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AVALIACAO MACRO E MICROESTRUTURAL DE SOLOS SOB DIFERENTES USOS A PARTIR DE ANALISES FISICAS, MICROSCOPIA ELETRONICA E ESPECTROSCOPIA POR ENERGIA DISPERSIVA.

MACRO AND MICROSTRUCTURAL EVALUATION OF SOILS UNDER DIFFERENT USES THROUGH PHYSICAL ANALYSES, ELETRONIC MICROSCOPY AND DISPERSIVE ENERGY SPECTROSCOPY

1. INTRODUCAO

A degradacao das propriedades fisicas e quimicas dos solos de acordo com o uso e o manejo das terras tem sido alvo de muita preocupacao para agricultores e gestores devido a questao dos processos erosivos. Seus efeitos sao visiveis nas encostas e causa prejuizos consideraveis, como a perda dos horizontes superficiais dos solos e de suas fertilidades.

Assim, usos do solo como o cultivo convencional e as pastagens tendem a alterar a estrutura do solo e aumentar a suscetibilidade a erosao (BERTONI, LOMBARDI NETTO, 2010), principalmente pelas formas de manejo os quais lhe sao inerentes, como a pratica da queima--que deixa o solo exposto as gotas de chuva e elimina a fauna e a flora superficial do solo, e a utilizacao de maquinario e da pecuaria extensiva--que aumenta a densidade e destroem os macroagregados do horizonte superficial. Tais praticas refletem numa diminuicao drastica da infiltracao e no aumento do escoamento superficial que, consequentemente, da inicio a erosao laminar que pode evoluir para a formacao de ravinas e vocorocas nas encostas (HORTON, 1945; COELHO NETTO, 2009).

Em contrapartida, Puig (2008) destaca a importancia da floresta tropical nas trocas de energia e materia, ciclagem de nutrientes, trocas gasosas, regulagem termica com a camada de serapilheira e sua decomposicao, manutencao da fauna endopedonica e no aumento da porosidade e da infiltracao pela maior presenca de raizes, sendo Tisdall e Oades (1982), Carter (2001) e Shukla et al. (2006) destacando ser a materia organica o melhor indicador da estruturacao dos solos, e a estabilidade dos agregados como parametro de agregacao para resistencia a erosao (YODER, 1936).

Diversos autores (WENDLIN et al., 2005; AN et al., 2010; DENEF et al., 2001; SANTOS, et al., 2002, GROSBELLET et al., 2011) destacaram que o uso florestal correlaciona-se a maiores valores de macroagregados, resultando em uma maior estabilizacao do carbono organico e resistencia a erosao. Entretanto, autores recentes tem divergido da ideia de que a floresta apresenta sempre os melhores indices de agregacao dentro de uma regiao onde exista uso agropecuario.

Dois exemplos de trabalhos aonde se chegou a estes resultados foram os de Demarchi et al. (2011) e Mendes et al. (2011), que mostraram que os indices de estabilidade dos agregados foram maiores no uso do solo sob cultivo de banana e pastagem quando comparados ao uso florestal, mesmo tendo alguns autores (JONHSON, 1992, CENTRINI, 2005, KNICKER, 2007, BERTOL et al., 2011) destacando os efeitos da pratica da queimada nas propriedades dos solos e no aumento da erosao.

Portanto, nao existe uma correlacao trivial entre uso florestal e uma melhor agregacao do solo nos horizontes superficiais em relacao aos demais usos, mesmo quando sob historico de manejo tradicional (queima e corte), sendo este um pressuposto desta pesquisa.

Nessa perspectiva, o presente estudo teve por objetivo subsidiar e aprofundar o entendimento sobre relacoes entre a estruturacao dos solos a nivel microscopico e parametros macroscopicos de agregacao, a partir de analises fisicas, microscopia eletronica de varredura (MEV) e espectroscopia por energia dispersiva (EDS). Para tal, foram selecionados dois perfis de solos sob dois diferentes tipos de usos: fragmento florestal e pousio. Acredita-se que o MEV pode auxiliar na avaliacao microestrutural do solo, possibilitando a observacao e analise de agentes cimentantes, da composicao basica intra-agregados, da superficie dos agregados ou em revestimentos--coatings, assim como, avancos em relacao a estudos sobre efeitos do manejo e da conservacao dos solos. 2

2. MATERIAIS E METODOS

O presente estudo foi realizado em uma encosta situada (figura 1) dentro da bacia hidrografica do Corrego da Cacada (BHCC), pertencente a Area de Protecao Ambiental Federal de Cairucu, no municipio de Paraty-RJ, sob as coordenadas UTM 7829000N, 7424000S, 527000E e 532000W--fuso 23 Sul. Nesta encosta foram selecionados dois locais para a realizacao dos estudos: um fragmento florestal de Mata Atlantica e uma pastagem abandonada. Foram abertos perfis de solos e realizadas as analises morfologicas para cada uso. Posteriormente foi realizada a coleta das amostras dos horizontes superficiais para a realizacao das avaliacoes em laboratorio. A localizacao da area, bem como destes dois pontos, encontra-se na Figura 1.

De acordo o ICMBio (2004), a area de estudo apresenta clima do tipo tropical umido/superumido, correspondente a classificacao Cwa de KOPPEN. E influenciado principalmente pelos altos regimes pluviometricos, temperatura e relevo. A serie historica dos dados de precipitacao indica uma media de 1.547 mm de chuva/ano, apresentando indices que variam de 768 a 2.150 mm, sendo a media mensal de chuvas de aproximadamente 129 mm, e com temperaturas que variam de 21 a 23[grados]C.

O embasamento cristalino da BHCC, constituido principalmente por formacoes granito-gnaissicas, e resultado da colisao brasiliana, pertencente a era Proterozoica--Neoproterozoico (650-545 Ma), que originou o soerguimento do relevo da Serra do Mar, caracterizando um relevo de Horst e Graben (FERRARI, 2001; HASUI, 2010), onde sofreram sucessivos processos abrasivos ao longo das eras geologicas, que possibilitou a formacao de patamares escalonados com presenca significativa dos depositos de talus e antigos depositos oriundos de corridas de massa nas encostas. A geomorfologia e marcada pela presenca de montanhas e morros, cones de dejecao e corpos de talus (derivados de depositos de corridas de massa preteritos) e planicie fluvio-marinha na sua jusante. Segundo Bigarella e Mousinho (1965), o tipo de geomorfologia encontrada na bacia hidrografica do Corrego da Cacada favorece a formacao de coluvios no terco medio e inferior das encostas, ate que este material chegue as calhas fluviais (aluvio). Segundo o mapa de reconhecimento da Embrapa (2003), na BHCC podem ser encontrados Cambissolo alico e Latossolo Vermelho-Amarelo alico, com declividades acentuadas que corroboram para o processo erosivo e inviabilizam o uso de maquinario nas encostas. Ao longo de toda a encosta em avaliacao foram observados somente os Cambissolos, que sao os objetos, portanto, das avaliacoes no decorrer deste artigo.

Para as analises de solos foram coletadas amostras indeformadas e amolgadas seguindo-se a metodologia adotada no Manual de Descricao e Coleta de Solo no Campo, da Sociedade Brasileira de Ciencia dos Solos (SANTOS et al., 2005). As amostras amolgadas foram utilizadas para as analises morfologicas e de distribuicao granulometrica, e as indeformadas foram coletadas para as analises de estabilidade de agregados em agua pelo metodo proposto de Yoder (1936), modificado por Castro Filho et al. (1998, 2002). Os blocos de solo foram coletados na profundidade de 010 cm, com tres repeticoes, possibilitando a realizacao de analises estatisticas.

Para a execucao do ensaio de Yoder os blocos foram suavemente quebrados e homogeneizados com peneiras de 4 mm e 2 mm, antes do tamisamento umido, para ser determinada a distribuicao das classes (2,0 - 1,0 - 0,5 - 0,25 - 0,125 e < 0,125mm) de agregados por via umida. As amostras oscilaram durante 15 minutos, com aproximadamente 32 rotacoes por minuto (EMBRAPA, 2011). Apos o termino das oscilacoes, o conteudo retido em cada uma das peneiras foi secado em estufa a 105 [grados]C durante 24 horas. Os valores obtidos nos peneiramentos foram usados para calculo de tres parametros utilizando-se das equacoes de modificadas de Kemper e Rosenau (1986). O Diametro Medio Geometrico (DMG) e uma estimativa do tamanho medio dos agregados que mais ocorrem no solo. O Diametro Medio Ponderado (DMP) e tanto maior quanto maior for a porcentagem de agregados grandes retidos nas peneiras com malhas maiores. O Indice de Estabilidade de Agregados (IEA) e uma medida da agregacao total, mas sem considerar as classes de distribuicao de tamanho dos agregados dos indices de estabilidade. O DMP e determinado atraves da equacao abaixo, em que [W.sub.i] = proporcao (%) de cada classe em relacao ao total; e [X.sub.i] = diametro medio das classes, expresso em mm:

DMP (mm) = [[SIGMA].sup.n.sub.i=1] ([x.sub.i] x [W.sub.i])

O DMG e determinado atraves da equacao abaixo, em que [W.sub.i] = proporcao (%) de cada classe em relacao ao total; e [X.sub.i] = diametro medio das classes, expresso em mm:

DMG (mm) = exp [SIGMA][W.sub.i]ln [x.sub.i]/[SIGMA][W.sub.i]

O IEA e determinado atraves da equacao abaixo, em que o indice e expresso em porcentagem:

IEA = peso total dos agregados - peso dos agregados < 0,25mm/ peso da amostra seca x 100

O teste estatistico utilizado para comparar os diferentes usos foi o Kruskal-Wallis. Esse teste nao parametrico e utilizado para comparar tres ou mais amostras independentes, e indica se ha diferenca entre pelo menos duas delas (TRIOLA, 2008). Para realizacao do teste foi utilizado o software livre Action versao 2.5 disponivel no site Portal Action.

Foram separados os agregados retidos nas peneiras para analisar o teor de carbono organico por titulometria via Dicromato de Potassio (EMBRAPA, 2011). As analises foram realizadas em duplicada para cada peneira do conjunto, totalizando quatro analises por classe de agregado para fins estatisticos.

Para as analises microestruturais no Microscopio Eletronico de Varredura (MEV), foram coletados torroes dos horizontes superficiais, onde foi selecionado um agregado (previamente seco ao ar) de aproximadamente 2[cm.sup.3], submetido a emissao de feixes de eletrons retroespalhados em camara de baixo vacuo, sendo possivel a ampliacao maxima em ate 300.000 vezes. Ao MEV, estava acoplado o espectrometro de energia dispersiva (EDS) onde foi possivel a identificacao mineralogica atraves da emissao continua de Raios--X, comumente distribuidos do baixo numero atomico (baixa energia) para elevado (alta energia). Nos graficos obtidos o eixo "Y" representa a frequencia dos elementos quimicos e o eixo "X" a energia gasta para a sua identificacao (MALISKA, 2000).

3. RESULTADOS E DISCUSSAO

Os resultados das analises morfologicas e granulometricas encontram-se sintetizados na Tabela 1. Nota-se que ha uma diferenca significativa de espessurado horizonte superficial de solo sob fragmento florestal em relacao ao pousio, apresentando mais do que o dobro de espessura do primeiro para o segundo, respectivamente.

A consistencia encontrada no horizonte superficial do solo sob fragmento florestal e tipica de solos argilosos, apresentando coesao moderada, raizes medias e atividade biologica de formigas e minhocas, tendo sido constatada em campo forte bioturbacao.

Quanto ao solo sob pousio, apresentou horizonte superficial com estrutura de tamanho pequeno e grau moderado, consistencia dura quando seca, friavel quando umida e ligeiramente plastico e pegajoso quando molhado. A coesao e forte, com raizes medias e atividade biologica ausente.

Segundo Kiehl (1979) solos argilosos possuem maior aglutinacao entre as particulas, quando se comparado com um solo mais arenoso. Isso e explicado pela maior capacidade de troca cationica e a forma dos argilominerais, que possibilita a formacao de solos mais coesos, com estrutura forte e grande. Entretanto, deve-se destacar que tais caracteristicas sao influenciadas pela mineralogia das argilas, podendo haver solos argilosos com caracteristicas e adesao e coesao diferenciadas.

A profundidade dos horizontes (tabela 1) possibilita inferir que o uso do solo sob pousio esta tendo maior perda de solo pela erosao, agravado pela sua distribuicao granulometrica franco-argilo-arenosa, com maior porcentagem de areia fina e silte, sendo este intervalo granulometrico altamente suscetivel a erosao (MORGAN, 1995). Assim, alem das formas de manejo, a agregacao tambem esta associada a textura do solo (BRONICK; LAL, 2005).

O uso do solo sob floresta, neste caso, influencia a formacao de uma estrutura grande e com blocos subangulares, o que possivelmente acarretara em maior infiltracao da agua no solo diante de um evento chuvoso. Ja no pousio, o peso do gado e a pratica da queimada aumentam a acao das gotas de chuva na superficie do solo, justificando a classificacao granulometrica mais grosseira, pois o silte e a argila sao lixiviados e mantem a forma da estrutura granular. Nota-se tambem que o uso da queimada influencia diretamente na reducao da atividade biologica, sendo esta fundamental na formacao de macroagregados, onde no uso do pousio ela e ausente.

Nas analises de estabilidade dos agregados em agua (figura 2), a floresta apresentou indices de agregacao mais baixos do que no pousio. Enquanto o DMG foi de 0,91mm na floresta, no pousio foi de 1,62mm. Ja o DMP foi de 1,97 na floresta e de 2,28 no pousio. Porem, somente o DMG apresentou diferenca significativa entre os usos pelo teste de Kruskal-Wallis (p <0,05). Ja para o DMP nao foi constatada diferenca.

Apenas o DMG da floresta apresentou valores de agregacao inferiores aos considerados aceitaveis (> 1 mm) por diversos autores (FATTET et al., 2011; CASTRO FILHO et al., 2002). O pousio apresentou os maiores valores de DMP e DMG, revelando taxas de agregacao melhores do que da area de floresta, o que resulta diretamente num maior indice de estabilidade dos agregados--IEA. Isto pode estar relacionado a baixa utilizacao das terras para plantio, a textura do solo e as raizes das gramineas (SILVA; MIELNICZUK, 1997, 1998).

E importante salientar que em geral em florestas ocorre uma sucessao mais gradual em todo o ecossistema, que e mais equilibrado. Neste sentido, a vegetacao perenifolia/subperenifolia nas florestas propicia uma deposicao de serrapilheira mais lenta em relacao ao pousio, onde predominam gramineas de rapido crescimento com elevada producao de material formador de serapilheira. Isto e, na area de pousio ocorrem processos de ciclagem mais rapidos, o que nao implica em um acrescimo na resiliencia destes ambientes.

Alem de avaliar os indices de agregacao, e importante analisar a porcentagem de macro e micro agregados (figura 3), que tambem reflete na qualidade do solo e na sua estabilidade. Os microagregados do solo segundo Denef et al. (2001) sao compostos por agregados de diametro inferior a 0,5mm. Quando os macroagregados do solo estao pouco estaveis, isto e, quando os agentes cimentantes--argila, metais polivalentes e materia organica--nao conseguem unir as particulas de solo, pode haver desagregacao e formacao de microagregados. Entretanto todo o processo de agregacao dos solos inicia-se evidentemente a nivel microestrutural, o que indica a importancia da avaliacao em ambas as escalas, isto e, tanto em nivel macroestrutural, onde sao avaliados os macroagregados, quanto em nivel microestrutural, onde sao avaliados microagregados.

Observa-se na figura 3 que os valores evidenciam boa agregacao do solo (FATTET et al., 2011), com a area de pousio apresentando menor porcentagem de microagregados (9,73%) e a area de floresta com uma maior porcentagem (15,17%). Seguindo a tendencia dos indices de agregacao, entretanto, a area de pousio apresentou maior porcentagem de macroagregados (90,27%), enquanto a area de floresta apresentou menor porcentagem (84,83%).

Tais resultados podem estar relacionados com o estoque de carbono organico, que evidencia no pousio, valores superiores a 10 g.kg-1, enquanto que no fragmento florestal o estoque foi inferior a 10 g x kg-1. A diferenca significativa pelo teste de Kruskal-Wallis (p <0,05) foi constatada entre os usos em todas as classes de peneira analisadas (figura 4).

Diversos estudos demonstram que ha correlacao entre o conteudo de carbono organico no solo e a estabilidade dos agregados em agua (PODWOJEWSKI et al., 2011, OLIVEIRA et al., 2013). Os resultados apresentados acima permitem inferir que a materia organica no solo, viva ou morta, exerce papel fundamental na agregacao (DENEF et al., 2001, CASTRO FILHO et al., 2002) principalmente nos primeiros centimetros do horizonte superficial, o que ficou evidente principalmente em relacao a formacao de macroagregados. O pousio com gramineas transmite deste modo uma boa macroagregacao, o que leva aos bons resultados nos indices de agregacao, porem, a resiliencia e a manutencao deste ambiente sao bastante questionaveis.

Os resultados do IEA representam uma media da agregacao total (figura 5), sendo influenciados diretamente pelos dados de DMP e DMG, que por sua vez, podem ser influenciados pela materia organica presentes no solo, que tambem interfere na distribuicao de micro e macroagregados.

Demarchi et al. (2011), ao avaliarem a estabilidade dos agregados em diferentes sistemas de uso da terra, apresentaram os maiores valores de IEA para o pousio (92,88%), enquanto que a mata nativa apresentou 88,44 %. Os autores atribuem os maiores valores de IEA a classificacao argilosa e ao teor de materia organica encontrada.

Christensen (2001) afirma que alem das interacoes entre os minerais, a interacao destes com a materia organica, constituindo complexos organominerais, afetam intensamente o tamanho dos agregados estaveis em agua. Essa afirmacao corrobora com os resultados apresentados, pois, quanto maior o tamanho dos agregados, maior o teor de Carbono organico, nos dois usos da terra (Figura 5).

Denef et al. (2001) destacam a importancia dos macroagregados em controlar a estabilizacao do carbono e da materia organica no solo. Knicker et al. (2005), ao analisarem um Cambissolo de floresta de Pinus, da regiao mediterranea da Espanha, evidenciaram que as queimadas espontaneas frequentes provocaram aumento de 100% nos teores de Carbono e de Nitrogenio no horizonte A (0-15 cm), quando comparado com uma area proxima que nao foi queimada.

Ja a pratica da queimada no pousio pode auxiliar no aumento do Carbono organico e de outros nutrientes (N, P, K, Ca e Mg) que favorecem a agregacao e estruturacao do solo. Entretanto, Centrini (2005) destaca que a absorcao de nutrientes no solo por meio da queimada e muito efemera, principalmente em regioes de elevada distribuicao pluviometrica anual.

DeBano (1988) destaca que grande parte da materia organica queimada e volatilizada, sendo uma parte incorporada aos 5 cm superiores do solo e que age de forma "compactante", alterando a estrutura e impedindo a infiltracao da agua no solo, sendo este processo mais usual em solos mais arenosos. Ademais, Horton (1945), Bertoni e Lombardi Netto (2010) e Osmam (2014) destacam a fragilidade com que os solos ficam submetidos pela retirada da vegetacao, dando inicio ao processo erosivo pelo Splash, resultando em sulcos, ravinas e vocorocas nas encostas.

As figuras 6 e 7 ilustram as analises realizadas por imagem a partir do Microscopio Eletronico de Varredura (MEV). Os resultados mostram qualitativamente que a agregacao do solo sob uso florestal e muito maior do que sob o uso do pousio, e que ha uma predominancia dos elementos O, Al, Si, e Fe nos dois usos, onde, mineralogicamente, representam silicatos e oxidos de Ferro e Aluminio.

No solo sob floresta tambem foi possivel identificar C e K, enquanto que no pousio foi encontrado P e Ag. Assim, destacamse os seguintes valores para o uso florestal: Carbono (C)-15%, Oxigenio (O)-56,07%, Aluminio (Al)-11,83%, Silica (Si)-11,37%, Potassio (K)-0,40% e Ferro (Fe)-5,23%. Ja para o pousio: Carbono (C)-5,80%, Oxigenio (O)-62,91%, Aluminio (Al)-9,42%, Silica (Si)-12,51%, Fosforo (P)-7,14%, Ferro (Fe)-4,61% e Prata (Ag)-3,41%. Destaca-se a diferenca na escala de frequencia dos elementos quimicos pelo EDS e que a as rachaduras visualizadas nas imagens nao podem ser confundidas com a porosidade, pois as mesmas foram geradas em funcao do ressecamento da amostra.

Enquanto que no uso florestal o solo apresenta maior indicativo de agregacao (figura 6), no pousio (figura 7), percebe-se qualitativamente indicativo de maior cimentacao da estrutura, de modo que possibilita identificar o solo como especie de "macaroca" ou "socado", que ajuda a deflagrar processos erosivos nas encostas (figura 8). Alem disso, e mais facil visualizar a microagregacao sob uso florestal do que no pousio, sendo o primeiro identificado com um

As imagens obtidas no MEV deste modo demonstraram ser o uso florestal mais correlacionado a boa microagregacao dos horizontes superficiais dos solos avaliados, enquanto que o solo sob pousio apresentou uma microestrutura cimentada sugerindo forte antropizacao do horizonte, possivelmente por pe de arado.

4. CONSIDERACOES FINAIS

De acordo com os objetivos propostos e os resultados apresentados, tem-se as seguintes conclusoes:

1. Apesar de ter apresentado os melhores indices de agregacao, o solo sob pousio apresentou uma microestrutura cimentada sugerindo forte antropizacao do horizonte, possivelmente por pe de arado, o que ficou evidenciado atraves da interpretacao das imagens do MEV.

2. Os maiores valores encontrados nos indices de agregacao no solo sob pousio podem refletir tanto a pratica da queimada quanto a existencia de uma ciclagem de nutrientes e uma deposicao de serapilheira mais rapidas em relacao ao ecossistema florestal, resultando em maiores valores de carbono organico em superficie, formacao de macroagregados e aumento do IEA. Este aspecto, no entanto, nao deve ser confundido com uma maior resiliencia para o ambiente em relacao ao uso florestal.

3. As analises no MEV possibilitaram detectar no solo sob uso florestal uma melhor microagregacao nos horizontes superficiais em relacao ao encontrado no solo sob pousio. Mesmo apresentando indices de agregacao menores, a quantidade de carbono organico presente e possivelmente uma maior atividade biologica foram ambos determinantes para uma melhor microagregacao.

4. Os resultados deste trabalho evidenciaram o auxilio fornecido pela ferramenta MEV na compreensao dos processos de agregacao, sobretudo em relacao a microagregacao, possibilitando uma discussao mais ampla e profunda acerca do efeito de diferentes praticas de manejo e conservacao dos solos em seus estados de agregacao.

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Raphael Rodrigues Brizzi (1), Hugo Portocarrero (2), Andrea Paula de Souza (3), Alexander Josef Sa Tobias da Costa (4), Luana de Almeida Rangel (5)

Recebido em: 19/05/2017 Aceito em: 20/02/2019

(1) Instituto Federal do Rio de Janeiro, Arraial do Cabo/RJ, e-mail: raphael.brizzi@ifrj.edu.br

(2) Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, e-mail: hportocarrero@gmail.com

(3) Faculdade de Educacao da Baixada Fluminense, Duque de Caxias/RJ, e-mail: andreaps.uerj@gmail.com

(4) Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, e-mail: ajcostageo@gmail.com

(5) Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, e-mail: luarangel@ufrj.br

Leyenda: Figura 01--Localizacao da area de estudo destacando os perfis estudados.

Leyenda: Figura 02--Agregacao do horizonte superficial do Cambissolo sob diferentes usos.

Leyenda: Figura 03--Distribuicao de micro e macro agregados do horizonte superficial do solo sob diferentes usos. As duas classes de distribuicao apresentaram diferenca significativa entre os usos de acordo com o teste de Kruskal-Wallis (p <0,05).

Leyenda: Figura 04--Estoque de Carbono Organico por classe agregado em diferentes usos.

Leyenda: Figura 05--Indice de Estabilidade dos Agregados do solo em agua sob diferentes usos.

Leyenda: Figura 06--Analise da estrutura do horizonte A do Cambissolo Haplico sob uso florestal no MEV e a identificacao dos elementos quimicos pelo EDS.

Leyenda: Figura 07--Analise da estrutura do horizonte A do Cambissolo sob pousio no MEV e a identificacao dos elementos quimicos pelo EDS.

Leyenda: Figura 08--Diferentes processos erosivos numa encosta na BHCC.
Tabela 01--Analise morfologica e da distribuicao granulometrica do
horizonte superficial do Cambissolo

Horizonte       Esnessura   Cor            Textura
                (cm)        Seco   umido              Tamanho

Cambissolo      0-45        10     10      Argilosa   Grande
Uso Florestal               YR     YR
Horizonte A                 6/6    4/6

Cambissolo      0-20        5 Y    5 Y     Arenosa    Pequeno
Pousio                      5/2    5/4
Horizonte A

Horizonte       Estrutura                Consistencia
                Grau        Forma        Seco            Umido

Cambissolo      Fraca       Blocos sub   Ligeiramente    Firme
Uso Florestal               angulares    dura
Horizonte A

Cambissolo      Moderado    Granular     Dura            Friavel
Pousio
Horizonte A

                                                   Atividade
Horizonte                      Coesao     Raizes   biologica
                Molhado

Cambissolo      Ligeiramente   Moderado   Medias   formigas
Uso Florestal   pastico e                          e
Horizonte A     ligeiramente                       minhocas
                pegajoso

Cambissolo      Ligeiramente   Moderado   Medias   Ausente
Pousio          pastica e
Horizonte A     ligeiramente
                pegajosa

Horizonte       Pedregulho   Areia grossa   Areia media   Areia fina
                                                          g / kg
Cambissolo
Uso Florestal   6            154            174           81
Horizonte A

Cambissolo
Pousio          7            195            211           127
Horizonte A

Horizonte       Areia total   Silte   Argila   Classificacao

Cambissolo
Uso Florestal   409
Horizonte A                   92      493      Argiloso

Cambissolo
Pousio          533           177     283      Franco argilo arenoso
Horizonte A
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Rodrigues Brizzi, Raphael; Portocarrero, Hugo; de Souza, Andrea Paula; Sa Tobias da Costa, Alexander
Publication:Ra'e Ga
Article Type:Ensayo
Date:Mar 1, 2019
Words:5668
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