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O ecoturismo e o mito da natureza intocada.

Introducao

Podemos iniciar trazendo a ideia da montanha como morada dos deuses, espiritos, uma aproximacao com o sublime ou de outra perspectiva, uma deformidade. Pela amplitude do tema e para ilustrar a questao da mudanca de concepcoes em relacao a montanha, vou me valer aqui, como exemplo, do caso da Inglaterra.

As montanhas, em meados do seculo XVII, na Inglaterra, eram odiadas como estereis "deformidades", "verrugas", "furunculos", "monstruosas excrescencias", "refugo da terra", "pudenda da Natureza", e um seculo apos transformaram-se em objetos da mais alta admiracao estetica. O vento pode tanto "acariciar a alma", ser "doce", "aromatico", como "cortante", "aspero".

Em fins do seculo XVIII, o apreco pela natureza, particularmente pela selvagem, havia se convertido num tipo de ato religioso; ela nao so era bela como moralmente benefica.

Thomas (1989) estuda a profunda modificacao das sensibilidades que ocorreram na Inglaterra entre o seculo XVI e o final do seculo XVIII, em relacao as plantas e a paisagem e nos mostra como a religiao desempenhou num dado momento na Inglaterra, uma nova atracao pela vida rural. Traz um historiador literario na descricao sobre a posterior decada de 1640, em que "o retiro rural ja nao era uma simples defesa contra o mundo corrupto; era um portao aberto para o Paraiso antes da Queda" (THOMAS, 1989, p. 297). O campo ganha uma virtuosidade em relacao a cidade. Thomas exemplifica com varias passagens pertinentes a essa concepcao na literatura da epoca, denominada pelo poeta John Clare de a "religiao dos campos". Quando caminho pelo campo--dizia o poeta Henry Needler (apud THOMAS, 1989, p. 297), "meus pensamentos naturalmente tomam um rumo solene e religioso". Campos e bosques concordavam o platonico Peter Sterry, naturalmente despertavam um sentido do divino.

O economista John Stuart Mill, em 1848, defendeu o limite a expansao demografica, fundamentado na necessidade da preservacao de certas areas, onde os homens pudessem ficar a sos; portanto a solidao seria indispensavel a satisfacao humana, como algo essencial para o aprofundamento da meditacao ou de carater:

[...] A solidao perante a beleza e grandiosidade da natureza e o berco de pensamentos e aspiracoes que nao sao bons somente para o individuo--sem eles a sociedade dificilmente sobreviveria (THOMAS, 1986, p. 318).

Discutindo sobre como arquetipos (imagens coletivas, ao contrario dos sonhos que sao individuais) criam religioes, mitos e filosofias influenciando e caracterizando nacoes e epocas historicas bem como se transformam em simbolos dependendo de sua dimensao temporal e espacial, Diegues (1998) traz ilustracoes pertinentes. O arquetipo materno, por exemplo, carrega um repertorio de aspectos e variacoes criando simbolos como o da ilha, de uma lagoa acolhedora ou de uma caverna protetora.

Nesse sentido, inumeros mitos e lendas confirmam a presenca do mar e da ilha na constituicao da cultura, cujas imagens e representacoes estao muito presentes na literatura e na arte. Entao o mar e relacionado com a figura materna, o liquido amniotico protetor que envolve o feto; a ilha e igualmente relacionada a figura materna, o utero protetor.

Nao so a natureza ou as limitacoes geograficoambientais constituem-se como motivacao para exploracao das florestas, mas tambem as formas que configuram as relacoes sociais, suas racionalidades intencionais, seus objetivos de producao social e simbolica.

Uma paisagem pode tornar-se mais atraente depois de revelada pelos olhos de um pintor, provocando o desejo da viagem. A partir dessa consideracao, Botton (2003) explora o que ocorreu na Gra-Bretanha, na segunda metade do seculo XVIII.

Baseando-se em historiadores, constata-se que grandes extensoes do meio rural da Inglaterra, Escocia e Pais de Gales nao eram apreciadas antes do seculo XVIII. Locais mais tarde considerados de beleza natural inquestionavel como o vale do Wye, a Alta Escocia, o Distrito dos Lagos, foram durante seculos tratados com indiferenca e mesmo com desdem. Viajando pelo distrito dos Lagos na decada de 1720, Daniel Defoe descreveu a regiao como "deserta e assustadora". Na obra "Viagem as ilhas ocidentais da Escocia" Johnson relatou a Alta Escocia como "tosca", lamentavelmente desprovida de "plantas decorativas" e "uma vasta extensao de esterilidade irremediavel".

Em 1727, o poeta James Thompson publicou As estacoes celebrando a vida rural e a paisagem do Sudeste da Inglaterra e o sucesso trouxe a preeminencia a obra de outros, estimulando pintores e a encomenda por suas obras. Houve uma explosao de pessoas viajando pelas ilhas, pelo vale do Wye, bem como as montanhas do Norte do Pais de Gales, Distrito dos Lagos e Pais de Gales.

A concepcao da montanha, como bela ou moralmente benefica, teve influencia no que hoje denominamos de mito da natureza intocada ou mito da natureza selvagem, mantendo uma relacao estreita com as viagens contemporaneas a natureza. Esse "mito da natureza intocada" esta presente na representacao simbolica relacionada a existencia de areas naturais intocadas e intocaveis pelo homem onde este e visitante e nao morador. Juntamente com outros mitos presentes na contemporaneidade, vem responder a uma necessidade social, tendo como funcao revelar secretas modalidades do ser e trabalhar com uma realidade contraditoria, a qual nao pode ser expressa em conceitos.

Nesse mito moderno, ou neomito, elementos nos reportam a "ideia do paraiso perdido, da beleza primitiva da natureza anterior a intervencao humana, da exuberancia do mundo natural que leva o homem urbanizado a apreciar o belo, o harmonioso, a paz interior proveniente da admiracao da paisagem intocada" (DIEGUES, 1996, p. 59).

Para Campbell (1993), os mitos constituem-se em metaforas da potencialidade espiritual do ser humano, e os mesmos poderes que animam nossa vida, animam a vida do mundo. A mitologia nos relaciona com nossa propria natureza e com o mundo natural, do qual somos parte. Porem, quando visualizamos a natureza como mal ou possibilidade de lucro, estaremos em desacordo com ela, numa posicao de controle, ou tentativas do mesmo. A consequencia disto manifesta-se na devastacao das florestas, na aniquilacao de povos ancestrais, nos separando da natureza.

Nessa discussao, Eliade (1977) toma a funcao do mito como a de fixacao de modelos exemplares dos ritos e das acoes humanas significativas, revelando a importancia do homem em criar para alem de sua propria reproducao. A nostalgia do Paraiso denuncia-se nos atos mais banais do homem moderno, o qual experimenta periodicamente a necessidade de recuperar--nem que seja em fracao de segundos--a condicao da humanidade perfeita.

Discorrendo sobre o aparecimento e o desaparecimento da vegetacao (ciclo natural), mostra como estes elementos sempre foram sentidos, na perspectiva magico-religiosa, como um sinal da criacao periodica do cosmos, ilustrando por meio da arvore, ela mesma simbolo da natureza e da infatigavel renovacao.

As ideias de "renovacao", "recomeco", "restauracao", embora se manifestem em planos e formas diversas, tornam-se redutiveis a nocao de "nascimento" e esta por sua vez, a de "criacao cosmica".

A Primavera, a qual, em cada retorno, reatualiza a cosmogonia e um bom exemplo. A ressurreicao da vegetacao corresponde a uma manifestacao plena do universo, utilizando-se de sinais (flores, ramos, animais) as vezes exibidos em casa ou na rua, como prova de que a "Primavera chegou"; nao necessariamente a Primavera "natural", o fenomeno cosmico, mas a ressurreicao da vida.

As estacoes do ano, igualmente, relacionam-se com os sentimentos, em que estao presentes valores e concepcoes de mundo. Enquanto a primavera conduz a imaginacao para a ideia de ressurreicao, o outono num sentido oposto evoca a ideia de morte e de fuga do tempo. As impressoes da primavera dirigem-se mais aos sentidos, enquanto as do outono sao mais abstratas, de acordo com Schelle (2001).

O tempo mitico descrito por Eliade (1977) projeta o homem num tempo magico-religioso, sem relacao com duracao, constituindo um "eterno presente", equivalendo dizer que, paralelamente a outras experiencias magico-religiosas, o mito reintegra o homem numa epoca atemporal, num tempo auroral, paradisiaco, para alem da historia.

No seculo XIX, foi desenvolvida a concepcao de um conservadorismo reativo, o qual atribuia ao mundo natural todas as virtudes e a sociedade, todos os vicios, numa reacao contraria ao culturalismo que via na natureza a enfermidade do homem, uma ameaca de volta a selvageria a qual se deve opor a cultura. A primeira concepcao orientou, segundo Diegues (1996), a ideia de parques nacionais desabitados. Tanto culturalismo como naturalismo provocou distorcoes na relacao homem/natureza pelos extremismos.

O naturalismo tratava o homem como pura natureza desprezando as influencias culturais; considerava o mundo natural independentemente da utilidade que tenha para o ser humano. Uma das suas vertentes mais extremas, a ecologia profunda, chegou a propor que o ser humano deveria pensar como uma montanha.

Tomando essas premissas, o artigo sera desenvolvido no sentido de apontar contradicoes, conflitos e polemicas gerados a partir do resgate contemporaneo do mito da natureza intocada.

Produzindo distorcoes

O naturalismo radical aumentou o distanciamento da relacao H/N acentuando a dicotomia existente e isolando a natureza da cultura.

O homem contemporaneo vive profundas dicotomias, dificilmente se considerando um elemento da natureza, mas apartado dela, como observador e/ou explorador, certas vezes como "nota dissonante", como componente depredador, revelado numa pesquisa realizada por Reigota (1995).

Visao com consequencias perniciosas para nossas concepcoes de natureza e de nos mesmos, pois sugere que a natureza e autentica quando estamos inteiramente ausentes dela, portanto com a eliminacao da historia humana. Garrard (2006) cita o caso da implantacao do Parque Yosemite nos EUA onde o mito de "terra virgem desabitada" significou a expulsao dos indios Ahwahneechee e dos mineradores brancos que ali haviam morado e trabalhado.

O fechamento da natureza em parques (areas de conservacao), muitas vezes com a expulsao da populacao nativa, contradiz essa participacao social, alem de nao estabelecer relacao harmoniosa entre a sociedade e o meio ambiente, acelerando sua destruicao por meio da degeneracao genetica.

Uma divisao do conceito de natureza surgida, a partir das novas configuracoes e significados dos espacos naturais, ira provocar uma contradicao entre praticantes e ambientalistas, de um lado, e os exploradores de recursos naturais, do outro, como expoe Faria (2002, p. 7):
   [...] de um lado uma visao da natureza como fonte de recursos a
   serem utilizados pelos agentes sociais hegemonicos em larga escala,
   e sem limites, para a promocao do desenvolvimento economico. De
   outro lado, como natureza 'natural, equilibrada e harmonica' em
   oposicao as sociedades, que deve permanecer intocada.


Embora nao excludentes muito menos estanques, essas representacoes associadas a outras (por exemplo, as mistico-religiosas), conduzem a relacoes particulares com a natureza, movimentando os sujeitos e conduzindo-os a inventar novas formas de sociedade.

O neomito da natureza intocada construiu um ideal do paraiso perdido, da beleza primitiva, de uma natureza sem intervencao humana, um refugio contra o mal, portanto posturas ingenuas e simplistas.

Este ideal re-elaborou nao somente crencas antigas, mas incorporou elementos da ciencia moderna como a nocao de biodiversidade, das funcoes dos ecossistemas e de capacidade de carga.

Esse mito, juntamente com outros presentes na contemporaneidade, vem responder a uma necessidade social, revelando crencas e desejos, bem como uma realidade contraditoria, a qual nao pode ser expressa em conceitos. A protecao da natureza surge como necessidade imperiosa para a salvacao da propria humanidade, numa tentativa de "salvar as sobras" do mundo selvagem, devastado em certos casos, de forma irreversivel. Veio beneficiar as populacoes urbanas (em que o mito e mais persistente pela perda do contato cotidiano e de trabalho com o meio rural), valorizando, principalmente, as motivacoes esteticas, religiosas e culturais dos sujeitos, nao considerando a natureza um valor em si, digna de ser protegida.

Por consequencia, quando organizacoes defendem o cerceamento da natureza selvagem, na pratica podem estar representando os interesses de moradores urbanos abastados e nao dos trabalhadores rurais, privilegiando mais a industria do lazer que industria extrativa ou agricola. Essas posturas referentes ao "selvagem" devem ser consideradas, pois ha certa tendencia em acentuar o espiritual e o moral, negligenciando as disputas de poderes que envolvem o mundo natural.

Se a natureza e autentica quando estamos fora dela, isto significa isentar de responsabilidade os sujeitos que coexistem no mesmo ambiente.

Polemicas, contradicoes, ironias

Essa questao embute a contradicao, pois enquanto o espaco ideal do mundo selvagem e "totalmente puro", decorrente da sua independencia dos seres humanos, o discurso sobre esse mundo ideal postula um sujeito humano cuja existencia mais autentica se situa precisamente nele. Igualmente nos exime da criacao de responsabilidades e engajamentos no nosso cotidiano, o qual se torna irredimivel nos termos desse ideal.

O mito da natureza intocada, eliminando a acao humana (ou simulando a eliminacao), despreza as sociedades nativas, criando uma disfuncao forcada entre a natureza e a cultura tradicional, onde os homens sao proibidos, pelo poder instituido, do exercicio de suas atividades e de seus saberes. Rompe-se dessa forma, a simbiose entre o homem e a natureza, tanto no campo das atividades, das tecnicas e da producao, como no campo simbolico. Fato costumeiramente observado nos Parques Nacionais e outras areas protegidas.

Diegues (1996) revela como o denominado ecoturismo (1) e as atividades na natureza estao imbuidos por esse mito. Areas protegidas ("intocadas") favorecem populacoes urbanas visitantes para a realizacao dessas "aventuras", sem garantias de retorno e melhorias para a populacao local, geralmente iletrada em sua grande maioria, isoladas geograficamente, sem poder politico, mas que como alerta Diegues (1996, p. 68), sao os "responsaveis pela conservacao do chamado 'mundo natural'. Isso e mais grave quando se sabe que a permanencia dessa populacao tradicional em seus habitats pode levar, de forma mais adequada, a conservacao da biodiversidade".

Devemos estar atentos para o significado atual de cultura local. Ela nao deve ser confundida com velhas identidades, as quais buscavam enraizamentos em localidades bem delimitadas. Agora ela atua no interior da logica da globalizacao pelas afirmacoes ou negacoes. E bom lembrar que o movimento global pode estimular objetivos unificadores como a luta contra a fome do mundo, destruicao ambiental, a luta pela paz etc.

Nas pequenas localidades ha um saber incorporado sobre os ciclos naturais, a reproducao e migracao da fauna, a influencia da lua nas atividades de corte de madeira e da pesca. Nos sistemas de manejo dos recursos naturais, e proibido o exercicio de atividades em certas areas ou periodos do ano, tendo em vista a conservacao das especies. Por outro lado, desenvolvem-se sistema de representacoes, simbolos e mitos e com base neles agem sobre o meio. Diegues (1996, p. 95) exemplifica pela crenca nos entes magicos os quais castigam aqueles que destroem as florestas (caipora/curupira, Mae da Mata, Boitata); os que maltratam os animais da mata (Anhanga); os que matam os animais em epoca de reproducao (Tapiora); os que pescam mais do que o necessario (Mae d'Agua).

Alguns casos que envolvem locais especificos para o ecoturismo podem ilustrar essa questao.

Um projeto nao bem sucedido, foi a criacao da Estacao da Jureia-Itatins (litoral Sul do Estado de Sao Paulo). Apesar de essa criacao ter resultado em beneficios importantes como o afastamento da especulacao imobiliaria, a ausencia de definicao de uma politica de apoio pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente relacionada as atividades economicas e a alternativas da subsistencia da populacao caicara, provocou o exodo de parte dessa populacao. A falta de manutencao da escassa infraestrutura social existente na area (estrada, escola, posto de saude), tem motivado a migracao para regioes urbanas, onde os caicaras se tornam subempregados e favelados e a miseria crescente faz com que parte dessa populacao se engaje em atividades predatorias dos recursos naturais, antes desconhecidas e nao praticadas.

O ecoturismo tem estimulado experiencias e encontros diretos com populacoes locais provocando um deslocamento encenado da vida cotidiana em que culturas sao simuladas. Situacao variavel que depende, tanto dos objetivos, como do poder relativo das partes envolvidas. Os ecoturistas que desejam observar, por exemplo, canibais ou indios podem obter uma visao asseptica recheada de emocoes proporcionadas pelo "coracao das selvas" e serem recompensados por aquilo considerado como tema na imaginacao popular: uma vista ao lugar do "outro" retornando aos confortos do hotel e ao aconchego do grupo no final do dia.

Featherstone (1997), traz varios exemplos, dentre os quais o acordo firmado entre a MCI Incorporated e os Masai do Quenia que envolvem salarios, custos dos bilhetes de acesso, participacao nos lucros nas apresentacoes na TV e filmagens etc, permitindo aquele povo adquirir proventos que desempenhem perpetuamente o papel de Masais.

Em outras situacoes e possivel, como ocorre em algumas comunidades dos Inuit, no Alasca, a participacao em uma base mais completa da vida tribal. O ecoturista mora com a tribo e participa de uma ampla gama de atividades. Nao ha barcos para refugio e sao aceitos somente individuos ou pequenos grupos, em bases regulamentadas e sob a supervisao de agencias do governo. Assim, os Inuit usam a renda proveniente para adquirir generos essenciais, equipamentos com o objetivo de manter uma versao parcialmente modernizada de vida, porem com certa independencia em relacao ao seu estilo tradicional de vida. A atual situacao e os suficientes recursos permitem controlar as fronteiras da comunidade revertendo em vantagens e mantendo o sentido de sua identidade cultural.

Outro exemplo refere-se aos Ainu, povo cacador e coletor que habita na maior parte na ilha japonesa de Hokaido. Na decada de 1970, foi desenvolvido um movimento cultural Ainu que abriu escolas para o ensino de sua lingua e tradicoes e em algumas aldeias foram implantadas estruturas tradicionais com a finalidade de produzir artigos artesanais, tornando os turistas-testemunhas do seu estilo de vida tradicional, de modo que pudessem contribuir para atender os objetivos da reconstituicao da identidade cultural dos Ainu.

No Havai ocorreu o contrario com a destruicao do localismo, a estigmatizacao e a desintegracao da lingua, dos costumes bem como das identidades etnicas disseminando a populacao, a qual passou de 600 mil a 40 mil habitantes durante o primeiro seculo de contato. O movimento cultural havaiano tem desenvolvido, desde 1970, estrategias para reagir ao processo de longo prazo, que incorporou o Havai a economia americana, buscando uma identidade e um estilo de vida.

O discurso sobre a afirmacao da natureza como um direito de todos ("a natureza e de todos")2, nao vem para responsabilizar o turista, mas para este se colocar em igualdade de direitos com as populacoes dos diversos locais.

Ocorre uma dupla destituicao das comunidades tradicionais no funcionamento desse discurso preservacionista, referente aos aspectos juridico e economico. Quanto ao primeiro, "pela afirmacao generalizada dos direitos sobre a natureza, com a qual, nos lugares determinados, turistas e comunidades tradicionais, que nao tem o mesmo vinculo, passam a ter os mesmos direitos". Quanto ao segundo, "na afirmacao da sua pobreza, o que significa que a riqueza natural desses lugares, nao e a riqueza para as populacoes, mas para o turista" (SILVA, 1997, p. 149).

Comumente, o ecoturista estabelece vinculos frageis com o lugar, e nesse sentido, recorro a Auge (1994) sobre seu espaco constituir-se no arquetipo do nao-lugar, ou seja, constituido como naoidentitario, nao-relacional, nao-historico, tecendo uma comunicacao estranha, a qual coloca o individuo com outra imagem de si mesmo.

Por outro lado, as atividades, em que a pretensao do cunho ecologico e manifestada, geralmente restringem-se a fatores fisico-bioticos do meio ambiente, relegando para planos de menor importancia os aspectos socioculturais e politicoeconomicos caracteristicos das populacoes locais. Portanto, a redefinicao dos modelos de desenvolvimento pautada nos "criterios ecologicos", tem acontecido, como discutem Ribeiro e Barros (2005 p. 39), "muito mais no sentido de uma adequacao a ideia de 'equilibrio com o meio natural' do que em relacao a de justica social, ao reconhecimento das populacoes humanas como os verdadeiros sujeitos do meio ambiente".

A experiencia do mundo natural com seu possivel deslumbramento reverente corre o risco de uma identificacao com atividades de lazer vendendo essa "autenticidade" e mistificando o consumismo industrializado que as possibilita, implicando na probabilidade de sua mercantilizacao.

A visao do mundo natural como forma recreativa atrelada a imagem do "selvagem" e "livre" evoca com facilidade anuncios da Harley Davidson "com um garanhao de crina longa disparando pela campina" (GARRARD, 2006, p. 121).

Embora a natureza possa passar a ideia contraria a uma visao de mundo e a uma ordem social industrializada e materialmente progressista, fabricantes dos veiculos utilitarios esportivos com tracao nas quatro rodas tem se apropriado da mesma nas suas propagandas como sendo o "lar natural" desses veiculos. Uma vez que estes requerem um poco de petroleo para alimentar seus motores gigantescos, a ironia desse fato sugere uma funcao ideologica do "mundo natural", facilitando a legitimacao do consumo ostensivo de uma classe e de uma nacao privilegiada.

Atitudes, em relacao ao selvagem e ao campo, manifestam-se pelas expressoes sofisticadas sobre o meio ambiente, originarias na cidade, como nos alerta Tuan (1980). Revela como raramente percebemos a ironia inerente na ideia de preservar o selvagem, pois o "selvagem" nao pode ser definido objetivamente, constituindo-se tanto como um estado de espirito, como uma descricao da natureza: No momento, o que podemos falar de preservacao e protecao do "selvagem", ele ja perdeu muito de seu significado como, por exemplo, o significado biblico de assombro e medo e o sentido de uma sublimidade muito maior que o mundo do homem e nao atingivel por ele.

O simbolo atual do "selvagem" refere-se a processos ordenados da natureza, mas como estado de espirito, o selvagem encontra-se nas grandes cidades tentaculares.

Portanto, ocorre a inversao das imagens, o selvagem sendo representado como ordem (ordem ecologica) e a liberdade, enquanto a cidade central e caotica, uma selva governada por parias sociais (TUAN, 1980, p. 128).

Giddens et al. (1997) questiona a natureza como algo permanecendo "imperturbado" ou criado independentemente da atividade humana, preceitos que denotam falsidade, pois a natureza e subordinada aos planos humanos. O significado de "algo imperturbado" preserva tracos relacionados a epocas longinquas associadas a sua separacao da intervencao humana. A natureza foi personalizada em muitas tradicoes como sendo o dominio dos deuses, espiritos ou demonios. Essa personalizacao significou certa independencia em relacao aos humanos bem como uma fonte de mudanca e renovacao apartada da humanidade, porem com uma profunda influencia sobre as vidas humanas.

O conceito de meio ambiente traz uma ideia oposta, ou seja, a natureza transfigurada pela intervencao humana. Falamos sobre "meio ambiente" por ser a completa socializacao da natureza.

Socializacao significando mais que uma simples marca humana no mundo natural. A invencao da agricultura implica em "limpar" o ecossistema de "forma natural" com a finalidade de cultivo ou plantio e muitas paisagens consideradas "beleza natural" como algumas no Sul da Grecia foram criadas pela erosao do solo apos o cultivo da terra em tempos remotos (GIDDENS et al., 1997).

O ecoturismo privilegia areas naturais apelativas do ponto de vista estetico, "segundo valores ocidentais", como florestas, cachoeiras, rios extensos, canyons, ocorrendo a discriminacao por areas naturais "menos nobres", como pantanos, brejos, cerrados etc, mesmo reconhecendo que esses ambientes sao essenciais para o funcionamento dos ecossistemas (DIEGUES, 1996). Essa atividade responde a concepcoes de vida, inspiradas no ambientalismo, apoiados em ideologias ambientalistas e/ou misticoreligiosas.

Podemos introduzir aqui a discussao sobre o real e o artificial envolvendo as atividades na natureza. Nao somente as atividades esportivas, mas a propria natureza e deslocada e/ou retirada do seu contexto original, sendo reconstruida num ambiente "estranho". O homem contemporaneo e familiarizado com rochas artificiais para escalada, com pistas indoor de esqui, com piscinas que simulam ondas, destinadas (mas nao somente) a surfistas.

E possivel camuflar por meio de justificativas ecologicas, um suposto retorno a natureza, advindo da pratica em ambientes artificiais, bem como as redefinicoes sociais da natureza podem se mover de uma abordagem ecologica da natureza, para um conceito economico de natureza.

Estamos habituados cada vez mais em nos banharmos em piscinas instaladas junto as praias e delas podermos olhar, sem toca-lo, o mar, ao longo de golfos contaminados.

Auge (1998) refere-se a um folheto sobre o Centre Parc, na floresta de Sherwood, contendo informacoes sobre uma ilha tropical rodeada com areia branca, banhada por uma agua azul e mansa e coberta de coqueiros no interior do parque. A ideia, revela o folheto, era de um "paraiso aquatico tropical". Porem, uma inversao ocorreu quando o autor chegou ao local e o Center Parc revelou-se como ideal e nao como ideia (o real modelado pela inteligencia e a imaginacao).

O local era composto por piscinas, ondas artificiais, shoppings, palmeiras plantadas em lugares secos e limpos. Nao o litoral tropical imaginado por muitos como um paraiso, porem contendo todas as adversidades naturais pouco consideradas nessa imaginacao como corais cortantes nas rochas, ondas enormes e as vezes brutais, coqueiros em meio as ervas daninhas, formigas, muricocas, pernilongos e borrachudos, bem como as tormentas de verao parecendo eternas.

Segundo Urry (1996), o Center Parc e quase um "pseudo-acontecimento" desconsiderando o mundo "real". Trata-se de uma aldeia, onde foram investidos 34 milhoes de libras, na qual uma 'orla maritima' artificial foi construida, com um domo gigantesco de plastico, de camada dupla mantendo uma temperatura constante de 28[grados]C. As grandes atracoes neste complexo turistico estao relacionadas ao divertimento e ao prazer proporcionados pelo calor tropical, como a natacao, canoagem, barcos a vela, pequenas lagoas com agua quente, palmeiras e cafes a beira da agua. Tais centros nao precisam ser localizados proximos ao mar, pois a tecnologia permite a construcao da orla maritima em qualquer lugar.

A construcao do mundo ideal significa remover os defeitos do mundo real. Desta forma, os paraisos tem certa semelhanca, porque os excessos (principalmente quanto as intemperies) ou as carencias sao removidos. Abundam as plantas e animais uteis e amigos do homem.

O modelo ideal e construido numa redefinicao das funcoes humanas, as quais as vezes sao transformadas em dejetos, criando situacoes em que a inteligencia natural torna-se dejeto da inteligencia artificial (BAUDRILLARD, 1994).

O artificial evita os riscos (3), os perigos, a poluicao, tentando garantir a reciclagem das substancias, a conservacao das especies e distanciando-se da vida, ou seja, do inesperado, das durezas, das emocoes, dos conflitos e das contradicoes. Isso significa, em parte, a eliminacao da aventura, das coisas que estao por vir (buscando o termo do latim adventura), bem como a ausencia da experiencia sensivel, do desfrutamento polimorfico.

A eliminacao da presenca humana num modelo conservacionista, o qual despreza a presenca humana e a cultura como elementos fundamentais para a preservacao, alimenta distorcoes e desequilibrios os quais podem ser notados quando, por exemplo, percorremos uma trilha na mata.

Para ilustrar, trago outro relato de Bryson (1999) na Trilha dos Apalaches-EUA, onde, segundo o autor, manifesta-se uma fobia pelo contato humano e os grupos que executam a trilha atravessam um "corredor protegido", sem contato com aldeias ou fazendas. Situacao criada pelo impulso historico de domesticar e explorar a natureza. Comparando com as trilhas que havia percorrido em Luxemburgo, na Europa, relata como essas ultimas cruzavam muitos bosques, mas desembocavam, com poucos intervalos, em estradinhas ensolaradas e porteiras, atravessando campos de fazenda e aldeias. Assim podia-se parar numa padaria ou no correio, ouvir o sino da porta de lojas, como tambem ouvir conversas de pessoas. A noite era possivel dormir numa pousada e comer em algum restaurante, com outras pessoas. As trilhas possibilitavam conhecer Luxemburgo de forma integrada e nao apenas suas arvores.

Comparando com os EUA, Bryson (1999) declara como nesse pais a beleza tornou-se algo para onde se vai de carro e, em relacao a natureza voce encontra propostas ou de subjugacao impiedosa ou de deificacao; como algo sagrado e remoto, quase um epifenomeno, situacao percebida na Trilha dos Apalaches. Concluindo sobre a necessidade da coexistencia homem e natureza, exemplifica como uma ponte pode tanto realcar a grandiosidade de um rio como a graciosidade de um riacho e uma trilha ser mais interessante e recompensadora se integrada a cultura local, possibilitando a aproximacao com marcas humanas em harmonia com o ambiente, por meio de plantacoes, animais, pastagens, moradias e outros.

Finalizando com novas propostas

Essas discussoes nos alertam para a necessidade de reavaliarmos nossa relacao com a natureza em que valores estao presentes. Tratamentos menos degradadores com o ambiente, almejando preservacao de recursos e cenarios naturais para nossos usos e fruicoes tornam-se insuficientes como discute Brandao (1994). A atitude preservacionista pode ser utilitaria e a logica de protecao ambiental pode ainda estar na base de medidas destinadas apenas a tornar mais duradoura uma relacao perversa e esgotada de subordinacao e manipulacao.

Portanto, devemos nos aproximar de um novo naturalismo, o qual se distancia da postura ingenua e do purismo, bem como do extremismo. Nessa perspectiva, o homem e produtor e produto de seu meio, e os problemas consequentes referem-se, nao ao fato, mas a maneira dessa intervencao. A natureza pura, nao-transformada, representa um museu, uma reserva e um artificio de cultura. Devem ser observadas as formas de intervencao.

A natureza faz parte da historia, nao cabendo voltar atras para restabelecer a harmonia perdida, mas sim restabelecer a relacao com o estado da natureza conforme a situacao historica.

O homem subjugou a natureza por meio de um comportamento conquistador e controlador, explorando-a de acordo com interesses especificos. Foi privilegiada uma dimensao racional com seus desdobramentos encontrando expressao no desenvolvimento cientifico e tecnologico. O "produtivismo" da modernidade4 nao concretizou as promessas efetuadas.

Portanto, essa relacao com a natureza nao deve basear-se apenas em uma pedagogia racional (que acreditava que a solucao viria da mesma matriz danosa que se tenta evitar), tampouco em uma pedagogia bucolica que tenta resgatar os vinculos com o passado como proposta de mudanca. Deve basear-se em um olhar sobre a natureza (assim como sobre nossa natureza humana) em como ela e (e sempre foi) na sua beleza e harmonia, e tambem na sua crueldade e conflitos.

Nao estamos vivendo um redespertar da natureza, mas talvez sua adocao como sendo uma decisao de estilo de vida. Decisao atrelada a relacoes de poder e estratificacao social.

Received on November 4, 2009.

Accepted on February 18, 2010.

Referencias

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DOI: 10.4025/actascihumansoc.v32i2.8677

Heloisa Bruhns

Programa de Pos-graduacao em Geografia, Universidade Estadual de Campinas, Distrito de Barao Geraldo, 13081-970, Campinas, Sao Paulo, Brasil. E-mail: luabola@uol.com.br

(1) De acordo com Ceballos-Lascurain (apud PELLEGRINI FILHO, 1993, p. 138), "o ecoturismo consiste em viagens "por areas naturais nao degradadas ou nao poluidas, com o objetivo especifico de estudar, admirar e fruir a paisagem e suas plantas e animais, tanto quanto manifestacoes culturais (do passado e do presente) encontradas nessas areas. Nesses termos, o turismo orientado para a natureza implica uma colocacao cientifica, estetica ou filosofica [...]. O ponto principal e que a pessoa que pratica ecoturismo tem a oportunidade de mergulhar na natureza de uma maneira normalmente nao possivel no meio ambiente urbano".

(2) Obviamente este discurso encobre o fato de que, embora a natureza seja de todos, nem todos sao verdadeiramente iguais, num sistema onde as trocas sao bastante desiguais.

(3) Assunto melhor desenvolvido no artigo de minha autoria "Lazer, cultura e tecnologia: discussoes envolvendo aspectos da globalizacao", bem como no livro de minha autoria "A busca pela natureza" (BRUHNS, 2009).

(4) Modernidade esta sendo usada aqui tomando como referencia a epoca que se segue ao periodo medieval cuja acepcao historica e filosofica toma como referencia o pensamento de Francis Bacon na Inglaterra e o de Rene Descartes na Franca. Pode ser considerado como um movimento baseado na crenca em relacao ao novo, descartando o velho, o classico, o tradicional bem como no avanco do conhecimento, desenvolvido a partir da experiencia e por meio do metodo cientifico. Seu significado nao e fixo ou estavel, mudando historicamente como resultado de um discurso teorico nao esgotado onde novos significados e interpretacoes podem surgir (PETERS, 2000).
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:Bruhns, Heloisa
Publication:Acta Scientiarum Human and Social Sciences (UEM)
Date:Apr 1, 2010
Words:6257
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