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ANALISE DA PERFORMANCE DE JOGADORES PROFISSIONAIS DE FUTEBOL CHUTANDO PENALTIS, PREVIAMENTE ESTIMULADOS EMOCIONALMENTE: A UTILIZACAO DO EYE TRACKER COMO FERRAMENTA NO FUTEBOL.

Performance analysis of professional football players kicking penalties, previously emotionally stimulated: the use of the eye tracker as a tool in football

INTRODUCAO

Os antigos campeoes ganhavam com a forca de seus musculos, mas os futuros Deuses dos estadios vao ganhar gracas aos neuronios, a partir da eficaz utilizacao da mente cognitiva, da capacidade de assimilacao da informacao. Hoje, ja e sabido, que e impossivel desassociar o corpo da mente. Sabe-se que e no cerebro, onde ainda existe uma possibilidade de conseguir ganhos de performance e eficacia nos esportes, uma sutil diferenca que pode significar o sucesso. Em muitos casos, estima-se que o corpo humano chegou a seus limites, aos recursos maximos possiveis do corpo humano (Gil-Perez e colaboradores, 2005).

De acordo com o Converging Technologies for Improving Human Performance (NSF, 2001), a neurociencia, apresentou um crescimento acelerado nas ultimas decadas capaz de provocar modificacoes significativas em conceitos preestabelecidos pela sociedade.

Esta ciencia vem possibilitando a elucidacao de questoes importantes que estudam e tentam explicar o complexo comportamento humano em uma diversidade de pontos como a otimizacao do aprendizado, memorizacao e funcoes mentais (Cavalheiro, 2007).

O futebol e um exemplo deste caso. Os jogadores de alto nivel, tem uma grande capacidade de leitura de seus adversarios e a assim os torna possivel de antecipar suas acoes.

A leitura antecipada dos adversarios, a visao periferica espacial, a rapida adaptacao as mudancas, torna o campo de futebol uma grande arena de expressao dos neuronios espelho, e tambem se torna um fantastico territorio de pesquisa para os cientistas.

Os neuronios-espelhos (Neuron Mirror) sao celulas que estao localizadas no cortex pre-motor, e sao ativados pela execucao de uma acao simples ou estimulados igualmente quando uma acao similar feita por outro individuo, desta forma, permitindo a imitacao e em especial a aprendizagem para o ser humano (Ramachandran, 2000).

Alguns movimentos ja estao configurados no cerebro de jogadores de alto nivel, em especial dos goleiros, que analisam o quadril, perna de apoio, a corrida anterior e as estatisticas anteriores dos atacantes (Kim e Lee, 2006).

Em destaque encontram-se as cobrancas de falta em especial, a cobranca do penalti. O penalti cria viloes e herois. O penalti, por ser um evento que pode ser decisivo, tem sido objeto de estudo nas ultimas decadas, seja do ponto de vista dos goleiros ou dos batedores de penaltis.

Penalti: habilidade ou sorte? Podemos fazer uma reflexao que se o sucesso na conversao de penaltis e predominantemente regido pela sorte, podemos entao esperar taxas de sucesso entre as equipes, bastante proximas dos niveis estatisticos de chance ou do acaso.

No entanto, desde 1982, a selecao alema de futebol, venceu todos as seis grandes disputas de penaltis que o pais participou (1982, 1986, 1990, 1996 e 2006) acumulando um sucesso global de 85%.

Em contraste, com uma excecao (em 1996 contra a Espanha), a Inglaterra perdeu todas disputas de penaltis de que participaram (em 1990, 1996, 1998, 2004, 2006 e 2012), ou seja, uma taxa de sucesso de 14%.

Da mesma forma, se for analisado a taxa de sucesso em relacao aos jogadores individuais, os jogadores da Inglaterra pontuaram significativamente menor em suas cobrancas de penaltis (67%) do que os alemaes (92%, P <0,03).

Essa disparidade entre as taxas de sucesso dessas equipes sugere que a sorte nao e o fator predeterminante que sustenta o sucesso dos resultados (Furley e colaboradores, 2012; Jordet, 2009).

Varios estudos observacionais utilizaram a analise de video de penaltis de futebol elite, pesquisas qualitativas que entrevistaram jogadores de elite e estudos experimentais baseados em laboratorio, demostram que existem comportamentos de natureza fisica e psicologica que influenciam a performance.

Na realidade, tornaram-se variaveis associadas ao sucesso nos penaltis de futebol. Por exemplo, os resultados destes estudos mostraram que indicativos de estresse emocional foram negativamente relacionados com os resultados dos chutes, enquanto que outras variaveis, como as relacionadas a habilidade individual e a fadiga muscular, tambem influenciaram os resultados, porem em menor escala.

Concluiu-se, que os componentes psicologicos sao os mais influentes para o resultado de penaltis (Jordet Elferink-Gemser, 2012).

Em relacao a esta pressao emocional, Furley e colaboradores (2012) e Memmert e colaboradores (2013) em estudos similares, concluiram que niveis extremos de pressao fazem com que os jogadores exibam comportamentos

considerados escapistas, onde eles se esforcam para obter a situacao concluida o mais rapido possivel.

Em geral, utiliza-se tecnicas de observacao dos movimentos do corpo, padroes, analise descritiva e estatisticas historicas de performance ou conversao em gols.

No entanto a utilizacao de ferramentas da neurociencia, como o eye tracker (seguimento ocular) foi pouco utilizada. Inclusive, ate onde o nosso conhecimento permite, nunca foi analisado um estudo combinando acoes fisicas motoras com variaveis e estimulos emocionais (ativacao dos neuronios espelho) o que nos remete as seguintes perguntas problema de pesquisa: como o eye tracker pode ajudar a entender o comportamento do batedor de penalti analisando o comportamento visual e sua melhor eficacia na conversao dos penaltis em gols? Uma previa estimulacao emocional pode influenciar na eficacia dos cobradores de penaltis?

O objetivo deste estudo e analisar a performance de jogadores profissionais de futebol chutando penaltis, previamente estimulados emocionalmente antes da acao do chute, utilizando para tanto as respostas psicofisiologicas do seguimento ocular (eye tracker) buscando diferencas de perfis e padroes de eficacia e conversibilidade dos penaltis em gols.

MATERIAIS E METODOS

Materiais

O experimento foi feito em 4 sessoes de 4 horas, durante os meses de julho, agosto de 2018, em um dos campos suplementares de treino da equipe X com medidas oficiais adotadas pela FIFA, 100 metros x 65 metros, a marca do penalti estava localizada a 11 metros, a bola oficial utilizada marca Nike (com pesos entre 420 gramas e 445 gramas) e a e a circunferencia entre 68,5 cm a 69,5 cm. A goleira tinha as medidas oficiais 7,32 na horizontal x 2,44 m de altura. O experimento transcorreu nos meses de julho a setembro de 2018 no Centro de treinamento da equipe x e cada participante demorou em media 4,5 minutos para chutar os 3 penaltis.

Foi utilizada o Tobii Pro Lab, que e uma plataforma de softwares instalada em um Notebook Acer Aspire VX5 Plus de alta potencia, utilizado para pesquisas sobre o comportamento humano como rastreadores oculares baseados (eye trackers) em tela e portateis.

No nosso experimento, utilizamos o Tobii Pro Glasses 2. O equipamento (Figura 1) analisa o movimento visual dos jogadores e utiliza luz infravermelha para iluminar os olhos, e os reflexos sao capturados por sensores para o software do Tobii que estima a posicao, fixacoes e os movimentos dos olhos com uma frequencia de 120 Hz (ou a cada 8,3 milissegundos).

Estes oculos estao equipados com duas cameras direcionadas aos olhos e pupilas e uma camera frontal que possibilita ver exatamente o que uma pessoa esta olhando em tempo real enquanto se movimentam livremente em qualquer cenario, como as pessoas interagem com seu ambiente, o que chama a atencao delas, direciona seu comportamento e influencia a tomada de decisoes (Figner e Murphy, 2011; Tobii, 2018).

Durante a fase de coleta de dados, foi assegurado atraves de varios pre-testes que os fluxos de dados estivessem sincronizados no tempo real.

A fixacao tem sido associada ao processamento cognitivo intenso (Tamorri, 2004) e e vista como um indicador confiavel da atencao de um individuo (Vickers, 1992). Como em estudos anteriores, a fixacao foi definida como um olhar maior que 300 milissegundos (Piras e Vickers, 2011).

Procedimentos

Conceitos e medidas do eye tracker

O conceito de eye tracking refere-se a um conjunto de tecnologias que permite medir e registar os movimentos oculares de um individuo perante um estimulo em ambiente real ou controlado, determinando, deste modo, em que area fixa a sua atencao (volume de fixacoes visuais geradas), por quanto tempo e que ordem segue na sua exploracao visual (existencia de eventuais padroes de comportamento visual) (Timmis, Turner e Paridon, 2004).

As medidas geralmente mais utilizadas nas pesquisas que utilizam o eye tracker sao as fixacoes e as sacadas. As fixacoes referem-se ao momento em que os olhos estao relativamente fixos, assimilando ou "descodificando" a informacao, tendo uma duracao media de 218 milissegundos, com um intervalo de 66-416 milissegundos. Elas podem ser interpretadas de forma diferente dependendo do contexto.

A nao codificacao ocorre durante as sacadas, que consiste num movimento ocular que ocorre entre fixacoes, tipicamente com uma duracao entre os 20 a 35 milissegundos. O processo visual e automaticamente suprimido durante as sacadas para evitar o apagamento da imagem visual (Jacob e Karn, 2003).

A regressao (ou sacada regressiva), consiste na sacada que volta atras ou repete posicao anterior (por exemplo em direcao ao texto anteriormente visualizado, ou refixacoes), o que e tambem pode ser interpretado como medicao de dificuldades durante a codificacao (Rayner e Pollatsek, 1989).

Existem a partir destas situacoes, um numero importante de diferentes metricas dependendo do tipo de pesquisa. Para nosso estudo escolhemos as seguintes metricas de avaliacao:

--Numero de fixacoes sobre uma area de interesse (NFAOI): um maior numero de fixacoes indica maior importancia para o usuario. Esta metrica esta intimamente relacionada com a duracao de olhar, sendo utilizada para estudar o numero de fixacoes em diferentes tarefas O numero de fixacoes num elemento particular geralmente reflete a importancia desse elemento (Rayner e Pollatsek, 1989);

--Tempo transcorrido ate a primeira fixacao (TTFF): quanto menos tempo transcorrer ate que o usuario se fixe pela primeira vez numa area de interesse, maior sera a capacidade de a area atrairem a atencao visual. E uma medida util quando existe pesquisa especifica de um alvo;

--Duracao do olhar fixo sobre uma area de interesse (DFAOI): uma maior duracao (fixacoes longas) podem ser consideradas como indicadores da dificuldade de um participante ou de uma maior interpretacao cognitiva sobre a AOI (Goldberg e Kotval, 1998).

Definicao das AOIs

Nos estudos feitos como o equipamento eye tracker e necessario definir areas que sera medida a atencao dos participantes, chamadas de AOI (Areas of Interest em ingles), neste caso as goleiras que foram definidas da seguinte forma (Figura 2):

Divisao do tempo da cobranca de penaltis

No experimento para a divisao das diferentes fases do chute seguimos a definicao de Jordet, Hartman e Sigmundstad (2009) que dividiram o tempo da cobranca em 6 fases (Figura 3): 1) walking time (WT); 2) ball placement,(BP); 3) back-up time (BUT); 4) Signal waiting (SW); 5) Signal response time (SRT); 6) run-up time (RUT), e consideramos que o tempo medio da cobranca de um penalti foi de 1 minuto e meio (90 mil milissegundos) assim divididos:

O tempo total medio transcorrido neste processo foi determinado entre 1,5 a 2 minutos por cobranca. As principais conclusoes dos autores apontaram foram: o walking time nao tem relacao com o desempenho, visto que nem as caminhadas rapidas e nem as lentas apresentaram um maior aproveitamento do cobrador.

Em relacao ao ball placement, verificou-se que quanto maior o tempo de posicionamento da bola na marca do penalti, maior costuma ser o indice de acerto. A fase de signal waiting, no entanto, esta relacionada com o aproveitamento das cobrancas, com uma tendencia de conversao de mais gols quando o jogador nao precisa esperar muito tempo para o sinal sonoro do juiz.

Em relacao ao signal response time o estudo apresentou uma relacao direta com o nivel de eficacia (acerto ou erros na conversao em gols). Quanto mais rapida foi o signal response, maior foi o numero de cobrancas desperdicadas, sugerindo uma menor concentracao. Neste estudo foram 366 penaltis cobrados, com 270 acertos (73,8%) e 96 (26,2%) desperdicadas (Jordet, Hartman e Sigmundstad, 2009).

Dessa forma chegamos a primeira hipotese:

[H.sub.1]--O comportamento visual possibilita avaliar padroes de eficacia na conversao dos penaltis em gols.

Ativacao de neuronios espelho: Fundamentacao Teorica

Os autores Gog e colaboradores (2009) explicam que a descoberta do sistema de neuronios espelho pode ser considerada como uma das maiores descobertas da neurociencia. A aprendizagem por observacao tambem e conhecida como um processo de modelacao, imitacao e aprendizagem observacional (Tani e colaboradores, 2004).

Este processo tem um papel importante na compreensao das acoes realizadas pelos outros e responsavel pela nossa habilidade de aprender pela observacao e imitacao dos outros.

A pesquisa nesta area tem demonstrado, que ocorre um aumento da performance, pela maior nitidez e capacidade de controle das imagens mentais (Evans, Jones e Mullen, 2004; Gregg e colaboradores, 2005; Smith e colaboradores, 2007), ou seja, quanto maior a capacidade do atleta para desenvolver imagens mentais realistas, claras, intensas, completas e controladas, maiores serao as probabilidades de produzir os efeitos esperados nos sistemas motores, fisiologicos, emocional e cognitivo (Cruz e Viana, 1996; Tamorri, 2004).

A pesquisa cientifica deixou claro que a imaginacao e uma ferramenta influente na psicologia do esporte (Driskell, Copper e Moran, 1994).

Desenvolvimentos recentes de tecnicas de imagem no cerebro sugerem que, simulando ou representando uma acao de imagens reais, esta estimulacao acessa regioes neurais similares do cerebro, tambem conhecidas como neuronios espelho (Fadiga e colaboradores, 1999; Rizolatti e Craighero, 2004).

Esta sobreposicao na ativacao cerebral foi denominada "equivalencia funcional" (Holmes e Collins, 2002; Murphy e colaboradores, 2008), sendo considerado um dos motivos pelos quais efeitos beneficos sao percebidos no desempenho fisico.

Concluindo, a literatura academica fornece evidencias empiricas para sugerir que a utilizacao de equivalencia funcional com a utilizacao de imagens e estimulos sensoriais visuais resultam em um desempenho motor real melhor (Passos e Araujo,1999).

Neste experimento a titulo de estimulacao dos neuronios espelhos, colocamos os atletas durante 15 minutos em uma sala onde foi projetado um video com uma selecao de penaltis cobrados e principais jogadas e momentos decisivos e comemoracoes dos Mundiais FIFA 2014 e 2018 e do Brasileirao de 2017 e 2018 bem como da Copa Libertadores da America 2017 e 2018 (FIFA, 2018).

Nesta sessao, os autores na condicao de observadores participantes, puderam verificar o sentimento de euforia que tomou conta de este grupo de atletas

Assim chega-se a segunda hipotese de estudo:

[H.sub.2]--A previa estimulacao dos neuronios espelho proporciona um aumento de conversibilidade dos penaltis.

Amostra

O experimento foi aplicado em jogadores profissionais de base de um time da primeira divisao do futebol brasileiro (Equipe X) atuando como cobradores de penaltis. Os goleiros nao foram avaliados neste estudo, porem tambem se tratava de goleiros profissionais de categorias de base. A amostra do estudo foram 40 jogadores profissionais, todos do sexo masculino, com idades entre 18 e 19 anos que foram randomicamente divididos em 2 grupos (grupo A do experimento e grupo B de controle).

O experimento feito em quatro dias/sessoes, teve uma duracao total em media de 4 horas em cada sessao.

Seguindo os protocolos vigentes, todos os individuos da amostra assinaram o termo de consentimento livre, esclarecido e aprovado pelo Comite de Etica da UFRGS que aprovou a pesquisa com o CAAE no 46853715.9.0000.5347.

Teste Auto relato

Apos as cobrancas foi feita uma entrevista a cada jogador, com um roteiro baseado na escala BIS/BAS de Carver e White (1994) cujo tema era o que sentiam antes de chutar um penalti, perguntas focadas no emocional e tracos de personalidade.

Justifica-se a escolha da escala BAS, pois o conceito de temperamento tem sido utilizado na avaliacao de diversos comportamentos-problema (Cruz e Viana, 1996) relacionada com as diferencas individuais e a maior ou menor sensibilidade a punicao dos individuos. Esta escala tem base na teoria Psicobiologica de Gray (1970, 1987) que menciona a existencia de duas dimensoes principais: a ansiedade e a impulsividade. A ansiedade e suas caracteristicas refletem a personalidade e representam as diferencas entre os individuos, sua sensibilidade a diferentes ambientes e suas respectivas respostas fisiologicas a estes estimulos, enquanto a impulsividade e um sistema de ativacao comportamental (BAS-behavioral activation system) sensiveis aos sinais de punicao, novidade e nao recompensas que pode levar a mudancas de comportamentos (Gray, 1987).

O roteiro foi adaptado da versao original em termos de equivalencia semantica, idiomatica de acordo com as recomendacoes dos autores Mattos e colaboradores (2006).

A coleta de dados foi feita logo apos a cobranca dos chutes, e teve cerca de 4 minutos de duracao. As entrevistas transcritas, foram posteriormente analisadas utilizando a tecnica de Analise de Conteudo (Bardin, 2009).

Design do Experimento

--Grupo A--20 jogadores participantes previamente estimulados, divididos randomicamente na sequencia dos chutes. Cada jogador chutou 03 cobrancas de penaltis (duracao total media de 3, 5 minutos por participante);

--Grupo B--foi o grupo de controle composto por outros 20 jogadores de futebol profissionais de base que fizeram 3 cobrancas de penaltis sem nenhuma estimulacao.

RESULTADOS

Os jogadores do grupo A tiveram a seguinte performance nas sessoes realizadas Tabela 1.

O grupo A teve 52 gols convertidos de 60 possiveis (86.7%), destaque especial para o primeiro chute onde a conversibilidade foi de 90% sendo que 12 jogadores (de 20 possiveis) converteram todos os 3 penaltis.

O grupo B de controle (Tabela 2) nao demostrou o mesmo padrao tendo convertido 37 gols (em 60 possiveis ou seja 61,6 %), o primeiro chute foi convertido por 13 jogadores, sendo que, apenas 3 jogadores converteram todos os chutes.

Nas figuras anteriores observa-se o percentual da conversao (Figura 4) de gols e o percentual de "Nao" conversao em gols (Figura 5) a partir das regioes e AOIs definidas previamente. Especificamente no Quadro 3, nao esta definido como objeto de estudo, as razoes da "nao conversibilidade" que poderao ser muitas, como por exemplo chutes para fora (inferencia feita pelos percentuais nos angulos superiores que representam uma maior dificuldade na precisao do chute), defesa dos goleiros e outras situacoes.

Estatistica

Inicialmente foi feito uma analise de correlacao bivariada para determinar o grau de associacao entre variaveis, para tanto utilizando o teste de Pearson por serem variaveis quantitativas e de distribuicao normal (Hair e colaboradores, 2009) (Tabela 3) no estudo foi utilizado o software estatistico SPSS 20.0.

A analise de variancia (ANOVA) foi feita para verificar se ha diferenca sistematica entre as medias de resultados normalmente distribuidos de experimentos randomicos para uma variavel (estimulacao). Todos os participantes recebem o mesmo tratamento assegurando que as diferencas das medias dos grupos possam ser atribuidas ao efeito de diferente tratamento (Hair e colaboradores, 2009).

Foi testado a homogeneidade das variancias atraves do teste de Levene e neste experimento o teste nao encontrou violacao na hipotese de variancias homogeneas (tabela 4).

Na tabela 5 o teste ANOVA indica diferencas das medias com significancia estatistica.

Resultados do Eye Tracker

Conforme mencionado anteriormente para o experimento foi analisado "o tempo RUT" e os indicadores utilizados foram NFAOI (numero de fixacoes sobre uma area de interesse), DFAOI (Duracao do olhar sobre uma area de interesse em milissegundos (m/s), TTFF (tempo ate a primeira fixacao de uma area especifica em m/s), e re-fixacoes (areas de interesse revistas mis de uma vez) (tabela 6).

Esta Tabela 6 nos mostra um resumo condensado de alguns resultados praticos importantes. A literatura menciona que tempo menores de TTFF, geralmente significam uma maior procura e interesse em localizar a area.

A tabela 6 nos mostra que para o grupo A (Estimulados), a AOI E (regiao central da goleira) teve o menor tempo TTFF (15 m/s) seguido das regioes C e D cantos inferiores da goleira), inferindo que os chutadores de fato sabiam ou ja pensavam onde chutar. Esta inferencia e ratificada, pelo maior numero de fixacoes e duracao das fixacoes e ainda pelo maior numero de re-fixacoes, indicando uma concentracao e atencao dirigida aos chutes. Os numeros do grupo Nao estimulados, nao mostra o mesmo padrao visual.

De forma geral (a nao ser nas AOI B e D em algumas observacoes) o teste Anova mostra significancia estatistica na maioria das medias dos grupos A e B.

Heat Map consolidado das fixacoes de ambos os grupos

Nas Figuras 6 e 7, vemos o heat map (utilizamos como exemplo, o jogador A4 do grupo A e o jogador B12 do grupo B) ou seja, mostra-se os pontos onde mais se concentraram as fixacoes destes jogadores no instante da fase RUT do chute (explicada anteriormente).

Estas imagens de heat maps (mapas de calor), comprovam que a atencao e a concentracao (que sao componentes primordiais das fixacoes) foi bem mais difusa no jogador do grupo nao Estimulados, do que no jogador do grupo A. Neste A, nota-se que as fixacoes estao mais localizadas nos locais de maior interesse, e que de fato, sao os locais onde houve uma maior conversibilidade em gols. Isso sugere, que existe uma correlacao entre fixacoes e eficacia nas cobrancas de penaltis que esta de acordo com a literatura (Causer e colaboradores, 2010; Fadiga e colaboradores, 1999; Murphy e colaboradores, 2008; Wood e Wilson, 2011).

Teste de auto relato

O roteiro das entrevistas abordou temas de futebol especificamente relacionados a penaltis adaptado a partir das dimensoes da escala BAS e depois analisadas:

Dimensao Ansiedade

"... nao posso decepcionar a minha familia. A familia e a coisa mais importante que tenho na vida, tento nunca decepcionar dou meu maximo e me cobro muito" (Jogador A2);

"E complicado se tu acerta o penalti e um heroi, senao viras um vilao. As criticas me magoam bastante, e sempre tem algum tipo de repreensao" (Jogador B5);

"Quando surge um penalti eu meio que me escondo...." (Jogador B7);

"Eu fico ansioso de poder errar e ai e que eu erro mesmo" (Jogador A15);

"Quando as coisas estao dando certo para mim, estou jogando bem eu continuo tranquilamente, mas muitas vezes nao e assim e fico nervoso (Jogador B9);

"Eu fico muito emocionado durante uma partiuda e isso me afeta muito" (Jjogadora15);

"... quando consigo fazer jogadas boas ou ruins, isso mexe muito comigo em campo".

A Ansiedade esta explicitas em todas as entrevistas, onde e explicada por Carver e White (1994) no desenvolvimento das Escala BAS. O estudo da ansiedade vem sendo utilizado na avaliacao de diversos comportamentos-problema (Carlos, 2012; Eysenck e colaboradores, 2007; Vine e Wilson, 2010).

Dimensao Impulsividade

"Eu geralmente so faco coisas que me deem prazer, caso contrario tento me livrar logo ..." (Jogador A12);

"Comparando com os meus colegas de equipe, eu tenho poucos medos em campo, se tenho que fazer falta, carrinho, ou xingar o adversario faco logo." (Jogador B18);

"Eu sempre gosto de experimentar novas emocoes, novas sensacoes, ter a responsabilidade de chutar penaltis me provoca isso. (Jogador A14);

"Procuro olhar videos, apreender com os craques e focar nos treinos sempre que posso para melhorar, so fanatico, me jogo fundo no jogo..." (Jogador A19);

"Quando eu acho que alguma coisa desagradavel esta para acontecer eu geralmente fico preocupado e tento evitar, fujo de bater faltas e penaltis". (Jogador B11).

Nos relatos fica claro o quanto tanto a ansiedade como a impulsividade podem afetar o comportamento dos jogadores durante o jogo. Esta de acordo com Jordet e colaboradores (2007) e Memmert e colaboradores (2013) e tambem citado por Carlos (2012), que afirman que existem comportamentos de natureza fisica e psicologica que influenciam a performance dos jogadores em geral e ainda mais presente no momento da cobranca de um penalti.

DISCUSSAO

As ferramentas neurocientificas estao se tornando um ativo diferenciador para algumas atividades esportivas onde o treinamento parece ter chegado ao seu limite, em termos de limite e exaustao nos treinamentos para o corpo humano (Redish e Mizumori, 2015).

Tais tecnicas podem ajudar os pesquisadores de atletas esportivos a entender os fundamentos neurais fundamentais e os processos psicologicos que impulsionam os individuos e seus comportamentos e pode elucidar a "Caixa preta" que e a mente humana (Shaw e Bagozzi, 2018).

Descobertas neurocientificas fornecem informacoes exclusivas sobre individuos em geral e seus comportamentos que, de outra forma, nao poderiam serem observados usando tradicionais abordagens. O uso de teoria e metodos neurocientificos, e mais amplamente, abordagens psicofisiologicas, acrescentou e continuara a adicionar, valor unico consideravel para o campo de treinamento esportivo. O experimento traz a tona, a possibilidade e as vantagens de combinar tecnicas tradicionais com tecnicas neurocientificas como forma de aprofundar o conhecimento cientifico, e isto passa a ser uma contribuicao academico do estudo.

Em termos praticos e gerencias para gestores esportivos este estudo traz como contribuicao a sugestao da incorporacao de novas tecnicas de treinamento, em especial para as cobrancas de faltas e penaltis que a cada dia se tornam mais importantes em todas as arenas esportivas.

O controle visual da atencao de um cobrador de penalidade antes do inicio da corrida e importante para a precisao de tiro subsequente e que metodos de estimulacao previos que ativem os neuronios espelhos bem como as intervencoes de QE ajudaram com sucesso a experiencia dos participantes na forma de direcionar sua atencao visual de forma otima antes do pontape de grande penalidade; primeiro alinhando o olhar com o alvo, objetivando a intencao e, em seguida, orientando a precisao do chute.

Limitacoes do estudo e sugestoes de estudos futuros

Este estudo pelas suas caracteristicas e dificuldades teve varias limitacoes que impossibilitam tracar generalizacoes. Por exemplo, nao foi considerado se os jogadores eram destros ou esquerdos, nao foi possivel imitar as condicoes reais da pressao emocional que acontece em uma partida de futebol com o estadio cheio de espectadores, com amplo ruido e cantos das torcidas.

Vale ressaltar que o design do experimento se baseou num grupo comparativo com um grupo igual nao estimulado, cuja selecao foi feita de forma randomica, sem considerar diferentes capacitacoes e habilidades individuais dos jogadores.

Pesquisas futuras deverao avancar mais no sentido de buscar respostas emocionais mais profundas dos jogadores e suas influencias bem como promover a nossa compreensao do separado e papel cumulativo das fixacoes de pontaria e execucao em pontapes de grande penalidade; o efeito da pressao emocional sobre o sistema visual motor, e diferentes formas de treinamento objetivando um melhor planejamento e controle da habilidade e principalmente a utilidade das intervencoes de treinamento baseadas no sistemas sensoriais em especial o sistema visual dos grandes esportistas em geral.

CONCLUSAO

O objetivo deste estudo foi de analisar a performance de jogadores profissionais de futebol chutando penaltis, previamente influenciados ou estimulados emocionalmente antes da sessao chutes a gol.

Para tanto, utilizamos para tanto as respostas psicofisiologicas do seguimento ocular (eye tracker), combinando com uma pesquisa qualitativa de auto relato dos jogadores, buscando diferencas de perfis e padroes de eficacia e conversibilidade dos penaltis em gols.

Desta forma chegamos as conclusoes de nossas hipoteses e principais contribuicoes do experimento:

[H.sub.1]--O comportamento visual possibilita avaliar padroes de eficacia na conversao dos penaltis em gols. ACEITA. A utilizacao do eye-tracker nos possibilitou analisar o padrao visual e sua eficacia na conversao dos penaltis em gols. Ainda, nos deu possibilidade de avaliar padroes de comportamentos dos chutes convertidos e falhos.

[H.sub.2]--A previa estimulacao dos neuronios espelho proporciona um aumento de conversibilidade dos penaltis. ACEITA. O grupo A estimulado demostrou uma performance maior na conversao de gols. A motivacao, atencao, e concentracao tecnicas ligadas ao sistema de treinamento QE, demostraram sua utilidade convertendo 57 gols em 60 possiveis enquanto que o grupo controle apenas converteu 37 gols.

REFERENCIAS

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Endereco para correspondencia: Jr. Sanchez Cerro 2098, Lima, Peru.

Recebido para publicacao em 19/12/2018

Aceito em 26/01/2019

Gabriel R. D. Levrini [1,2]

Walter Nique [2]

Luiz Raul Tejeda Cardenas [1]

Cristian Schaeffer [2]

[1]-Pacifico Business School, Lima, Peru.

[2]-Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre-RS, Brasil.

E-mails dos autores:

g.levrini@up.edu.pe

walter.nique@ufrgs.br

lr.tejedac@up.edu.pe

cristianschaeffer@yahoo.com.br

Leyenda: Figura 1--Tobii Glasses 2.

Leyenda: Figura 2--Definicao das AOIs.

Leyenda: Figura 3--Divisao dos tempos de chute (adaptado de Jordet, Hartman e Sigmundstad, 2009).

Leyenda: Figura 4--Localizacao dos gols convertidos.

Leyenda: Figura 5--Area ou Localizacao dos gols "Nao" convertidos.

Leyenda: Figura 6--Heat Map do jogador A4 Estimulado --fase RUT do chute.

Leyenda: Figura 7--Heat map do jogador B12 Nao estimulado--fase RUT do chute.
Tabela 1--Resultados dos chutes do grupo A

              Chute1    Chute2    Chute3    Tot. Gols

Grupo A
Jogador A1         1         1         1            3
Jogador A2         1         0         1            2
Jogador A3         0         1         1            3
Jogador A4         0         1         1            2
Jogador A5         1         1         1            3
Jogador A6         1         1         1            3
Jogador A7         1         1         1            3
Jogador A8         1         0         1            2
Jogador A9         1         1         1            3
Jogador A10        1         1         1            3
Jogador A11        1         1         0            2
Jogador A12        1         1         1            3
Jogador A13        1         0         1            2
Jogador A14        1         1         1            3
Jogador A15        1         1         1            3
Jogador A16        1         1         0            2
Jogador A17        1         1         0            2
Jogador A18        1         1         1            3
Jogador A19        1         1         1            3
Jogador A20        1         1         0            2
Total             18        17        17           52

Tabela 2--Resultados dos chutes do grupo B.

              Chute1    Chute2    Chute3    Tot. Gols

Grupo B
Jogador B1         1         1         1            3
Jogador B2         1         0         1            2
Jogador B3         0         1         0            1
Jogador B4         0         0         1            1
Jogador B5         1         0         1            2
Jogador B6         1         1         0            2
Jogador B7         1         1         1            3
Jogador B8         0         0         1            1
Jogador B9         1         0         1            2
Jogador B10        0         1         1            2
Jogador B11        1         0         0            1
Jogador B12        1         1         1            3
Jogador B13        1         0         1            2
Jogador B14        0         0         0            0
Jogador B15        1         1         0            2
Jogador B16        0         1         1            2
Jogador B17        1         1         0            2
Jogador B18        1         0         1            2
Jogador B19        0         1         1            2
Jogador B20        1         1         0            2
Total             13        11        13           37

Tabela 3--Teste de Pearson.

                                 Estimulados    Nao estimulados

Estimulados     Pearson                    1             0,0431
                Sig. (2tailed)                            0,005
                n                         40
N.Estimulados   Pearson                0,431                  1
                Sig. (2tailed)         0,005
                N                         40

Tabela 4--Teste de Levene de Homogeneidade das variancias.

Levene Stat.   df1    df2     Sig.

2,736            1     38    0,106

Tabela 5--Teste ANOVA.

               Soma dos Quad.    df    Media Quad.      F       Sig.

Entre Grupos            0,545     1          0,545    8,681    0,005
Nos Grupos              2,388    38           0,63
Total                   2,933    39

Tabela 6--Medias dos Dados do Eye Tracker.

                              AOI A    AOI B    AOI C

Estimulados     TTFF m/s         40       38       25
                NFAOI             3        6       10
                DFAOI m/s       188      210      238
                Re-Fixacoes       4        5       10
N.Estimulados   TTFFm/s          36       37       54
                NFAOI             4        5        6
                DFAOI m/s       115      118      115
                Re-Fixacoes       3        4        5

                              AOI D    AOI E

Estimulados     TTFF m/s         18       15
                NFAOI            15       10
                DFAOI m/s       285      310
                Re-Fixacoes       9       11
N.Estimulados   TTFFm/s          25       45
                NFAOI             7        8
                DFAOI m/s       182      156
                Re-Fixacoes       7        4

Tabela 7--Teste Anova para a AOI A.

                                         ANOVA

                               Soma      df    Media dos        F
                            Quadrados          Quadrados

TTFF         Entre Grupos     390,625     1      390,625     100,875
             Nos Grupos       147,150    38        3,872
             Total            537,775    39
NFAOI        Entre Grupos      19,600     1       19,600      60,553
             Nos Grupos        12,300    38        0,324
             Total             31,900    39
DFAOI        Entre Grupos   54390,625     1    54390,625    2627,065
             Nos Grupos       786,750    38       20,704
             Total          55177,375    39
Refixacoes   Entre Grupos       4,900     1        4,900       9,800
             Nos Grupos        19,000    38        0,500
             Total             23,900    39

                            ANOVA

                             Sig.

TTFF         Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total
NFAOI        Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total
DFAOI        Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total
Refixacoes   Entre Grupos   0,003
             Nos Grupos
             Total

Tabela 8--Teste Anova para a AOI B.

                                         ANOVA
                             Soma dos            Media
                            Quadrados    df    Quadrados        F

TTFF         Entre Grupos     372,100     1      372,100      89,606
             Nos Grupos       157,800    38        4,153
             Total            529,900    39
NFAOI        Entre Grupos      15,625     1       15,625      26,566
             Nos Grupos        22,350    38        0,588
             Total             37,975    39
DFAOI        Entre Grupos   92833,225     1    92833,225    1891,356
             Nos Grupos      1865,150    38       49,083
             Total          94698,375    39
Refixacoes   Entre Grupos       4,900     1        4,900       9,800
             Nos Grupos        19,000    38        0,500
             Total             23,900    39

                            ANOVA

                             Sig.

TTFF         Entre Grupos    ,000
             Nos Grupos
             Total
NFAOI        Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total
DFAOI        Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total
Refixacoes   Entre Grupos   0,003
             Nos Grupos
             Total

Tabela 9--Teste ANOVA para a AOI C.

                                          ANOVA

                             Soma dos     df     Media dos
                             Quadrados           Quadrados

TTFF         Entre Grupos     8820,900     1      8820,900
             Nos Grupos         83,000    38         2,184
             Total            8903,900    39
NFAOI        Entre Grupos      164,025     1       164,025
             Nos Grupos         22,350    38         0,588
             Total             186,375    39
DFAOI        Entre Grupos   150675,625     1    150675,625
             Nos Grupos        130,750    38         3,441
             Total          150806,375    39
Refixacoes   Entre Grupos      245,025     1       245,025
             Nos Grupos         34,950    38         0,920
             Total             279,975    39

                                    ANOVA

                                F         Sig.

TTFF         Entre Grupos    4038,484    0,000
             Nos Grupos
             Total
NFAOI        Entre Grupos     278,879    0,000
             Nos Grupos
             Total
DFAOI        Entre Grupos   43791,004    0,000
             Nos Grupos
             Total
Refixacoes   Entre Grupos     266,408    0,000
             Nos Grupos
             Total

Tabela 10--Teste ANOVA para a AOI D.

                                            ANOVA

                             Soma dos    df    Medias dos       F
                            Quadrados           Quadrados

TTFF         Entre Grupos     469,225     1       469,225    460,143
             Nos Grupos        38,750    38         1,020
             Total            507,975    39
NFAOI        Entre Grupos     921,600     1       921,600    409,600
             Nos Grupos        85,500    38         2,250
             Total           1007,100    39
DFAOI        Entre Grupos     403,225     1       403,225      1,587
             Nos Grupos      9652,550    38       254,014
             Total          10055,775    39
Refixacoes   Entre Grupos      44,100     1        44,100     44,688
             Nos Grupos        37,500    38         0,987
             Total             81,600    39

                            ANOVA

                             Sig.

TTFF         Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total
NFAOI        Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total
DFAOI        Entre Grupos   0,215
             Nos Grupos
             Total
Refixacoes   Entre Grupos   0,000
             Nos Grupos
             Total

Tabela 11--Teste Anova para a AOI E.

                                              ANOVA

                            Sum of Squares    df    Mean Square

TTFF         Entre Grupos         8940,100     1       8940,100
             Nos Grupos            100,300    38          2,639
             Total                9040,400    39
NFAOI        Entre Grupos           44,100     1         44,100
             Nos Grupos             29,800    38          0,784
             Total                  73,900    39
DFAOI        Entre Grupos       174900,625     1     174900,625
             Nos Grupos            907,750    38         23,888
             Total              175808,375    39
Refixacoes   Entre Grupos          497,025     1        497,025
             Nos Grupos             41,750    38          1,099
             Total                 538,775    39

                                   ANOVA

                                F        Sig.

TTFF         Entre Grupos   3387,077    0,000
             Nos Grupos
             Total
NFAOI        Entre Grupos     56,235    0,000
             Nos Grupos
             Total
DFAOI        Entre Grupos   7321,646    0,000
             Nos Grupos
             Total
Refixacoes   Entre Grupos    452,382    0,000
             Nos Grupos
             Total
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Author:Levrini, Gabriel R.D.; Nique, Walter; Tejeda Cardenas, Luiz Raul; Schaeffer, Cristian
Publication:Revista Brasileira de Futsal e Futebol
Date:May 1, 2019
Words:7687
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