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A VEZ DE MORRER: GRANIZO E CHUVA NO LUGAR TOTAL DE SlMONE CAMPOS/A VEZ DE MORRER: HAIL AND RAIN IN SIMONE CAMPOS' TOTAL PLACE.

era uma vez uma mulher que nao perdia a chance de enfiar o dedo no anus
no proprio ou no dos outros
Angelica Freitas (2012, p. 23)


A liquidez do espaco intimo

O booktrailer de A vez de morrer, de Simone Campos (1), possui qualquer coisa da atmosfera do filme O pantano, de Lucrecia Martel; nao apenas porque a cena e tomada pela visao de uma grande piscina, suja, cheia de folhas, em que uma mulher tenta, em vao, retirar as folhas, primeiro com as proprias maos em sucessivos mergulhos, e depois com um limpador de piscinas, mas sim pelo aspecto sombrio e opressivo que acompanha esses gestos. E o a algo-a-acontecer da cena. Nao uma cena estatica, mas uma que carrega a promessa de acontecimentos. Nesse caso, a piscina "verde-lago", a despeito de no filme de Martel estar sempre rodeada de pessoas e no booktrailer ser ocupada apenas pela jovem mulher, materializa sinais de abandono, efeitos do tempo, mas tambem de uma certa indolencia das pessoas.

Essa e a paisagem escolhida pela escritora, tradutora e editora Simone Campos para compor o seu romance A vez de morrer, publicado em 2014, pela Companhia das Letras. O sitio em Araras, na regiao montanhosa do Rio de Janeiro, concentra na area externa a piscina, e no interior a casa. Essa compressao se repete. Apesar das descricoes das paisagens, que indicam o transito da protagonista Izabel (no onibus, a pe, de moto) entre o Rio de Janeiro, Araras e suas cercanias, os ambientes internos sao vitais: a lan-house de Eduardo, o apartamento da mae no Rio, o Polo Grafico de Itaipava, onde arrumara trabalho. Revelam-se, de pronto, os espacos intimos por onde transita Izabel, que, apos a morte do avo, retorna de Toronto, no Canada, e, pouco a pouco, perfaz o caminho da cidade ao campo. Esses espacos, ainda que intimos, nao cumprem exatamente a funcao de acolhimento. A atmosfera densa de chuva, vento e frio remete a qualquer coisa como o poema de Ana Cristina Cesar (1999, p. 38): "... Esses mosquitos que nao largam! Minhas saudades ensurdecidas por cigarras! O que faco aqui no campo declamando aos metros versos longos e sentidos?" A irrupcao do real produz a decaida do mito idilico do campo, tal como a insercao do pecado no Eden faz com que todo paraiso seja perdido. A picada--dos mosquitos, da manutencao do lugar, do inevitavel encontro com o outro--retira da propriedade campestre a simbologia do "lugar total" (2).

Em busca de um lugar para morar que nao a confine as escolhas dos precos exorbitantes dos imoveis do Rio de Janeiro pre-olimpiadas, Izabel prolonga pouco a pouco suas estadas no sitio de Araras, que pertencia ao avo e fora praticamente abandonado depois de sua morte. Enuncia-se um tracado tipico de nossa epoca, em que o sujeito se desloca, pondo-se em fluxo constante. Viver em determinado lugar passa a ter mais a ver com a promessa de bem-estar do que com a de sobrevivencia. Dai porque parece que tanto faz ser em um grande centro ou em uma casa de campo. Entretanto, essa e apenas a moldura que ajuda a vender um sem-fim de narrativas tipo lifestyle, ao predizerem uma forma de vida que diz respeito tao somente aqueles que podem exercitar o que Bauman (2003, p. 56) denominou de "cosmopolitismo dos bem-sucedidos". Se tal discurso necessita ser contraposto sob o risco de se escamotear as consequencias perversas dessa reconstituicao do paraiso, interessa-me saber que perguntas a literatura tem feito a essas molduras narrativas que exaltam o discurso do provisorio, do transitorio, sem alcancarem o seu peso, pois e certo que existe, uma vez que nao se pode falar do lugar sem considerar os que estao nele.

Sendo assim, mais do que fazer uma analise minuciosa da composicao do romance, o que pretendo e perscrutar algumas das passagens que permitem pensar sobre como o movimento solitario da protagonista e enredado--e alterado--pela proximidade com outrem, de forma que seja possivel refletir sobre a indissociabilidade entre o estar-so e o estar-junto. Nesse sentido, a cena do booktrailer, que e na verdade uma das cenas do romance, serve ainda para espreitar o que ha de fortuito e de inesperado no encontro com o que esta proximo, o qual ocupa ou ocupara o lugar que se sabia apenas de um. Na primeira descricao, "[a] piscina transbordava, completada pela chuva. Estava verde. Verde-lago. A pedra da borda era aspera e curvada para cima, e represava a agua acima do nivel do chao. O deque umido reluzia tristonho sem as espreguicadeiras de PVC". (CAMPOS, 2014, p. 18). E a propria imagem do inabitado. Transbordamento, aspereza e vazio, de um modo estranho e singular, parecem se equivaler como que a espera de coabitacao. E uma acao, ou ainda uma inacao, a depender do ponto de vista, que compoe a segunda descricao: "A piscina estava cheia de folhas. Se esquecera de cobrila antes de ir embora e o vento jogara tudo quanto e detrito vegetal dentro d'agua. Naquele dia nao estava propriamente chovendo, apenas chuviscando e nublado. Nenhum relampago, mas tinha caido bastante agua durante a semana" (2014, p. 48). E nessa piscina, cheia de detritos, que Izabel mergulha reiteradas vezes, ate, "tesa, um passo atras", ver:
...
Era um escorpiao.
Sem tirar os olhos dali, alcou o corpo para fora da piscina. Agarrou o
bambu com a cesta na ponta. Lancou-o na agua. Em segundos o bicho
estava sobre as lajotas--inerte e vivo.
Deixou o copo de limonada emborcado em cima dele e voltou da cozinha
com fosforos.
...
Izabel acendeu tres fosforos juntos e tacou no escorpiao. Que se
retorceu, sibilou, fumegou e, superado o exoesqueleto, por fim
expirou". (CAMPOS, 2014, p. 48-49)


Todo o tempo, o estar-so e atravessado pelo estar-junto, pautando a sucessao dos acontecimentos. O contato com o animal peconhento poe em destaque nao apenas o instinto de sobrevivencia, mas tambem a presteza de agarrar a presa, movimento tipico do escorpiao, antecipando-se a qualquer ferrada. E um gesto de defesa antecipatorio. Nao e dificil supor que esse contato com o totalmente outro do animal peconhento reverbera outros. Para nao se ferrar, a protagonista do romance esta sempre em estado de fuga, ajustando-se as situacoes que indicam qualquer contato mais permanente, em um constante fluxo de relacoes provisorias. No caso, ajustar-se significa manter uma "justa distancia" que nem afasta de todo o que esta proximo nem acolhe de modo definitivo.

Nesse sentido, A vez de morrer indaga, de diferentes modos, como viver junto, essa que e uma das expressoes mais complexas de Roland Barthes, embora pareca relativamente simples naquilo que tem de reiterativa. Na sua aparencia de afirmacao (nenhum ponto de interrogacao acompanha o titulo que envolve um dos ultimos cursos de Barthes), ha ai uma das questoes que mais suscita perplexidades, sendo, por isso, abordada por tantas disciplinas que lhe dao contornos especificos. Evidentemente, o carater definitivo de qualquer resposta e incessantemente postergado, restando-nos o exercicio de diagnosticos provisorios. Ao relacionar o questionamento de Barthes a um romance, quero demarcar uma deriva que nao se afasta de um unico exemplar. Dito de outro modo, a questao que nos ocupara esta contida, toda ela, no romance de Campos, embora seja necessario fazer uso de nocoes outras para tentar responde-la: de que maneira A vez de morrer, como uma dada "simulacao romanesca", trata acerca do viver-junto? Que comunidades sao formadas e deformadas nesse tratamento? Adianto que Campos nao esta interessada em fazer um painel sociologico, cujas figuras como a familia, a religiao, a sexualidade, que aparecem no livro, serviriam para concretizar um diagnostico do contemporaneo. Os ambientes fechados--e mais uma vez penso no filme de Martel--indicam outro movimento. A relacao das urgencias do presente com o que esta dito no livro e mais um indicador de leitura do que de producao. O romance acompanha de muito perto a protagonista e, com isso, a individualiza, trata-a em suas especificidades. A narracao dos acontecimentos e a enorme variedade de dialogos produzem uma imersao no seu mundo intimo. Praticamente, nao ha reflexao; os fatos sao apresentados, e nao pensados. Exceto em um e outro momento, comentados posteriormente, nao ha visoes sociais generalizadoras. Pode ate ser que o apocalipse (3), palavra utilizada pela escritora tanto no romance quanto em entrevista acerca dele, remeta a situacao social especifica do boom da especulacao imobiliaria na cidade do Rio de Janeiro, que tem como uma das consequencias empurrar as pessoas para longe dos centros, mas precipita-se principalmente sobre o que isso gera na vida de uma pessoa e como ela reage diante de tais situacoes.

O habitar idiorritmico

Lancado no primeiro semestre de 2014, a historia se desenrola no ano seguinte. O ano de 2014 e como um fora-do-livro, exterior a intitulada Parte 1. A contemporaneidade das questoes e escancarada em mais de um sentido: o presente e ja o intempestivo; e alem do tempo, como se para melhor ver o presente fosse preciso distanciar-se nao como geralmente se faz, por meio do retorno ao passado, mas como normalmente faz a literatura cientifica que se remete ao futuro. Para quem leu o livro quando do lancamento, estava diante de acontecimentos ainda por vir; e nao quaisquer acontecimentos: 2015 foi o ano que antecedeu os jogos olimpicos no Rio de Janeiro, reconfigurando desde as formas de habitar ate as de agrupar-se para entreter-se. E para essa cidade que a protagonista retorna, fazendo de seu lugar de origem um lugar de passagem, dada a dificuldade de permanencia, apesar de seu fascinio: "Izabel tinha passado quase dois anos num lugar gelado e distante; sentia estranhas saudades da compressao, da sufocacao, mas especialmente de pensar e usar a fantasia [de carnaval]". (CAMPOS, 2014, p. 108).

O fora-do-livro localiza-se, entao, nesse "lugar gelado e distante". Composto de duas cenas que funcionam como uma epigrafe mais alargada, sintetiza muitas outras passagens do livro, ora explicando-as, ora redefinindo-as. A primeira e uma cena de encontro nao propriamente amoroso. Trata-se de um encontro marcado por um aplicativo de relacionamentos: "Ja tinha visto Mark outras vezes.... Dessa vez a conversa demorava a decolar" (CAMPOS, 2014, p. 7). Na cena seguinte, o roommate que mora com Izabel reclama do barulho da trepada da colega que o havia acordado.

Eis duas formas contemporaneas de relacionamento que divergem da classica formacao do casal. As terminologias entram em colapso: nao sendo namorados nem amantes, os pares desobrigam-se do investimento no modelo e sentem-se livres para desejar sem o acrescimo das obrigacoes amorosas, de modo que as figuras da experiencia amorosa sao suspensas. Nao e apenas a chance de visualizar um perfil antes e ter o seu interesse suscitado por um apanhado de informacoes, veridicas ou nao, e, a partir dai, decidir se quer ou nao transformar em encontro; e ser participe de uma forma inedita de relacionamento que marca nosso tempo, cujos pressupostos barram, inicialmente, o compromisso, a durabilidade da relacao, que desencadearia uma promessa de partilha de desejos com um "igual", "parelho", para evocar o sentido etimologico da palavra "par". A enfase e maior em um sentido como "conjunto de pessoas ligadas por algo em comum" do que em "conjunto formado por macho e femea ou por marido e mulher; casal" (HOUAISS, 2017).

Em relacoes desse tipo, e estranha tanto a figura do namoro como da prostituicao dos corpos, visto que o consentimento se apoia no que ali acontece, naquele instante, nao fazendo alusao ao que vem antes nem depois. Essa especie de pacto, que nao necessita ser instituido pelos pares, porque ja intermediado pelas regras do aplicativo, diz respeito mais ao engajamento dos corpos, abrindo uma fenda em dualidades como razao/emocao, corpo/alma, solidao/encontro. A dificuldade de fazer durar tal pacto, cujas regras sequer sao enunciadas, e o que faz gerar os atritos e, consequentemente, a passagem para outro tipo de relacionamento. No entanto, essa nao parece ser uma das preocupacoes dos usuarios. De fato, parece haver certo alivio de entregar a maquina o estabelecimento de normas bastante dificeis de enunciar sem a sua intermediacao. Nao ter que dizer, nos primeiros encontros, que nao se esta atras de um "relacionamento serio", nao ter nem mesmo que falar sobre tal assunto, desobriga o sujeito de uma filiacao ao que e sentido como modelo convencional de relacao.

Ha concepcoes distintas sobre tais formas de vida. Uma delas demarca a dissolucao dos afetos, erigida pela indiferenca e assepsia. Barthes, em Fragmentos de um discurso amoroso, quando descreve a figura "fazer uma cena", da a entender que esta so tem razao de ser quando existe um casal, de modo que o confronto nao visa a consequencias imediatas, mas serve como "principio de reparticao dos bens da fala" para demonstrar ao amado, e ao mesmo tempo disputar com ele a primazia do lugar do apaixonado "nunca voce, sem mim, e vice-versa" (2000, p. 63). Sob esses moldes, nao haveria mais cena. A ausencia de cena, advinda do desengajamento das razoes de se trocar "contestacoes reciprocas", por conta do tipo de relacao que transforma o par em uma cadeia infinita de outros pares, funcionaria como prova de descarte dos sentimentos? Segundo Bauman,
Pode-se ate acreditar (e frequentemente se acredita) que as habilidades
do fazer amor tendem a crescer com o acumulo de experiencias... Essa e,
contudo, outra ilusao. O conhecimento que se amplia juntamente com a
serie de eventos amorosos e o conhecimento do "amor" como episodios
intensos, curtos e impactantes desencadeados pela consciencia a priori
de sua propria fragilidade e curta duracao. (2004, p. 11)


Para o sociologo, a "experiencia amorosa" (as aspas sao suas), sob esses parametros, equivale a um produto destinado a uso imediato, cujo fascinio e o das mercadorias: apos a obtencao, perde-se o interesse, dai por que ser preciso adquirir sempre mais. O desejo so pode ser satisfeito pela reposicao incessante, o que causa uma enorme sensacao de inseguranca. Em termos de relacionamento, assim que algo corresse o risco de cristalizar, seria hora de afastar-se. Em A vez de morrer, essas aproximacoes e distanciamentos sao recorrentes. As mensagens dos aplicativos de paquera, encobertas pelos pseudonimos, produzem tantos encontros quanto queira o desejo:
ELZA_BI: Oi, Gostei do seu perfil. Sera que tenho chance?
Antes que ela chegasse ao Flamengo, veio a resposta:
DOC V: Oi, Elza. Claro que tem. Especialmente por ser fa de May e Gato
negro.
ELZA_BI: Hahaha. Ja vi que voce e uma moca destemida. Sera que esta
livre
hoje? Toparia encontrar uma fa de May e Gato negro?
DOC V: sim e sim. :-)
(CAMPOS, 2014, p. 75)


E evidente que as relacoes mediadas pelas tecnologias estabelecem uma comunidade que, em principio, e regida por um preceito estranho ao seu funcionamento, que e o ideario de liberdade--de distanciar-se, de abandonar, sem que isso signifique o abalo da integridade emocional. Porem, e importante ressaltar o quanto essas constatacoes sao revestidas de um forte apelo a negatividade. De modo geral, analisamos as novas formas de convivencia a partir de uma Utopia do Viver-junto--para usar a expressao de Barthes--que se funda nos valores da permanencia, o que nao deixa de ser um modelo normativo de comunidade, que tem seu exemplar maximo na familia.

Ora, podemos estar diante de modelos que remetem a outro tipo de utopia almejado por Barthes (2003): a "Utopia do Viver-junto idiorritmico" que, segundo ele, nunca foi uma Utopia social, deixando pressupor que justamente em razao de fugir da normatividade. Antes de qualquer coisa, Barthes afirma a idiorritmia como uma fantasia; ou seja, uma busca por uma forma de vida sobre a qual existem somente exemplos imperfeitos que, no entanto, consubstanciam uma forma por vir de comunidade. Gostaria de me deter um pouco nessa possibilidade, experimentando a hipotese de que, ao abdicar do registro ironico, o romance de Campos, como uma daquelas perguntas lancadas pela literatura, nao assinala a decadencia e o carater decepcionante das interacoes contemporaneas, lancando-se de fato contra os esquemas de comportamento normativos.

Desse modo, tanto os encontros casuais como o habitar em que cada um e livre para criar seu ritmo, independentemente do outro, podem ser sinal de uma desconstrucao de afetos que invariavelmente levam a dependencia e a manipulacao. O problema e que se lida muito mal com a imagem gerada por ritmos proprios, sobretudo quando se trata do feminino. Um dos exemplos de Barthes para apontar problemas da idiorritmia, talvez aquele que mais tenha se fixado no imaginario de seus leitores, evoca uma mae que puxa seu filho pelo braco:
De minha janela (1[grados] de dezembro de 1976), vejo uma mae segurando
o filho pequeno pela mao e empurrando o carrinho vazio a sua frente.
Ela ia imperturbavelmente em seu passo, o garoto era puxado, sacudido,
obrigado a correr o tempo todo, como um animal ou uma vitima sadiana
chicoteada. Ela vai em seu ritmo, sem saber que o ritmo do garoto e
outro. E no entanto, e a sua mae!--O poder--a sutileza do poder--passa
pela disritmia, a heterorritmia. (2003, p. 19)


A figura da mulher que exerce um ritmo proprio, a despeito do ritmo do filho, e a da mae. Isto e, ja esta afastada da fantasia alicercada por Barthes; esta, por assim dizer, fora, a nao ser quando esta ao lado da loucura. E evidente o fascinio que a leitura de La sequestree de Poitiers, de Andre Gide, exerce sobre ele, sobretudo porque lhe permite ir contra o discurso da epoca e evocar um regime de vida totalmente contrario a ordem burguesa da familia. No entanto, a Sequestrada nao e mae, nem tem dominio sobre as suas decisoes. O escandalo e justamente este: a usurpacao de liberdade de forma tao explicita leva a loucura.

Em A vez de morrer, nao ha nota de escandalo no tom da narracao. Nao ha moralidade, portanto. Quando ha, faz parte do enredo cuja disposicao serve para contrastar posicoes distintas. Diante do conservadorismo, como o das cidades do interior, Izabel nao abdica do seu modo de vida, apesar de nao ignorar as diferencas:
Cecilia [a amiga com quem tem um caso junto com o namorado] era bem
capaz de fazer a caseira lavar seus brinquedos sexuais, e a ideia a
horripilava. A amiga nao entendia certas distincoes, Izabel nao era
exibicionista, so gostava de sexo ao ar livre. E Cecilia amava o risco
de ser pega. De alguem ver. Nao que ela fosse admitir. Tudo bem, Izabel
seria a ultima a julgar; mas que ela nao tentasse perverter sua
perversao. (CAMPOS, 2014, p. 216)


E um romance em que se expoe a autonomia do corpo da mulher atraves do corpo que deseja, sendo que desejar, nas palavras de Agamben (2007, "ce a coisa mais simples e humana que ha". Ainda de acordo com o filosofo, "[o] corpo dos desejos e uma imagem. E o que e inconfessavel no desejo e a imagem que dele fizemos" (AGAMBEN, 2007, p. 49). Campos trata esse "inconfessavel" com um naturalismo desconcertante, trazendo-o a palavra, desfazendo o segredo e forcando o desfazimento da imagem de um corpo puro, devotado a maternidade e a familia, que persiste desde as origens do Cristianismo. As diversas cenas dos encontros sexuais de Izabel tanto com mulheres quanto com homens, gerados pelo uso ou nao de aplicativos de relacionamento, negam esse corpo, mas nao a possibilidade do vir a ser. A diferenca e que, por ora, o regime de vida dessa mulher esta aberto a afetar e deixar-se afetar por outros corpos. Ao experimentar o gozo do sexo, aplicando-lhe uma normalidade, ou seja, nao atribuindo a isso um problema, torna-se patente a centralidade do feminino. O homem, nesse momento, e substituido por uma protese apenas condutora de desejo:
Izabel gozou com cara normal, surpresa com a falta de aviso daquele
orgasmo. De zero a cem em um segundo. Gemeu. Abanou as maos, aflita,
para Cecilia tirar aquilo da sua vagina.... Sentia uma sanha. Ia
mostrar como e que era. Montou em Cecilia e encaixou entre as duas um
vibrador em forma de cunha.... Pegou o menor dos plugues azuis e o
enfiou no proprio rabo.
Depois que ela ja estava aquecida, Izabel chupou sua boceta enquanto
cinzelava os arredores com um vibrador pontudo. (2017, p. 215)


Interessa-me observar como esse corpo nao aprisionado diante do discurso da moral e poderoso no que se refere a literatura de Simone Campos. A apropriacao do discurso dito masculino aponta para a negacao dessa propriedade: o excesso do discurso pornografico e tambem um discurso de mulher, como se proferi-lo a maneira de fosse um ato de tomar posse, de desapropriar as imagens de desejo do corpo da mulher que causam estranheza porque confrontadas com a supremacia das imagens uniformes de corpos regulados. E isso porque, evidentemente, as diferencas aparecem: a mulher sabe que esta o tempo todo sendo observada e julgada pelos seus atos. Quando nao predomina a busca de um "Viver-a-dois", tampouco a de uma solidao que exclua todo e qualquer convivio, mas, sim, algo mais complexo que envolve extrair do corpo o maximo de prazer, e impossivel nao pensar que os discursos sociologicos servem tambem a censura, quando enquadram os que fazem tal uso do corpo como seres incapacitados para os afetos.

Quando se trata da imagem da mulher, a violencia e ainda maior, como e de se esperar. E o que aponta Campos. A protagonista de seu romance esta sempre as voltas com cobrancas externas que poem em xeque as suas escolhas. O modo como responde a essas cobrancas revela um artificio crucial da narrativa. Como ja dito, o foco esta nas acoes; e isso nao impede que logo se saiba bastante sobre o que se passa e quais sao as questoes de Izabel. Mais ainda, embora sem saber como ela vai reagir diante de determinada demanda, confia-se nela. Como uma personagem que, sem grandes explicacoes, se muda para o sitio do avo morto, abandona o emprego, compra uma moto apos aprender a dirigir com um jovem da comunidade, "trepa" com diversos parceiros, entra e bebe sozinha em bares, aparenta uma lucidez que e da ordem de uma exigencia etica? Uma hipotese plausivel e a de um certo fascinio por esse modo de vida, o que possibilita a suspensao dos julgamentos, porem e mais do que isso: a autora arrisca-se a criar um corpo desejante sem relacionalo com disturbios psicologicos; nao e nenhuma das patologias ligadas ao sexo que move as "perversoes" de Izabel. Para ela, basta o transbordamento do gozo. Fica evidente, assim, que o "lugar total" de que se trata aqui e menos a propriedade campestre, com os seus sentidos de natureza a revelar a verdadeira essencia, e mais o que no individuo excede a totalidade--"uma totalidade sem complemento, um total sem restricao, um lugar sem nada ao lado"; outros nomes para o transbordamento (BARTHES, 2000, p. 282). Essa totalidade resta excessiva a comunidade, que, para se manter, investe em ordenamentos que a caracterizam e tornam-na reconhecivel. Assim, a empatia pela trajetoria da protagonista advem, em parte, de sua capacidade de reconhecer esses mecanismos de controle e nao abdicar da parte do imaginario que produz o a-mais que corrompe o padrao.

A disritmia religiosa

O que esta em jogo, na literatura de Campos, e o questionamento das amarras que ligam as pessoas a determinado padrao comunitario. Por isso, profanar com o sexo os ideais de totalizacao e tao importante no romance. Por outro lado, repele-se o que se erige como sustentaculo de uma "comunidade imaginaria" que barra qualquer um nao identificado com os seus pressupostos. As comunidades religiosas, como as igrejas evangelicas que proliferam nas cidades do interior, sao vistas como estruturas que criam respostas-padrao para questoes muito diversas, nao estando abertas nem mesmo para a tolerancia, o que havia sido uma das marcas identitarias da igreja.

De maneira sutil, a historia paralela de A vez de morrer poe em contato o percurso de dois individuos, cuja fantasia e estabelecer um regime de vida estranho aos limites da regularidade social ou, pelo menos, abrir uma fenda nessa regularidade. Eduardo, o jovem dono da lan house que Izabel frequenta para se conectar com o mundo exterior e conhecer os ritmos dos jovens que fazem dali seu point, desde ha muito e o expatriado da comunidade em que foi criado. Adquire autonomia para sair da religiao por conta da imagem de jovem trabalhador arrimo da familia, o que nao evita que seja tutelado pela religiosidade de seus proximos. A saida e, de fato, o ponto comum entre os dois, o que compartilham sem saber. O que comprova a delicadeza do percurso de cada um, apesar de suas visoes por vezes ceticas acerca das proprias escolhas, e o sem-saida dos sentimentos que confirma o encontro dos dois, apenas sugerido, reiteradamente adiado, porem inevitavel.

O poder que sustenta os macroagrupamentos se poe alheio as sutilezas. Na verdade, estes se constituem a partir da contrariedade a delicadeza de ritmos proprios; ao contrario, favorece a rigidez dos rituais para o exercicio do controle. O fato de estarem dispostos dois mundos tradicionalmente antagonicos no romance--o da sexualidade e da religiao--determina as diferencas a serem avaliadas. Mais uma vez, o procedimento narrativo acerta quando nao materializa a historia de amor de Eduardo e Izabel com os cliches que geralmente tomam conta dessa linguagem. Os silencios, os subentendidos, fazem parte daquela altercacao ao modelo, por isso a concentracao nao e apenas no que transcorre entre os dois, mas na conciliacao dos contrarios que e necessario operar para que a historia dos dois seja possivel. Tudo o que e vivido por Izabel e posto sob o jugo da religiao, do qual a irma de Eduardo e a serva fiel:
--Todo mundo sabe que voce dorme com mulher?--disse Talita.--Mulher
casada ainda por cima.
--O que voce tem com...
--Ah, nao e da minha conta, ne? Ta, mas nao vem mexer com meu irmao.
Se mexer com ele...
--Eu nao to mexendo com ele.
--Claro. Nao e disso que voce gosta, ne? Entao deixa meu irmao em paz.
Deixa o Edu em paz e vai cuidar da tua vida.
Izabel estava injuriada.
--Voce e doente.
--Voce e que e podre.
--Voce e maluca. Coitado do seu filho.
(CAMPOS, 2014, p. 220)


E um embate em que a invocacao da paz, o deixar-em-paz, e uma declaracao de guerra. "Deixar em paz" nao significa aqui manter a "justa distancia", mas, sim, a imposicao de um distanciamento completo; uma ordem com a funcao de afastar o irmao da ma companhia; em outras palavras, uma ordem para manter separadas a religiao e a sexualidade. A ideia de seguranca e protecao que normalmente envolve a nocao de comunidade escamoteia o fato de que, para essa ideia subsistir, e preciso afastar os que nao estao de acordo com suas normas. E preciso deixar do lado de fora tudo o que e visto como impuro, pois o que se deve evitar a todo custo e a contaminacao. Por isso, um dos unicos modos de entrar em uma comunidade, ou de permanecer nela, ou de ser "deixado em paz", usufruindo de seus beneficios, e a conversao. Todas as benesses dependem desse gesto originario.

Quando Talita, irma de Eduardo, profere o deixar-em-paz, invoca essas leis. Um dos preceitos da religiao e a de que se pode falar em seu nome; alias, e sempre em nome da religiao que o fiel deve falar. E o que se encena mais adiante: "Se Deus mandava ela [Talita] falar, ela falava. So tinha dado o recado. Logico que o diabo ia espernear de odio. Logico que ele ia retaliar. Mas filho de Deus nao pode baixar a cabeca na primeira tribulacao" (CAMPOS, 2014, p. 240). E em nome de Deus que se evoca o odio.

A semantica da doenca, da podridao e da loucura contidas nesse dialogo faz migrar a "cena". A duvida nao e se existe amor nas relacoes contemporaneas, mas como ele pode se manter no meio de comunidades tao dispares, se o que ainda subsiste e a conversao a um unico modelo. A bissexualidade de uma mulher nao deveria se encontrar com a religiosidade de outra, porque ambas sao regidas por leis proprias, irremediavelmente antagonicas. O fato de igrejas evangelicas, em diferentes denominacoes, disseminarem ainda algo tao impreciso e passivel de contraposicao quanto a "cura gay" como uma das promessas de aceitacao e efetivacao da conversao demonstra o tamanho das diferencas que ha em cada uma. "Aceitar Jesus em seu coracao", alias, e parte desse processo; expressao corriqueira nos templos religiosos como sinonimo de conversao. Nao seria essa a maior prova de expurgo a que as comunidades submetem o diferente, o que nao comunga? A comunhao, a partilha, se efetivaria tao somente entre os iguais. Nas comunidades existentes, a radicalidade dos preceitos tende a uniformizar, a forjar uma unidade as custas da erradicacao de qualquer diferenca. Nesse caso, a identidade deve necessariamente ser forjada para nao aceitar nenhuma interferencia que seja ditada fora da comunidade. Esse pensamento higienista, forjado em oposicoes (doenca/cura, limpeza/contaminacao), nega a existencia do que seja heterogeneo. Pensar de outra forma e obrigatoriamente abdicar da participacao em dado agrupamento social.

Ao contrario do que prediz o senso comum, nenhuma hospitalidade e possivel a partir desses parametros, uma vez que sua oferta esta condicionada a deveres pre-determinados. Essa hospitalidade condicional em que se deve "curvar de certa forma as regras em uso no lugar que o acolhe" (DERRIDA, 2004, p. 77) encontra respaldo nos conceitos politico e juridico, porem se choca com a ideia de alianca que permeia as religioes, pois essas sao fundadas (se pensarmos nas religioes de base crista) na crenca de uniao de todos os povos; seriam, portanto, o lugar da hospitalidade incondicional, na qual se deixaria adentrar na casa todo e qualquer um, acolhendo ate mesmo o intruso, o qual teria permissao inclusive de usurpar o que seria proprio daquele que hospeda. Nenhuma comunidade aceita esse risco.

Ha, pelo menos, duas cenas fortes de nao hospitalidade, de expulsao em A vez de morrer. Transcrevo a que relata o confronto entre aquele que segue a religiao e o que nao segue. Eduardo, apos se envolver com a filha de um religioso, vai a um casamento no templo ("Era o casamento de Junior, irmao mais velho de Sirlene e mais novo pastor da regiao, com Graciane, ex-vocalista da Holy Sacrifice"--CAMPOS, 2014, p. 127). O desfecho nao poderia ser outro senao a interpelacao:
--Sabe, Eduardo? O problema pra mim nao e voce nao ter religiao. Isso
nao ta em questao. Sou um cara ok com isso.--Sua voz era aguda e
estranha.--E so que eu fiquei sabendo por ai que voce nao gosta de
namorar. Nao gosta de namorar...! Ora, vejam so. O que eu acho
engracado e que comecar voce achou certo. (2014, p. 128)


Por detras da denegacao da frase, todo o "problema" origina-se na religiao e no que prega como correto, justo, proprio: o sexo, a uniao carnal, e interdito antes do matrimonio, incorrendo em grave erro quem corrompe tal lei. O corruptor deve ser banido da "cerimonia", e seu nao lugar a mesa exposto e como sinal de indecencia: "--Eu sei que voce nao frequenta. Sei que nao acredita. Mas a pessoa que nao acredita tambem pode ser decente. Acho". (2014, p. 127).

A indecencia e posta como atributo do nao frequentar, nao acreditar. Afirmar que se pode ser, fora das leis da religiao, e afirmar que nao se e. E o nao-ser que e nomeado para, em seguida, ser admoestado. Ora, o que esta sendo inquirido tanto a Izabel como a Eduardo e um cerceamento do corpo em nome da religiao. Como diria Barthes, todo um dossie a ser explorado. Mesmo nas comunidades idiorritmicas, ha o cuidado de separar os corpos, de estabelecer regras para as paixoes nao usurparem o bem-estar, o que e reforcado ao extremo nos macroagrupamentos religiosos. Inumeros sao os exemplos em que o sexo e o leitmotiv desestabilizador da vida comunitaria. Novamente, propaga-se a antonimia corpo/alma, na qual a ultima, imaterial, tem a prevalencia. Por isso, Sade e Pasolini nao puderam formar senao agrupamentos temporarios, a merce da censura, dos escandalos e da excecao.

Tal ordenamento, que submete o estranho as regras da comunidade, nao constitui novidade, tampouco as formas de subversao. No romance de Campos, paralelamente a ordenacao das regras, existe uma movimentacao subterranea que, caso exposta, desmontaria a suposta ordem cultuada. Delitos ocorrem o tempo todo, criando um clima de desconfianca e ressentimento, sob a aparente normalidade: roubo de fios de energia eletrica, adolescentes que matam aula para passar o dia na lan house, mulher que contrata homens para estupra-la e com isso livrar-se do marido, jovens bebados nos bares em busca de um par, estupros e revenge porn que expoem as mulheres em situacoes vexatorias publicas e privadas.

Situacoes como essas serviram para sedimentar o consenso de uma violencia sem tregua das grandes cidades, justificadora da ansiedade, do medo e da desconfianca dos individuos. Toda uma sociologia do caos urbano ajudou a constituir uma literatura brasileira contemporanea, de matiz urbano, fundada na explicitacao dessa violencia. Muitas vezes, o retorno ao campo foi apontado como saida. O livro de Campos, ao encenar essa saida, desnaturaliza o campo, demonstrando a dificuldade de distincao entre este e a cidade, uma vez que tudo e atingido pela "concentracao dos poderes capitalistico-midiaticos", na expressao de Jacques Derrida (2000, p. 37). Nesse sentido, o filosofo atenta para o fato de que as guerras religiosas exigem hoje, "com todo o rigor", o controle do ceu. Ao fazer o trocadilho entre ceu e espaco aereo, ele lembra o quanto as manifestacoes religiosas circulam atraves da cultura digital.

No romance, como prova de que nao ha conciliacao possivel entre os preceitos da religiao e a existencia do "Um", a distincao permanece irresolvida. Atraves da radio, difunde-se o Rock Cristao Brasileiro, porta-voz de jovens evangelicos ("--O grupo foi formado ha um ano por quatro jovens da regiao serrana do Rio: Selene, Jonas, Ricky e Dennyson. Em setembro passado, eles levaram o som deles pro festival de bandas cristas Nova Alvorada, em Ribeirao Preto, e arrebataram o publico gospel com suas composicoes! Sim, como o Brasil ta descobrindo, Jesus tambem gosta de rock!"--CAMPOS, 2014, p. 249). Na exposicao da violencia, a protagonista parada no acostamento ouve, em outra lingua que ressoa todas as linguas, a versao da sua historia. Ela e Jezebel, a prostituta. O som maneiro do gospel religioso destina a ela uma das tantas punicoes biblicas. O julgamento de Deus vira com granizo e chuva (4). E a voz do Apocalipse. 2:20-21: "Contudo tenho [Deus] o seguinte contra voce [Tiatira, umas das congregacoes cristas]: voce tolera aquela mulher Jezabel, que se diz profetisa e ensina e desencaminha os meus escravos, induzindo-os a cometer imoralidade sexual e a comer coisas sacrificadas a idolos. Eu dei a ela tempo para se arrepender, mas ela nao quer se arrepender da sua imoralidade sexual" (BIBLIA SAGRADA, 2014).

O ceu, desde o inicio, nao tem compaixao. A idiorritmia, embora pertenca ao vocabulario religioso, pode ser tao somente uma fantasia, isto e, uma projecao. As comunidades, tais como constituidas, tendem a se opor violentamente ao ritmo pessoal dos individuos, que ficam sujeitos aos discursos apocalipticos; nao apenas religiosos, mas tambem juridicos, sociologicos, filosoficos, etc.

Referencias bibliograficas

AGAMBEN, Giorgio. Profanacoes. Trad. S.J. Assmann. Sao Paulo: Boitempo, 2007.

BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. Trad. H. dos Santos. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora, 2000.

BARTHES, Roland. Como viver junto: simulacoes romanescas de alguns espacos cotidianos: cursos e seminarios no College de France, 1976-1977. Trad. L. Perrone-Moises. Sao Paulo: Martins Fontes, 2003.

BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por seguranca no mundo atual. Trad. P. Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

BAUMAN, Zygmunt. Amor liquido: sobre a fragilidade dos lacos humanos. Trad. C. A. Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

BAUMAN, Zygmunt. Confianca e medo na cidade. Trad. E. Aguiar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.

BIBLIA SAGRADA. Traducao do novo mundo. Cesario Lange-SP: Associacao Torre de Vigia de Biblia e Tratados, 2014.

CAMPOS, Simone. A vez de morrer. Sao Paulo: Companhia das Letras, 2014.

CESAR, Ana Cristina. A teus pes. Sao Paulo: Atica, 1999.

DERRIDA, Jacques. De que amanha: Dialogo/Jacques Derrida; Elisbeth Roudinesco. Trad. A. Telles. Rio de Janeiro: Jorge zahar Editor, 2004.

DERRIDA, Jacques; VATTIMO, Gianni. A religiao: o seminario de Capri. Trad. T. M. Verza. Sao Paulo: Estacao Liberdade, 2000.

O PANTANO. Direcao: Lucrecia Martel. Franca, Argentina, Espanha, 2001.

Milena Magalhaes fez mestrado e doutorado em Teoria da Literatura pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho - IBILCE/Unesp, com estagio na Universite Paris VIII. Atualmente, e professora na Universidade Federal do Sul da Bahia e lider do GEPEC--Grupo de Pesquisa em Poetica Brasileira Contemporanea. Centra seus estudos na prosa e poesia brasileira contemporaneas, refletindo sobre as representacoes autobiograficas do/no presente. Mantem, ainda, uma reflexao constante sobre o lugar da literatura na Educacao Basica e no Ensino Superior, desenvolvendo, no momento, o projeto Partilhas literarias para a elaboracao de praticas de leitura interdisciplinares, com o apoio do CNPq.

E-mail: milena_guidio@yahoo.com.br

Milena Magalhaes

Universidade Federal do Sul da Bahia Teixeira de Freitas, BA--Brasil

(1) O booktrailer pode ser encontrado na pagina da Companhia das Letras: <https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13460>

(2) Barthes (2003) aponta a tese do historiador de arte Joseph Rykwert de que "o paraiso implica a 'casa'", o que a liga a ideia de "contrassolidao", dai a cabana de Adao ser o modelo milenar da arquitetura. E a propriedade campestre posta como o "lugar total". O interesse da tese de Rykwert reside na demonstracao da simbologia da casa como lugar de "Criar um volume que o sujeito possa interpretar em funcao de seu proprio corpo. Cabana: ao mesmo tempo corpo e mundo; o mundo como projecao do corpo" (2003, p. 96).

(3) Entrevista concedida ao Jornal O Globo em 8 de novembro de 2014. Disponivel em: <https://oglobo.globo.com/cultura/livros/simone-campos-rio-esta-sempre-vivendo-pequenos-apocalipses-13097422>

(4) Em Ezequiel 38:22, Deus pronuncia: "Vou trazer o meu julgamento contra ele [o Diabo] com peste e derramamento de sangue. Farei cair uma chuva torrencial, pedras de granizo, fogo e enxofre sobre ele, sobre suas tropas e sobre os muitos povos que o acompanham" (BIBLIA SAGRADA, 2014).

Recebido em: 15/09/2017

Aceito em: 30/11/2017

https://dx.doi.org/10.1590/1517-106X/2018202121136
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Author:Magalhaes, Milena
Publication:Alea: Estudos Neolatinos
Article Type:Ensayo critico
Date:May 1, 2018
Words:6935
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