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A "Pedagogical Pattern" for the background formation of researchers in the Fields of Education and Teaching: report, analysis and thoughts/Um "modelo pedagogico" para a formacao de pesquisadores em Educacao e Ensino: relato, analise e reflexoes/Un "modelo pedagogico" para la formacion de investigadores en las areas de Educacion y Ensenanza: relato, analisis y reflexiones.

1 INTRODUCAO

No atual contexto da pos-graduacao brasileira na area de Educacao, ha discussoes concernentes ao processo de formacao de novos pesquisadores. Elas contemplam diferentes aspectos, como a perda de aprofundamento teorico, o aligeiramento da formacao, a qualidade dos trabalhos finais e o clima acirrado no tocante a produtividade imposta quando a Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (Capes) passou de avaliadora e gestora a financiadora da pesquisa no Brasil (BIANCHETTI, 2006; BIANCHETTI; MACHADO, 2009).

1.1 Sobre as reflexoes que amparam a concepcao do "modelo pedagogico" da disciplina

Os aspectos citados, de certa maneira, sintetizam os problemas enfrentados pelos programas de pos-graduacao, principalmente na area de Educacao, que, historicamente, vem se opondo a ideologia de metrica e dos resultados. Ha, segundo Bianchetti (2006), posicoes distintas em relacao aos aspectos supramencionados. Portanto, para alem de antagonismos, uma visao critica sobre o tema e necessaria para que nao ocorra o esvaziamento da pesquisa na area. Em outras palavras, nao e possivel ceder a modismos e, muito menos, a corrida para inserir "mais um texto no Curriculo Lattes". Nesse sentido, mais do que a critica a ser feita, que, sem duvida, e importante, ha de se pensar em estrategias que permitam a realizacao de pesquisas que produzam conhecimentos com relevancia social e academicamente consistentes, o que, de certa forma, decorre de reflexoes sobre o rigor e a qualidade na pesquisa (ANDRE, 2001; BEILLEROT, 2001; LAPERRIERE, 2009). Esse argumento confronta um ceticismo imobilizador, pois admite a irreversibilidade do processo, em medio prazo, no macrocontexto da pos-graduacao brasileira, alem de conceber claramente que a publicacao e inerente a toda e qualquer pesquisa. Em sintese, ha de se ter alguma clareza sobre os processos de pesquisa academica e avancar em estrategias que minimizem aquilo que e prejudicial e resultante da mudanca estrutural ocorrida. Uma contribuicao reflexiva, para alem do produtivismo, pode ser encontrada em Machado, Jesus e Silva (2012, p. 1), pois,
   A critica precisa levar, alem do combate a construcao de
   alternativas que superem o que consensualmente consideramos
   nefasto. [...] A "carta periodica" [...] consiste em interacao
   regrada (por escrito) entre um grupo de dez a doze pesquisadores ou
   atores sociais de notorio saber com relacao a determinada tematica.


A contribuicao dos autores, no entanto, dirige-se especificamente a um grupo seleto de pesquisadores altamente especializados. Porem, ela pode inspirar a formacao de novos pesquisadores. Assim, no sentido de ir alem e dirigir a proposta a esse pessoal, tomamos um caminho distinto, por estarmos diretamente envolvidos na orientacao e na docencia em programas stricto sensu nas areas de Educacao e Ensino. Em outras palavras, visamos, pedagogicamente, contemplar aspectos que superem a mera ideia de "producao pela producao", como meio e fim, e passem pelo processo de formacao intelectual e pesquisa rigorosa, como sugerem Machado, Jesus e Silva (2012). Severino (2007) afirma que, para compreender a pesquisa em Educacao, deve-se assumir o pressuposto de que a pos-graduacao e o lugar prioritario e institucional da pesquisa. Essa afirmacao tem implicacoes epistemologicas, como bem afirma o autor, e, segundo depreendido da leitura, ha implicacoes didaticas e pedagogicas, para as quais estamos atentando em uma adequada articulacao epistemologica, tambem para a area de Ensino.

Com essas preocupacoes, ou seja, os antecedentes que ampararam a elaboracao da disciplina, concebemos um "modelo didatico-pedagogico (1)", que, ao mesmo tempo em que socializa os conhecimentos considerados pertinentes a disciplina, agrega processos formativos relevantes para formacao de pesquisadores, tomando a pos-graduacao como locus da pesquisa.

Ainda esclarecemos que o modo como focamos a experiencia vivida e inspirado numa perspectiva fenomenologica, pois nao a tomamos como algo estatico, mas como uma manifestacao, como um desvelar-se (BICUDO, 2011). E por isso que relatamos a nossa experiencia e interrogamos: "Que contribuicoes a disciplina Analise Critica de Artigos de Pesquisa em Ensino de Ciencias e Matematica pode oferecer ao pesquisador em formacao inicial?". Mesmo que o nosso foco seja o relato, as reflexoes que fazemos nao se desvencilham de uma acao investigativa, ainda que seja em nivel exploratorio (GIL, 1999), considerando a interrogacao estabelecida e as varias questoes que emergiram e que podem gerar outras investigacoes.

Assim, alem de contemplar, nesta introducao, os aspectos teoricos mais significativos do estudo efetuado que antecedeu e acompanhou a oferta da disciplina, este artigo relatara sua conducao e, em seguida, recorrera as impressoes dos discentes sobre ela. Essa escolha textual se justifica em razao de a experiencia nao ter se dado de maneira individual, mas compartilhada, portanto, exigindo uma abertura dialogica com os demais sujeitos envolvidos na pratica pedagogica.

1.2 Sobre a disciplina e o modo como ela foi conduzida

A disciplina Analise de Artigos de Pesquisa em Ensino de Ciencias e Matematica foi concebida considerando as necessidades dos discentes ingressantes em programas de pos-graduacao, no nivel do mestrado, que, em geral, apresentam grande dificuldade no processo de escrita (MACHADO, 2002). Em outras palavras, buscou-se elaborar uma abordagem didatico-pedagogica que contribua para o desenvolvimento da autoria propria e o desenvolvimento de habilidades metacognitivas. Alem disso, a escrita, nessa abordagem, nao foi concebida de maneira tecnica, mas como uma acao mediadora e formadora, inclusive de reflexao epistemologica sobre a pratica de escrita academica.

Dessa maneira, a disciplina privilegiou o processo de escrita, em vez de a oralidade, no decorrer das aulas. As reflexoes apresentadas por Machado (2002) no tocante a pouca escrita praticada na escola de modo geral e tambem nas disciplinas da pos-graduacao foram condicionantes para a concepcao de nosso modelo didatico-pedagogico.

No sentido de clarear a proposta da disciplina, apresentamos, no Quadro 1, a sua ementa, objetivos, conteudo programatico e a metodologia, cuja carga horaria e de 60 horas.

Esses sao os aspectos formais da disciplina, que foi desenvolvida em duas etapas, com distintos momentos, os quais serao explicitados e debatidos a seguir.

1.2.1 Primeira etapa

No primeiro momento, os textos selecionados para a disciplina foram enviados antecipadamente aos discentes. Esses textos abordavam questoes gerais sobre a pos-graduacao em Educacao no Brasil, pesquisa academica, producao escrita e periodicos academicos. Alem da leitura, foi solicitada a producao de uma sintese entre 15 e 20 linhas sobre cada um deles, com formatacao especifica, acompanhada de duas a tres questoes sobre os textos.

Essas sinteses foram utilizadas para conduzir as discussoes iniciais da disciplina, visando a inducao do processo de escrita, e foram corrigidas e devolvidas aos discentes para que pudessem corrigir equivocos, quando fosse o caso. Eles tambem receberam algumas orientacoes gerais no tocante ao processo de escrita.

No segundo momento, reunidos em grupos, os discentes discutiram e redigiram, ainda sem leituras previas, criterios que empregariam na analise de artigos de pesquisa. Em seguida, empreenderam a analise de um artigo sob a escolha de cada grupo e efetuaram uma analise individual, com os criterios estabelecidos por eles. Essa analise foi efetuada tambem por escrito, entregue e debatida.

No terceiro momento, novos textos foram introduzidos, destacando aspectos do conteudo de artigos de pesquisa, bem como a qualidade da producao. Foram mantidas as sinteses acompanhadas das questoes, e o processo foi semelhante ao primeiro momento, porem com carater mais indutivo, ou seja, indicando possiveis criterios a serem utilizados na analise de artigos. Esses tres momentos tomaram metade da carga horaria da disciplina (cerca de 30 horas), e aproximadamente um terco (10 horas) foi ocupado com escrita individual ou coletiva.

Por fim, encaminhamos um trabalho em grupo, inspirados pelo texto de Machado, Jesus e Silva (2012), conforme ja mencionado. Nele, os autores propoem um debate amplo entre especialistas por meio do que denominam de Carta Periodica. Para tanto, solicitamos que os distintos grupos formados pelos discentes elaborassem coletivamente e por escrito um plano de trabalho, contendo os passos a serem seguidos. Esse trabalho visava a producao de um artigo, analisando artigos de interesse do grupo publicados, preferencialmente em periodicos indexados, sob criterios delimitados a partir das leituras e discussoes efetuadas em sala de aula. Dessa maneira, em cada oferta da disciplina, nos anos de 2014 e 2015, foram contemplados diferentes temas, e diferentes criterios foram assumidos, conforme aquilo que, individual ou coletivamente, o grupo dispunha em termos materiais, temporais e conceituais.

A disciplina foi ofertada de maneira concentrada, em dois "blocos" com cerca de 50% da carga horaria prevista para o primeiro deles, dando um intervalo aproximadamente de 60 dias para o proximo. Nesse interregno, dialogamos pessoalmente, por meio de orientacoes individuais e coletivas, e por meio eletronico exclusivamente, e-mail. Em geral, os estudantes alteraram o plano de trabalho inicialmente previsto, refinaram ou abandonaram criterios, alteraram o foco e os dados ou fontes a serem analisados, bem como aplicaram ou desenvolveram procedimentos de analise. Esse trabalho se constituiu na base para o encaminhamento da segunda etapa.

1.2.2 Segunda etapa

Nessa etapa, cada grupo trouxe o seu artigo redigido e estruturado. No primeiro momento, coletamos os originais e redistribuimos para cada um dos colegas (discentes) dos outros grupos para que pudessem efetuar uma leitura critica. Em outras palavras, propusemos a reflexao sobre os artigos dos colegas, empregando os conceitos veiculados na disciplina, indagando implicitamente o que haviam aprendido ao longo da disciplina, pois teriam de redigir um parecer para que os artigos fossem revisados e ajustados, segundo criterios minimos de rigor e qualidade. A outra metade da disciplina, portanto, foi destinada a leitura e escrita no contexto da sala de aula. Assim, como ja mencionado, privilegiamos no ambito da disciplina a escrita e nao a oralidade, conforme indica Machado (2002).

O Quadro 2 foi utilizado para a conducao das analises realizadas pelos discentes, produzindo, como ja dissemos, um parecer para cada artigo.

Esse quadro foi organizado com base na nossa experiencia como pesquisador e adaptado de varios periodicos para os quais temos emitido pareceres. Essa pratica foi concebida com a intencao de ofertar aos novos pesquisadores processos formativos que contemplassem a leitura e a emissao de pareceres em artigos e outros tipos de textos.

No segundo momento, os discentes ficaram com a responsabilidade de compilar os pareceres recebidos dos colegas em arquivo unico, em um quadro com duas colunas. Na primeira coluna, eles deveriam reunir os argumentos dos colegas (pareceristas) e, na segunda, redigir a decisao tomada. Caso fosse mantida a escrita inicial, eles deveriam fundamentar e registrar nessa coluna. Vale ressaltar que isso sugere e solicita dos discentes o controle sobre a propria producao, requerendo habilidades metacognitivas, ou seja, conhecimento sobre o proprio conhecimento.

No terceiro e ultimo momento, os grupos entregaram a versao final do artigo, apensada a compilacao dos pareceres produzidos no segundo momento. Sobre essa versao, avaliamos os ajustes e os argumentos produzidos pelo grupo e efetuamos a correcao da versao final. Destacamos que essa versao, em geral, retornou com mais rigor na escrita e precisao conceitual. Dessa maneira, os textos se tornaram publicaveis porque foram construidos sob processos investigativos e nao apenas como um trabalho final de disciplina, o que, muitas vezes, e produzido as pressas e sem uma reflexao aprofundada, em ambito individual ou coletivo. Leve-se em consideracao o fato de que todo o processo de escrita envolvendo os mesmos aspectos demorou pelo menos um semestre letivo. Sem duvida, o nivel dos textos, salvo excecoes, e exploratorio, mas se tomarmos a ideia de consenso coletivo (LAPERRIERE, 2010) como um criterio de cientificidade, as versoes finais dos artigos alcancaram um nivel razoavel de aprofundamento e dialogo com a comunidade de pesquisa.

Em resumo, podemos sintetizar aquilo que foi desenvolvido ao longo da disciplina, conforme o Quadro 3:
Quadro 3--Etapas e momentos implementados na disciplina Analise
critica de artigos de pesquisa em Ensino de Ciencias e Matematica

Etapas     Primeiro momento   Segundo momento   Terceiro Momento

Primeira   Selecao de         Discussao e       Leitura e a
etapa      textos             redacao de        elaboracao de
           articulados aos    criterios         sinteses de
           temas que          analiticos ad     textos sobre
           pretende           hoc (Professor/   criterios de
           discutir na        Alunos)           cientificidade
           disciplina                           (Alunos)
           (Professor)

           Leitura de         Selecao e         Escolha e
           textos e           analise de        redacao de
           elaboracao de      artigos a         criterios
           sinteses dos       partir dos        decorrentes das
           textos indicados   criterios         leituras e
           (Alunos)           analiticos        sinteses
                              estabelecidos     (Alunos)
                              (Alunos)

           Leitura e          Redacao e         Discussao e
           correcao das       entrega das       redacao de um
           sinteses           analises          plano de
           elaboradas         efetuadas         trabalho
           (Professor)        (Alunos)          coletivo com
                                                vistas a
                                                elaboracao de um
                                                artigo final
                                                (Alunos)

Intervalo para a elaboracao e analise do artigo final 2

Segunda    Recolha dos        Leitura dos       Revisao dos
Etapa      artigos            pareceres e       artigos a partir
           produzidos         compilacao das    das
           (Professor)        contribuicOes     contribuicOes
                              (Alunos)          exaradas nos
                                                pareceres
                                                elaborados pelos
                                                colegas (Alunos)

           Redistribuicao,    OrientacOes       Redacao e
           entre discentes,   gerais sobre      argumentacao
           dos artigos        como proceder a   sobre os
           produzidos, para   revisao em        aspectos
           que sejam          funcao dos        incorporados ou
           realizadas a       pareceres         rejeitados dos
           leitura, a         (Professor)       pareceres
           redacao e a                          (Alunos)
           emissao de
           pareceres
           individuais de
           cada (Professor/
           Alunos)

           Apresentacao de    Parecer inicial   Parecer final
           criterios de       sobre os          dos artigos
           revisao de         artigos           produzidos
           artigos            produzidos        (Professor)
           analisados         (Professor)
           (Alunos)

Fonte: Elaboracao propria.


A partir dessa experiencia, consideramos pertinente efetuar um levantamento junto aos discentes que participaram das duas ofertas da disciplina, para que pudessemos avaliar, minimamente, os seus desdobramentos e avancar na compreensao daquilo que haviamos observado ao longo das duas ofertas.

1.3 Um levantamento sobre as impressoes dos estudantes

No ano de 2015, elaboramos um questionario em plataforma eletronica e enviamos aos discentes que cursaram a disciplina, em 2014 e 2015. De um total de 42, 24 (3) responderam ao questionario, o que representa aproximadamente 60%. Nesse sentido, ha um numero razoavel de respondentes para que possamos avancar na compreensao da experiencia. Ressaltamos que o formulario foi enviado uma unica vez e ficou disponivel para ser preenchido ao longo do mes de agosto, sem outros avisos e chamadas. O questionario contemplou tres questoes fechadas, uma aberta e uma pergunta de escala. Os resultados das questoes fechadas podem ser visualizados nas Figuras 1 e 2.

Naquilo que concerne a questao aberta, ela foi assim enunciada: "Quais as suas impressoes sobre a disciplina?" Ela foi acompanhada do texto de ajuda:

Essa pergunta pode contemplar desde a literatura utilizada na disciplina ate a sua avaliacao sobre seu progresso particular no tocante a escrita, a discussao critica, aspectos relacionados aos pontos em que a metodologia empregada se aproxima ou se distancia de outras disciplinas ja cursadas na pos-graduacao, e outros aspectos que considerar pertinente (O autor).

Diante do relato e do levantamento, efetuamos reflexoes sobre a disciplina ofertada e o "modelo pedagogico" implementado. Para tanto, tomamos trechos das respostas abertas de modo a articula-las a nossa compreensao e experiencia vivida. Como ja explicitamos, focamos a experiencia sob a interrogacao: "Que contribuicoes a disciplina Analise Critica de Artigos de Pesquisa em Ensino de Ciencias e Matematica pode oferecer ao pesquisador em formacao inicial?"

1.4 Reflexoes sobre a disciplina mediante as respostas dos discentes envolvidos

Os graficos apresentados nas Figuras 1 e 2 revelam que todos os respondentes, tanto os do ano de 2014 quanto os do ano de 2015, consideraram a disciplina inovadora, e, ao atribuir um conceito na escala entre 1 e 5, a maioria a avaliou como muito inovadora, ou seja, atribuiu o conceito 5. Em sintese, o fato de enfocar a escrita no ambito de uma disciplina da pos-graduacao e nao apenas a convencional leitura e o debate, parece ter impactado a visao dos discentes, fazendo com que eles respondessem desse modo. Ainda, pode-se destacar que dos 24 respondentes, 14 ja haviam cursado alguma disciplina no ambito da pos-graduacao stricto sensu. Esse quantitativo expressivo oferece um indicio relativamente seguro de que a metodologia concebida e executada contribuiu de modo particular para a formacao dos novos pesquisadores. Podemos argumentar, com base no exposto, sobre a necessidade da criacao e implementacao de metodologias que privilegiem experiencias como a relatada neste artigo, nao apenas em disciplinas dirigidas (especificas), como e o caso da disciplina Analise de Artigos, mas perpassando outras, fortalecendo o argumento de Severino (2007) de que a pos-graduacao e um lugar da pesquisa por excelencia.

Alem desses aspectos respondidos objetivamente, ha aquelas respostas descritivas, como do Respondente 1 (4), que afirma:
   [...] A metodologia da disciplina se diferenciou das demais
   cursadas ja no modo de conduzir as discussoes dos textos. Tendo em
   vista que era solicitado a elaboracao de uma sintese de cada texto,
   bem como a elaboracao de duas perguntas. Isso, possibilitou um
   aprofundamento dos conceitos, e uma discussao mais direcionada.
   Esse modo de conduzir a leitura dos textos, tambem contribuiu para
   avancos relacionados a nossa escrita, pois o professor leu todas as
   sinteses e apontou os aspectos em que elas poderiam melhorar [...]
   (SIC).


Esse excerto evidencia a presenca constante da escrita no decorrer da disciplina e corrobora o nosso entendimento de que esse poderia ser um diferencial para a formacao dos pesquisadores. O Respondente 1 expressa claramente a contribuicao que a escrita trouxe para a sua formacao, permitindo um debate mais qualificado do que a simples leitura, ou destaque de pontos relevantes e consequente debate. Dessa perspectiva, e possivel superar a forte cultura da oralidade que marca a formacao de pesquisadores em nosso pais, principalmente nas areas de Educacao e Ensino. O espaco de sala de aula se torna um espaco privilegiado para o desenvolvimento de habilidades da redacao, nao apenas em sua dimensao tecnica, mas tambem epistemologica, uma vez que envolve escrita academica, articulacao de conceitos, gestao de variaveis, analise e interpretacao a partir de dados e fontes. Ela supera a ideia de oficinas, pois nao tem a pretensao de ensinar a escrever, o que certamente nao poderiamos realizar, uma vez que nao temos formacao especifica em Letras, mas a de contemplar a escrita como uma dimensao, talvez a mais importante, no ambito da pos-graduacao.

O Respondente 3 confirma isso, por meio de outros argumentos, conforme segue:
   [...] a metodologia empregada inovadora, de grande contribuicao e
   com diferencial das demais disciplinas. O diferencial que considero
   e o fato de nos fazer escrever, e nao apenas escrever mas termos um
   parecer do que escrevemos, para assim percebermos nossas falhas e
   crescermos na escrita. (SIC).


Nao e a simples presenca da escrita que confere o carater inovador, mas o modo como o ambiente foi constituido, ou seja, enfatizando o carater formativo e criativo da escrita. Quando o Respondente 3 destaca a possibilidade de rever falhas e crescer na escrita, de certo modo se refere aos aspectos tecnicos que se fizeram presentes na disciplina. E, principalmente, a possibilidade de dialogar por intermedio da escrita e com a propria escrita. Ele ressalta o aspecto inovador e efetua um comparativo com outra disciplina que ja havia cursado. Esse entendimento nao parece ser uma critica as demais disciplinas, mas a enfase em um aspecto pouco comum naquela que ministramos, isto e, a escrita como principal ferramenta pedagogica e que foi incentivada ao longo de toda a oferta.

A afirmacao do Respondente 3 ainda evidencia uma dificuldade enfrentada de modo particular, mas que pode ser estendida aos demais, ou seja, a dificuldade de escrever de modo consistente e rigoroso. Essa e uma das situacoes que mostra resistencia na implantacao de modelos pedagogicos distintos, haja vista o fato de que e preciso saber lidar com os embates que emergem da contradicao entre o que se pretende registrar e aquilo que efetivamente se escreve.

Considerando a contribuicao para a formacao de novos pesquisadores no tocante ao rigor e a qualidade da pesquisa em Educacao e Ensino, o Respondente 7 afirmou:
   Saio dessa disciplina muito satisfeita com o que aprendi e
   particularmente otimista com a possibilidade de ser capaz de
   produzir artigos cientificos de qualidade, primando pelo rigor e de
   modo especial, sempre buscando empreender interpretacoes que
   indiquem mesmo que minimamente para a producao de conhecimentos
   novos (SIC).


Alem dos aspectos concernentes a metodologia e a abordagem didatico-metodologica, esse respondente mostra ter se apropriado de conceitos apresentados na disciplina, como a ideia de rigor, os niveis de producao do conhecimento e o papel da producao academica como inerente a toda e qualquer pesquisa desenvolvida. Esse respondente, em particular, parece ter desenvolvido ou agucado uma vigilancia epistemologica (BACHELARD, 1977), observando a importancia de transcender o nivel exclusivamente descritivo dos trabalhos academicos, buscando reflexoes que tragam interpretacoes mais aprofundadas, ou--quem sabe?--ineditas. Em certo sentido, essa fala pode revelar um "dar-se conta", uma compreensao da necessidade de dialogar com um objeto de pesquisa ou fenomeno, na busca por aspectos ainda nao conhecidos. Portanto, sendo capaz de ir alem daquilo que imediatamente aparece no decorrer da analise. E por esse motivo que a escrita no ambito da formacao comporta uma dimensao de vigilancia epistemologica.

Esse aspecto tambem pode ser interpretado, por exemplo, no excerto do Respondente 2: "A disciplina acrescentou principalmente na parte de compreensao e escrita de artigos e tambem na importancia da publicacao em periodicos (SIC)", e do Respondente 12:
   A disciplina abordou informacoes relevantes quanto a analise e a
   producao de artigos de pesquisas, as quais, estao relacionadas ao
   rigor e a qualidade, aspectos importantes que irao contribuir para
   a nossa formacao como pesquisadores [...] (SIC).


A disciplina tambem se mostrou promissora para estudantes que nao tinham experiencia no nivel da pos-graduacao stricto sensu. Em certo sentido, revela que nao precisa de nivelamento para ofertar uma disciplina nesses moldes, faz-se necessario implantar e gerenciar uma dinamica de escrita no ambito da sala de aula. O excerto produzido pelo Respondente 14 aponta nessa direcao.
   [...] a disciplina foi o primeiro contato enquanto aluno de
   pos-graduacao em nivel strictosensu, logo nao tinha estabelecido
   parametros de comparacao. No entanto, a disciplina, transcendeu as
   expectativas. No que tange a bibliografia utilizada, esta se
   mostrou articulada com o que era discutido nas aulas, sinalizando
   preocupacao do docente na selecao dos textos. Alem disso, para cada
   texto trabalhado era exigido uma resenha, esperando dos alunos uma
   reflexao a respeito dos textos e nao a uma leitura desprovida de
   significado. A forma que as aulas eram abordadas, tambem chamou
   atencao, ja que, as discussoes em sala emergiam das interrogacoes
   que os alunos elaboravam a partir das resenhas. Vale destacar, que
   agora ja no segundo ano do curso de mestrado, e tendo cursado
   outras disciplinas, e possivel perceber diferencas, principalmente
   no que diz respeito a preparacao, metodologia e encaminhamento da
   disciplina. Ressalto tambem, que em varios momentos do curso do
   mestrado me encontrei utilizando "elementos" que emergiram das
   discussoes e reflexoes no interior da disciplina, como por exemplo,
   em analises textuais, resenhas ou em producoes de artigos (SIC).


O fato de o respondente recordar de aspectos trabalhados no ambito da disciplina se deve principalmente a ampla utilizacao da escrita no contexto das aulas, o que permite a aquisicao de uma memoria mais duradoura. Atribuir um bom desempenho apos praticamente dois anos e, no minimo, um indicio razoavel de que ela contribuiu para a formacao intelectual de novos pesquisadores, ainda que mais estudos precisem ser efetivados. Assim, a nossa experiencia com a disciplina superou expectativas iniciais e confirmou outras. Observe-se que os trechos dos distintos respondentes dao um certo grau de confianca ao nosso relato, evidenciando que aquilo que foi proposto foi efetivado quase que integralmente.

No tocante a formacao por meio da emissao de pareceres aos trabalhos escritos pelos colegas da disciplina, o Respondente 21 esclarece aquilo que mais lhe marcou:
   O grande diferencial foi proporcionar esse momento em sala de aula,
   ou seja, na propria carga horaria estabelecida, o que nao e tarefa
   facil, uma vez que lancar o olhar sobre um trabalho que nao foi
   realizado por voce e oferecer um parecer, trata-se de uma tarefa
   minuciosa, que demanda muito tempo (SIC).


Em sintese, os excertos apontam para a eficacia de se inserir a escrita como aspecto central das aulas. Ainda que nao tenhamos realizado essa experiencia para empreender uma pesquisa sobre ela, pois de inicio estavamos preocupados em ofertar uma visao distinta sobre a escrita, a avaliacao qualitativa da disciplina deu fortes indicios de sua relevancia. Eles mostram ainda que a escrita que precede os debates, permeia o desenvolvimento das aulas e avalia os trabalhos escritos pelos pares e uma estrategia que, embora pareca basica, e fundamental para o desenvolvimento de habilidades necessarias ao pesquisador. Porem, a afirmacao de Machado (2002) no sentido de que essa nao e uma pratica corrente nos programas de pos-graduacao em Educacao parece estar em voga, mesmo que esse possa ser um tema a ser investigado e aprofundado por pesquisadores interessados, inclusive no Ensino de Ciencias e Educacao Matematica.

CONSIDERACOES FINAIS

A iniciativa de proporcionar aulas formativas no ambito da posgraduacao, da otica do ato de escrever pesquisa, mostrou-se, no minimo, razoavel, tanto do ponto de vista de nossas "percepcoes' como do ponto de vista dos discentes. Os dados quantitativos e qualitativos, produzidos por ocasiao de avaliar a disciplina, registrados e discutidos nesse texto, permitem afirmar que e possivel contribuir para a formacao dos novos pesquisadores sem focar o produto em si, ou seja, o artigo pelo artigo.

Experiencias como essas podem se tornar inspiradoras para outros docentes da pos-graduacao, orientadores e outros interessados que queiram transcender uma perspectiva meramente produtivista e mesmo a perspectiva formacao "puramente" teorica que se pretende erudita. Em sintese, formar pela escrita e um aspecto que nao pode ser secundarizado no ambito da formacao de pesquisadores em qualquer area, e principalmente nas areas de Educacao e Ensino, principalmente se a pos-graduacao for assumida como o lugar da pesquisa (SEVERINO, 2007). Formar pela escrita tambem nao e um recurso pragmatico, que cairia no esvaziamento daquilo que e util. Essa postura exige congregar aspectos que foram dissociados, equivocadamente, ao longo da historia da formacao de pesquisadores em nosso pais.

Quando interrogamos: "Que contribuicoes a disciplina Analise Critica de Artigos de Pesquisa em Ensino de Ciencias e Matematica pode oferecer ao pesquisador em formacao inicial?", tinhamos apenas uma "impressao" de que ela havia efetivamente contribuido para a formacao dos discentes que participaram e isso foi corroborado e mesmo superado a partir das respostas emitidas e relatadas neste artigo.

Diante disso, somos impulsionados a defender um "modelo pedagogico" para disciplinas de pos-graduacao stricto sensu em Ciencias Humanas que contempla a escrita como aspecto primordial e articulador da formacao do pesquisador. Esse modelo supera um aspecto fortemente impregnado na cultura de pesquisa em Educacao e Ensino, ou seja, primeiro efetua-se pesquisa para depois escrever sobre. A experiencia exitosa permite-nos defender, portanto, que a escrita deve permear todo o processo formativo, sem paralelismos. Os resultados obtidos com a disciplina, ainda que nao tenham sido foco de investigacao, sugerem uma reformulacao de metodologias comumente utilizadas no ambito da pos-graduacao, superando a dicotomia entre a tradicao da formacao do pesquisador e a tradicao das disciplinas escolares.

Esses aspectos apresentados, longe de serem tomados ingenuamente, foram construidos mediante contradicoes e dificuldades de parte a parte. Nos, como docentes, tivemos um trabalho mais intenso e continuo do que quando ministramos disciplinas que privilegiam a oralidade, por meio de discussao. Isso pode ser um limitador devido a carga horaria elevada dos docentes das universidades brasileiras. Porem, superamos essa dificuldade por meio do trabalho coletivo implementado em sala de aula e, por termos condicoes profissionais de realizar essa atividade e principalmente por considerarmos a pos-graduacao um espaco proficuo a instauracao de um paradigma que valorize a escrita. Os discentes passaram por um processo de estranhamento, pois nao estavam habituados a registrar de modo recorrente e sistematico as suas leituras. Ainda que isso nao apareca explicitamente nos relatos, podemos afirmar que, em conversas com os discentes, eles manifestaram algum descontentamento inicial com o numero de leituras realizadas e as respectivas sinteses a serem apresentadas. Esse aspecto foi mais marcante na primeira oferta, considerando que o prazo para efetuar as leituras foi relativamente curto, cerca de 10 dias. No entanto, esse nao e um aspecto que invalida a proposta, mas a fortalece, visto que, a partir dela, foi possivel desafiar as praticas vigentes tanto do docente, quanto dos discentes, indicando a possibilidade de superacao de um paradigma instaurado (KUHN, 1998), que apenas solicita, mas nao se vale das potencialidades da escrita como processo articulador.

Por fim, a experiencia relatada e refletida pode suscitar pesquisas sobre aquilo que ora chamamos de "modelo pedagogico", com vistas ao aprofundamento de questoes a ele inerentes, mediante o amplo debate academico, debrucando-se sobre as suas potencialidades e limitacoes no atual e vindouro contexto da pos-graduacao brasileira.

http://dx.doi.org/10.21713/2358-2332.2016.v13.1082

Referencias

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BIANCHETTI, L. Politica de avaliacao e acompanhamento da CAPES: ingerencias e impactos nos PPGES. Atos de Pesquisa em Educacao, FURB, Blumenau, v. 1, n. 2, p. 140-153, maio/ago. 2006.

BIANCHETTI, L.; MACHADO, A. M. N. Publicar & Morrer?!Analise do impacto das politicas de pesquisa e pos-graduacao na constituicao do tempo de trabalho dos investigadores. Educacao, Sociedade & Culturas, Porto, n. 28, p. 53-69, 2009.

BICUDO, M. A. V. Pesquisa qualitativa: segundo a visao fenomenologica. Sao Paulo : Cortez, 2011.

GIL, A. C. Metodos e tecnicas de pesquisa social. 5. ed. Sao Paulo: Atlas, 1999.

KLUBER, T. E. Analise de artigos de pesquisa em Ensino de Ciencias e Matematica. Plano de Ensino (Programa de Pos-graduacao em Educacao, PPGE)--Centro de Educacao Comunicacao e Artes, CECA. Universidade Estadual do Oeste do Parana, Unioeste, Cascavel, 2014. 4 p. Disponivel em: <http://200.201.88.199/portalpos/media/File/educacao/Analise_de_%20 artigos_%20de_%20pesquisa_em_Ensino_de_Ciencias_Matematica. pdf>. Acesso em: 23 ago. 2016.

KUHN, T. A estrutura das revolucoes cientificas. Trad. Beatriz Vianna Boeira e Nelson Boeira. 5. ed. Sao Paulo: Perspectiva, 1998. (Colecao Debates).

LAPERRIERE, A. Os criterios de Cientificidade dos Metodos Qualitativos. In: POUPART, J. et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemologicos e metodologicos. Trad. Ana Cristina Nasser. 2. ed. Petropolis: Vozes, 2009. (Colecao Sociologia).

MACHADO, A. M N. A relacao entre a autoria e a orientacao no processo de elaboracao de teses e dissertacoes. A bussola do escrever: desafios e estrategias na orientacao de teses e dissertacoes. Sao Paulo: UFSC, 2002. p. 45-66.

MACHADO, A. M. N.; JESUS, P. C.; SILVA, I. C. A carta periodica: um modelo de publicacao interativo para superar o produtivismo academico e qualificar a producao cientifica. In: FORUM DE GESTAO DA EDUCACAO SUPERIOR DOS PAISES E REGIOES DE LINGUA PORTUGUESA, 2., 2012, Macau. Anais... Macau, China: Forges, 2012. p. 1-11. Disponivel em: <http:/ aforges.org/conferencia2/docs_documentos/Paralela_4/Machado_Ana et al (UNIPLAC-BR).pdf >. Acesso em: 5 abr. 2016.

SEVERINO, A. J. A pesquisa na pos-graduacao em educacao. Revista Eletronica de Educacao, Sao Carlos, v. 1, n. 1, p. 31-49, 2007.

Recebido em: 11/05/2016

Aprovado em: 09/08/2016

Tiago Emanuel Kluber, doutor em Educacao Cientifica e Tecnologica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e docente da Universidade Estadual do Oeste do Parana (Unioeste), dos Programas de Pos-Graduacao em Educacao, campus Cascavel, e em Ensino, campus Foz do Iguacu, Parana, Brasil. E-mail: tiagokluber@ gmail.com.

(1) Essa denominacao expressa o modo como pensamos a disciplina, ou seja, como um modelo didatico-pedagogico que parte de demandas atuais e as problematiza por meio de uma acao pedagogica integrada. Ele parece diferir de outros "modelos" convencionais, por isso optamos por essa terminologia.

(2) O intervalo foi previamente programado, considerando a necessidade de tempo para a realizacao da analise pelos grupos constituidos em sala de aula. Os grupos receberam, sem excecao, orientacao presencial e a distancia, via e-mail, e foram incentivados a dialogar constantemente.

(3) Os graficos contidos neste artigo foram retirados das planilhas geradas automaticamente pelo Google Docs. Observe-se que ha 25 respondentes. Porem, um dos respondentes, que nao quis se manifestar, preencheu a planilha errada, por isso nao foi computado.

(4) Os respondentes foram numerados sequencialmente, conforme planilha automatica utilizada para coletar as respostas, sem levar em consideracao o sexo.
Quadro 1--Informacoes contidas no plano de ensino da disciplina

EMENTA

Fontes de pesquisa bibliografica em Ensino de Ciencias. Artigos
recentes publicados nos principais periodicos em Ensino de Ciencias
e Matematica. Analises, discussoes e resenhas criticas dos artigos.

OBJETIVOS

* Indicar diferentes fontes de pesquisa bibliografica.

* Analisar criticamente artigos de Ensino de Ciencias e Matematica.

* Indicar e compreender diferentes modos de producao
academico-cientifica a partir dos artigos.

* Contribuir com a formacao tecnico-cientifica dos estudantes no
tocante a producao de artigos.

CONTEUDO PROGRAMATICO

* Banco de periodicos da Capes;

* Indexadores e buscadores virtuais;

* Revisao bibliografica nos trabalhos em Ensino de Ciencias e
Matematica;

* Criterios de cientificidade;

* Rigor e qualidade da pesquisa;

* Leituras, debates e resenhas criticas dos artigos analisados.

METODOLOGIA

Os principios metodologicos se pautam na problematizacao e
contemplam os seguintes procedimentos: leituras previas, aulas
expositivas, discussoes de textos, seminarios, resenhas criticas e
trabalhos escritos em geral. Alem disso, serao consideradas, a cada
oferta, as especificidades das pesquisas dos estudantes para a
organizacao da disciplina.

Fonte: (KLUBER, 2014).

Quadro 2--Roteiro de analise distribuido aos discentes na disciplina

CRITERIOS PARA A ANALISE DOS ARTIGOS: PRATICA DE ANALISE

Titulo do artigo:

Item                      Avaliacao                     Avaliacao

Estrutura do    O trabalho apresenta correcao,       ( ) Sim ( ) Nao
trabalho        clareza e coe-rencia de linguagem?

                Normas da ABNT: Esta adequado em     ( ) Sim ( ) Nao
                relacao as referencias
                bibliograficas e citacOes?

                Ha adequacao e qualidade em          ( ) Sim ( ) Nao
                relacao as tabe-las, graficos e
                ilustracOes?

Comentarios sobre a estrutura formal do trabalho. (Indique em itens
os topicos destacados)

Estrutura       4.1--Ha abrangencia e pertinencia    ( ) Sim ( ) Nao
conceitual do   do conteudo em relacao a area?
trabalho:
                4.2--Ha clareza e articulacao dos    ( ) Sim ( ) Nao
                conceitos?

                4.3--Os conceitos sao atualizados?   ( ) Sim ( ) Nao

                4.4--E original?                     ( ) Sim ( ) Nao

Comentarios sobre a estrutura conceitual do trabalho. (Indique em itens
os topicos destacados)

Estrutura       O artigo apresenta uma opcao         ( ) Sim ( ) Nao
metodologica    metodologica?

                O artigo descreve claramente os      ( ) Sim ( ) Nao
                metodos de coleta e analise de
                dados?

                Ha clara articulacao entre os        ( ) Sim ( ) Nao
                dados e as discus-sOes
                apresentadas

Comentarios sobre a estrutura metodologica do trabalho. (Indique em
itens os topicos destacados)

Figura 1--Resultados das questOes fechadas do questionario da
disciplina Analise de artigos de pesquisa em Ensino de Ciencias e
Matematica

Ano de participado

2014   10   40%
2415   15   60%

Foi a pnmeira disciplina cursada no ambito da pos-graduacao
stricto sensu?

Sim   11   44%
Nao   14   56%

Como voce classifica a metodologia da disciplina?

Convecional                0    0%
Inovadora                  24   92.3%
Nenhuma das anteriores     0    0%
Prearo nao me manifestar   1    3.8%

Fonte: Elaboracao propria.


Figura 2--Resultado da questao de escala sobre a inovacao da disciplina

Atribua um conceito aos aspectos inovadores da disciplina

Nada Inovadora  1   0    0%
                2   0    0%
                3   0    0%
                4   8    32%
Muito Inovadora 5   17   68%

Fonte: Elaboracao propria.

Note: Table made from bar graph.
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Article Details
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Title Annotation:Experiencias
Author:Kluber, Tiago Emanuel
Publication:Revista Brasileira de Pos-Graduacao
Article Type:Ensayo
Date:May 1, 2016
Words:5776
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