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A linguagem idiomatica organizada em pares dicotomicos.

* RESUMO: Neste trabalho sao apresentadas as particularidades concernentes a uma proposta de dicionario de expressoes idiomaticas do portugues do Brasil em uma perspectiva onomasiologica. Trata-se da organizacao dos idiomatismos em dez pares de conceitos dicotornicos, analisados como os mais produtivos do portugues, do ponto de vista fraseologico: 1. amor/odio; 2. beleza/feiura; 3. confianca/traicao; 4. conhecimento/ignorancia; 5. coragem/medo; 6. felicidade/infortunio; 7. rapidez/lentidao; 8. riqueza/pobreza; 9. serenidade/agressividade; 10. sucesso/fracasso. Tambem e evidenciada a importancia da utilizacao de corpora eletronicos para a demonstracao do idiomatismo em um contexto real e considerada a multifuncionalidade do percurso onomasiologico, que revela informacoes tanto sobre a organizacao social e historica ou sobre a cultura de um povo, como sobre a natureza psicologica das escolhas dos falantes.

PALAVRAS-CHAVE: Fraseologia; expressao idiomatica; onomasiologia; dicotomia.

Introducao

As expressoes idiomaticas (EIs) pertencem ao grupo das lexias complexas mais empregadas na linguagem cotidiana. Para os brasileiros, especificamente, as dificuldades no uso dos idiomatismos se concentram nas diferencas linguisticas regionais, pois diferentes estados da federacao podem apresentar grande numero de variantes, seja na comunicacao, seja no ensino ou na aprendizagem do portugues. Para o estrangeiro, ou mesmo para as criancas no inicio da aprendizagem da propria lingua materna, o maior problema esta na dificuldade de decodificar o sentido conotativo da EI.

Em Riva (2004), (3) apresentamos uma proposta de dicionario especial, com o proposito de organizar onomasiologicamente os idiomatismos mais frequentes da lingua portuguesa do Brasil, porque se julga importante apresentar as relacoes existentes entre as diferentes expressoes que dividem o mesmo campo semantico e as relacoes de sinonimia existentes entre elas. Nosso ponto de partida foi o PIP, Dicionario de proverbios, idiomatismos e palavroes (XATARA, OLIVEIRA, 2002), que traz aproximadamente 6.900 idiomatismos do portugues traduzidos para o frances.

Primeiramente, contudo, foi imprescindivel um embasarnento teorico em tres areas: Lexicografia, Lexicologia e Fraseologia. No que diz respeito a Lexicografia, as Eis podem ser um importante objeto a ser discutido por poderem constituir um tipo de dicionario especial. No que concerne a Lexicologia, verifica-se que os idiomatismos sao abordados em questoes relativas as unidades lexicais de uso comum e frequente. No caso da Fraseologia, a area que estuda a grande diversidade das combinacoes de unidades lexicais, sejam lexias simples, sejam complexas, com particularidades expressivas, o destaque sao os idiomatismos por serem construcoes fraseologicas de grande ocorrencia.

Para a delimitacao do campo desta pesquisa, decidiu-se selecionar apenas 10 pares de conceitos dicotomicos priorizando sua abrangencia, ou seja, trata-se de pares de conceitos que reportam uma grande quantidade de idiomatismos. Os pares dos conceitos mais abrangentes da Fraseologia brasileira sao: 1. amor/odio; 2. beleza/feiura; 3. confianca/traicao; 4. conhecimento/ignorancia; 5. coragem/medo; 6. felicidade/infortunio; 7. rapidez/lentidao; 8. riqueza/pobreza; 9. serenidade/agressividade; 10. sucesso/fracasso.

Assim, procuramos discorrer sobre as relacoes de significacao existentes entre os pares de conceitos alistados, fundamentadas em concordancias coletadas na base de dados do Laboratorio de Lexicografia (LL) da Unesp de Araraquara e da intemet.

A importancia das concordancias para a significacao dos idiomatismos

A utilizacao de corpora eletronicos em pesquisas de cunho lexicografico revelou-se indubitavelmente valiosa nesta pesquisa, tanto para a demonstracao do idiomatismo em um contexto real como para acrescentar importantes informacoes concernentes a significacao e uso de cada EI.

Muito embora se tenha procurado estabelecer a maioria dos conceitos aos quais uma EI pode se referir, houve casos em que somente o contexto pode ratificar, ou retificar, a significacao dos idiomatismos levantados.

Para ilustrar tal fato, ha as EIs dar tempo ao tempo e encontrar seu rumo. A principio, ambas foram agrupadas em tomo do conceito "serenidade", ou seja, do conceito que se refere a qualidade daqueles que sao ou estao serenos, calmos, placidos, tranquilos. Porem, na busca por concordancias, constatou-se que esses idiomatismos nao se referiam ao conceito mencionado ou a qualquer um dos conceitos alistados anteriormente.

Para a EI dar tempo ao tempo, selecionou-se, entre outras, a seguinte concordancia: "Nao e hora, portanto, de elogiar ou criticar, mas sim de dar tempo ao tempo. Observar como as novas pecas se movimentarao no tabuleiro do xadrez administrativo [...]". Assim, percebe-se que nao ha mesmo referencia a "serenidade", pois significa esperar com paciencia por solucao futura. Portanto, a EI poderia ser alistada, em uma pesquisa mais ampla, no grupo do conceito "paciencia".

O mesmo ocorreu com o idiomatismo encontrar seu rumo: a concordancia "[...] as praticas da formacao e do funcionamento dos sindicatos teriam de encontrar seu rumo numa especie de evolucao natural, assim como no organismo os orgaos se desenvolvem naturalmente" nao confirma que se trata de uma EI relacionada ao conceito "serenidade", mas ao conceito "adequacao", uma vez que significa alcancar equilibrio ou estabilidade financeira, evoluir adequadamente.

Caso semelhante ocorre com a EI com unhas e dentes. Provavelmente, por se tratar de um idiomatismo formado por dois substantivos muito recorrentes em Eis voltadas a "agressividade", como acontece com "unha", em pegar [os cornos do) o touro (boi) a unha, com garras (unhas) nas maos, etc.; e "dentes", em ranger [mostrar) os dentes, pressupoe-se que com unhas e dentes tambem poderia se referir ao mesmo conceito. Porem, com o auxilio das bases textuais, percebeu-se que nao havia ocorrencias com essa conotacao. Por meio da concordancia "Raimundo e de espirito muito combativo e defende com unhas e dentes o direito de expressao do poeta popular. Autor de muitos folhetos, ele e um verdadeiro reporter a nivel popular", confirma-se que tal idiomatismo poderia ser agrupado no conceito "empenho" e nao em "agressividade".

A tipologia textual das concordancias selecionadas

Alem das observacoes expostas, no que diz respeito a importancia das concordancias para a Lexicografia, nao se poderia deixar de fazer mencao aos tipos de textos em que se dao as ocorrencias dos idiomatismos nas concordancias.

Verificou-se que, corno as Eis sao muito mais utilizadas na linguagem oral, os textos que buscam proximidade com a oralidade sao evidentemente os que as contemplarn com muito maior fiequencia. Por isso, a maioria das concordancias para Eis insere-se em pecas de teatro, roteiros de filmes, de novelas e na literatura, em especial nos dialogos e romances. Por exemplo, para o idiomatismo estar numa boa tem-se a concordancia "R:--Reclamando da vida a toa, boneco! Voces estao numaboa, tem a vida que pedirama Deus.../B:--O! Umvidao!/R:--Evaime dizer que nao e? Nao tem patrao!". Ela foi extraida de um dialogo de texto feito para a televisao, de autoria de Gianfrancesco Guamieri. Por esse motivo, nos casos de dialogos, houve a selecao integral com a separacao das falas pelas barras ("/").

A presenca recorrente de EIs pode ser confirmada em uma consulta as referencias bibliograficas do corpus (v. RIVA, 2004), pois ai constam nomes de teatrologos, como Plinio Marcos; de revistas especializadas, como a Revista de Teatro; de autores de telenovelas, como Dias Gomes e Manoel Carlos; de telenovelas, corno Pedra sobre pedra ou A estoria de Ana Raio e Ze Trovao; de diretores de cinema, como Caca Diegues; de autores de obras literarias, como Erico Verissimo ou Ariano Suassuna; e outros, todos de renome, cujas producoes representam um rico material para tambem se observar a lingua portuguesa do Brasil.

No que concerne a busca por concordancias na internet, tambem se pode descrever os principais tipos de textos nos quais se constata a grande maioria dos idiomatismos: sao os chamados "diarios virtuais", ou bloggers, tao difundidos atualmente na internet e que se caracterizam por serem registros de acontecimentos pessoais do dia-a-dia, escritos por pessoas como se fossem diarios e para que outros os leiam. Isso tambem se constata nas referencias bibliograficas do corpus, uma vez que a maioria alista enderecos eletronicos particulares que registram os tais "diarios virtuais". Por exemplo, a concordancia retirada da internet para contextualizar o idiomatismo andar (estar, ficar, ser) de asa caida, referente ao conceito "infortunio", e "As dores do amor sao das mais dificeis de suportar. Quem tem acompanhado meu blog sabe que ultimamente a borboleta tem andado de asa caida ...". Nota-se uma alusao direta ao tipo de servico usado na internet, no caso "blog", e que se trata de uma descricao dos sentimentos de uma pessoa, em um determinado dia.

O grande problema da utilizacao da internet como corpus e da extracao de trechos de textos de seu dominio reside no fato de que nao ha garantia de que tais enderecos eletronicos continuem por muito tempo disponiveis as consultas. Porem, esse nao e um problema exclusivo dos bloggers, mas de toda informacao retirada de sites da internet.

Devido ao dinamismo da internet e a grande quantidade de informacoes disponibilizadas a cada instante na rede, nao e possivel se asseverar a permanencia dos textos dos quais foram retiradas as concordancias. Por esse motivo priorizou-se o uso do LL da Unesp de Araraquara que, embora nao possua a mesma quantidade de informacoes da internet, garante a procedencia das obras que estao catalogadas e consta como uma das maiores bases textuais do Brasil (BERBER SARDINHA, 2004).

Aspectos pragmaticos dos idiomatismos

Apesar de determinadas EIs terem elementos comuns em sua constituicao, isso nao significa que se refiram a um mesmo conceito. Por exemplo, dar na cara concerne a "agressividade" e nao dar na cara, a "esconder". Nota-se, pois, que o acrescimo de um elemento a uma EI pode mudar seu sentido, mas nem sempre a introducao de um adverbio de negacao ira conferir a EI um sentido oposto.

Embora multas EIs sejam sinonimas por terem basicamente o mesmo significado, atentamos para as nuancas que diferenciam uma da outra e, assim, pudemos constatar que o uso e regido por essas sutis diferencas. Por exemplo, embora as EIs ser mao fechada, ser seguro, avarento como um turco sejam usadas para caracterizar a "sovinice", elas possuem diferencas que determinam seu uso. Em ser mao fechada, ha a referencia ao ato de segurar e reter o dinheiro nas maos, alem de manter uma relacao de antonimia com a EI ser mao aberta, enquanto que ser seguro nao tem sentido pejorativo e faz referencia aquele que controla seus gastos e e economico. Ja na EI avarento como um turco (idiomatismo menos usual), ha uma marca cultural no que se refere a "turco", relacionado, no Brasil, a sovinice.

Para Caramori (2000),
   As expressoes idiomaticas comportam-se como se estivessem em uma
   roda (roda tematica), de maos dadas: virar uma fera pode parecer
   mais assustador do que ficar uma arara, mas, em determinados
   contextos, elas serao facilmente intercambiaveis. Mais arriscado
   ainda e dizer ate onde vao os semas de cada uma delas que se
   comportam como laranjas nas maos de um malabarista, ora agarro um
   deles, ora todos, ora deixo-os em movimento (ficar de bico calado,
   ora em silencio, ora em segredo, ora silencio e segredo). (p.66)


Da mesma forma, o idiomatismo armar o barraco, ou a variante registrada no Houaiss (2001) armar uma barraca, tambem se refere ao conceito "agressividade", sendo usado para descrever desordem, tumulto, quebra da ordem estabelecida, escandalo ou incitacao a briga. Porem, caso haja mudanca no genero do substantivo, do masculino para o feminino, o idiomatismo gerado possuira um sentido totalmente diverso: armar a barraca e uma EI usada em referencia a excitacao sexual masculina e nada tem a ver com "agressividade".

As vezes, a simples contracao de preposicao e artigo mudam o sentido de uma expressao. E o que ocorre com a EI filhinho de papai: uma vez cristalizada dessa maneira, e utilizada com frequencia para se referir ao individuo, geralmente adulto, que e financiado pelo pai abastado. Ao se contrair a preposicao "de" com o artigo masculino "o", para gerar filhinho do papai, a expressao perdera a idiomaticidade. Essa mudanca altera tanto o sentido da expressao quanto a sua conotacao. Filhinho do papai e simplesmente uma maneira carinhosa de um pai tratar um filho e tambem pode ser empregada pela mae, desde que se mude o substantivo de "papai", para "mamae".

Ha casos, no entanto, de EIs que nao alteram totalmente seu sentido porque dividem, ao menos em parte, a significacao com outros idiomatismos. Sao as que se relacionam a um mesmo conceito, mas que possuem sutis diferencas que norteiam seu uso. Por exemplo, quebrar a cara de (alguem), quebrar o pau, quebrar os ossos, referem-se a "agressividade", mas, em uma analise mais apurada, constata-se que a primeira e usada para descrever o ato de desferir um golpe contra o rosto de um individuo ou para desmascarar, desconcertar ou surpreender alguem com atitude inesperada; ja a segunda pode tanto ser usada para descrever agressao fisica quanto para confusao ou discussao; a terceira e usada para intensa e proposital agressao fisica. Todas as EIs acima fazem alusao a agressividade, por meio do uso do verbo "quebrar".

Percebe-se, assim, que ha alguma regularidade nos idiomatismos no que concerne as suas referencias e analogias, construidas com base nos substantivos, verbos, adjetivos, etc., que os constituem.

Elementos recorrentes na constituicao dos idiomatismos

Desde o levantamento dos idiomatismos ate a busca por concordancias, observou-se que ha referencias muito comuns entre EIs agrupadas em cada conceito. Detectou-se, em um so conceito, significativa incidencia de um mesmo verbo ou grande ocorrencia de idiomatismos de matriz comparativa. Entao, e apropriado apresentar essas caracteristicas constantes na constituicao das EIs porque elas podem tanto sugerir modelos de construcao para novas formacoes idiomaticas quanto orientar e esclarecer o proprio uso dos idiomatismos.

E importante lembrar que somente a orientacao onomasiologica dos idiomatismos permite levantar quais caracteristicas sao mais recorrentes e, por consequencia, a quais motivacoes o falante recorre na criacao de novas EIs.

A imagem mais incidente no conceito "amor", por exemplo, usada como alusao a esse sentimento, ou ao sentimento de bondade, e a do substantivo "coracao", como ocorre com os idiomatismos chegar (alcancar, tocar) ao (ate o) coracao, de coracao, de todo o coracao, falar ao coracao, ir direto ao coracao, no fundo do coracao, ter bom coracao, trazer (ficar, levar) no coracao, voz do coracao. Nota-se, contudo, que seu uso nao esta restrito apenas a referencias a esse conceito, mas tambem a outras manifestacoes dos sentimentos, como em com o coracao apertado e com o coracao na mao, referindo-se ao conceito "medo"; de cortar o coracao, que se reporta ao conceito "tristeza" e golpe para o coracao, que concerne ao conceito "infortunio".

Outra parte do corpo humano utilizada em diversos idiomatismos e cabeca, ou cranio, miolo, etc. Percebe-se que sao referencias ao centro do intelecto, da memoria e da compreensao do homem. As EIs a cabeca nao e so para separar as orelhas, abrir a cabeca, ser um cranco, ter alguma coisa (algo) na cabeca referem-se ao conceito "inteligencia", porem cabeca de melao, miolo mole, cabeca dura, cabeca oca remetem a "ignorancia". Ha ainda referencias a "serenidade": nao esquentar (a cabeca), ter a cabeca no lugar, ter cabeca (fria), e a "agressividade": esquentar a cabeca e o sangue subir-lhe a cabeca.

Fato similar acontece tanto com o grupo de conceitos positivos "felicidade", "riqueza" e "sucesso", como com o de negativos "infortunio", "pobreza" e "fracasso". Os conceitos positivos estao inter-relacionados por compartilharem aspectos de suas significacoes e porque nao ha uma delimitacao precisa entre o sentido de um e o dos outros dois e, por oposicao, com os conceitos negativos, e vice-versa. E possivel notar essas inter-relacoes com mais clareza nas definicoes dos conceitos levantadas nos dicionarios de lingua portuguesa, para a posterior organizacao onomasiologica dos idiomatismos. "Felicidade" se refere ao estado de bemestar ou de consciencia feliz, satisfacao, contentamento; "riqueza", a grande quantidade de bens materiais, dinheiro ou posses; e "sucesso", a fama, a exito, triunfo ou bom resultado; a pessoa ou coisa vitoriosa, popular.

No que diz respeito ao par de conceitos opostos "conhecimento" e "ignorancia", verifica-se que, no primeiro, e recorrente a associacao a verbos que se referem ao ato de ser ou estar informado, como conhecer: conhecer (ler, saber)de tras pra frente (diante), conhecer a maquina, conhecer a toada, conhecer as manhas, conhecer como um doutor, conhecer os bastidores, conhecer os macetes; entender: entender do riscado; e saber: nascer sabendo, saber (conhecer) de cor e salteado, saber (ter) nas pontas dos dedos. Quanto ao segundo, sao frequentes EIs de matriz comparativa, burro como uma porta, EIs ironicas, esperto como um jegue (burro, toupeira); e referencias a animais, como: asno (burro) chapado, besta quadrada, burro (mula) empacado, burro carregado de ouro (de reliquias), burro chucro, chamar de asno, ideia de jerico, mula empacada, usar (levar, por, vestir) chapeu de burro. Acredita-se oportuno lembrar que, como determinados animais ja se referem a "ignorancia", em pelo menos uma das acepcoes da grande maioria dos dicionarios de lingua portuguesa do Brasil, nao sao idiomaticas expressoes como "ser um burro (anta, asno, jegue, mula, toupeira)", pois a conotacao concentra-se integralmente nos nomes desses animais, com valor de adjetivos.

Com relacao ao conceito "odio", em oposicao ao "amor", sao constantes as EIs de matriz negativa, que tem em sua constituicao adverbios de negacao e de exclusao, como nao, nunca, nem: nao (nunca) ir com a cara de (alguem), nao me desce, nao me vai, nao poder nem ver, nao poder ver (alguem) nem pintado (de ouro), santo nao bate com o de (alguem), etc. Muito embora se perceba que o adverbio de negacao seja mais frequentemente usado em referencias a conceitos negativos, como nao conhecer (saber) (nem) o be-a-ba, que se refere ao conceito "ignorancia", ou nao ter (restar, sobrar) um centavo, nao ter (sem) um gato para puxar pelo rabo, nao ter onde cair morto, nao ter um vintem, que se referem a "pobreza"; ha EIs que nao tem necessariamente significado negativo, como e o caso de nao esquentar (muito) a cuca (cabeca), referente ao conceito "serenidade", embora esse ultimo se apresente em numero reduzido.

Ja no par de conceitos "beleza" e "feiura" ha o predominio de EIs de matriz comparativa. Em "beleza" se compara o individuo considerado belo com imagens que remetem ao ideal de perfeicao e beleza. Assim, temos: belo (bonito, lindo) como o dia, belo (bonito, lindo) como o menino Jesus, belo (bonito, lindo) como um deus, belo (bonito, lindo) como um principe, belo (bonito, lindo) como uma pintura, bonito como bicho de Deus, bonito como um doutor. Encontram-se ainda referencias a vestimenta: como madrinha (padrinho) de casamento, vestido como um dandi em dia de missa, com roupa de missa (de sair).

Em "feiura" tambem preponderam EIs de matriz comparativa, porem as comparacoes sao com o que se considera imperfeito e feio ou com o que provoca repugnancia ou medo, como nos idiomatismos como o cao (chupando manga), como o capeta, feio como a necessidade, feio como a peste, feio como noite de trovoes (tempestade), feio como uma trombada (de caminhoes).

No conceito "confianca", usa-se "palavra" em alusao a garantia. Trata-se do sentido de "declaracao", ja que a palavra tambem pode ser considerada uma garantia ou um contrato. Por exemplo: crcreditar na palavra, dar a palavra, palavra de rei, ser de palavra. Porem, "palavra" e ainda utilizada em idiomatismos que se referem ao conceito "traicao", como e o caso de quebrar a palavra, em que se faz referencia a ruptura, a transgressao de um contrato, regulamento ou norma.

Outra observacao a respeito do conceito "traicao" e a diversidade de imagens com que sao construidas as referencias. Alguns exemplos seriam "rato" ou "cobra", ou a alusao ao relato biblico da traicao cometida por Judas Iscariotes contra Jesus, que gerou o idiomatismo ser (como) um Judas. Contudo, convem ressaltar que os idiomatismos agrupados pelo conceito "traicao" sao usados para descrever varios tipos de traicao, dentre os quais a traicao que se da em relacionamentos amorosos: botar (por, meter) chifre em (alguem), dar (umas, outras, suas) escapadas, enfeitar a testa de (alguem), pular (a) cerca; aquela que ocorre nos mais variados ambitos, como em: dar (levar) uma punhalada (facada) em (alguem) (no coracao, nas costas), dar um chute (bicudo, pontape) no traseiro, golpe baixo, golpe sujo, jogar (alguem) aos leoes; ou aquela inscrita no segmento profissional, como em jogar (alguem) aos leoes ou puxar o tapete.

Sobre o par "coragem" e "medo", verifica-se que o primeiro inclui substantivos como "coragem" e "bravura", em partes constituintes de idiomatismos; por exemplo, bravura de Aquiles (do cao), coragem de bicho do mato, encher-se de coragem, rasgo de coragem (bravura). E, em geral, as Eis abarcadas por esse conceito referem-se ao ato de enfrentar tanto uma situacao complicada ou que inspira medo quanto alguem com mais forca ou poder, como em ter peito ou ter uma peitaria.

No que concerne ao conceito "medo", observa-se o emprego frequente de sinonimos do verbo "tremer" ou "arrepiar(-se)", em alusao a "medo", ou seja, ao estremecimento ou rapido tremor, involuntario, que surge em consequencia de uma reacao ao frio, ao medo, ou devido a uma emocao intensa. E o caso dos idiomatismos dar frio na espinha, de cabelo (pelo) em pe, ficar (estar) de pernas bambas, ficar (todo) arrepiado, frio na barriga, tremer como vara verde, tremer de medo, tremer nas bases.

Os idiomatismos referentes ao conceito "felicidade", quando nao descrevem "otimismo", como e o caso de agora a coisa vai, procurar o lado bom das coisas, ser pra cima, tem como caracteristica comum a incorporacao de substantivos ou adjetivos que incluem a nocao de bem, bom, favoravel. E o que ocorre com as Eis bons tempos, com alegria no coracao, fazer a festa, ser (como) dia de festa, e outros.

Por outro lado, os que se referem ao conceito "infortunio" descrevem ou a expressao do individuo tomado por sentimentos negativos, por meio do choro, das lagrimas, como abrir a torneira, abrir as comportas, abrir o (um) berreiro, afogar as magoas, aos prantos, com os olhos rasos d'agua, debulhar-se em lagrimas, deixar (restar) apenas lagrimas, vale (poco) de lagrimas; ou por meio de comportamento melancolico, expressao facial de tristeza ou angustia, como em andar (deixar, estar, ficar etc.) na fossa, andar (deixar, estar, ficar, etc.) na pior, andar (estar, ficar, ser) de asa caida, andar (estar, ficar, ser) jururu, cara de (dia do) juizo (final), cara de sexta-feira da Paixao, com um no na garganta, com umatromba, estar [bem) caido, de farol baixo, e outros.

Pode-se utilizar o conceito "infortunio" para descrever a grande variabilidade de verbos na associacao a determinados idiomatismos. Como exemplo ha o idiomatismo na pior. A principio, para que se pudesse encontrar com mais facilidade uma concordancia para tal EI, decidiu-se por reduzi-la a uma estrutura minima, ou seja, pela procura nas bases textuais por na pior. Porem, apos uma verificacao das ocorrencias encontradas, antes mesmo da selecao de uma concordancia, constatou-se que ha certa regularidade na quantidade de verbos que lhe podem ser associados. Portanto, embora haja uma estrutura minima conotativa, cristalizada e indecomponivel, sempre ha uma associacao dessa estrutura a um verbo, explicito ou subentendido, e que pode ser articulada tanto com verbos comuns, como com os de ligacao. Por isso, apresenta-se tal EI da seguinte maneira, estar (andar, continuar, deixar, ficar, etc.) na pior.

Vale lembrar que optamos por apresentar, fora dos parenteses, o verbo que aparece na concordancia, e dentro, outros verbos citados em ordem alfabetica, indicando outras possiveis combinacoes que representam as variantes da expressao. Confirma-se, assim, a cristalizacao da EI na pior sempre antecedida por um verbo. O mesmo ocorre com estar (andar, continuar, deixar, ficar, etc.) na fossa, tambem referente ao conceito "infortunio", ou com passar (andar, chegar, entrar, fugir, etc.) como um raio e passar (andar, chegar, correr, entrar, etc.) num pau (so), que se referem ao conceito "rapidez".

Ainda em "rapidez", percebeu-se que a grande maioria das Eis abarcadas por esse conceito apresenta verbos de movimento em sua estrutura, como e o caso de passar (andar, chegar, entrar, fugir, etc.) como um raio, avancar como uma onda, chegar (andar, correr, entrar, ir, etc.; na toda, correr (chegar, entrar, ir, vir) com tudo, correr (espalhar-se ir, vir) como o vento, correr (andar, chegar, entrar, fugir, etc.) como uma bala, entrar (andar, chegar, passar, sair) como um furacao, ir num pe (voltar no outro), sair (andar, chegar, correr, entrar, etc.) como um foguete, sair (andar, chegar, entrar, fugir, etc.) como uma flecha, sair (entrar) como um louco, sair como um peixe (bagre) ensaboado, subir (ligeiro, rapido, veloz) como um macaco, surgir (andar, correr) como um meteoro, vir (chegar, passar, ir, vir) como uma nuvem, voar baixo, voltar (andar, chegar, correr, entrar, etc.) num pe so.

Ha tambem referencias ao ato de andar, como em a passos de gigante, a passos largos, acelerar o passo, apertar o passo, em largas passadas, mais rapido que os passos, numapassada (so). E se notou ainda o uso de adjetivos como "rapido", "agil" ou "ligeiro", em: agil como um galgo, ligeiro como um gato, mais rapido que macaco, mais rapido que os deuses, mais rapido que os passos, rapido e rasteiro; e o uso das partes inferiores do corpo humano, em analogia a movimento, como e o caso do idiomatismo frasal pernas, pra que te quero!, e dos idiomatismos pe na tabua e sebo nas canelas.

Nas EIs abarcadas pelo conceito "lentidao", surgem muito frequentemente referencias a animais cujos movimentos sao lentos, como "cagado", "tartaruga" e outros. Por exemplo, apasso de cagado (tartaruga). No caso desse idiornatismo, optou-se, assim como em muitos outros, por apresentar a concordancia tambem da variante pois ambas sao consideradas muito frequentes. Porem, foram contempladas entre parenteses as Eis consideradas variantes e para as quais nao foi possivel localizar concordancia. Caso de rasgo de coragem (bravura), que se refere ao conceito "coragem" ou trocar ouro por merda (lama), que se refere a "ignorancia".

As referencias mais frequentes nos idiornatismos abarcados pelo conceito "riqueza" sao "dinheiro": fazer dinheiro, ganhar (gastar, nadar em, pagar, ter) rios de dinheiro (a rodo), nadar em dinheiro (ouro), ser o dono do dinheiro; e suas variantes, como "grana", estar (andar, continuar, ficar, viver etc.) montado no tutu (dinheiro, grana); "nota", estar (andar, ser etc.) cheio da nota; e "ouro", nascer em berco de ouro; ou o adjetivo "rico", podre de rico; e os locais em que se guarda o dinheiro, como "bolso", encher os bolsos ou "cofre", sero dono do cofre.

Quanto ao conceito "pobreza", tambem e frequente o uso de "dinheiro", ou de suas variantes, porem em associacao a preposicao "sem", para marcar a ausencia, privacao, falta, como se pode notar nos idiomatismos andar (estar, ficar, viver) sem nenhum (tostao, centavo, niquel, vintem, etc.), andar (estar, viver) sem caixa, andar (estar, viver) sem fundos, nao (sem) receber um niquel (centavo), nao ter (sem) um gato parapuxar pelo rabo, nao (sem) ter onde cair morto, sem eiranem beira, etc.

O conceito "serenidade" tem como caracteristica marcante o uso do verbo "acalmar" ou do substantivo "calma", acalmar os animos, calma, Bete!, ir com calma; dos substantivos "paciencia" e "paz", estar (andar, ficar, sentir-se, viver etc.) em paz consigo mesmo e paciencia de Jo; alem de referencias a imagens que frequentemente indicam tranquilidade, falta de agitacao, como e o caso de "anjo", "ceu", "nuvem", "paraiso": andar nas nuvens, como um anjo, estar [sentir-se, viver) no ceu (no paraiso).

Sobre o conceito "'agressividade', pode-se dizer que e aquele que mais contempla idiomatismos em nossa pesquisa e talvez um dos que mais abranja Eis em toda a fraseologia do portugues do Brasil. Sao inumeras as peculiaridades que caracterizam esse conceito. Pode-se comecar citando os verbos mais frequentemente empregados para a descricao do ato de agredir, bem como para caracterizar agressao (verbal ou nao), agressor, confusao, discussao, maltrato e provocacao, que sao: "acabar", "'acertar", "amassar", "baixar", "bater", "chutar", "derrubar", "descarregar", "descontar", "descer", "encher", "enfiar", "entrar", "esfolar", "esmagar', "espumar", "esquentar", "meter", "moer", "morder-se", "pegar", "quebrar", "rachar", "ranger", "rosnar", "sair", "sentir", "soltar", "tirar", "tratar" e "xingar", entre outros. Sao os caso de: acabar com a raca de [alguem), brigar como [uma) onca, descer a lenha, esfolar vivo, moer de pancada e sentar a mao. Na verdade, o significado basico dos verbos citados bem como varias de suas acepcoes frequentes nao incluem o sema "agressividade", mas e a EI que agrega tal sema em sipropria.

Ha, ainda, um grande numero de referencias a animais, como "onca", "arara", "cobra", "rinoceronte", "tubarao", "touro", "cachorro", "ourico", para a descricao tanto do comportamento agressivo ou irritadico de um individuo como para comparar o tratamento dado a alguem e o mesmo dado a um animal. Por exemplo, os idiomatismos estar (ficar) uma arara, gentil como um rinoceronte (tubarao) com dor de dente [bebado), rosnar como um cachorro, tratar como um cachorro e ser como um ourico. Alem disso encontramos em diversas Eis associacoes a brigas ou relacionarnentos entre animais, caracterizados por disputa ou rivalidade, como e o caso de "cao e gato", "dois animais", "dois caes" em, por exemplo: brigar como cao e gato, como dois animais, como dois caes (cachorros) [disputando o mesmo osso). Sobre as partes do corpo dos animais, sao recorrentes referencias as garras, como em com garras nas maos.

Com relacao as partes do corpo humano mais usuais na construcao dos idiomatismos de tal conceito, encontram-se "braco", "cabeca", "cara", "couro", "dente", "mao", "nervo", "osso", "pele", "rosto" e "unha". Como exemplo, ha os idiomatismos descer o braco, dar na cara, ranger [mostrar) os dentes, guerra de nervos, quebrar os ossos.

Tambem e muito frequente o uso do substantivo "raiva", como em espumar de raiva; de "forca", como em forca bruta; de "guerra", como em declarar guerra; de "sangue", em acabar em sangue; de "faisca", em sair [soltar) faisca dos [pelos) olhos; e das cores "roxo", em com o (um) olho roxo; de "verde", em verde de raiva; e de "vermelho", em vermelho de raiva.

A caracteristica, todavia, mais marcante nos idiomatismos concernentes ao conceito "agressividade" e o uso de nomes de objetos que podem ser utilizados como armas para agressao fisica; e o caso de "cabresto", "cavaco", "chicote", "couro", "faca", "foice", "lenha", "pau", "pedra", "porrete", "redea", "sarrafo" e "vara". Exemplos dessa particularidade sao as Eis baixar o pau, baixar o sarrafo, briga de faca (foice), colocar (levar, trazer, etc.) no cabresto, com quatro (sete) pedras na mao, dar (o) cavaco, descer a lenha, descer o porrete, morrer (trazer) no chicote, etc.

Por fim, nota-se que quando uma EI e polissemica, ela deve constar em mais de um conceito; por exemplo: a EI passarpara o outro lado pode revelar o conceito "traicao partidaria", ou o conceito "homossexualismo", bastando para isso, que no dicionario houvesse contextos em conformidade com essas duas acepcoes e suficientes para desfazer qualquer ambiguidade de sentido.

Consideracoes finais

A propria importancia dos dicionarios, bem cultural transformado em bem de consumo, reafirma a pertinencia de se investir em pesquisas criteriosas para a elaboracao dos mais variados tipos de obras lexicograficas.

Todas as linguas dispoem de meios objetivos para expressar os acontecimentos, sentimentos, ideias. Cabe ao usuario, porem, decidir a maneira pela qual pretende relatar suas experiencias. Nao sao poucas as vezes que, em seu discurso, o individuo lanca mao de combinacoes fixas, dentre as quais destacam-se as Eis, para se comunicar mais expressiva ou pitorescamente. Os idiomatismos atendem aos incessantes apelos de ironia, exagero, persuasao, comicidade e de fortes cargas emocionais. Sem falar nos efeitos estilisticos a que recorrem especialmente os publicitarios, inclusive com a frequente ruptura da idiomaticidade.

Essa constante reincidencia dos idiomatismos na comunicacao cotidiana, ou mesmo na literatura, respalda a necessidade de estudos, de natureza diversa, que possam analisa-los cientificamente, sistematizando suas construcoes, evidenciando seus elementos lexicais constituintes, constatando sua ampla ocorrencia, etc.

Um dicionario de idiomatismos da lingua portuguesa do Brasil, sob uma perspectiva onomasiologica, revela-se, pois, extremamente util por facilitar o estabelecimento das relacoes analogicas entre as EIs, fator importante para a explicitacao de seu significado e de seu aspecto pragmatico.

Em suma, somente a partir da observacao atenta e da analise das particularidades dos idiomatismos alistados em torno de um mesmo conceito, com o qual compartilham ao menos parte de sua significacao, e possivel indicar as variacoes admitidas e recorrentes e as que eventualmente venham surgir. E e a onomasiologia que chega a nos revelar informacoes nao apenas da organizacao social e dos costumes de um povo, de seu contexto historico, mas tambem da natureza psicologica das escolhas dos falantes.

RIVA, H. C., XATARA, C. M. The idiomatic language organized in dichotomic pairs. Alfa, Sao Paulo, v.49, n.2, p., 2005.

ABSTRACT: This study presents the peculiarities of a proposal for a Brazilian Portuguese idiotas dictionary from an onomasiological perspective. Idiotas were organized in ten pairs of dichotomic concepts, analyzed as the most productive in Portuguese, from the phraseological point of view: 1. love/hate; 2. beauty/ugliness; 3. trust/betrayal; 4. knowledge/ignorance; 5. courage/fear; 6. happiness/sadness; 7. quickness/slowness; 8. wealth/poverty; 9. serenity/aggressiveness; 10. success/failure. The importance of the use of an electronic corporais also evidenced to demonstrate the idiota in a real context, taking into account the multifunctionality of the onomasiological course, which reveals information not only on the historical and social organization of apeople and their culture, but a/so on the psychological nature of the speakefs choices.

KEYWORDS: Onomasiology; lexicology; phraseology; idioms.

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XATARA, C.; OLIVEIRA, W. L. Dicionario de proverbios, idiornatisrnos e palavroes: frances-portugues/portugues-frances. Sao Paulo: Cultura, 2002.

Huelinton Cassiano RIVA (1)

Claudia Maria XATARA (2)

(1) Doutorando do Programa de Pos-Graduacao em Estudos Linguisticos--Instituto de Biociencias, Letras e Ciencias Exatas--UNESP--15054-000--Sao Jose do Rio Preto--SP --Brasil. Endereco eletronico: huelinton@yahoo.com.br

(2) Departamento de Letras Modernas--Instituto de Biociencias, Letras e Ciencias Exatas--UNESP--15054-000-Sao Jose do Rio Preto--SP --Brasil. Endereco eletronico: xatara@ibilce.unesp.br

(3) O projeto recebeu apoio da FAPESP--Proc. No. 01/11549-6.
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Title Annotation:Estudos de Linguagem
Author:Cassiano Riva, Huelinton; Xatara, Claudia Maria
Publication:Alfa: Revista de Linguistica
Date:Jul 1, 2005
Words:6344
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