Printer Friendly

"The world shatters" in the classroom: counter-narratives, looks inside and teaching history (from Africa) and literature/"O mundo se despedaca" na sala de aula: contranarrativas, olhares por dentro e o ensino de historia (da Africa) e literatura.

Quando se trata do poder, e sempre a partir das margens que mais costuma ser vista [a revolta], e mais cedo, porque entra em questao, a totalidade do campo de relacoes e de sentidos que constitui tal poder (ANIBAL QUIJANO, 2009, p. 76).

Cada um esqueceu quem era, esqueceu ate o proprio nome. Um lado ganhou o nome escravo; o outro, de selvagem. A opressao da novos nomes a suas vitimas, ela as marca como um fazendeiro marca seu gado (CHINUA ACHEBE, 2012, p. 62).

Introducao, textos e contextos:

Nesse breve trabalho um dos principais objetivos e pensar a possibilidade do uso de uma producao literaria representativa no ensino de historia, buscando a contraposicao de logicas epistemicas inscritas em experiencias socio-historicas de colonizacao e colonialidade do saber, a obra utilizada nesse caso e "O mundo se despedaca", do escritor nigeriano Chinua Achebe.

Para tanto devemos considerar que ha diversos estudos que buscam mapear e entender a relacao entre historia e literatura, como o de Soares (2004), que entre outras coisas historiciza as aproximacoes e distanciamentos entre historia e literatura e as mudancas ocorridas na forma de trabalhar a literatura no campo da historia a partir das ultimas decadas do seculo XX. Nesse contexto, a principal mudanca foi a possibilidade de "considerar a literatura e a historia como leituras possiveis da recriacao do "real", uma vez que os discursos nao apenas representam mas tambem instituem a realidade, instauram imaginarios e praticas sociais."(SOARES, 2004, p.4). Acrescenta-se a partir de Passavento (2003) que esta recriacao se da "segundo uma cadeia de significados compartilhados" (PASSAVENTO, 2003, p. 35). Borges (2010) tambem se insere nessa perspectiva de tentar aproximar historia e literatura, para tanto trabalha principalmente "as relacoes estabelecidas entre a historia e a literatura e certas ponderacoes teoricas e metodologicas sobre as possibilidades de emprego das fontes literarias na pesquisa historica." (BORGES, 2010, 94).

Se amparando nos escritos de Edward Said (2003), notorio critico literario, tentamos aqui se aproximar de "uma visao da literatura" que seja "um pouco historica", e tambem do "uso" da literatura "de um ponto de vista historico, ou em seu contexto historico" (SAID, 2003, p. 209) entendendo que "todos os registros do passado os quais herdamos estao saturados da historia de suas proprias epocas". (2003, p. 211). A literatura como "repositorio" de experiencias humanas nos permite ler e/ou "ve a historia e a literatura se informando mutuamente" (2003, p. 213).

Ainda com Edward, pode-se apontar que a "historia e literatura existem como atividades temporais e podem se desdobrar mais ou menos juntas no mesmo elemento, que tambem e comum a critica" (2003, p. 213), nesse caso aqui, o mesmo elemento seria o plano de aula, "terreno" onde se desenrolariam essas atividades e desdobramentos, e sua conseguinte execucao em sala, no ensino de historia.

Enfim, a intencao nao e voltar ao debate de se a literatura e historia ou viceversa, mas considerar como essa discussao foi produtiva no sentido de estabelecer formas de inteligibilizar o conhecimento historico atraves da literatura, se atentando para suas fronteiras e metodologias, como tambem entender a historia como um campo de saber atravessado por inumeras relacoes de poder, que perpassam necessariamente pela instituicao da verdade.

O historiador Sidney Chalhoub (2003), trabalhando o livro Memorias postumas de Bras Cubas, analisa diversas facetas da literatura machadiana, buscando perceber aspectos como patriarcalismo, escravidao e politica, na sociedade oitocentista. Tambem e interessante perceber que o ano de publicacao do romance e 1880, e o texto aborda os

"eventos ocorridos entre o comeco do seculo XIX e a decada de 1860." (CHALHOUB, 2003, p. 95). Para fins dessa reflexao, e interessante pensar na possibilidade de estudo desse referencial representativo, pois, quando Chalhoub evidencia essa possibilidade abre caminho para o modo de interpretacao que vai ser utilizado nesse trabalho, que e trabalhar um tempo que o autor do texto literario nao presenciou, mas sobre o qual ele dispoe certas informacoes, uma das principais contribuicoes do historiador supracitado e mostrar a importancia dos eventos que se passaram entre o periodo ao qual faz referencia e o que a narrativa e escrita para a conformacao da perspectiva representativa, em ultima instancia e perguntar: o que o levou a representar especificamente esses fatos, esse contexto historico? Nessa perspectiva o historiador assevera: "Entre a morte do "defunto autor", em 1869, e o aparecimento do texto, em 1880, houve os acontecimentos politicos e sociais decisivos da decada de 1870, os quais conformam, de fato, o conteudo e o tom do relato de Bras" (2003, idem).

Pensando na utilizacao didatica do romance no ensino de historia, um dos trabalhos que nos mostrou esse horizonte como possivel foi o artigo de Celeste Maria Pacheco de Andrade (1996) que analisa as obras Jubiaba, Mar morto, Capitaes da Areia e Bahia de todos os Santos, todas produzidas pelo escritor baiano Jorge Amado.

Celeste M. Pacheco de Andrade se utiliza das narrativas produzidas por Amado como documentos historicos culturais que descrevem a vida na capital baiana. Nesse contexto, a autora pensa questoes como "diferencas sociais, atividades e ocupacoes dos personagens, preconceitos, religiosidade, entre outros.", que sao organizadas no "eixo tematico trabalho" (ANDRADE, 1996, p. 17,18).

Vale lembrar, que a utilizacao da literatura para a compreensao e/ou uma contraleitura de certa narrativa da historia na sala de aula, requer metodologias especificas que imbricam tanto os saberes produzidos por criticos da literatura, como pelos historiadores, pois, e necessario um conhecimento aprofundado tanto da obra enquanto recurso literario e sua proposta artistica, quanto o seu valor documental e os fatores que influenciaram a sua producao.

Diante da problematica de compreender a historia do povo Ibo a partir do romance "O mundo se despedaca", de Chinua Achebe, temos o desafio de apresentar essa proposta como possivel para os receosos profissionais da historia que certamente devem estar se perguntando acerca da viabilidade e confiabilidade do estudo historico a partir de um romance representativo, e que estao, com certeza, imbuidos, como nos diria o estudioso Carlos Moore, da realizacao de "tarefas de grande envergadura", tendo em vista "a obrigatoriedade do ensino da historia da Africa nas redes de ensino", e as exigencias de "disseminar, para o conjunto da sua populacao, num curto espaco de tempo, uma gama de conhecimentos multidisciplinares sobre o mundo africano" (MOORE, 2010, p. 97, grifo nosso).

Passavento (2013) afirma que "a literatura e sempre um registro privilegiado do seu tempo" (PASSAVENTO, 2013, p. 40). No entanto, e preciso reconhecer que alguns escritores lidam com a memoria seja ela individual ou coletiva, e como tal acabam por tecer uma rede de informacoes que ajudam o historiador a compreender o passado representado, como pode ser o caso de Chinua Achebe.

Nesse caso especifico, cabe uma leitura atenciosa e o cruzamento de diversas fontes, tanto romances, contos e entrevistas, como criticas literarias que nos aproximem tanto do autor no contexto em que produziu, como do autor e das informacoes que conseguiu sobre a realidade representada. E obvio que a analise nao busca entender o romance como traducao literal de nada, nesse caso o romance e um documento cultural, situado no seio de uma cena literaria africana emergente, escrita por alguem que teve oportunidade de lidar com certas narrativas sobre um acontecido.

O literato nao vai e nem deve ser entendido como alguem que nao utilize da sua liberdade de criacao, alias a ideia e exatamente historicizar a criacao literaria, tentando utiliza-la como uma forma de dinamizar o estudo de historia na educacao basica, se desfazendo de fontes que tornam turvas as praticas no ensino de historia, especificamente no ensino de Africa, deturpando seus textos e contextos.

Entendendo a obra de Chinua Achebe, e uma Africa a partir de dentro.

Os primeiros pontos desse dialogo visam reforcar o valor documental do romance "O mundo se despedaca", atentando para as intencoes e apropriacoes do autor quando da escrita do texto publicado em 1958, exatamente dois anos antes da Independencia da Nigeria em 1960. Nao e de se estranhar, que uma pessoa nascida numa aldeia--Ogidi--que faz parte do protetorado britanico, se expressasse contra a colonizacao, como diversas pessoas fizeram, buscando denunciar a imposicao dos costumes "ocidentais", como foi o caso de Achebe, e talvez seja por isso que o nome do romance e tao marcante, fazendo do autor nigeriano protagonista daquilo que Said aponta como cultura de resistencia.

Chinua Achebe produziu seus escritos literarios, e o Mundo se Despedaca e um deles, num dado momento historico em que emergiam questionamentos epistemologicos--efervescentes nos territorios, naquele contexto, narrados como de terceiro mundo--no tocante as logicas e aos sujeitos que produziam as narrativas e as maneiras de ver, e dizer a ou sobre a historia de certos grupos humanos, sobretudo, em espacialidades de experiencias imperialistas e anti-imperialistas. Edward Said escreveu sobre tal momento historico--no livro Cultura e Imperialismo--e a relevancia de explicitar que "o poder de narrar, ou de impedir que se formem e surjam outras narrativas", foi e e "muito importante para a cultura e o imperialismo, e constitui uma das principais conexoes entre ambos" (SAID, 2011, p. 11).

E que mundo e esse que se despedaca na narrativa achebiana (?), em meios as redes de relacoes colonialistas e conformadoras, como diria o especialista Anibal Quijano (2009), da colonialidade do poder e da modernidade. Para o referido autor, "a colonialidade e um dos elementos constitutivos e especificos do padrao mundial do poder capitalista", tal padrao se sustentaria na "imposicao de uma classificacao racial/etnica da populacao do mundo como pedra angular do referido padrao de poder e opera em cada um dos planos, meios e dimensoes, materiais e subjetivos" (QUIJANO, 2009, p.73).

Silvio Paradiso, ao analisar a obra achebiana, vai sustentar que "o despedacar" em Achebe "e a imagem metonimica do aniquilamento cultural promovido pelos ingleses e seus missionarios, como bem representado no titulo do romance" (2014). Nesse sentido, para Simon Ginkandi (3), escritores contemporaneos a Achebe "se preocuparam com o passado e as condicoes de sua representacao narrativa" (GINKANDI apud THIONGO, 2015, p. 6). Haveria, segundo Ginkandi, um "tema fundamental da literatura africana", naquele contexto precedente a decada de sessenta do seculo XX, que "era fornecer aos africanos um sentido adequado a propria historia" (2015).

Para o critico Silvio Paradiso (2014), O romance "O bebedor de vinho de palmeira", do escritor Yoruba Amos Tutuola, publicado em 1952, foi pioneiro em positivar os costumes de um povo africano, e apesar de ser criticado de "descrever um personagem embriagado, sem o dominio da lingua inglesa e totalmente supersticioso, levando a ideia de um povo yoruba aos moldes essencialistas.", tambem houve:

alguns intelectuais foram a favor de Tutuola, analisando seu texto como um novo conceito literario, que expoe a cultura e riqueza religiosa africana, rompe os padroes esteticos e linguistico europeu e critica o consumismo ocidental, bem como os males da insercao cultural hegemonica (branca-europeia-crista) nas sociedades tradicionais da Africa. Um destes intelectuais era Chinua Achebe, que anos depois, seguiria o caminho de Amos Tutuola, escrevendo seu best-seller Things Fall Apart (PARADISO, 2014, p. 22-23).

Antes publicar seu primeiro romance, Chinua Achebe produziu uma critica mordaz ao livro "Coracao das trevas", de Joseph Conrad, publicado em 1902, esse trabalho tambem foi importante para a formacao de Achebe e para a definicao do seu objetivo enquanto escritor. Ao discutir o olhar racistamente estereotipado pelo qual Conrad ve os habitantes da africa, afirma:

Se eu insistisse em fazer a viagem de barco, teria que me resignar, talvez, em ser aquele "especime aperfeicoado", como Conrad o chama sarcasticamente--mais absurdo, diz ele, do que um cao de calcas tentando entender a feiticaria oculta no medidor de agua do barco. O dia em que percebi isso foi o dia em que eu disse nao; o dia em que percebi que as historias nem sempre sao inocentes, que elas podem ser usadas para colocar voce no grupo errado, ao lado do homem que chegou para arrancar de voce todas as suas posses. (ACHEBE, 2012, p. 121).

Nesse contexto, Chinua Achebe se torna alguem engajado em produzir uma historia que trate dos africanos como seres humanos dignos, que conte toda a sua riqueza cultural e religiosa, elaborando assim possibilidades de texturas proprias para algo fundante que o escritor malines, Amadou Hampate Ba, trabalha em seu livro Amkoulleu, o menino fula--que e uma "visao interna" da Africa, "que vai de dentro pra fora dos fenomenos e revela a Africa-Sujeito, a Africa da identidade profunda, originaria, mal conhecida, portadora de propostas fundadas em valores absolutamente diferenciais" (BA, 2003, p. 10).

Nao so a confiabilidade, mas, mormente, a necessidade da obra achebiana em sala de aula repousa naquilo que Carlos Moore, assim como o proprio Hampate Ba chamam de uma leitura da Africa "a partir de dentro", ou elaborada por escritor/especialista/literato que conheca "a Africa a partir de dentro, atraves das mentalidades, cosmogonias, linguas e estruturas que moldaram aquelas sociedades ao longo da mais extensa historia do planeta" (MOORE, 2010, p. 134).

Em outras palavras, Achebe se preocupa com a producao de um retrato sobre Africa e sobre os africanos, diferente da produzida pelos colonizadores. O proprio Chinua Achebe aponta para a necessidade de que "os negros precisam fazer e recuperar o que lhe pertence--sua historia--e narra-la eles mesmos" (ACHEBE, 2009, p. 84), entendendo que:

contar a historia do povo negro na nossa epoca, e por um consideravel periodo antes disso, tem sido uma responsabilidade que os brancos tomaram para si, eles o fizeram sobretudo para atender os propositos de gente branca, naturalmente. (ACHEBE, 2009, p. 66).

Gikandi aponta para o caminho que escritores como Achebe tracaram, que foi o "de mostrar que os africanos tinham uma historia viavel" (2015), e uma historia, a nosso ver, epistemologicamente na contramao da experiencia colonial, uma contraliteratura emergia no sentido mais achebiano possivel, tendo em vista "o vasto arsenal de imagens depreciativas da Africa que" foram fabricadas no contexto colonial e deram "ao mundo uma tradicao literaria" e "uma maneira particular de olhar (ou melhor, de nao olhar) a Africa e os africanos, que, infelizmente, perdura ate os dias de hoje" (ACHEBE, 2009, p. 84).

A representacao que Chinua Achebe vai fazer do povo Ibo e dos seus costumes e uma tentativa de dizer que ha uma riqueza cultural em cada povo nos quais os europeus so viram/produziram estereotipos de selvageria; que havia uma profunda riqueza espiritual, material e social que foi despersonalizada, vilipendiada pela narrativa colonizadora.

Outro processo historico que tambem pode ser usado para entender a forma como o escritor nigeriano pensava, e a tentativa de implantacao de um estado Ibo independente da Nigeria, o que deu inicio a uma sanguinaria guerra civil de 1967-1970, a Guerra de Biafra. Nesse contexto, Achebe participou como ativista defensor da causa da independencia, uma tentativa singular de implantacao de um estado etnico no continente africano. Entao, pode-se entender que a narrativa achebiana tambem revindica a singularidade do seu povo, reivindica uma identidade que nao e diferente somente do europeu, mas de outros povos africanos que foram, atraves da politica de gestao territorial do governo britanico, alocados como se fizessem parte de uma mesma nacao, evidenciando assim as complexidades intracontinentais africanas.

Dito isto, ainda cabe aprofundar o olhar sobre as relacoes familiares de Achebe, que e filho de missionarios, membros de familias tradicionais, que se converteram a Missao Anglicana, Achebe diz que seu pai "foi um dos primeiros convertidos ao cristianismo", que fora criado pelo tio Udoh, a quem tentou converter. (ACHEBE, 2012, p. 44)

Seu tio Udoh, um lider da comunidade, homem de elevada moral e de mente aberta, um homem prospero que tinha preparado uma festa tao grandiosa quando assumiu o titulo de ozo, que seu povo lhe outorgou um nome unico e exclusivo. Deveria ele jogar tudo isso fora, so porque alguns estranhos tinham vindo de longe dizer isso?

Esse e um dilema que esta posto no livro, O mundo se despedaca, e o tio do pai de Achebe bem poderia ser qualquer dos homens intitulados de Umuofia, ou dos clas vizinhos. Ainda mais pelo dilema tao presente no livro, o grande impacto que a conversao dos homens intitulados tem, em contraposicao com a conversao dos efulefus, homens sem carater, que nao representavam tanto para o povo de Umuofia, pois a narrativa evidencia que eles nao valiam grande coisa (ACHEBE, 2009, p. 177).

Sendo assim, vemos como a versao contada pelo pai de Achebe, se aproxima do que foi narrado no romance pelo escritor nigeriano, e assim como seu pai se converteu ao cristianismo, o filho de Okonkwo, Nwoye, tambem se converteu ao cristianismo, ainda quando os interessados no projeto colonizador em Umuofia nao passavam de "um bando de efulefu" que "decidira morar na floresta" (ACHEBE, 2009, 176). Por um simples cruzamento de informacoes, pode-se constatar que a historia da familia de Achebe e semelhante a elementos encontrados no romance, e que, obviamente, o escritor conta um pouco da sua historia.

Religiosidade em "O mundo se despedaca", um dialogo com a historia.

"O mundo se despedaca" e um romance que se desenrola na saga de um antiheroi do povo Ibo, da atual Nigeria, como tambem e uma especie de apresentacao antropologica da cultura Ibo. Chinua Achebe e literalmente um tradutor da cultura do seu povo, porque ele narra em ingles e para diferentes publicos aspectos como religiosidade, oralidade, economia, trabalho e tradicao. A oralidade, que inclusive fundamenta os mecanismos do dizer e do sentir das religiosidades do povo Ibo, pensada por Achebe lembra muito o mocambicano Mia Couto quando o mesmo aponta que "a oralidade e um territorio universal, um tesouro rico de logicas e sensibilidades" (COUTO, 2009, p. 13).

A religiosidade Ibo se escuda no culto a deusa da terra Ani e isso nao se da por acaso, a cultura Ibo e tradicionalmente ligada a terra, a ponto da "deusa da terra" Ani, ser tomada/compreendida/protagonizada como "fonte de toda fertilidade" e:

que de todas a deidades Ani era a que desempenhava o papel mais importante na vida do povo. Era o juiz supremo da moral e da conduta. E ainda por cima estava em intima comunhao com os antepassados do cla, cujos corpos tinham sido confiados a guarda da terra (ACHEBE, 2009, p. 53).

Chinua Achebe nao perde isso de vista e:

nos contos e romances nos quais os ibos sao protagonistas a terra tem valor fundamental, e ela aparece metonimizada no barro, na madeira e nos tuberculos, como a mandioca, o milho e a abobora que tem sua propria festa: 'Festival das Folhas de Abobora', e tambem ao inhame, protagonista da atividade agricola, uma vez que e o alimento basico e sinal de riqueza e sucesso (PARADISO, 2014, p. 135).

A importancia da terra para a sobrevivencia familiar fica nitida em toda a trajetoria de Okonkwo, e a prosperidade do personagem esta ligada justamente ao trabalho com a terra. Pois o personagem nao hesitava em se esforcar para se mostrar viril e proativo, justamente o oposto do seu pai Unoka, famoso pela embriagues e preguica.

Achebe retrata o envolvimento de toda a familia na atividade agricola, e, logo:

Quando duas ou tres chuvaradas ja haviam umedecido a terra, Okonkwo e a familia foram ao rocado com grandes cestos de Inhames, enxadas e manchetes. E o plantio comecou. Faziam monticulos de terra, separados uns dos outros, em linhas retas, ao longo de todo o campo, e neles plantavam os inhames (ACHEBE, 2009, p. 53).

Para alem das tecnicas de plantio, que a familia de Okonkwo e provavelmente outras familias empregavam no plantio do inhame, ha uma dimensao religiosa do plantio, pois, a colheita somente comecou "apos a Semana da Paz", com letra maiuscula, que e a semana quando "nao se trabalhava", pois se celebrava a "Paz de Anf (ACHEBE, 2009, p. 51). No entanto, Okonkwo profanou a Paz de Ani, quando apos perceber que sua esposa mais jovem nao tinha feito a comida da tarde, entao "espancou a brutalmente" e "esquecera-se de que aquela era a Semana da Paz", nao e de se espantar que Okonkwo tenha causado a furia da deusa, pois, durante essa semana "nenhum homem pode dizer uma palavra dura ao seu vizinho" e "jamais se ouvira contar que alguem batesse em alguem durante a semana da paz" (ACHEBE, 2009, p. 50).

Apos esse breve resumo, temos a devida nocao de como o autor representa a primazia do culto deusa da terra, tambem se pode problematizar como a repreensao sofrida por Okonkwo nao se deu pelo fato de espancar a esposa, mas por profanar a semana da deusa. Ademais, Achebe fala atraves de Ezeani sacerdote de Ani: "sua mulher tambem errou, mas mesmo que voce, ao entrar em seu obi, a tivesse encontrado com um amante deitado sobre ela, ainda assim voce teria cometido uma grande mal" (ACHEBE, 2009, p. 50). Entao, alem de reafirmar o "direito" de Onkonko de posse do homem sobre a mulher, que deve ser encarado como uma problematica das algumas tradicoes africana, o sacerdote ratifica a suprema obediencia que se deve ter em relacao a Semana da Paz.

Na narrativa achebiana, e comum encontrar o que se encontra em:

qualquer texto da religiao africana sera prontamente guarnecido com historias de espiritos, nao so vivendo em circunstancias materiais, mas tambem se envolvendo em empreendimentos fisicos, girando em torno de direcoes nao excluidas (WIREDU, 2010, p. 5)

Isso acontece, pois, na filosofia "religiosa" da maioria dos povos da Africa subsaariana, nao ha essa divisao cartesiana entre o espiritual e o material, sendo o campo material constantemente afetado pela interferencia de forcas espirituais. Achebe representa essa interferencia dos espiritos no plano real e ate uma convivencia entre seres humanos e espiritos: os espiritos das criancas boas viviam naquela arvore, a espera da hora de nascerem. Nos dias comuns, jovens mulheres que desejavam filhos iam sentar-se a sua sombra (ACHEBE, 2009, p. 65).

Sala de aula: contranarrativas atraves de Achebe e o ensino de historia/ de Africa.

A escola como um espaco destinado "a producao de subjetividades, a producao de sujeitos, a construcao e veiculacao de identidades, a definicao de lugares de sujeito" (ALBURQUERQUE, s/d., p. 1) tem funcionado enquanto agenciadora e produtora de silencios, sobretudo no ensino de historia, e da historia de Africa especificamente, e situada ainda em logicas epistemicas marcadas pela colonialidade (4), mesmo se auxiliando de leis que tentam contrapor tais logicas, como as leis 10.639/03 e 11.645/2008.

E sabido nao so a historicidade, mas tambem a longevidade das depreciacoes, interesses e relacoes de poder que fundamentaram a elaboracao do retrato negativo ou uma nao imagem do continente africano, sobretudo produzida por nao africanos. Nesse sentido, Carlos Moore trata daquilo que seria um dos problemas didaticos atinentes ao ensino de historia da Africa nas escolas brasileiras "e, talvez, o de maior significado" que "tem a ver com o pesado legado de fontes bibliograficas eruditas", ou como diria o autor, fontes "poluidas" (MOORE, 2010, p. 131), comprometidas com producoes e narrativas distorcidas sobre tal continente.

O pesado legado dos seculos que correspondem aos momentos mais tragicos da historia dos povos da Africa renasce constantemente de suas proprias cinzas. Com efeito, esse e um dos maiores problemas que afetam o ensino de historia da Africa no mundo inteiro (MOORE, 2010, p. 132).

Por isso, a ideia da insercao da discussao historica do romance "O mundo se despedaca", que visa promover um deslocamento no vies colonialista de produzir conhecimento historico, uma vez que oferece suporte para pensar a historia da Africa pela dinamica socio-historica dos povos africanos e nao apenas a reboque do processo colonizador, atentando para o que Jack Goddy chama de "roubo da historia (5)". Para Moore, "ate os anos sessenta do seculo XX, a producao sobre a historia da Africa esteve, inquestionavelmente, monopolizada por africanistas europeus,

americanos e arabes, majoritariamente imbuidos de uma visao fundamentalmente [...] raciologica (MOORE, 2010, p. 133).

Os estudos de Gody apontam que "desde o inicio do seculo XIX, a construcao da historia do mundo tem sido controlada pela Europa ocidental" (GODDY, p. 23), cabendo compreender o Ocidental e/ou Ocidente aqui, como nos diria Walter Mignolo, nao como uma referencia a geografia "por si so, mas a geopolitica do conhecimento", passando por aquilo que o autor vai trabalhar como a necessidade premente de uma "desobediencia epistemica" (MIGNOLO, 2008, p.290), buscando rotas de experiencias e subjetividades que escapem as bases conceituais, subjetivas e teologicas eurocentrizadas. Ainda com Mignolo, "a opcao descolonial significa, entre outras coisas, aprender a desaprender, ja que nossos cerebros tinham sido programados pela razao imperial/colonial" (MIGNOLO, 2008, p. 288-90).

Em suma, e preciso perceber o processo de negacao da historia para os povos africanos, sobretudo porque praticas como a "escravidao transatlantica foram erigidas filosoficamente sob a pretensa sub-humanidade da "raca" africana". Tais povos foram vistos, ate entao, como antonimos de humanidade, ou praticamente despojados de tal caracteristica, onde "a pratica do colonialismo foi, paralelamente, predicada desde a negacao metafisica da historicidade do ser africano" (EZE, s.d., p. 5).

E fundamental, para os/as docentes localizados em territorios de genocidio explicito, como e o caso do Brasil, alicercar-se da leitura de Carlos Moore operada na obra A Africa que incomoda: sobre a problematizacao do legado africano no quotidiano brasileiro, quando o mesmo frisa que "O/A professor/a incumbido/a da missao de ensino da materia africana se vera obrigado/a, durante longo tempo, a demolir os estereotipos e preconceitos que povoam as abordagens sobre essa materia" (MOORE, 2010, p. 137), e que o mesmo/a profissional:

tambem tera de defrontar-se com os novos desdobramentos da visao hegemonica mundial, que se manifesta atraves das "novas" ideias que legitimam e sustentam os velhos preconceitos. Trata-se daqueles africanistas--designados como "revisionistas" e "negacionistas" por Elikia M'Bokolo--que afogam os fatos historicos com sofisticadas armacoes estatisticas e argumentos "tecnicos", que tendem a relativizar as terriveis consequencias do mais tragico momento da historia da Africa e da humanidade, apagando--seja mediante a omissao ou a sua simples negacao--aqueles eventos que hoje resultam insuportaveis para a consciencia humana. Estamos diante de novas tentativas de banalizacao dos efeitos do racismo e das agressoes imperialistas por parte de verdadeiros soldados ideologicos da visao e das estruturas hegemonicas que tomaram contam do planeta (MOORE, 2010, p. 138).

Nesse sentido, e de fundamental importancia apresentar a historia da Africa e dos africanos como preve as leis aqui ja citadas, garantindo ampla oportunidade de conhecimento sobre aspectos como costumes, religiosidade, trabalho, festividades etc., e, sobretudo, nao perdendo de vista os circuitos de poderes/interesses que perfazem e fazem o curriculo escolar, na decisao dos conteudos que entram ou nao, e os que saem do mesmo, entendido aqui como um historico espaco de disputa no campo da cultura escolar.

Podemos afirmar, escudando-se em Tomas Tadeu da Silva, que "a identidade etnica e racial e, desde o comeco, uma questao de saber e poder" (SILVA, 2002, p. 100) e logo, que as experiencias amarradas as narrativas de identidades configuradas e alocadas em contextos coloniais e/ou de colonialidade, leiam-se aqui de indios/as, negros/as, mesticos/as, pardos/as por exemplo, foram historicamente vilipendiadas, exotizadas ou folclorizadas nas confeccoes dos textos curriculares (6) das escolas brasileiras, muitas das vezes fabricados longe dos chaos escolares.

Carlos Moore e feliz em elucidar que "o conhecimento do Outro, de sua identidade etnica, cultural, sexual ou racial, do seu percurso humano, de sua verdadeira inscricao historica, possibilita a convivencia confortavel [...] com as diferencas fundamentais" (MOORE, 2010, p. 139).

A partir dessas consideracoes, pode-se estabelecer algumas linhas de dialogo entre a cultura Ibo, representada por Chinua Achebe, e a cultura de algumas regioes do Brasil, podendo assim constatar experiencias que fogem as logicas dos padroes de racionalidades hegemonizadas e/ou eurocentrizadas, e apresentando algumas semelhancas na forma como as pessoas, nessas regioes e partir da representacao achebiana, lidam com o mundo espiritual.

Um bom exemplo e o assovio durante a noite, a ma sorte que da falar o nome da cobra na mata, essas sao semelhancas que podem servir para aproximar identitariamente os estudantes da educacao basica das escolas brasileiras da Africa representada por Achebe, no romance o autor aponta que "as criancas eram advertidas de que nao deviam assobiar a noite, por causa dos espiritos malignos [...], uma cobra nunca era chamada pelo nome a noite, pois ela poderia ouvir" (ACHEBE, 2009). Outro aspecto aproximador e o culto aos ancestrais, que no Brasil prevalece nas religioes de matriz africana, a ideia da continuidade da vida do ancestral, pois, entre esses seres extra-humanos, os antepassados ocupam uma posicao especial. Eles nao sao os mais poderosos, mas sao, na grande maioria das sociedades africanas, mais amados e respeitados. O mundo dos antepassados e entendido como continuo e analogo ao dos vivos, e as interacoes entre os dois reinos sao, por avaliacao comum, base regular do dia-a-dia (WIREDU, 2010, p. 4).

Por isso, vemos no proprio romance algumas passagens onde os familiares sao convidados a alimentar o espirito ancestral, como quando "Obiako foi consultar o oraculo. E este lhe disse: "Seu falecido pai deseja que voce lhe sacrifique um bode" (ACHEBE, 2009, p. 41). Como na tradicao Ibo narrada por Achebe, quanto no candomble, por exemplo, a partir da narrativa mitica abordada por Machado e espaco de vivencia:

Como familia de Santo, vivemos a memoria de uma Africa, mae ancestral atualizada e atualizante. [...] Falamos do lugar de terreiro [...] Lugar que, por sua forca, nos anima e nos faz viver plantados como sujeitos universais e contemporaneos. A procura e para reestabelecer o sentido da integridade entre o homem, o conhecimento, a ancestralidade, a etica e as diversidades de todos os tempos (MACHADO, 2013, p. 53).

E pensando nessa relacao entre presente e passado, na tradicao representada por Achebe e na vivencia tradicional nos terreiros, que essa relacao se faz proficua como "questoes que se intercruzam e dinamizam os caminhos para a consciencia de si mesmos, para a consciencia historica e de um fazer ensinante de seres autonomos, solidarios e coletivos" (MACHADO, 2013, p. 53).

Tais questoes se colocam no imo de tratar nao so do texto curricular, tambem como um texto racial, mas, sobretudo, de colocar em relevo as producoes literarias, nesse caso aqui, de uma delas (7)--que rompam com a logica, muito bem apresentada pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, da historia unica (8)--identificadas com os principios e objetivos das leis 10.639/03 e 11.645/08, e apontadas, em potenciais historicos e literarios, como confrontadoras de fazeres e praticas pedagogicas que subnutrem, empobrecem as possibilidades de alargamento do leque cultural dos/as estudantes de escola publica.

E nessa esteira que "a compreensao da historia da Africa e dos afrodescendentes brasileiros e indispensavel numa estrategia nacional destinada a fazer convergir os dois Brasis que, atualmente, estao aceleradamente indo em direcoes totalmente opostas" (MOORE, 2010, p. 162).

A guisa de conclusao, ao palmilhar a malha complexa entre ou pela literatura e a historia, notaram-se os caminhos advindos das mesmas para aquela experiencia apresentada por Walter Mignolo--que tambem toca na economia dos afetos, das relacoes subjetivas e intersubjetivas e nas maneiras de ver e ser visto no "mundo"--que e aprender a desaprender (9), entendida aqui como um projeto historicamente necessario, e de ambicoes profundas de rompimentos que atravessam ou deveriam atravessar o chao das escolas publicas.

O que torna o esforco do/a educador/a algo nao so potencializado, mas comprometido com as mudancas na construcao, disponibilizacao e compreensao das epistemologias "desobedientes", dos saberes nao eurocentrizados, e de praticas pedagogicas sensiveis as mudancas no tempo e no espaco a respeito do ensino de historia, e de historia da Africa.

E no entendimento da necessaria multidisciplinaridade para um ensino plausivel de historia da Africa, dos africanos e afrodescendentes, que lancamos maos de recursos e metodologias ligadas aos campos do saber da historia e da literatura, para assim se aproximarmos de "um novo olhar objetivo sobre a Africa", olhar esse que ja se converteu, segundo Carlos Moore, "numa exigencia pragmatica, academica, cultural e politica" (MOORE, 2010, p. 139), fazendo das experiencias docentes, nas escolas publicas brasileiras, tarefas de alto grau social, que comumente sao reduzidas em praticas para analises nos recintos academicos ou apresentadas em embalagens de leituras e aplicacao daquilo que se encontra inscrito no livro didatico escolar, como se este fosse algo dado, e historicamente desprovido de conflitos e interesses na sua elaboracao.

E tentando dispor de recursos que coloquem em questao tais reducionismos, que este esforco intelectual se insere, intentando se aproximar dos olhares nao coloniais, paternalistas e que se levantam contra a matriz de poder da colonialidade sobre a Africa, os africanos e os afrodescendentes da diaspora.

DOI: https://doi.org/10.12957/periferia.2018.31543

REFERENCIAS:

ACHEBE, Chinua. A educacao de uma crianca sob o Protetorado Britanico; traducao: Isa Mara Lando--Sao Paulo: Companhia das letras, 2012.

--. O mundo se despedaca; traducao: Vera Queiroz da Costa e Silva; introducao e glossario: Alberto da Costa e Silva--Sao Paulo: Companhia das letras, 2009.

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O Perigo de uma historia unica; 2009. Disponivel em <https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs241zeg> acessado em 25/10/2017. ALBUQUERQUE JUNIOR, Durval Muniz. Por um ensino que deforme: docente na pos-modernidade. p. 1-14. Disponivel em <http://cnslpb.com.br/arquivosdoc/MATPROF.pdf> acessado em 27/10/2017.

ANDRADE, Celeste Maria Pacheco de. A literatura no ensino de historia da Bahia: a obra de Jorge Amado. Feira de Santana/BA: Sitientibus: revista da UEFS, n. 14, 1996. p. 9-21.

BA, Hamadou Hampate. Amkoullel, o menino fula; traducao: Xina Smith de Vasconcelos.--Sao Paulo : Palas Athena : Casa das Africas, 2003. BORGES, Valdeci Rezende. Historia e Literatura: Algumas Consideracoes. Goias/GO, Revista de Teoria da Historia, n. 3, junho/ 2010. p. 94-109.

CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis historiador. Sao Paulo: Companhia das Letras, 2003.

COUTO, Mia. E se Obama fosse Africano. Sao Paulo: Companhia das Letras, 2009.

EZE, Emmanuel Chukwudi. A filosofia moderna ocidental e o colonialismo africano. p.1-15 disponivel em: <https://filosofiaafricana.weebly.com/uploads/1/3/2/1/13213792/a-filosofia-moderna-eo -colonialismo-africano_-emmanuel-eze.pdf> acessado em 23/10/2017

GODDY, Jack. O roubo da historia; [traducao: Luiz Sergio Duarte da Silva]. - 2. Ed., 1 impressao--Sao Paulo: Contexto, 2013.

MACHADO, Vanda. A pele da cor da noite.--Salvador: EDUFBA, 2013.

MIGNOLO, Walter. Desobediencia epistemica: A opcao descolonial e o significado de identidade em politica. Cadernos de Letras da UFF--Dossie: Literatura, lingua e identidade, no 34, p. 287-324, 2008.

MOORE, Carlos. A Africa que incomoda: sobre a problematizacao do legado africano no quotidiano brasileiro / Carlos Moore 2a edicao ampliada--Belo Horizonte: Nandyala, 2010 [Colecao Repensando Africa, volume 3].

PARADISO, Silvio Ruiz. Religiao e religiosiadade nas Literaturas coloniais africanas: um olhar em Things Faal Apart, de Chinua Achebe e O outro e da sereia, de Mia Couto. Tese (Doutorado em Letras)--CCH/PPGG/ Universidade Estadual de Londrina. Londrina, 2013. 320.f

PASAVENTO, Sandra Jatahy. O mundo como texto: leituras da Historia e da Literatura. Pelotas/ RS, Historia da educacao, ASPHE/FaE/UFPel. n. 14, p. 31-45, set. 2013.

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder e Classificacao social. In: Epistemologias do Sul / org. Boaventura de Sousa Santos e Maria Paula Meneses. - (CES); 2009, p. 73-117/cap. 2.

SAID, Edward W. Reflexoes sobre o exilio e outros ensaios; traducao: Pedro Maia Soares--Sao Paulo: Companhia das Letras, 2003.

--. Cultura e imperialismo; traducao: Denise Bottmann.--Sao Paulo : Companhia das Letras, 2011.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade : uma introducao as teorias do curriculo. 2 ed. Belo Horizonte, Autentica, 2002.

SOARES, Valter Guimaraes. Historia & literatura: e possivel sambar?. p.1- 8. Disponivel em: <http://www.uesb.br/anpuhba/artigos/anpuh_II/valter_guimaraes_soares.pdf> cessado em 23/10/2017

THIONG'O, Ngugi wa. Um grao de trigo; traducao: Robert Grey--Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.

WIREDU, Kwasi. As religioes africanas desde um ponto de vista filosofico. p.1-11. Disponivel em:<https://filosofia africana.weebly.com/uploads/1/3/2/1/13213792/kwasi wiredu as religi%C3%B5es a fricanas_desde_um_ponto_de_vista_filos%C3%B3fico.pdf> acessado em 23/10/20.

Lazaro de Souza Barbosa (1) Pedro Alberto Cruz de Souza Gomes (2)

(1) Graduando no curso de Licenciatura em Historia da UEFS e professor de Historia do Brasil no Projeto Malungos de Educacao Popular/ Anguera/BA. E-mail: historiografia.brasileira@gmail.com

(2) Graduando no curso de Licenciatura em Historia da UEFS. E-mail: pedroalberto.gomes@gmail.com

(3) Ao escrever na introducao do livro--Um grao de trigo--do queniano Ngugi Wa Thiongo.

(4) Cf. QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder e classificacao social; 2009.

(5) Titulo do livro de Jack Goddy, essa obra chama atencao para a estrategia de universalizacao da historia da Europa ocidental, como tambem a apropriacao promovida pelos europeus de conhecimentos desenvolvidos fora do ocidente.

(6) Cf. SILVA, Tomas Tadeu da; 2002. Uma definicao apontada por ele: "Texto curricular--entendido aqui de forma ampla--o livro didatico e paradidatico, as licoes orais, as orientacoes curriculares oficiais, os rituais escolares, as datas festivas e comemorativas".

(7) O Mundo se despedaca, Chinua Achebe; 2009.

(8) Discurso proferido pela autora Chimamanda Adichie, e disponibilizado em video no site Youtube, em 2009: https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs241zeg.

(9) Desobediencia Epistemica/Opcao Descolonial. Walter Mignolo; 2008.
COPYRIGHT 2018 Universidade do Estado do Rio de Janeiro- Uerj
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2018 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Barbosa, Lazaro de Souza; Gomes, Pedro Alberto Cruz de Souza
Publication:Periferia
Date:Jan 1, 2018
Words:6166
Previous Article:DIALOGUES BETWEEN AFRO DIASPORA AND EDUCATION: FOR A CURRICULUM IN FAVOR OF BLACK CULTURES/DIALOGOS ENTRE AFRODIASPORA E EDUCACAO: POR UM CURRICULO A...
Next Article:The other blacks/OUTROS NEGROS.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters