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"O artista invasor" e os codigos do jornalismo cultural.

"The invader artist" and the codes of cultural journalism

Na primeira semana de janeiro de 2006, as editorias de cultura dos dois principais jornais do estado do Ceara--Diario do Nordeste e O Povo--receberam, via e-mail, um release informando sobre a vinda a Fortaleza do artista plastico japones Souzousareta Geijutsuka. Seria sua quarta participacao em eventos no Brasil e a primeira no Ceara, onde o artista abriria a exposicao "Geijitsu Kakuu e a analogia da natureza", como convidado especial do projeto denominado "Artista Invasor", iniciativa vinculada ao Museu de Arte Contemporanea (MAC-CE), equipamento do Centro Dragao do Mar de Arte e Cultura.

De acordo com o release repassado as redacoes dos jornais de Fortaleza, "Souzousareta e referencia nas artes plasticas, tendo conquistado o mundo inteiro com sua moderna arte eletronica, ousada ao experimentar linguagens e novas tecnologias para refletir sobre os fenomenos da natureza". Os cadernos de cultura dos dois jornais reproduziram a informacao com destaque nas capas de suas edicoes do dia 10 de janeiro de 2006, data em que a exposicao seria aberta, como um acontecimento de importancia para as artes plasticas locais. No dia seguinte, a surpresa: Souzousareta Geijutsuka nao existia.

O contexto de criacao do artista

A criacao foi obra do artista plastico paulista, radicado no Ceara, Yuri Firmeza, entao com 23 anos. Souzousareta Geijutsuka, segundo Yuri, quer dizer "artista inventado" em japones e o titulo da exposicao "Geijitsu Kakuu" significa "Arte e Ficcao". Ele havia sido convidado pelo Diretor do Museu de Arte Contemporanea na epoca, Ricardo Resende, para participar do projeto "Artista Invasor", que ja havia levado tres outros artistas cearenses em anos anteriores a expor suas criacoes nos espacos do museu. A ideia do projeto, segundo o diretor do MAC, era "apresentar a producao contemporanea das artes visuais e, tambem, possibilitar o espaco para o artista convidado criar livremente, manifestar-se e ate mesmo testar os limites institucionais entre museu, artista e publico". (2)

Ao fazer o convite a Yuri Firmeza, Resende seria de fato testado enquanto diretor de um museu estatal. Como revelou em entrevista a Suzana Velasco, da agencia O Globo: "Convidei o Yuri pensando em suas performances, que ja achei que seriam bastante ousadas (ele fez muitas performances nu). Mas ele foi mais ousado ainda e me testou, para ver ate onde eu iria". (3) Yuri conseguiu convence-lo a assumir o projeto de criacao de um "falso artista" e de uma "exposicao ficticia" com o objetivo de fazer a critica de todo o sistema de legitimacao da arte, incluindo o papel do museu, dos artistas, dos criticos, dos jornais e do publico. (4)

A criacao de Souzousareta, no entanto, so pode ser compreendida quando se remete ao contexto no qual o criador estava inserido no momento em que inventou o personagem. Ao ser convidado por Resende para o projeto "Artista Invasor", Yuri vinha sendo estimulado a pensar sobre as instancias que movem o campo da arte a partir das discussoes em um grupo de pesquisa de que fazia parte, orientado pelo professor e pesquisador de Filosofia e Sociologia, Tiago Themudo, no qual eram discutidos textos de Deleuze, Artaud e Bourdieu.

Os emails trocados entre o artista e o professor neste periodo, a partir dos debates suscitados no grupo, acabaram se constituindo em uma das principais pecas expostas na sala do MAC-CE onde seriam exibidas as obras de Souzousareta. Em um dos trechos do debate travado por email, ao comentar o texto "O teatro e a peste", de Artaud, Yuri diz, sobre os museus: "o que me interessa e interrogar sobre a qualidade do que 'eles' vem legitimando e apresentar as pecas que compoem todo esse sistema de legitimacao: criticos, jornais, artistas, curadores, galerias, museus e o proprio publico". (5)

Os debates prosseguem por email e o professor Tiago Themudo expoe, em dado momento da conversa, o que considera a questao central de toda a discussao: "a cultura esta definitivamente em perigo, sobretudo pela sua crescente perda de autonomia em relacao aos valores do mercado e aos imperativos do lucro". Adiante, ao responder um dos questionamentos de Yuri sobre "como escapar deste eterno processo de captura", o professor levanta outra questao, inspirado em Deleuze:

"Fugir, tracar linhas de fuga sempre que o ambiente tender a endurecer. E isto e dificil porque implica um certo desapego ao que parece ser mais relevante: poder e dinheiro, fama, acesso... etc. [...] Os artistas estao dispostos a abrir mao disso para produzir coisas boas que realmente inscrevam uma permanente revolucao de valores em nossa sociedade????Estamos nos??

No email seguinte, Yuri ja apresenta a sua ideia para a ocupacao da sala no MAC-CE: "Irei inventar um artista. Biografia, curriculo, obras... Tudo ficcao. Um artista representativo dentro do cenario internacional, que desenvolve trabalhos com tecnologia de ponta e experiencias geneticas. Quero viabilizar uma publicacao sobre esse artista nos jornais, com textos criticos autenticando sua obra, alem de entrevistas com ele [...]" O professor responde: "Acho que o projeto esta super legal". Concorda tambem em escrever um texto simulacro sobre o artista e propoe expor os emails trocados entre os dois na sala do MAC-CE como parte da gestacao do invento.

O proprio diretor do Museu, Ricardo Resende, escreve dois textos de "apresentacao" da exposicao de Souzousareta, dando pistas do que viria a ser "visto" pelo publico. "Estamos na verdade recebendo um artista que lida com a 'ficcao' de se fazer arte na atualidade". Atendendo ao convite de Resende, a critica de arte e curadora Luisa

Duarte, tambem prepara um texto para apresentar a obra do japones, no qual sugere que a obra An Oak Tree, exposta na Tate Modern, em Londres, poderia ser uma porta de entrada para a obra de Souzousareta: "O publico tera, a meu ver, um otimo cartao de visita para compreender melhor a aposta feita pelo trabalho deste artista asiatico que lida com a crenca no poder do artista, com a imaterialidade e os fenomenos da natureza". (6)

Neste artigo pretendemos discutir quais os codigos que permitiram a transformacao da "invencao" do artista e de seus colaboradores em uma "verdade" jornalistica, tomando como base o discurso elaborado para a imprensa atraves do release. Serao analisadas tambem as reportagens produzidas a partir dele e alguns artigos de criticos e jornalistas produzidos no processo de repercussao do acontecimento. Nosso objetivo e analisar significados deste caso do ponto de vista das relacoes entre os campos da arte e do jornalismo. Para isso, tomaremos por base a sociologia dos campos de Bourdieu, que tambem inspirou o artista em sua empreitada. Adiantamos, porem, que nossa analise a partir do pensamento deste autor difere em alguns aspectos centrais das interpretacoes que embasaram a atuacao de Yuri Firmeza. Como o artista admite em diversas ocasioes (7), tambem entendemos que o acontecimento extrapola o "controle" dos agentes diretamente envolvidos na criacao de Souzousareta e toma proporcoes dignas de serem examinadas em sua complexidade e atualidade.

Entendemos que a contribuicao fundamental da teoria dos campos de Bourdieu e a de permitir perceber a autonomia relativa da construcao de determinadas regras do jogo por parte dos agentes envolvidos em um espaco simbolico de disputas e afirmacoes. Bourdieu entende que os campos politico, artistico, jornalistico sao relativamente independentes entre si, no sentido de que constroem signos e crencas validas internamente e estes nao podem ser reduzidos a dimensao economica ou ao poder em abstrato. E a um "poder simbolico" que Bourdieu se refere, com isso expressando que o conteudo destes simbolos vai variar conforme as regras do jogo criadas no processo de joga-lo por aqueles que participam ou desejam participar dele.

"A teoria geral da economia dos campos permite descrever e definir a forma especifica de que se revestem, em cada campo, os mecanismos e os conceitos mais gerais (capital, investimento, ganho), evitando assim todas as especies de reducionismo, a comecar pelo economicismo, que nada mais conhece alem do interesse material e a busca da maximizacao do lucro monetario. Compreender a genese social de um campo, e apreender aquilo que faz a necessidade especifica da crenca que o sustenta, do jogo de linguagem que nele se joga, das coisas materiais e simbolicas em jogo que nele se geram, e explicar, tornar necessario, subtrair ao absurdo do arbitrario e do nao-motivado os atos dos produtores e as obras por ele produzidas e nao, como geralmente se julga, reduzir ou destruir. (Bourdieu, 1989, p. 69)

Este e o principio de compreensao do qual partimos para a analise que pretendemos fazer a respeito dos conflitos suscitados pelo caso do "artista invasor", entre o que entendemos serem dois campos de poder em busca de afirmacao de suas relativas autonomias: o jornalistico e o artistico. Buscaremos compreender como se chocam as coisas em jogo em cada um deles, de modo que os valores de um se mostraram neste caso incompativeis com os do outro. Procuramos perceber a construcao dos espacos dos pontos de vista e os principios de "di-visao" do mundo.

O conflito que analisaremos neste trabalho se da em uma situacao de "mercado linguistico" (8), em que os agentes buscam afirmacao por meio de discursos com pretensao de validade e legitimidade. As pecas fundamentais de criacao de Souzousareta foram discursos escritos por meio dos quais se revelavam regras do jogo: o release, os textos de apresentacao da exposicao escritos pelo diretor do Museu e por uma critica de arte, as reportagens produzidas a partir do release, a entrevista "ficticia" feita pelo reporter do Diario do Nordeste com o "artista japones" e as opinioes reveladas nos textos publicados no processo da repercussao.

O release como estrategia de transgressao e afirmacao

O termo press-release, em sua forma reduzida release (do original ingles, que significa liberado), e conceituado como "a expressao mais palpavel do trabalho desenvolvido pelas assessorias de comunicacao e tambem um dos principais meios de contato das instituicoes com os veiculos de comunicacao" (Santana, 2005, p. 40). Este instrumento que faz parte da rotina profissional das redacoes de jornais desde os anos 1980 no Brasil vem passando por mudancas na sua funcao. De elemento tido como de suporte aos jornalistas, os releases tem se transformado em fonte unica, quando nao aproveitado pelos jornalistas como noticia pronta, acabada:

Para muitos editores, hoje, o papel que chega a sua mesa de trabalho recebe a chancela de noticia final e, como tal, e publicada. Assim o dever que tem todo bom jornalista de analisar, indagar, questionar a informacao que recebe vai aos poucos sendo relegado a segundo plano diante da avalancha de press-release. (Lima, 1985, p. 47)

O grande fluxo de informacoes que chega diariamente as redacoes e o compromisso com o deadline impede, muitas vezes, os reporteres de realizarem uma cobertura in loco. Uma consequencia disso e que eles passam a depender cada vez mais da credibilidade das fontes de informacao. "As pressoes de tempo incessantes e os consequentes problemas de distribuicao de recursos e calendarizacao de trabalho em organizacoes jornalisticas podem ser reduzidos ou aliviados atraves da cobertura de acontecimentos pre-agendados; isto e, aqueles que foram anunciados com antecedencia pelos seus convocadores." (Murdock, 1974 apud Hall et al., 1999, p. 229).

Diante da impossibilidade de verificar se a informacao e ou nao verdadeira, a "autoridade publica" que proferiu o discurso e que vai valida-lo. Por isso, ha uma tendencia no jornalismo de privilegiar as informacoes das fontes consideradas "oficiais", tendencia esta a que Becker (1972 apud Hall et al., 1999, p. 229) chama de "hierarquia da credibilidade". Estas fontes oficiais, em geral, sao representantes de setores legitimados, nao so por parte do Estado, mas recebem seu credito de instituicoes do mundo cultural, financeiro, esportivo. Quando se consideram situacoes especificas do "mercado linguistico" em que se da a producao de noticias, e possivel se observar que ha tambem tensoes e desconfiancas com relacao ao discurso das autoridades publicas, porem, no dia-a-dia das redacoes, as fontes oficiais sao priorizadas como portadoras de um capital simbolico de credibilidade. Para falar com Bourdieu (1989, p. 15): "O que faz o poder das palavras e das palavras de ordem, poder de manter a ordem ou de a subverter, e a crenca na legitimidade das palavras e daqueles que a pronunciam, crenca cuja producao nao e da competencia das palavras".

O release que apresentava a exposicao do "falso" artista japones vinha com a chancela de uma "autoridade publica". Embora nao tivesse o papel timbrado do Museu ou do Centro Dragao do Mar, constava da pagina eletronica do Dragao do Mar na internet na vespera da "exposicao". Tinha estruturalmente o aspecto padrao: titulo, "abre" de tres linhas e tres paragrafos de desenvolvimento. Alem disso, o texto repassado aos jornalistas apresentava, no final, compondo ainda a estrutura tipica, os enderecos virtuais da assessora da exposicao, Ana Monteja (nome ficticio da entao namorada do artista), e o telefone da "fonte" que representava o Centro Dragao do Mar, o diretor do MAC, Ricardo Resende.

A disponibilizacao de imagens on-line pela ficticia assessora de imprensa para as redacoes dos dois jornais tambem foi outro aspecto da construcao da crenca na veracidade do discurso. Os jornalistas receberam por email uma fotografia e um suposto video-arte que fariam parte da "exposicao". As imagens agregadas ao texto contribuiram para tornar o release viavel para a publicacao, ja que sao consideradas necessarias na rotina profissional da edicao a fim de atrair o interesse do leitor. Mas se as imagens favoreciam a publicacao, por outro lado o projeto corria um risco adicional: elas nao estavam de acordo com o que dizia o texto de divulgacao a respeito da exposicao de Souzousareta: "Na sua quarta participacao em projetos no Brasil, o artista japones revela ao publico o mundo das flores e vegetais, usando objetos carbonizados". A imagem enviada como video-texto era de um gato e a outra era de uma foto da estrada da praia do Porto das Dunas, modificada em um programa de edicao, de forma a parecer uma obra de arte abstrata. Nao tinham, portanto, qualquer relacao com flores ou vegetais carbonizados. Os jornalistas nao repararam na discrepancia, uma vez que outras regras do jogo estavam sendo cumpridas.

Ao fim da primeira pagina, aparecia o "servico", tecnica muito utilizada por assessores de imprensa em releases com a intencao de oferecer uma leitura rapida do material e de colocar dados uteis que nao entraram no corpo do texto, como, no caso, acontecia com o horario de visitacao da exposicao e do preco. A utilizacao deste formato de apresentacao das informacoes e tambem uma forma do release adequarse a linguagem atual do jornalismo de cultura, que, para autores como Piza (2003), Buitoni (2000) e Melo (2003), vem se desenvolvendo no sentido de se tornar mais um "jornalismo de servico" do que de reflexao critica sobre a arte.

Este tipo de analise favorece a leitura de que a noticia no jornalismo de cultura se transforma em mera "mercadoria para consumo rapido". Porem, se examinada com mais atencao, a utilizacao da rubrica "servico" favorece tambem o consumo da arte dita "de vanguarda" ou "subversiva", uma vez que indica "objetivamente" a forma de se usufruir dela, mesmo que o acesso seja gratuito. No caso de Yuri, a data do inicio da exposicao marcada pelo "servico" era um indicador importante de quando seria deflagrado o anuncio da "invasao" operada por ele, ou seja, era outro modo de se utilizar do papel da imprensa no episodio.

O release continha ainda outro valor reconhecido como determinante para um acontecimento virar noticia de acordo com as regras do jogo de linguagem do jornalismo: a novidade. O fato de a exposicao do japones ser inedita no Ceara confere ao release este valor-noticia. Hall e outros autores (1999, p. 243) em estudos sobre rotinas jornalisticas destacam que a qualidade da novidade e um dos valores mais importantes em uma noticia, visto que tem claramente um periodo de vida limitado em relacao a outros valores-noticia.

O motivo e a base para a novidade e apresentado no release tambem como efeito de promocao da arte contemporanea. A arte de Souzousareta e apresentada como "moderna" e "ousada", deste modo conseguindo entrar no "mercado linguistico" em condicoes de produzir, no discurso, um saber e um valor proprios para seu fazer artistico, uma vez que, para o jornalismo, tambem interessa mostrar o que e "novo".

Como tem sido observado em estudos sobre rotinas profissionais dos jornalistas, a dinamica do funcionamento do campo jornalistico e influenciada pela acao estrategica dos "promotores de noticias". Estes sao definidos como "individuos e seus associados [...] que identificam (e tornam assim observavel) uma ocorrencia como especial, com base em algo, por alguma razao, para outros" (Molotch; Lester 1993, p. 38).

Uma das pecas-chave para a divulgacao da exposicao foi justamente o curriculo anexado ao release. Impecavel para um artista "reconhecido", o texto fazia referencia a exposicoes de Souzousareta nos maiores polos de divulgacao e consagracao da arte contemporanea do mundo. O release informava, a respeito do artista: "Seus trabalhos ja foram expostos em Toquio, Nova York, Sao Paulo e Berlim".

Examinemos a seguir outros elementos presentes no texto que eram da ordem do discurso produzido no campo da arte contemporanea como parte de seu projeto de legitimacao, no qual se inclui a imprensa.

"O nome de Souzousareta e considerado um dos mais importantes no panorama das relacoes entre arte, ciencia e tecnologia. Desenvolve pesquisas no campo da Eletronica e das Telecomunicacoes, buscando parceria com cientistas e engenheiros. Assim, ele incorpora ao seu trabalho novos conceitos como os de operacao em tempo real, simultaneidade, supressao do espaco e imaterialidade. [...] Recentemente, o artista vem desenvolvendo um trabalho nos dominios da robotica, explorando as possibilidades de utilizacao de um automato num dialogo com a escultura e a instalacao ambiental. (9)

Estas frases centrais ao release na citacao acima enunciam uma especie de sintese do projeto que se pretende didatico sobre a arte contemporanea, dentro do qual se inscreve a acao de Yuri Firmeza e de seus colaboradores. A transgressao com que se propoe a operar a arte contemporanea esta presente no discurso sobre a obra do artista inventado, o que faz o release parecer verossimil para os jornalistas. Como analisa Souza (2008), em estudo sobre a critica de arte atual:

"Confrontada com uma profusao de linguagens, formas, praticas, materialidades e programas, a arte contemporanea parece nao ter limites. Em tudo se encontram possibilidades, interesses, aceitacoes e poesia. Os procedimentos de trabalho sao praticamente inexistentes e o que vale mesmo e a diversidade e a experimentacao da expressao artistica. Em outras palavras, a desconstrucao de algo passa a ser tao importante quanto a construcao. (Souza, 2008, p. 16)

Ao inventar um artista que une "arte, ciencia e tecnologia", Yuri entra no projeto de ruptura dos limites convencionais da arte e, ao faze-lo, encontra um eixo de significacao que parece fazer sentido para os jornalistas. De fato, ele proprio, embora pretenda transgredir, esta integrado ao projeto da arte contemporanea tanto no discurso que elabora sobre o seu personagem, quanto na sua propria acao como artista, pois, como expressou a estudiosa citada acima, esta acao valoriza a desconstrucao e a experimentacao. Alem disso, os procedimentos de "trabalho" nos moldes da arte tradicional praticamente sao inexistentes.

O compositor Zeca Baleiro expressou, de forma bem humorada, em sua musica Bienal, como ve o projeto da arte contemporanea e porque este passa necessariamente pelos "segundos cadernos" dos jornais: "Pra entender um trabalho tao moderno/ E preciso ler o Segundo Caderno/Calcular o Produto Bruto Interno/ Multiplicar pelo valor das contas de agua, luz e telefone/Rodopiando na furia do ciclone/Reinvento o ceu e o inferno/ Minha mae nao entendeu o subtexto/ da arte desmaterializada no presente contexto/reciclando o lixo la do cesto/chego a um resultado estetico bacana". (10)

O leitor do Segundo Caderno e preparado, educado como espectador para "entender um trabalho tao moderno". A arte contemporanea precisa deste jornalismo cultural como o remedio precisa da receita medica. Mas isso nao basta. Segundo Baleiro, o espectador precisa ainda usar de uma racionalidade, expressa pela metafora dos calculos complexos, que tambem remetem ao valor de mercado das obras de arte. Esta arte que promete "rodopiar com a furia do ciclone e reinventar o ceu e o inferno", sua mae, como espectadora comum, nao poderia entender.

De fato, faz parte do projeto de afirmacao de autonomia do campo ser entendido por poucos, como ja lembrava Bourdieu em Economia das Trocas Simbolicas, ao analisar a genese do campo artistico:

"[... ] quanto mais o campo estiver em condicoes de funcionar como o campo de uma competicao pela legitimidade cultural, tanto mais a producao pode e deve orientar-se para a busca das distincoes culturalmente pertinentes em um determinado estagio de um dado campo, isto e, busca de temas, tecnicas e estilos que sao dotados de valor na economia especifica do campo por serem capazes de fazer existir culturalmente os grupos que os produzem, vale dizer, de conferir-lhes um valor propriamente cultural atribuindo-lhes marcas de distincao (uma especialidade, uma maneira, um estilo) reconhecidas pelo campo como culturalmente pertinents e, portanto, suscetiveis de serem percebidas e reconhecidas enquanto tais [... ] (Bourdieu, 2003, p. 109)

Bourdieu (op. cit., p. 119) identifica uma relacao de oposicao e de complementaridade entre o campo de producao erudita e o campo das instancias de conservacao e consagracao, como os museus e a midia. A constituicao do campo artistico enquanto tal pressupoe certo fechamento em si mesmo, com o apoio da critica, formando assim o que Bourdieu chama de "sociedades de admiracao mutua", "pequenas seitas fechadas em seu esoterismo" (11). Porem, o campo artistico depende do campo jornalistico na definicao legitima do que e "arte" e de quem sao os "artistas", dai as tensoes existentes nas relacoes dos novos artistas com os jornais e os jornalistas.

Em uma das entrevistas concedidas no processo de repercussao do episodio, Yuri acusou a imprensa do Ceara de nao ter a "fundamentacao" necessaria para compreender a arte contemporanea: "A imprensa de Sao Paulo e do Rio poderia tambem ter caido nessa. Mas o Ceara e uma provincia. Aqui os jornalistas nao tem fundamentacao teorica sobre arte, e uma verborragia" (12). Com esta fala, Yuri busca sua propria legitimacao perante seus pares e diante da "critica especializada", que o compreenderia por dominar os "codigos" da arte contemporanea. Note-se que esta afirmacao e feita para uma jornalista da agencia O Globo, do Rio de Janeiro, centro que ele "distingue" do Ceara como sendo mais bem dotado para esta compreensao. E so como um aparente paradoxo, entao, que ele quer ser "reconhecido" como "artista incompreendido". Esta incompreensao por parte da "provincia" seria um signo de seu proprio valor como artista.

A repercussao da acao e as crencas em jogo

Na redacao do Caderno 3, do jornal Diario do Nordeste, o reporter, ao receber a pauta do editor a partir do release da exposicao, telefonou para o diretor do Museu a fim de solicitar mais informacoes sobre o artista. Este repassou o telefone da ficticia assessora de imprensa, a quem o reporter solicitou uma entrevista com Souzousareta.

A noticia da exposicao ganhou duas paginas no Caderno 3, do Diario, no dia 10 de janeiro de 2006. Foi composta por um pequeno texto seguido pela entrevista de perguntas e respostas realizada na vespera, via e-mail. No texto do reporter produzido a partir do release e da entrevista, com o titulo "Arte, natureza e tecnologia" encontramos acrescimos nao presentes originalmente no texto de divulgacao. O reporter cita, por exemplo, a arte de Souzousareta como "convite a reflexoes sensoriais sobre a fragilidade da vida" (Moura, 2006a), confirmando a ideia de legitimacao.

Quando analisamos a performance do artista nesta entrevista, percebemos que o discurso contem a proposta didatica da sua acao, da qual o jornal era "suporte". A primeira pergunta feita pelo reporter foi "Que resposta vem obtendo do publico e das instituicoes de arte contemporanea?" Yuri responde:

"Muito pequena como deve ser o caso da maioria dos artistas contemporaneos, pelo menos aqueles que ainda resistem a uma total subordinacao dos procedimentos e problemas esteticos aos imperativos do consumo. [...] Precisamos estar o tempo todo brigando com a nossa propria producao para nao deixar que os cliches tomem conta de tudo. (Moura, 2006a)

Em outro momento, o artista define arte tecnologica a pedido do reporter. Notase pela pergunta a busca de uma cumplicidade na construcao do saber sobre esta arte. A resposta tem um tom academico: "Pode ser definida como arte tecnologica toda operacao estetica que conta com suportes tecnologicos do tipo computadores, sintetizadores, softwares dos mais variados para produzir campo de percepcao e sensacao. Nesse sentido, e obvio que o que interessa nao sao os suportes materiais, [...], mas os agenciamentos em que entram [...]"

No final da entrevista, quando o jornalista pede para que ele sintetize o conceito e o objetivo de sua exposicao em Fortaleza, o japones fornece a senha: "Tudo esta integrado a um exercicio de simulacro, cujo objetivo e retirar os habitos de seu estado de evidencia. Inclusive habitos esteticos do tipo: 'por que gostamos de arte?'. E preciso ver a exposicao." O reporter nao questionou o sentido desta afirmacao, fazendo, deste modo, sua parte mais uma vez no pacto de cumplicidade que julgava ter com o artista. Era mesmo um "habito em estado de evidencia" que o discurso punha em xeque com a sua pratica.

Ja na redacao do jornal O Povo, a reporter que ficou responsavel pela elaboracao da noticia disse a entao editora nao ter conseguido mais informacoes sobre o artista no contato com a assessoria de imprensa do proprio Centro Dragao do Mar. Por isso, elaborou uma noticia menor do que a do Diario sobre a mostra. Porem, a decisao de edicao referendou a suposta importancia do acontecimento, ao publicar o texto na capa do caderno Vida & Arte daquele dia, que coincidentemente trazia uma reportagem maior sobre acoes educativas em museus. Na materia sobre a exposicao divulgada no O Povo, e clara a utilizacao do release como unica fonte (13). Em um dos ultimos paragrafos, a reporter, no entanto, inseriu uma frase entre aspas e terminou o texto sem identificar o emissor. "Esse fenomeno, com abandono do 'objeto de arte' por muitos artistas, deu lugar a uma variedade e uma multiplicacao de usos mediaticos, explica" (Araujo, 2006). Se a reporter nao conseguiu contatar nem o artista e nem sua assessoria, esta fala, se associada a Souzousareta e, entao, falsa. Tanto quanto a exposicao a que ela se referia na materia.

No dia 11 de janeiro de 2006, o impacto da descoberta da farsa motivou reacoes dos jornais contra a iniciativa do artista, que foi considerada um ataque a um dos valores centrais ao campo do jornalismo: a ideia de "verdade" da noticia. Em editorial, o jornal O Povo, condenou a iniciativa com veemencia: "o caso fere o que um jornal tem de mais precioso: a credibilidade dos leitores". Em chamada de capa, o jornal acusava o artista de, "em nome da 'arte contemporanea' e com a cumplicidade do Centro Dragao do Mar", ter "apelado a falsidade ideologica na ansia de enganar a imprensa cearense".

O reporter da equipe do caderno Vida & Arte, do jornal O Povo, Felipe Araujo, foi responsavel por um dos ataques mais fortes a iniciativa do artista e a propria arte que este dizia realizar. Em uma delas, o jornalista compara a obra de Firmeza com a arte contemporanea de Fortaleza e qualifica ambas como sendo "pobres, recalcadas e alienadas" (Araujo, 2006). Aqui a acusacao foi dirigida a todo um estilo de arte e todo um grupo de artistas.

O conflito trouxe a tona tensoes nao explicitas no cotidiano das relacoes entre o campo artistico e o jornalistico. O jornalista Felipe Araujo nao fez esta acusacao em uma situacao considerada "normal", onde a cumplicidade estaria instaurada, mas o fez no momento em que este pacto, que assegura o poder do proprio jornalismo, foi rompido por uma das partes, o que levou a emergencia de uma oposicao em estado latente: "nos, jornalistas versus eles, artistas".

Do mesmo modo, foi tambem na situacao de quebra do pacto, que irrompeu uma critica como a do entao diretor do MAC-CE aos jornalistas locais. Em reportagem de Suzana Velasco no O Globo, encontra-se uma citacao de Ricardo Resende, de acordo com a qual as edicoes anteriores do projeto "Artista Invasor", realizadas com artistas cearenses, nao produziram interesse por parte dos jornalistas, o que ele atribuia ao "preconceito contra os artistas locais". Segundo o entao diretor do MAC-CE:

"Ha um certo deslumbramento com o que vem de fora. No Brasil todo, nao so no Ceara. A midia insistiu em publicar a materia, mesmo com dificuldade de conseguir informacoes. Foi uma ingenuidade ou ate mesmo uma falta de conhecimento da arte contemporanea. Depois houve uma tentativa de jogar o erro para o outro, enquanto o grande erro foi da propria midia (14).

Este tipo de perspectiva parece atribuir ao campo do jornalismo uma autonomia total na definicao dos seus criterios de noticiabilidade. Porem, se seguimos a analise de Bourdieu (op. cit.), compreendemos que os diferentes campos--politico, economico, artistico, jornalistico--tem autonomia apenas relativa, uma vez que dependem uns dos outros para a definicao do que e importante ou noticiavel. Ha, portanto, uma coresponsabilidade no caso da divulgacao do artista invasor, a qual o diretor do Museu nao assumiu em sua fala.

O jornal O Povo, mesmo tendo condenado a acao de Yuri no espaco de opiniao do proprio jornal, decidiu levar a situacao a debate nos dias seguintes ao episodio, publicando artigos a favor da iniciativa, elaborados pelo diretor do Museu, Ricardo Resende, e pelo professor Tiago Themudo. Tambem veiculou reportagem intitulada "A arte do absurdo", no dia 12 de janeiro de 2006, ilustrada com a foto de Yuri Firmeza sorrindo, com ar travesso, de cabeca para baixo, dando a impressao de segurar o titulo da reportagem.

Ja o Diario do Nordeste optou por outra estrategia, a de nao dar mais espaco para a divulgacao do caso, a fim de nao oferecer ainda mais publicidade ao artista. No dia seguinte, limitou-se a relatar o acontecido, enfatizando a responsabilidade do Centro Dragao do Mar no caso.

"Assumindo a divulgacao do evento, bem como a identidade ficticia do artista e de suas presumiveis obras (sacadas da internet), o artista e a instituicao (Museu/Dragao do Mar) acabaram colocando em xeque ou ate mesmo comprometendo o vinculo de credibilidade estabelecido junto aos veiculos de comunicacao e a sociedade cearense. (Moura, 2006b)

A repercussao do acontecimento na imprensa da regiao Sudeste e Sul do Pais, de modo geral, foi favoravel a iniciativa do artista e reforcou a ideia de critica a imprensa local. No O Estado de Sao Paulo a reportagem foi intitulada "Um artista 'genial'. E ele nem existia" (17/01/2006). Na Folha de S. Paulo, o caderno Folha Ilustrada, publicou uma entrevista realizada por telefone com Yuri Firmeza, sob o titulo "Geijutsuka, o 'desmaterializador'". No Segundo Caderno, de O Globo, o caso teve maior destaque ao ganhar pagina inteira com a fala do artista e do curador do museu, Ricardo Resende ("A Cilada do Artista Invasor", 23/01/2006). O jornal Zero Hora de Porto Alegre, publicou a noticia com o titulo "Artista prega peca na imprensa", no dia 24. Em todas estas reportagens, foram veiculadas fotos grandes de Yuri Firmeza.

O site Overmundo publicou, no mesmo periodo, a analise do caso com o titulo "Adoravel invasor", que ja dizia um pouco do tom seguido pelo autor do texto em mais um ataque aos jornais locais: "Como um virus, Yuri Firmeza infiltrou-se na midia e expos as fraquezas de uma imprensa, que com raras excecoes, mostrou-se incapaz de fazer uma autocritica vigorosa." (15)

A entao editora do Vida & Arte, Regina Ribeiro, fez uma especie de mea culpa pela imprensa ao dizer que Firmeza conseguiu pautar o release dentro de todos os elementos trabalhados por jornalistas "ele pegou um trabalho, um discurso e a midia, no caso, o jornal. Ou seja: ele seguiu, feito um menino de catequese todo o receituario do jornalismo e nao se afastou de nada sobre como se constroi o discurso de uma arte." (16)

No entanto, uma analise mais detalhada do caso e das pecas projetadas em sua acao revelou que a iniciativa so foi bem sucedida por causa do vinculo de cumplicidade entre o campo artistico e o jornalistico, do qual ambos se beneficiam ate que o pacto seja rompido por uma das partes. O jornalista e o jornal se beneficiam por obedecer ao criterio de "novidade" e de "verdade", duas regras do jogo fundamentais de seu campo, e o artista e sua arte por ganharem "existencia real" na midia.

A analise revela ainda que o ataque de Yuri Firmeza, na pratica, nao se dirigiu as demais instancias de legitimacao da arte contemporanea que o artista dizia querer criticar. Como demonstram os titulos das reportagens publicadas sobre o caso, citados acima, os jornais e os jornalistas foram os principais agentes atingidos.

Yuri Firmeza afirmou ter composto o seu Souzousareta como protesto contra o sistema capitalista que "transforma todo o circuito da arte em mercado". No entanto, sua invasao foi feita as paginas dos cadernos de cultura e nao ao Museu de Arte Contemporanea, cujo diretor era um dos colaboradores de Yuri. A midia foi alvo principal da sua acao, como fica claro em expressoes como a seguinte: "Os parametros que nortearam a criacao do release foram semelhantes as estrategias de ludibriacao operada pelos jornais. A ideia foi seduzi-los da mesma forma como eles seduzem os leitores. Ou seja, espetacularizacao na contra-mao." (17)

Dizendo-se inspirado em Bourdieu na sua iniciativa, Yuri parece nao ter atentado para o fato de que, para este autor, o campo artistico tem seus proprios mecanismos de construcao de autonomia e estas nao se reduzem, em absoluto, ao poder economico ou da midia. Estrategias como a de Yuri sao parte do processo de construcao da autonomia do campo artistico, embora este se de num contexto de disputas permanentes com outros agentes.

O diretor do museu, Ricardo Resende, concedeu o aval institucional a criacao de Souzousareta, bem como a critica de arte Luisa Duarte, que tambem escreveu um texto de apresentacao do japones para a sua "exposicao". Um professor universitario, Tiago Themudo, funcionou como "orientador" de todo o processo. Yuri, portanto, nao pode na pratica dirigir contra estes "agentes de legitimacao" seu ataque, ja que criou seu trabalho em cooperacao com eles. Faltou combinar a acao, no entanto, com os jornalistas, que se tornaram entao o alvo mais facil do sistema que ele pretendia atacar. Sem a concordancia do diretor do Museu, poderia ter havido "exposicao", "arte", um "artista famoso"?

Ao criar um discurso que serviu de armadilha para os jornalistas, ele utilizou o principal poder legitimador do campo artistico: uma gramatica criada por artistas, criticos e diretores de museu na construcao dos significados da arte contemporanea.

A analise do caso do "artista invasor" revelou ainda conflitos entre as ilusoes que movem o campo da arte e o do jornalismo. A crenca que serve de referencia para o campo do jornalismo e a da "verdade" da noticia; no campo artistico, o capital valioso e o da "transgressao". Nao existe jornalismo sem a ilusao de verdade, expressa na construcao do discurso "objetivo". Por outro lado, nao ha arte sem transgressao, no sentido de fuga do lugar comum. Estas ilusoes sao parte do capital que circula em cada campo. Porem, as ilusoes se dissipam quando vistas "de fora" neste caso, pois nem o artista foi realmente transgressor, uma vez que contou com o aval da instituicao que dizia questionar, nem o discurso jornalistico pode ser considerado "verdadeiro", como a acao demonstrou.

No entanto, partiram de cronistas e jornalistas atuantes da midia local e nacional algumas das reacoes mais criativas produzidas a partir deste caso. Sem se engajar na luta em favor da "verdade", estes escritores terminaram por contribuir com a construcao de uma grande criacao coletiva a partir de Souzousareta (18). Em uma cronica publicada em seu blog, com o titulo "A marmota do ano", o jornalista e escritor cearense Ricardo Kelmer, hoje morando em Sao Paulo, sugeriu:

"Olhasso, esse Yuri devia fazer uma estatua. Dele nao, do seo Ze Sareta. Isso, no Dragao do Mar. O Ceara nao e a terra da molecagem? Nao foi Fortaleza quem uma vez vaiou o Sol na Praca do Ferreira? Entao. Uma estatua do japa lendo jornal. Pra gente nunca mais esquecer do dia em que Fortaleza aplaudiu um artista que nunca existiu. (19)

Geisa Mattos

Professora no Departamento de Ciencias Sociais da UFC/CE/BR. <geisamattoslima@gmail.com >

Nardelia Martins

Pos-graduanda em Assessoria de Comunicacao na UNIFOR/CE/BR. <nardeliamartins@yahoo.com.br>

REFERENCIAS

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--. Livre troca. Dialogos entre ciencia e arte. Sao Paulo: Bertrand Brasil, 1995.

--. A economia das trocas simbolicas. Sao Paulo: Perspectiva, 2003.

--. A Distincao. Critica social do julgamento. Porto Alegre: Zouk, 2008.

BUITONI, Dulcilia. "Entre o consumo rapido e a permanencia: jornalismo de arte e cultura. In: MARTINS, Maria Helena (org.). Outras leituras: literatura, televisao, jornalismo de arte e cultura, linguagens interagentes. Sao Paulo: Senac; Itau Cultural, 2000.

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MARTINS, Nardelia. Caso Souzousareta Geijutsuka. O release como estrategia contra a imprensa. Monografia (Conclusao do curso de graduacao em Jornalismo)--Universidade de Fortaleza, 2007.

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SOUZA, Ana Cecilia. "Quebra de padrao": Um estudo da critica de arte e suas mudancas na contemporaneidade. Monografia (Conclusao do curso de graduacao em Jornalismo)--Universidade de Fortaleza, 2008.

NOTAS

(1) Trabalho apresentado no GT Antropologia e Comunicacao de Massa, 27a Reuniao Brasileira de Antropologia, realizada entre os dias 01 e 04 de agosto de 2010, Belem, Para, Brasil.

(2) Carta escrita por Ricardo Resende para alguns criticos de arte e curadores de todo o Pais, no final do ano de 2005, convidando-os a participar do projeto "Artista Invasor". A ideia era de que estes escrevessem textos ficticios para apresentar o "artista japones" ao publico. Este aspecto do processo de legitimacao da obra sera analisado mais adiante. A carta foi reproduzida no livro Souzousareta Geijutsuka ( 2007), organizado por Yuri Firmeza, reunindo grande parte do material relacionado ao assunto publicado na midia na epoca.

(3) Reproduzido no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, de 24/01/2006.

(4) O artista expressa este objetivo de varias maneiras ao longo de textos que serao citados neste trabalho.

(5) Trecho de email de Yuri Firmeza para Tiago Themudo reproduzido no livro Souzousareta Geijutsuka (2007, p. 20). Todos os outros trechos de emails reproduzidos neste trabalho foram extraidos da mesma publicacao.

(6) Textos disponiveis no livro organizado por Firmeza (2007, p. 32).

(7) Yuri Firmeza escreveu na apresentacao do livro Souzousareta Geijutsuka (2007): "Este tambem e um livro coletivo, em que procuramos estabelecer dialogos com pessoas de diversas areas do conhecimento, para, dessa forma, ampliar as leituras e visoes sobre o trabalho. [....] Sendo um livro em processo, como todos de certa forma os sao, no sentido em que reverbera e se prolonga nas discussoes que provoca, cabe a voce leitor complementar, e ate mesmo escrever, as paginas que estao por vir".

(8) Expressao de Bourdieu (ver O Poder Simbolico, 1989, p. 55)

(9) O texto completo do release encontra-se em Firmeza (2007, p.31)

(10) Em uma das reportagens publicadas apos o acontecimento, Geijutsuka e chamado de "desmaterializador" (Entrevista a Monica Bergamo, Folha de S. Paulo, 12/01/2006).

(11) Ver Bourdieu (2003, p. 106-107)

(12) Reproduzido em reportagem de Suzana Velasco (jornal O Globo, 23/01/2006).

(13) Em entrevista a Nardelia Martins, em 13 de novembro de 2007, a entao editora do caderno Vida & Arte, Regina Ribeiro, confirmou que o release foi a unica fonte para o texto redigido pela reporter.

(14) Reproduzido em reportagem de Suzana Velasco publicada no jornal Zero Hora (Porto Alegre, 24/01/2006).

(15) O autor do texto e o jornalista cearense Ricardo Saboia <www.overmundo.com.br>.

(16) Depoimento concedido em entrevista para a monografia de Nardelia Martins, em 13 de novembro de 2007.

(17) Em entrevista para Nardelia Martins, realizada em 14 de outubro de 2007.

(18) No sentido aqui mencionado, merecem registro as cronicas de Airton Monte (Artista Conceitual, jornal O Povo, 18/01/2006), Affonso Romano de Sant'anna, (Mordendo o proprio rabo, Correio Braziliense, 29/01/2006) e Fernando Costa (Vou cuspir no seu tumulo, jornal O Povo, 28/01/2006).

(19) Originalmente publicado em <http://www.ricardokelmer.net> e reproduzido em Firmeza (2007, p. 100).
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Title Annotation:Jornalismo
Author:Mattos, Geisa; Martins, Nardelia
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Article Type:Report
Date:May 1, 2011
Words:7694
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