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A centralidade do cultural na cena contemporanea: evolucao conceitual e mudancas sociais.

O objetivo desta comunicacao e refletir sobre o sentido e as implicacoes do atual reordenamento das coordenadas do real a partir do axioma culturalista. Desde a primeira metafora agricola ate a presente configuracao global, o conceito de cultura sofreu varias transformacoes decorrentes do continuo processo de negociacao de seu status semiotico e epistemico, seu valor social e seu alcance politico e ideologico. A evolucao do seu significado, todavia, corresponde a consideraveis mudancas na configuracao de nosso real; o que torna a nocao de cultura um espelho discursivo no qual se refletem os desejos, os medos e as disputas da sociedade.

Por isso, no quadro deste trabalho, tentamos apreender e analisar algumas das etapas de evolucao do conceito e de seus desdobramentos sociais, politicos e subjetivos. Comecamos com a base etimologica do termo, procedemos a uma leitura critica do processo de sua politizacao e de culturalizacao da politica, apontamos os limites de sua instrumentalizacao para, no final, propor uma nova conceituacao mais condizente com o nosso momento historico e as injuncoes de nosso enraizamento geografico.

As armadilhas do substantivo

A consagracao do prisma culturalista, enquanto principal lente de projecao de nosso real, constitui uma mudanca radical em nossos paradigmas sociais, politicos e cientificos. Equivale, segundo Braganca (2000), a configuracao de um novo "universal", responsavel pela recomposicao de todas as nossas categorias mentais e redefinicao de nossos modos de percepcao, apreensao e interpretacao da maioria das manifestacoes existenciais, sociais, politicas e subjetivas que nos cercam. Universalizacao, ou ainda "naturalizacao" da nocao, que escamoteia a sua dimensao historica e ativa seu potencial mitologico; conforme o principio barthesiano de que "o mito transforma a historia em natureza" (apud Braganca, 2000). Motivo pelo qual Wallerstein alerta aos estudiosos do tema sobre a necessidade de "assumir maior distancia emocional em relacao a cultura, encarar o proprio conceito [...] como objeto de estudo" (Wallerstein, 2004, p.148).

De fato, uma compreensao adequada do fenomeno requer tanto uma revisitacao de sua base etimologica como o resgate de sua dimensao historica e, principalmente, a explicitacao do contexto sociopolitico no qual o conceito emergiu e tomou forma--ainda que, no espaco deste paper, nao seria possivel exaurir a questao. Assim, em que diz respeito ao primeiro nivel desta indagacao, vale lembrar que a nocao de cultura afigura-se um exercicio retorico longinquo que nao da mais conta da diversidade dos usos e aplicacoes que ela abarca hoje. Ligado, primeiramente, ao cultivo da lavoura, o termo "cultura" vira uma marca de distincao, passa a designar os assuntos do espirito e enquadrar o sujeito refinado ou "culto"; consolidando as entao emergentes hierarquias sociais. Ja, a partir do seculo XVIII, "cultura" comeca a ser usada como sinonimo de "civilizacao", sinalizando um processo geral de progresso intelectual, espiritual e material e estreitando cada vez mais a relacao entre as esferas de decisao, pensamento e gestao.

E mais recentemente, contudo, que "cultura" comecou a sofrer um gradativo processo de "substancializacao" e o culturalismo tomar a forma e a consistencia sociopolitica que lhe conhecemos. Primeiro, as lutas pela independencia, as descolonizacoes, os movimentos civicos e os Estudos Culturais e de Genero comecaram a contestar o padrao civilizacional supostamente universal imposto pelo homem-branco-ocidental e disputar a fala ordenadora ate entao por ele monopolizada. O resultado foi (e continua sendo) uma formidavel deflagracao de narrativas, manifestacoes identitarias e padroes esteticos; dando voz e vez a periferia, aos grupos historicamente marginalizados, aos subalternos e aos discriminados e ostracizados de todo tipo.

Em seguida, os anos "Thatcher-Reagan" e a queda do muro de Berlim acabaram aniquilando por completo as veleidades politicas tradicionais e alertando sobre a vital urgencia de inventarem-se novas ameacas e alteridades suscetiveis de manter o fragil equilibrio de um mundo em transicao (Rufin, 1991). Era preciso tanto repensar os projetos de sociedade vigentes, o sentido do Estado-Nacao e o lugar dos individuos e grupos no novo cenario, como resolver o dilema de um modelo civilizacional que sempre se autodefiniu por contraste e oposicao ao Outro e que, de repente, se encontrava sem adversarios capacitados nem concorrentes qualificados.

O correlato ideologico deste vazio existencial e conhecido: o decreto ad hoc do fim da Historia numa ponta e a proclamacao ipso facto do choque de civilizacoes na outra--os dois termos da equacao discursiva responsavel pelo esvaziamento dos fatos, acoes e relacoes sociais de seu teor historico, sua naturalizacao, mitificacao ou, ainda, estetizacao a-historica. Pois, "a dominancia da cultura, segundo Braganca, tem muito a ver com o "fim da historia" e a transformacao mitica do presente, por efeito da estetica, da tecnologia, etc.", sublinhando que "a cultura e o modo atual de controlar o acontecimento". Ja que, segundo o mesmo autor, "a cultura e, acima de tudo um modo de articular, de integrar e totalizar tudo o que existe em estado de dispersao [...] num momento em que o projeto historicista chegou ao fim, sem ter aparecido nenhum substituto a altura" (Braganca, 2000, p.19).

Appadurai (2004), por sua parte, denuncia a reificacao do conceito de cultura; na medida em que a sua substancializacao parece trazer de volta a cultura para o espaco discursivo da raca, justamente a ideia a ser combatida. O substantivo "cultura" parece privilegiar um certo tipo de compartilhamento, ligado a um diferencial de lifestyles, que desencoraja a atencao para visoes de mundo e agencias de quem sao marginalizados ou dominados.

O rearranjo conceitual, decorrente da conjuntura acima descrita, resultou num movimento politico-organizacional em tripla helice que veio ancorar o fenomeno da centralidade do cultural na cena contemporanea: de um lado, a politizacao da cultura e, por outro lado, a "culturalizacao" da economia e da politica. A politizacao da cultura, fruto da invasao do centro da cena contemporanea por multidoes de diferenca ostentatoria e de alteridade macica, revogou solenemente a ideia de supremacia ocidental-branco-masculina e instituiu a diversidade (as vezes caotica) com norma social, politica e estetica. Alem da formulacao de politicas publicas de "reconhecimento" (Taylor, 1999) e a criacao de centros e departamentos de estudos culturais e de genero, a politizacao da cultura tambem se traduziu pelo uso das nomenclaturas identitarias e culturais como argumento historico e referencial juridico legal na disputa pelo poder simbolico.

Fenomeno, hoje, potencializado pelo fato "transcultural" enquanto traco constitutivo da realidade global, interligando os diferentes espacos culturais do mundo e favorecendo a multiplicacao de fluxos e refluxos de grupos e individuos marcados por multiplas identificacoes e acostumados a usar a cultura enquanto nova episteme global e como moeda de troca no mercado da diversidade. Segundo Yudice (2004), ainda que haja na globalizacao uma inclinacao a homogeneizacao, esse contexto seria responsavel tambem pela forte propensao a diferenciacao no interior das sociedades: "de fato, entre seus efeitos inesperados estao as formacoes subalternas e as tendencias emergentes que escapam a seu controle, mas que ela tenta homogeneizar ou atrelar a seus propositos mais amplos" (Yudice, 2004, p.59). Ja Hall (2003) aponta para a estrategia discursiva da globalizacao ao que ele denomina de "com-formacao da diferenca"; isto e, torna-la palatavel aos olhares e gostos hegemonicos.

Paralelamente a essa recomposicao do espaco simbolico, o fator cultural tambem vai passar a operar, devido ao desengajamento do Estado neoliberal, enquanto epicentro socioeconomico capaz de agregar habilidades e competencias para capacitar os individuos ou adequalos as demandas do Mercado e prover algum bem-estar aos grupos. Estados e sociedades sao impelidos a lancar mao da cultura e suas inumeras derivacoes enquanto estrategia passivel de alavancar a economia e estabelecer novos vinculos entre setores antes desconexos. A cultura vem adquirindo, assim, relevancia e conveniencia em torno de conceitos tais como "capital cultural" e "economia criativa" para integrar e subtender a nova gramatica sociopolitica. Ha, por exemplo, uma notavel aproximacao entre empresas privadas locais e transnacionais, entidades governamentais, representantes da sociedade civil e ONGs, tanto para subsidiar comunidades locais ou a sociedade em geral como para otimizar seus recursos e incentivar o potencial criativo e o espirito inovador de seus agentes.

Assim, essa instrumentalizacao do cultural que adota um modelo quantitativo digno de um verdadeiro management empresarial, e praticada por uma multiplicidade de setores, que vao desde a industria do entretenimento, pela realizacao de festivais de musica, cinema e teatro, a projetos sociais que unem Estado, ONGs, e empresas privadas, na atuacao junto a comunidades de baixa renda, envolvendo educacao, esporte, patrimonio historico, turismo, etc; no afa de gerar emprego e impulsionar o desenvolvimento local. Os ganhos obtidos por esses empreendimentos sao avaliados a partir dos "incentivos fiscais, comercializacao institucional ou valor publicitario, e a conversao de atividades nao comerciais em comerciais" (Yudice, 2004, p.40), alem de um cruzamento desses indicadores com o retorno politico e a intersecao das agendas politica e economica, onde a cultura assume um papel ao mesmo tempo social, politico e economico.

A cultura, nesse contexto, tera se estabelecido como a propria logica do capitalismo contemporaneo. "A cultura, compreendida nao so afirmativamente, mas, ainda mais importante, como a diferenca do grupo que consegue superar normas totalizadoras, tornou-se pedra de toque das reivindicacoes pelo reconhecimento e recursos" (Yudice, 2004, p.87). Canclini conclui, a este proposito, que a "revisao dos vinculos entre Estado e sociedade nao pode ser feita sem se levar em conta as novas condicoes culturais de rearticulacao entre o publico e o privado" (Canclini, 1995, p.24). Pois, a instrumentalizacao da cultura ou culturalizacao da economia amplia a agenda sociopolitica, incluindo a "economia cultural", segundo a qual, "explorar e celebrar as maneiras pelas quais a criatividade de todas as nacoes pode ser aproveitada para o desenvolvimento, a inclusao da diversidade e a coexistencia pacifica" (Yudice, 2004, p.35).

Ja a culturalizacao da politica, fruto do vazio ideologico causado pelo desmoronamento do modelo socialista, representa o que Wallerstein qualifica como o "lado negativo da geocultura" (Wallerstein, 2004, p.147) eilustra, de modo tragico, os riscos da substancializacao da cultura. Basta observar o quanto o cenario politico mundial atual e marcado pela desconfianca acirrada do outro e o recolhimento patologico sobre si, para perceber que o discurso culturalista busca suas raizes nas narrativas escatologicas mais aterrorizantes e se nutre das fobias e paranoias mais arcaicas. Ha, de fato, nesse processo de substancializacao da cultura, um evidente retorno aos discursos demagogicos e populistas mais reacionarias por parte de segmentos cada vez maiores da sociedade, elegendo o medo e o horror ao outro em planos geopoliticos e em programas de governo.

Medo, desconfianca e desejo da aniquilacao do outro e do diferente sao, doravante, os principios (a)morais e (a)eticos que movem as relacoes entre grupos, nacoes, estados, culturas e civilizacoes. A alteridade e a diferenca ou sao escamoteadas e negadas ou sao excessivamente naturalizadas, essencializadas e investidas de uma aura negativa e demoniaca.

Em vez de acolher a diversidade cultural de nosso mundo, cujo conjunto polifonico constitui a civilizacao humana--ao exemplo do culturalismo antropologico humanista que forneceu a sua base conceitual ao antiracismo no pos-guerra (Balibar, 1988, p.33); o culturalismo politico (ou politica culturalizada) substitui a negacao a negociacao e a recusa a escuta do outro. Pois, sabemos que a matriz filosofica e o espelho teorico tanto das conhecidas ideologias de Estado como das narrativas deste novo culturalismo plantaram seu arcabouco conceitual, justamente, no campo da cultura substancializada que deturpou a tradicao antropologica pluralista relativista, fascinada pela diferenca e pelo misterio da diversidade humana, e a aprisionou nos etnocentrismos reducionistas e nos universalismos estreitos e suprematistas (Balibar; Wallerstein, 1988).

Sao essas estrategias discursivas que, segundo Appadurai (2004), acabam devolvendo a nocao de cultura ao mesmo espaco semantico anteriormente ocupado pelo conceito de raca; ao qual ela veio em principio combater. Na verdade, essa transfiguracao do "culturalismo" em "neo-racismo" e um fenomeno ja amplamente difundido na sociedade contemporanea. Ideologicamente, explica Balibar (1988), o racismo atual se inscreve no quadro de um "racismo sem raca" ou "racismo diferencialista". Uma forma de racismo cujo lema nao e a hereditariedade biologica, mas a alegada irredutibilidade das diferencas culturais e a incompatibilidade das tradicoes ou cosmovisoes.

"As explicacoes com base biologica perderam forca desde que os nazistas levaram essas teorias a sua conclusao logica. Mas nao temam! Foi facil substituir as explicacoes biologicas por explicacoes culturais", afirma Wallerstein (2004, p.142). Tatica que se revelou mais perniciosa ainda, na medida em que, ao contrario da argumentacao racialista caida em desuso, o culturalismo atual opera no registro dos cliches midiaticos e do senso comum e parece desfrutar de grande receptibilidade tanto junto ao publico geral como nos meios politicos e academicos. "Cultura", na verdade, se tornou um substituto de "raca" que justifica o odio e a abominacao do outro, e busca manter as mesmas estrategias discursivas de inferiorizacao, dominacao e opressao de todos aqueles que, de alguma

maneira, incomodam aos projetos hegemonicos mal acabados tanto das comunidades fechadas como das nacoes autocentradas.

Os limites do instrumentalismo

A principal manifestacao da centralidade do cultural em nossa epoca e, com certeza, o surgimento do ideario multiculturalista e a sua difusao pelo mundo. Ao mesmo tempo sistema sociopolitico e perspectiva teorica, o multiculturalismo fundamenta seu discurso na necessidade de proporcionar a todos os grupos e comunidades de ordem etnica, cultural e / ou religiosa as mesmas chances e oportunidades de manter a sua memoria "original" viva, cultivar a sua identidade, desenvolver seus proprios quadros de representacao simbolica, prosperar socialmente e se expressar politicamente; pondo, assim, seus particularismos, suas crencas e suas caracteristicas coletivas em oposicao, disputa ou negociacao continua com os canones e discursos hegemonicos da maioria da populacao ou do poder central.

O multiculturalismo, que adquiriu premencia na pauta politica e social, na Europa e America do Norte, a partir da Segunda Guerra, veio questionar a natureza presumidamente universal dos ideais iluministas, se contrapor ao modelo republicano supostamente igualitario, denunciar as injusticas politicas e sociais que se dissimulam atras da fachada do democratismo burocratico e apontar o carater profundamente heterogeneo da sociedade moderno-ocidental. Dentre outras consequencias deste enfrentamento, pode-se destacar tres grandes mudancas de atitude mental: Primeiro, a progressiva descrenca nos mitos da alegada cidadania universal e a suposta neutralidade da Cultura--bandeiras do universalismo pos-iluminista que pregava a "cultura alem das culturas", quando na verdade, nao passava da defesa de um "particularismo que se universalizou com exito e se tornou hegemonico em todo o globo" (Hall, 2003, p.77). Segundo, o desmonte da concepcao republicana classica do estado-nacao; deixando evidente a sua realidade discursiva, narratologica e ideologica. Enfim, a inclusao da questao da diferenca, seu valor, seu significado e seus limites nas discussoes sobre a identidade nacional, a lealdade dos grupos e individuos e os imperativos de insercao social.

Tambem sao tres os fatores que contribuiram, segundo Hall (2003), para o fato que este debate se torne inevitavel: o primeiro deles e relacionado ao fim do sistema imperial europeu e as lutas pela independencia; dai a proximidade conceitual entre multiculturalismo e discurso pos-colonial--aspecto do qual tratamos na ultima parte deste trabalho. O segundo diz respeito ao fim da Guerra Fria, a partir do qual comecou a se esbocar um processo de realinhamento de novas forcas hegemonicas e consequente desmantelamento de antigas ordens para novos estados, notadamente daqueles alinhados a antiga Uniao Sovietica, conflagrando uma serie de tensoes culturais, religiosas e etnicas. O terceiro fator e associado a globalizacao e suas consequencias, as formas transnacionais de producao e consumo, novas industrias culturais e aos novos mercados financeiros.

Hall argumenta que sem o advento do multiculturalismo e a tematica da diferenca, proporcionados pela conjuntura acima aludida, seria dificil caminhar rumo a um quadro efetivo de pluralidade social. Assim, procurando "resgatar uma nova "logica" politica multicultural dos escombros dos vocabularios politicos [...], arruinados na erupcao da propria questao multicultural" (Hall, 2003, p.51), o co-fundador dos Estudos Culturais cita o exemplo da mudanca de parametros decorrente da transferencia dos termos da questao da raca para a etnia. Sendo a nocao de "Raca" associada a aparencia fisica, a heranca genetica e ao determinismo biologico e o racismo nao nada mais de que "uma categoria discursiva que explica a diferenca entre os povos no ambito das distincoes geneticas e biologicas". Enquanto "Etnia" pode ser um indicador de caracteristicas ou praticas de ordem linguistica, cultural ou religiosa. Ou seja, se antes a problematica era tratada na perspectiva da biologia e na primazia de uma raca em desfavor de outras, hoje a reflexao se da no campo da cultura e da religiao.

O que nao significa que seria o fim do estigma ou da discriminacao das minorias e classes subalternas. Pelo contrario, como ja frisamos na primeira parte deste texto, a simples mudanca de nomenclatura tecnica ou especializada nao tem necessariamente um impacto consideravel sobre as instancias responsaveis pelas narrativas "alterofobicas" ou "heterofobicas" (Memmi, 1994); procedendo apenas a uma troca de topicos discursivos sem real mudanca de atitude. Hall (2003) concorda que essa troca nao se traduz numa superacao automatica dos estereotipos ou uma real problematizacao do racismo; ja que, "na maioria das vezes, os discursos da diferenca biologica e cultural estao em jogo simultaneamente". Essas novas articulacoes acabam produzindo apenas a substituicao ou a inclusao de elementos que geram os mesmos efeitos, na medida em que os discursos de inferiorizacao biologica e cultural repercutem o "momento multicultural" per se. Alias, na verdade, tanto a reificacao do molde cultural comunitario e a sua adscricao por fora, como a essencializacao do projeto identitario e a construcao de um Outro absoluto, qual for a adjetivacao empregada e a metafora escolhida, nao passam de estrategias discursivas de sua sujeicao e / ou exclusao.

Alem dessas dificuldades conceituais, o multiculturalismo tambem e cobrado em termos praticos de eficiencia e operacionalidade no que tange a questoes urgentes tais como a delimitacao dos contornos de cada comunidade ou cultura, a aplicabilidade abstrata de seus principios a todos os tipos de comunidades (indigenas, etnicas, nacionais, linguisticas, de imigrantes, etc.), a natureza das relacoes entre os diferentes grupos componentes da paisagem multicultural e para com a sociedade geral, a lealdade e as possibilidades de escolha do individuo entre coercao simbolica comunitaria e normatividade abstrata nacional, etc. De fato, um dos reproches feitos ao multiculturalismo e o seu suposto anti-individualismo, em funcao de seu imperative incondicional a favor da primazia da totalidade (comunidade) em detrimento da parte (individuo). Contestando, deste modo, o ideal republicano da liberdade do sujeito em escolher suas filiacoes sociais e afetivas, e tornando o pertencimento a comunidade cultural uma fatalidade inegociavel.

Vale observar, todavia, que existem, na teoria politica liberal, abordagens em total sintonia com a perspectiva multiculturalista, que defendem a ideia de uma cidadania multicultural compativel com as normas politicas e filosoficas que regem as democracias liberais; tais como unidade nacional, justica social e liberdade individual. Com relacao a este ultimo ponto, Kymlicka (2001) chega ate a inverter a equacao e sustentar que, no atual "contexto multicultural de fato", so seria possivel respeitar a liberdade individual, se antes, permitir a cada um gozar do direito de cultivar e manifestar seus pertencimentos culturais, linguisticos, etnicos ou confessionais.

Como se pode constatar, o debate em torno do multi-culturalismo repercute uma serie de contradicoes presentes na acepcao da nocao desde as suas primeiras formulacoes e que continuam sem resposta final e definitiva. Outros aspectos do multiculturalismo desapontam pelo instrumentalismo da nocao de cultura, o excessivo formalismo das relacoes sociais e o exageradamente rigido sentido de pertencimento. Assim, alem do evidente risco de reduzir a sociedade a uma mera justaposicao de grupos distintos, Cogo, por exemplo, destaca o "perigo de que as culturas se encerrem em particularismos incomunicaveis, a partir da identificacao e avaliacao dos individuos exclusivamente pelo pertencimento a uma unica comunidade" (Cogo, 2001, p.17).

Insatisfacao compartilhada por Bauman que teme o aprofundamento da atual tendencia a pulverizacao dos grupos sociais; o que tornaria mais dificil ainda "um dialogo entre culturas, unica acao que poderia superar a atual incapacidade dos potencias agentes politicos da mudanca social" (Bauman, 2003, p.97). Sem esquecer que o fechamento dessas comunidades e a edificacao de sua identidade cultural em cima de discursos etnicos ou religiosos simplistas, alem as tornarem mais vulneraveis a todo tipo de manipulacao, so reforca seu isolamento e sua marginalizacao.

Fatores que, numa perspectiva ideologica critica, reforcam mais ainda a preocupacao com as consequencias da mercantilizacao da diferenca e da alteridade, sua instrumentalizacao e seu esvaziamento politico. Zizek (2004), no caso, considera que a luta pelo reconhecimento identitario e cultural, como fim em si ou como meio de mobilizacao economica, contribui para desqualificar ou obstruir o debate sobre as relacoes de dominacao e as verdadeiras causas de injustica social e falencia politica. Pois, e verdade que paira sobre o multiculturalismo certa suspeita de sua cooptacao, reapropriacao ou recuperacao por parte do establishment e o uso de seu discurso militante como antidoto anestesiante contra o velho projeto esquerdista movido pelas utopias de igualdade, justica social, luta de classe e outros temas de contestacao social, hoje considerados ultrapassados e pouco glamourosos.

Ou seja, a roupagem emancipatoria ostentada pelos defensores das diferencas culturais e identitarias, muitas vezes, nao passaria de estrategia discursiva ou recurso retorico a favor da manutencao do status quo economico e social. A questao passa a ser, portanto, como equacionar o cultural ao politico. Pois, o debate sobre os possiveis caminhos do multiculturalismo abunda em controversias em torno de questoes politicas e ideologicas como cidadania, inclusao social e bem-estar. Ainda mais no momento em que a culturalizacao da politica passa a designar quadros hierarquicos entre comunidades e nacoes, e servir a deferir para o cultural problemas fundamentalmente politicos, tais como elegibilidade, disputas por terras, recursos naturais, habitacao e empregos.

Assim, na tentativa de fugir dessas zonas movedicas da multiculturalidade, alguns autores procuram re-significar o conceito e re-problematizar seu sentido. Kellner (2001), notadamente, propoe a adocao de uma linha de "multiculturalismo critico", onde o foco estaria voltado para a analise das relacoes de dominacao e opressao, do modo de funcionamento dos estereotipos e da resistencia dos grupos estigmatizados a representacoes dominantes.

Shohat e Stam (2006), por sua parte, advogam um multiculturalismo sem formato engessado e definitivo-um tipo de plataforma conceitual que oriente as discussoes sociais, politicas e propriamente culturais, no sentido de incentivar uma reestruturacao e uma re-conceitualizacao dos termos das relacoes de poder. Alem disso, eles elegem a nocao de multiculturalismo policentrico ou radical no sentido de que questoes relacionadas a identidade ou diversidade cultural devem ser discutidas de maneira integrada as comunidades, sociedades e nacoes, pois elas nao existem de modo autonomo, "mas numa teia densa de relacoes" (Shohat; Stam, 2006, p.86). Sendo, portanto, a perspectiva dialogica e plural uma estrategia anti-segregacionista e contraria a versao liberal, geradora das politicas "estratificantes".

Destacam os mesmos autores as possibilidades enriquecedoras do multiculturalismo em sua versao policentrica, uma vez que ao enxergar as identidades como "multiplas, instaveis situadas historicamente, produtos de diferenciacoes continuas e identificacoes polimorficas", abrir-se-ia caminho para construcoes baseadas mais em identidades e desejos de politicas comuns: "O policentrismo e, portanto, reciproco e dialogico, ve todo ato de troca verbal ou cultural como algo que acontece entre individuos e comunidades permeaveis e mutaveis" (Shohat; Stam, 2006, p.88). Esse caminho, alem de apontar para a reestruturacao e re-significacao de relacoes intercomunitarias no interior e "para alem do estado-nacao", implicaria numa sintonia com as novas perspectivas sinalizadas pelos desdobramentos do ambito das relacoes globais em que "o mundo possui diversos centros culturais dinamicos" e a ampliacao de possibilidades de trocas, baseado em reciprocidades e dialogismo.

A busca por novos horizontes

O conjunto dessas inquietacoes, aqui brevemente apresentadas, acaba refletindo a urgencia de reexaminar o fenomeno da centralidade da cultura na cena contemporanea a luz de novos indicadores e em funcao de novos parametros socio-historicos. Assim, seria oportuno retomar, primeiro, a questao da proximidade conceitual entre multiculturalismo e discurso pos-colonial vislumbrada na segunda parte deste artigo.

De fato, o contexto pos-colonial trouxe a tona discussoes sobre as novas formas de pertencimento e as novas acepcoes das nocoes de etnicidade, cultura, politica e religiao, nos multiplos cenarios de dominacao colonial e suas consequentes situacoes de diferenca, alteridade e / ou subalternidade. Ao mesmo tempo em que instigou um movimento cataclismico de questionamento e contestacao do discurso eurocentrico de estirpe colonialista sobre o Outro, notadamente com o "Orientalismo" de Said (1990), a teoria pos-colonial tambem sempre se mostrou atenta a multiplicidade das vozes do Ocidente e a seu potencial revolucionario e emancipador.

Por outro lado, principalmente na obra de seus protagonistas mais novos (Ahmad, Appiah e outros), o poscolonial combateu firmemente todo radicalismo identitario, culturalista ou nacionalista. Alem de deixar claro que nao existem divisas identitarias ou culturais estancas e definitivas entre grupos sociais ou humanos, ele ainda adotou paradigmas linguisticos e literarios para explicitar a natureza narrativa e discursiva de todo projeto identitario. Memoria, historia, passado e origens dos grupos ou nacoes sao, para a teoria pos-colonial, narrativas, (re) invencoes e / ou (re) escritas produtos das coordenadas conjunturais do presente, movidas por fatores, projetos e objetivos politicos, ideologicos e sociais atuais a atuantes. Ou seja, todo texto historico e todo memoria identitaria cultural, religiosa ou etnicas sao, na verdade, um perspectiva do presente sobre o passado-assim (re) inventado e instrumentalizado para a conquista de posicoes politicas e a disputa de poder simbolico.

Porem, o pos-colonial que foi impulsionado pela perspectiva pos-estruturalista e constituiu um grande passo na busca por uma nova abordagem sociopolitica da questao identitaria, etnica e cultural, tambem foi objeto de algumas criticas. Principalmente por apagar algumas "relacoes de perspectiva", no sentido de nao deixar claro se o "pos" indicaria a perspectiva do ex-colonizado ou do colonizador, como tambem excluiria paises que apesar de formalmente separados da metropole ha seculos (as Americas em particular) ainda lidam com a "distribuicao desigual de recursos e poder no mundo".

A questao que se impos, portanto, e: "Quando, entao, comeca o pos-colonial, e quais sao as relacoes entre esses diversos inicios?" (Shohat; Stam, 2006, p.76). A resposta e que o discurso pos-colonial e de grande pertinencia quando se trata de apreender a questao identitaria cultural na sua totalidade abstrata, mas a medida que se tenta focar um recorte socio-historico especifico, acaba se revelando bastante limitado, esquematico e parcial. O grande merito do discurso pos-colonial, todavia, foi de incluir na pauta politico-cultural as nocoes de "creolizacao" (Glissant, 1981) e "hibridismo", abrindo espaco para uma nova logica acerca dos processos culturais; sendo que hibridismo nao se refere apenas a individuos "hibridos" que podem ser contrastados com "os tradicionais e modernos como sujeitos plenamente formados", mas sim de "um processo de traducao cultural. [...] Em suas muitas variantes, a 'tradicao' e a 'traducao' sao combinados de diversas formas" (Hall, 2003, p.74).

Dai o interesse pela proposta intercultural, sem duvida, mais adequada a realidade historica, social, politica e economica da America Latina; conforme ja temos concluido em trabalhos anteriores, ao buscar compreender os fenomenos sociais e culturais a partir de um corpo teorico que ressalte nossas peculiaridades historicas, o contexto global atual e a base midiatica e tecnologica responsavel pela reformulacao de nosso imaginario. Pois, como afirma Canclini, "As transformacoes recentes fazem tremer a arquitetura da multiculturalidade"; ja que os quadros simbolicos "que ordenavam a coexistencia de grupos em territorios delimitados sao insuficientes ante a expansao das misturas interculturais" (Canclini, 2004, p.16).

Astrain (2003), por sua parte, defende que a nocao de interculturalidade e consequencia das recentes formulacoes teoricas (ao exemplo do pos-colonialismo) que apontam as culturas enquanto sistemas dinamicos no que diz respeito a sua capacidade de traducao da diferenca e de continua reinterpretacao de suas proprias tradicoes; permitindo o surgimento de novas categorias discursivas e mentais, tais como hibridismo e "retnificacao". O que, segundo o mesmo autor, e de grande valia para a analise e compreensao das modernas sociedades latino-americanas, caracterizadas por sua crescente heterogeneidade social e humana e a diversidade de suas formas de organizacao comunitaria e manifestacao identitaria.

Canclini tambem recorre a nocao de interculturalidade, como uma alternativa a despolitizacao do multi-culturalismo e sua inclinacao segregadora, no sentido que o conceito de interculturalidade traz em sua significa cao a ideia de troca, negociacao dos limites de convivencia entre diferentes, lutas pelos direitos politicos, cidadania e representacao; remetendo a confrontacao social e ao entrelacamento simbolico. Enquanto "multi-culturalidade supoe aceitacao do heterogeneo; interculturalidade implica que os diferentes sao o que sao, em relacoes de negociacao, conflito e emprestimos reciprocos" (Canclini, 2005, p.17).

Ele aponta, assim, para o surgimento de uma nova nomenclatura que se traduziria numa forma inedita de atuacao sobre as politicas sociais, atualizando o debate em torno das nocoes de inclusao num mundo cada vez mais dependente de conexoes e intersecoes. Dessa forma, a proposta intercultural apreende o mundo enquanto um conjunto de "hegemonias dispersas" (Appadurai, 2004) e pensa as sociedades a partir da mudanca de "problematica da diferenca e da desigualdade para inclusao/ exclusao", num contexto onde os individuos estao inseridos numa logica muito mais fluida de pertencimentos diversos.

Appadurai consagra as migracoes e as midias, sobretudo as eletronicas, como os dois expoentes caracterizadores da contemporaneidade. Nesse cenario, se tomado como pressuposto, a interculturalidade surge como amparo fundamental para a negociacao de pertencimentos de cidadaos cada vez mais globais, que possuem, ainda assim, todo um historico pessoal identitario impossivel de ser apagado em favor de alguma nova ou unica identidade. O intercultural como possibilidade de comunicacao entre diferentes assume a cultura como ponte para um dialogo nem sempre fluido, muitas vezes conflitante, porem, apoiado sob uma base de negociacao constante e imprescindivel. Qualquer coisa fora disso, torna-se imposicao, ou sobreposicao de uma expressao em detrimento de outras.

De fato, o intercultural nao veio reivindicar o direito a diferenca, mas parte dela como um dado inexoravel da realidade global. Nao surge tambem imbuido do ideal de recuperacao das utopias humanistas que habitam o arcabouco de intencoes do multiculturalismo, no entanto, reclama a aplicabilidade de seus principios a todos os tipos de comunidades (indigenas, etnicas, nacionais, linguisticas, de imigrantes, etc.), aos diferentes grupos componentes da paisagem multicultural e para com a sociedade geral, o direito de cultivar e manifestar seus diversos e plurais pertencimentos culturais, linguisticos, etnicos ou confessionais.

Sendo assim, a proposta intercultural consagra a centralidade do cultural na logica contemporanea, porem, reclama a efetivacao politica da ampliacao e da inclusao, do acesso e do direito a conexao e a mobilidade com condicoes para o exercicio da plena cidadania, ciente, portanto, das disputas de poder que sao travadas ao longo desse caminho. A proposta intercultural se distingue do culturalismo politico (Balibar, 1988) uma vez que presume a tensao e a negociacao como elemento ativo da realidade social contemporanea e parte dos questionamentos e criticas que examinam as limitacoes e contradicoes internas do multiculturalismo, ao ressaltar que se deve tomar todo o cuidado para nao incorrer em novas formas de fechamento etnico ou inversao de parametros sociais e politicos que tambem acabam produzindo injusticas e discriminacoes.

E nesse sentido que se faz necessario o estabelecimento de outro tipo de solidariedade e identificacoes onde os mais variados discursos possam coexistir com as mais diversas relacoes, constituindo o sujeito como o local de competicao de diferentes discursos e vozes. A questao passa, portanto, como pensar os processos de inclusao, conexao e mobilidade junto ao direito de manifestacao a diferenca num contexto de globalizacao, transnacionalidade e transculturalidade.

Transculturalidade, o mais recente desdobramento da centralidade do cultural na cena contemporanea, deve ser entendida como o conjunto de processos simbolicos que possibilitam o compartilhamento de produtos e espacos culturais globais e neles fixarem seus referenciais identitarios e mapas subjetivos provisorios ou permanentes. Trata-se, portanto, de uma situacao "pos-estadonacional" inerente a realidade social e politica que caracteriza o mundo contemporaneo, marcado pela inequacao estrutural entre os planos nacional-estatal e cultural-identitario. Ou seja, o fenomeno diz respeito aos modos de organizacao e acao dos grupos sociais e comunidades humanas inseridos em mais de um quadro social e / ou nacional estatal, tendo referenciais culturais, territoriais e/ou linguisticos plurais, e conectados atraves de redes sociais transnacionais que garantem algum grau de identificacao alem das fronteiras formais de seus paises ou regioes.

Consideracoes finais

Nao pretendemos, no espaco do presente trabalho, aprofundar a nossa analise a proposito desta problematica. Queriamos, apenas, aproveitar a sua composicao social, politica, cultural e, principalmente, tecnologica para desvelar o desenho midiatica comunicacional deste nosso percurso reflexivo.

De fato, podemos afirmar que a realidade transcultural so pode emergir em funcao da atual configuracao atual da esfera publica e na concretude de sua nova economia politica das comunicacoes. A importancias das NTICs (Novas Tecnologias de Informacao e Comunicacao) para a conformacao de construtos identitarios transculturais equivale, hoje, ao papel do "Capitalismo Editorial" (referido por Deutsch, Anderson e outros) na consolidacao dos imaginarios nacionais. Pois, paralelamente a sua estruturacao organizacional em redes de redes, o presente cenario global, sustentado pelas NTICs, favorece a multiplicidade de sensibilidades e subjetividades que desconhecem a continuidade fisica do terreno social e prescindem de uma ancoragem exclusiva no territorio efetivo ou no mapa estatal oficial.

Podemos, assim, concluir que, alem do fato da cultura ser um espaco e objeto de trocas discursivas e comunicacionais, o multiculturalismo corresponde a uma distribuicao comunitaria da paisagem midiatica nacional, a interculturalidade as possibilidades de troca, emprestimo e traducao entre grupos ja nao mais estanques ou hermeticos, enquanto a transculturalidade equivaleria ao plano simbolico cultural de nossa realidade global, em rede e irreversivelmente marcada pelo substrato midiatico transnacionalHFAMECOS

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Mohammed Elhajji

Professor do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao da UFRJ/RJ/BR

mohajji@yahoo.com.br

Sofia Zanforlin

Doutoranda do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao da UFRJ/RJ/BR

sofiazanforlin@uol.com.br

NOTAS

* Texto apresentado na Compos 2009 no GT Comunicacao e Cultura
COPYRIGHT 2009 Editora da PUCRS
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
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Title Annotation:DOSSIE ESPECIAL: GT Comunicacao e Cultura (COMPOS--2009)
Author:Elhajji, Mohammed; Zanforlin, Sofia
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Article Type:Report
Date:Aug 1, 2009
Words:6784
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