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ANALYSIS OF COGNITIVE STYLES OF MANAGERS APPLIED TO AN ENGINEERING DEVELOPMENT/ANALISE DE ESTILOS COGNITIVOS DE GESTORES APLICADOS A UM EMPREENDIMENTO DE ENGENHARIA.

1 INTRODUCAO

As decisoes do dia a dia do ser humano passam pela interacao de dois sistemas ou modos de processamento cognitivo (CHAIKEN; TROPE, 1999; EPSTEIN, 1994; KAHNEMAN; FREDERICK, 2002; SLOMAN, 1996; STANOVICH, 1999), seja na relacao pessoal, financas, educacao e local de trabalho (FLETCHER; MARKS; HINE, 2012; KAHNEMAN, 2011). Esses modos do pensamento humano sao conhecidos por diversas nomenclaturas ou propriedades como: Sistema 1 e Sistema 2, sistemas associativo e baseado em regra, processamentos heuristico e analitico, sistemas experiencial e racional, cognicoes intuitiva e analitica (STANOVICH, 1999). Os termos Tipo 1 (intuitivo) e Tipo 2 (refletivo), segundo Evans & Stanovich (2013), sao aqueles que deveriam ser utilizados, posto que, o ser humano tem diversos sistemas mentais. Todo esse conjunto de estudos de como pensa o ser humano, compreende o que se chama teorias de processos ou sistemas duais (EVANS, 2008; FRANKISH, 2010).

Uma das caracteristicas das teorias duais e a comprovacao empirica da relacao ortogonal dos construtos racional e intuitivo, isto e, embora sejam processos independentes, podem interagir (AKINCI; SADLER-SMITH, 2013; HODGKINSON et al, 2009b; PACINI; EPSTEIN, 1999). Diferentemente, a teoria unitaria referente aos mesmos construtos, estabelece que o racional e o intuitivo estao em polos opostos de um mesmo eixo. Contudo resultados de pesquisas empiricas, associadas a esse modelo, mostram inconsistencia em relacao a base teorica (HODGKINSON; SADLER-SMITH, 2003; HODGKINSON et al, 2009b).

Para testar as teorias que abordam as diferencas do processamento mental humano, foram desenvolvidas escalas individuais de preferencias cognitivas. Segundo Armstrong, Cools & Sadler-Smith (2012), Hodgkinson & Clarke (2007), Sternberg & Grigorenko (2001), a Myers-Briggs Type Indicator (MBTI) e uma das escalas de medicao de estilo de cognicao mais difundidas em diversos dominios, como o gerenciamento. Entretanto, varios resultados de pesquisas referenciadas nessa escala, mostraram inconsistencias (GARDNER; MARTINKO, 1996; PETTINGER, 2005) ou incompatibilidade com os fundamentos de sua origem--o trabalho de Jung (HODGKINSON; CLARKE, 2007). Outra escala a destacar e a escala Cognitive Style Index (CSI), baseada na teoria unitaria (HODGKINSON; SADLER-SMITH, 2003; HODGKINSON et al, 2009b). A escala Rational-Experiential Inventory (REI) fundamentada nas teorias duais, e rival da CSI (AKINCI; SADLERSMITH, 2013, SADLER-SMITH, 2011) e contemporanea a escala MBTI. Foi introduzida em 1996 (EPSTEIN; PACINI, DENES-RAJ; HEIER, 1996; PACINI; EPSTEIN, 1999) e depois revista em 1999 (PACINI; EPSTEIN, 1999).

Uma vez conhecido, por meio das escalas, o grau da preferencia cognitiva do individuo, foi possivel subdividir a relacao racional--intuitivo em quatro categorias: versatil (racional alto / intuitivo alto), analitico (racional alto / intuitivo baixo), intuitivo (racional baixo / intuitivo alto) e indiferente (racional baixo / intuitivo baixo). Essa categorizacao / representacao esta suportada por Akinci & Sadler-Smith (2013) e Hodgkinson & Clarke (2007).

Assim, a escala REI e um instrumento que permite classificar decisores cognitivamente. Diante deste contexto, busca-se aplicar a referida escala de quatro categorias aos gerentes e gestores de equipes de engenharia. Surge dai a pergunta norteadora deste artigo: como esta configurado o estilo cognitivo individual de gerentes e gestores de um empreendimento de engenharia localizado no Estado de Minas Gerais?

O empreendimento de engenharia em questao e do tipo industrial, e o escopo compreendeu o projeto (revisao) e a montagem de uma planta de processamento mineral. Envolveu basicamente as disciplinas de engenharia civil, mecanica, eletrica e automacao.

Do ponto de vista academico e pertinente a pesquisa, pois embora a escala REI tenha robustez teorica e empirica, ha carencia de estudos, conforme Armstrong, Cools & Sadler-Smith (2012), inclusive no gerenciamento (SADLER-SMITH; BURKE-SMALLEY, 2015). Em pesquisa bibliometrica realiada na base nacional SPELL, em dezembro de 2018, com as palavras chaves "tomada de decisao", "escala REI", "intuicao" e "racional" nenhum trabalho retornou a pesquisa, o que indica uma oportunidade de contribuicao em ambito nacional sobre o tema. Alem disso, as organizacoes podem se beneficiar ao verificar, se ha aderencia entre as preferencias cognitivas dos gestores e as tarefas a serem executadas, e finalmente concluir, entre outras acoes, pela melhoria do processo de tomada de decisoes como um todo.

Este artigo esta estruturado com esta introducao, seguido do referencial teorico que aborda a literatura sobre tomada de decisao, racionalidade e intuicao. Ainda aborda o arcabouco metodologico e em seguida os resultados e consideracoes finais do trabalho.

2 REFERENCIAL TEORICO

A evolucao dos estudos sobre as teorias duais de processamento cognitivo (CHAIKEN; TROPE, 1999), e seus desdobramentos, como por exemplo, o trabalho sobre heuristicas e vieses (KAHNEMAN; FREDERICK, 2002), reforcaram assertiva de Epstein (1994), ao afirmar que nao faltavam evidencias para demonstrar que o homem compreende a realidade do dia a dia de duas maneiras fundamentalmente distintas. Uma denominada intuitiva, automatica, natural, nao verbal, narrativa e experiencial, e a outra analitica, deliberativa, verbal e racional. Sloman (1996), na mesma ordem, denominou o primeiro de sistema associativo, que se aprende por meio da similaridade e contiguidade adquirida na experiencia pessoal, e o segundo de sistema baseado em regras, que se aprende pela linguagem, cultura e sistemas formais, ou seja, por manipulacao simbolica. Stanovich (1999), em sua revisao sobre os modelos duais, agrupou os termos utilizados pelos teoricos para cada um dos dois sistemas, e os designou respectivamente como Sistema 1, acentuadamente inconsciente, holistico, rapido, sem relativa demanda da capacidade computacional mental, e Sistema 2, tipicamente um processo controlado pela inteligencia analitica, lento e com relativa demanda da capacidade mental. A esse conjunto de estudos da forma de pensamento humano, a academia cunhou o termo "teorias de processos ou sistemas duais" (EVANS, 2008; FRANKISH, 2010). Evans & Stanovich (2013), em resposta aos criticos das teorias duais, sugeriram que sejam adotados as nomenclaturas (processos) Tipo 1 e Tipo 2, porque embora a denominacao de Stanovich (1999)--Sistema 1 e Sistema 2--tenha se tornado popular, a ideia de "dois sistemas" parece ambigua. Segundo Evans & Stanovich (2013), ela pode ser utilizada como sinonimo para a hipotese de duas mentes, mas ir alem dos dois tipos de processos. E tambem transparecer que se refere a um sistema singular, quando na realidade o cerebro tem um conjunto de subsistemas envolvidos no processo Tipo 1, tais como modular, habitual e automatico (EVANS, 2008; STANOVICH, 2011).

Uma caracteristica comum, identificada nos estudos empiricos das teorias duais, e a relacao ortogonal entre o racional e o intuitivo, isto e, eles operam independentemente, mas com possibilidade de interacao entre os dois construtos durante o processamento da informacao. O trabalho de Epstein et al. (1996), por exemplo, partiu dos pressupostos teoricos estabelecidos pela Cognitive-Experiential Self-Theory (CEST), que sao: o paralelismo e a possibilidade de interacao entre os construtos racional e intuitivo, inversamente ou de forma ortogonal (ou independente). Ao final da pesquisa, eles confirmaram empiricamente a interacao entre os construtos como uma operacao independente de relacao ortogonal. Pacini & Epstein (1999) revisaram e aprimoraram o estudo de Epstein et al. (1996), e os resultados levaram as mesmas conclusoes da pesquisa original, assim como ocorreu com outros trabalhos independentes: Sadler-Smith (2004), Bjorklund & Backstrom (2008), Hodgkinson et al. (2009b); Akinci & Sadler-Smith (2013). Contudo as teorias duais tem um modelo tradicionalmente rival, a teoria unitaria (AKINCI; SADLER-SMITH, 2013; HODGKINSON; SADLER-SMITH, 2003; SADLER-SMITH, 2011). Essa teoria propoe que a relacao racional-intuitivo ocorra unidimensionalmente, o que significa um eixo continuo com esses dois construtos nos extremos opostos. Porem os resultados empiricos baseados nesse modelo sao inconsistentes com o proprio fundamento da teoria unitaria, pois os resultados sugerem que os construtos racional e intuitivo se relacionam em mais de uma dimensao e de forma independente (HODGKINSON; SADLER-SMITH, 2003; HODGKINSON et al, 2009b).

A relacao entre teoria e construtos, ou a forma de medir o grau dessa relacao ocorre por meio de escalas (DEVELLIS, 2017; ZELLER; CARMINES, 1980). No campo das teorias de cognicao, uma das escalas mais difundidas e a MBTI (ARMSTRONG; COOLS; SADLER-SMITH, 2012; HODGKINSON; CLARKE, 2007; STERNBERG; GRIGORENKO, 2001). Essa escala esta baseada na teoria multidimensional de Jung, que tipifica a personalidade das pessoas, combinando quatro processos mentais (sensacao, intuicao, pensamento e sentimento) e duas atitudes (extrovertido e introvertido). A ideia pratica dos autores da escala foi estabelecer uma relacao entre a personalidade (da pessoa) e o (tipo de) trabalho atraves de um questionario (MCCAULLEY; MARTIN, 1995). E uma escala aplicada em varios dominios. Segundo Armstrong, Cools & Sadler-Smith (2012), em uma revisao de literatura abrangendo o periodo de 1969 a 2009 (40 anos), na area de negocios e gerenciamento, o MBTI esta presente em sete dos oito temas classificados pelos autores: vocacional e ocupacional, cultura nacional, trabalho em grupo e relacoes interpessoais, aprendizagem, tomada de decisao, criatividade, inovacao e empreendedorismo, vendas e marketing e finalmente sistemas da informacao e gerenciamento da informacao. Entretanto as analises de Gardner & Martinko (1996) e Pettinger (2005), em estudos que utilizam essa metodologia, apontaram inconsistencias nos resultados relativos a teoria de Jung. Basicamente os resultados das pesquisas empiricas nao sao consistentes com as dimensoes estabelecidas a partir dos construtos levantados pela teoria.

Alem da escala MBTI, a revisao de literatura de Armstrong, Cools & Sadler-Smith (2012) destacou mais escalas. Os criterios basicos adotados por esses autores para selecionar os artigos e escalas foram: o potencial do artigo e a referencia cruzada do autor, assim, dos 4.689 estudos permaneceram 328. Desse total, 24% dos estudos foram realizados na escala MBTI, 14% na CSI e 7% na REI. Foram citadas ainda as escalas Kirton's Adaption-Innovation Inventory-21% (KAI) e Field Dependence-Independence-10% (FDI). Contudo, essas duas ultimas abordagens foram descartadas do presente artigo por nao serem baseadas na teoria nos construtos racional e intuitivo (ARMSTRONG; COOLS; SADLER-SMITH, 2012). Dessa forma, a seguir, faz-se um paralelo da escala CSI e REI.

A escala CSI tem como construtos a analise e intuicao, porem e baseada na teoria unitaria, isto e, existe apenas uma dimensao, um eixo continuo, onde nos polos extremos estao esses dois construtos (HODGKINSON; SADLER-SMITH, 2003; HODGKINSON et al, 2009b). Segundo Cools & Van den Broeck (2007), os polos sao tratados frequentemente como dicotomicos e desta forma, conforme Sadler-Smith (2004), impede que a pessoa assuma simultaneamente uma posicao fraca ou forte para ambos os polos. Outras criticas vieram de Hodgkinson & Sadler (2003) e Hodgkinson et al. (2009b). Esses estudiosos demonstraram por pesquisa empirica, que a CSI esta mais relacionada a uma teoria dual de construtos independentes do que uma teoria unitaria-unidimensional como preconiza a teoria onde se baseia.

A escala REI tem como tradicional rival, a escala CSI (AKINCI; SADLER-SMITH, 2013, SADLER, 2011) e esta fundamentada na CEST, uma teoria dual de construtos (racional e intuitivo) independentes de relacao ortogonal e com interacao entre eles (AKINCI; SADLER-SMITH, 2013; HODGKINSON; LANGAN-FOX; SADLER-SMITH, 2008; PACINI; EPSTEIN, 1999). O Rational-Experiential Inventory (REI) e um questionario produzido por Epstein et al., 1996, com 31 assertivas divididas em duas escalas distintas aderente a base teorica dual CEST. Uma delas e a Need for Cognition (NFC) com 19 assertivas com o proposito de capturar o pensamento racional e outra Faith in Intuition (FI) com 12 assertivas para avaliar o grau de confianca nos proprios sentimentos e primeiras impressoes como base para as decisoes e acoes. Posteriormente, Pacini & Epstein (1999) reformularam o questionario para 40 assertivas. Os autores entenderam que a escala anterior estava desbalanceada. Enquanto a escala NFC direcionava a maioria das assertivas para a propensao do individuo usar aquele sistema (o racional), a escala FI se concentrava na habilidade para usa-la (a intuicao). Assim, um novo questionario procurou corrigir esses aspectos, ao criar as subescalas de propensao e habilidade para cada um dos construtos. Entretanto, os resultados empiricos mostraram aderencia das subescalas apenas para a parte racional, ou seja, foi possivel correlacionar independentemente propensao e habilidade quando utilizado o pensamento analitico, porem nao foi possivel diferencia-los para o pensamento experiencial (2). A despeito desses resultados, Pacini & Epstein (1999) certificaram-se empiricamente da melhora da escala REI para distincao dos construtos racional e experiencial.

De acordo com Akinci & Sadler-Smith (2013) as escalas produzidas pelas teorias duais, relacionadas aos construtos racional-intuitivo, tem aplicacoes praticas que incluem: a selecao e avaliacao, adequacao pessoa-organizacao, adequacao pessoa-trabalho, orientacao vocacional, composicao e construcao da equipe e treinamento e desenvolvimento. Isso e possivel, segundo os autores, porque as escalas racional-intuitivo nesse modelo, sao distintas e nao trabalham em oposicao, e sim simultaneamente, de acordo com a preferencia cognitiva ou pela adequacao a necessidade/ tarefa. Por essa caracteristica independente e ortogonal dos construtos racional-intuitivo dos modelos teoricos duais, quando aplicada um instrumento de medicao, por exemplo, a escala REI, e possivel categorizar o individuo conforme Figura 1.

As quatro caracteristicas individuais atribuidas as categorizacoes da Figura 1, de acordo com Hodgkinson & Clarke (2007), sao as seguintes: experiencial (racional baixo / intuitivo alto) e aquela pessoa que se preocupa em enxergar o problema como um todo, mesmo a custa da perda de detalhes, e tem pouca ou nenhuma abordagem analitica. Racional (racional alto / intuitivo baixo) e aquele individuo altamente analitico, que se dedica aos detalhes dos dados disponiveis e realiza a decisao passo a passo. Porem se a quantidade de dados e grande e ha restricao de tempo, pode enfrentar dificuldade. Alem desses aspectos, tem pouca ou nenhuma intuicao. Versatil (racional alto / intuitivo alto) e aquela pessoa que pode lidar com detalhes analiticamente, e tambem ignorar partes, quando necessario. Pode receber tarefas tanto de natureza racional quanto intuitiva. Indiferente (racional baixo / intuitivo baixo) e aquele individuo que nem e fortemente racional nem fortemente intuitivo. Nao consegue formular uma visao estrategica, pois nao consegue extrair detalhes ou visualizar o todo. Sao pessoas que dependem da opiniao e sabedoria de outros, o que alivia o proprio processamento analitico e intuitivo.

A revisao de literatura de Armstrong, Cools & Sadler-Smith (2012) ressaltou a necessidade de aplicacao da escala REI, tanto pela sua coerencia e consistente base teorica, e tambem pela sua baixa disseminacao. Por exemplo, na area de engenharia, as escalas mais usualmente aplicadas sao MBTI, FDI e KAI, de acordo com o trabalho de Armstrong, Cools & Sadler-Smith (2012). Outra revisao de literatura, de Cools, Armstrong & Verbrigghe (2014), concentrada nas areas de psicologia e gerenciamento, os autores analisaram 234 artigos no periodo de 1986 a 2010 (25 anos). Eles identificaram as escalas cognitivas aplicadas e recomendaram a utilizacao, entre outras, da escala REI, tanto para comprovar a evidencia da independencia dos construtos, como especificamente dar relevancia na pesquisa no campo do gerenciamento, ao aproximar das acoes do cotidiano de trabalho. Nesse sentido, Sadler-Smith & Burke-Smalley (2015) afirmaram que o ultimo trabalho de pesquisa de referencia sobre estilos cognitivos na area de gerenciamento foi de Agor (1986). Eles tambem sugeriram a aplicacao da escala REI nas investigacoes vindouras.

A seguir serao abordados os pressupostos metodologicos do artigo.

3 METODOLOGIA

A pesquisa adotada neste trabalho se configura como descritiva, por identificar a prevalencia de um fenomeno (NEUMAN, 2014; YIN, 2014), transversal pela obtencao dos dados de pesquisa em momento unico em relacao as etapas de um empreendimento (e com abordagem quantitativa (BRYMAN; BELL, 2015; CRESWELL, 2014; NEUMAN, 2014), por meio de questionario para respostas na escala Likert de 5 pontos (PACINI; EPSTEIN, 1999).

Inicialmente e necessario contextualizar o ambiente e os atores envolvidos na definicao do objeto de analise. Aderente as solicitacoes de Armstrong, Cools & Sadler-Smith (2012), Cools, Armstrong & Verbrigghe (2014) e Sadler-Smith & Burke-Smalley (2015) foi escolhido um grupo de gestores envolvidos em um empreendimento de engenharia. O empreendimento em questao referese a um conjunto de atividades de periodo definido, isto e, temporario. Normalmente nesses casos, as empresas contratadas pelo cliente final compoem uma forca-tarefa ou um time para a execucao daquele determinado empreendimento, tambem com carater temporario. Os colaboradores das empresas sao escolhidos conforme disponibilidade e compatibilidade com as tarefas, e se necessario, contratados novos.

Especificamente nesse empreendimento de engenharia estavam envolvidas oito empresas: as projetistas (3), as fiscalizadoras (2), a fornecedora (1), a construtora (1) e o cliente final (1). As relacoes entre elas eram as seguintes (Figura 2): A empresa "A", alem de ter sido a responsavel pela fiscalizacao geral de construcao, tambem foi coordenadora / fiscalizadora, via empresa "B", do projeto de engenharia desenvolvido pelas empresas "C", "D" e "E". A empresa "F" foi responsavel pela construcao e a empresa "G", o cliente final. A empresa "H" atuou como fornecedor de um software de integracao, isto e, para que todo o sistema documental de engenharia produzido, tramitasse entre os atores de forma sistemica e controlada, foi adquirido pela empresa "A" da empresa "H", um software de gestao de documentacao de engenharia.

Os atores de P01 a P15, da Figura 2, sao os representantes das respectivas empresas, que estiveram envolvidos ou na fase de aquisicao, ou de desenvolvimento, ou de testes ou mesmo como usuarios do software, durante toda a sua utilizacao no periodo de construcao do empreendimento. Eles foram escolhidos primeiramente, porque estiveram diretamente ligados ou dependentes do software e pela funcao que exerciam, pois poderiam interferir no andamento e resultado do empreendimento. Assim sendo, temos os seguintes participantes por nivel hierarquico: quatro da baixa gerencia (BGE), tres da media gerencia (MGE), oito da alta gerencia (AGE), totalizando quinze participantes escolhidos por criterio de conveniencia e conhecimento dos representantes-chave pelo pesquisador (MARSHALL, 1996; YIN, 2014), em funcao da aglutinacao natural de (oito) empresas que formaram um grupo para realizar um empreendimento comum (CRESWELL, 2014). Para Bryman & Bell (2015) representa uma oportunidade que poderia ser perdida, pelo proprio proposito temporario de formacao do grupo, alem disso, como alertou Sadler-Smith & Burke-Smalley (2015), ha necessidade de pesquisas no campo de trabalho, efetivamente, por exemplo, para entender melhor o emprego da intuicao

Abrangencia do software e do empreendimento

Fonte: Elaborado pelos autores baseado no ambiente pesquisado.

Foi utilizado o questionario REI traduzido de Pacini & Epstein (1999) para a lingua portuguesa. Ele contem quarenta assertivas divididas em duas subescalas. Vinte assertivas sao relativas a subescala racional (NFC), como por exemplo: "Eu tento evitar situacoes que exigem pensar em profundidade sobre alguma coisa e Eu geralmente tenho razoes claras, explicaveis para as minhas decisoes". Outras vinte assertivas referem-se a subescala intuitiva como: "Eu nao tenho muito boa sensibilidade intuitiva e Eu tendo a seguir meu coracao como uma guia para as minhas acoes". Conforme Pacini & Epstein (1999), cada item do questionario deve ser respondido pelo participante em um escala Likert de cinco pontos discretos, ou seja, 1, 2, 3, 4 e 5; sendo que, o valor 1 corresponde ao "completamente falso" e o valor 5 ao "completamente verdadeiro".

O questionario foi aplicado a cada um dos participantes P01 a P15 em momentos distintos, sem tempo pre-determinado para o total preenchimento, porem devendo ser preenchido em apenas um periodo. Nenhum dos participantes teve acesso previo ao conteudo e foram orientados a nao comentar sobre o conteudo com terceiros apos a tarefa cumprida. Alem disso, nao tiveram conhecimento quem foram os demais pares escolhidos.

Uma vez computados os indices para as partes racional e intuitiva independentemente, conforme Pacini & Epstein (1999), foi adotado a analise de correspondencia entre os construtos (HAIR et al. 2014). De acordo com esses autores, analise de correspondencia consiste da tabulacao cruzada entre as dimensoes a serem analisadas, que pode ser representado espacialmente por meio de um mapa perceptual, como teorizado nos trabalhos de Akinci & Sadler-Smith (2013) e Hodgkinson & Clarke (2007).

4 RESULTADOS E ANALISE

Uma vez preenchidos os questionarios, por cada um dos quinze participantes, as respostas foram computadas, conforme escala REI (PACINI; EPSTEIN, 1999), e os resultados estao compilados na Tabela 1.

Segundo Carley & Frantz (2009), as organizacoes nao tomam decisao e sim os individuos em nome delas. Por essa razao, segundo esses autores, a tomada de decisao organizacional esta pautada na decisao individual. Portanto se as empresas de engenharia ou as pessoas que a compoem, pela propria natureza do trabalho, tendem a racionalizar a sua atividade (GAREL, 2013; SHENHAV, 2003), e mais provavel que esses integrantes sejam mais racionais do que intuitivos. A Tabela 1 corrobora tal inferencia, pois dos quinze participantes, apenas P02 e P11 sao mais intuitivos do que racionais, ou seja, aproximad amente 90% dos participantes dessa amostragem sao mais racionais do que intuitivos.
Participante        Estilo Cognitivo

                Racional   Intuitivo

P01               3,50       2,95
P02               4,00       4,15
P03               4,30       2,70
P04               4,10       2,85
P05               4,00       3,10
P06               4,60       3,00
P07               3,65       3,05
P08               4,20       3,60
P09               4,40       2,25
PIO               3,75       3,70
Pll               4,05       4,25
P12               3,70       3,30
P13               4,15       2,60
P14               4,20       2,75
P15               4,10       3,20
Media             4,05       3,16
Desvio Padrao     0,30       0,56

Participante            Z-Score

                Racional   Intuitivo

P01              -1,85       -0,38
P02              -0,16       +1,76
P03              +0,86       -0,83
P04              +0,18       -0,56
P05              -0,16       -0,11
P06              +1,87       -0,29
P07              -1,34       -0,20
P08              +0,52       +0,78
P09              +1,19       -1,63
PIO              -1,00       +0,96
Pll              +0,01       +1,94
P12              -1,17       +0,24
P13              +0,35       -1,01
P14              +0,52       -0,74
P15              +0,18       +0,07
Media
Desvio Padrao

Fonte: Elaboracao Propria.


Como destacado por Fletcher, Marks, & Hine (2012), que tambem utilizaram a escala REI, a coluna Z-Score permite que se verifique dentro da propria amostragem, o quanto mais ou menos racionais ou intuitivos entre os participantes daquele grupo. Por conseguinte, e possivel estabelecer as categorizacoes conforme Akinci & Sadler-Smith (2013) e Hodgkinson & Clarke (2007). Essa representacao esta na Figura 3.

Serao preservadas as identificacoes diretas entre participantes e funcoes especificas, porem, a partir da Figura 3, e possivel dizer que dentro da categoria versatil, os tres participantes estao na AGE. Na categoria racional ha tres na AGE, um na MGE e dois na BGE. Na categoria experiencial ha um na AGE, outro na MGE e outro na BGE. E finalmente na categoria indiferente repete-se a mesma distribuicao da categoria experiencial. Essa configuracao permite montar a Tabela 2 e correlacionar com os resultados na Tabela 1.

Por meio da Tabela 1--pontuacao do questionario REI (PACINI; EPSTEIN, 1999) verificou-se que ha mais gestores racionais do que intuitivos, o mesmo ocorreu pela categorizacao de Akinci & Sadler-Smith (2013) e Hodgkinson & Clarke (2007), apresentada na Tabela 2. A amostra desse estudo mostra que a categoria racional (40%) e o dobro de qualquer das outras tres (20%) categorias. Assim, os resultados espelhados nas duas tabelas 1 e 2 parecem indicar que, ser mais racional e o perfil ideal ou necessario as pessoas que integram as empresas ou times de engenharia. Porem, de acordo Bohle, Heidling & Schoper (2016), projetos sao essencialmente limitados em tempo assim como uma fonte de incertezas, e nessas circunstancias a utilizacao da intuicao para as decisoes tem melhor desempenho do que o pensamento analitico conforme pesquisas empiricas. Foi, por exemplo, o que Agor (1986) comprovou apos testar mais de dois mil gestores das mais diversas areas como negocios, governamental, educacional, militar e saude. A pesquisa de Burke & Miller (1999) em areas assemelhadas tambem chegou a mesma conclusao, da mesma forma que Leybourne & Sadler-Smith (2006) por meio de uma associacao de gerenciamento de projetos. A esses se juntam os trabalhos de Dane & Pratt (2007, 2009), Hodgkinson et al. (2009a), Dayan & Di Benedetto (2011) e Elbanna (2015).

A Tabela 2 mostra que, 53% da amostra desse estudo encontra-se na AGE. Isso indica uma representacao significativa daqueles atores envolvidos nas decisoes de ultima instancia, que se pressupoem as estrategicas. Os demais agentes (47%), subdivididos na media e baixa gerencia sao tao necessarios quanto, pois segundo Floyd & Wooldridge (1997) e Wooldridge, Schmid & Floyd (2008), esses gerentes e gestores podem influenciar as decisoes estrategicas e mudancas organizacionais no sentido de torna-las efetivas ou nao. Essa estratificacao reforca as recomendacoes de Marshall (1996) & Yin (2014) para a escolha dessa amostragem.

Assim como o modo analitico, a intuicao tambem esta presente como estilo cognitivo em todos os participantes dessa amostra. Contudo, seis participantes (P02, P08, P10, P11, P12, P15) ou 40% da amostra estao acima da media em intuicao, segundo a coluna Z-Score da Tabela 1 (ou Figura 3). Ao fazer a correspondencia desse grupo com a Figura 2, nota-se que 50% deles (P10, P11 e P15) sao colaboradores da empresa "A", aquela responsavel pela catalisacao, coordenacao e gerenciamento de todas as acoes para o empreendimento se realizar. E um indicio que a empresa-chave estava preparada para lidar com os tipos de problemas inerentes a situacao--limitacao de tempo e incertezas (ARTINGER et al, 2015; KHATRI; NG, 2000; SALAS; ROSEN; DIAZ GRANAD O S, 2010).

Tres questoes emergem, quando comparado os participantes da categoria versatil (P08, P11, P15)--Figura 3--com os seis participantes mais racionais (P03, P06, P09, P08, P13, P14) e os seis mais intuitivos (P02, P08, P10, P11, P12, P15)--Tabela 1. A primeira, P08, que aparece em ambos os grupos, ocorreu provavelmente pela pontuacao alta de mesmo grau tanto em racionalidade como intuicao. A segunda, a escolha dos grupos dos mais racionais e mais intuitivos automaticamente excluiu P01, P04, P05 e P07, com excecao de P04, os demais fazem parte da categoria indiferente, o que referenda a escolha dos seis mais racionais e mais intuitivos. A terceira, o grupo dos versateis esta presente integralmente no grupo dos mais intuitivos e nao nos mais racionais. Essa constatacao sugere que, para atingir a versatilidade, o caminho inicia-se na tendencia do individuo de ser mais intuitivo do que mais racional. Evidencias parecem apontar nesse sentido. Para Klein (2004) os gestores utilizam a intuicao noventa por cento das vezes para lidar em situacoes dificeis ou ate mais para aquelas rotineiras. Muito embora, o proprio Klein (2004) tambem preconize, assim como outros autores e as teorias duais, que essa utilizacao depende do acumulo de experiencia ou tempo, o que gera um aparente paradoxo em relacao ao aprendizado formalizado, isto e, o individuo poderia absorver mais rapidamente pelo conhecimento explicito de normas, guias, manuais, procedimentos. Contudo, de acordo com Pretz (2008), o ser humano no dia a dia assimila mais pelo aprendizado informal, pela experiencia do que aquele formal, deliberado. E essa e a mesma conclusao de Ramazani & Jergeas (2015) e Savelsbergh, Havermans & Storm (2016), especificamente na area de gerenciamento de projetos.

Desde Agor (1986) a Savelsbergh, Havermans & Storm (2016) ha uma demonstracao da superioridade da intuicao sobre o pensamento analitico, sob determinadas condicoes, entretanto, outra conclusao desses trabalhos e que a natureza dos diversos tipos de tomadas de decisao, que permeiam o mundo real, das simples as estrategicas, exigira dos decisores uma transicao de estilos cognitivos (do racional para intuitivo e vice-versa), ou que os grupos de decisao tenham um mix desses estilos de cognicao, enfim, que os decisores ou o grupo de decisao "sejam versateis". A revisao de literatura de Philips et al., (2016) que sao resumidamente 89 amostras estatisticamente significativas de 17.704 participantes, concluiu que ha uma forte relacao entre o estilo cognitivo e a qualidade da decisao, ou seja, os melhores resultados ocorrem quando a natureza das tarefas e o estilo de cognicao sao compativeis. Em suma, seja do ponto de vista individual ou de grupo, para conseguir decisoes efetivas, o objetivo e escolher individuos ou compor grupos, tanto quanto possivel, que se enquadrem na categoria versatil.

5 CONSIDERACOES FINAIS

Este artigo se propos a avaliar o estilo cognitivo individual de gerentes e gestores de empresas distintas que compuseram um time de engenharia para realizar um empreendimento. Para tal utilizou a escala REI (Rational-Experiential Inventory)--questionario que estabelece a preferencia cognitiva individual entre racional e intuitivo. O objeto de analise atendeu aos apelos da academia para disseminacao da escala REI, pela sua robustez teorica e empirica, e atingiu uma area pouco explorada, a area de gerenciamento de projetos. Os resultados apontaram inicialmente para gerentes e gestores de engenharia mais racionais, porem ao avalia-los pela categorizacao de estilos cognitivos, a equipe de engenharia, nesse estudo de caso, mostrou-se um mix entre racional e intuitivo, como recomendam as pesquisas empiricas, isto e, equipes versateis. Assim, conhecer o estilo cognitivo individual ou modo de pensamento individual permite adequar equipe de acordo com a tarefa a ser executada, o que implica em melhores tomadas de decisoes para as organizacoes.

Como contribuicoes academicas a despeito da existencia de um corpo de conhecimento estruturado, profissional e pratico, util para o gerenciamento de projetos, este estudo demonstrou a necessidade de uma adequacao do conhecimento teorico-pratico dos decisores consoante com as teorias, o que contribui para o proprio corpo de gerenciamento de projetos (SADLER-SMITH; BURKE-SMALLEY, 2015). Tal constatacao foi possivel pela utilizacao, neste trabalho, de dois aspectos fundamentais para a pesquisa de pratica gerencial. O primeiro, estar proximo ou dentro do ambiente especifico de decisao, no caso um projeto de engenharia real com decisores de empresas distintas, e o mesmo foco, contribuir para a conclusao do projeto. Segundo, ao confrontar a compreensao dos decisores com as teorias, evitou-se a preocupacao de que as "melhores praticas" profissionais continuem direcionando o corpo de conhecimento do gerenciamento de projetos em detrimento as teorias.

A utilizacao da escala REI a escala REI (Rational-Experiential Inventory) (PACINI; EPSTEIN, 1999) tambem se mostrou adequada para este projeto visto que permite aferir as percepcoes dos gestores sobre o processo de tomada de decisao.

Basicamente esse artigo tem duas limitacoes: e um unico caso e o tamanho da amostra em si. Sendo que, a segunda limitacao esta intrinsicamente relacionada a primeira em funcao do caso disponibilizado e analisado. Assim sendo, futuras pesquisas poderiam diminuir ou eliminar essas fragilidades, se multiplos casos puderem ser avaliados com a mesma metodologia. O tamanho da amostragem aumentaria em funcao da propria analise de multiplos projetos.

Pesquisas futuras tambem poderiam incorporar a avaliacao dos gerentes e gestores de engenharia sobre quais fatores estao envolvidos nas tomadas de decisao durante os empreendimentos, qual a visao e impacto da racionalidade e intuicao nessas tomadas de decisao, assim como das incertezas e riscos. Assim como correlacionar a composicao dos estilos de cognicao com os resultados de seus empreendimentos. Por fim, sugere-se complementar este estudo com abordagens qualitativas para aprofundar os resultados aqui obtidos.

DOI--http://dx.doi.org/10.17800/2238-8893/aos.v7n2jul/dez2018p7-24

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Paulo Roberto Maciel (1)

Jefferson Lopes La Falce (2)

Marco Ferreira Santos (3)

(1) Mestres em Administracao, Universidade FUMEC, email: prmbhmo@yahoo.com.br

(2) Doutor em Administracao, Programa de Mestrado e Doutorado Universidade FUMEC, email: jefferson.la.falce@ gmail.com

(3) Doutor em Administracao, Universidad de La Sabana, email: marcosfsantos@gmail.com

(2) Segundo Epstein (2010) o termo experiencial adotado por ele, abrange tanto o conceito intuitivo quanto heuristico.

Caption: Figura 1--Categorizacao individual por estilo cognitivo

Caption: Figura 2--Fluxo virtual de documentos de engenharia entre as empresas
Tabela 2--Categorizacao cognitiva por funcao

Categoria      Nivel hierarquico   Total   %

               AGE   MGE   BGE

Versatil        3     0     0       3      20
Racional        3     1     2       6      40
Experiencial    1     1     1       3      20
Indiferente     1     1     1       3      20
Total           8     3     4      15      100
%              53    20    27      100

Fonte: Elaboracao Propria.
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Author:Maciel, Paulo Roberto; La Falce, Jefferson Lopes; Santos, Marco Ferreira
Publication:AOS-Amazonia, Organizacoes e Sustentabilidade
Date:Jul 1, 2018
Words:6552
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