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A institucionalizacao do ensino a distancia no Brasil: o caso da Graduacao em administracao na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

The Institutionalization of Distance Education in Brazil: the case of the Administration Course at University Federal of Rio Grande do Norte (UFRN)

1. Introducao

Por toda a parte o Ensino a Distancia (EaD) vem despontando nao apenas como um campo peculiar de um segmento com potencialidade global, mas tambem, como uma modalidade que transcende a utilizacao da metodologia, com possibilidade de alcancar grandes contingentes populacionais, em proporcoes exponenciais. O uso intensivo das Tecnologias de Informacao e Comunicacao (TICs) permite aplicabilidade e monitorizacao do processo de ensino-aprendizagem, de forma abrangente, como nunca antes vivenciada. Nesse contexto, buscando consolidar a modalidade no pais, foi criado em 2005 e oficializado em 2006 com o Decreto n. 5.800 -- pelo Ministerio da Educacao e Cultura (MEC), por meio do Forum das Estatais pela Educacao (composto pela Universidade Virtual do Brasil e a Associacao Nacional dos Dirigentes das Instituicoes Federais de Ensino Superior), o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). Principal aposta do Governo Federal no intuito de democratizar o ensino superior brasileiro, a UAB tem como meta ser um Sistema fundamentado no aprendizado pela internet, o eLearning, para proporcionar graduacao a professores e estudantes de localidades que nao possuem Instituicoes de Ensino Superior Publicas (IESP), visando oferecer graduacao gratuita aos 5.561 municipios brasileiros, permitindo que as 55 Universidades Federais e os 30 Institutos Federais de Educacao, Ciencia e Tecnologia garantam o ensino em todo o territorio (CAPES/ UAB, 2007).

E nessa realidade que as IESP se deparam com desafios a serem superados, pois, se por um lado as TICs vem promovendo um re-encantamento ao processo, por outro, sao relatadas dificuldades relacionadas ao seu uso e controversias quanto ao seu reconhecimento, fatores que demonstram que o EaD no Brasil ainda nao e uma pratica institucionalizada. Ao analisar os impactos da metodologia no meio academico, Belloni (2003, p. 15) comenta sobre as peculiaridades do contexto educacional enfocando que "[...] o campo da educacao e extremamente complexo e altamente resistente a mudanca". Essa afirmacao encerra uma reflexao sobre o papel das IESP na contemporaneidade, pois a evolucao do sistema educativo, como consequencia do desenvolvimento da sociedade, resultante de uma adaptacao inevitavel das pressoes exteriores do ambiente social, politico e cultural do qual faz parte, leva seu ambiente interno a ter o dominio ampliado para fora dos limites fisicos, redefinindo papeis, tendo em vista que o ensino e tambem processado aquem e alem de limites dos muros.

No contexto dos estudos organizacionais, uma das teorias que aborda a adaptacao das organizacoes frente as mudancas e transformacoes e a Teoria Institucional (TI). Ela procura explicar como as organizacoes surgem ou se tornam estaveis. Mais especificamente, investiga como praticas e padroes adquirem condicoes de valores e sao legitimados nas estruturas sociais. Em outras palavras, como sao institucionalizadas as entidades. Essa abordagem teorica identificou, em nivel macro, o isomorfismo institucional, isto e, a homogeneizacao de processos e estruturas das organizacoes que operam dentro de um mesmo campo, como forma de garantir a sobrevivencia, ou permanencia, por intermedio de legitimacao (DIMAGGIO; POWELL, 1992). Soma-se a esse processo, em nivel micro, a construcao de normas compartilhadas pelos atores individuais por meio de diferentes variaveis que interagem entre si, se constituindo na base da legitimacao das acoes (ESMAN, 1966; ESMAN; BLAISE, 1972). Os individuos, responsaveis pela execucao de tarefas e procedimentos, personificam e validam os principais modelos funcionais de operacao necessarios para a adequacao das entidades as demandas sociais, adicionando complexidade a situacao, pois essas interacoes internas, juntamente com os enlaces externos que levam as acoes isomorficas e as conduzem a um processo de homogeneizacao (DIMAGGIO; POWELL, 1983), nem sempre sao acoes publicamente antagonicas.

Dentro do conjunto das acoes propostas para implementar o EaD no Brasil destaca-se o Projeto Piloto da UAB do Curso de Administracao a distancia, que iniciou em junho de 2006 e teve suas primeiras turmas concluidas em dezembro de 2010. Esse projeto configura-se em um consorcio formado por 25 IESP, federais e estaduais, apoiado pelo MEC, UAB e o Forum das Estatais, por meio do Banco do Brasil (BB). Em relacao ao quantitativo atendido inicialmente, o vice-presidente de Gestao de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental do Banco contabilizou 14.000 alunos (sendo em torno de 7.000 oriundos da entidade) e o envolvimento de 18 Estados da Federacao (UAB, n.d.). Com base no escopo delineado, tracou-se como objetivo desse estudo descrever como esta ocorrendo o processo de institucionalizacao do Curso ofertado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Assim, foram identificadas as principais acoes isomorficas (anteriores e presentes), com vistas a sua legitimacao e utilizada a abordagem conceitual proposta por Esman (1972) para o entendimento das variaveis que influem nesse processo. Para tanto, elaborou-se, com base em Magalhaes (2004), uma survey fundamentada nas acoes previstas pelo Plano Politico-Pedagogico (PPP) do Curso.

O texto esta estruturado da seguinte forma: primeiramente e realizada uma reflexao sobre o EaD no Brasil, mapeando apenas questoes que cabem a compreensao do objetivo proposto. Posteriormente apresenta-se a TI e as formulacoes sobre os mecanismos isomorficos e o processo de institucionalizacao. Por fim, delineia-se a estrutura e os atores do Curso. As consideracoes finais trazem algumas reflexoes sobre o processo em estudo com vistas a contribuir a sua legitimacao.

2. Conceituando Ensino a Distancia no Brasil

Embora haja muitas formas de se definir o EaD, em essencia, a base da proposta esta no requisito da acessibilidade, aliada ao fator de que muitos dos recursos e metodologias podem ser combinados em aplicacoes sincronas (dependentes do momento, pois ocorrem em tempo real) e assincronas (independentes do tempo e que podem ser acessadas quantas vezes forem necessarias), aumentando o potencial da metodologia. Alguns autores como Cruz (2001) discutem se e mais adequado utilizar ensino ou educacao ao se referirem a metodologia, contudo, nao ha ainda consenso a respeito da aplicacao mais adequada dos termos, sendo usados indiscriminadamente. Perry e Rumble (1987 apud NUNES, 1994) e Belloni (2003) observam que ha muitas denominacoes utilizadas e assinalam a complexidade da questao, a falta de unanimidade em torno do tema e das experiencias, e a ausencia de uma reflexao teorica que fundamente as praticas realizadas. Por ser esse debate pertinente aos objetivos delineados, convem observar que este trabalho se posiciona pelo Parecer n. 5.622/05, artigo 80, do MEC, que define o EaD como

[...] uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem com a mediacao de recursos didaticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informacao, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicacao. (grifo nosso).

Registros indicam que os cursos em EaD foram implantados no Brasil no final do Seculo XIX, contudo e provavel que as primeiras experiencias no pais nao tenham sido devidamente anotadas quanto as suas datas. Talvez por isso, Belloni (2003) considere precaria a documentacao existente sobre o inicio formal de seu funcionamento, mas, ainda assim e possivel tracar um perfil historico recorrendo a algumas iniciativas, pois, de certa forma, um passo apos o outro, elas sinalizam como o processo vem sendo construido no pais. Particularmente falando do Rio Grande do Norte (RN), o estado desponta como pioneiro no atendimento dessa concepcao. A primeira iniciativa deuse por volta da decada de 1940, com a estruturacao da experiencia de maior destaque de difusao da educacao publica criada ate entao: o Movimento de Educacao de Base, (fundado pela Arquidiocese de Natal), que se distinguiu pela utilizacao do radio no ensino em um sistema articulado com as classes populares (NUNES; TEIXEIRA, 1998). A incursao seguinte se deu no inicio da decada de 1960, com o primeiro projeto desenvolvido pelo Governo Federal no pais com a utilizacao da televisao, o Projeto Satelite Avancado de Comunicacoes Interdisciplinares (Projeto SACI), elaborado pelo Instituto de Pesquisas Espaciais da UFRN. A terceira acao ocorre em 1991 com o desenvolvimento do segundo maior projeto na metodologia com o emprego de multimeios (radio, televisao e correspondencia), oportunizada pela UFRN e pelo governo do RN: o Projeto 8 Cidades.

Os cursos de EaD difundidos no Brasil ocorrem segundo a concepcao da Comissao da Uniao Europeia, a de aprendizagem aberta e a distancia. Suas acoes possibilitam relacoes ate entao ineditas, que utilizam simbolos na construcao compartilhada de significados codificados. E e nessa participacao que a cultura do EaD interfere de forma significativa no ensino tradicional, representando um paradigma emergente. Esse processo representa uma influencia nao tao pacifica e que reflete um campo de conflitos politicos e sociais, incorrendo na imposicao de dominacoes ou suscitando resistencias, por significar a redefinicao do papel do professor, do aluno e da IESP. Essa ponderacao implica em repensar essas entidades e nao limitar-se apenas as praticas educativas. A decorrencia de tal constatacao abre-se para mudancas culturais e institucionais, uma vez que transformam relacoes nao apenas entre docentes e discentes, mas ate entre saberes e regras institucionalizadas da acao de ensino- aprendizagem. Paralelamente a essa conjuncao, com vistas a sua institucionalizacao, o Governo Federal vem construindo uma pauta que, em um processo evolutivo, comeca a criar um contexto de acao proprio, propicio a formacao de um campo organizacional, rompendo limites com aspectos legais e burocraticos da normatizacao do ensino presencial.

Atualmente, em todo o pais, desenvolvem-se experiencias em EaD. No que tange a consolidacao da modalidade no Brasil, a pretensao do MEC e que por meio da UAB tenha sido contemplado, ou o quanto antes, 100.000 alunos com ensino superior ate o fim do ano de 2010. Conta para isso com infraestrutura e custos operacionais mais baixos do que no ensino presencial, pois atraves do estabelecimento de redes entre as instituicoes participantes, e ja sedimentadas no setor, permite o atendimento de individuos geograficamente distantes dos grandes Polos. Entretanto, embora o que se possa perceber nessa breve narrativa seja um processo em expansao, o EaD ainda e um fenomeno recente, quando comparado ao ensino tradicional.

3. Teoria Institucional

Decorrente da abordagem contingencial, a Teoria Institucional traz reflexoes sobre os elementos externos e internos, que motivam (ou pressionam) o processo de escolha dos atos organizacionais. Procurando explicar porque as organizacoes surgem, tornam-se estaveis ou transformam-se, assumindo determinados formatos, essa Teoria avalia fatores como ambiente, historia e tecnologia, investigando como a definicao de padroes assume a condicao de valores e adquirem legitimidade nas estruturas sociais. Para alguns autores (BERGER; LUCKMANN, 1996; TOLBERT; ZUCKER, 1999), a institucionalizacao e o resultado de um processo, feito por fases, que infere na estrutura organizacional e incorrera no desenvolvimento institucional. Ja para outros (DIMAGGIO; POWELL, 1983; SCOTT, 1995) e um mecanismo de mudancas e transformacoes nas organizacoes, um agente que influira de suas estruturas. E, para alguns outros, como Esman (1972), e um saldo da influencia positiva e afirmativa de algumas variaveis.

Assim, institucionalizar uma acao implica em iniciar um processo de transformacao e mudanca capaz de alterar uma conjuntura anterior em outra distinta. Na analise de Esman (1972), esse processo e obtido pela relacao de fatores exteriores e interiores a organizacao. Inicialmente tendo trabalhado como consultor para paises em desenvolvimento na United States Agency for International Development -- USAID, em 1966, o autor elaborou um modelo conceitual de construcao institucional aplicado pela entidade com popularidade nos anos seguintes. Desde essa primeira publicacao, o modelo ganhou contribuicoes, sendo que, no Brasil, o trabalho mais popularizado vem da parceria com Blaise. Os autores pontuam que o processo de institucionalizacao:

Has been accomplished when it can be demonstrated that the organization embodies social and technological innovations, that at least certain relationships and action patterns incorporated in the organization are normative both within the organization and for other social units, and the support and complementarity in the environment have been atteined (ESMAN; BLAISE, 1966, p. 5).

Esman entende a institucionalizacao das organizacoes como um fenomeno advindo de uma mudanca adaptativa requerida pelo ambiente. Propoe um modelo analitico, o institution-building process, compreendendo variaveis internas e externas para a conduta dos atores. Para Esman (1972), e necessario compreender qual o perfil de institucionalizacao que determinada entidade se encontra, pois nao ha como dizer, em termos absolutos, quando ela se tornou institucionalizada. Assim, propoe certos criterios (Figura 1) que, ao serem analisados, identificam qual a tendencia de institucionalizacao dessa entidade.

[FIGURA 1 OMITIR]

A ideia fundamenta-se no desenvolvimento organizacional, em que o cerne da explicacao e revelar como as variaveis, que nao se comportam esta ticamente, identificam o carater institucional da organizacao, solidificando um sistema social, fruto de contingencias dos diversos contextos ambientais. Essas variaveis permitem identificar os elementos que podem estar coibindo ou coadjuvando no processo.

A questao geral a proposito das variaveis internas, ou institucionais, e explicar o comportamento da instituicao. Se o objetivo e compreender os elementos que abordam os arranjos informais em torno de estruturas e regras para que as metas sejam atingidas, as reacoes a serem estudadas estao relacionadas aos fatores como doutrina, estrutura interna, lideranca, programa e recursos, que sao, de acordo com o autor, o sustentaculo do funcionamento evolutivo interior. A variavel doutrina e definida como "[...] the specification of values, objectives, and operational methods underlying social action". (ESMAN, 1972, p. 22), ou seja, uma exigencia para o dominio das mediacoes inevitaveis dos atores institucionais. Se o objetivo e determinar os processos relacionados para operacao e manutencao da instituicao, relaciona-se a variavel estrutura interna, pois ela estabelece a consistencia, a adaptabilidade, o grau de complexidade, a relevancia da eficiencia organizacional, os niveis de decisao que dirigem a acao e o tipo de funcionamento exigido para a coexistencia bem-sucedida do desenvolvimento.

A variavel lideranca e considerada o elemento critico do processo. E explicada como o conjunto de pessoas engajadas em formular a doutrina e o programa e que se relacionam diretamente com o ambiente, exercendo influencia continua sobre as atividades. O entendimento da variavel programa assimila o conjunto de atividades desenvolvidas para concretizar rotinas e padroes de comportamento das instituicoes, pois sao "[...] those actions which are related to the performance of functions and services constituting the output of the institution". (ESMAN, 1972, p. 23). A variavel recursos analisa os elementos necessarios a concretizacao do programa, tais quais: entradas financeiras, fisicas, tecnologicas, humanas e de informacoes, bem como fundos, equipamentos e instalacoes. Em suma, dados funcionais que trazem a instituicao um sistema que oferece garantias as suas operacoes formais.

Esman (1972) explica as variaveis externas como as caracteristicas que possibilitam a instituicao interagir com o ambiente por meio de vinculos (elos institucionais) e transacoes. Veem-se as interdependencias existentes, entre uma instituicao e outros segmentos relevantes da sociedade, como relacoes exogenas as organizacoes, que proporcionam uma regulacao social capaz de oferecer perspectivas de intervencao e orientar seus funcionamentos coletivos. Os vinculos sao padroes de interdependencia que existem entre organizacao e ambiente. Sao sugeridos quatro: capacitadores, funcionais, normativos e difusos (na analise dessa pesquisa esses vinculos foram compactados e estabelecidos apenas como vinculos). As transacoes, sao a mesma quantidade: "(1) gain support and overcoming resistence, (2) exchanging resources, (3) structuring the environment, and (4) transfering norms and values" (ESMAN, 1972, p. 22-23).

De acordo com Esman (1972), de um modo geral, tanto quanto em outras organizacoes essas variaveis podem ser observadas nas instituicoes de ensino. Contudo, ele ressalta, bem como Magalhaes (2004), que as particularidades das atividades basicas desenvolvidas por universidades como pesquisa, ensino, armazenamento e disseminacao, reforcam o envolvimento social dos atores internos com os membros da comunidade, fazendo com que trabalhem juntos e firmem ligacoes entre si, favorecendo os vinculos que levam a institucionalizacao. Em face dessas colocacoes, e preciso observar que como em nenhuma outra, as instituicoes educativas mantem uma relacao de conflitualidade permanente, endogena e exogena, com o ambiente, pois elas sao, ao mesmo tempo, fornecedoras de mao de obra para o mercado, fontes de pesquisa e extensao, educadoras, adestradoras, palanques politicos e ambientes de trabalho dos atores que as fazem funcionarem, com seus proprios interesses e subjetividades. A analise de Magalhaes (2004, p. 155) evidencia essa dualidade: "[...] nada na vida de uma instituicao escolar acontece, ou aconteceu, por acaso, tanto o que se perdeu ou transformou, como aquilo que permaneceu". Assim, ao apresentar em sua estrutura cursos a serem desenvolvidos por meio virtual, uma universidade passa a ter disposicao e caracteristicas paralelas, cuja infraestrutura oferece servicos e recursos on-line que se comportam, mais ou menos, como os mecanismos de uma entidade paralela. Destarte, o que fica evidenciado e que essa composicao apenas permanecera se o processo de institucionalizacao, defendido como "the planning, structuring, and guidance of new or reconstituted organizations" (ESMAN, 1972, p. 22), obter suporte e complementaridade do ambiente.

Ampliando o foco de analise, na abordagem do novo institucionalismo considera-se que o elemento fundamental para a adequacao social seja o isomorfismo, que significa a conformacao das organizacoes para um formato considerado legitimo em um determinado ambiente institucional. Sobre esse contexto, Scott (1995) ressalta que as semelhancas presentes nas caracteristicas estruturais das organizacoes de um mesmo campo organizacional poderiam explicar o porque de praticas e estruturas das universidades serem ana logas. DiMaggio e Powell (1983) tambem abordam essa questao, delimitando-a como isomorfismo: um processo pelo qual as organizacoes passam a adotar as mesmas estruturas e praticas levando-as a uma homogeneizacao das unidades dentro de um contexto social. Ou, em suas palavras: "[...] um processo coercitivo que forca uma unidade na populacao a se parecer com outras unidades que encontram o mesmo conjunto de condicoes ambientais" (DIMAGGIO; POWELL, 1992, p. 66). A ideia dirigente desses autores consiste que a principal motivacao para que as organizacoes busquem se assemelhar estruturalmente as demais deriva mais de motivos contingenciais (que conduzem a legitimacao) do que os economicos (DIMAGGIO; POWELL, 1983; 1991), pois a reproducao de processos, praticas e rotinas que tem como finalidade a melhoria do desempenho e sao considerados como sucesso em outras entidades e pratica comum, tanto em organizacoes do setor privado quanto do publico.

No que concerne a classificacao dos tipos de isomorfismo, diferenciamse duas categorias: o competitivo, que diz respeito ao fenomeno, ligado a busca da eficiencia, e segundo Hannan e Freeman (1977 apud SCOTT, 1995), e o resultado de pressoes competitivas que forcam organizacoes a adotarem formas mais adequadas a sua sobrevivencia; e o institucional, definido por DiMaggio e Powell (1983), que conduz efetivamente ao processo de institucionalizacao por ser relacionado a homogeneizacao de praticas, procedimentos e estruturas por parte de organizacoes. O fenomeno denominado isomorfismo institucional (SCOTT, 1995) e desenvolvido por meio de tres mecanismos de mudanca: coercitivo, mimetico e normativo. As acoes relacionadas ao isomorfismo coercitivo sao praticas, estrutura, politicas e cerimonias, influenciadas por pressoes externas, formais e informais, advindas de outras organizacoes com as quais a entidade mantem relacao de dependencia ou, ainda, de expectativas advindas da sociedade em que a mesma esta inserida. O isomorfismo mimetico refere-se a uma acao-resposta padrao de uma entidade as incertezas do ambiente, fazendo com que busque outras referencias de estruturacao e modelos de atuacao que possam ser reproduzidos/copiados; portanto, regras e estruturas tendem a se assemelhar a outros modelos devido a duvidas e inseguranca que a acompanha no meio que atua. As relacoes de como determinados individuos formadores de percepcoes e opinioes e reconhecidos como possuidores de conhecimentos especializados desempenharao suas atividades dentro de uma organizacao e o que identificara acoes de isomorfismo normativo.

Assim ocorre com as atividades e acoes executadas das e nas IESP no Brasil, levando a legitimarem sua existencia e, mais especificamente, os principais modelos funcionais operacionais necessarios para implementar valores. Pode-se dizer que ao objetivar a legitimacao e a aceitacao social, as IESP procuram aproximar suas acoes e estruturas aos padroes tidos por corretos socialmente, em um processo inerentemente isomorfico (SCOTT, 1995). Essa conformidade, para as IESP, e buscada no sentido de garantir sua sobrevivencia, via melhoria do relacionamento e reconhecimento da sociedade, tendo precedencia sobre o desempenho organizacional propriamente dito (MEYER; ROWAN, 1991). Ademais,

[...] das atribuicoes e dos papeis que cabem e sao esperados dos atores, [...], tal como sao consignados nos regulamentos internos e nos normativos gerais, nao informam, nem permite inferir sobre o grau de empenho e o norte da acao. (MAGALHAES, 2004, p. 146).

Tornando-se um desafio, pois sao "[...] as acoes e os destinos de vida dos participantes [...]" que, especialmente, "[...] dao corpo e significado as realizacoes institucionais" (MAGALHAES, 2004, p. 146).

4. Metodologia

Por levar em consideracao aspectos historicos e suas inter-relacoes temporais frente a eventos que se sucedem, configura-se em uma pesquisa de natureza qualitativa, ainda que faca uso de metodos quantitativos de analise. Assim, o estudo foi concebido com finalidade exploratorio-descritivo (MALHOTRA, 2005). Exploratorio, na medida em que se voltou inicialmente a especulacao das caracteristicas de um fenomeno conhecido superficialmente, e descritivo, apoiando-se em Bruyne, Herman e Schoutheete (1977), que ressaltam que essa tecnica deve estear-se em conceitos e ser guiado por um esquema teorico, o que ela o faz, com a utilizacao de um modelo de analise consolidado de Esman (1972). A abordagem metodologica identificada como adequada foi a survey, pois e indicada quando o objetivo e a descricao de eventos por meio da coleta de dados estruturada (MALHOTRA, 2005).

Ao iniciar a revisao bibliografica, constatou-se uma producao academica e cientifica voltada aos processos de institucionalizacao adotando o estudo de caso, conforme salientam Scott (1995), Tolbert e Zucker (1999) e Machado-da-Silva e Goncalves (1999). Como se pretendeu classificar a importancia das variaveis de institucionalizacao para cada grupo de atores, averiguou-se que as respostas teriam mais acuidade com um metodo quantitativo. Para realizacao da pesquisa de campo, a populacao selecionada foram os atores do Curso de Administracao a distancia da UFRN, apresentados no Quadro 1.

A caracteristica mais importante da amostra foi definir os principais sujeitos que participam ativamente do processo no contexto academico da UFRN. Para tanto, o estudo fundamentou-se em Magalhaes (2004) que defende uma argumentacao centrada em torno de alunos e professores. Assim, por terem como atribuicoes apenas tarefas nao muito proximas da atividadefim do Curso, a funcao de secretaria nao foi elencada. Os sujeitos foram deliberados por universo amostral e por conveniencia, excetuando-se os coordenadores (censitario). O metodo de amostragem foi estratificado em dois niveis de estagios (Figura 2).

[FIGURA 2 OMITIR]

O criterio de conveniencia escolhido para realizar o estudo nas amostras deu-se de acordo com a disponibilidade dos entrevistados, portanto, fezse necessario conhecimento previo sobre a distribuicao da populacao da pesquisa, obtido com a coordenacao do Curso. A amostra do grupo dos discentes foi estabelecida com nivel de confianca de 95% e erro amostral de 6%: Para os "nao discentes", o nivel de confianca foi 95% e o erro amostral de 8%. Ambas as amostras foram constituidas por meio do calculo proposto por Martins (1992):

[EXPRESION MATEMATICA IRREPRODUCIBLE EN ASCII]

A demarcacao da amostra do grupo "alunos" sopesou a variavel area geografica, sendo estabelecida mediante o criterio de estarem lotados no mesmo Polo. Quanto ao grupo "nao discentes", o criterio de subdivisao foi determinado de acordo com o papel exercido. O Quadro 2 apresenta a relacao final do universo amostral.

O presente estudo envolveu a coleta de dados de duas fontes, tendo sido iniciado pelas secundarias. Esse 1 passo consistiu na compilacao de informacoes ja disponiveis, dando-se por meio de pesquisa bibliografica e documental, tais como o PPP e o site do Curso, ocorrendo no periodo de agosto de 2008 a marco de 2009. Devido a constatacao de conseguir informacoes nao disponiveis nos instrumentos descritos foi implementada como base de dados primarios uma survey, cujo questionario, elaborado e fundamentado no PPP do Curso, por ser, segundo Magalhaes (2004) um instrumento de identidade da organizacao. Constituido por 39 perguntas fechadas, dentro da escala de Likert, de cinco pontos, nao contemplou respostas evasivas e constou de duas partes: caracterizacao sociodemografica e evidenciacao das variaveis isomorficas e identificacao dos fatores que contribuem a institucionalizacao do Curso. Sua aplicacao foi realizada de abril a julho de 2009, e sua tabulacao e analise se deram por meio do aplicativo estatistico SPSS.

Assim, para os dados secundarios foi utilizada a analise documental e empregada a analise descritiva para delimitar caracteristicas isomorficas; para a analise das variaveis nominais e continuas e para as questoes sociodemograficas, utilizou-se estatistica descritiva; e, para se obter a classificacao das respostas por nivel de amostra e poder verificar divergencias, foi utilizada a Analise de Variancia (Anova) de N fatores -- essa opcao deveu-se ao intuito de determinar quais as variaveis do modelo de analise de Esman (1972) que influenciam na institucionalizacao do Curso. Por fim, devido a Anova nao identificar onde se encontram especificamente as diferencas, foi utilizado como teste de acompanhamento o de Tuckey, por ser, segundo Hair (2005), apropriado para pesquisas em Administracao.

5. Apresentacao do Curso e Discussao dos Resultados

O Curso de graduacao em Administracao a distancia iniciou como um projeto piloto, fruto de uma proposta formulada pelo MEC com o apoio do BB, cujo papel nao se restringiu a ser de mero expectador e fornecedor de demandas (MENELAU et al., 2008). Analisando declaracoes, foi possivel constatar que alem de ter desenvolvido o cerne do projeto e de coloca-lo a disposicao do MEC, o Banco tambem negociou com as IES federais e estaduais. A ideia inicial, como comenta Luiz Souza, do BB, era a de ter um estado por regiao. Contudo, ele expos as dificuldades: "Atrasamos esse piloto para podermos coloca-lo em todos os estados, mas infelizmente algumas universidades nao deram resposta. Entretanto, o Banco vai continuar insistindo nas negociacoes com essas instituicoes" (<http://www.universia.com.br/> Acesso em: 25 ago. 2007). Corroborando com essa afirmacao, para o curso piloto foram inscritas apenas 17 Universidades Federais, representando apenas 38,64% do total, que se somaram a mais sete estaduais, correspondendo a 22,58% de instituicoes por essa dependencia administrativa, na data de sua criacao (http://www.inep.gov.br/>. Acesso em: 25 ago. 2007). Pelo projeto piloto inicial cada instituicao atenderia um numero minimo de 500 alunos, oriundos do BB, de outros bancos publicos e alguns parceiros de entidades publicas, ainda no primeiro semestre de 2006.

Portanto, a politica para formulacao do Curso partiu de um problema concreto de interesse do BB que almejava qualificar cerca de 35.000 funcionarios que nao possuiam nivel superior, e do Governo, que pretendia avaliar um curso de graduacao a distancia com abrangencia nacional. Assim, financiado parcialmente pelo BB, a ideia do projeto e a de que o Curso atendesse em torno de 10.000 alunos e que fosse o mesmo para todo o pais, tornandose um desafio para as instituicoes participantes, haja vista as diferencas curriculares entre as suas propostas de ensino (MENELAU et al., 2008). Na UFRN, o PPP do Curso sinaliza que sua criacao e oriunda do atendimento de uma politica do Governo para ampliacao do acesso ao ensino superior e a formacao de servidores publicos. Consta tambem que seu invento se deve a necessidade de atendimento a estudantes residentes em regioes sem IESP.

De acordo com Menelau et al. (2008), na UFRN a oferta do Curso se da sob a batuta e supervisao da Secretaria de Educacao a Distancia da UFRN (SEDIS), que e responsavel ainda pelo desenvolvimento de mais quatro cursos de graduacao em Licenciaturas. Os cursos fornecidos pela SEDIS sao ministrados por multimeios, destacando-se o ambiente virtual de aprendizagem (moodle). O Curso da UFRN comecou a ser oferecido apenas no 2 semestre do ano de 2006, mediante parceria entre o MEC, a entidade e as Universidades de Pernambuco e a Federal de Santa Catarina. Inicialmente, estreou suas atividades com 596 alunos. Apos o primeiro semestre letivo o numero caiu aproximadamente 15%, tendo, no inicio do ano de 2007, 507 alunos regularmente matriculados. Atualmente, tem inscrito aproximadamente 66% do montante inicial, ou seja, 392 alunos, sendo, em sua maioria, ingressos do BB. A estrutura fisica conta com cinco Polos de apoio ao atendimento presencial, acesso a plataforma e suporte as aulas virtuais distribuidos nos Municipios de Caico, Mossoro e Natal -- no RN; e em Garanhuns e Recife - em Pernambuco. A coordenacao do Curso dispoe de apoio tecnico e pedagogico, disponibilizada pela SEDIS. A todas essas operacoes vem acrescentar o esquema formal para execucao das atividades, previsto com hierarquia de competencias (Quadro 3).

Na investigacao inicial, foi possivel constatar algumas incongruencias no dimensionamento da equipe, conforme previsao do PPP: 1) o Polo Natal nao tem coordenador proprio, bem como o de Garanhuns e o coordenador geral (lotado na UFRN) acumula funcoes, pois tambem exerce o oficio de coordenador do Polo Natal; 2) os coordenadores dos Polos nao sao todos oriundos da UFRN, sendo dois advindos de uma das instituicoes parceiras (UPE); 3) os Polos Caico, Garanhuns e Natal nao tem secretarias academicas proprias e a secretaria geral (em Natal) ajunta a funcao de secretaria academica deste Polo; 4) quanto a funcao professor, o Curso nao conta ainda com quadro fixo proprio, sendo os professores dos cursos presenciais da UFRN. Essas constatacoes, sem duvida alteram a dinamica esperada das ligacoes de trabalho, pois se tratam do equilibrio das relacoes entre os atores. A elas, somam-se ainda dois efeitos perversos a legitimacao da funcao de identidade do Curso. A primeira refere-se a construcao e incorporacao de valores e significados comuns em pessoas que apesar de formarem, oficialmente, parte do mesmo grupo, nao participam, de forma sincrona e coletivamente, das experiencias, por fazerem parte de estruturas fisicas, locais, departamentos e instituicoes com diferentes normas, regras e procedimentos. A segunda esta em torno da participacao de professores e coordenadores. O sistema UAB estabelece bolsas, depositadas como um montante extra em seus salarios. Essa acao, ao contrario de beneficiar a institucionalizacao do Curso vai de encontro a logica de acao legitima ao estabelecer um valor monetario e nao admitir o reconhecimento do exercicio da funcao como hora aula docente, prevista nas relacoes contratuais desses profissionais.

No que concerne ao perfil do grupo dos discentes, a maior parte, 75,1%, esta lotada nas capitais e nao nas demais cidades, nao incorporando a definicao do UAB, prevista no artigo 1 do Decreto 5.800/96, do qual o Curso faz parte, que diz que esse deve ser um Sistema voltado "[...] para o desenvolvimento da modalidade de educacao a distancia com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educacao superior no Pais" (grifo nosso). O perfil geral de distribuicao dos alunos indica que a populacao masculina e maioria na composicao total deste grupo, 73,4%, o mesmo acontecendo nos Polos individualmente. Em relacao a faixa etaria, a maioria tem idade entre 41 e 50 anos, representando um percentual de 41,8%, o que indica a disposicao dos cursos praticados a distancia que, apesar de esforcos, continuam atendendo, em sua maioria, a pessoas que necessitam de ensino em condicoes diferenciadas. Ressalve-se, que o segundo maior quantitativo desse subgrupo e composto por pessoas em idade entre 21 e 30 anos, implicando em 21,5% da amostra.

Quanto a escolaridade anterior ao Curso no grupo dos discentes, apenas 11,1% tem graduacao completa, o que condiz com os objetivos formulados pelo consorcio de proporcionar capacitacao aos funcionarios do BB e demais organizacoes. Registre-se aqui que os dados icados por esta pesquisa, no que se refere a escolaridade, quando comparados entre si nao refletem desigualdade no nivel de ensino dos alunos dos cinco Polos e que, por outro lado, duas peculiaridades se apresentaram: todos os alunos que informaram ter pos-graduacao completa estao lotados em Caico e, o segundo maior percentual de alunos com graduacao anterior ao Curso (18,2%) situase em Garanhuns, e nao em Recife, uma das duas capitais, ainda que a maioria do alunado com ensino superior completo (18,4%) esteja em Natal. Apesar de o Curso na UFRN ser formado por uma unica turma piloto, 77,4% dos alunos relatou nao ter frequentado desde o inicio, tendo apenas 22,6% declarado estar desde o principio do Curso e 4,2% ter afirmado que estuda ha apenas 1 e 2 anos. O estudo refletiu que 100% dos alunos ingressaram por meio de um processo seletivo, o que denota uma contribuicao a institucionalizacao e um indicador favoravel a variavel lideranca (ESMAN, 1972).

Analisando as informacoes sobre a renda mensal individual dos alunos, a fatia de renda acima de R$ 2.500,00 foi a que recebeu maior percentual de pessoas, seguido por 15,3% das que trabalharam com renda acima de R$ 1.500,00 ate R$ 2.000,00. Portanto, no conjunto dos cinco Polos pesquisados, constata-se que, independente da qualificacao atual, mais da metade dos alunos estao situados entre as classes A e B, segundo classificacao do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica -- IBGE (2009). Ao tracar um paralelo entre qualificacao e renda, foi apurado que 73,9% dos alunos tem como escolaridade nivel superior incompleto e renda acima de R$ 2.500,00.

No grupo dos "nao discentes", a distribuicao geral por cargos corresponde ao que foi escalonado no PPP e ha predominancia do sexo feminino (58,7%). Ao nivel da distribuicao por idade, quando se tem uma visao geral do conjunto, as faixas etarias nao apresentam nenhuma incoerencia, bem como a escolaridade registrada. Quanto a dinamica de contratacao, ela esta atrelada a articulacao dos atores e a interacao entre seus pares. As coordenacoes, geral ou de Polo, juntamente com professores e monitores repousam nessa premissa. Ja a de tutor se apoia nos principios de definicao de uma estrutura formal organizacional, seja ela uma instituicao academica ou nao: a ocupacao do cargo por selecao e por merito. Se, por um lado, a institucionalizacao contribui para a integracao entre os subgrupos, por outro, o que aqui se apresenta e a confrontacao das regras institucionalizadas pela IESP e pelo ambiente externo do qual o Curso faz parte que, de acordo com Esman (1972), podera se traduzir na construcao negativa da doutrina, fundamental para a consolidacao dos valores e da coesao entre os individuos e tambem refletindo negativamente na variavel lideranca e nas interacoes do Curso com o ambiente externo.

Uma funcao merecedora de que sejam feitas algumas consideracoes e a de monitores. A dinamica do Curso preve dois individuos por disciplina, o que resultaria em um percentual maior ao apresentado por esta pesquisa. Contudo, um importante contexto relacional foi criado entre eles e os professores, diminuindo o turnover e ampliando sua participacao no Curso. Essa acao demonstra que foram criados parcerias e vinculos afetivos, que contribuem para a sedimentacao dos valores, habitos e rotinas necessarias a institucionalizacao. Analisando o tempo de vinculo empregaticio apresentado pelo grupo dos nao discentes e comparando-o com o perfil profissional, pode-se observar que os dados condizem com o previsto pelo PPP, ou seja, os monitores situam-se em uma faixa de tempo que vai de um ano ate o tempo total do Curso, o vinculo dos tutores e dos coordenadores esta concentrado no tempo de duracao do Curso, e os professores que participam (ou participaram) apresentam um tempo consoante a sua contratacao. O peculio declarado pelos professores e coordenadores assinala que 100% situam-se na classe A -, segundo o IBGE (2009). Essa informacao permite inferir que suas participacoes nesse Curso podem nao ser apenas decorrentes do aumento salarial. Para os demais, tal qual no grupo dos alunos, as informacoes sobre escolaridade e renda nao associa a alta remuneracao ao tempo de permanencia do individuo na escola: quem declarou ter ensino superior completo, 100%, recebe menos de R$ 1.000,00. Portanto, dos resultados ate aqui apresentados verificam-se as variacoes complexas do ambiente interno.

Em dois pontos especificos na analise do perfil dos alunos, os resultados devem ser ressaltados como nao favoraveis a institucionalizacao do Curso. O primeiro se refere a localizacao: o perfil identificado contraria a recomendacao do artigo 80 da Lei 9.394/96, que preve veiculacao de "programas de ensino a distancia". Programas, no que se alude ao jargao da Administracao Publica e ao Poder Publico, sao iniciativas para atender demandas especificas, o que, no caso do EaD, corresponde a pessoas que estao em regioes com deficiencia de ensino, o que nao foi constado por este estudo, influenciando negativamente a variavel vinculos. O segundo ponto corresponde ao tempo de entrada dos alunos. Para que haja apropriacao e incorporacao dos valores e simbolos, importantes elementos presentes na composicao da variavel doutrina, faz-se necessario que os atores se apropriem desses componentes. O que somente se dara por meio da participacao de rotinas, habitos e padroes do cotidiano compartilhado, cuja articulacao de um curso a distancia (devido ao proprio Sistema) nao favorece a formacao de uma identidade, configurando esse ponto como um fator desfavoravel, de acordo as premissas adotadas por este estudo para analise da institucionalizacao.

E possivel constatar que no Curso foram adotadas praticas, procedimentos e estruturas analogas a outras entidades que abracaram os cursos de EaD da UAB. Dessa forma, destacam-se nessa pesquisa as tres tipologias de acoes isomorficas, propostas por Powell e Dimaggio (1983; 1992). Percebese que uma das primeiras acoes isomorficas presentes no Curso e a sua criacao em si e, concomitantemente, sua instalacao na UFRN. A parceria entre o Banco do Brasil e o MEC seguiu, primeiramente, a recomendacao politica do Banco Mundial para que a educacao superior a distancia dos paises do sul acontecesse mediante a participacao de outros setores, pois deveriam "[...] colaborar com o setor publico para introduzir a tecnologia nas escolas e universidades" (BANCO MUNDIAL, 1999, p. 87). Verifica-se, quase 10 anos depois, a consolidacao dessa recomendacao, pois a proposta de validacao do Curso, em nivel nacional, ocorreu em 2009 e as inscricoes foram abertas para a populacao em geral. Especificamente relacionado ao objeto de estudo dessa pesquisa, a fundacao do Curso -- caso claro de isomorfismo normativo -- se deveu ao atendimento de uma demanda politica do Governo Federal para ampliacao do acesso ao ensino superior na regiao, como assinalado no PPP. A propria adesao da UFRN ao Curso toma o formato de uma acao induzida, de modo a proporcionar a entidade um formato considerado legitimo. Pioneira no uso de tecnologias aplicadas a educacao, a UFRN e uma das poucas IESP no Brasil que possui experiencia com a modalidade anterior ao UAB, contudo, nao estava entre as primeiras a se comprometer a veicula-lo. Sua entrada apenas se deu no segundo semestre do ano de 2006, caracterizando-se uma acao nos moldes do isomorfismo mimetico.

Duas questoes foram inseridas no questionario, direcionadas a descobrir similaridades entre a estrutura do Curso da UFRN e os demais da UAB e outra relacionada a sua similitude e os demais presentes no ambiente. Quando a pergunta se direciona a homogeneizacao das praticas dentro do projeto, 40% dos respondentes nao sabem afirmar se o que acontece no Curso tem relacao com o que acontece nas outras IESP. Desse total, 47,1% corresponde aos alunos. Por outro lado, no grupo "nao discentes", 58,7% fazem o diagnostico que essa acao tem acontecido. Bem, se for considerado apenas o resultado apurado no grupo dos nao discentes, o que se confirma e o estabelecimento de um contexto favoravel, uma rede integrada entre as IESP participantes do projeto do Curso, essencial a legitimacao no ambiente. Essa rede de informacoes, praticas e cooperacao conduz ao exito do projeto e se constitui em uma acao de isomorfismo normativo. Essa similaridade que o UAB esta buscando estabelecer entre as IESP, tal qual ocorreu na Inglaterra com a Open Universty, podera proporcionar um ambiente favoravel a institucionalizacao do Curso e, consequentemente, da modalidade.

Quando a pergunta direcionou-se a apurar, se ha similaridade entre o Curso e os demais praticados no ambiente por outras instituicoes escolares, 85,6% da populacao concordam que esta em conformidade com os demais dos quais tem conhecimento. E oportuno salientar que esse diagnostico implica que esta havendo a criacao de uma cultura de EaD no Brasil, pois e possivel a esses participantes, em algumas atividades, medir e comparar. Essa dinamica aceita pelos individuos pesquisados reflete o alcance de uma significacao comum e, e bem verdade, resultado de um mecanismo normativo, advindo, a priori, de uma regulacao do Estado e do proprio ambiente. Contudo, essa descoberta pode ser vista positivamente para a construcao da institucionalizacao deste Curso, e dos demais oferecidos no Brasil, pois e a confirmacao de um processo de mudanca em andamento: nao apenas o sistema presencial e reconhecido, mas tambem o sistema de EaD.

Na analise das variaveis internas, a variavel doutrina foi a que apresentou o melhor resultado. A media geral obtida dos entrevistados significa concordancia plena com o perfil adotado pela gestao em sua conducao, ou seja, os respondentes se identificam com os valores que estao sendo implantados pela linha de acao do Curso, segundo a proposta de Esman (1972). Na variavel estrutura interna, a media auferida indica que a maioria concorda com a concepcao estrutural de suporte do Curso, excetuando o metodo escolhido de avaliacao dos alunos, presencialmente -- o que nao e uma exclusividade deste Curso e, sim, uma imposicao universal da politica adotada pelo MEC aos programas de EaD no Brasil. Portanto, pode-se considerar que estrutura interna tambem conta com a aprovacao. Para o exame da variavel lideranca, foram solicitadas apenas as opinioes dos nao discentes para julgar elementos que permitem a viabilidade e continuidade do Curso, por meio das acoes adotadas pela gestao, como tambem a competencia dos atores. O obtido sugere que os participantes demonstraram que muitas das informacoes auferidas eram desconhecidas. Aqui cabe ressaltar que essa variavel e considerada por Esman (1972) como condicionante ao sucesso da institucionalizacao. Para averiguacao da variavel programa foram elaboradas questoes sobre o modus operandi, investigando aspectos inerentes as atividades desenvolvidas na pratica do metodo de ensino-aprendizagem. As respostas obtidas com os discentes alternam entre a demonstracao de total desconhecimento de instrumentos de avaliacao do grupo dos nao discentes e a aprovacao incondicional da desenvoltura da atuacao deles. Isso implica na probabilidade de que entre as acoes previstas e as executadas exista ou um gap, ou uma falha comunicacional. No estudo da variavel recursos, os atores avaliaram os instrumentos utilizados pela gestao para viabilizar o Curso. Os resultados expoem que a elevacao de sua media geral se deve, unica e especificamente, a utilizacao da internet. Na contramao, o fator que definitivamente conformou a essa variavel um resultado negativo foi a aversao, de ambos os grupos, pela utilizacao de material impresso. Esse resultado reforca a importancia do uso das TICs na popularizacao e legitimacao da modalidade.

Por fim, os atores analisaram a variavel externa vinculos-intercambios, que expos que muitos dos fatores perguntados sobre interacoes, trocas e permutas com o ambiente eram desconhecidos aos dois grupos. Esse resultado pode, a medio e longo prazo, conduzir essa iniciativa a um baixo grau de apropriacao, que podera findar em mais uma acao fragmentada da modalidade, de acordo com as premissas adotadas pelo estudo. Ha ainda, em relacao a analise das variaveis, uma ressalva: a ausencia de atividades de pesquisa e extensao para os alunos. Previstas no PPP, tanto os nao discentes quanto os alunos indicaram nao saber sobre tais atividades. Com isso, pensar no Sistema UAB como uma universidade virtual coincidira no mesmo plano de reflexao de permanecer chamando a modalidade de educacao.

6. Consideracoes Finais

O trabalho buscou descrever como as acoes articulativas dos atores auxiliam ou dificultam a criacao de valores, simbolos e padroes compartilhados que irao conduzir a legitimacao de um novo modelo no ambiente, de acordo com a TI. Fixou-se como objetivo geral fazer uma descricao de como esta ocorrendo o processo de institucionalizacao do Curso de Administracao a distancia da UFRN. Diante disso, a explicacao fundamentou-se em autores da TI. Com base nesse escopo, Machado-da-Silva e Goncalves (1999) recomendam que os estudos institucionais facam uso do arcabouco teorico do velho e do novo institucionalismo para proceder a analise, e assim o foi, pois essa analise considerou o papel do ambiente nas acoes do Curso, identificando os tipos de isomorfismos presentes, mediante tipologia de estudo definida por Dimaggio e Powell (1983). Seguindo ainda sugestoes (SCOTT, 1995; TOLBERT; ZUCKER, 1999) adicionou-se nessa analise, tradicionalmente realizada por metodos qualitativos, tecnicas estatisticas quantitativas para captar as variacoes entre as acoes dos grupos.

Ficou evidente que a ampliacao do contexto dos cursos ministrados na modalidade a distancia esta confessadamente posta no sistema de educacao superior do Brasil, pois, o Governo Federal alem de amparar a modalidade com legislacao propria, cada vez mais implanta iniciativas nesse sentido. Essa atitude caracteriza-se como uma acao de isomorfismo normativo (DIMAGGIO; POWELL, 1992), nao apenas no ambiente da UFRN como tambem as outras IESP, envolvidas ou nao no Curso de Administracao a distancia. No horizonte das IESP essa e uma realidade que avanca destemidamente, com o intuito de aumentar a quantidade de vagas e de formandos e, assim, cumprir as determinacoes instituidas por agencias internacionais. Nesse processo encontram-se como metas a legitimacao da modalidade e do Curso de Administracao oferecido pelo UAB.

Com o intuito de ressaltar a resposta ao objetivo delineado, considerou-se por bem fazer distincao entre educacao e ensino, apesar de boa parte da literatura sobre EaD nao considerar ser necessario fazer a dessemelhanca. Segundo Magalhaes (2004), a acao educativa compreende um conceito amplo, de desenvolvimento do individuo por construcoes coletivas e individuais, articulada com os direitos sociais. Ja por ensino deve-se entender como a "[...] escolarizacao formal numa instituicao especifica [...]" (FETIZON; MINTO, 2007, p. 94), sistematizada na selecao de conteudos e metodos.

Portanto, o primeiro ponto no intuito de refletir em como esta se dando a institucionalizacao e determinar que, segundo o apurado por esta pesquisa e que tambem e estabelecido pelo Parecer n. 5.622/05, no artigo 80, o Curso vem se desenvolvendo de acordo com os preceitos de ensino a distancia e nao de educacao a distancia, como se convencionou chamar o Sistema como um todo.

Essa definicao e importante no sentido de enfrentar que o modelo que esta sendo adotado pelo Governo nao deve ganhar o escopo de um merito maior do que o colocado. Essa acepcao tambem traz outra implicacao, pertinente a institucionalizacao do Curso e da modalidade. Um contexto educacional que nao se desenvolve articulado por construcoes coletivas, ainda que possua regras e estruturas que tendem a se assemelhar, nao consegue institucionalizar praticas e/ou organizacoes (ESMAN, 1972), mesmo que advenha como uma modificacao adaptativa requerida pelo ambiente, pois sao os participantes (principalmente, os alunos) que legitimam a conjuntura (MAGALHAES, 2004). Nesse sentido, pode-se considerar que as IESP que atuam na modalidade de EaD ainda nao constituem um campo organizacional, conforme as premissas de Powell (2007), o que significaria o desenvolvimento de uma consciencia comum entre os participantes em, pelo menos, todos os principais pontos, representando assim a institucionalizacao da modalidade.

O segundo parametro a ser discutido e a criacao e o estabelecimento do Curso no contexto da UFRN. As evidencias mostram que essa iniciativa foi advinda de pressoes isomorficas, influenciada por constrangimentos externos, formais e informais, que resultaram em sua implantacao. A disposicao social e estrutural organizada em torno do EaD, especificamente neste Curso, nao e resultado de uma evolucao espontanea da instituicao: as regulacoes dominantes conduziram a entidade a essa mudanca. A pesquisa mostrou que apesar da UFRN ter sido pioneira na aplicacao de metodologias diferenciadas, a adocao do Curso se deu por meio de pressoes coercitivas e normativas do ambiente.

Entretanto, o conjunto de fatores isomorficos, tal qual sugerido por DiMaggio e Powell (1992) e apontado pelo estudo, fruto da regulacao do Estado, do proprio ambiente institucional da entidade, das exigencias da sociedade e dos organismos internacionais, alcancou uma significacao comum. E, diante disso, no momento, esses elementos podem ser considerados a favor da construcao de sua institucionalizacao, ainda que ajustes devam ser realizados no sentido de minimizar os embates cotidianos. Com relacao a esse aspecto, destaca-se a adocao, pelo Estado, de um novo modelo de ensino, sua legitimacao e posterior acao no intuito de institucionaliza-lo, com a criacao de um sistema protegido (UAB) e legalizado e a utilizacao de regras e procedimentos padronizados que, no estudo em questao, centrou-se na criacao e implantacao do Projeto Piloto do Curso e da utilizacao pelas IESP participantes de um PPP analogo em todas elas.

A ideia-chave de analise dos fatores que estao influenciando para mais, ou para menos, o processo de institucionalizacao do Curso foi estruturada no PPP. O instrumental utilizado para o alcance desse objetivo especifico foi o modelo de analise proposto por Esman (1972), adaptado, que em sua conceituacao original consiste em sete variaveis, internas e externas. Aqui, a investigacao se estruturou em seis (condensando as duas externas), utilizando-se a Anova para especular se uma ou outra variavel teria maior ou menor influencia no referido Curso. Contudo, antes de discorrer sobre essa analise em si, cabe um breve comentario sobre a investigacao da populacao. Os atores do Curso foram divididos em dois grupos, os "nao discentes" e os "discentes", e depois, subdividos por funcao (nao discentes) e por Polos (discentes). O objetivo dessa disposicao foi perceber se as variaveis de institucionalizacao de Esman (1972) teriam a mesma influicao nos dois conjuntos de atores.

Na investigacao das variaveis, verificou-se que os dois grupos de atores pesquisados tem diferentes pontos de vista para os elementos interpelados. Contudo, no grupo "nao discentes", o que se constatou e que, como em nenhuma outra combinacao, as respostas dos coordenadores se assemelhavam assaz as dos tutores. Isso leva a supor que esses dois subgrupos, com papeis mais perenes dentro do Curso, adotaram caracteristicas protetoras para os relacionamentos, padroes e normas implantados. O mesmo fenomeno, mas nao tao enfatico, pode ser observado nas respostas dos alunos lotados nos Polos das duas capitais. Da analise do modelo proposto por Esman (1972), o que se pode concluir e que apenas as variaveis internas doutrina e estrutura interna podem estar influenciando positivamente o processo de institucionalizacao do Curso. Por outro lado, o resultado encontrado as demais permite concluir que a institucionalizacao do EaD, por meio do Curso de Administracao, ao manter o rumo praticado ate o presente momento, pode ter dificuldade para alcancar os niveis de legitimacao necessarios para que seja vista como uma proposicao sedimentada pelo ambiente, segundo as premissas de institucionalizacao de Esman (1972) adotadas pelo estudo.

Entretanto, ao considerar que a analise se refere a um Projeto Piloto, ha de se cuidar para que os entraves apresentados, e contrarios a institucionalizacao do Curso de Administracao a distancia, sejam reconstituidos e que possam ser progressivamente substituidos por praticas e procedimentos respaldados por atores e ambiente. Por fim, esse estudo acredita que o conjunto das acoes que estao sendo implantadas e executadas favorece e potencializa o processo, e a ausencia de uma ou de outra implica na reversao dos progressos obtidos ate o momento no exito de sua institucionalizacao. Ademais, como bem colocam os autores da TI (DIMAGGIO; POWELL, 1992; SCOTT, 1995; TOLBERT; ZUCKER, 1999), toda mudanca implica em construcao e edificacao de novos simbolos, valores e na implantacao de uma nova rotina. A evidenciacao dessas verdades e a condicao sine qua non para o exito de um processo de institucionalizacao.

DOI: 10.5007/2175-8077.2011v13n29p173

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Sueli Menelau de Novais (1)

Antonio Sergio Araujo Fernandes (2)

(1) Doutoranda em Administracao pela Universidade de Brasilia -- UnB. Endereco: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciencias Sociais Aplicadas, Programa de Pos-Graduacao em Administracao (PPGA). End.: Av. Senador Salgador Filho, s/n -- Lagoa Nova, Natal -- RN. CEP: 59072-970 -- Brasil. E-mail: suelimenelau@yahoo.com.br.

(2) Doutor em Ciencia Politica pela Universidade de Sao Paulo -- USP Atualmente e professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte -- UFRN no Programa de Pos-Graduacao em Administracao. End.: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciencias Sociais Aplicadas, Programa de Pos-Graduacao em Administracao (PPGA). Av. Senador Salgador Filho, s/n -- Lagoa Nova, Natal -- RN. CEP: 59072-970 -- Brasil. E-mail: asaferna@uol.com.br.

Artigo recebido em: 05/08/2010. Aceito em: 22/11/2010. Membro do Corpo Editorial Cientifico responsavel pelo processo editorial: Gilberto de Oliveira Moritz.
Quadro 1: Populacao da pesquisa

                  Sujeito                     Quantidade

        Coordenador geral do Curso                01
Coordenadores dos Polos de apoio estrutural       03
                Professores                       22
                 Monitores                        10
                  Tutores                         16
         Secretaria geral do Curso                01
 Secretarias dos Polos de apoio estrutural        02
                  Alunos                         394
                   Total                         449

Fonte: Elaborado pelos autores

Quadro 2: Universo amostral da pesquisa

                  Sujeito                     Quantidade

        Coordenador geral do Curso                01
Coordenadores dos Polos de apoio estrutural       03
                Professores                       19
                  Tutores                         14
                 Monitores                        09
               Alunos Natal                      109
               Alunos Recife                      91
              Alunos Mossoro                      32
             Alunos Garanhuns                     22
               Alunos Caico                       10
                   TOTAL                         310

Fonte: Elaborado pelos autores

Quadro 3: Funcao e atividades dos atores do Curso

Funcao              Atividade

Coordenador geral   Acompanha e avalia o processo de execucao
do Curso            pedagogico e administrativo.

Coordenadores dos   Respondem pelo acompanhamento de estudantes e
Polos de apoio      tutores que compoem os Polos que sao responsaveis.

Secretaria          Exerce atividades como manutencao da plataforma,
academica           gestao de documentos e arquivos.

Professores         Responsaveis pelas disciplinas dos modulos,
                    podendo ministrar em algum outro novamente.
                    Disponibilizam-se para esclarecimento de duvidas
                    de estudantes e/ou tutores.

Monitores           Sao distribuidos dois para cada disciplina,
                    atuando como assistentes dos professores. Nao tem
                    permissao para modificar conteudos e linhas
                    pedagogicas.

Tutores             Estao distribuidos pelos Polos, atuando como elo
                    entre estudantes e instituicao. Sao facilitadores
                    da aprendizagem, pois elucidam duvidas de alunos
                    em relacao ao conteudo.

Fonte: Elaborado pelos autores
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Menelau de Novais, Sueli; Araujo Fernandes, Antonio Sergio
Publication:Revista de Ciencias da Administracao
Date:Jan 1, 2011
Words:10575
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