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Composicao quimica e valores de energia metabolizavel de subprodutos agroindustriais determinados com diferentes aves.

Introdução

Na região Nordeste, em virtude do alto custo e da baixa produção do milho e da soja, principais ingredientes das rações para aves, é preocupação constante por parte dos nutricionistas avaliarem alimentos que possam ser utilizados na alimentação das aves, a fim de reduzir os custos de produção.

Alguns subprodutos gerados pela agroindústria nordestina, como o farelo de coco, o farelo da castanha de caju e a levedura de cana-de-açúcar, têm potencialidade para uso nas rações para aves. Entretanto, sabe-se que fatores como o tipo e as condições de solo, a variedade genética e o processamento agroindustrial podem influenciar a composição química e, consequentemente, o valor de energia metabolizável dos subprodutos de origem vegetal (Silva et al., 2003; Freitas et al., 2005; Gomes et al., 2007; Nery et al., 2007). Portanto, para permitir o correto balanceamento das rações, é necessário o conhecimento da composição química e dos valores de energia metabolizável dos ingredientes.

Na avaliação do valor energético dos alimentos, além da composição química, sabe-se que outros fatores, como o procedimento experimental, o processamento dos alimentos, a idade e a espécie de aves utilizadas nos ensaios, podem interferir nos resultados obtidos (Penz Jr. et al., 1999).

Os valores de energia metabolizável dos alimentos aumentam com o avançar da idade das aves (Silva et al., 2003; Freitas et al., 2005; Brumano et al., 2006; Santos et al., 2006) e diferem entre espécies, havendo diferenças entre os valores determinados com codornas e os determinados com frangos de corte ou galos (Furlan et al., 1998; Silva et al., 2003; Santos et al., 2006; Sakamoto et al., 2006; Gomes et al., 2007). Entretanto, tem sido comum a utilização de um único valor de energia metabolizável dos alimentos para formular as rações de aves de diferentes espécies e idades, subestimando essas diferenças.

Visando minimizar esses problemas, pesquisas vêm sendo realizadas, não só para atualizar os valores nutricionais de alimentos comumente usados na composição de rações para aves, como também para conhecer o valor nutritivo de novos alimentos e determinar o valor nutricional para diferentes tipos de aves (Furlan et al., 1998; Silva et al., 2003; Freitas et al., 2005; Brumano et al., 2006; Santos et al., 2006; Gomes et al., 2007; Nery et al., 2007; Oliveira et al., 2007).

Diante do exposto, esta pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de determinar a composição química e os valores de energia metabolizável do farelo da castanha de caju (FCC), do farelo de coco (FC) e de dois tipos de leveduras de cana-de-açúcar para pintos, galos e codornas e comparar o valor nutricional dos tipos de leveduras.

Material e métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará, no período de janeiro a março de 2006.

Os alimentos avaliados na presente pesquisa foram o farelo da castanha de caju (FCC), resultante do beneficiamento da amêndoa da castanha de caju para consumo humano; o farelo de coco (FC), obtido pelo processo de extração mecânica do óleo; a levedura de cana-de-açúcar, recuperada do processo de fermentação alcoólica para produção de aguardente e seca em rolo (LEV1); e a levedura decantada no fundo da dorna de fermentação e submetida à secagem natural (LEV2).

Os subprodutos foram adquiridos em empresas regionais. Ao chegarem à fábrica de ração, retiraramse amostras que foram, imediatamente, levadas ao laboratório para a determinação da matéria seca (MS), nitrogênio (N), extrato etéreo (EE), fibra bruta (FB), fibra detergente ácido (FDA), fibra detergente neutro (FDN), matéria mineral (MM), cálcio (Ca), sódio (Na), potássio (K), magnésio (Mg) e fósforo (P), seguindo a metodologia descrita por Silva e Queiroz (2002). A energia bruta (EB) foi determinada em bomba calorimétrica adiabática (Modelo 1242, Parr Instruments Co. EUA-1984).

Paralelamente, foram conduzidos três ensaios de metabolismo utilizando o método tradicional de coleta total de excretas com pintos, galos e codornas. Nos três ensaios, utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado e um período experimental de oito dias, sendo três dias para adaptação das aves às rações-teste e cinco dias para a coleta das excretas.

Para execução do primeiro ensaio, 300 pintos machos da linhagem Ag Ross 308, com um dia de idade, foram adquiridos de uma granja comercial e alojados em galpão convencional, com cama de raspa de madeira. No período de um a dez dias de idade, as aves receberam manejo convencionalmente utilizado para frangos de corte. No 11 dia de idade, as aves foram selecionadas e pesadas (peso médio de 242 [+ ou -] 17 g) e alojadas em gaiolas de arame galvanizado (25 cm de largura x 50 cm de profundidade x 40 cm de altura).

Dessas aves foram utilizados 200 pintos, no período de 12 a 21 dias de idade, distribuídos em cinco tratamentos com cinco repetições de oito aves cada. Foram colocadas duas aves por gaiola e cada parcela experimental foi composta por um conjunto de quatro gaiolas, totalizando oito aves. As gaiolas dispunham de bebedouros tipo nipple e de comedouro tipo calha.

Os tratamentos constituíram-se de uma ração-referência (Tabela 1), formulada conforme recomendações nutricionais propostas por Rostagno et al. (2000), e quatro rações-teste. Nessas rações, os alimentos avaliados substituíram 40% da raçãoreferência com base na matéria natural.

Durante o período experimental, água e ração foram oferecidas à vontade, e os comedouros foram abastecidos com ração duas vezes ao dia para evitar desperdícios. Para a coleta das excretas, sob as baterias, foram instaladas bandejas de alumínio previamente revestidas com plásticos. A identificação das excretas provenientes dos alimentos em avaliação foi realizada adicionando-se 1% de óxido férrico nas rações, no primeiro e no último dia de coleta. Assim, foram desprezadas as excretas não-marcadas na primeira coleta e as marcadas na última coleta.

As coletas das excretas foram realizadas duas vezes ao dia, no início da manhã e no final da tarde. Após cada coleta, as excretas foram acondicionadas em sacos plásticos, identificados por tratamento e repetição, e congeladas. No final do período experimental, foram quantificados o consumo de ração e o total de excretas. Após descongelamento à temperatura ambiente, as excretas de cada repetição foram homogeneizadas para retirada de uma amostra, que, por sua vez, foi levada ao laboratório para realizar a pré-secagem em estufa de ventilação forçada a 55[degré]C, por 72h. Em seguida, as amostras foram moídas em moinho tipo faca, com peneira de 16 mash com crivos de 1 mm.

Nas amostras das excretas e rações, foram determinados os teores de MS, N, EE e EB, e seguiu-se a mesma metodologia de análise dos alimentos.

Com base nos resultados laboratoriais, foram calculados os coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS) e do extrato etéreo (CDEE) e os valores da energia metabolizável aparente (EMA) e aparente corrigida (EMAn), conforme equações propostas por Matterson et al. (1965).

No segundo ensaio, foram utilizados 50 galos intactos da linhagem Hysex White, com 27 semanas de idade. Foram alojadas duas aves por gaiola (1,0 m de comprimento x 0,50 m de profundidade x 0,50 m de altura). Nos cinco tratamentos com cinco repetições de duas aves cada, a distribuição dos galos foi baseada no peso médio (1.843 [+ ou -] 121g).

O terceiro ensaio foi conduzido com 80 codornas japonesas, machos com 100 dias de idade. Foram alojadas quatro aves por gaiola (33 cm de comprimento x 23 cm de profundidade x 16 cm de altura).

Os alimentos avaliados, o esquema de composição da ração-referência e das rações-teste, assim como os procedimentos de alimentação, coleta das excretas, preparo das amostras para análise, metodologia das análises e fórmulas usadas para cálculos do CDMS, CDEE e da EMA e EMAn utilizados no segundo e terceiro ensaios seguiram a mesma rotina operacional do primeiro ensaio.

As análises estatísticas dos dados foram realizadas utilizando o SAS (SAS, 2000). Em razão das diferenças de composição química para os alimentos FCC e FC, o efeito do tipo de ave utilizada nos ensaios foi comparado para cada alimento pelo procedimento ANOVA, segundo um modelo inteiramente casualizado. Os dados obtidos para as leveduras foram analisados segundo um modelo fatorial 3 x 2 (três tipos de aves x dois tipos de leveduras). A comparação de médias foi realizada pelo teste SNK, em nível de 5% de significância.

Resultados e discussão

A temperatura média durante os experimentos foi de 29,16[degré]C, sendo 30,24 [+ ou -] 1,0[degré]C a média das máximas e 28,09 [+ ou -] 0,72[degré]C a média das mínimas. A média da umidade relativa foi de 76,0 [+ ou -] 5[degré]C.

Os dados de composição química e da energia bruta dos subprodutos avaliados (Tabela 2) apresentaram variações quando comparados com os tabelados pela Embrapa (1991) e por Rostagno et al. (2005). Essas variações podem ser atribuídas ao fato de que a composição química e energética dos alimentos de origem vegetal pode ser influenciada por fatores como: solo, clima e variabilidade genética dos alimentos. No caso de subprodutos, além desses fatores, o tipo e o tempo de processamento e as condições inadequadas de armazenamento dos alimentos podem alterar os valores (Freitas et al., 2005; Brumano et al., 2006, Gomes et al., 2007; Nery et al., 2007).

Pela comparação dos dois tipos de leveduras (Tabela 2), verificou-se que a LEV1 apresentou maiores valores de MS, EB, PB e menores valores de FB, FDA, FDN, MM e Na que a LEV2. Essas diferenças podem ser atribuídas ao tipo de processamento usado pela indústria para obtenção desses dois subprodutos. A composição química e energética da LEV1 apresentou variações quando comparada aos valores da levedura obtida na indústria de produção de álcool, presente nas tabelas nacionais (Embrapa, 1991; Rostagno et al., 2005). Essas variações podem ser atribuídas às características de fermentação alcoólica, específicas para cada produto a ser obtido. Segundo Perdomo et al. (2004), a composição química e o valor nutritivo da levedura variam dependendo do substrato utilizado para seu crescimento e do processo industrial ao qual é submetida.

As leveduras avaliadas apresentaram valores excessivos de matéria mineral e sódio (Na) quando comparados com os valores tabelados (Embrapa, 1991; Rostagno et al., 2005). Isso se deve à adição de sal comum (NaCl) na indústria para evitar o desenvolvimento de larvas de moscas, e, na LEV2, o sal é adicionado em maiores proporções quando comparado à LEV1.

O elevado teor de Na apresentado pelas leveduras pode ser um fator limitante de sua inclusão nas rações para aves, visto que o consumo de Na em excesso ocasiona aumento significativo no consumo de água e, consequentemente, elevação na umidade das excretas trazendo sérios problemas para a criação de aves.

Os coeficientes de digestibilidade e valores de energia metabolizável obtidos para o FCC e o FC são apresentados na Tabela 3. Conforme os dados, para o FCC, as codornas apresentaram maiores (p < 0,05) CDMS e CDEE e valores de EMA e EMAn, enquanto, entre pintos e galos, as diferenças foram significativas apenas para os valores de EMA e EMAn (Tabela 3). Para o FC, os maiores (p < 0,05) valores de CDMS, CDEE, EMA e EMAn foram obtidos com os galos; os menores, com os pintos.

Os coeficientes de digestibilidade e valores de energia metabolizável obtidos para as leveduras são apresentados na Tabela 4. Para estes alimentos, observou-se interação significativa entre o tipo de levedura e o tipo de ave sobre o CDMS e os valores de EMA e EMAn. Entretanto, o CDEE não diferiu significativamente entre as leveduras e entre os tipos de aves.

Com o desdobramento da interação, observou-se que o CDMS da LEV2 não variou significativamente entre os tipos de aves; para a LEV1, as codornas apresentaram maior CDMS. Comparando os CDMS obtidos para as leveduras, observou-se que apenas para os valores determinados com codornas houve diferença significativa, com maior CDMS para a LEV1.

Os valores de EMA e EMAn determinados para a LEV1 foram superiores aos determinados para a LEV2, independentemente do tipo de ave. Entretanto, comparando os valores de EMA determinados com os diferentes tipos de aves, observou-se que, para a LEV1, as codornas apresentaram os maiores valores de EMA, enquanto, para a LEV2, os maiores valores foram determinados com galos. Para a EMAn, os menores valores foram determinados com pintos; apenas para a LEV2 os valores determinados com galos e codornas diferiram significativamente, obtendo-se maior valor de EMAn com galos.

O menor valor de EM da LEV2, em relação a LEV1, pode ser associado a diferenças na composição química (Tabela 2) e a possíveis efeitos negativos do excesso de sódio pela adição de NaCl para a preservação durante a secagem do produto.

Nos ensaios, verificou-se que as aves alimentadas com a ração-teste contendo LEV2 produziram excretas excessivamente úmidas. Tal fato pode ser associado à maior ingestão de água pelas aves na tentativa de eliminarem, via urina, o excesso de sódio ingerido e, assim, manterem o seu equilíbrio osmótico. O efeito negativo do excesso de sódio foi mais evidente nos pintos e nas codornas em relação aos galos.

Para todos os subprodutos avaliados, os valores de EMA e EMAn determinados com galos foram superiores aos obtidos com os pintos. Segundo Freitas et al. (2005), os maiores valores de EM determinados com galos, em relação aos determinados com pintos, podem ser atribuídos à maior capacidade digestiva dos galos.

Com as codornas também foram obtidos maiores valores de EMA e EMAn, em relação aos determinados com pintos para todos os subprodutos. Entretanto, em relação aos galos, as codornas apresentaram menores valores de EMA e EMAn para o FC e a LEV2 e maiores para o FCC. Para a LEV1, o maior valor de EMA foi determinado com codornas, enquanto a EMAn não diferiu em relação ao valor determinado com os galos.

Na literatura não são encontrados resultados de pesquisas que avaliaram, simultaneamente, os mesmos alimentos para codornas, frangos de corte ou galos. Normalmente, os resultados de EMA ou EMAn obtidos para um alimento nos ensaios com codornas são comparados aos valores de literatura obtidos em ensaios com frangos ou galos. De acordo com Silva et al. (2003), os valores de EMAn determinados com codornas entre 22 e 27 dias de idade foram semelhantes aos tabelados por Rostagno et al. (2000) para alimentos como milho, farelo de soja e farinha de peixe. Entretanto, Gomes et al. (2007) observaram que a EMAn do sorgo, milheto, farelo de soja, farinha de peixe, farinha de carne e ossos, gordura de aves e sebo bovino determinada com codornas foi superior à tabelada para aves por Rostagno et al. (2005); para o farelo de arroz e a farinha de penas e vísceras, a EMAn determinada com codornas foi menor.

Pouco se sabe sobre as diferenças entre as espécies utilizadas na presente pesquisa e que podem influenciar no aproveitamento dos nutrientes de um mesmo alimento. Nesse sentido, Oliveira et al. (2007) relataram que o maior tamanho relativo dos cecos da codorna favorece maior digestibilidade da fibra, contribuindo para o maior valor de energia metabolizável dos alimentos fibrosos. De acordo com os autores, esse fato justificaria a superioridade dos valores de EM determinados com codornas, em relação aos determinados com galinhas, para o farelo de trigo e o feno de alfafa. Entretanto, com base nos resultados obtidos na presente pesquisa para o FC, alimento rico em fibra, esse efeito pode ser questionado, visto que os maiores valores de EM foram determinados para galos e as codornas utilizadas no ensaio eram consideradas adultas.

É possível que a grande variação de idade e sexo das codornas utilizadas nos ensaios e as diferentes composições químicas dos alimentos avaliados sejam os fatores que mais contribuem para a variabilidade de resultados e a falta de explicação para justificar as diferenças entre as espécies na avaliação de um mesmo alimento. Observações nesse sentido foram relatadas por Silva et al. (2003), Gomes et al. (2007) e Oliveira et al. (2007), quando compararam os resultados obtidos em suas pesquisas com os obtidos em outros ensaios com codornas, sendo o efeito da idade demonstrado por Santos et al. (2006).

Com exceção dos resultados obtidos para a LEV1 com galos, todos os valores de EMA foram superiores aos de EMAn. Isso se deve ao balanço de nitrogênio positivo apresentado pelas aves. Freitas et al. (2005) também obtiveram balanço de nitrogênio positivo para pintos e galos; Silva et al. (2003) e Santos et al. (2006), para codornas. Por outro lado, Gomes et al. (2007), trabalhando com codornas em idade semelhante à utilizada na presente pesquisa, relataram que em média a EMAn para os diferentes alimentos foi superior em 5% a EMA, pelo balanço de nitrogênio negativo apresentado pelas codornas. Oliveira et al. (2007) trabalharam com codornas fêmeas aos 26 dias de idade e verificaram variação no balanço de nitrogênio em função do alimento. Os autores verificaram balanço de nitrogênio negativo e, consequentemente, maior valor de EMAn, em relação a EMA, para o farelo de soja e a semente de linhaça. Para o milho, quirera de arroz e óleo de soja degomado, o balanço foi positivo e EMAn menor que EMA.

Comparando-se os resultados de EMAn (kcal [kg.sup.-1] de MS) obtidos para os diferentes alimentos com os apresentados nas tabelas nacionais de composição de alimentos, observou-se que o valor apresentado na tabela da Embrapa (1991) para o FCC (5.044) é superior ao determinado com pintos (4.683), semelhante ao determinado com galos (5.058) e inferior ao determinado com codornas (5.688). Os valores determinados para o FC foram superiores aos apresentados na tabela da Embrapa (1991) e por Rostagno et al. (2005), que são de 2.735 e 2.113 (kcal [kg.sup.-1] de MS), respectivamente. Entretanto, os valores determinados para a LEV1 e LEV2 foram inferiores aos apresentados na tabela da Embrapa (1991) e de Rostagno et al. (2005), que são de 3.270 e 2.735 (kcal [kg.sup.-1] de MS), respectivamente.

Conforme relatado anteriormente, as diferenças na composição química, idade e espécie de aves utilizadas nos ensaios de metabolismo podem resultar em diferenças entre os valores de EMAn determinados para um mesmo alimento, justificando as diferenças observadas entre os valores determinados e os tabelados. Por outro lado, os resultados obtidos na presente pesquisa evidenciam a necessidade de determinar os valores de EM de um dado alimento para cada categoria e espécie de ave. Vale ainda ressaltar que o valor energético de um alimento resulta da relação entre a composição química e características físicas do alimento e as características anatômicas e fisiológicas das aves, que influenciam diretamente os processos digestivos e absortivos.

Conclusão

Os valores de EMA (kcal [kg.sup.-1] de MS) determinados com pintos, galos e codornas foram, respectivamente: 4.766, 5.128 e 5.872 para o FCC; 3.850, 5.167 e 4.414 para o FC; 2.061, 2.280 e 2.745 para a LEV1; 940, 1.860 e 1.295 para a LEV2.

Os valores de EMAn (kcal [kg.sup.-1] de MS) determinados com pintos, galos e codornas foram, respectivamente: 4.683, 5.058 e 5.688 para o FCC; 3.828, 4.998 e 4.357 para o FC; 1.963, 2.386 e 2.373 para a LEV1, 743; 1.752 e 1.063 para a LEV2.

A levedura de cana-de-açúcar da indústria de aguardente seca por rolo (LEV1) apresenta composição e valor energético superior ao da levedura do fundo da dorna e seca naturalmente (LEV2).

Received on January 03, 2008.

Accepted on August 11, 2008.

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Roberto Batista Silva, Ednardo Rodrigues Freitas *, Maria de Fátima Freire Fuentes, Irani Ribeiro Vieira Lopes, Raffaella Castro Lima e Roseane Madeira Bezerra

Programa de Pós-graduação em Zootecnia, Universidade Federal do Ceará, Av. da Universidade, 2853, 60020-181, Benfica, Fortaleza, Ceará, Brasil. * Autor para correspondência. E-mail: ednardo@ufc.br
Tabela 1. Composigdo percentual e calculada das dietas
experimentais.

Table 1. Percent atol calculated composition of the
experimental diets.

Ingredientes                       (%)
Ingredients

Milho                              59,80
Com

Farelo de soja (45%)               35,13
Soybeans meal

Fosfato bicálcico                   1,60
Dicalcium Phosphate

óleo de soja                        1,57
Soybean oil

Calcário                            1,03
Limestone

Sal comm                            0,35
Common Salt

Suplemento vitamínico-mineral *     0,40
Min- i-vitaminsupplement

Dl-metionina                        0,13
DL - methionine

Total                              100,00
Total

Composi o calculada
Calculated composition

Proteína bruta (%)                 21,20
Crude protein

Energia metabolizável              2.950
(kcal kg-')
Metabolizable energy

Cálcio (%)                          0,92
Calcium

Fósforo disponível (%)              0,41
Available P

Sódio (%)                           0,18
Sodium

Lisina total (%)                    1,13
Lysine

Metionina total (%)                 0,46
Methionine

Treonina total (%)                  0,82
Threonine

Triptofano total (%)                0,26
Tryptophan

* Suplemento Vitamínico-mineral. Niveis de garantia pot kg do protium:
Zn- 4.000 mg; antioxidante 20 g; Cu-1.600 mg; coccidiostático 22 g;
Fe 10.000 mg; 1-150 mg; Mn-15.000 mg; promotor de crescimento 31,60 g;
Se-60 mg; violeta de genciana 2.40 g; Vit. A 1.400.000 Ul; Vit.
Bl 320 mg; Vit. B12 2.000 mcg; Vit. B2 1.000 mg; Vit. B6 520 mg; Vit.
D3 300.000 Ul; Vit. E 2.400 mg; Vit. K3 300 mg; acido fôbco 140 mg;
ácido pantotéhico 2.600 mg; colt- 84.000 mg; niacina 7.000 mg;
Veiculo q.s.p. 1.000 g.

* Mineral-vitamin supplement. Composition per kg of product: Zn-
4.000 mg; antioxidant 20 g; Cu-1.600 mg; coccidiostatic 22 g;
Fe 10.000 mg; I-150 mg; Mn-15.000 mg; growth promoter 31,60 g;
Se-60 mg; gentian violet 2.40 g; Vit. A 1.400.000 UI; Vit. B1 320 mg;
Vit. B12 2.000 mcg; Vit. B2 1.000 mg; Vit. B6 520 mg; Vit. D3
300.000 UI; Vit. E 2.400 mg; Vit. K3 300 mg; folic acid 140 mg;
pantothenic acid 2.600 mg; choline 84.000 mg; niacin 7.000 mg;
vehicle q.s.p 1.000 g.

Tabela 2. Composiçáo química e energética dos subprodutos
avaliados.

Table 2. Chemical and enerpv composition of evaluated alternative
feedstuf.

Constituintes             FC **   FACC    LEV 1   LEV 2
Constituents

Matéria Seca (%)          96,17   94,74   86,46   82,06
Dry matter

Energia bruta (kcal       5.391   6.412   4.036   2.400
[kg.sup.-1]) *
Crude energy

Proteína bruta (%) *      25,09   22,39   22,41   16,08
Cradepmtein

Fibra bruta (%) *         15,07    7,09    1,12    6,05
Crude fiber

Fibra detergente          23,77   21,47   15,11   42,65
ácido (%) *
Acid detergent fiber

Fibra detergente          59,29   28,76   49,87   57,28
neutro (%)*
Neutral detergent fiber

Extrato etéreo (%) *      21,66   47,01    0,98    1,66
Ethmal extrae

Matéria mineral (%) *      4,09    3,36   12,89   47,70
Mineral matter

Cálcio (%) *               0,31    0,60    0,68    0,83
Calcium

Fósforo (%) *              0,26    0,25    0,45    0,33
Phosphorus

Sódio (%) *                0,07    0,06    1,27    4,24
Sodium

Potássio (%) *             1,41    0,80    1,41    0,90
Potassium

Magnésio (%) *             0,30    0,26    0,27    0,22
Magnesium

* Valores expressos com base na materia seca; * *FC--farelo de coco;
FACC-farelo da castanha de caju; LEV1--levedura de cana-de-açúcar
seca ao rolo; LEV2--levedura de cana-de-.inicarsec.i iosol.

* Values based in dry matter; ** FC--coconut meal; FACC--cashew nut
meal; LEV1--dry sugar cane yeast--roll; LEV2--sun-dried sugar
cane yeast.

Tabela 3. Coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca
(CDMS) e do extrato etéreo (CDEE) e valores de energia
metabolizável aparente (EMA) e aparente corrigida (EMAn)
determinados corn pintos, galos e codornas para o farelo de
castanha de caja (FCC) e farelo de coco (FC).

Table 3. Apparent digestibility coefficients of dry matter (DCDM) and
ether extract (DCEE) and values of apparent metabolizable energy (AME)
and nitrogen-corrected apparent metabolizable energy (AMEn) determined
with chicks, roosters and quail for cashew nut meal (CNM) and
coconut meal (CONM).

                Tipos de aves              Média   CV (%)
                Types of birds             Means
Alimentos
Feeds       Pintos    Galos     Codornas
            Chicks    Rooster     Quail

                       CDMS (%)
                       DCDM (% )

FCC         63,66 b   63,96 b   74,99 a    6,754   3,46
CNM

FC          53,67 b   66,07 a   66,03 a    6,192   3,18
CONM
                       CDEE (%)
                       DCEE (%)

FCC         94,37 b   96,00 b   98,60 a    9,632   1,31
CNM

FC          89,65 c   99,33 a   95,96 b    9,498   1,14
CONM
                        EMA (kcal [kg.sup.-1] MS)
                        AME (kcal [kg.sup.-1] DM)

FCC         4.766 c   5.128 b   5.872 a    5.256   1,77
CNM

FC          3.850 c   5.167 a   4.414 b    4.477   7,10
CONM
                        EMAn (kcal [kg.sup.-1] MS)
                        AME. (kcal [kg.sup.-1] DM)

FCC         4.683 c   5.058 b   5.688 a    5.143   1,68
CNM

FC          3.828 c   4.998 a   4.245 b    4.357   6,86
CONM

Médias seguidas de letras distintas, na mesma linha, diferem entre si
pelo teste SNK (5%).

Means followed by different letters in the same row differ by
SNK test (5%).

Tabela 4. Coeficientes de digestibilidade aparente da mat6ria seca
(CDMS) e do extrato etéreo (CDEE) e valores de energia
metabolizável aparente (EMA) e aparente corrigida (EMAn)
determinados corn pintos, galos e codornas para a levedura de
cana-de-açúcar (LEV1 e LEV2).

Table 4. Apparent digestibility coefficients of dry matter (DCDM) and
ether extract (DCEE) and values of apparent metabolizable energy (AME)
and nitrogen-corrected apparent metabolizable energy (AMEn)
determined with chicks, roosters end quail for sugar cane yeast
(SCY1 and SCY2).

Alimentos        Tipos de aves               Media   CV (%)
Feeds            Types ofbirds               Means

            Pintos     Galos      Codornas
            Chicks     Roosters   Quail

                         CDMS (%)
                         DCDM (%)

LEV1        52,99 bA   54,58 bA   60,92 aA   56,16   4,79
SCY1

LEV2        52,OO aA   52,75 aA   52,82 aB   52,86
SCY2
                         CDEE (%)
                         DCEE (%)

LEV1        74,57 aA   77,58 aA   78,05 aA   76,73   3,02
SCY1

LEV2        74,31 aA   77,22 aA   76,56 aA   76,03
SCY2
                         EMA (kcal [kg.sup.-1] MS)
                         AME (kcal [kg.sup.-1] DM)

LEV1        2.061 cA   2.280 bA   2.745 aA   23,62   5,45
SCY1

LEV2        0.940 cB   1.860 aB   1.295 bB   13,65
SCY2
                         EMAn (kcal [kg.sup.-1] MS)
                         AME. (kcal [kg.sup.-1] DM)

LEV1        1.963 bA   2.386 aA   2.373 aA   2.241   5,75
SCY1

LEV2        0.743 cB   1.752 aB   1.063 bB   1.186
SCY2

Na linha, médias seguidas de letras minúsculas e, na coluna, médias
seguidas de letras mnúsculas distintas diferem entre si pelo teste
SNK (5%).

In a row, means followed by lowercase letters, and in the column,
means followed by capital letters differ by SNK test (5%).
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:Batista Silva, Roberto; Rodrigues Freitas, Ednardo; Freire Fuentes, Maria de Fátima; Vieira Lopes, I
Publication:Acta Scientiarum Animal Sciences (UEM)
Date:Jul 1, 2008
Words:5197
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