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Abaco de Linus Pauling Adaptado[section].

1. INTRODUCAO

Umas das principais ferramentas para a aprendizagem e a comunicacao linguistica, pois permite que o aluno, juntamente com o seu educador, compartilhe informacoes, e assim possibilite a aquisicao de novos conhecimentos, auxiliando na sua formacao.

O ensino de alunos cegos e uma tarefa que exigira do professor certos recursos didaticos e estrategias de ensino como: a leitura atraves do sistema Braille, o soroban para os calculos matematicos, a audicao de livros falados entre outros. A inclusao de deficientes em geral requer preparo da escola, do professor e de materiais, para facilitar o ensino.

Para que ocorra a inclusao nao basta somente inserir os discentes no ambiente escolar, alem disso, devem ser criados mecanismos que assegurem ao aluno com necessidades especiais o mesmo desempenho que qualquer outro aluno, conforme afirmado na Declaracao de Salamanca em 1994 [1]:

* cada crianca tem o direito fundamental a educacao e deve ter a oportunidade de conseguir e manter um nivel aceitavel de aprendizagem,

* cada crianca tem caracteristicas, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe sao proprias,

* os sistemas de educacao devem ser planeados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade destas caracteristicas e necessidades,

* as criancas e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso as escolas regulares, que a elas se devem adequar atraves duma pedagogia centrada na crianca, capaz de ir ao encontro destas necessidades,

* as escolas regulares, seguindo esta orientacao inclusiva, constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatorias, criando comunidades abertas e solidarias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educacao para todos; alem disso, proporcionam uma educacao adequada a maioria das criancas e promove a eficiencia, numa optima relacao custo-qualidade, de todo o sistema educativo.

Partindo do principio de que a educacao e um direito de todos, e o atendimento educacional as pessoas com necessidades especiais, em ambiente escolar comum ou em grupos especializados, esta assegurada na Constituicao Brasileira, a inclusao nao se refere somente as pessoas com alguma deficiencia, mas a todas que se encontra em situacao de risco, discriminacao e exclusao; em suma, sejam de alguma forma diferente.

Em relacao ao direito a diferenca, varios autores ja se manifestaram entre os quais citamos Boaventura de Souza Santos (1996 p.318) [2]: "Temos o direito de sermos iguais, quando a diferenca nos inferioriza; temos o direito de sermos diferentes, quando a igualdade descaracteriza".

Com base nos dispositivos da Legislacao Brasileira, o Conselho Nacional de Educacao aprovou a resolucao n. 2/2001 que institui as Diretrizes Nacionais para a Educacao Especial na Educacao Basica [3]. O paragrafo 2[degrees] do artigo 12 dessa resolucao diz: "Devem ser assegurados no processo educativo de alunos que apresentam dificuldades de sinalizacao diferenciada dos demais educandos, a acessibilidade aos conteudos curriculares mediante a utilizacao de linguagens e codigos aplicaveis, como o sistema Braile e a lingua de sinais, sem prejuizo do aprendizado a lingua portuguesa, facultando-lhes, as suas familias, a opcao pela abordagem pedagogica que julgarem adequada, ouvidos os profissionais especializados em cada caso".

Para Bobbio (1997 p.25) [4], a igualdade natural nao tem um significado univoco, mas tantas quantas forem as respostas as questoes "Igualdades entre quem? Igualdade de que?". A extensao desse valor, portanto, precisa ser considerada, para nao entendermos que todos os homens sejam iguais em tudo!

Conforme Faria [5], Fernandes [6], Quadros e Karnopp [7], para os surdos, as dificuldades encontradas por qualquer estudante, em sala de aula, somam-se as outras, de carater especifico, como as caracteristicas da lingua de sinais.

Com relacao a lingua de sinais, aprende-se por intermedio dela e sobre ela. Ha ainda, valorizacao intensa da atividade de narrar: os surdos contam e veem os outros contarem estorias, reais ou imaginarias, em lingua de sinais, a partir ou nao de textos escritos. E aprendem a nao conceber o aprendizado da lingua escrita como uma ameaca a supressao da lingua de sinais e, por conseguinte, a sua identidade. Aprendem a dar valor equivalente a lingua escrita, a lingua oral e a lingua de sinais [8].

Um aluno com necessidades especiais tem as mesmas dificuldades enfrentadas pelos demais alunos no aprendizado, entre outras impostas pelas suas limitacoes. As materias como quimica, fisica e matematica tornam-se as mais complicadas por terem muito conteudo abstrato. A falta de novas ferramentas, que proporcionam o ensino mais eficaz de tais disciplinas, e uma barreira para o desenvolvimento desses alunos.

A partir das dificuldades de alunos cegos, surdos (nao possuem audicao) e deficientes auditivos (possuem dificuldades de audicao), no aprendizado de quimica, foi feita uma adaptacao do jogo "Abaco de Linus Pauling", para propiciar o ensino e aprendizado dos discentes de forma mais satisfatoria do que os metodos tradicionais.

1.1. A relevancia dos jogos como recursos para o ensino medio

O processo de ensino e aprendizagem para alunos portares de necessidades especiais exige novos metodos, visando obter resultados melhores que os metodos tradicionais. As disciplinas de ciencias e quimica contem muitos conteudos abstratos, que dificultam o entendimento dos alunos, alem disso, a falta de materiais ludicos para o processo de ensino se torna uma barreira para a aprendizagem.

Os jogos educativos sao uma otima opcao de busca para uma melhoria no processo de aprendizagem de deficientes, pois permitem ao aluno o contado direto e pratico com a disciplina aprendida em sala de aula.

Segundo Proenca [9], o jogo oferece tanto um espaco de vivencia e apreciacao quanto de experimento e reflexao atraves do contato simulado com a realidade modelada.

De acordo com Vygotsky [10], os jogos estimulam a curiosidade, a iniciativa e a autoconfianca, aprimoram o desenvolvimento de habilidades linguisticas, mentais de concentracao e exercitam interacoes sociais e trabalho em equipe.

Dessa forma e possivel desenvolver novos metodos de interacao e inclusao dos alunos com deficiencia. Alem disso, os recursos ludicos correspondem naturalmente a uma satisfacao incomum, pelo fato de que o ser humano apresenta uma aptidao ludica, desde crianca ate a idade adulta. Como e uma atividade motora e psiquica a imaginacao atraves dos jogos. O ser que brinca e joga e tambem um ser que age, sente, pensa, aprende e se desenvolve intelectual e socialmente [11].

Lucena e Fuks [12] relatam que a implementacao de novas tecnologias de suporte a educacao faz com que o estudante tenha interesse e motivacao para buscar informacoes desejadas, mudando o paradigma da educacao tradicional para uma educacao inovadora na qual o aluno pode ser capaz de entender, refletir e criticar o assunto estudado.

Hoje em dia ja se sabe que o melhor uso dos sentidos sensoriais: visao, audicao, tato e entre outros tornam o aprendizado mais amplo.

O objetivo educativo dos jogos pode ser facilmente observado durante a aplicacao, proporcionando a aquisicao de conhecimento em clima de prazer e alegria. Os aspectos ludicos e cognitivos presentes no jogo sao importantes estrategias para o ensino e a aprendizagem de conceitos favorecendo a motivacao, raciocinio, argumentacao e interacao entre os alunos e o professor.

1.2. A importancia da aprendizagem do diagrama de Linus Pauling

Tal diagrama nada mais e do que um metodo de distribuir os eletrons na eletrosfera do atomo e dos ions. Este metodo foi desenvolvido pelo quimico norte-americano Linus Pauling (1901-1994), com base nos calculos da mecanica quantica, em virtude de este ter passado um tempo junto com seus fundadores: Borh, Shcrodinger e Heisenberg. Linus Pauling provou experimentalmente que os eletrons sao dispostos nos atomos em ordem crescente de energia, visto que todas as vezes que o eletron recebe energia ele salta para uma camada mais externa a qual ele se encontra, e no momento da volta para sua camada de origem ele emite luz, em virtude da energia absorvida anteriormente.

Para prosseguir nos conteudos de ciencias e quimica, os alunos dos anos finais do ensino fundamental e das series iniciais do ensino medio tem que ter um bom conhecimento de distribuicao eletronica dos atomos, pois sem ter aprendido este conteudo nao conseguirao entender os posteriores como: tabela periodica, ligacao ionica e covalente, entre outros.

O problema que surge e a dificuldade de os alunos realizarem a distribuicao eletronica corretamente, utilizando apenas os metodos convencionais de ensino, pois a maioria se perde no diagrama e nas regras a serem seguidas na distribuicao dos eletrons.

1.2.1. O Jogo Abaco de Linus Pauling

O Abaco de Linus Pauling consiste em um jogo desenvolvido por Oliveira et al. [13], que se baseia no metodo do diagrama de Linus Pauling e no abaco matematico para realizar a distribuicao eletronica dos eletrons de um atomo qualquer, e organiza-los de acordo com suas respectivas camadas (Figura 1).

O Abaco de Linus Pauling foi desenvolvido para facilitar a distribuicao eletronica dos atomos e tornar o diagrama mais ludico, fazendo realmente com que o aluno aprenda e ate entenda qual foi o erro cometido. Ele e provocado a desenvolver o que Piaget [14] chama de tomada de consciencia de seu processo de aprendizado.

Tendo em vista a eficiencia do jogo e a necessidade de alunos com deficiencia a aprenderem o conteudo de distribuicao eletronica em quimica, foram realizadas algumas adaptacoes no Abaco de Linus Pauling para torna-lo acessivel a esses discentes.

2. MATERIAL E METODOS

A pesquisa foi desenvolvida na cidade de Campo Grande--MS, com alunos de escolas publicas, envolvendo cinco alunos deficientes: dois cegos, dois surdos e um deficiente auditivo.

Para testar a eficiencia do jogo, com os alunos, foram feitas as distribuicoes eletronicas de 10 atomos: Litio, Berilio, Boro, Carbono, Nitrogenio, Oxigenio, Fluor, Sodio, Magnesio e Calcio com ajuda do jogo.

Em seguida, o Abaco passou pelo processo de avaliacao pedagogica com quatro professores especialistas em educacao especial, onde responderam um questionario de entrevista (Veja em Material Suplementar).

2.1. Abaco de Linus Pauling adaptado

As adaptacoes do jogo foram realizadas de acordo como apresentadas nas figuras 2-4.

3. RESULTADOS E DISCUSSAO

Apos ser concluida a adaptacao do jogo, iniciamos a fase de teste em duas escolas estaduais, com os cinco alunos mencionados anteriormente, fazendo a distribuicao eletronica dos 10 atomos tambem ja citados, onde os professores especialistas em educacao especial avaliaram os testes feitos pelos alunos.

Obtivemos um resultado satisfatorio no teste, pois o desempenho dos alunos foi alcancado da forma que se esperava como demonstrado no Quadro 1.

Os resultados apresentados pelo Quadro 1 de acordo com o desempenho de cinco alunos, na distribuicao eletronica dos dez atomos, foram: dos dois alunos cegos um obteve nota 8,0 e o outro 10,0. Dos discentes surdos um obteve nota 7,0 e a outra nota 9,0. O aluno com deficiencia auditiva obteve nota 10,0.

De acordo com os resultados apresentados pelas avaliacoes realizadas com os alunos e relatos dos professores especialistas em educacao especial, ouve uma melhora na compreensao da distribuicao eletronica dos atomos, o que se refletia na nota dos discentes que nao passava de 6. Com a utilizacao do Abaco adaptado as notas foram em sua maioria acima de 6.

Toma-se preponderante citar que a maioria dos alunos nao conseguia fazer a distribuicao eletronica apenas com o diagrama no papel, pois se perdiam durante a contagem dos eletrons, ja com o Abaco Adaptado o discente consegue ver onde foi feito o erro e retomar a contagem.

Em relacao a avaliacao realizada pelos professores especialistas em educacao especial, realizada em um questionario de entrevista de acordo com a opiniao dos mesmos e a avaliacao feita com os alunos as notas concedidas ao jogo foram: 7,0, 8,5, 9,0 e 10. Neste questionario os professores avaliaram as adaptacoes do jogo de acordo com as deficiencias de seus alunos (deficientes auditivos, surdos e cegos) e relataram pontos positivos como as cores, som, o braile em auto relevo e a possibilidade do aluno ver o erro cometido.

4. CONCLUSOES

Os dados encontrados durante a pesquisa nos mostram que e possivel melhorar a aprendizagem dos alunos portadores de necessidades especiais atraves dos jogos e que o "Diagrama de Linus Pauling Adaptado" teve resultados satisfatorios no ensino de ciencias e quimica. Sugere-se que poderao ser realizadas pesquisas posteriormente para o aperfeicoamento do jogo estudado.

DOI: http://dx.doi.org/10.17807/orbital.v8i2.700 Article history: Received: 08 February 2015; revised: 27 December 2015; accepted: 30 March 2016. Available online: 31 March 2016.

5. REFERENCIAS E NOTAS

[1] Brasil-Coordenadoria Nacional para a Integracao da Pessoa com Deficiencia. Declaracao de Salamanca. Brasilia: Senado Federal, 1994.

[2] Santos, B. S. Pela mao de Alice: O social e o politico na pos-modernidade. 2. ed. Sao Paulo: Cortez, 1996.

[3] CNE/CEB. Resolucao no. 2/2001, de 11 de setembro de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educacao Especial na Educacao Basica. Brasilia, Conselho Nacional de Educacao, 2001.

[4] Bobbio, N. Igualdade e liberdade. Rio de Janeiro: Ediouro, 3a Ed., 1997.

[5] Faria, S. P. A metafora na LSB e a construcao dos sentidos no desenvolvimento da competencia comunicativa de alunos surdos. Brasilia, 2003. 335 f. Dissertacao (Mestrado em linguistica)-Instituto de Letras, Universidade de Brasilia.

[6] Fernandes, E. Linguagem e surdez. Porto Alegre: Artmed, 2003.

[7] Quadros, R. M.; Karnopp, L. Lingua de sinais brasileira: estudos linguisticos. Porto Alegre: ArtMed, 2004.

[8] Botelho, P. Linguagem e letramento na educacao dos surdos - Ideologia e praticas, 2005.

[9] Proenca, D. J. Criterios e experiencias no uso de jogos pedagogicos; Brasilia; Redes; 2002.

[10] Vigotsky, L. S. A formacao social da mente: o desenvolvimento dos processos psicologicos superiores/L.S. L.S. Vigotsky; organizadores Michael Cole. {et al.};traducao Jose Cipolla Neto, Luis Silveira Menna Barreto, Solange Castro Afeche. 7a ed.-Sao Paulo: Martins Fontes, 2007.

[11] Cabrera, W. B.; Salvi, R. A. Ludicidade no Ensino Medio: Aspiracoes de Pesquisa numa perspectiva construtivista. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCACAO EM CIENCIAS, 5. ATAS, 2005.

[12] Lucena, C.; Fuks, H. A educacao na era da Internet: professores e aprendizes na web. Rio de Janeiro: Clube do Futuro, 2000.

[13] De Oliveira, T. B. L.; De Oliveira, C. B. L.; Ribeiro, T. B.; De Almeida, C. V.; Pedro Donizete Siqueira Junior, P. D. Feira Brasileira de Ciencias e Engenharia (10: 2013: Sao Paulo) Resumos FEBRACE 2013; org. Por R. D. Lopes, I. K. Ficheman, E. Saggio.-Sao Paulo: EPUSP, 2013. l, p. 250. [Link]

[14] Piaget, J. A linguagem e o pensamento da crianca.6 ed. Sao Paulo. Martins fontes,1990.

Dener Santana Bueno, Evair Romario Afonso da Conceicao, Adao Molina Flor Junior, Vagner Cleber de Almeida *, Dezolina Maria Basso

Escola Estadual Teotonio Vilela. Av. Souza Lima, 506-Nucleo Hab. Universitarias, Campo Grande-MS, CEP: 79071-340. Brasil.

* Corresponding author. E-mail: vagnerkleber@hotmail.com [section]Trabalho selecionado na Feira de Ciencia e Tecnologia de Campo Grande MS-FECINTEC-2014

Caption: Figura 1. Jogo educativo Abaco de Linus Pauling.

Caption: Figura 2. Abaco de Linus Pauling Adaptado. Adaptacao das cores, preto, amarelo e vermelho, para chamar a atencao dos alunos com deficiencia auditiva e surdos. Fonte: os proprios autores.

Caption: Figura 3. Adaptacao em braile feita com cola de auto relevo resistente ao tato, para utilizacao dos alunos cegos.

Caption: Figura 4. Adaptacao de botoes para emissao de som, para utilizacao dos alunos cegos atraves da audicao.
Quadro 1. Aplicabilidade do jogo na opiniao de
professores especialistas e desempenho dos alunos.

Entrevistados:         Aplicabilidade do jogo e desempenho dos alunos
Professores e Alunos

Notas                  0-2   3-5    6-7      8-9       10
Professores            0%    0%    11,11%   22,22%   11,11%
Alunos                 0%    0%    11,11%   22,22%   22,22%
Total                  0%    0%    22,22%   44,44%   33,33%

Entrevistados:         Total de entrevistados
Professores e Alunos

Notas
Professores            44,44%   04
Alunos                 55,55%   05
Total                   100%    09
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Title Annotation:Full Paper
Author:Bueno, Dener Santana; Conceicao, Evair Romario Afonso da; Flor, Adao Molina Junior; Almeida, Vagner
Publication:Orbital: The Electronic Journal of Chemistry
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2016
Words:2576
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