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Discurso e ideologia: reflexoes no campo do Marxismo estrutural.

Introducao

Quando, nas Ciencias Sociais, toma-se o discurso como objeto de interpretacao, nao sao apenas problemas metodologicos que se impoem ao pesquisador, mas principalmente questoes teoricas que envolvem a compreensao desse objeto. O desafio se torna ainda maior se a adesao for a Analise de Discurso de linha francesa (AD), fundada por Michel Pecheux. Nesse caso, em particular, nao ha como se furtar a exigencia de se situar num campo de debate que envolve as condicoes de producao do objeto investigado e as relacoes existentes entre ele o discurso--e a ideologia.

E dessa relacao entre discurso e ideologia que este artigo se ocupa, uma discussao cuja inflexao teorica e o marxismo estrutural ja que a teoria elaborada por Pecheux se origina na matriz althusseriana de onde ele retira os conceitos de ideologia e assujeitamento, reinterpretando-os, movimento que o leva a abrir a grade estrutural e, ao mesmo tempo, a repensar a nocao de discurso de Foucault.

Entendemos que o trabalho teorico de Pecheux abre a possibilidade de se pensar o discurso nao como um "substituto" da ideologia, tampouco como um conceito que permite "contorna-la", mas como algo atravessado por ela.

Essa possibilidade apresenta-se bastante promissora para a analise do discurso politico, pois esta em formacao, entre os cientistas sociais, o consenso de que ele se mostra sempre carregado de ideologia, constituindo-se campo de disputa pelo poder simbolico.

Pecheux e os fundamentos da analise de discurso

Antes de empreendermos a discussao propriamente das questoes centrais a que nos propusemos, torna-se necessario situar Pecheux, o fundador dessa linha de investigacao, no campo teorico e ideologico do marxismo ao qual se vinculou.

Se, de um lado, Pecheux nunca foi considerado estrela de primeira grandeza no universo estelar do marxismo estruturalista, de outro, o conjunto de sua obra lhe confere posicao e papel importantes e singulares dentro do marxismo, revelando um intelectual com estilo de pensamento arguto, forte, inquieto e muitas vezes ironico. Aluno de Louis Althusser, manteve um trabalho em estreita colaboracao com ele e uma amizade que resistiu a grande tragedia que colocou o mestre na condicao de um "desaparecido", utilizando, aqui, uma expressao de Foucault, tambem seu aluno e cuja amizade ao mestre igualmente se manteve no periodo dificil que se seguiu ao constrangedor episodio, em 1980, quando Althusser assassinou sua esposa Helene.

Embora tenha reelaborado a maioria das teses de Althusser, a ideia althusseriana de "luta de classes na teoria" perpassa todo o trabalho de Pecheux, um militante do PCF, um filosofo que acreditava que a teoria deveria intervir na luta de classes. Em sua ultima obra, ainda faz referencia a Althusser e se posiciona em relacao ao seu proprio trabalho, dizendo:

A posicao de trabalho que aqui evoco [...] supoe somente que, atraves das descricoes regulares de montagens discursivas, se possam detectar os momentos de interpretacoes enquanto atos que surgem como tomadas de posicao, reconhecidas como tais, isto e, como efeitos de identificacao assumidos e nao negados. [...] trata-se ai, para mim, de uma questao de etica e politica: uma questao de responsabilidade (PECHEUX, 2002, p. 57).

Tendo iniciado sua carreira com o apoio de Althusser--a exemplo de Foucault, Lacan, Balibar, entre outros--, Pecheux comecou seu trabalho num laboratorio de Psicologia Social da Sorbonne com a tarefa academica e politica de desenvolver uma perspectiva critica, "como Cavalo de Troia do psicologismo" (DOSSE, 2007, p. 403). Nesse inicio, contou com a colaboracao de Michel Plon e Paul Henry, na tentativa de aplicacao das teses de Althusser na analise do discurso. Escrevendo, nessa fase inicial, sob o pseudonimo de Thomas Herbert, comecou pelo retorno a Marx e a Freud com o objetivo de discutir o sujeito e a ideologia em suas relacoes com a lingua. Pecheux efetua tambem uma releitura de Saussure, propondo que a nocao de lingua--como sistema--seja a base sobre a qual se devem pensar os processos discursivos, portanto, desloca o objeto, e de modo diferente de Saussure, defende que a AD analise o discurso, um objeto que funde a lingua, o sujeito e a historia. Desse modo, constroi um quadro teorico para a AD organizado em torno de Saussure, Marx e Freud. Portanto, no ambito do grupo dos althusserianos, Pecheux rele Saussure, do mesmo modo que Althusser releu Marx e Lacan relia Freud. Assim, sua releitura passou a fazer parte desse intrincado entremeio teorico que ele, a um so tempo, ajudou a construir e explorou para elaborar os principios e procedimentos da AD.

Detentor de um pensamento exigente e inquieto fez um balanco de seu proprio pensamento, identificando tres epocas na sua producao intelectual (PECHEUX, 1997).

Considera que a "primeira epoca" se inicia com a sua obra Analise automatica do discurso, um periodo comparado por ele a uma "aventura teorica", momento em que empreende a releitura de Saussure, tomando o seu conceito de langue como suporte de processos discursivos envolvidos pelo sujeito e pela historia. Pecheux considera que nessa primeira fase lancou as bases do objeto discurso, uma concepcao na qual se cruzam a Linguistica, o Marxismo e a Psicanalise. Nessa fase, as teses althusserianas sobre os aparelhos ideologicos do Estado e o assujeitamento levam-no a pensar o sujeito como atravessado pela ideologia e pelo inconsciente, um sujeito que, nao sendo fonte nem origem do dizer, seria afetado pelo ja-dito e pelo pre-construido. A metodologia que propoe e de base harrisiana (1) que busca destacar os tracos e enunciados de base do processo discursivo. Ao fazer a critica desse periodo, Pecheux se penitencia por ter criado o "primado do Mesmo sobre o Outro", privilegiando a repeticao e a invariancia. (2)

Na "segunda epoca", reve as formulacoes iniciais, buscando o Outro, escapando do aprisionamento metodologico da fase inicial, que sugeria um tipo de maquina discursiva. Nessa fase Pecheux reformula a nocao de formacao discursiva (FD) de Foucault (1972), abrindo-a do seu interior para o interdiscurso, ou seja, defendendo a ideia de que uma FD e sempre atravessada por outras FDs e por pre-construidos, sendo recobertas por formacoes ideologicas. Trata-se de uma fase de buscas e de muitos questionamentos, portanto, bastante fecunda. Embora Pecheux ja viesse anteriormente tentando explicitar melhor as relacoes entre lingua, discurso, ideologia e sujeito e formulando as bases de sua tese dos dois esquecimentos, e na sua principal obra, Les Verites de la Palice, de 1975--com edicao brasileira traduzida por Eni Orlandi sob o titulo Semantica e discurso. Uma critica a afirmacao do obvio (1995)--que Pecheux fecha a "segunda epoca", quando propoe a sua "teoria materialista do discurso" e inicia um periodo de muitas revisoes.

Apoiado em uma afirmacao de Balibar: "O fato de que a lingua seja indiferente a divisao de classes e a sua luta, nao quer dizer que as classes sejam indiferentes a lingua. Ao contrario, elas a utilizam, de modo determinado, no campo do seu antagonismo, especialmente de sua luta politica". Pecheux (1995, p. 92) pondera que tal afirmacao revela dois sentidos. O primeiro diz respeito a "autonomia relativa do sistema linguistico" e o segundo, a "que todo processo discursivo se inscreve numa relacao ideologica de classes". Desse modo, ao criticar o seu companheiro de discussoes academicas e politicas, por trazer para o debate a visao equivocada de que a lingua e um "meio de comunicacao entre os homens"--equivoco que considera ter sido autorizado por Marx e Engels na Ideologia Alema--Pecheux segue na sua formulacao, opondo as nocoes de lingua e unidade de lingua, presentes na assertiva de Balibar, as nocoes de discurso e de contradicao ideologica, respectivamente.

Na sequencia, inscreve o discurso e as contradicoes que lhes sao inerentes nas relacoes ideologicas de classes, enunciando assim o que acredita ser fundamental para a teoria materialista do discurso.

Diremos que as contradicoes ideologicas que se desenvolvem atraves da unidade da lingua sao constituidas pelas relacoes contraditorias que mantem, necessariamente, entre si, os 'processos discursivos', na medida em que se inscrevem em relacoes ideologicas de classes. (PECHEUX, 1995, p. 93).

Tambem e nessa mesma obra que formula as duas formas de esquecimento com base numa relacao, segundo o autor, existente entre o "sistema pre-consciente-consciente" e o "sistema inconsciente".

Pecheux (1995, p. 173) chama de esquecimento n. 2 ao
   [...]'esquecimento' pelo qual todo sujeito-falante
   'seleciona' no interior da formacao discursiva que o
   domina, isto e, no sistema de enunciados, formas e
   sequencias que nela se encontram em relacao de
   parafrase--um enunciado, forma ou sequencia, e
   nao outro, que, no entanto, esta no campo daquilo
   que poderia reformula-lo na formacao discursiva
   considerada.


Sobre o esquecimento n. 1 Pecheux (1995, p. 173) afirma
   [...] que da conta do fato que o sujeito-falante nao
   pode, por definicao, se encontrar no exterior da
   formacao discursiva que o domina, Nesse sentido, o
   esquecimento n. 1 remetia, por uma analogia com o
   recalque inconsciente, a esse exterior, na medida em
   que--como vimos--esse exterior determina a
   formacao discursiva em questao.


Orlandi (1999) comenta as duas formas de esquecimento de Pecheux, dizendo que o n. 2 e da ordem da enunciacao, um esquecimento parcial, pre-consciente, uma ilusao referencial que da a impressao que ha uma relacao direta entre pensamento, linguagem e o mundo, atestando que o modo de dizer nao e indiferente aos sentidos. O outro, o n. 1, que Pecheux entende como ideologico, e de natureza inconsciente e revela o modo como somos afetados pela ideologia, como os sentidos "[...] sao determinados pela maneira como nos inscrevemos na lingua e na historia e e por isto que significam e nao pela nossa vontade" (ORLANDI, 1999, p. 35).

Ainda no final da "segunda epoca", na sua obra Semantica e discurso, Pecheux (1995), retomando uma questao apenas enunciada, mas nao desenvolvida de modo suficiente por Althusser, reformula a questao do assujeitamento, mostrando o seu carater contraditorio e desigual, o que lhe permite asseverar que os Aparelhos Ideologicos de Estado--AIEs--nao apenas reproduzem como transformam as relacoes de producao.

[...] os aparelhos ideologicos de Estado nao sao, apesar disso, puros instrumentos da classe dominante, maquinas ideologicas que reproduzem pura e simplesmente as relacoes de producao existentes: '[...] este estabelecimento [dos aparelhos ideologicos de Estado] nao se da por si so, e, ao contrario, o palco de uma dura e ininterrupta luta de classes [...]', (aqui Pecheux cita Althusser) o que significa que os aparelhos ideologicos de Estado constituem, simultanea e contraditoriamente, o lugar e as condicoes ideologicas da transformacao das relacoes de producao (isto e, da revolucao, no sentido marxista-leninista). De onde, a expressao 'reproducao/transformacao' que empregamos (PECHEUX, 1995, p. 145).

Ao longo de sua producao, Pecheux, diferentemente de Foucault, jamais se afastou do marxismo, formulando os fundamentos da AD por meio de um trajeto teorico que resultou numa abertura, tanto da concepcao foucaultiana como da althusseriana, para alem das estruturas discursivas e ideologicas. Ainda em relacao a Foucault, Pecheux (1997) dele se distinguiu porque nao se afastou da nocao de Historia assentada nas relacoes de producao, trazendo essa nocao para as condicoes de producao do discurso, nao abrindo mao de relacionar ideologia e linguagem, escapando ao risco de transformar tudo em discurso. Num primeiro momento, abriu o conceito de formacoes discursivas, uma nocao formulada por Foucault (1972), indicando que elas sao atravessadas por preconstruidos e por outras formacoes discursivas que compoem o interdiscurso. Num segundo momento, repensou as FDs a partir da nocao de formacoes ideologicas que, segundo ele, expressam, nas formacoes discursivas, a luta de classes.

Chamaremos, entao, formacoes discursivas aquilo que, numa formacao ideologica dada, isto e, a partir de uma posicao dada numa conjuntura dada, determinada pelo estado da luta de classes, determina o que pode e deve ser dito (articulado sob a forma de uma arenga, de um sermao, de um panfleto, de uma exposicao, de um programa etc.) (PECHEUX, 1995, p. 160).

Formacoes discursivas e formacoes ideologicas, assim definidas por Pecheux, assumem papel relevante na sua teoria materialista do discurso e de suas relacoes com os sujeitos falantes.

[...] retomando os termos que introduzimos acima e aplicando-os ao ponto especifico da materialidade do discurso e do sentido, diremos que os individuos sao 'interpelados' em sujeitos-falantes (em sujeitos de seu discurso) pelas formacoes discursivas que representam 'na linguagem' as formacoes ideologicas que lhes sao correspondentes (PECHEUX, 1995, p. 161).

O que pode parecer para alguns, segundo Pecheux, como "leis psicologicas do pensamento", estao, para ele, determinadas materialmente na propria estrutura do interdiscurso.

[...] propomos chamar de interdiscurso a esse 'todo complexo com dominante' das formacoes discursivas, esclarecendo que tambem ele e submetido a lei de desigualdade-contradicaosubordinacao que, como dissemos, caracteriza o complexo das formacoes ideologicas (PECHEUX, 1995, p. 162).

Como intelectual influenciado que foi por Althusser, Pecheux (1995), de modo semelhante a Poulantzas, assimilou do mestre a nocao da com dominancia, isto e, um todo complexo de sobredeterminacoes dos varios niveis que compoem a estrutura social, com determinacao em ultima instancia do economico. Enquanto o ultimo aplicou essa ideia para a compreensao das relacoes do Estado com a sociedade, indicando autonomia relativa da instancia do politico, Pecheux aplicou-a para desfazer qualquer nocao simplificadora de que ha relacao de determinacao direta de uma formacao discursiva sobre a outra. Trata-se tambem de uma posicao contraria, assumida por Pecheux em relacao ao metodo proposto por Foucault, em Arqueologia do saber, que, segundo ele, nao atribui importancia suficiente a ideologia e as lutas de classe. "[...] e preciso, ainda, poder explicar o conjunto complexo, desigual e contraditorio das formacoes discursivas em jogo numa situacao dada, sob a dominacao do conjunto das formacoes ideologicas, tal como a luta de classes determina" (PECHEUX, 1995, p. 254).

Na ultima e "terceira epoca" (1980 a 1983) que Maldidier denomina de "desconstrucao dirigida" (GREGOLIN, 2006, p. 64), Pecheux que vive o recrudescimento da crise que afeta a esquerda francesa, anunciada em maio de 1968 e agora instalada definitivamente no PC, recrudesce tambem a sua autocritica.

Num de seus ultimos trabalhos, em relacao a concepcao althusseriana, Pecheux propoe uma revisao critica do "estruturalismo politico" em que haviam se transformado as propostas althusserianas, alertando para a necessidade de se abrir a "Teoria", ou seja, o marxismo estruturalista de Althusser, que, segundo ele, havia intimidado os intelectuais, colocando-os numa posicao de proximidade com o Estado.

A grande forca dessa revisao critica e colocar impiedosamente em causa as alturas teoricas no nivel das quais o estruturalismo politico tinha pretendido construir sua relacao com o Estado (eventualmente sua identificacao ao Estado--e especialmente com o Partido-Estado da revolucao). Este choque em retorno obriga os olhares a se voltarem para o que se passa realmente 'em baixo', nos espacos infra-estatais que constituem o ordinario das massas, especialmente em periodo de crise (PECHEUX, 2002, p. 48).

E, por ultimo, ja sob a influencia de Mikhail Bachktin e Michael De Certeau--este ultimo, representante da Nova Historia--mostrou a importancia do acontecimento, opondo-o a estrutura, como possibilidade de transformacao, desde que a AD atentasse para o dialogismo (3) e para os sentidos ordinarios produzidos pelas vozes que "representam um contragolpe ideologico que forca a

refletir" (PECHEUX, 2002, p. 48).

Dentre os discipulos de Althusser, Pecheux, por ter se ocupado dos estudos linguisticos e da formulacao dos paradigmas da AD, talvez tenha sido quem construiu, no inicio da proposicao do seu metodo, uma das mais rigidas grades estruturais. Todavia, pelo seu engajamento politico e sua adesao a ideia de que nao existe discurso ingenuo do ponto de vista ideologico, mesmo quando se trata do discurso cientifico, manteve sempre uma rigida "vigilancia epistemologica" (BOURDIEU, 2004) sobre seus trabalhos, o que lhe possibilitou vigoroso movimento teorico-critico sobre sua propria producao. Quando a grade estrutural lhe pareceu estreita demais, forcou seu rompimento para escapar ao risco de um "gradeamento" imobilizador a que se viu exposto.

Todavia, essa posicao de Pecheux, no conjunto do movimento estruturalista, somente pode ser compreendida, a medida que nos acercamos de suas ideias e passamos a toma-las como orientadoras das analises dos textos nas pesquisas que possamos vir a desenvolver.

A AD como metodologia que tambem e teoria

A maior dificuldade para o pesquisador da area de Ciencias Sociais que se ocupa do discurso politico surge ja no inicio da analise empirica, quando se depara com a tarefa de (des)superficializacao do texto. O analista se ve diante do desafio de passar da superficie linguistica (o material bruto coletado) para o objeto discursivo, passagem que requer o entendimento do processo de enunciacao, bem como da materialidade linguistica. Problemas de sintaxe devem ser solucionados e o concurso de um linguista, nesse momento, torna-se praticamente indispensavel.

Em que pese essa dificuldade--que no grupo que coordenamos temos como resolve-la, pois contamos com a participacao de uma linguista -, ha, contudo, principios e procedimentos na AD que se mostram extraordinariamente adequados ao metier dos sociologos e cientistas politicos.

O modo como se constroi o "corpus" de analise e bastante pertinente ao processo de investigacao da politica, pois, invariavelmente, quando se faz historia ou memoria politica, o pesquisador acaba levantando um volume de material empirico extenso e diverso.

Partir de uma questao, como recomenda a AD, relaciona-la ao dispositivo teorico e a construcao do dispositivo analitico sao procedimentos que facilitam a escolha dos materiais discursivos no conjunto dos textos coletados.

No entanto, ha que se ter em mente que o dispositivo teorico e sempre o mesmo--pois se refere ao Materialismo Historico, a Psicanalise e a Linguistica.

O dispositivo analitico, ao contrario, e flexivel e exige criatividade do pesquisador na sua construcao, pois a questao que se formula em relacao ao objeto/tema invariavelmente leva o pesquisador a convocar conceitos de sua propria area de formacao, desde que compativeis com a AD, para dar conta do processo de compreensao.

Assim, o conceito de ideologia, que e proprio do dispositivo teorico da AD, pode ser articulado a outros, como classes, Estado, opressao, dominacao, partidos, emancipacao etc. O mesmo pode acontecer com a ideia de imaginario--elemento constituinte da nocao althusseriana de ideologia--podendo ser relacionada a sujeicao, aparelhos ideologicos, producao e reproducao tanto das condicoes de producao capitalista como da ideologia dominante.

Um aspecto fascinante da AD e que a medida que a analise se instala, por meio da descricao e da interpretacao, desencadeia-se um movimento de constante retorno a teoria, possibilitando, inclusive, quando necessaria, uma revisao dos conceitos e do proprio "corpus" de analise. E desse modo que se percebe a indissociabilidade entre teoria e metodo na AD.

Embora nao se deva pensar a AD como um processo estabilizado, pois isso a transformaria numa maquina, alguns procedimentos se apresentam como caminhos seguros ao analista: a formulacao da questao ou questoes; a construcao do dispositivo analitico referido ao dispositivo teorico; a (des)superficializacao do texto que, pela sua discursividade, da acesso ao discurso, este de carater teorico--pois se trata de objeto teoricamente construido--, diferente do texto, que e de natureza empirica.

Ha, ainda, a possibilidade de se relacionar devidamente o discurso com a sua exterioridade, superando-se a ja repisada formula de "contextualizacao historica do texto".

Para a AD a Historia nao e mera exterioridade, mas envolve o discurso e se manifesta no texto, impondo-se, desse modo, a compreensao das condicoes de producao do discurso--quem e como o produziu, de que lugar e para quem o produziu.

Importancia especial deve ser dada ao sujeito falante e a lingua. O primeiro porque, ao falar, na verdade enuncia, tendo como referencia o outro, produzindo e administrando, assim, os sentidos. A segunda, a lingua, nao apenas como sistema e no seu funcionamento, mas tambem naquilo que ela tem de singular: o equivoco, o implicito, a falta, a falha, o silencio. Essas buscas do sintoma, como sugerem Althusser e Pecheux, propicia ao analista entender que essas singularidades dependem de como se da a relacao lingua, ideologia e inconsciente, relacao que da acesso aos processos discursivos.

Para a AD tanto a palavra como o silencio produzem sentido, portanto, o silencio tambem significa. Ele pode ser entendido como silencio fundador e respiracao de sentidos e como censura. O que pode ser e o que nao pode ser dito e fundamental para a analise do discurso politico (ORLANDI, 1997).

E pertinente, ainda, pensar que todo discurso se inscreve numa formacao discursiva (FD), nocao formulada por Michel Foucault "para designar conjuntos de enunciados relacionados a um mesmo sistema de regras, historicamente determinadas" (MAINGUENEAU, 1998, p. 67-68). Entretanto, assim procedendo, nao significa reduzir a FD a ideologia, como alerta Pecheux, pois ambas sao componentes das formacoes ideologicas.

Ainda que polemico, o conceito de FD e basico porque permite compreender o processo de producao dos sentidos, a sua relacao com a ideologia e tambem da ao analista a possibilidade de encontrar regularidades (e divergencias) no funcionamento do discurso. Estas devem ser vistas como regionalizacoes do interdiscurso, configuracoes especificas dos discursos em suas relacoes (ORLANDI, 1999, p. 42-43).

Ha quem afirme que o uso do termo FD por Foucault foi para contornar as unidades tradicionais como: teoria, ideologia, ciencia, para designar conjuntos de enunciados que podem ser associados a um mesmo sistema de regras (CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2004, p. 241, grifo do autor).

Em Pecheux, FD aparece, a principio, como uma apropriacao do conceito foucaultiano--trazendo-o para dentro da AD -, revisada a luz do quadro teorico do marxismo althusseriano, isto e, como

[...] posicoes politicas e ideologicas, que nao sao feitas de individuos, mas que se organizam em formacoes (discursivas relacionadas a luta de classes) que mantem entre si relacoes de antagonismo, de alianca ou de dominacao (4) (MAINGUENEAU, 1998, p. 68).

E o mesmo Pecheux que, num segundo momento, alerta para que nao se conceba a FD como algo fechado, pois ela estabelece uma relacao paradoxal com o seu exterior.

[...] uma FD nao e um espaco estrutural fechado, pois e 'invadida' por elementos que vem de outro lugar (isto e, de outras FD) que se repetem nela, fornecendo-lhe suas evidencias discursivas fundamentais (por exemplo, sob forma de 'preconstruidos' e de 'discursos transversos') (PECHEUX, 1997, p. 314).

E essa "invasao" de outros discursos--preconstruidos e transversos--que leva ao interdiscurso, a memoria do dizer, tao importante para a interpretacao da memoria politica.

As ciencias sociais e a adesao a AD

Se de um lado, a adesao a AD por parte dos Cientistas Sociais se torna experiencia extraordinaria, tanto pelos procedimentos metodologicos a que se tem acesso quanto pela instigante discussao teorica que se instala entre as Ciencias Sociais e o dispositivo teorico da AD, por outro, faz emergir ao longo das pesquisas questoes bastante controversas e ate certo ponto incomodas.

Dentre essas questoes, passaremos a tratar de duas delas--que se entrecruzam na AD--e que nos parecem as mais polemicas: a ideologia e o inconsciente. A escolha se deve ao fato de que elas colocam em xeque a nocao de sujeito ontologico com capacidade de intervir no processo historico, colocando em evidencia, no seu lugar, a nocao de sujeito assujeitado.

Desse modo, busca-se, por meio de minuciosa discussao interna da teoria althusseriana e da influencia de Espinosa no seu pensamento, respostas para essa questao que, de certa forma, fecham a teoria e inibem as possibilidades de se pensar a mudanca, a emancipacao e a revolucao, questoes fundamentais para a analise politica.

Como ja foi dito, a AD, influenciada por Althusser, toma como referencia a natureza imaginaria da ideologia, considerando-a mais do que reflexo de uma realidade. Ele nao a ve como falseamento, lacuna ou inversao da realidade, mas como "[...] uma 'representacao' imaginaria dos individuos em suas condicoes reais de existencia" (ALTHUSSER, 1983, p. 85).

Essa dimensao do imaginario do conceito de ideologia de Althusser (1983) atribui-se a uma influencia de Espinosa, pois estaria Althusser se reportando a discussao feita por aquele autor sobre a servidao. Pela oposicao ideias/imagens, Espinosa explica a relacao do homem--e do seu mundo interior--com o mundo exterior.

As primeiras (as ideias) estariam relacionadas a reflexao e ao pensamento, portanto a vida interior. As segundas seriam as impressoes que vem de fora (imagens), podendo obscurecer o pensamento e as ideias, instalando a opressao, contrariando, inclusive o conatus, o desejo do homem em "possuir e conservar tudo quanto lhe propicie alegria e afastar e excluir tudo quanto lhe traga tristeza" (CHAUI, 2003). Um impulso de autoconservacao que busca "o que fortalece e foge do que enfraquece".

Como se pode depreender da discussao anterior, o conceito de assujeitamento de Althusser (1983), que considera o processo de constituicao do sujeito pela interpelacao ideologica, nao se baseia apenas na ideia lacaniana de sujeito especular--em Althusser, o sujeito do capitalismo aparece, constituindo-se pela sua relacao especular com o Sujeito Capital--, mas assenta-se, tambem, na discussao das varias formas de submissao discutidas por Espinosa: a religiosa, a moral, a politica etc.

Buscar as influencias do pensamento espinosista nas nocoes de ideologia e de assujeitamento de Althusser significa romper com o que ha de estrutural e estatizante na sua teoria. Significa buscar explicacao no "conatus" para se entender a saida que Althusser da para o assujeitamento quando se refere ao mau sujeito, ou seja, aquele que, movido pela nocao espinosista de "conatus" resiste a funcao naturalizadora da ideologia e ao assujeitamento. Uma saida pelo caminho de uma nocao de liberdade bastante incomum encontrada no pensamento de Espinosa e reelaborada por Althusser ao seu modo.

Fazer essa aproximacao do pensamento de Althusser ao de Espinosa nos parece adequado, mesmo porque, ao inves de enfatizar apenas o lado da teoria althusseriana que acentua a reproducao ideologica feita pelo Estado, por meio dos seus Aparelhos Ideologicos, a AD parece se fixar mais no conceito de ideologia--no coracao da teoria de Althusser--o lugar de onde e possivel fazer uma leitura de um sujeito ao mesmo tempo constituido e tambem constituinte das formacoes ideologicas.

Questao menos familiar para os cientistas sociais e a referente ao inconsciente, quando a AD traz a discussao a Psicanalise e o seu objeto--o inconsciente--pela leitura que Lacan faz de Freud (ALTHUSSER, 1985).

Sobre o objeto da Psicanalise, Lacan considera que o discurso do inconsciente esta estruturado como uma linguagem. Ao fazer tal constatacao, Lacan esta discutindo os mecanismos e leis do sonho, que Freud reduziu a duas variantes: a deslocacao e a condensacao e identificando com elas duas figuras essenciais para a linguistica, a metonimia e a metafora, a maneira relacional da lingua, como as define Jackobson: a primeira (a metonimia) por contiguidade e a segunda (a metafora) por substituicao.

Dessa discussao, resulta para a AD que o equivoco, a falha, o sintoma, o chiste seriam significantes inscritos na cadeia de um discurso inconsciente, indicando para a Linguistica o paradoxo de um discurso ao mesmo tempo duplo e uno, inconsciente e verbal, um campo unico pelo campo duplo, o campo da "cadeia significante", uma entrada que Lacan se permite fazer, a partir da psicanalise de Freud, nas conquistas da linguistica saussureana (ALTHUSSER, 1985, p. 61-63).

Essa e uma questao extremamente inquietante para profissionais da area de Ciencias Sociais mais acostumados ao dialogo entre Freud e Marx, do qual emerge nao apenas a discussao sobre o inconsciente, mas, sobretudo, da consciencia e do pre-consciente, categorias importantes para a compreensao dos processos de fetichizacao da mercadoria, da reificacao das relacoes sociais, da alienacao, da falsa e da possivel consciencia de classe, questoes caras ao pensamento marxista.

O encontro criado pela AD das Ciencias Sociais com a psicanalise de Lacan e diferente, pois se da pela via do discurso e da linguagem, provocando, obrigatoriamente, a inclusao da Linguistica.

Quando nos detemos na maneira como Pecheux inscreve a nocao de inconsciente na AD, percebe-se que ela se da na instancia do interdiscurso, portanto, na cadeia de filiacao das series discursivas e nao propriamente no campo da exterioridade, isto e, no plano das contradicoes da formacao social e das lutas de classe. Isso nos leva a pensar que, por mais eficiente que possa ser o processo de sujeicao por meio da linguagem e do discurso, o modo de producao e a formacao social se manterao sempre como instancias e lugares das contradicoes e das lutas de interesses.

Se a nocao lacaniana de inconsciente sugere que o sujeito e parte de um processo discursivo, a um so tempo inconsciente e verbal, em Foucault, e possivel identificar nao apenas um, mas sujeitos, dependendo do lugar que ele ocupa na enunciacao e nas formacoes discursivas, estas entendidas como

[...] um conjunto de regras anonimas, historicas, sempre determinadas no tempo e no espaco que definiriam em uma epoca dada e para determinada area social, economica, geografica ou linguistica, as condicoes de existencia da funcao enunciativa (FOUCAULT, 1972, p. 153-154).

Desse modo, a perspectiva foucaultiana, ao inves de elucidar as relacoes entre sujeito discurso e sua exterioridade, traz uma nova dificuldade: uma enfase exagerada no discurso que pode secundarizar os agentes politicos, transformando tudo em discurso.

No entanto, segundo o entendimento de Machado (1988, p. 166), e o proprio Foucault quem abre a possibilidade de compreender o discurso como pratica e de relaciona-lo as praticas naodiscursivas.
   [...] a analise arqueologica como descricao dos
   discursos nao deve se fechar no interior do proprio
   discurso. Pelo contrario, uma de suas ideias basicas e
   articular o acontecimento nao-discursivo, as
   formacoes discursivas com as formacoes nao
   discursivas. Ela nao permanece unicamente ao nivel
   do discurso, embora esse seja o seu objeto, aquilo
   para o qual tudo converge, mas busca estabelecer
   uma relacao com acontecimentos de uma outra
   ordem, seja ela tecnica, economica, social ou politica.


Mesmo abrindo o discurso para o acontecimento, Foucault (1972) nao oferece indicativos de como age o sujeito para alem do discurso, a nao ser quando trata do individuo e o "governo de si proprio", um governo bastante individualizado, quem sabe o governo de uma autonomia possivel nos limites da sociedade vigiada e dos poderes moleculares.

Pecheux (2002) ja havia percebido os limites das concepcoes foucaultianas quando, em seu texto "O discurso: estrutura ou acontecimento", asseverou:

[...] A nocao de 'formacao discursiva' emprestada a Foucault pela analise de discurso derivou muitas vezes para a ideia de uma maquina discursiva de assujeitamento dotada de uma estrutura semiotica interna e por isso mesmo voltada a repeticao: no limite, esta concepcao estrutural da discursividade desembocaria em um apagamento do acontecimento, atraves de sua absorcao em uma sobreinterpretacao antecipadora (PECHEUX, 2002, p. 56).

Conclusao

Da discussao aqui realizada, depreendem-se duas advertencias teorico-metodologicas fundamentais feitas por Pecheux. A primeira delas e que todo discurso marca a possibilidade de uma desestruturacao das redes de memoria e dos trajetos sociais nos quais ele irrompe. A segunda decorre da primeira e alerta o analista para que esteja atento aos rumores dos sentidos ordinarios que vem da sociedade.

Tais advertencias indicam que a AD, para o seu fundador, deve se abrir da estrutura para o acontecimento. Porem, nao ha como cobrar de Pecheux uma teoria da acao e do ator politico, mesmo porque para ele o que importa sao os agentes coletivos, as classes sociais em luta, uma contenda, um processo antagonico que se manifesta nas formacoes ideologicas e discursivas.

E por essas razoes aqui discutidas que, quando hoje fazemos analise do discurso politico, colocamonos numa posicao de constante vigilancia epistemologica, atentos para os possiveis aprisionamentos que os principios e procedimentos da AD podem acarretar.

Temos tido o cuidado de repensar essa teoria e metodo, primeiro a luz da sua propria logica interna e, em segundo, sob a orientacao de algumas questoes fundamentais das Ciencias Sociais como a permanencia/transformacao e a opressao/emancipacao, a proposito, questoes tambem colocadas pelo seu fundador que jamais isentou o trabalho intelectual e cientifico da necessidade do posicionamento etico politico.

Referencias

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Received on April 30, 2009. Accepted on October 21, 2009.

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DOI: 10.4025/actascihumansoc.v32i1.6958

Ana Cleide Chiarotti Cesario * e Ana Maria Chiarotti Almeida

Universidade Estadual de Londrina, Rod. Celso Garcia Cid, Pr 445, Km 380, 86055-900, Londrina, Parana, Brasil.

* Autorpara correspondencia. E-mail: anaccesario@sercomtel.com.br

(1) O metodo harrisiano dominou os primeiros trabalhos da escola francesa de analise de discurso e consistia em acentuar os termos pivos de uma formacao discursiva como sugeria o linguista americano Harris. Partindo de frases em que figuravam essas palavras, construia-se o corpus de analise que era submetido a comparacao em discursos concorrentes, ja que a ideia predominante era a de que as palavras mudam de valor segundo as formacoes discursivas. Nos anos 1970, a Escola francesa passou a criticar esse metodo, dele se distanciando, pelo risco de circularidade que ele trazia, ja que se percebeu que os termos pivos poderiam ser selecionados a partir de um saber exterior (MAINGUENEAU, 1998, p.77).

(2) Sobre o artigo de Pecheux intitulado "A analise de discurso: tres epocas", ver comentario de Gregolin (2006, p. 60-64).

(3) Por dialogismo se entende aqui um conceito da AD "emprestado ao Circulo de Bakhtin e que se refere as relacoes que todo o enunciado mantem com os enunciados produzidos anteriormente, bem como com os enunciados futuros que poderao os destinatarios produzirem" (MOIRAND apud CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2004, p. 160).

(4) Pecheux entendia que era nas formacoes discursivas (FDs) que se operavam o "assujeitamento", a "interpelacao" do sujeito como sujeito ideologico. Ao final dos anos 1970, esse autor reve a nocao de FD, ligando-a ao interdiscurso. FD aparece, entao, inseparavel do interdiscurso, lugar em que se constituiam os objetos e a coerencia dos enunciados que proveem de uma formacao discursiva.
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:Cesario, Ana Cleide Chiarotti; Almeida, Ana Maria Chiarotti
Publication:Acta Scientiarum Human and Social Sciences (UEM)
Date:Jan 1, 2010
Words:6507
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