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AS CARACTERISTICAS NA MORFOLOGIA E DA CARGA DE FUNDO NAS CONFLUENCIAS DO RIO IVINHEMA-MS COM O RIO PARANA.

CHARACTERISTICS IN MORPHOLOGY AND BOTTOM LOAD AT THE CONFLUENCES OF IVINHEIMA RIVER WITH PARANA RIVER

1. INTRODUCAO

Os estudos sobre bacias hidrograficas, no Brasil, aumentaram nas ultimas decadas, em que sao destacados os trabalhos realizados na bacia Amazonica e na bacia do rio Parana. Esta ultima conta com inumeras pesquisas realizadas no curso medio e superior, por pesquisadores e alunos do Grupo de Estudos Multidisciplinares do Ambiente da Universidade Estadual de Maringa (GEMA/UEM). Diversos afluentes da bacia foram pesquisados com destaque aos rios Baia, Ivinhema e o canal Coruba na margem direita no Mato Grosso do Sul, os rios Ivai na margem esquerda e recentemente o rio Piquiri no Estado do Parana. Esta pesquisa aborda a relacao entre o transporte de carga do rio Ivinhema no Mato Grosso do Sul com o rio Parana no ano de 2013.

O estudo geomorfologico da confluencia de sistemas fluviais e pouco difundido mais notadamente quando se trata de grandes rios brasileiros. Porem, e na regiao da confluencia que ocorre a interacao da hidrodinamica de cursos fluviais acarretando sensiveis mudancas nos processos geomorfologicos e sedimentares de ambos os canais nesta regiao. Somente estes aspectos ja justificariam este estudo. A reacao de um sistema fluvial as mudancas em suas variaveis dominantes e extremamente complexa, tanto em escala espacial como temporal. Assim sendo, a abordagem geomorfologica da regiao das confluencias fluviais traz resultados expressivos e realisticos para os estudos ambientais. Os estudos da geomorfologia fluvial incluem o conhecimento da caracteristica do fluxo de aguas e de sedimentos, da morfologia, dos processos atuais, da evolucao e do comportamento das variaveis intervenientes no sistema fluvial ao longo do tempo.

A bacia hidrografica do rio Ivinhema-MS (Figura 1) e parte da bacia do rio Parana, localizada em territorio brasileiro na regiao Centro-Oeste, no Estado de Mato Grosso do Sul, fazendo fronteira com o Paraguai na sua porcao sudoeste. Possui area de aproximadamente 44.837,15 [km.sup.2] e seu curso principal percorre uma distancia de 568 km, desde sua nascente na serra das Araras, ate sua foz junto a margem direita do rio Parana. Os principais afluentes nascem na serra Camapua e Maracaju (rios Vacarias, Brilhante e Dourados) (FORTES, 2003, p.3-5; FORTES e VOLKMER, 2003, p. 40-1; FORTES, VOLKMER, e; STEVAUX, 2004, p. 1; FORTES, STEVAUX E; VOLKMER, 2005, p.327-7; e MATO GROSSO DO SUL, 2014, p.32-3).

A bacia do rio Ivinhema-MS esta inserida em sua totalidade no contexto geologico da bacia sedimentar do Parana. Apresenta as unidades litoestratigraficas desenvolvidas no Mesozoico, (Figura 2). No Grupo Sao Bento encotram-se manchas de afloramentos da Formacao Botucatu (Jr) e de rochas vulcanicas, predominantemente basicas da Formacao Serra Geral (Jr-Kr); o Grupo Bauru ocupa a regiao Leste da bacia e e formado por arenitos da Formacao Caiua (Kr). Na parte inferior da bacia ocorrem os sedimentos quaternarios do rio Parana, formando planicies e terracos (SOUZA FILHO, 1993, p.7; SOUZA FILHO, e STEVAUX, 1997 P.4 STEVAUX, 1993 p. 10-1; FORTES, 2003, p.95; e MATO GROSSO DO SUL, 2014, p.52).

O rio Ivinhema-MS, no seu curso inferior, e capturado pela planicie aluvial do rio Parana seguindo a direcao geral da mesma (SW-NE); ocupa e retrabalha os aluvioes do rio Parana, construidos sobre as litogias areniticas da Formacao Caiua (Kr) que construiram o seu sistema aluvial Quaternario; apresenta em sua base conglomerados ferruginosos seguidos de uma sequencia de areias e pelitos (SANTOS 1997, p.38, 2005; STEVAUX, 1993 p.14-5; SOUZA FILHO, 1993, p.10; SOUZA FILHO e STEVAUX, 1997, P.4; FORTES, 2003, p.95) (Figura 3).

O rio Ivinhema-MS, na area deste estudo, corre sobre duas unidades geomorfologicas arenopeliticas, aqui denominadas de planicie Parana e planicie Parana-Ivinhema (Figura 3), construidas pelo rio Parana ao longo do Pleistoceno, porem a segunda sofre o retrabalhamento do rio Ivinhema-MS e do proprio rio Parana. Esta area esta sobre o regime de cheias de ambos os rios. Nestas unidades, as geoformas proximais comuns sao os diques marginais e as areas pantanosas da bacia de alagamento. Afastado dos canais, ha lagoas, a maioria e alongada e alinhada segundo a direcao da planicie, representando a colmatacao de paleocanais. As geoformas de paelocanais e de paleodiques sao distribuidas ao longo de toda esta unidade.

O rio Ivinhema-MS percorre grande parte dos terracos e planicies formadas pelo rio Parana no passado, interagindo com diversos afluentes de menor porte, lagoas e o proprio rio Parana, nas areas da planicie do rio Parana entre as cidades paranaenses de Icaraima e Querencia do Norte. Neste trecho, ha tres confluencias do rio Ivinhema-MS, com canais secundarios do rio Parana, identificadas neste trabalho como confluencia Ivinhema 01, mais a jusante ao sul no municipio de Navirai-MS, proximo a Icaraima no Estado do Parana. Confluencia Ivinhema 02, localizada a montante da confluencia Ivinhema 01 cerca de 1 km e a confluencia Ivinhema 3, localizada mais ao norte, dentro do parque estadual do Ivinhema, proxima ao municipio de Querencia do Norte a direita do rio Parana, nessa area de estudo.

O rio Parana e um rio multicanal, subdividido por inumeras ilhas de diferentes dimensoes, gerando grande numero de canais, aqui denominados de secundarios. Cada canal secundario apresenta caracteristicas proprias de hidrodinamica, de transporte de sedimentos, de velocidade de fluxos e de processos geomorfologicos, por isso cada confluencia tem suas proprias caracteristicas. A rigor as confluencias estudadas se dao em frente a ilhas do rio Parana, portanto os dados de carga e vazao apresentados se referem a estes canais e nao a vazao de toda a secao do rio Parana na area de confluencia.

Na regiao Norte da area de estudo, na area na confluencia Ivinhema 03, proxima a cidade de Diamante do Norte, no Parana, tem inicio a area denominada de planicie Parana-Ivinhema, cortada pelo rio Ivinhema-MS ate a confluencia Ivinhema 01.

Nesta confluencia, o rio Ivinhema-MS divide-se em dois canais, um dos canais segue a direcao leste ate desaguar nas aguas do rio Parana. O outro corta a planicie Parana-Ivinhema, no sentido sul/sudeste, com muitos meandros e percorrendo 40 km ate desaguar na confluencia Ivinhema 01. A distancia entre as confluencias Ivinhema 01 e Ivinhema 3 e de 30 km em linha reta; a diferenca de 10 km de percurso demonstra a importancia do rio Ivinhema-MS como agente modificador da planicie Parana-Ivinhema.

O rio Ivinhema-MS apos percorrer a planicie Parana-Ivinhema, a aproximadamente 2,7 km, da sua foz, divide-se em dois canais um deles origina o canal principal denominada confluencia Ivinhema 01 (ao sul), o segundo, a confluencia Ivinhema 02 (ao norte), que e capturado por uma anomalia de drenagem.

Ao longo da planicie os inumeros canais, paleocanais e lagoas sao abastecidos pelo lencol freatico aflorante e influenciado pelo nivel da agua do rio Parana ou sao abastecidos durante os periodos de cheia de ambos os rios. Muitas destas geoformas podem secar durante periodos de estiagem.

Esta pesquisa procura compreender os processos de construcao geomorfologica das areas de confluencia, por meio da dinamica sedimentar, geometria dos canais nas areas de confluencia do rio Ivinhema-MS com o rio Parana.

O conhecimento da dinamica e geomorfologia das confluencias e um elemento importante para estudos ambientais neste ecossistema, pois permite a analise do comportamento do periodo de cheias dos canais fluviais e sua inter-relacao com a planicie e a carga transportada.

2. MATERIAIS E METODOS

Para a realizacao desta pesquisa foram coletados dados de campo em 12 secoes transversais no canal dos rios, dados obtidos por sensoriamento remoto, posteriormente trabalhados em ambiente digital e dados bibliograficos. Realizaram-se quatro campos de coleta, nos meses de fevereiro, maio, julho e novembro do ano de 2013, abrangendo periodos de diferentes vazoes nos canais. Isso possibilitou a analise das modificacoes na morfologia do canal, na vazao, na carga sedimentar hidrotransportada.

As secoes transversais estao numeradas de jusante para montante em ordem crescente. Nas confluencias do rio Ivinhema 01 e Ivinhema 02 foram escolhidas sete secoes transversais: tres no canal principal (rio Parana) e as demais no rio Ivinhema-MS. Na confluencia do Ivinhema 03, foram escolhidas cinco secoes transversais: sendo duas no canal do rio Parana e tres no tributario. A Figura 4 mostra as localizacoes dos transectos na regiao das confluencias Ivinhema 01, 02 e Ivinhema 03. As coletas de dados e materiais nas secoes ocorreram proximas as margens direita e esquerda e no meio do canal.

Para o reconhecimento da area de estudo utilizou-se de produtos de sensoriamento remoto, cartas topograficas e fotos aereas. Iniciou-se com a analise das morfologias presentes nas areas das confluencias abordadas na pesquisa. Estas areas foram previamente identificadas por intermedio de dados orbitais a partir da construcao de um banco de dados georreferenciados com projecao UTM (Unidade Transverse de Mercartor), fuso 21 sul e datum horizontal WGS 84 organizados no Software de geoprocessamento ArcGis (ArcMap) versao 10.1 (free trial). Foram utilizados para definicao das formas do relevo imagens SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) do projeto TOPODATA (INPE, 2011) e as imagens orbitais do satelite Landsat 7, sensor ETM + (orbita 224 e ponto 77), com passagem no dia 16 de fevereiro de 2014. Estas tiveram a finalidade de discriminacao das geoformas, como a dos paleocanais e paleoilhas e do mapeamento geomorfologico das areas das confluencias e geracao de outros produtos cartograficos. Foi realizado tambem um levantamento de campo nas areas para verificar in loco a presenca de algumas dessas geoformas.

Para a elaboracao de modelos e mapas batimetricos para analise da morfologia dos canais nas confluencias estudadas, foi utilizada uma ecossonda da marca Furuno GP-1650-F, acoplada a um GPS Sistema de Posicionamento Global de 12 canais. Um computador portatil fez a captura, processamento dos sinais georreferenciados por meio de Software FUGAWI 4.5 e exporta na forma de arquivo de texto, para posteriormente interpolacao (CARVALHO et al., 2000, p. 82; CARVALHO, 2008,p. 82 e; FRANCO, 2007, p. 38).

Os mapas batimetricos das confluencias dos rios Ivinhema/Parana foram elaborados utilizando o Software Surfer, versao 9, aplicando o metodo reticulado kringing para realizar a interpolacao de dados, com os quais foram gerados os valores para a construcao das isolinhas. Posteriormente, foram organizados e editados utilizando o software de edicao grafica Corel Draw X4.

Os dados sobre velocidade de fluxo, vazao do canal e direcao de fluxos no momento da coleta foram obtidos com o uso de um Acustic doppler current profiler (ADCP) instalado no barco, que percorria em velocidade constante cada secao transversal.

Para a coleta de carga de fundo e de carga supensa, em tres pontos ao longo das secoes transversais (margem direita, margem esquerda e canal), foram utilizados amostradores de mandibula e garrafa de Van Door. As amostras foram secas em temperatura ambiente.

Entre os diversos metodos utilizados para selecionar o tamanho das particulas, esta pesquisa utilizou-se do peneiramento para as amostras de areia, e as amostras com textura pelitica foram lavadas em solucao de hidroxido de sodio a 40% (SUGUIO, 1973 P. 49-58).

3. RESULTADOS E DISCUSSAO

3.1. Analise geomorfologica e granulometrica das confluencias Ivinhema 01 e 02

A ecobatimetria da regiao das confluencias Ivinhema 01 (ao sul) e Ivinhema 02 (ao norte), apresentada na Figura 5 (A, B, C e D) referentes as campanhas dos meses de fevereiro, maio, julho e novembro de 2013, revela aspectos e evolucao geomorfologica da area das confluencias.

A cofluencia Ivinhema 01 (sul) possui um angulo de 68,5 em formato semelhante de um "Y" inclinado, (Figura 6). Na margem direita encontramos cascalheiras da geracao Calcedonica (SANTOS, 1997, p.41 e FORTES, 2003, p.95) que impoem resistencia aos processos erosivos direcionando o fluxo do rio Ivinhema-MS e do Parana para o centro do canal no sentido norte/nordeste.

A area de escavamento (BEST, 1988, p.487; e BEST; ASHOWRTH, 1997 p. 276-277) surge do encontro dos fluxos de ambos os rios seguindo o mesmo sentido com profundidades de ate 9 m e por aproximadamente 150/200 m.

A confluencia Ivinhema 02 (Figura 6) origina-se da captura de drenagem do tributario pelo rio Parana, possui angulo de 40[grados] na forma de "'Y" fechado. Disso decorre aumento nos processos erosivos (aceleramento de fluxos e vortices) na area de escavamento, que surge apos o encontro do rio Ivinhema-MS na sua margem esquerda (0,8 a 09 m/s) com a margem direita do rio Parana (09, a 1,3 m/s). Na margem direita do rio Ivinhema-MS as velocidades de fluxo sao menores (0,3 m/s), portanto as velocidades de fluxo nesta secao sao duas a tres vezes maiores na margem direita esquerda.

Apos a confluencia, ja no rio Parana, o talvegue segue a direcao sul/sudeste, pois o fluxo e desviado pela presenca de uma pequena ilha aluvial localizada logo a jusante da confluencia. Este deposito forma uma zona de sombra ao fluxo, diminuindo sua velocidade e favorecendo a geracao de uma area de estagnacao entre as confluencias Ivinhema 01 e 02. A presenca desta ilha por si so ja demonstra que esta area e um sitio deposicional, alem da menor velocidade de entrada das aguas do rio Ivinhema pela margem direita (0,3 a 0,4 m/s).

Por outro lado, esta ilhota tambem desloca o talvegue o rio Parana, mais para o centro do canal, promovendo ai uma area de alta energia com velocidades de fluxos de 1,1 a 1,3 m/s.

O rio Parana movimenta grandes quantidades de carga de fundo durante todo o ano, como observado pelas alteracoes na morfologia do canal mostrada nos mapas batimetricos. Em epocas de cheia como em junho-julho/2013, estes valores elevam-se de forma significativa, pois a area de escavacao da confluencia Ivinhema 01 foi colmatada por depositos de areia, transportadas pelo rio (Figura 6. C). Na campanha subsequente, no mes de novembro, estabelece-se neste local novamente a area de escavamento, mostrando que o sitio e sujeito a sensiveis e persistentes processos erosivos. Martins e Stevaux (2005, p.49) estimou que o transporte medio da carga de fundo no rio Parana na regiao de Porto Sao Jose em 2.820,6 ton./dia ou 1.029.300 ton./ano.

Na confluencia Ivinhema 02, no mes de junho-julho/2013, tambem houve grande movimentacao de carga de fundo, mas a area de escavamento se manteve, embora com profundidades menores, devido ao acumulo de sedimentos nos momentos de menores velocidades de fluxo. A manutencao da area de escavamento e explicada pela velocidade elevada do encontro dos fluxos dos rios Ivinhema-MS e o do Parana, com medias elevadas entre 1,0 m/s a 1,6 m/s, gerando atrito entre os fluxos, e aumentando a energia de vortices e a sua capacidade de erodir o leito do canal. Outro fator que influencia na manutencao desta area de erosao e a proximidade do talvegue do rio Parana nesta margem. Estes processos na area de escavamento tambem foram notados por Best (1986, p.161; 1988 p. 487); Best e Ashwort, (1997, p.276) nas confluencias fluviais por eles analisadas.

As caracteristicas geomorfologicas do leito e da confluencia interferem na distribuicao e transporte da deposicao carga de fundo. Entre as confluencias 01 e 02 o talvegue do rio Parana desenvolve uma area de escavamento devido as maiores velocidades de fluxo nesta area. Este fato aumenta a energia do fluxo e a capacidade de transporte do material mais grosseiro, justificando a presenca de areia grossa e cascalho no centro do canal e eventualmente proximo a margem direita das secoes 1 e 2, respectivamente (Figura 7).

A presenca continua de material pelitico (lama) na margem direita da secao 2 esta relacionada a area de estagnacao localizada entre as confluencias o que favorece a deposicao de material em suspensao. O principal material encontrado entre as secoes analisadas foi areia fina e media, sendo esta a fracao granulometrica mais coletada no leito do canal. (Figura 7).

A secao transversal 4, a montante da confluencia Ivinhema 01, no rio tributario predomina a areia. Esta fracao decorre da dinamica do rio Parana, que invade com frequencia o rio Ivinhema-MS por meio da margem esquerda deste canal, depositando sua carga nos periodos de cheia do canal principal.

A secao transversal 6, a montante da confluencia Ivinhema 02, proximo a margem tem-se a ocorrencia de areia e de material pelitico. Na margem direita com baixa energia de fluxo, o teor de silte e argila aumenta e e neste local que se inicia a area de estagnacao de fluxo proposto por Best (1987, p. 28).

A secao transversal 5, localizada no rio Ivinhema-MS, possui fundo rochoso irregular, pequenas depressoes do leito que favorecem a deposicao de sedimentos quando a velocidade da corrente proxima ao leito diminui, aumentando a deposicao temporaria de areia no canal e na margem direita alem da deposicao de material de granulometria pelitica, como ocorreu apos a cheia de junho e julho de 2013. Esta situacao deve-se ao barramento do rio Ivinhema-MS pelo aumento do nivel do rio Parana e alagamento da planicie. A margem esquerda demonstrou-se mais dinamica alternando as fracoes granulometricas.

A secao transversal 7, rio IvinheimaMS, teve sua primeira coleta em julho de 2013, apos um periodo de cheia. No momento da coleta apresentou uma vazao inferior a 6 m3/s e grandes quantidades de vegetacao nas margens que favorecem a deposicao de material siltico argiloso e areia muito fina.

3.2. Analise geomorfologica e granulometrica da confluencia Ivinhema 03

Os mapas batimetricos da confluencia Ivinhema 03 revelam que a morfologia do leito da confluencia teve pequenas alteracoes entre as campanhas. A montante da confluencia proximo a margem direita, seguindo a direcao sul-sudeste, ocorre a area mais rasa do canal secundario do rio Parana (Figura 8). Proximo a margem esquerda a morfologia se manteve mais uniforme entre as secoes 01 e 02. O talvegue localiza-se nesta area com profundidades medias de 6 a 7 m e maximas de ate 8 m abaixo do nivel do rio. A area central do canal possui as menores profundidades pela grande movimentacao de carga de fundo.

A confluencia Ivinhema 03 possui angulo de 44,8 (Figura 9) e tem a forma de um "Y" inclinado; o talvegue do rio Ivinhema-MS localiza-se na margem direita nesta area, favorecendo o avanco das aguas em direcao ao rio Parana. O tributario apresenta uma vazao proxima a 1% da vazao do canal secundario do rio Parana, portanto nao tem energia de fluxo quando avanca sobre o canal principal limitando sua penetracao a poucas dezenas de metros da margem direita ate a mistura total dos fluxos que so vai ocorrer a alguns quilometros abaixo.

A area de escavamento da confluencia segue pela margem direita do rio Parana e aumenta quando avanca em direcao sul/sudeste. Antes do encontro dos canais, no rio ivinheima-MS, as profundidades medias sao de 4 a 5 m e, apos o encontro das aguas dos dois rios, aumentam para 6 a 8 m. A largura da area de escavamento aumenta ate proximo ao centro do canal do rio Parana.

Na secao transversal 5, a montante da divisao dos canais do rio Ivinhema-MS, com profundidades entre 4 a 6 m em media, sendo maiores na margem direita. Observa-se que apos a divisao, o canal principal segue cortando a planicie Parana/Ivinhema ate as confluencias Ivinhema 01 e 02, e possui profundidades iniciais de 5 a 6 m. O outro canal ja citado anteriormente segue em direcao ao rio Parana.

Analisando a Figura 10, verifica-se que a areia e a principal fracao granulometrica presente em quase todas as secoes transversais da confluencia Ivinhema 03.

A presenca de lama e argila foi significativa nas margens direitas das secoes transversais 1 e 2 e 5. As duas primeiras localizadas no rio Parana margeiam a planicie Parana/Ivinhema. Nesta area predomina a presenca de deposito de laminas de argila nas margens e fundo do canal.

Na secao transversal 4, no rio Ivinhema-MS, o fluxo principal segue a planicie Parana/Ivinhema. O canal possui profundidades uniformes entre as margens, porem no centro torna-se ligeiramente mais profundo e com velocidades maiores de fluxo (08 a 1 m/s); constatamos a presenca de fundo rochoso. Na margem direita com velocidades de fluxo de (0,6 a 0,7 m/s) ocorre a deposicao de areia e areia grossa e cascalho, principalmente em eventos de cheias quando as velocidades sao superiores, enquanto na margem esquerda com velocidades inferiores (0,4 m/s) ocorre a deposicao de lama.

A secao transversal 3 localiza-se no rio Ivinhema-MS. Proximo a margem esquerda ocorrem as maiores profundidades no canal secundario e as menores velocidades de fluxos (0,2 a 0,4 m/s), devido ao represamento do canal pelo rio Parana, que adentra por esta margem e mantem o escoamento lento; as maiores velocidades ocorrem na margem direita (0,5 a 0,7m/s) que dirige o fluxo em direcao ao rio Parana. Ocorre deposicao de material pelitico proximo a margem esquerda relacionado ao barramento e a erosao da margem, mas a principal fracao granulometrica e a areia fina. Nesta secao verifica-se a presenca de areia grossa e cascalho na margem direita e canal relacionado aos eventos de cheia de ambos os rios.

Na secao transversal 5, as maiores velocidades ocorrem no canal e proximo a margem esquerda. Este fluxo se divide em dois e pode-se observar que proximo a margem direita as velocidades sao baixas (0,3 a 0,4 m/s) apresentando caracteristicas de uma area de deflacao, observa-se a presenca de leito rochoso, ate o inicio do canal que corta a planicie Parana/Ivinhema, a presenca de vegetacao subaquatica nesta margem explica as baixas velocidades. As maiores profundidades e velocidades ocorrem na margem esquerda e no centro do canal (0,8 a 09 m/s), nela verificou-se a presenca de areia no e de fundo rochoso.

4. CONSIDERACOES FINAIS

O angulo de confluencia, a carga sedimentar e as vazoes dos canais determinam a localizacao das zonas de escavamento (erosivas) e das zonas de estagnacao (deposicionais ou de acumulacao), como verificadas em toda as confluencias analisadas, mesmo na confluencia Ivinhema 03 que apresentou uma vazao muito pequena em relacao a vazao do rio Parana. Sugerindo que a vazao e velocidades do canal secundario (Ivinhema-MS) nao sao os fatores que determinam os vortices de limpeza que promovem o escavamento, no canal principal (rio Parana) apos a confluencia.

O rio Parana promove grande movimentacao de carga de fundo durante o ano, sendo mais intenso nos periodos de cheia onde ocorre grandes alteracoes na morfologia do leito, do fluxo e no tipo de carga transportada, nas confluencias estudadas. O transporte de areia grossa e cascalhos ocorre nas areas mais velozes e deposicao de lama nas areas represadas pelos rios, demostrando assim que nao somente nas planicies se depositam os pelitos, mas tambem nos canais fluviais, mesmo em rios de grande porte.

A areia grossa e cascalho depositada no rio Ivihnema-MS esta associada a erosao das cascalheiras que ocorrem na base do sistema aluvial do rio Parana. A carga de fundo do rio Ivinhema-MS e predominantemente de areia proveniente da Formacao Caiua e da Formacao Botucatu, ocorrentes na maior parte desta bacia hidrografica.

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Vanderlei Grzegorczyk (1), Manoel Luiz Dos Santos (2), Dayane Pagotto (3)

Recebido em: 26/07/2017

Aceito em: 20/02/2019

(1) Universidade Estadual de Maringa, Maringa/PR, e-mail:vanderleigk@gmail.com

(2) Universidade Estadual de Maringa, Maringa/PR, e-mail: mluisdossantos@gmail.com

(3) Universidade Estadual de Maringa, Maringa/PR, e-mail: dayane_pagotto@hotmail.com

Leyenda: Figura 1--Bacia hidrografica do rio Ivinhema-MS. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015.

Leyenda: Figura 2--Unidades geologicas da bacia hidrografica do rio Ivinhema-MS. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015.

Leyenda: Figura 3--Geomorfologia das confluencias do rio Ivinhema-MS. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015--adaptado de Fortes (2003, p.56).

Leyenda: Figura 4--Localizacao das secoes transversais nas confluencias, Ivinhema 01, 02 e 03. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015.

Leyenda: Figura 5--Mapas batimetricos dos quatro campos da confluencia do Ivinhema 01 e Ivinhema 02, 2013. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015.

Leyenda: Figura 6--Angulo das confluencias do Ivinhema 01 e Ivinhema 02 com o rio Parana. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015.

Leyenda: Figura 7--Valores percentuais medios de carga de fundo nas secoes transversais confluencias Ivinhema 01 e 02. Fonte: Autor, 2015. Na legenda TRC1 ME, TRS1 canal e TRC1 ME significam: (TRC) secao transversal 1, (ME) margem esquerda, (MD) margem direita e (canal) significa o centro da secao e assim sucessivamente.

Leyenda: Figura 8--Mapas batimetricos dos campos da confluencia do Ivinhema 03--2013. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015.

Leyenda: Figura 9. Angulo da confluencia Ivinhema 03 com o rio Parana. Fonte: Autor, com colaboracao de Carlos Henrique Graca, 2015.

Leyenda: Figura 10--Dados granulometricos da confluencia do rio Ivinhema-MS. Fonte: Autor, 2015.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Grzegorczyk, Vanderlei; Dos Santos, Manoel Luiz; Pagotto, Dayane
Publication:Ra'e Ga
Article Type:Ensayo
Date:Mar 1, 2019
Words:5259
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