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A simylla do periplo do mar eritreu: escavacao arqueologica do antigo sitio portuario de chaul na costa oeste maharastra-India.

I. Contextualizacao historica da regiao de Chaul--as fontes textuais

O emporium indiano de Simylla foi localizado por Marinus a oeste do Cabo Comorim e tambem do rio Indo, no entanto, aqueles que ali navegaram e conhecem-no ha tempos dizem estar ao sul do rio e que este lugar e chamado localmente Timoula.

De tais pessoas nos viemos a saber outras cousas sobre a India, especialmente sobre suas provincias e as terras altas. Ptolomeu [Geografia I.17]

I.1. A Chaul antiga

As fontes literarias mencionam, desde a antiguidade, o sitio portuario de Chaul sob nomes distintos como Chemula, Semylla, Simylla, Symulla, Timulla, Timoula, Chimolo, Sibor, Saimur, Jaimur e Ceul.

A antiga Chaul pode ter sido chamada Campavati ou Revatiksetra no poema epico Mahabharata e, segundo alguns autores, sua existencia remontaria a epoca em que o lendario Krsna teria reinado no Gujarat (1). As fontes sobre o periodo Maurya e Satavahana na regiao do Konkan sao escassas e nao parece haver qualquer documentacao historica que mencione a cidade de Chaul. No entanto, a existencia do antigo porto esta atestada em inscricoes, nas grutas budistas de Kanheri, proximas a Mumbai e datadas de c. 130 d.C., nas quais Chemula e mencionada como local de residencia de dois irmaos que fizeram doacoes ao monasterio. (2) A cidade aparece novamente como Chemula numa inscricao do seculo V d.C. (3)

A cidade de Chaul foi, possivelmente, um dos mais importantes centros comerciais da antiguidade durante o periodo Romano e aparece citada nas fontes historicas ocidentais. Durante o periodo imperial romano o crescimento do porto de Chaul esteve associado ao florescimento do comercio de algodao, registrado no ano de 69 d.C., durante o governo de Vespasiano. (4) No seculo II d.C., Ptolomeu [Geografia I.17] mencionou a antiga Chaul como Simylla ou Timoula, entre o rio Binda e a enseada Bassein ou Balipatna, isto e, Palepattan ou Mahad. (5) O porto de Chaul e citado no Periplo do Mar Eritreu como Simylla e e descrito como o primeiro mercado ao sul de Kalliena (6) (Fig. 1). O mercador grego do seculo VI, Kosmas Indikopleustes, mencionou a regiao de Sibor em seu Topographia Christiana (Bibliotheca Cleri Universe, I, 525:50), em 525 d.C., como um grande centro comercial entre os portos de Kalyao (Kalliena) e Malabar (Kerala). Um seculo mais tarde, por volta de 642 d.C., Chaul pode ter sido visitada pelo peregrino budista chines Hiuen Tsang, que a descreveu como Cimolo (Foe Koue Ki [391], ver Julien 1858: I.193).

I.2. A Chaul intermediaria

Durante os seculos X a XIV d.C., a cidade portuaria de Chaul esteve sob o poder dos Silahara, como foi tambem chamada a dinastia indiana dos Rastrakuta, que governou o Konkan entre 820 e 1260 d.C. Nos relatos dos viajantes arabes dos seculos X ao XII, o porto de Chaul e mencionado sob o nome de Saimur e Jaimur. Durante a visita de Masudi, em 915, Saimur era governada por um principe Silahara, chamado Djandja, ou Jhanjha. Nessa epoca a cidade possuia uma populacao muculmana prospera de aproximadamente dez mil habitantes, entre os quais alguns mercadores muito respeitados que, com a permissao real, construiram varias mesquitas na regiao. A lingua da populacao foi descrita como o lari, ou seja, o gujarate. (7)

[FIGURA 1 OMITIR]

Numa placa de cobre do seculo XI d.C., atribuida ao decimo quarto rei Silahara, Anantdev (1094 d.C.), Chaul aparece como Cemuli e e mencionada como um porto equivalente a Surparaka (Sopara) e Sristhaoaka (Thana) (ver Maharashtra State Gazetteers 1964:717-9; e Indian Antiquary IX:38). No seculo XIII, Chaul pode ter sido governada por um membro da familia Devgira da dinastia Yadava que teria atacado o governante de Mahim (Mumbai). No seculo XIV, esse centro de poder Yadava no Konkan foi subjugado pelo general muculmano Malik Kafur, designado por Ala-ud-din Khilji (1297-1351). A descoberta de uma inscricao kanada, junto ao templo Ramesvar em Chaul, indica que o poderio muculmano foi derrotado, em seguida, pelo Vice-rei de Goa, e passou a autoridade do rei hindu Vijayanagar ou Anegundi (1336-1587). No entanto, no final do seculo XIV, a regiao se encontrava sob controle dos hindus Bahamani.

I.3. A Chaul tardia

A regiao do Konkan foi governada, no periodo tardio, pelos hindus Bahamani (1397-1422) e, em seguida, pela dinastia bramane Ahmadnagar (1490-1595 d.C.). Nos seculos que se seguiram, Chaul foi visitada e comentada por muitos viajantes europeus, como o russo Nikitin (1470) que a chamou Chivil, o portugues Barbosa (1514) menciona-a como Cheul, e o ingles Fitch (1584), que utilizou seu nome atual. (8)

As fontes escritas narram a chegada dos primeiros portugueses ao porto de Chaul por volta do ano 1505. As naus chefiadas pelo comandante Dom Lourenco de Almeida, filho do entao Vice-rei, atacaram e venceram os rivais muculmanos e ofereceram protecao ao rei hindu da dinastia dos Ahmadnagar, em troca de ouro. Acordos foram firmados entre o rei indiano e os portugueses e o comercio portuario cresceu. Por volta de 1514, a cidade de Chaul era o unico grande centro comercial entre Surat e Goa, especialmente nos meses de inverno (dezembro a marco), nos quais um grande mercado era organizado nas adjacencias dessa area. O comercio maritimo desenvolveu-se tanto entre Chaul, o Golfo Persico e Arabia, quanto com a regiao costeira indiana, especialmente Goa, o Malabar ao sul e o Gujarate ao norte. (9) Apos um ataque das tropas de Bijapur, Chaul foi queimada em 1521 e o rei hindu pediu aos portugueses que construissem um forte na Chaul baixa. Apesar das investidas inimigas subsequentes, a fortaleza (ver Da Cunha 1876:39-42) foi concluida em 1524. Poucos anos depois, uma armada do Gujarate atacou Chaul e venceu a esquadra portuguesa. O rei bramane dos Ahmadnagar, Burhan Nizam, foi subjugado pelo soberano do Gujarate, Bahadur Shah, forcado a reconhecer sua supremacia e a tornar-se um aliado. Apos a morte do rei do Gujarate, em 1535, as relacoes amistosas entre os Ahmadnagar e portugueses foram restabelecidas, e Chaul voltou a ser o prospero emporio da regiao.

Nas decadas seguintes, periodos de paz foram entremeados por ofensivas dos proprios reis Ahmadnagar, que nao desejavam ver o poderio portugues dominar a regiao. Durante 1577, sabe-se que os portugueses ampliaram suas defesas e fortificacoes. Nesse periodo, Chaul era visitada por navios de Cambay, Sind, Bengala, Ormuz, Maskar e do Mar Vermelho (ver Maharashtra State Gazetteer 1964:722-5, 30).

As descricoes de Chaul, durante todo o seculo XVI, revelam uma regiao extremamente prospera. Em 1592, Burhan Nizam II, ordenou a construcao do forte de Korlai, na margem esquerda do rio Kuodallka, e iniciou ofensivas contra o forte portugues do outro lado do rio Kuodallka. No entanto, os portugueses conseguiram manter o controle da regiao. Em 1600, a cidade alta de Chaul passou para o controle do imperador mugal Akbar e foi chamada Mamale Mortezabad. Nesse periodo as relacoes entre muculmanos e portugueses sao relatadas como amistosas (ver Da Cunha 1876:42). Durante o seculo XVII, as consequencias da transferencia do poder naval portugues para os holandeses tambem afetaram o porto de Chaul. No entanto, aliancas firmadas em 1617, entre os muculmanos e portugueses, conseguiram manter holandeses e ingleses afastados da regiao, bem como os piratas do Malabar (ver Pietro Della Valle, Viaggi III, 1625:409). Em 1648, o rei maratha Sivaji subjugou o Konkan e, por volta de 1672, seu exercito havia reduzido a Chaul muculmana a ruinas.

O declinio de Chaul deu-se por volta da metade do seculo XVII, decorrente, por um lado, da perda do monopolio maritimo portugues, suplantado pelo holandes, e, por outro, a implantacao do comercio britanico em Bombaim (Mumbai), em 1666. A prosperidade e o comercio da Chaul portuguesa perderam forca pois, nessa epoca, muitas fabricas de seda foram transferidas para a capital de Maharastra.

Em 1681, a Chaul maratha foi pilhada pelo Sidi e o rei Sambhaji, furioso com os portugueses que nao procuraram impedir o ataque, decidiu promover uma retaliacao contra a Chaul portuguesa. Incapaz de vencer, ele mandou que fosse construido o forte de Rajkot, e as ofensivas continuaram. Em 1739, a cidade-fortaleza de Bassein (10) caiu sob o dominio maratha e os portugueses tambem nao foram capazes de manter o poderio em Chaul. Os portugueses ofereceram Chaul e Korlai aos ingleses, que os haviam auxiliado durante a tomada de Bassein. Durante as negociacoes de paz, em 1740, Chaul foi cedida aos maratha que, em troca, deixaram a regiao de Goa para os portugueses. A partir de entao, Chaul nunca mais recuperou sua importancia anterior. Em 1778 uma comitiva francesa ancorou em Chaul e seguiu ate Poona (atual Pune, antiga Ter ou Tagara), a partir das negociacoes firmadas, os maratha transferiram o controle do porto para os franceses, alianca que parece ter causado grande constrangimento em Mumbai.

II. A pesquisa arqueologica no sitio portuario de Chaul

Agora entramos num estagio da historia de Chaul que, por falta de um designio melhor, pode ser denominado decrepitude.

Apos passar, por assim dizer, a flor de sua juventude a se firmar nas margens de Revadanda, circundada por uma hoste de inimigos traicoeiros; e o vigor da meia idade a resistir as reiteradas incursoes e sitios de seus vizinhos, a nobre cidade de Chaul cai, entao, gradualmente num estado de senilidade que prediz sua dissolucao proxima ...

Da Cunha (1876:62)

A presente pesquisa vem sendo desenvolvida dentro do Programa de Exploracao e Escavacao dos Antigos Portos e Assentamentos da Costa Oeste da India pela equipe do Deccan College Post-Graduate and Research Institute, (11) sob direcao do professor V. D. Gogte. O levantamento inicial para localizacao de sitios arqueologicos teve inicio em 1998 e foi dificultado pela densa vegetacao presente na regiao costeira e pelas fortes chuvas anuais durante o periodo das moncoes que prejudicam a investigacao e exploracao de depositos habitacionais in situ. Alem disso, a regiao esteve sujeita a mudancas geomorfologicas recentes, cujas investigacoes revelaram, entre outras coisas, uma elevacao do nivel do mar entre 4 e 5 m nos ultimos 2300 anos. Apesar disso, o levantamento sistematico da regiao da costa oeste conseguiu evidenciar sitios arqueologicos em Chaul (Simylla), Palshet (Palaepatmai), Bagmandala e Mandad (ambas citadas como a Mandagora do Periplo), assim como Tena e Sanjan (Gogte 2003 e 2004; sobre Sanjan ver Gupta et al 2004).

O antigo porto comercial de Chaul (N 18[grados]33', E 72[grados]56') pertence a faixa litoranea da costa oeste indiana, a regiao do Konkan. O sitio arqueologico tambem e conhecido atualmente como Ceul ou Revdaoda e esta situado no estado de Maharastra, distrito de Kolaba, a cerca de 56 km ao sul de Mumbai e 20 km a sudeste de Alibag. A regiao esta localizada na margem direita (norte) da foz do rio Kuodalika, na enseada Roha. A area se encontra junto ao oceano Indico (oeste) e ao rio Kuodalika (sul e sudeste) e possui uma extensao de aproximadamente 5 km (nordeste) apos a qual encontra uma cadeia de montanhas rochosas.

Embora as referencias escritas, que mencionam a antiga cidade de Chaul como um importante centro comercial da costa oeste da India, sejam abundantes, ainda nao haviam sido identificadas evidencias arqueologicas que comprovassem tal ocupacao desde o inicio do periodo Historico.

O levantamento sistematico do sitio portuario de Chaul teve por objetivo localizar e investigar a antiga ocupacao na cidade alta e, assim, permitiu evidenciar a dinamica das trocas comerciais entre a costa oeste e o interior da India, bem como entre o oriente e ocidente, na antiguidade. As etapas de campo, realizadas entre 2003 e 2005, incluiram a exploracao e a escavacao sistematica dessa area que, como veremos, apresentou evidencias abundantes de depositos habitacionais continuados por mais de dois mil anos.

Os sitios costeiros do oeste da India e do leste da Africa pertenciam a uma ampla rede de comercio maritimo existente, desde a antiguidade, no Oceano Indico. O antigo porto de Chaul possuia duas rotas comerciais terrestres principais que o ligavam ao planalto do Deccan: a primeira a nordeste, por meio do estreito Borghat, estava associada as grutas budistas de Chaul, Ramdharan, Nadsur, Karsamble e Gomasi, esse mesmo estreito ligava o porto de Kalliena (atual Mumbai) as grutas de Karli, Bhaja, Bedsa e Shelarvadi, ate a cidade de Ter (Tagara, atual Pune); uma segunda via seguia a sudeste ate a cidade de Mahad, passava pelo estreito Varandha por meio do qual tambem chegava a Ter, essa rota estava associada aos conjuntos monasticos de Kuda, Mahad, Kol e Shirval. (12)

Atualmente Chaul e Revdaoda, embora considerados dois vilarejos distintos, estao localizados a menos de 3 km de distancia, numa area densamente habitada. As antigas ocupacoes hindus, islamicas e portuguesas, ali distribuidas, atualmente estao em ruinas e tomadas por uma densa plantacao de coqueiros e beteles (areca)--base economica da regiao--, que mantem as vielas sombreadas e o solo umido mesmo durante o inverno. Alem dos lagos junto as montanhas, que fornecem irrigacao abundante, a regiao sempre possuiu um grande numero de pocos d'agua, que remontam ao periodo Satavahana. Um pequeno riacho, a cerca de 800 m da costa de Revdanda, corre para norte a partir do rio Kuodalika e forma a planicie de inundacao recente, densamente recoberta por arbustos e com extensao aproximada de 1 km.

O local exato do antigo porto nao havia sido encontrado devido ao assoreamento do antigo leito do rio Kuodalika e as flutuacoes recorrentes do seu estuario. Tais processos soterraram parte das edificacoes e tornaram-nas inoperantes, devido a mudanca na posicao do leito rio. Uma pesquisa recente foi desenvolvida abordando os aspectos geomorfologicos da regiao. (13) O estudo foi, fundamental a compreensao das modificacoes ocorridas nessa area costeira.

Durante a exploracao da regiao de Chaul, realizada durante as tres etapas de campo, foram documentados os vestigios arquitetonicos pertencentes as principais fases de ocupacao que permaneceram preservados na superficie do sitio arqueologico. Os trabalhos foram acompanhados de registro fotografico e mostraram-se fundamentais para compreensao do contexto em que esteve inserido o antigo sitio arqueologico de Chaul, antes de seu declinio.

A fase de ocupacao mais antiga do sitio aparece representada pelos tres conjuntos de grutas budistas talhadas na rocha, associados ao periodo Satavahana, e localizados proximo a Chaul Alta, junto da antiga rota comercial que ligava a cidade portuaria ao planalto do Deccan, mencionada anteriormente. Pouca informacao pode ser colhida da fase intermediaria de ocupacao de Chaul, periodo em que hindus e muculmanos se sucederam no dominio da regiao e do qual poucos vestigios arquitetonicos restaram, devido as recorrentes disputas de poder. A maior parte dos vestigios preservados pertence a fase mais tardia, durante a qual Chaul esteve dividida entre a cidade alta--hindu ou islamica, e a cidade baixa-- portuguesa. Tal periodo de ocupacao e representado na Chaul Alta por monumentos que incluem templos hindus, mesquitas, tumbas e o forte de Rajkot. Na Chaul Baixa, encontram-se as ruinas do forte portugues, o Agar Kot, cuja area foi inteiramente loteada e vendida a proprietarios particulares, a quem cabe a decisao sobre a preservacao ou destruicao dos monumentos que estejam no terreno adquirido.

Tal levantamento, acompanhado da utilizacao de mapas e fotos de satelite, (14) possibilitou a localizacao das areas de habitacao dos periodos mais remotos (Fig. 2). A antiga margem do rio Kuodalika, com aproximadamente 2 km de extensao ao longo do deposito de assoreamento mais antigo, era a area mais propicia a atividade portuaria, uma vez que se encontrava protegida da forca das mares e do vento costeiro (Figs. 3 e 4). Foi nesta regiao que as exploracoes sistematicas foram iniciadas em 2003.

A antiga Chaul Alta, area de ocupacao das dinastias hindus e muculmanas, encontra-se a cerca de 1 km de distancia do atual leito do rio Kuodalika. Dois depositos decorrentes do assoreamento do rio puderam ser observados: um antigo e estabilizado, sobre o qual foi construido o antigo porto e, atualmente, observado como uma densa area de plantacao de coqueiros; e um mais recente, 1,5 m abaixo do nivel do deposito mais antigo e que forma a planicie de inundacao moderna. As pesquisas revelaram que o deposito antigo ocupa uma faixa com cerca de 10 km ao longo da margem do rio e esta logo acima do estrato pertencente ao Holoceno.

[FIGURA 2 OMITIR]

[FIGURA 3 OMITIR]

[FIGURA 4 OMITIR]

Os vestigios arqueologicos encontram-se distribuidos por uma area de aproximadamente 1,2 km de extensao, que forma uma faixa irregular na direcao lesto-oeste junto a porcao final do lado sul da antiga margem do rio--no deposito de assoreamento antigo. A antiga ocupacao penetra na direcao norte por cerca de 400 m, a partir dos quais a frequencia do material arqueologico de superficie decresce consideravelmente.

As ruinas do muro de protecao ou ancoradouro, junto a area de ocupacao, podem ser observadas ao longo do que foi a antiga margem do leito do rio Kuodalika. Tal construcao possui cerca de 1 m de largura e uma extensao aproximada de 800 m que e, por vezes, interrompida junto aos locais em que o muro foi soterrado pela planicie de inundacao. As paredes foram construidas com pedras chatas de tamanho irregular, aparentemente, sem argamassa. A face que costumava estar voltada para o lado do rio esta bastante desgastada. A distancia entre tais muros de protecao e o atual leito do rio, area da planicie de inundacao moderna, chega a ter 1 km de extensao. Num dos pontos desse muro (N18[grados]33'11.3", EO72[grados]56'27.1") e possivel observar uma estrutura perpendicular, construida com blocos de basalto e medindo cerca de 3 m de largura, que segue em direcao ao antigo rio e, atualmente, desaparece a aproximadamente 20 m na planicie de inundacao. Essa estrutura, semelhante a encontrada junto ao grande edificio em ruinas no Forte Rajkot (N18[grados]33'11.1", EO72[grados]56'35.9"), provavelmente foi um ancoradouro ou cais para embarcacoes de menor porte. Um levantamento preliminar dessa area junto ao antigo muro de protecao do porto da Chaul Alta evidenciou a presenca de grande quantidade de material ceramico. O material aflora profusamente na superficie do terreno, que e densamente cultivado por plantacoes de coqueiros e betele.

II.1. Resultados da pesquisa arqueologica

As primeiras evidencias em contexto arqueologico dos periodos mais remotos de ocupacao da area em que se supunha ter sido a antiga Chaul Alta foram obtidas inicialmente nas covas que estavam sendo abertas entre os coqueirais para construcao de pocos. (15) Esse levantamento preliminar, realizado em 2003, forneceu evidencias concretas do periodo Satavahana (c. 230 a.C. - 230 d.C.) atestadas pela ceramica, pocos de aneis ceramicos, moedas, contas e braceletes de vidro encontrados durante a abertura de um dos pocos. Os periodos mais tardios aparecem representados por vestigios materiais dos Silahara (c.1000-1200 d.C.) e Bahamani (c.1400-1600 d.C.). (16)

Duas etapas de campo subsequentes, em 2004 e 2005, foram realizadas com o objetivo de escavar as areas em que a frequencia do material arqueologico de superficie mostrou-se mais elevada. A etapa de campo 2004 ocorreu durante o mes de maio; a etapa 2005 ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro. Nessas expedicoes foram escavadas quatro areas distintas do sitio, duas mais proximas do antigo muro de protecao junto a borda da planicie de inundacao (CHL-P e CHL-D) e outras duas na area mais elevada do sitio (CHL-V e CHL-A).

Uma quantidade expressiva de material arqueologico foi recuperada durante as etapas de campo realizadas em Chaul. Por questoes de espaco, no presente artigo serao destacadas apenas as tipologias que auxiliam a compreensao da dinamica e cronologia do sitio.

II.1.1. Ceramica

Chaul apresentou uma grande quantidade de fragmentos ceramicos, compostos por uma ampla gama de tipos ceramicos. A cronologia do sitio aparece claramente refletida na estratigrafia ceramica. Embora ainda esteja sendo estudada, a ceramica encontrada pode ser classificada entre os tipos autoctones e os de origem estrangeira que, por sua vez, foram sub-divididos entre aqueles que pertencem as regioes a oeste da Asia e aos de origem chinesa. (17)

O nivel estratigrafico inferior apresentou fragmentos da Ceramica Preta e Vermelha (BRW--Black and Red Ware) e tambem da Ceramica Preta Polida (BPW - Black Polished Ware), encontrados entre os vestigios correspondentes ao nivel estratigrafico 5, anterior a camada arenosa esteril 6. Esses dois tipos ceramicos sao muito frequentes na India antiga e diretamente associadas ao periodo da Dinastia Maurya (seculos III-II a.C.) e a regiao de Magadha, na planicie do Ganges. O uso da ceramica BPW teve inicio por volta do ano 500 a.C. e foi descontinuado por volta do ano 200 a.C. o que a torna um vestigio importante na datacao de sitios arqueologicos da India antiga. A ceramica BPW e geralmente encontrada em baixa quantidade, o que faz pensar que possivelmente se tratava de um item luxuoso e importado da regiao do Ganges. Fragmentos desse tipo ceramico foram encontrados, com frequencia, em escavacoes arqueologicas em areas distantes da bacia gangetica, nas quais aparecem associados a ceramica BRW. A existencia desses vestigios em Chaul e de grande interesse pois evidencia o contato entre a sua regiao de origem e a costa oeste do subcontinente indiano, uma indicacao de possiveis trocas comerciais durante a antiguidade. A ocupacao habitacional presente no nivel estratigrafico 5 de Chaul pode, por isso, ser associada ao periodo Maurya.

No nivel estratigrafico associado ao periodo Satavahana foram encontrados fragmentos de Ceramica de Engobo Vermelho (SRW--Slipped Red Ware) cujo uso e atestado desde o periodo Maurya e a origem associada a planicie gangetica. (18) Tal genero ceramico pode ter sido trazido a costa oeste por mercadores ou pelos monges budistas que vieram do norte da India nos primeiros seculos antes da era Crista, e cuja presenca esta confirmada pelas grutas budistas proximas ao sitio arqueologico de Chaul. Esse tipo ceramico aparece associado a Ceramica Polida Vermelha (RPW--Red Polished Ware). Embora esta tenha sido encontrada, em varios sitios do Golfo Persico e do Oceano Indico, associada a ceramica islamica do inicio do Periodo Historico e, em alguns casos, a ceramica chinesa, a Ceramica Vermelha Polida encontrada em Chaul aparece, na India, associada a niveis estratigraficos relativos ao seculo I d.C., assim, ela e utilizada como marco cronologico e para comprovar contatos comerciais entre tais regioes. Analises mineralogicas mostraram que esse tipo ceramico de textura uniforme e composto de tempero identico a argila encontrada numa regiao da costa oeste indiana identificada como Ariaque no Periplo do Mar Eritreu (ver Gogte 2002).

Outro tipo ceramico bastante caracteristico do periodo Satavahana (Fig. 5) e representado pelos vasos e bases de copos conicos e com base estreita, cujas laterais apresentam marcas circulares corrugadas, tempero de argila vermelha com fabrica de textura grosseira. Em Chaul tais tipos ceramicos pertencem ao nivel estratigrafico (4) associado aos seculos I-II d.C. e ainda estao presentes naquele relativo aos seculos V-VII d.C. Alguns desses copos foram encontrados em Chaul, (19) associados a um cranio humano e a fragmentos de anforas romanas, que serao tratados mais a frente.

O horizonte ceramico seguinte (3) em Chaul comeca a apresentar evidencias de ceramica vitrificada de origem estrangeira e pecas de faianca chinesa grosseira, possivelmente indicando o inicio da fase de intensa atividade comercial com o leste asiatico que se seguiu. (20) A porcelana chinesa e o tipo ceramico mais abundante em Chaul e pertence ao periodo da dinastia Ming, do seculo XIV d.C. O celadon ou qingzhi e o segundo tipo de ceramica chinesa mais recorrente no sitio de Chaul. Esse material comecou a ser produzido durante o periodo Song, no seculo X d.C., e continuou durante o periodo Yuan.

[FIGURA 5 OMITIR]

A tipologia da ceramica vitrificada islamica, recorrente a partir do seculo XIV, inclui vasos grandes para armazenamento de cereais, potes e vasilhas de tamanhos variados, pratos e copos. Esse tipo ceramico apresenta diferentes cores, especialmente azul turquesa, verde, amarelo, marrom e tons arroxeados; a maior parte possui pintura monocroma, mas alguns fragmentos evidenciam desenhos geometricos ou florais executados em tracos livres, geralmente na cor preta. O genero ceramico Sgraffiato (ver Bienkowski 1996:85), caracterizado por uma mescla de tons de verde, amarelo e vermelho com pseudo-escrita incisa, aparece com frequencia nos niveis estratigraficos superiores de Chaul e pertence ao periodo islamico Mamluk--1250-1516 d.C., sendo, portanto, contemporaneo da porcelana Ming. O genero ceramico Silhouette, de origem islamica e anterior as tipologias mencionadas acima, tambem foi encontrado. Sua importancia reside no fato de possuir datacao precisa e possibilitar estabelecer uma cronologia mais acurada. Esta ceramica e proveniente da regiao do Ira e Iraque e datada dos seculos XI e XII d.C. Trata-se de um tipo de ceramica vitrificada com fundo azul turquesa e desenho linear preto.

Fragmentos de uma ceramica imitacao da porcelana Ming, produzida no periodo islamico, tambem foram encontrados na superficie e niveis estratigraficos superiores, o fragmento feito de ceramica de fabrica mais grosseira recebia um acabamento externo vitrificado nas cores correspondentes a porcelana chinesa--azul e branco. (21)

II.1.2. Pocos de aneis ceramicos

Uma grande quantidade de fragmentos de pocos de aneis ceramicos--ringwells, foi encontrada em Chaul. Eles figuram de modo recorrente durante a abertura de covas para construcao de pocos modernos. Os ringwells eram elaborados por meio da sobreposicao e encaixe de grandes aneis ceramicos, que partiam da base da cova escavada ate a superficie do terreno. Ha alguns anos, acreditava-se que os ringwells fossem apenas fossas septicas, mas a descoberta dessas estruturas em outros sitios arqueologicos do Deccan e Konkan, que alcancavam os lencois freaticos, esclareceu e ampliou o conhecimento a seu respeito. (22) Sabe-se que eles comecaram a ser construidos nessas regioes durante o periodo Satavahana tardio, por volta do seculo III d.C. Em Chaul, a quadra CHL-V apresentou dois desses pocos (23) que atravessavam o karal e chegavam ao lencol freatico (Fig. 6). O nivel estratigrafico em que se encontra o anel ceramico superior do Poco 1, nesta quadra, permite inferir que a utilizacao desse tipo de estrutura se prolongou ate os periodos mais tardios, pelo menos ate os seculos XIII e XIV d.C., pois e compativel com a ceramica sgraffiatto e porcelana Ming associadas, o que indica uma continuidade, ate entao desconhecida, na producao e uso desse tipo de estrutura.

II. 1.3. Edificacoes

Durante a etapa de campo de 2005 foi encontrada na quadra CHL-A uma estrutura de pedra e, logo abaixo, uma base murada de tijolos com tamanho semelhante aos utilizados no periodo Satavahana, de dimensoes uniformes (40X27X8cm). A construcao acompanhava a direcao norte-sul e a altura da base de tijolos era de 85cm, sobreposta a uma fundacao solida de pedras com 1m de altura. O material associado incluiu ceramica dos seculos VII ao XII d.C. Uma moeda Ksatrapa de chumbo foi encontrada na fundacao. Fragmentos de Ceramica Vermelha e Negra (BRW) foram coletados no nivel estratigrafico inferior em uma cova calcificada aberta no solo arenoso esteril.

[FIGURA 6 OMITIR]

II.1.4. Vidro

Uma grande quantidade de material vitreo foi recuperada durante as escavacoes, em especial contas e braceletes de vidro, assim como fragmentos de pequenas vasilhas ou garrafas e, em menor numero, aneis simples. A escavacao da quadra CHL-V permitiu evidenciar um centro medieval de producao de contas de vidro. O principal tipo de conta encontrado em Chaul sao as micangas coloridas, chamadas Indo-Pacific Glass Beads ou Trade Wind Beads (Fig. 7). Tais contas sao pequenas e arredondadas com diametro variado, entre 1,5 a 5mm, e encontradas nas seguintes cores: preto, azul escuro, azul claro, azul-esverdeado, verde, amarelo e vermelho. Elas eram manufaturadas na India e exportadas desde o ano 200 a.C. ate o seculo XVII d.C. Essa tipologia foi encontrada em sitios arqueologicos em toda a costa do Oceano Indico, no sul e leste da Africa. As contas eram transportadas por navios de comerciantes arabes, indianos e chineses. Ha narrativas que mencionam o monopolio de Chaul na producao de contas de vidro que eram exportadas para Africa durante o periodo mais tardio de ocupacao, entre os seculos XV a XVIII d.C. (24)

[FIGURA 7 OMITIR]

Outros tipos de contas de vidro tambem foram encontrados em Chaul, embora em menor quantidade. Dentre as mais expressivas estao as Melon Beads (Fig. 8), caracterizadas pelo formato de melao e cor azul-escura com incisoes no comprimento. Esse tipo de conta e caracteristico do periodo Satavahana e tambem foi encontrado nos sitios arqueologicos de Kholapru, Chandravalli, Kondapur e Karad (ver Sankalia e Dikshit 1952:102), bem como em Arikamedu (ver Wheeler et al. 1946: pr.XXXIII; Stern 1991:119). Embora em menor numero, existe uma quantidade consideravel de contas lapidadas em pedras semi-preciosas (cristal, calcedonia, cornalina, ametista e granada) e terracota.

Os braceletes de vidro possuem tipologia variada. Dentre eles estao os azul escuros, semicirculares, encontrados em depositos do inicio do periodo historico em Nevasa (Sankalia et al. 1960). Os braceletes chatos, com camadas amarelas e laranjas incisas e com contas ao redor; e outros translucidos com camada superior esverdeada e inferior amarelada, pertencem ao periodo medieval tardio e foram tambem encontrados em Kolhapur (Sankalia e Dikshit 1952:112). Tambem foram encontrados pequenos nodulos de escoria e fragmentos de vidro fundido que, aparentemente, restaram da fabricacao desses materiais.

[FIGURA 8 OMITIR]

II.1.5. Metais

Os objetos de ferro encontrados em Chaul sao principalmente cravos, espatulas, pincas, pontassecas, ponta de seta, cinzeis, facas e laminas, aneis e rolos de arame; alguns instrumentos, ferramentas e fragmentos nao identificados. Alguns fragmentos de escoria de ferro tambem sao encontrados na superficie do sitio. Um deles estava fundido a porcelana chinesa. Parece provavel que os instrumentos em ferro estejam associados ao periodo medieval tardio e, possivelmente, a manufatura de colares de contas de vidro. Tambem foram encontrados alguns objetos em cobre em menor quantidade, como tigelas oxidadas, um anel completo, pedacos de arame e fragmentos nao identificados.

As moedas recuperadas no sitio pertencem aos periodos Satavahana, Maratha e Bahamani (ver tabela em Gogte 2003:71). Durante a etapa 2005, foram encontradas cinco moedas na quadra CHL-B, todas de cobre e oxidadas, o que impossibilitou uma identificacao preliminar; a quadra CHL-C forneceu exemplares em melhor estado de conservacao. (25)

II.1.6. Material litico

Na etapa de campo de 2003 foram escavados dois almofarizes-pedestais--saddle quern, com quatro pernas: um maior, associado ao periodo Satavahana (48X18,5X20,5cm), e um menor, do inicio do periodo Medieval (42X11,5X16,5cm), ambos de basalto; exemplos semelhantes foram encontrados em Kolhapur (ver Sankalia e Dikshit 1952:130). Um terceiro exemplar, sem pernas e com uma plataforma quadrada como base foi encontrado proximo da superficie, provavelmente datado do periodo Medieval Tardio; um almofariz similar foi encontrado em Paturda, mas associado ao seculo VIII d.C.(Gogte 2003:72). Alguns fragmentos de vasilhas de pedra foram encontrados durante a exploracao de superficie e nos niveis estratigraficos superiores da quadra CHL-D.

II.1.7. Vestigios humanos

O cranio humano encontrado em boas condicoes de preservacao e associado ao nivel estratigrafico do periodo Satavahana pertenceu a um individuo adulto do sexo masculino, com aproximadamente 35 anos de idade. (26) Um sepultamento humano foi encontrado na etapa de campo 2005, durante a escavacao da quadra CHL-B, a 1,36m de profundidade, junto ao canto SE do quadrante e proximo do perfil sul deste mesmo. A disposicao do enterramento seguia orientacao norte-sul, o corpo fletido em decubito lateral direito; o topo da cabeca ao norte; o rosto voltado para oeste (Fig. 9). (27) O enterramiento difere dos padroes normalmente encontrados, que seriam: a cremacao, entre os hindus; e a inumacao em posicao estirada frontal, entre os muculmanos. A area adjacente a quadra CHL-B possui um cemiterio islamico do periodo Medieval Tardio, em que se encontra uma grande quantidade de lapides de pedra espalhadas por toda parte, mas com maior recorrencia na porcao sul junto a quadra CHL-B. E possivel que o sepultamento tenha sido realizado por tribais, mas e necessaria uma analise mais aprofundada das formas de deposicao praticadas entre os tribais da regiao, que acrescida dos dados provenientes das analises osteologicas permitirao uma interpretacao mais precisa.

[FIGURA 9 OMITIR]

II.1.8. Anforas romanas Entre os fragmentos de anforas romanas escavados em Chaul (Fig. 10), tres foram identificados com os tipos Dressel 2-4 ou Will 12:

* Uma alca dupla, tempero arenoso avermelhado, com inclusoes negras, pequenos fragmentos de mica e superficie creme. A alca e identica aquela encontrada em Nevasa (n.4420 A, nivel

4). Tambem e semelhante a categoria 'b' de anforas Dressel 2-4 encontradas em Qana no Yemen. (28)

* Uma base, tempero arenoso creme avermelhado, inclusoes negras, pequenos fragmentos de mica e superficie creme. As caracteristicas conferem com a anfora de alcas duplas encontrada em Nevasa (no. 4426, nivel 4). Tambem se assemelha em parte com as categorias 'a' e b' de anforas Dressel 2-4 encontradas em Qana.

* Fragmento do corpo da anfora, tempero coloracao rosada sem inclusoes mas com um pouco de mica. Superficie com camada creme esbranquicada. Caracteristicas semelhantes a um fragmento de alca dupla encontrado em Nevasa (no.439, nivel 4) e um fragmento de anfora romana encontrado em Junnar, Maharastra. Confere com a categoria 'a' das anforas Dressel 2-4 de Qana.

Os fragmentos de anfora Dressel 2-4 encontrados em Chaul sao semelhantes aqueles escavados em Nevasa, o que permite supor que a chegada desses recipientes ate esta cidade tenha ocorrido pelo porto de Chaul, via Junnar e Karla, por meio do estreito Borghat. (29) A localizacao do sitio portuario de Chaul numa area intermediaria das rotas maritimas entre o ocidente e oriente colocou-o numa posicao comercial estrategica. Qana estava a uma distancia menor de Chaul que dos demais portos da costa oeste da India. O Periplo do Mar Eritreu menciona que os navios que chegavam a India primeiro ancoravam em Barygaza, em seguida, passavam por Souppara e Kalliena, ate chegar a Chaul. Durante o inicio do seculo I d.C. as disputas entre os Ksatrapa de oeste, que governavam o Gujarate e partes de Maharastra, e os Satavahana, que dominavam Maharastra e Andhra Pradesh, provavelmente trouxeram instabilidade politica a regiao da costa do Gujarate. Assim, e possivel que, nesse periodo, os navios ocidentais tenham evitado os portos mais ao norte e rumado diretamente para Chaul.

[FIGURA 10 OMITIR]

Durante a etapa 2005, foram encontrados novos fragmentos de uma anfora romana na quadra CHL-V. Eles incluem uma alca e partes do corpo do vaso que estao sendo analisados para verificacao de procedencia e datacao. A presenca de fragmentos de anforas no sitio de Chaul pode comprovar uma intensa atividade comercial entre Roma e India a partir do seculo I a.C., epoca de florescimento do imperio Satavahana na regiao oeste indiana.

III. As grutas budistas de Chaul (30)

Os tres conjuntos de grutas budistas talhados na rocha sao os vestigios arquitetonicos mais antigos associados ao sitio portuario de Chaul, pertencentes ao periodo Satavahana, e se encontram a cerca de 2 km de distancia, nas encostas das montanhas a leste da cidade alta. A montanha na extremidade leste, conhecida como monte Hinglaj, e o ponto mais elevado da cadeia (165m), na qual estao dois conjuntos de grutas. A leste da montanha Hinglaj encontra-se o estreito de Pir, que separada esta de outra cadeia de montanhas, chamada Sagargad. A estrada que atravessa a regiao foi, possivelmente, a principal rota comercial da antiga Chaul para o interior de Maharastra (Fig. 11). Durante a exploracao da regiao para levantamento das grutas budistas, foi encontrado um terceiro conjunto inedito, na face sudoeste da montanha mais proxima ao estreito de Pir. Tais conjuntos serao descritos a seguir.

III.1. O conjunto monastico de Chaul I

O primeiro conjunto de grutas budistas--Chaul I (N 18[grados]34'05.8", EO 72[grados]56'49.2"), esta situado na face oeste da montanha Hinglaj, sobre uma plataforma larga e extensa. Entre as seis escavacoes existentes, pelo menos quatro sao do periodo mais remoto da ocupacao budista. O acesso ao local se da por meio de uma antiga rota comercial, atualmente asfaltada, que leva ate o sope do morro a cerca de 2 km de distancia do sitio arqueologico da Chaul Alta. O conjunto31 esta associado as duas conhecidas rotas comerciais que ligavam o porto de Chaul ao planalto do Deccan.

[FIGURA 11 OMITIR]

As grutas foram numeradas a partir da extremidade sul. Ao chegar no topo da escadaria observa-se, a direita, a Gruta 1, talhada na rocha e ocupada, no presente, por um templo hindu. (32) As caracteristicas arquitetonicas internas da gruta levam a crer que se tratou de uma escavacao do periodo budista - um vihara (habitacao monastica) simples, com duas celas, que mais tarde foi adaptado. Na parte externa da Gruta 1, a direita, ha uma escadaria com trinta degraus, que leva as duas grandes cisternas -poohi, talhadas na rocha, ambas do periodo budista primitivo. (33)

Ao norte, abaixo das cisternas, ha um portal que leva a Gruta 2-o templo atualmente dedicado a deusa Hinglaj--ou Hingulja Bhavani, que, de acordo com informacoes locais, e a protetora dos mercadores. Na frente do templo ha um patio amplo com um pequeno altar com tulasi (ocimum sanctum) e pilares altos com lamparinas. Uma passagem estreita permite a circum-ambulacao do templo entre as paredes externas e a rocha da montanha; uma perda no reboco permite observar que as paredes do templo foram originalmente talhadas na rocha. (34) A construcao, embora escavada na rocha bruta, nao preservou qualquer caracteristica que a associe ao periodo mais antigo do conjunto monastico, no entanto, existe uma mencao a existencia de uma antiga cisterna (35) talhada na rocha, abaixo do nicho que abriga a imagem da deusa, que poderia ser um indicio de sua antiguidade. Cerca de 8 m ao norte deste templo encontram-se as demais grutas do conjunto.

A Gruta 3 possui uma ante-sala e um pequeno santuario, (36) a construcao apresenta caracteristicas de um vihara simples, a cela com bancos laterais talhados na rocha--asanapeohika, foi adaptada, mais tarde, as necessidades do culto hindu. As escavacoes 4 e 5 sao dois koohi--um recesso ou nicho talhado na rocha, ambos sao elementos arquitetonicos do periodo de ocupacao budista. (37)

Na lateral esquerda encontra-se a Gruta 6, um vihara bastante descaracterizado. Originalmente a gruta parece ter sido dividida em quatro recintos (celas) menores cujas paredes frontais desmoronaram. (38) Na parede noroeste ao lado da cela menor esta o unico elemento iconografico budista do conjunto: um estupa--daghoba caitya, talhado em baixo-relevo na rocha (39) e datado dos seculos I-II d.C (Fig. 12). Na frente dessa gruta existiu uma varanda (40) que se estendia ate a Gruta 3, como pode ser observado pelos encaixes para pilares de madeira que se preservaram na frente do conjunto. E possivel que algumas das grutas tenham sido escavadas num periodo anterior a Era Crista. Acima da parede noroeste ha uma outra escadaria a direita que leva as cisternas mencionadas anteriormente e a esquerda leva ao topo da montanha ate o templo dedicado ao deus Dattatraya.

O conjunto monastico Chaul I e o maior encontrado nessa area proxima ao sitio arqueologico de Chaul, mas suas dimensoes modestas indicam que ele teria abrigado apenas um numero reduzido de monges.

III.2. As grutas do conjunto Chaul II

Na face sudeste da montanha Hinglaj encontrase o segundo conjunto de grutas budistas - Chaul II (N 18[grados]34'06.2"; EO 72[grados]56'53.1"), composto por apenas duas grutas voltadas para sudeste. Do alto das grutas e possivel avistar ao sul o coqueiral de Chaul, o rio Kundalaka, o forte Korlai e os montes Jafijira; a sudeste observa-se um outro rio que passa ao longo dos montes Roha. O acesso a essas grutas e bem mais dificil e exige uma caminhada de cerca de trinta minutos pela encosta desmoronada da montanha. A aproximadamente 30m da base da montanha ha um vihara simples e pequeno, (41) a parede frontal sofreu desabamento, mas ha vestigios de uma varanda estreita; e marcas de cinzel nas paredes. Junto a lateral direita da cela ha um asanapeohika (banco talhado na rocha). (42) Acima do banco, e a cerca de 1 m a direita (leste) da primeira gruta, encontra-se o segundo vihara, atualmente, de dificil acesso devido ao desmoronamento da rocha na area lateral direita que permitia alcancar a gruta. (43) Os vihara nao possuem qualquer ornamentacao ou inscricao, ambos estao mal conservados e tomados pela vegetacao rasteira que se espalha pela montanha. Sua simplicidade remete ao periodo mais antigo do Budismo primitivo, em que as grutas passaram a ser escavadas para abrigar monges durante os retiros anuais na epoca das chuvas.

[FIGURA 12 OMITIR]

III.3. A gruta do conjunto Chaul III

Na face sudoeste da montanha mais proxima ao estreito de Pir se encontra uma gruta budista com estupa--Chaul III (N 18[grados]33'53.8"; EO 72[grados]57'10.3"), encontrada durante exploracao da area e da qual nao havia qualquer registro anterior. O acesso a gruta se da pela encosta da montanha, numa caminhada de cerca de duas horas. Da entrada da gruta se avistam o rio Kundalika e os montes Jafijara na margem oposta, ela esta voltada para o sul e na fachada externa observa-se uma porta e duas janelas laterais cujos tetos desabaram. (44) A ante-sala ampla possuiu bancadas--asanapeohika, que acompanhavam todo perimetro das paredes internas laterais e posterior. (45) Ao fundo encontra-se o caityagcha, que abriga o estupa tridimensional (Fig. 13). (46) Agruta provavelmente pertence aos seculos II ou I a.C. e pode ter sido a mais antiga de Chaul.

[FIGURA 13 OMITIR]

IV. Consideracoes finais

Embora se trate de resultados parciais, as evidencias coletadas durante as etapas de campo 2003 a 2005 confirmaram uma ocupacao continua do sitio de Chaul por mais de 2000 anos: desde o periodo Maurya--seculos III-II a.C., ate o final do seculo XVII d.C., pois, a excecao do nivel estratigrafico (6) esteril, todos os demais apresentaram uma quantidade expressiva e ininterrupta de vestigios arqueologicos.

A dinamica das trocas comerciais com o Imperio Romano, Persia, China e costa leste da Africa, mencionadas nas fontes textuais, foram comprovadas pelas evidencias arqueologicas coletadas durante as etapas de campo. Chaul possui grande potencial para compreensao das relacoes comerciais existentes entre o antigo porto e os sitios do planalto, como Paithan, Nevasa, Junnar e Nasik em Maharastra, bem como com os sitios costeiros do Gujarate e Malabar (Kerala).

A analise do material arqueologico presente nos niveis estratigraficos associados aos periodos Satavahana e Medieval Inicial, dos quais nao existe muita informacao historica, certamente trara novos e importantes resultados. A presenca de grutas budistas associadas ao sitio de Chaul--datadas dos seculos I a.C. ao II d.C. insere, por sua vez, esta paisagem sagrada na dinamica das trocas comerciais da regiao do Konkan e Deccan, durante o periodo Satavahana. A existencia de grutas budistas ao longo das antigas rotas comerciais e a relacao entre monges budistas e mercadores e reconhecida ha mais de um seculo. Em troca de abrigo para as caravanas, os comerciantes faziam donativos para construcao das grutas, comprovados pelas inscricoes recorrentes encontradas nos conjuntos monasticos. Nesse sentido, as grutas budistas podem ser utilizadas como marcos para tracar as antigas rotas comerciais que ligavam Chaul, no litoral do Konkan, ao planalto do Deccan. (47)

Uma analise preliminar a respeito do declinio do sitio portuario de Chaul indica que este esteve, provavelmente, associado a dois fatores principais: um geomorfologico, devido a mudanca gradual do curso do leito do rio Kundalika, atualmente com cerca de 1 km de deposito de aluviao, o assoreamento progressivo inviabilizou, com o passar do tempo, a chegada de navios de grande porte ate o porto de Chaul; e, um segundo, politico, ocorrido a partir do periodo em que os britanicos firmaram seu monopolio do comercio maritimo e escolheram Bombaim (Mumbai) como principal porto para suas transacoes internacionais, o desenvolvimento intenso dessa regiao portuaria contribuiu diretamente para o declinio gradual dos demais portos comerciais da costa oeste, entre eles, Chaul.

A pesquisa e a analise aprofundada do material arqueologico ainda se encontra em desenvolvimento. Novas etapas de campo estao previstas para 2006, o que certamente trara resultados novos e importantes para a compreensao das principais questoes politicas, economicas e religiosas que permearam a historia do sitio arqueologico de Chaul na india antiga.

Agradecimentos

A todos aqueles que estao direta ou indiretamente envolvidos na pesquisa. Ao Diretor e demais membros do NIOT, Chennai, pelo apoio e financiamento das escavacoes arqueologicas. A Fapesp pelo financiamento do estagio no Deccan College.

Recebido para publicacao em 3 de abril de 2006.

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(1) Estudos atribuem esse periodo a c. 1200 a.C., no entanto, tais datas sao controversas. No Mahabharata, a cidade teria possuido 1.600.000 edificios, 360 templos e 360 lagos e era dividida em dezesseis distritos ou pakhadya; tres deles teriam formado a Chaul portuguesa--Dod, Dakhavada e Murad (Da Cunha 1876:106-9).

(2) Nagaraju (1981:198;333-4) citou as duas inscricoes (n[grados] 9 e 11): a primeira encontrada acima da cisterna dupla na gruta 6, que foi doada por um mercador de Sopara e por Sulasadata de Chemula [Chemulakasa heranikasa Rohinimitasa putasa Sulasadatasa poohi deyadhamma]; a segunda, no caminho acima da escavacao no.7 [Chemulikasa herauikasa (Senhini)mitasa putasa Dhamaoakasa patho deyadhama]. O Bombay Gazetteer (XVI:172) acrescenta que Sulasadatta era um ourives de Chemula. Ver tambem as inscricoes de Kanheri 12 e 20, em Burguess (1883).

(3) A execucao da gruta foi financiada por um mercador descrito como famoso entre os ricos da grande cidade de Chemula, aquele cuja fama se difundiu pelos tres mares. Ver Bombay Gazetteer (XVI:173,189).

(4) Ver Warmington (1928:108-12,289-90). Para referencias sobre a India durante Vespasiano, ver Plinio [Historia Natural]; para demais obras antigas ver MacCrindle (1901; 1060); Warmington (1934); Filliozat (1949); Raschke (1979); Casson (1980); Karttunen (1989); e Cimino (1994).

(5) Ver Ptolomeu (1883); Sastri (1927:42-3); e o estudo mais recente em Lennart Berggren & Jones (2001:79,128). Warmington (1928:113) observou que o Konkan foi descrito por Ptolomeu como o distrito dos piratas; a regiao teria permanecido sob ataques ate o seculo XIX, epoca em que os ingleses eliminaram os corsarios.

(6) Ver MacCrindle (1905:129); Schoff (1912 e 1917); Palmer (1947); Pirenne (1961); Macdowall (1964); Huntingford (1980); e Casson (1989). O documento anonimo, que possui datacao controversa, menciona uma serie de portos na regiao do Konkan, costa oeste da India: Barygaza, Souppara, Kalliena, Simylla, Mandagora, Palaepatmai, Meliziegara e Byzantion; nele estao descritas as rotas, periodos favoraveis para viagens, os bens comercializados nos portos e os monopolios dos governos locais. Warmington (1928:289) considerou o documento anterior a Ptolomeu. A pesquisa de Casson (1989) concluiu que o documento era do seculo I d.C., mas outros autores, como Huntingford (1980), estabelecem datas mais tardias, como o ano de 247d.C. Para uma discussao das diversas datas propostas, ver Majumdar & Pusalkar (1953); e Dehejia (1972:22-5).

(7) Masudi (Prairies d'Or, II:85-7). O gujarate pode ter sido a lingua comercial de Chaul, como ainda o e em Mumbai. Para a estatistica populacional, Bombay Gazetter (XIII:422). Outros viajantes arabes como Muhalhil (941 d.C.), Ibn Haukal (976 d.C.), Al Biruni (1030 d.C.) e Al Idrisi (1130 d.C.) tambem forneceram importantes informacoes sobre Chaul. No ano de 942 d.C. ali viviam, alem dos hindus, muculmanos, cristaos, judeus e parsis; haviam templos hindus, assim como mesquitas, igrejas, sinagogas e os templos de fogo dos zoroastristas. Ver Maharashtra State Gazetteers (1974:719).

(8) Para uma listagem de viajantes e dos nomes atribuidos a Chaul, ver Maharashtra State Gazetteer (1964:716).

(9) Ver Da Cunha (1876:23-30, 35-7). Navios mercantes levavam para a Europa, atraves de Diu e Meca, graos como trigo, arroz e gergelim, vegetais, musselina e produtos de algodao; e traziam de Portugal cobre, mercurio e cinabrio.

(10) Para detalhes sobre as cidades-fortaleza portuguesas na India, como Bassein e Damao, ver Teixeira (1996:15-26).

(11) O estagio de pesquisa desenvolvido no Deccan College Post-Graduate and Research Institute sob orientacao do Prof. Vishwas D. Gogte, Diretor Adjunto desta instituicao e arqueologo-quimico, incluiu a participacao na etapa de campo de 2005. A Instituicao foi fundada por ingleses, em meados do seculo XIX, e possui pos-graduacoes nas areas de Arqueologia e Linguistica. O Departamento de Arqueologia, o mais antigo instituto arqueologico da India, e referencia internacional no desenvolvimento de pesquisas arqueologicas em toda a Asia. O estagio foi financiado integralmente pela Fapesp.

(12) A associacao peculiar entre as rotas comerciais e as grutas budistas e conhecida ha mais de um seculo, o reverendo Abbott (1891:121) descobriu as grutas de Nadsur justamente porque estava convencido da existencia de grutas budistas ao longo da rota que ligava Chaul ao interior. Ver tambem Codrington (1930;10-3); Kosambi (1955:51-2); Dehejia (1972:30-1); e sitios mais recentes em Marathe (2000) e Gogte (2004). Para um estudo mais aprofundado sobre as grutas budistas do Deccan, ver Aldrovandi (2006, V. II: 508-592).

(13) Realizada por Ghate (1990).

(14) Trabalho realizado com a colaboracao do prof. Bruno Marcolongo, Diretor de Pesquisa do CNR-IRPI e Remote Sensing, Universidade de Padova, Italia.

(15) O pocos na regiao do Konkan sao geralmente escavados no verao, as covas sao abertas com 4 m. de largura, ate que se chegue ao nivel do lencol freatico, encontrado junto ao deposito arenoso endurecido, conhecido na regiao como kara ou karal.

(16) Como observou Gogte (2003:69) o material arqueologico associado aos Satavahana e as dinastias dos periodos subsequentes recorreu nas seis areas em que pocos estavam sendo escavados, locais distantes o suficiente para indicar que a ocupacao Satavahana nao se limitou a uma pequena area, mas acompanhou a extensao de terra utilizada pelos assentamentos posteriores. A estratigrafia dos depositos habitacionais em Chaul e semelhante aquelas encontradas em Kolhapur (Sankalia and Dikshit 1952), em que os niveis pos-Satavahana foram classificados como Satavahana-tardio (c. 500-1400 d.C.) e Bahamani (c.1400-1600 d.C.). O periodo Bahamani em Kolhapur se encontra associado ao periodo muculmano-maratha dos sitios de Nasik e Nevasa (Sankalia and Deo 1955; Sankalia et al. 1960). Assim a nomenclatura utilizada em Chaul segue a seguinte uniformizacao: 1. Periodo Medieval Inicial (500-1300 d.C.), geralmente chamado Satavahana-tardio, pos-Satavahana e Silahara; 2. Periodo Medieval Tardio (1300-1700 d.C.), que inclui os periodos Bahamani e muculmano-maratha de diferentes sitios. Na verdade a nomenclatura usual do Periodo Historico Inicial (250 a.C.--500 d.C.), geralmente utilizada na India, poderia ter sido utilizada para designar o periodo Satavahana em Chaul, mas como muitos aspectos da cultura material sao caracteristicas especificas do periodo Satavahana no oeste da India, o mesmo foi utilizado para descrever esta parte inicial do Periodo Historico.

(17) O material vem sendo pesquisado por Rukshana Nanji, doutoranda do Deccan College. Entre a ceramica estrangeiras temos ate agora identificadas: Sassanian-Islamic Turquoise Glazed Ware; Glazed Pink Ware; Hatched Sgraffiato Ware; Glazed BuffWare; Buff Ware; White Slipped Pink Ware; Eggshell Ware; White Glazed Ware; Red Slipped Pink Ware; Monochrome Ware. Os tipos ceramicos chineses incluem: Porcelana (lisa); Porcelana (azul e branca); Celadon; Stoneware (faianca); Glazed Gray Ware. Os tipos autoctones estao representados pelas: Slipped Red Ware; Slipped Grey Ware; Chocolate Slipped Ware; Red Ware; Compact Red Ware; Red Polished Ware; Black and Red Ware; Mica Washed Red Ware; Slipped Black Ware; Black Polished Ware; Monochrome Glazed Ware.

(18) Gogte (1996; 2002) observou que esse tipo ceramico foi, durante longo tempo, confundido com exemplares tardios provenientes da costa africana, mas analises quimicas confirmaram que ele esta associado mineralogicamente a ceramica e a argila da Planicie do Ganges, no norte da India.

(19) Sao eles: 1) o primeiro com 18cm. de diametro na borda, 4,5cm na base e 8cm de altura; 2) o segundo com 12cm de diametro na borda, 5,8cm na base e 8cm da altura; 3) o terceiro com 12cm de diametro da borda, 4cm na base e 4,5cm de altura. O primeiro tipo de copo e recorrente em todos os sitios do periodo Satavahana no oeste da India.

(20) A faianca vitrificada, a porcelana azul e branca e o celadon chineses, associados aos niveis estratigraficos mais tardios, aparecem tambem em grandes quantidades espalhados pela superficie do sitio de Chaul, devido a fitoturbacao ocasionada pelo cultivo intensivo da regiao. O cultivo do solo, associado a natureza arenosa do mesmo, foi responsavel, em alguns casos, pela intrusao do material arqueologico nos niveis estratigraficos inferiores.

(21) Rukshana Nanji nos informou, durante a etapa de campo, que os muculmanos nunca foram capazes de produzir a porcelana e, por isso, recorriam a essa imitacao.

(22) Esses pocos recorrem em sitios da costa leste como Nevasa, Bhon, Sanjan (ver Sankalia et al 1960; Gupta et al 2004), bem como em Taxila, Mathura, Hastinapur, Kausambi e Rajghat no norte da India, e Tamluk, Mangalkot, Itakhola e Pakhanna, em Bengala (Pande 1964; Joshi 1990; Datta 2001). A origem mesopotamica dos ringwells foi sugerida por Pande (1964), cuja existencia data do quarto milenio a.C.; a tradicao foi mantida durante o periodo Aquemenida (Joshi 1990) e teria sido trazida a India nessa epoca.

(23) Os aneis possuem cerca de 30 a 50 cm de altura, 75cm de diametro e 3cm de espessura, a borda superior e mais larga, com c. 6cm O poco 1 possuiu cerca 3,5m de altura.

(24) Ver Dubin (1995:184); eMaharashtra State Gazetteer (1964:726). O material ceramico, encontrado em sitios da costa oeste indiana e leste africana, confirma a existencia de interacao e o comercio maritimo desde o seculo VIII d.C. Durante as exploracoes em Chaul foram encontradas especies arboreas provenientes da costa leste da Africa, que reforcam a evidencia de contatos comerciais (Gogte 2003). Entre elas, um Bao Bab (Adasonia digital L.), chamado em Maharashtra de Ghorakh Chinch, encontrado na base da montanha em que estao as grutas budistas e cujas dimensoes sugerem uma idade superior a oitocentos anos. Outra arvore bastante comum na regiao de Chaul e tipicamente africana e a arvore da fruta pao (Artocarpus communis).

(25) As moedas encontradas durante essa etapa de campo vem sendo analisadas pelo prof. Abhijit Dandekar, especialista em numismatica e paleografia do Deccan College.

(26) A analise foi realizada pelos professores S.R Walimbe e V. Mushrif, do laboratorio do Deccan College, resultados publicados por Gogte (2003:72-3).

(27) Os membros inferiores se encontravam no quadrante que se estendia a partir do perfil sul e, por isso, nao puderam ser recuperados. Durante a escavacao do esqueleto cujas dimensoes somavam aproximadamente 18X 35cm, ficou evidenciada a cova do enterramento, de formato quase retangular e cujas dimensoes aproximadas somam 46X62cm. O solo da cova era friavel e de tonalidade amarelada, foram encontrados apenas alguns cacos ceramicos associados aos restos humanos. Essa cova encontra-se no nivel estratigrafico 3 e termina junto ao estrato 2. Todos os 32 dentes estavam presentes o que indica que se trata de um individuo adulto, a abrasao presente nos molares pode ser decorrente da alimentacao proveniente do mar. Os metacarpos e falanges encontravam-se em posicao que indica que estiveram curvados para dentro.

(28) Sedov (1998) datou esses tipos de anfora entre os seculos I e III d.C. e Will (1992) datou anforas semelhantes entre os seculos I a.C. e I d.C. O sitio de Qana, na saida do Mar Vermelho, pode ter sido uma importante escala durante essa epoca para as embarcacoes que seguiam ate Chaul e os demais portos da costa oeste da India.

(29) Nevasa foi um dos maiores sitios historicos do periodo Satavahana escavado pelo Deccan College (Sankalia et al 1960), e cujos contatos comerciais com o mundo romano e o Golfo Persico foram confirmados pelos vestigios ceramicos.

(30) A proposta inicial de nosso estagio no Deccan College incluiu o levantamento da paisagem sagrada budista primitiva no oeste do Deccan, em particular no sitio de Chaul, bem como a analise do desenvolvimento do Budismo e a interacao ocorrida entre fatores economicos e religiosos na regiao. Ver Aldrovandi (2006, V. II: 508-592).

(31) O local foi ocupado, num periodo mais tardio, pelo templo da deusa Hinglaj, divindade que da o nome ao monte e que e adorada ate os dias atuais. Outras construcoes modernas foram somadas ao conjunto monastico original. Durante a exploracao do conjunto, a area encontrava-se em reforma para festividades religiosas e as grutas haviam recebido uma camada de pintura branca. O conjunto original encontra-se extremamente descaracterizado. Para alcancar as grutas e o templo e preciso subir uma escadaria moderna com 158 degraus. No alto e possivel avistar o mar alem dos coqueirais de Revdanda.

(32) A sala possui cerca de 5,20m de largura por 4,60m de profundidade e sua altura varia entre 1,80m e 2m; a parte da lateral noroeste contem um nicho, atualmente com uma imagem hindu de Asapura Devi. Na parede sul da gruta encontram-se duas celas: a cela leste possui um 1,30m por 1m. de profundidade; a cela oeste possui 1,20m. de largura por 1,20m de profundidade; na frente da parede oeste da gruta ha uma janela, possivelmente original; a fachada da porta com arco ogival e o teto piramidal sao acrescimos tardios.

(33) A cisterna mais alta possui 5,5m por 4,30m; a segunda cisterna mede 4,80 por 5,50m.

(34) O santuario do templo mede 2,5m de largura por 2,30m de profundidade e 2m de altura; a ante-sala mede 5,10m de comprimento por 3,5m de largura e 2m de altura; um teto piramidal recobre essa area; a varanda possui dois pilares e seis pilastras laterais; um teto de telhas frontal foi adaptado sobre dois pilares octogonais.

(35) A cisterna nao foi encontrada durante a exploracao e possivelmente foi recoberta durante a adaptacao tardia. Da Cunha (1876:120) a descreveu com forma quadrada, com 1,50m. de largura e 0,45m. de profundidade; o autor menciona uma inscricao sobre a cisterna que, ja na epoca de sua visita, estava desgastada. Infelizmente as alteracoes recorrentes ocorridas nessa gruta nao preservaram suas caracteristicas originais.

(36) A sala mede respectivamente 4,10m de largura por 2,30m de profundidade e 1,60 de altura; uma abertura na parede traseira com 0,50m de largura e 1,15m de altura leva ao santuario ou a pequena cela ao fundo com 2,35m de largura, 1,87m de profundidade e 1,60m de altura; na parede do fundo ha um nicho com 0,50m. de largura e 0,90m de altura no qual se encontra uma imagem da deusa Astbhuja Devi ou Catursinghi.

(37) O primeiro mede 1m de largura e de altura e aproximadamente 2m de profundidade; o segundo, 1m de largura, 3,5m de profundidade e 1,20m de altura. Da Cunha (1876:121) mencionou a existencia de duas imagens bramanicas antigas ao fundo deste segundo nicho, no entanto, apenas uma foi encontrada.

(38) A cela a direita, na parede sul e quadrada e possui 2m de largura e 1,20m de altura. O recinto central, possivelmente uma sala, mede 6,20m de largura por 2,60m de profundidade e 1,60m de altura.; na parede posterior ha um banco de pedra com 1,90m de largura e 0,70m de profundidade, ao qual foi adaptado um armario de madeira. Na lateral oeste ha uma cela com 2m de largura por 1,80m de profundidade e 1,90m. de altura. A cela junto a parede noroeste mede 1,80 de profundidade e 1,70m de largura; possui uma area de rocha bruta que recebeu pintura laranja e, atualmente, e objeto de devocao do culto hinduista. As celas laterais possuem tres fornos modernos de tijolos.

(39) O estupa possui cilindro e faixa com motivo de vedika ao redor; domo hemisferico e um harmika com cinco plataformas invertidas; acima, um yaufa e um unico chattra representados, que alcancam o teto; o domo mede 0,60m. de largura por 1m. de altura; o harmika, o yaufa e o chattra somam 0,45m de altura.

(40) Mede 2,20m de largura.

(41) A unica cela mede 2,30m de largura por 1,30. de profundidade e 2,40m de altura.

(42) Com cerca de 1,50m de largura.

(43) A cela simples mede 3,5m de largura por 1,80m de profundidade e 2m de altura; a porta de entrada da cela possui 0,95m de largura por 1,65m de altura; na frente da cela uma varanda com aproximadamente 3,5m por 1,5m de largura apresenta perfuracoes no solo, provavelmente para encaixar as vigas de um telhado ou estrado de madeira, hoje, encobertas pela vegetacao.

(44) A porta mede cerca de 0,90m. de largura; a janela quadrada a direita possui 1,60m. de largura; a esquerda, 2,80m.; ambas com cerca de 1m. de altura e as laterais desmoronadas.

(45) A ante-sala mede cerca de 8,30m. de largura por 7,20m de profundidade e 2,20m de altura.

(46) Na parede posterior, a abertura que leva a sala quadrada que abriga o estupa possui 4,20m de largura e profundidade; sua altura e de 1,90m O estupa tridimencional foi talhado na rocha, no centro da sala e a 0,60m de distancia da parede posterior; embora bastante danificado, o estupa possui cilindro e domo semicircular com aproximadamente 1,30m de diametro; nao ha vestigios da provavel decoracao ou encaixes no cilindro; um harmika quadrado e longo se eleva ate a plataforma de sete degraus invertidos junto ao teto; o estupa possui a mesma altura da sala. As caracteristicas apresentadas pelo estupa, embora bastante danificadas, podem ser observadas num dos estupas memoriais da gruta 20 de Bhaja, cujos exemplares mais tardios--com chattra, foram datados do seculo II d.C. Ao lado do estupa encontram-se dois relevos apoiados na parede esquerda com divindades hindus--provavelmente trazidos de algum antigo templo nas redondezas e que sao objeto de culto dos habitantes locais. As marcas brancas e vermelhas nas paredes internas, as cruzes suasticas nas paredes externas e internas, os tijolos espalhados pelo chao e utilizados como fogareiro, os troncos e gravetos queimados confirmam um uso recente, possivelmente de um ou mais ascetas hindus que costumam vagar pela regiao.

GOGTE, V.D.; ALDROVANDI, C.E.V. A Simylla do Periplo doMar Eritreu: escavacao arqueologica do antigo sitio portuario de Chaul na costa oeste de Maharastra--India. Rev. do Museu de Arqueologia e Etmologia, Sao Paulo, 15-16: 247-269, 2005-2006.

Vishwas D. Gogte * Cibele E. V. Aldrovandi **

(*) Deccan College Post-Graduate and Research Institute. Pune, Maharastra, India.

(**) Doutora em arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Sao Paulo. aldrovan@yahoo.com
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Author:Gogte, Vishwas D.; Aldrovandi, Cibele E.V.
Publication:Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia
Date:Jan 1, 2006
Words:12612
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