecer que, apesar de essas disciplinas terem sido cursadas nos dois semestres de 2017 e serem ofertadas preferencialmente para os ingressantes, estudantes reprovados em semestres anteriores tambem puderam se matricular nelas. Logo, a analise do desempenho nao se restringe aos ingressantes de 2017, mas abrange todos os estudantes que estavam matriculados e cursavam essas disciplinas que compoem o fluxo dos dois primeiros periodos do curso.

Pelos dados apresentados, verifica-se que, dos 259 estudantes que cursaram as oito disciplinas do fluxo regular do primeiro ano do curso de Estatistica da UFG no ano de 2017, apenas 64 deles (24,7%) foram aprovados. Analisando o comportamento dos aprovados, constatou-se que 46,9% deles tiveram media final na disciplina entre 6,0 e 6,9, sendo esta, portanto, a nota mais frequente. Outros 26,6% tiveram media final de 7,0 a 7,9; 15,6%, de 8,0 a 8,9; e 10,9%, de 9,0 a 10,0. Logo, tendo em vista o elevado percentual de reprovacao, e considerando que grande parte dos aprovados tiveram media muito proxima ao minimo exigido pela universidade para aprovacao (nota 6,0), depreende-se que o desempenho dos estudantes analisados, de forma geral, e insatisfatorio.

Os dados deste estudo tambem mostram que, das oito disciplinas analisadas, em apenas duas delas, Calculo II e Estatistica II, ambas do segundo semestre, o percentual de aprovacao foi igual ou maior que 50%. Em quatro das disciplinas, o percentual de aprovacao sequer chegou a 25% do total de alunos, o que ocorreu com Calculo I, Estatistica I, Geometria Analitica (disciplinas do primeiro semestre) e Probabilidade I (segundo semestre). Ja em Introducao a Computacao e Algebra Linear I, o percentual de aprovacao dos alunos matriculados ficou entre 30% e 50%. Esse panorama reforca o baixo desempenho dos estudantes nos primeiros dois semestres do curso, sendo que no primeiro semestre o desempenho e pior, visto que o maior percentual de reprovacao ocorre em tres das quatro disciplinas do fluxo.

Identificado esse quadro, e preciso concordar com Rosa, Alvarenga e Santos (2019, p.14), que afirmam ser preciso "[...] reconhecer que falta uma cultura de criar medidas e instrumentos capazes de minimizar a reprovacao; e, mais que isso, levar os alunos a aprenderem os conteudos ministrados, de modo que o conhecimento se torne significativo'. Os autores ainda defendem ser necessario superar a fase do conformismo e buscar conhecer as causas do baixo desempenho, que nao pode ser naturalizado.

Analisando detalhadamente o desempenho em cada uma das oito disciplinas do fluxo do primeiro ano do curso, constatou-se que, no primeiro semestre de 2017, na disciplina Calculo I, dos 49 alunos do curso de Estatistica, houve apenas dois aprovados (4,1%), ambos com media inferior a 7,0. A reprovacao nesse componente curricular e bastante comum na universidade em questao. Ja no segundo semestre de 2016, foram reprovados 55,65% dos 2.090 estudantes matriculados nas disciplinas de Calculo Diferencial e Integral (CDI) ofertadas pelo IME/UFG. Especificamente no componente Calculo 1A, no mesmo periodo, o percentual de reprovacao foi de 56% dos 494 matriculados (Rosa; Alvarenga; Santos, 2019). Portanto, esse e um problema que deve ser tratado institucionalmente, e nao apenas no ambito do curso de Estatistica.

Em Estatistica I, dos 67 cursistas, 15 obtiveram aprovacao (22,4%), dos quais tres com media abaixo de 7,0; nove com media entre 7,0 e 7,9; dois com media entre 8,0 e 8,9; e um com media acima de 9,0. Na disciplina Geometria Analitica, dos 47 alunos da Estatistica que a cursaram no primeiro ano do curso, cinco foram aprovados (10,6%), sendo tres com media abaixo de 7,0; e dois com media entre 7,0 e 7,9. E em Introducao a Computacao, dos 50 alunos, 24 foram aprovados (48,0%), 12 deles com media abaixo de 7,0; quatro com media entre 7,0 e 7,9; cinco com media entre 8,0 e 8,9; e tres com media acima de 9,0.

Considerando o fluxo do segundo semestre, em Algebra Linear I, dos 18 cursistas, seis foram aprovados (33,3%), e, desses, quatro tiveram media abaixo de 7,0 e dois acima de 9,0. Em Calculo II, dos seis alunos, tres foram aprovados (50,0%), um com media abaixo de 7,0; um com media entre 7,0 e 7,9; e um com media entre 8,0 e 8,9. Na disciplina Estatistica II, houve oito cursistas, sendo sete aprovados (87,5%), dos quais quatro com media menor que 7,0; um com media entre 7,0 e 7,9; um com media entre 8,0 e 8,9; e um com media acima de 9,0. Ja em Probabilidade I, dos 14 cursistas, apenas dois foram aprovados (14,3%), um com media menor que 7,0 e o outro com media entre 8,0 e 8,9.

Estudo de Brandao (2016) evidenciou que:

No que se refere a classificacao binaria de desempenho academico, ou seja, desempenho academico abaixo da media ou na media/acima da media, os participantes com desempenho na media/acima da media concluiram o curso no tempo previsto pela grade curricular em maior frequencia que os participantes com desempenho abaixo da media (Brandao, 2016, p.117).

Ainda de acordo com o estudo de Brandao (2016), realizado com 305 alunos de graduacao da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (Unesp)--campus de Bauru, a principal variavel preditora do desempenho academico ao final do curso de graduacao foi o desempenho academico no inicio do curso. De igual modo, pesquisa de Ribas et al. (2017, p.11) evidencia que "[...] a correlacao entre o indice de desempenho academico ao final do primeiro ano e no momento da conclusao do ensino superior e existente e, relevante, alta, forte" Esses dados reforcam a necessidade e importancia de estudos como este, que se voltam para a compreensao do desempenho dos alunos no primeiro ano do curso.

Tendo em vista que o percentual de aprovacao dos estudantes nas disciplinas do fluxo do primeiro e segundo semestres do curso de Estatistica da UFG de 2017 apenas foi igual ou maior que 50% em duas disciplinas--Calculo II e Estatistica II--, e considerando o que sugerem os estudos de Brandao (2016) e Ribas et al. (2017), ha indicativos de que esses estudantes que tiveram baixo desempenho no inicio do curso poderao apresentar baixo desempenho tambem ao final do curso, e, em decorrencia disso, levar mais tempo para se formar do que o previsto na grade curricular, que e de nove semestres.

Alem do mais, verificou-se que, tendo em vista o conjunto dos 36 alunos ativos nos dois primeiros semestres do curso, seus historicos exibem um total de 55 disciplinas, das quais 28 foram aproveitadas. Alem daquelas previstas no fluxo dos dois primeiros semestres, os alunos ainda cursaram outras 19, que fazem parte do rol de disciplinas dos nucleos comum (4), especifico (5) e livre (6) do curso. Neste estudo, optou-se por averiguar o desempenho dos estudantes apenas nas disciplinas que fazem parte do nucleo comum.

Considerando apenas os alunos que cursaram o primeiro e o segundo semestres, foram obtidas as seguintes distribuicoes de frequencia para a variavel media das medias finais (Figura 1).

Com o objetivo de comparar as medias dos dois conjuntos de medias das medias finais nos dois semestres de 2017, fez-se necessario estudar a normalidade dos dados, para definir qual teste de igualdade de medias seria aplicado. Para tanto, foi aplicado o teste de Shapiro-Wilk com 5% de significancia, que mostrou como resultado que os dados do primeiro semestre nao provem de uma populacao normal (p-valor igual a 0,0100), enquanto os dados do segundo semestre provem de uma populacao normal (p-valor igual a 0,0705). Diante disso, foi necessario recorrer a um teste nao parametrico.

A media do conjunto de medias do primeiro semestre e igual a 3,7 e, no segundo semestre, 3,5. Essas medidas estao muito proximas, o que sugere que podem ser estatisticamente iguais. O teste de Wilcoxon com nivel de significancia de 5,00% ratifica essa afirmacao, e com p-valor igual a 0,1402, conclui-se que as medias sao iguais. Ja os desvios padroes sao muito diferentes, o que sugere que um dos grupos e mais heterogeneo do que o outro. O coeficiente de variacao para a media do primeiro semestre e igual a 51,35% e para o segundo semestre e igual a 71,42%, o que significa que os alunos do segundo semestre formam um conjunto de dados bem menos homogeneo, embora em ambos os grupos haja uma grande variabilidade quanto as medias.

Vale esclarecer que a heterogeneidade de um conjunto de dados diz respeito ao quanto esses dados se afastam da media. O coeficiente de variacao mede isso. Logo, ao comparar dois conjuntos, aquele que tiver maior coeficiente de variacao sera o mais heterogeneo. Coeficiente de variacao maior que 30% indica alta dispersao e, consequentemente, alta heterogeneidade.

A mediana das medias para o primeiro semestre foi de 3,2 e, no segundo semestre, de 2,9. Logo, no primeiro semestre, 50% dos alunos obtiveram media no maximo Igual a 3,2; e, no segundo semestre, no maximo igual a 2,9. O teste de Wilcoxon para a igualdade entre medianas ao nivel de significancia de 5% comprovou que elas sao estatisticamente iguais, com p-valor igual a 0,7728.

A Figura 2 apresenta, alem das medias e das medianas, o primeiro e terceiro quartis, bem como as medias minimas e maximas obtidas no primeiro e segundo semestres de 2017.

Para os dados do primeiro semestre, a esquerda, 25% dos alunos obtiveram media no maximo igual a 2,3 e 75% obtiveram media no maximo igual a 4,7. Alem disso, a menor media foi 1,3 e a maior 8,0. Os dados do segundo semestre, a direita, revelam que 25% dos alunos obtiveram media no maximo igual a 1,3 e que 75% obtiveram media no maximo igual a 5,6. No mais, a menor media foi 0,3 e a maior 8,3. Os conjuntos de dados tambem mostram que nao ha dados discrepantes, que sao aqueles que se afastam da media por mais de tres desvios padroes.

No caso do primeiro semestre, a media vale 3,7 e o desvio padrao 1,9. Logo, os dados discrepantes sao aqueles fora do intervalo 3,7 [+ or -] 3 x 1,9, ou seja, menores do que--2 ou maiores do que 9,4. No contexto de notas, os dados discrepantes seriam aqueles menores do que zero ou maiores do que 9,4. Como nao e possivel obter uma nota menor do que zero, os dados discrepantes seriam aqueles maiores do que 9,4. Analogamente, para o segundo semestre, os dados discrepantes seriam aqueles fora do intervalo 3,5 [+ or -] 3 x 2,5, ou seja, menores do que--4 ou maiores do que 11. No contexto de notas, os dados discrepantes seriam aqueles menores do que zero ou maiores do que 10. Como nao e possivel obter uma nota menor do que zero, tampouco maior que 10, os dados discrepantes nao existem, nesse caso. Saber se ha dados discrepantes e importante, visto que a existencia deles pode enviesar a analise dos dados.

No que diz respeito a relacao entre as variaveis media no primeiro semestre e media no segundo semestre, o diagrama de dispersao abaixo indica que existe uma boa relacao linear entre elas (Figura 3).

Infere-se que, ao nivel de significancia de 5%, a media do segundo semestre aumenta com o aumento da media do primeiro semestre (p<0,0001). Alem disso, o coeficiente de determinacao ajustado vale 0,9620, o que significa que 96,2% da variavel dependente e explicada pela variavel preditora.

O maior valor de media para o primeiro semestre foi de 8,3. Logo, e possivel utilizar o modelo ajustado para estimar a media do segundo semestre para alunos que obtiveram media no primeiro semestre maior ou igual a 8,4. A Tabela 2 mostra a evolucao da media estimada para o segundo semestre.

Para medias maiores do que 8,8 no segundo semestre, a estimativa da media para o segundo semestre ultrapassa os 10,0 pontos. E essa e uma limitacao do modelo. Talvez um modelo nao linear cumpra melhor o papel de estimar medias no segundo semestre, associadas a medias no primeiro semestre maiores que 8,8.

Consideracoes Finais

Os resultados desta pesquisa sugerem que os alunos com melhor desempenho no primeiro semestre tendem a obter um melhor rendimento tambem no segundo semestre. Sera que Isso acontece durante toda a graduacao? Essa e uma questao que chama a atencao e merece ser averiguada, em razao de que, se for confirmada, e razoavel que haja uma atencao especial voltada ao acompanhamento do desempenho dos alunos ingressantes, de modo a minimizar as reprovacoes, a retencao e mesmo o abandono do curso.

Mas e importante registrar que o modelo de regressao linear aplicado neste estudo nao permite fazer previsoes alem do segundo semestre. Uma alternativa seria utilizar series temporais para realizar um estudo mais abrangente, ao logo de toda a graduacao, que permita extrapolar e conjecturar alem dos dois primeiros semestres de curso. E empreender um estudo desse tipo e o proposito dos autores deste artigo.

Outra possibilidade de pesquisa que se apresenta e compreender os fatores que se relacionam com o bom desempenho dos estudantes. O bom desempenho seria uma questao de motivacao intrinseca do individuo? Os estudantes mais dedicados sao aprovados nas disciplinas e concluem o curso no tempo regular? O desenvolvimento cognitivo esta relacionado ao desempenho nas disciplinas no decorrer curso? E qual o fator preponderante para a escolha de um curso superior a partir do Sisu: o ingresso na instituicao, em qualquer curso, ou as aptidoes e interesses do estudante? Foram muitas as questoes que despontaram a partir deste estudo e que merecem ser elucidadas. Todas elas fazem referencia ao proposito de enfrentar a retencao e a evasao nas instituicoes de Educacao Superior.

Mesmo nao tendo respostas para essas perguntas, entende-se que e fundamental pensar em acoes voltadas para o acolhimento e suporte pedagogico do estudante, principalmente considerando que o desempenho no primeiro semestre esta relacionado ao desempenho no segundo semestre. Uma estrategia que pode contribuir para isso e a tutoria aos estudantes calouros ou "apadrinhamento', que pode ser realizado tanto por professores como por estudantes veteranos, o que envolve orientacao sobre a vida academica, organizacao do fluxo curricular e encaminhamento para suporte pedagogico, como grupos de estudo e monitoria. Experiencias como essa tem sido desenvolvidas por diversas instituicoes de Educacao Superior brasileiras, como a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD), a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), dentre outras.

Acredita-se ser fundamental ter uma equipe de acolhimento, que possa ouvir os alunos e conhecer suas demandas, para entao orienta-los. Isso e necessario, visto que os estudantes ingressam muito jovens na universidade e se inserem em uma realidade muito distinta da Educacao Basica, etapa em que contavam com um apoio mais proximo por parte dos coordenadores pedagogicos, dos professores e mesmo dos pais.

Alem disso, toda a comunidade academica deve se envolver no proposito de garantir que os estudantes, apesar das fragilidades trazidas de sua formacao na Educacao Basica, consigam se instrumentalizar para superar as barreiras que enfrentam no inicio da graduacao. Nesse aspecto, e essencial a oferta de projetos de ensino que ampliem as oportunidades de aprendizado e mesmo a superacao de dificuldades no processo de ensino-aprendizagem na universidade.

Por fim, e fundamental superar o pensamento de que os estudantes universitarios sao autonomos e devem, por si sos, buscar alternativas para superar as dificuldades com as quais se deparam em sua trajetoria academica. A universidade deve se apresentar como um espaco mais acolhedor, para que o estudante com alguma dificuldade nao veja como unica alternativa abandonar o curso de graduacao.

Colaboradores

C.M. ROSA colaborou na concepcao do artigo, levantamento e categorizacao dos dados, revisao teorica e redacao final. F.F.T. SANTOS colaborou na concepcao do artigo, analise estatistica dos dados, redacao da parte de analise dos dados do artigo, revisao e aprovacao da versao final. H.C. MENDES colaborou na coleta, organizacao e tratamento dos dados analisados no artigo, embasamento teorico na parte das resolucoes especificas da universidade, revisao e aprovacao da versao final.

http://dx.doi.org/10.24220/2318-0870v24n3a4514

Referencias

Brandao, A.S. Desempenho academico de universitarios, variaveis preditoras: habilidades sociais, saude mental, caracteristicas sociodemograficas e escolares. 2016. 208f Tese (Doutorado em Psicologia)--Universidade de Sao Paulo, Ribeirao Preto, 2016. f.117.

Fagundes, C.V.; Luce, M.B.; Espinar, S.R. O desempenho academico como indicador de qualidade da transicao Ensino Medio-Educacao Superior. Ensaio: Avaliacao e Politicas Publicas em Educacao, v.22, n.84, p.635-670, 2014.

Gilioli, R.S.P Evasao em instituicoes federais de Ensino Superior no Brasil: expansao da rede, Sisu e desafios. Brasilia: Camara dos Deputados, 2016. Estudo Tecnico, p.49.

Maria, L.S. Estrategias de aprendizagem e reprovacao: uma analise sobre o Ensino Superior. 2018. 102f. Dissertacao (Mestrado em Educacao)--Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2018.

Nogueira, C.M.M. et al. Promessas e limites: o Sisu e sua implementacao na Universidade Federal de Minas Gerais. Educacao em Revista, n.33, p.1-31, 2017.

Ribas, R.T.M. et al. Predicao do desempenho academico final pela performance no primeiro ano do curso superior: um estudo de caso no curso de graduacao em Administracao de uma universidade federal. In: Coloquio Internacional de Gestao Universitaria, 17., 2017, Mar del Plata. Anais [...]. Mar Del Plata: Universidad Nacional de Mar Del Plata, 2017. p.1-13.

Rissi, M.C.; Marcondes, M.A.S. (Org.). Estudo sobre a reprovacao e retencao nos cursos de graduacao 2009. Londrina: UEL, 2011.

Rosa, C.M.; Ribeiro, R. Acesso, retencao e evasao: os contornos da exclusao na Universidade Federal de Goias. Cadernos de Pesquisa, v.25, n.3, p.185-203, 2018.

Rosa, C.M.; Santos, F.F.T. A retencao nos cursos de graduacao do IME/UFG. Horizontes, v.36, n.3, p.200-216, 2018.

Rosa, C.M.; Alvarenga, K.B.; Santos, F.F.T. Desempenho academico em calculo diferencial e integral: um estudo de caso. Revista Internacional de Educacao Superior, v.5, e019023, p.1-16, 2019.

Silva Filho, R.L.L. et al. A evasao no ensino superior brasileiro. Cadernos de Pesquisa, v.37, n.132, p.641-659, 2007.

Silva, H.G. Fatores determinantes do desempenho academico no Ensino Superior: uma abordagem por meio do estado da arte. In: VII Encontro de Pesquisa em Educacao e II Congresso Internacional Trabalho Docente e Processos Educativos, 2015, Uberaba. Anais [...]. Uberaba: Uniube, 2015. p.3.

Silva, N.H.G. O abandono no Ensino Superior: um estudo exploratorio. 2015. 112f. Dissertacao (Mestrado em Sociologia)--Universidade do Minho, Braga, 2015.

Universidade Federal de Goias. Resolucao CEPEC 1122: Aprova o regulamento geral dos cursos de Graduacao (RGCG) da

Universidade Federal de Goias, e revoga as disposicoes em contrario. Goiania: UFG, 2012. Disponivel em: <https://quimica. catalao.ufg.br/up/516/o/Resolucao_CEPEC_2012_1122-1_RGCG.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2019.

Violin, L.A.B. Evasao escolar na Educacao Superior: percepcoes de discentes. 2012. 149f. Dissertacao (Mestrado em Tecnologia) --Universidade Tecnologica Federal do Parana, Curitiba, 2012. f.85.

Recebido em 10/3/2019, reapresentado em 10/6/2019 e aprovado em 21/6/2019.

Chaiane de Medeiros Rosa (1) [ID] 0000-0001-8609-3487

Fabiano Fortunato Teixeira dos Santos (2) [ID] 0000-0002-4455-8175

Heloisio Caetano Mendes (3) [ID] 0000-0002-1888-6562

(1) Universidade Federal de Goias, Instituto de Matematica e Estatistica. R. Jacaranda, s/n., Chacaras California, 74001-970, Goiania, GO, Brasil. Correspondencia para/Correspondence to: C.M. ROSA. E-mail: <chaianemr@hotmail.com>.

(2) Universidade Federal de Goias, Instituto de Matematica e Estatistica, Curso de Estatistica. Goiania, GO, Brasil.

(3) Universidade Federal de Goias, Programa de Pos-Graduacao em Educacao em Ciencias e Matematica. Goiania, GO, Brasil.

(4) Nucleo comum e o conjunto de conteudos basicos para a formacao do estudante, e sera ministrado em disciplinas ou eixos tematicos/modulos obrigatorios, cujo elenco esta definido no Projeto Pedagogico de Curso (PPC) (Universidade Federal de Goias, 2012).

(5) Nucleo especifico e o conjunto de conteudos que darao especificidade a formacao do profissional, e sera ministrado em disciplinas ou eixos tematicos/modulos de natureza obrigatoria ou optativa, cujo elenco sera definido no PPC (Universidade Federal de Goias, 2012).

(6) Nucleo livre e o conjunto de conteudos que tem por objetivo: ampliar e diversificar a formacao do estudante; promover a interdisciplinaridade e a transdiciplinaridade; possibilitar o aprofundamento de estudo em areas de interesse do estudante; e viabilizar o intercambio entre estudantes de diferentes cursos da UFG. Constituem opcoes de nucleo livre disciplinas ou eixos tematicos/modulos criados exclusivamente para esse nucleo, bem como todas as disciplinas ou eixos tematicos/modulos oferecidos pela Universidade, com vagas disponiveis (Universidade Federal de Goias, 2012).

Caption: Figura 2. Boxplot do desempenho no primeiro e segundo semestres.

Caption: Figura 3. Medias do segundo semestre X medias do primeiro semestre.
Tabela 1. Percentual de aprovacao e media final por disciplina cursada.

Disciplinas               Numero de   Numero de   Aprovados
                           alunos     aprovados      (%)

Calculo I                    49           2          4,1
Estatistica I                67          15         22,4
Geometria Analitica          47           5         10,6
Introducao a Computacao      50          24         48,0
Algebra Linear I             18           6         33,3
Calculo II                    6           3         50,0
Estatistica II                8           7         87,5
Probabilidade I              14           2         14,3
Total                        259         64          --

                          Media final na disciplina

Disciplinas               6,0   7,0   8,0   9,0
                           a     a     a     a
                          6,9   7,9   8,9   10,0

Calculo I                  2    --    --     --
Estatistica I              3     9     2     1
Geometria Analitica        3     2    --     --
Introducao a Computacao   12     4     5     3
Algebra Linear I           4    --    --     2
Calculo II                 1     1     1     --
Estatistica II             4     1     1     1
Probabilidade I            1    --     1     --
Total                     30    17    10     7

Fonte: Elaborado pelos autores (2019).

Tabela 2. Media no primeiro semestre e media estimada para o segundo
semestre.

Media no primeiro semestre   Media estimada para o segundo semestre

8,4                                           9,5
8,5                                           9,6
8,6                                           9,7
8,7                                           9,8
8,8                                           10,0

Fonte: Elaborado pelos autores (2019).

Figura 1. Distribuicao media das medias finais no primeiro e segundo
semestres.

Media das medias finais

Frequencia

         Primeiro semestre   Segundo semestre

0|--2          20,8%              33,3%
2|--4          41,7%              25,0%
4|--6          20,8%              20,8%
6|--8          12,5%              12,5%
8|--10          4,2%               8,3%

Fonte: Elaborado pelos autores (2019).

Note: Table made from bar graph.
COPYRIGHT 2019 Pontificia Universidade Catolica de Campinas
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Rosa, Chaiane de Medeiros; Santos, Fabiano Fortunato Teixeira dos; Mendes, Heloisio Caetano
Publication:Revista de Educacao PUC - Campinas
Date:Sep 1, 2019
Words:5739
Previous Article:The implementation of help teams as a strategy for the overcoming of school bullying/A implantacao das equipes de ajuda como estrategia para a...
Next Article:Evaluation of Higher Education: An analysis of the use of Information and Communication Technologies in the federal universities of the state of...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2021 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters